diarioinsular segunda-feira | 08.set.08 suplemento automóvel mOTOR I | coordenação jorge silva | nº. 56 Acelerador Estamos de volta, depois de umas férias retemperadoras e bem necessárias, e nada como recomeçar com a reportagem de uma grande prova como foi o trigésimo Rali Ilha Lilás. Os trinta anos de ralis oficiais na Terceira tiveram direito a uma festa condigna, e na estrada o público pôde assistir à consagração de Ricardo Moura como o campeão do futuro. Uma exibição perfeita do piloto micaelense que já conquistou o coração dos terceirenses colocou-o em igualdade pontual com Fernando Peres à partida para a última prova, deixando para o Rali da Lagoa a responsabilidade de decidir o título em 2008. Correspondendo ao que se previa, a meteorologia deu uma ajuda preciosa à emotividade da competição, deixando espaço na sexta-feira para um banho de multidão nas ruas de Angra e baralhando por completo as escolhas de pneus no sábado, algo que se viria a revelar crucial no desempenho de algumas equipas. Além de Ricardo Moura, o rali serviu também para vermos óptimas exibições de outros pilotos, com os terceirenses em natural destaque. Se Gustavo Louro está sem o ritmo de outros tempos, Ricardo Carmo está mais maduro e consistente, explorando o bom carro que tem, enquanto Nuno Rocha voltou a demonstrar que só lhe falta um apoio condizente para ser candidato a vitórias. Pela segunda vez consecutiva, recebeu o carro na véspera do rali, preparou aquilo que foi possível, e obteve mais um grande resultado ao volante de um carro que, a bem dizer, desconhece. Destaque merecido também para os jovens lobos, com Artur Silva à cabeça. A rapidez está lá, e a consistência também, tendo ficado no ar a ideia de que, sem o azar da manhã de sábado, poderia ter disputado a vitória na F3. Nota muito positiva também para Bruno Amaral, rápido e espectacular, e para Henrique Moniz, Paulo Santos e Fábio Fontes. O futuro já está presente, e anda depressa! XXX Rali ilha lilás relançou o campeonato Ricardo Moura brilhou, Fernando Peres furou! A exibição de Ricardo Moura na celebração dos trinta anos de ralis na Terceira roçou a perfeição, e os candidatos ao título partem empatados para o último rali da temporada |02 e 03 fotografia rodrigo bento |DI XXX Lilás - vsh suzuki kingquad 450 veitou da melhor forma as desistências de Marco Pin- Diversão para Marco Sousa to e Cláudio Cabral para gavenceu e pode dois numa rantir uma vitória saboroser campeão sa e merecida,com vitórias moto para todos em oito das onze classificaDepois de um começo em tivas do rali. Agora é “só” As motos de quatro rodas que se destacou pela regu- ir ao Rali da Lagoa e ten- são cada vez mais procularidade,Marco Sousa apro- tar ser campeão... |03 radas, mas muitos modelos são apenas homologados para o condutor,não permitindo o transporte de passageiros.Atenta a isso, a Suzuki apresenta uma proposta para desfrutar a dois do prazer dos maus caminhos, com a facilidade de condução a destacar-se. |04 diarioinsular II motor segunda-feira | 08.set.08 Ricardo Moura venceu XXX Rali Ilha Lilás com todo o mérito O Príncipe Perfeito fotografia rodrigo bento |DI Tantas vezes azarado, Ricardo Moura teve na Terceira dois dias de sonho, e alcançou Fernando Peres no comando do campeonato. Sexta-feira O dia até acordou mal disposto e rezingão,mas à medida que as horas foram passando foi voltando a boa disposição, e quando Fernando Peres se fez à estrada já todos tinham percebido que a chuva não iria estragar a festa a ninguém. Público aos milhares, mas alguns ficaram em casa com medo das pinguinhas, e esses nunca poderão dizer que estavam no Litoral quando Peres retirou nove segundos ao recorde da classificativa, que estava na posse de Horácio Franco há já alguns anos… O campeão entrou a matar, já se vê, mas Ricardo Moura e Gustavo Louro (que também bateram o anterior recorde) não estavam pelos ajustes e colocavam-se à distância de uma mudança mal metida,prometendo luta. Sem surpresa para quem já o conhece,Nuno Rocha era quarto, levando atrás de si Carlos Costa e um surpreendente Ricardo Pereira, a fazer maravilhas com o Skoda Fabia TDI e a deixar para trás Ricardo Carmo. Costa colocava o Saxo S1600 na liderança da Fórmula 3, com Sérgio Silva e Artur Silva a ocuparem os restantes lugares do primeiro pódio, enquanto Marco Veredas e Fernando Meneses entravam talvez demasiado cautelosos. Verdadeiramente espectaculares no Porto das Pipas foram Ricardo Moura e, principalmente,Rui Moniz,que deu show a valer mas pagou no cronómetro… Como de costume, o Litoral fez “vítimas”, e Nuno Cintra nem saiu do parque de assistências, vencendo desde logo o campeonato do azar, mas Toni Ortins e Augusto Ferreira ficavam na primeira passagem,ambos por despiste, com Augusto e Marlene Ferreira a passarem um enorme susto já com a meta à vista, obrigando mesmo ao internamento da navegadora. A passagem nocturna pelas Veredas trouxe um dado novo para a luta,pois Ricardo Moura passou da teoria à prática e “deu” 2.5s a Peres, roubandolhe a liderança por oito décimos de segundo. O líder dos Mitsubishi do tabaco via-se surpreendido mas aumentava para 4.2s a vantagem sobre Gustavo Louro, enquanto Rui Moniz batia Nuno Rocha que, apesar disso, se mantinha em quarto, à frente de Ricardo Carmo,enquanto MarcoVeredas fazia valer o conhecimento do terreno com o melhor tempo na F3, sendo imitado por Abel Carreiro na F2, ele que já tinha sido o mais rápido na especial de abertura. O regresso às ruas de Angra era aguardado com expectativa para ver até que ponto a luta pela liderança iria continuar ou não, e as expectativas não saíram defraudadas. Fernando Peres viu-se a braços com um furo, perdendo muito tempo, e Ricardo Moura aproveitou para ampliar a vantagem, que se cifrava em 18.5s. Colado a Moura surgia Gustavo Louro, que obtinha o melhor tempo nesta passagem e garantia o segundo lugar com mais 3.6s que o líder, prometendo um sábado muito animado. Nuno Rocha voltava a ser quarto, provando que se tiver condições pode ombrear com os melhores, superiorizando-se a Ricardo Carmo pela magra diferença de 1.2s no final da noite, o que deixava antever luta acesa no dia seguinte. Onde não havia grandes dúvidas era na F3, com Carlos Costa a dominar, seguido de Artur Silva e de Fernando Meneses, que viram MarcoVeredas ficar parado ao lado do Dário Insular com a fotografia rodrigo bento |DI FERNANDO PERES viu o azar bater-lhe à porta GUSTAVO LOURO denotou falta de ritmo competitivo transmissão partida. Na F2, Abel Carreiro liderava, com Olavo Esteves a 5.4s de distância. Olavo fazia o que lhe competia, pois deixava para trás Fernando Amaral, seu opositor na luta pelo título. Sábado – manhã Não era preciso ser um génio para perceber que Fernando Peres ia entrar ao ataque, e foi isso mesmo que aconteceu, com o ainda campeão a bater a concorrência por três segundos, ficando Louro e Moura separados por duas décimas. A coisa prometia, e por aqui nada de surpresas, a não ser o sexto lugar de Artur Silva, a bater Nuno Rocha, Carlos Costa e Sérgio Silva. O jovem terceirense mostrava serviço, tal como Olavo Esteves, que fazia o décimo tempo e colocava a concorrência em sobressalto, pois apenas meio segundo o separava do líder da F2, Abel Carreiro, enquanto Fernando Amaral se atrasava bastante. A atrasar-se estavam também Fernando Meneses e Hermano Couto, dois nomes que se antevia poderem lutar por algo mais,enquanto Marco Martins e Sérgio Silva faziam por se manter nas respectivas lutas, particularmente este último, com aspirações na F3. À entrada para o Barro Vermelho, todos os olhos e ouvidos aguardavam a resposta de Ricardo Moura ao ataque de Peres, e ela não se fez esperar, com a diferença de 3.5 segundos favorável ao micaelense a espelhar bem a forma como Moura encarou de frente o desafio que era manter e, se possível, alargar a distância que o separava do adversário. Gustavo Louro perdia aqui algum tempo para os adversários, mas conseguia ainda segurar o segundo posto, ficando Peres a 7.9 de Louro, que por sua vez estava a 11.1 da liderança. Entre Moura e Peres havia, portanto, 19 segundos de diferença no regresso ao parque de assistência. Ricardo Carmo, Nuno Rocha e Rui Moniz surgiam atrás na classificação, com Carmo a liderar o trio e a conseguir distanciar-se de Rocha, que por sua vez mantinha alguma vantagem sobre Moniz, mas ainda era demasiado cedo para tirar outras conclusões para além do bom andamento revelado pelos três. Bom andamento mostrava também Artur Silva, que deixou longe a concorrência no Barro Vermelho e saltou para a liderança da F3, com Carlos Costa a 6.4 de distância. A dar um novamente um ar da sua graça, Paulo Pereira era oitavo na classificativa, subindo ao 13º lugar, a míseras duas décimas de Hermano Couto e levando atrás de si o seu irmão, Ricardo Pereira, também num Skoda FabiaTDI. Mais satisfeito estava Abel Carreiro, que conseguia ganhar alguns segundos a Olavo Esteves, “entalado” entre os jovens lobos Henrique Moniz e Bruno Amaral, que davam nas vistas pela sua condução certinha e espectacular, respectivamente. A segunda ronda começou como tinha terminado a primeira, com Moura a vencer, seguido por Peres e Louro, que via seriamente ameaçado o segundo lugar. As condições meteorológicas instáveis baralharam por completo as escolhas de pneus, e foram muitos os sustos devido ao piso escorregadio na Vila Nova, mas mais ainda em Barro Vermelho/Achada, com o asfalto mais sujo da zona da Lagoa do Ginjal a dificultar imenso a condução. Ainda na Vila Nova, crescia a certeza de que as posições de Ricardo Carmo, Nuno Rocha e Rui Moniz dificilmente se alterariam,dado o aumento da distância entre eles, e Carlos Costa recuperava a liderança da F3 por apenas nove décimas de segundo, com Abel Carreiro a distanciar-se mais um pouco na liderança da F2. Por esta altura, Artur Silva liderava destacadíssimo o Troféu Auto Avelino, João Faria era líder incontestado no Troféu Sousa Automóveis, e o mesmo se podia dizer de Sérgio Cardoso no Troféu Olavo Esteves Competições/ Açorlanda, e foi neste estado de coisas que se avançou para a última classificativa matinal. Ricardo Moura iniciou o seu processo de gestão de tempo, ficando a vitória para Peres, embora por escassa margem, enquanto Gustavo Louro acabava mesmo por ser ultrapassado, denotando algumas dificuldades com o Mitsubishi, que não nos soou muito bem aos ouvidos. Ricardo Carmo e Nuno Rocha mantinhamse nos seus lugares, mas Rui Moniz não foi feliz aqui, pois furou e caiu na classificação, o mesmo se podendo dizer de Artur Silva, a braços com um motor pouco colaborante nesta fase. Carlos Costa cimentava a liderança na F3, já com mais de 30 segundos de vantagem sobre Sérgio Silva, e Abel Carreiro fazia o mesmo na F2. Realce ainda nesta classificativa para a espectacular fotografia Jorge silva |DI Olavo Esteves mais perto do título da F2 Carlos Costa venceu mas teve de suar muito diarioinsular segunda-feira | 08.set.08 motor III fotografia Jorge silva |DI João Faria dominou no Troféu Sousa Automóveis Sérgio Cardoso venceu o Troféu Olavo Esteves-Açorlanda Artur Silva foi o melhor no Troféu Auto Avelino saída de estrada de Diogo Silva: logo após a Lagoa do Ginjal, uma travagem tardia acabou com o carro a entrar em voo num pasto, tendo a equipa muita sorte na forma como o carro aterrou, podendo prosseguir em prova sem grande dificuldade. Minutos mais tarde, já nos VSH, Rui Ávila caía no mesmo sítio mas com menos sorte, pois ficou pendurado na parede, saindo de lá com a ajuda do público… para a derradeira classificativa firmemente decidido a aproveitar algum deslize do seu oponente, mas virou-se o feitiço contra o feiticeiro, e a prova do Peugeot 206 acabou numa saída de estrada inglória para quem tão bem tinha andado. Mais sorte teve Rui Moniz, que saiu de frente na Serra do Cume mas conseguiu chegar ao final,embora caindo para o oitavo lugar. Com tudo isto, o pódio da F3 acabou por ficar completo com Fernando Meneses e Artur Silva,com Hermano Couto a fechar os dez primeiros da tabela geral, seguido por Bruno Amaral, que certamente saiu da Terceira com o seu cartaz reforçado, depois de uma exibição muito agradável. No que toca à Fórmula 2, Abel Carreiro voltou a ser o azarado de serviço, com o Fiat Punto a calar-se ainda antes da segunda passagem na Vila Nova. No lugar certo para aproveitar estava Olavo Esteves, que esteve sempre na no Troféu Sousa Automóveis, secundado por Teófilo Pires e Eduardo Andrade. Quanto ao Troféu Olavo Esteves Competições/Açorlanda, o melhor dos Renault Clio foi Sérgio Cardoso, que bateu por larga margem José Silva e Francisco Carreiro. Na classificação feminina, Raquel Rodrigues era a única e chegou ao final, validando da melhor forma a conquista do campeonato regional feminino. Sábado – tarde Ricardo Moura tinha quase 18 segundos para gerir em quatro classificativas, e na Vila Nova todos perceberam que a ideia ia ser essa, com Fernando Peres a vencer mas a recuperar apenas 1.5s para o líder e com Gustavo Louro a não acompanhar o ritmo dos dois primeiros, mantendo-se tudo como dantes entre os restantes homens da frente. No entanto, havia a convicção de que seria em São Brás/ Lagoa do Junco que a prova se poderia efectivamente decidir, e assim aconteceu, com Fernando Peres a furar e a perder 40 segundos para Moura, que se via assim livre para assegurar a vitória pois, como se o azar do adversário não bastasse, venceu a classificativa e ainda ganhou mais 9.3 a Gustavo Louro, que ficava na posse do segundo lugar, com Peres a 24.9 de distância. Estava decidido o pódio, e estavam decididos os seis primeiros lugares, com Ricardo Carmo, Nuno Rocha e Carlos Costa já devidamente instalados, mas com a ressalva de a liderança na F3 ainda estar em discussão, pois Costa perdeu muito tempo para Sérgio Silva nesta classificativa, e à entrada para a ronda final restavam apenas 6.3 de diferença entre ambos. Carlos Costa atacou na segunda passagem pelaVila Nova, já com as borrachas certas, e praticamente resolveu a questão. Sérgio Silva não se deu por vencido e entrou frente de Fernando Amaral e está agora em óptima posição para ir ao Rali da Lagoa revalidar o título de campeão na sua categoria. Abel Carreiro é um dos melhores e mais espectaculares pilotos do pelotão, mas as vitórias só acontecem quando se cruza a linha de chegada, e assim sendo… ganha a regularidade! Nas restantes competições, Fernando Meneses, Artur Silva e Nuno Silva foram os melhores no Troféu Auto Avelino, enquanto João Faria voltou a não sentir dificuldades de qualquer espécie na luta pela vitória As contas O campeonato está ao rubro para a última prova, com Ricardo Moura e Fernando Peres empatados no comando. A cada um deles apenas interessa ficar na frente do outro, pelo que o espectáculo está garantido na Lagoa. Carlos Costa é o novo campeão da F3, mas na F2 vamos ter de aguardar para ver quem sairá vencedor, Olavo Esteves ou Fernando Amaral. O TAC celebrou os trinta anos de ralis na Terceira da melhor forma, com o rali mais emotivo do ano e com uma organização à altura dos acontecimentos. Quando assim é, missão cumprida! di XXX Rali Ilha Lilás – VSH Marco Sousa pegou à primeira Os VSH disputaram todo o rali e logo na sexta à noite Marco Sousa deu cartas em termos de rapidez e regularidade, pois no Litoral foi sempre terceiro, batido por Marco Pinto e Fábio Fontes, saindo vencedor nas Veredas, o suficiente para sair para a estrada no sábado com 4.3 de vantagem sobre Pinto. Nos Clássicos, Mário Garcia deu tanto espectáculo que acabou com o carro em três rodas depois de uma atravessadela vistosa em frente à central da EDA… A vitória final começou por não ser tarefa fácil, pois na manhã de sábado a concorrência puxou dos galões, com Marco Pinto e Cláudio Cabral a dizerem “presente” no Império, mas ambos ficaram parados no BarroVermelho,deixando o Fiat Uno Turbo livre para gerir a vantagem sobre Paulo Santos, e o facto é que Marco Sousa e Miguel Bendito foram os mais rápidos em todas as restantes classificativas,saindo vencedo- Marco Sousa pode ser Campeão nos VSH res de forma natural e muito folgada, até porque os mais directos adversários também não chegaram ao fim. Paulo Santos e Fábio Fontes andaram “pegados” toda a prova, mas ambos se despistaram na primeira passagem pela Serra do Cume, com o micaelense a ser mais uma vítima do já célebre “palheiro do Peres”. Com tudo isto, Ricardo M. Moura e Isaías Costa herdaram os restantes lugares do pódio e por lá se mantiveram, sendo premiados pela sua regularidade, com Isaías ainda a ter tempo para dar espectáculo, como ele tanto gosta. A vitória no campeonato é agora uma possibilidade para a dupla do Fiat Uno Turbo, que vai ter de se deslocar ao Rali da Lagoa se quiser aumentar o palmarés, e vai ter de fazer uma pega de cernelha desta vez, pois há mais meia dúzia de equipas com hipóteses de chegar ao título… di diarioinsular IV motor segunda-feira | 08.set.08 Suzuki King Quad 450 Guerreira de fim-de-semana As propostas no reino das motos de quatro rodas são cada vez mais, e esta tem o bónus de ser homologada para duas pessoas. Quando surgiram as primeiras motos deste tipo no mercado,o preço era o grande inimigo e o facto de terem de circular com uma “bolacha” branca a indicar “40” também não ajudava muito,mas o certo é que os quads foram conquistando o seu espaço, e hoje já se contam pelas centenas na Terceira, proporcionando bons momentos aos seus possuidores, que aproveitam para conhecer os recantos mais escondidos da ilha. O facto de andar de quad ser um prazer quase solitário atraiu muitos,mas o facto de as motos só levarem um de cada vez afastou muitos outros, daí que as marcas se tenham esmerado em oferecer modelos capazes de satisfazer os casais. Estranhamente, as marcas japonesas demoraram a generalizar nas suas gamas a oferta de quads homologados para dois ocupantes, algo que só era oferecido nos modelos mais caros, mas essa é uma situação que tem vindo a alterar-se progressivamente, e uma das mais recentes propostas chega justamente do Japão e pela mão da Suzuki. O King Quad 4x4 apresentase com motores de 450 ou 750cc, separados por cerca de 1500 euros, e revelou-se um bom companheiro para passeios a dois. Quadro Não há muito que inventar para construir uma moto4 hoje em dia, principalmente quando destinada ao segmento misto de trabalho e lazer como é esta Suzuki. No fundo, tudo se joga no campo da robustez de construção, algo que esta moto aparenta ter de sobra, com uma robusta estrutura em aço na qual assentam todos os componentes, destacando-se neste caso um confortável banco para duas pessoas, que no entanto poderia ser um nadinha mais comprido para facilitar a arrumação do pendura. Por falar em arrumação, saltam à vista as grelhas frontal e traseira, capazes de transportar uma quantidade significativa de bagagem por terrenos inacessíveis a um veículo comum. Aliás, a pensar nas utilizações mais relacionadas com o trabalho, a moto pode ser equipada com guincho e engate de reboque, uma solução cada vez mais comum e bastante utilizada por agricultores em zonas de difícil acesso, onde uma moto consegue fazer as vezes de um tractor. A utilizaçãoTT desta moto surge assim como o óbvio propósito da sua compra, e neste aspecto podemos contar desde logo com uma série de protecções em pontos-chave da estrutura e da mecânica. Mecânica A versão ensaiada está equipada com um motor de 454cc, monocilíndrico, com refrigeração líquida e injecção electrónica associada a um sistema de arranque eléctrico, que também pode ser feito por correia em casos de emergência, à boa maneira das máquinas de cortar relva. Para outras necessidades, o motor de 750cc oferece mais potência e binário, capazes de multiplicar as aptidões da moto em troca de 1500 euros, pelo que o melhor mesmo é prestar atenção ao 450, que mesmo assim custa mais de 9 mil euros… Se na parte do motor propriamente dito tudo está dentro dos parâmetros conhecidos, na restante mecânica a Suzuki não poupou esforços, equipando esta moto com uma suspensão independente às quatro rodas, uma solução que permite um comportamento incomparavelmente melhor em pisos acidentados, visto que o eixo rígido dos modelos mais baratos não é tão eficaz quer a digerir irregularidades quer a garantir a motricidade necessária. Se a isto juntarmos um sistema de tracção integral associado a uma caixa automática e ao bloqueio do diferencial dianteiro, facilmente se percebe estarmos perante uma máquina capaz de enfrentar os caminhos mais difíceis com toda a confiança. Ao Volante O primeiro contacto com a King Quad 450 deixa-nos com um olhar de aprovação, pois tudo é sólido, bem montado e parece estar no sítio certo, mas de imediato reparamos num item pouco vulgar nas motos utilitárias: um corta-corrente. Trata-se de um cabo elástico vermelho, em espiral, que pode (e deve) ser preso ao pulso do condutor. Em caso de queda, o cabo está preso a uma chave que desliga automaticamente a moto, evitando os riscos inerentes a um eventual acelerador preso. Evita também, é claro, que o motor fique a funcionar em posições para as quais não foi desenhado, situações em que as avarias são frequentes. Nota positiva merece também, desde logo, o painel de instrumentos de boa legibilidade e com indicação da posição da caixa de velocidades e do nível de gasolina. Depois de alguns metros de adaptação, cumpridos em asfalto, de imediato nos sentimos à vontade para acelerar mais um pouco em busca das canadas. No entretanto, deu para ver que a moto se manobra com muita facilidade e não se nega a incursões citadinas, muito embora o seu verdadeiro habitat esteja nos maus caminhos. Começámos por uma zona trialeira já bem nossa conhecida, e tudo se passou na maior das calmas, dando até para abusar um bocadinho da sorte, sem que daí viessem males ao mundo. Depois fomos à procura de um buraco para nos enterrarmos, e encontrámo-lo, com as rodas traseiras a afundar rapidamente. Ligar a tracção integral é tarefa para o polegar direito, e logo as coisas melhoraram. No entanto, aproveitámos para experimentar o bloqueio do diferencial dianteiros, e aí não houve quem segurasse a moto, que arrancou chão furiosamente até regressar a terra firme. Aprovada! Já em piso mais rápido, altura para comprovar o bom nível de desempenho conseguido pela afinação da marca, que consegue ser confortável mas deixa uma saudável margem de manobra para nos atrevermos a deixar a traseira ganhar alguma vida própria, só que os 270kg de peso e o facto de não ser uma desportiva a cem por cento rapidamente nos trouxeram a ritmos mais pacatos. Ficámos, pois, satisfeitos e com pouca vontade de devolver ao dono este King Quad 450, mas como este já havia pago os 9177 euros que custa, achámos por bem entregá-la inteirinha antes que acontecesse algum azar. Não limpámos foi a terra, mas uma moto4 limpinha não tem grande piada, pois não? di