RELATO DA EXPERIÊNCIA DO ESTAGIO SUPERVISIONADO NA EDUCAÇÃO
INFANTIL
Beatriz Rodrigues Lino dos Santos1
Priscilla Machado da Silva²
Prof. Ms. Alfrancio Ferreira Dias³
Resumo: O presente artigo objetivou não apenas descrever as etapas do estágio supervisionado e a
sua aplicação do projeto Contar e Encantar, mas também nos serviu como um ponto de partida para
fazer comparações entre experiências já vividas cujas representações foram construídas sob os
conhecimentos ao decorrer da nossa teoria, juntamente com a experiência que se fazia naqueles
momentos, isto é, na interação com o mundo da prática. Observamos uma turma de educação infantil,
do turno vespertino, composta por uma professora, uma auxiliar de sala e 22 crianças de 4 anos.
Compreendemos a importância desse momento para a construção da formação avaliativa, lembrando
que o nosso objetivo não foi avaliar as ações da criança, mas sim as situações de aprendizagem que
são oferecidas. Vimos também que o período da regência é a oportunidade que temos de entender,
compreender e analisar cada passo na prática pedagógica, concebendo assim a teoria e a prática
vivenciada na escola. O estagio supervisionado contribuiu para nossa formação, pois podemos
compreender que o papel do professor de educação infantil é fundamental para a construção das
crianças. De uma forma geral percebemos que o estágio nos proporciona a analise de que a teoria e
prática devem caminhar juntas, possibilitando reflexões acerca da profissão docente e na construção da
identidade profissional de educador.
Palavra-Chave:
Educação. Estágio supervisionado. Trabalho docente.
INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como objetivo descrever e analisar as etapas do estágio
supervisionado e aplicação do projeto Contar e Encantar esse projeto teve como orientador o
docente Alfrancio Ferreira Dias, ministrante da disciplina Práticas Pedagógicas em Educação
¹ Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Estudante do Curso de Licenciatura Plena em
Pedagogia. Participante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade. Email:
[email protected]
² Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Estudante do Curso de Licenciatura Plena em
Pedagogia. Participante do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Relações de Trabalho, Gênero e Educação. Email:
[email protected]
³ Professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Líder do Grupo de Pesquisa do Grupo de
Estudos e Pesquisa sobre Relações de Trabalho, Gênero e Educação. Email: [email protected]
Infantil, disciplina obrigatória do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia da Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus - Jequié.
Sabemos que quando nós temos a oportunidade de observar, podemos fazer
comparações entre experiências, as que já foram vividas e cuja representação construída
constitui suas estruturas cognitivas, com a experiência que fazemos no momento, isto é, a
representação em que permanecemos a construir na interação com o mundo das limitações.
Conforme solicitação pelo professor ministrante da disciplina, realizamos o estágio
com crianças de idade de 4 anos na Escola Municipal Maria Lúcia Jaqueira, situada na Rua
Professora Virginia Ribeiro, S/N, onde a modalidade de ensino oferecido por essa instituição
é de Educação Infantil que acontece nos turno matutino e vespertino. A série observada foi
uma sala de crianças de 4 anos (turno Vespertino), contendo 22 crianças frequentando a sala
de aula, neste ambiente de ensino havia a presença de uma Professora e uma Auxiliar de sala.
O quadro de Professores da escola contava com uma coordenação que é realizada
toda terça-feira às 17h00min (uma vez na semana) para o planejamento semanal. De acordo
informações passadas pela Professora, o plano de aula, bem como as atividades de cada dia
ficam prontas antecipadamente durante o acompanhamento pedagógico da coordenadora. No
dia 06 de junho de 2012, foi realizado o nosso primeiro contato com a direção desta presente
escola.
No período de co-participação do estágio compreendemos que a interação entre aluno,
professor, professor assistente e as estagiárias deveria acontecer de forma mais direta. Na
semana de co-participação é o momento onde se dá o primeiro passo para a convivência das
crianças com as estagiárias, pois sabemos que a construção de vinculo é importante para a
criança passar a ter confiança no individuo que está ao seu lado. Nos Parâmetros Curriculares
Nacionais da Educação Infantil diz que:
As crianças orientam-se para outras pessoas à medida que expandem seus
campos de ação. Embora bem pequenas, elas também demonstram forte
motivação para a interação com outras crianças. A orientação para o outro,
além de lhes garantir acesso a um grande conjunto de informações que este
outro lhes proporciona, evidencia uma característica básica do ser humano
que é a capacidade de estabelecer vínculos. (BRASIL, 1998, p. 17)
Desta forma, fica esclarecido para nós aspirantes a pedagogas que a interação entre o
aluno e os professores é de suma importância para o desenvolvimento de cada aluno em sala
de aula. Vale ressaltar que o momento da co-participação também é relevante, pois é daí que
as estagiárias têm contato direto com a rotina da sala de aula que vai atuar como regente.
Percebe-se que esse momento é importante para a construção da formação avaliativa,
lembrando que o nosso objetivo não é avaliar as ações da criança, mas sim as situações de
aprendizagem que foram oferecidas.
Vimos também que o período da regência é a oportunidade que temos de entender,
compreender e analisar cada passo na pratica pedagógica, pois com toda teoria que temos
oferecida durante o curso, também se faz necessário colocar em pratica tudo que aprendemos
até aqui, desta forma foi de cunho importante nossos questionamentos a todo tempo
(observação, co-participação e regência) para a regente da sala (profª. Irandy), pois foi desses
questionamentos que pudemos compreender e concluir todo o processo com êxito.
Iremos descrever de uma forma geral, tudo que o estágio nos proporciona perceber que
a teoria e prática devem caminhar juntas, possibilitando reflexões a cerca da profissão docente
e na construção da identidade profissional de educador.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Refletir na pratica docente é poder avaliar cada passo nas transformações do mundo
contemporâneo, é pensar como um professor reflexivo diante de tantas transformações no mundo.
Assim, faz-se necessário que o professor sempre reveja suas praticas pedagógicas, observando os
impactos e mudanças que essa reflexão produz na pratica docente.
Deve-se avaliar o papel da escola no contexto atual, a formação dos professores e sua
pratica reflexiva. Destacando sempre que o professor reflexivo é aquele que se alicerça sempre em
ações que compreendam a correlação entre a teoria e a pratica, pensando sempre na reflexão na
ação e na reflexão sobre a ação.
Em início, para uma realização de um trabalho produtivo e principalmente,
significativo é fundamental conhecer o espaço que será inserido tanto o professor quanto o
aluno. Necessário também se adequar aos conhecimentos prévios de cada aluno, assim mesmo
como se refere vários teóricos como Piaget, Vigotsky, Ausubel e entre outros, pois de nada
adianta querer jogar ou avançar em assuntos que porventura a criança não alcance o objetivo
proposto que seria a aprendizagem e o desenvolvimento.
Como sabemos, cada criança possui uma capacidade de entendimento diferenciada, e é
de grande importância para o docente respeitar esse tempo, pois assim, conhecendo o nível de
seus alunos se faz um planejamento, trabalhando a partir dos déficit e obstáculos concebendo
e administrando situações-problemas, para que nessa observação que o docente realiza, se
fazer uma avaliação no processo de aprendizagem.
É preciso despertar na criança o desejo de aprender, envolvendo em atividades grupais
como também em atividades de pesquisa, atividades lúdicas e etc. Ser docente é trabalhar a
partir das concepções dos alunos, dialogar com eles e ter consciência que aprender não é
memorizar e sim uma reestruturação ao seu sistema de compreensão do mundo. Por conta
disso, conhecer e dominar os conteúdos que será ensinado são de suma importância para
favorecer o aprendizado significativo. Vale ressaltar que não se pode pretender que os alunos
alcancem em apenas um ano toda capacidade desejada, podendo ser do conhecimento de
todas as letras e números (educação infantil) como também da leitura, da escrita, da
argumentação (fundamental I).
O verdadeiro desafio para o docente é o domínio da totalidade da formação do
primeiro ciclo de aprendizagem e ensino básico. É dever do professor, estimular a autoavaliação, a metacognição e ter uma percepção da classe administrando a heterogeneidade da
turma, trabalhando com alunos distintos e dando apoio integrado à aqueles que possui grandes
dificuldades, contudo, observando e avaliando os alunos em situações de aprendizagem de
acordo com uma abordagem formativa, contribuindo para um melhor aprender e ter uma
concepção melhor de seu trabalho.
Vale ressaltar que falar da formação docente é importante destacar o estagio, pois o
mesmo é a pratica dos cursos de firmação de profissionais em contraposição a teoria. Pois, já
ouvimos muito o ditado popular onde “na prática docente a teoria é outra”. Segundo
PIMENTA, (2004, p. 34) “o estágio como pesquisa se encontra presente em práticas de
grupos isolados. No entanto, entendemos que precisa ser assumido como horizonte ou utopia
a ser conquistada no projeto dos cursos de formação”.
Logo, entendemos que o estágio é o momento onde o discente tem a oportunidade de
analisar a pratica docente em sala de aula e destaca as observações necessárias para a nossa
caminhada profissional. Lembrando, que não é de caráter do aluno observar a pratica docente
para criticar e menosprezar, mas sim para aprender e contribuir com o meio que está sendo
observado.
É bastante interessante que se desenvolva a cooperação entre os alunos, como sabemos
o aluno não aprende sozinho. Na realidade, o verdadeiro desafio do aprender, é pelo simples
fato que aprender exige tempo, esforços, emoções, angústias quando se tem fracasso, da
timidez, e principalmente, o medo do julgamento de terceiros e o professor deve estar sabendo
sobre tudo. Muitos alunos retardam seu aprendizado por contas desses fatores, e o professor
precisa saber aplicar estratégias que solucionam esses problemas e intensifiquem o desejo de
aprender desses indivíduos. O docente tem um papel bastante importante na vida dos
educandos, como todo trabalho enfrenta deveres e direitos. O professor, precisa prevenir em
sala de aula a violência, lutar contras os preconceitos e discriminações tanto étnicas quanto
sociais, tendo autoridade de comunicação dentro de seu ambiente de trabalho.
As novas competências para o desenvolvimento do trabalho docente é constituído
pelos saberes profissionais, onde o professor deve ter um conhecimento do que se ensina ao
aluno e também o conhecimento da comunidade e escola que está inserido, bem como do
projeto político pedagógico da escola. Os saberes disciplinares, que estão relacionados aos
conteúdos, sendo que se faz necessário o professor ser um pesquisador de tal forma que o
aluno compreenda a disciplina em seus conceitos. Também destaca-se os saberes curriculares,
onde o professor precisa conhecer o currículo que está inserido na escola e assim saber
desenvolver sua pratica docente em sala de aula. Por fim, existe os saberes experienciais que
nada mais é o aprender do educador através de suas próprias experiências em sala de aula.
A escola tem obrigação de elaborar projetos fazendo com que se tenha uma ligação
mais vinculada com os profissionais a qual trabalham no ambiente escolar e também para
envolver a interação entre o professor e o aluno em sala de aula. Deve haver uma troca de
conhecimentos, começando é claro, pelos profissionais onde torna-se preciso analisar em
conjunto situações complexas e práticas que rodeia o mundo escolar, uma participação ativa
na administração da escola, lembrando que, todo planejamento deve estar contendo atividades
pensando sempre na participação dos alunos e evidente, dirigir reuniões de informações sobre
o cotidiano de seus filhos envolvendo os pais também nas construção dos saberes. Quando há
um coletivo presente, facilita as necessidades e o trabalho fica mais prazeroso e com
resultados mais significativos.
Devemos pensar no desenvolvimento da criança, pois sabemos que a mesma se
desenvolve de diversas maneiras, com o auxilio do professor sempre presente a criança se
sente mais confiante em realizar tarefas. A interação a partir do contato com os demais alunos
e o momento de descontração, também influencia muito para seu aprendizado e seu
desenvolvimento.
Como se percebe, é de suma importância a presença de um mediador para a evolução
da escrita na criança, principalmente quando a escola é de rede pública, pois em sua grande
maioria os pais dessas crianças não têm instrução escolar para dar atendimento seus filhos, ou
alguns não têm tempo disponível para dar auxilio nas atividades de casa e por conta disso
acabam deixando de influenciar no próprio processo de alfabetização.
A alfabetização refere-se à aquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades
para a leitura, escrita e as chamadas práticas de linguagem. A escrita é o produto cultural por
excelência, o letramento tem por objetivo investigar as duas classes (os alfabetizados e não
alfabetizados), onde se desliga de verificar o individual e centralizar-se no social, focalizandose os aspectos sócio-históricos da aquisição da escrita, a alfabetização pertence assim ao
âmbito do individual.
É preciso despertar no aluno o interesse pelo estudo, pelo querer aprender. Não deve
limitar-se em apenas escutar o que o professor fala, muito pelo contrario, a interação entre o
professor e o aluno contribui bastante para o desenvolvimento significativo da criança.
Conhecer o que o aluno já traz consigo e trabalhar a partir de seus conhecimentos prévios
torna-se a aula mais produtiva, inserir o lúdico, é fundamental, deve-se lembrar de fato, que
estamos trabalhando com um ser humano ainda criança, que precisa do momento da
brincadeira, que o lápis e o papel não são apenas recursos didáticos que devem ser utilizado
para obter aprendizagem.
É bastante interessante deixar que eles produzam de acordo com sua própria
criatividade, com desenhos, músicas, pinturas, se deve deixar claro que eles não estão na
escola para reproduzir o que professor diz, ou fazer cópias de atividades, imitação a alguma
escrita produzida por alguém, mas sim, para construir conhecimentos, elaborarem ideias
próprias a respeito dos sinais escritos.
Piaget (1975) caracteriza o desenvolvimento dos alunos por estágios: sendo o primeiro
Sensório-motor (0 à 2 anos), o desenvolvimento inicial das coordenações onde a criança
começa a ter novas percepções e novos movimentos, o Período pré-operatório (2 à 7 anos)
uma fase em que as crianças reproduzem imagens mentais, costumam usar um pensamento
intuitivo que se expressa numa linguagem comunicativa. Estágio operatório concreto (7 à 12
anos) nesse estágio, a criança consegue escutar as visões dos outros mesmo que as vezes não a
concorde, apresentando assim, transformações intelectuais e físicas e já consegue realizar
atividades não apenas na abstração, já tem capacidades suficientemente para produzir e
realizar atividades concretas. Período das operações formais (12 anos em diante): Nesta fase,
a criança amplia ainda mais seus conhecimentos e já conseguem raciocinar executando
operações mentais, tendo um modo adulto de pensar.
Emília Ferreiro (1985) aponta na ideia de que não se deve privilegiar a mera
codificação e decodificação de sinais gráficos no ensino da leitura/escrita, mas sim respeita o
processo de simbolização, na medida em que a criança vai percebendo o que a escrita
representa do próprio desenvolvimento da alfabetização. O processo de representação que o
individuo deve aprender a dominar durante a alfabetização não é linear (som-grafema), é
antes um processo complexo, que acompanha o desenvolvimento, e que passa por estágios
que vão desde a micro dimensão até um nível mais complexo. Alfabetizar em sua nova
perspectiva é a relação entre a escrita e a oralidade é uma relação de interdependência, pois
ambos os sistemas de representação influenciam-se igualmente. O que deve ser enfatizado
seriam os aspectos construtivos das produções infantis durante a alfabetização. É de suma
importância que o professor conheça seus alunos e saiba compreender principalmente suas
fases na aquisição da escrita.
De acordo com o texto de Emilia Ferreiro “Psicogênese da Língua Escrita”, a criança
passa por quatro fases até que estejam realmente alfabetizada, essas fases são classificadas da
seguinte maneira: a pré-silábica: o primeiro nível que acontece na etapa que a criança ainda
não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada, elas registram mais desenhos,
figuras e rabiscos. A próxima se distingue de silábica: quando a criança já consegue
interpretar a letra mesmo que seja da sua maneira, às vezes, trocando letras por números e/ou
escrevendo espelhadamente de forma aleatória, porém, atribuindo o valor das letras e dos
números o que faz pensar que para cada som existe uma grafia. Silábico-Alfabético:
convivem as formas de fazer corresponder os sons às formas silábicas e alfabéticas e a criança
pode escolher as letras ou de forma ortográfica ou fonética e por fim a alfabética: onde a
criança já conseguem dominar e compreender as letras, os números, formando sílabas.
“As primeiras tentativas de escrita são de dois tipos: traços ondulados contínuos (do
tipo de uma série de emes em cursiva), ou uma série de pequenos círculos ou de linhas
verticais”. (FERREIRO, 1985). É de grande responsabilidade que se afirma que um individuo
alfabetizado é aquele que consegue escrever e possui habilidades para a prática da leitura e
linguagem, deixando claro que a alfabetização pertence ao âmbito individual. Assim,
diferencia-se as duas concepções em seus processos sociais percebe-se que enquanto a
alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um individuo, ou grupo de indivíduos, o
letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma
sociedade. Compreende-se também que a alfabetização é um componente do letramento,
alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita e letrar
significa levá-la ao exercício das práticas sociais da leitura e da escrita.
Neste sentido, não devemos esquecer que o lúdico é um recurso didático dinâmico que
garante resultados eficazes na educação, uma forma de aprendizagem diferenciada que exige
planejamento e cuidado na execução da atividade elaborada, sendo um dos motivadores na
percepção e na construção de esquemas de raciocínio.
É através da ludicidade que o educador pode desenvolver atividades que não sejam
apenas divertidas, mas que, sobretudo, ensine os alunos a discernir valores éticos e morais,
formando cidadãos conscientes dos seus deveres e de suas responsabilidades, além de
propiciar situações em que haja uma interação maior entre os alunos e o professor em uma
aula diferente e criativa, sem ser rotineira. O jogo é a atividade lúdica mais trabalhada pelos
professores atualmente, pois ele estimula as várias inteligências, permitindo que o aluno se
envolva em tudo que esteja realizando de forma significativa, facilitando a aprendizagem e o
desenvolvimento pessoal.
Quando a criança brinca, ela tem oportunidade de conhecer o mundo e se conhecer. A
brincadeira com regras e atividades dirigidas, permite explorar os processos capazes de fazer
o brincar funcionar de verdade, favorecendo, dessa forma, a construção do conhecimento e o
desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças. Adquirindo ainda valores
culturais e morais, sendo que as atividades lúdicas devem visar à auto-imagem, ajudando
assim na auto-estima e no autoconhecimento, pois ajudam a imaginar a fantasia e a
criatividade. Essa criatividade ajuda a adaptar essas crianças.
Com o trabalho de ludicidade em seus conteúdos na sala de aula, desperta ao aluno o
querer e vontades estar presente nas atividades coletivas. Com esse trabalho, há contribuição
para o aprendizado do aluno possibilitando ao docente o preparo cada vez mais de aulas
dinâmicas fazendo com que o aluno se desenvolva e interaja mais em sala de aula, seu
interesse aumenta, e consequentemente, aprende a proposta do conteúdo, estimulando assim, a
ser pensador, questionador e não um repetidor de informações.
As atividades lúdicas podem contribuir significativamente para o processo de
construção do conhecimento da criança, estudos comprovam que o jogo é uma fonte de prazer
e descobertas para as crianças. Por exemplo, no faz-de-conta há presença da situação
imaginária, no jogo de xadrez as regras padronizadas permitem a movimentação das peças, o
próprio brincar na areia como encher e esvaziar copinhos requer a satisfação da manipulação
do objeto. Já a construção de um barquinho exige não só a representação mental do objeto a
ser construído, mas também a habilidade manual para operacionalizá-la.
O brincar envolve o corpo devido à manipulação de objetos. A criatividade é
fundamental e é através dela que o indivíduo sente a liberdade de criar e recriar. Enfim, a
estimulação, a variedade, o interesse, a concentração e a motivação são igualmente
proporcionadas pela situação lúdica. Se acrescentarmos a isso a oportunidade de ser parte de
uma experiência que, embora possivelmente exigente, não é ameaçadora, é isenta de
constrangimento e permite ao participante uma interação significativa com o meio ambiente,
as vantagens do brincar ficam mais aparentes.
Segundo Oliveira (1985, p. 74), o lúdico é:
“(...) um recurso metodológico capaz de propiciar uma aprendizagem
espontânea e natural. Estimula a crítica, a criatividade, a sociabilização,
sendo, portanto reconhecidos como uma das atividades mais significativas
pelo seu conteúdo pedagógico social.”
A ludicidade nos permite reconhecer a existência de uma modalidade de educação
ainda desvalorizada por alguns, que trabalha apenas com atividades, assim, a criança acaba
vivendo apenas em um mundo letrado, com muitas cobranças. Pode-se perceber que, para
qualquer metodologia que o docente escolha usufruir, há interação, e sem dúvida segundo
elas, é o melhor para o crescimento de seus alunos.
Diante do reconhecimento da necessidade da ludicidade, sabemos que os professores
das séries iniciais passam por dificuldades ao ensinar a leitura e escuta na sala de aula,
observamos que muitos dos docentes têm procurado meios de aprimorar suas práticas
pedagógicas por meio de metodologias diferencias, para que o aluno passe a despertar o gosto
pelas aulas. Visto isso, entende-se que o lúdico contribui para as práticas pedagógicas através
de jogos, brincadeiras, contação de histórias, cantigas de rodas, teatro de fantoche, dentre
outras. Essas atividades despertam na criança o seu imaginário e sua criatividade na
construção do processo de ensino e aprendizagem.
O professor é a peça chave para que o aluno passe a conhecer o lúdico, cabe ao mestre
adequar-se a melhor forma de trabalhar a ludicidade em sala de aula, focando naquelas que
possibilitem a melhor aceitação das crianças, para que dessa forma comece a despertar nos
alunos as chamadas inteligências múltiplas.
Brincar é uma ação que ocorre no campo da imaginação, assim, ao brincar estar-se-á
fazendo uso da linguagem simbólica. Poder brincar já é um processo terapêutico, brinca-se
com o que não se pode entender, brinca-se para poder entender melhor e brinca-se para
ressignificar a vida. Na brincadeira o sujeito exercita-se cognitivamente, socialmente e
efetivamente. Toda criança deve ter prazer no que faz no que estuda, brincar é a verdadeira
atuação entre o divertimento e a aprendizagem para vida da criança.
A ludicidade promovida justifica um ensino por meio de jogos. O jogo é um universo,
no qual, através de oportunidades e riscos, cada qual precisa achar o seu lugar. Podem ser
trabalhados, por exemplo, através de perguntas e respostas, por regras, jogos, enfim, de
inúmeras maneiras.
São esses aspectos que Piaget e Vygotsky observam em suas teorias, as relações dos
jogos infantis os pontos comuns e divergentes, além de uma pequena comparação de como
estas teorias podem ser usadas. Quando a criança brinca, ela tem oportunidade de conhecer o
mundo e se conhecer. A brincadeira, apesar de não possuir natureza determinada, com regras
e atividades dirigidas, permite explorar os processos capazes de fazer o brincar funcionar de
verdade, favorecendo, dessa forma, a construção do conhecimento e o desenvolvimento
emocional, social e cognitivo das crianças.
Segundo Leontiev (1991, p. 79),
“brincando a criança irá pouco a pouco aprendendo a se conhecer melhor e a
aceitar a existência dos outros, organizando suas relações emocionais e,
conseqüentemente, estabelecendo suas relações sociais”.
Meditemos então que brincar não significa apenas recrear-se, porque essa é a forma
mais completa da criança se comunicar com o mundo e com seu próprio eu. Quando a criança
brinca, ela incorpora valores culturais e morais, sendo que as atividades lúdicas devem visar à
auto-imagem, ajudando assim na auto-estima e no autoconhecimento, porque ajudam a
imaginar a fantasia e a criatividade. Essa criatividade ajuda a adaptar essas crianças.
ANALISE DA SITUAÇÃO DIDÁTICA
Todo o processo vivido nesse percurso podemos compreender a importância do
estágio supervisionando na formação docente, pois verificamos que o estágio nos possibilita
ressignificar os saberes, as reflexões sobre nossa conduta e a construção de identidade de cada
indivíduo, estando todos nós em busca de aprendizagem para todo o processo.
Na observação tivemos a oportunidade de avaliar a sala de aula, analisamos que os
alunos são muito tranquilos, e que muita das vezes falta mais “pulso firme” da professora.
Destacamos também a potencialidade e a esperteza de cada aluno, fazendo suas atividades
sempre no tempo proporcionado pela professora, mas devido à quantidade de alunos ou a
inexistência da imposição da professora perante seus alunos, muitas das vezes os meninos só
fazem o que querem, sem orientações devidas. Sentimos falta dos planos de aula, porém
ficamos com receio de pedir a professora e ela não ter, pois nunca foi mostrado para nós.
Dentro da sala também foi visível às questões de gênero na sala. As falas da
professora quando se refere em “coisas de meninas e coisas de meninos” ou até “na cor rosa
para as meninas e a cor azul para os meninos”, fortalecendo assim as questões do machismo
dentro da sala de aula. Referente a assistente da sala, percebemos que os meninos tem grande
admiração e obediência, pois sempre que ela fala ou os reclama, é diferente da situação da
docente. Sentimos também que a rotina das crianças não acontece de forma organizada e
igualitária, e nesse momento é que realmente nos “assustamos” com a falta de controle
professor/aluno.
Vale ressaltar que contém 16 alunos frequentando o que facilita para o
desenvolvimento da sala, da aprendizagem, e principalmente do aluno. Porém, a docente
deixa um pouco a desejar, sua metodologia de ensino faz com que os alunos ficam boa parte
de seu tempo disperso, a mesma deixa espaços vagos entre uma atividade a outra, como
percebemos, ela tem um pouco de dificuldade para chamar a atenção de seus alunos.
A rodinha é um exemplo fiel desse déficit, ela possui uma experiência, tem
conhecimento, tem prática, porém, falta desenvoltura em sala de aula, principalmente por
tratar-se de educação infantil. Como sabemos, cada criança mesmo estando em sala de aula
pela primeira vez, como é o caso dessa turminha de 4 anos, os mesmos possuem um
conhecimento prévio sobre determinadas coisas, e de fato a docente não explora essa
interação. A sala de aula é bastante espaçosa e colorida, obtém de recursos didáticos
suficientes para o controle da professora e necessidades dos alunos, o espaço de laser das
crianças é pequeno, porém, quando se faz uma junção de todas as salas nesse ambiente, as
professoras e/ou as estagiárias, tem o costume de estar presente realizando brincadeiras
dirigidas. Vale ressaltar que, é visível a presença e o empenho todos os dias a tarde da direção
da escola, sempre tentando fazer o melhor para sua escola e, respectivamente, seus alunos.
Compreendemos que no momento da co-participação houve de fato uma interação das
estagiárias com os alunos e professores da sala, assim sendo houve mais “facilidade” nos
alunos olhar-nos não como “estranhas” mais sim como professoras que também fazem parte
do processo de construção dos mesmos. Apesar dos alunos muitas das vezes serem muito
agitados, compreendi também que os mesmos são carentes e que qualquer atenção que lhes é
oferecido eles passam a confiar mais na pessoa com quem está. A co-participação contribuiu
plenamente para o contato direto entre todos na sala de aula, assim como também contribui
eficientemente para entendermos que podemos dá o melhor de nós na sala de aula, pois tudo
que ali ensinamos é marcado na vida de cada criança presente.
No período da regência na primeira semana foi também a iniciação do projeto Contar
e Encantar começamos pela história “Cachinhos Dourados” onde foi apresentada de forma
bastante lúdica para as crianças, levando assim todos os recursos possíveis de acordo que a
estória relatada (três ursos, três camas, uma mesa, três pratos, três cadeiras e a boneca (com
tamanhos pequenos, médios e grandes) para que os alunos visualizasse tudo e lembrassem
todos os dias, pois a atividade da semana seria relacionada a essa história.
Foi trabalhado a criatividade das crianças através de desenhos, pinturas, reconstrução
da própria estória de Cachinhos de Ouro, trabalhado a psicomotricidade através de recorte e
colagem, diversas brincadeiras que no final receberiam doces como incentivo a todos
participarem, e também foi explorado bastante a escrita de acordo com os níveis deles. Foi
interessante perceber em cada processo que os alunos no inicio de cada aula na rodinha, eles
sempre se lembravam da estória e recontavam da forma que cada um deles entendeu a estória,
quando falávamos da moral da estória, víamos que cada um deles tinha uma percepção
diferenciada, onde acreditamos que isso se dá por conta de cada um ser de famílias diferentes
e comportamentos variados.
Na segunda semana de regência, foi trabalhada com a estória “João e Maria” onde foi
contada também de forma lúdica para as crianças, primeiramente contamos o enredo dessa
estória e depois utilizando o recurso do DVD, onde foi passada em forma de vídeo a estória
dos dois irmãos, logo depois do filme tiramos algumas dúvidas que surgiram naquele
momento sobre a estória de João e Maria, esse momento foi muito gratificante, pois
percebemos a interação de nós estagiárias com os alunos. Deste modo, percebemos que cada
vez mais ficávamos mais próximas das crianças, onde eles passaram a confiar mais em nós,
não só no momento da estória, mas em toda aula.
Assim, nessa semana ficou evidente, que as áreas de conhecimento no qual as crianças
tinham mais facilidade em desenvolver os trabalhos eram história, artes e ciências. Nas
atividades de matemática e português, sentimos que eles ainda tinham dificuldade em
lembrar-se dos números e das letras.
Ao finalizar o estágio fizemos uma festa de encerramento, onde os alunos tiveram
contato com todas as suas atividades, organizamos algumas brincadeiras e também praticamos
um momento onde todos eles pudessem lembrar-se de cada momento vivido em sala de aula
com nós estagiárias e com eles.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante todo esse processo de descobertas e aprendizagem, foi de suma importância
para a nossa formação acadêmica, construção não só profissional, como também pessoal, pois
nos possibilitou refletir sobre a importância do papel do professor no processo de mediação
do conhecimento e ainda mais, fez-nos reconhecer que o aluno é o sujeito ativo no processo
da aprendizagem.
O que nos motivou também foi toda atenção que a escola nos ofereceu (direção,
secretaria e serviços gerais), pois fomos bem acolhidas e nos deram todo apoio. Ao contrário
do que imaginávamos fomos tratadas como professoras e tivemos total apoio e incentivo na
sala de aula.
As poucas orientações que a professora Irandy nos dava, juntamente com as nossas
idéias já pré-estabelecidas, fizeram com que o trabalho desenvolvido em sala de aula,
obtivesse um resultado prático, visível, prazeroso e significativo. A contribuição da professora
auxiliar Silvia foi de suma importância para nós, pois percebemos que apesar da mesma não
ter uma noção das teorias pedagógicas, a pratica de 15 anos na educação infantil faz dela uma
pessoa fascinada pelas crianças.
O mais importante, é que conseguimos fazer a junção do explicar com o prazer e
entender, os alunos se mostravam a todo o momento a vontade de expor suas idéias, de fazer
comentários quando pedíamos. Notamos ver nos rostinhos de cada um a alegria de estarmos
ali com eles e isso foi o que deixávamos mais maravilhadas em estar ali, fazendo o papel de
professoras.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
Referencial curricular nacional para a educação infantil: Formação Pessoal e Social.
Brasília: MEC/SEF, 1998.
FERREIRO, Emília. Psicogênese da Língua escrita/ Emília Ferreiro e Ana Teberosky; trad.
De Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Porto Alegre: Artes médicas,
1985.
LEONTIEV, A. M. A brincadeira é a atividade principal da criança pequena. In:
Fundação Roberto Marinho. Professor da Pré-Escola. Rio de Janeiro: FAE, 1991.
OLIVEIRA, V. M. O que é educação física. São Paulo: Brasiliense, 1985.
PIMENTA, Selma Garrido. LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. 2. ed. São
Paulo: Cortez, 2004.
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RELATO DA EXPERIÊNCIA DO ESTAGIO