Universidade do Sul de Santa Catarina
Física I
Disciplina na modalidade a distância
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Fisica I.indb 1
8/5/2015 15:16:10
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Fisica I.indb 2
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Tecnologia
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(Coordenador)
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Phelipe Luiz Winter da Silva
8/5/2015 15:16:10
Paola Egert
Física I
Livro didático
Design instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
4ª edição
Palhoça
UnisulVirtual
2011
Fisica I.indb 3
8/5/2015 15:16:10
Copyright © UnisulVirtual 2011
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição
Edição - Livro didático
Professor Conteudista
Paola Egert
Design Instrucional
Karla Leonora Dahse Nunes
Assistente Acadêmico
Lygia Pereira (3ª ed. rev. e atual.)
Aline Cassol Daga (4ª edição)
Projeto Gráfico e Capa
Equipe UnisulVirtual
Diagramação
Daniel Blass
Higor Ghisi (4ª edição)
Revisão
Papyrus Textos Ltda.
ISBN
978-85-7817-342-5
530
E28
Egert, Paola
Física I : livro didático / Paola Egert ; design instrucional Karla
Leonora Dahse Nunes ; [assistente acadêmico Lygia Pereira, Aline
Cassol Daga]. – 4. ed. – Palhoça: UnisulVirtual, 2011.
200 p. : il. ; 28 cm.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7817-342-5
1. Física. 2. Energia – Conservação. I. Nunes, Karla Leonora
Dahse. II. Pereira, Lygia. III. Título
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul
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Sumário
Apresentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
Palavras da professora. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
UNIDADE 1
UNIDADE 2
UNIDADE 3
UNIDADE 4
UNIDADE 5
UNIDADE 6
Introdução à física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Movimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Força e movimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
Trabalho e energia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
Conservação de energia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
Momento e Colisões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
Para concluir o estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165
Sobre a professora conteudista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
Respostas e Comentários das atividades de autoavaliação. . . . . . . . . . . . . . 171
Anexo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
Biblioteca Virtual. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 199
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Fisica I.indb 6
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Apresentação
Este livro didático corresponde à disciplina Física I.
O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma
e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados
à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática
e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância,
proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a
um aprendizado contextualizado e eficaz.
Lembre-se que sua caminhada, nesta disciplina, será
acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema
Tutorial da UnisulVirtual, por isso a “distância” fica
caracterizada somente na modalidade de ensino que você optou
para sua formação, pois na relação de aprendizagem professores
e instituição estarão sempre conectados com você.
Então, sempre que sentir necessidade entre em contato; você tem
à disposição diversas ferramentas e canais de acesso tais como:
telefone, e-mail e o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem,
que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e
recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade.
Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe
atender, pois sua aprendizagem é o nosso principal objetivo.
Bom estudo e sucesso!
Equipe UnisulVirtual.
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Fisica I.indb 8
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Palavras da professora
Caro aluno,
Este livro pretende lhe oferecer um entendimento
conceitual dos princípios da física e suas aplicações,
buscando uma combinação importante para uma descrição
do mundo físico ou para uma relação da física com seu dia
a dia. Consiste em um livro-texto introdutório que enfatiza
os princípios básicos da mecânica, uma das grandes áreas
da física. Dois principais objetivos norteiam este livro:
apresentar de forma clara e lógica conceitos e princípios
básicos da mecânica e corroborar estes com aplicações
evidenciadas no mundo real. Todos os gráficos deste livro
são de autoria da Professora conteudista desta disciplina.
As ciências, e especialmente a física, são importantes
para a sociedade moderna em que vivemos. Através do
conhecimento científico podemos transformar nossas vidas,
fazendo com que sejam diferentes das vidas que levavam
nossos antepassados, e mais ainda, podemos produzir
transformações nas vidas de nossos filhos. Os princípios
fundamentais da ciência nos cercam e afetam as nossas
vidas. E é através da ciência que podemos construir uma
sociedade melhor.
Espero que este livro desperte o interesse e lhe forneça o
conhecimento que me propus a oferecer ao produzi-lo. Os
assuntos que aqui serão discutidos constituem o fundamento
em que se basearam os pesquisadores para construir a
sociedade moderna. Assim, a Física I, ou o estudo dos
princípios básicos da mecânica, deverá lhe proporcionar
reflexões sobre questões científicas presentes em sua vida.
“A ciência foi inventada pelos homens e pelas mulheres que
desde cedo foram sensíveis ao Universo e ao lugar que nele
ocupavam.” David Bohm e F. David Peat
Prof.ª Paola Egert
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Fisica I.indb 10
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Plano de estudo
O plano de estudos visa a orientá-lo no desenvolvimento da
disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o
contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.
O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual
leva em conta instrumentos que se articulam e se
complementam, portanto, a construção de competências
se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das
diversas formas de ação/mediação.
São elementos desse processo:
„„
o livro didático;
„„
o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA);
„„
„„
as atividades de avaliação (a distância, presenciais e
de autoavaliação);
o Sistema Tutorial.
Ementa da disciplina
Cálculo vetorial. Movimento num plano. Força e
movimento. Trabalho e energia. Lei da conservação da
energia. Colisões.
Carga horária
60 horas-aula - 4 créditos.
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Objetivo
Geral
Capacitar o aluno para analisar, compreender e descrever os
movimentos de objetos com e sem aceleração, tanto em uma,
quanto em duas e em três dimensões. Compreender as relações
entre as forças aplicadas sobre um sistema e o movimento
produzido neste, bem como a descrição deste movimento a
partir do princípio da conservação de energia. Saber aplicar estes
conceitos na solução de modelos representativos de situações reais.
Específicos
„„
„„
„„
„„
Estudar e aplicar conceitos, leis e fenômenos físicos na
área da mecânica clássica;
propor soluções a problemas em física;
equacionar problemas com fundamentos de cálculo
diferencial;
relacionar leis e fenômenos físicos com problemas em
nosso cotidiano.
Conteúdo programático/objetivos
Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de
conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento
de habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste
sentido, veja a seguir as unidades que compõem o livro didático
desta disciplina, bem como os seus respectivos objetivos.
Unidades de estudo: 6
Unidade 1 – Introdução à física
A física é uma ciência baseada em observações experimentais
e análises matemáticas. Assim, esta unidade traz conceitos e
técnicas que serão utilizados em todo o livro, como padrões de
medidas de grandezas físicas, sistemas de unidades e operações
com grandezas escalares e vetoriais. A unidade fornece ao aluno
informações acerca da linguagem e dos métodos matemáticos
importantes para o estudo da física.
12
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Unidade 2 – Movimentos
Esta unidade discute as grandezas físicas fundamentais para a
descrição de movimentos. Estas grandezas são aplicadas a uma,
duas e três dimensões e estes movimentos são tratados sem
qualquer referência às suas causas. Aqui também os conceitos
físicos são trabalhados com a utilização do cálculo diferencial
servindo como aplicação aos métodos matemáticos trabalhados
nas disciplinas de cálculo. Por fim, o comportamento das
grandezas é descrito através de gráficos, fornecendo ao aluno
mais uma ferramenta para a descrição de um fenômeno físico.
Unidade 3 – Força e movimento
Para a descrição das causas de um movimento, faz-se necessário
entender os conceitos de massa e força e saber interpretar e
aplicar as três leis de Newton, que relacionam a aceleração de
um corpo a sua massa e às forças externas que atuam sobre ele.
Assim, nesta unidade são trabalhados tais tópicos como forma de
discutir alguns princípios físicos básicos da mecânica e a teoria
do movimento dos corpos.
Unidade 4 – Trabalho e energia
A unidade apresenta os conceitos de trabalho e energia como um
caminho a ser percorrido no estudo dos movimentos. Mostra a
relação existente entre trabalho e energia e de que forma estes
conceitos podem nos auxiliar na descrição de um dado movimento.
Unidade 5 – Conservação de energia
O princípio da conservação de energia é trabalhado na unidade.
São discutidos diferentes tipos de energia encontrados na
natureza, procurando dar ênfase às energias associadas aos
movimentos dos corpos e mostrar as conversões de energias
ocorridas nestes. A unidade também se propõe a ressaltar a
importância da energia para a sociedade moderna.
Unidade 6 – Momento e Colisões
Esta unidade traz a lei da conservação do momento e da energia
como forma de descrever as colisões entre dois corpos. Conceitos
como impulso e quantidade de movimento durante uma
interação são discutidos.
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Agenda de atividades/Cronograma
„„
„„
„„
Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar
periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus
estudos depende da priorização do tempo para a leitura,
da realização de análises e sínteses do conteúdo e da
interação com os seus colegas e tutor.
Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço
a seguir as datas com base no cronograma da disciplina
disponibilizado no EVA.
Use o quadro para agendar e programar as atividades
relativas ao desenvolvimento da disciplina.
Atividades obrigatórias
Demais atividades (registro pessoal)
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Unidade 1
Introdução à física
Objetivos de aprendizagem
ƒƒConhecer os padrões de medidas físicas e determinar uma medida física a partir de um padrão.
ƒƒConhecer o sistema internacional de unidades (SI) que
determina as normas e padrões de medidas no Brasil.
ƒƒAvaliar a precisão de uma medida física.
ƒƒEstimar a ordem de grandeza de uma medida física.
ƒƒDiferenciar as grandezas escalares e vetoriais e revisar as operações com vetores, importantes para o estudo da física.
1
Seções de estudo
Seção 1 Origem da física
Seção 2 Padrões de medidas físicas e sistemas de unidades
Seção 3 Precisão, algarismos significativos e notação científica
Seção 4 Grandezas escalares e grandezas vetoriais
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade você estará se preparando para iniciar o estudo da
mecânica e também de outras áreas da física. Conteúdos como
padrões de medidas, sistema internacional de unidades, grandezas
escalares e grandezas vetoriais compõem a unidade. No decorrer
do estudo, você também terá oportunidade de compreender a
precisão e algarismos significativos de uma medida física, bem
como regras aplicadas à notação científica.
Sendo a física uma ciência baseada em observações experimentais
e análises matemáticas realizadas sobre medidas físicas, é de
fundamental importância que você desenvolva o estudo da
unidade com muita atenção, pois os conhecimentos que ela lhe
trará são imprescindíveis para a compreensão das demais unidades
e de qualquer área da física que você se proponha a estudar.
Seção 1 – Origem da física
A física trata de um campo fundamental de conhecimento da
ciência, com princípios muitas vezes aplicados a diferentes
campos científicos. Procura descrever sistemas que vão dos mais
complexos, como buracos negros, aos mais simples, como aqueles
encontrados na engenharia. Exemplos: escoamentos de fluidos,
trocas térmicas entre os corpos, propagação de ondas sonoras, etc.
A física, como ciência, busca descrever uma
compreensão sobre fenômenos que ocorrem em
nosso universo. Ela surgiu devido à curiosidade da
humanidade sobre os mistérios da natureza.
Há algum tempo, desejou-se voar, submergir, pisar na lua,
construir máquinas que pudessem atender às necessidades da
sociedade. Hoje, talvez nossos desejos possam ser outros, como
encontrar a solução para o problema do aquecimento de nosso
planeta, ou ainda para o problema da crise energética. Não
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Fisica I.indb 16
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Física I
importa a origem da motivação. A verdade é que tanto no
passado, como nos dias de hoje, buscamos na ciência a solução
para nossos problemas e um caminho para podermos encontrar
realizações, conforto e melhoria da qualidade de nossas vidas.
Se hoje podemos adquirir uma formação sem sair de casa, isto
é devido aos avanços tecnológicos na área da computação e da
informação. Podemos ilustrar o papel da ciência neste contexto
por meio do desenvolvimento da fibra óptica – a maravilha
que revolucionou os sistemas de comunicação. Acompanhar as
mudanças decorrentes do avanço tecnológico significa estudar
sobre suas aplicações e, mais do que isto, compreender as idéias
em que estão fundamentadas estas tecnologias. E estudar
estes fundamentos, muitas vezes, significa estudar a física e
suas aplicações!
Seção 2 – Padrões de medidas
físicas e sistemas de unidades
Quando temos como meta aprender ou estudar física, precisamos
aprender a medir as grandezas que aparecem nas leis da física.
Entre elas estão:
1. o comprimento;
2. o tempo;
3. a massa;
4. a temperatura;
5. a pressão etc.
Estas grandezas devem ser cuidadosamente definidas. Não
somente o número que expressa o valor da medida deve ser
preciso, mas também a medida deve ser referida a um padrão
comum, como o metro. Frequentemente, as medidas conterão
mais de um desses padrões. As velocidades, por exemplo, podem
ser medidas em unidades de metros por segundo, mas os metros
e segundos devem ser referidos a um metro e a um segundo
definidos como padrão.
Unidade 1
Fisica I.indb 17
17
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 1: Imagine que alguém lhe diga que o
viaduto que está sendo construído em seu bairro terá
16 pés de altura. O que isto significa? A que altura este
viaduto está sendo construído?
A dificuldade em responder a essa questão está no fato de que
medir uma altura corresponde a verificar quantas vezes um
comprimento-padrão cabe nessa altura.
A medida de qualquer grandeza envolve a comparação
entre a grandeza e um valor unitário precisamente
definido da mesma grandeza.
No caso apresentado, o padrão usado é o pé, uma unidade de
medida que, apesar de não ser usada no Brasil, é comumente
empregada na Inglaterra. Os padrões adotados em nosso país
baseiam-se no Sistema Internacional de Unidades (SI), que
utiliza o metro para os comprimentos, o segundo para os
intervalos de tempo e o quilograma para as massas.
Um padrão deve apresentar as seguintes características:
ƒƒ ser imutável, de modo que medidas feitas hoje
possam ser comparadas com medidas feitas no
próximo século;
ƒƒ ser acessível, de modo que qualquer laboratório
possa reproduzi-lo;
ƒƒ ser preciso, de modo a atender a qualquer grau de
precisão tecnologicamente possível;
ƒƒ ser universalmente aceito, de modo que os resultados
obtidos em diferentes países sejam comparáveis.
Como exemplo, consideremos a definição dos padrões de
tempo, comprimento e massa. Estas unidades são as unidades
fundamentais para o estudo da mecânica. Acompanhe!
18
Fisica I.indb 18
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Física I
Tempo – Um segundo é 9.192.631.770 vezes o período
de oscilação da radiação do átomo de césio (Cs133).
Comprimento – Um metro é o comprimento do
caminho percorrido pela luz no vácuo durante um
intervalo de tempo de 1/299.792.458 segundos.
Massa – Um quilograma é a massa de um cilindro de
platina-irídio guardado no Bureau Internacional de
Pesos e medidas em Sèvres, França.
Um sistema de unidades compreende:
I. os padrões;
II. um método de formação de múltiplos e submúltiplos;
III. definições de grandezas derivadas, como velocidade,
aceleração, força, energia etc.
O Sistema Internacional de Unidades (SI) define o quilograma
(kg), o metro (m) e o segundo (s) como unidades básicas, e tem
um método geral para formação de múltiplos e submúltiplos
através de prefixos que modificam as unidades e derivadas,
mediante multiplicação por potências de 10. Assim, o Sistema
Internacional (SI) é um sistema decimal.
No Quadro 1.1 você observa a relação dos prefixos e suas
abreviações que podem ser usados em qualquer unidade do SI.
Outros sistemas de unidades podem ser mencionados,
como o cgs, baseado no centímetro, no grama e no
segundo. O centímetro é igual a 0,01 m e o grama é
0,001 kg.
Também tem-se o sistema inglês de unidades, no qual o
comprimento é o pé (ft), a massa é o slug e a unidade de
tempo é o segundo. O pé pode ser definido com base no
metro: 1 ft = 0,3048 m, e o slug pode ser definido com base no
quilograma: 1 slug = 14,59 kg.
Unidade 1
Fisica I.indb 19
19
8/5/2015 15:16:11
Universidade do Sul de Santa Catarina
Agora você pode responder a questão anterior, pois se
em 1 ft temos 0,3048 m, então em 16 ft, temos 4,9 m. E
assim você já pode avaliar a altura do novo viaduto em
seu bairro.
A seguir você encontrará os quadros que relacionam os padrões do
sistema internacional e seus múltiplos e submúltiplos mais usuais.
Potência de dez
Prefixos
Abreviatura
10
10–21
10–18
10–15
10–12
10–9
10–6
10–3
10–2
103
106
109
1012
1015
1018
1021
1024
locto
zepto
atto
femto
pico
nano
micro
mili
centi
quilo
mega
giga
tera
peta
exa
zeta
iota
y
z
a
f
p
n
µ
m
c
k
M
G
T
P
E
Z
Y
–24
Quadro 1.1 – Prefixos para potências de dez
Nome
Metro
Quilômetro
Centímetro
Milímetro
Abreviatura
m
km
cm
mm
Relação com o metro
1 km = 1000 m = 103 m
1 cm = 0,01 m = 10–2 m
1 mm = 0,001 m = 10–3 m
Quadro 1.2 – Múltiplos e submúltiplos do metro
Nome
grama
quilograma
miligrama
Abreviatura
g
kg
mg
Relação com o grama
1 kg = 1000 g = 103 g
1 mg = 0,001 g = 10–3 g
Quadro 1.3 – Múltiplos e submúltiplos do grama
20
Fisica I.indb 20
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Física I
Nome
Segundo
Milissegundo
Minuto
Hora
Abreviatura
s
ms
min
h
Relação com o segundo
1 ms = 0,001 s = 10–3 s
1 min = 60 s
1 h = 60 min = 3600 s
Quadro 1.4 – Múltiplos e submúltiplos do segundo
Seção 3 – Precisão, algarismos
significativos e notação científica
A física é uma ciência experimental. Seu propósito talvez
possa ser colocado como descrever os aspectos fundamentais
da natureza e estes, por sua vez, seriam a matéria, a energia, as
forças, os movimentos, o calor, a luz e seus fenômenos. Para esta
descrição, baseada no método experimental, precisamos aprender
a trabalhar com as medidas físicas e suas características. Uma
medida de uma grandeza física, como 4,9 m, inclui:
I. uma dimensão;
II. uma unidade;
III. uma precisão.
O “m” nos diz que a dimensão é o comprimento e que a unidade
de comprimento usada é o metro. O número 4,9 (e não 4,91 ou
4,9157) caracteriza a precisão com que a medida foi feita.
Dimensão
Dimensão é a propriedade física que a quantidade descreve ou a
natureza física de uma grandeza. Não interessa se a distância foi
medida em pés ou metros, ela denota um comprimento.
Unidades
Uma unidade é a escala com que se mede uma dimensão. Por
exemplo, uma unidade de comprimento pode ser um metro, ou
um pé, ou uma milha. Como vários sistemas de unidades podem
ser utilizados, devemos saber fazer a conversão de um sistema
para outro.
Unidade 1
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Universidade do Sul de Santa Catarina
1 ft = 0,3048 m
Precisão e algarismo significativo
A precisão do valor de uma quantidade física é refletida no
número de algarismos significativos usados na indicação do
valor. E os algarismos significativos de uma medida são aqueles
que podem ser lidos na escala do instrumento, acrescidos de um
algarismo duvidoso (que não está na escala do instrumento, mas
pode ser estimado).
Exemplo 2: O número 80,3 tem três algarismos
significativos, enquanto 4,9 tem dois. Um zero
à esquerda nunca é contado como algarismo
significativo – o número 0,049 possui dois algarismos
significativos. Um zero é algarismo significativo se
está à direita da vírgula decimal. O menor algarismo
significativo (algarismo duvidoso) em um número é
o algarismo significativo mais à direita. No número
4,9, o número 9 é o algarismo duvidoso. Suponha que
perguntem sua altura em unidades SI, quando você
sabe que é 64,0 polegadas no sistema inglês. Você
converte na calculadora (sabendo que 1 polegada é
0,0254 do metro padrão) e encontra 1,6256 m (precisão
de 0,1 mm). O valor dado em unidades SI deve refletir
aproximadamente a mesma precisão que o valor
original. É preciso arredondar o número após o cálculo.
Acompanhe agora algumas regras a serem seguidas para trabalhar
com números significativos:
1.Arredondamento. Se o algarismo à direita do menor
algarismo significativo na resposta final é 4 ou menos, o
valor é arredondado para baixo. Com dois algarismos
significativos, o número 8,54 é arredondado para 8,5. Se
o algarismo à direita do menor algarismo significativo
na resposta final é 5 ou mais, o valor é arredondado para
cima. Com dois algarismos significativos, o número 8,55
se escreve 8,6.
22
Fisica I.indb 22
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Física I
2. Multiplicação e divisão. O resultado de uma
multiplicação ou divisão tem o mesmo número de
algarismos significativos que o número com menor
precisão utilizado no cálculo. Por exemplo:
64,0 × 0,0254 = 1,63
No arredondamento a ser feito no exemplo acima, para
a conversão de polegadas para metros, a altura deve
ser expressa como 1,63 m.
3.Adição e subtração. O menor algarismo significativo no
resultado da adição ou subtração ocupa a mesma posição
relativa à vírgula decimal que o número no cálculo cujo
menor algarismo significativo está mais à esquerda. Por
exemplo:
7,5 + 4,87 = 12,4
4,91 – 4,4 = 0,5
Como se vê, o número de algarismos significativos
no resultado não é, necessariamente, o mesmo que no
número menos preciso envolvido no cálculo.
4. Funções transcendentes. O resultado do cálculo de uma
função transcendente é dado com o mesmo número de
algarismos significativos que o argumento da função. Por
exemplo:
Sen 45° = 0,71
ln 5,643 = 1,730
O número de algarismos significativos de uma medida
física expressa dados sobre a incerteza associada a esta
medida. O valor desta incerteza está associado a fatores
como a qualidade do aparelho utilizado, a habilidade
da pessoa que faz a experiência e o número de medidas
realizadas.
Unidade 1
Fisica I.indb 23
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Exemplo 3: Ao realizarmos a medida da espessura da
grossa capa de um livro com uma régua comum, com
escala em milímetros, não estaria correto expressar
esta medida como 4,00 mm devido às limitações
do instrumento de medida. Este instrumento
permite informar uma medida com dois algarismos
significativos, 4,0 mm, sendo o número 4 medido
na escala do instrumento e o número 0 o algarismo
duvidoso. No entanto, se a medida fosse realizada com
um micrômetro, instrumento capaz de medir distâncias
com segurança até 0,01 mm, o resultado de sua medida
poderia ser expresso como 4,00 mm. Estas diferenças
representam as incertezas das medidas. A medida feita
com um micrômetro possui uma incerteza menor que a
medida feita através de uma régua comum e, portanto,
é mais precisa.
A exatidão (acurácia) de uma medida física representa o grau de
aproximação entre o valor real e o valor medido. Normalmente
escrevemos o número seguido do sinal ± e um segundo número
indicando a incerteza da medida. No exemplo da medida da
espessura da capa do livro, se a medida for (4,0 ± 0,1) mm, então
significa que está entre 3,9 mm e 4,1 mm.
Notação científica e ordem de grandeza
Em muitos estudos da física, a informação sobre a ordem de
grandeza ou uma estimativa, mesmo que grosseira, sobre o valor
de uma grandeza física pode ser bastante útil. Muitas vezes, a
medida exata pode ser complicada de se conseguir e então a
medida aproximada passa a ser significativa em nosso estudo.
Isto é o que costumamos chamar de estimativa de ordem de
grandeza.
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Fisica I.indb 24
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Física I
Exemplo 4: Vamos supor que você esteja interessado
em conhecer a altura de um prédio para um estudo
sobre o replanejamento urbano de sua cidade. Não
tendo um instrumento adequado para realizar esta
medida, precisamos realizar uma estimativa e, para isto,
basta observação. Supondo um prédio de 20 andares,
cada andar apresentando 3 m de altura, teríamos uma
estimativa de 60 m para a altura final do prédio. Após
a realização desta estimativa, temos uma ordem de
grandeza estabelecida para um prédio de 20 andares
e esta pode ser expressa usando-se como base a
potência de dez. Um prédio de 20 andares tem uma
altura mais próxima de 102 m (100 m) do que de 101 m
(pouco para um prédio de 20 andares) ou de 103 m
(igual a 1 km e muito para um prédio de 20 andares).
Assim, a ordem de grandeza de nossas medidas pode ser expressa
usando a notação científica que consiste em convertermos o
número de forma a apresentá-lo da seguinte maneira:
Número maior ou igual
a 1 e menor que 10
Nome
×
Símbolo
Potência de 10
Valor
Velocidade da luz
c
2,99792458 × 108 m/s
Módulo da carga do elétron
e
1,60217733 × 10–19 C
Massa do elétron
me
9,1093897 × 10–31 kg
Massa do próton
mp
1,6726231 × 10–27 kg
Pressão da atmosfera (padrão)
pa
1,01325 × 105 Pa
Quadro 1.5 – Exemplos de grandezas com intensidades expressas em notação científica
Unidade 1
Fisica I.indb 25
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 4 – Grandezas escalares e grandezas vetoriais
Os fenômenos físicos são descritos através de grandezas físicas
que podem ser escalares ou vetoriais.
Grandezas escalares
Grandezas descritas por um único número juntamente com
a unidade adequada. Uma grandeza escalar tem apenas uma
intensidade, e não tem propriedades direcionais. Exemplos:
ƒƒ uma distância: a altura de uma pessoa, 185 cm;
ƒƒ uma massa: a massa de uma pessoa, 68 kg;
ƒƒ um intervalo de tempo: o dia tem 24 h;
ƒƒ temperatura: a temperatura de um ambiente, 22° C.
Grandezas vetoriais
Grandezas caracterizadas por uma intensidade, ou módulo, e
uma direção e sentido. Exemplos:
ƒƒ uma velocidade: vento sul de 5 m/s (o módulo do vento é
de 5 m/s e sua direção é do sul para o norte);
ƒƒ um deslocamento: consideremos a movimentação de
um objeto que vai de um ponto A a um ponto B, ou
sua mudança de posição, mostrado na Figura 1.1. Seu
deslocamento pode ser representado por um segmento
de reta orientado. O sentido e a direção do segmento de
reta são indicados pela seta. Observe que o deslocamento
de A para B envolve a distância entre os dois pontos e a
orientação, ou direção, do segmento de reta.
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Física I
Vamos admitir agora o percurso de A a um ponto C, conforme
a Figura 1.2. A distância entre A e C é a mesma que a distância
de A a B, mas os dois deslocamentos, ou os dois vetores, são
diferentes, porque têm direções e sentidos diferentes. Ou seja, um
deslocamento fica caracterizado por uma distância, uma direção e
um sentido.
Dois deslocamentos são iguais se têm mesmo comprimento,
direção e sentido. Na Figura 1.3, o deslocamento de A para B é
igual ao deslocamento de A’ para B’.
Figura 1.1 Vetor deslocamento
Figura 1.2 Direção e sentido
do vetor deslocamento
Figura 1.3 Vetores iguais
Outras grandezas físicas também são vetoriais, como força,
velocidade e aceleração, e são caracterizadas por um módulo, uma
direção e um sentido. O módulo de um vetor é um número não
negativo (com uma unidade) que indica o tamanho do vetor,
independentemente de sua direção.
Para distinguir um símbolo vetorial de um símbolo escalar,
representa-se um vetor em negrito. Em manuscrito, costuma-se
representar um vetor por uma letra encimada por uma flecha.

Vetor: A ou A
Módulo: | A | = A
Um vetor fica definido quando são fornecidos:
ƒƒ seu módulo, sua direção e seu sentido.
Unidade 1
Fisica I.indb 27
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Em geral, escolhe-se a direção de referência como a direção do
eixo x positiva, e assim, além do comprimento do vetor indicando
seu módulo, temos o ângulo formado com a direção do eixo x
positiva, indicando seu ângulo. O sentido fica representado pela
seta. Veja a Figura 1.4.
Figura 1.4 Módulo e direção de um vetor
Em muitas situações da física precisamos adicionar grandezas
físicas. Tanto as grandezas escalares como as vetoriais, para serem
somadas, devem apresentar as mesmas unidades. Não existe
sentido em adicionarmos grandezas que tenham dimensões
diferentes ou que tenham unidades de medidas diferentes.
Não podemos, por exemplo, somar um vetor
deslocamento com um vetor força, pois eles são
grandezas físicas diferentes.
Adição gráfica de vetores
Para somar o vetor B ao vetor A, podemos utilizar o método do
triângulo, que consiste no seguinte (acompanhe a Figura 1.5):
ƒƒ desenhamos o vetor A com sua intensidade ou módulo
seguindo uma dada escala. Em seguida, usando a mesma escala,
e com sua cauda colocada na ponta do vetor A, desenhamos o
vetor B. Assim formamos o vetor resultante, que vai da cauda
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Física I
do vetor A até a ponta do vetor B, e chamamos de C. Podemos
permutar os dois vetores de modo a formar a soma B + A, que
apresenta a mesma resultante C.
Figura 1.5 Adição vetorial pelo método do triângulo
Também é possível realizar a adição vetorial seguindo o método do
paralelogramo (veja a Figura 1.6). Neste método, as caudas dos dois
vetores A e B são colocadas juntas e o vetor resultante C é formado
através do traçado das linhas paralelas, formando um paralelogramo,
o vetor C é a diagonal e os vetores A e B são seus lados.
Figura 1.6 Adição vetorial pelo método do paralelogramo
Vetores unitários e componentes vetoriais
Também podemos utilizar um método analítico de expressar os
vetores, usando um sistema de coordenadas e vetores unitários,
com o qual é possível trabalhar estes com maior facilidade.
A Figura 1.7 mostra um vetor A através de um sistema de
coordenadas retangulares. Este vetor A pode ser escrito como a
soma de dois vetores Ax e Ay:
A = Ax + Ay
(1.1)
Unidade 1
Fisica I.indb 29
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 1.7 Componentes retangulares de um vetor
Escrevemos em seguida o vetor Ax como o produto de dois
fatores:
Ax = Axi
(1.2)
O fator Ax é chamado componente do vetor A segundo o eixo
x, e o fator i é o vetor unitário segundo o eixo x e aponta na
direção de x crescente, conforme se vê na Figura 1.8. É chamado
vetor unitário porque seu módulo é 1. Além disso, o unitário
i é adimensional, de modo que o produto Ax i tem a mesma
dimensão e a mesma unidade que a componente Ax.
|i|=1
(1.3)
Um vetor unitário é um ente matemático que especifica
uma direção.
Escrevemos de maneira análoga o vetor Ay:
Ay = Ay j
(1.4)
30
Fisica I.indb 30
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Física I
Em que Ay é a componente do vetor A segundo o eixo y, e o fator
j é o vetor unitário segundo o eixo y e aponta na direção de y
crescente. Podemos agora escrever um vetor A como:
A = Ax i + Ay j
(1.5)
Figura 1.8 Componentes retangulares de um vetor
As componentes Ax i e Ay j são perpendiculares, então formam
os lados de um triângulo retângulo com A como hipotenusa. O
teorema de Pitágoras fornece o módulo de A:
A = Ax2 + Ay2
(1.6)
Por outro lado, em um triângulo retângulo, a tangente de um
ângulo se define como a razão do cateto oposto para o cateto
adjacente, assim temos:
tan θ =
Ay
Ax
ou θ = arctg
Ay
(1.7)
Ax
Unidade 1
Fisica I.indb 31
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Universidade do Sul de Santa Catarina
As equações fornecem o módulo e a direção do vetor em termos
de suas componentes. A partir de A e θ, podemos determinar as
componentes Ax e Ay:
Ax = A·cos θ
(1.6)
Ay = A·sen θ
(1.7)

Desta forma, fica definida a forma vetorial de A. A seção também
mostrou as diferenças entre as grandezas escalares e as grandezas
vetoriais e algumas operações importantes ao estudo da física
envolvendo as grandezas vetoriais. A seguir, leia a síntese da
unidade e faça as atividades de autoavaliação.
Síntese
Nesta unidade você se preparou para o estudo da física e todas
as suas áreas. Inicialmente estudou sobre os padrões de medidas
físicas utilizadas no estudo de mecânica e viu que os padrões
adotados em nosso país baseiam-se no Sistema Internacional
de Unidades (SI), que utiliza o metro para os comprimentos, o
segundo para os intervalos de tempo e o quilograma para as massas.
Também aprendeu que dimensão de uma quantidade é a
propriedade física que a quantidade descreve ou a natureza física
de uma grandeza. E que uma unidade é a escala com que se
mede uma dimensão. Ao trabalhar nesta unidade, pôde avaliar
a precisão do valor de uma quantidade física que é refletida no
número de algarismos significativos usados na indicação do valor.
E que os algarismos significativos de uma medida são aqueles
que podem ser lidos na escala do instrumento, acrescidos de um
algarismo duvidoso (que não está na escala do instrumento, mas
pode ser estimado).
Aprendeu que para expressar um número em notação científica, é
necessário escrever este número da seguinte maneira:
Número maior ou igual
a 1 e menor que 10
×
Potência de 10
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Fisica I.indb 32
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Física I
E, por último, estudou as diferenças entre as grandezas escalares
e vetoriais, sendo as grandezas escalares descritas unicamente
por um número juntamente com a unidade adequada, sem
propriedades direcionais. Já as grandezas vetoriais são
caracterizadas por uma intensidade, ou módulo, e uma direção e
sentido. Estas grandezas apresentam propriedades diferentes das
escalares.
Atividades de autoavaliação
Marque a alternativa correta:
1. Uma estrada mede 532 km de comprimento.
Qual é seu comprimento em metros?
a) 532
b) 5320
c) 53200
d) 532000
e) 5320000
2. O comprimento de uma pista de corrida é de 400 m.
Este comprimento equivale a:
a) 0,4 km
b) 0,04 km
c) 0,004 km
d) 0,0004 km
e) 0,00004 km
3. O tempo gasto em uma partida de basquete foi de 1,2 h.
Este tempo corresponde a:
a) 1 h e 20 min
b) 62 min
c) 1 h e 12 min
d) 3620 s
e) 1 h e 2 min
Unidade 1
Fisica I.indb 33
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Universidade do Sul de Santa Catarina
4. Na tabela abaixo, escreva as medidas em notação científica.
Observe que o número de algarismos significativos que
acompanha a potência de dez é igual ao número de algarismos
significativos da medida.
Intensidade da grandeza
Notação científica
0,00235 mm
3000000 m
86400 s
4000 m/s
6780 km
616 cm
24,5 h
Analise as questões abaixo e formule sua resposta:
5. Em uma aula experimental, um aluno mediu as dimensões
de uma barra de alumínio usando como instrumento de medida
uma régua de 30 cm calibrada em mm. As medidas obtidas estão
apresentadas na figura abaixo.
Faça uma avaliação sobre o número de algarismos significativos
apresentados. Indique quais são as medidas incorretas e explique
o porquê.
6. Construa um sistema de coordenadas xy e trace o vetor
posição que define o ponto x = 34 mm, y = 26 mm. Determine o
módulo e a direção deste vetor e suas componentes cartesianas.
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Fisica I.indb 34
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Física I
7. Dados os vetores adimensionais: A = 4i + 5j e B = 7i – 2j,
construa um sistema de coordenadas, trace os vetores A,
B, determine o vetor A + B e também faça seu traçado no
mesmo sistema.
8. Gustavo, a partir da origem, caminha 5 m para leste e depois
10 m para norte. Em seguida ele caminha 13 m para oeste. Em
relação ao ponto de partida, qual é a distância a que Gustavo está?
Represente, no sistema abaixo, os deslocamentos.
9. Um corpo parte da origem (0;0) e desloca-se até o ponto
P1(16;0); em seguida, desloca-se até o ponto P2(16;12); e, por
último, desloca-se até o ponto P3(8;12), conforme mostra a
figura desta questão. Determine a distância da origem (0;0) até o
ponto P3.
Unidade 1
Fisica I.indb 35
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Universidade do Sul de Santa Catarina
10. Determine, usando o método das componentes, o módulo
  
do vetor resultante dos vetores a , b e c , dados na figura desta
questão. Considere a = 10 cm, b = 15 cm e c = 11 cm.
Represente, num novo sistema de coordenadas, o vetor resultante.
 
11. Dados os vetores a , b , cujos módulos são a = 15 km e
b = 30 km, determine o módulo, a direção e o sentido do vetor
resultante, representando-o vetorialmente.
12. Para os vetores expressos em termos de vetores unitários
a = (5,2)i + (2,6)j, b = (–1,6)i + (2,9)j e c = (–4,6)i – (2,2)j,
determine o vetor resultante (soma), representando-o num
sistema de eixos coordenados (XY).
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Fisica I.indb 36
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Física I
Saiba mais
Como funciona o paquímetro?
O paquímetro é um instrumento de medida para comprimentos
com precisão de centésimos de milímetro. Determinaremos
a medida de um clipe para exemplificarmos a utilização deste
instrumento.
1.Inicialmente deslocamos a escala móvel do instrumento, de
modo que o objeto a ser medido fique preso nas garras.
2.Observamos que, na escala em centímetro, o zero da escala
móvel situa-se entre 3,5 cm e 3,6 cm, ou seja, entre 35 mm e
36 mm. Assim, o comprimento do clipe está neste intervalo.
3.Para determinar os décimos e os centésimos de milímetro da
medida, devemos observar em que ponto os riscos da escala
móvel coincidem com os riscos da escala em centímetro.
Para a medida do clipe, lemos 20 na escala móvel. Veja que o
algarismo 2 corresponde aos décimos de milímetro e o 0 aos
centésimos de milímetro. Logo podemos afirmar que a medida
do clipe é 35,20 mm.
Unidade 1
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Fisica I.indb 38
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Unidade 2
Movimentos
Objetivos de aprendizagem
ƒƒConceituar as grandezas físicas que descrevem os movimentos
de corpos, como posição, deslocamento, velocidade e aceleração,
aplicados para uma, duas e três dimensões.
ƒƒDiferenciar grandezas físicas, como velocidade média e velocidade
instantânea, aceleração média e aceleração instantânea,
mostrando a aplicação do cálculo diferencial como ferramenta
para a definição de uma grandeza instantânea.
ƒƒMostrar a utilização de gráficos como uma ferramenta para a
descrição de um fenômeno físico.
ƒƒDescrever movimentos especiais, como o movimento retilíneo
uniforme (MRU), o movimento retilíneo uniformemente variado
(MRUV) e o lançamento de projéteis.
2
Seções de estudo
Seção 1 Vetor posição e vetor deslocamento em uma dimensão
Seção 2 Vetor velocidade e vetor aceleração em uma dimensão
Seção 3 Movimentos retilíneos com e sem aceleração:
MRUV e MRU
Seção 4 Vetor posição, deslocamento, velocidade
e aceleração para duas e três dimensões
Seção 5 Lançamento de projéteis
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Nesta unidade estudaremos sobre as grandezas físicas
importantes para a descrição de movimentos de corpos. A
parte da física que se ocupa com o estudo de movimentos é a
cinemática, e a descrição destes movimentos é feita por meio
de equações matemáticas que mostram o comportamento das
grandezas posição, velocidade e aceleração em função do tempo.
Estas grandezas serão cuidadosamente definidas e posteriormente
serão utilizadas na construção das equações que descrevem
diferentes movimentos que podem ser observados em nosso
dia–a-dia.
Para iniciar esta unidade vamos pensar sobre algo que
encontramos freqüentemente em nossa movimentação diária
pela cidade: os radares de trânsito. Em muitos pontos do
trânsito urbano nos deparamos com estes dispositivos. Como eles
funcionam? Qual é a grandeza física determinada por eles?
Estude detalhadamente esta unidade e, ao final, tente responder
estas questões.
Figura 2.1 Fotografia do radar instalado na avenida de acesso à Unisul, no campus Pedra
Branca em Palhoça-SC
40
Fisica I.indb 40
8/5/2015 15:16:13
Física I
Seção 1 – Vetor posição e vetor
deslocamento em uma dimensão
Quando queremos descrever movimentos de corpos através de
equações matemáticas, precisamos construí-las de maneira que
permitam definir a posição de um corpo num certo instante e
saber como esta posição irá mudar à medida em que o tempo
passa. Precisamos, para isto, de alguns conceitos básicos que nos
auxiliam a realizar a tarefa de estudar movimentos.
Inicialmente deve-se diferenciar um corpo de uma partícula.
Suponhamos que estamos interessados em avaliar o tempo que
um determinado ônibus leva para percorrer todo o trajeto de sua
linha. Como este trajeto é muito longo quando comparado às
dimensões do ônibus, podemos imaginar este corpo como uma
partícula descrevendo uma trajetória. Suas dimensões podem ser
desprezadas por não serem importantes em nosso estudo, já que
não afetam os cálculos ou as medidas que realizamos.
Assim, sempre que as dimensões do corpo em movimento
puderem ser desprezadas, dizemos que o corpo é uma partícula. A
redução de um corpo para um ponto simplifica muito a descrição
do movimento deste corpo.
Em nosso estudo trataremos os corpos em movimento
como partículas ou pontos materiais.
A trajetória de uma partícula pode ser definida como o caminho
ou distância percorrida por esta. No exemplo do ônibus, a
trajetória seria o comprimento ou a distância de todo seu
percurso.
Outro conceito importante na descrição de um movimento é o
de referencial.
Unidade 2
Fisica I.indb 41
41
8/5/2015 15:16:13
Universidade do Sul de Santa Catarina
Pense se já se deparou com a seguinte situação: você está ao volante de
um carro ao lado de outros carros parados em um sinal de trânsito. Não percebeu
que o sinal abriu e, quando enxerga o movimento do carro ao lado do seu, tem a
impressão de que seu carro está andando para trás e pisa no freio!
Esta situação nos mostra que qualquer movimento depende de
um referencial adotado. Você, como motorista, estava adotando o
carro ao lado como referencial e, como este se movimentou para
frente, seu carro pareceu estar se movendo para trás.
Assim, na análise de um movimento precisamos escolher um
referencial, a partir do qual iremos observar o movimento.
Para nossos estudos, adotaremos um sistema de coordenadas
como referencial. Para movimentos ao longo de uma reta,
precisamos definir a origem em algum ponto desta reta e
também uma direção positiva. Se usarmos o eixo x como sistema
de coordenadas, a posição de uma partícula (carro) em uma
trajetória retilínea (Figura 2.2) será:
Observe que as equações
estão numeradas para
facilitar seu estudo.
r = xi
(2.1)
Figura 2.2 Vetor posição para o movimento retilíneo
Se a posição da partícula muda, dizemos que esta sofreu um
deslocamento, mostrado na Figura 2.3 e definido como:
∆r = r f – ri
(2.2)
∆r = ∆xi
(2.4)
∆r = (xf – xi)i
(2.3)
42
Fisica I.indb 42
8/5/2015 15:16:13
Física I
A letra grega maiúscula ∆ (delta) representa a variação de uma
grandeza, calculada como a diferença entre o seu valor final e o
seu valor inicial.
Figura 2.3 Vetor deslocamento para o movimento retilíneo
Para movimentos em apenas uma direção, podemos desprezar
o vetor unitário i e utilizar x em lugar de r, e ∆x em lugar de
∆r. Isto não será possível, entretanto, para duas e três dimensões.
Para o caso de um movimento unidimensional a equação para o
deslocamento fica:
∆x = (xf – xi)
(2.5)
Exemplo 1: Um carro subindo e descendo uma rua em declive
em linha reta. O movimento pode ser descrito por uma expressão
da coordenada x da partícula como função do tempo t:
x = 10 m + (12 m/s)t – (2,0 m/s2)t2
Em que x é medido ao longo da trajetória da partícula e a direção
positiva é adotada para cima. Construindo uma tabela da posição
do carro em cada instante t e, após, um gráfico mostrando o
comportamento da posição do carro em função do tempo, de
t = 0,0 s a t = 6,0 s, temos:
Unidade 2
Fisica I.indb 43
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Universidade do Sul de Santa Catarina
x = 10 m + (12 m/s)t – (2,0 m/s2)t2
t(s)
x(m)
0,0
10
x = 10 m + (12 m/s)(0 s) – (2,0 m/s2)(0 s)2 = 10 m
2,0
26
x = 10 m + (12 m/s)(2 s) – (2,0 m/s2)(2 s)2 = 26 m
1,0
20
3,0
28
5,0
20
4,0
6,0
26
10
x = 10 m + (12 m/s)(1 s) – (2,0 m/s2)(1 s)2 = 20 m
x = 10 m + (12 m/s)(3 s) – (2,0 m/s2)(3 s)2 = 28 m
x = 10 m + (12 m/s)(4 s) – (2,0 m/s2)(4 s)2 = 26 m
x = 10 m + (12 m/s)(5 s) – (2,0 m/s2)(5 s)2 = 20 m
x = 10 m + (12 m/s)(6 s) – (2,0 m/s2)(6 s)2 = 10 m
Observe que, para obtermos as posições do carro, substituímos
os instantes na equação do movimento e a resolvemos. A
multiplicação das unidades de cada termo resulta na unidade m,
como era de se esperar, já que estamos calculando a posição para
o instante dado.
Agora podemos construir um gráfico da posição x em função do
tempo t.
Figura 2.4 a Trajetória do movimento do carro
44
Fisica I.indb 44
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Física I
Figura 2.4 b Gráfico da coordenada x versus tempo t para o movimento do carro
Lembre-se de que o gráfico da coordenada x versus tempo t
não representa a trajetória do objeto. A trajetória que estamos
trabalhando é retilínea e está mostrada na Figura 2.4 a. Observe
que o carro sobe a rampa entre 0 e 3 s e, quando o carro está
na posição 28 m, muda o sentido do movimento iniciando o
processo de descida, que vai de 3 a 6 s.
Veja agora como descrever a velocidade e aceleração de uma
partícula.
Seção 2 – Vetor velocidade e
vetor aceleração em uma dimensão
Vetor velocidade
A velocidade média v de uma partícula em um intervalo de
tempo de ti a tf é definida como:
v=
∆r r f - ri
=
∆t t f − ti
(2.6)
Unidade 2
Fisica I.indb 45
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Em que rf e ri são os vetores posição que localizam a partícula
nos instantes tf e ti, respectivamente. Observe que uma barra (v)
representa a média de uma grandeza, neste caso, a velocidade
vetorial média.
Em uma dimensão temos:
v=
∆xi ( x f - xi )i
=
= vi
∆t
t f − ti
Assim, como fizemos para o deslocamento no movimento
unidimensional, podemos também desprezar o unitário i no
cálculo da velocidade vetorial média e então:
v=
∆x ( x f - xi )
=
∆t
t f − ti
(2.7)
A unidade no Sistema Internacional (SI) é o metro por segundo
(m/s). Outras unidades são km/h e cm/s.
Conversão entre as unidades m/s e km/h
Um dos casos mais comuns de conversão é a passagem
de km/h para m/s e vice-versa. Observe:
1 m/s =
1
km 3600 km
1m
= 1000
=
= 3, 6 km/h
1
1s
1000 h
h
3600
Assim:
ƒƒ Passamos de m/s para km/h multiplicando o valor em
m/s por 3,6
ƒƒ Passamos de km/h para m/s dividindo o valor em
km/h por 3,6
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Fisica I.indb 46
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Física I
Figura 2.5 Velocidade vetorial média no gráfico da coordenada x versus tempo t
A Figura 2.5 mostra que a velocidade média, em um gráfico de x
versus t, é igual ao coeficiente angular da reta que une os pontos
inicial e final, escolhidos para determinação da grandeza.
Exemplo 2: Usando o exemplo anterior, podemos determinar a
velocidade média em dois intervalos de tempo distintos:
∆t (s)
∆x (m)
v (m/s)
Entre 1 e 2 s
∆t = 2 – 1 = 1 s
∆x = 26 – 20 = 6 m
v=
∆x 6 m
m
=
=6
∆t
1s
s
Entre 3 e 5 s
∆t = 5 – 3 = 2 s
∆x = 20 – 28 = –8 m
v=
∆x −8 m
m
=
= −4
∆t
2s
s
Tabela 2.2 – Velocidade Média em tempos distintos
Observe na Figura 2.6 o gráfico da velocidade média nestes
intervalos. A grandeza representa a inclinação da reta que une
os pontos do intervalo estudado. Quando a velocidade média
é positiva, temos uma inclinação para a direita e, quando a
velocidade média é negativa, a inclinação se dá para o lado
esquerdo da reta.
Unidade 2
Fisica I.indb 47
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 2.6 Gráfico da coordenada x versus tempo t para o movimento do carro com a
representação da velocidade vetorial média em dois intervalos de tempo
A velocidade média com que você deve estar familiarizado
não é esta velocidade que acabamos de conceituar, mas sim a
velocidade escalar média.
A velocidade escalar média é aquela que calculamos nas situações
em que estamos ao volante. É uma grandeza escalar e, portanto,
sem propriedades direcionais. Para uma partícula em movimento,
percorrendo uma distância d durante um intervalo de tempo ∆t,
sua velocidade escalar média é:
v=
d
∆t
(2.8)
Agora que já estudamos a velocidade vetorial média
e a velocidade escalar média, podemos entender
sobre o funcionamento dos radares de trânsito. Estes
dispositivos permitem avaliar a velocidade de um
automóvel através da determinação de sua velocidade
escalar média durante um intervalo de tempo muito
pequeno (ordem do bilionésimo de segundo). Por
meio de um processador e de um software específico, a
velocidade escalar média do carro é calculada com muita
precisão e este é fotografado, caso o valor encontrado
seja superior ao limite estabelecido para o local.
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Fisica I.indb 48
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Física I
Após o estudo da velocidade média e da velocidade escalar média,
podemos definir o conceito de velocidade instantânea ou do vetor
velocidade.
A velocidade instantânea caracteriza o movimento de uma
partícula em um determinado instante e não em um intervalo
de tempo, como é o caso da velocidade média. A velocidade
instantânea também pode ser chamada simplesmente de
velocidade.
Para definir a velocidade vamos considerar o exemplo descrito
pelo gráfico de x versus t da Figura 2.7. Conforme vimos, o
coeficiente angular da reta que une dois pontos quaisquer
representa a velocidade média .
Vamos supor que determinemos esta velocidade para intervalos de
tempo sucessivos cada vez menores e que estejamos mantendo fixo
o valor de ti. À medida em que tf se aproxima de ti, o coeficiente
angular de cada intervalo tende para o coeficiente angular da
tangente à curva em ti. Assim, a velocidade define-se como o valor
limite de v quando o intervalo de tempo ∆t tende a zero.
Isto significa que a velocidade instantânea é igual ao coeficiente
angular da tangente à curva de x versus t. Podemos representar a
velocidade instantânea através do gráfico a seguir.
Figura 2.7 Velocidade instantânea: coeficiente angular da tangente à curva de x versus t
Unidade 2
Fisica I.indb 49
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Universidade do Sul de Santa Catarina
∆x
∆t →0 ∆t
v = lim v = lim
∆t →0
Assim, a velocidade instantânea é dada pela derivada de x em
relação a t.
v=
dx
dt
(2.9)
A velocidade instantânea ou o vetor velocidade de uma partícula
é a taxa de variação de vetor posição. Indica a rapidez e a direção
do deslocamento em um determinado instante.
Exemplo 3: Para o movimento do carro sobre uma rampa,
podemos determinar uma expressão para sua velocidade como
função do tempo. A posição do carro é dada por:
x = 10 m + (12 m/s)t – (2,0 m/s2)t2
Como x(t) é um polinômio em t, aplicamos a regra para calcular
a derivada de uma potência de t:
d n
t = nt n−1
dt
Assim:
dx
d
=
[10 m + (12 m/s)t – (2,0 m/s2)t 2]
dt
dt
v = 12 m/s – 2(2,0 m/s2)t
v=
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)t
Com a função que descreve o comportamento da velocidade
instantânea em função do tempo, podemos encontrar o valor da
grandeza para qualquer instante do movimento e mostrar isto
também em uma tabela e em um gráfico v versus t. Veja:
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Física I
Tabela 2.3 – Valor de grandeza versus instante do movimento
t(s)
v(m/s)
0
1
2
3
4
5
6
12 m/s
8 m/s
4 m/s
0
–4 m/s
–8 m/s
–12 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)t
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·0 s = 12 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·1 s = 8 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·2 s = 4 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·3 s = 0
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·4 s = –4 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·5 s = –8 m/s
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)·6 s = –12 m/s
Após a construção de nossa tabela, podemos fazer o seguinte gráfico:
Figura 2.8 Gráfico da velocidade v versus tempo t para o movimento do carro
Observe que o comportamento da velocidade em função do
tempo é linear, ou seja, descrito por uma reta. A velocidade
diminui sua intensidade durante a subida, durante o intervalo
de 0 e 3 s. Neste instante, em 3 s, o carro pára e muda o sentido
de seu movimento iniciando a descida entre 3 e 6 s. Durante a
descida, o módulo da velocidade está aumentando, mas como o
carro está descendo (retornando na trajetória) o vetor tem sinal
negativo. Isto mostra a diferença entre a velocidade vetorial e
a velocidade escalar. A velocidade escalar apresenta os mesmos
valores durante a subida e a descida do carro, já a velocidade
vetorial mostra seu sentido através do sinal positivo ou negativo.
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Vetor aceleração
A aceleração de uma partícula descreve a variação de sua
velocidade, tanto em módulo como em direção. Inicialmente
vamos pensar em uma aceleração média, ou seja, aquela definida
para um intervalo de tempo ∆t.
A aceleração média a de uma partícula em um intervalo de tempo
de ti a tf é definida como:
a=
∆v v f − vi
=
∆t t f − ti
(2.10)
Onde vf e vi são as velocidades da partícula nos instantes tf e ti,
respectivamente.
Em uma dimensão temos:
a=
∆vi (v f − vi )i
=
= ai
∆t
t f − ti
Figura 2.9 Aceleração vetorial média no gráfico da coordenada v versus tempo t
52
Fisica I.indb 52
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Física I
Da mesma forma como fizemos para a velocidade no movimento
unidimensional, podemos também desprezar o unitário i no
cálculo da aceleração vetorial média, e então:
a=
∆v (v f − vi )
=
∆t ( t f − ti )
(2.11)
A unidade no SI é o metro por segundo quadrado (m/s2). Outras
unidades são km/h2 e cm/s2.
A aceleração instantânea define-se como o valor limite de
quando o intervalo de tempo tende a zero. Isto significa que a
aceleração instantânea é igual ao coeficiente angular da tangente
à curva de v versus t.
Figura 2.10 Aceleração instantânea: coeficiente angular da tangente à curva de v versus t
a = lim a = lim
∆t →0
∆t →0
∆v
∆t
Unidade 2
Fisica I.indb 53
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Assim, a aceleração instantânea é dada pela derivada de v em
relação a t.
a=
dv
dt
(2.12)
Ou também:
a=
d 2x
dt 2
(2.13)
A aceleração instantânea ou o vetor aceleração de uma partícula
é a taxa de variação de vetor velocidade em um determinado
instante.
Exemplo 4: Podemos determinar a aceleração do carro em seu
movimento sobre a rampa. A partir da função que descreve o
comportamento da velocidade:
v = 12 m/s – (4,0 m/s2)t
Aplicando a definição para aceleração e fazendo a derivada desta
função, temos:
dv
d
=
[12 m/s – (4,0 m/s 2)t]
dt
dt
a = – 4,0 m/s 2
a=
Podemos verificar que a aceleração deste movimento é constante
no tempo. Ela apresenta um valor negativo, assim atua sobre o
vetor velocidade de maneira a diminuí-lo durante a subida, já
que este é positivo neste trajeto, e atua de maneira a aumentá-lo
durante a descida, já que o vetor velocidade para a descida é
negativo.
O movimento retilíneo com aceleração constante no tempo
é chamado de movimento retilíneo uniformemente variado
(MRUV) e será estudado na seção seguinte, acompanhe.
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Fisica I.indb 54
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Física I
Seção 3 – Movimentos retilíneos
com e sem aceleração: MRUV e MRU
Agora que definimos as grandezas posição, deslocamento,
velocidade e aceleração, que caracterizam os movimentos em
função do tempo, podemos estudar os seguintes movimentos
retilíneos: movimento retilíneo uniforme (MRU) e movimento
retilíneo uniformemente variado (MRUV).
Movimento retilíneo uniforme
O MRU é um movimento retilíneo em que a velocidade vetorial
é constante no tempo, ou seja, não muda nem sua intensidade
nem sua direção. Assim, este é um movimento de aceleração nula.
Neste caso a posição da partícula é dada por:
x(t) = x0 + vt
(2.14)
Onde x0 representa a posição inicial ou a posição em t = 0.
Na Figura 2.11, na sequência, podemos ver um esboço dos
gráficos de x versus t e v versus t.
Figura 2.11 Gráficos representativos do comportamento da posição e da velocidade em
função do tempo no MRU
Unidade 2
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Movimento retilíneo uniformemente variado
O MRUV é um movimento retilíneo em que a aceleração é
constante. No exemplo que tratamos na Seção 2, o carro se
movia com aceleração constante. Nestas situações, a aceleração
instantânea ou simplesmente aceleração é igual à aceleração
média. Assim:
a =a=
∆v (v f − vi )
=
∆t ( t f − ti )
(2.15)
Fazendo tf = t e ti = 0, de modo que vf = v(t) e vi = v0, temos:
a=
v( t ) − v0
t −0
(2.16)
Resolvendo em relação a v(t), temos:
v(t) = v0 + at
(2.17)
Assim a velocidade da partícula depende linearmente do tempo t.
Esta equação permite prever a velocidade da partícula em qualquer
tempo t, se são conhecidas a velocidade inicial e a aceleração.
Uma expressão para a posição da partícula em função do
tempo, quando esta se move com aceleração constante pode ser
desenvolvida. Neste caso, a velocidade média durante qualquer
intervalo de tempo pode ser descrita como a média aritmética
desde o início até o instante final. Então, de 0 a t:
v=
v0 + v
2
(2.18)
56
Fisica I.indb 56
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Física I
Lembre-se de que esta equação somente é válida para movimento
com aceleração constante.
Substituindo a equação da velocidade (2.17) na equação (2.18),
temos:
v = 12 (v0 + v0 + at)
v = v0 + 12 at
(2.19)
Mas, pela definição de velocidade média, sabemos que:
v=
(x − x0 )
t
(2.20)
Fazendo a substituição da equação (2.19) na equação (2.20),
temos:
(x − x0 )
v0 + 12 at
v ==
t
x = x0 + v0t + 12 at 2
(2.21)
A equação mostra que para um instante inicial t = 0 a partícula
está em uma posição x0 e possui velocidade inicial v0 e, após um
tempo t, sua nova posição será x, que é a soma de três termos:
a posição inicial x0, mais a distância v0t que ela percorreria se a
velocidade fosse constante, mais uma distância produzida pela
variação da velocidade 12 at 2.
Unidade 2
Fisica I.indb 57
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 2.12 Gráficos representativos do comportamento da posição e da velocidade em
função do tempo no MRUV
O deslocamento durante um dado intervalo de tempo pode ser
sempre calculado pela área embaixo da curva em um gráfico v
versus t.
Em muitas situações é importante utilizar uma equação que não
envolva posição, velocidade e aceleração e não leve em conta
o tempo. Assim podemos continuar nosso estudo isolando t
na equação (2.17) e substituindo na equação da posição (2.21),
seguido de uma simplificação.
(v − v0 )
a
2
 v − v0  1  v − v0 
x = x0 + v0 
 + a

 a  2  a 
t=
Levando x0 para o lado esquerdo da equação e multiplicando por
2a, temos:
2a(x – x0) = 2v0v – 2v02 + v2 – 2v0v + v02
Simplificando,
v2 = v02 + 2a(x – x0)
(2.22)
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Fisica I.indb 58
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Física I
Finalizando, vamos igualar as duas expressões de v (equações
2.18 e 2.20) e multiplicar os dois membros por t. assim obtemos:
v +v 
x − x0 =  0
t
 2 
(2.23)
As quatro equações (2.17), (2.21), (2.22) e (2.23) são as equações
do movimento com aceleração constante. Através delas, podemos
resolver qualquer problema que envolva um MRUV.
Na Figura 2.13 a seguir, podemos ver o comportamento da
aceleração em função do tempo neste movimento. Observe que a
aceleração é constante no tempo para o MRUV.
Figura 2.13 Gráficos representativos do comportamento da aceleração em função do
tempo no MRUV
Queda livre
Sabemos que qualquer corpo, quando solto de certa altura nas
proximidades da superfície terrestre, cai em direção à Terra com
aceleração aproximadamente constante. Inicialmente pensava-se
que objetos mais pesados caíam com maior rapidez que objetos
mais leves, e que a velocidade eram proporcionais aos seus pesos.
Mas Galileu Galilei (1564-1642) afirmou que um corpo deveria
cair com aceleração constante independentemente de seu peso.
Unidade 2
Fisica I.indb 59
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Universidade do Sul de Santa Catarina
E de fato, se os efeitos com a resistência com o ar puderem
ser desprezados, todos os corpos em um dado local caem com
a mesma aceleração, independentemente de suas formas e de
seus pesos.
A seguir é apresentado um modelo para este tipo de movimento,
no qual são desprezadas a rotação da Terra, a resistência com o
ar e a diminuição da aceleração com a altura. Este modelo ideal
é chamado de queda livre, embora ele sirva para estudar tanto
o movimento de subida como o movimento de descida
dos corpos.
A Figura 2.14 é uma fotografia estroboscópica do
movimento de queda de um corpo. O intervalo de tempo
entre dois flashes consecutivos é o mesmo. Assim, a
velocidade média do corpo é proporcional à distância
das imagens. A distância crescente entre duas imagens
consecutivas mostra que a velocidade está aumentando
e que o corpo acelera para baixo. Por meio de medidas
cuidadosas, podemos concluir que a variação da
velocidade é sempre a mesma entre os intervalos, e então
a aceleração de um corpo em queda livre é constante.
A aceleração constante de um corpo em queda livre
denomina-se aceleração da gravidade, e seu módulo
é simbolizado por g. Sua intensidade próxima à
superfície terrestre é 9,80 m/s2 ou 980 cm/s2.
Este valor varia de um local para outro, assim vamos
utilizar a aceleração gravitacional com apenas dois
algarismos significativos.
Figura 2.14 Fotografia estrobos­
cópica de dois corpos de massas
diferentes em queda livre
Na superfície da lua a aceleração gravitacional é
1,6 m/s2 e próximo à superfície do sol é 270 m/s2.
Fonte: Disponível em: <http://www.fsc.ufsc.br/
pesqpeduzzi/imagens-new4.htm>
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Fisica I.indb 60
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Física I
A seguir são apresentadas as equações que descrevem o movi­
mento de queda livre. Observe que são as equações do MRUV,
porém utilizando como aceleração a aceleração da gravidade.
Utilizaremos a direção vertical coincidindo com o eixo y, sendo a
direção positiva para cima.
(2.24)
v(t) = v0 – gt
y = y0 + v0t – 12 gt 2
2
(2.25)
2
0
v = v – 2g(y – y0)
(2.26)
Exemplo 5: Uma pedra é arremessada verticalmente para cima,
partindo do alto de um terraço de altura de 40 m. Se a velocidade
inicial da pedra é 15 m/s, determine:
a) o tempo que a pedra gasta para chegar à altura máxima;
b) a altura máxima atingida;
c) o tempo gasto pela pedra para atingir o nível do
arremessador;
d) a velocidade da pedra ao chegar ao chão.
Podemos interpretar fisicamente este problema da seguinte
maneira: à medida em que a pedra sobe até a altura máxima a
ser atingida, sua velocidade escalar está diminuindo. Ao chegar
ao ponto mais alto da trajetória, sua velocidade é igual a zero
e a pedra pára momentaneamente, iniciando o movimento de
descida, durante o qual a velocidade escalar aumenta. Durante
todo o movimento, a pedra está sendo acelerada para baixo,
pois a força de atração gravitacional atua sobre ela de forma a
atraí-la para a superfície terrestre. Desprezando a resistência
com o ar, modelamos este problema como um movimento com
aceleração constante.
Unidade 2
Fisica I.indb 61
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Universidade do Sul de Santa Catarina
a) Para determinar o tempo utilizado para chegar à altura
máxima, utilizamos a equação v(t) = v0 – gt e fazemos v = 0, já
que na altura máxima a pedra irá parar momentaneamente:
v(t) = v0 – gt
0 = 15 m/s – 9,8 m/s 2· t
t=
−15 m/s
−9,8 m/s 2
t = 1,53 s
b)Este tempo pode ser substituído na equação y = y0 + v0t – 12 gt 2
para se determinar a altura máxima atingida.
y = y0 + v0t – 12 gt 2
∆y = 15 m/s · (1,53 s) – 12 9,8 m/s 2(1,53 s)2
∆y = 11,5 m
Este é o deslocamento sofrido acima do prédio, então a partir
do solo, como o prédio tem 40 m, a pedra estará a uma altura de
51,5 m.
c) Quando a pedra está de volta à altura do arremessador, ∆y = 0
e a equação fica:
∆y = 15 m/s · t – 4,9 m/s 2· t 2
Esta é uma equação quadrática e tem duas soluções para t.
t (15 – 4,9t) = 0
E as soluções são: t = 0 e t = 3,06 s. Observe que 3,06 s é o
dobro de 1,53 s, que é o tempo gasto na subida. A pedra leva
exatamente o mesmo tempo para subir até altura máxima e
descer até arremessador.
62
Fisica I.indb 62
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Física I
d)Para calcular a velocidade da pedra ao chegar ao solo, usamos
v2 = v02 – 2g(y – y0), pois não sabemos o tempo gasto para chegar
ao solo e nesta equação não temos dependência com o tempo.
v2 = v02 – 2g(y – y0)
v2 = 02 – 2 · 9,8 m/s2 · (0 – 51,5) m
v = 31,8 m/s
Seção 4 – Vetor posição, deslocamento, velocidade
e aceleração para duas e três dimensões
Quando um avião acelera em uma pista para decolagem,
podemos descrever este movimento com as equações estudadas
na seção anterior, pois se trata de um movimento retilíneo.
Como podemos descrever o movimento deste corpo
quando este sai do chão? E quando ele descreve uma
trajetória curvilínea? Quais são as equações que irão
nos auxiliar no estudo de movimento em duas e três
dimensões?
Considere uma partícula em um ponto P em um dado instante.
Para localizar a partícula precisamos de um vetor posição r desta
partícula neste instante. Este é um vetor que vai da origem do
sistema de coordenadas até o ponto P (Figura 2.15). Podemos ver
na figura que as coordenadas cartesianas x, y e z do ponto P são
as componentes x, y e z do vetor r. Usando os vetores unitários, o
vetor posição pode ser assim apresentado:
r = xi + yj + zk
(2.27)
Unidade 2
Fisica I.indb 63
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 2.15 Vetor posição para um movimento em três direções
Ao se deslocar no espaço, a trajetória da partícula normalmente é
uma curva, e durante um intervalo de tempo a partícula se move
de um ponto P1, onde o vetor posição é r1, até um ponto P2, onde
o vetor posição é r2. Podemos então definir o deslocamento e a
velocidade média exatamente como fizemos na seção anterior.
v=
∆r r f - ri
=
∆t t f − ti
(2.28)
Figura 2.16 Vetor deslocamento e velocidade vetorial média para um movimento em três
direções
64
Fisica I.indb 64
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Física I
A velocidade instantânea é o limite da velocidade média quando
o intervalo de tempo tende a zero, portanto é igual à taxa de
variação do vetor posição com o tempo.
∆r d r
=
∆t →0 ∆t
dt
v = lim v = lim
∆t →0
(2.29)
A velocidade escalar em um instante qualquer é o módulo de
v neste mesmo instante. E o vetor velocidade instantânea é
tangente à trajetória em cada ponto. Observe que a posição e
a velocidade são vetores com componentes nos eixos x, y, e z.
Assim, é mais fácil calcular o vetor velocidade instantânea usando
estas componentes. Para qualquer deslocamento ∆r, temos as
componentes ∆x, ∆y e ∆z, para as variações das três coordenadas
da partícula. Portanto, as componentes do vetor velocidade
podem ser encontradas simplesmente através das derivadas das
coordenadas x, y, e z em relação ao tempo. Então:
dx
dt
dy
vy =
dt
dz
vz =
dt
vx =
(2.30)
(2.31)
(2.32)
O módulo do vetor velocidade é:
| v | = v = vx2 + v 2y + vz2
(2.33)
Unidade 2
Fisica I.indb 65
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Figura 2.17 Vetor velocidade para um movimento em três direções
Vetor aceleração
Após o estudo da aceleração para o movimento retilíneo,
podemos aplicá-lo ao movimento de uma partícula no espaço.
Definimos aceleração média de uma partícula que se move
no espaço de P1 a P2 como a razão entre a variação do vetor
velocidade ∆v e o intervalo de tempo gasto ∆t para esta variação.
a=
∆v v f - vi
=
∆t t f − ti
(2.34)
A aceleração média é uma grandeza vetorial com a mesma
direção do vetor velocidade média.
Figura 2.18 Vetor aceleração para um movimento em três direções
66
Fisica I.indb 66
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Física I
Podemos também, utilizando os conceitos estudados no
movimento retilíneo, apresentar a aceleração instantânea:
∆v d v
=
∆t →0 ∆t
dt
a = lim a = lim
∆t →0
(2.35)
Cada componente do vetor aceleração instantânea é dado pela
derivada da respectiva componente do vetor velocidade em
relação ao tempo t.
ax =
ay =
az =
dvx
dt
(2.36)
dv y
dt
(2.37)
dvz
dt
(2.38)
Exemplo 6: Uma bola descreve um movimento bidimensional a
partir de um penhasco, e suas coordenadas x e y são dadas pelas
seguintes expressões:
x = (15 m/s)t
y = (5 m/s)t – (4,9 m/s2)t 2
a) Mostre a trajetória da bola em
um gráfico x versus y.
b) Obtenha expressões para o vetor
velocidade em função do tempo. E
encontre a velocidade para t = 5 s.
c) Obtenha expressões para o vetor
aceleração em função do tempo. E
encontre a aceleração para t = 5 s.
Tabela 2.4 – Coordenandas
x e y em função do tempo
t(s)
x(m)
y(m)
0
1
2
3
4
5
0
15
30
45
60
75
0
0,1
-9,6
–29,1
–58,4
–97,5
a) Para mostrar a trajetória da bola, vamos construir a tabela ao
lado, onde determinaremos as coordenadas x e y em função do
tempo, e depois vamos traçar a trajetória.
Unidade 2
Fisica I.indb 67
67
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Trajetória do corpo
0
Altura
-20
-40
-60
-80
-100
-10
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Alcance horizontal
Figura 2.19 Gráfico da trajetória do corpo em queda a partir de um penhasco
b)A velocidade pode ser obtida fazendo a derivada das
expressões das coordenadas x e y:
vx =
dx
d
=
[15t] = 15 m/s
dt
dt
Observe que a componente da velocidade no eixo x é
independente do tempo, ou seja, constante.
dy
d
vy =
=
[5t – 4,9t 2] = 5 m/s – 9,8 m/s2· t
dt
dt
Para t = 5 s, a velocidade será:
vx = 15 m/s
vy = 5 m/s – 9,8 m/s2· 5 s = – 44 m/s
Usando a notação vetorial:
v = (15 m/s)i + (–44 m/s)j
68
Fisica I.indb 68
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Física I
c)A aceleração pode ser obtida fazendo a derivada das expressões
das velocidades em função do tempo:
dv
d
[15] = 0
ax = x =
dt
dt
dv y
d
=
[5 – 9,8t] = – 9,8 m/s2
ay =
dt
dt
Observe que a aceleração para qualquer eixo é independente
do tempo. No eixo x é nula e no eixo y é a própria aceleração
gravitacional. Este é o movimento denominado por lançamento
de projétil que é descrito fisicamente a seguir. A aceleração
vetorial pode ser escrita como:
a = (–9,8 m/s2)j
Seção 5 – Lançamento de projéteis
Qualquer corpo lançado com uma velocidade inicial formando
um ângulo com a superfície terrestre descreve uma trajetória
parabólica conhecida. O movimento de uma bola ao sofrer
um chute ou de uma bala atirada por uma arma de fogo são
exemplos de movimentos de projéteis. Estes movimentos podem
ser facilmente descritos e partiremos de algumas suposições:
1a) A aceleração de queda livre g é constante durante o intervalo
de tempo t de movimento e direcionada para baixo;
2a) O efeito de resistência com o ar, durante o movimento, pode
ser desprezado.
Escolhendo para referencial o plano cartesiano xy, tal que a direção
y seja vertical e positiva para cima, teríamos ay = –g (como em
queda livre unidimensional) e ax = 0 (a única aceleração possível
seria a resistência com o ar que está sendo desprezada). Também
vamos supor que para t = 0 a posição é a origem, ou seja, xo = yo = 0,
e que a velocidade é vo como mostra a Figura 2.20 a seguir.
Unidade 2
Fisica I.indb 69
A aproximação é válida
uma vez que a altura
máxima do movimento
é pequena se comparada
com o raio da Terra (6,4 ×
6
10 m). Equivale a supor
que a Terra seria plana
dentro do alcance do
movimento.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 2.20 Trajetória parabólica de um projétil, quando os efeitos com a resistência com
o ar podem ser desprezados
Se a velocidade faz um ângulo θ com a horizontal, podemos
decompor este vetor seguindo os conhecimentos adquiridos na
Unidade 1 e suas componentes ortogonais são:
vxo = vocos θ
vyo = vosen θ
(2.39)
(2.40)
Estas são as equações para as componentes da velocidade
inicial do projétil. A partir destas equações, podemos descrever
o movimento de um projétil através da composição de dois
movimentos, um na horizontal sem aceleração ou um MRU,
e outro na vertical sujeito à aceleração gravitacional ou um
movimento de queda livre. Assim as equações descritas na Seção
3 podem ser aplicadas neste estudo. Devemos apenas substituir
o valor encontrado para as componentes horizontal e vertical da
velocidade.
Logo, substituindo as componentes iniciais da velocidade
(equações 2.39 e 2.40) e fazendo xi = yi = 0, ax = 0 e ay = –g, temos:
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Fisica I.indb 70
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Física I
Movimento na direção horizontal (MRU):
vxf = vxo = vocos θ = constante
x = (vocos θ)t
(2.41)
Movimento na direção vertical (queda livre):
(2.42)
vyf = (vosen θ) – gt
yf = (vosen θ)t –
2
f
2
1 2
gt
2
(2.43)
v = (vosen θ) – 2g∆y
(2.44)
Isolando t na equação (2.41) que descreve a posição para o
movimento na horizontal, e substituindo na equação (2.43) que
descreve a posição para o movimento vertical, obtemos:

 2
g
y f = (tan θ)x f −  2
x f
2
 2vo cos θ 
Esta equação é válida para ângulos no intervalo 0 < θ < π2 e sua
forma é y = ax – bx2, que corresponde à equação de uma parábola
que passa através da origem.
Além da equação da trajetória, também é interessante analisar­
mos o ponto mais alto que o corpo em movimento irá atingir ou
a altura máxima h do movimento e seu alcance horizontal R,
que consiste na máxima distância horizontal que será atingida
pelo projétil.
A altura máxima h pode ser determinada se isolarmos o tempo
t na equação (2.42), fazendo vy = 0 e substituindo este na
equação (2.43). Observe que a velocidade no ponto de altura
máxima é zero, pois neste instante o projétil inicia seu retorno no
movimento de queda livre. Chamando yf de h, obtemos:
Unidade 2
Fisica I.indb 71
71
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Universidade do Sul de Santa Catarina
vo2 sen 2 θ
h=
2g
(2.45)
Observe que a partir da equação você pode prever como
aumentar a altura h, lançando o projétil com uma velocidade
inicial maior, a um ângulo maior, ou de um local onde a
aceleração gravitacional seja menor.
Para determinação de uma equação que descreva o alcance
horizontal R, precisamos do dobro do tempo utilizado para
chegar na altura máxima ou 2t. Assim, utilizando a equação
(2.41) que descreve o movimento horizontal e chamando xf = R
e t = 2t, obtemos:
R=
vo2 sen 2θ
g
(2.46)
A equação mostra que para aumentarmos o alcance precisamos
lançar também com uma velocidade inicial maior, a um ângulo
maior, ou de um local onde a aceleração gravitacional seja menor.
O maior valor possível para o alcance R será obtido quando
sen 2θ = 90°. Portanto R é máximo quando θ = 45°.
Síntese
Nesta unidade, você iniciou o estudo da mecânica, que é a parte
da física que descreve os movimentos dos corpos. Inicialmente
aprendeu a diferenciar uma partícula de um corpo. Viu que,
sempre que as dimensões do corpo puderem ser desprezadas,
este corpo pode ser tratado como uma partícula, facilitando a
descrição do movimento.
Também estudou conceitos de velocidade e aceleração tanto para
movimentos em uma dimensão como para movimentos em duas
ou três dimensões.
72
Fisica I.indb 72
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Física I
Viu que a velocidade média v de uma partícula em um intervalo
de tempo de ti a tf é definida como a razão entre o deslocamento
∆r e o intervalo de tempo ∆t:
v=
∆r r f - ri
=
∆t t f − ti
∆r é um vetor que poderá apresentar até três componentes
correspondentes ao deslocamento resultante de um movimento
em três dimensões: ∆x, ∆y e ∆z.
Também aprendeu sobre a velocidade instantânea, que é o limite
da velocidade média quando o intervalo de tempo tende a zero,
portanto é igual à taxa de variação do vetor posição com o tempo.
v = lim v = lim
∆t →0
∆t →0
∆r d r
=
∆t dt
Desta forma, as componentes do vetor velocidade podem ser
encontradas simplesmente através das derivadas das coordenadas
x, y, e z em relação ao tempo. Então:
vx =
dx
dt
vy =
dy
dt
vz =
dz
dt
Assim a velocidade escalar em um instante qualquer é o módulo
de v neste mesmo instante. E o vetor velocidade instantânea é
tangente à trajetória em cada ponto.
Sobre a aceleração, definimos aceleração média de uma partícula
que se move no espaço de P1 a P2 como a razão entre a variação
do vetor velocidade ∆v e o intervalo de tempo gasto ∆t para esta
variação.
a=
∆v v f - vi
=
∆t t f − ti
Unidade 2
Fisica I.indb 73
73
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Universidade do Sul de Santa Catarina
A aceleração média é uma grandeza vetorial com a mesma
direção do vetor velocidade média, e também poderá chegar
a ter três componentes quando o movimento apresentar três
dimensões. Podemos também descrever a aceleração instantânea.
a = lim a = lim
∆t →0
∆t →0
∆v d v
=
∆t dt
Cada componente do vetor aceleração instantânea é dado pela
derivada da respectiva componente do vetor velocidade em
relação ao tempo t.
ax =
dvx
dt
ay =
dv y
dt
az =
dvz
dt
Você ainda estudou casos específicos como o MRU, que é um
movimento sem aceleração, e o MRUV, que apresenta aceleração
constante. Além destes, o movimento bidimensional de projéteis
constituído por um movimento MRU na horizontal e um
movimento de queda livre ou MRUV na vertical.
Atividades de auto-avaliação
Problemas envolvendo velocidade média e velocidade escalar média
1. Um carro percorre 30 km numa estrada retilínea, à velocidade
de 40 km/h. Depois percorre mais 30 km no mesmo sentido com
uma velocidade de 80 km/h.
a) Qual a velocidade média do carro nesses 60 km de
viagem? (Suponha que o movimento é no sentido
positivo do eixo x).
b) Qual a velocidade escalar média?
2. Um carro se movimenta sobre uma trajetória retilínea
entre dois pontos A e B. Na primeira metade da trajetória, sua
velocidade escalar média é 30 km/h e na segunda metade é de
60 km/h. Encontre a velocidade escalar média para todo percurso
da trajetória.
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Fisica I.indb 74
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Física I
Problemas envolvendo movimentos em uma direção
3. A posição de um objeto em movimento retilíneo é dada por
x = 2t – 4t 2 + t 3, onde x está em metros e t em segundos.
a) Qual a posição do objeto em t = 0, 1 s, 2 s, 3 s e 4 s?
b) Qual o deslocamento entre t = 0 e t = 4 s?
c) Qual a velocidade média no intervalo t = 2 s a t = 4 s?
4. A posição de um objeto em movimento retilíneo é dada por
x = 2 + 6t + 3t 2, onde x está em metros e t em segundos.
a) Qual a posição do objeto em t = 0, 1 s, 2 s, 3 s, 4 s e 5 s?
Mostre num gráfico de x versus t o comportamento da
posição em função do tempo.
b) Encontre uma expressão para a velocidade em função do
tempo.
c) Qual a velocidade do objeto em t = 0, 1 s, 2 s, 3 s, 4 s e 5 s?
Mostre num gráfico de v versus t o comportamento da
velocidade em função do tempo.
d) Encontre uma expressão para a aceleração em função do
tempo.
e) Qual a aceleração do objeto em t = 0, 1 s, 2 s, 3 s, 4 s e 5 s?
Mostre num gráfico de a versus t o comportamento da
aceleração em função do tempo.
5. A posição de um objeto em movimento retilíneo é dada por
x = 6 – 4t + 2t 2, onde x está em metros e t em segundos.
a) Qual a velocidade média no intervalo t = 2 s a t = 4 s?
b) Qual sua velocidade em t = 4 s?
c) A velocidade é constante ou está continuamente
variando?
Unidade 2
Fisica I.indb 75
75
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Universidade do Sul de Santa Catarina
6. Considere o gráfico, velocidade versus tempo, do movimento
de um corredor, conforme mostra a figura desta questão. Qual é a
distância percorrida por ele em 16 s?
Figura 2.21 - Velocidade versus tempo
7. Um ciclista se move ao longo de uma pista retilínea com
velocidade de 15 km/h. Ao passar por um marco da pista, passa
a desacelerar uniformemente a uma taxa de 10 cm/s2. Usando
como referencial o marco da pista:
a) Escreva a equação da velocidade do ciclista em função do
tempo, usando unidades do sistema internacional (SI).
b) Escreva a equação da posição do ciclista em função do
tempo, usando unidades do sistema internacional (SI).
c) Determine a distância do ciclista ao marco quando ele
atinge o repouso.
Problemas e questões envolvendo movimentos de projéteis
8. Em um jogo de taco, uma bola é lançada num arco de curva
a uma grande altura. Quando a bola atinge o ponto mais alto da
trajetória:
a) A velocidade e a aceleração são nulas.
b) A velocidade é nula, mas a aceleração não é nula.
c) A velocidade não é nula, mas a aceleração é nula.
d) A velocidade e a aceleração são ambas diferentes de zero.
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Fisica I.indb 76
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Física I
9. Um projétil é disparado sob um ângulo de 25° acima do horizonte.
O módulo da sua velocidade inicial sendo de 30 m/s, qual será a
componente horizontal no ponto mais alto da trajetória?
10. Um menino arremessa uma bola com velocidade inicial de
25 m/s, fazendo um ângulo de 30° com a horizontal. Calcule:
a) O tempo que a bola fica no ar.
b) A distância horizontal percorrida pela bola.
11. Uma bala é disparada na horizontal a 2,0 m de altura em
relação ao chão. Se a velocidade inicial é de 230 m/s, qual é o
tempo que a bala fica no ar?
Saiba mais
Para aprofundar seu estudo sobre os movimentos em uma e mais
direções, recomendo a leitura do livro “Física I - Mecânica”, de
autoria de Hugh D. Young e Roger A. Freedman, editado em
2003 pela editora Pearson Education do Brasil. Nos capítulos 2 e 3
deste livro você encontrará algumas aplicações importantes que lhe
auxiliarão na compreensão dos movimentos. Vale a pena conferir!
Unidade 2
Fisica I.indb 77
77
8/5/2015 15:16:16
Fisica I.indb 78
8/5/2015 15:16:16
Unidade 3
Força e movimento
Objetivos de aprendizagem
ƒƒEstudar os princípios fundamentais da mecânica para descrever as
causas do movimento de um corpo.
ƒƒDiscutir o significado físico das diferentes grandezas força e massa.
ƒƒCompreender e aplicar as três leis fundamentais do movimento
tanto para partículas em equilíbrio como para partículas
aceleradas.
ƒƒConceituar a força de atrito e aplicá-la a partículas em movimento.
3
Seções de estudo
Seção 1 Leis de Newton
Seção 2 Aplicações das leis de Newton
Seção 3 Atrito
Fisica I.indb 79
8/5/2015 15:16:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
Na unidade anterior você estudou sobre o movimento de
partículas baseado nas definições de posição, velocidade e
aceleração, ou aquilo que chamamos de cinemática. Nesta
unidade você continuará o estudo da mecânica através da
descrição da dinâmica, que é a parte da física encarregada
de discutir os princípios fundamentais da mecânica, ou seja,
responsável pela descrição das causas dos movimentos.
Conteúdos como conceitos físicos de massa e força, as três leis
de Newton para o movimento e a força de atrito compõem a
unidade. No decorrer do estudo, você também terá oportunidade
de aprender como fazer a descrição de uma partícula em
equilíbrio, como também de uma partícula acelerada. A unidade
permitirá, então, o entendimento sobre movimentos comuns em
nosso dia-a-dia.
Para iniciar nosso estudo, vamos refletir sobre um meio de
transporte muito rápido e confortável que, embora não exista
no Brasil, é bastante popular em outros países: o trem-bala.
Este trem circula entre grandes cidades, como Shangai, Tóquio,
Osaka, Hiroshima e Nagasaki, excedendo os 200 km/h. A marca
mundial de velocidade para um trem com rodas foi estabelecida
em 2007 por um TVG (train a grande vitesse) francês que atingiu
a velocidade de 574,8 km/h. O protótipo japonês MAGLEV
(levitação magnética) havia atingido os 571 km/h.
Viajar em um trem tão rápido pode até ser uma coisa comum
para a sociedade moderna. Mas você poderá se questionar
sobre algumas curiosidades ao utilizar este meio de locomoção.
Quando o trem acelera para deixar a estação, uma sensação de
compressão contra as costas da poltrona parece tomar conta de
seu corpo. Durante a viagem, você pode se movimentar dentro
do trem e nem sequer percebe que ele está se movimentando a
mais de 200 km/h. Mas quando o trem está chegando à estação,
você volta a sentir o movimento.
80
Fisica I.indb 80
8/5/2015 15:16:17
Física I
Por que somente percebemos o movimento de trem no
início e no final da viagem?
Faça seu estudo com atenção e concluirá que através das leis
fundamentais da dinâmica, ou as Leis de Newton, você poderá
satisfazer suas curiosidades.
Figura 3.1 Trem-bala, altíssima velocidade
Disponível em: http://home.wangjianshuo.com/archives/2003/11/05/shanghai.maglev-head-in.station.jpg
Figura 3.2 Shinkansen, o primeiro comboio de alta-velocidade do mundo
Disponível em: http://www.schillerinstitut.dk/images/shanghai_maglev.jpg
Unidade 3
Fisica I.indb 81
81
8/5/2015 15:16:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 1 – Leis de Newton
As três leis de Newton constituem a base da mecânica e foram
formuladas com fundamento nos conceitos de massa e força.
Assim, é importante inicialmente entendermos estes conceitos
para passarmos à discussão sobre as leis de Newton.
Com base em nossa experiência do cotidiano podemos definir
massa de um corpo como a medida de sua resistência a uma
variação de sua velocidade.
Imagine que você resolva trocar a posição de seus
móveis em seu quarto. Qual seria a maior dificuldade,
movimentar seu guarda-roupa ou movimentar seu
criado-mudo? Através deste raciocínio podemos
perceber que, quanto maior a massa do corpo, maior
será a dificuldade em mudar seu estado de repouso ou
movimento.
Massa é uma quantidade escalar e então pode ser somada
aritmeticamente.
mT = m1 + m2 + … + mn
(3.1)
Se pensarmos que esta dificuldade que o corpo oferece para
mudar o seu estado de movimento ou de repouso pode ser
chamada de inércia, então a definição que segue é verdadeira:
Massa é a medida da inércia de um corpo.
Unidade no Sistema Internacional (SI):
Unidade no Sistema CGS:
quilograma (kg)
grama (g)
82
Fisica I.indb 82
8/5/2015 15:16:17
Física I
Assim como a massa, o conceito de força também pode ser analisado
com fundamento em experiências diárias. Podemos observar que estamos
constantemente interagindo com corpos que estão a nossa volta.
Figura 3.3 - Exemplo força 1
Fonte: Exercícios... (2009).
Figura 3.4 - Exemplo força 2
Fonte: História... (2011).
Figura 3.5 - Exemplo força 3
Fonte: Spansk... ([20--?]).
Unidade 3
Fisica I.indb 83
83
8/5/2015 15:16:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
O conceito de força nos fornece uma descrição quantitativa desta
interação entre os corpos ou entre um corpo e seu ambiente.
Estas forças podem ser de contato, quando envolvem o contato
direto entre os corpos, ou de longo alcance, quando atuam
mesmo a distância.
Como forças de contato, podemos citar exemplos comuns
como chutar uma bola, empurrar um corpo, etc. No caso de
forças de longo alcance, podemos usar como exemplo a atração
gravitacional da Terra sobre os corpos e a força eletrostática entre
corpos carregados.
A força causa a modificação do estado de repouso ou de
movimento de um corpo e apresenta as seguintes propriedades:
1. tem módulo, direção e sentido e, portanto, é uma
grandeza vetorial;
2. ocorre aos pares. Ao chutar uma bola, seu pé exerce uma
força sobre a bola, mas esta também exerce uma força
sobre seu pé;
3. pode produzir aceleração. Ao chutar a bola, a velocidade
desta poderá variar;
4. pode produzir deformação. A bola pode ser deformada
durante a interação com o pé.
A força resultante exercida sobre um objeto é a soma vetorial de
todas as forças individuais exercidas sobre ele por outros objetos.
FR = ∑F = F1 + F2 + … + Fn





(3.2)
Agora que você já estudou os conceitos de massa e força,
podemos iniciar a discussão sobre as leis fundamentais da
mecânica.
Primeira Lei de Newton (Lei da Inércia)
Todo corpo permanece em estado de repouso ou de
movimento retilíneo uniforme se a resultante das forças
que atuam sobre esse corpo for nula.
84
Fisica I.indb 84
8/5/2015 15:16:17
Física I
Esta lei costuma ser chamada de lei da inércia porque inércia
significa resistência a uma mudança, e aqui o corpo tende a
manter sua velocidade vetorial. Se a velocidade do corpo for igual
a zero, este tende a continuar em repouso, e se a velocidade do
corpo for diferente de zero, este tende a continuar em MRU com a
velocidade que tiver.
Observe que a velocidade do corpo não mudará nem em módulo,
nem em direção, por isso o corpo continua seu movimento
em linha reta. Segundo a primeira leide Newton: se a força
resultante sobre um objeto é zero (∑F = 0), então a aceleração do
objeto é zero (a = 0).
Com esta lei podemos entender por que sentimos
uma compressão intensa ao iniciar a viagem em um
trem-bala. Como o trem é fortemente acelerado a
partir do repouso, e você também estava em repouso
dentro do trem, a tendência de seu corpo é manter
sua velocidade igual a zero. Daí surge uma sensação
de compressão nas suas costas. Durante a viagem, se
o trem mantém sua velocidade aproximadamente
constante, você não sente seu movimento. Somente
na hora em que o trem chega à nova estação é que
você passará a perceber o movimento, porque neste
momento a velocidade do trem será reduzida e seu
corpo tenderá a manter-se em movimento com a
velocidade que possuía, ou seja, a velocidade anterior
do trem. Assim a lei da inércia permite explicarmos
fisicamente o que acontece nesta viagem. Podemos
observar que nosso corpo reage às acelerações e não
às velocidades. Não temos a sensação corporal de
estarmos em movimento se a velocidade é constante,
mas sim se esta velocidade sofre uma alteração, que
poderá ser tanto em intensidade como em direção.
Sistemas inerciais de referência
A primeira lei de Newton é válida para sistemas inerciais. Para
entendermos vamos analisar um exemplo, imaginando um corpo
apoiado sobre uma mesa. Duas forças atuam sobre o corpo: a
força gravitacional exercida pela Terra, com direção vertical e
sentido para baixo, e uma força oposta, exercida pela mesa sobre
o corpo.
Unidade 3
Fisica I.indb 85
85
8/5/2015 15:16:17
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para sabermos se a força resultante sobre o corpo é zero,
precisamos definir um referencial para o movimento.
Se escolhermos a mesa como referencial, então o corpo está
em equilíbrio e a força resultante é realmente zero. Isto implica
uma velocidade vetorial invariável e, portanto, a aceleração do
sistema é nula. Mas, se o referencial escolhido for outro corpo se
movimentando com aceleração em relação à mesa, o objeto sobre
a mesa não apresentará aceleração nula.
Um sistema inercial de referência é um sistema em que a
primeira lei de Newton é válida e, portanto, é um sistema no qual
a aceleração de um objeto em movimento será nula se a força
resultante sobre ele for nula.
Segunda Lei de Newton
(Lei Fundamental da Dinâmica)
A aceleração adquirida por um corpo é diretamente
proporcional à intensidade da resultante das forças que
atuam sobre o corpo, tem direção e sentido dessa força
resultante e é inversamente proporcional à sua massa.
Quando existe força resultante sobre um corpo, este corpo sofre
uma aceleração na direção da força. A segunda lei de Newton
mostra o efeito que a força resultante exercerá sobre o corpo.
Desta forma, quanto maior a força resultante, maior a aceleração,
e quanto maior a massa, menor a aceleração. Podemos expressar
matematicamente por:

FR = m·a
(3.3)
Esta é uma equação vetorial e equivale a:
Fx = m·ax
(3.4)
Fz = m·az
(3.6)
Fy = m·ay
(3.5)
86
Fisica I.indb 86
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Física I
Unidade no Sistema Internacional (SI):
1 Newton = 1 N = 1 kg·m/s2
Se um corpo de massa 1 kg tem uma aceleração de 1 m/s2 em
relação a um sistema inercial de referência, a força resultante
exercida sobre o corpo é de 1 Newton.
1 Dina = 1 g·cm/s2
Unidade no sistema CGS:
Exemplo 1: Quando o Titanic foi lançado ao mar, era o maior
objeto móvel construído pelo homem, com uma massa de
6,0 × 107 kg. Qual seria o módulo da força resultante necessária
para imprimir ao Titanic uma aceleração de módulo 0,1 m/s2?
FR = m·a
FR = 6,0 × 107 kg · 0,1 m/s2
FR = 6 × 106 N
Terceira Lei de Newton (Lei da Ação e Reação)
A toda ação corresponde sempre uma reação de igual
intensidade e direção, mas sentido contrário.
A terceira lei de Newton mostra que as forças resultam de
interações entre os corpos. Também podemos afirmar que as
forças sempre ocorrem aos pares.
Se dois corpos interagem e o corpo 1 exerce uma força F12 sobre
o corpo 2, então o corpo 2 exerce uma força –F21 sobre o corpo 1.
F12 = –F21
Observe que estas forças estão aplicadas a corpos diferentes e
assim nunca se anulam.
Exemplo 2: Os carrinhos A e B (Figura 3.3) estão equipados
cada um com uma mola pára-choque, de forma que, quando são
empurrados um contra o outro, seus pára-choques se comprimem.
Liberados, as molas dos carrinhos se separam de tal forma que
aA = 0,85 m/s2 e aB = 1,40 m/s2. Sabendo que a massa do carrinho
Unidade 3
Fisica I.indb 87
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Universidade do Sul de Santa Catarina
B é 1,0 kg, determine a massa do carrinho A. A massa das rodas
de cada carrinho é muito menor do que a de sua carroceria e os
rolamentos das rodas estão bem lubrificados.
Figura 3.6 Interação de carros
Segundo a lei da ação e reação:
FA = –FB
mA·aA = –mB·aB
Em termos de módulo:
mA·aA = mB·aB
Logo:
m A = mB
aB
aA
 1, 40 m/s 2 
mA = 1,0 kg 
2 
 0,85 m/s 
mA = 1,6 kg
Força gravitacional
O peso de um corpo é a força de atração gravitacional exercida
pela Terra sobre este corpo. Embora os termos massa e peso
sejam considerados sinônimos em nosso cotidiano, é importante
que você entenda que isto não é verdadeiro.
Massa e peso são grandezas físicas diferentes. Como já estudamos,
massa caracteriza a propriedade da inércia de um corpo e quanto
maior a massa de um corpo, maior a força necessária para
produzir uma dada aceleração neste. O peso de um corpo é uma
força que sobre ele age, devido à atração gravitacional exercida
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Fisica I.indb 88
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Física I
pela Terra. Esta força é direcionada para o centro da Terra. Como
a aceleração de um corpo em queda livre é igual à aceleração da
gravidade g, a força será:


(3.7)
P = –(m·g)j
Onde:
g = 9,8 m/s2 e (m·g) é o módulo da força peso.
Esta força, usando como referencial o plano xy, com direção
positiva para cima, é um vetor com direção e sentido dados por

–j . O valor de g varia de um ponto para outro da superfície da
Terra desde 9,78 m/s2 a 9,82 m/s2 pelo fato de a Terra não ser
uma esfera perfeita e também devido ao seu movimento. Assim,
o peso de um corpo pode variar dependendo do local onde se
encontre, mas sua massa não varia. A aceleração de um corpo na
superfície da Lua é 1,6 m/s2.
Exemplo 3: Um astronauta de massa 70 kg.
ƒƒ Peso na Terra: 70 kg · 9,8 m/s2 = 686 N
ƒƒ Peso na Lua: 70 kg · 1,6 m/s2 = 112 N
Seção 2 – Aplicações das leis de Newton
Após a discussão sobre as leis de Newton, podemos aplicálas para corpos que estão em equilíbrio (a = 0), ou que estão
acelerados devido à ação de forças externas constantes. Aqui,
assim como nas unidades anteriores, os corpos são tratados como
partículas e, além disso, deixaremos a força de atrito para ser
estudada na próxima seção.
Cordas e fios: ao puxarmos uma corda, esta sofre uma ligeira
extensão e exerce sobre o corpo que a puxou uma força igual
e oposta. Será tratada aqui com massa e extensão desprezível,
apresentando como única função transmitir forças entre corpos
ligados por ela.
Unidade 3
Fisica I.indb 89
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Partículas aceleradas
Exemplo 4: Considere uma caixa de 8 kg sendo arrastada sobre
uma superfície horizontal polida, onde a força de atrito pode ser
desprezada (veja a Figura 3.4). Determine a aceleração da caixa
e a força que o chão exerce sobre a caixa sabendo que a força
realizada através da corda tem intensidade de 20 N.
Figura 3.7 Caixa sendo arrastada sobre uma superfície horizontal polida
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas
esquematicamente sobre a partícula, como na Figura 3.4.
Este diagrama é chamado de diagrama de corpo livre. Podemos
observar que três forças estão agindo sobre a partícula: a força
gravitacional P, a força exercida pela superfície N e a força
exercida pela corda T. A força N é chamada de força normal e a
força T é chamada de tração ou de tensão na corda.
Força normal (N) – Quando um corpo pressiona uma
superfície, experimenta uma força perpendicular à
superfície. Esta é chamada de normal, pois tem uma
direção sempre perpendicular à superfície.
Força de tração (T) – Toda corda esticada está sob
tração (tensão). Sua massa é geralmente desprezível.
A corda existe apenas como conexão entre os corpos.
Tem direção da corda e sentido para fora do corpo.
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Fisica I.indb 90
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Física I
Em seguida, aplicamos a segunda lei de Newton nas direções dos
eixos x e y.
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que a aceleração do movimento tem a direção do eixo x:
N–P=0
N = P = m·g
N = 8 kg · 9,8 m/s2
N = 78,4 N
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m·ax
Substituindo as forças que atuam nesta direção e chamando ax de
a, temos:
T = m·a
Mas sabemos que a força através da corda é de 20 N, então
podemos determinar a aceleração do corpo.
20 N = 8 kg · a
a=
20 N 20 kg ⋅ m/s 2
=
8 kg
8 kg
a = 2,5 m/s2
Unidade 3
Fisica I.indb 91
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Estratégia de resolução de problemas:
1. interpretar fisicamente a situação;
2. traçar o diagrama de corpo livre para cada corpo
separadamente, mostrando as forças externas
presentes;
∑Fx = m·ax
∑Fy = m·ay
3. aplicar a segunda lei de Newton nas direções x e y
para cada corpo;
4. Achar as incógnitas das equações.
Exemplo 5: A Figura 3.3 mostra dois corpos de massas m1 e
m2 ligados através de uma corda de massa desprezível. A corda
passa por uma polia, de massa e atrito desprezíveis, de tal forma
que o corpo de massa m2 fica suspenso. O corpo suspenso, ao
cair, produz um deslizamento do corpo m1 sobre a superfície
horizontal lisa, onde o atrito também pode ser desprezado.
Determine:
a) o módulo da aceleração dos dois corpos se:
m1 = 3,0 kg e m2 = 2,0 kg;
b) a intensidade da força de tensão na corda.
Figura 3.8 Dois corpos ligados por uma corda tracionada
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Fisica I.indb 92
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Física I
A solução deste problema deve ser iniciada através da construção
do diagrama de corpo livre dos dois corpos, no qual são
representadas todas as forças que atuam nestes. Veja os diagramas
da Figura 3.5.
Observe que sobre o corpo de massa m1 temos três forças
externas atuando: a força gravitacional P1, a força de reação
da superfície sobre o corpo N1 e a força horizontal de tração
realizada pela corda T.
Já no corpo suspenso de massa m2, duas forças externas estão
atuando: a força vertical de tração realizada pela corda T, com
sentido para cima, e a força vertical de atração gravitacional P2,
com sentido para baixo. A corda puxa o corpo. Observe que a
corda puxa o corpo deslizante para a direita e também puxa o
corpo suspenso, impedindo que este caia livremente.
Para resolver a aceleração dos corpos, vamos aplicar a segunda lei
de Newton para as duas massas.
Corpo de massa m1:
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que a aceleração do movimento tem a direção do eixo x:
N–P=0
N = P = m1·g
N = 3 kg · 9,8 m/s2
N = 29,4 N
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m1·ax
Unidade 3
Fisica I.indb 93
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Substituindo as forças que atuam nesta direção e chamando ax de
a, temos:
T = m1·a
Corpo de massa m2:
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e chamando ay de
a, temos:
P2 – T = m2·a
Observe que fizemos a diferença entre a força de maior módulo
(peso do corpo) e a de menor módulo (tração da corda), já que a
aceleração tem sentido para baixo.
Podemos substituir o valor de T = m1·a e também de P2 = m2·g.
m2·g – m1·a = m2·a
m1·a + m2·a = m2·g
a=
m2
g
m1 + m2
Substituindo os valores das massas e da aceleração gravitacional,
temos:
a=
2 kg
9,8 m/s 2
3 kg + 2 kg
a = 3,9 m/s2
Substituindo o valor encontrado para a aceleração na equação
T = m1·a, podemos determinar a tensão sobre a corda:
T = 3 kg · 3,9 m/s2
T = 11,7 N
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Física I
Exemplo 6: Suponha um corpo deslizando por uma rampa
inclinada sem atrito, como mostra a Figura 3.6. A inclinação da
rampa é θ = 15°. Determine a aceleração do corpo.
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas esque­
maticamente sobre a partícula. Veja:
Figura 3.9 Corpo deslizando sobre um plano inclinado
Observe que traçamos um plano cartesiano de forma a coincidir

com a inclinação da rampa. Assim
temos
a
força
normal
N

sobre o eixo y e a força peso P , que deverá ser decomposta em
duas componentes ortogonais Px e Py, conforme já estudamos na
Unidade 1. Pela figura, podemos observar que as componentes da
força peso serão descritas por:
Px = P sen θ = mg sen 15°
Py = P cos θ = mg cos 15°
Em seguida, aplicamos a segunda lei de Newton nas direções dos
eixos x e y.
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que a aceleração do movimento tem a direção do eixo x:
N – Py = 0
N = mg cos 15°
Unidade 3
Fisica I.indb 95
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m·ax
Substituindo as forças que atuam nesta direção e chamando ax de
a, temos:
Px = m.a
m.g . sen 15° = m.a
As massas se cancelam, pois aparecem nos dois lados da equação,
e temos para a aceleração:
a = g . sen 15°
a = 9,8 m/s2. sen 15° = 2,5 m/s2
Podemos verificar que a aceleração do corpo independe do
valor de sua massa e é determinada pelo valor da aceleração
gravitacional no local e do ângulo de inclinação da rampa. Se
θ = 90°, então sen 90° = 1 e o corpo está em queda livre com
aceleração g.
Partículas em equilíbrio
Exemplo 7: Um corpo de 200 N está suspenso por três cordas
conforme mostra a Figura 3.7 e está em equilíbrio. Encontre as
tensões T1, T2 e T3 nas cordas.
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas esque­
maticamente sobre a partícula, como está feito na Figura 3.7.
Observe que traçamos um plano cartesiano de forma a posicionar
o nó na origem do sistema. Vamos agora determinar as tensões
nas cordas.
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Fisica I.indb 96
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Física I
Figura 3.10 Corpo suspenso por três cordas
Tensão T3:
Esta tensão tem módulo igual ao peso do corpo, já que o mesmo
está em equilíbrio. Usando a segunda lei de Newton:
∑Fy = 0
T3 = P = 200 N
Tensão T1 e T2:
As tensões T1 e T2 precisam ser decompostas em componentes
ortogonais coincidentes com os eixos x e y. Podemos observar
que as componentes das tensões serão descritas por:
T1y = T1 sen 60°
T1x = T1 cos 60°
T2y = T2 sen 25°
T2x = T2 cos 25°
Unidade 3
Fisica I.indb 97
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Em seguida, aplicamos a segunda lei de Newton nas direções dos
eixos x e y.
Para o eixo x:
∑Fx = m·ax
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ax = 0,
já que o corpo está em equilíbrio:
T2x – T1x = 0
T2 cos 25° – T1 cos 60° = 0
Vamos isolar T2 nesta equação e deixar indicado:
T2 = T1
cos 60°
cos 25°
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que o corpo está em equilíbrio:
T1y + T2y – T3 = 0
T1 sen 60° + T2 sen 25° – T3 = 0
Substituindo o valor de T2 e o valor de T3, temos:
cos 60°
sen 25° − 200 N = 0
cos 25°
cos 60°
T1 sen 60° + T1
sen 25° = 200 N
cos 25°
T1 = 181, 9 N
T1 sen 60° + T1
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Física I
Agora podemos substituir o valor de T1 em:
cos 60°
cos 25°
cos 60°
T2 = 181, 9 N
cos 25°
T2 = 100, 4 N
T2 = T1
Assim encontramos as três tensões sobre as cordas.
Exemplo 8: Um corpo de massa m1 = 5 kg está sobre um plano
com 30° de inclinação, sem atrito, preso por uma corda que
passa por uma polia, de massa e atrito desprezíveis, e tem na
outra extremidade um segundo corpo de massa m2, pendurado
verticalmente. Determine a massa m2 e a tensão na corda para
que o sistema mantenha-se em equilíbrio.
Figura 3.11 Corpo sobre um plano inclinado ligado a um corpo suspenso por uma corda
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas
esquematicamente sobre os dois corpos.
Unidade 3
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Corpo de massa m1:
Observe que traçamos um plano cartesiano para o corpo de
massa m1 de forma a coincidir com a inclinação da rampa. Assim

temos a força normal N sobre o eixo y, a força de tração T e a

força peso P , que deverá ser decomposta em duas componentes
ortogonais Px e Py, conforme já estudamos na Unidade 1. Pela
Figura 3.7 podemos observar que as componentes da força peso
serão descritas por:
Px = P sen θ = m1g sen 30°
Py = P cos θ = m1g cos 30°
Em seguida, aplicamos a segunda lei de Newton nas direções dos
eixos x e y.
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
temos:
N – Py = 0
N = m1g cos 30°
N = 5 kg · 9,8 m/s2 · cos 30° = 42,4 N
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m·ax
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ax = 0,
temos:
T – Px = 0
T = m1g sen 30°
T = 5 kg · 9,8 m/s2 · sen 30° = 24,5 N
Este é o valor da tensão sobre a corda que liga os dois corpos.
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Física I
Corpo de massa m2:
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
pois o sistema está em equilíbrio, temos:
P2 – T = 0
m2g – T = 0
Substituindo o valor da aceleração gravitacional e o valor da força
de tensão encontrado acima, temos:
m2 · 9,8 m/s2 – 24,5 N = 0
24, 5 kg ⋅ m/s 2
m2 =
9, 8 m/s 2
m2 = 2,5 kg
Encontramos assim o valor de m2 para que o sistema permaneça
em equilíbrio.
Seção 3 – Atrito
O atrito exerce um papel muito importante em nosso dia-adia. Graças a ele podemos caminhar, correr, de forma a produzir
movimentos de corpos. A força de atrito está presente tanto
em movimentos de corpos sobre superfícies ásperas, como no
movimento de corpos através de fluidos viscosos como líquidos
e o ar. É uma força de resistência ao movimento resultante da
interação dos corpos com o meio no qual estão inseridos. Tem
sentido contrário ao sentido do movimento e é sempre paralela à

superfície. Vamos simbolizar a força de atrito através da letra f .
Quando um corpo, pressionado sobre uma superfície, sofre a ação
de uma força F na tentativa de fazer o corpo deslizar, podem
ocorrer as seguintes situações:
Unidade 3
Fisica I.indb 101
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Universidade do Sul de Santa Catarina
ƒƒ não ocorrer movimento: neste caso, a intensidade da
força de atrito f e da força F são iguais em módulo e têm
sentidos opostos. Chamamos a força de resistência de
atrito estático enquanto o corpo não está em movimento.
Na tentativa de movimentar o corpo, aumentamos a
intensidade de F e o resultado é um aumento também
da forca de atrito. A força de atrito estática tem um
valor máximo que dependerá da natureza das superfícies
envolvidas e pode ser definida por:
fe,max = µe·N
(3.8)
Onde µe é o coeficiente de atrito estático e N é a intensidade da
força normal. A equação é válida quando as superfícies estão
começando a deslizar ou para um movimento iminente.
ƒƒ ocorrer movimento: neste caso o módulo da força F
é maior do que o módulo da força de atrito estática
máxima fe,max. Durante um movimento chamamos a força
de resistência de atrito cinético fc e sua intensidade é
menor que a força de atrito estático máxima. Pode ser
descrita por:
fc = µc·N
(3.9)
Onde µc é o coeficiente de atrito cinético e N é a intensidade da
força normal. Em nossos estudos consideraremos este coeficiente
como sendo independente da velocidade escalar relativa das
superfícies.
Os coeficientes de atrito são adimensionais e
dependem da natureza das superfícies. O coeficiente
de atrito estático é geralmente maior que o cinético,
e os valores típicos estão entre 0,05 e 1,5. Confira no
Quadro 3.1.
102
Fisica I.indb 102
8/5/2015 15:16:18
Física I
Tabela 3.1 – Coeficientes de atrito para diferentes materiais
Superfícies em contato
µe
µc
Aço sobre aço
0,74
0,57
Cobre sobre aço
0,53
0,36
0,25-0,5
0,2
Alumínio sobre aço
0,61
Borracha sobre concreto
1,0
Madeira sobre madeira
Metal sobre metal (lubrificado)
0,15
Gelo sobre gelo
0,1
0,47
0,8
0,06
0,03
Exemplo 9: Um trenó está em repouso sobre uma superfície
de neve como mostra a figura. O coeficiente de atrito estático é
0,30 e a massa total do trenó e do passageiro é de 65 kg. Qual o
módulo da força horizontal máxima a ser aplicada sobre o trenó
quando da iminência do movimento?
Figura 3.12 Trenó sobre um plano inclinado
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas
esquematicamente sobre a partícula situada na origem do plano
cartesiano.
Unidade 3
Fisica I.indb 103
103
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Podemos observar que quatro forças estão agindo sobre a
partícula:
1. a força gravitacional P;
2. a força exercida pela superfície N;
3. a força exercida sobre o trenó F ;
4. a força de atrito estática fe.
Como o trenó está na iminência de movimento, aplicamos as
condições de equilíbrio nos dois eixos x e y.
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que o sistema está em equilíbrio, temos:
N–P=0
N = P = m·g
N = 65 kg · 9,8 m/s2
N = 637 N
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m1·ax
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que o sistema está em equilíbrio, temos:
F – fe = 0
F = µe·N
F = 0,30 · 637 N = 191,1 N
A força horizontal máxima tem módulo igual à força de atrito
estático máximo. Qualquer aumento neste valor resultará em
uma aceleração do conjunto trenó e passageiro.
104
Fisica I.indb 104
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Física I
Exemplo 10: Um trenó está deslizando sobre uma superfície de
neve como mostra a Figura 3.9. O coeficiente de atrito cinético
é µc = 0,05 e a massa total do trenó e do passageiro é de 65 kg.
Qual a aceleração do sistema se uma força de 200 N está sendo
aplicada no trenó?
Para a resolução deste problema, devemos construir um diagrama
de forças onde todas as forças do problema são colocadas
esquematicamente sobre a partícula situada na origem do plano
cartesiano.
Podemos observar que quatro forças estão agindo sobre a
partícula:
1. a força gravitacional P ;
2. a força exercida pela superfície N ;
3. a força exercida sobre o trenó F ;
4. a força de atrito cinética fc.
Aplicamos a segunda lei de Newton nos dois eixos x e y.
Para o eixo y:
∑Fy = m·ay
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ay = 0,
já que a aceleração do movimento é em x, temos:
N–P=0
N = P = m·g
N = 65 kg · 9,8 m/s2
N = 637 N
Esta é a intensidade da força da superfície sobre o corpo.
Para o eixo x:
∑Fx = m·ax
Unidade 3
Fisica I.indb 105
105
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Substituindo as forças que atuam nesta direção e fazendo ax = a,
temos:
F – fc = m·a
F – µc·N = m·a
200 N – (0,05 · 637 N) = 65 kg·a
a=
168, 2 N
= 2, 6 m/s 2
65 kg
Esta é a aceleração do conjunto trenó e passageiro.
Síntese
Nesta unidade você estudou as três leis de Newton que
constituem a base da mecânica, formuladas com base nos
conceitos de massa e força. Assim, inicialmente, compreendeu os
conceitos de massa (a medida de sua inércia) e força (que causa
a modificação do estado de repouso ou de movimento de um
corpo). A força apresenta as propriedades a seguir:
1. tem módulo, direção e sentido e,
portanto, é uma grandeza vetorial;
2. ocorre aos pares;
3. pode produzir aceleração;
4. pode produzir deformação.
Depois, aprendeu a aplicar as leis de Newton, que podem ser
assim resumidas:
Primeira Lei de Newton (Lei da Inércia)
“Todo corpo permanece em estado de repouso ou de movimento retilíneo
uniforme se a resultante das forças que atuam sobre esse corpo for nula.”
106
Fisica I.indb 106
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Física I
Segunda Lei de Newton (Lei Fundamental da Dinâmica)
“A aceleração adquirida por um corpo é diretamente proporcional à
intensidade da resultante das forças que atuam sobre o corpo, tem
direção e sentido dessa força resultante e é inversamente proporcional à
sua massa.”

F R = m·a
Terceira Lei de Newton (Lei da Ação e Reação)
“A toda ação corresponde sempre uma reação de igual intensidade e
direção, mas sentido contrário.”
F12 = – F21
Se dois corpos interagem e o corpo 1 exerce uma força sobre o
corpo 2, então o corpo 2 exerce uma força sobre o corpo 1.
Também estudou e aprendeu a aplicar a força de atrito, que é
uma força de resistência ao movimento resultante da interação
dos corpos com o meio no qual estão inseridos. Tem sentido
contrário ao sentido do movimento e é sempre paralela à
superfície. A força de atrito pode ser estática, quando o corpo
está parado em um referencial:
fe,max = µe·N
e cinética, quando o corpo está em movimento em um
referencial:
fc = µc·N
Unidade 3
Fisica I.indb 107
107
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Responda as questões a seguir com fundamento nas leis de Newton:
1. Nas situações relacionadas abaixo, identifique os pares de força
“Ação e Reação”:
a) Um jogador chuta uma bola.
b) Uma caixa está sobre uma mesa.
c) Um carro bate em uma árvore.
2. Uma bola rolando no chão não permanece em movimento
retilíneo uniforme. Por quê?
3. Para empurrar uma caixa com velocidade constante é neces­
sária uma força de 600 N. A força de atrito entre a mesa e o piso
é maior, menor ou igual a 600 N? Justifique.
Resolva os problemas propostos:
4. Se o corpo padrão de 1 kg é acelerado por:
F1 = (5,0 N)i + (4,0 N)j e F2 = (–2,0 N)i + (–5,0 N)j, então:
a) Qual a força resultante, em notação de vetores unitários?
b) Qual o módulo e o sentido da força resultante e da
aceleração?
5. Duas forças são aplicadas sobre uma partícula que se move
continuamente com velocidade v = (2,0 m/s)i + (6,0 m/s)j. Uma
das forças é F1 = (2,0 N)i + (–4,0 N)j. Qual é a outra força?
6. Três forças são aplicadas sobre uma partícula que se move com
velocidade constante v = (3,0 m/s)i + (–6,0 m/s)j.
Duas das forças são: F1 = (4,0 N)i + (5,0 N)j +(–2,0 N)k e
F2 = (–5,0 N)i + (7,0 N)j +(–3,0 N)k. Qual é a outra força?
108
Fisica I.indb 108
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Física I
7. Qual é o peso em Newtons e a massa em quilogramas de:
a) um saco de arroz de 5 kg,
b) um jogador de 78 kg e
c) um automóvel de 1,8 toneladas? (1 tonelada = 1000 kg)
8. Um astronauta com 85 kg de massa deixa a Terra. Calcule seu
peso:
a) na Terra;
b) em Marte, onde g = 3,8 m/s2;
c) no espaço interplanetário, onde g = 0.
Qual a sua massa em cada um destes locais?
9. Um móbile infantil está preso em um teto através de duas
cordas de massas desprezíveis. As massas dos objetos são dadas
na figura 3.13 ao lado. Qual a tensão:
a) na corda inferior?
b) na corda superior?
Figura 3.13 Móbile suspenso
10. Três blocos são conectados, como na Figura 3.14 a seguir,
sobre uma mesa horizontal, sem atrito, e puxados para a direita
com uma força T3 = 60 N. Se m1 = 10 kg, m2 =18 kg e m3 = 25 kg,
calcule:
a) a aceleração do sistema;
b) as tensões T1 e T2.
Figura 3.14 - Três blocos sendo puxados
Unidade 3
Fisica I.indb 109
109
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Universidade do Sul de Santa Catarina
11. No sistema abaixo, desprezam-se os atritos e as massas
do fio e da polia. Os corpos A, B e C têm as seguintes massas:
mA = 2 kg, mB = 0,5 kg e mC = 3 kg. Determine:
a) a aceleração do sistema;
b) a intensidade da força que A exerce sobre B.
Figura 3.15 - Dois corpos ligados por uma corda
12. Um armário com gavetas e roupas tem massa m = 35 kg e
encontra-se em repouso sobre o assoalho de um quarto. Adote
g = 9,8 m/s2 e responda:
a) Se o coeficiente de atrito estático entre o móvel e o
assoalho for 0,4, qual a menor força horizontal que uma
pessoa deverá aplicar sobre o armário para colocá-lo em
movimento?
b) Se as gavetas e as roupas, que têm 15 kg de massa, forem
removidas antes de o armário ser empurrado, qual a nova
força mínima que deverá ser aplicada?
13. Você acaba de receber na calçada em frente a sua casa
uma caixa de 500 N com um eletrodoméstico. Para começar
o movimento até a porta da sua casa é necessário aplicar uma
força horizontal de módulo igual a 250 N. Depois de iniciado
o movimento, você necessita apenas de 200 N para manter o
movimento com velocidade constante. Quais são os coeficientes
de atrito estático e de atrito cinético?
110
Fisica I.indb 110
8/5/2015 15:16:18
Física I
14. Um menino puxa um trenó, conforme a Figura 3.16,
carregado de massa m = 65 kg sobre uma superfície horizontal,
com velocidade constante. O coeficiente de atrito µ entre o trenó
e a neve é 0,15 e o ângulo θ é 40°.
a) Qual é a tensão na corda?
b) Qual a força normal que a neve exerce verticalmente para
cima sobre o trenó?
Figura 3.16 - Trenó sendo puxado
Saiba mais
O quilograma-força
O quilograma-força (kgf ) é uma unidade para força bastante
utilizada, embora não seja oficialmente adotada pelo sistema
internacional (SI). Um kgf corresponde ao peso de um corpo de
massa 1 kg na superfície terrestre, onde g ≈ 10 m/s2, ou seja:
1 kgf = 1 kg 10 m/s2 = 10 N
Assim, um corpo de massa 1 kg tem força de 1 kgf, ou cerca de 10 N.
Como funciona o dinamômetro?
O dinamômetro é um instrumento para medir forças. Seu
princípio de funcionamento está baseado na Lei de Hooke. Um
dinamômetro pode ser construído através de um suporte, dentro
do qual é colocada uma mola e, associada a esta mola, uma escala.
Unidade 3
Fisica I.indb 111
111
8/5/2015 15:16:18
Universidade do Sul de Santa Catarina
Veja um esquema do instrumento na Figura 3.17 a seguir:
Figura 3.17 - Esquema de um dinamômetro
Pela Lei de Hooke, podemos determinar a força de aplicação
(Felástica), se conhecermos a constante da mola (k) e sua
deformação (x):
A partir desta relação, podemos construir uma escala de forças se
conhecermos a constante elástica da mola. Veja o exemplo: se a
mola tem uma constante elástica de 1 N/cm, para deformá-la em
1 cm, a força deverá ser de 1 N. Logo, se deformarmos a mola
1 cm, esse comprimento sairá fora do dinamômetro e, assim, a
1 cm do zero indicado devemos marcar 1 N e assim para toda
escala. O zero é marcado considerando a mola sem deformação.
112
Fisica I.indb 112
8/5/2015 15:16:19
Física I
Figura 3.18 - Fotografia de um dinamômetro marcando aproximadamente 0,96 N para o
peso de um corpo cilíndrico metálico.
Unidade 3
Fisica I.indb 113
113
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Fisica I.indb 114
8/5/2015 15:16:19
Unidade 4
Trabalho e energia
Objetivos de aprendizagem
ƒƒDiscutir o significado físico das grandezas trabalho e energia.
ƒƒDeterminar o trabalho realizado por uma força de intensidade
constante e por uma força de intensidade variável.
ƒƒCompreender o teorema do trabalho e da energia cinética.
ƒƒInterpretar e resolver problemas a partir de um novo modelo físico
fundamentado nos conceitos de trabalho e energia.
4
Seções de estudo
Seção 1 Trabalho
Seção 2 Energia cinética
Fisica I.indb 115
8/5/2015 15:16:19
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
A unidade anterior permitiu o entendimento de movimentos
comuns em nosso dia-a-dia, fundamentados nos conceitos físicos
de massa e força e nas três Leis de Newton. Alguns movimentos,
no entanto, podem tornar-se complicados se optarmos por
resolvê-los através dos modelos estudados. Nesta unidade
mostraremos que se pode montar uma nova proposta de estudo
baseada nos conceitos de trabalho e energia.
Energia nos parece um conceito familiar.
Ela está por toda parte e de diferentes
formas: na luz do sol, na atmosfera, nos
oceanos etc. Qualquer processo físico
no universo envolve energia e suas
transferências ou transformações.
Ventos e tempestades
provenientes da energia
da atmosfera
A energia do sol, que
garante a vida em nosso
planeta
s geradas por
Marés e correntes oceânica
energia em nosso
uma das maiores fontes de
planeta: o mar
Observamos que todo
consumo de energia envolve a
aplicação de uma força. Como
exemplo, podemos analisar
o movimento de um carro.
Neste caso, a energia térmica do combustível é transformada em
energia mecânica sobre as rodas, e forças aparecem na interação
das rodas com solo. Ao subir uma escada, a energia produzida
116
Fisica I.indb 116
8/5/2015 15:16:19
Física I
pelas células de seu corpo pode ser transformada em energia
de movimento, e forças surgem na interação de seus músculos
com os degraus da escada. E assim, com qualquer exemplo que
analisemos, chegaremos à conclusão de que na transformação de
energia de uma dada situação sempre teremos a aplicação de uma
força. Já estudamos a relação entre as forças e o movimentos dos
corpos, mas ainda não conhecemos a relação entre estas forças
e o conceito de energia e de que forma podemos descrever um
movimento através desta. Nesta unidade veremos que os conceitos
de trabalho e energia estão relacionados e podem ser aplicados no
estudo da dinâmica de um sistema mecânico.
Seção 1 – Trabalho
O trabalho é realizado sempre que um corpo se desloca sob ação
de uma força. Observe que esta definição nem sempre corresponde
ao uso da palavra na linguagem comum. Quando levantamos
verticalmente um corpo de massa m a certa altura do chão,
produzindo um deslocamento neste, nossos músculos aplicam uma
força igual ao peso do corpo. Neste caso, o trabalho corresponde
ao uso da palavra em nosso cotidiano. No entanto, quando
caminhamos horizontalmente, sustentando este mesmo corpo, à
mesma altura do chão, estamos exercendo uma força vertical sobre
ele, mas nenhum trabalho está sendo realizado sobre o corpo.
Precisamos ter em mente que sempre que falarmos de trabalho
estamos nos referindo ao trabalho realizado por uma força e
esta só realizará trabalho se estiver envolvida no deslocamento
deste corpo. Trabalho, então, expressa a relação de uma força
com o deslocamento do corpo sobre o qual essa força atua.
Simbolizamos o trabalho realizado por uma força por W.
Trabalho realizado por uma força constante

O trabalho realizado por uma força constante F sobre um corpo
que sofre um deslocamento ∆r é:

W = F · ∆r
(4.1)
Unidade 4
Fisica I.indb 117
117
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Universidade do Sul de Santa Catarina

O produto escalar entre F e ∆r é então:
W = F ∆x cos θ
(4.2)
Onde F é o módulo da
força, ∆x é o módulo do deslocamento

e θ é o ângulo entre F e ∆r. O trabalho obtido é uma grandeza
escalar sem propriedades direcionais.
Figura 4.1 Força constante aplicada em um bloco durante o deslocamento .
Unidade de trabalho no SI: Newton·metro (N·m) = Joule (J)
1 N·m = 1 J = 1 kg·m2/s2
Podemos observar que, dependendo do ângulo entre a força e o
deslocamento, o trabalho W pode ser positivo, negativo ou nulo.
cos 0 = 1 ∴ W > 0
(positivo)
cos 90° = 0 ∴ W = 0
(nulo)
cos 180° = –1 ∴ W > 0
(negativo)

Figura 4.2 Diferentes ângulos entre a força F e o deslocamento
118
Fisica I.indb 118
8/5/2015 15:16:19
Física I
Exemplo 1: Trabalho realizado ao levantar um peso de 2000 N
a uma altura de 1 m, desenvolvendo um movimento com
velocidade constante.
A força a ser aplicada ao corpo deve ser de 2000 N para que o
movimento tenha velocidade constante, e o trabalho é:
W = F.∆x.cos θ
W = 2000 N · 1 m · cos θ
W = 2000 J
Exemplo 2: Uma caixa de 20 kg é arrastada com velocidade
constante sobre um plano inclinado sem atrito, sofrendo um
deslocamento de 5 m. A Figura 4.3a abaixo ilustra o movimento.
a) Qual o valor da força F?
b) Qual o valor do trabalho W executado por F?
c) Qual o trabalho resultante?
O trabalho pode ser calculado a partir de um gráfico da força
versus o deslocamento. No gráfico da Figura 4.3b abaixo, a área
marcada representa o trabalho realizado pela força.
Figura 4.3a - Movimento de uma caixa em um plano inclinado
Figura 4.3b - Gráfico do trabalho realizado
pela força.
P = m×g
P = 20 kg × 9,8 m/s2
P = 196 N
Px = P × sen 40° = 196 N × sen 40° = 126 N
Py = P × cos 40° = 196 N × cos 40° = 150,1 N
Unidade 4
Fisica I.indb 119
119
8/5/2015 15:16:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
a)
b)
F = Px
F = 126 N
c)
WF = F × ∆x × cos θ
WF = 126 N × 5 m × cos 0
WF = 629,9 J
WPx = Px × ∆x × cos θ
WN = N × ∆x × cos θ
WPx = –629,9 J
WN = 0
WPy = Py × ∆x × cos θ
WR = WF + WPx + WPy + WN
WPy = 0
WR = 0
WPx = 126 N × 5 m × cos 180° WN = 150,1 N × 5 m × cos 90°
WPy = 150,1 N × 5 m × cos 90° WR = 629,9 J – 629,9 J + 0 + 0
Trabalho realizado por uma força variável
Vamos considerar agora um corpo sendo deslocado ao longo
do eixo x sob a ação de uma força de módulo F variável. O
corpo varia de xi até xf e a força para este deslocamento não tem
intensidade constante (veja a curva nas Figuras 4.4a, 4.4b e 4.4c
ao lado).
Vamos imaginar que para pequenos deslocamentos ∆x
podemos tratar a força como de intensidade constante e, assim,
calcularmos o trabalho ∆W neste intervalo por:
W = F (x) ∆x
O trabalho de xi até xf é então:
W≈
xf
∑ F (x) ∆x
xi
120
Fisica I.indb 120
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Física I
Figura 4.4a - Deslocamento de um corpo ao longo do eixo x
Figura 4.4b - Força aplicada em um corpo durante o deslocamento
Figura 4.4c - Força variada aplicada em um corpo durante o deslocamento
Unidade 4
Fisica I.indb 121
121
8/5/2015 15:16:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
Fazendo os deslocamentos ∆x aproximarem-se de zero,
aumentamos os números de termos na soma, mas o valor da
soma se aproxima de um valor limite igual à área abaixo da curva
de F(x) e o eixo x. Este limite é a integral:
lim
xf
∑ F (x) ∆x = ∫
xf
xi
∆x →0 x
i
F (x) dx
E assim obtemos a definição para o trabalho realizado por uma
força variável.
W=
∫
xf
xi
F (x) dx
(4.3)
Tridimensionalmente:
W=
∫
xf
xi
F (x) dx +
∫
yf
yi
F (y) dy +
∫
zf
zi
F (z) dz
(4.4)
A seguir, apresentamos um exemplo de um sistema constituído
por uma força variável.
Exemplo 3: Considere um sistema apresentando uma massa
m presa a uma mola ideal sobre uma superfície horizontal sem
atrito, como mostra a Figura 4.5. A mola exerce uma força dada
pela lei de Hooke F = –kx, com x medido a partir da posição
de equilíbrio x = 0. Qual é o trabalho realizado pela mola ao
deslocarmos o corpo da posição de equilíbrio?
Lei de Hooke (F = –kx)
Onde k é a constante de elasticidade da mola com
unidade em N/m e F é a força elástica restauradora
da mola. Observe que a força tem sempre um sinal
negativo, indicando ter sempre um sentido oposto ao
deslocamento x sofrido pela mola.
122
Fisica I.indb 122
8/5/2015 15:16:22
Física I
Figura 4.5 Força aplicada em um sistema bloco-mola
Se deslocarmos o bloco de uma posição inicial xi para uma
posição final xf, realizamos trabalho sobre o bloco, e a mola
executa um trabalho sobre o bloco com sinal oposto. O trabalho
W executado pela mola sobre o bloco é:
W=
∫
xf
xi
F (x) dx
Mas, F = –kx
W=
∫
xf
xi
(–kx) dx
xf
W = –k ∫x x dx
i
W=
x
– 12 k[x2]| xif
W = – 12 k(xf2 – xi2)
W=
1
kx 2
2 f
–
1
kx 2
2 i
Arbitrando como posição inicial a posição de equilíbrio xi = 0 e
chamando xf = x:
W = – 12 kx2
(4.5)
Unidade 4
Fisica I.indb 123
123
8/5/2015 15:16:22
Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 2 – Energia cinética
Energia cinética é a energia do movimento. É uma grandeza
escalar que não depende da direção do movimento. Ela pode
ser definida pela equação a seguir, na qual m é a massa e v, a
velocidade escalar da partícula:
Ec = 12 mv2
(4.6)
A equação mostra que um objeto em repouso tem
energia cinética igual a zero e que um objeto em
movimento tem energia positiva (a energia cinética
não pode ser negativa, pois a expressão apresenta
velocidade elevada ao quadrado).
A unidade de energia cinética ou qualquer outra forma de energia,
no Sistema Internacional, é o Joule ( J).

Quando uma única força F realiza um trabalho W sobre
uma partícula, mudando a sua velocidade, a energia cinética
da partícula varia de um valor inicial Eci para um valor final
Ecf. A variação de energia cinética é numericamente igual ao
trabalho realizado:
W = ∆Ec
W = Ecf – Eci
W = 12 mvf2 – 12 mvi2
(4.7)
Quando a partícula está sujeita à ação de várias forças, o trabalho
W é o trabalho resultante, executado pela força resultante, ou o
trabalho total, somatório de todos os trabalhos executados por
cada força. Este teorema é demonstrado a seguir.
124
Fisica I.indb 124
8/5/2015 15:16:23
Física I
Teorema do trabalho e da energia cinética
Considere uma partícula em movimento em uma dimensão
sujeita à ação de forças. O trabalho resultante é:
WR = ∑Fx (xf – xi)
Considerando um movimento com aceleração constante:
vf2 = vi2 + 2a(xf – xi)
( x f − xi ) =
(v 2f − vi2 )
2a
Pela segunda lei de Newton:
∑Fx = ma
Substituindo ( x f − xi ) =
(v 2f − vi2 )
2a
em WR = ∑Fx (xf – xi), teremos:
WR = ma
WR = m
WR =
e ∑Fx = ma
(v 2f − vi2 )
2a
(v − vi2 )
2
f
2
1
mv
f
2
2
– 12 mvi2
WR = Ecf – ∆Eci
WR = Ecf – Eci
(4.8)
O trabalho realizado pelo somatório das forças que atuam sobre
o corpo é igual à variação da energia cinética do corpo.
Exemplo 4: Um bloco de massa m = 6,0 kg desliza sem atrito
num plano horizontal com velocidade constante de 1,5 m/s. Ele
se choca com uma mola, diminuindo seu comprimento natural
de um valor x até que sua velocidade se reduz a zero. Qual é o
valor de x? A constante da mola é 1000 N/m.
Unidade 4
Fisica I.indb 125
125
8/5/2015 15:16:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 4.6 Bloco de massa m comprimindo uma mola
WR = ∆Ec
1
1
1
⋅ k ⋅ x 2 = ⋅ m ⋅ v 2f − ⋅ m ⋅ vi2
2
2
2
2
1000 N 2  6 kg ⋅ 0   6 kg ⋅ (1, 5 m/s) 2 
−
⋅ ⋅x = 
−

2 m
2
2

 

2
N
m
−500 ⋅ ⋅ x 2 = −6, 75 2
m
s
2
x = 0, 0135 m 2
−
x = 0, 12 m
Síntese
Nesta unidade você estudou os conceitos de trabalho e energia
e teve oportunidade de constatar que estes estão relacionados
e podem ser aplicados no estudo da dinâmica de um sistema
mecânico.

Viu que o trabalho realizado por uma força constante F sobre
um corpo que sofre um deslocamento ∆r é uma grandeza escalar
definida por:

W = F · ∆r

Onde o produto escalar entre F e ∆r é:
W = F ∆x cos θ
sendo F o módulo
da força, ∆x o módulo do deslocamento e θ

o ângulo entre F e ∆r. Dependendo do ângulo entre a força e o
deslocamento, o trabalho W pode ser positivo, negativo ou nulo.
126
Fisica I.indb 126
8/5/2015 15:16:23
Física I
Também estudou sobre o trabalho realizado por uma força
variável e dado por:
W=
∫
xf
xi
F (x) dx
A unidade também mostrou outro conceito importante no estudo
de movimentos: a energia cinética. Energia cinética é a energia
do movimento. É uma grandeza escalar que não depende da
direção do movimento e pode ser definida pela equação a seguir,
onde m é a massa e v é a velocidade escalar da partícula:
Ec = 12 mv2
A unidade de energia cinética ou qualquer outra forma de energia,
no sistema internacional (SI), é o Joule ( J).
Finalmente estudou sobre a relação entre as grandezas
trabalho

e energia cinética. Viu que quando uma única força F realiza um
trabalho W sobre uma partícula, mudando a sua velocidade, a
energia cinética da partícula varia de um valor inicial Eci para um
valor final Ecf. A variação de energia cinética é numericamente
igual ao trabalho realizado:
WR = ∆Ec
WR = Ecf – Eci
WR = 12 mvf2 – 12 mvi2
Unidade 4
Fisica I.indb 127
127
8/5/2015 15:16:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
Atividades de autoavaliação
Problemas propostos
1. Uma força F = (2,0 N)i + (–6,0 N)j, agindo sobre um corpo,
produz um deslocamento neste de d = (3,0 m)i. Qual é o trabalho
realizado pela força sobre o corpo?
2. Sobre uma superfície horizontal,
um corpo de 15 kg de massa

sofre a ação de uma força F cujo módulo varia conforme mostra
o gráfico na figura abaixo. O coeficiente de atrito dinâmico entre
o bloco e a superfície é 0,20.
Figura 4.7a - Um corpo sofrendo a ação de
uma força
Figura 4.7b - Variação do módulo da força
a) Determine o trabalho de cada força que age no corpo
para um deslocamento de 20 m.
b) Determine o trabalho resultante no corpo para o
deslocamento de 20 m.
3. Um corpo encontra-se em movimento retilíneo uniforme
sobre uma superfície horizontal, sob a ação das forças mostradas

na Figura 4.8 abaixo. O peso do corpo é 150 N e a força F tem
intensidade 100 N.
a) Determine o trabalho que cada
força que age no bloco realiza
durante um deslocamento de 15 m.
b) Determine o trabalho da força
resultante para esse deslocamento.
128
Fisica I.indb 128
Figura 4.8 - Ação das forças em
um corpo
8/5/2015 15:16:23
Física I
4. Um corpo de 20 kg está em repouso sobre uma superfície
horizontal sem atrito. Uma força de 100 N puxa o corpo, fazendo
um ângulo de 35° com a horizontal, como mostra a Figura 4.9
ao lado. Determine o trabalho efetuado pela força da corda e a
velocidade escalar final do corpo depois de deslocar-se 5 m.
5. Um corpo de 2 kg está sobre uma mesa horizontal sem atrito e
preso a uma mola de constante 400 N/m. A mola é comprimida
10 cm e o corpo é então liberado. Qual a velocidade do corpo
quando a mola está no seu comprimento natural?
Figura 4.9 - Ação de uma
força sobre um corpo em
repouso
Saiba mais
Para aprofundar seu estudo sobre as relações de trabalho e
energia e de que forma estas grandezas nos auxiliam no estudo da
dinâmica de um sistema mecânico, recomendo a leitura do livro
“Física Viva - volume 1”, de autoria de James Trefil e Robert M.
Hazen, editado em 2006 pela editora Livros Técnicos e Científicos
(LTC). No capítulo 8 deste livro você encontrará algumas
discussões pertinentes sobre o assunto. Vale a pena conferir!
Unidade 4
Fisica I.indb 129
129
8/5/2015 15:16:23
Fisica I.indb 130
8/5/2015 15:16:23
Unidade 5
Conservação de energia
Objetivos de aprendizagem
ƒƒDiscutir o significado físico da energia cinética, energia potencial e
energia mecânica de um sistema.
ƒƒDeterminar a energia potencial para sistemas sujeitos à força
gravitacional e à força elástica.
ƒƒDiferenciar forças conservativas e não conservativas e avaliar
a forma como estas alteram a energia mecânica total de um
sistema.
ƒƒResolver problemas a partir de um novo modelo físico
fundamentado no princípio da conservação de energia.
5
Seções de estudo
Seção 1 Energia potencial
Seção 2 Energia mecânica
Seção 3 Conservação da energia
Fisica I.indb 131
8/5/2015 15:16:23
Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
A unidade anterior mostrou que
podemos montar uma nova proposta
de estudo da dinâmica de um sistema
mecânico com base nos conceitos de
trabalho e energia. Estudamos sobre
o significado físico e as relações das
grandezas trabalho e energia cinética.
Dando continuidade ao nosso estudo,
vamos agora refletir sobre outra
modalidade de energia também
associada aos movimentos: a energia
potencial, e como determinamos a
energia total de um movimento, ou a
energia mecânica. Ao final, veremos
de que forma podemos aplicar o
princípio da conservação de energia
no estudo de um movimento.
Movimento de queda d’á
gua
em uma cachoeira
Ao apreciarmos a queda d’água em
uma cachoeira, podemos avaliar este espetáculo
da natureza sob o ponto de vista da física, ou
pensando sobre as energias que temos envolvidas
neste movimento. A água, ao cair, tem sua
energia potencial transformada em energia
cinética, de maneira a aumentar a sua velocidade,
e em energia térmica, de maneira a aumentar
sua temperatura.
Movimento em
-russa
uma montanha
Da mesma forma, em um passeio ao parque
de diversões, também podemos estudar
os movimentos sob o ponto de vista de
energias. O movimento de um objeto em uma
montanha-russa mostra as transformações de
energia de movimento envolvidas. Um motor
elétrico faz seu carro subir, vencendo a força
gravitacional que tenta trazê-lo para baixo,
até chegar a um ponto alto. Em seguida,
experimenta a descida, na qual a energia
potencial armazenada é transformada em
132
Fisica I.indb 132
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Física I
energia cinética, produzindo um aumento da velocidade, além
de outras formas de energia. A energia total envolvida nestes
movimentos, tanto na cachoeira como na montanha-russa, é
constante, ou seja, é transformada de uma forma em outra e
nenhuma energia é perdida.
Esta unidade apresenta a primeira grande lei da conservação, a
lei da conservação de energia aplicada no estudo de movimentos.
Uma grandeza que “se conserva”, significa que seu valor não varia
com o tempo, ou seja, em qualquer instante seu valor é o mesmo.
Se em um sistema a energia é conservada, então a quantidade
total de energia neste sistema permanece a mesma, embora parte
dela possa variar de forma ou tipo.
Seção 1 – Energia potencial
Vimos que energia cinética é a energia do movimento. É uma
grandeza escalar que não depende da direção do movimento. A
energia cinética pode ser definida pela equação a seguir, na qual
m é a massa e v é a velocidade escalar da partícula:
Ec = 12 mv2
A unidade de energia cinética ou qualquer outra forma de energia,
no sistema internacional (SI), é o Joule ( J).
É importante lembrar também que, se uma partícula está sujeita
à ação de várias forças, o trabalho total WR é o somatório de
todos os trabalhos executados por cada força, e a variação de sua
velocidade implica na variação da sua energia cinética de um
valor inicial Eci para um valor final Ecf. Esta variação de energia
cinética é numericamente igual ao trabalho realizado:
WR = ∆Ec
WR = Ecf – Eci
WR = 12 mvf2 – 12 mvi2
Outra forma de energia é a energia potencial Ep ou U de um
sistema, associada à configuração ou à localização de um ou
mais corpos. Quando um corpo de massa m é levantado a uma
Unidade 5
Fisica I.indb 133
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Universidade do Sul de Santa Catarina
determinada altura, mudando a posição relativa entre o corpo
e a Terra ou a configuração do sistema, sua energia potencial é
também modificada.
Quando uma mola é comprimida ou distendida, mudando a
posição relativa das espiras da mola ou a configuração do sistema,
sua energia potencial é também modificada. Nos dois exemplos,
a energia foi armazenada no sistema e poderá posteriormente se
manifestar na forma de um movimento.
Uma energia que pode resultar na realização futura de
movimento e trabalho é chamada de energia potencial.
Uma única força atuando sobre um sistema, alterando sua
configuração, modificará sua energia potencial. Esta variação de
energia potencial é numericamente igual ao trabalho realizado
pela força, porém com sinal contrário.
∆Ep = –W
(5.1)
A seguir, duas formas de energia potencial são discutidas, a
gravitacional (Epg) e a elástica (Epe).
Energia potencial gravitacional
A energia potencial gravitacional está associada ao estado de
separação entre dois ou mais corpos que se atraem devido à
ação da força gravitacional. A variação da energia potencial
gravitacional é resultado de uma mudança de posição do corpo
de um ponto de coordenada vertical yi para outro de coordenada
yf. Todo corpo que é levantado acima da superfície terrestre
apresenta uma energia potencial gravitacional exatamente igual
ao trabalho realizado para levantá-lo até a posição em que se
encontra. Neste caso a força a ser aplicada deverá ter intensidade
igual à força peso:
134
Fisica I.indb 134
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Física I
Epf – Epi = mgyf – mgyi
(5.2)
Tomando yi = 0 como ponto de referência, tem-se Ep = 0 neste
mesmo ponto. Com o ponto de referência em yi = 0, a energia
potencial gravitacional para um objeto em um ponto com
coordenada vertical y é:
Epg = mgy
(5.3)
Exemplo 1: Uma criança salta em uma cama elástica e atinge
uma altura máxima de 3 m acima do solo antes de cair ao
encontro da cama novamente. Considerando que a massa
da criança seja de 15 kg, determine sua energia potencial
gravitacional ao atingir esta altura.
Epg = mgy
Figura 5.1 Energia
potencial de um corpo
na posição y
Epg = 15 kg · 9,8 m/s2 · 3 m
Epg = 441 J
Energia potencial elástica
A energia potencial elástica está associada ao estado de
compressão ou distensão de um objeto elástico. Seja a força F que
aparece em uma mola ideal que se encontra fora de sua posição
de equilíbrio (Figura 5.2), comprimida ou distendida de x, então
F (x) = –kx, sendo k a constante elástica da mola, conforme
determina a Lei de Hooke. A energia potencial associada a esta
força é chamada de energia potencial elástica.
O trabalho realizado pela mola, conforme descrição feita na
unidade anterior é:
W = – 12 k(xf2 – xi2)
Unidade 5
Fisica I.indb 135
135
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Se ∆Ep = –W, então
Epf – Epi =
1
k(xf2
2
– xi2)
(5.4)
Tomando xi = 0 como ponto de referência, tem-se Ep = 0 neste
mesmo ponto. Quando xi = 0, a mola encontra-se no estado
relaxado. A energia potencial elástica de uma mola comprimida
ou distendida de x pode ser definida por:
Epe =
1 2
kx
2
(5.5)
Figura 5.2 Energia potencial em uma mola fora de sua posição de equilíbrio
Exemplo 2: Suponha um corpo de massa 0,5 kg preso a uma
mola em movimento sobre um trilho de ar, sem atrito. O lado
esquerdo do sistema está fixo a uma parede e o lado direito
livre de maneira que pode ser comprimido ou distendido. Se a
constante elástica da mola do sistema é 5,0 N/m determine a
energia potencial do sistema quando é distendido de 0,5 m a
partir de sua posição de equilíbrio.
Epe = 12 kx2
136
Fisica I.indb 136
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Física I
Epe = 12 ·5 N/m(0,5 m)2
Epe = 0,625 J
Seção 2 – Energia mecânica
A energia mecânica E de um sistema é a soma da energia cinética
e da energia potencial do mesmo.
E = Ec + Ep
(5.6)
Para uma partícula sujeita a força gravitacional, sua energia
mecânica é determinada por:
E=
1
mv2 +
2
(5.7)
mgy
Para uma partícula sujeita à força elástica, sua energia mecânica é
determinada por:
E=
1
mv2 + 12 kx2
2
(5.8)
A seguir será avaliado o comportamento da energia mecânica em
sistemas conservativos e não conservativos.
Forças conservativas e não-conservativas
As forças que realizam trabalho sobre um sistema podem ser
classificadas como forças conservativas ou não-conservativas.
Uma força é dita conservativa se não realiza nenhum trabalho
resultante sobre um objeto que desenvolve um percurso sobre
uma trajetória fechada em que a posição inicial seja igual à final.
Supondo um sistema em um estado inicial com um determinado
valor de energia cinética, se a força F realiza trabalho sobre o
sistema variando sua energia cinética Ec, ao retornar para o
Unidade 5
Fisica I.indb 137
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Universidade do Sul de Santa Catarina
estado em que se encontrava, o trabalho resultante será zero e a
energia cinética assumirá o valor inicial (∆Ec = 0; Eci = Ecf). Uma
força é conservativa se depender apenas da coordenada que
localiza o objeto, independentemente da trajetória executada
entre as posições inicial e final. A força gravitacional e a força
elástica são exemplos de forças conservativas.
Força gravitacional
Figura 5.3 Trabalho resultante da força gravitacional em uma trajetória fechada onde yi = yf
—Quando um objeto se move para cima, como a bola da figura, a
força gravitacional realiza um trabalho negativo (o deslocamento é
oposto à força). Ao retornar, a força realiza um trabalho positivo (o
deslocamento e a força apresentam o mesmo sentido) e então o trabalho
resultante no percurso de ida e de volta é zero.
WR = –(mgyf – mgyi)
WR = –mg(yf – yi)
Para um percurso de ida e de volta, yf = yi, logo:
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Física I
WR = 0
Força elástica
Figura 5.4 Trabalho resultante da força elástica da mola em uma trajetória fechada onde
xi = x f
—Seja uma mola presa a uma parede em uma de suas extremidades e
a outra fixa a um objeto deslizante. Quando distendida ou comprimida,
a força restauradora exerce um trabalho sobre o objeto de:
W=
2
1
k(x
f
2
– xi2)
Para um percurso de ida e de volta, xf = xi, logo:
WR = 0
Nem todas as forças são conservativas. Uma força é nãoconservativa (ou dissipativa) se o trabalho que ela realiza sobre o
corpo em movimento entre dois pontos depender da trajetória do
movimento. Para uma trajetória fechada, o trabalho total realizado
por uma força não-conservativa não é nulo, como no caso de uma
Unidade 5
Fisica I.indb 139
139
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Universidade do Sul de Santa Catarina
força conservativa. A força de atrito é um exemplo de força nãoconservativa. Num percurso de ida e de volta (trajetória fechada),
a força de atrito sempre atua de forma a diminuir a velocidade,
realizando um trabalho negativo. A resistência com o ar também é
um exemplo de força não-conservativa.
Sistemas conservativos e a energia mecânica
Relembrando os conceitos já trabalhados, temos que um sistema
conservativo é aquele no qual somente forças conservativas
realizam trabalho. E que a energia mecânica é a soma das energias
cinética e potencial do sistema. Para estes casos, em que somente
forças conservativas realizam trabalho sobre o sistema, tem-se
como resultado uma conservação da energia mecânica. Assim,
Ei = Ef
Eci + Epi = Ecf + Epf
(5.9)
(5.10)
Para o exemplo da bola em queda livre, a energia mecânica não
varia durante o movimento. Uma redução na energia cinética
da bola, em seu percurso para cima, é acompanhada por um
aumento na energia potencial da mesma. A energia potencial
“armazenada” pode ser convertida em energia cinética. Quando a
bola cai, a energia cinética aumenta na mesma quantidade que a
energia potencial diminui. Assim, a energia cinética e a energia
potencial se transformam uma na outra, de maneira que a energia
mecânica permanece inalterada.
Também podemos voltar ao exemplo do movimento na
montanha-russa. Quando o carro está subindo, uma força
igual à força peso deste é aplicada ao longo de uma distância
y, resultando em um trabalho W = mgy. Este é o valor da
energia potencial no ponto mais alto da trajetória. Ao descer,
esta energia é transformada em energia cinética, já que o carro
ganha velocidade. Na medida em que perde altura, perde energia
potencial e ganha energia cinética, já que sua velocidade aumenta.
Ao atingir o ponto mais baixo, sua energia potencial é nula e foi
transformada em energia cinética, que é máxima. E na subida, o
processo se inverte.
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Física I
Figura 5.5 Energia mecânica durante o movimento de subida e descida de um corpo
sujeito à ação da força gravitacional
Exemplo 3: Voltando para o exemplo da criança saltando em
uma cama elástica com movimentos repetitivos. Considerando
que a criança atinja a altura de 3 m acima do solo, mas sabendo
que o brinquedo tem uma altura de 1 m, vamos determinar a
velocidade que ela atinge cada vez que toca o brinquedo.
Ei = Ef
Eci + Epi = Ecf + Epf
1
kvi2 +
2
mgyi =
1
kvf2 +
2
mgyf
Supondo inicialmente a criança a uma altura de 3 m, sua
velocidade neste ponto é nula; e, quando atinge o brinquedo sua
altura é 1 m. Também podemos dividir todos os termos por m,
dos dois lados da equação.
0 + 9,8 m/s2 · 3 m = v2 + 9,8 m/s2 · 1 m
v = 2(29, 4 − 9, 8)
v = 6,3 m/s
Unidade 5
Fisica I.indb 141
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 3 – Conservação de energia
Para sistemas em que forças não-conservativas ou dissipativas
(ex.: atrito) estão presentes, a energia mecânica sofre variações.
No caso, por exemplo, do sistema bloco-mola da Figura 5.4, a
ação da força de atrito resulta em uma diminuição na amplitude
de oscilação até o bloco parar. A experiência demonstra que
a diminuição de energia mecânica é acompanhada por um
aumento de energia térmica do bloco e do piso em que está
deslizando. Há um aquecimento durante o processo. Esta energia
térmica é uma forma de energia interna (Eint) que está associada
a movimentos aleatórios de átomos e moléculas do corpo. Se
chamarmos de ∆Eint a variação de energia interna tanto do bloco
como do piso, a transformação de energia mecânica em energia
térmica deve ser calculada para um sistema que inclua o bloco, a
mola e o piso. Ao isolarmos este sistema bloco-mola-piso, de tal
forma que nenhum corpo fora do sistema possa trocar energia
com os corpos do mesmo, a energia mecânica perdida pelo
bloco e pela mola não será perdida pelo sistema, mas transferida
internamente nele, na forma de energia térmica.
Num sistema isolado, a energia pode ser transformada de uma forma
para outra, mas a energia total do sistema permanece constante.
∆Ec + ∆Ep + ∆Eint = 0
(5.11)
Se alguma força externa ao sistema executa um trabalho W sobre
os corpos do sistema, este não está mais isolado e a equação deve
ser então:
W = ∆Ec + ∆Ep + ∆Eint
(5.12)
Exemplo 4: Um automóvel sai do repouso em A em direção ao
ponto B, conforme pode ser visto na Figura 5.6. Sabendo que
30% da energia mecânica inicial é dissipada, devido ao atrito
presente no movimento, determine a velocidade que o carro
possui em B.
142
Fisica I.indb 142
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Física I
Figura 5.6 Movimento de descida e subida de um corpo sujeito à ação da força
gravitacional em trajetória curvilínea
Se 30% da energia mecânica inicial foi dissipada, então:
EB = 0,7·EA
ECB + EPB = 0,7·(ECA + EPA)
1
mvB2
2
+ mgyB = 0,7·( 12 mvA2 + mgyA)
Se o carro sai do repouso em A, então vA = 0 e também podemos
dividir todos os termos por m:
1 2
v
2 B
1 2
v
2 B
+ 9,8 m/s2 · 1 m = 0,7·( 12 · 02 + 9,8 m/s2 · 4 m)
+ 9,8 m2/s2 = 27,4 m2/s2
v B2
= (27, 4 − 9, 8) m 2 /s 2
2
v B2
= 2 ⋅ 17, 6 m 2 /s 2
2
v B = 35, 3 m 2 /s 2
v B = 5, 9 m/s
Unidade 5
Fisica I.indb 143
143
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Síntese
Nesta unidade você estudou sobre outra modalidade de energia
também associada aos movimentos, a energia potencial, e também
sobre a energia total de um movimento, ou a energia mecânica.
Além disso, viu de que forma o princípio da conservação de
energia pode ser aplicado no estudo de um movimento.
Tomando como ponto de referência y = 0, a energia potencial
gravitacional para um objeto em um ponto com coordenada
vertical y é:
Epg = mgy
E a energia potencial elástica de uma mola comprimida ou
distendida de x pode ser definida por:
Epe =
1 2
kx
2
Estudou sobre a energia mecânica E de um sistema, que é a soma
da energia cinética e da energia potencial do mesmo.
E = Ec + Ep
Viu que para uma partícula sujeita à força gravitacional, sua
energia mecânica é determinada por:
E=
2
1
mv
+
2
mgy
E para uma partícula sujeita à força elástica, sua energia mecânica
é determinada por:
E=
2
1
1 2
mv
+
kx
2
2
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Fisica I.indb 144
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Física I
Também aprendeu a analisar sistemas em que forças nãoconservativas ou dissipativas (ex: atrito) estão presentes, através
do princípio da conservação de energia. Nestas situações, a
energia mecânica sofre variações, mas a energia mecânica perdida
pelo bloco e pela mola não será perdida pelo sistema, e sim
transferida internamente nele, na forma de energia térmica.
—Num sistema isolado, a energia pode ser transformada de uma
forma para outra, mas a energia total do sistema permanece constante.
∆Ec + ∆Ep + ∆Eint = 0
Atividades de autoavaliação
1. Uma força resultante atua sobre um corpo de massa m.
Explique o que acontece com a velocidade e a energia cinética do
corpo.
2. Um corpo, sob a ação exclusiva de forças conservativas,
aumenta sua energia cinética de 100 J num dado intervalo de
tempo.
a) Qual é a variação de energia potencial neste intervalo de
tempo?
b) Qual é a variação de energia mecânica neste intervalo de
tempo?
3. Um corpo em repouso encontra-se a uma altura do solo de
20 m e sua energia potencial é de 40 J. Admitindo que o campo
gravitacional seja conservativo, determine a energia cinética do
corpo quando ele estiver a 5 m de altura.
Unidade 5
Fisica I.indb 145
145
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Universidade do Sul de Santa Catarina
4. Um carro encontra-se em repouso no ponto A da figura.
Inicia seu movimento de descida e atinge o ponto B, onde
sua velocidade novamente se anula. Se o peso do veículo é de
5,0 × 103 N e ele perde uma energia de 4,5 × 104 J no movimento
de descida, determine o valor da altura y atingida.
Figura 5.7 - Movimento de descida e de subida de um carro do ponto A ao ponto B
5. Um automóvel sai do repouso em A em direção ao ponto
B, conforme pode ser visto na figura. Sabendo que 20% da
energia mecânica inicial é dissipada devido ao atrito presente no
movimento, determine a velocidade que o carro possui em B.
Figura 5.8 - Movimento de descida e de subida de um carro do ponto A ao ponto B
6. Um corpo de 500 g cai do alto de um prédio, a partir do repouso.
Após percorrer 100 m atinge uma velocidade v. Se no trajeto foram
perdidos 50 J de energia, determine a velocidade atingida.
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Fisica I.indb 146
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Física I
Saiba mais
Para complementar o estudo realizado, vamos definir agora um
conceito muito importante em nosso dia-a-dia, o conceito de
potência (P). Potência é a taxa de consumo de energia ou o
trabalho realizado por unidade de tempo. A potência média é
então:
 ∆W
P=
∆t
Para uma taxa de realização de trabalho que não seja constante,
ou uma potência instantânea, temos:
P=
dW
dt
A unidade de potência no SI é o Watt (W), nome dado em
homenagem ao inventor inglês James Watt. Um Watt equivale a
1 Joule por segundo.
1 W = 1 J/s
A unidade Watt é bastante familiar devido a sua grande utilização
domiciliar. Qualquer equipamento elétrico traz consigo a
informação de sua potência elétrica. Podemos pensar em uma
lâmpada de 100 W, por exemplo, que converte 100 J de energia
elétrica em luz e em calor a cada segundo. Qual é o custo se esta
lâmpada permanecer ligada por 5h?
Para responder esta pergunta, vamos definir uma nova unidade
de energia comercialmente utilizada pelas empresas fornecedoras
de energia elétrica: o quilowatt-hora (kWh). Um quilowatt-hora
é o trabalho total em 1 h (3600 s) quando a potência é de 1 kW
(103 J/s). Então:
10 3 J
1 kWh =
= 3, 6 × 106 J = 3, 6 MJ
3600 s
Unidade 5
Fisica I.indb 147
147
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Universidade do Sul de Santa Catarina
É com esta unidade que a empresa de energia elétrica calcula a
sua conta de luz. Veja na figura a seguir um exemplo. Podemos
observar que neste caso a tarifa depende da faixa de consumo.
Figura 5.9 - Conta de luz
Vamos adotar o valor R$/kWh = 0,454380.
100 W × 5 h = 500 × 10–3 kWh
Para calcular o custo do consumo de uma lâmpada de 100 W
durante 5h, fazemos:
x = 0,454380 R$/kWh × 0,5 kWh
x = R$ 0,22719
Agora você já pode avaliar o custo dos equipamentos domésticos
de sua residência. Veja sempre a potência deste (fornecida pelo
fabricante), avalie o tempo de consumo e consulte sua conta de
energia elétrica para saber o valor do kWh.
148
Fisica I.indb 148
8/5/2015 15:16:24
Unidade 6
Momento e colisões
Objetivos de aprendizagem
ƒƒCompreender o significado físico das grandezas impulso e
momento linear e a relação destas na descrição de uma interação
entre corpos distintos.
ƒƒAplicar a lei da conservação do momento linear no estudo da
colisão entre dois corpos distintos.
ƒƒEstudar as diferentes formas de interação ou de colisões
unidimensionais entre dois corpos distintos: as colisões elásticas e
inelásticas.
6
Seções de estudo
Seção 1 Impulso e momento linear
Seção 2 Conservação do momento linear
Seção 3 Colisões elásticas e inelásticas
Fisica I.indb 149
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Para início de estudo
A unidade anterior mostrou a primeira grande lei da conservação,
a lei da conservação de energia aplicada no estudo de movi­
mentos. Vimos que uma grandeza que “se conserva” indica que
seu valor não varia com o tempo, ou seja, em qualquer instante
seu valor é o mesmo. Se em um sistema a energia é conservada,
então a quantidade total de energia neste sistema permanece a
mesma, embora parte dela possa variar de forma ou tipo.
Vamos considerar um movimento de arremesso de uma bola em
uma partida de tênis. Ao ser arremessada por uma raquete, a bola
parte com uma grande velocidade inicial, devido a sua colisão
com a raquete. A bola sofre esta variação na velocidade durante
um intervalo de tempo muito pequeno, mas a força média sobre
a bola é muito grande. Sabemos que pela terceira lei de Newton,
é aplicada sobre a raquete uma força de mesma intensidade e
oposta à força sobre a bola (ou a força de reação). A força de
reação gera na raquete uma variação também em sua velocidade,
porém, como a massa da raquete é maior, esta variação é menor
do que a sofrida pela bola. Para entendermos melhor esta
interação presente entre a raquete e a bola e outras situações
semelhantes, vamos fazer um estudo sobre impulso, momento
linear e a Lei da Conservação do Momento Linear aplicada ao
estudo das colisões entre os corpos.
Seção 1 – Impulso e momento linear
Na unidade anterior, reformulamos a segunda lei de Newton,
∑F = m·a, em termos do teorema do trabalho-energia que nos
levou ao princípio
da conservação de energia. Retornando à


expressão ∑F = m·a , podemos mostrar ainda outro modo de
reformular essa lei fundamental.
150
Fisica I.indb 150
8/5/2015 15:16:25
Física I
Para uma partícula com massa constante m, temos que a = dv
,
dt
então podemos escrever a segunda lei de Newton como segue:

∑F = m· dv
dt

=
d
(m·v)
dt
(6.1)
Assim,
a segunda lei de Newton afirma que a força resultante

∑F que atua sobre a partícula é igual à derivada em relação ao
tempo da grandeza m·v, o produto da massa da partícula pela
sua velocidade. Essa grandeza é chamada de quantidade de
movimento ou momento linear da partícula p.
p = m·v
(6.2)
O momento linear é uma grandeza vetorial com
módulo (mv) e uma direção e um sentido que
coincidem com a direção e o sentido do vetor
velocidade.
As unidades do módulo do momento linear são dadas em
unidades de massa vezes as unidades de velocidade. No SI a
unidade de momento linear é kg·m/s.
Substituindo a equação (6.2) na equação (6.1), obtemos:

dp
∑F = dt

(6.3)
Assim, a força resultante que atua sobre uma partícula é
também a derivada do momento linear da partícula em
relação ao tempo. De acordo com a equação, para uma
variação rápida do momento linear precisamos de uma
força grande, enquanto que para uma variação lenta do
momento linear precisamos de uma força pequena.
Unidade 6
Fisica I.indb 151
151
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Expressando o momento linear em termos de suas componentes
temos:
px = m·vx , py = m·vy e pz = m·vz
Uma grandeza relacionada com momento linear é chamada 
de impulso. Vamos supor uma força resultante constante ∑F
atuando sobre a partícula durante um intervalo de tempo ∆t de ti
a tf. O impulso da força resultante, ou o vetor J , é definido como
a força resultante multiplicada pelo intervalo de tempo.
J = ∑F (tf – ti)


J = ∑F (∆t)


(6.4)
O impulso é uma grandeza vetorial com a mesma direção e o
mesmo sentido da força resultante. No SI as unidades para o
impulso são dadas por Newton segundo (N·s).
Atenção! Como 1 N = 1 kg·m/s2, se multiplicarmos os
dois lados por 1 s vamos obter uma nova unidade para
impulso ou kg·m/s. Então o impulso possui a mesma
unidade de momento linear.

dp
dt
Se a força resultante ∑F é constante, então
também é
constante e então é igual à variação total do momento linear
pf – pi ocorrida durante o intervalo de tempo tf – ti dividido por
este intervalo.


p f − pi

∑F =
t f − ti

Multiplicando a equação anterior por tf – ti, obtemos:
∑F ·(tf – ti) = pf – pi

152
Fisica I.indb 152
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Física I
Comparando com a equação (6.4)

J = pf – pi
(6.5)
Este é o teorema do impulso e do momento linear,
em que a variação do momento linear durante um
intervalo de tempo é igual ao impulso da força
resultante que atua sobre a partícula durante esse
intervalo.
O teorema do impulso-momento linear também é válido para
forças variadas. Para verificar isto, integramos em relação ao
tempo ambos os membros da equação (6.3) entre os limites ti e tf.

tf
t f dp
tf

∫ti ∑F dt = ∫ti dt dt = ∫ti dp = pf – pi
No lado esquerdo da equação temos a definição de impulso,
mesmo quando a força resultante varia com o tempo:

J=
tf
∫ ∑F dt

(6.6)
ti
Exemplo 1: Um corredor de atletismo de 75 kg está correndo a
4,0 m/s. Que impulso irá pará-lo?
J = ∆p
J=m
J = 75 kg · 4 m/s
J = 300 kg·m/s
Unidade 6
Fisica I.indb 153
153
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Seção 2 – Conservação do momento linear
Para o estudo sobre interações entre corpos é fundamental
conhecer o conceito de momento linear e em que condições esta
grandeza é conservada.
Seja um sistema ideal constituído por duas partículas interagindo
entre si, mas sem qualquer outra interação externa, como mostra
a figura (6.1).
Figura 6.1 Interação entre dois corpos
As partículas exercem forças de ação e reação entre si, ou de
mesma intensidade e direção, mas sentidos opostos. Desta forma,
os impulsos
que atuam sobre as partículas, como é dado por


J = ∑F (∆t), também serão de mesmo módulo e direção, mas
sentidos opostos. E as variações do momento linear também
serão iguais e contrárias.
Chamamos de sistema isolado o sistema constituído
pelas partículas em que as forças descritas pelo
princípio de ação e reação são ditas internas. Qualquer
força exercida por um corpo externo ao sistema é
chamada de força externa.
As taxas de variações dos momentos lineares dessas partículas são:

dp1
F2,1 =
dt


dp2
F1,2 =
dt

(6.7)
(6.8)
154
Fisica I.indb 154
8/5/2015 15:16:25
Física I
O momento linear de cada partícula varia de forma independente
e:
 




dp1 dp2 d ( p1 − p2 )
F2,1 + F1,2 =
+
=
=0
t f − ti
dt
dt
O momento linear total do sistema isolado é:
p = p1 + p2
(6.9)
Assim,

dp
F2,1 + F1,2 =
=0
dt


(6.10)
A taxa de variação do momento linear total do sistema isolado
é zero, ou então o momento linear total do sistema é constante,
mesmo que o momento linear de cada partícula do sistema possa
variar.
A lei da conservação do momento pode ser expressa na forma:
—Se nenhuma força externa age sobre um sistema isolado, o
momento total do sistema permanece constante ou não varia.
Se o sistema contiver um número qualquer de partículas sujeitas
apenas à força interna, o momento linear total do sistema é:
p = p1 + p2 + … = m1·v1 + m2·v2 + …
(6.11)
Seção 3 – Colisões elásticas e inelásticas
No estudo das colisões entre dois corpos, utilizaremos a lei da
conservação do momento e a lei da conservação de energia.
Vamos supor que a força presente durante esta interação seja
muito maior do que qualquer força externa presente. Veremos
Unidade 6
Fisica I.indb 155
155
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Universidade do Sul de Santa Catarina
a seguir colisões unidimensionais para duas situações: colisões
elásticas e colisões perfeitamente inelásticas. A diferença
fundamental entre elas é que, apesar de o momento linear ser
conservado em ambas, a energia cinética é conservada apenas nas
colisões elásticas.
Colisões elásticas
Uma colisão elástica é definida como uma colisão na qual a
energia cinética do sistema é conservada além do momento.
Muitas colisões em nosso dia-a-dia podem ser entendidas
como colisões elásticas e, como exemplo, podemos citar o
caso de colisões entre bolas de bilhar. Nestas colisões, algumas
transformações de energia acontecem, já que parte da energia
deixa o sistema através de ondas sonoras, mas aproximamos a
mesma como uma colisão elástica.
Figura 6.2 a Momento anterior a uma colisão elástica entre dois corpos
Figura 6.2 b Momento após uma colisão elástica entre dois corpos
Consideremos dois corpos de massas m1 e m2 durante uma
colisão frontal elástica como mostra a figura 6.2. Tanto o
momento linear como a energia cinética são conservados, e então
podemos escrever:
156
Fisica I.indb 156
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Física I
m1v1i + m2v2i = m1v1f + m2v2f
2
1
m
v
1
1i
2
+
2
1
m
v
2
2i
2
=
2
1
m
v
1
1f
2
+
(momento linear)
(6.12)
2
1
m
v
2
2f (energia cinética)
2
(6.13)
Conhecendo as massas m1 e m2 e v1i e v2i, as incógnitas são v1f
e v2f. As equações podem ser trabalhadas matematicamente na
busca das incógnitas. Cancelando o fator ½ na equação 6.13,
temos:
m1(v21i – v21f) = m2(v22f – v22i)
m1(v1i – v1f)(v1i + v1f) = m2(v2f – v2i)(v2f + v2i)
(6.14)
Reescrevendo a equação 6.12,
m1(v1i – v1f) = m2(v2f – v2i)
(6.15)
Dividindo a equação 6.14 pela equação 6.15, obtemos:
(v1i + v1f) = (v2f + v2i)
v1i – v2i = –(v1f – v2f)
(6.16)
Combinando esta equação 6.16 com a equação 6.12 podemos
resolver problemas sobre colisões elásticas unidimensionais entre
dois corpos. Resolvendo estas equações para as componentes
finais das velocidades, temos;
 m − m2 
 2m2 
v1 f =  1
v
+
i
1

 m + m  v 2i
2 
 m1 + m2 
 1
(6.17)
 2m1 
 m − m1 
v2 f = 
v1i +  2

 v 2i
 m1 + m2 
 m1 + m2 
(6.18)
Unidade 6
Fisica I.indb 157
157
8/5/2015 15:16:25
Universidade do Sul de Santa Catarina
Ao inserir os valores das velocidades devemos incluir o sinal
positivo ou negativo. Por exemplo, se o movimento de uma das
massas for para a esquerda, sua velocidade deverá ser negativa.
Casos especiais:
1º) Se m1 = m2 as equações se reduzem a v1f = v2i e v2f = v1i,
ou seja, se os corpos têm as mesmas massas, trocam suas
velocidades. Exatamente o que ocorre em um jogo de bilhar.
A bola em movimento pára e a bola que estava parada
inicia o movimento com igual velocidade.
2º) Se m2 está inicialmente em repouso, v2i = 0, as equações
se reduzem a:
 m − m2 
v1 f =  1
 v1i
 m1 + m2   2m1 
v2 f = 
 v1i
 m1 + m2 
3º) Se m1 é muito grande se comparada com m2, m1 >> m2,
então v1f ≈ v1i e v2f ≈ v2i. Quando um corpo de grande
massa colide de frente com um corpo de pequena massa,
inicialmente em repouso, o corpo de grande massa continua
seu movimento sem alteração e o corpo de pequena massa
parte com uma velocidade aproximadamente igual ao dobro
da inicial do corpo de grande massa.
4º) Se m2 é muito grande se comparada com m1, m2 >> m1,
então v1f ≈ –v1i e v2f ≈ 0. Quando um corpo de pequena
massa colide com um corpo de grande massa, inicialmente
em repouso, a velocidade do corpo de pequena massa é
refletida, ou seja, o corpo inverte seu movimento e o corpo
de grande massa permanece em repouso.
Exemplo 2: Um corpo de 450 g de massa desenvolve um
movimento em um trilho de ar linear sem atrito. Sua velocidade
inicial é de 1,7 m/s e atinge elasticamente um segundo carro de
massa desconhecida, inicialmente em repouso. Após a colisão, o
primeiro carro continua em seu sentido original a 0,5 m/s.
158
Fisica I.indb 158
8/5/2015 15:16:25
Física I
a) Qual é a massa do segundo carro?
b) Qual é sua velocidade após o impacto?
a)
b)
 m − m2 
v1 f =  1
 v1i
 m1 + m2 
 0, 45 − m2 
0, 5 = 
 ⋅ 1,7
 0, 45 + m2 
0, 5
(0, 45 + m2 ) = 0, 45 − m2
1,7
0,13 + 0, 29 ⋅ m2 = 0, 45 − m2
 2m1 
v2 f = 
 v1i
 m1 + m2 
 2 ⋅ 0, 45 
v2 f = 
 ⋅ 1,7
 0, 45 + 0, 25 
 0,90 
v2 f = 
 ⋅ 1,7
 0,70 
v 2 f = 2,18 m/s
0, 29m2 + m2 = 0, 45 − 0,13
1, 29m2 = 0,32
m2 = 0, 25 kg
Colisões perfeitamente inelásticas
Embora o momento possa ser conservado em qualquer colisão, o
mesmo não acontece com a energia cinética em um sistema. Uma
colisão em que não há conservação da energia cinética é definida
como uma colisão inelástica. Como exemplo, podemos pensar na
interação sucessiva com o chão de uma bola quicando (sucessivas
colisões inelásticas). Mas existe ainda a situação na qual, após
uma colisão, os corpos ficam unidos. Este caso é definido como
uma colisão perfeitamente inelástica, em que há uma maior
fração de energia cinética inicial transformada. Um exemplo
pode ser a colisão entre dois carros que, após a colisão, ainda se
movimentem com uma velocidade comum.
Figura 6.3 a Momento anterior a uma colisão perfeitamente inelástica entre doiss corpos
Unidade 6
Fisica I.indb 159
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Figura 6.3 b Momento após uma colisão perfeitamente inelástica entre dois corpos
Considerando dois corpos de massas m1 e m2 que após uma
colisão frontal permanecem unidos e em movimento, como
mostra a figura 6.3.
m1v1i + m2v2i = (m1+ m2)vf
vf =
m1v1i + m2v 2i
m1 + m2
(momento linear)
(6.19)
(6.20)
Assim, conhecendo as velocidades iniciais e as massas dos corpos,
podemos determinar a velocidade final comum dos corpos.
Síntese
Nesta unidade você estudou sobre impulso, momento linear e
a lei da conservação do momento linear aplicada ao estudo das
colisões entre os corpos.
Você também viu que o produto da massa da partícula pela
sua velocidade, m·v, é a grandeza chamada de quantidade de
movimento ou momento linear da partícula p.
p = m·v
O momento linear é uma grandeza vetorial com módulo
(mv) e uma direção e um sentido que coincidem com a
direção e o sentido do vetor velocidade.
160
Fisica I.indb 160
8/5/2015 15:16:26
Física I
As unidades do módulo do momento linear são dadas em
unidades de massa vezes as unidades de velocidade. No SI a
unidade de momento linear é kg·m/s.
Também estudou uma grandeza relacionada com momento
linear e chamada
de impulso. Vamos supor uma força resultante

constante ∑F atuando sobre uma partícula durante um intervalo
de tempo ∆t de ti a tf. O impulso da força resultante, ou o vetor J ,
é definido como a força resultante multiplicada pelo intervalo de
tempo.
J = ∑F (∆t)


O impulso é uma grandeza vetorial com a mesma direção e o
mesmo sentido da força resultante. No SI as unidades para o
impulso são dadas por Newton·segundo (N·s).
A lei da conservação do momento foi então discutida e aplicada
ao estudo das colisões entre dois corpos. Sobre esta lei, temos:
Se nenhuma força externa age sobre um sistema isolado,
o momento total do sistema permanece constante ou
não varia.
Se o sistema contiver um número qualquer de partículas sujeitas
apenas a forças internas, o momento linear total do sistema é:
p = p1 + p2 + … = m1·v1 + m2·v2 + …
Sobre as colisões, uma colisão elástica é definida como uma
colisão em que a energia cinética do sistema é conservada além
do momento. Considerando dois corpos de massas m1 e m2
durante uma colisão frontal elástica, e conhecendo as massas m1 e
m2 e v1i e v2i, as incógnitas são v1f e v2f :
 m − m2 
 2m2 
v1 f =  1
v1i + 

 v 2i
 m1 + m2 
 m1 + m2 
 2m1 
 m − m1 
v2 f = 
v1i +  2

 v 2i
 m1 + m2 
 m1 + m2 
Unidade 6
Fisica I.indb 161
161
8/5/2015 15:16:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
Uma colisão na qual não há conservação da energia cinética é
definida como uma colisão inelástica. Quando, numa colisão, os
corpos ficam unidos, temos o caso de uma colisão perfeitamente
inelástica, em que há uma maior fração de energia cinética inicial
transformada.
Considerando dois corpos de massas m1 e m2 durante uma
colisão frontal e, se após a colisão, estes permanecem juntos em
movimento, a velocidade comum dos corpos é:
vf =
m1v1i + m2v 2i
m1 + m2
Atividades de autoavaliação
1. Duas bolas de bilhar idênticas, 1 e 2, sofrem uma colisão
frontal. A bola 1 atinge a bola 2, que estava inicialmente parada.
Após a colisão, a bola 1 permanece em repouso e a bola 2 parte
em movimento. Qual a relação entre a velocidade da bola 2 após
a colisão e a velocidade da bola 1 antes da colisão? Justifique
sua resposta.
2. Qual é o impulso aplicado sobre um navio com massa de
106 kg e com velocidade de 4 m/s que é freado por um rebocador
até parar? Supondo que este navio leve 10 min até parar,
determine a força média feita pelo rebocador.
3. O momento linear de um carro de 1000 kg aumenta de
8,5 × 103 kg·m/s em 10 s.
a) Qual é a intensidade da força que produz a aceleração do
carro?
b) De quanto é o aumento do módulo da sua velocidade?
4. Um taco em um jogo de bilhar atinge uma bola, exercendo
uma força média de 40 N durante um intervalo de tempo de
5 ms. Qual é a velocidade da bola após o impacto se sua massa é
0,3 kg?
162
Fisica I.indb 162
8/5/2015 15:16:26
Física I
5. Um corpo de 5,0 kg de massa colide com outro em repouso e
continua se deslocar no sentido original com um quarto de sua
velocidade inicial. Se a colisão é elástica, qual é a massa do corpo
atingido?
6. Um trenó de 6,0 kg está deslocando-se sobre o gelo a uma
velocidade de 8,0 m/s, quando um corpo de 10 kg é largado sobre
dele. Determine a nova velocidade do trenó.
Saiba mais
Para aprofundar seu estudo sobre impulso, momento linear e a
lei da conservação do momento linear aplicada ao estudo das
colisões entre os corpos, recomendamos a leitura do livro “Física
Viva - volume 1”, de autoria de James Trefil e Robert M. Hazen,
editado em 2006 pela editora Livros Técnicos e Científicos
(LTC). No capítulo 6 deste livro você encontrará algumas
discussões pertinentes sobre o assunto. Vale a pena conferir!
Unidade 6
Fisica I.indb 163
163
8/5/2015 15:16:26
Fisica I.indb 164
8/5/2015 15:16:26
Para concluir o estudo
Gostaria de retomar os principais propósitos que nortearam
este livro: apresentar de forma clara e lógica conceitos e
princípios básicos da mecânica e corroborar estes com
aplicações evidenciadas no mundo real. Assim, a disciplina
buscou lhe oferecer um entendimento conceitual dos
princípios da física e suas aplicações de forma combinada,
contribuindo para a descrição do mundo físico ou para uma
relação da física com seu dia-a-dia.
Muitos tópicos da mecânica foram abordados e muitas
ferramentas matemáticas foram utilizadas em seu estudo,
mostrando a interdisciplinaridade do conhecimento. Mas
lembre-se que este constituiu um estudo introdutório com
ênfase nos princípios básicos da mecânica, apenas uma
das muitas áreas da física. É importante que seu estudo
seja aprofundado e continuado e que outras áreas da física
sejam também conhecidas por você. Utilize este material
como fonte de consulta sempre que sentir a necessidade de
retomar algum conceito aqui discutido, com a clareza de
que os conteúdos aqui abordados não pretenderam esgotar
todas as informações sobre a mecânica.
Espero ter lhe causado algum entusiasmo neste aprendizado
e que os conhecimentos adquiridos na disciplina possam
ser utilizados em sua vida profissional como educadores.
Observe com atenção aos acontecimentos diários e você
verá que os princípios fundamentais da ciência estão sempre
presentes em nossas vidas. E que, através do conhecimento
dos princípios da ciência você poderá produzir
transformações e construir uma sociedade melhor.
Fisica I.indb 165
8/5/2015 15:16:26
Fisica I.indb 166
8/5/2015 15:16:26
Sobre a professora conteudista
Paola Egert é Doutora em Ciência e Engenharia de
Materiais, Mestre em Física Experimental ambos pela
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e
graduada em Física pela Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professora e pesquisadora
da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL),
ministra aulas, desde 1998, em disciplinas na área da Física
e da Engenharia de Materiais em cursos de Engenharia,
Matemática e Arquitetura e Urbanismo, nas modalidades
presencial e a distância. Atua também como coordenadora
do Núcleo de Física da instituição, desenvolvendo
atividades em ensino e como professora autora de livros
didáticos para educação à distância. Como pesquisadora,
desenvolve trabalhos aplicados à engenharia com a
utilização da tecnologia de plasmas.
Fisica I.indb 167
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Fisica I.indb 168
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Referências
CUTNELL, J. D.; JOHNSON, K. W. Física. 6. ed. Rio de
Janeiro: Editora Livros Técnicos e Científicos LTC, 2006. v. 1.
EXERCÍCIOS que queimam calorias mais rápido. Blog
da Lazinha. 16 ago. 2009. Disponível em: <http://www.
blogdalazinha.com/2009/08/exercicios-que-queimamcalorias-mais.html>. Acesso em: 18 ago. 2011. il.
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J.
Fundamentos de Física. 4. ed. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos Editora, 1996. v. 1.
HISTÓRIA do esporte - windsurf. Locadafaca. 1
abr. 2011. Disponível em: <http://locadafaca.blogspot.
com/2011/04/historia-do-esporte-windsurf.html>. Acesso
em: 19 ago. 2011. il.
INNOVATION. Wangjianshuo's blog. 5 nov. 2003.
Disponível em: <http://home.wangjianshuo.com/
archives/2003/11/05/shanghai.maglev-head-in.station.jpg>.
Acesso em: 19 ago. 2011. il.
KELLER, F. J.; GETTYS, W. E.; SKOVE, M. J. Física.
São Paulo: Makron Books, 1999. v. 1.
POZZANI, L.; TALAVERA, A. C. Física: Mecânica I e
II. São Paulo: Nova Geração, 2002.
PEDUZZI, Luiz O. Q. Imagens New 4 - material
instrucional utilizado na disciplina Física Geral I. 1998.
Disponível em: <http://www.fsc.ufsc.br/pesqpeduzzi/
imagens-new4.htm>. Acesso em: 18 ago. 2011. il.
PIACANTINI, J. J. Introdução ao laboratório de Física.
Florianópolis: Editora da UFSC, 1998.
Fisica I.indb 169
8/5/2015 15:16:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
SCHILLER INSTITUT. Magnettog. [20--?]. Disponível em:
<http://schillerinstitut.dk/drupal/videnskab>. Acesso em: 19 ago.
2011. il.
SERWAY, R. A.; JEWETT Jr, J. W. Princípios de Física. São
Paulo: Thomson, 2004. v. 1.
SPANSK I og II. Studentum.no. [20--?]. Disponível em:
<http://www.studentum.no/Spansk_I_og_II_50940.htm>.
Acesso em: 19 ago. 2011. il.
TIPLER, P. Física. 4. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e
Científicos, 1999. v. 1.
TREFIL, J.; HAZEN, R. Física Viva. Rio de Janeiro: Editora
Livros Técnicos e Científicos, 2006. v. 1.
YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física I. 10. ed. São
Paulo: Addison Wesley, 2003. v. 1.
170
Fisica I.indb 170
8/5/2015 15:16:26
Respostas e comentários das
atividades de autoavaliação
Unidade 1
1. Para transformar um comprimento dado em quilômetros
para metros fazemos:
1 km = 1000 m
532 km = x
x = 532 km ⋅
1000 m
= 532.000 m
1 km
Assim a resposta certa é a letra d.
2. Para transformar um comprimento dado em metros para
quilômetros fazemos:
1 km = 1000 m
x = 400 m
x = 400 m ⋅
1 km
= 0, 4 km
1000 m
Assim a resposta certa é a letra a.
3. Para converter o tempo da partida de basquete fazemos:
Em 1,2 h temos 1 h mais 0,2 h. Então sabemos que 1 h
correspondem a 60 min e 0,2 h corresponde a:
1 h = 60 min
0, 2 h = x
60 min
x = 0, 2 h ⋅
= 12 min
1h
Assim o tempo de duração da partida é 1 h e 12 min, ou
letra c.
Fisica I.indb 171
8/5/2015 15:16:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
4. Intensidade da grandeza
Notação científica
0,00235 mm
3000000 m
86400 s
4000 m/s
6780 km
616 cm
24,5 h
2,35×10–3 mm
3×106 m
8,64×104 s
4×103 m/s
6,78×103 km
6,16×102 cm
2,45×10 h
5.
ƒƒ Medida 9,23 cm: está correta uma vez que a régua permite
ter certeza sobre dois algarismos e mais um duvidoso. Assim,
os algarismos 9 e 2 são obtidos como certos na escala do
instrumento e o algarismo 3 é o duvidoso.
ƒƒ Medida 0,5 cm: não está correta a medida. A régua permite
mais um algarismo, então a medida correta seria 0,50 cm.
ƒƒ Medida 3,120 cm: não está correta a medida. A régua permite
ter certeza sobre dois algarismos e mais um duvidoso. Assim, a
medida pode ser 3,12 cm, sendo o 2 o algarismo duvidoso.
6.
r2 = (34 mm)2 + (26 mm)2
r = √1832 mm
r = 42,8 mm
r = (34 mm)i + (26 mm)j
26 mm
34 mm
–1
θ = tan 0,765 = 37,4°
tan θ =
172
Fisica I.indb 172
8/5/2015 15:16:26
Física I
7.



R= A+ B

R = (4i + 5j) + (7i – 2j)

R = 11i + 3j
8.
∆r = = –8i + 10j
∆r = ( −8) 2 + (10) 2 = 12,8 m
173
Fisica I.indb 173
8/5/2015 15:16:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
9.
r = 8i + 12j
∆r = (8) 2 + (12) 2 = 14, 4 m
10. Para solucionar o problema precisamos achar as componentes


ortogonais dos vetores a e b :
ax = 10 cm · cos 53° = 6,02 cm
ay = 10 cm · sen 53° = 7,99 cm
bx = 15 cm · cos 37° = 11,98 cm
by = 15 cm · sen 37° = 9,03 cm
Rx = 6,02 cm – 11,98 cm = –5,96 ≈ –6 cm
Ry = 7,99 cm + 9,03 cm – 11 cm = 6,02 ≈ 6 cm
r = (–6 cm)i + (6 cm)j
∆r = ( −6) 2 + (6) 2 = 8, 5 cm
6 cm
tan θ =
6 cm
–1
θ = tan 1 = 45°
174
Fisica I.indb 174
8/5/2015 15:16:26
Física I
11.

R
R = –15 km + 30 km = 15 km
12.

R = (5,2i + 2,6j) + (–1,6i + 2,9j) + (–4,6i – 2,2j)

R = –1i + 3,3j)
tan θ =
3,3
1
θ = tan–1 3,3 = 73,1°
Unidade 2
1. Vamos calcular o tempo gasto.
1o Percurso:
v1 =
∆x1
∆t 1
∆t 1 =
∆x1 30 km/h
=
= 0,750 h
v1
40 km
2o Percurso:
v2 =
∆x 2
∆t 2
∆t 2 =
∆x2 30 km/h
=
= 0,375 h
v2
80 km
175
Fisica I.indb 175
8/5/2015 15:16:26
Universidade do Sul de Santa Catarina
O tempo total é:
∆tT = ∆t1 + ∆t2 = 1,125 h
A velocidade vetorial média para todo o percurso é:
v=
∆x 60 km
=
= 53,333 km/h
∆t 1,125 h
b) A velocidade escalar média também é 53,333 km/h, pois, neste
caso, a distância percorrida é igual ao deslocamento.
2. Vamos chamar de ∆x o deslocamento do percurso total.
1o Percurso:
2o Percurso:
∆x
∆x
2 = ∆x
∆t1 =
v1
2v1
∆t 2 =
2 = ∆x
v2
2v 2
Todo o percurso:
v=
v=
∆x
∆x
=
∆t
∆x ∆x
+
2v1 2v 2
∆x
=
1
1
1
1
1 
+
∆x 
+

 2 ⋅ 30 2 ⋅ 60  60 120
1
1 120
v=
= ⋅
= 40 km/h
2+1 1 3
120
Observe que a velocidade média é diferente da média das
velocidades.
176
Fisica I.indb 176
8/5/2015 15:16:27
Física I
3. x = 2t – 4t2 + t3
a) Substituindo os valores de t na equação acima, construímos a
tabela:
t(s)
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
x(m)
0
-1
-4
-3
8
x = 2(0) – 4(0)2 + (0)3 = 0
x = 2(1) – 4(1)2 + (1)3 = –1
x = 2(2) – 4(2)2 + (2)3 = –4
x = 2(3) – 4(3)2 + (3)3 = –3
x = 2(4) – 4(4)2 + (4)3 = 8
b) ∆x = xf – xi
∆x = 8 – 0 = 8 m
c)
v=
∆x [8 − ( −4)] m
=
= 6 m/s
∆t
(4 − 2) s
177
Fisica I.indb 177
8/5/2015 15:16:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
4. a) x = 2 + 6t + 3t2
t(s)
x(m)
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
5,0
2
11
26
47
74
107
x = 2 + 6(0) + 3(0)2 = 2 m
x = 2 + 6(1) + 3(1)2 = 11 m
x = 2 + 6(2) + 3(2)2 = 26 m
x = 2 + 6(3) + 3(3)2 = 47 m
x = 2 + 6(4) + 3(4)2 = 74 m
x = 2 + 6(5) + 3(5)2 = 107 m
dx
d
=
[2 + 6t + 3t2]
dt
dt
v = 6 + 2(3)t
b) v =
v = 6 + 6t
t(s)
v(m/s)
0
1
2
3
4
5
6
12
18
24
30
36
v = 6 + 6∙0 = 6 m/s
v = 6 + 6∙1 = 12 m/s
v = 6 + 6∙2 = 18 m/s
v = 6 + 6∙3 = 24 m/s
v = 6 + 6∙4 = 30 m/s
v = 6 + 6∙5 = 36 m/s
178
Fisica I.indb 178
8/5/2015 15:16:27
Física I
c) Após a construção de nossa tabela, podemos fazer o gráfico:
d) a =
dv
d
=
[6 + 6t] = 6 m/s2
dt
dt
e) A aceleração do movimento é constante.
179
Fisica I.indb 179
8/5/2015 15:16:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
5. x = 6 – 4t + 2t2
a) Para determinar a velocidade média, determinamos as posições
para os instantes dados:
t(s)
x(m)
2,0
4,0
6
22
v=
x = 6 – 4(2) + 2(2)2 = 6 m
x = 6 – 4(4) + 2(4)2 = 22 m
∆x [22 − 6] m 16 m
=
=
= 8 m/s
∆t
(4 − 2) s
2s
b) A velocidade instantânea é:
dx
d
=
[6 – 4t + 2t2]
dt
dt
v = –4 + 2(2)t
v=
v = –4 + 4t
Substituindo o instante t = 4 s:
v = –4 + 4(4) = 12 m/s
c) Como a velocidade é uma função do tempo
v = –4 + 4t
Então está continuamente variando.
6. Para determinar a distância percorrida nos 16 s, podemos
encontrá-la calculando a área abaixo da curva ou também
utilizando as equações para cada trecho do movimento.
Área:
∆x = ATriangulo + ARetângulo + ATriang+Retang + ARetângulo = 100 m
180
Fisica I.indb 180
8/5/2015 15:16:27
Física I
Equacionando movimentos:
ƒƒ Entre 0 e 2 s, MRUV:
8 = 0 + a·2
a = 4 m/s2
e
82 = 02 + 2·4·∆x
∆x =
64
=8m
8
ƒƒ Entre 2 e 10 s, MRU:
∆x = 8·8 = 64 m
ƒƒ Entre 10 e 12 s, MRUV:
4 = 8 + a·2
a = –2 m/s2
e
42 = 82 + 2·(–2)·∆x
∆x =
−48
= 12 m
−4
ƒƒ Entre 12 e 16 s, MRU:
∆x = 4·4 = 16 m
Somando todos os deslocamentos obtemos 100 m.
7.
vo = 15 km/h = 4,2 m/s
a = –10 cm/s2 = –0,1 m/s2
a) v = 4,2 m/s – 0,1 m/s2·t
1
·0,1 m/s2·t2
2
2
2
c) 0 = (4,2) + 2·(–0,1)·∆x
b) x = 4,2 m/s·t –
∆x = 88,2 m
181
Fisica I.indb 181
8/5/2015 15:16:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
8. Letra d. A velocidade tem componente vertical nula, mas
componente horizontal não nula e a aceleração durante todo a
trajetória é diferente de zero e igual a aceleração gravitacional.
9. A componente horizontal é igual em toda a trajetória e igual a:
vox = vo·cos θ = 30 m/s · cos 25° = 27,2 m/s
10.
a) Para determinar o tempo que a bola fica no ar, calculamos
o tempo que ela leva para chegar até a altura máxima e
multiplicamos por 2, já que levará o mesmo tempo para descer.
Como o movimento no eixo y é um MRUV, temos:
vyf = (vo·sen θ) – gt
0 = (25 · sen 30°) – 9,8·t
t = 1,3 s
Assim o tempo que a bola fica no ar é 2,6 s
b) Para o movimento em x temos uma MRU:
x = (vo·cos θ)t
x = (25 · cos 30°) · 2,6 = 56,3 m
11. Para determinar o tempo que a bala fica no ar, usamos o
movimento no eixo y que é um MRUV. A velocidade inicial neste
eixo é nula, já que a bala é disparada na horizontal.
xf = (vo · sen θ)t –
–2 = 0·t –
1 2
·gt
2
1
· 9,8t2
2
–2 = –4,9t2
t = 0,64 s
182
Fisica I.indb 182
8/5/2015 15:16:27
Física I
Podemos também determinar o alcance horizontal usando o
movimento no eixo x:
x = (vo · cos θ)t
x = (230 · cos 0) · 0,64 = 147,2 m
Unidade 3
1.
a) Ação: força do jogador sobre a bola
Reação: força da bola sobre jogador
b)Ação: força caixa sobre a mesa
Reação: força da mesa sobre a caixa
c) Ação: força do carro sobre a árvore
Reação: força da árvore sobre o carro
2. Porque existe uma força de oposição ao movimento, ou seja, a
força de atrito.
3. É igual a 600 N, pois assim a força resultante é igual a zero a a
velocidade é constante.
4.



a)FR = F1 + F2

FR = (5 N · 
i + 4 N · j) + (–2 N · 
i + 5 N · j)

FR = (3 N)i + (–1 N)j
b)FR2 = (3 N)2 + (–1 N)2
FR = 3,16 N
FR = m·a
3,16 N = 1 kg · a
a = 3,16 m/s2
1
3
θ = –18,4°
tg θ = –
183
Fisica I.indb 183
8/5/2015 15:16:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
5. Se a velocidade é constante, então FR = 0.


Se F1 = 2 N · 
i – 4 N · j, então F2 = –2 N · 
i + 4 N · j.
6. Para que a velocidade seja constante, FR = 0.



F1 + F2 + F3 = 0

(4 N·i + 5 N·j – 2 N·k) + (4 N·i + 5 N·j – 2 N·k) + F3 = 0

(–1 N·i + 12 N·j – 5 N·k) + F3 = 0

F3 = 1 N·i – 12 N·j + 5 N·k
7. P = m·g
a) m = 5 kg
P = 5 kg × 9,8 m/s
P = 49 N
b) m = 78 kg
P = 78 kg × 9,8 m/s
P = 764,4 N
c) m = 1,8 × 1000 = 1800 kg
P = 1800 kg × 9,8 m/s
P = 17640 N
8.
a)
b)
c)
P = 833N
P = 323 N
P=0
P = 85 kg × 9,8 m/s P = 85 kg × 3,8 m/s P = 85 kg × 0
d) A massa é a mesma em todos os locais.
184
Fisica I.indb 184
8/5/2015 15:16:27
Física I
9. a) A corda inferior suporta apenas o peso da massa de 4 kg.

T1
P1 = T1 = 4 kg × 9,8 m/s2 = 39,2 N

1
P
b) A corda superior suporta o peso das duas massas

T2
T2 = P1 + P2 = (4 kg + 5 kg) × 9,8 m/s2 = 88,2 N

1

2
P
P
10.
m1

1
T
T1 = m1 × a

1
T
m2

2
T
T2 – T1 = m2 × a

2
T
m3

T3
T3 – T2 = m3 × a
a)
T1 = m1 × a
T2 – T1 = m2 × a
T3 – T2 = m3 × a
T3 = (m1 + m2 + m3) × a
60 N = (10 + 18 + 25) kg × a
a = 60 N = 1,13 m/s2
53 kg
b)
T1 = 10 kg × 1,13 m/s2
T1 = 11,3 N
T3 – T2 = m3 × a
60 – T2 = 25 kg × 1,13 m/s2
T2 = 31,75 N
185
Fisica I.indb 185
8/5/2015 15:16:27
Universidade do Sul de Santa Catarina
11.

mA

BA
F
mB

T
T – FBA = mA × a
T
mC

FAB
FAB = mB × a

PC
PC – T = mC × a
a) Somando as equações temos:
PC = (mA + mB + mC) × a
3 kg × 9,8 m/s2 = (2 + 0,5 + 3) × a
a=
29, 4 N
= 5,3 m/s2
5, 5 kg
b)
FAB = mB × a
FAB = 0,5 kg × 5,3 m/s2
FAB = 2,7 N
12.
a) Para a iminência do movimento, FR = 0.

N


fe
F

P
∑Fy = 0
∑Fx = 0
N–P=0
N=m×g
F – fe = 0
2
N = 35 × 9,8 m/s
N = 343 N
F=µ×N
F = 0,4 × 343
F = 137,2 N
b) m = 35 – 15 = 20 kg
N=P
F=µ×N
N = 196 N
F = 78,4 N
N = 20 × 9,8 m/s2
F = 0,4 × 196
186
Fisica I.indb 186
8/5/2015 15:16:27
Física I
13. Para iniciar o movimento:

N
∑Fy = 0
∑Fx = 0
N = 500 N
250 = N × µe
N–P=0


fe
F = fe
F
500 N
250 = 500 × µe
µe = 0,5
Para manter o movimento com velocidade constante:
∑Fy = 0
∑Fx = 0
N = 500 N
F = fC
200 = µC × 500
250 = 500 × µe
µC = 0,4
14. Se a velocidade é constante, FR = 0
∑Fx = 0
Tx – fC = 0

∑Fy = 0

T × cos 40° = µ × N

0,15

N
T=
cos 40

T = 0,196 × N
Ty – N – P = 0
T = 110,9 N
f

T × sen 40° + N – m × g = 0

T × sen 40° + N = 65 × 9,8
T

T
40°

Tx

P

T × sen 40° + N = 637


0,196 × N × sen 40° + N = 637

T = 0,196 × 565,7

C


y
N

0,126 × N + N = 637

1,126 × N = 637

N = 565,7 N
187
Fisica I.indb 187
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 4

1.W = F · ∆x
W = [(2 N)i + (–6 N)j] × [(3 m)i]
Como 
i ×
i =1e
i × j = 0 então W = 6 J
2. a) O trabalho da força pode ser determinada pela área do
gráfico.
40 × 10 
WF = (40 × 10) + 

 2 
WF = 400 + 200 = 600 J
b)
N=P=m×g
fe = µ × N
N = 147 N
fe = 29,4 N
N = 15 kg × 9,8 m/s2
Wfc = fc × ∆x × cos θ
Wfc = 29,4 × 20 × cos 180°
Wfc = –588 J
fe = 0,2 × 147 N
WR = 600 j – 588 j
WR = 12 Jj
3.
a) Fx = 100 N × cos 30° = 86,6 N
Fy = 100 N × sen 30° = 50 N
WFx = 86,6 N × 15 m × cos 0
WFx = 1299 J
WFy = 50 N × 15 m × cos 90°
WFy = 0
188
Fisica I.indb 188
8/5/2015 15:16:28
Física I
WN = 0
WP = 0
Para que o movimento seja MRU, FC = Fx
WFc = 86,6 N × 15 m × cos 180°
WFc = –1299 J
b) WR = 0
4. WR = ∆Ec
1
1
× m × vF2 – × m × vi2
2
2
1
1
(100 × cos 35°) × 5 = × 20 × vF2 – × 20 × 02
2
2
2
409,6 = 10 × vF
Fc × ∆x =
vF2 = 30,96
vF = 6,4 m/s
5. WR = ∆Ec
1
1
1
× K × x = × m × vF2 – × m × vi2
2
2
2
2
2
400 × 0,1 = 2 × vF
–
4 = 2 × vF2
vF2 = 2
vF = 1,41 m/s
189
Fisica I.indb 189
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Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 5
1. Se uma força resultante atua no corpo, então este corpo está
sujeito a uma variação em sua velocidade e conseqüentemente sua
energia cinética também está variando.
2. a) ∆Ec = 100 J
∆Ec = – ∆EP
∆EP = –100 J
O aumento de energia cinética é acompanhado por uma perda
igual de energia potencial.
b) Em sistemas conservativos a energia mecânica não varia.
3. Na altura de 20 m, como está em repouso, a energia mecânica é:
E = EP
40 J = m × g × y
40 J = m × 9,8 m/s2 × 20 m
40 J
m=
= 0,20 kg
9,8 m/s 2 × 20 m
A 5 m a energia mecânica é:
E = EC + EP
40 J = EC + m × g × y
40 J = EC + 0,20 kg × 9,8 m/s2 × 5 m
40 J = EC + 9,8 J
EC = 40 J – 9,8 J
EC = 30,2 J
190
Fisica I.indb 190
8/5/2015 15:16:28
Física I
4. EB = EA – 4,5 × 104 J
1
1
m × v2B + m × g × yB = ( m × vA2 + m × g × yA) – 4,5 × 104 J
2
2
As velocidades são nulas, então:
5 × 103 N × yB = (5 × 103 N × 10 m) – 4,5 × 104 J
5 × 103 N × yB = 5 × 104 J – 4,5 × 104 J
0, 5 × 10 4 J
yB =
=1m
5 × 10 3 N
5. EB = 0,8 × EA
1
m × vB2 + m × g × yB = 0,8 × (m × g × y A )
2
vB2
+ 9,8 m/s 2 × 1 m = 0,8 × (9,8 m/s 2 × 3 m)
2
vB2
+ 9,8 m/s 2 = 23, 5 m 2 /s 2
2
vB2
= (23, 5 − 9,8) m 2 /s 2
2
vB2 = 2 × 13,72 m 2 /s 2
vB = 27, 4 m 2 /s 2
vB = 5, 2 m/s
6. EI = EF
1
m × vF2 + m × g × yF
2
0, 5 kg 2
2
(0,5 kg·9,8 m/s ·100 m) – 50 J =
·vF + (0,5 kg·9,8 m/s2·0)
2
440 J = 0,25 kg × v2
(m × g × yI) – 50 J =
v2 = 42 m/s
191
Fisica I.indb 191
8/5/2015 15:16:28
Universidade do Sul de Santa Catarina
Unidade 6
Se os corpos têm as mesmas massas, ao sofrerem uma colisão
elástica, trocam suas velocidades. A bola em movimento pára e a
bola que estava parada inicia o movimento com igual velocidade.
Se m1 = m2, durante uma colisão elástica, v1f = v2i e v2f = v1i
2.
J = m × ∆v
J = F × ∆t
J = 4×106 kg·m/s
F = 6,7×103 N
J = 106 kg × 4 m/s
3.
4×106 kg·m/s = F · (10 × 60)s
a)
b)
F × ∆t = ∆p
8, 5 × 10 3 kg ⋅ m/s
F=
10 s
2
F = 8,5×10 N
8,5×103 kg·m/s = 1000 kg × ∆v
J = m × ∆v
∆p = m × ∆v
∆v = 8,5 m/s
4. J = ∆p
F × ∆t = m × ∆v
40 N × (5×10–3)s = 0,3 × ∆v
∆v = 0,67 m/s
192
Fisica I.indb 192
8/5/2015 15:16:28
Física I
5.  m − m2 
vif =  1
 × v1i
 m1 + m2 
v1i  5 − m2 
=
×v
4  5 + m2  1i
5 + m2 = 20 − 4m2
5m2 = 15
m2 = 3 kg
6.  m1 
v f = v1i 

 m1 + m2 
6 
v f = 8 m/s 

 6 + 10 
v f = 3 m/s
193
Fisica I.indb 193
8/5/2015 15:16:28
Fisica I.indb 194
8/5/2015 15:16:28
Anexo
O Sistema Internacional de Unidades
(SI) e Fatores de Conversão
UNIDADES FUNDAMENTAIS
Fisica I.indb 195
Comprimento
O metro (m) é a distância percorrida
pela luz no vácuo em 1/299.792.458 s.
Tempo
O segundo (s) é a duração de
9.192.631.770 períodos da radiação
correspondente à transição entre dois
níveis hiperfinos do estado fundamental
do átomo de 133Cs.
Massa
O quilograma (kg) é a massa do corpo
padrão internacional conservado em
Sèvres, França.
Corrente
O ampère (A) é a corrente que, em dois
fios paralelos, muito compridos, separados
por 1m, provoca uma força magnética,
por unidade de comprimento, igual a
2 × 10 −7 N m .
Temperatura
O kelvin (K) é 1/273,16 da temperatura
termodinâmica do ponto triplo da água.
Intensidade
luminosa
A candela (cd) é a intensidade luminosa de
uma área superficial de um corpo negro,
com 1/600.000 m 2, na temperatura de
solidificação da platina, a uma pressão
de 101.325 N m 2 , na direção normal à
superfície.
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Universidade do Sul de Santa Catarina
UNIDADES DERIVADAS
Força
newton ( N )
1 N = 1 kg × m s 2
Trabalho, energia
joule ( J )
1 J = 1 N ×m
Potência
watt (W )
1W = 1 J s
Freqüência
hertz ( Hz )
1 Hz = s −1
Carga elétrica
coulomb ( C )
1C = 1 A × s
Potencial elétrico
volt (V )
1V = 1 J C
Resistência elétrica
ohm ( Ω )
Capacitância
farad ( F )
1 F = 1C V
Campo magnético
tesla ( T )
1T = 1 N A × m
Fluxo magnético
weber (Wb )
1Wb = 1 T × m 2
Indutância
Henry ( H )
1H = 1 J A2
FATORES DE CONVERSÃO
Comprimento
Área
1 km = 0 , 6215 mi
1 m 2 = 10 4 cm 2
1 mi = 1, 609 km
1 km 2 = 0 , 3861 mi 2 = 247 , 1 acres
1 m = 1, 0936 yd = 3, 281 ft = 39, 37 in
1 in = 2 , 54 cm
1 ft 2 = 9 , 29 × 10 −2 m 2
1 ft = 12 in = 30 , 48 cm
1 m 2 = 10 , 76 ft 2
1 yd = 3 ft = 91, 44 cm
15
1 ano − luz = 1 c.ano = 9 , 461 × 10 m
1 Å = 0 , 1 nm
1 in 2 = 6 , 4516 cm 2
1 acre = 43.560 ft 2
1 mi 2 = 640 acres = 2 , 590 km 2
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Fisica I.indb 196
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Física I
Volume
Pressão
1 m 3 = 106 cm 3
1 Pa = 1 N m 2
1 L = 1000 cm 3 = 10 −3 m 3
1 atm = 101, 325 kPa = 1, 01325 bar
1 gal = 3, 786 L
1 atm = 14 , 7 lb/in 2 = 760 mmHg
1 gal = 4 qt = 8 pt = 128 oz = 231 in3
1 atm = 29 , 9 inHg = 33, 8 ftH 2O
1 in3 = 16 , 39 cm 3
1 lb/in 2 = 6 , 895 kPa
1 ft 3 = 1728 in3 = 28, 32 L = 2 , 832 × 10 4 cm 3
1 torr = 1 mmHg = 133, 32 Pa
1 bar = 100 kPa
Tempo
Velocidade
1 h = 60 min = 3, 6 ks
1 km/h = 0 , 2778 m/s = 0 , 6215 mi/h
1 dia = 24 h = 1440 min = 86, 4 ks
1 mi/h = 0 , 4470 m/s = 1, 609 km/h
1 ano = 365, 24 dias = 31, 56 Ms
1 mi/h = 1, 467 ft/s
Ângulo e Velocidade Angular
Massa
ð rad = 180°
1 kg = 1000 g
1 rad = 57 , 30°
1 ton = 1000 kg = 1 Mg
1° = 1, 745 × 10 −2 rad
1 u = 1, 6606 × 10 −27 kg
1 rev/ min = 0 , 1047 rad/s
1 kg = 6 , 022 × 10 23 u
1 rad/s = 9 , 549 rev/ min
1 slug = 14 , 59 kg
1 kg = 6 , 852 × 10 −2 slug
1 u = 931, 50 MeV/c 2
Densidade
Força
1 g/cm 3 = 1000 kg/m 3 = 1 kg/L
1 N = 0 , 2248 lb = 10 5 dyn
(1 g/cm 3 ) g = 62 , 4 lb/ft 3
1 lb = 4 , 44482 N
(1 kg ) g = 2 , 2046 lb
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Energia
Potência
1 kw.h = 3, 6 Mj
1 HP = 550 ft.lb/s = 745, 7 W
1 cal = 4 , 1840 J
1 Btu/ min = 17 , 58W
−3
1 ft.lb = 1, 356 J = 1, 286 × 10 Btu
1 L.atm = 101, 325 J
1 L.atm = 24 , 217 cal
1W = 1, 341 × 10 −3 HP
1W = 0 , 7376 ft.lb/s
1 Btu = 778 ft.lb = 252 cal = 1054 , 35 J
1 eV = 1, 602 × 10 −19 J
1 u.c 2 = 931, 50 MeV
1 erg = 10 −7 J
Campo Magnético
Condutividade Térmica
1 G = 10 −4 T
1W/m.K = 6, 938 Btu.in/h.ft 2 .°F
1 T = 10 4 G
1 Btu.in/h.ft 2 .°F = 0 , 1441W/m.K
DADOS TERRESTRES
Aceleração média da gravidade na superfície, g
9 , 80665 m/s 2
Massa da terra
5,98 × 10 24 kg
Raio médio da terra, RT
6,37 × 106 m
Condições normais de temperatura e pressão (CNTP):
Temperatura
273, 15 K
Pressão
101, 325 kPa
1, 00 atm
Massa molar do ar
28 , 97 g/mol
Densidade do ar (CNTP),
1, 293 kg/m 3
Velocidade do som (CNTP)
331 m/s
Calor de fusão da água 0°C, 1 atm
333, 5 kJ/kg
Calor de vaporização da água ( 100°C, 1 atm )
2 , 257 MJ/kg
198
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