Índice
2
8
12
18
22
26
Milho
Alta tecnologia no
controle de
plantas daninhas
Café
Doenças e seus
impactos na
qualidade do produto
Inseticida de vanguarda
Novo mecanismo
com seletividade
Trigo
Cultivares resistentes e
controle químico
atenuam prejuízos da
ferrugem-da-folha
Mosca-Branca
Manejo requer cuidados
especiais
Tratamento de Sementes
Tecnologias de
aplicação apropriadas
O novo herbicida Soberan proporciona uma ferramenta
flexível e segura para o controle das diversas espécies de
folhas largas e gramíneas que infestam a cultura do milho
no Brasil e ainda contribui para o manejo de resistência,
graças ao seu mecanismo de ação diferenciado
O milho, uma das culturas mais importantes do
Brasil em área plantada, com 13,9 milhões de
hectares na última safra (tabela 1), tem aproximadamente 90% de sua produção destinada ao
mercado interno. Em 2007, segundo dados da
Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), seus principais consumidores foram a
avicultura, com 16,9 milhões de toneladas; a
suinocultura, com 8,9 milhões de toneladas; a
pecuária de corte, com 1,9 milhão de
toneladas; e a pecuária leiteira, com 1,3 milhão
de toneladas. Os 4,1 milhões de toneladas
restantes foram destinados à industrialização.
Como o milho é cultivado em todas as regiões
brasileiras, existe uma vasta oferta de híbridos
e cultivares adaptados às diversas condições
de solo e clima do país. As empresas
sementeiras oferecem quase 300 híbridos
registrados. Ainda assim, em algumas regiões,
são encontrados cultivos primitivos do
chamado “milho de paiol”, especialmente em
comunidades indígenas e pequenas propriedades. Por essa razão, a produtividade
média brasileira, de 3,6 t/ha na safra
2006/2007, é bem inferior à de produtores
tradicionais, como Estados Unidos e França
(mais de 8 t/ha), e mesmo vizinhos como a
Argentina (com 6 t/ha).
Outra particularidade da cultura no Brasil é
ser semeada em duas estações do ano: a
safra de verão, plantada na primavera, que é
a mais representativa (68% do total); e a
safrinha, plantada no verão (32%).
Eucalipto
Controle de cupins e
plantas daninhas
Deixamos de publicar a bibliografia da maioria
das matérias desta edição, que permanece à
disposição dos interessados.
Correio Agrícola - 2008
A revista Correio é uma publicação semestral da Bayer
CropScience, dirigida a engenheiros agrônomos,
agricultores, técnicos agrícolas,
faculdades de agronomia e bibliotecas.
Coordenação geral: Comunicação Corporativa
Bayer CropScience
Coordenação técnica: Engenheiros Agrônomos
Paulo Renato Calegaro, Gilmar Franco,
Luiz Weber e Pedro Singer.
Editor: Allen A. Dupré, MTb 9057.
Editoração: Assessoria de Propaganda Bayer S.A.
Fotos: arquivo Bayer, Isuzu Imagens Ltda.
Gráfica: Neoband Soluções Gráficas Ltda.
Tiragem: 30.000
Bayer S.A. - Matriz
Rua Domingos Jorge, 1100, Prédio 9504
São Paulo - SP / Fone (0xx11) 5694-5166
www.bayercropscience.com.br
ATENÇÃO:
ience em
Bayer CropSc reço
novo ende
2
CORREIO
Brasil
Área plantada (em 1.000 ha)
Produção total (em 1.000 t)
2006/2007
13.900
51.218
2007/2008*
14.189
54.239
Variação
1,6%
5,9%
Fonte: IBGE - * projeções Agroconsult
Tabela 2 - Espécies mais importantes na cultura do milho - safra
Basis SDV (1.000 ha)
7.802
Total
1.750 1.453 1.420 1.131
PR
RS
MG
SC
799
SP
743
GO
367
BA
140
MS
Ipomoea grandifolia
36
25
37
39
29
37
48
61
31
Bidens pilosa
34
42
45
33
27
25
17
32
50
Brachiaria plantaginea
32
37
36
27
45
38
10
6
18
Digitaria horizontalis
31
18
68
13
53
15
10
44
11
Euphorbia heterophylla
27
43
28
9
31
15
32
9
36
Panicum maximum
22
31
27
14
32
12
14
4
4
Commelina benghalensis
20
7
1
31
5
32
58
54
29
Brachiaria decumbens
18
9
41
1
45
34
4
22
Sida rhombifolia
14
17
22
12
14
8
1
11
5
Eleusine indica
7
13
2
8
4
8
13
2
Raphanus raphanistrum
5
11
9
1
Avena spp.
5
13
5
4
2
1
7
Amaranthus spp.
4
1
8
4
Acanthospermum hispidum
4
1
4
3
5
11
7
Cenchrus echinatus
4
8
2
Tridax procumbens
3
1
4
6
24
6
27
1
63
1
Fonte: Kleffmann 2007
Tabela 3 - Espécies mais importantes na cultura do milho - safrinha
Espectro de plantas daninhas
29
Tabela 1 - Total de área plantada e produção nacional de milho
O Brasil, por sua latitude predominantemente tropical, apresenta um potencial de
multiplicação de plantas daninhas superior
ao dos países temperados. As espécies mais
importantes na cultura do milho compõem
as tabelas 2 e 3. Porém, segundo especialistas, apenas seis delas são as mais relevantes:
Digitaria horizontalis (fig.1), Brachiaria
plantaginea (fig.2) e Cenchrus echinatus
(fig.3), no grupo das gramíneas, e Ipomoea
grandifolia (fig.4), Euphorbia heterophylla
(fig.5) e Bidens pilosa (fig.6), no grupo das
folhas largas.
Fig. 1 - Digitaria horizontalis
Basis SDV (1.000 ha)
5.099
Total
1.932
MT
1.429
PR
802
MS
723
GO
213
SP
Bidens pilosa
41
43
29
53
44
38
Euphorbia heterophylla
34
38
35
38
17
15
Glycine max
24
4
42
44
10
44
Commelina benghalensis
23
29
13
19
28
27
Digitaria horizontalis
22
33
17
11
19
5
Ipomoea grandifolia
20
26
16
28
5
10
Eleusine indica
10
20
13
4
Cenchrus echinatus
8
10
4
12
5
9
Brachiaria plantaginea
6
2
8
6
13
7
Sida rhombifolia
5
1
9
2
13
2
Fonte: Kleffmann 2007
Fig. 2 - Brachiaria plantaginea
Fig. 3 - Cenchrus echinatus
Fig. 4 - Ipomoea grandifolia
CORREIO
3
Gráf. 1 - Eficiência (%) de Soberan sobre Cenchrus echinatus - capim-carrapicho (380 plantas/m²)
O espectro de plantas daninhas muda freqüentemente de acordo com a prática cultural e o manejo de controle, levando ao aparecimento de espécies resistentes. É o caso
de Bidens pilosa e Euphorbia heterophylla
resistentes ao grupo de herbicidas inibidores
de ALS e de Conyza bonariensis e Lolium
multiflorum resistentes ao glifosato.
Nova opção de controle
Fonte: Universidade Federal de Uberlândia - MG – 2005
Gráf. 2 - Eficiência (%) de Soberan sobre Digitaria ciliaris - capim-colchão (20 plantas/m²)
O ingrediente ativo Tembotrione, pertencente ao grupo químico das triquetonas, tem
ação herbicida por meio da inibição da enzima 4 HPPD (4 hidroxifenil-piruvato-dioxigenase), que é responsável pela síntese de
carotenóides nas plantas. Os carotenóides
são substâncias preservadoras da clorofila,
evitando sua fotodegradação. Sua ausência
inviabiliza completamente a ação da clorofila no processo de fotossíntese e, em conseqüência, as plantas daninhas morrem.
Formulação e adjuvantes
Fonte: Universidade Federal de Viçosa – MG - 2006
Gráf. 3 - Média de eficiência (%) dos últimos 5 anos de desenvolvimento de Soberan no
Brasil, para as seis espécies de plantas daninhas de maior ocorrência na cultura de milho
Desde o início do desenvolvimento do
Tembotrione no Brasil (sob a marca comercial Soberan), percebeu-se que apresentava
forte ação graminicida, necessitando por
vezes de uma complementação para o controle total das dicotiledôneas. Outra evidência clara foi a resposta positiva que o produto apresentava na presença de diferentes
adjuvantes, revelando a clara indicação do
uso obrigatório do éster metilado de soja
(Aureo) nas aplicações do novo herbicida.
Para um completo controle de algumas espécies dicotiledôneas, recomenda-se também a
complementação com o herbicida Atrazina
(500 SC), que mostra alta sinergia com o
Tembotrione em doses baixas (2 litros/ha).
De todas as formulações de Soberan testadas
no Brasil, concluiu-se que a mais eficaz é a
suspensão concentrada contendo 420g de
ingrediente ativo por litro (SC 420).
Plantas daninhas controladas
Fonte: Bayer CropScience
Fig. 5 - Euphorbia heterophylla
4
CORREIO
Fig.6 - Bidens pilosa
O uso de Tembotrione na formulação indicada apresentou excelente controle de
gramíneas como capim-colchão, capimmarmelada, capim-braquiária, capim-péde-galinha e capim-carrapicho e também
de folhas largas como leiteiro ou amendoim-bravo, trapoeraba, caruru, picãopreto, corda-de-viola e guanxumas. Isso o
credencia como o herbicida ideal para o
manejo de plantas daninhas na cultura do
milho. Adicionalmente, observou-se em
ensaios de campo conduzidos por entidades oficiais que mantém o mesmo grau
de ef icácia em espécies típicas das
regiões Sul, Sudeste ou Centro-Oeste
(gráficos 1 e 2).
CORREIO
5
Tabela 4 - Espectro de ação e doses do Soberan sobre plantas daninhas
Plantas daninhas controladas
Nome Comum/Nome Científico
estádio
Dicotiledôneas
Doses (ml/ha)
2 a 4 folhas
Apaga-fogo / Alternanthera tenella
180
Corda-de-viola / Ipomoea acuminata
180
Corda-de-viola / Ipomoea nil
240
Corda-de-viola / Ipomoea purpurea
240
Guanxuma / Sida rhombifolia
240
Joá-de-capote / Nicandra physaloides
180
Leiteiro / Euphorbia heterophylla
240
Nabiça / Raphanus raphanistrum
180
Picão-preto / Bidens pilosa
240
Picão-preto / Bidens subalternans
180
Poaia-branca / Richardia brasiliensis
240
Soja invasora / Glycine max
180
Rubim / Leonurus sibiricus
240
estádio
4 a 6 folhas
2 a 6 folhas
6 folhas a 2 perfilhos
Monocotiledôneas
Capim-braquiária / Brachiaria decumbens
240
Capim-carrapicho / Cenchrus echinatus
240
Capim-colchão / Digitaria ciliaris
240
Capim-colchão / Digitaria horizontalis
180
240
Capim-marmelada / Brachiaria plantaginea
180
240
Trapoeraba / Commelina benghalensis
240
Seletividade
Efeito residual
Recomendações técnicas
A maioria dos herbicidas de pós-emergência mostra algum sintoma de fitotoxicidade
na cultura do milho, embora sem efeitos
negativos sobre a produtividade quando
aplicados de acordo com as recomendações
adequadas. Geralmente, esses herbicidas
são acompanhados de uma lista de uso
aprovado para os híbridos e cultivares do
mercado. Nesse aspecto, o Tembotrione
apresenta um importante diferencial, pois
mostra-se bastante seletivo à cultura, além
de resultar de uma inovadora tecnologia de
formulação, o que lhe proporciona plena
segurança de aplicação sobre todos os
híbridos e cultivares registrados até o
momento no mercado brasileiro.
No ensaio conduzido pela Embrapa Milho
e Sorgo, em Sete Lagoas/MG, na safra de
2007, no qual o pesquisador aplicou
Tembotrione em oito diferentes híbridos,
pode-se observar que houve seletividade
plena à cultura, independente do híbrido
em questão, sem os sintomas clássicos de
fitotoxicidade. Isso comprova a rápida
metabolização do ingrediente ativo no interior das plantas de milho.
Outra característica que diferencia este
novo herbicida em comparação com outros
produtos pós-emergentes é sua capacidade
de eliminar as espécies mais sensíveis,
mesmo que ainda não tenham emergido no
momento da aplicação. Este efeito é observado nas primeiras semanas após a aplicação do produto e é mais evidenciado sob
condições normais de umidade de solo.
Levando-se em consideração que há
lavouras de milho espalhadas por todas as
regiões brasileiras, sob as mais variadas
condições de fertilidade de solo, tipos de
plantas daninhas e clima, fica mais simples
e seguro recomendar uma dose única de
Soberan + Atrazine 500 + Aureo (240 ml/ha
+ 2,0 litros/ha + 1,0 litro/ha, respectivamente), que é adequada em todas as situações.
Essa aplicação deverá ser feita em pósemergência, preferencialmente no período
em que as plantas daninhas estiverem no
estádio precoce (2 a 4 folhas) e a cultura
em torno da quarta folha totalmente
expandida. Não há qualquer restrição para
uso do Soberan quanto às adubações nitrogenadas ou quanto aos inseticidas aplicados no controle de lagartas e/ou percevejos.
Registro
Na tabela 4 constam as doses registradas do
Soberan, variando de 180 a 240 ml/ha, e o
espectro de ação, que abrange 18 espécies de
plantas daninhas, sendo 90% delas de ocorrência generalizada nas lavouras de milho no
Brasil. O produto também se encontra registrado nos Estados Unidos e há cerca de um ano
e meio na Áustria e Hungria, onde vem
sendo aplicado com grande sucesso.
Gilmar Franco, Engº Agrº (CREA 1246/D) –
Desenvolvimento de Herbicidas - Bayer CropScience
Observações: Adicionar sempre o adjuvante Aureo na dose de 1,0 L/ha.
Complementar com Atrazina (500 SC) na dose de 2,0 L/ha.
6
CORREIO
CORREIO
7
CAFÉ
Controle de doenças e pragas
eleva qualidade do produto
Perdas qualitativas devem preocupar o produtor tanto
quanto as perdas de quantidade e produtividade
As principais doenças da cultura cafeeira
são a ferrugem, a cercosporiose e a Phoma/
Ascochyta. As pragas mais importantes são
o bicho-mineiro, a broca, as cigarras, os
nematóides, os ácaros e a mosca-das-raízes.
Esse complexo de doenças e pragas afeta o
crescimento e a produtividade do cafezal.
Por isso, merece controle adequado, para
evitar as perdas quantitativas, que são as
mais sentidas e, por isso, as que mais preocupam os produtores. No entanto, indiretamente, também apresentam efeitos danosos
sobre a qualidade do café produzido. Assim,
as perdas qualitativas também devem ser
consideradas na escolha e na adoção dos sistemas de controle.
Efeitos sobre plantas e fruto
A maioria das doenças e pragas do cafeeiro
afeta suas folhas, levando à redução da área
foliar e à desfolha das plantas. Com isso,
acaba prejudicado todo o processo de síntese
e de acúmulo de energias da planta, que fica
enfraquecida, tem seu crescimento reduzido,
comprometendo a produção e a qualidade
dos frutos e dos grãos.
Citam-se, entre as doenças, os exemplos da
ferrugem e da cercosporiose do cafeeiro,
especialmente nos ataques mais precoces,
provocando desfolhas, que influem no tamanho e na granação dos frutos.
No caso da cercosporiose, existe um efeito
ainda mais direto, pois o fungo ataca também
os frutos, causando lesões profundas, que
influem no aumento de grãos mal formados,
verdes, ardidos e pretos, defeitos que, na
classificação dos cafés, resultam nos piores
tipos do produto. A cercosporiose causa,
ainda, queda prematura dos frutos atacados,
que tiveram sua maturação forçada pelo
efeito das lesões da doença. O ataque da cercosporiose apresenta um efeito adicional no
preparo do café, representado pela dificuldade no despolpamento dos frutos afetados
pela doença, devido à maior retenção da
casca nos grãos, o que significa menor porcentagem de grãos de qualidade superior.
Pragas como o bicho-mineiro e as cigarras
também mostram reflexos na desfolha e no
enfraquecimento dos cafeeiros. As plantas
afetadas pelo bicho-mineiro têm desfolhas
até mais rápidas e, portanto, até mais prejudiciais no curto prazo. As cigarras, ao sugar
a seiva das plantas junto às raízes, afetam a
disponibilidade dos produtos elaborados e,
assim, reduzem o suprimento de substâncias
para o crescimento e para todo o processo
fisiológico do cafeeiro, afetando tanto a produção como as características ligadas à qualidade de frutos e grãos.
CORREIO
9
Resultados benéficos
do controle
Ferrugem
Cercosporiose
Diversos trabalhos de pesquisa têm mostrado o efeito benéfico do controle de pragas e
doenças do cafeeiro, tanto no aumento da
produtividade quanto na melhoria de aspectos da qualidade do café. A redução de perdas ou os ganhos de produção não são objeto deste trabalho.
Os ganhos de qualidade de frutos, grãos e do
produto final decorrentes do controle da cercosporiose são exemplificados na pesquisa,
cujos dados são apresentados no quadro 1.
Os dados do quadro 1 mostram, com clareza,
na comparação entre os frutos colhidos em
parcelas experimentais, com ou sem controle
da cercosporiose, que na ausência de controle aumenta significativamente o número
de grãos defeituosos, o que piora bastante o
tipo na classificação do café. Com o controle, ocorre ainda uma melhoria do tamanho
dos grãos.
Quatro efeitos
O efeito do controle das doenças e pragas sobre
o cafeeiro, sua produção e a qualidade do café
ocorre de quatro maneiras, resumidas a seguir.
A primeira se dá pela supressão do ataque,
cujo efeito já foi abordado anteriormente.
A segunda, pelo efeito tônico/hormonal
paralelo, resultante da ação de certos produtos, especialmente os dos grupos dos triazóis, como o Triadimenol, os dos grupos dos
neonicotinóides, como o Imidacloprid, e
ainda os dos carbamatos, como o Aldicarb,
os quais têm efeito adicional sobre a melhoria do sistema radicular das plantas de café.
Esse efeito foi objeto de um grande número
de pesquisas, concluindo que uma das principais razões do efeito tônico é a melhoria no
sistema radicular.
A terceira maneira é pela inibição moderada
da síntese do etileno, retardando a senescência das folhas, o que proporciona um aumento na taxa fotossintética da planta, promovendo maior padronização de grãos cereja e, com isso, incremento no percentual de
peneira 17 acima e menos defeitos. O trifloxystrobin é um exemplo de molécula que
tem esse potencial de inibição moderada da
síntese de etileno
Trabalhos realizados nos últimos anos têm
demonstrado que programas de tratamento
fitossanitário para o controle de pragas e
doenças têm sido muito adotados pelos produtores em função da eficácia de controle e,
Quadro 1 - Efeitos da cercosporiose sobre aspectos da
qualidade de frutos e do café, Caratinga-MG
Tratamentos
% de grãos com
defeito verde
Com controle da cercosporiose
5
Testemunha
19
% peneiras
graúdas
64,5
Classificação
por tipo
5/6
50,0
6/7
Fonte: Miguel e Matiello, Anais do 10º CBPC, IBC-GERCA, 1983 , p.8
Quadro 2 - Percentagens médias de parâmetros de
qualidade de café em Varginha-MG
Bicho-mineiro
Tratamentos
Muito Mais Café
Peneira 17 acima
59,0
Fundos de Peneira
0,6
Nº grãos com defeitos
7,8
Outro Programa
53,5
2,1
16,9
principalmente, dos benefícios que esses
programas podem conferir às plantas, como
maior retenção foliar com mais vigor, diminuindo a tradicional bienalidade da produção. É sabido que uma planta mais vigorosa enfolha mais e produz energia suficiente
para que o ciclo dos frutos complete todas as
fases, garantindo sua padronização com
maior crescimento das sementes, conforme
mostra o quadro 2, revelando que o
“Programa Muito Mais Café” contribuiu
para a produção com maior porcentagem de
peneira 17 acima, menor percentagem de
fundos de peneira e menor porcentagem de
grãos com defeitos.
Uma quarta via de estudos, realizada sobre a
qualidade do café, diz respeito à ação de
tratamentos via solo favorecendo o aumento
de fungos favoráveis no processo de fermentação dos frutos, na pós-maturação, como os
do gênero Cladosporim. No mesmo sentido,
quando fungicidas apropriados são aplicados
na folhagem, em época próxima à maturação
dos frutos, pode ser reduzida a população do
Aspergillus okraceus, que produz a amicotoxina denominada okratoxina A, considerada prejudicial à saúde.
José Braz Matiello – Engº Agrº (CREA 19.748 D 6ª
Região) - MAPA/Procafé; José lourenço de Paiva
Freitas - Engº Agrº (CREA 283 DAM) - Bayer
CropScience
LANÇAMENTOS
Premier Plus e Sphere Max
Para a safra de café 2008/2009, a Bayer CropScience terá duas
novidades exclusivas para o Brasil:
o fungicida/inseticida Premier Plus e o fungicida foliar Sphere Max
Premier Plus é produzido à base dos ingredi-
Premier Plus apresenta classe toxicológica III
entes ativos Triadimenol e Imidacloprid, atuando no controle da ferrugem, do bicho-mineiro e
das cigarras. Foi desenvolvido para aplicação
no solo, próximo ao tronco e de um lado só do
cafeeiro. O tratamento pode ser efetuado com
equipamentos tratorizados, na dose de 400 L/ha
de calda, ou pulverizadores costais, na dose de
50 ml/planta. O período de aplicação vai de
outubro a dezembro.
Adicionalmente às suas propriedades fungicidas e inseticidas, o produto apresenta a característica de aumentar o vigor das plantas e sua
produtividade. Isso se deve ao efeito já amplamente difundido do Triadimenol, que proporciona maior enraizamento das plantas, somado
à “força anti-stress” do Imidacloprid, cujo principal produto de degradação é o ácido 6-cloronicotínico, uma molécula com estrutura muito
similar à do ácido salicílico. Este é responsável
por aumentar a tolerância das plantas a
condições de estresse (como excesso ou falta de
água, salinidade do solo e temperaturas baixas
ou altas). Assim, por reconhecerem o ácido 6
cloro-nicotínico como ácido salicílico, as plantas o capturam e manifestam maior tolerância às
condições de estresse. Por isso, além de proteger
o cafeeiro contra doenças e pragas, Premier
Plus, em condições de boas práticas agrícolas,
proporciona incremento da produção.
(faixa azul) e é o único produto do segmento de
fungicidas/inseticidas de solo com registro para
aplicação via gotejamento.
Sphere Max, produzido à base do ingrediente
ativo Trifloxystrobin, apresenta uma formulação SC (suspensão concentrada) muito
particular. Contém micropartículas, que possibilitam maior cobertura da folha e maior
velocidade de absorção pelas plantas. Essas
características tornam o produto uma solução
diferenciada para o controle da ferrugem e da
cercospora, além de proporcionar aumento na
qualidade dos grãos. Ensaios de campo realizados em cafezais de Minas Gerais revelaram
que as áreas tratadas com Sphere Max têm
produzido grãos maiores do que as sob cuidados convencionais e ainda com menor número
de defeitos (grãos verdes, ardidos e pretos).
Sphere Max apresenta classe toxicológica III
(faixa azul) e benefícios quanto ao manuseio e
descarte de embalagem.
Com essas duas inovações, o programa de
tratamento “Muito Mais Café”, da Bayer
CropScience, comprova a veracidade da
equação:
vigor + proteção = produção + qualidade
Marketing - Bayer CropScience
Fonte: P & D, Bayer CropScience, 2008
10 CORREIO
CORREIO 11
Belt* é o inseticida de vanguarda para o controle específico de lepidópteros e
ideal para o manejo integrado de pragas em importantes culturas
Assistimos nos últimos anos a uma impressionante evolução do aproveitamento do
potencial produtivo na maioria das culturas. A cada safra, são superados novos
recordes. Isso possibilita que o Brasil finalmente alcance o status de celeiro do
mundo, o que há muitos anos era considerado assunto distante. Porém, a expressão
plena desse potencial produtivo ainda é
muito ameaçada por agentes biológicos
como pragas, doenças e plantas daninhas.
Defensivos agrícolas inovadores são uma
das formas de enfrentar esses problemas.
Considerando-se o uso de inseticidas como
apenas uma das ferramentas de que o
agricultor dispõe para o controle das pragas,
é desejável que um moderno produto
fitossanitário seja um aliado das demais formas de controle e apto a fazer parte de um
conjunto de práticas de Manejo Integrado
de Pragas (MIP). Para isso, é desejável que
tenha o mínimo impacto possível na fauna
não alvo, representada pelos inimigos naturais das pragas ou insetos benéficos que
colaboram nos processos produtivos.
Por outro lado, a inovação com o desenvolvimento de novas moléculas, com mecanismo
de ação inédito e diferente das classes de
inseticidas tradicionais, também se faz
necessária para controlar pragas que já não
respondem à aplicação de produtos atuais.
A Bayer CropScience desenvolveu um novo
ingrediente ativo que controla lepidópteros
(lagartas) de forma altamente seletiva a
inimigos naturais e com baixo impacto
sobre os organismos benéficos. Essa nova
molécula se chama flubendiamida e, por
apresentar um mecanismo de ação inédito,
surge como o primeiro ingrediente ativo de
uma nova classe de inseticidas.
A flubendiamida liga-se a uma molécula
nas células do inseto que jamais havia sido
o foco do ataque de qualquer defensivo
agrícola. A flubendiamida é, portanto, uma
alternativa importante às substâncias ativas
já existentes, considerando que o mercado
12 CORREIO
Belt*
Nome técnico:
Flubendiamida
Classe química:
Diamidas do ácido ftálico
Formulação:
SC 480
Aplicação:
Pulverização foliar
Mecanismo de ação:
NOVO - Modulador dos receptores de rianodina (canais de Ca+)
Sítio de ação:
NOVO – Membrana muscular do inseto
* em fase de registro
de inseticidas é dominado por diferentes
mecanismos de ação, porém a maioria tem
como alvo a transmissão dos sinais nervosos. Em outras palavras, a introdução de
uma nova classe, com um mecanismo de
ação inédito, expandirá consideravelmente
as opções disponíveis para os agricultores.
A flubendiamida é o primeiro inseticida
pertencente ao “grupo 28” (moduladores de
receptor de rianodina) na classificação por
mecanismo de ação do IRAC (Insecticide
Resistance Action Committee) e, por isso,
um aliado ideal em programas de manejo de
resistência com todas as demais classes de
inseticidas que existem atualmente.
Mecanismo de ação de Inseticidas - Classificação IRAC
Classe química
Carbamatos e Organofosforados
IRAC MOA
1A, 1B
Ingredientes ativos chave
thiodicarbe, methomyl, acephate,
chlorpyrifos, metamidofos, etc
Piretróides
3
deltamethrin, beta-cyfluthrin,
lamdacyhalothrin, cypermethrin, etc
Neonicotinóides
4A
imidacloprid, acetamiprid, etc
Spinosinas
5
spinosade
Ativadores do canal de cloro
6
abamectin, emamectin-benzoate, etc
Benzoiluréias (IGR)
15
triflumuron, novaluron, etc
Diacilhidrazinas (IGR)
18
methoxyfenozide, tebufenozide
Bloqueadores de canais de sódio
22
indoxacarb
Moduladores de receptor de rianodina
28
flubendiamide
(*) IRAC = Insecticide Resistance Action Committee (representado no Brasil pelo IRAC-BR, Comitê Brasileiro
de Ação a Resistência a Inseticidas)
(**) A tabela completa de mecanismos de ação pode ser obtida no site http://www.irac-br.org.br/
CORREIO 13
* Inimigos naturais testados no Brasil, com
seletividade comprovada:
Aracnídeos (aranhas); carabídeos (besouros Lebia concinna e Callida sp); coccinelídeos
(joaninha - Cycloneda sanguinea); dermápteras
(tesourinhas - Doru luteipes e D. lineare);
hemípteros (percevejos - Geocoris sp, Nabis
spp e Podisus spp); himenópteros (formigas,
abelhas, Trichogramma e outros vespídeos).
membrana da fibra
Fibra muscular
(célula muscular)
Filamento
de miosina
Miofibrila
Culturas
Lepidópteros Controlados
Algodão
Lagarta-das-maçãs
Heliothis virescens
Lagarta-militar
Spodoptera frugiperda
Lagarta-das-folhas
Spodoptera eridanea
Curuquerê
Alabama argillacea
Lagarta-do-cartucho
Spodoptera frugiperda
Lagarta-da-soja
Anticarsia gemmatalis
Lagarta-falsa-medideira
Pseudoplusia includens
Lagarta-militar
Spodoptera frugiperda
Broca-pequena-do-tomateiro
Neoleucinodes elegantalis
Traça-do-tomateiro
Tuta absoluta
Milho
Soja
Flubendiamida
Cálcio
Lagarta-das-maçãs
Indicações de uso de Belt
Filamento
de actina
Receptor
rianodina
Tomate
Depósito de cálcio
(retículo sarcoplasmático)
Lagarta-militar
Lagarta-das-folhas
Belt em algodão
Necessidade de novas
moléculas
Nas condições brasileiras, a dificuldade de
controle com inseticidas tem se verificado
em vários lepidópteros como Spodoptera
frugiperda (milho, soja, algodão e outras),
Alabama argillacea (algodão) e Tuta absoluta (tomate). O manejo integrado de pragas e as novas ferramentas químicas são
necessários para controlá-las apropriadamente e garantir a sustentabilidade na produção das culturas. Essas novas moléculas
devem ser usadas em programas de manejo de resistência em rotação com inseticidas que agem em diferentes sítios de ação.
Um novo mecanismo de ação
A flubendiamida age em um sítio de ação
inédito relativamente aos atuais inseticidas em comercialização. A nova substância
(cor amarela) liga-se aos receptores de rianodina nas miofibrilas dos músculos do
inseto. Em conseqüência, grandes quanti14 CORREIO
dades de cálcio fluem do retículo sarcoplasmático (depósito de cálcio) para as
miofibrilas, onde fazem com que os filamentos de miosina (em azul) deslizem
(setas) por entre os filamentos da actina
(em verde). As miofibrilas encurtam-se e
o músculo contrai-se permanentemente.
Com isso, o inseto morre pela contração
muscular irreversível.
Efeito seletivo nos insetos
Além de se diferenciar dos atuais inseticidas do mercado, pelo mecanismo e sítio de
ação, a nova substância é extremamente
eficiente e, mesmo em quantidades muito
pequenas, é efetiva contra insetos-praga.
Igualmente importante é que a flubendiamida é altamente seletiva para insetos
benéficos e não tem efeito sobre vertebrados, inclusive seres humanos.
Com a flubendiamida, a Bayer CropScience
desenvolveu um inseticida que controla
larvas da classe lepidóptera, de forma altamente seletiva para a maioria dos organis-
mos benéficos e inimigos naturais*. Assim
o seu impacto no ambiente fica dirigido
aos alvos de controle, sendo que isso também permite seu uso durante a fase de floração das culturas, sem afetar insetos
polinizadores.
Devido à sua alta seletividade aos inimigos
naturais, a flubendiamida é também uma
excelente ferramenta de MIP (Manejo
Integrado de Pragas), principalmente em
grandes culturas, como algodão, milho e
soja, e em culturas com grande número de
aplicações como o tomate.
Alabama argillacea - Curuquerê
Spodoptera frugiperda - lagarta-militar
Spodoptera eridanea - lagarta-das-folhas
Heliothis virescens - lagarta-das-maçãs
Aplicação com 8 a 10% de plantas infestadas com (Spodoptera + Heliothis), contagem de lagartas
pequenas (< 10 mm) e médias (10 a 15 mm)
Curuquerê
Controle de Heliothis virescens - lagarta-das-maçãs em algodão (%)
Média de 15 ensaios Bayer CropScience / Safra 04/05 - 05/06
Controle de Spodoptera frugiperda - lagarta-militar em algodão (%)
Média de 9 ensaios Bayer CropScience / Safra 04/05 - 05/06
CORREIO 15
Belt* controla todas as
lagartas mais importantes
Importância das lagartas na agricultura brasileira (2004 a 2007)
Em área tratada (1.000 ha) – todas as culturas
Área tratada (1000 ha)
2004
2005
2006
2007
% 2007/2004
Anticarsia gemmatalis
22.330
21.538
25.354
23.756
26
6%
Aphis gossypii
7.047
6.582
6.021
7.120
8
1%
Spodoptera frugiperda
12.879
13.397
13.615
11.059
12
-14%
Anthonomus grandis
3.291
3.691
4.150
6.592
7
100%
Pseudoplusia includens
2.821
3.088
7.384
9.152
10
224%
Nezara viridula
2.971
2.994
4.837
6.730
7
127%
Heteroptera
8.393
8.240
5.622
6.668
7
-21%
Lagartas em geral
8.732
9.608
8.481
8.080
9
-7%
Euschistus heros
1.711
3.652
7.350
5.112
6
199%
Heliothis virescens
2.875
4.360
3.826
3.693
4
28%
Alabama argillacea
2.817
4.172
3.052
3.719
4
32%
Total das 11 principais
75.866
81.322
89.692
91.682
100
21%
Total de lagartas
52.454
56.164
61.712
59.459
65
13%
Fonte: Kleffmann
Pesquisas de mercado, conduzidas anualmente
pela Kleffmann, indicando os principais alvos
das aplicações de inseticidas, segundo informações dos agricultores, mostram a grande
importância da classe lepidóptera nesse ranking. Nada menos que 65% da área tratada por
inseticidas têm como alvo controlar lagartas.
As primeiras posições entre todas as pragasalvo são ocupadas por três espécies: lagartada-soja (Anticarsia gemmatalis), com 26%;
lagarta-militar (Spodoptera frugiperda), com
12%; e lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia
includens), com 10%.
Outra evidência dessas pesquisas é a evolução
de cada praga nas últimas safras (2004 a 2007).
A lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia includens), com aumento de 224%, é a praga de
maior crescimento em área tratada.
Belt em tomate
Broca-pequena
aplicações iniciando na
primeira flor
15 mL/100 L
Belt em soja
Inseticidas seletivos – MIP Bayer para a cultura da soja
Primeiros surtos de Anticarsia
Nível de dano:
40 lagartas pequenas/ pano
ou 30% desfolha
Luiz Weber, Engº Agrº (CREA 220367059-2) Desenvolvimento de Inseticidas Bayer CropScience
Surtos mistos de Anticarsia,
Pseudoplusia e outras lagartas
Nível de dano:
40 lagartas pequenas / pano
ou 15% de desfolha
Tuta absoluta – Traça-do-tomateiro
Neoleucinodes elegantalis – Broca-pequena
Traça-do-tomateiro: iniciar na presença de primeiras mariposas e ovos, intervalo de 4-7 dias.
Broca-pequena: iniciar ao sinal das primeiras flores e presença de insetos adultos na área, fazendo
bateria com 3 aplicações, intervalo de 4-7 dias.
Obs: Para o manejo de resistência, rotacionar com produtos de diferentes mecanismos de ação
Anticarsia gemmatalis – lagarta-da-soja
Pseudoplusia includens – lagarta-falsa-medideira
Spodoptera frugiperda – lagarta-militar
Lagarta-da-soja
Controle de traça-do-tomateiro (Tuta absoluta)
UFG - Goiânia / GO (2005 / 2006)
Controle de Pseudoplusia includens - lagarta-falsa-medideira (%)
Broca-pequena
Falsa-medideira
Média de 5 ensaios Bayer CropScience - Safra 2006 / Aplicação antes da floração (cobertura da soja < 70%)
Fruto com orifício da broca-pequena
Controle de broca-pequena (Neoleucinodes elegantalis)
ESALQ / USP Piracicaba - SP (2004)
Índice de dano foliar por falsa-medideira
em 4 locais (%)
Lagarta-militar
Fruto atacado pela traça-do-tomateiro
Bayer CropScience - Safra 2006
16 CORREIO
CORREIO 17
A doença que provocou
perdas de aproximadamente
metade da produção
brasileira de trigo em 2005
e 2006, sem o emprego de
um controle efetivo, ameaça
avançar ainda mais
O fungo Puccinia triticina, causador da ferrugem-da-folha do trigo, tem evoluído constantemente para superar o efeito dos genes de
resistência existentes nas variedades de trigo
cultivadas no País. Em poucos anos, um grande
número de cultivares perdeu a resistência à
doença, que está disseminada por toda a
América do Sul e é transmitida por esporos
microscópicos transportados por correntes de
vento entre os países da região. Adicionalmente, também é transmitida por meio
de plantas de trigos voluntárias que se desenvolvem após a colheita.
As perdas têm sido muito elevadas. Em 2005 e
2006, a ferrugem-da-folha causou perdas de
55% e 48%, respectivamente, no rendimento de
grãos de trigo (Barcellos, 2007). Por isso, o controle é fundamental. E as principais estratégias
recomendadas para minimizar esses prejuízos
são o cultivo de variedades com resistência
durável e a aplicação eficiente de fungicidas.
Na empresa OR Melhoramento de Sementes,
de Passo Fundo (RS) é realizado o monitoramento e a caracterização das raças de P. triticina, ocorrentes nas regiões tritícolas
brasileiras, por meio de amostragem de inóculo das lavouras. Os germoplasmas de trigo são
avaliados de duas formas:
1) Resistência a raças individuais do fungo, em
fase de primeira folha da planta, sob condições
controladas em casa-de-vegetação.
2) Resistência a mistura de raças (inóculo de
ocorrência natural e de infecções com raças
determinadas), em plantas adultas, no campo e,
em especial, a raças virulentas em plântulas.
A identificação das raças que representam
ameaça à producão do cereal tem contribuído
para o planejamento da lavoura quanto à escolha de cultivar e definição de necessidade ou
não de controle químico referente à ferrugem.
Cultivares
Entre as cultivares de trigo atualmente em produção no Brasil há três tipos principais, em
relação à ferrugem-da-folha:
- Resistentes a todas as raças (exemplo:
Fundacep 30).
- Plantas adultas resistentes no campo (exemplo: Taurum, Pampeano e Alcover), em que a
resistência aumenta no decorrer do ciclo de
desenvolvimento das plantas.
- Suscetíveis em diferentes níveis e altamente
suscetíveis (exemplo: OR1).
No gráfico 1, podem ser comparadas as
reações à ferrugem da folha, em 2007, de cultivares de trigo, na área experimental da OR,
em Coxilha, RS. Além do inóculo natural, raças
que ocorreram em 2006 e anteriormente foram
inoculadas nas plantas avaliadas em 9, 18, 24 e
26 de outubro de 2007. A porcentagem de área
foliar infectada (0 a 100 %) multiplicada pelo
tipo de lesão (R = 0,2; MR = 0,4; MS =0,8 e
S = 1) constituíram o valor do coeficiente de
infecção. Dez folhas de cada cultivar foram
18 CORREIO
Sensibilidade da ferrugem
a fungicidas
Até o presente, o desenvolvimento e o uso de
variedades de trigo resistentes à ferrugem-dafolha têm sido o método preferencial de controle. Porém, devido à variabilidade genética do
patógeno, originando praticamente uma nova
raça a cada safra, o uso de fungicidas é uma
prática eficiente no seu controle. No entanto,
também tem sido difícil manter a efetividade
deste método por longos períodos, uma vez que
o patógeno pode rapidamente desenvolver
novas raças mais virulentas ou pouco sensíveis
a alguns fungicidas.
O uso de fungicidas para o controle de
doenças do trigo teve início na safra de 1976
com o carbamato Mancozebe (Recomendações, 1975). Os triazóis foram introduzidos na safra de 1978 com o fungicida
Triadimefom (Recomendações, 1977).
Portanto, este grupo químico de fungicidas
tem sido usado por 30 anos (safras).
O uso de fungicidas em larga escala, aplicados
numa área de trigo que soma 2,48 milhões de
ha no Brasil (Conab, 2007), às vezes com
Tabela 1 - Ano de primeira detecção e freqüência das raças de Puccinia triticina (ferrugemda-folha de trigo) no Brasil, em 2007. OR Melhoramento de Sementes, Passo Fundo, 2008.
Freqüência (%)
por estado
por raça
PR
SP
Ano
1ª detecção
RS
B55 4002 S*
2007
14
33
6
53
Raça Fundacep*
2007
17
-
-
17
B55
2004
3
9
2
14
Raças
A ferrugem é geneticamente variável e tem
muitos tipos distintos de raças, que diferem na
sua capacidade de infectar plantas de trigo com
genes de resistência. A grande variabilidade tem
permitido que o fungo se adapte a novas cultivares resistentes em curto período de tempo.
Em 2007, foram detectadas duas raças novas –
B55 4002 S e Raça Fundacep (Tabela 1). Já no
primeiro ano de ocorrência, foram as raças
prevalentes. A B55 4002 S foi a mais freqüente
no Brasil, no Paraná e em São Paulo, e a Raça
Fundacep predominou no Rio Grande do Sul,
não tendo sido encontrada em outro Estado.
Ocorreram também, em ordem decrescente de
freqüencia: B55, Raça CD, B49, B56 e B34
(Tabela 2).
As sete raças, quando classificadas conforme
o sistema norte-americano, desdobram-se em
33 fórmulas de avirulência (genes de resistência efetivos)/virulência (genes de resistência
não efetivos). Segundo a classificação norteamericana, a reação expressa por genes
sensíveis a variações ambientais, como
temperatura, é diferencial de raças. De acordo
com o sistema brasileiro (raças B), quando a
variação é dependente do ambiente, agrupa-se
em uma mesma raça.
avaliadas em duas épocas e, em seguida, foi
calculado o CI médio.
Raças
Raça CD*
2005
-
6
3
9
B49
2001
-
3
-
3
B56
2005
-
2
-
2
B34
1989
2
-
-
2
*Denominação provisória
Tabela 2 - Fórmula de avirulência (genes Lr de resistência efetivos)/virulência
(genes Lr de resistência não efetivos) de raças de Puccinia triticina
(ferrugem-da-folha de trigo). OR Melhoramento de Sementes, Passo Fundo, 2008
Raças-Nomenclatura
Brasileira Norte-Americana
Efetivos
Não efetivos
(resistência)
(suscetibilidade)
B34
MCR-RS, 3bg
2a 2c 9 16 17 20 21 24
1 3 3bg 3ka 10 11 14a 14b 18 23 26 30
B49
TFK-CS, 3bg
3ka 9 10 16 18 20 21
1 2a 2c 3 3bg 11 14a 14b 17 23 24 26 30
B55
MFK-MT, 3bg, 27+31 2a 2c 3ka 9 16 18 21
1 3 3bg 10 11 14a 14b 17 20 23 24 26 27 +31 30
B55
4002 S
MFK-MT, 3bg, 27+31, 2a 2c 3ka 9 16 18 21
4002
1 3 3bg 10 11 14a 14b 17 20 23 24 26 27+31 30 4002
B56
MFP-CT, 3bg, 27+31 2a 2c 9 10 11 16 18 21 30 1 3 3bg 3ka 14a 14b 17 20 23 24 26 27+31
Raça CD MDP-MR, 3bg
2a 2c 9 11 16 18 21 26
1 3 3bg 3ka 10 14a 14b 17 20 23 24 30
Raça
MFH-HT, 3bg, 27+31 2a 2c 3ka 9 10 16 17 21 30 1 3 3bg 11 14a 14b 18 20 23 24 26 27+31
Fundacep
CORREIO 19
PROGRAMA MUITO MAIS TRIGO
A Bayer CropScience é a empresa que soma o maior número de ensaios com
as novas raças da ferrugem do trigo. Devido às diferentes raças de ferrugem
e ao grande número de doenças fúngicas na cultura, a exigência de fungicidas para o manejo das doenças é variável de acordo com o cultivar de
trigo. Com base nisso, a Bayer CropScience desenvolveu uma recomendação apropriada para cada cultivar de trigo, as quais foram divididas em
grupos de controle.
Grupo de Cultivares
Gráfico 1 - Coeficiente de infecção médio de ferrugem da folha, em cultivares de
trigo avaliadas em 9, 18, 24 e 26 de outubro de 2007, em Coxilha, RS.
OR Melhoramento de Sementes, Passo Fundo, 2008.
Efeito de diferentes tratamentos no controle da ferrugem-da-folha do trigo,
cultivar Safira, Passo Fundo, RS, 2007.
Testemunha
Testemunha
20 CORREIO
Ciproconazole
Ciproconazole
+ Azoxistrobina
Tebuconazole
Tebuconazole
+ Trifloxistrobina
Epoxiconazole
Epoxiconazole
+ Piraclostrobina
sub-doses ou com várias aplicações no mesmo
ano agrícola, pode contribuir para a seleção
em direção à insensibilidade. Com isso, haverá
uma seleção de isolados ou raças que não mais
serão controláveis pelas doses normais dos
fungicidas envolvidos. Isso já tem sido observado. A partir da safra de trigo de 2005, produtores e técnicos têm constatado deficiências
no controle da ferrugem-da-folha do trigo com
alguns fungicidas tradicionalmente eficazes
para a doença. Caberá às instituições de
pesquisa esclarecer este fato.
Para isso, em experimentos conduzidos em
casa de vegetação, comparou-se a sensibilidade
de três raças de P. triticina aos fungicidas mais
utilizados pelos produtores. As raças testadas
foram a B34, considerada sensível, comparada
com B55, B56 e MDP-MR. Foram avaliados
os fungicidas triazóis (ciproconazole, epoxiconazole e tebuconazole) e estrobilurinas
(azoxistrobina, piraclostrobina e trifloxistrobina). Os produtos, nas doses recomendadas,
foram aplicados preventivamente (24 horas
antes da inoculação), curativamente (72 horas
após a inoculação) e erradicativamente (após o
aparecimento das pústulas) em relação à inoculação das plantas com uredósporos. Os
tratamentos foram avaliados com base na contagem do número de urédias por cm2.
Resultados
A raça B34 se mostra muito sensível aos triazóis, enquanto as B55, B56 e a MDP-MR são
menos sensíveis aos fungicidas.
Na aplicação preventiva, o número médio de
urédias por cm2 variou de 12,4 a 17,2 para a
raça B55; 21,4 a 26,4 para a B56; e 14,6 a 23,8
para a MDP-MR. Nas testemunhas, a média
foi de 15,64, 17,74 e 31,6 para cada raça,
respectivamente.
No tratamento curativo, o número de urédias
variou de 7 a 12 para a raça B55 e de 9 a 13,4,
para a MDP-MR. Na testemunha, variou de
17,6 e 29,4.
Os triazóis apresentaram pouca ou nenhuma
ação sobre a viabilidade dos esporos, mesmo à
raça sensível B34, isso porque, segundo Pontzen
& Scheinpflug (1989), os triazóis não agem na
germinação uma vez que, nesse momento,
ainda não é requerida a síntese de esteróis.
As quatro raças testadas mostraram-se sensíveis às estrobilurinas, independentemente do
momento de aplicação.
1 Aplicação
Grupo I
2 Aplicações
Grupo II
2 Aplicações
Grupo III
RÚSTICO
BRS 220
BRS 208
BRS 177
EMBRAPA 40
BR 18
IPR 85
IPR 118
IPR 110
IAC 373
IAC 375
IAC 376
FUNDACEP 30
ESPIGA
BRS 229
BRS 249
BR 23
BRS TARUMÃ
EMBRAPA 16
CD 105
CD 115
CD 110
IPR 84
IPR 87
RS1 - FÊNIX
MANCHA
BRS 210
BRS 193
BRS TIMBAUVA
BRS GUABIJU
BRS CAMBOATÁ
BRS GUAMIRIM
BRS UMBU
BRS BURITI
BRS GUATAMBU
BRS FIGUEIRA
BRS CANELA
CD 108
CD 113
FUNDACEP 47
PAPMPEANO
VANGUARDA
IAC 364
IAC 24
IAC 350
ALCOVER
FUND. CRISTALINO
FUND. RAÍZES
Ensaio em condições
de campo
Com o objetivo de confirmar os dados conduzidos em casa-de-vegetação, realizou-se um
ensaio em condições de campo na safra de
2007, na área experimental da Universidade de
Passo Fundo. Utilizou-se o cultivar Safira e,
durante o desenvolvimento da cultura, foram
feitas três aplicações dos fungicidas utilizados
em condições controladas e suas respectivas
misturas (ciproconazole + azoxistrobina; epoxiconazole + piraclostrobina; tebuconazole +
trifloxistrobina).
A primeira aplicação foi feita no final do perfilhamento, a segunda na floração e a terceira
no estádio de grão leitoso. A doença foi quantificada com base no número de pústulas/cm2 e
integralizada como área abaixo da curva.
Verificou-se que as menores taxas de progresso
da doença e, conseqüentemente, o melhor controle da ferrugem-da-folha do trigo foram obtidos nas misturas de triazóis com estrobilurinas
(ver fotos com os resultados dos tratamentos na
página 20). Os resultados de campo da safra de
2007/2008 confirmaram os dados obtidos em
casa de vegetação, da menor sensibilidade de P.
triticina aos fungicidas do grupo dos triazóis.
Devido a isso sugere-se, portanto, que fungicidas triazóis não sejam usados isoladamente em
cultivares suscetíveis às raças testadas.
Amarilis L. Barcellos, Engª Agrª (CREA 16.015 –
8ª região); e Dr. pela UFRGS e pelo Cereal Rust
Laboratory, Minnesota, USA e Gisele da Silva
Arduim, Engª Agrª (CREA 128.821-AT) Msc
Fitopatologia pela UFPEL.
3 Aplicações
Grupo IV
3-4 Aplicações
Grupo V
FERRUGEM
BRS 194
BRS LOURO
BRS ANGICO
BRS 179
CD 111
IAPAR 78
IAC 370
NOVA ERA
FUNDCEP 52
FUNDCEP 50
FUNDACEP 51
FUNDACEP 40
CEP 24
CEP 27
BRS 120
MARFIN
QUARTZO
BRS 248
ALTO POTENCIAL
CD 104
ÔNIX
SUPERA
AVANTE
SAFIRA
TAURUM
OR 1
ABALONE
Programa de controle de acordo com o cultivar
Grupo I
Doenças de Espiga
Grupo II
Espiga + Manchas
Grupo III
Manchas foliares
Grupo IV
Ferrugem +Complexo
Grupo V
*
Alto potencial
Início de
perfilhamento
Início de
elongação
Início de
emborrachamento
Início de
floração
Desenvolvimento de Fungicidas - Bayer CropScience
CORREIO 21
Manejo da
Mosca-Branca
requer cuidados especiais
O controle apenas dos adultos da mosca-branca não
tem apresentado o efeito desejado e ainda eleva os
custos de produção, por exigir pulverizações
seqüenciais. A solução mais indicada é o manejo
cultural associado à aplicação de inseticidas com
ação sobre ovos e ninfas, complementada com adulticidas, para quebrar o ciclo da praga nas lavouras
No Brasil a mosca-branca Bemisia tabaci
(Gennadius,1889) é conhecida desde 1923,
infestando plantas daninhas e cultivadas,
sendo considerada importante vetor de
vírus, como o mosaico-dourado-do-feijoeiro. Sua presença foi relatada em
lavouras de algodão, em 1968, no norte do
Paraná. A partir de 1972/73, devido às
condições favoráveis e à grande expansão
da cultura da soja, surgiram elevadas populações de mosca-branca no norte do
Paraná e no sul de São Paulo, além de outras regiões do País (Faria 1988).
Na década de 80, um novo biótipo, caracterizado por ter diversas plantas hospedeiras, e principalmente por sua estreita
associação com a planta ornamental poin-
setia (bico-de-papagaio) Euphorbia pulcherrima Wild, adquiriu enorme importância nos EUA, no Caribe e na América
Central. A partir de 1986, esse biótipo foi
observado causando danos em estufas de
produção de poinsetia na Flórida. Após
detalhados estudos biológicos e caracterização eletroforética, concluiu-se pela
existência de uma nova espécie, então
denominada de Bemisia argentifolii
Bellows & Perring, 1994. Atualmente, essa
espécie tem sido denominada de Bemisia
tabaci biótipo B.
No verão de 1990/91, no Estado de São
Paulo, detectou-se a presença, em altas
populações, de um novo biótipo da moscabranca, possivelmente introduzida da
Europa ou dos Estados Unidos, pela
importação de plantas ornamentais.
Atualmente essa espécie encontra-se disseminada em quase todos os Estados do
Brasil.
A ocorrência de altas populações dessa
praga nas culturas de soja, algodão, feijão
e tomate tem causado prejuízos qualitativos e quantitativos. O aumento de sua
ocorrência está associado principalmente
aos cultivos seqüenciais de culturas hospedeiras da mosca-branca e também à
estratégia de seu controle químico, com
foco na eliminação apenas de adultos.
Atualmente, a mosca-branca vem causando elevados prejuízos nas principais culturas de importância econômica como
soja, algodão, tomate e feijão, nas regiões
Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Danos
A mosca-branca causa danos diretos pela
sucção da seiva, provocando alterações no
desenvolvimento vegetativo e reprodutivo
das plantas. Durante a alimentação, excreta
substâncias açucaradas que cobrem as folhas, resultando no estabelecimento de um
fungo que provoca a formação da fumagina.
O escurecimento da superfície foliar reduz o
processo de fotossíntese, causa murcha e
queda das folhas, antecipando o ciclo da cultura em até 20 dias, dependendo do nível
populacional do inseto. Todo este processo
tem resultado em perdas de rendimento.
Os danos indiretos são ocasionados pela
transmissão de vírus como o da necrose da
haste da soja, o mosaico dourado no feijoeiro, o mosaico no tomateiro e o
amarelão no melão. Conforme o nível populacional da mosca, as perdas de produção
podem atingir 100%.
Dinâmica populacional
no sistema produtivo
Na região Centro-Oeste, o sistema produtivo
é composto de diversas culturas como soja,
tomate, algodão, feijão, milho, sorgo e trigo.
Excetuando as gramíneas, as demais culturas
são hospedeiras da mosca-branca. As épocas
de plantio das culturas e a dinâmica populacional do inseto podem ser visualizadas de
forma esquemática na figura 1. Com o cultivo intensivo das culturas e a oferta constante
de alimentos, a população da mosca-branca
mantém elevado nível populacional, causando danos diretos e indiretos. Essa alta
densidade populacional, nas diferentes épocas
de cultivo, tem sido responsável pela infestação da mosca desde a fase inicial de desenvolvimento da cultura.
As condições climáticas também influenciam
o desenvolvimento populacional dessa praga.
Em períodos de estiagem, seu crescimento
populacional pode ser acelerado, atingindo
níveis que causam danos consideráveis à produção. Já em condições de ocorrência de chuvas intermitentes, seu crescimento populacional pode ser menor, devido à temperatura
mais amena e ao alongamento do seu ciclo de
vida. Durante o ano, em condições de altas
temperaturas, é possível a ocorrência de 11 a
15 gerações do inseto.
Antes da irrigação por pivô central, o plantio
das culturas era realizado principalmente no
período das chuvas (outubro/novembro) e, em
segunda safra (safrinha), em janeiro e fevereiro.
A colheita encerrava-se nos meses de abril e
maio. Entre os meses de maio e outubro, período sem precipitação e sem cultivos, a população de mosca-branca diminuía pela falta de
plantas hospedeiras para o seu desenvolvimento. Assim, na implantação da nova safra em
outubro, o nível populacional inicial do inseto
era baixo. Essa população atingia níveis elevados em fevereiro e março, época em que a cultura do feijão sofria as maiores perdas devido à
transmissão do mosaico dourado.
Depois da adoção da irrigação por pivô central,
houve uma ampliação nas épocas de plantio
das culturas. Assim, na safra de verão, quando
a lavoura de soja entra na fase de maturação, a
população de mosca-branca desenvolvida na
safrinha e no inverno começa a migrar, colonizando as culturas em desenvolvimento. Da
mesma forma, a coincidência entre a colheita
do feijão e do tomate com o início do desenvolvimento da soja propicia as condições para
um novo ciclo da cultura com alta população e
da praga.
Manejo
Diversas práticas podem ser utilizadas visando
ao controle da mosca-branca. Entre as medidas
de maior efetividade, estabelecidas por
instruções normativas (IN) dos órgãos oficiais,
estão: regulamentação das épocas de plantio;
eliminação de plantas voluntárias (tigüera) e
restos culturais, objetivando diminuir a oferta
de alimentos, e manter baixa a população da
praga. A instrução normativa para a cultura da
soja tem como principal objetivo a prevenção
da ferrugem-asiática. Para o algodão, o alvo é o
bicudo. E para o tomate, a mosca-branca.
Embora as INs tenham diferentes alvos, a sua
implementação tem atuado de forma sinérgica
no manejo do inseto.
A limitação da época de plantio visa a reduzir
a oferta de alimentos para a mosca-branca.
Com essa prática, existe maior flexibilidade
quanto à implantação de novos plantios, após o
encerramento da colheita das culturas antecedentes. Na prática, o cultivo intensivo propicia a sobreposição de culturas em diferentes
estádios de desenvolvimento, principalmente
entre a fase de maturação e a de implantação de
uma nova cultura, quando a mosca-branca
migra das culturas em fase de colheita para as
em início de desenvolvimento.
A eliminação de restos culturais deve ser
uma prática imediata à colheita, por meios
químicos ou físicos. Com isso, elimina-se a
mosca-branca, evitando-se a infestação de
cultivos subseqüentes.
No processo de colheita da soja e do feijão, há
um percentual de perda de grãos que promovem a emergência de plantas. Essas plantas
voluntárias (tigüera) podem constituir-se em
uma fonte permanente de manutenção da
população da praga. Sua eliminação é fundamental, pois reduz a oferta de alimentos e a
multiplicação da mosca nesse ambiente.
Em propriedades que adotam o sistema de
plantio direto, recomenda-se a realização de
amostragens em plantas daninhas, visando
determinar o nível populacional da mosca
branca. Detectando-se a ocorrência de altas
populações do inseto, o produtor deve tomar
medidas preventivas como a realização da
dessecação, deixando a área em pousio (duas
semanas) antes da semeadura. Em caso de
semeadura imediata após a dessecação das
plantas daninhas, recomenda-se a aplicação de
um inseticida na área de plantio para o controle
de adultos da mosca-branca, antes da emergência das plantas.
Massaru Yokoyama – Entomologista - Embrapa
Arroz e Feijão
Figura 1 - Épocas de cultivo e dinâmica populacional da mosca-branca
Mês Set
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Soja
Soja
(Tigüera)
Algodão
Vazio sanitário
(Restos culturais)
Algodão
(Restos culturais)
Tomate estaqueado
Tomate industrial
(TI - Vazio sanitário)
Tomate
Feijão
Feijão
Feijão
24 CORREIO
Feijão
CONTROLE QUÍMICO COMO PARTE DO
MANEJO INTEGRADO DA MOSCA-BRANCA
O controle químico da mosca-branca é mais
efetivo quando fizer parte do manejo integrado de pragas (MIP), de acordo com as
recomendações apresentadas a seguir, que
levam em conta também as diferenças entre
tratamentos de sementes e de mudas e pulverizações
Manejo preventivo
na fase inicial mais propensa a infeccções
por viroses, com inseticidas que auxiliem no
controle de adultos e ninfas.
Manejo de populações
estabelecidas
• Em culturas extensivas de soja e algodão,
com infestação de mosca-branca já instalada,
são necessárias duas aplicações com inseticidas com ação sobre ovos, ninfas e adultos,
visando à quebra do ciclo da praga na
lavoura. As aplicações visando apenas ao
controle de adultos são importantes, porém
têm resultados limitados nessa situação.
Desenvolvimento de Inseticidas - Bayer CropScience
• Tratamento de sementes de feijão com
Gaucho 600 SC.
• Tratamento de mudas de hortaliças via
drench com Confidor 700 WG, em culturas
suscetíveis a viroses, protegendo na fase inicial (tomate). O controle de adultos
migrantes reduz a postura de ovos e o desenvolvimento de ninfas e, conseqüentemente, o
número de plantas com sintomas de viroses.
Inseticida (Ativo)
Modo de uso
Gaucho (Imidacloprid)
Tratamento de semente Sistêmico
Adultos
Confidor (Imidacloprid)
Tratamento de mudas
Sistêmico
Adultos
Provado (Imidacloprid)
Pulverização
Contato e sistêmico
Adultos
Connect (Imidacloprid
+Betacyflutrin)
Pulverização
Contato e sistêmico
Adultos e ninfas
Manejo complementar
Oberon (Spiromesifen)
Pulverização
Contato e translaminar Ovos, ninfas e
fecundidade de fêmeas
• Para culturas submetidas ao tratamento
tanto de sementes quanto de mudas, são
necessárias pulverizações complementares,
A utilização de Connect e Oberon em programas de manejo da mosca-branca controla todas as fases do ciclo
de vida da praga, interrompendo-o após duas aplicações.
Soluções da Bayer CropScience para o manejo da mosca-branca
Modo de ação
Fase do ciclo em que atua
CORREIO 25
Tecnologias de aplicação apropriadas propiciam a eficácia
dos ingredientes ativos utilizados no tratamento de sementes
Durante anos, os produtores de arroz colombianos vinham buscando uma forma viável
de proteger suas sementes. A Bayer
CropScience oferecia produtos de primeira
qualidade para esse fim, mas os orizicultores
não conseguiam utilizá-los da melhor
maneira, pois careciam de uma tecnologia de
aplicação adequada. Em 2006, o responsável
pela Bayer CropScience na Colômbia
reuniu-se com profissionais de outros países
especializados nessa área e tomou conhecimento das unidades móveis de tratamento
utilizadas pela empresa na Austrália e na
África do Sul. Bem impressionado com esse
conceito, consultou os especialistas em tratamento de sementes da matriz da Bayer
CropScience e, em conjunto, adaptaram essa
solução móvel às condições da Colômbia.
Assim, a partir da safra seguinte, duas
unidades móveis deram apoio aos orizicultores desse país.
Esse é um exemplo de como a Bayer
CropScience, com mais de um século de
experiência no campo, uma rede de serviços
internacionais e somando contínuos avanços
tecnológicos, oferece soluções sob medida
aos seus clientes em todo o mundo.
No tratamento de sementes, os requisitos tecnológicos variam de acordo com a cultura e
as condições locais de produção e comercialização. Em escala global, são as empresas de
sementes ou as empresas agrícolas que tratam
as sementes, mas, em algumas partes do
mundo, a infra-estrutura ainda não permite
26 CORREIO
um tratamento centralizado. Os especialistas
em tratamento de sementes da Bayer
CropScience atendem a clientes distintos:
desde grandes empresas, que abastecem o
mercado internacional, até agricultores individuais. Uma rede global com cerca de 100
especialistas oferece muito mais do que simples produtos: proporciona assessoria, treinamento e assistência tecnológica.
STAC: o centro
de conhecimento
Nessa rede mundial, o Centro de Aplicações
de Tratamento de Sementes (STAC), instalado
em Monheim, na Alemanha, atua como um
centro de conhecimento. Seus engenheiros
transmitem os avanços dessa tecnologia tanto
aos responsáveis por essa área nas subsidiárias da Bayer CropScience quanto a seus
principais clientes. Cerca de 600 profissionais, tanto da empresa quanto terceiros, visitam o centro a cada ano. Além disso, os técnicos do STAC avaliam continuamente o
maquinário e os produtos próprios para o
tratamento de sementes e projetam novos
métodos de avaliação. Para os clientes, esses
especialistas desenvolvem soluções sob
medida, tanto para a formulação e mistura de
produtos quanto para o desenvolvimento de
equipamento técnico.
“Oferecemos soluções completas: nossos
clientes adquirem com o produto o knowhow e o serviço”, afirma Hans-Friedrich
Schnier, diretor do STAC. “Assim podemos
fornecer o suporte apropriado aos nossos
produtos”, conclui. Uma visita ao STAC
ajuda a entender a complexidade que cerca a
tecnologia de sementes. Suas instalações
estão repletas de máquinas para tratamento,
algumas conectadas a sofisticados sistemas
de operação. Há dispositivos de ensacamento, balanças e outros equipamentos, sacos de
sementes, produtos e adjuvantes para o tratamento de sementes, além de amostras de
sementes de todas as cores, tamanhos, formas e qualidades.
tratadas: quanto maior for, maior será a
quantidade ensacada no mesmo período de
tempo e, portanto, maior o rendimento. A
fluidez, junto com a capacidade de distribuição e retenção dos produtos fitossanitários nas sementes, pode ser melhorada com
as chamadas películas de revestimento. Os
produtos para esse fim formam sobre a
superfície da semente uma fina película, permeável ao ar e à água, que não só facilita o
manejo, mas também protege os operadores
do contato direto com os ingredientes ativos
durante o tratamento e proporciona uma
semeadura de precisão.
Qualidade
Cinco fatores determinam a qualidade do
tratamento: as sementes, o equipamento, o
produto, a formulação e o processo de aplicação. Os esforços de desenvolvimento do
STAC concentram-se nos três últimos. “Que
estabilidade tem a formulação de um produto? Que poder de aderência às sementes ele
tem? Forma espuma durante o tratamento,
mancha as partes metálicas do equipamento
aplicador? Qual a fluidez das sementes
tratadas? Essas são dúvidas típicas que
temos que resolver com nossos estudos”,
explica Schnier.
O tratamento de sementes é atividade de
temporada, freqüentemente limitada a apenas algumas semanas por ano. Por isso, os
produtores de sementes estão especialmente
interessados no grau de fluidez das sementes
Muitas opções
de revestimento
Quando se trata de películas de revestimento,
a Bayer CropScience pode recorrer a um
fornecedor interno: a Cérès Seed Technology,
sediada na França, que é controlada pela
empresa e acumula mais de 60 anos de experiência. Os laboratórios da Cérès desenvolveram uma grande quantidade de revestimentos, específicos para as necessidades de
cada cultura em particular. A peletização é
um dos pilares da sua experiência – com isso,
as sementes adquirem uniformidade em
tamanho, forma e peso, mesmo que sejam
irregulares como as de beterraba açucareira,
o que assegura uma semeadura de precisão.
Essas películas – desinfetantes, de revestimento, corantes e, às vezes, fertilizantes –
não devem ser um obstáculo à germinação e
ao desenvolvimento da plântula. Essa é outra
característica observada nos ensaios conduzidos pela Bayer CropScience. Ao mesmo
tempo, avaliam em campo o desempenho da
semeadura e a efetividade da dose de aplicação do tratamento. A ação dos produtos
para o tratamento de sementes depende, basicamente, da eficácia de seus ingredientes
ativos, da precisão da tecnologia de aplicação e da distribuição homogênea do produto sobre a superfície da semente.
No STAC, os engenheiros examinam a distribuição do produto e a carga de sementes
sob as diferentes condições tecnológicas de
aplicação. “Para aplicar inseticidas sistêmicos de alto valor, como Gaucho® ou o
Poncho®, recomendamos o uso de um
equipamento de tratamento de lotes que
garanta a aplicação da dose e a distribuição
corretas do produto em cada semente”, explica Heins-Friedrich Schnier. Em um equipamento desse tipo, pulveriza-se uma quantidade pré-determinada de produto sobre um
lote de sementes, que gira em uma câmara de
mistura. Os equipamentos para tratamento
contínuo, por sua vez, aplicam o produto
sobre as sementes, que são misturadas por
meio de uma “rosca sem-fim”. A vantagem
das máquinas contínuas está em seu custo
inicial mais baixo, mas não são tão flexíveis
como as que tratam lotes, pois estas são
projetadas para lidar com tipos específicos
de semente.
Soluções sob medida
Se algum cliente da Bayer CropScience pretende adquirir novas máquinas, pode contar
com a assessoria dos especialistas do STAC.
Com base na experiência de avaliar em
primeira mão as máquinas dos principais
fabricantes mundiais (entre as quais a
Gustafson, subsidiária da Bayer CropScience
nos EUA), os técnicos do STAC estão capacitados a propor a solução mais adequada a
cada situação, levando em conta os tipos de
semente e o produto que o cliente pretende
utilizar. Para prestar esse serviço, HeinzFriedrich Schnier e seus colaboradores viajam com freqüência para visitar seus clientes
em seus próprios países. Recentemente, viajaram à Argentina, ao Quênia e ao México.
Os especialistas do STAC estão disponíveis
para esse tipo de visita sempre que uma subsidiária da Bayer CropScience necessita
responder diretamente às exigências de um
cliente, o que é habitual em países menores
ou no caso de projetos muito complexos. “A
tecnologia evolui rapidamente e o tratamento
de sementes não é exceção”, diz Schnier.
“Atualmente, há equipamentos para tratamento de lotes que são muito sofisticados e
podem lidar com até 12 produtos diferentes e
diversas classes de sementes.” Essas
máquinas são muito sensíveis e devem ser
operadas por especialistas em tecnologia de
aplicação. No outro extremo, os clientes de
regiões remotas sem fornecimento estável de
CORREIO 27
O Centro de Aplicações para o Tratamento de Sementes (STAC) opera como centro de conhecimento e oferece soluções completas aos nossos clientes
energia elétrica podem necessitar de um
equipamento robusto e extremamente simples. O STAC sempre pode ajudar, projetando equipamentos adequados a cada condição.
Rede mundial
Em muitos casos, graças ao seu nível de
capacitação técnica, os responsáveis locais
pelo tratamento de sementes e as equipes de
vendas especializados na área podem atender
sozinhos as necessidades dos clientes. Para
manter esse nível de atendimento, duas a três
vezes ao ano, o STAC convida os responsáveis por esses produtos em suas subsidiárias a participarem de treinamentos em
Monheim, que, além de transmitir conhecimentos, cumprem uma função essencial,
conforme assinala Heins-Friedrich Schnier:
“Durante os treinamentos, a rede mundial de
tratamento de sementes da Bayer CropScience
se consolida graças ao intercâmbio de idéias
e experiências entre os colegas vindos de
todo o mundo.”
Foi justamente desse intercâmbio de idéias
que surgiu a solução para o tratamento
de sementes dos
28 CORREIO
produtores colombianos de arroz. Em 2004,
a Bayer CropScience da Austrália desenvolveu para grandes agricultores um equipamento móvel de tratamento de sementes.
Dois anos mais tarde, a África do Sul desenvolveu uma solução semelhante, que teve
grande aceitação entre os produtores de
milho, tanto que a Bayer CropScience já
decidiu expandir o número de unidades
móveis nesse país. No mesmo sentido, a
organização nacional colombiana que reúne
os produtores de arroz fez um pedido de
equipamentos similares aos utilizados na
África do Sul, porém adaptados às necessidades dos orizicultores.
No Brasil, tradição
e inovação
No Brasil, a Bayer CropScience é líder no
mercado de tratamento de sementes –
condição conquistada por sua tradição e
capacidade de inovação. Tradição por ser a
primeira empresa em uma série de indicações, como o uso de fungicidas triazóis em
tratamento de sementes de trigo. E inovação
que pode ser medida em produtos como
CropStar, inseticida para o tratamento de
sementes lançado para a cultura do milho,
cujo registro será estendido para uma série de
importantes culturas. CropStar é o único produto no mercado que controla conjuntamente
percevejo e lagarta-do-cartucho no milho.
Na área de fungicidas, Atento é a mais recente
inovação que a empresa disponibilizou à agricultura brasileira. É o primeiro fungicida para
uso em tratamento de sementes que se destina
ao manejo da ferrugem-da-soja.
Esses são dois exemplos recentes de produtos desenvolvidos pela Bayer CropScience
no Brasil, os quais valorizam ainda mais a
capacidade da empresa de atender demandas
diferenciadas da agricultura.
Matéria extraída e adaptada do “Courier” 2/07, –
Bayer CropScience AG
DANOS E CONTROLE DOS CUPINS-PRAGA
Para prevenir danos à
qualidade da produção
florestal e à sua
produtividade, é necessário
controlar os cupins, o que
deve ser feito com produtos
com prolongada ação de
proteção, baixo impacto
ambiental e que sejam
fitocompatíveis às mudas
O setor florestal brasileiro vem se expandindo rapidamente nos últimos anos, principalmente com plantações de espécies híbridas
de eucalipto. Atualmente, há aproximadamente 3,5 milhões de hectares de eucalipto e
planta-se em torno de 500 mil hectares por
ano, entre áreas novas e de reforma. Os projetos de expansão da base florestal estão
localizados principalmente no Rio Grande
do Sul, na Bahia e em Mato Grosso do Sul,
além de São Paulo e Minas Gerais. São
baseados no plantio clonal de híbridos de
eucalipto, para produção de madeira para
diversos fins, como papel e celulose, chapas
de fibra, carvão vegetal para siderurgia, serraria e lenha utilizada na secagem de grãos.
As plantações de eucalipto sofrem o ataque
de pragas durante todo seu ciclo de crescimento, que é de seis a sete anos. Depois das
formigas cortadeiras, os cupins são considerados como as pragas principais, sendo
que o primeiro registro desse ataque foi feito
em 1908, na região de Guatapará, SP.
Cupins
Os cupins ou térmitas (ordem Isoptera) são
insetos daninhos para várias culturas agrícolas, como cana-de-açúcar, arroz, pastagens e
espécies florestais como eucalipto e Pinus. De
aproximadamente 2.800 espécies existentes
no mundo, 291 ocorrem no Brasil e, desse
total, menos de 10% podem ser consideradas
pragas (Valério et al., 2004). A maioria das
espécies de cupins é benéfica. Agem principalmente como decompositores, acelerando a
degradação dos tocos das árvores e da serrapilheira das florestas. O principal alimento
dos cupins é a celulose, presente em troncos,
galhos e ramos caídos, folhas secas, sementes
e no esterco de animais ruminantes. Entretanto, há espécies que atacam plantas vivas,
alimentando-se das raízes, da casca do caule e
até de folhas verdes.
As espécies consideradas pragas para a cultura do eucalipto são os cupins-de-montículo (Cornitermes cumulans e C. bequaerti), o
CORREIO 29
sete dias, dependendo de sua idade e do teor
de umidade do solo.
Outro dano é o anelamento do caule das mudas,
causado por S. nanus, que tem o hábito de forragear na superfície do solo à noite e pode retirar a casca das mudas, sem afetar as raízes.
Muitas vezes, o dano às raízes é parcial, não
causando a morte das mudas. A destruição parcial do sistema radicular pode atrasar o crescimento e comprometer a sustentação da futura
árvore, levando ao tombamento de plantas com
um a dois anos. A mortalidade de 20% das
mudas pode causar uma redução de 48 m3/ha,
equivalente a R$ 1.920,00/ha a preços do
primeiro semestre de 2008.
Controle
cupim-anelador (Syntermes nanus, também
conhecido como S. molestus) e o cupim-docerne (Coptotermes testaceus).
Apesar de haver relatos de danos de cupins em
plantios de eucalipto na região Sul do Brasil,
a importância dessa praga é maior nas regiões
Sudeste e Centro-Oeste, principalmente nos
estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás,
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Cornitermes cumulans
Dano na raíz causado por Cornitermes
30 CORREIO
Danos
As espécies C. cumulans, C. bequaerti e S.
nanus são chamadas de “cupins das mudas”.
São problema para plantios de eucalipto
entre um e seis meses de idade. Já o cupimdo-cerne ataca árvores de eucalipto a partir
de cinco anos de idade, deixando-as ocas.
Os cupins das mudas cortam as raízes e as
radicelas das mudas de eucalipto, retirando a
casca das raízes principais, danos conhecidos
por descortiçamento do “pião”. As mudas
atacadas por cupins ficam com as folhas
avermelhadas e, em seguida, murcham e
secam. Sua morte pode demorar de três a
A estratégia de controle é baseada no estabelecimento de uma barreira de proteção ao
redor da muda. Essa barreira pode ser física
ou química. A barreira física é pouco usada
devido ao alto custo e à impossibilidade de
sua remoção posterior. A barreira química,
com uso de inseticidas, é o método mais utilizado nos reflorestamentos.
Para os cupins das mudas, a melhor forma de
controle é o tratamento preventivo das
mudas, por meio de sua imersão em solução
inseticida. Com a utilização de tubetes plásticos na formação de mudas de eucalipto, o
tratamento por imersão foi amplamente
difundido. As principais vantagens desse
método são alto rendimento no tratamento
das mudas e redução dos custos da operação
de controle. A desvantagem é que a área da
barreira química é bem menor, restringindose apenas ao substrato tratado.
As empresas florestais brasileiras desenvolveram diferentes sistemas de tratamento
das mudas, podendo ser realizados no viveiro
florestal, onde se tem melhor controle da
aplicação e menor desperdício do produto,
ou no campo, com tanques móveis, onde é
feita a aplicação apenas na quantidade exata
de mudas a serem plantadas.
Um bom cupinicida devem ter ação residual
prolongada, proporcionando controle por até
seis meses após o tratamento, não causar
fitotoxicidade às mudas e apresentar baixa
periculosidade ambiental, devido às exigências dos sistemas de certificação florestal.
Dentre os produtos utilizados para o tratamento das mudas, o Imidacloprid (CONFIDOR 700 WG) tem se mostrado eficiente no
controle dos cupins das raízes e do cupim
anelador, e atende aos requisitos da certificação florestal.
NOVO HERBICIDA PRÉ-EMERGENTE
PARA CULTURAS DE PINUS E EUCALIPTO
O controle de plantas daninhas em áreas florestais de pinus e eucalipto é fundamental
para sua instalação e manutenção. A utilização de herbicidas eficazes no controle de
plantas daninhas que não afetem o meio ambiente e que sejam seguros ao aplicador é de
essencial importância. Ante essa necessidade,
a Bayer Environmental Science iniciou em
2002 suas pesquisas para desenvolvimento do
herbicida pré-emergente Fordor 750WG, à
base do ingrediente ativo Isoxaflutole, que
obteve seu registro em 2004.
O sucesso foi imediato. Ao final de 2007, já
haviam sido tratados com o produto 330 mil
hectares de florestas, correspondendo a 66%
das áreas plantadas com pinus e eucalipto no
Brasil. Esse êxito se deve a ensaios de campo
realizados em áreas de empresas florestais
antes do seu lançamento, sua seletividade
total e sua versatilidade .
Um fator que comprova a versatilidade do
produto é a possibilidade de ser aplicado nos
meses que antecedem as chuvas (a partir da
segunda quinzena de julho até o início das
primeiras chuvas em setembro). Isso faz com
que sua aplicação seja viável o ano inteiro,
facilitando o controle das plantas daninhas
no período chuvoso. Essa característica,
observada pelas empresas florestais, tornou o
Fordor 750WG padrão em sua categoria.
Com o objetivo de provar cientificamente
essa característica, a Bayer Environmental
Science desenvolveu um trabalho em conjunto com a Escola Superior de Agricultura Luiz
de Queiroz da Universidade de São Paulo,
com a supervisão do Prof. Pedro Jacob
Christoffoleti, livre docente do Departamento de Produção Vegetal - Área de Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. O trabalho visava a avaliar o efeito de períodos de
seca sobre a eficiência do herbicida para a
planta daninha capim-braquiária (Brachiaria
decumbens), na cultura de eucalipto, em área
comercial da empresa Duratex, no município
de Piratininga, SP, de julho a dezembro de
2007. Os tratamentos utilizados estão descritos
Tabela 1. Tratamentos utilizados no controle de capim-braquiária
(Brachiaria decumbens) - Piratininga, SP. 2007.
Tratamentos
Data de aplicação
1. Testemunha
-
2. Fordor
30 de julho
3. Testemunha
-
4. Fordor
30 de agosto
5. Testemunha
-
6. Fordor
30 de setembro
1
Dose do herbicida
p.c. 1 (g ha-1)
i.a.2 (g ha-1)
-
-
200
150
-
-
200
150
-
-
200
150
p.c. = produto comercial; 2 i.a.= ingrediente ativo.
Tabela 2. Resultados de controle de capim-braquiária (Brachiaria decumbens),
aos 30, 60, e 90 DAT (dias após aplicação). Piratininga, SP 2007.
Dose do herbicida
Brachiaria decumbens (BRADC)
Tratamentos
Avaliações de eficácia (%)
(data aplicação)
p.c.(1) (g ha-1)
30 DAT (2)
60 DAT
90 DAT
1. Testemunha (30/07/2007)
0,0 b
0,0 b
0,0b
2. Fordor (30/07/2007)
200
95,0 a
92,5 a
87,5a
Plantas daninhas/m2 (3)
82
90
102
3. Testemunha (30/08/2007)
0,0 b
0,0 b
0,0b
4. Fordor (30/08/2007)
200
96,75 a
92,5 a
85,0a
Plantas daninhas/m2 (3)
32
45
49
5. Testemunha (30/09/2007)
0,0 b
0,0 b
0,0b
6. Fordor (30/09/2007)
200
92,5 a
90,0 a
82,5a
Plantas daninhas/m2 (3)
56
59
65
DMS (4)
4,51
5,68
5,79
(1)
produto comercial; (2) dias após a aplicação dos tratamentos herbicidas; (3) plantas daninhas por metro
quadrado (média); (4) diferença mínima significativa.
na tabela 1 e foram aplicados em faixa de 1
metro com pulverizador costal manual, trabalhando à pressão constante de 2,0 bar, pressurizado com CO2, equipado com quatro bicos
tipo leque XR 11002, espaçados a 0,5 m.
As avaliações de eficácia de controle foram efetuadas aos 30, 60 e 90 dias após a aplicação dos
tratamentos. Nas condições em que o trabalho
foi conduzido, pode-se observar na Tabela 2 que
o herbicida isoxaflutole resiste ao período de
seca, sendo eficaz no controle da planta daninha capim-braquiária (Brachiaria decumbens).
Bayer Environmental Science
Prof. Carlos F. Wilcken, Engº Agrº (CREA nº
169.657 – SP) – Departamento de Produção
Vegetal - FCA/UNESP – Campus de Botucatu
CORREIO 31
Mecanismo de ação de Soberan
Tembotrione, o ingrediente ativo do herbicida
Soberan, atua no processo metabólico das plantas
daninhas, inibindo a atividade da enzima 4 hidroxifenil-piruvato-dioxigenase (4 HPPD), mecanismo
de ação que apresenta baixo risco de desenvolvimento de resistência. Pelo bloqueio dessa enzima,
a formação de carotenóides (pigmentos vegetais) é
interrompida e, em conseqüência, a clorofila responsável pela fotossíntese - perde a sua proteção contra a luz e sofre foto-oxidação, resultando no albinismo dos tecidos fotossintéticos. No
campo, os sintomas da ação do Tembotrione
("branqueamento") rapidamente se tornam visíveis
e o pleno controle das plantas daninhas poderá ser
visto poucos dias após a aplicação.
www.bayercropscience.com.br