INSTALAÇÕES ESPORTIVAS NAS CIDADES UNIVERSITÁRIAS DA AMÉRICA LATINA
SPORTS FACILITIES ON UNIVERSITY CAMPUSES IN LATIN AMERICA
Silvia Arango
ARQTEXTO 17
Tradução espanhol-português/espanhol-inglês: Equipe editorial
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1 Planta preliminar para a Cidade Universitária,
de Leopoldo Rother, 1937. Da Revista de las
Indias N. 6, Julho de 1937, Ministério de Educação, Bogotá.
1 Preliminary plan for the University Campus, by
Leopoldo Rother, 1937. From Revista de las Indias
Nº 6, July 1937, Ministry of Education, Bogotá.
The construction of stadiums, arenas, swimming pools
and other facilities for sports mega-events has always presented an interesting challenge for architecture, engineering and urbanism. They should provide ideal conditions
for competitions and have the capacity for accommodating
mass audiences, but they also should fit later into everyday
community life instead of becoming white elephants.
But the way in which sports facilities have been built in
Latin America has its own history which is worth remembering during these times when such concerns are being
revived in relation to the events being planned for our cities.
We shall examine here one of the chapters of this Latin
American history: the relationship between sports facilities
and higher education, since on many occasions, roughly
between 1935 and 1955, the construction of sports facilities was linked to the construction of university campuses.
Some of the most important Latin American campuses were built during these years, on the strength of the
prevailing nationalism and, more preciselly, the firm will
of particular presidents. These initiatives came from the
conviction that a country’s development was connected to
the quality and spread of higher education, and from the
general wish of giving substance to independent thinking
that addressed the particular features of Latin American
conditions and history. The University campuses of these
years were related to Pan-American ideologies and followed a long humanistic tradition which sought the full education of students. Teaching of arts, sciences and humanities was linked to a healthy lifestyle dedicated to study:
“healthy body, healthy mind”. So it comes as no surprise
that university campuses from this period sought to be a
kind of micro-polis, where teachers and students lived a
balanced lifestyle, sports pratice being a structural part
of the daily academic experience. In addition to their role
within this concept of University, sports facilities also had
another very important mission. They forged a tangible
and symbolic relationship with the rest of society – and
the city. The presence of the urban masses reduced the
university’s reclusiveness and guaranteed the sympathy of
the public opinion.
It is worth noting that assumptions changed in the
climate of development between the late 1950s and early
1980s, and university education began to be conceived
as a development strategy that should be closely connected to levels of production and industry, in a break with
the humanistic tradition. From this technocratic view of
education, university sport acquired a different, more competitive meaning and university sports facilities lost their
symbolic educational character.
This presentation of three representative examples of
sports facilities on three university campuses in three Latin
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A construção de estádios, arenas, piscinas e outras instalações para mega-eventos esportivos sempre significou um
desafio interessante para a arquitetura, a engenharia e o
urbanismo. Deveriam garantir condições ideais para competições e ter capacidade para acomodar um público de
massa, mas deveriam também integrar-se depois à vida cotidiana da comunidade em vez de virar elefantes brancos.
Mas a forma como as instalações esportivas foram construídas na América Latina tem sua própria história, que vale
lembrar nestes tempos em que, a propósito dos eventos que
estão previstos em nossas cidades, estas preocupações
voltam à tona. Aqui, examinaremos um dos capítulos da
história latinoamericana: as relações dos equipamentos
desportivos com o ensino superior, já que muitas vezes,
entre 1935 e 1955, a construção de instalações desportivas esteve ligada à construção de campus universitários.
Alguns dos mais importantes campus latinoamericanos
foram construídos nesses anos, em função do nacionalismo dominante e, mais precisamente, da firme vontade de
alguns presidentes. Estas iniciativas tiveram como ponto
de partida a convicção de que o desenvolvimento de um
país estava ligado à qualidade e cobertura do ensino
superior e ao desejo generalizado de dar substância a
um pensamento independente, considerando as peculiaridades da história e das condições latinoamericanas.
As cidades universitárias desses anos vinculavam-se à
ideologias panamericanistas e seguiam uma longa tradição humanística que buscava uma formação integral dos
estudantes. O ensino das ciências, artes e humanidades
acompanharia um estilo de vida cujo mantra seria: “mente
sã em corpo são”.Não surpreende que as cidades universitárias desses anos tentassem ser uma micrópole onde
professores e estudantes vivessem de forma equilibrada, a
prática de esporte sendo parte estrutural do cotidiano acadêmico. Além de seu papel nessa concepção universitária, os equipamentos esportivos tinham outra missão muito
importante. Eles forjavam a relação tangível e simbólica
com o resto da sociedade – e da cidade. A presença das
massas urbanas atenuava a reclusão universitária e conquistava a simpatia da opinião pública.
Note-se que, sob o ambiente de desenvolvimento que
se viveu entre o final dos anos 1950 ao início dos anos
1980 modificaram-se as premissas e a educação universitária começou a ser concebida como uma estratégia de
desenvolvimento que deveria estar intimamente ligada
com os estamentos produtivos e a indústria, propiciando
uma ruptura com a tradição humanista. Sob este ponto
de vista tecnocrático da educação, o esporte universitário
assumiu um significado diferente, mais competitivo, e as
instalações esportivas universitárias perderam seu caráter
educacional simbólico.
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De acordo com a crença de que o significado e a qualidade arquitetônico-urbana das instalações esportivas estão
ligadas à sua capacidade de formar parte de um projeto
intelectual e urbano mais amplo, apresentarei a seguir três
exemplos representativos das instalações esportivas em
três cidades universitárias em três países latinoamericanos.
BOGOTÁ
Em Bogotá, o presidente liberal Alfonso López Pumarejo
começou a construção do campus da Universidade Nacional da Colômbia em 1937, baseado nas idéias de dois
técnicos alemães: o projeto acadêmico do educador Fritz
Karsen e o projeto urbano-arquitetônico do arquiteto Leopoldo Rother. Nesse ano começou a implantação de redes
de infraestrutura rodoviárias e de serviços e alguns modestos edifícios acadêmicos (os da Botânica, do Direito e da
Veterinária, projeto do arquiteto Eric Lange), mas os mais
ambiciosos foram o Instituto de Educação Física e o Estádio,
ambos confiados na sua concepção e construção a Leopoldo Rother. A prioridade dada às instalações esportivas teve
um motivo político. Para conseguir financiamento para a
cidade universitária, López Pumarejo necessitava neutralizar a forte oposição do Partido Conservador e decidiu
aproveitar um acontecimento iminente: a celebração dos Primeiros Jogos Bolivarianos, que o próprio presidente havia
organizado e que serriam realizados como parte do comemorações do quarto centenário da fundação de Bogotá,
em 1938. Os Jogos Bolivarianos reuniam atletas dos seis
países independizados por Simón Bolívar (Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela) e procuravam
reunir essas nações por meio do esporte, como tinha sido
feito a nível mundial nas Olimpíadas de Berlim de 1936.
A Câmara Municipal de Bogotá, de maioria conservadora, apoiou, então, a construção do estádio Nemesio
Camacho em um terreno diferente. Em uma corrida contra
o tempo que mediu as habilidades técnicas de engenheiros e arquitetos, iniciaram-se as obras de dois estádios;
foi o estádio da universidade que foi terminado a tempo e
onde o presidente López, no último dia de governo, inaugurou os Jogos Bolivarianos em 6 de agosto de 1938.
O estádio do campus – já chamado Alfonso López Pumarejo – tem capacidade para oito mil pessoas e compreende uma pista de atletismo e várias dependências
(escritórios para os instrutores e assessoria de imprensa,
ginásios, vestiários, enfermaria, etc.). As arquibancadas
contínuas circundam o campo; a arquibancada principal,
em um de seus lados, é marcada por sua maior elevação
e é coberta com um balanço em concreto leve que era, na
época, o maior balanço já feito na Colômbia. Os reforços
rítmicos das paredes que delimitam o estádio formam uma
sóbria, porém elegante, decoração geométrica.
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American countries is based on a belief that that the architectural-urban meaning and quality of sports facilities are
linked to their capacity to be part of a broader intellectual
and urban project.
BOGOTA
In Bogota, the liberal president Alfonso López Pumanejo commenced the building of the Colombia National
University campus in 1937, to the design of two German
technicians: the academic project of Prof Fritz Karsen and
the urban and architectural project by the architect Leopoldo Rother. This year saw a start on construction of road
and service network infrastructures and also some modest
academic buildings (the Botany, Law and Veterinary building, designed by the architect Eric Lange); but the most
ambitious designs were the Physical Education Institute
and the Stadium, designed and built by Leopoldo Rother.
The priority given to the sports facilities was determined
by political necessities. To acquire funding for construction
of the university campus, Alfonso Lopez needed to neutralise the strong opposition from the Conservative Party,
and decided to make use of anticipation of an imminent
event: celebration of the 1st Bolivarian Games, organised
by the president himself as part of the commemorations
for the Fourth Centenary of the Foundation of Bogota, in
1938. The Bolivarian Games involved athletes from the
six countries made independent by Simón Bolívar (Bolivia,
Colombia, Ecuador, Panama, Peru and Venezuela) and
sought to bring these nations together through sport, along
the lines of what had already occurred on a global level
with the 1936 Berlin Olympics.
The Bogota Municipal Chamber, with a Conservative
majority, therefore supported the construction of the
Nemesio Camacho stadium, but on a different site. In a
race against time, which tested the technical skills of engineers and architects, work began on two stadiums, but it
was the one belonging to the university that was completed on time, which was where President Lopez opened the
Bolivarian Games on the last day of his government on
August 6, 1938.
The university stadium – since then known as the Alfonso
Lopez Pumarejo Stadium – has a capacity for 8000 spectators and includes an athletics track and various other
facilities (for instructors, press officers, training rooms,
changing rooms, first-aid rooms, etc.). A continuous ring
of spectator stands surrounds the track; the main stand, at
one side, stands out for its greater height and is covered by
an imposing lightweight concrete overhang, which at the
time was the biggest ever built in Colombia. The rhythmic
detailing of the walls defining the stadium forms a sober
but elegant geometric decoration.
2 O estádio da Cidade Universitária de Bogotá.
Foto: Silvia Arango, janeiro 2011.
2 Bogotá University Stadium. Photo: Silvia Arango,
January, 2011.
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2
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O estádio se articularia de maneira simétrica com
um estádio de beisebol (fato que não ocorreu), através do
edifício do Instituto de Educação Física, cuja simetria seria
quebrada em duas extremidades (que não foram construídas) onde estariam as piscinas e os ginásios; o projeto
contemplava, também, canchas de tênis e um campo de
polo. O complexo esportivo seguiu a estética racionalista,
apurada e branca, de toda a cidade universitária e se integrou ao projeto moderno do campus. Situado no extremo
do campus, o complexo se abria à zona administrativa –
reitoria e biblioteca – localizada na outra extremidade, os
braços abertos do semi-octógono do Instituto de Educação
Física, além disso o estádio possuia outra entrada independente para a cidade, emoldurada por duas altas colunas
soltas e com um estacionamento. Assim, os equipamentos
esportivos cumpriam seu papel de um relacionamento físico
e simbólico entre a universidade eo resto da sociedade.
The stadium has a symmetrical connection with the
other baseball stadium (which was not built) through the
Physical Education Institute building, whose symmetry
was broken by concluding sections (which were not built)
containing the swimming pools and gymnasiums; the
design also included tennis courts and a polo ground. The
sports complex continued the pure white rationalist aesthetic of the rest of the campus and fitted into its modern
design. Located at the edge of the campus, the complex
opened onto the administrative block – the Dean’s offices
and library – located at the other end, the open arms of
the Physical Education Institute’s half octagon, while the
stadium had another independent entrance to the city,
marked by two tall isolated columns and the parking area.
The sports facilities thus completely fulfilled their function of
creating a physical and symbolic relationship between the
university and the rest of society.
CARACAS
Embora o primeiro projecto de Carlos Raúl Villanueva
para a cidade universitária de Caracas date de 1945 e se
tenham feito alguns edifícios da área da medicina no final
dos anos 1940, foi a partir de 1949, e sob a influência
de Marcos Pérez Jiménez (que seria eleito presidente da
Venezuela em novembro de 1952), que a construção do
campus tomou um ritmo definido. Nesta fase, foi acelerada a construção de vários edifícios da área das engenharias mas, também em Caracas, foram construídos principalmente alguns equipamentos esportivos, aproveitando
o incentivo de um evento internacional: os III Jogos Bolivarianos que seriam realizados em dezembro de 1951.
A figura de Simón Bolívar é de grande importância simbólica na Venezuela. Para os Jogos Bolivarianos, o governo
não poupou esforços, construindo instalações bem menos
modestas que aquelas realizadas para as versões anteriores dos Jogos em Bogotá e Lima. Trabalhando sob pressão
em prazo apertado, Carlos Raúl Villanueva construiu em
dois anos um complexo esportivo constituído por dois estádios (cada um com capacidade para 30,000 espectadores), quadras de tênis e quatro edifícios para acomodar
as delegações estrangeiras, pensadas para ser residências
estudantis após o fim dos Jogos.
O estádio de beisebol tem arquibancadas inclinadas e
contínuas que cercam o diamante do jogo conformando o
volume côncavo característico desse jogo. Na extremidade mais aguda, atrás do batedor, se eleva uma cobertura
plana seguindo a curva, sustentada por vigas e localizada
a sudoeste para a máxima sombra. O estádio olímpico
para futebol e atletismo tem um esquema diferente. As arquibancadas descobertas estão separadas da tribuna principal coberta, que se prolonga em um longo trecho linear;
CARACAS
Although Carlos Raúl Villanueva’s designs for Caracas
University date from 1945 and some buildings in the medicine Department were built in the late 1940s, it was after
1949 and under the influence of Marcos Pérez Jiménez
(who would be officially elected in November 1952) that
construction of the university campus developed a more
definitive pace. During this stage several engineering buildings were added, but, in Caracas as well, priority went
to the building of sports facilities, taking advantage of the
incentive of an international event: the 3rd Bolivarian Games, which would take place in December 1951.
The figure of Simón Bolívar, represented through sports
by the Bolivarian Games, is of great symbolic importance in Venezuela, and the government spared no efforts
to build facilities for this occasion that far surpassed the
much more modest constructions for the two previous versions of the Games in Bogota and Lima. Working under
the pressure of a short schedule, in two years Carlos Raúl
Villanueva built a sports complex consisting of 2 stadiums
(each housing 30,000 spectators), tennis courts, and four
buildings for housing foreign delegations, intended for
later conversion to student accommodation.
The baseball stadium had steep stands surrounding the
playing diamond, forming the concave shape characteristic of this game. At the sharper end behind the batsman is
a flat roof that continues the accentuated curve, supported
by beams and located to the southeast to provide maximum
shade. For the Olympic Football Stadium, Villanueva opted
for a different scheme. The uncovered stands are separated from the main covered grandstand, which extends into
a long straight section; in this case the stands and roof
form a plastic unity: as a “V” shape supported by external
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beams of varying heights (from 60 cm to the field to 3.5 m
behind) distributed every 5 m and allowing an overhang
of 25 m free of internal support, as a structural solution that
would later be repeated in the Aula Magna building. The
covered stands are located on a slight slope to the west
with the aim of achieving two objectives at once: on the
one hand casting maximum shade in the afternoon, which
is when the games normally take place, and on the other,
allowing an extensive panoramic view of Avila and the
mountains to the north-east of Caracas.
The two stadiums were designed to connect perpendicularly with the sides of Avenida Roosevelt (today Avenida
da Capela) with the aim of joining the city, served by a
large capacity parking area and arrival area. The curves
of the baseball stadium, outside the campus, determine
the shape of connecting with the road which was built
shortly afterwards between two motorways (now called
the Estrada Francisco Fajardo and the Estrada Coche
Valle). The Football stadium was located at one end of
the campus, accessed from two large ramps, and facing
the University Hospital at the other end, which also had
an independent connection with the rest of the city. The
tennis courts (now the 5-a-side football pitch) were located
to the left of the stadium. On the right, marking the academic area on its eastern sector, were the four buildings for
housing athletes from foreign delegations.
Villanueva’s efficiency in building these initial sports
facilities would be employed immediately afterwards,
when Perez Jimenez decided to make use of the 10th
Pan-American conference, planned for Caracas in March
1954, to build the auditorium, quickly inaugurating the
covered square that would be the university cultural centre.
The 8th Central American and Caribbean Games, due
to take place in Caracas in December 1958 provided the
impetus for the construction of two new sports facilities,
which would conclude by forming the university sports
area. These games had a long tradition (dating from
1929) and included sports such as fencing, basketball
and swimming, at which Venezuelan excelled, and the
8th edition brought in 12 countries and 1150 athletes.
For the swimming pool complex, which included stands,
an Olympic swimming pool and another diving pool, a
training area and other rooms, Villanueva used his experience to produce one of his best buildings, softening the
structure with curves to provide a welcoming façade for
the campus and absorbing the presence of the autonomous volume of this kind of facility. Villanueva’s design for
the covered gymnasium involved a circular volume with a
cellular roof to make it lighter, but unfortunately a different
roof was built – which was intended to be temporary – that
was much heavier. The positioning of the sports facilities
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ARQTEXTO 17
no caso, a arquibancada e a cobertura formam uma
unidade plástica: um volume em V, suspenso por vigas exteriores de altura variável (de 0,60m a 3,50m), dispostas
a cada 5 m, que abraçam o volume em V e permitem o
balanço de 21 m, livre de apoios interiores; a solução estrutural se repetirá mais tarde na Aula Magna. A arquibancada coberta está localizada com leve inclinação oeste,
para cumprir dois objetivos simultâneos: primeiro, para a
máxima sombra na parte da tarde, quando os jogos são
normalmente realizados, e, segundo, permitir uma visão
ampla de Ávila e das montanhas ao nordeste de Caracas.
Os dois estádios foram projetados articulados perpendicularmente aos lados da avenida Roosevelt (hoje de la
Capilla) para integrar a cidade, servidos por um estacionamento de grande capacidade e uma praça de eventos.
As curvas do estádio de beisebol, por fora do campus,
condicionaram a forma da conexão viária que foi construída pouco depois, entre duas autoestradas (hoje, as autoestradas Francisco Fajardo e Valle Coche). O estádio de
futebol localizado em uma extremidade do campus, que
se acessa através de duas rampas grandes e que se pode
ver o hospital da universidade que se encontra na outra extremidade, e também tem uma conexão independente do
resto da cidade. À esquerda do estádio de futebol estão localizadas quadras de tênis (hoje, mini campo de futebol).
À direita do estádio, enquadrando a área acadêmica em
seu setor oriental, estão localizados os quatro edifícios que
abrigavam os atletas de delegações estrangeiras.
A eficácia demonstrada por Villanueva na construção
dessas primeiras instalações desportivas serão aplicadas
imediatamente após, quando Pérez Jimenez decide aproveitar a ocorrência da X Conferência Panamericana, a ser
realizada em Caracas em março de 1954, para construir
rapidamente o auditório e a praça coberta, onde se inauguraria o coração cultural da universidade.
Os VIII Jogos Centroamericanos e do Caribe que se
celebrariam em Caracas em dezembro de 1958 foi o
impulso para a construção de duas novas instalações esportivas, que completam o complexo esportiva da cidade
universitária. Estes jogos, de longa tradição (a primeira
edição data de 1929) inclui esportes como basquete,
esgrima e natação, esportes nos quais a Venezuela havia
sido destaque, e trouxe em sua oitava edição 12 países e
1.150 atletas. No complexo de piscinas, que inclui arquibancadas, uma piscina olímpica de nataçào e outra de
mergulhos, um ginásio e outras dependências, Villanueva
colocou em prática a experiência adquirida para fazer
um dos seus melhores edifícios, suavizando com curvas a
estrutura para oferecer uma fachada amigável ao campus,
mortificando a presença do volume autônomo deste tipo
de edificação. O projecto de Villanueva para o ginásio
ARQTEXTO 17
3 Foto aérea da Cidade Universitária de Caracas
com os estádios em primeiro plano. Fonte desconhecida. Coleção José Luis Colmenares.
3 Aerial view of Caracas University Campus.
Photographer unknown. José Luis Colmenares
collection.
3
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CIDADE DO MÉXICO
No dia que o presidente Miguel Alemán inaugurou o
coração acadêmico da cidade universitária da Universidad Autónoma Nacional de México, em 20 de novembro
de 1952 (dez dias antes de concluir seu mandato), inaugurou também o estádio universitário, que durante anos foi o
maior da cidade. Para Alemán, a cidade universitária foi
um projeto prioritário e havia impulsionado fortemente as
obras desde seu início em outubro de 1949, sob a gestão
eficiente do arquiteto Carlos Lazo. O local escolhido foi
uma zona ao sul, distante da cidade, coberta pela lava
emitida pelo vulcão Xitle (6.000 anos atrás), conhecido
como Pedregal; foi necessário construir toda a infraestrutura viária e de redes de serviço de água, sanitárias e
elétricas. O lugar era acessível através do prolongamento
da Avenida Insurgentes, que se une à auto-estrada para
Cuernavaca e Acapulco (a Rodovia Panamericana), de
modo que tanto a Cidade Universitária como o estádio
eram parte da estratégia para promover o crescimento
urbano até o sul do Distrito Federal mexicano.
O grande estádio, localizado do outro lado da Avenida
Insurgentes e com entrada independente, aparece desde
1947 no primeiro anteprojeto do campus, ocupa um lugar
de destaque na composição, como o arremate oriental do
eixo central do campus, acompanhado de um estádio de
beisebol. É visível que, para o presidente Alemán, os equi-
are most interesting, with he swimming pools immediately
behind the accommodation, so that they could service the
residential complex outside occasional games use, and the
gymnasium, used for games such as basketball and volleyball, opening onto Plaza Venezuela.
For Villanueva, the sports facilities provided place for
plastic experimentation with reinforced concrete, which
would feature in his work in the years to come. They
enabled him to discover the expressive potential of the
material and the aesthetic value arising out of the explicit
structure as an ornament of the architecture and provided him with a way of connecting large isolated buildings through the use of the same architectural approach.
Instead of making a large-scale sports complex, Villanueva
combined the dual urban and university nature of these
facilities, locating them in a large arc at the North and East
boundaries of the campus. He was thus able to avoid large
crowds and could distribute proportional parking areas
and accesses for different routes of the city.
MEXICO CITY
On the day that President Miguel Alemán opened the
student union building on the campus of the Autonomous
National University of Mexico, on November 20, 1952
(10 days before completing his mandate), he also opened
the university stadium, which for several years was the
biggest in the city. The campus was Alemán’s priority
project and he had been promoting building works right
from the start in October 1949, under the efficient management of the architect Carlos Lazo. The chosen location was
a southern zone quite distant from the city centre, covered
with lava from the Xitle volcano (some 6000 years before),
in a region known as Pedregal, where a complete infrastructure of roads, drainage, sewage and electricity needed
to be constructed. The site was accessible from an extension of Avenida Insurgentes, connecting to the road from
Cuernavaca to Acapulco (the Panamericana highway), so
that both the university campus and the stadium would be
part of the strategy for promoting urban growth towards
the south of the Federal District.
The great stadium, located on the other side of Avenida
Insurgentes and with its own entrance, appears in the first
campus plan from 1947, occupying a key position in the
composition as the eastern conclusion of the central campus
axis, accompanied by baseball stadium. It can be seen
that for president Alemán the sports facilities which served
the whole city were a way of justifying construction of the
campus itself. Once again, the incentive came from imminent occurrence of two programmed events: the 7th Central
American and Caribbean Games, taking place in March
1954, and the 2nd Pan-American Games in March 1955.
71
ARQTEXTO 17
coberto consiste em um volume circular com cobertura alveolar que o tornava mais leve, porém lamentavelmente
foi construída uma cobertura diferente da especificada no
projeto original – que se supunha provisória – que deixou
o ginásio pesado. Apesar disso, são muito interessantes
as localizações no projeto. As piscinas estão imediatamente atrás das residencias, de modo que podem servir
ao complexo residencial quando não estiverem ocorrendo
os jogos; por sua vez, o ginásio, para jogos como basquete e vôleibol, se abre para a Praça Venezuela.
Para Villanueva, os equipamentos esportivos foram o
local da experimentação plástica do concreto armado,
aspecto que caracterizará sua obra nos anos seguintes.
Com eles, aprendeu as potencialidades expressivas dos
materiais e do valor estético derivado da estrutura aparente como ornamento consubstancial à arquitetura, e encontrou a maneira de integrar grandes construções isoladas
através da mesma atitude arquitetônica. Ao invés de projetar um grande complexo esportivo, Villanueva conciliou
o duplo caráter urbano e universitário destas instalações,
implantando-as em um grande arco nas proximidades
norte e leste do campus. Assim, evitava as grandes multidões e pode distribuir estacionamentos proporcionais e
acessos por diferentes vias da cidade.
ARQTEXTO 17
pamentos esportivos que serviriam toda a cidade eram
uma maneira de justificar a construção do campus em si.
Novamente, o incentivo foi a iminência de dois eventos
próximos: os VII Jogos Centroamericanos e do Caribe a
serem realizados em março de 1954 e os II Jogos Panamericanos em março de 1955.
O projeto final do campus, de 1949, pelos arquitetos
Mario Pani e Enrique del Moral, manteve o zoneamento
básico dos anteprojetos anteriores, com uma separação
clara entre três tipos de concepção do esporte: em primeiro lugar, o esporte como entretenimento de massa, representado no grande estádio, para o qual foram pensadas
cifras que permitissem de 25.000 a 110.000 espectadores (finalmente, a capacidade foi decidida para 80.000),
em seu local habitual, concebido para receber um grande
número de pessoas, ou seja, contando com estacionamento e serviços. Em segundo lugar, o complexo de piscinas
e o campo de beisebol, como esportes “de exibição” pensados para servir simultaneamente a cidade e a universidade, localizados sobre o circuito viário interior que circunda a área acadêmica, e em terceiro lugar, uma grande
variedade de canchas (de futebol, softbol, basquete e
tênis), concebidas para prática universitária, localizadas
no interior do campus, próximas à zona de residências de
professores e estudantes. Entre estas instalações intrauniversitárias, destacam-se, por sua qualidade arquitetônica,
os frontões de tênis, do arquiteto Alberto Arai, construídos
com muros piramidais com pedra extraída do terreno vulcânico, que evocam à arquitetura préhispânica mexicana.
O estádio, dos arquitetos Augusto Pérez Palacios, Jorge
Bravo Jimenez e Raul Salinas Moro, tem uma planta oval
circunscrita em um círculo de 125m de diâmetro e, para
construí-lo, foi feita uma escavação no centro, colocando
as pedras vulcânicas nas laterais, formando taludes onde
foram esculpidas as arquibancadas. Para chegar a essa
solução integrada ao terreno, os arquitetos pesquisaram os
estádios de todo o mundo, incluindo o Centenário de Montevidéu, construído para a primeira Copa do Mundo em
1930, no qual parte das arquibancadas descansam sobre a
encosta. O processo construtivo expressa a intenção formal
do projeto: simular a cratera de um vulcão para torná-lo
participante do espírito do lugar onde está localizado.
No estádio do México se optou por fazer arquibancadas mais altas nas orientações leste e oeste, para que
a maioria dos espectadores tivessem um melhor domínio
visual do campo, sendo mais altas as arquibancadas
na ala leste, de modo que desse local se obtivesse uma
ampla panorâmica sobre a cidade universitária. Em vez
de uma tribuna principal, os palcos se distribuem democraticamente por todo por todo o perímetro, sob o beiral
da varanda de 6m de balanço que circunda o estádio. Os
72
The final design for the university campus, from 1949,
by the architects Mario Pani and Enrique del Moral, keeps
the basic zoning of the previous preparatory projects, with
a clear separation between three concepts of sport: on
the one hand, sports as mass spectacle, represented by
the great stadium, considering spectator numbers ranging
from 25,000 to 110,000 (in the end with a capacity for
80,000), in its usual place, designed to receive a large
influx of people, with parking and service areas. Secondly,
the swimming pool complex and baseball field, as “exhibition” sports envisaged as serving both city and university,
located on the inner ring road circling the academic area,
and thirdly a wide range of sports courts (for football,
softball, basketball and tennis), conceived as a practical
faculty located inside the campus near the accommodation
zone for lecturers and students. An architectural highlight
of these intra-university facilities are the pediments for the
tennis area by the architect Alberto Arai, using stone extracted from the volcanic site to build pyramidal walls that
evoke the pre-Hispanic architecture of Mexico.
The stadium, by the architects Augusto Pérez Palacios,
Jorge Bravo Jiménez and Raul Salinas Bravo Moro, has
an oval plan describing a 125 m diameter circle, and
was constructed by excavating the centre and placing the
volcanic rocks at the side to create slopes for forming the
stands. To arrive at this solution integrated into the site, the
architects consulted stadiums in various parts of the world,
including the Montevideo Centenary Stadium, built for the
1st World Cup in 1930, in which part of the stands rest
on a slope. The construction process expresses the formal
intention of the project: simulation of a volcanic crater to
make it part of the spirit of the place where it is sited.
For the Mexican stadium it was decided to make the
stands higher in the East and West sectors, so that the majority of spectators could have a better view of the playing
field, with the Eastern wing being higher to provide a
panoramic view of the university campus. Instead of one
principal grandstand, the stands are distributed democratically around the perimeter, under a 6-metre overhanging
canopy surrounding the stadium. Access was provided
through 42 tunnels running through the outer stands, which
allowed rapid exit without the need for steps and ramps.
The university stadium connects with the campus entrance through a footway running under Avenida Insurgentes
to the administration area. This was not the only mechanism which the architects found to integrate the stadium
into the architectural aesthetic of the university campus:
the colourful relief mural by Diego Rivera which marks
the main entrance, together with other internal walls by
the same artist, fit into a project of visual integration that
characterises the whole campus, where famous painters
4 Planta da Cidade Universitária do México,
1952. Planta original publicada na revista Arquitectura México N. 9, setembro de 1952.
4 Plan of the University Campus, Mexico City,
1952. Plan originally published in Arquitectura
México magazine Nº 9, september 1952.
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acessos foram feitos através de 42 túneis que atravessam
os taludes periféricos e que permitem uma rápida evacuação, evitando escadas e rampas.
O estádio universitário se comunica com a entrada ao
campus através de uma plataforma peatonal subterrânea
que atravessa por baixo da Avenida Insurgentes e que
chega à praça baixa da reitoria. Não foi este o único mecanismo que encontraram os arquitetos para fazê-lo parte
do projeto estético e arquitetônico da cidade universitária: o mural policromado em relevo de Diego Rivera que
marca a entrada principal, assim com outros murais interiores do mesmo artista, se inscreve dentro do propósito
de integração plástica que caracteriza todo o campus, no
qual notáveis pintores e escultores trabalharam em colaboração com os arquitetos para construir a cidade universitária no prazo assombroso de dois anos, nos quais se
trabalharam 24 horas por dia.
O estádio universitário foi, até a construção do estádio
Azteca (para os XX Jogos Olímpicos de 1968), o maior
da cidade do México e permanece, até hoje, o mais belo.
Sua inequívoca filiação arquitetônica com a cidade universitária o faz dividir com o campus a manifestação orgulhosa do prestígio universitário, visto que funcionou eficientemente, por mais de 60 anos, como um dos cenários
esportivos mais significativos da cidade.
Do ponto de vista arquitetônico, nestes três casos, os
equipamentos esportivos fazem parte do amplo projeto
cultural e urbano da cidade universitária: o racionalismo branco em Bogotá, o expressionismo do concreto
em Caracas e a recriação do monumentalismo asteca no
México, que, por sua vez, fazem parte das tradições culturais de seus respectivos países. Estas estruturas duráveis,
pensadas mais além da funcionalidade dos eventos esporádicos, se integraram física e simbolicamente a suas
respectivas cidades, enriquecendo-as.
A intenção de relacionar os espaços esportivos e as
cidades universitárias nas décadas de 1930, 40 e 50 pode
ser observada também em outros casos que, por várias
razões, não estavam claramente expressos como nos exemplos anteriores de Bogotá, Caracas e México. Em algumas
cidades pequenas que não tiveram a perspectiva de eventos
esportivos internacionais, de todas as maneiras as instalações esportivas das cidades universitárias buscavam cumprir
a condição de servir simultaneamente à universidade e à
cidade. Como exemplos se podem citar os casos de Santo
Domingo, República Dominicana, cujo campus foi pensado
em 1946 como prolongação das ruas da cidade, com um
campo de jogos em um extremo; e o da cidade universitária
do Panamá, cujos projetos de 1946 e 1951 contemplavam
campos de esportes e ginásio próximos às residências estudantis sobre a principal via de acesso.
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and sculptors worked in collaboration with the architects
to construct the campus in an incredible period of 2 years,
with building works continuing 24 hours a day.
The university stadium was the biggest in Mexico City
until the construction of the Aztec Stadium (for the 20th
Olympic Games in 1968), and remains the most attractive
to this day. Its unmistakable architectural relationship with
the university campus allows it to proudly share the prestige of the university despite having operated effectively for
more than 60 years as one of the most important sports
venues in the city.
From the architectural point of view, in all three cases
these sports facilities were part of a broader urbanism and
cultural design for the university campus: white rationalism in Bogota, concrete expressionism in Caracas, and
re-creation of Aztec monumentality in Mexico, which in
turn were part of the cultural traditions of their respective countries. These enduring structures, existing over and
above their functionality and sporadic events, physically
and symbolically became part of and enriched their respective cities.
Other cases of seeking to relate sports facilities and university campuses in the 1930s, 40s and 50s can also be
observed, which for various reasons did not have the same
clarity demonstrated by the earlier examples of Bogota,
Caracas and Mexico. Some smaller cities never had any
expectation of international sports events, but the university campus sports facilities sought to serve both the university and the city. Such examples would include places like
Santo Domingo in the Dominican Republic, whose campus
was considered in 1946 as an extension of the city streets,
with a park at one end; and the University campus in
Panama, whose 1946 and 1951 projects involved sports
courts and gymnasium surrounding the student accommodation on the main access road.
RIO DE JANEIRO
The proposal for a university campus in Rio de Janeiro
in 1937, on sites near Quinta da Boa Vista, can be considered along the same lines, although it never materialised, despite the impetus of Getúlio Vargas, and seems
to have been considered in a similar way to the cases
mentioned above. Three different designs were presented
by three famous architects: Le Corbusier, Lucio Costa and
Marcello Piacentini. Although the three alternatives differ
from each other considerably in terms of architectural
proposals, as has been widely studied1, in all three cases
the sports area had one single location: to the south of
Avenida Castelo Branco road, and connected with the rest
of the campus – to the north of the Avenue – by pedestrian
passages or footways. Analysis of Piacentini’s project is
5 Trecho da Cidade Universitária de Caracas.
5 Part of University Campus of Caracas.
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RIO DE JANEIRO
A proposta de uma cidade universitária no Rio de Janeiro
em 1937 nos terrenos adjacentes à Quinta da Boa Vista,
ainda que não tenha sido realizada, apesar do impulso de
Getúlio Vargas, parecia estar concebida de maneira similar
aos casos já comentados. Apresentaram três projetos diferentes feitos por três reconhecidos arquitetos: Le Corbusier,
Lucio Costa e Marcello Piacentini. Ainda que as três alternativas fossem bem distintas em suas propostas arquitetônicas, como foi amplamente estudado1, nos três casos a área
esportiva tinha a mesma localização: ao sul da avenida
Castelo Branco, e conectada com o resto do campus – ao
norte da avenida –, por plataformas ou pontes peatonais. É
interessante estudar o projeto de Piacentini, porque é o único
dos três que sugeria uma ampla zona esportiva com canchas
e facilidades para distintos esportes e um grande estádio de
futebol com duas entradas: uma relacionada com o resto
da cidade universitária com uma ponte peatonal, e outra
com vias secundárias de acesso, com o propósito de servir
à cidade, adotando uma solução muito similar à que logo se
aplicaria na Cidade do México.
Deve ser lembrado que o Brasil desejava realizar a
Copa do Mundo em 1942 e apresentou sua candidatura
apoiado no argumento de que o mundial deveria alternarse entre Europa e América, mas o evento foi suspenso
devido à Segunda Guerra Mundial. É muito significativo
que o estádio do Maracanã, construído para a Copa do
Mundo de 1950, que finalmente foi concedida ao Brasil,
esteja localizado exatamente no mesmo local que foi proposto por Piacentini em 1937. O estádio do Maracanã,
com capacidade para cerca de 150 mil espectadores,
logo foi rodeado de outras instalações esportivas para
conformar um centro esportivo de grande impacto para a
cidade, porém desconectado e autônomo, sem a conexão
arquitetônica com uma cidade universitária que lhe daria
coerência urbana e sentido cultural e educativo.
REFLEXÕES FINAIS
Pensar instalações esportivas como entidades isoladas
utilizadas para a disputa do momento e que não pertencem a um projeto cultural ambicioso, não deixa mais do que
elefantes brancos na cidade: objetos gigantes que seduzem
transitoriamente, porém cuja caducidade é quase imediata. Talvez não seja exagero imaginar que as competências
esportivas, que ocupam um lugar tão importante na vida
contemporânea, deveriam contar com uma arquitetura e um
urbanismo que compreenda sua transcendência cultural,
pois este desafio já foi enfrentado com êxito no passado
latinoamericano, quando as instalações esportivas foram
concebidas como parte integral da política educativa e arquitetônica das cidades universitárias.
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most interesting, as it is the only one of the three to envisage a large sports area with courts and various facilities
for different sports and a large football stadium with two
entrances: one connected to the rest of the campus by a
pedestrian passageway, and the other accessed by secondary roads, with a clear aim of also serving the city, in a
solution very similar to the one that would soon be applied
in Mexico City.
It should be remembered that Brazil wished to host
the 1942 World Cup, and supported its candidature by
arguing that the tournament should alternate between
Europe and America, but the event was postponed due
to the Second World War. It is highly significant that the
Maracanã stadium, built for the 1950 World Cup, which
went finally to Brazil, is located in exactly the same place
as that proposed by Piacentini in 1937. Maracanã, with
a capacity for a little more than 150,000 spectators, was
soon surrounded by other sports facilities to form a sports
centre with great impact for the city, but disconnected and
autonomous, because it had no architectural connection
with the university campus, which would have given it
urban coherence and a cultural and educational meaning.
FINAL REFLECTIONS
To consider sports facilities as separate entities with
a passing use, just for the event and not as part of any
ambitious cultural project, leaves little more than white
elephants in the city: gigantic objects that are temporary
attractive but whose obsolescence is almost immediate. It
may not be too much to believe that sports competitions,
which occupy an important place in contemporary life,
should include architecture and urbanism that understands
their cultural significance, since this challenge has been
successfully confronted in the past in Latin America, when
sports facilities were conceived as an integral part of education policy and the architecture of university campuses.
NOTES
Aqui foi tomada como referência básica o texto Três projetos
para uma Universidade do Brasil, de Klaus Chaves Alberto. Tese
de Mestrado em Urbanismo, PROURB, UFRJ, 2003.
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Here was taken as a basic reference the text Três projetos para
uma Universidade do Brasil, de Klaus Chaves Alberto. Thesis of
Master in Urbanism, PROURB, UFRJ, 2003.
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NOTAS
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instalações esportivas nas cidades universitárias da