A encruzilhada socioambiental biodiversidade, economia e sustentabilidade no cerrado Laerte Guimarães Ferreira Jr. (o r g a n i z a d o r ) A encruzilhada socioambiental biodiversidade, economia e sustentabilidade no cerrado Goiânia 2007 Catalogação na Fonte A encruzilhada socioambiental: biodiversidade, economia e sustentabilidade no cerrado / Org. [por] Laerte Guimarães Ferreira Jr. – Goiânia : Ed. da UFG, 2007. 240 p. ; 24,5 cm. ISBN xxxxxxxxxxx 1. XXXXXXXXX – XXXXXXXXXX. 2. XXXXXXXX. 3. XXXXXXXX. I. Título. CDD xxxxx Copyright © 2007 by Laerte Guimarães Ferreira Jr. Arte-final de capa XXXXXXXXXXXXX Revisão Cânone Editoração Ltda Sumário 7 Lista de siglas 9 Apresentação 13 Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em Goiás Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Ricardo Bomfim Machado, Sidney T. Rodrigues, Mario Barroso Ramos Neto, Ekena Rangel Pinagé e José Alexandre Felizola Diniz Filho 61 Estado-da-arte sobre a biodiversidade de vertebrados em Goiás Anamaria Achtschin Ferreira, Rogério Pereira Bastos e Manuel Eduardo Ferreira 85 Padrões de cobertura de solos do Estado de Goiás Edson Eyji Sano, Luiz Alberto Dambrós, Geraldo César de Oliveira e Ricardo Seixas Brites 101 Expansão da fronteira agrícola e evolução da ocupação e uso do espaço no Estado de Goiás: subsídios à política ambiental Fausto Miziara e Nilson Clementino Ferreira 121 Pobreza, desenvolvimento e conservação da biodiversidade em Goiás Pedro da Costa Novaes, Fábio Carneiro Lobo e Manuel Eduardo Ferreira 145 Base de dados geográficos para a gestão territorial e ambiental do Estado de Goiás Maria Luiza Osório Moreira e Nilson Clementino Ferreira 163 Cobertura vegetal remanescente em Goiás: distribuição, viabilidade ecológica e monitoramento Manuel Eduardo Ferreira, Laerte Guimarães Ferreira Jr. e Nilson Clementino Ferreira 181 Uso de instrumentos econômicos para a conservação da biodiversidade em Goiás: implicações e perspectivas Osmar Pires Martins Júnior e Flávio Teodoro Chaves 193 Um roteiro para o desenvolvimento sustentável em Goiás Washington Novaes 209 Glossário 213 Sobre os autores Lista de siglas AGETOP - Agência Goiana de Transportes e Obras AGMA - Agência Goiana de Meio Ambiente APA - Área de proteção ambiental CEFET-GO - Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás CELG - Companhia Estadual de Energia Elétrica CI-Brasil - Conservação Internacional do Brasil CIGEx - Centro de Imagens e Informações Geográficas do Exército CITES -Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção. COMDATA -Companhia Municipal de Processamento de Dados COP7 -Conferência das Partes da Convenção de Diversidade Biológica CRF -Cotas de Reserva Florestal ETM+ -Enhanced Thematic Mapper Plus (Mapeador Temático Realçado) GARP -Genetic Algorithm for Rule-Set Prediction GIS -Geographic Information System GPS -Global Positioning System (Sistema de Posicionamento Global) IBAMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE - Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IISD -International Institute for Sustainable Development IUCN -União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais LAPIG -Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás MDL -Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ME-DSG -Ministério do Exército – Diretoria de Serviço Geográfico MMA -Ministério do Meio Ambiente OC -Objeto de conservação PDIAP -Projeto de Identificação de Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade em Goiás PI -Plano de informação PROBIO -Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira RADAM -O projeto Radam (Radar na Amazônia), criado em 1970, atingiu, em 1975, totalidade do território nacional, quando passou a ser chamado de Radambrasil SANEAGO -Companhia de Saneamento do Estado de Goiás SEAGRO -Secretaria da Agricultura SEFAZ -Secretaria da Fazenda SEMARH -Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás SEMMA -Secretaria Municipal de Meio Ambiente SEPLAN -Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento do Estado de Goiás de Goiânia SGM -Superintendência de Geologia e Mineração do Estado de Goiás SIC -Secretaria de Indústria e Comércio do Estado de Goiás SIEG -Sistema Estadual de Estatística e de Informações Geográficas de Goiás SIG -Sistema de Informação Geográfica SIG-Goiás -Sistema de Informação Geográfica do Estado de Goiás SMT -Secretaria Municipal de Trânsito TI -Terra indígena UC -Unidade de conservação UFG -Universidade Federal de Goiás UNEP -United Nations Environment Programme UP -Unidade de planejamento UPI -Unidade de conservação de proteção integral UUS -Unidade de conservação de uso sustentável WWF-Brasil -Nome da organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza Apresentação Este livro nasceu graças ao Projeto Identificação de Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade em Goiás (PDIAP), cuja proposta era a de mapear as áreas sensíveis e ecologicamente importantes que deveriam ser preservadas, para poder assegurar a manutenção da biodiversidade e do ativo ambiental do Estado. No processo de mapeamento, o projeto acabou gerando uma extensa base de dados e informações, como é o caso, por exemplo, dos mapas da vulnerabilidade natural da paisagem e do patrimônio histórico e antropológico. Diante desse fato, os diversos especialistas envolvidos no projeto, vinculados às mais representativas instituições de pesquisa, consideraram que as análises e informações obtidas deveriam ser publicadas para que não só pudessem fundamentar uma política ambiental de médio e longo prazo, mas também alcançassem um público mais amplo. Essa é razão pela qual este livro apresenta um glossário com os conceitos essenciais para um leitor que se inicia no tema. Assim, este livro, uma coletânea de nove textos, ao mesmo tempo em que procura documentar e sintetizar os principais resultados do PDIAP, também busca, de forma integrada e coerente, subsidiar a implementação de áreas voltadas à conservação da biodiversidade, bem como reduzir as lacunas quanto a dados, abordagens e escopos que envolvem a seleção dessas áreas. O primeiro texto, “Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em Goiás”, apresenta a metodologia, os critérios e os resultados da identificação das áreas prioritárias propriamente ditas. A definição dessas áreas teve como premissas uma abordagem dinâmica (i.e., a possibilidade de atualização de cenários à medida que as metas de conservação se modificam) e a incorporação de atributos da paisagem (meio físico) e de padrões de biodiversidade. Dessa forma, foram identificadas quarenta áreas prioritárias, em função da diversidade de unidades fitogeomorfológicas, áreas alagáveis, espécies endêmicas e ameaçadas, bem como dos princípios de representatividade, insubstituibilidade, funcionalidade e flexibilidade. 10 Apresentação “O estado-da-arte da biodiversidade de vertebrados em Goiás”, o segundo texto, discute a distribuição geográfica, o endemismo e as ameaças, além de sugerir, no âmbito de ações conservacionistas, inventários sistemáticos da fauna de vertebrados. O mapa de classes de cobertura dos solos – certamente o mais atualizado e preciso levantamento da vegetação remanescente e antrópica para o Estado de Goiás –, baseado na interpretação visual e na classificação automática de imagens Landsat, em inspeções de campo e em cartas de serviço do projeto Radambrasil, é apresentado no terceiro texto, “Padrões de cobertura de solos do Estado de Goiás”, juntamente com uma análise detalhada dos padrões de uso do solo e da adequação desses padrões à vulnerabilidade natural da paisagem. A tendência histórica do uso e ocupação do espaço no Estado de Goiás, em função dos distintos momentos de expansão da fronteira agrícola, é discutida no quarto texto, “Expansão da fronteira agrícola e evolução da ocupação e uso do espaço no Estado de Goiás: subsídios à política ambiental”. A partir do entendimento dos processos e variáveis socioeconômicos envolvidos, propõe-se um modelo para o monitoramento da pressão antrópica. O contexto socioeconômico e sua relação com a conservação da biodiver sidade são aprofundados no quinto texto, “Pobreza, desenvolvimento e conservação da biodiversidade em Goiás”. Nele se avalia, em âmbito municipal – e segundo o conjunto de áreas prioritárias –, a dependência entre desmatamento e indicadores de desenvolvimento humano (índice de Gini, proporção de pobres, intensidade de pobreza, densidade demográfica) e econômico (PIB). Com base nessas análises, os autores fazem recomendações para a formulação de políticas públicas e de iniciativas que efetivamente considerem, de forma integrada, o desenvolvimento econômico, o combate à pobreza e a conservação da natureza. A gestão do território e o uso sustentável dos recursos naturais demandam uma base de dados confiável, atualizada, espacialmente referenciada e, acima de tudo, de fácil acesso. Goiás tem avançado rapidamente nesse sentido. O sexto texto, “Base de dados geográficos para a gestão territorial e ambiental do Estado de Goiás”, apresenta a extensa base de dados sobre o meio físico, organizada e disponibilizada através do SIG-Goiás e, mais recentemente, através do Sistema de Informações Estatísticas e Geográficas, uma iniciativa da Gerência de Informática e Tecnologia da Secretaria Estadual do Planejamento e da Gerência de Geoinformação da Superintendência de Geologia e Mineração da Secretaria de Indústria e Comércio. Muito foi feito, mas muito há ainda por fazer, levantar e compilar. Desse modo, este texto aponta algumas necessidades prementes, como, por exemplo, a base cartográfica do Estado, na escala 1:100.000, em formato digital. A distribuição, a proporção e a viabilidade ecológica, em função do grau de fragmentação da paisagem das áreas remanescentes, são discutidas no sétimo texto, “Cobertura vegetal remanescente em Goiás: distribuição, viabilidade A encruzilhada socioambiental ecológica e monitoramento”. No período 2003-2004, o Sistema Integrado de Alerta de Desmatamentos detectou desmatamentos inclusive nas áreas conside radas prioritárias para a conservação da biodiversidade. Em consonância com o que vem sendo preconizado nos vários fóruns voltados para questões de sustentabilidade global, o oitavo texto, “Uso de instrumentos econômicos para a conservação da biodiversidade em Goiás: implicações e perspectivas”, enfatiza, com o objetivo de viabilizar políticas e demandas ambientais, os chamados transferable development rights, entre os quais se destaca a reserva legal extrapropriedade. Essa reserva, ainda que de forma tímida e incipiente, já vem sendo adotada, em Goiás, desde 2003. Dentre as alternativas, o texto sugere a criação da bolsa de reserva florestal, que, se implementada, pode tornar-se um importante mecanismo de manutenção da cobertura vegetal nativa. “Um roteiro para o desenvolvimento sustentável em Goiás”, o texto final, apresenta uma síntese detalhada e articulada de cada um dos estudos aqui apresentados, validando suas respectivas recomendações. Como o título sugere, o autor aponta uma série de medidas simples e viáveis – os caminhos, na verdade –, para que se possa transformar em ações o rico acervo de dados, informações e alertas contido neste livro. Multidisciplinar em sua essência e fruto de um esforço coletivo, este livro representa, de certa maneira, o estágio atual do conhecimento sobre o Estado de Goiás quanto aos seus aspectos físico, biótico, social e antrópico. No entanto, esse conhecimento – e, em particular, o diagnóstico dessas várias “paisagens” – deve ser dinâmico e ir além dos levantamentos e análises aqui expostos. É preciso zoom in, com as lentes da inter e transdiciplinaridade, nas fronteiras entre as dimensões humana, física e biótica, para melhor entender os conflitos que as caracterizam e, assim, superar a dicotomia aparentemente irreconciliável entre desenvolvimento e conservação. Não há dúvidas de que essa reconciliação passa por uma gestão eficiente e eficaz do território e da incorporação plena, em todas as esferas de governo e na sociedade, do conceito de sustentabilidade. Como adverte o jornalista Washington Novaes, no final deste livro, não é possível, no início do século XXI, pensar em modernidade sem sustentabilidade. Laerte Guimarães Ferreira Jr. Organizador 11