FACULDADE LUTERANA SÃO MARCOS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO BANCO COOPERATIVO
SICREDI NO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
ROSIMERI MARTINS
Alvorada
2013/2
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FACULDADE LUTERANA SÃO MARCOS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO BANCO COOPERATIVO
SICREDI NO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
ROSIMERI MARTINS
Artigo Científico como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em
Administração pela Faculdade Luterana São
Marcos
Professora Orientadora: Ma. Cilane da Rosa Vieira
Alvorada
2013/2
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RESUMO
Apesar de uma trajetória que atravessou séculos, há não muitos anos o
segmento Cooperativo, em especial o ramo de Crédito começou a ganhar
notoriedade na sociedade, e espaço junto às grandes instituições que
compõem o Sistema Financeiro Nacional. No Brasil, o Cooperativismo de
Crédito firmou bases nas zonas rurais e aos poucos expandiu sua atuação para
os grandes centros, quando passou a disputar espaço com grandes instituições
financeiras. Considerando este cenário, este artigo procurou identificar o
comportamento evolutivo do Banco Sicredi, frente às demais instituições que
compõem o Sistema Financeiro Nacional, seu papel para o Sistema Sicredi,
bem como as possíveis vantagens e dificuldades desse modelo de negócio na
captação e manutenção de associados nos grandes centros. Na
fundamentação teórica, o artigo apresenta a trajetória de desenvolvimento do
cooperativismo de crédito brasileiro, os tipos de cooperativas de crédito, e os
principais sistemas em funcionamento, bem como, a estrutura do Sistema
Financeiro Nacional e as instituições que o compõem. A fim de atingir os
objetivos propostos, a pesquisa foi classificada quanto aos fins como descritiva
e explicativa e quanto aos meios como bibliográfica e estudo de caso. Foi
possível identificar a crescente evolução da participação do Banco Sicredi no
Sistema Financeiro Nacional, bem como os desafios do Sistema Sicredi para
expandir-se nas zonas urbanas, manter e conquistar novos associados.
Palavras-chave: Cooperativismo. Sistema Financeiro. Associados. Cooperado.
INTRODUÇÃO
As sociedades cooperativas criadas a partir da adesão voluntária de
indivíduos comuns, com objetivos comuns, desde seu surgimento no século
XIX, na Inglaterra, são consideradas importantes instrumentos de organização
econômica da sociedade, uma vez que visam à satisfação das necessidades
econômicas, sociais e culturais dos seus associados.
Dentre os diversos segmentos cooperativos existentes no Brasil, o de
maior representatividade, em número de associados, é o Cooperativismo de
Crédito, cujo surgimento se deu por iniciativa do Padre Jesuíta Theodor
Amstad, que em 1902 fundou no município de Nova Petrópolis/RS a primeira
Cooperativa de Crédito da América Latina, na época denominada Caixa de
Economia e Empréstimos Amstad.
Somente em 1964 através da Lei 4.595 é que as Cooperativas passaram
a ser fiscalizadas e normatizadas pelo Banco Central do Brasil. Mas apesar
disso as Cooperativas ainda enfrentam limitações para acessar o mercado
financeiro, no qual predominam as instituições financeiras do modelo banco
múltiplo, cuja atuação se dá em diversos segmentos, principalmente na
captação de depósitos, intermediação de crédito e transações nos mercados
de títulos.
Frente a esta dificuldade o Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi, um
dos maiores sistemas em funcionamento no país, criou em 1995 o Banco
Cooperativo Sicredi, o primeiro banco cooperativo privado do Brasil, através do
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qual as cooperativas acessam o mercado financeiro e os programas especiais
de financiamento, o banco é responsável ainda por administrar em escala os
recursos do Sistema, bem como desenvolver produtos corporativos e políticas
de comunicação e marketing.
O Sistema Sicredi está presente em 10 estados brasileiros, possui 113
cooperativas singulares, cerca de 1.200 unidades de atendimento (agências), e
15.000 colaboradores, dessa estrutura fazem parte também a Sicredi
Participações, o Banco Cooperativo Sicredi, além das empresas por este
controladas.
Apesar de sua recente trajetória o Banco Cooperativo Sicredi tornou-se
presença constante entre os mais importantes rankings de desempenhos
nacionais, além de ganhar espaço junto às demais instituições financeiras do
país.
Deste modo, foi avaliada a seguinte questão: Qual o comportamento
evolutivo do Banco Cooperativo Sicredi no Sistema Financeiro Nacional ao
longo dos 16 anos de sua existência?
Diante do exposto o objetivo geral deste estudo foi analisar o
crescimento do Banco Cooperativo Sicredi em relação aos seis maiores bancos
que integram o Sistema Financeiro Nacional, embora o Banco Central
considere os 20 primeiros, como os maiores bancos. Bem como os benefícios
que este proporciona às Cooperativas do Sistema. Nesse sentido, os objetivos
específicos foram:
 Apresentar o Cooperativismo e seus princípios;
 Traçar o perfil histórico normativo do Cooperativismo de Crédito no
Brasil;
 Apresentar o Sistema Financeiro Nacional, sua estrutura e instituições
integrantes;
 Apresentar o Banco Cooperativo Sicredi e seu papel junto às
Cooperativas Centrais e Singulares;
 Analisar os dados econômico-financeiros do Banco Cooperativo Sicredi
no Sistema Financeiro Nacional;
 Analisar as dificuldades e as vantagens do modelo Cooperativo na
captação de novos associados.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Origem do Cooperativismo
O Cooperativismo formal teve origem na cidade de Rochdale na
Inglaterra, pela iniciativa de 28 tecelões, que motivados pela crise causada pela
Revolução Industrial, em 1844 uniram esforços, e os poucos recursos
financeiros que dispunham para dar inicio a esse movimento.
Os Pioneiros de Rochdale acreditavam que através da cooperação
poderiam buscar melhores condições de vida, bem como soluções para os
problemas de desemprego e fome que assombravam a população menos
favorecida (PALHARES, 2004). Segundo Souza (2008, p. 162), “estavam
profundamente motivados a corrigir as falhas e os erros que tinham acarretado
o fechamento de outras iniciativas similares a que estavam iniciando”.
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Foi então que quando da formalização desta associação, mediante a
elaboração de seu estatuto os Pioneiros de Rochdale estabeleceram um
conjunto de princípios que atravessaram séculos e até hoje orientam as ações
cooperativas, para Meinen e Port (2012, p.29), “o Cooperativismo é o único
movimento socioeconômico do planeta que se desenvolveu sob uma mesma
orientação doutrinária, e assim é desde o seu surgimento”.
Nos anos de 1937, 1966 e 1995, tais princípios foram revisados em
congressos coordenados pela Aliança Cooperativa Internacional – ACI, com
base em Cenzi (2009), os sete princípios são: adesão livre e voluntária; gestão
democrática; participação econômica; autonomia e independência; educação,
formação e informação; intercooperação e interesse pela comunidade.
A cooperativa de Rochdale foi criada para ser uma Cooperativa de
consumo, uma vez que seus idealizadores objetivavam se desamarrar da
imposição dos donos dos meios de produção e dos armazéns que na época
exploravam a população mediante a oferta de produtos de valor elevado e
pouca qualidade. Contudo seis anos após sua constituição, a cooperativa
passou a oferecer também aos seus associados, serviços financeiros que até
então eram exclusividade das classes mais altas, a guarda e aplicação de
valores, uma vez que os bancos não tinham interesse em oferecer tais serviços
aos mais pobres. A partir das ideias plantadas em Rochdale ocorreram os
primeiros passos do crédito cooperativo (MENEZES, 2004).
As primeiras Cooperativas de Crédito, também surgiram na Europa, na
segunda metade do século XIX, mais precisamente na Alemanha, conforme
Menezes (2004, p.163) “naquela época, as casas bancárias não eram tão
numerosas, mas já eram negócios de capitais fortes”, e mais uma vez o
cooperativismo surgia como alternativa para a população menos favorecida.
O cooperativismo de crédito teve como precursores Friedrich Wilhelm
Raiffeisen que na cidade alemã de Heddesdorf criou uma cooperativa de
crédito rural, e Franz Herman Schulze, que na também alemã Delitzsch, criou
uma cooperativa de crédito urbana (MEINEN E PORT, 2012).
O modelo Raiffeisen, visava atender a necessidade dos agricultores, e
surgiu pela comoção de seu idealizador, que como servidor público e várias
vezes prefeito em diferentes comunidades, conhecia de perto o sofrimento dos
camponeses, em partes ocasionado pela falta de acesso ao crédito, disponível
apenas para os grandes proprietários (MENEZES, 2004).
Segundo PINHEIRO (2008, p.23)
As Cooperativas criadas por Raiffeisen, tipicamente rurais, tinham
como principais características a responsabilidade ilimitada e solidária
dos associados, a singularidade de votos dos sócios, independente
do número de cotas partes, a área de atuação restrita, a ausência de
capital social e a não distribuição de sobras, excedentes ou
dividendos.
A cooperativa de crédito urbano, criada por Franz Herman Schulze, juiz
local, surgiu em função de seu anseio por solucionar os problemas que afligiam
a população, a ideia inicial era formar uma cooperativa de crédito, cujo capital
inicial seria obtido mediante empréstimos junto a amigos ricos, porém a ideia
não prosperou, foi então que decidiu reunir gente comum, “gente mais pobre
mais verdadeiramente interessada”, e criou-se então uma cooperativa
adaptada às condições e as necessidades dos artesãos, pequenos
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empresários e pequenos comerciantes atuantes da zona urbana (MENEZES,
2004). Estas “diferenciavam-se das cooperativas do tipo Raiffeisen por
preverem o retorno das sobras liquidas proporcionalmente ao capital, a área de
atuação não restrita e ao fato de seus dirigentes serem remunerados”
(PINHEIRO, 2008, p. 23).
Inspirados nos pioneiros alemães, novos modelos de crédito cooperativo
foram surgindo, na Itália o precursor foi Luigi Luzzatti, que estimulou e
trabalhou na criação de bancos populares, cujo objetivo principal era suprir as
necessidades de crédito dos associados (MENEZES, 2004). As cooperativas
do tipo Luzzatti, “tinham como características a não exigência de vínculo para a
associação, exceto algum limite geográfico, e a responsabilidade dos sócios
limitada ao valor do capital subscrito” (PINHEIRO, 2008, p. 23).
O cooperativismo de crédito chegou as Américas em 1900, quando o
Jornalista Alphonse Desjardins, embora inspirado nos modelos de Raiffeinsen,
Schultze-Delitzsche e Luzzatti, criou um tipo especial de cooperativa de crédito,
que juntava as funções de poupança e de crédito popular (PINHO, 2006). E
“tinham como principal característica a existência de ponto em comum entre os
sócios, reunindo grupos homogêneos como os de clubes, trabalhadores de
uma mesma fábrica, funcionários públicos, etc.” (PINHEIRO, 2008, p.24).
2.2 Cooperativismo de Crédito no Brasil
Após a Revolução Industrial, que transformou a Europa no século XVIII,
diversas famílias de alemães e italianos, viram no Brasil uma nova perspectiva
de futuro. Entre 1824 e 1899, cerca de 80 mil imigrantes alemães chegaram ao
Brasil, a maioria destes instalou-se no Rio Grande do Sul. Entre eles estava o
padre Jesuíta Theodor Amstad, cuja missão era doutrinar os imigrantes. Logo
após sua chegada, o padre Theodor Amstad foi designado para atuar em São
Sebastião do Cai, local onde reinava o caos, os imigrantes instalados na região
estavam debilitados e desmotivados (MEINEN E PORT, 2012).
Como o governo brasileiro não apoiou conforme havia prometido
vários núcleos estabelecidos na encosta inferior do nordeste gaúcho,
[...] não se desenvolveram e alguns até regrediram. A maioria da
segunda geração de descendentes dos imigrantes ainda não tinha
aprendido a falar o idioma de sua nova pátria e muitos eram
analfabetos. (SPIER, 2004, p. 231)
Durante anos, o padre percorreu uma vasta extensão territorial do
município, em suas andanças percebeu o quão difícil seria pregar o evangelho
em meio às carências socioeconômicas dos imigrantes estabelecidos na
região. Foi então que, baseado nas experiências europeias, e através da união
de fiéis católicos e evangélicos, fundou uma associação de agricultores, que
anos mais tarde veio a ser extinta por força de lei, que a obrigou a se
transformar em um sindicato (MEINEN E PORT, 2012).
Segundo Palhares (2004), o padre Amstad “se dedicava ao estudo do
associativismo em geral, sobre o qual fez várias experiências”, sendo a
associação de agricultores uma delas, “mais a que buscava com afinco era o
Cooperativismo de Crédito”, foi então que em 1902 fundou no distrito Linha
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Imperial no município de Nova Petrópolis a primeira Cooperativa de Crédito do
Brasil, segundo fontes históricas, a segunda das Américas.
A cooperativa na época batizada de Caixa de Economia e Empréstimos
Amstad, atual Sicredi Pioneira RS, seguia o modelo alemão Raiffeisen.
Amstad acreditava que este era o modelo que mais se adaptava ao perfil
econômico e social da comunidade local, à sua iniciativa atribuiu-se a criação
de mais 37 cooperativas de crédito (MEINEN E PORT, 2012).
O segundo tipo de cooperativa de crédito criada no Brasil era do tipo
Luzzatti, e sua constituição também foi por iniciativa do padre Theodor Amstad,
que em 1906 fundou no município de Lajeado uma cooperativa denominada
Banco Popular Luzzatti, atual Sicredi Vale do Taquari RS (PALHARES, 2004).
Conforme Meinen e Port (2012, p.103) “esse modelo de cooperativa de crédito
tem por referência os “bancos populares” da Itália, movimento liderado por
Luigi Luzzatti, cujo vínculo associativo é aberto ao público em geral (não
segmentado)”. Os Bancos Populares Luzzatti expandiram-se rapidamente nas
décadas seguintes, ganhando espaço e novos adeptos em diversos estados
brasileiros, chegando a possuir cooperativa central.
Conforme Schneider (2006), as cooperativas criadas pelo padre Theodor
Amstad em 1902 e 1906, não dispunham de legislação especifica, uma vez que
sua constituição antecede a primeira norma a disciplinar o funcionamento deste
tipo de sociedade, o Decreto do Poder Legislativo nº 1.637, de 5 de janeiro de
1907. “A primeira cooperativa embasava-se na Constituição Republicana de
1891, que oferecia maior abertura na implantação de organizações sociais”. Já
a segunda embasava-se no Decreto nº 979 de 1903, que facultava aos
sindicatos agrícolas a organização de cooperativas de produção, consumo,
crédito rural, entre outros. Após a publicação oficial do Decreto 1.637
percebeu-se a necessidade de fortalecer o processo de organização das
cooperativas, visando com esta iniciativa à união sistêmica destas.
Em 1925, 18 cooperativas singulares uniram-se para formar a Central
das Caixas Rurais da União Popular do Estado do Rio Grande do Sul,
Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada, primeira cooperativa
central unicamente de crédito, com esta iniciativa tornaram-se os principais
agentes de financiamento da atividade rural, e passaram a conceder crédito até
para aquisição de terras. Anos depois, por determinação do Banco Central
houve a necessidade de transformá-la em cooperativa singular, que ocorreu
em 1967 por deliberação da assembleia geral, em cooperativa singular do tipo
Luzzatti, atual Sicredi União Metropolitana, na ocasião a Central possuía 55
cooperativas singulares filiadas (PINHEIRO, 2008).
Palhares (2004, p.45) destaca que “durante o primeiro ciclo de evolução
do cooperativismo de crédito brasileiro, aconteceram desvios, e muitos
interesses egoístas e individualistas formaram-se nas brechas do decreto 1.637
de 1907, envolvendo as cooperativas de crédito que nasciam”. Na época, ao
contrário dos bancos mercantis cujo controle era feito pelo Ministério da
Fazenda, as cooperativas de crédito eram fiscalizadas pelo Ministério da
Agricultura, que “por não ser especifico para tratar do sistema financeiro,
acabava por permitir a ocorrência de irregularidades na gestão das
cooperativas de crédito”.
Na época, diversas cooperativas do tipo Luzzatti acabaram sendo
compradas por bancos mercantis que tinham interesse em abrir agências em
outras cidades e enfrentavam dificuldades junto ao Ministério da Fazenda para
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conseguir as chamadas “Cartas Patentes” ou “Cartas Bancárias”, ao contrário
das cooperativas que tinham grande facilidade em conseguir tais autorizações
junto ao Ministério da Agricultura. Em função disso, diversas cooperativas eram
constituídas para posteriormente serem transformadas em bancos mercantis,
ou vendidas a estes, e muitas cooperativas Luzzatti, acabaram por
desaparecer em função dessa possibilidade legal (PALHARES, 2004).
Apesar das intempéries, o cooperativismo seguiu avançando e novos
modelos foram implantados,
O êxito do cooperativismo de crédito nas comunidades interioranas
estimulou um grupo de bancários da capital gaúcha [...], a constituir
em 1946, a Cooperativa de Crédito dos Funcionários da Matriz do
Banrisul Limitada, a número um entre as entidades tipicamente
urbanas (MEINEN E PORT, 2012, p.104).
Os bancários porto alegrenses constituíram uma cooperativa de crédito
mútuo, inspirados no sistema Desjardins, que exige vínculo entre os
associados, seja pela atividade que exercem, pela entidade, empresa ou
corporação da qual fazem parte. A cooperativa fundada em 1946 permanece
em atividade, hoje sob o nome de Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo
dos Empregados do Banrisul (PINHO, 2004).
Sobre o pioneirismo do crédito mútuo no Brasil, não existe consenso
entre os autores, Menezes (2004) atribui o pioneirismo e a implantação do
modelo até então desconhecido no país, a uma mulher, senhora Maria Thereza
Rosália Teixeira Mendes, tratada apenas por Dona Terezita.
Conforme Thenório Filho (2004), através de uma viagem de estudos à
França e à Suíça, Dona Terezita teve a oportunidade de aproximar-se do
cooperativismo, nas empresas da região. E identificou o movimento, como
solução para grande parte dos problemas socioeconômicos do Brasil.
Após anos de estudo, foi constituída no Rio de Janeiro a Cooperativa
dos Colaboradores da CNBB-Pax, composta por 80 associados, todos
colaboradores do Palácio São Joaquim do Episcopado. O que diferenciava esta
cooperativa daquelas inspiradas nos modelos Raiffeisen e Luzzatti, era o fato
de serem formadas exclusivamente por trabalhadores assalariados da iniciativa
privada e, mais tarde, por servidores públicos, esse modelo desenvolveu-se
principalmente nas regiões metropolitanas do país (MEINEN E PORT, 2012).
Em 1951, através da Lei 1.412, foi criado o BNCC – Banco Nacional de
Crédito Cooperativo, que tinha como principal objetivo promover a assistência e
o amparo às cooperativas. No entanto, a instituição veio a ser vitima de
irregularidades influenciadas por um dos Ministros do governo de João
Figueiredo, Sr. Ernane Galveas, os atos de corrupção praticados durante o seu
mandato como Ministro da Fazenda, entre os anos de 1980 e 1985, resultaram
na liquidação do BNCC no inicio do governo Collor. Dessa forma, as
Cooperativas de Crédito, se viram obrigadas a manter suas contas junto ao
Banco do Brasil, que se aproveitando do fato cobrava taxas elevadas pela
prestação de serviços (PALHARES, 2004).
Weber (2004, p.46) destaca que “a trajetória de crescimento do sistema
de crédito cooperativo começou a enfrentar os primeiros problemas na década
de 1950 quando foi proibida a criação de novas cooperativas do tipo Luzzatti”.
Segundo Pinheiro (2008, p. 38)
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Ao fim de 1961, existiam no Brasil cerca de 511 cooperativas de
crédito [...]. O Decreto do Conselho de Ministros nº 1.503, de 12 de
novembro de 1962, sobrestou as autorizações e os registros de
novas cooperativas de crédito ou com seções de crédito. Após essa
data verificou-se um declínio no número de instituições, que somente
seria revertido cerca de 20 anos depois.
Para Meinen e Port (2012), a promissora trajetória do cooperativismo de
crédito brasileiro, começou a mudar de rumo por volta de 1965, graças à
reformulação da legislação bancária, que prestigiou fortemente os bancos
oficiais “como instrumentos canalizadores de recursos para o campo”. Não
bastasse isso, alguns administradores, em especial das cooperativas do tipo
Luzzatti, adotaram práticas de gestão inapropriadas, por vezes confundindo
interesse coletivo com o particular, o que contribuiu para que nos anos
seguintes, as sociedades cooperativas ficassem à beira da extinção.
O Governo Militar, no final de 1967, cassou o registro e a autorização
de funcionamento de centenas de Cooperativas de Crédito e Bancos
Populares. Sobreviveram cerca de 20 cooperativas de crédito tipo
Luzzatti. Em 1970, mais de 50 Cooperativas de Crédito rural
Raiffeisen foram fechadas no Rio Grande do Sul, bem como a Central
das Caixas Rurais [...]. (PINHO, 2006, p. 25).
De acordo com Schneider (2006, p.71), “o crescimento voltou somente
após a promulgação da Lei nº 5.764, acelerando-se na década de 80”. A
referida lei data de 16 de dezembro de 1971, e institui o regime jurídico vigente
das sociedades cooperativas, bem como “define as cooperativas como
sociedades de pessoas, de natureza civil”, além de atribuir a fiscalização e o
controle destas ao Banco Central do Brasil (PINHEIRO, 2008).
No inicio dos anos 80, com a diminuição dos recursos oficiais destinados
à atividade rural e com o agravamento do quadro inflacionário, surge para o
cooperativismo uma nova possibilidade de desenvolvimento, e através de uma
iniciativa arrojada do senhor Mário Kruel Guimarães, membro da FECOTRIGO
(Federação de Cooperativas Agrícolas do Rio Grande do Sul), o
cooperativismo ressurge, desta vez sob a forma de modelo sistêmico, com a
integração horizontal e vertical das cooperativas. O mesmo acreditava que
através da união e da estruturação de entidades estratégicas e operacionais de
nível superior, as cooperativas “se tornariam mais fortes e eficientes”, uma vez
que este arranjo, além dos ganhos em escala, iria propiciar a economia de
escopo, além de facilitar “a aplicação de conceitos de autorregulação,
autogestão e autofiscalização” (MEINEN E PORT, 2012, p. 106). E foi então
que em 27 de outubro de 1980, através da união de nove, das 13 cooperativas
rurais sobreviventes do Rio Grande do Sul, foi fundada a COCECRER –
Cooperativa Central de Crédito Rural do Rio Grande do Sul Ltda, a primeira
cooperativa Central dos novos tempos (MEINEN E PORT, 2012).
Em 1999 através da emissão da Resolução 2.608, atribui-se às Centrais
o papel de fiscalizar o funcionamento e auditar as cooperativas singulares a
estas filiadas. A partir do exemplo de Mario Kruel Guimarães, diversas centrais
foram constituídas no país, ao final de 2012, conforme dados do Banco Central,
estavam em funcionamento 37 Cooperativas Centrais (PALHARES, 2004).
Pouco tempo depois, mais precisamente em 1986, foi constituída em
Belo Horizonte a primeira Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito
– Confebrás, instituição não financeira, cujo principal objetivo era fomentar as
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cooperativas, além de representá-las politicamente, estimulando o crescimento
e o fortalecimento do cooperativismo de crédito (PINHEIRO, 2008).
Conforme Meinen e Port (2012) em março de 1992 o Conselho
Monetário Nacional, aprovou a Resolução 1.914 que permitiu a constituição de
cooperativas de crédito mútuo por categorias profissionais. A resolução “deu
novo ânimo para o cooperativismo de crédito, além de transformar-se em um
referencial normativo dos novos tempos” (MEINEN E PORT, 2012).
Segundo Pinheiro (2008, p.38) a referida resolução,
[...] vedou a constituição de cooperativas de crédito do tipo Luzzatti,
assim compreendidas aquelas sem restrição de associados, e
estabeleceu como tipos básicos para concessão de autorização para
funcionamento as cooperativas de economia e crédito mútuo e
rural[...]
Neste mesmo período, em função da extinção do BNCC, as
cooperativas se viam obrigadas a serem clientes exclusivas do Banco do
Brasil, que cobrava caro pelos seus serviços, o que inviabilizava as operações
realizadas pelas cooperativas. Assim em 1995 por pressão das Centrais de
Cooperativas de Crédito, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central,
baixaram a Resolução 2.193, que permitia às cooperativas à constituição de
bancos cooperativos privados (PALHARES, 2004).
Meinen e Port (2012, p.108) mencionam que os bancos cooperativos
foram criados,
[...]com o propósito de integrar as cooperativas ao sistema nacional
de pagamentos, gerir a liquidez sistêmica e prover soluções
corporativas de negócios. A chegada dos bancos cooperativos, aliás,
foi um triunfo histórico, uma espécie de marco da independência do
cooperativismo de crédito nacional.
O primeiro banco cooperativo a ser constituído no país, foi o Banco
Cooperativo Sicredi, com sede em Porto Alegre/RS, sua constituição foi em
1995, porém somente em 1996 é que obteve autorização de funcionamento
junto ao Banco Central. No ano seguinte, foi autorizado a funcionar o segundo
banco cooperativo do país, o Bancoob (PINHEIRO, 2008).
Em 1999, o Banco Central através da Resolução 2.608, concedeu o
prazo de dois anos para que as cooperativas do tipo Luzzatti, ainda em
funcionamento fossem extintas, em defesa destas a Confebrás iniciou uma luta
política junto aos órgãos de regulação, e no mesmo ano o Conselho Monetário
Nacional e o Banco Central se viram obrigados a baixar a resolução 2.771,
através da qual manteve-se a proibição da constituição de cooperativas do tipo
Luzzatti, porém desobrigando aquelas ainda existentes de encerrarem suas
atividades (PALHARES, 2004). Segundo dados do Banco Central, ao final de
2012 restavam em funcionamento no país oito cooperativas do tipo Luzzatti.
As normas norteadoras do cooperativismo seguiram avançando, em
2003 a Resolução 3.106, voltou a permitir a constituição de cooperativas de
livre admissão de associados em áreas de ação de até 100 mil habitantes, tal
limite populacional foi ampliado em 2005 para 300 mil habitantes, em 2007
para 2 milhões de habitantes, e em 2010 para mais de 2 milhões de habitantes,
através das resoluções 3.321, 3.442 e 3859, respectivamente (MEINEN E
PORT, 2012).
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Ainda sobre a resolução 3.106, cabe destacar que esta, tornou
obrigatória a adesão das cooperativas a um fundo garantidor de crédito, além
de estabelecer a necessidade da apresentação prévia de um projeto para
constituição de uma nova cooperativa. No referido projeto, os principais pontos
que devem ser apresentados dizem respeito à descrição do sistema de
controles internos, à estimativa de pessoas aptas a tornarem-se associadas, à
perspectiva de crescimento no que tange o número de associados nos três
anos seguintes ao funcionamento da cooperativa, além da descrição dos
serviços que serão prestados aos associados, as políticas de crédito, as
tecnologias e sistemas que serão utilizados (PINHO, 2006).
Em 2004, a Resolução 3.188, concedeu aos bancos cooperativos,
autorização para recebimento de depósitos de poupança rural, cuja captação
dos valores se dá por intermédio das cooperativas de crédito que atuam como
correspondentes dos bancos cooperativos. No ano seguinte, as cooperativas
foram autorizadas pela Resolução 3.309 a realizar a distribuição de cotas de
fundos de investimento, para tanto é necessário que os colaboradores que
realizam este tipo de atendimento ao associado sejam devidamente
certificados (PINHEIRO, 2008).
Em 2009, a Lei Complementar nº 130, passou a regular o funcionamento
das cooperativas de crédito, revogando dispositivos das leis 4.595/64 e
5.764/71. Concedeu às cooperativas condições de operacionalidades idênticas
aos demais bancos, mantendo suas particularidades societárias, ou seja, as
cooperativas passaram a guiar-se pelas mesmas regras das demais
instituições financeiras, com o respaldo de uma regulamentação especifica.
Dentre as determinações está também a atribuição do status de sistema ao
cooperativismo de crédito, que está relacionado à possibilidade de integração
vertical e horizontal entre cooperativas de primeiro, segundo e terceiro grau,
com vínculo de filiação, bem como da constituição por estas, de empresas com
funções complementares, de natureza financeira ou não, como corretoras de
seguros, administradoras de consórcio, administradora de recursos de
terceiros. A estruturação das cooperativas em sistema teve inicio em 1980 a
partir da constituição da primeira cooperativa central, mas o reconhecimento
como tal se deu somente após a promulgação da referida Lei Complementar.
(MEINEN E PORT, 2012).
Na base do sistema está a cooperativa de primeiro grau, também
chamada de cooperativa singular, formada através da união de, no mínimo, 20
associados, que através da ajuda mútua buscam a resolução dos problemas
comuns. A cooperativa de segundo grau, ou cooperativa central, é formada
através da união de três cooperativas singulares, e caracteriza-se pela
prestação de serviços as suas filiadas. E a cooperativa de terceiro grau, ou
confederação, é formada através da união de três cooperativas centrais, e seu
papel é orientar e coordenar as atividades das filiadas. Ligadas a estas estão
as entidades não cooperativas, constituídas para prestação de serviços
diversos ao sistema (MENEZES, 2004).
Na organização em sistema, as entidades que o compõem são guiadas,
pela mesma visão, missão e valores, e são vistas de fora como uma única
entidade, uma vez que utilizam a mesma marca e padrão visual. Os produtos e
serviços têm as mesmas formas e parâmetros, a tecnologia de informação
utilizada é a mesma, assim como a política de gestão de pessoas
(PAGNUSSATT, 2004).
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Meinen e Port (2012) mencionam que apesar das dificuldades
inicialmente enfrentadas, atualmente existem, no país, diversas cooperativas
organizadas em sistemas, sendo os sistemas Sicoob, Sicredi e Unicred, os três
maiores existentes. Com base nos mesmos autores, na sequência serão
apresentadas as principais características destes:
Sicoob - Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil: é composto por
529 cooperativas singulares, 15 cooperativas centrais, e uma confederação
que apoia os negócios das cooperativas, envolvendo TI, gestão de pessoas,
marketing, normas, auditoria interna, risco operacional e controles internos e
compras corporativas. Como entidade não cooperativa faz parte do sistema, o
Bancoob (Banco Cooperativo do Brasil S/A), cujo papel institucional é
assegurar condições de competitividade às cooperativas, além de conectá-las
ao mercado financeiro. O banco detém ainda o controle da Cabal Brasil Ltda,
que faz o processamento dos cartões da própria bandeira. Também fazem
parte do sistema: a Sicoob DTVM, gestora de recursos de terceiros; Sicoob
Previ, gestora de planos de previdência complementar e; FGS, fundo
garantidor do Sicoob, que realiza a proteção dos depósitos dos associados.
Está presente em 23 estados e possui cerca de 2,4 milhões de associados.
Sicredi - Sistema de Crédito Cooperativo: formado por 113 cooperativas
singulares e quatro cooperativas centrais, acionistas da SicrediPar, sendo
responsável pela definição de objetivos estratégicos e econômico-financeiros
do sistema, e pela deliberação de políticas de controles internos, ética e
auditoria. É também responsável pelo controle da Confederação Sicredi, do
Banco Cooperativo Sicredi S/A, da Administradora de Cartões, da
Administradora de Consórcios, da Corretora de Seguros e da Fundação,
através da qual são desenvolvidos programas de educação para promover o
cooperativismo de crédito e a formação dos associados. O Sicredi está
presente em 10 estados brasileiros e possui cerca de 2 milhões de associados.
Unicred – União Nacional das Cooperativas: sistema formado por 92
cooperativas singulares, oito cooperativas centrais e uma confederação, cujas
principais funções são representar política e institucionalmente o sistema, além
de estabelecer diretrizes de padronização, fiscalização e proteção da marca. A
Unicred está presente em 24 estados e possui cerca de 281 mil associados.
Apesar dos esforços do Conselho Monetário Nacional e do Banco
Central, existem ainda no Brasil cerca de 230 cooperativas singulares, que não
possuem nenhum vínculo com central ou sistema, as chamadas cooperativas
solteiras, que acabam recorrendo a convênios junto a bancos públicos e
privados para suprir as necessidades de seus associados (MEINEN E PORT,
2012).
Conforme dados do Banco Central, ao final de 2012 estavam
autorizadas a funcionar no país 1.254 cooperativas de crédito, e 3.745 postos
de atendimento cooperativos, a participação das cooperativas de crédito nos
ativos totais do sistema financeiro foi de 1,70%, conforme ilustrado da tabela 1.
Por força de seus princípios, as cooperativas são consideradas pelo
governo, como importantes instrumentos para ampliação do acesso a serviços
financeiros para grande parte da população, uma vez que permite a
comunidades remotas, distante dos grandes centros o acesso a serviços
financeiros. Além de promover o aumento da competitividade no sistema
financeiro, servindo como medida para redução do spread bancário (SOARES
E MELO SOBRINHO, 2008).
12
Tabela 1: Sistema Financeiro Nacional – Total de Ativos
Tipo
Instituições integrantes
Consolidado
Bancário I
Consolidado
Bancário II
Banco Comercial, Banco
Múltiplo com Carteira
Comercial ou Caixa Econômica
Banco Múltiplo sem Carteira
Comercial e Banco de
Investimento
Quantidade
Total de
Ativos
%
99
5.015.546.084
84,10%
34
103.780.072
1,70%
Consolidado
Bancário III
Cooperativas de Crédito
1211
103.418.505
1,70%
Consolidado
Bancário IV
Banco de Desenvolvimento
4
708.074.918
11,87%
Consolidado NãoBancário
Conglomerados Não-Bancários
e Instituições Financeiras NãoBancárias Independentes
268
35.928.025
0,60%
1619
5.966.747.604
100%
Total Sistema Financeiro
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Os dados divulgados pelo Banco Central são elaborados com base nas
informações contábeis prestadas pelas instituições à autarquia. A seguir o
detalhamento dos tipos de instituições que compõem cada um dos
consolidados apresentados na tabela 1.
2.2.1 Consolidado Bancário I
Formado pelos Bancos Comerciais, pelos Bancos Múltiplos com carteira
comercial e Caixa Econômica Federal.
Bancos Comerciais ou com Carteira Comercial: Realizam a captação de
recursos que serão repassados a empresas e pessoas físicas na forma de
empréstimos. Esses bancos arrecadam recursos de seus clientes aplicadores
mediante captação de depósito a vista (conta corrente), e depósito a prazo
(CDB), e repassam aos clientes que necessitam de recursos em forma de
financiamento a curto e médio prazo. Como exemplos de Banco Comercial citase Banco Alfa S/A e Banco Paulista S/A, e como exemplo de Banco Múltiplo
com carteira Comercial Bradesco, Santander, Banco Cooperativo Sicredi.
Caixa Econômica Federal – CEF: Vinculada ao Ministério da Fazenda,
assemelha-se aos bancos comerciais pelas operações que realiza. Atua como
agente do Governo Federal na promoção do desenvolvimento social do país,
além de ser responsável pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), pelo Programa de Integração Social (PIS) e pelo Seguro Desemprego.
2.2.2 Consolidado Bancário II
Formado pelos bancos de investimento e pelos bancos múltiplos sem
carteira comercial, e com carteira de investimento.
13
Bancos de investimento ou Múltiplo sem carteira Comercial e com
carteira de Investimento: tem como principal objetivo promover o suprimento de
capital fixo e de giro as empresas, mediante a concessão de financiamentos a
médio e longo prazo. Instituições deste tipo não possuem conta corrente e a
captação de recursos é feita via depósito a prazo (CDB), e repasse de recursos
externos, além da venda de cotas de fundos de investimentos por eles
administrados. Como exemplo de bancos deste segmento temos Banco
Volkswagen, Banco Ford, Banco Fidis.
2.2.3 Consolidado Bancário III
Formado pelas cooperativas de crédito singulares, também chamadas
de cooperativa de primeiro grau.
Cooperativas de Crédito: São associações de pessoas que através da
ajuda mutua, buscam satisfazer suas necessidades creditícias, são mantidas
pelos próprios associados, que exercem o papel de dono e usuários,
característica que as diferencia das demais instituições financeiras. Além da
legislação e normais aplicáveis ao sistema financeiro, são aplicáveis às
cooperativas a Lei 5.764/71 que institui o regime jurídico das sociedades
cooperativas, a Lei Complementar 130/2009, que dispõe sobre sistema de
crédito cooperativo nacional, e a Resolução 3.859/2010 que institui sua
constituição e funcionamento.
2.2.4 Consolidado Bancário IV
Bancos de Desenvolvimento: tem como objetivo principal proporcionar o
suprimento de recursos necessários ao financiamento de projetos e programas
que visem o desenvolvimento econômico e social. No âmbito federal, há o
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no âmbito
regional, pode-se citar o BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do
Extremo Sul, que engloba os três estados da Região Sul do país e no estadual,
o Badesul – Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
2.2.5 Consolidado Não Bancário
Fazem parte deste consolidado as instituições financeiras nãobancárias, são elas: Agências de fomento; Associações de Poupança e
empréstimos; Bancos de Câmbio, Companhias hipotecárias; Sociedade de
Crédito; financiamento e investimento; Sociedade de Crédito Imobiliário e
Sociedade de crédito ao microempreendedor (BACEN, 2013).
Após a crise financeira global de 2008-2009, o setor bancário no Brasil
vem passando por um processo de consolidação. A maior parte das instituições
atua como banco comercial de investimento, possibilitando a oferta de
diferentes tipos de produtos e serviços à população. Apesar de possuírem
autorização para atuar em todo território nacional, grande parte das instituições
financeiras estão concentradas nos grandes centros econômicos. Porém esta
14
concentração pode ser percebida pelos agentes econômicos, como um
indicador de falta de competição. Outro problema relacionado à concentração é
sua correlação com eficiência, que possibilita que as instituições ganhem
mercado ao longo do tempo, tornando-o cada vez mais concentrado e os
participantes mais eficientes, com maior capacidade de gerar lucros e reduzir
juros, cabe salientar que nos mercados mais concentrados, os bancos são
mais eficientes (MARTINS, 2012).
No que tange o avanço do Cooperativismo de Crédito para os grandes
centros, o fenômeno da concentração, constitui-se como um forte empecilho,
dada a recente trajetória do movimento nas zonas urbanas, e a grande
quantidade de instituições financeiras na região. Por outro lado este fenômeno
também pode ser benéfico, em países como Irlanda e Canadá, por exemplo, as
cooperativas de crédito vêm ocupando com eficiência as lacunas deixadas
pelas instituições financeiras em função do fenômeno mundial da
concentração. No Brasil apesar de possuírem baixo percentual de participação
de mercado, as cooperativas são responsáveis por cerca de 13% dos pontos
de atendimento do país (agências), muitos destes em locais desassistidos por
outras instituições financeiras (PORT, 2008).
2.3 Sistema Financeiro Nacional
De acordo com o Banco Central, o Sistema Financeiro Nacional é
composto pelos Órgãos Normativos, pelas Entidades Supervisoras e pelos
Operadores, conforme modelo abaixo:
Quadro 1: Sistema Financeiro Nacional – Composição
Órgãos
Entidades
Normativos
Supervisoras
Conselho
Monetário
Nacional - CMN
Operadores
Banco Central do
Brasil - Bacen
Instituições
captadoras de
depósitos à vista
Demais
instituições
financeiras
Bancos de
Câmbio
Comissão de
Valores Mobiliários
– CVM
Bolsas de
mercadorias e
futuros
Bolsas de
Valores
Conselho
Nacional de
Superintendência
Seguros
de Seguros
Privados Privados – SUSEP
CNSP
Conselho
Superintendência
Nacional de
Nacional de
Previdência
Previdência
Complementar Complementar CNPC
PREVIC
Fonte: Bacen, 2013
Resseguradores
Sociedades
Seguradoras
Outros
intermediários
financeiros e
administradores
de recursos de
terceiros
Entidades abertas
de previdência
complementar
Sociedades de
Capitalização
Entidades fechadas de previdência complementar
(fundos de pensão)
Fortuna (2005, p. 16) conceitua o sistema financeiro como “conjunto de
instituições que se dedicam, de alguma forma, ao trabalho de propiciar
condições satisfatórias para a manutenção de um fluxo de recursos entre
poupadores e investidores”.
15
É formado por instituições públicas e privadas responsáveis por
tornarem viável a regulação, a operação e a supervisão de operações
financeiras internas e externas, seu objetivo principal é promover o
desenvolvimento equilibrado do país (SCHARDONG, 2002).
2.3.1 Órgãos Normativos
Conselho Monetário Nacional – CMN: Criado em 1964 através da
promulgação da Lei da Reforma do Sistema Financeiro Nacional, 4.595, órgão
normativo e de regulação. É responsável pela fixação das diretrizes de políticas
monetárias, creditícia e cambial do país, conforme Fortuna (2005), suas
principais atribuições são:
a) Autorizar emissão de papel moeda;
b) Regular o valor interno e externo da moeda;
c) Disciplinar o crédito em suas modalidades, orientando as instituições
financeiras para a correta aplicação de seus recursos;
d) Estabelecer limites para a remuneração das operações e serviços
bancários ou financeiros;
e) Determinar as taxas de recolhimento compulsório das instituições
financeiras;
f) Regular as operações de redesconto e liquidez;
g) Outorgar ao Banco Central o monopólio das operações de câmbio
quando o balanço de pagamento o exigir;
h) Estabelecer normas a serem seguidas pelo Banco Central nas
transações com títulos públicos;
i) Regular a constituição, o funcionamento e a fiscalização de todas as
instituições financeiras que operam no país, zelando pela sua liquidez e
solvência.
Fazem parte ainda dos órgãos normativos o Conselho Nacional de
Seguros Privados (CNSP), responsável pela fixação de diretrizes e normas da
política de seguros privados, e o Conselho Nacional de Previdência
Complementar (CNPC), cuja competência é regular o regime de previdência
complementar dos fundos de pensão.
2.3.2 Entidades Supervisoras
Como entidades supervisoras fazem parte do Sistema Financeiro
Nacional, o Banco Central do Brasil (Bacen), a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e a
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), conforme
detalhamento a seguir:
 Banco Central do Brasil – Bacen: Atua como órgão executivo central
do sistema financeiro, sua responsabilidade é cumprir e fazer cumprir as
disposições que regulam o funcionamento do sistema e as normas expedidas
pelo CMN, através dele que o Estado intervém diretamente no sistema
16
financeiro, são de sua exclusiva competência as seguintes atribuições
(FORTUNA, 2005):
a) Emitir papel moeda e moeda metálica;
b) Executar os serviços dos meios circulantes;
c) Receber recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais e
depósitos voluntários das instituições financeiras que operam no país;
d) Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições
financeiras;
e) Regular serviços de compensação de cheques e outros papéis;
f) Efetuar a compra e venda de títulos públicos federais;
g) Emitir títulos de responsabilidade própria;
h) Exercer o controle de crédito sob todas as suas formas;
i) Exercer a fiscalização das instituições financeiras;
j) Autorizar o funcionamento das instituições financeiras;
k) Estabelecer condições para o exercício de quaisquer cargos de
direção nas instituições financeiras privadas;
l) Vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e
de capitais;
m) Controlar o fluxo de capitais estrangeiros, garantindo o correto
funcionamento do mercado cambial;
n) Determinar, via Copom, a taxa Selic.
Conforme divulgado pelo próprio Bacen, é responsável pela supervisão
dos seguintes operadores:
a) Instituições financeiras captadoras de depósito à vista e;
b) Outros intermediários financeiros e administradores de recursos de
terceiros.
 Comissão de Valores Mobiliários – CVM: Órgão normativo do sistema
financeiro, criado pela Lei 6.385 de 1976, está voltado para o desenvolvimento,
à disciplina e à fiscalização do mercado de valores mobiliários. Os principais
objetivos da CVM são o fortalecimento do mercado de ações e dos demais
valores mobiliários. Dentre os operadores do sistema financeiro fiscalizados
pela CVM, está a Bolsa de Mercadorias e Futuros e Bolsa de Valores.
 Superintendência de Seguros Privados – SUSEP: Autarquia vinculada
ao Ministério da Fazenda, responsável pelo controle e fiscalização do mercado
de seguro, previdência privada e capitalização, como operadores do sistema
financeiro fiscalizados pela SUSEP tem-se: Resseguradores; Sociedades
Seguradoras; Sociedades de Capitalização e Entidades abertas de previdência
complementar (BACEN, 2013).
 Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC:
Autarquia vinculada ao Ministério da Previdência Social, responsável pela
fiscalização das Entidades fechadas de previdência complementar, também
chamadas de fundos de pensão (BACEN, 2013).
17
3. METODOLOGIA
A finalidade deste capítulo é apresentar os procedimentos
metodológicos que foram utilizados para o alcance do objetivo geral e dos
objetivos específicos.
Conforme proposto por Vergara (2010), a pesquisa foi apresentada
segundo dois critérios básicos: quanto aos fins e quanto aos meios.
Quanto aos fins, a pesquisa foi classificada como descritiva, aquela que
“expõe características de determinada população ou de determinado
fenômeno” além de “estabelecer correlações entre variáveis e definir sua
natureza”. E explicativa que visa “esclarecer os fatores que contribuem para a
ocorrência de determinado fenômeno” (VERGARA, 2010, p. 42).
A pesquisa foi classificada como descritiva, pois descreve o
comportamento do Banco Cooperativo Sicredi frente às demais instituições
financeiras que compõem o Sistema Financeiro Nacional. E explicativa, uma
vez que buscou identificar os fatores que contribuíram para tal comportamento.
Quanto aos meios, cabe salientar que os tipos de pesquisa não são
mutuamente excludentes (VERGARA, 2010). Nesse sentido, o presente estudo
foi classificado quanto aos meios como estudo de caso, foi verificado o
comportamento da instituição financeira Banco Cooperativo Sicredi dentro do
sistema no qual está inserido. Documental, uma vez que as análises foram
realizadas a partir da utilização de documentos públicos. E bibliográfica, em
função da utilização de material publicado sobre o tema cooperativismo, para
traçar o seu perfil histórico normativo.
O universo da pesquisa, que segundo Vergara (2010, p.46), é o “[...]
conjunto de elementos que possuem as características que serão objetos do
estudo”, é composto pelo Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi, formado por
113 cooperativas singulares, quatro cooperativas centrais, uma confederação,
uma holding, um banco cooperativo, além das empresas controladas e cerca
de 1.200 unidades de atendimento espalhados em 10 estados brasileiros.
Estipulou-se como amostra 24 unidades de atendimento, sendo que destas 18
estão localizadas em Porto Alegre, e seis em cidades da região metropolitana
de Porto Alegre.
A amostra classificou-se como não probabilística, por acessibilidade,
pois tais unidades de atendimento foram selecionadas pela facilidade de
acesso, e por tipicidade, dada às características da região na qual estão
inseridas. Essas características consideram que as instituições cooperativas
firmaram bases inicialmente em cidades interioranas, onde a diversidade de
bancos é menor, e há não muito tempo deram início a sua expansão nos
grandes centros, onde o número de concorrentes é maior e com distintos perfis
de população.
A pesquisa tem ainda caráter qualitativo e quantitativo em função dos
dados que foram analisados, neste caso, os do Banco Cooperativo Sicredi
frente ao Sistema Financeiro Nacional.
Os questionários foram aplicados aos gerentes das unidades de
atendimento, com perguntas objetivas e abertas, a fim de identificar as
vantagens e as desvantagens do modelo cooperativo na captação de novos
associados nos grandes centros.
Para ilustração das informações relativas ao posicionamento do Banco
Cooperativo Sicredi no Sistema Financeiro foram utilizados gráficos e tabelas.
18
Considerando que todo método pode apresentar limitações, no estudo
desenvolvido foram encontradas limitações relacionadas à escassez de
material bibliográfico sobre o tema, bem como para aplicação nos
questionários, uma vez que determinou-se a aplicação deste apenas às
Unidades de Atendimento de Porto Alegre e algumas da região metropolitana.
Contudo, essas limitações não inviabilizaram a execução da pesquisa.
4. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
A fim de identificar as possíveis vantagens e dificuldades do modelo
cooperativo na captação e manutenção de associados nos grandes centros, foi
aplicado um questionário junto aos gerentes das Unidades de Atendimento
(agências). Dos 24 questionários enviados via e-mail retornaram 11 respostas,
que corresponde a uma taxa de retorno de 49%.
Gráfico 1: Tipo de Cooperativa
Fonte: Autora
Conforme o gráfico 1, 55% dos respondentes são colaboradores de
Cooperativa de Crédito Mútuo, e 45% de Livre Admissão de Associados.
Gráfico 2: Localização da Unidade de Atendimento
Fonte: Autora
De acordo com o gráfico 2, 64% dos respondentes trabalham em
Unidade de Atendimento localizada na capital e 36% na região metropolitana.
19
Gráfico 3: Vantagens do modelo cooperativo na captação de associados
Fonte: Autora
A questão 3 buscava identificar a percepção dos respondentes, quanto
às principais vantagens do modelo cooperativo na captação de novos
associados. Considerando que tratava-se de uma questão aberta, foi
apresentada mais de uma resposta por respondente, obteve-se um retorno
expressivo, 82% dos respondentes fez menção ao modelo de negócio, que
permite ao associado participar das decisões e dos resultados da cooperativa,
colocando-o no papel de “Dono do Negócio”. Além disso, foram citados os
diferenciais financeiros, a diversidade de produtos e serviços, as facilidades de
acesso a crédito, bem como atendimento personalizado.
Gráfico 4: Dificuldades para captação e manutenção de associados nas zonas
urbanas
Fonte: Autora
A questão 4 verificou as principais dificuldades para captação e
manutenção de associados nas zonas urbanas. Conforme o gráfico 4, 28% das
respostas obtidas consideram a falta de conhecimento sobre este tipo de
instituição financeira e a diversidade de instituições financeiras como os
maiores empecilhos, seguidos da falta de consciência coletiva da população
com 24%, e da escassez de Unidades de Atendimento com 20%.
20
Gráfico 5: Transmissão de diferencias ao associado.
Fonte: Autora
A questão 5 abordou um dos principais diferenciais do Sicredi, o
relacionamento com o associado. E buscou identificar a forma como este
diferencial é transmitido aos associados. Conforme ilustrado no gráfico 5,
dentre os retornos obtidos os que mais se destacaram foram o estimulo à
participação dos programas de formação Crescer e Pertencer1, bem como a
participação nas assembleias e reuniões onde ocorrem as tomadas de decisão.
Os respondentes mencionaram também a transmissão pelos colaboradores
dos direitos e deveres dos associados, desta forma inserindo-o no contexto do
que é o cooperativismo de crédito, e mostrando a essência do modelo
cooperativo.
A questão 6 buscou identificar a forma como é realizado o atendimento
ao associado para negociações e efetivação de transações. Verificou-se que a
forma mais utilizada, é o atendimento presencial na Unidade de Atendimento,
com 91%, quanto ao atendimento telefônico, 64% das respostas obtidas
indicam que é frequentemente utilizado.
Gráfico 6: Percepção quanto ao deslocamento até UA.
Fonte: Autora
A questão 7 indagou a percepção dos respondentes quanto a reação
dos associados ao terem que se deslocar até uma Unidade de Atendimento
para realização de negócios. Conforme o gráfico 6, dentre as respostas obtidas
foi possível identificar que a distância entre Unidades de Atendimentos e a falta
de capilaridade destas, criam barreiras e contribuem para que os associados
1
Programa Crescer: programa de formação cooperativa do Sicredi, que visa promover
a compreensão dos associados sobre o funcionamento das sociedades cooperativas,
especialmente sobre cooperativas de crédito integrantes do Sistema.
Programa Pertencer: programa de formação que visa aprimorar o processo de
participação dos associados na gestão e desenvolvimento das cooperativas integrantes do
Sistema, (SICREDI, 2013).
21
se sintam insatisfeitos ao terem de se deslocar até sua Unidade de
Atendimento. Nos grandes centros, as pessoas buscam agilidade e praticidade,
e não estão dispostas a percorrer grandes distâncias para realização de
negócios. Em contrapartida, um dos respondentes menciona que para a
Cooperativa, o fato do associado ter de se deslocar até a sua Unidade de
Atendimento, pode ser vista como uma situação benéfica, uma vez que atender
o associado pessoalmente permite aos colaboradores conhecerem suas reais
necessidades.
Gráfico 7: Contribuição do Banco Sicredi no desenvolvimento das Cooperativas.
Fonte: Autora
A questão 8 procurou identificar como as ações do Banco Sicredi
contribuem para o desenvolvimento das Cooperativas do Sistema. Dentre as
respostas obtidas se sobressaem às menções quanto ao ganho de escala
proporcionado pela administração de recursos a nível sistêmico, o acesso ao
mercado financeiro para busca de recursos, o desenvolvimento de soluções
financeiras, de novos produtos e serviços, além das politicas corporativas de
marketing e novas tecnologias.
4.1 Desenvolvimento do Banco Cooperativo Sicredi
Com a extinção, em 1990 do Banco Nacional do Cooperativismo de
Crédito (BNCC), que era o canal de acesso das cooperativas ao mercado
financeiro, aumentaram as dificuldades enfrentadas principalmente no que
tange o acesso à câmara de compensação, tais dificuldades deram velocidade
e serviram de impulso para que os líderes do movimento cooperativo
seguissem em busca de uma solução definitiva, para a dependência criada
junto ao Banco do Brasil, em função da extinção do BNCC.
A ideia da criação de um banco próprio para as cooperativas de crédito
já não era novidade, projetos anteriores já haviam sido apresentados ao Banco
Central, porém não foram aprovados, o principal empecilho era de ordem legal,
já que a legislação da época não permitia o controle acionário de um banco
pelas cooperativas. Para que a ideia se concretizasse seria necessária uma
mudança na legislação, e os lideres da época continuaram o trabalho de
convencimento junto ao Banco Central, até que em Agosto de 1992 foi
promulgada pelo Conselho Monetário Nacional, a Resolução 2.193 permitindo
a constituição de bancos comerciais cooperativos, com controle societário das
cooperativas de crédito.
22
A mudança na legislação foi o ponto de partida para que através da
iniciativa da Central Sicredi Sul, o sistema Sicredi, colocasse em prática o
projeto do primeiro banco cooperativo do país, o Banco Sicredi.
Em 16 de outubro de 1995 foi aprovada em assembleia geral das
cooperativas ligadas a Central Sicredi Sul a constituição do Banco Sicredi, o
capital social era de R$ 7,5 milhões, e o controle acionário exercido pela
Central Sicredi Sul, através das cooperativas filiadas.
Essa configuração acionária, no qual as cooperativas são as donas do
empreendimento, veio a configurar-se como um modelo diferenciado de
instituição financeira, que propicia o comprometimento coletivo com o negócio.
A criação do banco foi aprovada pelo Banco Central em março de 1996,
e as atividades iniciaram em junho do mesmo ano.
O Banco Sicredi foi criado com os seguintes objetivos e atribuições:
 Realizar o planejamento financeiro do Sistema, tais como a
administração dos níveis de liquidez e dos riscos;
 Identificar, desenvolver, formatar, difundir produtos e serviços
(pesquisa de mercado, gestão financeira) e procedimentos mercadológicos
(plano de metas, lançamento de produtos);
 Acessar linhas de crédito para o Sistema;
 Viabilizar a integração das filiadas e demais entidades parceiras do
Sistema de Pagamento Brasileiro;
 Operar o fluxo financeiro do Sicredi;
 Administrar em escala os recursos financeiros do Sistema.
A criação do banco representou a conquista de autonomia por parte das
cooperativas, que acabavam trabalhando para atender interesses de terceiros,
neste caso dos outros bancos. Mas o principal avanço foi a possibilidade de
oferecer produtos e serviços aos associados sem perder o diferencial
competitivo.
Nos anos seguintes, houve adesão das cooperativas de mais quatro
estados ao Banco Sicredi. Ao mesmo tempo em que o Banco Sicredi era
estruturado no Rio Grande do Sul, no Paraná os lideres do movimento
cooperativo, chegaram a iniciar um projeto para identificar a viabilidade da
criação de um banco cooperativo próprio, porém chegaram a conclusão de que
seria mais um banco atuando de forma regional, sendo assim, ainda em 1996,
após esclarecer o projeto de integração e buscar aprovação das cooperativas,
o Sistema de Crédito Cooperativo do Paraná, representado pela Central
Paraná, aderiu ao Banco Sicredi.
Ao passarem a compor o capital do Banco, as cooperativas do Paraná,
entraram efetivamente para o Sicredi, adotando a padronização das operações,
que já estavam sendo aplicadas no Rio Grande do Sul. Para tornar a adesão
ao Banco Sicredi, perceptível aos associados, os talões de cheque foram
personalizados com a marca Sicredi, até então os talões traziam o emblema do
Banco do Brasil.
Em 1998, as cooperativas do Centro-Oeste, mediante a formalização
das Centrais do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como acionistas do Banco,
integraram efetivamente o Sistema, expandindo a área de atuação do Banco
Sicredi para além da região Sul. A integração das cooperativas matogrossenses ao Sistema havia iniciado dois anos antes, quando houve a
implantação gradativa da padronização das operações, e adoção da marca
Sicredi, mediante a formalização de um contrato junto a Central do Rio Grande
23
do Sul. Assim como nos demais estados, as cooperativas do Mato Grosso e
Mato Grosso do Sul, enfrentaram dificuldades para conseguir junto aos
associados, a aprovação para adoção de uma marca única, uma vez que
existia um vínculo muito forte pelas marcas de origem. Sanada a resistência
inicial, não tardou para os associados perceberem os benefícios da adesão ao
Sicredi e ao Banco Sicredi.
Em 2002 foi a vez das Cooperativas do estado de São Paulo aderirem
ao Banco Sicredi, os benefícios dessa união foram recíprocos, o Sistema
ampliou e reforçou sua presença junto ao público urbano, enquanto as
cooperativas puderam usufruir da experiência e da tradição do Sistema.
A expansão física do Banco Sicredi ganhou notoriedade com a
inauguração da sua sede em Porto Alegre/RS, além disso, em 1998, a
instituição associou-se ao Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito
(WOCCU), que lhe possibilitou estabelecer intercambio com outros sistemas,
compartilhar experiências, e ganhar visibilidade internacional.
Em 1999, a instituição foi autorizada a realizar operações de crédito rural
com encargos equalizados pelo Tesouro Nacional, fato até então inédito no
sistema financeiro nacional. No ano seguinte, duas novas resoluções
publicadas pelo Conselho Monetário Nacional, a 2.771 e 2.788, permitiram a
ampliação dos serviços do Banco Sicredi e facilitaram o acesso a captações no
mercado financeiro.
No ano 2000, é criada a Confederação Interestadual das Cooperativas
Ligadas ao Sicredi, atual Confederação Sicredi, o objetivo inicial era centralizar
as atividades comuns a todos os estados, bem como intensificar e padronizar
diferentes procedimentos administrativos, permitindo a ampliação de serviços
aos associados. A confederação nasceu como uma entidade cooperativa de
terceiro grau, propiciando ganho de escala, e preservando o ato cooperativo.
Com a criação da confederação as cooperativas singulares puderam se
dedicar para o atendimento aos associados. As Centrais estaduais focaram sua
atenção na profissionalização e desenvolvimento dos colaboradores, bem
como na coordenação do processo de controle e desenvolvimento das
singulares, enquanto o Banco ateve-se ao papel de coordenador de negócios,
enfatizando o desenvolvimento de produtos e serviços e a administração em
escala. Esse modelo de organização tornou-se perceptível aos associados e ao
mercado financeiro, e permitiu ao Sicredi ocupar uma posição de destaque no
sistema financeiro, tornando-o reconhecido pelo seu modelo diferenciado de
gestão. Em 2001, iniciam as atividades da Corretora de Seguros Sicredi Ltda,
no mesmo ano, o Banco Sicredi inicia sua participação na Administradora de
Cartões dos Bancos Cooperativos Ltda (BC Card), até então de propriedade
exclusiva do Bancoob. Em 2006, o Banco Sicredi adquire as cotas de
participação do Bancoob, e a empresa passa designar-se Administradora de
Cartões Sicredi Ltda.
Dando continuidade a ampliação dos serviços oferecidos aos
associados, em 2005 é constituída a Administradora de Consórcios Sicredi
Ltda, que entrou em operação no ano seguinte, e é a primeira administradora
de consórcios de cooperativas de crédito do Brasil.
A constituição do Banco Sicredi permitiu que o Sistema avançasse as
divisas do Rio Grande do Sul, ganhando espaço junto a outros estados,
expansão que só foi possível em função da base oferecida pelo banco para o
24
crescimento sustentado do sistema, fortalecendo sua credibilidade e
contribuindo para sua solidez.
Para sustentar o crescimento do sistema e superar os desafios que
estavam por vir, em 2007 inicia-se a sua reestruturação, essa decisão foi
tomada a partir da realização de um estudo, cujo objetivo era projetar a
capacidade da estrutura financeira necessária para sustentar o crescimento
ambicionado pelas cooperativas para os próximos anos.
O primeiro passo da reestruturação, foi a constituição em 2008 da
Sicredi Participações (SicrediPar), sociedade anônima, com controle acionário
exercido pelas cooperativas do sistema, que transferiram o capital social
investido no Banco Sicredi para a SicrediPar. A SicrediPar foi criada com a
missão de coordenar as decisões estratégicas do Sistema, oferecendo suporte
para o processo de crescimento e expansão, de forma planejada e eficiente.
As cooperativas participam formalmente do processo decisório da
SicrediPar, por intermédio de um Conselho de Administração, composto pelos
presidentes das quatro Cooperativas Centrais, e das Cooperativas Singulares,
esse modelo permite que as cooperativas filiadas participem dos processos
decisórios e manifestem suas opiniões.
A reestruturação elevou a imagem do Sicredi a âmbito nacional e
internacional, e possibilitou em 2010 a parceria do Sistema com o Rabobank,
um dos maiores sistemas de crédito cooperativo do mundo, a firmação da
parceria se deu mediante a aquisição de 30% da participação acionária do
Banco Sicredi pelo grupo Holandês. Essa parceria trouxe para o Sistema a
experiência do Rabobank no financiamento agroindustrial, além de fortalecer o
Banco Sicredi, ampliando a oferta de produtos aos associados, uma vez que
possibilitou a captação de recursos a longo prazo, tornando viável as
operações de crédito imobiliário e leasing.
4.2 Participação no Sistema Financeiro Nacional
A seguir serão apresentadas informações sobre a participação do Banco
Sicredi e dos seis maiores bancos que compõem o Sistema Financeiro, nos
totais de Ativo, Patrimônio Liquido, Lucro Liquido e Depósitos Totais. A escolha
dessas instituições se deu, considerando que as cinco primeiras são aquelas
de maior representatividade no Sistema Financeiro, que possuem os maiores
percentuais de participação. Comparadas a sexta instituição, observa-se um
declínio significativo, da participação desta em relação as demais. O Banco
Sicredi apesar de estar na 18º posição em 2012, não apresenta percentuais de
participação tão distantes da sexta posição.
25
Gráfico 8: Ranking Sistema Financeiro Nacional – Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Desde sua constituição em 1996 até 2012, o Banco Sicredi, avançou
111 posições no ranking do consolidado do Sistema Financeiro Nacional.
No gráfico 8, observa-se seu comportamento evolutivo ao longo dos
anos. Pode-se dividir em três períodos distintos: a) de 1996 a 2000, houve um
crescimento bastante acentuado, avançando 55 posições (129 para 74); b) de
2001 a 2006, o avanço não tão significativo quanto ao período anterior, contudo
evoluiu 35 posições no ranking (75 para 40) e; c) de 2007 a 2012, subiu 23
posições, atingindo a posição 18º no raking do Sistema Financeiro Nacional.
Os gráficos 9 e 10, demonstram a participação do Banco Sicredi e dos
seis maiores bancos no total do ativo do Sistema Financeiro Nacional.
Gráfico 9: SFN – Participação no Ativo Total: 6 maiores Bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 10: SFN – Participação no Ativo Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
26
Em relação à participação do Banco Sicredi, no total do ativo do Sistema
Financeiro Nacional, é possível observar que o período que compreende os
anos de 1996 a 2003 a participação chegou a 0,15%, mantendo um
crescimento constante durante este período, vindo a sofrer um declínio em
2004, de 0,01 pontos percentuais comparado a 2003, e retorno do crescimento
em 2005, chegando em 2008 a 0,22% de participação. A partir de 2009,
identifica-se um crescimento mais expressivo, avançando em quatro anos,
cerca de 0,10 pontos percentuais, chegando ao final de 2012 com 0,32% de
participação.
Ao observar os dados relativos à participação dos seis maiores bancos
no total do ativo do Sistema Financeira Nacional, com exceção da Caixa
Econômica Federal que apresentou os maiores índices de participação entre
1996 e 2003, e do HSBC que desde 2008 vem reduzindo sua participação,
observa-se que os demais bancos obtiveram os maiores índices de
participação a partir de 2008.
Os gráficos 11 e 12, trazem informações relativas à participação nos
depósitos totais do Sistema Financeiro Nacional.
Gráfico 11: SFN – Participação nos Depósitos Totais: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 12: SFN – Participação nos Depósitos Totais: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Nos primeiros anos de existência do Banco Sicredi, este apresentou
pequena participação nos Depósitos Totais do Sistema Financeiro Nacional,
em torno de 0,01%. A partir de 1999, o Banco amplia a sua participação
chegando em 2003 a 0,12% Em 2004 a participação sofre um pequeno
27
declínio, cerca de 0,01 ponto percentual, e volta a aumentar no ano seguinte,
chegando a 0,15%. O crescimento mais acentuado foi registrado a partir de
2006, avançando em 0,32% até 2012, chegando ao final do ano a 0,53% de
participação.
Quanto à participação dos seis maiores bancos, verifica-se que a
participação da Caixa Econômica Federal apresentou índices decrescentes até
2007, enquanto as demais instituições apresentaram oscilação de participação
no mesmo período. A partir de 2008, a Caixa Econômica Federal e o Banco do
Brasil, obtiveram um aumento contínuo de participação nos depósitos,
desempenho acompanhado também pelo Sicredi, enquanto que os demais
bancos apresentaram índices decrescentes. Este fato contribuiu para que o
Sicredi avançasse no ranking do Banco Central do Brasil.
Os gráficos 13 e 14, demonstram a participação no Patrimônio Liquido
total do Sistema Financeiro Nacional, ou seja, quanto representa o Patrimônio
Líquido do Banco Sicredi, em termos percentuais, no total de todos os bancos
no Brasil.
Gráfico 13: SFN – Participação no Patrimônio Liquido Total: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 14: SFN – Participação no Patrimônio Liquido Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Em relação à participação do Banco Sicredi, observa-se um crescimento
constante até 1999, com participação média no período de 0,02%. Em 2000,
entretanto, apresentou forte elevação, chegando a dobrar sua participação no
Patrimônio Liquido, com um percentual de 0,04%, e redução em cerca de 0,01
ponto percentual em 2001. No ano seguinte, a participação do Sicredi volta a
28
aumentar e segue desta forma até 2004, chegando ao total de 0,06%, quando
o percentual de participação no patrimônio liquido torna a reduzir, decrescendo
até 2007. A partir de 2008, retoma o crescimento, e segue desta forma até
2012, chegando no último ano a 0,09% de participação.
Dentre os seis maiores bancos que compõem o Sistema Financeiro
Nacional, todos oscilaram em suas posições durante o período, sendo a Caixa
Econômica Federal e o HSBC aqueles que apresentaram os menores índices
de participação dentre os seis maiores bancos. Cabe destacar que a partir de
2008, Itaú e Santander aumentaram de forma considerável sua participação,
possivelmente em função das fusões entre Itaú/Unibanco e Santander/Real.
Nos gráficos 15 e 16, serão apresentadas as informações relativas à
participação do Banco Sicredi e dos seis maiores bancos no total do Lucro
Liquido do Sistema Financeiro Nacional. Para esta análise foram excluídos os
dados de 1997, uma vez que neste ano o percentual de participação do Lucro
Liquido total do Sistema Financeiro foi negativo.
Gráfico 15: SFN – Participação no Lucro Líquido Total: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 16: SFN – Participação no Lucro Líquido Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
A participação do Banco Sicredi sofreu oscilações ao longo dos anos,
chegando a atingir patamar negativo de – 0,01% em 1996. O que não significa
que o Lucro Liquido do Banco Sicredi tenha sido negativo, mas que este
reduziu sua participação no agregado de todos os bancos. A partir de 1998, a
participação torna a ficar positiva, com índice de participação de 0,04%. Nos
anos seguintes até 2007, são registrados períodos de grandes variações,
29
quando o crescimento estabiliza e permanece constante, chegando em 2011 a
0,08% de participação, reduzindo 0,05 pontos percentuais em 2012.
Quanto às seis maiores instituições financeiras, é possível observar
fortes oscilações no decorrer de todo o período analisado (1996 a 2012). Cabe
destacar, que dentre as seis maiores, a Caixa Econômica Federal e HSBC
apresentaram os menores índices de participação e o Itaú os maiores índices.
Nos gráficos 17 e 18, serão apresentadas as tarifas máximas possíveis
de serem praticadas pelos seis maiores bancos e pelo Banco Sicredi. No caso
do Banco Sicredi, cabe salientar que as Cooperativas que integram o Sistema
seguem a mesma tabela de tarifas máximas.
Gráfico 17: Tarifas máximas: Fornecimento folhas de cheque e Transferências
Fonte: Febraban (2013)
Dentre os valores possíveis de serem praticados pelas instituições em
questão, observa-se, através do gráfico 17, que o Banco Sicredi equipara-se ao
Santander e ao HSBC, com as maiores tarifas, na cobrança relacionada à
emissão de folhas de cheque. Essa tarifa está em torno de 33% acima da
média das tarifas dos outros quatro bancos.
O mesmo gráfico mostra duas situações de transferências entre contas:
uma situação relativa às transferências realizadas na mesma Instituição
Financeira (IF) e outra entre Instituições Financeiras através de DOC ou TED,
ambas as situações são apresentadas de forma presencial e por meios
eletrônicos, Para as transferências entre contas na mesma IF, de forma
presencial o Banco Sicredi tem a maior tarifa, em torno de 44% maior, acima
da média dos outros seis bancos, e para operação por meios eletrônicos,
equipara-se ao Santander com a maior tarifa, 15% acima dos outros quatro
bancos. Para DOC e TED tem a segunda maior tarifa, para realização das
operações de forma presencial, cerca de 5% acima da média dos demais
bancos, e a maior para realização mediante a utilização de meios eletrônicos,
8% maior que os demais bancos.
No gráfico 18, podem ser visualizados os valores das tarifas máximas
para a realização de saques, tanto de forma presencial, quanto por meios
eletrônicos. Na cobrança para realização de saque, o Banco Sicredi apresenta
30
tarifa cerca de 46% maior do que a média dos demais bancos, na oferta deste
serviço de forma presencial, e para realização da mesma operação nos
terminais de autoatendimento tem a terceira maior tarifa, cerca de 42% acima
dos outros quatro bancos.
Gráfico 18: Tarifas máximas: Saque e Extrato
Fonte: Febraban (2013)
O gráfico apresenta também as tarifas para a emissão de dois tipos de
extratos bancários, mensal e por período, ambos dividem-se em duas visões:
presencial e por meios eletrônicos. Para ambos, as tarifas do Banco Sicredi,
tanto na forma presencial, quanto mediante a utilização de meios eletrônicos,
são respectivamente, 50% e 65% inferiores, se comparado ao Santander e
HSBC que tem as maiores tarifas.
É importante destacar que as tarifas, são consideradas pelas instituições
como importantes fontes de receita. Além disso, servem para cobrir os custos
da instituição para o oferecimento de serviços, e foi este segundo ponto, que
levou as Cooperativas de Crédito a adotarem estas cobranças.
Por muito tempo, as Cooperativas, de modo geral, se mostraram
contrárias à cobrança de tarifas, em especial dos pacotes de serviços, uma vez
que a proposta é ser diferente dos bancos. Porém, com o passar do tempo
essa postura perdeu espaço, e as cooperativas perceberam que seria
insustentável continuar a oferecer determinados serviços, sem receber algum
valor que cobrisse no mínimo o seu custo.
Em contrapartida à cobrança das tarifas, e como vantagem em relação
às demais instituições financeiras, as Cooperativas de Crédito, tem a seu favor,
a não incidência de IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e
Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários. Nas operações de crédito
realizadas com seus associados, para este segmento a alíquota do imposto é
reduzida a zero.
Isso ocorre em função da natureza das operações realizadas entre
cooperativa e associado, os chamados atos cooperativos, que são aqueles
praticados entre cooperativa e associado, ou entre cooperativas associadas
dentro dos objetivos sociais destas. No caso das cooperativas Sicredi, é
possível citar como exemplos de atos cooperativos, os empréstimos e
financiamentos, depósitos à vista e a prazo, utilização do limite de cheque
31
especial, e parcelamento de fatura de cartão de crédito. Os atos cooperativos
caracterizam-se também pela não incidência de tributos como PIS, COFINS,
uma vez que não implicam em uma operação de mercado, e nem em contrato
de compra e venda de produto ou mercadoria. Os atos cooperativos não
produzem lucro, uma vez que a finalidade principal da cooperativa é auxiliar no
desenvolvimento econômico dos seus associados.
A prática dos atos cooperativos resulta em sobras, que nada mais é do
que o resultado positivo apurado ao final do exercício. As sobras decorrem das
taxas cobradas nas operações de crédito, na cobrança de taxas de serviços, da
recuperação de créditos lançados em prejuízo, bem como de fatores externos a
cooperativa, como mudanças nas taxas de juros.
Por determinação legal, no mínimo 10% das sobras deve ser destinado
à formação de um fundo de reserva, para o reparo de possíveis perdas, bem
como para auxiliar no desenvolvimento da cooperativa. No Sicredi esse fundo é
geralmente constituído de 45% das sobras. Além disso, 5% deve ser destinado
ao Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, cujo objetivo é prestar
assistência aos associados e seus familiares, e, quando previsto em estatuto,
aos colaboradores da cooperativa. E o restante deve ser distribuída
proporcionalmente às operações realizadas pelos associados durante o
exercício, e podem ser depositadas em dinheiro na conta do associado, ou
retornadas para a Conta Capital.
Com base em todas as análises realizadas, identificou-se que apesar
das vantagens que apresenta em relação às demais instituições financeiras em
determinados pontos, muitas ações necessárias para garantir a continuidade
do negócio e para satisfazer a necessidade dos associados, e equiparar-se às
demais instituições.
Para trabalhos futuros, sugere-se:
 A realização de análises que auxiliem identificar a percepção dos
associados em relação ao cooperativismo, bem como o seu grau de
comprometimento para com a instituição;
 Analisar a satisfação e a adesão dos associados, aos canais de
atendimento disponíveis.
 Analisar se as ações do Banco Sicredi, permanecem benéficas e
seguirão auxiliando e dando suporte para o crescimento do Sistema.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo foi elaborado com o propósito principal de identificar o
comportamento evolutivo do Banco Sicredi, no Sistema Financeiro Nacional
desde sua constituição, em 1996 até 2012. Além disso, abordou sua
importância e contribuição para o Sistema.
Com base na revisão teórica foi possível identificar que em muito as
instituições cooperativas evoluíram, e que ainda há muito que fazer para seguir
evoluindo, ganhando espaço no Sistema Financeiro Nacional e competindo
junto às grandes instituições financeiras. Parte desta evolução, somente foi
possível em função das adequações na regulamentação do setor, que dentre
outras conquistas permitiu que as cooperativas constituíssem seus próprios
bancos, sendo o Banco Sicredi o primeiro deles.
32
Ao analisar o comportamento do Banco Sicredi no Sistema Financeiro
Nacional é notória a evolução da sua participação frente às demais instituições,
e sua importância para o Sistema Sicredi, uma vez que possibilitou sua
expansão para fora dos limites da região Sul, além de oferecer as bases
necessárias para o seu crescimento sustentado. No estudo realizado junto aos
gerentes das Unidades de Atendimento, identificou- se que estes reconhecem
a importância do Banco para o desenvolvimento das cooperativas, e que dentre
as principais ações, aquelas que mais se destacam são quanto ao ganho de
escala, possibilidade de acesso ao mercado financeiro e o desenvolvimento de
produtos e serviços.
Ainda sobre as adequações regulatórias, outra de suma importância, foi
a possibilidade de constituição de cooperativas de livre admissão de
associados em áreas de ação de mais de dois milhões de habitantes, que
possibilitou a admissão de associados que atuem em qualquer ramo de
atividade econômica, e permitiu a expansão do Sistema para os grandes
centros urbanos.
A partir desse momento o Sicredi deixou de ser visto como uma
instituição ligada exclusivamente às atividades rurais e de agronegócio, e
passou a ser visto como uma instituição financeira capaz de atender a
diferentes perfis de associados de diferentes regiões. Contudo, cabe salientar
que em diversos municípios o Sicredi ainda é a única instituição presente, uma
vez que as demais instituições não têm interesse ou não consideram rentável
instalar-se nestes locais.
Dada as peculiaridades de cada região, e com a conquista de um novo
perfil de associado, novos também foram os desafios para o Sistema, na
pesquisa realizada junto aos gerentes das unidades de atendimento, foi
possível identificar que um dos empecilhos para a expansão das cooperativas
nos grandes centros, está relacionada à falta de conhecimento das pessoas
sobre este tipo de instituição, agregada ao grande número de instituições
financeiras instaladas nestas regiões. Além disso, a escassez de Unidades de
Atendimento é fator de insatisfação para os associados, tendo como agravante
o fato do associado ter de se deslocar até sua Unidade de Atendimento para
realizar determinadas operações, uma vez que boa parte do volume de
negócios realizados entre cooperativa e associado ocorre na Unidade de
Atendimento.
Em contrapartida, quando questionados sobre as vantagens em relação
às demais instituições, 82% dos respondentes citaram como principal
vantagem o modelo de negócios, que permite ao associado participar das
decisões e dos resultados da sua cooperativa, para tornar claro seu papel
enquanto associado e dono do negócio, e transmitir os diferenciais
cooperativos aos associados. Os respondentes afirmam que buscam incentivar
a participação nos programas de formação Crescer e Pertencer, bem como nas
assembleias e reuniões realizadas pelas cooperativas.
Em relação à cobrança de tarifas, ao analisar os valores possíveis a
serem praticados pelas instituições, observa-se que em parte as tarifas do
Sistema Sicredi, são superiores às demais instituições. Porém é importante
frisar, que o valor excedente pago por tarifas pode resultar em sobras ao final
do exercício, e retornar para o associado em forma de participação no
resultado da cooperativa. Também como vantagem em relação às demais
instituições as cooperativas têm a seu a favor a não incidência de
33
determinados impostos e tributos em determinadas operações realizadas junto
aos associados.
Em suma este artigo atingiu o objetivo geral e especifico que foram
propostos, mas é importante salientar que esta não é uma pesquisa conclusiva,
e que estudos futuros poderão ser realizados de modo a complementá-la.
Sugere-se a realização de pesquisa junto aos associados para identificar sua
percepção em relação ao cooperativismo bem como seu comprometimento
com a instituição, e sua satisfação em relação aos canais de atendimento
oferecidos pelas cooperativas. Quanto ao Banco Sicredi, sugere-se análises
relacionadas à identificação das ações necessárias para a continuidade e
suporte ao crescimento do negócio.
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______. A consolidação do Sicredi como instituição financeira
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______. Estrutura SICREDI. Disponível em: http://www.sicredi.com.br. Acesso
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VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e
Administração. São Paulo: Atlas, 2010.
Relatórios
de
Pesquisa
em
WEBER, Ciro. Cooperativismo de Crédito: Valor Econômico e Social: ênfase
Sistema Sicredi. Porto Alegre: UFRGS, 2004. Dissertação (Mestrado
Profissional em Economia). Faculdade de Ciências Econômicas. Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, 2004.
36
APÊNDICE A - Questionário
1 - Assinale o tipo de Cooperativa da qual você é colaborador?
( ) Crédito Mútuo ( ) Luzzatti ( ) Livre Admissão
2 - Assinale a localização de sua Unidade de Atendimento?
( ) Capital
( ) Região Metropolitana
3 - Em sua opinião quais as principais vantagens do modelo cooperativo na
captação de novos associados?
4 - Considerando que as instituições cooperativas firmaram bases inicialmente
nas cidades interioranas, em sua opinião quais são as principais dificuldades
para captação e manutenção de associados nas zonas urbanas?
( ) Falta de conhecimento sobre este tipo de instituição financeira
( ) Falta de consciência coletiva da população
( ) Diversidade de instituições financeiras
( ) Escassez de Unidades de Atendimento
( ) Outros:______________________________________________________
5 - Um dos diferenciais do Sicredi é quanto ao relacionamento com seus
associados, que não são apenas clientes, mais sim donos do negócio. De que
forma este diferencial é transmitido aos associados de sua Unidade de
Atendimento?
6 - Com base em uma escala de 1 a 4, onde 1 é - Mais utilizado, 2 Frequentemente utilizado, 3 - Raramente utilizado e 4 - Não é utilizado.
Identifique de que forma é realizado o atendimento do associado de sua
Unidade de Atendimento, para negociações e efetivação de transações.
(
(
(
(
) Atendimento telefônico
) Atendimento por e-mail
) Presencialmente na Unidade de Atendimento
) Presencialmente em visita ao associado
7 - Apesar de o Sicredi trabalhar constantemente no aprimoramento, e na
diversificação dos canais de relacionamento com o associado, grande parte do
volume de negócios realizados entre Cooperativa e associado, acontece nas
Unidades de Atendimento. Como você percebe a reação do associado ao ter
que se deslocar até a Unidade de Atendimento?
8 - Em sua opinião de que forma as ações do Banco Sicredi, contribuem para o
desenvolvimento de sua Cooperativa?
37
APÊNDICE B – Tabulação Instrumento de Coleta de Dados aplicado aos
gerentes das Unidades de Atendimento
Gráfico 1: Tipo de Cooperativa
Fonte: Autora
Gráfico 2: Localização da Unidade de Atendimento
Fonte: Autora
Gráfico 3: Vantagens do modelo cooperativo na captação de associados
Fonte: Autora
38
Gráfico 4: Dificuldades para captação e manutenção de associados nas zonas
urbanas
Fonte: Autora
Gráfico 5: Transmissão de diferencias ao associado.
Fonte: Autora
Gráfico 6: Percepção quanto ao deslocamento até UA.
Fonte: Autora
Gráfico 7: Contribuição do Banco Sicredi no desenvolvimento das Cooperativas.
Fonte: Autora
39
APÊNDICE B – 20 maiores bancos do Sistema Financeiro Nacional
40
41
APÊNDICE C – Tabulação Dados do Sistema Financeiro Nacional
Gráfico 8: Ranking Sistema Financeiro Nacional - Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 9: SFN – Participação no Ativo Total: 6 maiores Bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 10: SFN – Participação no Ativo Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
42
Gráfico 11: SFN – Participação nos Depósitos Totais: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 12: SFN – Participação nos Depósitos Totais: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 13: SFN – Participação no Patrimônio Liquido Total: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
43
Gráfico 14: SFN – Participação no Patrimônio Liquido Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 15: SFN – Participação no Lucro Líquido Total: 6 maiores bancos
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
Gráfico 16: SFN – Participação no Lucro Líquido Total: Banco Sicredi
Fonte: Bacen - 50 maiores bancos e o consolidado do SFN – posição: Dez/2012
44
APÊNDICE D – Tabela de Tarifas Máximas
45
46
APÊNDICE E – Tabulação Principais Tarifas
Gráfico 17: Tarifas máximas: Fornecimento folhas de cheque e Transferências
Fonte: Febraban (2013)
Gráfico 18: Tarifas máximas: Saque e Extrato
Fonte: Febraban (2013)
47
ANEXO A – Organograma Sicredi
Fonte: site Sicredi
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