diarioinsular
segunda-feira | 08.set.08
suplemento automóvel
mOTOR I
| coordenação jorge silva | nº. 56
Acelerador
Estamos de volta, depois de umas férias retemperadoras e bem necessárias, e nada como recomeçar com a reportagem de
uma grande prova como
foi o trigésimo Rali Ilha Lilás. Os trinta anos de ralis
oficiais na Terceira tiveram
direito a uma festa condigna, e na estrada o público
pôde assistir à consagração de Ricardo Moura
como o campeão do futuro. Uma exibição perfeita
do piloto micaelense que
já conquistou o coração
dos terceirenses colocou-o
em igualdade pontual com
Fernando Peres à partida
para a última prova, deixando para o Rali da Lagoa a responsabilidade de
decidir o título em 2008.
Correspondendo ao que
se previa, a meteorologia
deu uma ajuda preciosa à
emotividade da competição, deixando espaço na
sexta-feira para um banho
de multidão nas ruas de
Angra e baralhando por
completo as escolhas de
pneus no sábado, algo que
se viria a revelar crucial no
desempenho de algumas
equipas. Além de Ricardo
Moura, o rali serviu também para vermos óptimas
exibições de outros pilotos, com os terceirenses
em natural destaque. Se
Gustavo Louro está sem
o ritmo de outros tempos,
Ricardo Carmo está mais
maduro e consistente, explorando o bom carro que
tem, enquanto Nuno Rocha voltou a demonstrar
que só lhe falta um apoio
condizente para ser candidato a vitórias. Pela segunda vez consecutiva, recebeu o carro na véspera do
rali, preparou aquilo que
foi possível, e obteve mais
um grande resultado ao
volante de um carro que, a
bem dizer, desconhece.
Destaque merecido também para os jovens lobos,
com Artur Silva à cabeça.
A rapidez está lá, e a consistência também, tendo
ficado no ar a ideia de que,
sem o azar da manhã de
sábado, poderia ter disputado a vitória na F3. Nota
muito positiva também
para Bruno Amaral, rápido
e espectacular, e para Henrique Moniz, Paulo Santos
e Fábio Fontes. O futuro
já está presente, e anda depressa!
XXX Rali ilha lilás relançou o campeonato
Ricardo Moura brilhou,
Fernando Peres furou!
A exibição de Ricardo Moura na celebração dos trinta anos de ralis na Terceira roçou a perfeição, e
os candidatos ao título partem empatados para o último rali da temporada |02 e 03
fotografia rodrigo bento |DI
XXX Lilás - vsh
suzuki kingquad 450
veitou da melhor forma as
desistências de Marco Pin- Diversão para
Marco Sousa
to e Cláudio Cabral para gavenceu e pode
dois numa
rantir uma vitória saboroser campeão
sa e merecida,com vitórias moto para todos
em oito das onze classificaDepois de um começo em tivas do rali. Agora é “só” As motos de quatro rodas
que se destacou pela regu- ir ao Rali da Lagoa e ten- são cada vez mais procularidade,Marco Sousa apro- tar ser campeão... |03
radas, mas muitos modelos
são apenas homologados
para o condutor,não permitindo o transporte de passageiros.Atenta a isso, a Suzuki apresenta uma proposta para desfrutar a dois do
prazer dos maus caminhos,
com a facilidade de condução a destacar-se. |04
diarioinsular
II motor
segunda-feira | 08.set.08
Ricardo Moura venceu XXX Rali Ilha Lilás com todo o mérito
O Príncipe Perfeito
fotografia rodrigo bento |DI
Tantas vezes azarado, Ricardo
Moura teve na Terceira dois dias
de sonho, e alcançou Fernando
Peres no comando do campeonato.
Sexta-feira
O dia até acordou mal disposto e rezingão,mas à medida
que as horas foram passando
foi voltando a boa disposição,
e quando Fernando Peres se
fez à estrada já todos tinham
percebido que a chuva não iria
estragar a festa a ninguém. Público aos milhares, mas alguns
ficaram em casa com medo
das pinguinhas, e esses nunca
poderão dizer que estavam no
Litoral quando Peres retirou
nove segundos ao recorde
da classificativa, que estava na
posse de Horácio Franco há
já alguns anos…
O campeão entrou a matar,
já se vê, mas Ricardo Moura e
Gustavo Louro (que também
bateram o anterior recorde)
não estavam pelos ajustes e
colocavam-se à distância de
uma mudança mal metida,prometendo luta. Sem surpresa
para quem já o conhece,Nuno
Rocha era quarto, levando
atrás de si Carlos Costa e
um surpreendente Ricardo
Pereira, a fazer maravilhas
com o Skoda Fabia TDI e
a deixar para trás Ricardo
Carmo. Costa colocava o
Saxo S1600 na liderança da
Fórmula 3, com Sérgio Silva
e Artur Silva a ocuparem os
restantes lugares do primeiro pódio, enquanto Marco
Veredas e Fernando Meneses
entravam talvez demasiado
cautelosos. Verdadeiramente
espectaculares no Porto das
Pipas foram Ricardo Moura e,
principalmente,Rui Moniz,que
deu show a valer mas pagou
no cronómetro…
Como de costume, o
Litoral fez “vítimas”, e Nuno
Cintra nem saiu do parque de
assistências, vencendo desde
logo o campeonato do azar,
mas Toni Ortins e Augusto
Ferreira ficavam na primeira
passagem,ambos por despiste,
com Augusto e Marlene Ferreira a passarem um enorme
susto já com a meta à vista,
obrigando mesmo ao internamento da navegadora.
A passagem nocturna pelas
Veredas trouxe um dado novo
para a luta,pois Ricardo Moura
passou da teoria à prática e
“deu” 2.5s a Peres, roubandolhe a liderança por oito décimos de segundo. O líder dos
Mitsubishi do tabaco via-se
surpreendido mas aumentava
para 4.2s a vantagem sobre
Gustavo Louro, enquanto Rui
Moniz batia Nuno Rocha que,
apesar disso, se mantinha em
quarto, à frente de Ricardo
Carmo,enquanto MarcoVeredas fazia valer o conhecimento
do terreno com o melhor
tempo na F3, sendo imitado
por Abel Carreiro na F2, ele
que já tinha sido o mais rápido
na especial de abertura.
O regresso às ruas de
Angra era aguardado com
expectativa para ver até que
ponto a luta pela liderança
iria continuar ou não, e as
expectativas não saíram defraudadas. Fernando Peres
viu-se a braços com um furo,
perdendo muito tempo, e
Ricardo Moura aproveitou
para ampliar a vantagem, que
se cifrava em 18.5s. Colado a
Moura surgia Gustavo Louro,
que obtinha o melhor tempo
nesta passagem e garantia o
segundo lugar com mais 3.6s
que o líder, prometendo um
sábado muito animado.
Nuno Rocha voltava a
ser quarto, provando que
se tiver condições pode
ombrear com os melhores,
superiorizando-se a Ricardo
Carmo pela magra diferença
de 1.2s no final da noite, o que
deixava antever luta acesa no
dia seguinte. Onde não havia
grandes dúvidas era na F3,
com Carlos Costa a dominar,
seguido de Artur Silva e de
Fernando Meneses, que viram
MarcoVeredas ficar parado ao
lado do Dário Insular com a
fotografia rodrigo bento |DI
FERNANDO PERES viu o azar bater-lhe à porta
GUSTAVO LOURO denotou falta de ritmo competitivo
transmissão partida. Na F2,
Abel Carreiro liderava, com
Olavo Esteves a 5.4s de distância. Olavo fazia o que lhe
competia, pois deixava para
trás Fernando Amaral, seu
opositor na luta pelo título.
Sábado – manhã
Não era preciso ser um
génio para perceber que
Fernando Peres ia entrar ao
ataque, e foi isso mesmo que
aconteceu, com o ainda campeão a bater a concorrência
por três segundos, ficando
Louro e Moura separados
por duas décimas. A coisa
prometia, e por aqui nada de
surpresas, a não ser o sexto
lugar de Artur Silva, a bater
Nuno Rocha, Carlos Costa e
Sérgio Silva. O jovem terceirense mostrava serviço, tal
como Olavo Esteves, que fazia
o décimo tempo e colocava a
concorrência em sobressalto,
pois apenas meio segundo o
separava do líder da F2, Abel
Carreiro, enquanto Fernando
Amaral se atrasava bastante.
A atrasar-se estavam também Fernando Meneses e
Hermano Couto, dois nomes
que se antevia poderem lutar
por algo mais,enquanto Marco
Martins e Sérgio Silva faziam
por se manter nas respectivas
lutas, particularmente este último, com aspirações na F3.
À entrada para o Barro
Vermelho, todos os olhos e
ouvidos aguardavam a resposta de Ricardo Moura ao
ataque de Peres, e ela não se
fez esperar, com a diferença
de 3.5 segundos favorável ao
micaelense a espelhar bem a
forma como Moura encarou
de frente o desafio que era
manter e, se possível, alargar
a distância que o separava do
adversário. Gustavo Louro
perdia aqui algum tempo para
os adversários, mas conseguia
ainda segurar o segundo
posto, ficando Peres a 7.9 de
Louro, que por sua vez estava a 11.1 da liderança. Entre
Moura e Peres havia, portanto,
19 segundos de diferença
no regresso ao parque de
assistência.
Ricardo Carmo, Nuno Rocha e Rui Moniz surgiam atrás
na classificação, com Carmo
a liderar o trio e a conseguir
distanciar-se de Rocha, que
por sua vez mantinha alguma
vantagem sobre Moniz, mas
ainda era demasiado cedo
para tirar outras conclusões
para além do bom andamento revelado pelos três.
Bom andamento mostrava
também Artur Silva, que deixou longe a concorrência no
Barro Vermelho e saltou para
a liderança da F3, com Carlos
Costa a 6.4 de distância. A
dar um novamente um ar
da sua graça, Paulo Pereira
era oitavo na classificativa,
subindo ao 13º lugar, a míseras
duas décimas de Hermano
Couto e levando atrás de si
o seu irmão, Ricardo Pereira,
também num Skoda FabiaTDI.
Mais satisfeito estava Abel
Carreiro, que conseguia ganhar alguns segundos a Olavo
Esteves, “entalado” entre os
jovens lobos Henrique Moniz
e Bruno Amaral, que davam
nas vistas pela sua condução
certinha e espectacular, respectivamente.
A segunda ronda começou como tinha terminado
a primeira, com Moura a
vencer, seguido por Peres e
Louro, que via seriamente
ameaçado o segundo lugar.
As condições meteorológicas
instáveis baralharam por completo as escolhas de pneus,
e foram muitos os sustos
devido ao piso escorregadio
na Vila Nova, mas mais ainda
em Barro Vermelho/Achada,
com o asfalto mais sujo da
zona da Lagoa do Ginjal a
dificultar imenso a condução.
Ainda na Vila Nova, crescia a
certeza de que as posições de
Ricardo Carmo, Nuno Rocha
e Rui Moniz dificilmente se
alterariam,dado o aumento da
distância entre eles, e Carlos
Costa recuperava a liderança
da F3 por apenas nove décimas
de segundo, com Abel Carreiro a distanciar-se mais um
pouco na liderança da F2.
Por esta altura, Artur Silva
liderava destacadíssimo o
Troféu Auto Avelino, João
Faria era líder incontestado
no Troféu Sousa Automóveis,
e o mesmo se podia dizer de
Sérgio Cardoso no Troféu
Olavo Esteves Competições/
Açorlanda, e foi neste estado
de coisas que se avançou para
a última classificativa matinal.
Ricardo Moura iniciou o seu
processo de gestão de tempo,
ficando a vitória para Peres,
embora por escassa margem,
enquanto Gustavo Louro
acabava mesmo por ser ultrapassado, denotando algumas
dificuldades com o Mitsubishi,
que não nos soou muito bem
aos ouvidos. Ricardo Carmo
e Nuno Rocha mantinhamse nos seus lugares, mas Rui
Moniz não foi feliz aqui, pois
furou e caiu na classificação,
o mesmo se podendo dizer
de Artur Silva, a braços com
um motor pouco colaborante nesta fase. Carlos Costa
cimentava a liderança na F3,
já com mais de 30 segundos
de vantagem sobre Sérgio
Silva, e Abel Carreiro fazia o
mesmo na F2.
Realce ainda nesta classificativa para a espectacular
fotografia Jorge silva |DI
Olavo Esteves mais perto do título da F2
Carlos Costa venceu mas teve de suar muito
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segunda-feira | 08.set.08
motor III
fotografia Jorge silva |DI
João Faria dominou no Troféu Sousa Automóveis
Sérgio Cardoso venceu o Troféu Olavo Esteves-Açorlanda
Artur Silva foi o melhor no Troféu Auto Avelino
saída de estrada de Diogo
Silva: logo após a Lagoa do
Ginjal, uma travagem tardia
acabou com o carro a entrar
em voo num pasto, tendo a
equipa muita sorte na forma
como o carro aterrou, podendo prosseguir em prova sem
grande dificuldade. Minutos
mais tarde, já nos VSH, Rui
Ávila caía no mesmo sítio
mas com menos sorte, pois
ficou pendurado na parede,
saindo de lá com a ajuda do
público…
para a derradeira classificativa firmemente decidido a
aproveitar algum deslize do
seu oponente, mas virou-se o
feitiço contra o feiticeiro, e a
prova do Peugeot 206 acabou
numa saída de estrada inglória
para quem tão bem tinha
andado. Mais sorte teve Rui
Moniz, que saiu de frente na
Serra do Cume mas conseguiu
chegar ao final,embora caindo
para o oitavo lugar.
Com tudo isto, o pódio da
F3 acabou por ficar completo
com Fernando Meneses e Artur Silva,com Hermano Couto
a fechar os dez primeiros da
tabela geral, seguido por Bruno Amaral, que certamente
saiu da Terceira com o seu
cartaz reforçado, depois de
uma exibição muito agradável. No que toca à Fórmula
2, Abel Carreiro voltou a ser
o azarado de serviço, com
o Fiat Punto a calar-se ainda
antes da segunda passagem
na Vila Nova. No lugar certo
para aproveitar estava Olavo
Esteves, que esteve sempre na
no Troféu Sousa Automóveis,
secundado por Teófilo Pires
e Eduardo Andrade. Quanto
ao Troféu Olavo Esteves
Competições/Açorlanda, o
melhor dos Renault Clio foi
Sérgio Cardoso, que bateu
por larga margem José Silva
e Francisco Carreiro. Na
classificação feminina, Raquel Rodrigues era a única
e chegou ao final, validando
da melhor forma a conquista do campeonato regional
feminino.
Sábado – tarde
Ricardo Moura tinha quase
18 segundos para gerir em
quatro classificativas, e na
Vila Nova todos perceberam
que a ideia ia ser essa, com
Fernando Peres a vencer mas
a recuperar apenas 1.5s para o
líder e com Gustavo Louro a
não acompanhar o ritmo dos
dois primeiros, mantendo-se
tudo como dantes entre os
restantes homens da frente.
No entanto, havia a convicção
de que seria em São Brás/
Lagoa do Junco que a prova
se poderia efectivamente
decidir, e assim aconteceu,
com Fernando Peres a furar
e a perder 40 segundos para
Moura, que se via assim livre
para assegurar a vitória pois,
como se o azar do adversário
não bastasse, venceu a classificativa e ainda ganhou mais 9.3
a Gustavo Louro, que ficava na
posse do segundo lugar, com
Peres a 24.9 de distância.
Estava decidido o pódio, e
estavam decididos os seis primeiros lugares, com Ricardo
Carmo, Nuno Rocha e Carlos
Costa já devidamente instalados, mas com a ressalva de a
liderança na F3 ainda estar em
discussão, pois Costa perdeu
muito tempo para Sérgio Silva
nesta classificativa, e à entrada
para a ronda final restavam
apenas 6.3 de diferença entre
ambos. Carlos Costa atacou
na segunda passagem pelaVila
Nova, já com as borrachas
certas, e praticamente resolveu a questão. Sérgio Silva não
se deu por vencido e entrou
frente de Fernando Amaral e
está agora em óptima posição
para ir ao Rali da Lagoa revalidar o título de campeão na
sua categoria. Abel Carreiro
é um dos melhores e mais
espectaculares pilotos do
pelotão, mas as vitórias só
acontecem quando se cruza a
linha de chegada, e assim sendo… ganha a regularidade!
Nas restantes competições, Fernando Meneses,
Artur Silva e Nuno Silva
foram os melhores no Troféu
Auto Avelino, enquanto João
Faria voltou a não sentir
dificuldades de qualquer
espécie na luta pela vitória
As contas
O campeonato está ao
rubro para a última prova,
com Ricardo Moura e Fernando Peres empatados no
comando. A cada um deles
apenas interessa ficar na
frente do outro, pelo que o
espectáculo está garantido
na Lagoa. Carlos Costa é o
novo campeão da F3, mas na
F2 vamos ter de aguardar
para ver quem sairá vencedor,
Olavo Esteves ou Fernando
Amaral.
O TAC celebrou os trinta
anos de ralis na Terceira da
melhor forma, com o rali mais
emotivo do ano e com uma
organização à altura dos acontecimentos. Quando assim é,
missão cumprida! di
XXX Rali Ilha Lilás – VSH
Marco Sousa pegou à primeira
Os VSH disputaram todo o
rali e logo na sexta à noite Marco Sousa deu cartas em termos
de rapidez e regularidade, pois
no Litoral foi sempre terceiro,
batido por Marco Pinto e Fábio
Fontes, saindo vencedor nas
Veredas, o suficiente para sair
para a estrada no sábado com
4.3 de vantagem sobre Pinto.
Nos Clássicos, Mário Garcia
deu tanto espectáculo que
acabou com o carro em três
rodas depois de uma atravessadela vistosa em frente à central
da EDA…
A vitória final começou por
não ser tarefa fácil, pois na manhã de sábado a concorrência
puxou dos galões, com Marco
Pinto e Cláudio Cabral a dizerem “presente” no Império,
mas ambos ficaram parados
no BarroVermelho,deixando o
Fiat Uno Turbo livre para gerir
a vantagem sobre Paulo Santos,
e o facto é que Marco Sousa e
Miguel Bendito foram os mais
rápidos em todas as restantes
classificativas,saindo vencedo-
Marco Sousa pode ser Campeão nos VSH
res de forma natural e muito
folgada, até porque os mais
directos adversários também
não chegaram ao fim.
Paulo Santos e Fábio Fontes
andaram “pegados” toda a
prova, mas ambos se despistaram na primeira passagem
pela Serra do Cume, com o
micaelense a ser mais uma
vítima do já célebre “palheiro
do Peres”. Com tudo isto,
Ricardo M. Moura e Isaías
Costa herdaram os restantes
lugares do pódio e por lá se
mantiveram, sendo premiados
pela sua regularidade, com
Isaías ainda a ter tempo para
dar espectáculo, como ele
tanto gosta.
A vitória no campeonato é
agora uma possibilidade para a
dupla do Fiat Uno Turbo, que
vai ter de se deslocar ao Rali
da Lagoa se quiser aumentar
o palmarés, e vai ter de fazer
uma pega de cernelha desta
vez, pois há mais meia dúzia
de equipas com hipóteses de
chegar ao título… di
diarioinsular
IV motor
segunda-feira | 08.set.08
Suzuki King Quad 450
Guerreira de fim-de-semana
As propostas no reino das motos
de quatro rodas são cada vez mais,
e esta tem o bónus de ser homologada para duas pessoas.
Quando surgiram as primeiras motos deste tipo no
mercado,o preço era o grande
inimigo e o facto de terem de
circular com uma “bolacha”
branca a indicar “40” também
não ajudava muito,mas o certo
é que os quads foram conquistando o seu espaço, e hoje
já se contam pelas centenas
na Terceira, proporcionando
bons momentos aos seus
possuidores, que aproveitam
para conhecer os recantos
mais escondidos da ilha.
O facto de andar de quad
ser um prazer quase solitário
atraiu muitos,mas o facto de as
motos só levarem um de cada
vez afastou muitos outros,
daí que as marcas se tenham
esmerado em oferecer modelos capazes de satisfazer
os casais. Estranhamente, as
marcas japonesas demoraram
a generalizar nas suas gamas a
oferta de quads homologados
para dois ocupantes, algo que
só era oferecido nos modelos
mais caros, mas essa é uma
situação que tem vindo a
alterar-se progressivamente,
e uma das mais recentes propostas chega justamente do
Japão e pela mão da Suzuki.
O King Quad 4x4 apresentase com motores de 450 ou
750cc, separados por cerca
de 1500 euros, e revelou-se
um bom companheiro para
passeios a dois.
Quadro
Não há muito que inventar
para construir uma moto4
hoje em dia, principalmente
quando destinada ao segmento misto de trabalho e
lazer como é esta Suzuki.
No fundo, tudo se joga no
campo da robustez de construção, algo que esta moto
aparenta ter de sobra, com
uma robusta estrutura em
aço na qual assentam todos os
componentes, destacando-se
neste caso um confortável
banco para duas pessoas,
que no entanto poderia ser
um nadinha mais comprido
para facilitar a arrumação
do pendura.
Por falar em arrumação,
saltam à vista as grelhas
frontal e traseira, capazes de
transportar uma quantidade
significativa de bagagem
por terrenos inacessíveis a
um veículo comum. Aliás, a
pensar nas utilizações mais
relacionadas com o trabalho,
a moto pode ser equipada
com guincho e engate de
reboque, uma solução cada
vez mais comum e bastante
utilizada por agricultores em
zonas de difícil acesso, onde
uma moto consegue fazer as
vezes de um tractor.
A utilizaçãoTT desta moto
surge assim como o óbvio
propósito da sua compra,
e neste aspecto podemos
contar desde logo com uma
série de protecções em pontos-chave da estrutura e da
mecânica.
Mecânica
A versão ensaiada está
equipada com um motor de
454cc, monocilíndrico, com
refrigeração líquida e injecção electrónica associada
a um sistema de arranque
eléctrico, que também pode
ser feito por correia em casos
de emergência, à boa maneira
das máquinas de cortar relva.
Para outras necessidades, o
motor de 750cc oferece mais
potência e binário, capazes
de multiplicar as aptidões da
moto em troca de 1500 euros,
pelo que o melhor mesmo é
prestar atenção ao 450, que
mesmo assim custa mais de
9 mil euros…
Se na parte do motor propriamente dito tudo está dentro dos parâmetros conhecidos, na restante mecânica a
Suzuki não poupou esforços,
equipando esta moto com
uma suspensão independente
às quatro rodas, uma solução
que permite um comportamento incomparavelmente
melhor em pisos acidentados,
visto que o eixo rígido dos
modelos mais baratos não é
tão eficaz quer a digerir irregularidades quer a garantir
a motricidade necessária. Se
a isto juntarmos um sistema
de tracção integral associado
a uma caixa automática e
ao bloqueio do diferencial
dianteiro, facilmente se percebe estarmos perante uma
máquina capaz de enfrentar
os caminhos mais difíceis com
toda a confiança.
Ao Volante
O primeiro contacto com
a King Quad 450 deixa-nos
com um olhar de aprovação,
pois tudo é sólido, bem
montado e parece estar no
sítio certo, mas de imediato
reparamos num item pouco
vulgar nas motos utilitárias:
um corta-corrente. Trata-se
de um cabo elástico vermelho, em espiral, que pode (e
deve) ser preso ao pulso do
condutor. Em caso de queda, o
cabo está preso a uma chave
que desliga automaticamente
a moto, evitando os riscos
inerentes a um eventual acelerador preso. Evita também,
é claro, que o motor fique a
funcionar em posições para
as quais não foi desenhado,
situações em que as avarias
são frequentes. Nota positiva
merece também, desde logo,
o painel de instrumentos de
boa legibilidade e com indicação da posição da caixa
de velocidades e do nível de
gasolina.
Depois de alguns metros
de adaptação, cumpridos em
asfalto, de imediato nos sentimos à vontade para acelerar
mais um pouco em busca
das canadas. No entretanto,
deu para ver que a moto se
manobra com muita facilidade e não se nega a incursões
citadinas, muito embora o seu
verdadeiro habitat esteja nos
maus caminhos. Começámos
por uma zona trialeira já bem
nossa conhecida, e tudo se
passou na maior das calmas,
dando até para abusar um
bocadinho da sorte, sem que
daí viessem males ao mundo.
Depois fomos à procura de
um buraco para nos enterrarmos, e encontrámo-lo,
com as rodas traseiras a
afundar rapidamente. Ligar
a tracção integral é tarefa
para o polegar direito, e logo
as coisas melhoraram. No
entanto, aproveitámos para
experimentar o bloqueio
do diferencial dianteiros, e
aí não houve quem segurasse
a moto, que arrancou chão
furiosamente até regressar a
terra firme. Aprovada!
Já em piso mais rápido,
altura para comprovar o
bom nível de desempenho
conseguido pela afinação
da marca, que consegue ser
confortável mas deixa uma
saudável margem de manobra
para nos atrevermos a deixar
a traseira ganhar alguma vida
própria, só que os 270kg de
peso e o facto de não ser
uma desportiva a cem por
cento rapidamente nos trouxeram a ritmos mais pacatos.
Ficámos, pois, satisfeitos
e com pouca vontade de
devolver ao dono este King
Quad 450, mas como este
já havia pago os 9177 euros
que custa, achámos por bem
entregá-la inteirinha antes
que acontecesse algum azar.
Não limpámos foi a terra, mas
uma moto4 limpinha não tem
grande piada, pois não? di
Download

Ricardo Moura brilhou, Fernando Peres furou!