“ entrevista
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Ficha Informativa
CAIXA DE CRÉDITO
AGRÍCOLA MÚTUO DE
Ferreira do
Alentejo
Nome
Caixa de Crédito Agrícola
Mútuo de Ferreira do Alentejo, C.R.L.
Contactos
Av. General Humberto Delgado, n.º 40
7900-554 Ferreira do Alentejo
(Tel) 284 738 800
(Fax) 284 738 809
Fundação 1913
“A Caixa, tal como esteve no passado, está no presente e estará no futuro, sempre na disponibilidade de ser
parte integrante das soluções para a sua região. ”
Josué Santos,
Presidente do Conselho de Administração
É também uma prova que todos os associados, clientes e região, de um modo global, têm
confiado nessa estratégia? Como avalia a ligação da Caixa à sua região e aos seus associados e clientes?
Encontramo-nos a operar num mercado cada vez
mais competitivo. No entanto e apesar disso, temos
mantido ao longo dos anos, em termos locais, uma
Josué Santos
Presidente do Conselho de Administração
percentagem muito grande da actividade bancária. Os últimos dados oficiais apontam que, mais de
50% da actividade bancária da região é feita através da nossa Caixa.
Estes dados para nós são muito importantes. Constituem, um motivo de orgulho e um sinal que os nossos sócios e clientes nos dão preferência e estão satisfeitos com o trabalho que desenvolvemos.
Queremos manter esta estabilidade no futuro, esta
empatia e relação próxima com todos os nossos associados e clientes, no sentido da Caixa ser no futuro, aquilo que foi no passado, ou seja, o banco de
referência da sua região.
Denota-se, na actividade da Caixa, paralelamente aos objectivos económicos, uma preocupa-
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Os resultados que a Caixa tem vindo a alcançar
traduzem uma evolução sustentada e de consolidação da sua presença no mercado. Dada a
grande concorrência existente, qual tem sido a
estratégia seguida?
Somos uma entidade Cooperativa cuja focagem da
actividade não se centra exclusivamente nos resultados e nos lucros. De qualquer maneira, ao longo
dos anos sempre procurámos ter uma gestão cautelosa e equilibrada. Os resultados alcançados com
essa gestão permitiram-nos reforçar os capitais próprios da instituição, o que nos deu e dá condições
de continuar a crescer sustentadamente.
Embora a dimensão da nossa área social seja reduzida, temos conseguido manter essa performance de crescimento sustentado ao longo dos
anos, o que nos dá perspectivas de futuro e confiança, para podermos ultrapassar os tempos difíceis que estamos a atravessar e que certamente ainda virão.
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A
Caixa de Crédito Agrícola
Mútuo de Ferreira do Alentejo, C.R.L. é uma instituição de crédito constituída
em 22 de Junho de 1913 sob a forma de Cooperativa de responsabilidade limitada, tendo comemorado
este ano 98 anos de existência.
A Caixa opera através da sua sede,
em Ferreira do Alentejo e através
de uma rede de 2 balcões situados
nos concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito.
Actualmente a Caixa Agrícola de
Ferreira do Alentejo possui cerca
de 2800 associados e 18 colaboradores, tendo alcançado em 2010
resultados que lhe permitiram um
crescimento em alguns indicadores.
Neste momento, a Caixa possui uma
carteira de depósitos que ascende a cerca de 37,5 milhões de euros, cifrando-se o crédito concedido
em cerca de 32,5 milhões de euros.
Em 2010 alcançou capitais próprios
na ordem dos 9,5 milhões de euros,
finalizando o ano com um rácio de
transformação de 82,44%
e de solvabilidade de 23,93%.
A CCAM de Ferreira do Alentejo comemora este ano 98 anos de existência. Que balanço faz
ao comemorar esta data tão importante para a
Caixa e para a região?
A Caixa tem tido, ao longo de toda a sua existência,
um papel fundamental, pois tem-se afirmado como
um motor fundamental para o desenvolvimento rural da população local.
É um papel que se deve reconhecer a todo o Crédito
Agrícola (CA). Por um lado apoia, dentro da sua área
de acção, a base fundamental da actividade económica, fundamentalmente, e em primeiro lugar, a nível
agrícola e, por outro lado, tem sido um parceiro fundamental em termos sociais, culturais, desportivos,
entre outros aspectos da sociedade civil.
As Caixas Agrícolas captam os recursos locais e promovem o desenvolvimento local através desses recursos. Penso que as entidades oficiais ainda não se
aperceberam totalmente da importância que o CA
tem para as regiões onde se insere, mas estou convicto que esse pleno reconhecimento surgirá.
“ entrevista
“A Caixa tem tido, ao longo de toda a sua existência,
um papel fundamental, pois tem-se afirmado como
um motor fundamental para o desenvolvimento
rural e da população local”.
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1 › Interior do Balcão
de Ferreira do Alentejo
2 › Interior do Balcão de Alvito
3 › Gestão executiva e coordenadores
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4 › Vista exterior do balcão de Alvito
ção social constante, no sentido de incentivar
e promover o desenvolvimento da região e da
sua população. Esta é uma preocupação permanente da Caixa? Que acções desenvolvem
neste sentido?
Tem sido uma preocupação constante da Caixa.
Temos apoiado todo o tipo de iniciativas desenvolvidas na região, quer sejam a nível social, cultural, desportivo, entre outros. Penso que temos
tido um papel fundamental nesse apoio, que a
meu ver, acaba por ser um dever que nós temos.
Se a nossa actividade é uma actividade local, em
que os nossos resultados são a tradução desse
negócio local, temos também, naturalmente, o
dever de apoiar as entidades locais. Isso tem sido, desde sempre, a nossa forma de estar e iremos continuar a apoiar de forma muito activa as
nossas entidades e a nossa sociedade civil devidamente organizada.
A Caixa encontra-se inserida numa região essencialmente agrícola. Como caracteriza o momento actual da agricultura na área social da
Caixa? Como pensa que o regadio do Alqueva
poderá influenciar o futuro da actividade?
O Alqueva tem influenciado e irá influenciar ainda
mais o futuro da actividade agrícola da região. O
coração do Alqueva em termos agrícolas situa-se
em Ferreira do Alentejo. Estamos a falar de uma
actividade em que a água é fundamental. Como
tal, a agricultura do passado transformou-se completamente, verificando-se uma alteração cultural
fundamental. Hoje não temos só cereais, temos a
maior área, em termos de um só produtor, de uva
de mesa, que é reconhecido internacionalmente,
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temos citrinos, olivicultura, com cerca de 14000
hectares de novos olivais e uma panóplia de outras actividades.
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Aos poucos, outras actividades aparecerão e com
as nossas condições e riqueza natural, temos terra,
clima e água, a actividade desenvolver-se-á cada
vez mais e haverá criação de riqueza. Temos condições e capacidade para o fazer.
Se nos organizarmos para a defesa comum do
sector, poderemos fazer produtos de qualidade,
de valor acrescentado e adaptados às necessidades do mercado. Se conseguirmos isso, auguro um
bom futuro e excelentes perspectivas para a actividade agrícola da região
A Caixa Agrícola, mais uma vez, estará disponível
para ser um interlocutor e um agente fundamental
nessa evolução e nesse desenvolvimento.
O Crédito Agrícola comemora este ano o seu
centenário. Que importância atribui a esse
facto e como avalia a actual situação do Grupo Crédito Agrícola?
O Grupo CA, até pela sua natureza cooperativa,
nunca aplicou mais do que os seus recursos. É
um grupo onde sempre existiu e existe liquidez.
O rácio de transformação está sempre abaixo
dos 100. Se por um lado, em determinada altura, essa liquidez originou menos rentabilidade,
também é verdade que nos deu uma sustentabilidade e uma garantia muito grande de encarar-mos estas dificuldades futuras com tranquilidade e estabilidade. Fomos cuidadosos no negócio e não assumimos riscos. Por tudo isto, penso
que o CA tem um bom futuro, fruto da sua filosofia sustentável.
Que mensagem gostaria de deixar a todos os
associados, clientes e potenciais clientes e população de uma maneira geral?
Gostaria de dizer que a Caixa tal como esteve no
passado, está no presente e estará no futuro, sempre na disponibilidade e disposição de ser parte integrante das soluções e do caminho de aproveitamento e sucesso das oportunidades que vão surgindo na
região. O desenvolvimento da região constitui uma
luta constante da Caixa. Por outro lado, quero dizer que tem sido para nós, ao longo dos tempos,
muito gratificante aquilo que temos conseguido
e a preferência que os associados e clientes têm
manifestado a esta instituição. Estamos plenamente convencidos que isso irá continuar a acontecer no
futuro e que todos juntos vamos concerteza continuar a construir um futuro melhor.
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Em termos de futuro, quais são os projectos/
objectivos que a Caixa gostaria de alcançar a
curto/médio/longo prazo?
Penso que fundamentalmente e perante as dificuldades que se avizinham, temos de continuar este trabalho de crescimento sustentado que
a Caixa tem conseguido alcançar neste últimos
anos. Para além disso, não devemos também fechar a porta a uma possível fusão futura, se esse
for o caminho que nos permita alcançar melhores condições para os nossos associados e clientes. Deste modo, temos de continuar a trabalhar
com as nossas armas de negócio, de entreajuda,
e de interligação com os nossos clientes, sempre sustentada pela nossa equipa de funcionários, que são inexcedíveis na sua forma de estar,
trabalhar e na forma como se relacionam com os
clientes. Com uma boa equipa e com a força que
temos, poderemos manter a nossa estabilidade de negócio.
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