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Thomazi RD, Silva AG (2010) Preferência de aves por coloração de frutos artificiais na Reserva
Biológica de Duas Bocas, Cariacica, Espírito Santo, sudeste do Brasil. Natureza on line 8 (2): 71-73.
ISSN 1806–7409
Preferência de aves por coloração de frutos artificiais na Reserva Biológica de Duas
Bocas, Cariacica, Espírito Santo, sudeste do Brasil
Bird preference for artificial colored fruits in the Biological Reserve of Duas Bocas, Cariacica, Espírito Santo,
southeastern Brazil
Rafael d Thomazi 1, 2 e Ary G Silva1, 3
Programa de Mestrado em Ecologia de Ecossistemas. Centro Universitário Vila Velha - UVV. Rua Comissário José Dantas de Melo, 21, Boa
Vista, Vila Velha, Espírito Santo, Brasil. CEP 29101-770; 2 [email protected]; 3 Professor Titular IV, bolsista de Produtividade em
Pesquisa FUNADESP, [email protected]
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Resumo Uma das preocupações da ecologia vegetal é entender como
ocorre o processo de dispersão de diásporos. Sabendo-se que a utilização
de frutos artificiais permite controlar as variáveis de interesse, este estudo
teve como objetivo investigar a possível preferência de aves frugívoras
por frutos artificiais de diferentes cores. Foram confeccionados frutos de
quatro cores (roxa, vermelho, laranja e verde), sendo dispostos em três
áreas eqüidistantes com cada área apresentando três réplicas. Após doze
horas de exposição dos 144 frutos utilizados no experimento apenas
dois apresentaram evidencia de exploração por frugívoros.
Palavras-chave: Mata Atlântica, ecologia vegetal, dispersão, diásporos.
Abstract One of the matters of plant ecology is to understand how the
diaspore dispersal process. Knowing that the use of artificial fruit allows
to control the some typical variables, this study aimed to investigate the
possible preference of frugivorous birds for artificial fruits of different
colors. Fruits were made of four colors (purple, red, orange and green)
being arranged equidistant in three areas with each area showing three
replicates. After 12 hours of exposure of 144 fruits used in the experiment
only two showed evidence of frugivorous exploitation.
Keywords: Atlantic Forest, plant ecology, dispersal, diaspores.
Introdução
A dispersão de sementes representa a última fase do ciclo
reprodutivo das plantas, e por isso é considerada por diversos
autores como um evento crítico para a regeneração da floresta
(Francisco e Galetti 2002, Wang e Smith 2002).
Aves e mamíferos são os vertebrados dispersores de sementes
de maior importância nas florestas tropicais, nas quais uma grande
porção das espécies arbóreas (entre 50% e 90%) apresenta dispersão
ornitocórica (Tabarelli e Peres 2002, Galetti et al. 2003).
A ornitocoria está diretamente relacionada com certas características
dos frutos como: cor, forma, tamanho, abundância, entre outras. Segundo
Levey et al. (1994) saber como as aves integram esses fatores na escolha
dos frutos é um assunto complexo e amplamente incompreendido.
No entanto, frutos consumidos por aves, são geralmente de tamanhos
pequenos, esféricos, de coloração conspícua e sem odor.
Com isso, o presente estudo teve como objetivo investigar a possível
preferência de aves frugívoras por frutos artificiais de diferentes cores.
Métodos
Área de estudo
O presente estudo foi realizado na Reserva Biológica de Duas
Bocas – REBIO de Duas Bocas, localizada no município de Cariacica,
nos dias 18 e 19 de outubro de 2008. A REBIO de Duas Bocas possui
uma área aproximadamente de 3000 ha e 52 km de entorno, sendo
na sua maior parte formada por Floresta Ombrófila Densa de Mata
Atlântica (Figura 1).
Delineamento experimental
A partir de massa de modelar atóxica e sem odor, foram
confeccionados 144 frutos artificiais, todos eles esféricos, padronizados com
peso de 4,62g. Foram utilizados massas de modelar da cor roxa, vermelha,
laranja e verde. Para a obtenção das cores, foram misturadas duas cores,
tentando aproximar ao máximo da cor de frutos verdadeiros.
Thomazi e Silva
Preferências de aves silvestres por cores em frutos artificiais
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Para a disposição dos frutos foram selecionadas três áreas
eqüidistantes, disposta de forma triangular. Nas áreas foram selecionadas
três árvores também eqüidistantes para a replicagem do experimento.
Em cada árvore foram colocados quatro exemplares de cada cor,
mantendo sempre distante uma cor da outra. Os frutos foram fixados
em plantas de porte arbóreo. Para a fixação dos frutos nas árvores, os
mesmos foram espetados nos galhos das árvores (Figura 2 e 3).
Figura 2 Disposição dos frutos artificiais nos galhos das árvores.
Figura 3 Disposição dos frutos artificiais nos galhos das árvores (obs: galho
retirado após o fim do experimento).
Figua 1 Mapa evidenciando a Reserva Biológica de Duas Bocas, Cariacica,
ES. Fonte: IEMA
Após doze horas, os frutos bicados e intactos foram retirados
das árvores para contagem e pesagem dos frutos bicados.
Resultados e discussão
No total de 144 frutos artificiais, foram bicados neste
experimento apenas dois frutos de cor alaranjada e na mesma
área (Figura 4). Este fato pode estar associado ao pouco tempo de
realização do experimento, uma vez que outros autores realizaram
experimentos com frutos artificiais não menos que 24 horas e
encontraram resultados plausíveis.
Arruda et al (2008), analisando a preferência de aves entre
frutos artificiais das cores vermelho, marrom e branca, observaram
que os frutos vermelhos apresentaram um maior número de
exemplares bicados do que os marrons e os brancos.
Figura 4 Fruto artificial apresentando bicada de pássaro.
Segundo Arruda et al (2008), Burns e Dalen (2002) e Schmidt
et al (2004) o maior número de frutos vermelhos bicados está
fortemente associado ao maior contraste destes frutos em relação à
coloração de fundo imposta pela vegetação.
Thomazi e Silva
Preferências de aves silvestres por cores em frutos artificiais
Leite (2007), realizando trabalho com frutos artificiais vermelhos
e verdes, observou que os frutos vermelhos foram mais atacados que
os frutos verdes (χ²=2,68; g.l.=2; p<0,001), apresentando chances
de ser bicado duas vezes maiores que os frutos verdes.
Segundo van Der Pijl (1982), as aves apresentam pouca ou
nenhuma resposta aos odores, sendo animais essencialmente visuais.
Sendo assim, uma das características mais importantes que levam a
síndrome de dispersão ornitocórica é a cor, onde frutos com cores mais
conspícuas apresentam uma maior visualização, um maior número de
visitas e conseqüentemente, uma maior possibilidade de dispersão,
quando comparados com os frutos de cores mais neutras (Leite 2007).
Em relação ao tempo de duração da amostragem, Lira (2003),
testando a influência da cor e densidade de frutos artificiais,
observou bicadas de aves após 24, 48 e 72 h e verificou que houve
redução no número de frutos atacados ao longo dos dias, o que
poderia indicar que 24 h pode ser um tempo mínimo de exposição
para obtenção de resultados mais concluisvos.
Agradecimentos
Esta pesquisa foi realizada durante a disciplina Metodologia de
Campo em Ecologia do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de
Ecossistemas do Centro Universitário Vila Velha (UVV ) e os autores
gostariam de agradecer: ao Instituto Estadual do Meio Ambiente e
dos Recursos Hídricos do Espírito Santo - IEMA-ES, pela autorização
para realização da pesquisa; à Gestão da REBIO de Duas Bocas pela
viabilização da infra-estrutura necessária ao trabalho; à FUNADESP
pela Bolsa de Produtividade em Pesquisa de Ary G Silva.
Referências
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van der Pijl L (1982) Principles of dispersal in higher plants. 3 ed. Berlin:
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Schmidt V, Schaefer HM, Winkler H (2004) Conspicuousness, not colour as
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Tabarelli M, Peres CA (2002) Abiotic and vertebrate seed dispersal in the
Brazilian Atlantic forest: implications for Forest regeneration. Biological
Conservation 106: 165-176.
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