“ entrevista 32 | E S PAÇO R U R A L E d i ç ã o n º 8 2 Ficha Informativa CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE Ferreira do Alentejo Nome Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Ferreira do Alentejo, C.R.L. Contactos Av. General Humberto Delgado, n.º 40 7900-554 Ferreira do Alentejo (Tel) 284 738 800 (Fax) 284 738 809 Fundação 1913 “A Caixa, tal como esteve no passado, está no presente e estará no futuro, sempre na disponibilidade de ser parte integrante das soluções para a sua região. ” Josué Santos, Presidente do Conselho de Administração É também uma prova que todos os associados, clientes e região, de um modo global, têm confiado nessa estratégia? Como avalia a ligação da Caixa à sua região e aos seus associados e clientes? Encontramo-nos a operar num mercado cada vez mais competitivo. No entanto e apesar disso, temos mantido ao longo dos anos, em termos locais, uma Josué Santos Presidente do Conselho de Administração percentagem muito grande da actividade bancária. Os últimos dados oficiais apontam que, mais de 50% da actividade bancária da região é feita através da nossa Caixa. Estes dados para nós são muito importantes. Constituem, um motivo de orgulho e um sinal que os nossos sócios e clientes nos dão preferência e estão satisfeitos com o trabalho que desenvolvemos. Queremos manter esta estabilidade no futuro, esta empatia e relação próxima com todos os nossos associados e clientes, no sentido da Caixa ser no futuro, aquilo que foi no passado, ou seja, o banco de referência da sua região. Denota-se, na actividade da Caixa, paralelamente aos objectivos económicos, uma preocupa- | E S PAÇO R U R A L E d i ç ã o n º 8 2 Os resultados que a Caixa tem vindo a alcançar traduzem uma evolução sustentada e de consolidação da sua presença no mercado. Dada a grande concorrência existente, qual tem sido a estratégia seguida? Somos uma entidade Cooperativa cuja focagem da actividade não se centra exclusivamente nos resultados e nos lucros. De qualquer maneira, ao longo dos anos sempre procurámos ter uma gestão cautelosa e equilibrada. Os resultados alcançados com essa gestão permitiram-nos reforçar os capitais próprios da instituição, o que nos deu e dá condições de continuar a crescer sustentadamente. Embora a dimensão da nossa área social seja reduzida, temos conseguido manter essa performance de crescimento sustentado ao longo dos anos, o que nos dá perspectivas de futuro e confiança, para podermos ultrapassar os tempos difíceis que estamos a atravessar e que certamente ainda virão. 33 A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Ferreira do Alentejo, C.R.L. é uma instituição de crédito constituída em 22 de Junho de 1913 sob a forma de Cooperativa de responsabilidade limitada, tendo comemorado este ano 98 anos de existência. A Caixa opera através da sua sede, em Ferreira do Alentejo e através de uma rede de 2 balcões situados nos concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito. Actualmente a Caixa Agrícola de Ferreira do Alentejo possui cerca de 2800 associados e 18 colaboradores, tendo alcançado em 2010 resultados que lhe permitiram um crescimento em alguns indicadores. Neste momento, a Caixa possui uma carteira de depósitos que ascende a cerca de 37,5 milhões de euros, cifrando-se o crédito concedido em cerca de 32,5 milhões de euros. Em 2010 alcançou capitais próprios na ordem dos 9,5 milhões de euros, finalizando o ano com um rácio de transformação de 82,44% e de solvabilidade de 23,93%. A CCAM de Ferreira do Alentejo comemora este ano 98 anos de existência. Que balanço faz ao comemorar esta data tão importante para a Caixa e para a região? A Caixa tem tido, ao longo de toda a sua existência, um papel fundamental, pois tem-se afirmado como um motor fundamental para o desenvolvimento rural da população local. É um papel que se deve reconhecer a todo o Crédito Agrícola (CA). Por um lado apoia, dentro da sua área de acção, a base fundamental da actividade económica, fundamentalmente, e em primeiro lugar, a nível agrícola e, por outro lado, tem sido um parceiro fundamental em termos sociais, culturais, desportivos, entre outros aspectos da sociedade civil. As Caixas Agrícolas captam os recursos locais e promovem o desenvolvimento local através desses recursos. Penso que as entidades oficiais ainda não se aperceberam totalmente da importância que o CA tem para as regiões onde se insere, mas estou convicto que esse pleno reconhecimento surgirá. “ entrevista “A Caixa tem tido, ao longo de toda a sua existência, um papel fundamental, pois tem-se afirmado como um motor fundamental para o desenvolvimento rural e da população local”. 1 1 › Interior do Balcão de Ferreira do Alentejo 2 › Interior do Balcão de Alvito 3 › Gestão executiva e coordenadores 34 | E S PAÇO R U R A L E d i ç ã o n º 8 2 4 › Vista exterior do balcão de Alvito ção social constante, no sentido de incentivar e promover o desenvolvimento da região e da sua população. Esta é uma preocupação permanente da Caixa? Que acções desenvolvem neste sentido? Tem sido uma preocupação constante da Caixa. Temos apoiado todo o tipo de iniciativas desenvolvidas na região, quer sejam a nível social, cultural, desportivo, entre outros. Penso que temos tido um papel fundamental nesse apoio, que a meu ver, acaba por ser um dever que nós temos. Se a nossa actividade é uma actividade local, em que os nossos resultados são a tradução desse negócio local, temos também, naturalmente, o dever de apoiar as entidades locais. Isso tem sido, desde sempre, a nossa forma de estar e iremos continuar a apoiar de forma muito activa as nossas entidades e a nossa sociedade civil devidamente organizada. A Caixa encontra-se inserida numa região essencialmente agrícola. Como caracteriza o momento actual da agricultura na área social da Caixa? Como pensa que o regadio do Alqueva poderá influenciar o futuro da actividade? O Alqueva tem influenciado e irá influenciar ainda mais o futuro da actividade agrícola da região. O coração do Alqueva em termos agrícolas situa-se em Ferreira do Alentejo. Estamos a falar de uma actividade em que a água é fundamental. Como tal, a agricultura do passado transformou-se completamente, verificando-se uma alteração cultural fundamental. Hoje não temos só cereais, temos a maior área, em termos de um só produtor, de uva de mesa, que é reconhecido internacionalmente, 2 temos citrinos, olivicultura, com cerca de 14000 hectares de novos olivais e uma panóplia de outras actividades. 3 Aos poucos, outras actividades aparecerão e com as nossas condições e riqueza natural, temos terra, clima e água, a actividade desenvolver-se-á cada vez mais e haverá criação de riqueza. Temos condições e capacidade para o fazer. Se nos organizarmos para a defesa comum do sector, poderemos fazer produtos de qualidade, de valor acrescentado e adaptados às necessidades do mercado. Se conseguirmos isso, auguro um bom futuro e excelentes perspectivas para a actividade agrícola da região A Caixa Agrícola, mais uma vez, estará disponível para ser um interlocutor e um agente fundamental nessa evolução e nesse desenvolvimento. O Crédito Agrícola comemora este ano o seu centenário. Que importância atribui a esse facto e como avalia a actual situação do Grupo Crédito Agrícola? O Grupo CA, até pela sua natureza cooperativa, nunca aplicou mais do que os seus recursos. É um grupo onde sempre existiu e existe liquidez. O rácio de transformação está sempre abaixo dos 100. Se por um lado, em determinada altura, essa liquidez originou menos rentabilidade, também é verdade que nos deu uma sustentabilidade e uma garantia muito grande de encarar-mos estas dificuldades futuras com tranquilidade e estabilidade. Fomos cuidadosos no negócio e não assumimos riscos. Por tudo isto, penso que o CA tem um bom futuro, fruto da sua filosofia sustentável. Que mensagem gostaria de deixar a todos os associados, clientes e potenciais clientes e população de uma maneira geral? Gostaria de dizer que a Caixa tal como esteve no passado, está no presente e estará no futuro, sempre na disponibilidade e disposição de ser parte integrante das soluções e do caminho de aproveitamento e sucesso das oportunidades que vão surgindo na região. O desenvolvimento da região constitui uma luta constante da Caixa. Por outro lado, quero dizer que tem sido para nós, ao longo dos tempos, muito gratificante aquilo que temos conseguido e a preferência que os associados e clientes têm manifestado a esta instituição. Estamos plenamente convencidos que isso irá continuar a acontecer no futuro e que todos juntos vamos concerteza continuar a construir um futuro melhor. | E S PAÇO R U R A L E d i ç ã o n º 8 2 4 35 Em termos de futuro, quais são os projectos/ objectivos que a Caixa gostaria de alcançar a curto/médio/longo prazo? Penso que fundamentalmente e perante as dificuldades que se avizinham, temos de continuar este trabalho de crescimento sustentado que a Caixa tem conseguido alcançar neste últimos anos. Para além disso, não devemos também fechar a porta a uma possível fusão futura, se esse for o caminho que nos permita alcançar melhores condições para os nossos associados e clientes. Deste modo, temos de continuar a trabalhar com as nossas armas de negócio, de entreajuda, e de interligação com os nossos clientes, sempre sustentada pela nossa equipa de funcionários, que são inexcedíveis na sua forma de estar, trabalhar e na forma como se relacionam com os clientes. Com uma boa equipa e com a força que temos, poderemos manter a nossa estabilidade de negócio.