1 MOISÉS SANTOS DE SOUZA Influência dos frutos secos de Coffea canephora sobre as populações do Hypothenemus hampei (Coleoptera, Scolytidae) e seu parasitóide Cephalonomia stephanoderis (Hymenoptera, Bethylidae) PORTO VELHO 2006 2 MOISÉS SANTOS DE SOUZA Influência dos frutos secos de Coffea canephora sobre as populações do Hypothenemus hampei (Coleoptera, Scolytidae) e seu parasitóide Cephalonomia stephanoderis (Hymenoptera, Bethylidae) Dissertação apresentada à Fundação Universidade Federal de Rondônia, como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Biologia Experimental, para obtenção do título de Mestre em Biologia “Magister Scientiae”. Orientador: Prof. Dr. Domingues Teixeira. PORTO VELHO 2006 César Augusto 3 Folha de Aprovação MOISÉS SANTOS DE SOUZA Influência dos frutos secos de Coffea canephora sobre as populações do Hypothenemus hampei (Coleoptera, Scolytidae) e seu parasitóide Cephalonomia stephanoderis (Hymenoptera, Bethylidae) Dissertação apresentada à Fundação Universidade Federal de Rondônia, como parte das exigências do Programa de PósGraduação em Biologia Experimental, para obtenção do título de Mestre em Biologia “Magister Scientiae”. Data de aprovação: 27//04/2006 Membros da banca examinadora: _________________________________________ Prof. Dr. César Augusto Domingues Teixeira Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária / EMBRAPA _________________________________ Prof. Dr. Walkymário de Paulo Lemo Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária / EMBRAPA ________________________________ Prof. Dr. Alexandre Almeida Fundação Universidade Federal de Rondônia / UNIR RO 4 E terá de suceder que, se não escutares a voz de Jeová, teu Deus, cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e seus estatutos que hoje te ordeno, então terão de vir sobre ti todas estas invocações do mal e elas terão de alcançar-ter: Levarás muita semente ao campo, mas pouco recolherás, porque o gafanhoto a devorará. Plantarás e certamente cultivarás vinhedo, mas não beberás vinho e nada recolherás, porque o verme o consumirá. Insetos zumbidores tomarão posse de todas as tuas árvores e dos frutos do teu solo. (Deuteronômio 28 :15, 38, 39 e 42) Aos que escutam a Sua Voz, Ele promete restaurar futuramente nosso planeta assim como era no começo, e ainda continua sendo seu propósito, porque Ele não criou a Terra para o nada, mas para ser habitada. (Isaías 45:18) Pois eis que crio novos céus e uma nova TERRA, e não haverá recordação das coisas anteriores, 5 nem subirão ao coração. E hão de construir casas e as ocuparão, e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos. (Isaías 65: 17, 21 e 22, Salmos 37:11, 2º Pedro 3:13, Apocalipse 21:1) Dedico este trabalho aos meus pais José e Maria pela fidelidade do amor por seus filhos e netos. Agradecimentos Acima de tudo e todos, agradeço ao Pai Celestial JEOVÁ הוהיDeus que a maioria da humanidade deixou morrer em suas mentes e corações por não conhecerem seu Sagrado Nome, e ao seu Filho JESUS Cristo por me fornecerem o fôlego de vida por meio do Espírito Santo para realizar todos os meus trabalhos. Aos meus irmãos; Leonir, Leina e José (Biô) e a minha esposa, Aracelly (que agora gera em seu ventre nosso primeiro filho), por estarem sempre apoiando ao meu lado. Dentre meus irmãos, agradeço, especialmente, ao Leon pelo empréstimo do computador para a elaboração deste trabalho. Ao corpo docente do Mestrado em Biologia Experimental da UNIR, por sua dedicação e esforço para passarem seus conhecimentos aos alunos. 6 A EMBRAPA, por ser uma empresa acolhedora e que forneceu oportunidade para o meu crescimento profissional, desde a graduação até o mestrado. Ao pesquisador José Nilton Medeiros da Costa por ter me dado a primeira oportunidade profissional. Meus sinceros agradecimentos, também ao meu orientador e mestre, Dr. César Augusto Domingues Teixeira que se dedicou, com paciência, para tornar possível à conclusão deste trabalho. Aos funcionários da Biblioteca: Carminha e Maria José por sempre se prontificarem a ajudar na busca de livros e artigos. Ao Sr. João Maria Diocleciano e todo pessoal do campo experimental de Ouro Preto D’Oeste-RO, pela ajuda na montagem do experimento e na coleta das amostras, assim como aos laboratoristas da Embrapa Rondônia, Jerry e Farah. Ao Dr. Celso Oliveira Azevedo da Universidade Federal do Espírito Santo, e Valmir Antonio Costa, do Instituto Biológico de São Paulo, pela identificação taxonômica do parasitóide. Ao CNPq, pela ajuda financeira através da bolsa fornecida, a qual foi de suma importância para a realização do trabalho. Finalmente, termino esta lista, agradecendo a todos que de alguma forma me ajudaram nesta “pequena” jornada do mestrado. 7 RESUMO Rondônia é o maior produtor de café da Região Norte do Brasil e ocupa o segundo lugar na produção nacional do café Conilon, Coffea canephora, Pierre ex Frohner (Gentianales, Rubiaceae). Apesar disso, a colheita do café no Estado é realizada de forma precária. Uma das conseqüências deste fato é o alto índice de frutos remanescentes nas plantas e no solo durante todos os períodos do ano nas lavouras cafeeiras. Para verificar a influência desses frutos sobre as populações da broca-docafé, Hypothenemus hampei, Ferrari (Coleoptera, Scolytidae) e do seu parasitóide, Cephalonomia stephanoderis, Betrem (Hymenoptera, Bethylidae), foram avaliados durante três períodos (frutificação, colheita e entressafra) frutos secos remanescentes presentes na lavoura. As amostras foram provenientes do Campo Experimental da Embrapa Rondônia em Ouro Preto D’Oeste – RO, Brasil (10º45’S e 62º15’W). Foram avaliados, semanalmente, entre janeiro e dezembro de 2004, 100 frutos secos de café, sendo 50 retirados da planta e 50 da superfície do solo. Constatou-se que frutos remanescentes nos cafezais influenciaram positivamente a população do H. hampei e conseqüentemente, do parasitóide C. stephanoderis na 8 lavoura de café. As tendências de crescimento e diminuição das duas populações seguem o mesmo padrão nos dois ambientes investigados (planta e solo). Estes resultados indicam que a broca-do-café e o parasitóide são espécies “densidade dependente”, pois o aumento da população de H. hampei depende do grau de amadurecimento dos frutos de café e, por sua vez, C. stephanoderis depende da densidade populacional do hospedeiro (broca-do-café). Observou-se, inclusive, que C. stephanoderis já exerce um nível de controle natural sobre H. hampei em Rondônia, pois se encontraram, no período da colheita, taxas de parasitismo de 24 e 14% nos ambientes solo e planta, respectivamente. Portanto, o parasitóide C. stephanoderis é um agente promissor para o controle biológico da broca-do-café em Rondônia. ABSTRACT Rondônia is the biggest coffee producer in the North region of Brazil and is set on the second place at the national production of Conilon, Coffea canephora – Pierre ex Frohner (Gentianales, Rubiaceae). Despite this, the coffee harvest in the State of Rondônia is made under too precarious way. One of the consequences about this is the high rate of remaining fruits on the plants and on the ground along all periods of the year over coffee farming. Aiming to verify the influence of these fruits over the population of broca-do-café – Hypothenemus hampei – Ferrari (Coleóptera, Scolytidae) and its parasitoid, Cephalonomia stephanoderis, Betrem (Hymenoptera, Bethylidae), remaining dry fruits present on the farming were evaluated along three periods of time (fructification, harvest and midterm crop). The samples came from Embrapa Rondônia Experimental Field, in Ouro Preto D’Oeste, Rondônia State, Brazil (10º45’S and 62º15’W). 100 dry fruits were weekly evaluated from January to December of 2004; 50 of them collected from the plant and 50 from the soil surface. It was evidenced that the remaining fruits on the coffee fields have positively influenced the H. hampei population and, consequently, the C. stephanoderis 9 parasitoid over the coffee farming. The increasing and reduction tendencies from both populations follow the same pattern in both investigated environments (plant and soil). These results indicate that both broca-do-café and the parasitoid are “dependent density” species, as the increasing population of H. hampei depends on the maturation level of coffee fruits and, at last, C. stephanoderis depends on the population density of the host (broca-do-café). Besides, it was observed that C. stephanoderis already performs a kind of natural control level over H. hampei in Rondônia, for it was found parasitism levels of 24% and 14% respectively in both environments: soil and plant, along the harvest time. In this case, the parasitoid C. stephanoderis is a promising agent for the biological control against broca-do-café in Rondônia. LISTA DE FIGURAS Figuras Página 01– Fruto maduro (cereja) de Coffea canephora atacado por Hypothenemus hampei ..................................................................... 17 02– Forma adulta (fêmea) da broca-do-café, Hypothenemus hampei ..... 18 03– A: sementes secas danificadas pela broca-do-café. B: fruto seco colonizado (com ovos, larvas e pupas) totalmente destruído pela broca ......................................................................................... 20 04– Fêmea adulta de Cephalonomia stephanoderis ................................ 22 05 – A: Larva de Cephalonomia stephanoderis parasitando uma pré-pupa de Hypothenemus hampei. B: Larva de Cephalonomia stephanoderis parasitando uma pupa de Hypothenemus hampei. .................................................................... 24 06 – A: ovo. B: larva de primeiro instar e C: larva no último instar do parasitóide Cephalonomia stephanoderis sobre seu hospedeiro Hypothenemus hampei. .................................................................... 24 10 07– Oviposição de Cephalonomia stephanoderis sobre pupa da broca-do-café, onde a fêmea segura, firmemente a parte anterior do hospedeiro e pressiona seu abdômen contra o dorso do hospedeiro.......................................................................... 25 08– Mapa político do Estado de Rondônia com destaque para o município de Ouro Preto D’Oeste, local onde foi conduzido o experimento ...................................................................................... 28 10– Flutuação da porcentagem de frutos de café brocados através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados no solo e na planta 31 11– Flutuação da porcentagem de infestação em frutos de café através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados no solo e na planta ................................................................................. 32 12– Flutuação da porcentagem de ocorrência do parasitóide nos frutos secos através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo ................................................................................. 33 13– Flutuação da porcentagem de parasitismo em frutos secos de café através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo ................................................................................. 34 14– Flutuação da porcentagem de frutos de café com parasitóide e brocas vivas através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo ............................................................ 35 15– Flutuação da porcentagem de frutos de café com parasitóide e brocas mortas através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), para os diferentes ambientes ............................................................ 36 11 LISTA DE TABELAS Tabelas Página 01– Percentual (DP) de frutos de café brocados em diferentes ambientes no campo ......................................................................... 31 02– Percentual (DP) de frutos de café infestados em diferentes ambientes no campo ......................................................................... 32 03– Percentual (DP) de grãos de café com presença do parasitóide no campo .......................................................................................... 33 04– Percentual (DP) de parasitismo de H. hampei no campo em diferentes ambientes ......................................................................... 34 05– Percentual (DP) de ocorrência do parasitóide C. stephanoderis em frutos com brocas vivas nos diferentes ambientes ...................... 35 06– Percentual (DP) de ocorrência do parasitóide C. stephanoderis em frutos com brocas mortas nos diferentes ambientes ................... 36 12 SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................................... 14 2 – OBJETIVOS ....................................................................................................... 16 2.1 - Geral ...................................................................................................... 16 2.2 - Específicos ............................................................................................ 16 3 – REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................. 17 3.1 - Coffea canephora, Conilon, Coffea canephora, Pierre ex Frohner (Gentianales, Rubiaceae) planta hospedeira da praga ........................ 17 3.2 - A broca-do-café, Hypothenemus hampei Ferrari (Coleptera, Scolytidae) 18 3.2.1 - Morfologia e biologia .................................................................. 18 3.2.2 - Danos econômicos da espécie .................................................. 19 3.3 - Principais inimigos naturais com ênfase em parasitóides .................... 20 3.4 - 3.5 - O parasitóide Cephalonomia stephanoderis Betrem (Hymenoptera, Bethylidae) ............................................................................................. 21 3.4.1 - Morfologia ................................................................................... 21 3.4.2 - Importância da espécie como agente de controle biológico ..... 22 3.4.3 – Biologia de C. stephanoderis .................................................... 23 Impacto dos frutos secos de café sobre populações de C. stephanoderis.................................................................................... 26 13 4 – MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................ 28 4.1 - Área do experimento ............................................................................. 28 4.2 - Coleta e metodologias de avaliação ..................................................... 28 4.3 - Descrição de tratamentos...................................................................... 29 4.4 - Análise estatística .................................................................................. 30 4.5 - Identificação taxonômica do parasitóide ............................................... 30 5 – RESULTADOS .................................................................................................. 31 5.1 - Níveis de frutos secos de C. canephora brocados por H. hampei ....... 31 5.2 - Níveis de infestação de H. hampei em frutos de café .......................... 32 5.3 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos secos de C. canephora coletados na planta e no solo................................................................ 33 5.4 - Níveis de parasitismo em frutos de café coletados na planta e no solo 34 5.5 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei vivos ....................................................................................................... 35 5.6 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos .................................................................................................... 36 6 – DISCUSSÃO ..................................................................................................... 37 6.1 - Níveis de frutos secos de C. canephora brocados por H. hampei ....... 37 6.2 - Níveis de infestação de H. hampei em frutos de café .......................... 38 6.3 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos secos de C. canephora coletados na planta e no solo................................................................ 40 6.4 - Níveis de parasitismo em frutos de café coletados na planta e no solo 41 6.4.1 - Fatores biológicos relacionados à densidade do parasitóide .... 43 6.4.2 - Relação da densidade populacional: hospederio e parasitóide 44 6.5 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei vivos ....................................................................................................... 46 6.6 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos .................................................................................................... 47 7 – CONCLUSÕES .................................................................................................. 49 8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 50 9 – ANEXOS ............................................................................................................... 58 14 1 – INTRODUÇÃO O café passou a ser cultivado em escala comercial no Estado de Rondônia a partir da década de 1970. Atualmente, o seu parque cafeeiro abrange uma área de 180.000 ha, que o coloca como o sexto produtor nacional deste comodite, e o maior da região Norte, respondendo a cerca de 80% da produção regional (SANTOS, 2002). A colheita do café é uma operação complexa que demanda muita mão-deobra e exerce grande influência na qualidade do fruto, por isso, tem sido limitante para a exploração da cultura (SILVA et al., 2002). No Brasil, essa atividade processa-se em curto período de tempo, iniciando-se em abril/maio e prolongandose, nas regiões de temperaturas mais elevadas, até agosto/setembro (BÁRTHOLO et al., 1988). O repasse (catação de frutos remanescentes) deve ser feito após a colheita (VILELA, 1997). A colheita no Estado de Rondônia é realizada de forma precária e inadequada (SOUZA & VENEZIANO, 2002; SOUZA et al., 2003), pois os pequenos produtores, geralmente descapitalizados e sem recursos de materiais e até de mão-de-obra, conduzem a cultura com baixo nível tecnológico, implicando no comprometimento 15 (ou não realização) de algumas práticas culturais fundamentais ao cultivo do café (SANTOS, 2002). Além disso, os custos da colheita representam aproximadamente 50% do emprego da mão-de-obra da lavoura e de 25 a 30% dos custos diretos da produção (VILELA, 1997). Devido a estes fatores, muitos produtores reduzem seus custos de produção pela não contratação de mão-de-obra. Dessa forma, o número de trabalhador disponível não é suficiente para fazer o repasse, deixando grande quantidade de frutos na planta e/ou caídos ao solo. Segundo Alvarez et al. (2004), outro motivo para a remanescência de frutos no campo, deve-se à queda desses durante o deslocamento dos encarregados de atender as diferentes atividades do cultivo. Também, durante o desenvolvimento dos frutos (maturação), ocorre queda dos mesmos, fazendo com que muitos permanecem no solo de uma safra para outra (CARVALHO, 1962; GOPAL, 1971). Em regiões de clima quente e úmido, a permanência dos frutos de café na planta ou no chão pode ser prejudicial a sua qualidade devido à fermentação (VILELA, 1997). Além disso, frutos que caem no solo favorecem aparecimento e o desenvolvimento da broca-do-café Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolytidae), proporcionando-lhe alimentação e refúgio (ALVAREZ et al. 2004). A broca-do-café é responsável por perdas significativas na produtividade e qualidade, principalmente, do café Conilon, Coffea canephora, Pierre ex Frohner (Gentianales, Rubiaceae) (BENASSI & CARVALHO, 1994). Estudos realizados com C. canephora, no Espírito Santo, encontrou cinco meses após a colheita, cerca de 71,7% dos frutos remanescentes atacados por H. hampei (BENASSI, 2004). No Estado de Rondônia, em 2000, a infestação média de frutos caídos no solo na entressafra, foi de até 76,3% (COSTA et al., 2005). Isso é negativo do ponto de vista econômico, porque no Brasil o café é dos poucos produtos agrícolas cujo preço é baseado em parâmetros qualitativos, variando, significativamente o seu valor com a melhoria da qualidade (BÁRTHOLO et al., 1988). Em novembro de 2004, constatou-se, pela primeira vez, a ocorrência do parasitóide Cephalonomia stephanoderis Betrem (Hymenoptera: Bethylidae), em frutos secos remanescentes e associados com colônias de H. hampei, no município de Ouro Preto D’Oeste, Rondônia. Essa espécie conhecida como vespa-da-costado-marfim, é um inimigo natural do H. hampei em diferentes regiões produtoras (DAMON & VALLE 2004; ARISTIZÁBAL et al. 1998), sendo relatado como o parasitóide mais eficiente no controle biológico do H. hampei (ARISTIZÁBAL et al., 16 1998; BUSTILLO et al., 1996; BARRERA, 1994; CAMPOS & CARRILLO, 1991; BARRERA et al., 1990; DELGADO & SOTOMAYOR, 1990;). Estudos recentes têm demonstrado que C. stephanoderis se adapta e se estabelece em cafezais com níveis de infestação de H. hampei inferiores a 5% (ARISTIZÁBAL et al., 1997). 2 - OBJETIVOS 2.1 - Geral Investigar a influência da presença de frutos secos remanescentes na lavoura cafeeira, sobre populações da broca-do-café H. hampei e seu parasitóide C. stephanoderis. 2.2 - Específicos Verificar a influência da presença de frutos remanescentes do café na planta e no solo, sobre populações da broca-do-café e seu parasitóide durante os períodos de frutificação, colheita e entressafra. Verificar a influência destes ambientes durante todos os períodos, para os níveis de frutos brocados e infestados por H. hampei e ocorrência de C. stephanoderis; 17 Verificar os níveis de parasitismo do parasitóide C. stephanoderis nos frutos colonizados por H. hampei nas plantas e no solo. 3 - REVISÃO DE LITERATURA 3.1 - Coffea canephora, planta hospedeira da praga O gênero Coffea, família Rubiaceae, reúne em torno de 70 espécies, originárias das regiões central e equatorial da África, de Madagascar e ilhas próximas do Oceano Índico (FERRÃO et al., 2005), sendo a espécie C. canephora (café conilon) pertencente à ordem Gentianales (PEZZOPANE et al., 2004). Em regiões de temperaturas elevadas e com umidade abundante, as plantas de C. canephora podem atingir até 5 metros de altura, sendo geralmente multicaules. Trata-se de uma espécie altamente polimorfa, com extensa distribuição geográfica e grande capacidade adaptativa a diferentes condições ambientais. Seus frutos são variados, sendo nos cultivares comerciais em número de 30 a 60 por verticilo foliar. Apresentam coloração avermelhada quando maduros (Figura 1), superfície lisa, exocarpo fino, mesocarpo pouco aquoso (pouca mucilagem) e endocarpo delgado. A semente é geralmente verde-claro, película prateada aderente e endosperma rico em cafeína e menos aromático (MENDES & GUIMARÃES, 1998). 18 Foto: Pezzopane et al. 2005 Figura 1 – Fruto maduro (cereja) de Coffea canephora atacado por Hyhpothenemus hampei. O intervalo entre a floração e maturação dos frutos para a maioria das espécies de Coffea é de 8 a 10 meses (RENA et al., 2001). A sincronização da maturação é difícil, fazendo com que frutos no mesmo cafeeiro raramente fiquem no mesmo estádio de desenvolvimento, devido às várias florações e as diferentes taxas de crescimento dentro de uma florada (RENA, 2001). São identificados cinco estádios de desenvolvimento do fruto do café: 1 estádio de chumbinho; 2 - estádio de rápida expansão; 3 - estádio de crescimento; 4 - estádio de enchimento do endosperma e 5 - estádio de amadurecimento (RENA et al., 2001). Durante o seu desenvolvimento, ocorrem três períodos de queda de frutos. O primeiro ocorre nas primeiras quatro semanas após a floração (queda de chumbinhos); outro, da quinta a décima primeira semana, durante o estádio de desenvolvimento do endosperma (queda precoce); e o último, após a décima primeira semana de crescimento do fruto (CARVALHO, 1962; GOPAL, 1971). 3.2 – A broca-do-café, Hypothenemus hampei Ferrari (Coleoptera, Scolytidae) 3.2.1 – Morfologia e biologia Originário da África é um pequeno besouro de cor preta. Suas fêmeas medem cerca de 1,7 mm de comprimento por 0,7 mm de largura (Figura 2), enquanto os 19 machos menores, apresentam cerca de 1,2 mm de comprimento por 0,5 mm de largura. Esses últimos não voam e permanecem, constantemente, dentro dos frutos, onde realiza a cópula e fecundação das fêmeas. Estas perfuram os frutos, desde verdes até maduros ou secos, geralmente na região da coroa, cavando uma galeria com cerca de 1 mm de diâmetro até atingir a semente (REIS et al., 2002). Foto: Infante (2001) Figura 2 – Forma adulta (fêmea) da broca-do-café, Hypothenemus hampei. H. hampei alimenta-se e se reproduz no endosperma da semente do café, brocando através do exocarpo, mesocarpo e endocarpo em cerca de 8 horas. A infestação ocorre primeiramente nas rosetas (cachos) que ficam nos arbustos. A reprodução dos insetos continua nos frutos que caem, subseqüentemente, no solo em frutos já brocados (WATERHOUSE & NORRIS, 1989). O conhecimento dos aspectos biológicos e comportamentais do H. hampei tem permitido um melhor entendimento de seu ataque e desenvolvimento de estratégias para seu controle (BENAVIDES et al. 2003). A fêmea oviposita entre de 31 e 119 ovos dentro de uma única semente de café, onde os insetos passam pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto. A fase juvenil é de aproximadamente 28 a 34 dias. Porém, relatos sobre a expectativa de vida dos adultos são variados, onde machos podem viver de 20 a 87 dias e fêmeas cerca de 157 dias (BARRERA, 1994). Dependendo da localização geográfica, H. hampei pode chegar até nove gerações em um ano (DAMON, 2000; MONTOYA & CARDENAS-MURILLO, 1994). 3.2.2 – Danos econômicos da espécie 20 H. hampei é considerada a praga mais importante e que maior dano causa no cultivo do café no mundo (DAMON & VALLE, 2002). O seu ataque causa prejuízos quantitativos, pela redução do peso dos grãos e queda de frutos, e qualitativos, através da alteração do tipo do grão e da bebida. Os danos são causados pelas larvas, que vivem no interior do fruto de café e atacam as sementes (Figura 3A) para sua alimentação, podendo a destruição dos frutos ser parcial ou total (Figura 3B) (REIS et al. 2002). Dependendo do nível de infestação, os prejuízos podem chegar a 21%, somente pela perda de peso dos grãos (SOUZA & REIS, 1980). Cerca de 20 a 22% de perdas ocorrem na operação de beneficiamento, devido à fragilidade que o grão atacado passa a apresentar (LUCAS, 1986; LUCAS et al. 1989) A B Foto: P. Baker © CABI Bioscience (1999) Figura 3 – A: sementes secas danificadas pela broca-do-café. B: fruto seco colonizado (com ovos, larvas e pupas) totalmente destruído pela broca. 3.3 – Principais inimigos naturais de H. hampei com ênfase em parasitóides Vários artrópodes de hábito predador e parasitóide são relatados como inimigos naturais de insetos que atacam a cultura de café (PÉREZ-LACHAUD, 2002; SALAZAR et al. 2002; BAKER, 1999). Os Himenóptera parasitóides são elementos importantes da fauna neotropical por seu papel no controle de populações de outros 21 insetos, pois interferem direta ou indiretamente, de forma ainda não bem quantificada, nas cadeias tróficas de grande parte dos agroecossistemas. Devido à sua capacidade de regular população de insetos-praga agrícolas, muitas espécies de himenópteros parasitóides são utilizadas com sucesso em programas de controle biológico e/ou integrado de pragas (PERIÓTO et al., 2004). A maioria (85%) dos parasitóides utilizados para o controle biológico de pragas é da ordem Hymenoptera (CARBALLO, 2002). O termo parasitóide é aplicado às espécies de insetos cujas larvas consomem os tecidos de hospedeiro vivos, usualmente os ovos, larvas e pupas de outros insetos, inevitavelmente conduzindo o hospedeiro à morte (RICKLEFS & MILLER, 2000). Godfray (1994), por sua vez, considera insetos parasitóides aquelas espécies cujas larvas se desenvolvem no corpo de outro artrópode, usualmente um inseto, ou em uma massa única ou gregária de hospedeiros, como ootecas ou massas de larvas galhadoras, acarretando a morte do hospedeiro ao final de seu desenvolvimento na fase juvenil. Dentro da Ordem Hymenoptera, a família Bethylidae, que está inserida na Superfamilia Bethyloidea (Chrysidoidea), é considerada uma das mais primitivas. As fêmeas de Bethylidae normalmente atacam seus hospedeiros, que podem ser maiores que elas, por meio de “ferroadas” repetitivas e antes da oviposição alimentase dos fluídos que exudam do hospedeiro atacado. Esse tipo de alimentação é um hábito comum dentro desta família, e aparentemente essencial para o desenvolvimento e a maturação dos ovos (INFANTE, 2001). Adultos de alguns gêneros (Epyris, Anisepyris, Goniozus, Cephalonomia e Prorops) também se alimentam de carboidratos, os quais normalmente são encontrados em secreções açucaradas de flores (POLASZEK & KROMBEIN, 1994). Diferentes espécies de parasitóides da família Bethylidae têm sido introduzidas em muitos países da América Latina como agentes de controle biológico. Recentemente, a espécie Cephalonomia hyalinipennis Ashmead, foi encontrada atacando, naturalmente a broca-do-café no sul do México (PÉREZLACHAUD et al., 2002). Também no México assim como em outros países latinos americanos, a espécie Prorops nasuta Waterston (Hymenoptera: Bethylidae) foi introduzida para o controle biológico de H. hampei (MURPHY & MOORE, 1990; BAKER, 1999, INFANTE, 1998). Além dos Bethylidae, a espécie Phymasichus 22 coffea LaSalle (Eulophidae) é relatada como um parasitóide promissor para o controle biológico de H. hampei (SALAZAR et al., 2002). 3.4 – O parasitóide Cephalonomia stephanoderis 3.4.1 – Morfologia É um himenóptero da família Bethylidae, descrito por Ticheler, em 1960, na Costa do Marfim, África. C. stephanoderis é um parasitóide que coloca seus ovos nos estágios imaturos (larvas e pupas) de H. hampei. A vespa adulta mede de 1,6 a 2 mm de comprimento, é preto brilhante, com cabeça quadrada (Figura 4) (CARBALLO, 2002). Geralmente, espécies do Gênero Cephalonomia possuem uma glândula de veneno utilizada para paralisar seus hospedeiros, chamada de Glândula de Dufour (HOWARD & BAKER, 2003). Fonte: Infante 2001 Figura 4 – Fêmea adulta de Cephalonomia stephanoderis. 3.4.2 – Importância da espécie como agente de controle biológico 23 C. stephanoderis é um dos inimigos naturais mais promissores para o controle biológico da broca-do-café, graças a sua comprovada adaptabilidade a vários agroecossistemas de cafezais na África e América, também, por sua dieta específica e existência de metodologias apropriadas para sua criação (CARBALLO, 2002). Borbón (1991) menciona que este inseto provoca taxas de mortalidade de 35 a 45 % na broca, no Togo, África. Barrera et al., (1989), reportam a atenção de bons resultados com essa espécie em Soconusco, Chiapas, México, representando uma das melhores alternativas de controle biológico para H. hampei, já que seu ciclo biológico é mais curto de que seu hospedeiro. Além disso, esse parasitóide possui alta capacidade de buscar hospedeiro e resistência parcial ao inseticida “endosulfan” usado contra a broca-do-café. Na Costa do Marfim, observou-se redução da população de H. hampei entre 20 e 30% devido, entre outros fatores, a presença de C. sephanoderis na época de colheita (KOCH, 1973). Borbón (1990) observou o efeito de C. sephanoderis sobre H. hampei em diferentes ambientes no Togo, encontrando níveis de parasitismo de até 47,8% e presença nos cafezais durante todo o ano, principalmente, ao final da colheita. A espécie C. stephanoderis, trazida da África para o controle biológico da broca-do-café na América, tem mostrado melhores resultados em relação às demais espécies (INFANTE, et al., 1994). Essa espécie foi introduzida no México e Equador, em 1988 e em 1990 na na Guatemala, Hondura, El Salvador e Colômbia (CARBALLO, 2002). No Brasil, a introdução dessa espécie para controle da brocado-café ocorreu em meados da década de 1990 (REIS & SOUZA,1998). 3.4.3 - Biologia de C. stephanoderis C. stephanoderis é uma espécie que utiliza um único tipo de hospedeiro para completar seu ciclo de vida (JERVIS & KIDD, 1986). A broca-do-café, quando na sua forma imatura, é considerada hospedeira específica de C. stephanoderis (LACHAUD & HARDY, 2001). As fêmeas de C. stephanoderis comportam-se exclusivamente como predadoras durante o período de pré-oviposição e continuam alimentando-se de seu hospedeiro mesmo depois de começar a fase de reprodução. C. stephanoderis alimenta-se de todos os estágios de desenvolvimento da broca-do- 24 café, porém a oviposição ocorre preferencialmente na fase de pré-pupa e pupa (LAUZIÈRE et al., 1999). Em seu estágio de vida livre, fêmeas de C. stephanoderis também são atraídas por flores de plantas silvestres próximas a plantas de café e a sua longevidade aumenta quando se alimentam com flores de Euphorbia hirta L. (PÉREZ-LACHAUD & HARDY, 1999). A paralisia permanente da broca-do-café ocorre antes da predação e oviposição. O período de préoviposição é de 9 dias e o tempo de desenvolvimento larval é cerca de 23,2 dias a temperatura de 25ºC. As larvas eclodem dos ovos eclodem após 1,6 dia em média, e o estágio larval dura 4,5 dias. Fêmeas de C. stephanoderis ovipositam, em média, de 70 ovos preferencialmente no lado dorsal da pupa e ventral das larvas (Figuras 5, 6, 7 e 8) (ABRAHAM & MOORE, 1990). A A B Fonte: Infante (2001) Figura 5 – A: Larva de Cephalonomia stephanoderis parasitando uma pré-pupa de Hypothenemus hampei. B: Larva de Cephalonomia stephanoderis parasitando uma pupa de Hypothenemus hampei. A Fonte: Carballo (2002) B C 25 Figura 6 – A: ovo. B: larva de primeiro instar e C: larva no último instar do parasitóide Cephalonomia stephanoderis sobre seu hospedeiro Hypothenemus hampei. Fonte: Lauzière et al., (2000) Figura 7 - Oviposição de Cephalonomia stephanoderis sobre pupa da broca-do-café, onde a fêmea segura, firmemente a parte anterior do hospedeiro e pressiona seu abdômen contra o dorso do hospedeiro. Estudos comparativos da fecundidade entre algumas espécies de Cephalonomia indicam que C. stephanoderis, durante seu tempo de vida oviposita 66 ovos; C. hyalinipennis, também parasitóide da broca-do-café, 88 ovos; C. tarsalis, 85 ovos; e C. waterstoni, 102 ovos (PÉREZ-LACHAUD & HARDY, 1999). A duração média, em dias para o desenvolvimento das fases de ovo foi 2,2; larva 3,5 e pupa 13,2 dias. O número de ovos depositados por fêmea foi igual a 44,4 sendo deste total, 70,23% colocados em larvas e 29,77% em pupas da broca-docafé (BENASSI, 2004). Já Infante & Luis (1993) constataram uma preferência das fêmeas da C. stephanoderis pela oviposição em pré-pupas, com um índice de 61,6%, discordando, no entanto, de Barrera et al., (1989), os quais reportaram preferências em favor das pupas (58,5%). 26 O período de préoviposição e o desenvolvimento de C. stephanoderis são dependentes da temperatura. Koch (1973), registrou um período de pré-oviposição de 6 a 11 dias, à temperatura de 21ºC, e 2 dias à temperatura de 27ºC. O desenvolvimento durou 23,4 dias a 24ºC e 14,6 dias, a 32ºC. Borbón (1991), por sua vez, revelou que o ciclo de vida completou em 23,8 dias; a temperaturas de 22 ºC, e em 17,8 dias a 25 ºC. O número de casulos que se pode encontrar por fruto é variável entre 3 a 15. 3.5 – Impacto dos frutos secos de café sobre populações de C. stephanoderis Para qualquer sistema de manejo de pragas, conhecer as interações entre os níveis tróficos é muito importante (REED et al., 1993). Um nível trófico se define como a classificação funcional que se confere aos organismos de uma comunidade conforme as suas relações alimentares (KREBS, 1985). Esses conhecimentos básicos são importantes porque o manejo integrado de pragas (MIP) fundamenta-se em estudos ecológicos prévios de um agroecossistema para aplicação de medidas integradas de controle, visando à redução populacional de pragas nesses sistemas. Mesmo naqueles programas de MIP em que o controle biológico é o principal método utilizado, seu sucesso tem sido limitado e dependente de constantes liberações de inimigos naturais em campo. Isso acontece, entre outras causas, porque não há um estudo prévio a respeito das exigências ecológicas dos inimigos naturais para que eles se estabeleçam no agroecossistema, tão pouco das interações desses inimigos naturais com a praga-alvo. Dessa forma, o MIP tem sido usado sem que se tenha conhecimento pleno das interações ecológicas envolvidas no agroecossistema (VENZON et al., 2001). Muitos fatores limitam a eficácia dos inimigos naturais nos agrossistemas, por exemplo, pesticidas, falta de alimento e abrigo e falta de hospedeiro (DUTCHER, 1993; POWEL, 1986). Acredita-se que o manejo ecológico seja aplicável à lavoura cafeeira, apesar de não existirem trabalhos científicos específicos com enfoque na cafeicultura, (ALVARENGA et al., 2002). Manejar os agroecossistemas de forma compatível com a natureza, incorporando as informações ecológicas básicas, é a finalidade do manejo ecológico de pragas (VENZON et al., 2001). Dentro do manejo ecológico das principais pragas do cafeeiro, o controle cultural constitui-se talvez no mais eficiente método de controle do H. hampei. Um dos métodos do controle cultural é o “repasse”, para evitar a sobrevivência do H. 27 hampei na entressafra (REIS et al., 2002). Porém, a população da praga é necessária para que se mantenha a população de alguns inimigos naturais (VENZON et al., 2001). Como o parasitóide C. stephanoderis é uma espécie sinovigênica, ou seja, que na fase imatura depende totalmente do hospedeiro para desenvolver-se e quando adulta necessita alimentar-se do hospedeiro para ovipositar (JERVIS & KIDD, 1986), revela que sua dieta específica e a dependência pelo hospedeiro para completar seu ciclo de vida (CARBALLO, 2002), há necessidade da manutenção da praga para a sobrevivência desse parasitóide no agrossistema. Como os frutos secos remanescentes são locais de refúgio de H. hampei durante o período da entressafra (REIS et al., 2002; REIS & SOUZA, 1998), a população do parasitóide tende a ser beneficiada pela permanência desses frutos, onde é encontrado seu hospedeiro. Também, locais de abrigo para inimigos naturais podem ser fornecidos através da diversificação da vegetação nas monoculturas. Em culturas perenes, a manutenção e o aumento da camada de folhas mortas que cobre o solo fornecem locais para os inimigos naturais abrigarem-se durante a entressafra ou quando as condições ambientais são adversas (VENZON et al., 2001). Como já mencionado, a colheita em Rondônia é realizada de maneira precária, dessa forma, muitos frutos de café remanescem nas lavouras após o período da colheita. Portanto, a verificação do impacto desses frutos sobre as populações de H. hampei e seu parasitóide C. stephanoderis nos cafezais do Estado, contribuirá para o conhecimento de alguns fatores ecológicos importantes para o sucesso de possíveis programas de controle biológico da broca-do-café por meio do parasitóide na região. 28 4 - MATERIAIS E MÉTODOS 4.1 – Área do experimento O estudo foi realizado em uma área do Campo Experimental da EmbrapaRondônia durante o ano de 2004, no município de Ouro Preto D’Oeste, Rondônia, localizada a 10º 45’ de latitude Sul e 62º 15’ de longitude Oeste (Figura 9). A área consistiu de cultura de café Conilon (C. canephora), sem uso de agrotóxicos, com 06 fileiras plantadas no espaçamento de 4,0 x 1,0 m. O lote (com aproximadamente 500 plantas) foi devidamente randomizado enumerando-se todas as plantas para o sorteio no dia da coleta. Ouro Preto D’Oeste Figura 8 – Mapa político do Estado de Rondônia com destaque para o município de Ouro Preto D’Oeste, local onde foi conduzido o experimento (Fonte: SEDAM-RO). 29 4.2 – Coleta e metodologias de avaliação Durante o período experimental foram sorteadas, semanalmente 10 plantas do lote para coleta dos frutos. Para cada planta sorteada, coletou-se 05 frutos secos na planta (10 x 5 = 50) e 05 frutos secos sobre a superfície do solo (10 x 5 = 50), embaixo da planta, totalizando 100 frutos semanais. No total, coletou-se 4.800 frutos secos do lote para as avaliações (n = 2.400/plantas n = 2.400/solo). Os frutos foram acondicionados em sacos de papel, devidamente etiquetados, e encaminhados para o Laboratório de Entomologia da Embrapa Rondônia, em Porto Velho-RO. No laboratório, os frutos foram dissecados e avaliados. Níveis de frutos brocados – Corresponderam aos frutos brocados apenas àqueles que estavam danificados pela broca, sem a presença do inseto. Níveis de infestação – Corresponderam aos frutos infestados com H. hampei, àqueles com a presença da broca em qualquer estágio de sua vida (adulto, ovo, larva e/ou pupa). Níveis de ocorrência de C. stephanoderis – Para esta variável quantificaram-se todos os frutos com presença do parasitóide, independente da presença ou não de seu hospedeiro (broca) no fruto. Níveis de parasitismo – Os frutos dissecados com presença de formas imaturas de H. hampei e adultos vivos de C. stephanoderis considerou-se parasitados. Para todas as variáveis, utilizou-se a seguinte fórmula para determinar os níveis de porcentagem semanal em cada ambiente: Nº de frutos observados de %= acordo c/ a variável analisada Total frutos dissecados (n=50) 4.3 – Descrição de tratamentos X 100 30 Os tratamentos corresponderam aos ambientes plantas e solo. Avaliaram-se os frutos desses dois ambientes entre janeiro e dezembro de 2004 sendo que esse tempo foi divido em três épocas: frutificação (período de maturação dos frutos), colheita (períodos em que os frutos já estão maduros e prontos para serem colhidos) e entressafra (período de senescência dos frutos). 4.4 – Análise estatística Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo Teste Tukey a 5%, para avaliar diferenças nas populações de H. hampei e C. stephanoderis dos ambientes (planta e solo). As análises foram feitas através do software “ASSISTAT” (SILVA & AZEVEDO, 2002). Devido aos dados não apresentarem distribuição normal ao longo dos períodos investigados, decidiuse não utilizar regressão linear (R2). 4.5 - Identificação taxonômica do parasitóide Todos os espécimens de parasitóide adultos coletados dos frutos de café foram condicionados em vidros, devidamente lacrados, com álcool 70%. Posteriormente, foram enviados para o Instituto Biológico em São Paulo, onde o Dr. Valmir Antonio Costa identificou o Gênero taxonômico. Posteriormente, outro lote foi enviado para a Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Biologia, na qual foi identificada a espécie do parasitóide pelo Dr. Celso Oliveira Azevedo. 31 5 - RESULTADOS 5.1 – Níveis de frutos secos de C. canephora brocados por H. hampei A figura 10 apresenta a flutuação da porcentagem de frutos brocados na planta e no solo, analisados durante os períodos de frutificação (formação dos frutos), colheita e entressafra. Não se verificou diferença estatística (P < 0,05) no período analisado nos dois ambientes. No período de frutificação e colheita, observou-se médias maiores de frutos brocados nas plantas, enquanto que no período de entressafra a maior média foi encontrada no solo (Tabela 1). Tabela 1. Percentual (DP) de frutos de café brocados em diferentes ambientes no campo. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan a (16 de mai a (01 de jul a 15 de mai) 30 de jun) 31 de dez) Planta 36,3 19,1a* 89,7 9,8 a 87,2 19,8 a Solo 31,5 11,3 a 78,7 19,2 a 91,7 15,5 a Ambiente * Valores seguidos da mesma letra entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05). 120 FRUTIFICAÇÃO COLHEITA ENTRESSAFRA 100 - % Frutos Brocados ∆ Planta Solo 80 60 40 20 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 32 Figura 10. Flutuação da porcentagem de frutos de café brocados através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados no solo e na planta. 5.2 – Níveis de infestação de H. hampei em frutos de café Na figura 11, observa-se os níveis de infestação de H. hampei em frutos de café durante o ano de 2004, onde observou-se as médias mais altas no período da colheita com valores de 86 (20º semana) e 94% (24º semana) nas plantas e no solo, respectivamente. Verificou-se diferença estatística (P < 0,05) nos níveis de infestação apenas no período da entressafra. Para os períodos de frutificação e colheita as médias não diferiram estatisticamente entre si. (Tabela 1). Tabela 2. Percentual (DP) de frutos de café infestados em diferentes ambientes no campo. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan a (16 de mai a (01 de jul a 15 de mai) 30 de jun) 31 de dez) Planta 12,1 8,0 a* 71,0 14,3 a 58,4 25,8 a Solo 8,5 4,9 a 55,6 26,9 a 29,2 20,9 b Ambiente * Valores seguidos da mesma letra, entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05). FRUTIFICAÇÃO 100 ∆ Planta % Infestação 80 COLHEITA ENTRESSAFRA Solo 60 40 20 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 33 Figura 11. Flutuação da porcentagem de infestação em frutos de café através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados no solo e na planta. 5.3 – Ocorrência de C. stephanoderis em frutos secos de C. canephora coletados na planta e no solo A figura 12 demonstra a flutuação do parasitóide em frutos brocados durante todo o ano de 2004. Observou-se que o maior percentual de parasitóides foi observado no período da colheita, sendo que neste mesmo período não houve diferença estatística entre as médias dos dois ambientes analisados. Verificou-se diferença estatística apenas no período da entressafra, onde o número de parasitóides foi maior em frutos na planta (Tabela 3). Tabela 3. Percentual (DP) de grãos de café com presença do parasitóide no campo. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan a (16 de mai a (01 de jul a 15 de mai) 30 de jun) 31 de dez) Planta 0,7 1,0 a* 26,3 20,7 a 9,1 19,3 a Solo 0,2 0,6 a 17,3 17,0 a 0,9 3,1 b Ambiente * Valores seguidos com a mesma letra, entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05). % parasitóides em frutos brocados 34 FRUTIFICAÇÃO 90 ENTRESSAFRA COLHEITA 80 70 ∆ Planta Solo 4 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 60 50 40 30 20 10 0 1 7 Semanas Figura 12. Flutuação da porcentagem de ocorrência do parasitóide nos frutos secos através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo. 5.4 – Níveis de parasitismo em frutos de café coletados na planta e no solo A figura 13 demonstra a flutuação dos níveis de parasitismo durante os três períodos analisados. Os níveis de parasitismo foram maiores nas plantas em relação ao solo. Observou-se que no período da colheita, o parasitismo atingiu as maiores médias tanto na planta como no solo, quando comparado com as outras épocas. A diferença estatística entre as médias nos dois ambientes ocorreu apenas no período da entressafra (Tabela 4). Tabela 4. Percentual (DP) de parasitismo de H. hampei no campo em diferentes ambientes. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan a (16 de mai a (01 de jul a 15 de mai) 30 de jun) 31 de dez) Planta 0,5 0,9 a* 6,0 5,1 a 0,6 1,4 a Solo 0,2 0,6 a 5,0 9,4 a 0,1 0,4 b Ambientes * Valores seguidos da mesma letra, entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05) 30 o 25 20 FRUTIFICAÇÃO COLHEITA ENTRESSAFRA 35 ∆ Planta Solo Figura 13. Flutuação da porcentagem de parasitismo em frutos secos de café através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo. 5.5 – Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei vivos A figura 14 mostra a flutuação dessa variável durante os três períodos analisados ao longo do ano de 2004. Constatou-se que no período de frutificação a ocorrência de C. stephanoderis em frutos com H. hampei vivos é nula no ambiente planta e muito reduzida no solo (0,1%) (Tabela 5). As maiores médias foram observadas no período da colheita. No período da entressafra as médias foram 1,0 e 0,8% nos ambientes planta e solo, respectivamente. Não houve diferença estatística entre os ambientes nos três períodos analisados ao longo do ano (Tabela 5). Tabela 5. Percentual (DP) de ocorrência do parasitóide C. stephanoderis em frutos com brocas vivas nos diferentes ambientes. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan. a 15 de (16 de maio a 30 (01 de julho a 31 maio) de junho) de dezembro) Planta 0 0,0* 4,3 2,7 a 1,0 2,4 a Solo 0,1 0,5 2,0 2,5 a 0,8 0,4 a Ambientes * Valores seguidos com a mesma letra, entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05). 36 12 FRUTIFICAÇÃO ENTRESSAFRA COLHEITA 10 ∆ Planta Solo % 8 6 4 2 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 Semanas Figura 14. Flutuação da porcentagem de frutos de café com parasitóide e brocas vivas através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), coletados na planta e no solo. 5.6 – Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos A ocorrência do parasitóide em frutos com brocas mortas foi maior no ambiente planta em relação ao solo, no período da entressafra, com valores de 4,2 e 0,4% nos ambientes plantas e solo, respectivamente (Tabela 6). A figura 15 demonstra a flutuação desta variável durante o ano de 2004. Observou-se que na colheita, a relação da presença do parasitóide em frutos com brocas mortas, atinge os maiores picos, sendo que na planta essa relação prolonga-se por algumas semanas a mais em relação ao solo. Tabela 6. Percentual (DP) de ocorrência do parasitóide C. stephanoderis em frutos com brocas mortas nos diferentes ambientes. Frutificação Colheita Entressafra (01 de jan. a 15 de (16 de maio a 30 (01 de julho a 31 maio) de junho) de dezembro) Planta 0,2 0,6 a* 12,7 9,2 a 4,2 7,9 a Solo 0,1 0,5 a 9,0 7,8 a 0,4 1,3 b Ambientes * Valores seguidos com a mesma letra, entre linhas, não apresentam diferenças significativas, Tukey (P = 0,05) 37 35 FRUTIFICAÇÃO 30 ∆ Planta COLHEITA ENTRESSAFRA Solo 25 % 20 15 10 5 0 1 4 7 10 13 16 19 22 25 28 31 34 37 40 43 46 Semanas Figura 15. Flutuação da porcentagem de frutos de café com parasitóide e brocas mortas através do tempo (janeiro a dezembro de 2004), para os 6 - DISCUSSÃO diferentes ambientes. 6.1 – Níveis de frutos secos de C. canephora brocados por H. hampei Não houve diferença entre as porcentagens de frutos secos brocados e os ambientes observados (planta e solo) (Tabela 1). A broca, portanto, não diferenciou ambiente no qual o fruto se encontra para penetrar. Isto indica que a qualidade dos frutos para a atração da broca, provavelmente, não varia nos dois ambientes e, que também, os fatores ambientais não interferiram na escolha dos frutos pela broca. Constatou-se nesta pesquisa que a porcentagem de frutos secos brocados, durante a fase de frutificação, sempre esteve acima do nível de dano econômico (NDE 5%) (Figura 10). Nesta fase há grande disponibilidade de frutos verdes (em formação), os quais não são considerados apropriados para colonização pela broca até que o endosperma esteja formado, embora possam ser perfurados pelo inseto. Portanto, nesses frutos, as fêmeas produzem galerias de penetração, mas, como o endosperma (tecido apropriado à construção das câmaras de postura de H. hampei) ainda apresenta consistência aquosa, dificulta a oviposição (GUTIERREZ et al., 1998; SOUZA & REIS, 1997). Por isso, durante grande parte do período de frutificação, espera-se que frutos secos sejam mais atacados do que os frutos em 38 formação, pois segundo Teixeira (2002), frutos mais velhos não oferecem restrições físicas à reprodução de H. hampei. Já no período de colheita (quando os frutos estão maduros), as porcentagens de frutos secos brocados aumentam de maneira que as médias gerais deste período foram de 89,7 e 78,7% na planta e no solo respectivamente (Tabela 1). Neste período, na 20º semana, a porcentagem de frutos brocados na planta chegou a 98%, sendo que esse mesmo valor só foi encontrado na 24º semana em frutos no solo (Figura 10). Isso sugere que no período da colheita, devido a maior disponibilidade de frutos maduros, que são apropriados para a reprodução da broca, há um aumento da sua populacional da broca. Conseqüentemente, a porcentagem de frutos secos brocados também aumenta devido à competição por frutos durante este período. Portanto, para garantir a própria sobrevivência e de sua progênie, H. hampei penetra não apenas em frutos maduros (cereja), como também em frutos secos presentes no solo e/ou na planta. Estudos realizados por Mathieu et al. (1997) evidenciaram que a dinâmica populacional de H. hampei ao longo do ano, pode ser dividida em três fases: uma fase inicial de estabelecimento, caracterizada pela movimentação do inseto de frutos da safra anterior para os primeiros frutos que começam a amadurecer na safra seguinte; uma segunda fase, chamada de multiplicação, que toma lugar sobre várias gerações da broca ao mesmo tempo, à medida que os frutos vão amadurecendo; e uma terceira fase de interestações, caracterizada com um período pós-colheita, em que a maioria dos frutos que ficam na cultura estão secos. Este último período é crucial para a dinâmica subseqüente das populações de H. hampei, porque a população em frutos secos constitui um refúgio do qual ocorre reprodução. Isso ficou evidenciado, porque observamos na figura 10, que no período da entressafra, a porcentagem de frutos brocados continua alta até o mês de novembro tanto no ambiente planta como no solo. Observou-se neste período, que a partir do mês de dezembro, a porcentagem média de frutos brocados diminui, provavelmente porque neste momento, a população da broca deixa de procurar por frutos secos, esperando a formação de novos frutos da próxima colheita. Durante essa fase, a sobrevivência de H. hampei depende da sua capacidade para localizar um lugar receptivo rapidamente (CÁRDENAS, 2002). Nesse período desfavorável para o inseto, os frutos remanescentes secos, tanto na planta como no solo, tornam-se 39 fundamentais para a manutenção populacional do H. hampei no agroecossistema cafeeiro. 6.2 – Níveis de infestação de H. hampei em frutos de café Durante a frutificação e a colheita, o local onde os frutos estavam presentes (ambiente) não influenciou a “escolha” da broca por permanecer ou não nos frutos brocados para colonizá-lo. Entretanto, no período da entressafra frutos na planta se mostraram mais favoráveis à colonização pela broca com médias de 58,4 e 29,2% nos ambientes planta e solo, respectivamente (Tabela 2). No período da frutificação, entre janeiro e meados de maio de 2004, foram constatados os níveis mais baixos de infestação nos frutos secos. Durante este período, os frutos nas plantas ainda estavam em processo de amadurecimento, e por isso a densidade populacional do H. hampei esteve baixo em relação aos demais períodos. No período da colheita, apesar de a broca preferir frutos maduros, nos dois ambientes se observou um incremento nos níveis de infestação nos frutos secos. O nível mais alto de infestação foi de 86% na 20º semana (fim de maio), para frutos nas plantas e 94% na 24º semana (fim de junho), em frutos no solo (Figura 11). Esse fato indica que a população (reprodução) do inseto é dependente da fenologia da planta hospedeira. Por isso, o pico populacional da broca acontece na época da colheita, período com maior disponibilidade de frutos apropriados para sua reprodução. De maneira geral, os nossos resultados estão coerentes com a afirmação de Guharay & Monterrey (1997), de que o aumento da população da broca é determinado pela disponibilidade de frutos de café apropriados para oviposição, alimentação e desenvolvimento desse inseto. Costa et al., (2005) constataram que a partir de novembro, no município de Ouro Preto D’Oeste-RO, há um aumento gradativo da infestação da broca até o final da colheita (com pico neste período, maio/2000), verificando níveis que variaram de 33,6 a 40,9%. Ferreira et al. (2000) encontraram, no final da colheita em Minas Gerais (julho/2000) populações elevadas da praga, constatando que H. hampei está intimamente relacionado com a disponibilidade e propriedades adequadas dos frutos, que funciona como fonte de alimento e local de reprodução para o inseto. 40 Na entressafra, observou-se que a população da broca se concentra mais nas plantas que no solo (Figura 11). No solo, o inseto fica mais propício às ações de inimigos naturais, por exemplo, microrganismos entomopatógenos e predadores. Segundo Klein-Koch et al. (1988), a destruição de frutos caídos ao solo por bactérias, fungos e outros microrganismos é um outro fator importante que contribui para o fato de a população da broca ser menor neste ambiente em relação às plantas. Desse modo, o solo seria uma ambiente mais hostil à sobrevivência da broca. Entretanto, observou-se que no período da entressafra, a média de frutos brocados foi maior no solo em relação às plantas (Tabela 1). Isso demonstra, que nem sempre onde encontramos maior número de frutos brocados, iremos encontrar maior densidade populacional da praga. No período da entressafra, a partir da 36º semana (final do mês de setembro), o nível de infestação tende a aumentar no solo (Figura 11). Isso indica que o H. hampei, embora com menos intensidade em relação ao período da colheita, continua se reproduzindo nesta época, principalmente, na planta, onde a densidade populacional deste inseto é maior. Dessa forma, a procura por “novos frutos” aumenta, resultando na reinfestação dos frutos secos brocados presentes no solo durante a entressafra. Costa et al., (2005), verificaram nos meses subseqüentes à colheita, de junho para julho, um aumento de infestação da broca em frutos no chão, de aproximadamente 20%, mantendo-se estável no período de agosto a setembro. 6.3 – Ocorrência de C. stephanoderis em frutos secos de C. canephora coletados na planta e no solo Durante a fase de frutificação, em que prevalecem frutos verdes, a população da broca tende a ser relativamente pequena. Apesar dos frutos secos se manterem com índices de ataque significativos (superiores a 5% dos frutos atacados) ainda não há no cafezal disponibilidade de formas imaturas da broca, as quais são as preferidas do parasitóide. Por isso, neste período, o nível de ocorrência de C. stephanoderis foi baixo. Entretanto, logo no final do período de frutificação do café, há um significativo aumento na população do parasitóide tanto na planta quanto no solo (Figura 12). Esta situação permaneceu favorável para o parasitóide até as primeiras semanas da entressafra. Porém, na entressafra, frutos na planta também se mostraram melhores do que o solo, para a atuação do parasitóide (Tabela 3). 41 Este comportamento pode ser explicado pelo fato de o parasitóide ser dependente da presença da broca, o que demonstra a sua especificidade por hospedeiro. Como nos frutos das plantas foram observados maiores níveis de infestação brocas (Tabela 2), houve maior atração dos parasitóides para este ambiente. Assim, a ausência da broca no solo dificultou o encontro de frutos com o parasitóide presente. Também, outros inimigos naturais atuam no solo, fazendo com que os frutos do solo não permitam a presença e desenvolvimento normal das brocas. Por isso, a presença de C. stephanoderis se torna mais rara neste ambiente do que nas plantas. No geral, o nível de ocorrência de C. stephanoderis acompanhou a tendência de seu hospedeiro H. hampei (infestação), sendo que os maiores níveis ocorreram a partir de maio nos dois ambientes investigados. Isso indica a relação positiva entre abundância e distribuição de H. hampei e C. stephanoderis nos ambientes planta e solo. Esse fato sustenta que este padrão é devido ao parasitóide ser uma espécie “densidade dependente” do seu hospedeiro, assim como o H. hampei é dependente da fenologia de C. canephora. Tanto nas plantas como no solo, no período da entressafra, a população do parasitóide continuou aparecendo por algumas semanas depois do período da colheita (Figura 12). Isso demonstra a presença de novas gerações após a disponibilidade de hospedeiros no ambiente. Nas semanas subseqüentes, os níveis de ocorrência foram zero, ocorrendo apenas em outubro e dezembro nas plantas, e, no solo, apenas em dezembro (Figura 12). Provavelmente, isso ocorre porque durante este período, a presença de formas imaturas de H. hampei foi quase nula, ocorrendo ovos, larvas e pupas apenas no mês de dezembro, período que também ocorre o parasitóide. Isso se evidencia pelo fato de que a partir de maio, quando os níveis de frutos colonizados aumentam rapidamente, chegando ao seu pico máximo no mês de junho, a densidade populacional do parasitóide chega a 84%, na 25º semana (primeira de semana de julho) (Figura 12). Ficou constatado, portanto, que a tendência de aumento e diminuição da população de C. stephanoderis segue o mesmo padrão nos dois ambientes, isto é, a sua população aparece apenas semanas depois do aumento de hospedeiros no ambiente e diminui com a escassez do mesmo. 42 6.4 - Níveis de parasitismo em frutos de café coletados na planta e no solo A presença de C. stephanoderis em frutos colonizados com formas imaturas da broca (corresponde ao parasitismo) segue o mesmo padrão observado em frutos brocados, inclusive com maior presença deste inimigo natural na planta que no solo durante a entressafra. Entretanto, as médias observadas foram menores, com valores de 6,0 e 5,0% no período da colheita e 0,6 e 0,1%, no período da entressafra, para planta e solo, respectivamente (Tabela 4). Este fato indica que é mais fácil encontrar o parasitóide em frutos não colonizados. Isso pode estar relacionado com o fato de o parasitóide estar em constante movimentação com finalidade de forragear e encontrar seu hospedeiro nos frutos de café. O parasitismo observado nas plantas e no solo indica que no período em que ocorre a maior presença de H. hampei, em sua forma suscetível para ser parasitada, a porcentagem de parasitismo também atinge seus maiores níveis. Isso demonstra que no período da colheita, o parasitóide aproveita ao máximo a presença de seu hospedeiro para reproduzir-se e garantir sua descendência no ambiente. Observouse que no período de frutificação, em conseqüência de terem poucas formas imaturas da broca-do-café no ambiente, os níveis de parasitismo foram inferiores a 5%. Entretanto, no período da colheita, época em que se encontrou maior porcentagem de imaturos da broca, os níveis de parasitismo alcançaram suas maiores médias em relação aos períodos de frutificação e entressafra, com 14 e 24% nas planta e no solo, respectivamente. No período da entressafra, constatou-se que o nível de parasitismo permaneceu apenas por algumas semanas após a colheita, sendo que o parasitismo volta a ser observado apenas no final da entressafra, época em que começa a ocorrer, novamente, formas imaturas da broca no ambiente, especificamente nas planta (Figura 13). O percentual de parasitismo observado no período de colheita, entre 2 e 14% nas plantas e 2 a 24% no solo (Figura 13) é um indicativo para o uso desse parasitóide em futuro programas de controle biológico contra a broca-do-café no Estado de Rondônia. Ticheler (1963), em um dos primeiros trabalhos sobre a biologia e hábitos de C. stephanoderis, registrou parasitismos de 27%, em frutos maduros, e 50% em frutos secos. Koch (1973), na Costa do Marfim, registrou em condições de campo, taxas de parasitismo entre 20 e 30%. 43 Aristizábal et al. (1997), liberaram C. Stephanoderis com níveis baixos de infestação de H. hampei. Neste local o parasitismo alcançado pelo parasitóide, oscilou entre 3,6 e 18,2% em frutos coletados nas plantas e entre 0 e 8% em frutos do solo. O parasitismo total (soma do parasitismo nas plantas e no solo) apresentou valores entre 5,3 e 26,2%. Barrera et al. (1991) depois de liberar adultos de C. stephanoderis no México, encontraram evidências de seu estabelecimento e observaram até 30% de parasitismo. Na Colômbia, Benavides et al. (1994) observaram taxas de parasitismo compreendido entre 22 e 65%, quando o nível de infestação de H. hampei foi maior que 80%. Os espécimens encontrados no campo experimental, provavelmente, são provenientes dos frutos de outras regiões do Brasil onde já houve liberação desse inseto para o controle biológico do H. hampei. Essa liberação é registrada apenas no Estado do Espírito Santo, em meados da década de 1990, para o controle biológico do H. hampei (BENASSI, 1995). Apesar de não ter havido uma liberação massal desse parasitóide em Rondônia, a porcentagem de parasitismo observado, indica que C. stephanoderis encontra-se num ambiente favorável para seu estabelecimento e reprodução. Assim, o parasitóide já exerce um controle natural sobre a população do H. hampei no município de Ouro Preto D’Oeste-RO. 6.4.1 - Fatores biológicos relacionados à densidade do parasitóide Vários fatores biológicos estão relacionados com o sucesso da C. stephanoderis no ambiente. Apesar da espécie C. stephanoderis ser sinovigênica, (LAUZIÈRE et al., 1999), em alguma fase de sua vida adulta essa espécie também se alimenta de carboidratos, os quais são encontrados em secreções açucaradas de flores (POLASZEK & KROMBEIN, 1994) e adultos do H. hampei (SALAZAR et al. 2002). Desta forma, parasitóides adultos não dependem, apenas, do encontro de seu hospedeiro para finalidade reprodutiva, mas também de encontrar alimento para suprir suas necessidades nutritivas em um curto espaço de tempo, até encontrar seu hospedeiro no estágio apropriado para sua reprodução. Os estudos mostram que a disponibilidade e acessibilidade de diferentes fontes de alimento, tais como néctar ou mel no ambiente afeta, fortemente, a eficiência do parasitóide em encontrar seu hospedeiro e manuter seu metabolismo, locomoção, fertilidade e longevidade (LEWIS et al., 1998). 44 O consumo de alimento (carboidrato) que não é originado de seu hospedeiro específico, no entanto, é insuficiente para induzir a oogênese e oviposição da espécie C. stephandoris (LAUZIÈRE et al., 2001a). A fêmea precisa, portanto, consumir a hemolinfa e outros tecidos de seu hospedeiro para conseguir o estado nutricional necessário e começar a oogênese (HEIMPEL & COLIER, 1996; LAUZIÈRE et al., 2001a). Espécies de parasitóide “anautogenous”, como C. stephanoderis (LAUZIÈRE et al., 2000), precisam se alimentar muito durante o período de pré-oviposição para estimular a oogênese (JERVIS & KIDD, 1986). Portanto, essa espécie precisa de muitas formas imaturas da broca-do-café para ter um bom desempenho reprodutivo. Por isso, Lauzière et al. (1999), constataram que as fêmeas de C. stephanoderis matam muito mais seu hospedeiro pela alimentação, antes da oogênese e oviposição, do que pelo parasitismo de suas larvas sobre imaturos da broca-do-café. Esse parasitóide dedica 2 a 3 dias somente para se alimentar dentro do fruto antes de começar a ovipositar, sendo que na sua dieta alimentícia prefere ovos e larvas pequenas de H. hampei (SOSA, 2004). Outro fator biológico a ser considerado é a competição intra-guilda que o parasitóide pode sofrer com outros inimigos naturais da broca-do-café no ambiente. O resultado final dessa competição é geralmente um impacto negativo no controle e na diminuição na população dos insetos fitófagos, por exemplo, a população alvo (SNYDER & IVES, 2001). Não se conhece se o parasitóide tem algum predador ou competidor em potencial que possa comprometer sua eficiência no controle biológico de H. hampei. Pérez-Lachaud et al., (2004), constataram que as interações tróficas do competidor C. hyalinipennis da C. stephanoderis e P. nasuta pode ter um impacto negativo no controle da broca-do-café. Acredita-se que o hiperparasitismo, a predação e os ataques comportamentais letais por C. hyalinipennis são responsáveis para o não-estabelecimento do parasitóide P. nasuta no México (INFANTE et al, 2001). 6.4.2 - Relação da densidade populacional: hospedeiro e parasitóide Nossos resultados demonstraram que a densidade populacional da broca-docafé (H. hampei) está diretamente relacionada com a fenologia de C. canephora, e 45 que a densidade do parasitóide (C. stephanoderis) relaciona-se com a de seu hospedeiro nos dois ambientes (solo e planta) investigados. Isto é percebido porque o crescimento da população do hospedeiro (H. hampei) sempre é acompanhado pelo de seu parasitóide (C. stephanoderis) no intervalo de poucas semanas. Porém, a diminuição da população do parasitóide acontece primeiro que a da broca-do-café. Isso evidencia a especificidade do parasitóide e demonstra dependência em relação ao hospedeiro para o ciclo reprodutivo e garantia de sua sobrevivência no ambiente. Dessa forma, a permanência de frutos secos na lavoura cafeeira, garante a manutenção populacional do parasitóide C. stephanoderis, uma vez que esses frutos são os únicos refúgios de H. hampei durante a entressafra, período com pouca ou nenhuma disponibilidade de frutos apropriados para a reprodução dessa praga. Quando um inimigo natural é especificamente dependente de sua presa ou hospedeiro, como no caso do parasitóide C. stephanoderis, em lugares onde há ocorrência desse inseto parasitóide, a presença de H. hampei durante todo o ano é fundamental para sua manutenção populacional. Portanto, observou-se que o fator determinante para o aparecimento da população do parasitóide no ambiente é a ocorrência de formas imaturas da broca-do-café, principalmente, larvas e pupas que são os estágios preferenciais do parasitóide para sua alimentação e reprodução. Isso está em conformidade com muitos estudos a respeito deste parasitóide e seu hospedeiro. Abraham & Moore (1990) citam que a espécie C. stephanoderis é muito comum em lavouras cafeeiras na África, possivelmente, por atacar a maioria dos estágios imaturos do seu hospedeiro. Lauzière et al. (2001b), constataram em laboratório, o comportamento das fêmeas de C. stephanoderis envolve estratégias para explorar diferentes estágios de H. hampei, os quais são simultaneamente encontrados em frutos colonizados. Outro aspecto importante é fato dessa espécie de parasitóide ser específica da broca-do-café. Apesar de essa espécie atacar todos os estágios de desenvolvimento da broca, sua oviposição ocorre preferencialmente em pré-pupa e pupas e em uma proporção menor em larvas do último instar (PÉREZ-LACHAUD, et al., 2004; LAUZIÈRE et al., 1999). Em frutos colonizados, fêmeas de C. stephanoderis permanecem perto do corpo de seu hospedeiro até o final do desenvolvimento de sua prole (KOCH, 1973). Outros processos biológicos, como o número de ovos que a fêmea do parasitóide deposita durante seu tempo de vida é 46 determinado por processos de interação ecológica dentre eles, o número de hospedeiros encontrados no ambiente (JERVIS et al., 2001). Estudos com outras espécies de parasitóides têm demonstrado a importância da densidade do hospedeiro na população de parasitóides. Guilloux (2003), investigando a dinâmica populacional de Plutella xylostella Linnaeus, (Lepdoptera: Yponomeutidae) principal praga de Brassicaceae no mundo, observaram que seu aumento populacional é acompanhado pelo crescimento na porcentagem de parasitismo por várias espécies de parasitóides. De forma similar, Foerster et al., (2001), investigando a influência da densidade do hospedeiro Mythimna (Pseudaletia) sequax Franclemont (Lepidoptera: Noctuidae) no parasitismo por Glyptapanteles muesebecki Blanchard (Hymenoptera: Braconidae) constataram que o número de lagartas parasitadas e a produção de progênie do parasitóide aumentaram com o aumento da densidade do hospedeiro. Esses parâmetros ecológicos estão em conformidade com a maioria de modelos analíticos, que predizem que a proporção dos parasitóides aumenta quando há disponibilidade de hospedeiros no ambiente (JERVIS & KIDD, 1986; KIDD & JERVIS, 1989; LAUZIÈRE et al., 1999). Lauzière et al. (2000), constataram, em laboratório, que a eficácia de C. stephanoderis como agente de controle biológico depende das variações da densidade de seu hospedeiro no ambiente. Gómez (2005) cita que um dos fatores que limita a efetividade de C. stephanoderis no campo é a baixa disponibilidade dos estágios de desenvolvimento de H. hampei suscetíveis de serem parasitados no período da entressafra. Dessa forma, constatou-se que após a alta disponibilidade de hospedeiros suscetíveis para a reprodução de C. stephanoderis (larvas e pupas de H. hampei), há uma tendência, depois de algumas semanas que novas gerações do parasitóide apareçam no ambiente. Observou-se ainda, que no momento que a porcentagem de frutos colonizados começa a diminuir nos dois ambientes, a tendência da densidade do parasitóide é acompanhar essa diminuição, possivelmente, devido à escassez de hospedeiros, que é importante para que o parasitóide possa completar seu ciclo biológico. Isso torna evidente porque durante o período da colheita, o qual ocorre maior disponibilidade de formas imaturas do H. hampei, o parasitóide aproveita ao máximo para reproduzir-se. Por isso, nessa época é observada sua maior densidade populacional. Apenas no mês de dezembro o parasitóide torna a aparecer no 47 ambiente, época em que voltam a aparecer também formas imaturas do H. hampei nos frutos secos. 6.5 – Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei vivos No período da entressafra, observou-se nos dois ambientes, que a partir da 31º até a 46º semana, a ocorrência de C. stephanoderis em frutos com H. hampei vivos é nula (Figura 14). Isto indica que o fator determinante para a presença do parasitóide nos frutos de café é a ocorrência das formas imaturas de H. hampei, pois neste período encontraram-se apenas formas adultas da broca no interior dos frutos secos remanescentes da colheita anterior. No entanto, não se descarta a possibilidade do parasitóide alimentar-se de formas adultas do H. hampei. As médias da presença do parasitóide em frutos com brocas vivas, apesar de serem relativamente baixas durante os períodos analisados (Tabela 5), indicam que o parasitóide forrageia por alimentos dentro dos frutos secos, principalmente, nos frutos remanescentes nas plantas. No solo, o aparecimento do parasitóide juntamente com seu hospedeiro na forma adulta, é detectado apenas em dezembro (Figura 14). A ressurgência da presença do parasitóide em frutos de café com brocas vivas no mês de dezembro é um indicativo que ele tem outras formas de nutrir-se para sobreviver durante a escassez de seu hospedeiro na sua forma mais apropriada. Por isso, é constatado que C. stephanoderis alimenta-se de secreções açucaradas de plantas presentes nos cafezais, por exemplo, a flores de Euphorbia hirta L. (PÉREZ-LACHAUD & HARDY, 1999). Há uma necessidade, portanto, de se investigar a capacidade de C. stephanoderis predar adultos de H. hampei no campo. 6.6 - Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos A ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos foi relativamente maior que com a variável anterior (Tabela 6). Isso pode indicar que durante o período em que não há hospedeiros no estágio preferencial para o parasitóide se alimentar e reproduzir-se, ele procura por formas adultas para alimentar-se durante a época hostil para sua sobrevivência. 48 Durante a entressafra, a maioria dos estágios da H. hampei encontrados nos frutos secos foram formas adultas nos dois ambientes investigados. Embora C. stephanoderis prefira ovos e larvas na sua dieta alimentícia (SOSA, 2004) alguns trabalhos (SOSA, 2004; SALAZAR & BAKER, 2002) têm relatado que esse parasitóide preda formas adultas do H. hampei, servindo-lhes de alimento durante o período em que não são encontradas formas imaturas do seu hospedeiro para sua reprodução. Confirmando essa possibilidade, Salazar & Baker (2002), observaram maior proporção de adultos de H. hampei mortos, mutilados e ausência nas amostras provenientes de lotes com presença de C. stephanoderis. Os autoesr atribuiram esse fato ao ataque direto que C. stephanoderis realiza contra os adultos de H. hampei, situação que provavelmente constitui uma evidência que além do parasitismo, o parasitóide também exerce um efeito “predador” sobre adultos de população de H. hampei. Outros autores têm observado reduções na população da praga graças ao duplo efeito (parasítico e predador) apresentado por C. stephanoderis (ARISTIZÁBAL, et al., 1998). Além disso, Sosa (2004) cita que C. stephanoderis alimenta-se de adultos de H. hampei quando os encontra casualmente no momento em que penetra no fruto (SOSA, 2004). Portanto, como já mencionado anteriormente, além de C. stephanoderis alimentar-se de carboidratos secretados por algumas espécies de flores (PÉREZLACHAUD & HARDY, 1999) é provável que durante a entressafra, quando o parasitóide não encontra formas imaturas de seu hospedeiro para se alimentar e reproduzir-se, ele também ataca formas adultas de H. hampei encontradas em frutos secos, apenas para alimentar-se e garantir sua nutrição durante o período crítico de escassez de hospedeiro na sua forma preferencial e apropriada para alimentação. 49 7 - CONCLUSÕES Frutos secos de C. canephora presentes na lavoura cafeeira também são colonizados por H. hampei no período da colheita devido ao aumento populacional desta espécie que ocorre nesta época; Nos períodos de frutificação e entressafra, frutos secos de café servem de refúgio para H. hampei, exercendo influência na manutenção populacional desta praga no agroecossistema; A densidade populacional da praga e seu parasitóide são maiores nas plantas em relação ao solo. As flutuações populacionais de H. hampei e C. stephanoderis demonstram que são espécies “densidade dependente”. Os níveis máximo de parasitismo presente na planta e no solo, no período da colheita, demonstram que C. stephanoderis encontra ambiente favorável para 50 seu estabelecimento e que esse inimigo natural já exerce um controle natural sobre a população do H. hampei no agroecossistema cafeeiro em Rondônia. 8 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAHAM Y.J. MOORE D. Rearing and aspects of biology of Cephalonomia stephanoderis and Prorops nasuta (Hymenoptera: Bethylidae) parasitoids of the coffee berry borer, Hypothenemus hampei (Coleoptera: Scolytidae). Bulletin of Entomological Reserarch. 80, 120-128. 1990. ALVARENGA, M.I.N. MARTINS, M. De Paula, M.B. Manejo ecológico da propriedade cafeeira orgânica. Informe Agropecuário, Belo Horizonte-MG, v.23, n:214/215, p.21-31. 2002. ALVAREZ, V.J.A. OLIVEROS, T.C.E. RAMÍREZ, G.C.A. 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Australian Centre for International Agricultural Research, Canberra. pp. 56-75. 1989. 9 - ANEXOS 59 Anexo 1 - Dados das Figuras 10 a 15 (Ambiente Planta) Período FRUTIFICAÇÃO COLHEITA ENTRESSAFRA Semanas % frutos brocados 1ªSem. 2ªSem. 3ªSem. 4ªSem. 5ªSem. 6ªSem. 7ªSem. 8ªSem. 9ªSem. 10ªSem. 11ªSem. 12ªSem. 13ªSem. 14ªSem. 15ªSem. 16ªSem. 17ªSem. 18ªSem. 19ªSem. 20ªSem. 21ªSem. 22ªSem. 23ªSem. 24ªSem. 25ªSem. 26ªSem. 27ªSem. 28ªSem. 29ªSem. 30ªSem. 31ªSem. 32ªSem. 33ªSem. 34ªSem. 35ªSem. 36ªSem. 37ªSem. 38ªSem. 39ªSem. 40ªSem. 41ªSem. 42ªSem. 43ªSem. 44ªSem. 45ªSem. 46ªSem. 47ªSem. 48ªSem. 60 40 44 42 22 50 44 20 44 80 16 22 12 14 18 34 28 64 86 98 94 72 98 90 100 98 100 100 98 100 94 100 100 98 100 100 100 98 100 100 100 100 98 98 36 34 54 96 % frutos infestados por H. hampei 24 6 10 16 4 10 18 10 14 4 6 12 8 4 4 18 16 34 74 86 74 44 78 70 70 78 80 68 74 70 46 72 84 52 64 64 84 14 86 64 64 68 50 74 6 0 6 64 % parasitismo 0 0 0 0 2 0 2 2 0 0 2 0 0 0 0 0 0 2 2 14 10 2 6 2 4 4 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 4 % C. stephanoderis % brocados c/ C. em frutos com stephanoderis brocas vivas 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 2 0 2 0 2 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 2 0 28 0 36 8 24 4 4 4 60 6 6 4 84 4 42 10 14 0 20 2 24 2 4 0 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 22 6 60 % C. stephanoderis em frutos com brocas mortas 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 12 12 12 4 30 6 28 22 10 12 4 2 2 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 18 61 Anexo 2 - Dados das Figuras 10 a 15 (Ambiente Solo) Período FRUTIFICAÇÃO COLHEITA ENTRESSAFRA Semanas % frutos brocados 1ªSem. 2ªSem. 3ªSem. 4ªSem. 5ªSem. 6ªSem. 7ªSem. 8ªSem. 9ªSem. 10ªSem. 11ªSem. 12ªSem. 13ªSem. 14ªSem. 15ªSem. 16ªSem. 17ªSem. 18ªSem. 19ªSem. 20ªSem. 21ªSem. 22ªSem. 23ªSem. 24ªSem. 25ªSem. 26ªSem. 27ªSem. 28ªSem. 29ªSem. 30ªSem. 31ªSem. 32ªSem. 33ªSem. 34ªSem. 35ªSem. 36ªSem. 37ªSem. 38ªSem. 39ªSem. 40ªSem. 41ªSem. 42ªSem. 43ªSem. 44ªSem. 45ªSem. 46ªSem. 47ªSem. 48ªSem. 48 20 38 40 32 50 28 44 42 28 22 18 18 18 30 32 16 44 66 96 92 68 52 98 56 72 92 78 78 84 76 98 100 80 100 100 100 100 98 100 100 98 98 100 46 80 68 92 % frutos infestados por H. hampei 12 8 4 16 10 6 6 6 2 8 2 12 6 10 10 16 2 18 28 68 72 46 26 94 16 24 22 6 22 28 8 20 24 6 24 26 64 68 44 44 52 60 38 62 2 0 4 38 % parasitismo % brocados c/ C. stephanoderis 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 24 0 4 0 2 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 30 40 8 0 26 2 14 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 6 % C. stephanoderis em frutos com brocas vivas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 2 6 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 % C. stephanoderis em frutos com brocas mortas 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 16 18 8 0 12 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 6 62 Anexo 3 - Dados complementares das tabelas Dados complementares da Tabela 1 (Níveis de frutos secos de C. canephora brocados por H. hampei): Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 17 6117.88889 359.87582 2.6547 * Planta/solo 1 205.44444 205.44444 1.5155 ns Resíduo 17 2304.55556 135.56209 Total 35 8627.88889 Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 1381.66667 276.33333 1.4714 ns Planta/solo 1 363.00000 363.00000 1.9329 ns Resíduo 5 939.00000 187.80000 Total 11 2683.66667 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 11300.00000 491.30435 3.5170 ** Planta/solo 1 243.00000 243.00000 1.7395 ns Resíduo 23 3213.00000 139.69565 Total 47 14756.00000 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 63 Dados complementares da Tabela 2 (Níveis de infestação de H. hampei em frutos de café) : Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 17 1060.00000 62.35294 2.4189 * Planta/solo 1 113.77778 113.77778 4.4138 ns Resíduo 17 438.22222 25.77778 Total 35 1612.00000 Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 2490.66667 498.13333 1.1538 ns Planta/solo 1 705.33333 705.33333 1.6337 ns Resíduo 5 2158.66667 431.73333 Total 11 5354.66667 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 17070.66667 742.20290 2.0479 * Planta/solo 1 10208.33333 10208.33333 28.1671 ** Resíduo 23 8335.66667 362.42029 Total 47 14756.00000 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 64 Dados complementares da Tabela 3 (Ocorrência de C. stephanoderis em frutos secos de C. canephora coletados na planta e no solo): Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 17 9.00000 0.52941 0.5912 ns Planta/solo 1 2.77778 2.77778 3.1022 ns Resíduo 17 15.22222 0.89542 Total 35 27.00000 Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 1281.66667 256.33333 0.5565 ns Planta/solo 1 243.00000 243.00000 0.5276 ns Resíduo 5 2303.00000 460.60000 Total 11 3827.66667 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 5064.00000 220.17391 1.3732 ns Planta/solo 1 800.33333 800.33333 4.9917 * Resíduo 23 3687.66667 160.33333 Total 47 9552.00000 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 65 Dados complementares da Tabela 4 (Níveis de parasitismo em frutos de café coletados na planta e no solo): Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 17 8.55556 0.50327 0.6581 ns Planta/solo 1 1.00000 1.00000 1.3077 ns Resíduo 17 13.00000 0.76471 Total 35 22.55556 Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 455.00000 91.00000 3.8235 ns Planta/solo 1 3.00000 3.00000 0.1261 ns Resíduo 5 119.00000 23.80000 Total 11 577.00000 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 31.25000 1.35870 1.7442 ns Planta/solo 1 4.08333 4.08333 5.2419 * Resíduo 23 17.91667 0.77899 Total 47 53.25000 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 66 Dados complementares da Tabela 5 (Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei vivos): Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas -* - - - Planta/solo - - - - Resíduo - - - Total - - * Valor de F = 1. F≥ 1. Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 37.66667 7.53333 1.2697 ns Planta/solo 1 16.33333 16.33333 2.7528 ns Resíduo 5 29.66667 5.93333 Total 11 83.66667 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 79.91667 3.47464 1.3338 ns Planta/solo 1 10.08333 10.08333 3.8707 ns Resíduo 23 59.91667 2.60507 Total 47 149.91667 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 67 Dados complementares da Tabela 6 (Ocorrência de C. stephanoderis em frutos de café com H. hampei mortos): Período: Frutificação F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 17 5.00000 0.29412 0.8491 ns Planta/solo 1 0.11111 0.11111 0.3208 ns Resíduo 17 5.88889 0.34641 Total 35 11.00000 Período: Colheita F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 5 189.66667 37.93333 0.3554 ns Planta/solo 1 40.33333 40.33333 0.3779 ns Resíduo 5 533.66667 106.73333 Total 11 763.66667 Período: Entressafra F.V G.L S.Q Q.M F Semanas 23 902.66667 39.24638 1.5790 ns Planta/solo 1 176.33333 176.33333 7.0945 * Resíduo 23 571.66667 24.85507 Total 47 1650.66667 ** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p-valor < .01) * significativo ao nível de 5% de probabilidade (p-valor < .05) ns não significativo (p-valor >= .05) F.V. = Fonte de variação G.L. = Graus de liberdade S.Q. = Soma de quadrado Q.M. = Quadrado médio F = Variável do teste F 68 Anexo 4 (Croqui da área Experimental) COLETA POR AMOSTRA CASUAL SIMPLES Área sem uso de agrotóxico: Espaço entre fileiras (horizontal) = 4m / Espaço entre plantas (vertical = 1m Fileira 1 (Plantas 1 a 80) Fileira 2 (Plantas 81 a 160) ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ (Aproximadamente 500 plantas) Fileira 3 Fileira 4 (Plantas 161 a 240) (Plantas 241 a 320) ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ Fileira 5 (Plantas 321 a 400) Fileira 6 (Plantas 401 a 480) ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ 69 Anexo 5 Ciclo de vida da broca-do-café H.Hampei Adultos Café (fruto brocado) Ovos Pupa Pupa Larva 1° Instar Larva 3° Instar Larva 2° Instar 70 Anexo 6 Ciclo de vida do parasitóide C.Stephanoderis café brocado (frutos colonizados) Cópula entre irmãos Período de pré-oviposição Período de oviposição Período de desenvolvimento 71 Anexo 7 - Fluxograma das atividades realizadas durante o projeto de pesquisa Coleta em campo Laboratório (Avaliações) Broca-do-café Digitação e tabulação dos dados Parasitóide Nº frutos brocados e infestados Nº de espécimes em frutos brocados e colonizados c/ imaturos da broca Pesquisa e Levantamento bibliográfico Nº adultos (vivos/mortos) Isolamento dos parasitódes (em álcool 70%) Análise Estatística Presença (ovos, larvas e pupas) Identificação taxonômica Resultado e Discussão Conclusão