UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA GRAZIELLA CARDOSO PADOVEZI Haemoproteus sp. e Plasmodium sp. EM POMBOS DOMÉSTICOS (Columba livia domestica): REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E RELATO DE CASO São Paulo 2010 GRAZIELLA CARDOSO PADOVEZI Haemoproteus sp. e Plasmodium sp. EM POMBOS DOMÉSTICOS (Columba livia domestica): REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E RELATO DE CASO Monografia apresentada para a obtenção do título de pós-graduada em Patologia Clínica Veterinária do Curso de Pós-graduação em Medicina Veterinária da Universidade Castelo Branco sob orientação da Profa. Dra. Nádia Regina Pereira Almosny. São Paulo 2010 GRAZIELLA CARDOSO PADOVEZI Haemoproteus sp. e Plasmodium sp. EM POMBOS DOMÉSTICOS (Columba livia domestica): REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E RELATO DE CASO Foi analisado e aprovado com grau................................................... São Paulo,____de___________de______. ______________________________ Prof. Orientadora Nádia Regina Pereira Almosny UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO QUALITTAS São Paulo 2010 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por mais uma oportunidade oferecida. Á minha professora e orientadora Nádia Almosny, me sinto honrada em tê-la como minha orientadora. Obrigada pelos conselhos, atenção e todos ensinamentos! Á minha amiga e companheira de trabalho, Roberta Consani, sem ela este trabalho não existiria. Obrigada pela confiança e por sempre estar ao meu lado e por sempre me ajudar pacientemente sem nunca perder o bom humor! Á minha amiga de todas as horas, Vivian Massarotto, obrigada por todas as noites em claro que ficou comigo pesquisando e me ajudando, as suas palavras de apoio e otimismo me ajudaram a concluir mais uma fase de minha vida. Ao Msc. Guilherme Augusto Marietto Gonçalves pelo envio de textos e auxílio. Aos meus pais pelo apoio e incentivo. ―Não importa se os animais são incapazes ou não de pensar. O que importa é que são capazes de sofrer.‖ Jeremy Bentham (1748-1832) RESUMO Os hemoparasitas dos gêneros Haemoproteus , Plasmodium e Leucocytozoon são um dos parasitas intracelulares mais freqüentes e descritos em aves, conhecidos também por parasitas Haemosporideos. Transmitidos por insetos hematófagos, os parasitas podem causar, dependendo da infecção, anemia severa, perda de peso e morte, sendo a maioria das aves parasitadas assintomáticas. O diagnóstico é feito pelo esfregaço confeccionado com amostras de sangue periférico.Por meio do presente trabalho visou-se relatar o caso de um pombo doméstico (Columba livia domestica), socorrido na rua após ter sido atropelado e portador de ectoparasitas do gênero Pseudolynchia. Coletou-se uma amostra de sangue da veia ulnar para a realização do hematócrito, proteínas plasmáticas totais, e esfregaço sanguíneo para diagnóstico de uma possível hemoparasitose. Após a coleta o animal veio a óbito. Ao avaliar-se o esfregaço sanguíneo observaram-se formas parasitárias intraeritrocitárias. Concluiu-se tratar de um hematozoário.O pombo chegou à clínica apresentando paralisia de membros, dispnéia e emaciado. Palavras-chave: pombo doméstico, hemoparasita, insetos hematófagos, Columba livia domestica, Haemoproteus , Plamodium. ABSTRACT The hemoparasites of the genera Plasmodium , Haemoproteus and Leucocytozoon are one of the most common intracellular parasites and more frequently reported in birds, known as Haemosporideos. Transmitted by blood sucking insects, depending on the infection, the parasites can cause severe anemia, weight loss and death, and most parasitized birds are asymptomatic.The diagnosis is made by blood smear of peripheral blood samples. The present work describes a brief bibliographic review and report a case of a domestic pigeon (Columba livia domestica), rescued in the street after been hit by a car hit and it was carrying ectoparasites of the genus Pseudolynchia.It was collected a sample of blood from the region of the wing, the ulnar vein so we could do the hematocrit, total plasmatic proteins, and blood smear for a diagnosis of a possible hemoparasite. After the blood collection the animal died. Looking the blood film it showed intra erythrocytic parasitic forms. It was concluded that was a hemoparasite.The pigeon came to the clinic showing limb paralysis, dyspnea and emaciated. Key-words: domestic pigeon, hemoparasite, blood sucking insects, Columba livia domestica, Haemoproteus , Plasmodium. LISTA DE FIGURAS Figura 1........................................................................................................................................26 Figura 2........................................................................................................................................27 Figura 3........................................................................................................................................28 Figura 4........................................................................................................................................29 Figura 5........................................................................................................................................29 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO..................................................................................................................... 10 2.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................................11 2.1 Haemoproteus spp...................................................................................................12 2.1.1 Etiologia.................................................................................................12 2.1.2 Ciclo de Vida.........................................................................................12 2.1.3 Sinais Clínicos........................................................................................14 2.1.4 Patogenia................................................................................................15 2.1.5 Diagnóstico............................................................................................15 2.2 Plasmodium sp........................................................................................................17 2.2.1 Etiologia.................................................................................................17 2.2.2 Ciclo de Vida.........................................................................................18 2.2.3 Sinais Clínicos........................................................................................19 2.2.4 Patogenia................................................................................................20 2.2.5 Diagnóstico............................................................................................21 2.3 Leucocytozoon sp....................................................................................................23 2.3.1 Etiologia.................................................................................................23 2.3.2 Ciclo de Vida.........................................................................................23 2.3.3 Sinais Clínicos........................................................................................24 2.3.4 Patogenia................................................................................................25 2.3.5 Diagnóstico............................................................................................25 3. RELATO DE CASO...............................................................................................................26 4. DISCUSSÃO...........................................................................................................................30 5. CONCLUSÃO.........................................................................................................................32 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................................34 10 1. INTRODUÇÃO O pombo comum, cujo nome científico é Columba livia domestica, é uma espécie de ave exótica que foi introduzida no Brasil no século XVI. Encontradas em grande número nos centros urbanos, onde se adaptaram muito bem, devido à facilidade de encontrar alimento e abrigo. Em muitos países, os pombos são considerados como pragas, sendo um transmissor de várias doenças aos seres humanos. Várias espécies de parasitos podem acometer os pombos, como as pulgas e piolhos ectoparasitas e endoparasitas sendo alguns microscópicos, como os protozoários sanguíneos e outros, macroscópicos. Entre os hemoparasitas mais estudados e mais frequentes nos pombos, estão o Plasmodium sp., Haemoproteus sp. e Leucocytozoon sp. A primeira vez que se foi observado um Hemosporídeo aviário em sangue periférico foi em 1885 por Danilewsky, e provavelmente foram as espécies de Haemoproteus e Plasmodium de corujas e corvos, na Europa Central. As espécies de Haemoproteus foram observadas em um esfregaço sanguíneo, presente com outros parasitas intra-eritrocitários pelo zoologista russo V.Ya. Danilewsky como ―claro, com vacúolos transparentes, variável na forma e tamanho, e com a presença de grânulos de coloração preta brilhante‖ (HEWITT, 1940). A malária aviária é uma doença comum de aves transmitida por mosquitos parasitados pelo protozoário do gênero Plasmodium. As espécies de Plasmodium são semelhantes morfologicamente e no desenvolvimento ao gênero Haemoproteus e Leucocytozoon (ATKINSON, 2008), se diferenciando quanto à reprodução assexual (merogonia) na circulação sanguínea. As espécies de Plasmodium e Leucocytozoon são capazes de causar anemia severa, perda de peso e morte em determinadas aves, sendo aves jovens mais suscetíveis. As aves que sobrevivem desenvolvem uma imunidade contra a re-infecção, não apresentando mais sinais da doença, servindo assim como reservatórios (WISCONSIN, YUILL, 1999). O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de hemoparasitos em pombo, assim como realizar uma breve revisão de literatura. 11 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Hemosporídeos são parasitas protozoários microscópicos e intracelulares encontrados na circulação sanguínea e em tecidos de repteis, mamíferos, anfíbios e aves,e tem como vetores mosquitos sugadores de sangue da ordem Díptera . Há três gêneros estreitamente relacionados, Plasmodium, Haemoproteus e Leucocytozoon, os quais são comumente encontrados em aves selvagens. Muitos parasitas impedem o crescimento de pombos, seu desenvolvimento e produtividade e muitas vezes levam a óbito, principalmente os filhotes (FATIHU et al, 1991). Os Hemosporídeos são o grupo de protozoários mais estudados, por incluírem o agente da Malária, uma das doenças que mais acomete os seres humanos em regiões de climas quentes. Os Hemosporídeos aviários têm um papel importante no estudo da Malária humana, servindo como estímulo para o desenvolvimento da parasitologia. Estudos como ciclo de vida, cultivo in vitro desenvolvimento da quimioterapia, vacinação, e outros projetos foram inicialmente realizados em Hemosporídeos aviários (VALKIUNAS, 2005). Haemoproteus e Plasmodium são encontrados no mundo todo (WALDENSTROM, et al,2002), com grande diversidade de espécies. Mais de 120 espécies de Haemoproteus já foram documentadas em aves (BERMUDEZ, 2003). 12 2.1 Haemoproteus spp 2.1.1 Etiologia Haemoproteus é o protozoário mais comum de se encontrar em aves, sendo em algumas famílias como Fringilidae, Columbidae, e Phasinidae mais suscetíveis a infecção havendo maior prevalência da doença. Em 2001, Adriano e Cordeiro relataram ocorrência de 90% de pombos infectados por Haemoproteus columbae na cidade de Junqueiropólis/SP. O gênero Haemoproteus pertence ao filo Apicomplexa, ordem Haemosporina,à família Plasmodidae, e são definidos principalmente pelo seu desenvolvimento intraeritrocitário e produção de grânulos refrangentes de pigmento marrom ou preto que são provenientes da digestão da hemoglobina, e caracterizados também pela ausência de reprodução assexuada na circulação sanguínea (PIERCE, 2000). Em 1906, descobriu-se que Haemoproteus columbae,parasita de pombos e codornas, era transmitido pela picada de mosquitos hematófagos, da família Hippoboscidae, e em 1957,Fallis e Wood, descobriram que mosquitos da família Ceratopogonidae, do gênero Culicoides podiam transmitir outras espécies de Haemoproteus. 2.1.2 Ciclo de Vida Os parasitas se desenvolvem em dois grupos de hospedeiros, os vertebrados (aves), e vetores invertebrados (mosquitos hematófagos) (VALKIUNAS, 2005). O ciclo complexo do Haemoproteus envolve tanto a reprodução sexuada (gametogênese e fertilização) como a assexuada (esporogonia) no vetor (hospedeiro definitivo) e reprodução assexuada (merogonia) no hospedeiro aviário (hospedeiros intermediários), (ATKINSON, 2008). 13 Mosquitos picadores (Diptera: Ceratopogonidae) e moscas Hipoboscidas são os vetores de transmissão de Haemoproteus para as aves. A Pseudolynchia canariensis (mosca do pombo), pertence à família dos Hipoboscídeos, considerado como um ectoparasita comum dos pombos, tanto os adultos machos como as fêmeas se alimentam do sangue do hospedeiro. São adaptados para se moverem e viverem nas penas dos pombos. As moscas do pombo não conseguem sobreviver nos humanos e não há relatos que possam transmitir doenças à eles.São eles os responsáveis pela produção de esporozoítos, que irão transmitir o protozoário Haemoproteus columbae (SOULSBY,1969). Gametócitos se desenvolvem em eritrócitos maduros. A merogonia não ocorre em células sanguíneas (VALKIUNAS, 2005).O desenvolvimento de gametócitos ocorre nos eritrócitos circulantes (CAMPBELL,1995, BERMUDEZ,2003). O ciclo sexual começa quando o vetor retira de um hospedeiro intermediário sangue infectado contendo maturação do parasita, macrogametócitos femininos e microgametócitos masculinos. Continua a fase sexual agora no vetor, a gametogênese e fertilização, e esse produz um zigoto chamado oocineto. Os oocinetos irão penetrar na parede do intestino e irão se desenvolver na lâmina basal como oocistos esféricos durante a fase assexuada da esporogonia (ATKINSON, 2008). Os oocistos no Haemoproteus columbae podem alcançar 40 μm ou até mais em diâmetro (VALKIUNAS, 2005). Durante o desenvolvimento dos oocistos na esporogonia numerosos esporozoitos são formados. Após maturação dos oocistos, os esporozoitos se movem e penetram na glândula salivar do vetor. Os esporozoitos são a forma infectante para as aves. Merogonia exoeritrocitica ocorre nas células endoteliais das aves e provavelmente em macrófagos, enquanto que em certas espécies também ocorre em miofibroblastos. A transmissão ocorre quando esporozoitos são então através da secreção salivar do hospedeiro vetor inoculado no hospedeiro vertebrado, as aves (VALKIUNAS, 2005). Os esporozoitos agora transmitidos às aves iniciam o desenvolvimento dos merontes exoeritrociticos na circulação sanguínea (WENYON, 1926; MOHAMMED, 1967; BAKER, 1966; BRADBURY and GALLUCI, 1972; AHMED and MOHAMMED, 1977; ATKINSON et al., 1986). 14 Os merontes são frequentemente encontrados no pulmão, enquanto que no fígado, baço, coração, musculatura esquelética, rins e outros órgãos são menos freqüentes (VALKIUNAS, 2005). Nos pombos, o Haemoproteus columbae penetra nas células endoteliais no pulmão, onde sofrem desenvolvimento pré-eritrocitico para formar os merontes de paredes finas, ovais ou ramificados que irão se encontrar ao longo dos capilares pulmonares (MOHAMMED, 1965; GARNHAM,1966; GARVIN et al,2003; VALKIUNAS,2005). Na circulação sanguínea ocorrerá então a merogonia (reprodução assexuada) originando os gametócitos, tornando-se infectante para as aves, 7-10 dias após invasão da circulação sanguínea.A parasitemia atinge seu pico máximo na circulação após 21 dias da infecção,e quando há baixa intensidade de parasitemia,em 7 dias a infecção cai (ATKINSON,2008). Mais do que um (às vezes até 15) merozoítos podem penetrar um único eritrócito. Infecção múltipla em um eritrócito por diversos parasitas é uma das avaliações da intensidade da parasitemia. Quando a intensidade da infecção aumenta, a probabilidade dos merozoítos penetrarem as células aumenta. Normalmente não mais que dois parasitas ganham maturidade (VALKIUNAS, 2008). Cada hospedeiro varia a infecção, dependendo do início da fase aguda, e parece estar influenciada pela imunidade, mudanças climáticas no fotoperíodo, e nas mudanças hormonais durante a fase reprodutiva (ATKINSON,2008). 2.1.3 Sinais Clínicos Apenas algumas espécies de Haemoproteus podem causar sinais clínicos da doença, como H.meleagridis, H. netionis, H. columbae, em perus, patos e gansos, e pombos e codornas, respectivamente (CARDONA ,et al, 2002; PIERCE,2003). O Haemoproteus é normalmente considerado um hemoparasita de forma benigna, que causa pouco ou nenhum sinal clínico (BENETTI, et al,1993; MACWHIRTER,1994). Quando há sinais evidentes ocasionados pelo Haemoproteus, é mais comumente associado à anemia devido à fase eritrocítica do parasitismo (CARDONA, et al,2002). No entanto, em um 15 trabalho feito por DONOVAN, et al em 2008, ficou evidente a mortalidade devido a fase préeritrocítica, estágios de megalosquizontes, os quis resultaram em hemorragia hepática, necrose e hepatite. Sinais de infecção em pombos incluem fraqueza, anorexia e anemia (ACTON & KNOWLES, 1914; COATNEY, 1933). Uma alta infecção pelo H. columbae em pombos domésticos pode ser fatal (COATNEY, 1933). Na maioria das vezes é impossível de se observar sinais da doença em pombos, mesmo quando muito infectados uma vez que a intensidade da parasitemia pode chegar a 50% dos eritrócitos infectados (AHMED and MOHAMMED, 1978). 2.1.4 Patogenia Hepatomegalia e esplenomegalia associados à hiperplasia das células linfóidesmacrófagos são as principais patogenias dos Hemosporídeos. Em casos de infecções maciças, uma grande quantidade de pigmento insolúvel se acumula nos macrófagos do baço e fígado tornando-os de cor enegrecida (VALKIUNAS, 2008). Histologicamente, esquizontes podem ser encontrados em células endoteliais do fígado (SCHMIDT et al, 2003). Em um estudo feito com dois pombos que morreram repentinamente, foi verificada congestão generalizada, pontos necróticos observados nas fibras musculares, músculos do peito e no músculo das asas e das patas. Petéquias e equimose também foram observadas (BENNETT, et al,2003). 2.1.5 Diagnóstico O diagnóstico de Haemoproteus columbae é feito por esfregaços sanguíneos de sangue periférico, aonde se detecta gametócitos intra-eritrocitários, corados geralmente por Panótico Rápido ou Giemsa. 16 Apenas o estágio de gametócitos irá aparecer no sangue, enquanto que os esquizontes se encontram em tecidos, como fígado, pulmão e baço (SOULSBY, 1982). Os gametócitos maduros contêm grânulos de pigmento amarelo-amarronzado refrateis, o mesmo ocupa quase que 50% de todo eritrócito circundando o núcleo, o que muitas vezes ocasiona no seu desvio (CAMPBELL, 1994). A parede fina ovalada dos merontes, que são características de algumas espécies de aves Columbiformes são similares aos estágios tissulares, tanto no Plasmodium como no Leucocytozoon. Megalomerontes do Haemoproteus são difíceis de distinguir dos megalomerontes do Leucocytozoon (LEVINE, et al ,1970; BORST and ZUART,1972; FOWLER and FORBES, 1972; WALKER and GARNHAM,1972; HARTLEY, et al, 1981; SIMPSON,1991; PENNYCOT, et al, 2006). Graczyk et al em 1994, retirou extratos do antígeno do Plasmodium e os usou para fazer um teste ELISA, para H.columbae em pombos. A especificidade e sensibilidade desse teste usado, entretanto, não são conhecidas nem confiáveis, mas podem se tornar úteis em dar um diagnóstico em aves com baixas infecções (ATKINSON,2008). Métodos moleculares estão começando a ser aplicados na Medicina Veterinária, para a diferenciação dos gêneros e identificação do parasita. Por serem altamente sensíveis, estão sendo úteis para diagnosticar aves com baixa infecção (HELLGREEN, et a,2007; VALKIUNAS, et al ,2007). 17 2.2 Plasmodium sp 2.2.1 Etiologia Os plasmódios aviários são considerados parasitos de grande importância por serem utilizados extensivamente como modelos ecológicos de sistemas hospedeiro/parasito (HAMILTON e ZUK, 1982; ATKINSON e VAN RIPER III, 1991), além de servirem como modelo para o estudo da malária humana. A malária aviária, como é mundialmente conhecida, é uma doença infecciosa, por várias espécies de parasitos sanguíneos do gênero Plasmodium acometendo aves de diversas espécies, gêneros e famílias. Além das aves, os plasmódios são encontrados entre répteis, seres humanos e outros mamíferos. Estes parasitos pertencem ao filo Apicomplexa, classe Sporozoae, ordem Haemosporina,família Plasmodidae, gênero Plasmodium,sendo agrupados em 14 subgêneros, assim distribuídos: sete subgêneros ocorrem em répteis (TELFORD, 1984), três subgêneros em mamíferos, quatro subgêneros em aves (GARNHAM, 1960), sendo eles, Haemamoeba, Giovannolaia, Novyella e Huffia. . A maior diversidade de espécies de Plasmodium foi documentada em Galliformes, Columbiformes e Passeriformes (VALKIUNAS, 2005). Entre as aves domésticas, Plasmodium durae, P.juxtanucleare e P.gallinaceum, são os mais freqüentes e geralmente os responsáveis por uma intensa infecção. Não apenas as aves jovens como as adultas podem morrer em decorrência da Malária (GARNHAM, 1980, HUCHZERMEYER, 1993). A identificação das espécies de malária é baseada normalmente nas características morfológicas dos estágios intra-eritrociticos (MANWELL, 1936). Foi em 1889, descrito por DANILEWSKY, feito as primeiras observações sobre as características das lesões da malária aviária. 18 Todas as espécies de Plasmodium são transmitidas por mosquitos, pertencentes, principalmente, à família Culicidae (SAIF, 2003). 2.2.2 Ciclo de Vida Os parasitas do gênero Plasmodium provocam a presença de pigmentos nos eritrócitos das aves infectadas. Esquizogonia ocorre na circulação sanguínea, e os gametócitos são encontrados em eritrócitos maduros (SAIF, 2003). Os plasmódios aviários irão primeiramente se desenvolver nos mosquitos da família Culicidae, dos gêneros Culex, Aedes,sendo raro em Anopheles, sendo apenas as fêmeas que irão transmitir o parasita aos seus hospedeiros. O mosquito após picar a ave contaminada com gametócitos do parasita, ocorre a formação do gameta, o desenvolvimento do oocisto e a esporogonia, tendo agora como forma infectante para outra ave hospedeira, os esporozoítos (SAIF,2003). O desenvolvimento do parasita na ave hospedeira pode ser dividido em merogonia exo-eritrocítica (constituídos por uma primeira geração, os criptozoítos e metacriptozoítos), merogonia eritrocítica e formação de gametócitos. Os merozoítos formados na geração dos criptozoítos irão induzir a formação do parasita nos eritrócitos jovens e/ou maduros, sendo agora chamados de trofozoítos (conhecidos pela forma anelar na maioria das espécies) (VALKIUNAS, 2008). A presença do parasita no sangue e em tecidos do sistema monocítico fagocitário (SMF) pode ocorrer resultando em uma fase exo-eritrocítica secundária, invadindo vários órgãos como fígado, baço, rim e células endoteliais do pulmão, sendo esses casos, responsáveis talvez por uma subsequente intensa parasitemia (SAIF,2003). O pigmento da malária ou também conhecido como hematozoina é formado pela digestão da hemoglobina do eritrócito pelo parasita, e sua coloração varia do bronze amarronzado para o preto (ATKINSON, 2008). A destruição dos eritrócitos durante o desenvolvimento de Plasmodium sp está também associada com o desenvolvimento de diversos merontes eritrocíticos. A composição 19 química do plasma sanguíneo é também alterada, o que aumenta os efeitos da destruição dos eritrócitos (SEED and MANWELL, 1977). Após ocorrer diversos ciclos assexuados alguns merozoítos se diferenciam em gametócitos e aguardam pela ingestão de um novo mosquito, e quando isso ocorre irão formar gametas através da gametogênese (SAIF, 2003).Os gametócitos maduros escapam dos eritrócitos quando em contato com o mosquito, após os gametas serem produzidos, a fertilização ocorrer, há a formação do oocisto.Os oocistos se submetem à uma reprodução assexuada chamada esporogonia produzindo diversos esporozoítos e se direcionam às glândulas salivares do mosquito vetor, iniciando assim uma nova transmissão do parasita através do mosquito vetor para um novo hospedeiro,a ave (ATKINSON,2008). 2.2.3 Sinais Clínicos A malária aviária é uma doença de aves de vida livre e aves mantidas em condições de cativeiro (GRIM et al., 2003),sendo sua ocorrência e as conseqüências de infecções por Plasmodium sp em seus hospedeiros têm sido extensivamente estudadas em aves de vida livre. Vários estudos sobre a ocorrência do plasmódio em aves têm sido realizados em várias partes do mundo, incluindo América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e África (VAN RIPER III, 1994; DEVICHE et al., 2001; WALDENSTROM, et al., 2002; MURATA, et al., 2002). Aves infectadas apresentam-se geralmente anêmicas, letárgicas, anoréxicas, e apresentam suas penas eriçadas (ATKINSON, 2008). A malária aviária causada pelo P.juxtanucleare, em galinhas (gallus gallus) caracteriza-se por altas taxas de morbidade e mortalidade podendo-se observar sintomatologia necrosa com paralisia em aves infectadas experimentalmente causada por lesões do tipo necrótica ou inflamatória no cérebro e medula espinhal, ou por efeitos do parasito e seus produtos metabólicos no Sistema Nervoso Central (AL DABAGH, 1961). Em um estudo feito em um sítio localizado em Campos das Vertenges, estado de Minas Gerais, foram analisadas 25 aves mestiças de criação rústica onde 100% apresentaram infecção por Plasmodium juxtanucleare, mas nenhuma ave apresentava sintomatologia clínica (SANTOS-PREZOTO,et al, 2004). 20 Já em perus adultos, infectados por P.durae exibem alguns sinais clínicos como letargia, anorexia e muitas vezes desenvolvem hipertensão pulmonar como consequência de uma hipóxia arterial pulmonar (HUCHZERMEYER, 1988). Foi verificado experimentalmente por Atkinson et al (2000), que aves infectadas por P. relictum apresentaram significante declínio no consumo de alimentos e perda de peso após 60 dias de infecção. A malária em aves de cativeiro vem sendo identificada como a causa de morte na presença de sinais clínicos como anorexia, depressão, dificuldade respiratória e com parasitemia alta (BELO, 2007). A recuperação de uma infecção aguda por malária pode beneficiar um indivíduo e conferir resistência à re-infecção com isolados homólogos do parasito. A resistência à infecção de parasitos sanguíneos em aves também pode ser genética ou pode variar em certas localidades. A resistência pode ainda estar associada à idade (SCHUTLER et al., 1995). 2.2.4 Patogenia A patogenicidade costuma ser baixa e as aves parasitadas raramente manifestam sinais de doença, no entanto, é possível observar sinais clínicos da infecção em algumas espécies de aves, como pombos e codornas, em filhotes de aves e em aves acometidas por outras doenças que possivelmente, causem imunodeficiência (CAMPBELL, 2007) As lesões causadas em infecções agudas por Plasmodium incluem sangue ralo, na avaliação post-mortem há o aumento e descoloração do fígado e baço pela deposição do pigmento malárico nos macrófagos (ATKINSON, 2008), edema pulmonar, hidropercárdio, e presença do parasito no sistema reticulo - endotelial (GRIM, et al,2003). O desenvolvimento de lesões grosseiras corresponde ao aumento da parasitemia, hemólise intravascular dos eritrócitos infectados contendo os merontes maduros, a fagocitose desses eritrócitos e a fragilidade dos outros eritrócitos ainda não parasitados (AL-DABAGH, 1966; SEED and KREIER, 1972; VAN RIPER et al, 1994; WILLIAMS, 2005). 21 Lesões hepáticas causadas por Plasmodium sp, incluem hepatomegalia e, particularmente em falcões uma descoloração do órgão tornando-o acinzentado.Esquizontes exoeritrocitários podem ser encontrados em algumas células inflamatórias (SCHMIDT,et al, 2003). 2.2.5 Diagnóstico A maioria dos estudos feitos com Plasmodium sp utiliza como método de diagnóstico o esfregaço sanguineo para quantificar os hemoparasitos. As espécies são tradicionalmente definidas pelo tamanho e forma dos gametócitos intra-eritrocitários e os merontes,os números dos merozoítos produzidos pelos merontes maduros, mudanças na morfologia dos eritrócitos do hospedeirom e outras caracteristicas biologicas como suscetibilidade das espécies frente aos mosquitos, morfologia e localização dos merontes exoeritrocitarios (GARNHAM,1966; VALKIUNAS,2005). Quando os merontes não estão presentes dentro dos eritrócitos, torna-se dificil a diferenciação dos gametócitos do Plasmodium para aqueles do Haemoproteus,embora gametócitos de Haemoproteus são geralmente maiores do que os gametócitos de Plasmodium (ATKINSON,2008). Recentemente,foram realizadas tentativas para o desenvolvimento da tecnologia molecular para se tornar mais rápido e mais confiável. Estudos com reação em cadeia de polimerase, (PCR) são realizados para a detecção da cadeia da malária aviária, e para visualizar infecções subpatentes que não puderam ser observadas na microscopia (FELDMAN et al., 1995; Li et al., 1995; PERKINS et al., 1998; BENSCH et al., 2000; JARVI et al., 2002; RICHARD et al., 2002.. Pesquisas têm demonstrado que o PCR é uma técnica mais sensível do que o exame microscópio de esfregaços sanguíneos para a detecção de Plasmodium spp. no sangue de mamíferos, répteis e aves (FELDMAN et al., 1995; PERKINS et al., 1998; RIBEIRO et al., 2005). 22 Técnicas sorológicas também foram estudadas (ATKINSON, DUSEK, et at, 2001), sendo essas técnicas mais sensíveis que o PCR (JARVI,et al, 2002),a sorologia reconhece melhor os anticorpos da malária do que a detecção do parasita por si só. Recentes progressos no diagnóstico molecular têm ocorrido, e eventualmente, pode ser possível em um futuro próximo, identificar as espécies de Plasmodium baseado na linhagem mitocondrial (VALKIUNAS, et al, 2007). 23 2.3 Leucocytozoon sp 2.3.1 Etiologia Há diversas espécies de Leucocytozoon, mas poucas são conhecidas por serem patogênicas aos seus hospedeiros. O grupo de risco entre as aves incluem as aves aquáticas, pombos, galliformes, e os avestruzes (BENNETT, et al,1993; VALKIUNAS,2005). O Leucocytozoon pertence ao filo Apicomplexa, classe Coccidia (LEUCKART, 1879) ordem Haemosporina, família Plasmodidae (LEVINE,et al, 1971). A descrição das espécies são baseadas normalmente na morfologia dos gametócitos na circulação sanguínea, estudos dos estágios exoeritrociticos (merontes ou esquizontes) também são verificados e analisados (FORRESTER, et al,2008), embora VALKIUNAS (2005) cita muitos problemas em se fazer isso,entre eles, a maioria das vezes a infecção pelo parasita é baixa e os gametócitos geralmente são destruídos quando não se tem cuidado na preparação do esfregaço sanguíneo. Há em torno de 143 espécies relatadas de hospedeiro específico,sendo que,a espécie Leucocytozoon marchouxi é o mais encontrado em pombos, e raramente se apresenta patogêncio (PIERCE, et al,1997; VALKIUNAS,2005). 2.3.2 Ciclo de Vida O ciclo de vida requer dois hospedeiros. a esporogonia em insetos (ordem Diptera), esquizogonia (merogonia) e gametogonia ocorrem nos tecidos ou nas células sanguínea, em hospedeiros vertebrados (BERMUDEZ, 2003). Os esporozoitos (forma infectante) são inoculados pelos insetos vetores na ave hospedeira, e esses irão penetrar nas células hepáticas aonde ocorrerá a primeira geração, os merontes,crescem, ocorrem divisões nucleares, para formação dos merozoítos (FORRESTER, et al, 2008), que irão invadir linfócitos e outros leucócitos mononucleares para formação dos gametócitos (VALKIUNAS,2008). 24 As formas do parasita presente no sangue são os gametócitos, que quando novas são pequenas, e ocupam reentrância do núcleo da célula hospedeira, agora arredondada; sua forma mais velha são os gametócitos maduros que apresentam uma deformação, que consiste em uma deformidade, com suas extremidades repuxadas, mostrando assim o núcleo bastante corado e encostado à um dos lados da célula, ao lado do parasita (REIS, et al, 1956). Os gametócitos e todos os estágios de desenvolvimento não possuem o pigmento malárico (hemozoina). Os gametócitos se desenvolvem nos eritroblastos, eritrócitos e leucócitos mononucleares (VALKIUNAS, 2008). Os gametócitos de forma redonda ou fusiforme (gametócitos machos ou microgametócitos e gametócitos fêmeas ou macrogametócitos) são a forma infectante para os insetos vetores, assim que entram na circulação dos insetos, ocorre a reprodução sexual há a formação do zigoto que torna-se um oocineto, ocorre a esporogonia para formação dos esporozoítos e assim começar um novo ciclo (FORRESTER,et al, 2008). 2.3.3 Sinais Clínicos Embora em muitas aves, a presença do Leucocytozoon constitua mero achado não causando aparente mal ao hospedeiro, em certos casos constitui-se grave infecção e perdas econômicas (REIS, et al, 1956). Os patos jovens são os mais suscetíveis podendo morrer dias após a infecção (O‘ROKE 1934). Anemia é o sinal clinico mais importante verificado (MALEY and DESSER, 1977). A anemia está associada coma ruptura dos merontes e a liberação dos merozoitos para a circulação (FORRESTER, 2008). Outros sinais encontrados são letargia, anorexia, diarréia (WOBESER, 1997), depressão, sonolência e algumas vezes incoordenação (BERMUDEZ,2003). Columbiformes infectados por L.marchouxi foram relatados apresentando penas eriçadas, anemia, perda de peso, e apatia (OOSTHUIZEN and MARKUS,1968; PIERCE, 1984). 25 2.3.4 Patogenia Lesões grosseiras e fatais encontradas em aves aquáticas foram relatadas observando aumento do fígado e do baço, palidez dos tecidos, e sangue ralo (WOBESER, 1997). Estudos feitos em patos jovens com alta mortalidade foram observados leucocitose, esplenomegalia, degeneração do fígado e hipertrofia. Pouco se sabe sobre lesões histológicas em pombos e rolinhas infectados por L.marchouxi. PIERCE, et al em 1997 relatou um caso de um pombo (Columba mayeri) de 7 semanas de idade que morreu por Leucocytozoon, e na histopatologia foi observado megalomerontes em vários estágios de desenvolvimento no fígado, pâncreas, coração rim, intestino e baço. Havia, também, necrose tubular renal e hemorragia no miocárdio. 2.3.5 Diagnóstico Infecções por Leucocytozoon spp podem ser diagnosticadas examinando um esfregaço sanguíneo feito com sangue periférico das aves, observando as características morfológicas dos gametócitos (FORRESTER, 2008). Desde o ano 1970, testes sorológicos são realizados para detectar anticorpos contra L.caulleryi em galinhas, que incluem precipitação em Agar-gel (MORI, 1972), imunoeletroforese (FUJISAKI,et al,1980), ELISA (ISOBE and SUZUKI,1986,1987). Testes similares não foram ainda desenvolvidos para outras espécies de Leucocytozoon. Métodos moleculares como o PCR são usados para distinguir Leucocytozoon de Plasmodium e Haemoproteus (HELLGREN, et al, 2004; BEADELL and FLEISCHER,2005; COSGROVE, et al, 2006). 26 3. RELATO DE CASO No mês de julho de 2009 foi atendido em uma clínica veterinária em São Paulo/SP, um animal da espécie Columba livia domestica atropelado. O animal foi trazido por terceiros a clinica após ter sido atropelado. No exame físico o pombo apresentava-se prostrado, com dispnéia inspiratória, paralisia de membros devido à politraumatismos, emaciação e apresentava grande infestação de ectoparasitas do gênero Pseudolynchia. Figura 1:Pseudolynchia sp (Resende, J.R, et al, 2001) Foi administrado analgésico e coletado uma pequena amostra de sangue via venipunção da veia ulnar da asa para realização de análises hematológicas. Foram realizados o hematócrito, em centrífuga de microhematócrito, e os valores de proteínas plasmáticas totais, por refratometria. Também foram confeccionados esfregaços sanguíneos para a hematoscopia, leucocitoscopia e pesquisa de hemoparasitos que posteriormente foi corado pelo panótico rápido. O valor do Hematócrito foi de 44% enquanto os valores de proteínas plasmáticas totais eram de 3,8g/dl. Segundo as referências de LUMEIJ, (1987), o valor médio de hematócrito 27 para os pombos domésticos é de 42,5% e a concentração de proteínas plasmáticas totais é de 2,1 a 3,3g/dl. Os valores encontrados no pombo socorrido estavam um pouco acima do normal, podendo assim dizer que estava com uma leve desidratação. O animal veio a óbito algumas horas depois. Na objetiva de 10X e ocular de 10X foi analisado o esfregaço sanguíneo, e já no primeiro campo foram observados gametócitos de Haemoproteus columbae, no interior dos eritrócitos. Foi possível observar pigmentos refrateis de cor castanha em alguns dos gametócitos e a maioria dos gametócitos ocupava quase que 50% de todo eritrócito que circundava o núcleo formando a forma típica apresentada por esse parasita. Figura 2: Esfregaço sanguíneo (1.000X),corado por Panótico Rápido com a presença de gametócitos de Haemoproteus columbae, no interior de eritrócitos (setas). 28 Figura 3: Campo onde se observa eritrócitos com até dois gametócitos em seu interior, e deslocamento do núcleo. Após analisar diversos campos, encontrou-se trofozoítos de Plasmodium sp , de tamanho pequeno, arredondados a ovais,no interior de eritrócitos.A cada 10 campos observados, em 4 se observava a presença de Plasmodium sp. 29 Figura 4: Presença de trofozoítos de Plasmodium sp, no interior do eritrócito (setas). Figura 5: Observa-se no mesmo campo trofozoítos de Plasmodium sp (setas) 30 4.DISCUSSÃO A identificação dos parasitas no pombo doméstico foi um achado acidental, sendo que, doenças como a malária aviária é de grande importância não sendo muito relatada em São Paulo, principalmente em Columbiformes. Essas infecções podem causar declínio rápido de populações de aves até a diminuição da biodiversidade. Na medicina de animais selvagens, os exames laboratoriais podem ser considerados métodos para diagnosticar e prevenir doenças e inclusive servir como bioindicador de qualidade ambiental, uma vez que a saúde do meio ambiente influencia na biologia e ecologia dos organismos que vivem nele (ALMOSNY e MONTEIRO, 2007). Os mosquitos (gênero Culicidae) são os vetores primários de Plasmodium sp. e Haemoproteus sp., sendo descrito por Valkiunas (1997) como comuns nas regiões dos trópicos, principalmente no Brasil (CONSOLI, et at,1994), podendo ser explicado a infecção do mesmo no caso relatado. Apesar da maioria dos autores alegarem que geralmente a parasitemia é baixa e os animais são assintomáticos, neste caso relatado, em particular pode-se observar que o animal apresentava sintomas e estava desorientado, tanto que foi atropelado, não sendo comum nessas espécies, e pela microscopia, a parasitemia era relativamente alta,sendo que em todos os campos observados havia parasitas intra-eritrocitários. A pesquisa de parasitas em animais silvestres in situ é uma ferramenta para o estudo sanitário de uma população e da qualidade do ambiente podendo assim compreender determinadas relações parasito-hospedeiro e o meio ambiente em que vivem (ALMOSNY e SANTOS, 2001; ALMOSNY e MONTEIRO, 2007). A destruição e modificação dos diferentes habitats naturais vêm acarretando em emergência e re-emergência de doenças infectoparasitárias (ALMOSNY e SANTOS, 2001; ALMOSNY e MONTEIRO, 2007). O interesse pelos parasitos do sangue de aves tem crescido rapidamente nos últimos anos. Este aumento se deve às pesquisas recentes que vêm contrapondo um fato já tradicional 31 que destaca os hemoparasitos de aves como agentes de pouca importância ou não patogênicos. Estas pesquisas revelam que os parasitos do sangue podem causar importantes alterações nas aves infectadas (DEVICHE et al., 2001; BENNETT et al.,1993). Além disso, estudos sobre os hemoparasitos de aves podem ser relevantes no aspecto da sua conservação (DOBSON and MAY, 1986). 32 5.CONCLUSÃO Apesar de bastante comum, as infecções em Columbiformes por hemoparasitas tem recebido pouca atenção na forma de publicações na cidade de São Paulo, pois não se encontrou relatos de caso da região envolvendo esta família. Tais afecções contribuem e muito como causa de mortalidade não apenas do pombo doméstico, como também de espécies ameaçadas de Columbiformes que ocorrem também no Estado de São Paulo, constantes na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas da Fauna Brasileira tais como o Pararu ( Claravis godefrida) e a Rolinha do Planalto ( Columbina cyanopis). Isso, sem contar as demais aves de outras famílias também acometidas por hemoparasitos. Os parasitas estudados parecem assumir forma latente no organismo do hospedeiro definitivo, o que torna as doenças menos ameaçadoras para as populações, mas na presença de quaisquer outros fatores imunossupressores, esta pode ser devastadora para a vida do indivíduo. O controle da infecção em animais de vida livre torna-se relativamente difícil, uma vez que a transmissão conta com a presença de vetores como a Pseudolynchia sp., ectoparasita muito comum. No animal, cujo caso foi relatado, o ectoparasita se apresentava em grande quantidade parasitando o animal e seu exame de esfregaço sanguíneo apresentava grandes quantidades de hemoparasitas. O pombo estava emaciado, o que nos leva a crer que havia antecedentes mórbidos ao acidente e que de maneira provável tenham contribuído com uma imunossupressão e conseqüente multiplicação dos parasitas sanguíneos. Porém esta é apenas uma teoria, visto 33 que a quantidade de sangue que se permitiu colher do animal, não era suficiente para a realização de hemograma e leucograma, por se tratar de uma de um pequeno volume O aumento de pombas domésticas avançando para áreas de conservação ambiental contribui para a disseminação da infecção para espécies da fauna nativa e, portanto, faz-se necessário o conhecimento dos hemoparasitas de estudo pelo clínico veterinário a fim de saber diagnosticar e tratar essas afecções contribuindo para medicina da conservação. 34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACTON, H.W. and KNOWLES, R.Studies on the halteridium parasite of the pigeon, Haemoproteus columbae Celli and San Felice. Indian J. Med. Res., 663–690,1914. ADRIANO,EDSON,A.;CORDEIRO,NELSON,S.Prevalence and intensity of Haemoproteus columbae in three species of wild doves from Brazil.Mem.Inst.Oswaldo Cruz.vol.96(2).p.175178,2001. Al-DABAGH, M. A.Mechanisms of Death and Tissue Injury in Malaria. 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