Raleio e capação na produtividade e na qualidade dos frutos de tomateiro
cultivado em ambiente protegido, em sistema orgânico.
Marco Antonio de Almeida Leal1; Maria Luiza de Araújo 1; Maria do Carmo de Araújo
Fernandes1.
1
PESAGRO RIO. EEI. Rod. Rio–São Paulo, km 47. CEP: 23.851-970, Seropédica-RJ.
RESUMO
Avaliou-se os efeitos do raleio e da capação na produtividade e na qualidade dos
frutos. Não houve efeito de capação, raleio e interação capação x raleio na produtividade
total e de frutos maiores que 100g (Extras). O tratamento com raleio apresentou um peso
médio de frutos superior, entretanto, promoveu uma maior porcentagem de frutos rachados.
Palavras-chave: Licopersicon esculentum, condução, cultivo protegido.
ABSTRACT
Fruits thin and plant decapitation in the productivity and the quality of the fruits of
tomato cultivated in protected cultivation, in organic system.
Seeking to improve the technique of production of organic tomato under protected
cultivation, evaluated the effects of the fruits thin and of the plant decapitation in the
productivity and in the quality of the fruits. There were not effect of fruits thin, plant
decapitation and interaction in the total productivity and productivity of fruits larger than 100g
(Extra). The treatment with fruits thin presented a medium weight of fruits superior, however,
it promoted a larger percentage of split fruits.
Keywords: Licopersicon esculentum , conduction, protected cultivation.
De acordo com Rodrigues et al. (2002), considerando-se os aspectos sócioeconômicos, a cultura do tomateiro é hoje, dentre as hortaliças produzidas no Brasil, a mais
importante. Comparando-se as décadas de 70 e 80, observa-se que no Brasil a
produtividade aumentou em 49% e a área cultivada em 11%, evidenciando a evolução da
produção de tomate nos principais estados produtores.
O cultivo do tomateiro em ambiente protegido tornou-se muito difundido na Região
Sudeste. Esta técnica de cultivo advém da necessidade de fornecer ao consumidor,
produtos in natura de boa qualidade durante o ano todo (Fernandes et al., 2002).
Visando aprimorar a técnica de produção de tomate orgânico sob cultivo protegido,
este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos do raleio e da capação na produtividade e
na qualidade dos frutos.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na Estação Experimental de Itaguaí, da PESAGRO
RIO, situada em Seropédica, Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, a 26m de
altitude e coordenadas 22o 44’ 38” S (latitude) e 43o 42’ 27” W (longitude).
Os tratamentos seguiram um esquema fatorial 2 x 2 sendo o primeiro fator a
realização de raleio (sem e com) deixando quatro frutos por penca, e o segundo fator a
realização de capação (sem e com) aos 2,00m de altura. Utilizou-se delineamento blocos ao
acaso com quatro repetições.
O cultivo foi realizado em estufa tipo arco, modelo PESAGRO RIO, com 8,0m de
largura, 14,0m de comprimento e 2,0m de pé direito. Utilizou-se tela de sombreamento com
malha 30% nas laterais, visando o controle da broca pequena (Neoleucinodes elegantalis). A
irrigação na estufa foi realizada manualmente, através de mangueiras de borracha.
A semeadura foi realizada no dia 27/07/2002, utilizando o híbrido Carmen, em
bandejas de 128 células e as mudas foram transplantadas após 40 dias. O transplante foi
realizado em quatro canteiros, com duas linhas por canteiro, utilizando espaçamento de 1,00
x 0,40m e conduzidas verticalmente, através de fitilhos. As parcelas foram constituídas de 16
plantas. Utilizou-se palha de folhas de bambu como cobertura morta.
Na adubação de cova, adicionou-se 1500g de esterco bovino, 30g de termofosfato
Yoorin® e 30g de cinza. E nas adubações de cobertura, 150g de cama de aviário aos 18, 45
e 60 dias após o transplante (d.a.t.). Visando o controle da broca grande (Heliothis zea)
foram realizadas pulverizações quinzenais com Bacillus thuningiensis.
Foram realizadas 12 colheitas, sendo a primeira aos 59 d.a.t. e a última aos 112
d.a.t. Avaliou-se a produção total por planta, produção de frutos Extras (maiores que 100g),
massa fresca média dos frutos (g), porcentagem de frutos brocados e porcentagem de frutos
rachados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O tomateiro não apresentou ataque de pragas ou doenças que causassem danos
significativos. A incidência de broca pequena e de broca grande foi muito reduzida,
ocorrendo apenas 1% de frutos brocados. Foi identificada a presença de coritaica
(Corythaica cyathicallis) que foi controlada através de catação das folhas infestadas. No final
da colheita observou-se uma pequena infestação das folhas com mancha de estenfílio
(Stemphylium solani) que não precisou ser controlada. Ataque semelhante com mancha de
estenfílio foi detectado por Fernandes et al. (2000), nas mesmas condições.
As maiores produções foram obtidas na terceira colheita, independente do
tratamento, como pode ser observado nas Figuras 1 e 2.
Efeito do raleio na produção
600
g/planta
500
400
Sem Raleio
300
Com Raleio
200
100
0
59
65
73
77
81
84
88
90
95
101 108 112
d.a.t.
Figura 1: Efeito do raleio na produção de tomate, PESAGRO-Rio/RJ, 2003.
Efeito da capação na produção
g/planta
600
500
400
Sem Capação
300
200
Com Capação
100
0
59
65
73
77
81
84
88
90
95 101 108 112
d.a.p.
Figura 2: Efeito da capação na produção de tomate, PESAGRO-Rio/RJ, 2003.
Com relação às características estudadas, não houve efeito significativo de capação,
raleio e interação capação x raleio para produção total por planta (Tabela 1) e produção de
frutos Extras. A produção média obtida por planta foi 2852 g, o que representa uma
produtividade de 71,3 t/ha. Todos os tratamentos promoveram a produção de frutos de boa
qualidade, sendo que 99,8% da produção foi de frutos maiores que 50g e 84,6% de frutos
maiores que 100g.
O tratamento com raleio apresentou um peso médio de frutos superior, entretanto,
promoveu maior porcentagem de frutos rachados (Tabela 2).
Tabela 1. Produção total por planta (em g)
Produção total por planta
(g)
2673,90 a
3030,26 a
2978,00 a
2726,16 a
14,49%
Sem raleio
Com raleio
Sem capação
Com capação
Coeficiente de Variação%
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5%.
Tabela 2. Peso médio dos frutos (em g) e porcentagem de frutos rachados.
Sem raleio
Com raleio
Sem capação
Com capação
Coeficiente de Variação%
Massa fresca média dos
frutos (g)
110,10 b
117,75 a
115,84 a
112,01 a
4,00
Porcentagem de frutos
rachados
4,066 b
6,154 a
5,953 a
4,268 a
34,56
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5%.
LITERATURA CITADA
FERNANDES, C; ARAÚJO, J.A.C.; CORÁ, J.E. Impacto de quatro substratos e
parcelamento da fertirrigação na produção de tomate sob cultivo protegido. Horticultura
Brasileira, Brasília, v. 20, n. 4, p. 559-563, dezembro de 2002.
FERNANDES, M. do C. A.; LEAL, M.A.A.; RIBEIRO, R.L.; ARAÚJO, M.L.; ALMEIDA, D.L.
Cultivo protegido do tomateiro sob manejo orgânico. A lavoura, Rio de Janeiro, n. 634,
p.44-45. Setembro de 2000.
RODRIGUES, S.D.; PONTES, A.L.; MINAMI, K.; DIAS, C.T.S. Quantidade Absorvida e
concentrações de micronutrientes em tomateiro sob cultivo protegido. Scientia Agrícola,
Piracicaba, v.59, n.1, janeiro-março de 2002.
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