Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 A (Re) produção do Espaço Urbano: Estratégias e Planejamento na Área de Moradia e Interesse Social na Cidade de Anápolis (GO) Jéssica Cardoso da Silva Academica do curso de Geografia da UNUCSEH e PIVIC/UEG [email protected] Janes Socorro da Luz Professora Doutora do curso de Geografia da UnUCSEH/UEG e coordenadora do Projeto de Pesquisa Anápolis, a (Re) produção do Espaço Urbano: Estratégias de Planejamento e Desenvolvimento. [email protected] Universidade Estadual de Goiás, Unidade de Ciências Sócio Economica e Humanas, 75110-390, Brasil PALAVRAS-CHAVE: (Re) produção, Planejamento, Estrátegias, Moradia. 1 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, ocorreram inúmeras transformações sociais e econômicas no Brasil. As cidades passaram a desenvolver diferentes funções e a concentrar população. Em um país com dimensões continentais, a exemplo do Brasil, implantar um política urbana coerente e que possua unidade é uma tarefa extremamente complexa, abrange interesses muitas vezes divergentes. Envolve, também, o exercício do poder; considerando que “o poder não é apenas estar em condições de realizar por si mesmo as coisas, é também ser capaz de fazer com que sejam realizadas por outros” (CLAVAL,1979, p 11). No caso brasileiro, a implantação de uma política urbana democrática exige que se aprimorem os mecanismos descentralizadores dos recursos financeiros e das decisões; reformas que são necessárias para 1 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 garantir transparência e a participação popular, aspectos que passaram a constar na agenda política apenas nas últimas décadas do século XX, conforme destacamos a seguir. 1.1. Política Urbana e a Necessidade de Planejar: contexto histórico No Brasil, a questão da política urbana recebeu pouca atenção antes da década de 1970. Pois, as iniciativas eram pontuais e, na maioria dos casos, fracassaram em função de problemas econômicos e políticos, a exemplo podemos citar, respectivamente, a Fundação da Casa Popular de 1946 e o Programa de Assistência Habitacional do Governo Jânio Quadros no início da década de 1960. Em uma rápida análise do desenvolvimento da política urbana no Brasil, poderíamos identificar no início do período militar, uma política urbana alicerçada na questão habitacional, com a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) e do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), através da Lei no. 4.380, de 21 de agosto de 1964. Depois, o SFH foi reformulado com a criação do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU), Decreto no. 59.917 de dezembro de 1966. Ainda na década de 1970, com a criação do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), em suas várias versões, viabilizou-se a Comissão Nacional de Regiões Metropolitanas e Política Urbana (CNPU), limitada em sua atuação pela falta de recursos, mesmo com a criação em 1975 do Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano (FNDU) e da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU), que direcionaria uma parte de sua arrecadação para o CNPU. A partir de 1970, a modernização da agricultura acentuou o processo de urbanização, principalmente, das grandes cidades, esse fato marcou a criação das áreas metropolitanas, que passaram a receber uma atenção diferenciada; assim, surgiram políticas específicas para as áreas metropolitanas, para cidades médias e pequenas cidades. Uma política urbana 2 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 marcada pela centralização da tomada de decisões e recursos; fato que provocou diversos problemas nas cidades com o corte no repasse das verbas para os municípios com o agravamento do quadro econômico do país, depois das crises do petróleo de 1973 e 1979. No início dos anos 1980, começa a tramitar no Congresso Nacional o Projeto de Lei do Desenvolvimento Urbano; em uma fase marcada pelo discurso da redemocratização do país, gerando o ressurgimento dos movimentos sociais e da implantação da Assembléia Nacional Constituinte, que priorizou a descentralização do poder central por meio da Constituição Federal de 1988. Inclusive, os artigos 182 e 183 compõem o capítulo sobre política urbana e expressam a importância da participação popular e a atuação do poder público municipal, além de instituir a obrigatoriedade do Plano Diretor, para municípios com mais de 20.000 habitantes, bem como, define os campos de atuação dos governos estaduais e municipais. Todavia, a regulamentação da política urbana no país preconizada nos artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988 só ocorreu em 10 de julho de 2001, por meio da Lei N o 10.257 – O Estatuto da Cidade, na qual se estabelecem as diretrizes gerais da política urbana no país, uma reivindicação oriunda dos movimentos sociais pela reforma urbana ao longo da fase de redemocratização. Nesse contexto, o Plano Diretor se consolida como instrumento da política urbana no âmbito municipal, todavia, percebe-se a necessidade de desenvolvimento de políticas setoriais para atender às necessidades geradas pela rápida expansão das áreas urbanas, acompanhada do crescimento demográfico e ampliação dos problemas urbanos. 1.2 As Dimensões da Política Urbana Na análise da política urbana Lojkine (1997) emprega uma estrutura que possui três dimensões, não excludentes, para a política urbana: 3 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 A planificadora; a operacional, que é o conjunto das práticas reais pelas quais o Estado controla e os aparelhos estatais locais intervêm financeiramente e juridicamente na organização do espaço urbano; e a dimensão urbanística que condensa, materializa e mede, por isso mesmo, os efeitos sociais- no espaço- do par planificação urbana/ operações de urbanismo. que o autor considera como um produto de contradições e de relações entre diferentes forças sociais (Lojkine,1997,p 202). Existe uma relação direta entre as diversas dimensões, a planificação só produz resultados ao utilizar os mecanismos de intervenção, ou seja, no momento em que é operacionalizada. Inclusive, Becker, (1991, p 178) destaca que “o planejamento tornou-se o instrumento técnico e centralizado de intervenção estatal para ordenar o território segundo a política e a estratégia estabelecidas”. Por sinal, A maioria das críticas ao planejamento se relacionam à sua aparente neutralidade e tecnicismo. O planejamento deve se converter em um instrumento democrático, que busque a unidade e a coerência, não apenas a imposição de uma vontade unilateral e arbitrária. A intervenção política do Estado, através do planejamento urbano, está presente desde o início do século, como destaca Cidade (1999, p37), os primeiros modelos eram relativamente despolitizados, a partir da década de 50, o planejamento se converte em instrumento de tomada racional de decisões, estes foram criticados pela falta de um enfoque mais social, provocando o surgimento de modelos alternativos, já nos últimos anos, são buscadas formas alternativas de gestão e participação popular. A evolução do planejamento urbano demonstra a importância que a participação popular passa a receber, ao mesmo tempo em que a adoção de práticas de intervenção que considerem os aspectos locais. Nesta direção Carlos destaca que “o lugar abre a perspectiva para pensar o viver e o habitar, o uso e o consumo (...) ao mesmo tempo em que expõe as pressões que se exercem em todos os níveis” (Carlos, 1996, p15). A descentralização política permite a valorização do lugar-cidade e uma maior inserção no contexto mundial. 4 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 1.3 O Desenvolvimento da Política Urbana com a Implantação dos Planos Setoriais É na perspectiva de desenvolver um planejamento estratégico e participativo que o Governo Federal em 2004, aprovou no âmbito do Conselho Nacional das Cidades (CNC) a Política Nacional de Habitação (PNH) e, em 2005, instituiu por Lei Federal o Sistema Nacional de Habitação (SNH) e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – (FNHIS). O SNH representa o principal instrumento da PNH e estabelece como base do planejamento estratégico seu desenvolvimento de modo participativo e democrático. Ademais, o novo quadro institucional federal complementa-se de forma mais ampla, com os dispositivos da Lei Federal 10.257/2001, o Estatuto da Cidade e, no nível local, com os conteúdos pertinentes aos planos diretores no que tange ao zoneamento e uso do solo urbano, planejamento setorial, entre outras iniciativas. Em especial, no que se refere ao direito à moradia, não só como o direito à unidade habitacional, mas sobremaneira, como o direito pleno à cidade e a todos os benefícios urbanos que dela decorrem, pois, o uso do solo urbano cumpre uma função social, como preconiza a Constituição Federal de 1988, nos Artigos 182 e 183. Nesse contexto, o Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) objetiva apontar caminhos para que se promova não só a redução significativa das necessidades habitacionais locais, mas o seu constante monitoramento. Elaborado em consonância com os princípios, objetivos gerais, diretrizes, componentes básicos e instrumentos da Política Nacional, o PLHIS, juntamente com o Conselho e o Fundo Local de Habitação, é requisito básico para que um município possa ter acesso aos recursos financeiros do FNHlS. Esta condição, aliada à importância de se contar com um plano estratégico para este tema, torna a elaboração de um PLHIS, uma necessidade premente para os municípios brasileiros. O presente trabalho relata, exatamente, o processo de concepção e elaboração do PLHIS no Município de Anápolis (GO), destacando as 5 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 estratégias de planejamento e desenvolvimento em curso na cidade, a partir do final da década de 2000. Pois, a descentralização do poder, gestão e planejamento, é muito importante no resgate dos direitos de cidadania, como ressalvam Bittar e Coelho (1994), ao comparar a administração tradicional com a democrática. Nessa direção, a gestão democrática, mais que conjunto de estratégias e diretrizes de intervenção na cidade, contribuem com a apropriação dos espaços coletivos. Por sua vez, gerir democraticamente requer a criação de mecanismos que possibilitem a construção e reconquista dos espaços públicos, onde é possível compartilhar das tomadas de decisões. Não é um processo fácil, ele demanda, antes de tudo, da existência de governos que reconheçam a importância da participação popular, que trabalhem no sentido de conscientizar a população do seu dever/direito de participar, de articular os diferentes atores que compõem o cenário social e econômico no âmbito local. A abrangência da gestão democrática, portanto, depende diretamente da capacidade de articulação do governo local, de sua transparência administrativa, da capacidade de planejar estratégias que atendam aos mais diferentes seguimentos da sociedade, de atrair investimentos, etc. Entretanto, sua realização se depara com inúmeros obstáculos, como por exemplo, falta de articulação interna na administração municipal, o despreparo técnica, a carência de infra-estrutura e da disponibilidade de dados, além, das questões ligadas ao equacionamento das finanças, qualificação do funcionário e transparência administrativa. 2 MATERIAL E MÉTODOS Os passos metodológicos a serem desenvolvidos para a realização dessa pesquisa foram as seguintes: O primeiro passo a realização da revisão bibliográfica, com análise da bibliografia técnica e teórica, obtendo assim respaldo documental e aprofundamento teórico e metodológico, a partir da análise dos dados estatísticos, cartográficos sobre a cidade de Anápolis, Plano 6 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Diretor e Projeto de Planejamento Estratégico para as Áreas de Interesse Social. O segundo passo realização da pesquisa de campo, com levantamento e caracterização da área e produção do banco de imagens, contendo informações das áreas de risco, subnormais e áreas públicas municipais de Anápolis, atividade realizada em conjunto com a equipe técnica da Prefeitura Municipal de Anápolis devido a elaboração do Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) sob a coordenação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Sustentável da Prefeitura Municipal de Anápolis (PMA). O terceiro passo foram à representação cartográfica das áreas subnormais e das áreas de interesses social da cidade. E por fim, o quarto passo a análise e interpretação dos dados coletados e posteriormente a realização de produção textos como os apresentados no Encontro Nacional de Geógrafos e no V Seminário de Pesquisa de Professores e VI Jornada de Iniciação Cientifica da UnUCSEH. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa relatada neste trabalho destacou a importância de compreender “a cidade como centro de gestão do território” (SOUZA, 2003, p. 28), onde a atuação dos agentes públicos e privados são fundamentais na (re)produção do espaço. Para tanto, utilizou como exemplo as estratégias que envolvem a discussão e elaboração do Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) sob a coordenação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável da Prefeitura Municipal de Anápolis (PMA), atendendo às exigências do Governo Federal, Ministério das Cidades, para a alocação de recursos destinados à habitação provenientes do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) gerido pela Caixa Econômica Federal (CEF). De forma mais ampla, o estabelecimento de áreas de interesse social é uma 7 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 competência do Município e sua delimitação obedece à legislação específica de zoneamento urbano que integra o Plano Diretor de cada localidade. Inclusive, a exigência do Plano Diretor obedece ao disposto nos artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988 no tocante à política urbana, regulamentados por meio da Lei no. 10.257 de 10 de julho de 2001, o Estatuto da Cidade. Por sua vez, o Plano Diretor, “instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana” (OLIVEIRA, 2001, p. 18), por não possuir um caráter imutável, pode ser revisto e adequado às transformações que ocorrem em cada localidade, todavia, sua concepção se orienta pela necessidade de garantir mecanismos de participação da população como forma de legitimar as diretrizes e ações que desenvolve, propiciando uma gestão democrática do espaço urbano. Na esfera local, questão do Plano Diretor se faz presente na Lei Orgânica do Município de Anápolis de 5 de abril de 1990, no Título III que trata da Organização do Governo Municipal, Capítulo I do Planejamento Municipal, revista a partir de emenda proposta pela Câmara Municipal de Anápolis em 9 de junho de 2009, promulgada em 15 de julho de 2010, na qual destaca: Artigo 99 - O Município deverá organizar a sua administração, exercer suas atividades e promover sua política de desenvolvimento urbano dentro de um processo de planejamento permanente, atendendo aos objetivos e diretrizes estabelecidos no Plano Diretor. O Plano Diretor em vigor no Município foi regulamentado por meio da Lei Complementar Nº 128, de 10 de outubro de 2006, que preconiza: o Art. 2 - O Plano Diretor Participativo é o instrumento básico da política de desenvolvimento urbano da cidade e incorpora a sustentabilidade sócio-espacial no modelo de desenvolvimento do Município quando da definição de estratégias e diretrizes para a execução dos planos setoriais, programas e projetos. Além do Plano Diretor estão previstos outros instrumentos de política urbana no Estatuto da Cidade, Artigo 4, 8 ou seja, os planos, projetos e Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 programas setoriais, além dos planos de desenvolvimento econômico e social, categoria na qual se enquadra o PLHIS. Um plano direcionado para o desenvolvimento de políticas urbanas na área da habitação de interesse social no Município de Anápolis é uma iniciativa inédita no local, “alinhada aos princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional de Habitação (PNH), aprovada em 2004 e ao Plano Nacional de Habitação (PLANHAB), elaborado recentemente pelo Governo Federal” (ROSA e DENALDI, 2009, p. 3). No âmbito local, no que tange ao uso e ocupação do solo, existem as denominadas áreas especiais de interesse com diferentes finalidades: econômica; urbanística; estratégica; ambiental; e, social. Por sua vez, no Município de Anápolis, segundo o Plano Diretor Participativo (PDP) no Artigo 34, são “consideradas áreas de interesse social – AEIS aquelas destinadas primordialmente à produção e à manutenção de habitação de interesse social [...]”. Sua delimitação ocorre por meio de lei específica que norteia o zoneamento urbano, neste caso em específico, salienta-se a importância de atentar para a inclusão de áreas vazias no interior das zonas de interesse social, sobre as quais poderão incidir os demais instrumentos regulamentados pelo Estatuto da Cidade para garantir função social do solo urbano, seu uso, posse e, consequentemente, possibilitar a realização de projetos futuros. Dessa forma, a discussão parte do pressuposto de que a gestão do território nas cidades considera, “de um lado, as estratégias existentes e, por outro lado, os conhecimentos adquiridos: ciência da cidade, conhecimento que tende para a planificação do crescimento e para o domínio do desenvolvimento” (LEFEBVRE, 2001, p.111). Nesse sentido, durante o desenvolvimento da pesquisa foram traçadas duas estratégias básicas: a primeira consistiu no acompanhamento, junto à administração municipal, das reuniões para elaboração do PLHIS, envolvendo a administração municipal e a empresa contratada; a segunda envolveu a análise da problemática no contexto local. Para a elaboração do PLHIS a administração municipal lançou um edital de licitação em 2008 para contratar uma equipe técnica externa, com o intuito de desenvolver uma proposta metodológica que viabilizasse a execução do projeto, segundo 9 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 informações da Procuradoria Geral do Município, o contrato entre a PMA e a empresa vencedora previa sua realização em 150 dias, ou seja, de fevereiro a julho de 2009. Com isso, contratou-se, via edital 021/2008, a empresa Ícone Locação e Serviços, sediada em Goiânia que elaborou uma proposta preliminar contemplando: uma descrição superficial do município de Anápolis; os objetivos gerais e específicos da proposta; a conformação das equipes técnicas, municipal e contratada; os elementos de infraestrutura e apoio logístico; além dos procedimentos metodológicos. De acordo com os procedimentos adotados pela equipe técnica contratada seriam produzidos três produtos: o primeiro seria a proposta metodológica; o segundo envolveria um diagnóstico do setor habitacional, envolvendo as equipes técnicas e o desenvolvimento de reuniões técnicas, lançamento do plano de ações que garantiria a participação da população e demais instituições, levantamento e seleção de dados informações, a mobilização social com a realização de audiências públicas e reuniões comunitárias, reuniões técnicas de sistematização, audiências de pactuação e diagnóstico; o terceiro produto corresponde ao plano de ação no qual são elaboradas as estratégias de intervenção do poder público municipal. O primeiro produto foi apresentado, na versão preliminar, em março de 2009, pela empresa contratada e a administração municipal em um encontro realizado nas dependências da Secretaria de Desenvolvimento Urbano Sustentável da PMA, envolvendo representantes dos seguintes segmentos: Universidade Estadual de Goiás; Câmara Municipal de Anápolis; membros do Conselho das Cidades local; profissionais liberais; e, técnicos das demais secretarias municipais. No evento foram apresentados os membros da equipe local e contratada, além da proposta preliminar. Também, realizou-se uma sondagem entre os presentes sobre a existência de produção técnica-científica sobre a questão habitacional na cidade, estabelecendo a possibilidade de intercâmbio entre as equipes técnicas e os segmentos presentes no encontro. A próxima etapa, segundo a empresa contratada, seria a o desenvolvimento do diagnóstico do setor habitacional. Porém, essa etapa não se realizou de forma satisfatória, ocorreram reuniões esporádicas entre as 10 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 equipes técnicas, local e contratada, sem que fosse consolidado o segundo produto, ou seja, o projeto ficou praticamente parado ao longo de 2009, os segmentos não participaram ativamente e a seleção de dados ficou comprometida. Por exemplo, em dezembro de 2009 se realizou nas dependências da Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas (UnUCSEH-UEG) a 3a Conferência Municipal da Cidade de Anápolis promovida pela PMA, com o lema “Cidade para todos e todas com gestão democrática, participativa e controle social”, nesse encontro a discussão principal envolvia a questão habitacional e o desenvolvimento da política urbana local, além discutir as propostas e eleger os delegados da cidade para a 4a Conferência Estadual das Cidades, realizada de 26 a 27 de abril de 2010 em Goiânia, quando as propostas dos municípios goianos foram apresentas, discutidas e selecionadas, bem como, a eleição dos delegados estaduais e representantes para o Conselho Estadual das Cidades. Propostas que foram encaminhadas para a 4a Conferência Nacional das Cidades que ocorreu de 19 a 23 de junho de 2010 em Brasília. Em síntese, perdeu-se um fórum privilegiado para a discussão do PLHIS e sua apresentação para a comunidade. Inclusive, a primeira audiência pública só ocorreu no início no dia 4 de fevereiro de 2010. Quando se reuniram nas dependências da Câmara Municipal de Anápolis, representantes de diferentes segmentos da cidade, ou seja, empresários, técnicos, representantes da Caixa Econômica Federal (CEF), acadêmicos, gestores, vereadores, entre outros, conforme relatado pela Ata 021/2010, redigida por técnico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentável da PMA. No evento, foi entregue material de divulgação do PLHIS, apresentado pela equipe contratada e, também, o novo cronograma de trabalho. Dessa forma, nos meses de março, abril e maio de 2010 se desenvolveria o segundo produto, envolvendo o diagnóstico da questão habitacional local e as reuniões com os segmentos, o que ocorreu de forma parcial. Não ocorreram as reuniões com os diferentes segmentos da sociedade, apesar da manifestação de apoio às equipes expressa pelos representantes desses segmentos na audiência pública, também, as reuniões 11 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 entre a equipe técnica local e contratada foram esporádicas, o que não permite identificar os resultados concretos que encaminhassem na execução do segundo produto, ou mesmo que propiciasse a realização do produto final. Como forma de resgatar o processo e garantir sua eficácia a Prefeitura Municipal de Anápolis firmou, no segundo trimestre de 2010, um convênio de parceria com a Agência Goiana de Habitação (Agehab) para promover a capacitação técnica da equipe local na elaboração do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social (PMHIS), estimulando o envolvimento da comunidade como protagonista num processo participativo e democrático. Ou seja, a metodologia inicial, desenvolvida desde 2009, de forma truncada, foi substituída pela desenvolvida com a assistência técnica da Agehab e Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). O treinamento/capacitação segue uma dinâmica que envolve a realização de oficinas1, nas quais são desenvolvidas cada etapa do PLHIS (Ver Anexo 1 – Fluxograma de Ação), ou seja, a proposta metodológica, o diagnóstico e a elaboração de estratégias de ação. Trata-se de um processo que agrega diferentes atores, conforme é possível identificar no Quadro 1, destacando um slide de abertura apresentado na 1ª. Oficina: 4 CONCLUSÕES A presente pesquisa encontra-se na fase de finalização, ao mesmo tempo, em que acompanha o desenvolvimento das iniciativas do poder público municipal que tem atuado no sentindo de ofertar moradias para atender à demanda das classes de até três salários mínimos, para tanto, realiza a seleção de informações que serão objeto de discussão e subsidiarão a elaboração do relatório final. Para tanto, o desenvolvimento da pesquisa, ao longo dos anos de 2009 e o primeiro semestre de 2010, possibilitou a contextualização de forma mais eficiente da realidade local e, com isso, traçar um quadro evolutivo do 1 Até o momento foram realizadas três oficinas: a primeira de 28 a 29 de maio; a segunda de 29 de junho a 1 de julho; a terceira de 27 a 28 de agosto. A próxima está prevista para acontecer no dias 25 e 26 de outubro de 2010. 12 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 processo de desenvolvimento da política urbana no Município de Anápolis, considerando o período da década de 2000, no que tange à questão habitacional de interesse social na cidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARLOS, Ana Fani A . O lugar no/do Mundo. São Paulo: Hucitec, 1996. CIDADE, Lucia Cony Faria. Planejamento das cidades: modelos tradicionais e contemporâneos in Revista Espaço e Geografia – Departamento de Geografia e Programa de Pós-Graduação. Brasília: Editora da UnB, 1999,v 1, p .37- 67 CLAVAL, Paul. Espaço e poder. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979. HARVEY, David. A condição pós-moderna. 7a ed. São Paulo: Loyola, 1998. INSTITUTO BRASILEIRO Estimativas, 2007 . DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. LOJKINE, Jean. O Estado Capitalista e a Questão Urbana. São Paulo: Martins Fontes, 1997. LOPES, Rodrigo. A Cidade Intencional. Rio de Janeiro: Mauad, 1998. MONTE MÓR, R. L. Outras fronteiras: novas espacialidades na urbanização brasileira. In: L. B. CASTRIOTA. (Org.). Urbanização Brasileira: Redescobertas. Belo Horizonte: Editora C/ Arte, 2003, p. 260-271. OLIVEIRA, I.C.E. Estatuto da Cidade: para compreender. Rio de Janeiro: IBAM/DUMA, 2001. PREFEITURA MUNICIPAL DE ANÁPOLIS/SECRETARIA DE MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO URBANO SUSTENTÁVEL. Proposta preliminar do Plano Local de Habitação de Interesse Social do Município de Anápolis/GO. Anápolis, mimeo, 2009. 13 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 PREFEITURA MUNICIPAL DE ANÁPOLIS. Lei Complementar No. 128, de 10 de outubro de 2006. Dispõe sobre o Plano Diretor Participativo de Anápolis. Mimeo, 2006. _______________. Lei Orgânica do Município de Anápolis, de 5 de abril de 1990, revista em 9 de junho de 2009 e promulgada em 15 de julho de 2010. Disponível em <http://www.processolegislativo.anapolis.go.gov.br/> (Acesso em jul./2010) ______________ . Contrato No. 12/2009. Mimeo, 2009. _______________. Ata 021, de 4 de fevereiro de 2010, audiência pública de apresentação do Plano Local de Habitação de Interesse Social. Mimeo, 2010. ROSA, J.S e DENALDI, R. (orgs.). Curso à Distância: Planos Locais de Habitação de Interesse Social. Brasília: Ministério das Cidades, 2009. RIBEIRO, Luiz Cézar Queiroz e CARDOSO, Adauto Lúcio. Da cidade à nação: gênese e evolução do urbanismo no Brasil in RIBEIRO, Luiz Cézar Queiroz (org). Cidade, povo e nação. Gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. as, 2007. 14