Noções de Engenharia de Controle Minicurso ministrado no VI SEPMAT da UEMS Unidade de Cassilândia Agosto de 2013 – Esp. Bruno R. de Oliveira, [email protected] Capítulo I Resumo Este minicurso tem por objetivo apresentar conceitos básicos de Teoria de Controle Moderno em um nível elementar, para estudantes de graduação, com a intenção de despertar nestes o interesse pelo assunto, bem como, mostrar um possível ramo de pesquisa para estudos posteriores. É essencialmente necessário o conhecimento de alguns conceitos de equações diferenciais, portando não necessário saber resolvê-las. Será dado ênfase a aplicação dos conceitos de Álgebra Linear: Operações Matriciais. Matrizes especiais. Introdução Sistema de controle é um sistema desenvolvido, tanto em software como hardware, que tem o objetivo de controlar determinado processo. Hoje com os avanços dos computadores digitais, encontramos sistemas de controle nas mais diversas áreas. Vejamos alguns exemplos: Controle de satélite; velocidade de veículos; controle de temperatura; linhas de produção; robôs com as mais diversas finalidades; industrias em geral; aviação; máquinas agrícolas, etc. Listamos abaixo algumas definições utilizados na Teoria de Controle, necessárias para o entendimento dos assuntos aqui abordados. Sistema: Combinação de componentes que atuam em conjunto e realizam um certo objetivo. Variáveis: Variável controlada é aquela que é medida e controlada pelo controlador do sistema através de alterações nos valores das Variáveis Manipuladas. Planta: Sistema a ser controlado, podendo ser composto de subsistemas que tenham suas próprias plantas. A finalidade deste sistema é realizar uma determinada operação. Atuador: Parte do sistema que recebe dados do controlador e envia outros dados para parte do sistema. Processo: Operações (processos) a serem controladas. Distúrbios: Um distúrbio ou perturbação pode ser interno, quando afeta as variáveis de saída do sistema, ou externo, quando ocorre fora do sistema alterando as variáveis. Vejamos alguns sistemas de controle Exemplos Exemplo 1.1: No exemplo abaixo vemos um sistema que utilizada um braço robótico para posicionar materiais que são utilizados para fabricação de formas diversas, por exemplo. O controlador obtém as informações de uma câmera de vídeo para posicionamento do braço robótico. Ilustração 1: Robô que utiliza reconhecimento de padrões Identificamos os conceitos acima deste exemplo: Sistema: Máquina de usinagem que utiliza braço robótico para posicionamento da matéria-prima a ser moldada. Variáveis: Controladas: Posicionamento do braço robótico, da câmera de vídeo e da matéria-prima. Manipuladas: Energia liberada para o braço robótico, e para a máquina de usinagem. Planta: Braço robótico; câmera de vídeo; máquina de usinagem. Atuador: Equipamento que controla diretamente o braço robótico. Processos: As operações descritas no item “Planta” e mais alguns subprocessos que estão implícitos, etc. Distúrbios: Algum problema com a alimentação de energia elétrica. Surgimento de algum obstáculo para o braço robótico, etc. Exemplo 1.2: Parte do sistema de controle de atitude de um satélite. Neste exemplo vemos quatro motores (jatos) anti-simétricos A e B, situados dois na parte superior e dois na parte inferior do satélite. Eles são acionados aos pares, ou seja, os motores da parte inferior e superior. (Numa situação real teríamos mais motores, em todos os eixos). O objetivo é controlar o ângulo de guinada θ formado com o eixo de referência. Tomamos como entrada do sistema o torque T (t ) produzidos pelos jatos, e como saída o deslocamento angular θ( t ) . Ilustração 2: Sistema de Controle de Atitude de Satélite Sistema em Malha Aberta e Fechada Um sistema de controle é a malha fechada (ou com retroação) quando o sistema avalia a saída e, não sendo está aquela desejada, atualiza os parâmetros de entrada até que os valores de saída sejam apropriados. Podemos ver no esquema abaixo uma descrição de tal sistema. x(t) e(t) Controlador u(t) Caldeira (Forno) y(t) Desenho 1: Sistema em malha fechada Este esquema representa, de forma básica, um sistema de controle de uma Caldeira. As funções x (t) , e (t) ,u (t) , y (t) são respectivamente sinais deste sistema, a saber: • sinal de entrada (referência): temperatura ideal que a caldeira deve ter; • sinal de erro: Diferença entre a temperatura ideal e a temperatura do forno, e (t)=x (t)− y (t) ; • sinal de controle: temperatura que deve ser aumentada ou subtraída na caldeira para que esta atinga a temperatura ideal, u (t)=α e (t) , α é uma constante. • sinal de saída: temperatura do forno. Vejamos como o sistema funciona para alguns instantes, sendo que a temperatura ideal é de 500º. t=1 : x (1)=500 , y (1)=0 e (1)=500−0=500 , u (1)=α 500 Após 9 minutos a temperatura da caldeira está próximo a 70º. t=10 : x (10)=500 , y (10)=70 e (10)=500−70=430 , u (10)=α 430 Após 170 minutos a temperatura da caldeira está próximo a 200º. t=171 : x (171)=500 , y (171)=200 e (171)=500−200=300 , u (171)=α 300 O processo continua até que a temperatura ideal seja atingida. Já nos sistemas a malha aberta, o sinal de saída não interage com o controlador, logo ele não é avaliado, não importando qual seja. Este tipo de sisteme apresenta a vantagem de ter um custo reduzido em relação aos sistemas de malha fechada. Vejamos abaixo um exemplo: u(t) x(t) Controlador Máquina de Lavar roupa y(t) Desenho 2: Sistema em Malha Aberta Onde x (t) é o sinal de entrada (programa de lavagem escolhido), tempo que cada programa funcionará. y (t) a saída (estágio do programa de lavagem) e u (t) o Imagine que você selecione o programa “Lavagem Pesada”, então teremos o seguinte: t=1 : x (1)=lavagem pesada , u (1)=10 y (1)=encher comágua t=11 : x (11)=lavagem pesada , u (11)=20 y (11)=molho t=31 : x (31)=lavagem pesada , u (31)=10 y (31)=bater a roupa t=41 : x (41)=lavagem pesada , u (41)=10 y (41)=trocar a água t=51 : x (51)=lavagem pesada , u (51)=20 y (51)=molho O processo continua até que, u (t)=0 e y (t)=desliga . Exercícios 1) Identifique no sistema do Exemplo 1.2, as variáveis de entrada e saída; os possíveis distúrbios. 2) Dê exemplos de sistema em malha aberta e malha fechada. Liste as vantagens e desvantagens dos sistemas a malha aberta se fossem projetados com algum mecanismo de realimentação. 3) O sistema ilustrado na figura abaixo é um sistema de controle de nível de líquido. O objetivo é manter o nível num patamar desejado ajustando a válvula por onde entra o líquido. Responda: Este é um sistema a malha aberta ou fechada? Se x (t) é o nível de líquido no instante t , e r (t) o nível desejado, estipulado por um operador do sistema, qual seria a relação do erro e (t) calculado pelo controlador, em função de x (t) e r (t) ? Quando e (t)=0 a válvula pneumática deve estar aberta ou fechada? Sistemas e Sinais Sistema: É um modelo matemático de um determinado processo que relaciona o sinal de entrada com o sinal de saída. Se x for a entrada do sistema e y a saída, então o operador (transformação linear) T , mapeia os valores de x para valores de y , assim: y=T { x } . Um sistema pode modificar um sinal ou extrair informações adicionais deste, e pode ser realizado em hardware (sistemas elétricos, mecânicos, hidráulicos, etc) ou software (algoritmo computacional). Um sistema é linear se vale o princípio da superposição: T {α 1 x 1 +α 2 x 2 }=α1 y 1+α 2 y 2 , onde T {x 1 }= y 1 e T {x 2 }= y 2 . Em outras palavras, se a resposta do sistema a entrada x 1 é y 1 e a entrada x 2 é y 2 então a saída quando a entrada for x 1+ x 2 , será y 1+ y 2 . Ou seja, um sistema é linear quando a saída é proporcional a entrada e também vale o propriedade aditiva mencionada. Vejamos uma ilustração: y1(t) x1(t) x2(t) Sistema y2(t) Sistema x1(t) + x2(t) y1(t) + y2(t) Sistema Desenho 3: Sistema Linear: Propriedade Aditiva Um sistema é invariante no tempo quando T {x (t − τ)}= y ( t−τ) . Ou seja, se a entrada é atrasada em τ segundos, por exemplo, a saída também será. Neste minicurso apenas estudaremos os Sistemas Lineares e Invariantes no Tempo SLIT. Porém é importante ressaltar que geralmente, modelos matemáticos de sistemas reais são não-lineares. Então para aplicar os conceitos aqui aprendidos utilizamos técnicas de linearização destes sistemas. Sinal: É uma função que contém informações sobre o comportamento ou natureza de um fenômeno. Usualmente esta é uma função do tempo t , como x (t) . Um sinal é par quando x (−t)= x (t) e ímpar quando x (−t)=−x (t ) . Ele é periódico com período T se x (t +T )=x (t ), ∀ t . Ilustração 3: Sinal Periódico com período T0 Quando t é uma variável contínua, ou seja, pode assumir valores no conjunto dos reais, então x (t) é um sinal contínuo. Sendo t discreto, ou seja, toma valores no conjunto dos inteiros, então x (t) é um sinal discreto. Essa qualificação dos sinais diz respeito a natureza do sinal ao longo do eixo t . Quando x (t) assume valores contínuos, o sinal é analógico, e quando assume valores discretos é digital. Ilustração 4: Sinal Discreto e Digital Ilustração 5: Sinal Contínuo e Analógico Sinais comuns { Degrau unitário: u (t)= 1 t≥0 0 t< 0 } . Este sinal é útil quando queremos que nossa função tenha valores nulos para t< 0 . Ilustração 6: Degrau Unitário Degrau unitário deslocada: u (t−t 0)= { 1 t≥t 0 0 t< t 0 } . Impulso Unitário (delta de Dirac): { δ(t )= 0 t≠0 ∞ t=0 } b ε , ∫ δ (t)dt=1 ou alternativamente −ε ∫ φ ( t)δ (t)dt= a { φ (0) a< 0< b 0 a< b< 0 ou 0< a< b indefinido a=0 ou b=0 função contínua em t=0 . Ilustração 7: Impulso Unitário Exponenciais complexos: x (t)=e j ω t ou x (t)=e s t =e (σ + j ω)t=eσ t (cos ω t+ j sen ω t) 0 } , onde φ (t) é qualquer Ilustração 8: Exponencial Complexa Exponenciais reais: x (t)=e σ t Senoidais: x (t)=A cos (ω0 t+θ) , onde A é a amplitude; ω0 a frequência e θ o ângulo de fase. Este sinal é periódico com 2π período fundamental T 0= ω . 0 Revisão de Álgebra Linear Multiplicação Matricial [ a 11 ... a1n Dadas as matrizes A= ... ... ... a m1 ... amn ] [ e b 11 ... b1p B= ... ... ... b n1 ... bnp ] então AB=C , onde cada elemento de C é formado pela soma dos produtos dos elementos de uma linha de A com uma coluna de B , assim: c ij =a i1 b 1j +...+a i n bnj . Matriz simétrica e Hermitiana Uma matriz A complexa é hermitiana se A= A∗ , ou seja, a matriz é igual sua transposta conjugada. Se A for uma matriz real então será simétrica, ou seja, A= At . Forma Quadrática Seja A uma matriz simétrica, então q ( x )=x t A x é uma forma quadrática, onde x ∈ℝn é um vetor. Temos a seguinte representação matricial: q ( x )=[ x 1 x 2 ... xn ] [ ][ ] x a 11 a 12 ... a1n 1 x 2 2 2 ... ... ... ... 2 =a 11 x 1 +a 22 x 2+ ...+ a nn x n + 2 ∑ aij x i x j i< j a n1 a n2 ... ann ... xn Se A é uma matriz diagonal, então a parcela que envolve somatório é zero, portanto, q ( x )=a 11 x 21 + a22 x 22 +...+ a nn x 2n . Matriz (Semi)definida Positiva Uma matriz A real é definida positiva se x t A x >0, ∀ x≠0 e semi-definida positiva se x t A x≥0, ∀ x≠0 onde x ∈ℝn é um vetor. Se a matriz A é complexa então devemos ter ℜ( x ∗ A x)>0, ∀ x≠0 onde x ∗ denota o transposto conjugado, e ℜ( x t A x) a parte real do produto vetor pela matriz. O critério de Sylvester estabelece que a matriz de uma forma quadrática é definida positiva se todos os determinantes do menores principais forem maiores que zero. Posto de uma matriz O posto de uma matriz A é o número de linhas não nulas quando a matriz está na forma escalonada. Matriz não-singular Se o determinante da matriz A quadrada for diferente de zero, ∣ A∣≠0 , então A é singular e não admite inversa. Matriz companheira A é dita não-singular. Se for igual a zero, então Dado um polinômio p (t)=t n+ a1 t n−1 + a2 t n−2 +...+ a n−1 t +a n [ 0 0 0 ... 0 −a n 1 0 0 ... 0 −an−1 0 1 0 ... 0 −a n−2 , a matriz Companheira desse polinômio é C= ... ... ... ... ... ... 0 0 0 ... 0 −a 2 0 0 0 ... 1 −a 1 ] . Capítulo II A Transformada de Laplace A Transformada de Laplace é uma ferramenta utilizada para resolver equações diferenciais lineares. Ela “Transforma” uma equação (no domínio do tempo) em uma equação algébrica (no domínio complexo), de mais fácil solução. Abaixo vemos um esquema dessa transformação. Domínio t (tempo) Domínio s (complexo) Transformada Y ( s )= y (t )=e−at sin ω t Transformada Inversa Essa transformada é assim definida: s+ a 2 2 ( s+ a )+ ω ∞ ℒ { f (t) }=F (s)=∫ f (t)e−st dt 0 E a inversa assim: c+∞ 1 st ℒ { f (t ) }= f (t)= F ( s) e ds , t >0 ∫ 2 π j c− j ∞ −1 Neste curso não aprenderemos como calcular esta transformada utilizando as definições acima, mas apenas utilizaremos os resultados da tabela abaixo. 1 f (t) F ( s) 2 δ(t ) 1 3 u (t) 1 s 4 t 1 s2 5 t n −1 e−at (n−1)! 1 ( s+ a )n 6 tn n! s n+ 1 7 e−at 1 s+ a 8 t e −at 1 ( s+ a )2 9 t e 10 cos ω t n −at n! n+ 1 ( s+ a ) s 2 s+ω 2 11 sin ω t ω s + ω2 12 1 −at (1−e ) a 1 s (s+ a ) 13 1 (be−bt−ae−at) b−a 1 (s+ b)(s+ a ) 14 1 −bt −at (be −ae ) b−a 1 2 s (s+ a ) 15 1 (at −1+ e−at ) 2 a 1 s ( s+ a) 16 e−at cos ω t 17 e−at sen ω t s+ a ( s+ a )2+ ω2 ω ( s+ a )2+ ω2 18 1−cos ω t ω2 s ( s 2+ ω 2) 19 ω t−sen ω t ω3 s 2 (s 2+ ω 2) 20 sen ω t−ω t cos ω t 2 ω3 (s 2+ ω 2)2 21 1 t sen ω t 2ω s 2 2 (s + ω ) 22 t cos ω t s −ω 2 2 2 (s + ω ) 23 sen( ω t+θ) ω cos θ+ s sen θ s 2 +ω2 2 2 2 2 2 Propriedades da Transformada de Laplace 24 ḟ (t) sF ( s)− f (0) 25 f̈ (t) s 2 F ( s)−sf (0)− ḟ (0) 26 e−at f (t) F ( s+ a) 27 t f (t ) − Ḟ ( s) 28 t n f ( t) (−1)n F ( s) 29 t f( ) a aF (as) 30 f (t−t 0) e−st F (s) 31 f (at ) 1 s F( ) ∣a∣ a n 0 Vamos calcular algumas transformadas: Exemplos Exemplo 2.1: a) g (t )=te −3t . Primeiro olhamos para a linha 26 da tabela, onde f (t)=t e a=3 . Então temos G( s )=F ( s+3) , porém pela linha 1 1 4 temos que F (s)= 2 , então concluímos que G(s )= . 2 s ( s+ 3) b) h( t)=t 2 sen ω t . Pelo Teorema de Derivação Complexa (linha 28), temos que se h( t)=t 2 f (t) então H (s)= F̈ (s ) , então como −2 ω 3+ 6 ω s 2 . f (t)=sen ω t pela linha 11, F ( s)= 2 ω 2 logo H (s)= F̈ (s )= s +ω (s 2 +ω 2)3 1 c) Dada a equação deferencial ÿ +2 ẏ + y=x + ẋ , queremos calcular a Transformada de Laplace, sendo que todas as condições 2 iniciais de y (t) , x (t) e de suas derivadas são nulas, ou seja, ẏ (0)= y ( 0)= ẋ (0)= x (0)=0 . Para calcular a transformada de uma equação diferencial utilizamos as relações dadas nas linhas 24 e 25 da tabela. Então temos: 1 ℒ { ÿ+ 2 ẏ + y }=ℒ {x + ẋ } 2 s 2 Y ( s)−s ẏ (0)− y (0)+2 [ s Y ( s)− y(0) ] +Y (s)= X (s )+ 1 [ sX (s)− x(0) ] 2 Substituindo os valores acima obtemos: 1 s 2 Y ( s)+2s Y (s)+Y ( s)= X ( s)+ sX ( s ) 2 Colocando em evidência os termos semelhantes finalmente temos: [ 1 Y ( s ) [ s 2 +2s +1 ]= X (s) 1+ s 2 Polos e Zeros Usualmente F ( s) é uma função racional de s , ou seja, F ( s)= a0 ( s−z 1)... ( s−z m ) b 0 (s− p 1)...(s− p n) Se n> m , F ( s) é uma função racional própria, se n≤m é imprópria. ] Os Zeros de F ( s) são as raízes do polinômio do numerador e os Polos as raízes do polinômio do denominador. Exemplos 1 . Encontramos os polos fazendo 1−e −s=0 ⇒ e−s=1 . Precisamos lembrar que s=σ+ j ω e −s 1−e 1 σ −(σ + j ω) −σ e =e (cos ω− jsen ω)=1 , logo cos ω− jsenω= −σ =e . Fazendo σ=0 obtemos cos ω− jsenω=1 . Concluímos então que e ω=±2 π n (n=0,1, ...) . Então os polos são s=σ+ j ω=0+ j(±2 π n)=± j2 π n . Exemplo 2.2: Seja F (s)= Exercícios de Fixação 1) Calcule a transformada de Laplace das funções dadas abaixo utilizando-se da tabela. a) f (t)=e−0,4t cos 12t b) f (t)=sen ( 4t+ π ) 4 c) f (t)=t e 2 −at d) 2 ÿ (t)+ ẏ ( t)− 1 1 y (t)= x (t)+ ẋ (t )− ⃛x (t) . Suponha todas as condições iniciais nulas. 4 2 e) 2 α ẏ (t)+5y( t)=0 . Suponha todas as condições iniciais nulas. 2) Obtenha X (s ) dada a equação diferencial ẍ +3 ẋ +6x=0 , dada as condições iniciais x (0)=0, ẋ (0)=3 . Capítulo III Função de Transferência É a razão entre a Transformada de Laplace do sinal de saída (resposta) pela do sinal de entrada (excitação), supondo todas as condições iniciais nulas. G(s)= ∞ ∞ Y (s) −st −st , (Eq. 3.1) onde Y ( s )=∫ y (t)e dt e X ( s )=∫ x (t) e dt , sendo y (t) o sinal de saída e x (t) o de entrada. X (s) 0 0 Exemplos Exemplo 3.1: Ilustração 9: Sistema massa-mola-amortecedor Neste sistema temos um corpo de massa m montado sobre uma carreta de massa desprezível, que se move, com movimento constante, horizontalmente, fazendo com que a massa se desloque sobre ela. Há um amortecedor com constante de amortecimento b e uma mola com constante de elasticidade k , ambos mecanismos oferecem resistência ao movimento da massa. O sinal de entrada, que é o deslocamento da carreta, é designado por x (t ) e o sinal de saída por y (t) , sendo o deslocamento da massa sobre a carreta. O modelo matemático deste sistema é m ÿ+ b ẏ+ k y=b ẋ+ k x Aplicando a Transformada de Laplace obtemos m [ s 2 Y ( s)−sy (0)− ẏ (0) ] + b [ sY (s)− y (0) ] + k Y ( s)=b [ s X (s )−x ( 0) ] + kX (s ) Considerando as condições iniciais nulas, obtemos: m s2 Y (s )+ b sY ( s)+ k Y (s)=b s X ( s)+ kX (s) Deixando Y ( s ) , X ( s ) em evidência. Y (s ) [ m s +bs+ k ]= X (s) [ b s+k ] 2 Então obtemos a função de transferência G( s )= Y ( s) b s+k = X ( s) m s2 + bs+ k Exemplo 3.2: Analisaremos agora um sistema mecânica de amortecimento de automóvel. Consideraremos apenas o deslocamento da carroceria no sentido vertical. A figura abaixo ilustra um modelo simplificado deste sistema, onde m é a massa do carro, x 0 o sinal de saída (deslocamento da carroceria), x i o sinal de entrada (deslocamento o ponto P que representa os pneus em contato com o solo). Acoplado a carroceria temos um amortecedor com constante de amortecimento b e uma mola com constante elástica k . Ilustração 10: Sistema simplificado de suspensão de automóvel A equação deste sistema conforme exibido na parte direita da figura é m x¨0 +b x˙0 + k x0 =b ẋ i + k xi Aplicando a transformada de Laplace e considerando todas as condições iniciais nulas, obtemos X 0 (s ) [ ms2 +bs +k ] = X i ( s ) [ bs +k ] Precisamos da razão da transformada de Laplace da saída pela entrada: X 0 ( s) bs+ k = 2 X i ( s) ms + bs+ k Que é a função de transferência para este sistema. Modelagem no Espaço de Estados A modelagem no espaço de estados é utilizada pela Teoria de Controle Modernos pois possibilita a análise de sistemas mais complexos, que envolve várias entradas e saídas (MIMO – multiple input, multiple output). O estado de um sistema é o menor conjunto de valores das variáveis de estado de modo que, conhecendo os valores do sinal de entrada nos instantes t≥t 0 e os valores dessas variáveis no instante t=t 0 , fica determinado o comportamento do sistema em qualquer instante t≥t 0 . Se cada variável de estado é uma componente de um vetor, este é um vetor de estado. O espaço vetorial que o contém é um Espaço de Estados. Então qualquer estado do sistema, pode ser representado por um ponto neste espaço. Temos, para um sistema linear e invariante do tempo - SLIT, a equação de estado abaixo, sendo x (t) o sinal de entrada, r (t) o vetor de estado, A , B matrizes de estado e de entrada respectivamente. ṙ (t )= A r (t )+ B x (t) (Eq. 3.2) A equação de saída do sistema será y (t)=C r (t )+ D x (t ) (Eq. 3.3) onde y (t) é o sinal de saída, C , D matrizes de saída e de transmissão direta, respectivamente. No diagrama de blocos abaixo vemos o comportamento de tal sistema. Ilustração 11: Representação da Modelagem no Espaço de Estados (n) (n−1 ) Dada uma equação diferencial da forma y +a 1 y +...+ an −1 ẏ+ a n y= x , podemos fazer a seguinte substituição convenientemente r 1= y r 2= ẏ . . . (n−1 ) r n= y Derivando ambos os lados obtemos r˙1= ẏ r˙2= ÿ . . . (n) Observamos que r 2=r˙1 , r 3=r˙2 , … , r n=r n−1 ˙ r˙n= y . Então obtemos as seguintes relações para as derivadas das variáveis de estado. r˙1=r 2 r˙2=r 3 . . . r n−1 ˙ =r n r˙n=−a n r 1−a n−1 r 2 −a n−2 r 3− ... −a 1 r n + x Se a última igualdade não é tão evidente, então vejamos como obtê-la: Na equação diferencial (n) encontramos o valor de y , a saber, obtemos r˙n=−a n r 1−...−a1 r n+ x . (n) (n) (n−1 ) y +a 1 y +...+ an −1 ẏ+ a n y= x , (n−1) y = x−a1 y −...−an−1 ẏ −a n y , e substituindo pelos valores das variáveis de estado enfim Já vimos que a equação no espaço de estados é ṙ (t )= A r (t )+ B x (t) . Substituímos os valores acima obtidos nesta equação: [][ r˙1 0 1 0 r˙2 0 0 1 ... ... r˙3 = ... 0 0 0 ... −a −a −a r˙n n n−1 n− 2 [] r1 r2 A saída y (t)=C r (t)+ D x (t) é então y=[ 1 0 0 ... 0 ] r 3 ... rn . ... 0 ... 0 ... ... ... 1 ... −a 1 ][ ] [ ] r1 0 r2 0 r 3 + 0 x (Eq. 3.5) ... ... 1 rn Percebemos [ 0 1 t que A = 0 ... 0 0 0 ... 0 −an 0 0 ... 0 −a n−1 1 0 ... 0 −a n−2 ... ... ... ... ... 0 0 ... 1 −a1 ] é uma matriz companheira, logo o polinômio associado é p (t)=t n+ a1 t n−1 + a2 t n−2 +...+ a n−1 t +a n . (n) (n−1 ) Calculando a transformada de Laplace da equação diferencial y +a 1 y +...+ an −1 ẏ+ a n y= x supondo condições iniciais nulas, obtemos Y ( s ) [ s n +a 1 s n−1 +....+ a n−1 s+ a n ]= X (s) Logo a função de transferência é Y (s ) 1 = n n −1 X (s) s + a1 s +....+a n−1 s +a n Vemos que o denominador da função de transferência é o polinômio visto acima, com s no lugar de t . Isso quer dizer que se temos a função de transferência a matriz de estados pode ser determinada facilmente, e vice-versa. Como a matriz B e C são constantes, a equação no espaço de estados pode ser determinado completamente, devendo antes ser observado se há alguma constante multiplicando a derivada de maior ordem, pois se houver a matriz B deverá ser dividida por ela. (n) (n−1 ) (n) a a x a (n−1) Neste último caso se nossa equação fosse a 0 y +a 1 y + ...+a n−1 ẏ +a n y= x , então teríamos y = − 1 y −...− n−1 ẏ− n y , logo a 0 a0 a0 a0 [][ 0 r˙1 0 r˙2 ... r˙3 = 0 ... −an r˙n a0 1 0 ... 0 −an−1 a0 0 1 ... 0 −an− 2 a0 ... ... ... ... 0 0 ... 1 −a 1 ... a0 ][ ] [ ] 0 r1 0 r2 0 r 3 + ... x ... 1 rn a 0 Exemplos Exemplo 3.3: Encontre a matriz de estados da função de transferência [ Y (s ) 1 = 3 . 2 X (s) s + 2s + ms2 +b 0 1 0 Dada a observação anterior a matriz de estados será A= 0 0 1 −2 −m −b estados: [ ][ ][ ] . Então podemos escrever nossa equação no espaço de 0 1 0 r˙1 (t ) = r 1 (t) + 0 x (t ) e y (t)= [ 1 0 ] r 1 (t) 0 0 1 r 2 (t) r˙2 (t) −2 −m −b r 2 (t) 1 ][] [ ] . Exemplo 3.4: Consideramos agora uma modelo simplificado de piloto automático de veículo, mostrado na imagem abaixo, onde m é a massa do veículo, u (sinal de entrada) uma força proporcionada pelo motor do veículo, b é a força do vento/resistência do ar e do atrito dos pneus com o solo, que consideraremos proporcional a velocidade v (sinal de saída); x é o deslocamento de veículo e a sua aceleração. Este sistema de controle consiste em ajustar a velocidade do veículo para uma velocidade de referência pré-fixada pelo motorista. O sistema deve então considerar a desaceleração do carro proporcionada pela resistência do ar e pelo atrito dos pneus com o solo. Ilustração 12: Sistema de Piloto Automático O modelo para este sistema é m v̇ (t)+ b v (t)=u (t) e y=v(t) Escrevemos este modelo no espaço de estados. Seja r (t) nosso vetor de estados. Escrevemos r (t)=v (t) ⇒ ṙ (t)= v̇ (t)= Então no espaço de estados temos ṙ (t)= u (t)−b r (t ) . m −b 1 r (t )+ u(t) e y=r (t) . m m Exemplo 3.5: Considere um sistema mecânico com uma massa m suspensa por uma mola com constante de elasticidade k . Quando uma força vertical, com direção de cima-para-baixo é aplicada nesta massa, é oferecida resistência pelo amortecedor posicionado abaixo, com constante de amortecimento b . A entrada do sistema x (t) , é a força aplicada na massa e a saída y (t) , o deslocamento da massa, em relação a posição de equilíbrio. Ilustração 13: Sistema mecânico mola-massa-amortecedor O modelo matemático deste sistema é dado pela equação abaixo: m ÿ (t)+ b ẏ (t )+ k y=x (t ) O sistema é de 2ª ordem, portanto teremos duas variáveis de estado: r 1(t) , r 2 (t) . Nosso vetor de estados então será r ( t) r (t)= 1 . r 2( t) [ ] Precisamos escrever nosso modelo matemático em função das derivadas das variáveis de estado, conforme a equação de estado ṙ (t)= A r (t)+ B x (t) . Definimos então as variáveis de estado: { } { } r (t)= r 1 (t)= y( t) r 2 (t)= ẏ (t) Derivando, obtemos: ṙ (t)= r˙1 (t)= ẏ( t) r˙2 (t)= ÿ (t) Substituindo r˙1( t)= ẏ (t) por r 2 (t)= ẏ (t ) , temos r˙1( t)=r 2 (t) . Portanto temos nosso modelo escrito em função das derivadas das x (t )−b ẏ (t)−k y( t) variáveis de estado, dado que nosso modelo pode assim ser escrito ÿ (t)= : m ṙ (t)= { r˙1 (t)=r 2 (t) x( t) b ẏ (t) k y (t) r˙2 (t)= − − m m m } Escrevemos então esta equação na forma matricial: [ ][ 0 ṙ (t)= r˙1( t) = −k r˙2 (t) m ][ ] [ ] 1 0 r 1 (t ) + −b 1 x (t ) r (t ) 2 m m Então extraímos os valores das matrizes A , B : [ 0 A= −k m 1 −b m ] [] 0 e B= 1 m O sinal de saída é y (t)=r 1 (t) , então na forma matricial temos: [ ] y (t)= [ 1 0 ] r 1 (t) r 2 (t) Logo os valores das matrizes C , D são: C=[ 1 0 ] e D=0 Resumindo, nossas equações no espaço de estados para este sistema são: [ 0 r˙1 (t) = −k r˙2 (t) m [ ] 1 −b m ][ ] [ ] 0 r 1 (t) + r (t) 1 x (t) e y (t)= [ 1 0 ] 1 r 2 (t) r 2 (t) m [ ] Função de Transferência e Equações no Espaço de Estados Para obter a função de transferência quando temos as equações no espaço de estados, basta substituirmos as matrizes na relação abaixo: G( s)=C (sI −A)−1 B+ D Exemplo 3.6: Consideramos agora um sistema de controle de atitude de foguete durante o lançamento. Sistemas como estes são conhecidos como “Pêndulo Invertido”. Na figura abaixo vemos o foguete montada sobre uma base móvel M . O foguete tende a se deslocar para todos os lados, no entanto para simplificação do modelo, consideraremos apenas o movimento na horizontal: direita-esquerda. Para controlarmos o posicionamento do foguete devemos mover a base móvel, alterando assim a direção para a qual aponta o centro de massa do foguete, fazendo com que este volte a posição de equilíbrio. O sinal de entrada x (t) é a força aplicada a base móvel; os de saída são: θ(t ) , ângulo de deslocamento do foguete e, u (t) , posição da base móvel. Ilustração 14: Sistema de Controle de Atitude de Foguete Temos então os seguintes modelos: ( M + m) ü(t )+ ml θ̈=x (t) ( I + m l 2 ) θ̈ +ml ü (t)=mlg θ(t ) Seja M =1000, m=20,l=50, g =10, I =1 os dados de um modelo específico. Agora nosso modelo é: 1020 ü(t )+ 1000 θ̈(t )=x (t) I 50000 θ̈(t )+1000 ü(t )=10000 θ(t ) II O vetor de estados será r (t)=[r 1 (t) r 2 (t) r 3 (t) r 4 (t)]t , onde r 1( t )=θ (t ) r 2 (t)=θ̇ (t) r 3(t)=u (t) r 4 (t)= u̇(t ) Derivando as variáveis de estado obtemos r˙1(t)=θ̇(t) r˙2 (t)=θ̈ (t) r˙3(t)=u̇ (t) r˙4 (t)= ü(t ) Encontramos o valor de r˙2 (t)=θ̈ (t) na equação I : θ̈(t)= equação II : ü (t)= x (t ) 1020 ü(t) x( t) − = −1,02 ü (t) (IA) e o valor de r˙4 (t)= ü(t ) na 1000 1000 1000 10000 θ(t ) 50000 θ̈( t) − =10 θ(t )−50 θ̈(t ) (IB) . 1000 1000 Substituindo ( IA) em (IB) obtemos: ü (t)=0,01 x (t)−0,02 θ (t ) . Substituindo essa expressão em (IA) obtemos θ̈( t)=−0,0002 x (t)+0,0204 θ (t) . Agora substituímos pelos valores das derivadas das variáveis de estado. r˙1( t)=r 2 (t) r˙2 (t)=−0,0002 x ( t)+0,0204 r 1( t) r˙3(t)=r 4 (t ) r˙4 (t)=0,01 x (t)−0,02 r 1 (t) Agora escrevemos na forma matricial: [ ][ r˙1 (t) 0 1 0 r˙2 (t) 0,0204 0 0 = 0 0 0 r˙3 (t) −0,02 0 0 r˙4 (t) 0 0 1 0 ][ ] [ ] r 1 (t) 0 r 2 (t) −0,0002 + x (t) 0 r 3 (t) 0,01 r 4 (t) [ ][ ] r (t) Como os sinais de saída são θ(t ) e u (t) , podemos escrever nossa equação de saída como y (t)= θ( t) = 1 u (t) r 3 (t) Então a equação de saída na forma matricial será [] r 1 (t) r (t) y (t)= 1 0 0 0 2 0 0 1 0 r 3 (t) r 4 (t) [ ] Exercícios de Fixação: 1) Obtenha as equações no espaço de estados para o sistema mecânico do Exemplo 3.1. 2) Encontre a função de transferência G(s) do sistema apresentado no Exemplo 3.5. 3) A equação no espaço de estados para um sistema de controle de altitude de aeronave é dado abaixo. . Ilustração 15: Sistema de Controle de Aeronave [][ ][ ] [ ] −0,313 56,7 0 α α̇ 0,232 q̇ = −0,0139 −0,426 0 q + 0,0203 δ(t) θ̇ 0 56,7 0 θ 0 α y=[ 0 0 1 ] q θ [] Determine as matrizes A , B , C , D e o vetor de estados r (t) conforme visto nas definições anteriores. Capítulo IV Estabilidade O problema da estabilidade é o mais relevante no estudo de sistemas de controle lineares. Abaixo veremos conceitos de estabilidade para sistemas SLIT. Do ponto de vista da BIBO(bounded input-bounded output)-estabilidade, um sistema é estável se dada uma entrada limitada em amplitude a saída também seja limitada em amplitude, ou seja, a saída não crescerá indefinidamente. Vejamos abaixo a resposta (saída) de dois sistemas a entrada degrau unitário. Ilustração 16: Sistema Estável Ilustração 17: Sistema Instável Percebemos no gráfico da esquerda que a curva se aproxima, com o tempo, da linha tracejada, o que caracteriza um sistema estável. Já no gráfico a direita vemos que a curva cresce indefinidamente a medida que o tempo passa. Um sistema instável pode ser estabilizado utilizando a técnica de realimentação (sistema em malha fechada), ou ainda, se for estável e for a malha aberta utilizar a realimentação pode causar instabilidade. Deve ficar claro que a estabilidade de um sistema não depende do sinal de entrada, mas apenas das propriedades do sistema. Por isso, analisaremos a estabilidade de sistema com entrada nula, ou seja, ṙ (t)= A r (t ) Conhecendo a localização dos polos da Função de Transferência no plano complexo, podemos determinar a BIBO-estabilidade de um sistema. Se os polos estão localizados no semiplano esquerdo, então teremos um sistema estável; se no direito teremos um sistema instável. Se os polos se localizarem no eixo j ω então nosso sistema oscilará, o que não é requerido, portanto ao projetarmos um sistema faremos com que os polos a malha fechada situem-se no semiplano esquerdo do plano completo. jω Região de Estabilidade σ Desenho 4: Região de Estabilidade no Plano Complexo Exemplos Exemplo 4.1: Seja G( s )= s+10 . Este sistema é estável, pois todas as raízes tem parte real negativa. ( s+ 2)( s+5)(s +4) s−K . As raízes do polinômio do denominador são: 2, 1+ j , 1− j . Logo o sistema é instável, pois há s −4s 2+ 6s−4 duas raízes com parte real positiva. Exemplo 4.2: G( s )= 3 Critério de Routh No caso em que o polinômio do denominador seja de grau elevado, torna-se difícil obter suas raízes para determinação da estabilidade. Um método que pode ser utilizado para determinar a estabilidade sem resolver o polinômio é o Critério de Routh, demonstrado abaixo. IMPORTANTE: Antes deve-se verificar se todos os coeficientes do polinômio são positivos, pois se algum for negativo então o sistema já é instável, o que indica que haverá raiz com parte real positiva. Mas caso todos os coeficientes sejam negativos, pode-se multiplicar por (-1), tornando-os positivos. Outro fato que deve ser observado é se todas as potências estão presentes. Ambas essas condições são necessárias, mas não suficientes, para a estabilidade do sistema. Ilustração 18: Critério de Routh Este critério consiste em verificar se há mudança de sinal na primeira coluna da tabela acima, nos elementos a 0 a g 1 e se todos são maiores que zero. 2 Exemplo 4.3: Utilizamos a função de transferência do exemplo 4.2, G( s )= 3 . 2 s +4s +5s+ 2 Montamos a tabela 3 s 1 5 0 0 s 2 4 2 s1 b1 s0 c1 0 b2 Calculamos: b 1= a1 a2 −a 0 a 3 4∗5−2∗1 18 9 a a −a a 4∗0−0∗1 , b 2= 1 4 0 5 = = = = =0 a1 4 4 2 a1 4 Montamos a tabela com os valores obtidos s3 1 5 0 2 4 2 0 s1 9/2 0 0 c1 s s 0 9 ∗2−0∗4 b1 a3 −a1 b 2 2 9 18 Calculamos: c 1= = = = =2 . Substituindo na tabela temos a1 9 9 9 2 2 s 3 1 5 0 s2 4 2 0 s 9/2 0 s0 2 1 0 Como podemos perceber não há mudança de sinal na primeira coluna, o que indica que as raízes tem parte real negativa, logo o sistema é estável. Exemplo 4.4: Agora vejamos como fica a tabela para um sistema instável, onde G( s )= 2s+1 . 2 s + 2s +3s +4s +5 4 3 Fazendo os cálculos devidos, a primeira coluna da tabela será: s4 1 s3 2 s2 1 s1 -6 0 s 5 Vemos então que da 3º para a 4º linha e desta para a 5º linha há mudança de sinal, o que indica que existem duas raízes no semiplano esquerdo do plano complexo, logo o sistema é instável. Segundo Método de Lyapunov A análise da estabilidade de um sistema SLIT pode ser realizada pelo Segundo Método de Liapunov. Dado um sistema SLIT da forma ṙ (t)= A r (t ) , onde r é um vetor de estado e A uma matriz constante não-singular. Para que o estado de equilíbrio r =0 seja estável, é necessário e suficiente que dada uma matriz Q definida positiva (ou semi-definida positiva) hermitiana (ou real simétrica) qualquer, exista uma matriz P hermitiana (ou real simétrica) definida positiva tal que ∗ A P + PA=−Q Podemos convenientemente escolher Q= I , onde I é a matriz identidade. Caso nossa escolha seja uma matriz Q semi-definida √Q positiva, então devemos ter que o posto da matriz Q ' = √Q A deve ser n , onde n é a ordem da matriz A . ... √Q An−1 [ ] Exemplos Exemplo 4.5: Dado o sistema no espaço de estados assim descrito [ ][ ][ ] ẋ 1 = 0 1 x1 ẋ 2 −1 −1 x 2 , escolhemos Q= I 2 e P= [ p11 p12 p12 p 22 ] , então utilizando a relação acima temos: A ∗ P + PA=−Q ⇒ Multiplicando as matrizes obtemos [ ][ 0 1 p 11 −1 −1 p 12 ][ p 12 p + 11 p 22 p12 ][ ] [ ] p12 0 1 =− 1 0 0 1 p 22 −1 −1 −2p12=−1 p p 11− p 12− p 22 =0 , e resolvendo em termos dos p temos que P= 11 p12 2p12−2p22=−1 [ ][ p12 = 3/ 2 1/2 p 22 1/2 1 ] Falta verificar se P é definida positiva. Utilizamos o critério de Sylvester. 3 2 ∣3/ 2∣= >0 , ∣ ∣ 5 3/ 2 1/2 =3 /2−1/ 4= > 0 , portanto é definida positiva, logo concluímos que o sistema é estável na origem. 1/2 1 4 Exemplo 4.6: Seja o sistema assim descrito [ ][ ][ ] ẋ 1 = 0 1 x1 −1 −2 ẋ 2 x2 . Encontre uma matriz P definida positiva, tal que, A ∗ P + PA=−Q . [ ] Para este exemplo escolheremos Q= 4 0 0 0 semi-definida positiva. Antes devemos verificar se o posto de Q ' é igual a 2 . [ ][ ] 2 0 Q '= 0 0 0 2 0 0 0 2 = 2 0 0 0 0 0 . que tem posto 2 , logo podemos utilizá-la. [ ][ p A ∗ P + PA=−Q ⇒ 0 −1 11 1 −2 p12 [ que nos leva a −2p12 p11−2p12− p22 [ ] p 11=5, p12=2, p 22=1 , e P= 5 2 2 1 ][ p12 p + 11 p22 p12 ][ ] [ ] p12 0 1 =− 4 0 0 0 p 22 −1 −2 ][ ] p11 −2p12− p 22 −4 0 = 0 0 2p12 −4p22 é definida positiva, pois ∣5∣> 0 e ∣ ∣ 5 2 =1>0 . Então o sistema é estável na 2 1 origem x=0 . Exercícios de Fixação 1) Determine se o sistema [ ][ ][ ] ẋ 1 = −2 −1− j x 1 −3 ẋ 2 −1+ j x2 [ ] [ −1− j ⇒ A∗ = −2 −1+ j é estável na origem. Dica: A= −2 −1+ j −3 −1− j −3 [ ] 2) Verifique a estabilidade do sistema do exemplo 4.6 utilizando Q= 1 0 0 1 ] . 3) Dado o sistema descrito pelas equações abaixo, determinar a equação no espaço de estados e a estabilidade do sistema na origem. x˙1=−x 1−2x2 + 2 ẋ 2=x 1−4x 2−1 4) Determinar se a forma quadrática q ( x 1, x 2, x 3 )=x 21 + 4x 22+ x 23 +2x 1 x 2−6x 2 x 3−2x 1 x 3 é definida positiva. 5) Determine a faixa de valores de K dada a função de transferência G(s )= K para que o sistema a malha s ( s + s+1)( s +2)+ K 2 fechada seja estável. 6) Dado um sistema com retroação unitária descrito pela função de transferência G(s )= estável? 10 . Diga se este sistema é s (s−1)(2s +3) Referências Bibliográficas [1] Katsuhiko Ogata. Engenharia de Controle Moderno. 3ª Edição, LTC Editora. [2] B. P. Lathi. Sinais e Sistemas Lineares. 2ª Edição, Editora Bookman.