AUTOR: ENGENHEIRO AGRÔNOMO ALÍPIO LUÍS DIAS
CREA: 0601114587
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SUMÁRIO
Introdução
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Milho
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História
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Composição
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Usos
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Variedades Especiais
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Cultivo
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Colheita
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Cultivo de Milho no Mundo
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Cultivo de Milho no Brasil
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Clima e Solo
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INTRODUÇÃO
MILHO
O milho é uma planta da família
Gramineae e da espécie Zea
mays. Comummente, o termo se
refere à sua semente, um cereal
de altas qualidades nutritivas. É
extensivamente utilizado como
alimento humano ou ração animal.
Acredita-se que seja uma planta de
origem americana, já que aí era cultivada desde o período pré-colombiano e
desconhecida pela maioria dos europeus até a chegada destes à América. É
um dos alimentos mais nutritivos que existem.
Tem alto potencial produtivo, e é bastante responsivo à tecnologia. Seu cultivo
geralmente é mecanizado, se beneficiando muito de técnicas modernas de
plantio e colheita. A produção mundial de milho chegou a 600 milhões de
toneladas em 2004.
O milho é cultivado em diversas regiões do mundo. Os maiores produtores
mundiais são os Estados Unidos. No Brasil, que também é um grande produtor
e exportador, São Paulo e Paraná são os Estados líderes na sua produção.
Atualmente somente cerca de 5% de produção brasileira se destina ao
consumo humano e, mesmo assim, de maneira indireta na composição de
outros produtos. Isto se deve principalmente à falta de informação sobre o
milho e à ausência de uma maior divulgação de suas qualidades nutricionais.
O milho é um dos alimentos mais nutritivos que existem. Puro ou como
ingredientes de outros produtos, é uma importante fonte de energética para o
homem. Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante seus
processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em
fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano.
Além das fibras, o grão de milho é constituído de carboidratos, proteínas,
vitaminas (A e complexo B), sais minerais (ferro, fósforo, potássio, cálcio), óleo
e grandes quantidades de açúcares, gorduras, celulose e calorias.
Maior que as qualidades nutricionais do
para o aproveitamento na alimentação
diretamente ou como componente para a
chocolates,
geléias,
sorvetes,
milho, só mesmo sua versatilidade
humana. Ele pode ser consumido
fabricação de balas, biscoitos, pães,
maionese
e
até
cerveja.
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Apesar de serem usados para fazer pães, o milho não contém a proteína
glúten. Isso faz com que os assados de milho não sejam especialmente
nutritivos (como é o caso dos assados feitos de trigo).
A produção de milho, no Brasil tem-se caracterizado pela divisão da
produção em duas épocas de plantio. Os plantios de verão, ou primeira safa,
são realizados na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre
fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e
Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano). Mais
recentemente, tem aumentado a produção obtida na safrinha, ou segunda
safra. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado extemporaneamente,
em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce,
predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná e São
Paulo. Verifica-se um decréscimo na área plantada no período da primeira
safra, em decorrência da concorrência com a soja, o que tem sido parcialmente
compensado pelo aumento dos plantios na safrinha. Embora realizados em
uma condição desfavorável de clima, os plantios na safrinha. Embora
realizados em uma condição desfavorável de clima, os plantios da safrinha são
conduzidos dentro de sistemas de produção que gradativamente são
adaptados e essas condições, o que tem contribuído para elevar os
rendimentos das lavouras dessa época.
A cultura do milho ocupou, em 2006, uma área em torno de 12,9 milhões
de hectares, responsável por uma produção de cerca de 41,3 milhões de
toneladas de grãos, apresentando um rendimento médio de 3.198 kg ha -1
(3.298 kg ha -1 na safra e 2.907 kg ha -1 na safrinha), de acordo com a Conab.
Mesmo considerando o rendimento dos estados da região Centro-Sul, que foi
de 3.893 kg ha -1, esse rendimento é muito inferior ao que poderia ser obtido,
levando-se em consideração o potencial produtivo da cultura, que é
demonstrado que a cultura do milho aumenta sua rentabilidade e sua vantagem
comparativa com outras culturas quando sua produtividade é aumentada.
Este trabalho discute os principais aspectos técnicos da produção de
milho, considerado os resultados mais recentes de pesquisa e oferecendo
alternativas para situações particulares, como, por exemplo, em sistema de
produtores, técnicos de assistência técnica extensão rural e de planejamento
informações necessárias à sua tomada de decisão, para situações específicas
de cada sistema de produção, visando ao aumento de sua produtividade e
rentabilidade.
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HISTÓRIA
Segundo Mary Poll, em trabalho publicado na revista Pnas, os primeiros
registros do cultivo do milho datam de há 7.300 anos, e foram encontrados em
pequenas ilhas próximas ao litoral do México, no golfo do México. Seu nome,
de origem indígena caribenha, significa "sustento da vida". Alimentação básica
de várias civilizações importantes ao longo dos séculos, os Olmecas, Maias,
Astecas e Incas reverenciavam o cereal na arte e religião. Grande parte de
suas atividades diárias eram ligadas ao seu cultivo. Segundo Linda Perry, em
artigo publicado na revista Nature, o milho já era cultivado na América há pelo
menos 4.000 anos.
O milho era plantado por índios americanos em montes, usando um
sistema complexo que variava a espécie plantada de acordo com o seu uso.
Esse método foi substituído por plantações de uma única espécie.
Com as grandes navegações do século XVI e o início do processo de
colonização da América, a cultura do milho se expandiu para outras partes do
mundo. Hoje é cultivado e consumido em todos os continentes e sua produção
só perde para a do trigo e do arroz.
O plantio de milho na forma ancestral continua a praticar-se na América
do Sul, nomeadamente em regiões pouco desenvolvidas, no sistema conhecido
no Brasil como de roças.
No final da década de 1950, por causa de uma grande campanha em
favor do trigo, o cereal perdeu espaço na mesa brasileira. Atualmente, embora
o nível de consumo do milho no Brasil venha crescendo, ainda está longe de
ser comparado a países como o México e aos da região do Caribe.
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COMPOSIÇÃO
Puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte
energética para o homem. Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados
durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é
rica em fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo
humano.
Além das fibras, o grão de milho é constituído de carboidratos, proteínas
e vitaminas do complexo B. Possui bom potencial calórico, sendo constituído
de grandes quantidades de açúcares e gorduras. O milho contém vários sais
minerais como (ferro, fósforo, potássio e zinco) no entanto é rico em ácido
fítico, que dificulta a absorção destes mesmos.
USOS
O milho é basicamente utilizado na alimentação, seja ela indireta (como ração
animal) ou através do consumo humano direto.
Uso na alimentação humana direta
Nos Estados Unidos, o uso do milho na alimentação humana direta é
relativamente pequeno - embora haja grande produção de cereais matinais
como flocos de cereais ou corn flakes e xarope de milho, utilizado como
adoçante. No México o seu uso é muito importante, sendo a base da
alimentação da população (é o ingrediente principal das tortilhas, e outros
pratos da culinária mexicana).
De acordo com a Embrapa, no Brasil apenas 5% do milho produzido se
destina ao consumo direto humano.
No Brasil, é a matéria-prima principal de vários pratos da culinária típica
brasileira como canjica, cuscuz, polenta, angu, mingaus, pamonhas, cremes,
entre outros como bolos, pipoca ou simplesmente milho cozido.
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Na indústria pode ser usado como componente para a fabricação de
rebuçados, biscoitos, pães, chocolates, geléias, sorvetes e maionese.
Apesar de serem usados para fazer pães, o milho não contém a proteína
glúten. Isso faz com que os assados de milho não sejam especialmente
nutritivos (como é o caso dos assados feitos de trigo).
Usos alternativos
O uso primário do milho nos Estados Unidos e no Canadá é na
alimentação para animais. O Brasil tem situação parecida: 65% do milho é
utilizado na alimentação animal, e 11% é consumido pela indústria, para
diversos fins.
Seu uso industrial não se restringe à indústria alimentícia. É largamente
utilizado na produção de elementos espessantes e colantes (para diversos fins)
e na produção de óleos.
Recentemente Europa e EUA tem incentivado seu uso para produção de
etanol. O etanol é utilizado como aditivo na gasolina, para aumentar a
octanagem. O uso do milho para produção de biocombustíveis tem encarecido
seu uso para alimentação.
Pesquisas genéticas
O milho é a espécie vegetal mais utilizada para pesquisas genéticas. Em
1940, Barbara McClintock ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela sua
descoberta de transposons, enquanto estudava o milho.
A produção de milho é uma das mais difundidas entre as de alimentos
transgênicos, em parte por que seu consumo é basicamente para ração animal,
onde a resistência do consumidor é menor.
Algumas variedades não comerciais e selvagens de milho são cultivadas
ou guardadas em bancos de germoplasma para adicionar diversidade genética
durante processos de seleção de novas sementes para uso doméstico inclusive milho transgênico.
VARIEDADES ESPECIAIS
Milho branco
Uma das variedades mais difundidas no Brasil é o milho branco. Tem
como principais finalidades a produção de canjica, grãos e silagem.
A planta tem altura próxima de 2,20 metros, sendo que a espiga nasce a
1,10 metro do solo. A espiga é grande, cilíndrica e apresenta alta
compensação. O sabugo é fino, os grãos são brancos, profundos, pesados e
de textura média. O colmo tem alta resistência física e boa sanidade. A raiz tem
boa fixação.
A planta é especialmente resistente às principais doenças foliares do
milho, em diferentes altitudes e épocas de plantio. Podem ser colhidas até duas
safras de milho branco por ano.
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Em algumas épocas e regiões do Brasil, a cotação da saca de milho
branco pode ser até 50% superior à do milho tradicional. O auge da demanda
ocorre no período imediatamente anterior à Quaresma, pois a canjica é um
prato típico destas festividades.
No Brasil, o milho branco é bastante difundido nos estados do Paraná e
São Paulo, mas há também plantações isoladas nos estados de Santa
Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso. Entre os principais municípios
produtores estão Londrina, Irati e Pato Branco no Paraná, e Quadra - que é
considerada a "Capital do Milho Branco" - , Tatuí e Itapetininga em São Paulo.
Nos Estados Unidos, a produção de milho branco em 2004 correspondia
a 3% do total. Embora ainda minoritário, o milho branco tem ganho espaço no
mercado nos últimos anos, e a área plantada tem refletido o aumento na
demanda. Um dos motivos é que o mercado reconhece que ainda não existem
variedades trangênicas de milho branco, o que automaticamente aumenta seu
valor de mercado em nichos específicos.
Milho transgênico
Em relatório recentemente divulgado, notificou-se que determinado tipo
de milho transgênico (o MON 863) causou problemas em camundongos
(alterações no sangue e rins menores).
A variedade transgênica mais conhecida é desenvolvida pela Monsanto,
e é conhecida como RR GA21 (tolerante ao herbicida glifosato). Ela é utilizada
extensivamente nos Estados Unidos.
Outras empresas atuantes no ramo incluem a Syngenta e a DuPont. Em
1999, a Novartis foi a primeira empresa a receber autorização do governo
brasileiro para realizar testes no país com o milho transgênico BT, resistente a
insetos.
Segundo os produtores de sementes, o milho transgênico traz um
aumento médio de 8% na produtividade.
Nos EUA, mais de 70% do milho plantado são transgênicos.
A produção de variedades transgênicas na Argentina e no Brasil é crescente,
embora nem sempre a prática do cultivo dessas variedades seja legal.
Há também relatos de milho transgênico em Honduras (terra de origem
do milho), onde variedades transgênicas "contaminaram" as variedades locais.
No México, o milho transgênico também enfrenta séria oposição
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governamental: em 1998, foi proibida a experimentação, o cultivo e a
importação de milho transgênico.
O milho é um exemplo da manipulação de espécies pelo Homem, sendo
utilizado tanto pelos defensores quanto pelos opositores dos transgênicos. O
milho cultivado pelos índios mal lembra o milho atual: as espigas eram
pequenas, cheias de grãos faltando, e boa parte da produção era perdida para
doenças e pragas. Através do melhoramento genético, o milho atingiu sua
forma atual.
Os defensores dos transgênicos utilizam este exemplo para dizer que a
manipulação das características genéticas de vegetais não é novidade, e já foi
feita anteriormente, com muito menos controle do que atualmente. Os
opositores dos transgênicos utilizam o mesmo exemplo para defender que há
alternativas para a manipulação direta dos genes de espécies vegetais, técnica
à qual se opõem.
Nem sempre as remessas de milho importado dos Estados Unidos
chegam aos países da América Latina com rotulagem indicando isso aos
consumidores. Apesar disso, pesquisas mexicanas indicam que a
contaminação do milho nativo pode ter sido causada pela polinização acidental,
que talvez tenha ocorrido também em outros países centro-americanos.
Os milhos trangênicos, de propriedade de algumas poucas empresas, ao
entrar em contato com o ambiente natural, se espalham. Há casos nos Estados
Unidos em que um pequeno agricultor planta milho e depois precisa pagar
royalties, pois tais espigas eram transgênicas e estavam patenteadas por
grupos financeiros. Já que o milho transgênico está tomando o lugar com o
milho de verdade, natural, tais acontecimentos tem sido cada vez mais
comuns. Os ativistas que enfrentam os transgênicos tentam acabar com a
possibilidade de que, algum dia, uma pessoa faminta não possa plantar uma
espiga de milho porque esta pertence a alguma empresa.
O consumidor pode optar por não consumir milhos transgênicos se
procurar por o milho orgânico, já que os demais milhos não especificam o teor
do que está sendo vendido.
CULTIVO
O milho tem alto potencial produtivo, e é bastante responsivo à
tecnologia. O nível tecnológico da cultura está entre o médio e o alto. O cultivo
é idealmente mecanizado, e se beneficia bastante da técnica de plantio direto.
O plantio de milho é feito tanto na chamada
safrinha quanto na safra principal (ou seja, a safra de
verão). Na Região Sudeste do Brasil, o mês de
plantio mais indicado geralmente é setembro, mas o
plantio pode ser feito até em novembro. Dependendo
do mês de plantio, o espaçamento entre as linhas e a
quantidade de sementes por metro deve variar. O
ciclo do plantio varia entre 115 e 135 dias.
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A adubação deve ser feita conforme a análise do solo. O controle de
pragas e ervas daninhas só deve ser feito se necessário. Nem sempre há
necessidade de irrigação intensiva: pelo menos nas regiões tradicionalmente
produtoras, a precipitação é suficiente para as necessidades hídricas da planta.
Lavouras bem-sucedidas apresentam valor médio de germinação na
faixa de 95%. A produtividade média varia entre 250 e 350 sacas por alqueire.
Nas regiões de produtividade recorde do Brasil, há produtores que chegam a
alcançar 520 sacas por alqueire.
COLHEITA
Antes da Segunda Guerra Mundial, a maior parte do milho era colhida à
mão. Isso frequentemente envolvia grandes números de trabalhadores, e
eventos sociais associados. Um ou dois pequenos tratores eram utilizados,
mas as colheitadeiras mecânicas não foram utilizadas até o fim da guerra.
Na mão ou através da colheitadeira, a espiga inteira é coletada, e a
separação dos grãos e do sabugo é uma operação separada. Anteriormente,
isso era feito em uma máquina especial. Hoje, as colheitadeiras modernas têm
unidades de separação de grãos anexas. Elas cortam o milho próximo à base,
separam os grãos da espiga com rolos de metal, e armazenam somente os
grãos.
Características da planta
O milho pertence ao grupo das angiospermas, ou seja produz as
sementes no fruto. A planta do milho chega a uma altura de 2,5 metros,
embora haja variedades bem mais baixas. O caule tem aparência de bambu, e
as juntas estão geralmente a 50 centímetros de distância umas das outras.
A fixação da raiz é relativamente fraca. A espiga é cilíndrica, e costuma
nascer na metade da altura da planta.
Os grãos são do tamanho de ervilhas, e estão dispostos em fileiras
regulares presas no sabugo, que formam a espiga. Eles têm dimensões, peso
e textura variáveis. Cada espiga contém de duzentos a quatrocentos grãos.
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Dependendo da espécie, os grãos têm cores variadas, podendo ser
amarelos, brancos, vermelhos, azuis ou marrons. O núcleo da semente tem um
pericarpo que é utilizado como revestimento.
CULTIVO DE MILHO NO MUNDO
O milho é plantado aproveitando-se das chuvas da primavera. Seu
sistema de raízes é fraco, e a planta é dependente de chuvas constantes, ou
irrigação. Nos Estados Unidos, uma boa colheita é prevista tradicionalmente se
o milho está "na altura do joelho por volta de 4 de Julho", embora híbridos
modernos frequentemente excedam essa taxa de crescimento.
Milho utilizado como silagem é colhido enquanto a planta está verde, e o
fruto imaturo. De outro modo, o milho é deixado no campo até o outono, de
modo a secar. Às vezes, não é colhido até o inverno, ou até o início da
primavera. Em outras regiões e circunstâncias, são utilizados agrotóxicos para
secar o milho mais rápido, e aproveitar altas no preço do grão.
Na América do Norte, os campos são frequentemente plantados
utilizando a rotação de culturas com uma plantação fixadora de nitrogênio,
como feijão ou soja.
Em Portugal, a área cultivada é de cerca de 180 000 hectares. Os milhos
mais semeados são os híbridos, representando cerca de 71,4 % da área global
da cultura.
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CULTIVO DE MILHO NO BRASIL
Cultivado em todo o Brasil, o milho é usado tanto diretamente como
alimento, quanto para usos alternativos. A maior parte de sua produção é
utilizada como ração de bovinos, suínos, aves e peixes.
Atualmente somente cerca de 15% de produção brasileira se destina ao
consumo humano e, mesmo assim, de maneira indireta na composição de
outros produtos. Isto se deve provavelmente à falta de informação sobre o
milho e suas qualidades e ao costume culinário brasileiro de utilizar mais os
grãos de arroz e feijão.
Num país como o Brasil, com imensas áreas cultiváveis e com graves
problemas de desnutrição, mais do que simplesmente uma questão comercial,
o aumento do consumo de milho por parte da população é antes de tudo uma
solução social. É preciso um grande esforço por parte de todos na discussão e
apresentação de propostas sérias para reverter esta situação.
Ao lado da soja, a cultura de milho é uma das pontas-de-lança da
recente expansão da atividade agrícola brasileira. O cultivo de milho é
altamente beneficiado pela tecnologia e pelas inovações da pesquisa agrícola,
sendo um dos principais casos de sucesso da chamada revolução verde.
Além dos benefícios óbvios decorrentes da exportação (como a geração
de divisas para o país), a cultura de milho adquire importância estratégica
quando se leva em conta a vantagem de mercado que uma grande produção
nacional de milho traz para atividades agrícolas que usam a ração animal como
base, como a pecuária, a avicultura, a suinocultura e até a piscicultura.
Frequentemente, a área plantada não é suficiente para atender as
demandas do mercado interno, gerando problemas de abastecimento para a
indústria nacional. A solução para esse problema passa pelo expansão da área
plantada e pelo aumento da produtividade das áreas atualmente cultivadas.
Os estados líderes na produção de milho são São Paulo e o Paraná.
Afora o seu alto prestígio no agronegócio, o milho também é uma das
culturas mais cultivadas pela agricultura familiar brasileira, tanto para a
subsistência quanto para a venda local.
CULTIVO DE MILHO EM PORTUGAL
Cultivo de milho em Portugal faz-se essencialmente no Minho. Tanto que
teve influência na arquitectura e paisagem tradicional, existindo os tradicionais
Espigueiros em toda a região.
O milho é semeado entre Março e Junho, sendo a sua colheita em
Setembro.
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CLIMA E SOLO
Existe sempre uma preocupação em analisar as características
ambientais em termos da adequação ao uso que se tem em mente. Isto é da
mais alta relevância, porque a capacidade ambiental de dar suporte ao
desenvolvimento possui sempre um limite, a partir do qual todos os outros
aspectos serão inevitavelmente afetados. Em outras palavras, o uso e a
ocupação de uma determinada paisagem são condicionados pelas suas
características intrínsecas. Estas determinam as potencialidades de
uso/ocupação e a potencialização de conflitos de interesses.
Para qualquer análise do meio-físico, é necessário selecionar critérios
que permitam avaliar características ambientais importantes para o tema
enfocado. No caso presente, o interesse é uma análise das demandas da
cultura do milho, para se fazer um balanço com as ofertas ambientais, visando
uma produção sustentável. Ao proceder a essa análise, verifica-se que a planta
capta energia solar (radiação) e necessita de água e nutrientes para manter o
seu crescimento. Esses fatores ambientais são definidos principalmente por
clima e solo. Os fatores edafoclimáticos são referidos como os mais
importantes não só para o desenvolvimento das culturas, como também para a
definição de sistemas de produção.
O milho, assim como a maioria das culturas econômicas, requer a
interação de um conjunto de fatores edafoclimáticos apropriados ao seu bom
desenvolvimento. Assim, um solo rico em nutrientes teria pouco ou quase
nenhum significado para a cultura se esse mesmo solo estivesse submetido a
condições climáticas adversas ou, ainda, apresentasse características físicas
inadequadas
que
influenciariam
negativamente
na
condução
e
desenvolvimento da cultura, tais como: drenagem e aeração deficientes,
percolação excessiva, adensamento subsuperficial, pedregosidade excessiva,
profundidade reduzida, declividade acentuada, etc.
Em termos de solos, serão aqui discutidas algumas características
físicas mais importantes que, isoladas ou em conjunto, servirão para orientar a
escolha de um solo adequado para a cultura.
TEXTURA - Solos de textura média, com teores de argila em torno de
30-35%, ou mesmo argilosos, com boa estrutura, como os latossolos, que
possibilitam drenagem adequada, apresentam boa capacidade de retenção de
água e de nutrientes disponíveis às plantas, são os mais recomendados para a
cultura do milho.
Os solos arenosos (teor de argila inferior a 15%) devem ser evitados, devido à
sua baixa capacidade de retenção de água e nutrientes disponíveis às plantas.
Apresentam intensa lixiviação, perdem mais água por evaporação e são
normalmente mais secos.
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Alguns solos com tipo de argila expansiva (tipo montmorilonita) podem
apresentar forte agregação, prejudicando as condições de permeabilidade e a
livre penetração do sistema radicular, e devem também ser evitados.
PROFUNDIDADE EFETIVA - É a profundidade até a qual as raízes
podem penetrar livremente em busca de água e de elementos necessários ao
desenvolvimentos da planta. Sendo o milho uma planta cujo sistema radicular
tem grande potencial de desenvolvimento, é desejável que o solo seja profundo
( mais de 1m).
Os solos rasos, além de dificultarem, o desenvolvimento das raízes, possuem
menor capacidade de armazenamento de água, além de estarem sujeitos a um
desgaste mais rápido, devido à pouca espessura do perfil.
TOPOGRAFIA - Tendo em vista o controle da erosão e as facilidades de
mecanização, deve-se dar preferência às glebas de topografia plana e suave,
com declives até 12%.
Não há nenhuma parte da superfície terrestre sem vegetação devido à
pobreza dos solos. Há áreas, às vezes extensas, sem vegetação pela
deficiência de água ou por temperaturas muito baixas ou muito altas, pela
ausência de radiação, pelo excesso de sais, mas não pela deficiência de
nutrientes. Disso podem ser generalizados alguns princípios (Resende, 1997):


os elementos essenciais estão todos os solos, ainda que em
quantidades muito pequenas;
quanto à deficiência de nutrientes, a cultura do milho apresenta ampla
diversidade genética para adaptação a qualquer ambiente.
Assim, há abundância de plantas para enfrentar estresses nutricionais
ou hídricos, mas não simultaneamente os dois; por que não? Existem trabalhos
na literatura demostrando que a seca relaciona-se intimamente com a
eficiência na utilização de nitrogênio, ou seja, variedades de milho tolerantes à
seca podem também ser eficientes na absorção do nitrogênio. Em condições
de seca, o nitrogênio disponível no solo está na forma predominante de amônia
e a cultivar tolerante tem que ter mecanismo de eficiência na absorção de
nitrogênio nessa forma. A boa disponibilidade de água permite que plantas
exuberantes vivam em solos muito pobres, por meio de um eficiente
mecanismo de ciclagem.
A quantidade de água extraível pela planta depende do tipo de solo, ou
seja, da capacidade de retenção de água do solo, da profundidade efetiva de
extração, da solução do solo e da idade da planta. Na região tropical, a
literatura tem mostrado que a maior parte das raízes está nos primeiros 30 cm
de solos e as demais raízes raramente ultrapassam 60 cm. Nas regiões
temperadas, há informações de raízes ultrapassando a profundidade de 100
cm. Vale a pena ressaltar a disponibilidade de água do solo. Dados de vários
locais e diferentes tipos de solos têm mostrado que a quantidade de água no
solo não é limitante ao desenvolvimento da cultura até quando o teor de água
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extraível for superior a 30% e, abaixo desse valor, o consumo relativo de água
decresce linearmente.
Embora o milho responda à interação de todos os fatores climáticos,
pode-se considerar que a radiação solar, a precipitação e a temperatura são os
de maior influência, pois atuam eficientemente nas atividades fisiológicas
interferindo diretamente na produção de grãos e de matéria seca. No Brasil,
pela sua continentalidade, observa-se que os fatores que afetam a estação de
crescimento da cultura de milho variam com a região. Nas regiões temperadas
e subtropicais, a limitação maior se deve à temperatura do ar e a radiação
solar, sendo os limites extremos variáveis com microrregiões agroclimáticas.
No Brasil Central, a precipitação tem um papel de destaque, inclusive afeta
indiretamente o regime de radiação pois altas chuvas implicam na baixa
radiação solar que chega na superfície. Inclusive, milhos adaptados a elevadas
taxas de radiação sofrem, nessas regiões, drástica alteração no seu
metabolismo e, consequentemente, alteração no seu potencial de produção.
A temperatura tem um papel de destaque principalmente nas regiões Sul
e Nordeste, daí ser vasta a literatura mostrando o efeito da temperatura do ar e
do solo no crescimento e desenvolvimento da cultura do milho. Fancelli &
Dourado Neto (2000) citam que, quando a temperatura do solo é inferior a 10ºC
e superior a 40ºC há prejuízo sensível à germinação e que o ideal seria entre
25 e 30ºC. Por ocasião da floração, temperaturas medias superiores a 26 ºC
aceleram o desenvolvimento dessa fase e inferiores a 15,5 ºC o retarda. Cada
grau acima da temperatura media de 21,1, nos primeiros 60 dias após a
semeadura, pode acelerar o florescimento dois a três dias. Quando a
temperatura é acima de 35 ºC, devido a diminuição da atividade da redutase do
nitrato, o rendimento e a composição protéica do grão podem ser alterados.
Temperaturas acima de 33 ºC durante a polinização reduzem sensivelmente a
germinação do grão de pólen. Verão com temperatura média diária inferior a
19ºC e noites com temperatura média inferior a 12,8 ºC não são recomendados
para produção de milho. Temperaturas noturnas superiores a 24ºC
proporcionam um aumento da respiração de tal forma que a taxa de
fotossimilados cai e, com isso, reduz a produção. Redução da temperatura
abaixo de 15ºC ocasiona retardamento na maturação do grão.
Por pertencer ao grupo de plantas C4, a cultura do milho responde com
elevados rendimentos ao aumento da intensidade luminosa. O milho, dentre as
plantas do tipo C4, é uma das que possuem um mecanismo foliar interno para
utilização muito eficiente de CO2, por folha individualmente, porem a eficiência
do dossel não é maior que 10%. Necessita-se mais pesquisa sobre a influência
do microclima nas condições de crescimento.
A maior sensibilidade à variação de radiação ocorre no início da fase
produtiva, ou seja, nos primeiros 15 dias após o pendoamento, densidade dos
grãos. Uma redução de 30 a 40% da intensidade luminosa ocasiona atraso na
maturação dos grãos, principalmente em cultivares tardias, que mostram-se
mais carentes de luz. A maior sensibilidade à variação de luz ocorre no início
da fase reprodutiva. O aproveitamento efetivo de luz pelo milho depende muito
da estrutura da planta, principalmente da distribuição espacial das folhas. É
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importante que se tenha uma distribuição espacial das plantas na área de
modo que o número de plantas não exceda a 65.000 pl/ha. Sabe-se que a
arquitetura da planta tem um papel muito importante. O milho apresenta uma
taxa fotossintética muito elevada, podendo atingir taxa maior que 80 mg.dm-2h1 . O milho apresenta taxa fotossintetica maior que qualquer outra espécie e
nunca satura, mesmo em elevada irradiancia.
O milho, por razões principalmente economicas, é plantado na maioria
das áreas, no perído chuvoso, ou seja, é uma cultura típica de sequeiro.
Portanto, conhecer o número de dias secos consecutivos é de muita
importância na determinação da época de plantio. Dias secos são
considerados como sendo aqueles em que a precipitação é inferior a 5 mm. A
literatura tem mostrado que as máximas produtividades ocorrem quando o
consumo de água durante todo o ciclo está entre 500 e 800mm e que a cultura
exige um mínimo de 350-500 mm para que produza sem necessidade de
irrigação. Na cultura do milho, em condições de clima quente e seco, o
consumo de água raramente excede 3 mm/dia, quando a planta apresenta em
torno de 30 cm de altura e, no período que vai da iniciação floral a maturação,
pode atingir valores de 5 a 7 mm/dia.
Em resumo, o uso consultivo de água pela cultura é função das
características físico-hídricas do solo e da demanda de água pela atmosfera.
Portanto, a interação clima e solo tem um papel primordial no processo
produtivo de uma cultura. Enquanto o conteúdo de água no solo não atinge um
teor critico que, para a cultura do milho, está em torno de 30% da água
extraível, o que governa o consumo de água pela cultura são as condições
climáticas. A partir desse limite crítico, o que define o consumo são as
condições físico-hídricas do solo.
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AUTOR: ENGENHEIRO AGRÔNOMO ALÍPIO LUÍS DIAS CREA