CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE GERAÇÃO SOLAR FOTOVOLTAICA E ANÁLISE EM TEMPO REAL DA OPERAÇÃO DE UM PAINEL FOTOVOLTAICO INSTALADO NA CIDADE DE LAJEADO/RS Gustavo Vinícius Kaufmann Lajeado, dezembro de 2012 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Gustavo Vinícius Kaufmann AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE GERAÇÃO SOLAR FOTOVOLTAICA E ANÁLISE EM TEMPO REAL DA OPERAÇÃO DE UM PAINEL FOTOVOLTAICO INSTALADO NA CIDADE DE LAJEADO/RS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas do Centro Universitário UNIVATES, como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Engenharia Ambiental. Área de concentração: Engenharia Ambiental ORIENTADOR: Prof. MSc. João Vicente Akwa Lajeado, dezembro de 2012 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Gustavo Vinícius Kaufmann AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE GERAÇÃO SOLAR FOTOVOLTAICA E ANÁLISE EM TEMPO REAL DA OPERAÇÃO DE UM PAINEL FOTOVOLTAICO INSTALADO NA CIDADE DE LAJEADO/RS A Banca Examinadora abaixo aprova o trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas, do Centro Universitário UNIVATES, como parte da exigência para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Ambiental. Orientador: Prof. MSc. João Vicente Akwa, UNIVATES Mestre pela UFRGS – Porto Alegre, Brasil Banca Examinadora: Prof. Dr. Odorico Konrad, UNIVATES Doutor pela Montanuniversität Leoben – Leoben, Áustria Prof. MSc. João Vicente Akwa, UNIVATES Mestre pela UFRGS – Porto Alegre, Brasil Prof. Dr. Elton Gimenez Rossin, UERGS Doutor pela UFRGS – Porto Alegre, Brasil Lajeado, dezembro de 2012. Dedico este trabalho aos meus pais, em especial pela dedicação e apoio em todos os BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) momentos difíceis. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) AGRADECIMENTOS Os meus sinceros agradecimentos aos meus pais, Adair e Loiva, que sempre me apoiaram e acreditaram que eu poderia sempre alcançar muito mais, e ao meu irmão Guilherme pelo incentivo e companheirismo. À minha família que sempre serviu de exemplo em todas as etapas da minha vida. À minha namorada Juliana pelo carinho, paciência e motivação. Aos meus amigos que sempre foram parceiros nas horas boas e ruins, e aos que conquistei durante o curso, pela amizade e pelos momentos de dificuldade e alegria que passamos juntos nesses seis anos de graduação. Aos professores do curso de Engenharia Ambiental da Univates pela dedicação, orientação e conhecimentos compartilhados. Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para a minha formação, o meu muito obrigado! BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) RESUMO Os sistemas solares fotovoltaicos estão surgindo como alternativa ao atual modelo de geração de energia elétrica, fornecendo energia limpa, com pouco impacto ambiental e sem perdas significativas associadas às redes de distribuição. Portanto, o presente estudo tem por objetivo obter dados da geração de energia elétrica em tempo real de um painel solar fotovoltaico instalado na cidade de Lajeado/RS, correlacionando a geração de energia solar fotovoltaica com dados da radiação solar incidente na cidade, obtidas com o uso de um piranômetro. Utilizou-se dados de radiação solar incidente coletados no município no período de 2007 a 2012. Estes dados foram tabulados e avaliados estatisticamente. O painel solar fotovoltaico conta com uma área de 16,5m² e foi instalado no campus da Univates, disposto de modo que esteja voltado para o norte geográfico e inclinado em um ângulo de 24°, para melhor aproveitamento da radiação solar incidente ao longo do ano. Ao fim do estudo, obteve-se uma média mensal de geração de energia de 11 kWh/dia e uma eficiência dos módulos da ordem de 12,6%. Palavras-chave: Energia solar fotovoltaica. Energia renovável. Geração de energia elétrica. ABSTRACT Solar photovoltaic systems are emerging as an alternative to the current model of electricity generation, supplying clean energy with little environmental impact and no significant losses associated to distribution networks. Therefore, this study aims to obtain data from electricity generation in real time of a photovoltaic solar panel installed in the city of Lajeado/RS, correlating the generation of solar PV with solar radiation data in the city, obtained with the use of a pyranometer. It was used data from incident solar radiation collected from 2007 to 2012. These data were tabulated and analyzed statistically. The photovoltaic panel has an area of 16.5 m² and was installed on the campus of Univates, arranged so that it faces true north and inclined at an angle of 24 °, for better use of sunlight throughout the year. At the end of the study, there was obtained an average of power generation of 11 kWh/day and an efficiency of the modules in the order of 12.6%. Keywords: Photovoltaic solar energy. Renewable energy. Electric power generation. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Matriz de oferta de energia ...................................................................................... 15 Figura 2 - Lista dos 15 maiores geradores de energia elétrica e a fonte de energia utilizada .. 16 Figura 3 - Gráfico de Gigawatts de potência fotovoltaica instalados no mundo ...................... 19 Figura 4 - Distribuição da radiação solar incidente .................................................................. 21 Figura 5 - Piranômetro com sensor fotovoltaico ...................................................................... 22 Figura 6 - Piranômetro termoelétrico ....................................................................................... 23 Figura 7 - Heliógrafo Campbell-Stokes e cartas de registro .................................................... 23 Figura 8 - Piranógrafo .............................................................................................................. 24 Figura 9 - Radiação solar global diária, média anual ............................................................... 25 Figura 10 - Insolação direta diária, média anual ...................................................................... 26 Figura 11 - Esquematização da junção pn ................................................................................ 29 Figura 12 - Efeito fotovoltaico e junção pn .............................................................................. 30 Figura 13 - Projetos de sistemas isolados ................................................................................. 31 Figura 14 - Sistema híbrido ...................................................................................................... 32 Figura 15 - Sistema conectado à rede ....................................................................................... 33 Figura 16 - Painel solar fotovoltaico ........................................................................................ 34 Figura 17 - Corte esquemático de um módulo fotovoltaico ..................................................... 35 Figura 18 - Associação de módulos em série ........................................................................... 35 Figura 19 - Curvas I x V para conexão em série ....................................................................... 36 Figura 20 - Associação de módulos em paralelo ...................................................................... 36 Figura 21 - Curvas I x V para conexão em paralelo.................................................................. 37 Figura 22 - Ligação dos diodos de proteção em uma associação série-paralelo ...................... 38 Figura 23 - Regulador em série ................................................................................................ 40 Figura 24 - Regulador shunt ..................................................................................................... 40 Figura 25 - Módulo fotovoltaico a ser instalado....................................................................... 44 Figura 26 - Instalação dos módulos nos suportes ..................................................................... 45 Figura 27 - Painel solar instalado e em funcionamento ........................................................... 45 Figura 28 - Local em que estão instalados a estação meteorológica e o painel solar fotovoltaico ............................................................................................................................... 46 Figura 29 - Estação meteorológica DAVIS Vantage PRO 2 .................................................... 47 Figura 30 - Software RADIASOL 2 ......................................................................................... 48 Figura 31 - Gráfico da radiação solar horizontal, por unidade de área, média diária............... 51 Figura 32 - Gráfico de horas de radiação global por dia, médias mensais ............................... 51 Figura 33 - Gráfico da energia gerada (Agosto) ....................................................................... 52 Figura 34 - Gráfico da energia gerada (Setembro) ................................................................... 53 Figura 35 - Gráfico da relação entre a energia gerada e a pluviometria ................................... 54 Figura 36 - Radiação global incidente no plano horizontal e inclinado ................................... 56 Figura 37 - Radiação incidente e energia gerada ...................................................................... 58 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Gigawatts oriundos de energia fotovoltaica instalados no mundo .......................... 18 Tabela 2 - Países com maior potência fotovoltaica instalada ................................................... 20 Tabela 3 - Pedidos de registros de usinas fotovoltaicas na ANEEL até 2011 .......................... 20 Tabela 4 - Inclinação do painel solar em relação à necessidade na instalação ......................... 44 Tabela 5 - Radiação solar global horizontal média diária, para cada mês do ano, no período de 2007 a 2012 .............................................................................................................................. 50 Tabela 6 - Radiação global incidente no plano horizontal e inclinado ..................................... 55 Tabela 7 - Radiação incidente e energia gerada ....................................................................... 57 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica APP - Área de Preservação Permanente CA - Corrente alternada CC - Corrente contínua CERTEL ENERGIA - Cooperativa de Distribuição de Energia Teutônia CETEC - Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas CIH - Centro de Informações Hidrometeorológicas FV - Fotovoltaico H - Horas LABSOL - Laboratório de Energia Solar MPPT – Maximum Power Point Tracker NBR – Norma Brasileira pn - Positivo/Negativo RS - Rio Grande do Sul SF - Sistema Fotovoltaico UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 11 2. OBJETIVOS ..................................................................................................................... 13 2.1. Objetivo geral ............................................................................................................... 13 2.2. Objetivos específicos .................................................................................................... 13 3. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................. 14 3.1. Energias renováveis ...................................................................................................... 14 3.2. Radiação solar............................................................................................................... 21 3.3. Efeito fotovoltaico ........................................................................................................ 27 3.4. Configurações básicas dos sistemas fotovoltaicos ....................................................... 30 3.4.1 Sistema isolado ............................................................................................................. 31 3.4.2 Sistema híbrido ............................................................................................................. 32 3.4.3 Sistema conectado à rede .............................................................................................. 33 3.5 Componentes básicos dos sistemas fotovoltaicos ........................................................ 33 3.5.1 Painel fotovoltaico ........................................................................................................ 34 3.5.2 Baterias ......................................................................................................................... 38 3.5.3 Controladores de carga ................................................................................................. 39 3.5.4 Conversor CC-CA ........................................................................................................ 41 3.5.5 Seguidor de ponto de máxima potência (MPPT) ......................................................... 41 3.6 Legislação em vigor e normas ABNT .......................................................................... 42 4. METODOLOGIA ............................................................................................................. 43 4.1. Painel solar fotovoltaico ............................................................................................... 43 4.2. Radiação global e horas de insolação ........................................................................... 47 4.3 Tratamento dos dados ................................................................................................... 47 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................... 49 5.1 Radiação incidente e insolação ..................................................................................... 49 5.2 Energia elétrica gerada a partir do painel fotovoltaico ................................................. 52 5.3 Valor de radiação incidente no plano do painel solar fotovoltaico .............................. 54 5.4 Relação entre a radiação solar incidente e a geração de energia .................................. 56 6. CONCLUSÕES ................................................................................................................ 59 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 61 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 11 1. INTRODUÇÃO O crescimento contínuo da população e do consumo de energia em escala mundial, associado à natureza finita dos combustíveis fósseis e aos impactos ambientais gerados pela sua utilização questionam o atual modelo energético. No Brasil, a principal característica do sistema elétrico é a utilização de grandes usinas que centralizam a geração de energia elétrica, com o transporte desta através de extensas redes de transmissão e distribuição. Em contrapartida a este modelo, surge a geração distribuída, na qual os geradores localizam-se próximos aos consumidores, diminuindo o impacto ambiental e as perdas ocorridas no transporte (RÜTHER, 2010). A geração distribuída é caracterizada por diferentes tecnologias, incluindo as convencionais como geradores a diesel e turbinas a gás; tecnologias mais modernas, como micro-turbinas e células combustíveis; e tecnologias de fonte renovável, como geradores fotovoltaicos, pequenas centrais hidrelétricas, aerogeradores e geradores movidos à biomassa. A geração direta de eletricidade a partir da luz do Sol, através do efeito fotovoltaico, se apresenta como uma das melhores formas de geração de potência elétrica (BRAUNGRABOLLE, 2010). Além de praticamente não causar impactos ambientais, esta tecnologia proporciona a possibilidade de instalação de sistemas fotovoltaicos próximos do consumo tanto em áreas distantes e ainda não eletrificadas, como também em grandes centros urbanos sobre áreas já ocupadas, como o envoltório de edificações urbanas (LESOURD, 2001). Dessa forma, a inserção de energia fotovoltaica na matriz energética nacional, de forma complementar, poderia trazer grandes benefícios tanto ao setor energético, quanto aos setores econômico, ambiental e social do país (BRAUN-GRABOLLE, 2010). A motivação para este projeto, portanto, é de obter conhecimentos necessários para implantação de painéis solares fotovoltaicos, tecnologia limpa e renovável que surge como 12 aliada à geração de energia centralizada, que traz malefícios como poluição e grandes impactos ambientais. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) O projeto se justifica pela necessidade de avaliar a eficiência que um painel solar fotovoltaico teria se instalado na cidade de Lajeado/RS, partindo-se da radiação solar global incidente, com o intuito de obter dados sobre a geração de energia solar fotovoltaica e a possibilidade de estimar os benefícios que a mesma poderia trazer tanto para a população, quanto para o meio ambiente. Este trabalho visa à obtenção de dados de geração de energia elétrica a partir de um sistema fotovoltaico instalado na cidade de Lajeado/RS, a fim de estudar a viabilidade dessa fonte de energia solar. O estudo, porém, não se propõe a afirmar que a solução de engenharia proposta para o uso racional de energia atrelado à geração própria de eletricidade seja, em absoluto, a melhor ou única maneira de se implementar, na prática, uma proposta desta natureza. Além da introdução, o presente estudo é composto por seis capítulos, conforme disposto a seguir. Os objetivos gerais e específicos estão descritos no capítulo 2. Já o capítulo 3 apresenta um referencial teórico, tratando da questão das energias renováveis, ganhos ambientais, radiação solar e efeito fotovoltaico, detalhando as configurações básicas e componentes necessários para o bom funcionamento do sistema fotovoltaico. No capítulo 4 apresenta-se a metodologia a ser aplicada para a realização dos estudos e atendimento dos objetivos propostos. O capítulo 5 descreve os resultados obtidos após a aplicação da metodologia apresentada, e, por fim, o capítulo 6 apresenta as conclusões obtidas a partir dos resultados alcançados. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 13 2. OBJETIVOS A partir de uma revisão dos conceitos teóricos da tecnologia fotovoltaica, este estudo busca aprofundar conhecimentos sobre esta área que está se desenvolvendo de forma exponencial em todo o mundo e que promete ser uma das grandes soluções da engenharia para as questões ambientais e energéticas, problemáticas neste século XXI. 2.1. Objetivo geral Obter dados da geração de energia elétrica a partir de um sistema solar fotovoltaico instalado no campus do Centro Universitário UNIVATES, e correlacioná-los com dados da radiação solar incidente no local obtida por medição com instrumentação adequada. 2.2. Objetivos específicos Quantificar o valor de radiação global horizontal e insolação diária a partir de um piranômetro instalado no Centro de Informações Hidrometeorológicas da UNIVATES; Quantificar, através de medidores, a energia elétrica gerada a partir de um painel solar fotovoltaico instalado no campus da UNIVATES; Calcular o valor de radiação global incidente no plano do painel fotovoltaico a partir dos dados de radiação global medidos no plano horizontal; Correlacionar a quantidade de energia produzida a partir do painel fotovoltaico com a radiação solar global incidente no piranômetro. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 14 3. REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo será apresentado o referencial teórico dos assuntos relacionados ao tema e aos objetivos do estudo. Em um primeiro momento será abordada a questão das energias renováveis, enfatizando-se, após, os impactos e ganhos ambientais provenientes da utilização de energia solar fotovoltaica, a geração de energia fotovoltaica mundial e brasileira, a radiação solar e o efeito fotovoltaico, bem como seus componentes. 3.1. Energias renováveis A partir da revolução industrial no século XVIII, houve um aumento significativo do nível de produção, o que passou a exigir uma maior demanda de energia elétrica, mecânica e térmica. Esse aumento do consumo foi suprido principalmente com o uso do petróleo e do carvão, não sendo levado em conta o seu esgotamento futuro (BUENO, 2010). Embora o desenvolvimento industrial tenha contribuído para aumentar a qualidade de vida das pessoas, as políticas públicas e privadas levaram ao crescimento excessivo da população, provocando um consumo demasiado dos recursos naturais, consequência que é sentida atualmente (PACHECO, 2006). Neste contexto, as energias renováveis aparecem como aliadas para reduzir os efeitos da crise ambiental que se mostra cada vez mais inevitável com a futura escassez do petróleo e com as mudanças climáticas causadas pelas emissões de gases do efeito estufa (GOLDEMBERG; LUCON, 2007). Com base na cartilha distribuída pelo Ministério de Minas e Energia (PORTO, 2007), a projeção brasileira para 2030 é de que o petróleo e o carvão mineral continuem sendo 15 responsáveis por 38% da oferta de energia, enquanto as energias renováveis devem somar BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 45% do total produzido, conforme apresentado na Figura 1. Figura 1 - Matriz de oferta de energia Fonte: Adaptado pelo autor com base em PORTO, 2007. Porto (2007) também apresenta uma lista com os 15 maiores produtores de energia elétrica do mundo e qual a fonte de energia utilizada (FIGURA 2). Neste gráfico o Brasil está em 10° colocado e tem a maior produção de energia oriunda de hidroelétricas. De acordo com a escala de tempo e com os atuais níveis de consumo energético, o Sol pode ser visto como uma fonte de energia inesgotável. As energias renováveis são provenientes de ciclos naturais de conversão da radiação solar, fonte primária de quase toda energia disponível na Terra (GALDINO et al., 2000). É a partir do Sol que se dá a evaporação, responsável pelo ciclo das águas e posterior geração hidroelétrica. A radiação solar, com o aquecimento do solo e da água induz à circulação atmosférica em larga escala, energia cinética que pode ser aproveitada com os geradores eólicos. Como é papel fundamental na fotossíntese das plantas, também é responsável pelo seu crescimento e posterior geração de biomassa, bem como de petróleo e carvão vegetal, sendo que, para estas últimas fontes, as escalas de tempo para o surgimento são bem maiores 16 do que a escala humana, sendo, por esta razão, consideradas não renováveis. Na sua forma mais direta, o Sol é responsável pelo aquecimento térmico e, a partir do efeito fotovoltaico, BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) sua radiação emitida à Terra pode ser utilizada diretamente na geração de energia elétrica. Figura 2 - Lista dos 15 maiores geradores de energia elétrica e a fonte de energia utilizada Fonte: PORTO, 2007. A seguir, serão apresentadas sucintamente as principais fontes renováveis de energia mais utilizadas atualmente: Hidrelétrica: O processo de produção de energia se dá a partir da energia potencial gravitacional de um escoamento de água que transmite parte de sua quantidade de movimento às pás de uma turbina hidráulica em rotação que tem seu eixo acoplado a um gerador de energia elétrica. Essa parcela de quantidade de movimento transmitida da água para a turbina é convertida em potência mecânica (torque da turbina multiplicado pela velocidade angular da mesma) que é transmitida, através do eixo, a um gerador de energia elétrica, acionando-o, e produzindo eletricidade para uso humano. Esta fonte de energia renovável é a mais utilizada no Brasil, mas, em razão do impacto ambiental gerado, ela não é uma ótima solução ecológica. A construção de represas, necessárias para o armazenamento de água para posterior geração, pode provocar inundações em imensas áreas de matas, interferindo no escoamento dos rios e migrações dos peixes, prejudicando a flora ao destruir espécies vegetais e interferindo na ocupação de homens e animais (SEVÁ, 2005). Eólica: A energia dos ventos é aquela de origem cinética formada nas massas de ar em movimento. Seu aproveitamento é feito por meio de conversão da energia cinética de uma 17 corrente de ar (vento) em energia mecânica através de uma turbina eólica. O ar em movimento transmite parte de sua quantidade de movimento às pás de uma turbina eólica em BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) rotação que tem seu eixo acoplado a um gerador de energia elétrica. Essa parcela de quantidade de movimento transmitida do ar para a turbina é convertida em potência mecânica (torque da turbina multiplicado pela velocidade angular da mesma) que é transmitida, através do eixo, a um gerador de energia elétrica, acionando-o e produzindo eletricidade para uso humano (PASSOS, 2008). As áreas com maior potencial eólico encontram-se nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, em razão dos terrenos não serem acidentados (baixa rugosidade superficial) e dos fortes ventos oceânicos (SANTOS et al., 2006). Sob o ponto de vista ambiental, Bermann (2006) cita algumas restrições à implantação de usinas eólicas no Brasil: praticamente metade do potencial eólico da região Nordeste está localizado em Áreas de Preservação Permanente (APPs), em função da existência de dunas; e a necessidade de estudos prévios com respeito às rotas de migração das aves, de forma a evitar que as turbinas eólicas sejam obstáculos aos movimentos migratórios das mesmas. Biomassa: É a "matéria viva" resultante da decomposição ou queima da matéria orgânica ou de seus derivados. A fotossíntese combina CO2 e água (H2O) por meio da absorção de certa quantidade de energia (energia solar) e produz carboidratos como glicose, que são a base das cadeias alimentares. Carboidratos como a celulose (madeira) podem ser queimados e a energia liberada (igual à quantidade de energia solar absorvida para produzi-la na fotossíntese) pode ser utilizada para diversos fins. As principais alternativas de processamento da biomassa são através da incineração, método destrutivo, compostagem e biodigestores (BUENO, 2010). Solar heliotérmica: Neste sistema, a incidência dos raios solares é utilizada no aquecimento e evaporação de água. O vapor, sob forte pressão, move uma turbina conectada a um gerador que produz energia elétrica. Para um funcionamento eficiente deste sistema, se faz necessária a implantação em locais com alta incidência de radiação solar direta durante boa parte do ano, como ocorre na região árida do nordeste brasileiro (CRESESB, 2012). Solar fotovoltaica: A geração de energia se dá a partir de um material semicondutor que, ao ser exposto à radiação solar, consegue fornecer corrente elétrica através de uma junção entre os lados positivo e negativo da placa. Para o bom funcionamento deste sistema não é necessário a incidência de radiação solar direta, pois a corrente elétrica é gerada também em dias nublados através da radiação solar difusa (CRESESB, 2008). Solar fototérmica: Este tipo de energia está relacionado ao aquecimento de líquidos ou gases pela absorção dos raios solares, ocasionando seu aquecimento. Geralmente 18 empregada para o aquecimento de água para uso em chuveiros ou gases para secagem de grãos, esta técnica utiliza um coletor solar que capta a energia e um reservatório isolado BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) termicamente onde o líquido ou gás é acondicionado (BUENO, 2010). Em 2011, a energia solar fotovoltaica teve mais um ano de grande crescimento, sendo implantados quase 30 GW de potência em todo o mundo, principalmente devido à diminuição dos impostos, ajuda dos governos nos diversos países e a redução dos preços de aquisição das placas solares (SAWIN, 2012). Em 2011, a capacidade fotovoltaica instalada era dez vezes maior do que há cinco anos, conforme apresentado na Tabela 1, e a taxa de crescimento anual superou o valor de 50% para o período de 2007 a 2011 (SAWIN, 2012). Tabela 1 - Gigawatts oriundos de energia fotovoltaica instalados no mundo Ano Gigawatts 1995 0,6 1996 0,7 1997 0,8 1998 1,0 1999 1,2 2000 1,5 2001 1,8 2002 2,3 2003 2,9 2004 4,0 2005 5,4 2006 7,0 2007 9,4 2008 15,7 2009 23,6 2010 40,0 2011 70,0 Fonte: Adaptado pelo autor com base em SAWIN, 2012. A Figura 3 apresenta um gráfico que demonstra claramente a evolução mundial do uso de energia solar fotovoltaica, e como ocorreu um aumento da capacidade instalada de praticamente 10 GW para 70 GW de potência em somente quatro anos. Segundo Sawin 19 (2012), a Europa totaliza mais de 65% do total de potência instalada no mundo e a sua energia solar fotovoltaica instalada supre a demanda de energia elétrica de mais de 15 milhões de BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) famílias. Figura 3 - Gráfico de Gigawatts de potência fotovoltaica instalados no mundo Fonte: Adaptado pelo autor com base em SAWIN 2012. Segundo Ferraz (2012), os impactos ambientais gerados com o uso de energia solar fotovoltaica são mínimos, ao levar-se em conta que o principal impacto ocorre na extração do silício (material de que é feita a placa solar) e que este é um material abundante na crosta terrestre (perfazendo mais de 28% de sua massa). Os ganhos ambientais com o uso desta tecnologia são vários, pois para a geração de energia elétrica não são necessários gastos com combustíveis; não há necessidade de desmatamento e desapropriação de vastas áreas; não há geração de ruídos, poluição ou outros impactantes; há baixo custo com redes de transmissão e distribuição; as placas solares fotovoltaicas podem ser instaladas diretamente no entorno construído, não necessitando inutilizar novas áreas (RÜTHER, 2004). Conforme a Tabela 2, a Alemanha lidera o ranking dos países com maior potência fotovoltaica instalada, gerando 35,6% do total mundial, sendo que a Itália avança neste segmento investindo nesta nova tecnologia (SAWIN, 2012). 20 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Tabela 2 - Países com maior potência fotovoltaica instalada País Alemanha Itália Japão Espanha EUA China França Bélgica República Tcheca Austrália Outros países Potência fotovoltaica instalada 35,6% 18,3% 7,1% 6,5% 5,7% 4,4% 4,1% 2,9% 2,8% 1,9% 11% Fonte: SAWIN, 2012. Rüther (2010) faz um comparativo entre o potencial de geração solar fotovoltaica do Brasil e da Alemanha, e a partir de mapas de radiação solar incidente conclui que a radiação solar na região mais ensolarada da Alemanha é 40% menor do que a região menos ensolarada do Brasil, comprovando a grande capacidade de geração de energia solar fotovoltaica no território brasileiro. No Brasil, alguns projetos de usinas fotovoltaicas estão em andamento junto à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), totalizando 804 MW de potência, situados principalmente na região nordeste do país, mas sem data específica para instalação e/ou conclusão (TABELA 3) (CASTRO; PAES; DANTAS, 2012) Tabela 3 - Pedidos de registros de usinas fotovoltaicas na ANEEL até 2011 Estado Bahia Ceará Paraíba Rio Grande do Norte Minas Gerais São Paulo Mato Grosso Tocantins Total Nº de Projetos 1 5 8 4 4 2 3 2 29 Capacidade Instalada 20 121 240 120 93 60 90 60 804 Fonte: CASTRO; PAES; DANTAS, 2012. Simultaneamente a estes projetos, a ANEEL estimulou o desenvolvimento de um complexo industrial nacional e a criação de um banco de dados sobre rendimentos técnicos e 21 econômicos sobre a energia solar fotovoltaica. A política adotada foi a formulação de um projeto de plantas pilotos entre 1 e 3 MW, com duração de três anos, que possibilitarão obter BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) e sistematizar informações importantes sobre o custo e desempenho da energia solar fotovoltaica em diversas regiões do Brasil (ANEEL, 2012). 3.2. Radiação solar Anualmente, o planeta Terra recebe cerca de 1 x 1018 kWh/ano de energia solar, o que corresponde a 10 000 vezes o consumo mundial de energia neste período (GREENPRO, 2004). Tendo-se em vista somente um determinado local, a quantidade de radiação incidente sobre sua superfície é bastante variável, sendo influenciada pela geometria Sol-Terra, condições climáticas gerais (nuvens, poeira), obstáculos físicos, entre outros (PINHO, 2008). A radiação que atravessa diretamente em linha reta até a superfície terrestre é denominada de radiação direta. A radiação que é espalhada pelas moléculas de ar, nuvens e partículas em suspensão e chega à superfície da Terra é chamada de radiação difusa. A parte da radiação que chega à superfície da Terra e é refletida pelo solo em direção a um plano inclinado é denominada de albedo (PINHO, 2008) (FIGURA 4). Figura 4 - Distribuição da radiação solar incidente Fonte: VIANA, 2011. 22 A medição da radiação solar na superfície terrestre é de extrema importância para o estudo das condições climáticas e atmosféricas. A leitura de equipamentos que fornecem estes BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) dados possibilita verificar a eficácia na instalação de sistemas captadores de energia solar e, com um histórico dessas medidas, pode-se viabilizar a instalação de sistemas fotovoltaicos em uma determinada região, garantindo o máximo aproveitamento da radiação ao longo do ano (TIBA et al., 2000). Segundo Pinho et al. (2008), os dados da radiação podem ser medidos sob a forma global direta, ou através da soma das componentes diretas e difusas, dependendo do instrumento utilizado. A coleta pode ser realizada sob um plano horizontal (mais usual) ou inclinado, e os instrumentos mais utilizados são descritos a seguir: Piranômetro Fotovoltaico: Instrumento que mede a radiação solar global sobre o plano horizontal, sendo também indicado para observar pequenas flutuações de radiação (PINHO et al., 2008). Seu elemento sensor é uma célula fotovoltaica, em geral de silício monocristalino, que produz uma corrente elétrica quando iluminada, sendo esta corrente proporcional à intensidade da radiação incidente (TIBA et al., 2000) (FIGURA 5); Figura 5 - Piranômetro com sensor fotovoltaico Fonte: GHENSEV, 2006. Piranômetro Termoelétrico: Mede a radiação solar global e o elemento sensor é, em essência, uma pilha termoelétrica, constituída por pares termoelétricos (termopares) em série. Esta pilha gera uma tensão elétrica proporcional à diferença de temperatura entre suas juntas, que se encontram em contato térmico com placas metálicas que aquecem de forma distinta. Portanto, a diferença na saída do instrumento pode ser relacionada com o nível de radiação incidente (TIBA et al., 2000) (FIGURA 6); 23 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 6 - Piranômetro termoelétrico Fonte: SENTELHAS; ANGELOCCI, 2009. Heliógrafo: Responsável por medir a duração da insolação, indicando o número de horas de brilho de sol dentro de um determinado período (PINHO et al., 2008). A medição se dá a partir da focalização da radiação solar sobre uma carta que é enegrecida, como resultado da exposição (TIBA et al., 2000). Na Figura 7, pode ser observado um heliógrafo modelo Campbell-Stokes e as respectivas cartas de registro. Figura 7 - Heliógrafo Campbell-Stokes e cartas de registro Fonte: SENTELHAS; ANGELOCCI, 2009. Piranógrafo: É responsável por medir a radiação solar global ou sua componente difusa, quando utilizada uma banda de sombreamento (PINHO et al., 2008). Este instrumento foi muito utilizado devido ao seu baixo custo e consiste essencialmente em um receptor com 24 três tiras bimetálicas (a central de cor preta e as laterais de cor branca). As tiras brancas são fixas e a tira preta é livre em uma extremidade e, com a incidência solar, as tiras irão se curvar BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) em consequência dos diferentes coeficientes de dilatação dos metais que as compõem. Esta dilatação é registrada em uma carta de papel, por uma pena montada na extremidade livre da tira preta (TIBA et al., 2000) (FIGURA 8). Figura 8 - Piranógrafo Fonte: SOUZA, 2009. Conforme o Atlas Solarimétrico do Brasil (TIBA et al., 2000), a maior parte do território brasileiro tem como média anual de radiação solar global diária 16 MJ/m2.dia, enquanto o Rio Grande do Sul tem a maior parte do seu território com 14 MJ/m2.dia (FIGURA 9). Referente às isolinhas de insolação, que informam quantas horas de luz solar tem-se por dia, na média anual, o Brasil tem a maior parte do território variando com média de cinco a sete horas por dia e o Rio Grande do Sul tem a maior parte do território com média de seis horas de insolação por dia (TIBA et al., 2000) (FIGURA 10). Como estes dados são de suma importância para um projeto de instalação de painéis solares fotovoltaicos, tem-se que levar em conta a inclinação do aparelho medidor de radiação incidente (geralmente 90°) e do painel fotovoltaico (LANDAU, 2012). 25 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 9 - Radiação solar global diária, média anual Fonte: TIBA, 2000. Segundo Landau (2012), para o cálculo do ângulo de inclinação do painel solar no hemisfério sul, utiliza-se a latitude do local, somando-se 15°. Com essa inclinação obtém-se a melhor média de radiação incidente para os meses de menor incidência, evitando os picos de geração no verão e compensando a baixa incidência no inverno (NIJEGORODOV et al., 1994). 26 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 10 - Insolação direta diária, média anual Fonte: TIBA, 2000. O método utilizado para calcular a radiação solar global em um plano inclinado, situado no hemisfério Sul e voltado para o Norte Geográfico, partindo da radiação solar global no plano horizontal, desenvolvido por Liu e Jordan (1963) e aprimorado por Duffie & Beckman (1980), é apresentado na Equação 1 a seguir: 27 (1) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Onde: = Radiação solar global em um plano inclinado, em W/m²; = Radiação solar global em uma superfície horizontal, em W/m²; = Radiação solar difusa em uma superfície horizontal, em W/m²; = Fator geométrico (Razão entre a radiação solar direta sobre uma superfície inclinada e radiação solar direta sobre um plano horizontal); = Ângulo de inclinação em relação ao plano horizontal; = Albedo; Utilizando-se a equação acima descrita, consegue-se converter a radiação solar incidente em um plano horizontal para um plano inclinado, podendo-se estimar a produção de energia elétrica no painel solar fotovoltaico a partir de médias anuais registradas por aparelhos específicos, como os anteriormente citados (DUFFIE, BECKMAN, 1980). 3.3. Efeito fotovoltaico O efeito fotovoltaico foi observado pela primeira vez em 1839 por Edmond Becquerel, que verificou uma pequena diferença de potencial em placas metálicas (de platina ou prata) mergulhadas num eletrólito, quando expostas à luz. Apesar de todas as pesquisas realizadas sobre o tema, a eficiência das células era muito pequena (da ordem de 0,5~1,0%). Somente em 1953, os cientistas Kearns e Calvin desenvolveram um processo de difusão para introduzir impurezas em cristais de silício, de modo a controlar suas propriedades elétricas (processo chamado de "dopagem") (SPANGGAARD, KREBS, 2004). O semicondutor mais utilizado é o silício (aproximadamente 95% de todas as células solares do mundo são constituídas por este material) (GREENPRO, 2004) e seus átomos são caracterizados por possuírem quatro elétrons de ligação que se ligam aos vizinhos, formando uma rede cristalina. Para que a eficiência de condução do material aumente, ele passa pelo processo de dopagem, introduzindo-se átomos com cinco elétrons de ligação (ex.: fósforo), fazendo com que haja um elétron em excesso que não poderá ser emparelhado e que ficará “livre”, fracamente ligado ao seu átomo de origem, e que poderá se deslocar para a banda de condução. Portanto, diz-se que o fósforo é um doador de elétrons ou dopante n. Por outro 28 lado, se forem introduzidos átomos com apenas três elétrons de ligação (ex.: boro), haverá uma deficiência de elétrons na banda de valência (denominada coluna ou buraco). Utilizando BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) pouca energia térmica (temperatura ambiente), um elétron de um sítio vizinho pode passar para esta posição, fazendo com que o buraco se desloque. Diz-se então, que o boro é um aceitador de elétrons ou dopante p (PINHO, 2008; GTES, 2004). Partindo-se de um silício puro, se forem introduzidos átomos de boro em uma região e de fósforo em outra, será formado o que se chama de junção pn. O que ocorre nesta junção é que os elétrons livres do lado n passam para o lado p, onde encontram os buracos que os capturam. Isto faz com que haja uma maior quantidade de elétrons no lado p, tornando-o negativamente carregado e uma redução de elétrons no lado n, que o torna eletricamente positivo. Estas cargas aprisionadas originam um campo elétrico permanente, que dificulta a passagem de mais elétrons do lado n para o lado p, alcançando um equilíbrio somente quando o campo elétrico forma uma barreira (barreira potencial) capaz de barrar os elétrons livres remanescentes no lado n (HONSBERG; BOWDEN, 2012) (FIGURA 11). Quando uma junção pn é exposta a fótons de luz com energia capaz de fazer com que os elétrons passem da banda de valência dos átomos para a banda de condução, ocorre a geração de pares elétron-lacuna pelo material e a barreira potencial pode ser rompida. Se isto acontecer na região onde o campo elétrico é diferente de zero, as cargas serão aceleradas, gerando uma corrente através desta junção. A dopagem cria um campo elétrico que orienta o movimento dos elétrons e a falta deles (lacunas) pelo material. Este deslocamento de cargas dá origem a uma diferença de potencial, chamada de Efeito Fotovoltaico. Se as duas extremidades do silício forem conectadas por um fio, haverá circulação de elétrons, formando uma corrente elétrica (GREENPRO, 2004). A Figura 12 apresenta o raio solar incidindo sobre um painel fotovoltaico (A) e, em seguida, a absorção de fótons cria um par elétron-lacuna na camada N (B). O elétron não consegue atravessar o material semicondutor e por isso segue pelo circuito externo, alimentando a carga do sistema, preenchendo, após, a lacuna na camada P (C) (D) (E) (F). Quando o elétron preenche a lacuna no lado posterior da camada P, o circuito é completado. Se não houver mais incidência solar este movimento cessará, encerrando o fornecimento de energia. 29 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 11 - Esquematização da junção pn Fonte: Adaptado pelo autor com base em HONSBERT; BOWDEN 2012. 30 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 12 - Efeito fotovoltaico e junção pn Fonte: Adaptado pelo autor com base em HONSBERG; BOWDEN 2012. 3.4.Configurações básicas dos sistemas fotovoltaicos Os Sistemas Fotovoltaicos (SF) podem ser classificados em três principais categorias: isolados, híbridos ou conectados à rede. A escolha do modelo deve levar em conta a aplicação pretendida e as restrições do projeto (como investimento inicial, custo de manutenção, poluição do ar e sonora, área ocupada pelos painéis, etc.) (MAKRIDES et al., 2010). Para os sistemas isolados e híbridos necessita-se em geral, de algum tipo de armazenamento. Este armazenamento pode ser realizado em baterias, quando se deseja utilizar aparelhos elétricos no período em que não há geração fotovoltaica. Já em um sistema de bombeamento de água, que a armazena em tanques elevados, a energia solar está armazenada em forma de energia potencial gravitacional. Por outro lado, os sistemas de 31 irrigação são um exemplo de sistema autônomo que pode funcionar sem armazenamento, pois BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) toda a água bombeada pode ser imediatamente utilizada (SILVA, 2006). 3.4.1 Sistema isolado O sistema isolado pode ser projetado com ou sem armazenamento de energia, liberando uma corrente contínua (CC) ou corrente alternada (CA). No sistema CC sem armazenamento de energia a carga se encontra acoplada diretamente ao painel solar, de modo que toda a energia elétrica produzida é instantaneamente consumida (ex.: acionamento de bombas d’água). Já no sistema CC com armazenamento de energia, é possível utilizar equipamentos elétricos mesmo quando não houver geração de energia (ex.: iluminação, TV, rádio, telefone, etc.). Neste sistema é comum fazer uso de um controlador de carga, para que o banco de baterias não danifique por sobrecarga ou descarga profunda. Os sistemas CA, com e sem armazenamento de energia, exigem o uso de um componente capaz de transformar a CC em CA entre o painel e a carga (LEVA et al., 2004). A Figura 13 apresenta um diagrama exemplificando os projetos de sistemas isolados possíveis de serem realizados: Figura 13 - Projetos de sistemas isolados Fonte: CRESESB, 2008. 32 3.4.2 Sistema híbrido BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Pode apresentar várias fontes de energia que atuam interligadas, mas independentes ao conjunto fotovoltaico. Os sistemas híbridos são desconectados da rede convencional e podem ser compostos por turbinas eólicas, geradores a diesel, pequenas hidrelétricas, etc. (FIGURA 14). Com a utilização de várias formas de energia, torna-se complexo o controle de todas as fontes para que haja máxima eficiência, e é imprescindível um estudo particular para cada caso. Em geral, os sistemas híbridos são utilizados em sistemas de médio e grande porte, vindo a atender um maior número de usuários (CRESESB, 2008). Figura 14 - Sistema híbrido Fonte: Autor. 33 3.4.3 Sistema conectado à rede BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Neste tipo de sistema o arranjo fotovoltaico representa uma fonte complementar de energia ao sistema elétrico de grande porte ao qual está conectado, não fazendo uso de armazenamento de energia (banco de baterias), pois toda a energia gerada é inserida na rede instantaneamente (FIGURA 15). As potências instaladas vão desde poucos kWp (quilowatts pico) em instalações residenciais, até alguns MWp (megawatts pico) em grandes indústrias (GTES, 2004). Todo o arranjo é conectado a inversores e em seguida é guiado à rede, sendo necessário que satisfaçam as exigências de qualidade e segurança para que a rede não seja danificada (CRESESB, 2008). Figura 15 - Sistema conectado à rede Fonte: CRESESB, 2008. Em alguns casos o sistema também pode estar conectado a um contador de energia onde, além de suprir a própria demanda, o usuário pode vender a energia excedente ao Estado e receber o valor em descontos na fatura mensal do consumo de energia elétrica. 3.5 Componentes básicos dos sistemas fotovoltaicos A seguir serão apresentados detalhes sobre a construção das placas solares fotovoltaicas, as associações em série e paralelo para atingir a corrente e a voltagem 34 necessárias no sistema, bem como demais informações necessárias para o seu bom BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) funcionamento. 3.5.1 Painel fotovoltaico O principal componente de um sistema fotovoltaico é o painel fotovoltaico, composto por diversos módulos, responsáveis pela conversão da radiação solar em energia elétrica (CAMARGO, 2000). É indispensável o agrupamento em vários módulos (FIGURA 16), já que um módulo fornece pouca energia elétrica (tensão em torno de 0,4 Volts no ponto de máxima potência e 3,0 A de corrente máxima em uma área de 100 cm²) e, por ser muito fina, sofre com os esforços mecânicos e fatores ambientais, necessitando, portanto, de proteção contra a ação dos mesmos (GTES, 2004). Figura 16 - Painel solar fotovoltaico Fonte: NADAL, 2003. A Figura 17 representa um corte esquemático de uma célula fotovoltaica com a indicação dos componentes. Na parte frontal, utiliza-se vidro temperado e anti-reflexivo (3), seguido por um polímero transparente, isolante e termoplástico, chamado de encapsulante (4), necessário para proteger os contatos metálicos (5) e a célula (6). Na região posterior é colocada uma camada de plástico Tedlar (2) e todo o conjunto é montado sobre uma estrutura 35 de alumínio (1) que serve como sustentação, proteção e dissipação de calor (STEIGLEDER, BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 2006). Figura 17 - Corte esquemático de um módulo fotovoltaico Fonte: STEIGLEDER, 2006. Os módulos fotovoltaicos podem ser associados em série, em paralelo ou simultaneamente em série e paralelo. A seguir, são apresentadas as diferentes associações de módulos fotovoltaicos e os procedimentos utilizados para sua proteção: Associação em série de módulos fotovoltaicos: neste tipo de ligação a corrente que flui através do circuito é igual em todos os pontos, enquanto que a tensão é aditiva, ou seja, a tensão final é obtida somando a tensão de cada módulo (STEIGLEDER, 2006) (FIGURA 18). Figura 18 - Associação de módulos em série Fonte: STEIGLEDER, 2006. O efeito da conexão em série pode ser obtido através da curva característica I x V, ilustrado na Figura 19. 36 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 19 - Curvas I x V para conexão em série Fonte: GTES, 2004. Associação em paralelo de módulos fotovoltaicos: neste tipo de ligação a corrente da associação é igual à soma das correntes que circula por cada um dos módulos, enquanto a tensão é a mesma sobre todos eles. Esta associação é utilizada quando se exige uma corrente elétrica com maior intensidade (HECKTHEUER, 2001) (FIGURA 20). Figura 20 - Associação de módulos em paralelo Fonte: STEIGLEDER, 2006. A Figura 21 apresenta o efeito da adição das correntes em dispositivos conectados em paralelo, através da curva característica I x V. 37 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 21 - Curvas I x V para conexão em paralelo Fonte: GTES, 2004. Se uma célula do módulo estiver danificada ou sombreada, ela gerará uma carga menor do que o restante das componentes, ocasionando uma dissipação de potência exagerada e consequentemente um superaquecimento. Para garantir o bom funcionamento das associações em série e diminuir as perdas do sistema, utilizam-se diodos de by-pass em antiparalelo que se encontram diretamente polarizados, permitindo que circule corrente. Com isso, o diodo fará com que a célula não gere energia elétrica, mas também não se comporte como carga para as demais. Já em sistemas ligados em paralelo (constituídos por N módulos associados em série) a proteção é feita por diodos de bloqueio, conectados em série em cada um dos ramos, que evitam o surgimento de corrente reversa e o consequente superaquecimento. Quando há necessidade de potências elevadas, utilizam-se módulos conectados em série e paralelo a fim de conseguir valores de tensão e corrente apropriados para a aplicação que se deseja, e, portanto, a proteção do sistema é realizada utilizando-se simultaneamente os diodos de by-pass e bloqueio. A Figura 22 exemplifica como devem ser ligados os diodos de proteção em um sistema composto por módulos ligados em série-paralelo (HECKTHEUER, 2001). 38 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 22 - Ligação dos diodos de proteção em uma associação série-paralelo Fonte: HECKTHEUER, 2001. 3.5.2 Baterias Uma das mais convenientes formas de armazenamento de energia são as baterias. Quando estão conectadas a um circuito elétrico, há fluxo de corrente contínua através da conversão de energia química em energia elétrica (SILVA, 2006). Num sistema fotovoltaico, a sua principal função é acumular a energia que se produz durante as horas de luminosidade a fim de poder ser utilizada à noite ou durante períodos prolongados de mau tempo. Outra função das baterias é a estabilização de corrente e tensão na hora de alimentar cargas elétricas, suprindo transitórios que possam ocorrer na geração. Podem ter também a função de prover uma intensidade de corrente superior àquela que o dispositivo fotovoltaico pode entregar, como no caso de um motor, que no momento de arranque pode exigir uma corrente maior que sua corrente nominal durante alguns segundos. As baterias de Chumbo-Ácido são as mais comumente utilizadas em circuitos fotovoltaicos (GTES, 2004), consistindo basicamente num recipiente que contém duas placas, uma de dióxido de chumbo e a outra de chumbo esponjoso, com diferentes polaridades, isoladas por separadores e imersas num eletrólito de ácido sulfúrico diluído (H2SO4). Estas 39 células são ligadas em série para atingir a voltagem desejada (geralmente 12 V) (GREENPRO, 2004). BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) As baterias podem ser classificadas em dois tipos básicos de células: as primárias, que compõem as baterias que podem ser utilizadas somente uma vez, utilizadas geralmente em aplicações de baixa potência como relógios de pulso e calculadoras, e as secundárias, que podem ser carregadas com o auxílio de uma fonte de tensão ou corrente e reutilizada várias vezes, comuns em aplicações por longos períodos, como no caso de geradores fotovoltaicos (GTES, 2004). Segundo Nagashima et al. (2006), as características requeridas para um desempenho satisfatório de baterias associadas a sistemas fotovoltaicos são: Elevada vida cíclica para descargas profundas; Necessidade de pouca ou nenhuma manutenção; Alta eficiência de carregamento; Diminuta taxa de auto descarga; Boa confiabilidade; Mínima mudança no desempenho quando trabalhando fora da faixa de temperatura de operação recomendada. 3.5.3 Controladores de carga Estes dispositivos são incluídos nos projetos fotovoltaicos com o objetivo de facilitar a máxima transferência de energia do arranjo fotovoltaico para o banco de baterias e protegêlas contra cargas e descargas excessivas, aumentando sua vida útil (GTES 2004). Os controladores de carga têm, basicamente, dois tipos de configuração construtiva, série e shunt, sendo diferenciadas pela posição da chave que conecta os módulos às baterias. Na configuração em série (FIGURA 23) a chave é colocada entre os dois subsistemas. Quando fechada, permite que os módulos forneçam corrente às baterias, enquanto que quando aberta, ela impede esse fluxo de corrente. Já na configuração shunt (FIGURA 24), a chave é posicionada em paralelo e, quando as baterias estão próximas de sua carga total, o arranjo fotovoltaico é curto-circuitado e, consequentemente, isolado do restante do circuito. Para que o curto-circuito não afete o banco de baterias, é necessária a utilização de um diodo de bloqueio, evitando que ela descarregue (NETO et al., 2008). 40 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 23 - Regulador em série Fonte: GTES, 2004. Figura 24 - Regulador shunt Fonte: GTES, 2004. O controlador de carga ideal para uso em sistemas fotovoltaicos deve gerenciar a carga de acordo com a disponibilidade de energia solar, necessitando para isso, possuir uma informação confiável do estado de carga da bateria em um dado instante. Portanto, deve evitar afetar o consumo do usuário ao mesmo tempo em que busca satisfazer os requisitos de operação das baterias (como por exemplo, evitar que permaneçam descarregadas por longos períodos) (GTES, 2004). 41 3.5.4 Conversor CC-CA BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Como os painéis solares fotovoltaicos geram energia em corrente contínua, faz-se necessário o uso de um equipamento eletrônico conhecido como inversor ou conversor CCCA, responsável por converter a corrente contínua em corrente alternada com as características necessárias para satisfazer as condições impostas pela rede elétrica pública e possibilitar a interconexão (RÜTHER, 2004). Como raramente um gerador fotovoltaico entrega sua potência nominal máxima (pelo céu estar nebuloso, por exemplo), o dimensionamento do sistema deve ser feito de tal modo que o conversor não seja nem pouco utilizado nem sobrecarregado (PEREIRA; GONÇALVES, 2008). Segundo os mesmos autores, utilizando-se um inversor de menor potência para o gerador fotovoltaico, sem impactar na quantidade de energia e na qualidade do sistema, faz com que a energia gerada seja mais barata. Segundo Rüther (2004), um fator de máxima importância a ser levado em conta na hora do projeto de sistemas ligados à rede, é que o sistema inversor não deve injetar energia gerada pelos módulos fotovoltaicos na rede elétrica quando esta estiver desligada. Este fenômeno é denominado islanding e pode resultar na rede elétrica estar energizada mesmo quando o sistema de geração central não oferecer energia, oferecendo sérios riscos aos operadores da rede. Portanto, são recomendados transformadores de isolamento no sistema inversor que o desconectarão da rede elétrica pública quando esta estiver sem corrente. 3.5.5 Seguidor de ponto de máxima potência (MPPT) Este equipamento é um conversor CC-CC que obriga o gerador fotovoltaico a funcionar a uma tensão próxima da tensão correspondente ao ponto de máxima potência, que é fator direto da irradiação solar incidente e da temperatura das células nos módulos, aumentando, com isso, o rendimento do gerador (RODRIGUES, 2009). O conversor tem seu funcionamento fazendo uso basicamente de algoritmos que procuram o ponto máximo da curva da potência (I x V) produzida pelo gerador em função da tensão aplicada aos módulos, através de métodos iterativos (RODRIGUES, 2009). Segundo Couto (2000), o uso deste equipamento no sistema fotovoltaico deve limitar-se a casos em que o ganho de energia permita o retorno econômico do investimento. Uma alternativa mais simples e econômica de controle do ponto de operação consiste em fixar 42 a tensão de saída do arranjo fotovoltaico (GTES, 2004). O valor escolhido deve obter, ao longo do ano, o máximo de geração de energia respeitando a condição de tensão fixa. Este BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) valor de tensão fixa requer um estudo meticuloso e é difícil de ser encontrado, mas, encontrando-se o valor ideal, a diferença de ganhos entre a tensão fixa e o MPPT é inferior a 5%, podendo chegar a 1% quando utilizados painéis planos (ENRIQUE et al., 2010). 3.6 Legislação em vigor e normas ABNT Segundo Rüther (2004), o sistema elétrico brasileiro se encaminha para a condição de mercado livre, onde o produtor independente começa a ter mais benefícios, se tornando mais vantajosa a produção particular e descentralizada. No início de 2012, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), órgão público responsável por regular o mercado de energia elétrica, regulamentou o Decreto 2.003/96, criando regras que reduzem barreiras para a instalação de micro (até 100 kW de potência) e mini geração (de 100 kW até 1 MW de potência) de energia descentralizada. Com isso, criouse o Sistema de Compensação de Energia, que permite ao consumidor instalar pequenos geradores de energia renovável direto na sua unidade consumidora e, o que não for consumido, será injetado no sistema da distribuidora. A energia injetada na rede poderá ser utilizada como crédito nos meses subsequentes ou repassado para outras unidades, como é o caso de empresas com várias filiais. Outras leis que regulamentam o setor energético brasileiro são: a lei 8.631/93 dispõe sobre os níveis tarifários e a extinção da remuneração garantida; a lei 8.987/95 trata sobre o regime de concessão e permissão de serviço público; a lei 9.074/95 estabelece normas para outorga e prorrogação de concessões e permissões; e por fim, o decreto 2.655/98 regulamenta o mercado atacadista de energia elétrica e define regras de organização do operador nacional do sistema elétrico. Referente à área de normatização, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem várias normas que regem as instalações fotovoltaicas, mas como mais importantes tem-se: a NBR 11876:2010 trata da especificação dos módulos fotovoltaicos; a NBR IEC 62116:2012 traz um procedimento de ensaio de anti-islanding para sistemas fotovoltaicos conectados à rede; a NBR 14298:1999 dimensiona o banco de baterias; e a NBR 12302:1991 trata da correção das curvas características I x V em função da temperatura e radiação. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 43 4. METODOLOGIA Neste capítulo apresenta-se a metodologia empregada para a obtenção de dados de radiação global e horas de insolação diárias. Também se apresenta a localização da estação meteorológica e o local onde foi instalado o painel solar fotovoltaico, bem como o destino da energia elétrica obtida com os mesmos e a forma como os dados foram tratados. 4.1. Painel solar fotovoltaico A instalação do painel solar fotovoltaico se deu no mês de agosto de 2012. Nesse processo estão inclusos o projeto elétrico das conexões do sistema e o projeto da estrutura metálica de sustentação do painel solar. O inversor CC/CA utilizado foi o Sununo-TL 2k, da marca SAJ. Esse equipamento possui potência nominal de 2 000 W, trabalha com tensão alternada 220 V e corrente de 11 A. O painel solar fotovoltaico usado para geração de energia é composto por dez módulos, com medida de 1,65 m² cada, totalizando 16,5 m². Possui uma eficiência na conversão de energia solar para energia elétrica de 14% e uma potência total instalada de 2 300 Wpico. Conforme o fabricante, a estimativa de energia gerada no mês é de 250 a 300 kWh, dependendo das condições climáticas do local. O painel solar fotovoltaico foi instalado sobre o Prédio das Engenharias do Centro Universitário UNIVATES (FIGURAS 25, 26 e 27), disposto de modo que esteja voltado para o norte geográfico e inclinado em um ângulo de 24°. Para determinar o ângulo de inclinação do painel utilizou-se o programa PVsyst, comumente utilizado para o estudo, dimensionamento e análise de dados de sistemas fotovoltaicos. O programa apresentou este valor de inclinação como o mais indicado para o local em que foi instalado, por fazer com que a radiação incidente seja mais homogênea ao 44 longo do ano. De acordo com Pereira e Oliveira (2011), a inclinação dos módulos solares deve otimizar a captação de radiação solar, levando em conta a variação da altura solar ao BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) longo do ano. Dada a dificuldade em alterar a inclinação da superfície absorsora ao longo do ano, a inclinação é determinada pelo tipo de utilização, conforme apresentado na Tabela 4. Tabela 4 - Inclinação do painel solar em relação à necessidade na instalação Utilização Inclinação Verão (hotéis de temporada) Latitude - 15° Inverno (aquecimento) Latitude + 15° Anual (doméstico ou outra não sazonal) Latitude - 5° Fonte: PEREIRA; OLIVEIRA, 2011. Conforme apresentado na Tabela 4, para a necessidade desejada do estudo, a inclinação indicada é de 24° (Latitude de 29° - 5° = 24°), indo ao encontro do apresentado pelo software PVsyst, sendo, portanto, um dado confiável. Figura 25 - Módulo fotovoltaico a ser instalado Fonte: Autor. 45 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 26 - Instalação dos módulos nos suportes Fonte: Autor. Figura 27 - Painel solar instalado e em funcionamento Fonte: Autor. 46 A Figura 28 apresenta uma imagem de satélite adquirida por meio do software Google Earth, mostrando no mapa o local onde está instalada a estação meteorológica BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) (Coordenadas geográficas: 29° 26' 39" S e 51° 57' 26" O) e onde está instalado o painel solar fotovoltaico (Coordenadas geográficas: 29° 26' 54" S e 51° 56' 42" O), bem como a distância entre os dois pontos (1 300 metros). Como a estação meteorológica fornece dados de radiação solar precisos num raio de 30 km, os dados de radiação e insolação por ela captados serão válidos ao serem comparados com a produção de energia das placas fotovoltaicas. Após a instalação e fase de testes, o painel solar fotovoltaico foi conectado a um medidor que registrou a quantidade de energia produzida e a um inversor, que converteu a energia elétrica de corrente contínua para corrente alternada. Todo o sistema foi conectado ao quadro de luz do prédio, onde a energia gerada é enviada para a rede elétrica pública, podendo ser consumida instantaneamente. Figura 28 - Local em que estão instalados a estação meteorológica e o painel solar fotovoltaico Fonte: GOOGLE EARTH, 2012. 47 4.2. Radiação global e horas de insolação BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Para a obtenção de dados diários de radiação global e horas de insolação utilizou-se a estação meteorológica modelo DAVIS Vantage PRO 2, instalada no campus da Univates, livre de obstáculos e sombras, a 85 metros de altitude em relação ao nível do mar, nas coordenadas geográficas 29° 26' 39" S e 51° 57' 26" O. A estação opera desde 2003 e os dados de radiação solar fornecidos são precisos num raio de 30 km, sendo registros de meia em meia hora, considerando-se os períodos de 0 à 0 h 30, 1 h às 1 h 30, 2 h às 2 h 30 e assim sucessivamente até as 24 h. A Figura 29 apresenta a estação em operação e o console da mesma. Figura 29 - Estação meteorológica DAVIS Vantage PRO 2 Fonte: TOMASINI, 2011. 4.3 Tratamento dos dados Para o tratamento estatístico dos dados obtidos com a estação meteorológica, utilizou-se o software Excel da Microsoft. Com o auxílio deste software, os dados dos cinco anos de radiação solar incidente, temperatura e insolação foram correlacionados de forma diária, e após foram realizadas médias mensais. 48 Para a conversão dos dados de radiação solar incidente no plano horizontal para dados de radiação solar incidente no plano do painel (inclinação de 24°), utilizou-se o BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) software livre desenvolvido pelo LABSOL da UFRGS, o RADIASOL 2 (FIGURA 30). O software utiliza a Equação 1 para o cálculo de conversão dos dados. O uso deste software foi de grande auxílio, já que o cálculo de intensidade da radiação solar em superfícies inclinadas é um procedimento trabalhoso devido ao elevado número de operações aritméticas envolvidas. Figura 30 - Software RADIASOL 2 Fonte: LABSOL - UFRGS. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 49 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES A seguir são apresentados os resultados obtidos a partir da avaliação da radiação solar incidente no município de Lajeado/RS, avaliação da geração de energia elétrica a partir da instalação do painel fotovoltaico e a correlação entre os dados de geração e os dados obtidos para o cálculo da radiação solar horizontal e inclinada, incidente sobre a área do painel, a partir dos dados da radiação incidente em Lajeado. 5.1 Radiação incidente e insolação A radiação solar que incide na superfície da Terra é composta de uma parcela direta e de uma parcela difusa, originada pelo espalhamento da radiação causado pela atmosfera. Para a avaliação do potencial de energia solar fotovoltaica, quantifica-se a radiação global que pode incidir no painel fotovoltaico, tendo em vista que ambas as parcelas de radiação colaboram para a geração fotovoltaica. Com o objetivo de levantar o potencial solar fotovoltaico do município de Lajeado/RS, foram adquiridos dados relativos à radiação solar global horizontal, na unidade de W/m², por meio de medições realizadas, a cada 30 minutos, pelo piranômetro instalado no Centro de Informações Hidrometeorológicas da UNIVATES. O período de levantamento de dados, por meio do piranômetro, foi de janeiro de 2007 a abril de 2012. Foi realizada uma média dos dados de radiação instantâneos, dados em W/m². Como o piranômetro fornece dados a cada 30 minutos, para a obtenção de dados de radiação diária média (em Wh/dia e Wh/m²/dia) para cada mês do ano, realizou-se a integração em relação ao tempo dos dados obtidos pelo piranômetro para cada dia, fazendose, posteriormente, a média dos valores de radiação acumulados por dia (energia solar 50 acumulada durante o dia completo sobre determinada área) para todos os meses do ano, BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) conforme apresentado na Tabela 5. Tabela 5 - Radiação solar global horizontal média diária, para cada mês do ano, no período de 2007 a 2012 Janeiro Radiação global horizontal por unidade de área obtida por interpolação com as estações mais próximas* (kWh/m²/dia) 5,58 Radiação global horizontal por unidade de área obtida por instrumentação adequada (kWh/m²/dia) 5,67 Fevereiro 5,25 5,13 84,6 Março 4,64 4,65 76,7 Abril 3,74 3,67 60,5 Maio 2,79 2,67 44,0 Junho 2,36 2,27 37,4 Julho 2,55 2,42 40,0 Agosto 3,05 2,97 49,0 Setembro 3,81 3,70 61,0 Outubro 4,61 4,42 73,0 Novembro 5,63 5,60 92,4 Dezembro 6,13 6,18 102 Mês Radiação global horizontal sobre área equivalente a do painel (kWh/dia) 93,6 *Fonte: LABSOL – UFRGS (por meio do uso do software livre RADIASOL 2). Fonte: Autor. Os dados presentes na tabela anterior podem ser melhor analisados quando são expressos na representação gráfica da Figura 31. Como pode ser visualizado, em Lajeado o mês com maior radiação global incidente é dezembro, com 6,18 kWh/m²/dia, e o de menor incidência é junho, com 2,27 kWh/m²/dia. A média anual de radiação solar incidente é de 4,11 kWh/m²/dia. Também se pode verificar que a curva de radiação solar ao longo dos meses do ano comporta-se em sentido parabólico, com as menores médias ocorrendo nos meses de maio, junho, julho e agosto. Os meses de maior radiação solar são os meses de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro, que oferecem um potencial energético duas vezes maior que nos meses de inverno. 51 Radiação horizontal média diária (kWh/m²/dia) 7 6 5 Radiação global horizontal por unidade de área obtida por interpolação com as estações mais próximas * 4 3 2 Radiação global horizontal por unidade de área medida em Lajeado/RS* 1 0 Meses do ano *Fonte: LABSOL – UFRGS (por meio do uso do software livre RADIASOL 2). Fonte: Autor. Observa-se que os valores medidos pela estação meteorológica estão em concordância com os obtidos pelo LABSOL da UFRGS, por meio de interpolação com o software Radiasol 2, representando que os mesmos são válidos para a situação proposta. Utilizando-se dos mesmos dados fornecidos pelo piranômetro, fez-se o somatório de horas de radiação global diária e, após, a média mensal deste dado, para averiguar se o local é propício para a instalação de sistemas fotovoltaicos. A Figura 32 apresenta as médias mensais de horas de dia em forma de gráfico, exemplificando este dado. Figura 32 - Gráfico de horas de radiação global por dia, médias mensais 16,0 14,0 12,0 Horas de Radiação Global BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 31 - Gráfico da radiação solar horizontal, por unidade de área, média diária 14,0 13,3 12,5 11,6 10,8 10,4 10,6 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 Meses do Ano Fonte: Autor. 11,1 11,9 12,9 13,8 14,2 52 Conforme verificado na Figura 32, os meses com mais horas de radiação global são os de janeiro, fevereiro, novembro e dezembro, mantendo-se acima das 13 horas diárias. Já os em torno de 10 horas/dia. Assim como ocorreu com o gráfico de radiação solar incidente, o gráfico das horas de radiação global também se comporta de forma parabólica, com os menores valores ocorrendo nos meses de inverno. Estes dados diferem dos apresentados no Atlas Solarimétrico do Brasil (TIBA et al., 2000), pois foram somadas a radiação direta e difusa, constituindo as horas de sol do dia, enquanto na Figura 10 somente está representada a radiação direta sobre a superfície terrestre. 5.2 Energia elétrica gerada a partir do painel fotovoltaico O painel solar fotovoltaico entrou em operação no dia 16 de agosto de 2012, gerando energia elétrica a partir da conversão da radiação solar incidente no plano inclinado. No mês de agosto foram registrados dados de geração do dia 16 ao dia 24, conforme apresentados no gráfico na Figura 33. Figura 33 - Gráfico da energia gerada (Agosto) 14 12,6 12 Energia Gerada (kWh) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) meses de maio, junho e julho são os com menos horas de radiação global diárias, com médias 10,8 9,5 10 8 12,9 13 22 23 11,4 11,3 10,3 7,5 6 4 2 0 16 17 18 19 20 Dia do mês de agosto Fonte: Autor. 21 24 53 A geração de energia durante o período manteve-se com média de 11 kWh/dia, sendo que dos dias 25 a 31 foram feitas adequações na instalação e, portanto, não foi possível A Figura 34 apresenta o gráfico da geração de energia do mês de setembro, na qual se pode observar muito bem a variação da geração de energia com as mudanças climáticas decorridas no mês (dias nublados e de chuva). Figura 34 - Gráfico da energia gerada (Setembro) 16 12,6 13,1 11,4 11,1 9,8 12 10 14,3 14,2 14,1 14 Energia Gerada (kWh) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) registrar a quantidade de energia gerada. 12,5 11,5 11,3 13,2 13 11,3 9,6 8,1 8 7,2 6 7,2 7,9 5,2 4,1 3,8 4 4 3,2 2 1,1 0,5 2,8 2,6 0,8 0,6 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Dia do mês de setembro Fonte: Autor. No mês de setembro os dias que mais propiciaram a geração de energia foram o 14, 22 e 28, com geração de mais de 14 kWh/dia em cada um dos mesmos. A média mensal de geração foi de 8 kWh, dentro do esperado para um mês chuvoso na região em que foi instalado. Os dados de geração de energia elétrica do painel foram comparados com os dados de pluviometria, obtidos por uma estação meteorológica de propriedade da CERTEL ENERGIA. Essa estação é localizada na Hidrelétrica Boa Vista, na RST 453, km 47,8, no município de Estrela/RS, distante 08 km de onde o painel foi instalado (Latitude: 29°28'21" S - Longitude: 51°52'05" O). Conclui-se, pela comparação, que nos dias em que houve pouca geração de energia elétrica foram os mesmos dias em que ocorreram chuvas na região, fazendo com que a radiação solar direta não pudesse ser captada pelo painel solar e a radiação solar difusa fosse a principal responsável pela geração de energia elétrica. O gráfico da 54 correlação entre a energia elétrica gerada e a pluviometria são apresentados na Figura 35. A necessidade de utilizar os dados de outra estação meteorológica ocorreu devido a uma da Univates, que impossibilitou a aquisição de dados de pluviometria e radiação solar incidente no período. Figura 35 - Gráfico da relação entre a energia gerada e a pluviometria 16 120,00 14,1 14 12,6 13,1 Energia Gerada (kWh) 12 11,4 10 12,5 11,5 11,3 11,1 9,8 14,3 14,2 13,2 13 100,00 11,3 8,1 8 7,2 6 2 7,9 60,00 7,2 5,2 4 80,00 9,6 4 3,8 3,2 1,1 0,5 40,00 4,1 2,8 0,8 2,6 Pluviometria (mm) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) manutenção que houve na estação meteorológica do Centro de Informações Meteorológicas 20,00 0,6 0 0,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Dia do mês de setembro Energia Gerada (kWh) Pluviometria (mm) Fonte: Autor. Conforme apresentado no gráfico da Figura 35, visualiza-se que os dias de menor geração de energia coincidiram com os de maior índice pluviométrico, devido à diminuição da radiação direta incidente sobre o painel solar fotovoltaico. O gráfico também reforça o conceito de que ocorre geração de energia enquanto houver radiação solar difusa, não sendo obrigatoriamente necessária a radiação solar direta. 5.3 Valor de radiação incidente no plano do painel solar fotovoltaico Como o piranômetro capta a radiação solar incidente no plano horizontal e o painel fotovoltaico está inclinado em um ângulo de 24º, faz-se necessário calcular o valor de radiação solar incidente no plano do painel, para correta correlação entre os dados. Para isto 55 utilizou-se o software livre do LABSOL – UFRGS, o RADIASOL 2. Com este software pôde-se inserir as informações coletadas pelo piranômetro, obtendo-se a radiação global BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) incidente no ângulo desejado. O software calcula a radiação inclinada média estatística com base nos dados inseridos, posição geográfica e dados geométricos do painel, utilizando a Equação (1), do modelo de céu isotrópico, conforme explicado por Duffie & Beckman (1980). A Tabela 6 apresenta os dados médios mensais de radiação incidente no plano horizontal coletados pelo piranômetro no período de 2007 a 2012 e o respectivo valor de radiação incidente inclinada para diferentes ângulos de inclinação do painel. Tabela 6 - Radiação global incidente no plano horizontal e inclinado Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 0° 5,66 5,12 4,63 3,66 2,66 2,26 2,41 2,96 3,69 4,41 5,59 6,17 ANO 4,10 Radiação Média no Plano Inclinado (kWh/m²/dia) 10° 20° 24° 30° 40° 50° 5,66 5,56 5,45 5,36 4,97 4,51 5,24 5,24 5,21 5,18 4,89 4,62 4,91 5,09 5,12 5,10 5,03 4,84 4,02 4,31 4,37 4,46 4,56 4,53 3,04 3,32 3,44 3,58 3,65 3,77 2,63 2,94 3,02 3,19 3,32 3,42 2,77 3,09 3,19 3,31 3,51 3,55 3,28 3,55 3,64 3,74 3,84 3,79 3,96 4,16 4,20 4,25 4,22 4,13 4,57 4,62 4,63 4,64 4,50 4,23 5,63 5,53 5,53 5,33 5,04 4,51 6,13 5,97 5,87 5,62 5,27 4,71 Radiação Média Anual no Plano Inclinado (kWh/m²/dia) 4,32 4,44 4,47 4,48 4,40 4,21 60° 3,95 4,17 4,49 4,34 3,70 3,38 3,49 3,72 3,87 3,93 4,11 3,95 70° 3,32 3,44 4,08 4,09 3,64 3,37 3,39 3,53 3,59 3,48 3,47 3,25 3,92 3,55 Fonte: Autor. A Figura 36 apresenta um gráfico correlacionando a radiação global incidente nas diferentes inclinações, demonstrando mais claramente o efeito surtido quando ocorre a inclinação de um plano. O melhor ângulo de inclinação fixo para o ano é aquele que, utilizando-se a média dos valores diários médios de radiação de cada mês, faz com que o painel receba a maior quantidade de energia. Para Lajeado, conforme se verifica na Figura 36, ângulos entre 20 e 30° fazem com que o painel receba maior quantidade de energia solar durante o ano, comparado com outros valores de inclinação. Com base nesses dados, verifica-se que a inclinação de 24° utilizada está adequada, tendo em vista que a diferença da energia média 56 obtida para esse ângulo em relação aos valores obtidos para a inclinação com ângulos de valores próximos é pequena. Para ângulos de inclinação próximos a zero (plano horizontal) e Figura 36 - Radiação global incidente no plano horizontal e inclinado Radiação inclinada (kWh/m²/dia) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) para ângulos próximos a 90°, a energia solar média obtida reduz significativamente. 7 0° 6 10° 5 20° 24° 4 30° 3 40° 50° 2 60° 1 70° 0 80° 90° Mês do ano Fonte: Autor. Pode-se ter uma melhor ideia do ganho em captação de energia solar, quando se compara que, com o uso de 0° de inclinação, obtém-se em média durante o ano 67,7 kWh/dia de radiação sobre a área de painel, contra um valor de 73,8 kWh/dia que se obtém com o uso de inclinação de 24° para o painel. Já, quando se opta por uma inclinação excessivamente mais alta, como a de 70°, por exemplo, o valor de radiação obtido é de 58,6 kWh/dia. Portanto, o ângulo escolhido para a inclinação está adequado para os fins requeridos. 5.4 Relação entre a radiação solar incidente e a geração de energia Em todos os equipamentos utilizados para a conversão de uma forma de energia, não se tem uma conversão de 100% tendo em vista que nos processos de transformação de energia existem perdas, de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica. Ainda, a energia gerada pelo painel fotovoltaico varia em função dos níveis de radiação solar direta incidente e níveis de poeira e nebulosidade, que interferem na radiação solar difusa. 57 Durante o período estudado, a radiação solar diária incidente no plano horizontal teve uma média de 71 kWh/dia sobre a área do painel, chegando a picos de 82,9 kWh/dia, BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) conforme apresentado na Tabela 7. Com base nos valores coletados pelo piranômetro no período de 2007 a 2012, realizou-se a média dos valores para o mês de agosto, obtendo-se o valor de 48,84 kWh/dia. Fazendo uso do software Radiasol 2, obteve-se o valor de 59,9 kWh/dia como média de radiação inclinada para o mesmo mês. Como se verifica que os dados de radiação sobre a superfície inclinada médios são 1,23 vezes maiores do que os dados referentes à radiação horizontal, estima-se que a radiação diária que incide sobre a superfície inclinada também respeite esta proporção. Utilizou-se este método porque, para ter os dados instantâneos de radiação inclinada, o piranômetro teria que estar posicionado na mesma inclinação do painel. Com base nos dados de estimativa de radiação incidente no plano inclinado, pode-se correlacionar a radiação incidente no plano inclinado com a energia gerada diariamente, bem como a eficiência estimada do painel no período. Tabela 7 - Radiação incidente e energia gerada Radiação Horizontal Medida¹ (kWh) 52,17 75,72 68,73 63,60 70,36 69,95 80,14 82,91 76,59 Dia 16/8 17/8 18/8 19/8 20/8 21/8 22/8 23/8 24/8 1 2 Radiação Horizontal Média² (kWh) 48,84 48,84 48,84 48,84 48,84 48,84 48,84 48,84 48,84 Radiação Inclinada Média³ (kWh) 59,9 59,9 59,9 59,9 59,9 59,9 59,9 59,9 59,9 Estimativa de Radiação Inclinada4 (kWh) 63,98 92,87 84,29 78,00 86,29 85,79 98,29 101,7 93,93 Energia Gerada (kWh) Eficiência Estimada (%) 7,50 12,6 10,8 9,50 10,3 11,3 12,9 13,0 11,4 11,72 13,57 12,81 12,18 11,94 13,17 13,12 12,78 12,14 Valores diários obtidos pelo piranômetro, em ângulo horizontal; Valores médios de radiação horizontal calculados para o mês de agosto, com base nos dados registrados pelo piranômetro de 2007 a 2012; 3 Valores médios de radiação inclinada obtidos pelo software Radiasol 2 para o mês de agosto, com base nos dados registrados pelo piranômetro de 2007 a 2012; 4 Valores obtidos pela relação entre a radiação horizontal e a inclinada, com base no software Radiasol 2; Fonte: Autor. A relação entre as médias para o mês de agosto da radiação incidente no plano horizontal e no plano inclinado, bem como a relação entre a estimativa de radiação diária 58 incidente no plano inclinado e a energia gerada pelo painel fotovoltaico podem ser mais bem visualizadas no gráfico apresentado na Figura 37. geração de energia fotovoltaica, coincidindo os momentos de maior incidência com os de maior geração. A geração de energia elétrica manteve-se com média de 11 kWh/dia, comportando-se de forma homogênea e sem apresentar grandes variações. A eficiência do painel solar fotovoltaico na conversão de energia solar para energia elétrica foi da ordem de 12,6%, próximo do proposto pelo fornecedor (14%). Figura 37 - Radiação incidente e energia gerada Energia Diária (kWh) BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Como pode ser observado pelo gráfico, a radiação incidente é fator limitante da 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 16/8 17/8 18/8 19/8 20/8 21/8 22/8 23/8 24/8 Dia do mês de agosto Radiação Horizontal Medida¹ Radiação Horizontal Média dos Dias de Agosto² Radiação Inclinada Média dos Dias de Agosto³ Estimativa de Radiação Inclinada 4 Energia Gerada 1 2 Valores diários obtidos pelo piranômetro, em ângulo horizontal; Valores médios de radiação horizontal calculados para o mês de agosto, com base nos dados registrados pelo piranômetro de 2007 a 2012; 3 Valores médios de radiação inclinada obtidos pelo software Radiasol 2 para o mês de agosto, com base nos dados registrados pelo piranômetro de 2007 a 2012; 4 Valores obtidos pela relação entre a radiação horizontal e a inclinada, com base no software Radiasol 2; Fonte: Autor. Não foi possível realizar a relação da radiação solar incidente com a geração de energia elétrica para o mês de setembro, pois a estação meteorológica passou por uma manutenção preventiva e não foi possível a coleta de dados neste período. BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 59 6. CONCLUSÕES Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede são uma aplicação bastante promissora da tecnologia fotovoltaica, uma vez que têm as vantagens da geração distribuída (geração próxima ao consumo) e não necessitam de dispositivos acumuladores (banco de baterias), já que a rede elétrica absorve a energia gerada que pode não ser consumida imediatamente pela carga local. O estudo realizado objetivou a instalação de um painel solar fotovoltaico na cidade de Lajeado/RS, a fim de obter dados em tempo real da geração de energia. O estudo é pioneiro neste aspecto, pois anteriormente somente existia a estimativa de geração de energia na região, nunca tendo sido realizado um acompanhamento e correlação com a radiação incidente em tempo real. Como fator importante que pode influenciar a geração de energia, ressalta-se a inclinação do painel em um ângulo de 24°. Nos dados obtidos de radiação global média para o período de 2007 a 2012, verifica-se que a inclinação num ângulo de 24° tem como efeito homogeneizar os índices da radiação incidente sobre o painel. Como pode ser observado na Tabela 10, nos meses de verão há uma diminuição da incidência variando de 2 a 5%, enquanto que no inverno houve um aumento da radiação incidente variando de 20 a 35%, comprovando que a inclinação de painéis fotovoltaicos é uma melhoria viável, praticamente sem custo e que influencia positivamente na geração de energia nos meses de menor incidência solar. A partir dos resultados pode-se afirmar que um sistema solar fotovoltaico instalado em Lajeado teria seu potencial melhor aproveitado se instalado de forma conectada à rede, não fazendo uso de um banco de baterias. Isto se deve a pouca radiação incidente nos meses de inverno, insuficiente para a geração de energia elétrica necessária para alimentação de 60 residências ou indústrias, mesmo se as placas estiverem inclinadas em um ângulo propício. Deve-se considerar também que o uso de baterias proporciona perdas de eficiência adicionais, BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) devido às transformações de energia elétrica em energia química e, posterior, transformação de energia química em energia elétrica, para consumo, não serem ideais; conforme a Segunda Lei da Termodinâmica. Com os dados obtidos verificou-se que no mês de agosto houve uma geração de energia média de 11 kWh/dia, dentro do esperado para um mês de chuvas. Mas seria necessária a avaliação da geração por um período maior de meses para a geração poder ser melhor analisada. Pode-se afirmar que o projeto atendeu aos objetivos do estudo, pois somente com a instalação do sistema fotovoltaico obtiveram-se dados da geração de energia para a cidade de Lajeado, dados que ainda eram inexistentes para a região. A partir de uma revisão bibliográfica e pesquisas sobre outros projetos conheceu-se o software livre RADIASOL 2 que foi muito útil quando houve a necessidade de converter os dados de radiação horizontal para um plano inclinado. O mesmo quando ocorreu a necessidade de calcular qual a melhor inclinação para as placas solares, descobrindo-se o software livre PVsyst. Com base nos resultados obtidos neste estudo pôde-se concluir que um sistema fotovoltaico instalado na cidade de Lajeado/RS produz energia de forma satisfatória, podendo ser utilizado no fornecimento de energia elétrica de residências e empresas. 61 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). 2012. Disponível em: <http://www.aneel.gov.br>. Acesso em: 15 jun. 2012. BERMANN, Célio. Crise Ambiental e as Energias Renováveis. Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da USP. Revista Energia, Ambiente e Sociedade, p. 20-29, 2006. BRAUN-GRABOLLE, Priscila. A Integração de Sistemas Solares Fotovoltaicos em Larga Escala no Sistema Elétrico de Distribuição Urbana. Tese de Doutorado - Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Florianópolis, SC, 2010. BUENO, Régis D. R. 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