87 Análise química e atividade antimicrobiana do óleo essencial dos frutos de Vitex cymosa Bertero Fonseca, E. N1,4; Figer, A.1; Furtado, D. T.1; Lopes, D2; Alviano, D. S3.; Alviano, C. S.3; Leitão, S. G.1 Departamento de Produtos Naturais e Alimentos, Universidade Federal do Rio de Janeiro, CCS, Bloco A, 2.o andar, Ilha do Fundão, 21941-590 Rio de Janeiro, Brasil. 2 Embrapa, Agroindústria de Alimentos 3 Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes, Universidade Federal do Rio de Janeiro 4 Universidade Estácio de Sá. Email para correspondência: [email protected]. 1 RESUMO: A análise química e avaliação da atividade antimicrobiana do óleo essencial dos frutos de Vitex cymosa Bert. foram realizadas por cromatografia com fase gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) e por técnica de inibição de crescimento em placa, respectivamente. Os frutos foram extraídos por hidrodestilação durante 3 h fornecendo 0,4% de óleo essencial. O óleo mostrou-se rico em ácidos graxos, ácido octanóico (24,4%), e seus derivados, octanoato de butila (3,7%), octanoato de 2feniletila (1,2%) outros ésteres alicíclicos e cíclicos (butanolidos), e ativo frente à maior parte dos microorganismos patogênicos testados, comparado a padrões. Palavras-chave: Vitex cymosa, Verbenaceae, Óleo essencial, Atividade antimicrobiana ABSTRACT: Chemical analysis and antimicrobial activity of the essential oil from Vitex cymosa Bertero fruits. Chemical analysis and antimicrobial activity evaluation of Vitex cymosa Bertero fruit essential oil were performed by gas chromatography coupled with mass spectrometry and using the plate growth inhibition technique, respectively. The major components of the oil were fatty acids, octanoic acid (24.4%), and their derivatives, butyl octanoate (3.7%), 2-phenyl ethyl octanoate (1.2%) and other acyclic and cyclic esters (butanolides), and exhibited significant activity against most of the tested pathogenic microorganisms in comparison to standards. Key words: Vitex cymosa, Verbenaceae, Essential oil, Antimicrobial activity INTRODUÇÃO O gênero Vitex (Verbenaceae) possui cerca de 250 espécies de distribuição tropical e subtropical, sendo várias delas tidas como medicinais. No Brasil, ocorrem diversas espécies desde a Amazônia (V. triflora Vahl., V. odorata Hub.), passando pelo Brasil central (V. cymosa Bertero), até o Rio Grande do Sul (V. montevidensis Cham.) (Evans, 2002). Os frutos da espécie Vitex agnus-castus L. (Pimenta dos Monges), originária da Europa, são utilizados em preparações fitoterápicas no tratamento de alterações do ciclo menstrual. Em um estudo clínico recente com 23 pacientes o óleo essencial das folhas e frutos de V. agnus-castus apresentou atividade farmacológica semelhante aos frutos secos (Lucks et al. 2002). O óleo essencial das folhas e frutos de Vitex agnus-castus teve sua composição elucidada por Galletti et al. (1996) sendo os principais constituintes das folhas o 1,8-cineol (35,2%), sabineno (23,6%) e acetato de α-terpinenila (12,3%). Já os frutos possui sua composição β-farneseno (17,2 %), acetato de αterpinenila (17,1 %) e 1,8-cineol (15%). Na Índia, o óleo essencial das folhas de V. negundo var. cannabifolia é utilizado na medicina Ayurvédica nas afecções reumáticas e estados febris. Na China, este mesmo óleo foi incluído na edição de Recebido para publicação em 01/03/2004. Aceito para publicação em 31/10/2006. 1985 da Farmacopéia da República Popular da China pelas suas propriedades curativas na Bronquite crônica, sendo seu constituinte principal o β-cariofileno (39,6%) (Peigen et al., 1988). Ainda, a espécie V. triflora entra na composição de um incenso com propriedades inseticidas Peigen et al. (1988). A espécie Vitex cymosa Bertero ocorre no Brasil na Região Centro-Oeste e sul da Amazônia e existem relatos do uso de seus frutos como alimento e para fins medicinais. O fruto tem aroma intenso, que se sente à distância, e é comido por porco, peixes, aves e lobinhos (Pott e Pott,1994). Em um trabalho anterior, foi estudada a composição do óleo essencial de folhas desta espécie, tendo sido descrita a presença de β-copaen-4-ol (9,8%), óxido de cariofileno (6,5%) e β-bisaboleno (5,2%), como constituintes principais (Leitão et al, 1997). O presente trabalho descreve, pela primeira vez, a composição química do óleo essencial dos frutos de Vitex cymosa Bertero e sua atividade antimicrobiana. MATERIAL E MÉTODO Material botânico Os frutos de V. cymosa foram coletados e identificados pela Dra. Vali Pott (Embrapa) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil em novembro de 2001. Uma exsicata foi também depositada no Herbário do Departamento de Botânica da UFJF, sob número de registro CESJ 11.711. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.8, n.4, p.87-91, 2006 88 Extração do óleo essencial Os frutos frescos (100 g) foram moídos com 500 mL de água com suas sementes e extraídos por hidrodestilação em aparelho de Cocking-Middleton por 3 horas apresentando um rendimento de aproximadamente 0,4%. Análise do óleo essencial CG-EM - O óleo essencial (sol. 1% em diclorometano) foi analisado em cromatógrafo a gás HP 6890, acoplado a espectrômetro de massas HP 5973. As condições cromatográficas empregadas foram: coluna PE-5 (5% fenil 95% polidimetilsiloxano) de 20 m, diâmetro interno de 0,18 mm e espessura da fase estacionária de 0,4 µm; programação de temperatura 60 °C a 240 °C a 3 °C/min; injetor com divisão de fluxo (1:20) a 250°C; interface a 240 °C; fonte de íons a 230 °C (70 eV) e detector de massas a 150 °C. O gás de arraste empregado foi Hélio com fluxo constante de 1 mL/ min segundo Adams (1995). CG-DiC - A quantificação dos componentes identificados no óleo foi realizada em cromatógrafo a gás HP-5890, com detector de ionização de chama (CG-DIC) nas mesmas condições cromatográficas descritas anteriormente, empregando hidrogênio como gás de arraste e temperatura do detector de 280 °C. Análise do óleo essencial metilado A análise por CG-EM foi feita após derivação do óleo essencial utilizando diazometano. A derivatização foi necessária uma vez que ácidos graxos ao serem injetados diretamente diminuem a resolução cromatogáfica. As condições de análise foram as mesmas descritas anteriormente modificando-se a programação de temperatura do forno: 60 °C a 100 °C a 3°C/min e de 100 °C a 240 °C a 1 °C/min. Determinação do Índice de Kovats Uma curva de calibração de hidrocarbonetos lineares (C7-C26) foi construída usando as mesmas condições da análise do óleo essencial (CG-EM). Dessa forma podem-se determinar os índices de Kovats das substâncias presentes no óleo e compará-los com dados da literatura (Adams, 1995). Atividade antimicrobiana A análise antimicrobiana do óleo essencial foi feita pela técnica de difusão em Agar, descrito por Grove e Randall, adaptado por Lorian (Lorian, 1980). É uma técnica qualitativa, semelhante a um antibiograma que consiste no cultivo do microrganismo na presença de uma possível substância inibidora que possibilita a verificação da sensibilidade de uma determinada amostra frente a um microrganismo. Inicialmente, com auxílio de uma alça de Drigalski, as suspensões dos microrganismos foram semeadas em placas de petri contendo meio BHI sólido (Brain heart infusion) e, após 30 minutos, foram adicionados 10 µl de cada óleo essencial diluído 1:1 com tween 80 a 0,5%. Também foram adicionados 10 µl dos antibióticos de referência utilizados como controle positivo: anfotericina B, meticilina e vancomicina (1 mg/ml). Todas as placas foram incubadas a 37 °C. O tempo de incubação variou de 24 horas até 7 dias dependendo do microrganismo testado, após o que, foi feita a medida dos halos de inibição do crescimento dos microrganismos (em mm). Para determinar a atividade antimicrobiana do óleo essencial testado, foram utilizadas bactérias, fungos leveduriformes e filamentosos. As culturas de microrganismos foram procedentes do American Type Culture Collection (ATCC); da Micoteca do Departamento de Microbiologia-Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ; Hospital Evandro Chagas, FIOCRUZ; Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP-SP e de linhagens isoladas de pacientes, as quais estão especificadas a seguir: Fungos Candida albicans 7173 Sorotipo B. Hospital Evandro Chagas, FIOCRUZ. Candida albicans Isolado clínico de paciente da Ortodontia. Faculdade de Odontologia - UFRJ. Candida parapsilosis Isolado clínico de paciente da Ortodontia.Faculdade de Odontologia - UFRJ. Candida guilhermondii Isolado clínico de paciente da Ortodontia.Faculdade de Odontologia - UFRJ. Cryptococcus neoformans T1-444 Sorotipo A . Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP-SP. Trichophyton rubrum T544 Micoteca do Hospital Clementino Fraga da UFRJ. Fonsecaea pedrosoi 5VPL Micoteca do Hospital Clementino Fraga da UFRJ Bactérias Staphylococcus aureus MRSA (BMB9393) Hospital Clementino Fraga da UFRJ. Staphylococcus aureus ATCC 25923 Lactobacillus casei ATTC 4646 Streptococcus mutans ATCC 25175 RESULTADO E DISCUSSÃO As substâncias identificadas estão na Tabela 1 e suas estruturas, na Figura 1. A identificação dos componentes foi feita por comparação dos seus espectros de massas com os de bibliotecas eletrônicas (NIST 98 e Wiley) e dos seus Índices de Kovats calculados com os descritos na literatura (Adams, 1995). Devido à grande importância comercial e farmacológica de terpenos e fenilpropanóides em óleos essenciais e da dificuldade da sua caracterização, estão disponíveis na literatura várias compilações com análises, tempos de retenção e Índices de Kovats, para o auxílio na caracterização de óleos essenciais. Por outro lado, a literatura para ácidos graxos de baixo peso molecular, seus ésteres e derivados é pequena, não tendo sido observadas referências de valores de Índices de Kovats para algumas das substâncias descritas no óleo essencial de V. cymosa. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.8, n.4, p.87-91, 2006 89 Os resultados dos experimentos de atividade antimicrobiana estão na Tabela 2. Óleos essenciais possuem várias funções nos vegetais que os produzem, e uma das mais notórias é a atividade antimicrobiana de tais óleos (Tripathi e Dubey, 2004; Burt, 2004). São exemplos de plantas com alto poder antimicrobiano o tomilho (Thymus vulgaris L.) e o orégano (Origanum vulgare L.), ricos em monoterpenos fenólicos como o timol e carvacrol (Alonso, 1996; Burt 2004, Sacchetti et al, 2004, Bagamboula et al., 2004). Outras plantas com acentuada atividade contra microrganismos são o cravoda-Índia (Syzygium aromaticum L.) e o funcho (Foeniculum vulgare Miller), ambos possuindo eugenol; o cravoda-Índia tem o mesmo em altas concentrações em seu óleo essencial, enquanto no funcho, além desse fenilpropanóide, há também anetol. Cabe lembrar que todos esses condimentos sempre foram utilizados na culinária, não só pelo seu sabor característico, como também para conservação dos alimentos (Alonso 1996; Burt 2004). No óleo essencial de frutos de Vitex cymosa foram encontrados ácidos graxos, ésteres de ácidos graxos, aldeídos e butanolidos, notando-se uma ausência de terpenóides. Esse fato se contapõe ao esperado, visto a composição terpenoídica encontrada para o óleo essencial de frutos de Vitex agnus-castus (Galletti et al., 1996). Mais interessante, ainda, é a atividade antimicrobiana detectada para todos os microrganismos testados uma vez que terpenóides estão ausentes neste óleo. As lactonas encontradas, γ-octalactona e γdecalactona, são aprovadas pelo FDA americano como flavorizantes para uso em alimentos, e pelo Conselho Europeu, em doses não superiores a 10 ppm. A γoctalactona é descrita na essência de pêssegos e damascos, bem como γ-decalactona nos mesmos aromas, e também na essência de morangos. Ambas as substâncias podem seu usadas em perfumaria, mas sempre diluídas, uma vez que causam irritação à pele. É descrita, ainda, a inibição do crescimento de fungos pela γ-octalactona e a inibição do crescimento de vários fungos pela γ-decalactona, em concentrações de 2-4 mg/mL. Essa mesma lactona, ao ser vaporizada em colônias de bactérias, é capaz de inibir o crescimento de colônias Gram positivas e Gram negativas (Food Cosmetic Toxycology, 1996). Dessa forma, podemos inferir que a atividade antimicrobiana do óleo essencial de frutos de Vitex cymosa deve-se ao menos, em parte, à presença desses butanolidos. TABELA 1. Constituintes do óleo essencial de Vitex cymosa TR 1 TR 2 TR 3 Componentes 1 5,655 - - WUDQV-2-heptanal 2 5,804 - - 3 6,634 6,954 4 6,852 5 Teor (%) IK IK LIT 0,01 954 957 benzaldeído 0,01 958 961 - 2-pentil-furano 0,03 979 993 7,002 - hexanoato de etila 0,03 985 996 6,967 7,581 - octanal 0,01 988 1001 6 11,367 12,708 8,495 octanoato de metila 0,29 1101 ** 7 14,424 14,582 10,613 octanoato de etila 0,19 1180 1195 8 16,079 16,375 8,495* ácido octanóico 24,35 1222 1279 9 19,315 19,007 14,125 4-decenoato de metila 0,30 1306 ** 10 19,982 19,292 14,604 decanoato de metila 0,10 1323 1326 11 22,757 22,893 16,606 octanoato de butila 3,66 1394 1388 12 26,117 26,005 19,00 gama-decanolido 0,21 1481 1463 13 30,855 28,722 - hexanoato de Hexila 0,18 1603 ** 14 33,155 32,971 24,137 hexanoato de 2-feniletila 0,10 1662 ** 15 34,570 35,150 25,138 4-octil-4-butanolido 0,32 1698 ** 16 40,693 39,850 29,622 octanoato de 2-feniletila 1,19 1856 ** 17 - - 31,653 palmitato de metila 0.01 - 1913 18 - - 35,600 oleato de metila 0.01 - - TR1, TR2 e TR3: Tempos de retenção segundo condições de análise 1, 2 e 3 respectivamente. * Tempos de retenção expressos para os ésteres metílicos, após derivatização. ** Índice de Kovats não encontrado na literatura. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.8, n.4, p.87-91, 2006 90 TABELA 2. Atividade antimicrobiana do óleo de Vitex cymosa Microrganismos Óleo essencial de 9 F\PRVD Anfotericina B Vancomicina Meticilina Diâmetro dos halos de inibição (mm) &DOELFDQV 1.5 2.0 - - &DOELFDQV 1.0 1.6 - - &JXLOKHUPRQGLL 1.6 2.4 - - &SDUDSVLORVLV 1.2 1.8 - - &QHRIRUPDQV 1.0 2.0 - - 7UXEUXP 1.0 2.0 - - )SHGURVRL 1.0 1.8 - - 6DXUHXV 1.0 - 2.1 2.0 6DXUHXV 056$ 1.0 - 1.8 0.8 /FDVHL 1.8 - 1.0 1.5 6PXWDQV 1.0 - 1.0 1.0 FIGURA 1. Substâncias presentes no óleo essencial de Vitex cymosa. AGRADECIMENTO FUJB. Os autores agradecem à Embrapa, Fiocruz e REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ADAMS, R. P. Identification of Essential Oil components by Gas Chromatography/ Mass Spectrometry. Illinois: Allured Publishing Corporation, 1995. 468 p. ALONSO, J. R. Tratado de Fitomedicina. BuenosAires, Argentina: Isis Ediciones S.R.L., 1998. BAGAMBOULA, C. F.; UYTTENDAELE, M.; DEBEVERE, J. Inhibitory effect of thyme and basil essential oils, carvacrol, thymol, estragol, linalool and p-cymene towards Shigella sonnei and S. flexne. Food Microbiology, v. 21, p. 33-42, 2004. BURT, S. Essential oils: their antibacterial properties and potential applications in foods: a review. International Journal of Food Microbiology, v. 94 p.223-253, 2004. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.8, n.4, p.87-91, 2006 91 EVANS, W. C. Pharmacognosy. 15.ed. W. B Saunders, 2002. Complementary Therapies in Nursing & Midwifery, v.8, p. 148-154, 2002. FOOD AND COSMETIC TOXYCOLOGY, v.14, p. 741e 821, 1996. PEIGEN, X.; KEJI, C (1988). Recent Advances in Clinical Studies of Chinese Medicinal Herbs. Phytotherapy Research, v.2, n.2, p.55-62. GALLETTI G. C.; RUSSO, M.T.; BOCCHINI P. Essential Oil Composition of Leaves and Berries of V. agnus-castus L. from Calabria, Southern Italy. Rapid Communications in Mass Spectrometry, v.10, p. 1345-1350, 1996. LEITAO, S.G.; FONSECA, E.N.; SANTOS, T.C. Essential Oil of Two Brazilian Vitex Species. Acta Horticulturae, v. 500, p. 89-92, 1997. LORIAN, V. Antibiótics in Laboratory medicine. Baltimore: Willians, London: Wilkins, 1980. 192 p. LUCKS, B. C.; SORENSEN, J.; VEAL, L. V. agnuscastus oil and menopausal balance: a self-care survey. POTT, A.; POTT, V. Plantas do Pantanal. 1.ed. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1994. p.291. SACCHETTI, G. et al. Comparative evaluation of 11 essential oils of different origin as functional antioxidants, antiradicals and antimicrobials in foods. (Article in press available in science-direct.com <www.sciencedirect.com>, 2004. TRIPATHI, P.; DUBEY, N. K. Exploitation of natural products as an alternative strategy to control postharvest fungal rotting of fruit and vegetables. Postharvest Biology and Technology, v. 32, p. 235-245, 2004. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.8, n.4, p.87-91, 2006