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ELLY HERKENHOFF – A mais expressiva poetisa teuto-brasileira de Joinville,
a ―cidade dos Principes‖
Valburga Huber - Fac. Letras - UFRJ
ADÁGIO (Gedankenspruch)
O significado da vida não reside
Na conquista de uma grande felicidade
Mas sim no sol que brilha todo dia
E em conseguir dele um pouco de felicidade
(Gedankenspruch)
( Nicht darin liegt der Wert des Lebens,
Ein grosses Glück noch zu erringen,
Nein, darin: Jedem Alltag Sonne
Und etwas Freude abzuzwingen).
Elly Herkenhoff (Uhles Kalender – 1932)
A mudança do foco de atenção de diversas áreas do saber e, sobretudo, da Literatura
Comparada para os pólos periféricos do mundo incluiu, nas útimas décadas, a Literatura
das minorias étnicas de diversos países e continentes e, entre elas, as Literaturas de
Imigração. Antes deixadas à margem, estas literaturas adquirem crescente importância
nas questões da identidade nacional e cultural dos países e também estão sendo
reavaliadas esteticamente com critérios que consideram as condições histórico-sociais
em que essas produções surgiram e se desenvolveram. É nesta ótica que trabalha o
grupo de pesquisa Rellibra (Relações lingüísticas e literárias Brasil- Alemanha –
www.rellibra.org.br ) , coordenado por sua fundadora Prof. Dra Celeste Ribeiro de
Sousa cujo projeto visa a recuperação de autores e de textos Literatura teuto-brasileira e
a redação de uma primeira História da Literatura Brasileira de expressão alemã ou da
Literatura dos imigrantes alemães e seus descendentes no Brasil. As obras estão sendo
disponibilizadas no Site www.martiusstaden.org.br sob o nome Literatura Brasileira de
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expressão alemã. Nossa exectativa é que o trabalho do nosso grupo, dando acesso mais
fácil as obras mais expressivas, contribua para isso..
Neste grupo estou empenhada no estudo da obra da escritora Elly Herkenhoff,de
Joinville/Santa Catarina, de cuja obra em lírica e prosa dou aqui uma visão
panorâmica, com ilustrações de poesias representativas do seus temas mais importantes.
Pesquiso esta Literatura há décadas e tenho acompanhado o gradativo interesse que vem
despertando depois de lutar contra o desconhecimento e pouca divulgação, fruto de
preconceitos linguisticos e associações ao nazismo, por exemplo ( Isto pode ser
ilustrado com o caso da poetisa Maria Kahle, sempre lembrada por causa de suas
viagens pelas colônias alemãs com propósitos de propaganda política nazista, mas a
maioria das pessoas ignora é que ela era uma poetisa alemã, não teuto-brasileira).
Dissertações e teses, artigos e palestras, em número sempre maior, vem desconstruindo
essas barreiras e mostrando que esta manifestação literária só será entendida no contexto
da história da imigração alemã, onde alguns estudos são fontes imprescindíveis: como
o de Karl Fouquet ( São Paulo/Porto Alegre -1974), Emilio Willems (S.Paulo 1940,1946.), Jean Roche (Porto Alegre 1969), Giralda Seyferth ( Florianópolis1982),
para mencionar apenas alguns deles. Eles mostram que surgiu nas colônias alemãs uma
cultura de cunho próprio, que expressa uma outra forma de ser, onde o isolamento teve
um papel preponderante. Temas fundamentais desta produção foram o ato e a aventura
da emigração/imigração, a divisão entre a velha e a nova patria e a vida nas colõnias
alemãs. Na sua essência, emerge, portanto, como tema básico,de modo claro ou velado,
o encontro com o estranho, o desconhecido. Abrange o periodo das ultimas décadas do
séc. XIX sendo seu apogeu na virada para o século XX até o final da primeira Guerra
mundial.Ideologicamente expressa um patrimônio cultural dualista, ou seja, cultural
teuto-brasileiro, (”Deutschbrasilianertum”) e é Ernst Niemeyer o grande batalhador
para reconhecimento desta literatura.
Esta Literatura tem valor documental, pois ela acompanha a História da imigração, a
saída do ambito linguistico alemão para o Brasil e valor sociológico porque nos deixa
reconhecer quais grupos étnicos se fixaram no Brasil no decorrer do tempo.Isto já foi
mostrado em 1939 pelo alemão Manfred Kuder que escreveu o primeiro estudo sobre
esta Literatura.(KUDER, 1939), que devia contribuir para a manutenção do idioma e
transmissão da cultura herdada. Ela o fez na forma literária dos ancestrais, enquanto
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também expressa o sentimento de apreço e afeto (nova) terra dos imigrantes. (
“Bodenständigkeitsgefühl”).Para entendê-la e ver seu valor estético-literário são
fundamentais trabalhos como o de Werner Aulich (AULICH,1956), Erich Fausel
(FAUSEL ,1957) e Marion Fleischer, sendo que esta nos mostra a mudança da
temática dos autores depois de 1945, que inclui, além da imigração, problemas da
época, reflexões diversas e tendencias introspectivas (FLEISCHER, 1967;1981).
Segundo pesquisadores de literatura, ligados a estudos interdisciplinares, ela tem
chamado sempre mais a atenção pelas condições socio-culturais em que apareceu e
sobreviveu até a atualidade.É este o caso de Elly Herkenhoff ( 1906-2004), que
começou a escrever poemas já em 1920 e foi até os anos 60/70.
Fausel (FAUSEL 1957), mostra como luta pela sobrevivencia consumia todas as
energies e só permitiu o aparecimento lento dos escritos, preocupação com a cultura.
Segundo ele, os pioneiros foram pressionados a escrever, quando viram as necessidades
culturais dos imigrantes e e seus escritos ofereciam a eles leituras de acordo com suas
condições, seu nível e , como tais estes escritos tem que ser respeitados. Neles percebese logo o sentimento nativista, o regionalismo, o cultivo da tradição. Tinham como
metas diversão e ensino, por isso destacam-se em primeira linha os jornais e livros
escolares, mas é, sem dúvida o “Kalender” - anuário ou almanaque - o que mais se
destaca como a mais clara e autentica a expressão desta cultura de cunho próprio das
colonias.O anuário com suas narrativas,poesias, descrições fantasiosas e naturalistas da
nova vida, lembranças, relatos, descrições de viagens, humor, esboços historicos. Fausel
mostra a importancia de poetas como Georg Knoll e Ernst Niemeyer) , escritores e
editors como Karl von Koseritz und Wilhelm Rotermund), mas também a ausência de
escolas ou movimentos literários, que estão ligados a maneira até caótica da
colonização. Atribui-lhes principalmente valor documental - histórico, enquanto Werner
Aulich mostra que autores e leitores estão ligados pelos fortes laços da experiencia da
imigração. Esta plasmou a sensibilidade e capacidade de expressão do escritor e a
abertura, a empatia do leitor, pois une os dois a experiencia do corte, da separação, do
recomeçar, que ele chamou de“pathos do imigrante”( sofrimento, dor), que escapa aos
que não a vivenciaram. A poesia teuto-brasileira se realize na comunhão da vivencia da
emigração e esta é o seu “Leitmotiv” e, segundo ele, reside aí também a pequena
compreensão e apreciação desta literatura na Alemanha. Vejamos as palavras de Aulich:
No espaço vital de uma comunidade teuto-brasileira, existe entre o poeta e o
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público, uma característica comum – a saber, justamente decisiva para um julgamento da
poesia – que queremos designar.... de pathos dos emigrantes. A palavra pathos, criada
pela antiguidade grega significa – traduzida literalmente – ''encontro traumático'' e
''padecimento'', caracterizando o estado de uma pessoa, à qual algo adverso acontece.....
Sob pathos dos emigrantes entendemos aqui, em primeiro lugar, uma atitude passiva,
formada tanto pelo ato, quanto pela aventura da emigração. Essa atitude pessoal inclui
ainda uma susceptilidade de formação particular em relação a determinadas sensações E,
por fim, externa-se aquela atitude moldada pelo phatos dos emigrantes, numa particular
capacidade de expressão. Esse phatos é o estado da personalidade teuto-brasileira e se
manifesta, com particular nitidez, no sistema do relacionamento entre poeta e público. A
este estado podem ser reduzidos, de certo modo, todos os problemas de uma
particularidade teuto-brasileira.... Se na Europa, tão pequena é a compreensão
encontrada pela literatura teuto-brasileira, isto deve ser atribuído, em primeiro lugar,
àquela particularidade poética determinada pela predominância do phatos dos
emigrantes.
(AULICH 1956, S.211;216)
Eu me defronto com estas questões desde o meu primeiro trabalho (HUBER 1993)
onde analisei esta Literatura em Blumenau nas poesias de Georg Knoll, Rudolf Damm,
Viktor Schleiff e romancistas como Therese Stutzer, Gertrud Gross-Hering, Emma
Deeke. Continuo na temática no meu segundo livro (HUBER 2009) onde analisei a
imagem do Brasil em três gerações de imigrantes e descendentes e nele analisei
também a obra de Elly Herkenhoff, Suas poesias abordam os temas gerais da literatura
teuto-brasileira, como uma irradiação do pathos do imigrante,mas, ao mesmo tempo,
seu universo jás se abre para expressão de outras emoções, reflexões filosóficas,
transmissão de vivencias pessoais e sabedoria.
Seus contos, por sua vez, narram fatos históricos e outras vezes acontecimentos
divertidos, estórias de amor, todos adequados ao gosto dos leitores de anuários e jornais.
Começou a publicar na década de 1920, viveu a proibição da lingua durante a Guerra
quando morava no Rio de Janeiro e, passados os anos mais turbulentos, que causou
danos enormes a conservação da lingua e herança cultural, ajudou a reconstruir – com
diversos outros autores - a Literatura em lingua alemã.
A PESSOA E A POETISA
Conheci-a em 1986 no Arquivo historico de Joinville e impressionaram-me sua
elegancia e delicadeza ao falar e também o trabalho que realizava como pesquisadora do
Arquivo: traduzia do francês para o português as cartas do Principe de Joinville a D.
Pedro I, nas quais o principe francês queria vender o dote de sua esposa.D. Francisca, a
Companhia Hamburguesa de Colonização. ( Fatos históricos com traços de contos de
fadas, tanto é que o primeiro nome da colõnia foi D. Francisca e depois Joinvulle, o
casal real para os quais a cidade chegou a consruir a “Casa dos Principes” para
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recepcioná-los, visita esta que nunca aconteceu. Atualmente esta casa abriga o Museu
da Imigração e Colonização. Elly Hereknhoff teve uma vida longa e rica, desde sua
infancia no Espirito Santo, seus anos de vida no Rio de Janiro e em S. Paulo ( era
também professor de francês) até sua volta a cidade natal em 1976, onde escreveu
vários livros sobre a história da cidade. Antes de falecer em 2004, recebeu o titulo de
“Cidadã honorária” da cidade. Tive a honra de conhecer esta expressiva poetisa, contista
e historiafora, pessoa de horizontes amplos, que expressa sua lirica em alemão, sua
lingua materna e o frutos de suas pesquisas históricas em português.
Ao lado de Wolfgang Ammon e Ernst Niemeyer , ela é do grupo de escritoires teutobrasileiros mais importantes da região de Joinville, o que demonstra sua obra:
Poesias: Allerseelen ( Kolonie Zeitung. Joinville, 1923)Es war einmal.... (Kalender für
die Deutschen in Brasilien. S. Leopoldo, 1927).Kinderwunsch. (Kalender für die
Deutschen in Brasilien. S. Leopoldo, 1929)Deutschrussische Einwanderung . (
Deutsche Zeitung. São Paulo,1930).Der Blinde. ( Deutscher Beobachter,
1930).Heldentum .( Uhles Kalender, Rio de Janeiro, 1931).Sylvester. (Kolonie
Zeitung. Joinville, 1932).Das Lied : Uhles Kalender. Rio de Janeiro,
1933.Menschengrösse ( Uhles Kalender. Rio de Janeiro, 1933)Weisst du auch..... (
Uhles Kalender. Rio de Janeiro, 1935)Der Traum ( Uhles Kalender. Rio de Janeiro,
1935 und Serra-Post Kalender, Ijuí, 1957)Vielleicht ist dies das Glück... (Serra-Post
Kalender. Ijuí, 1959).Fahrt durch den Maimorgen ( Uhles Kalender. Rio de Janeiro,
1937 und Serra-Post Kalender, Ijuí, 961)Glück ( Serra-Post Kalender. Ijuí,1954 und A
Poesia alemã no Brasil. Tendências e situação atual , S. Paulo, 1967) Heimkehr (
Uhles Kalender. Rio de Janeiro., 1939)Den Urwaldpionieren ( Deutsches Wochenblatt.
Rio de Janeiro, 1951).Gruss an die Heimat (Serra-Post Kalender. Ijuí,1969),An die
Heimat. ( Federação dos Centros Culturais 25 de julho. São Leopoldo, 1955)Der
Auswanderer ( Brasil-Post. São Paulo, 1956). Auf leisen Sohlen. (Serra-Post Kalender,
Ijuí, 1958).Vor 30 Jahren ( Serra-Post Kalender. Ijuí,1959 und Elos e Anelos. Da
Literatura em lingua alemã no Brasil.S. Paulo, 1981)Wie es gekommen ist ( Serra-Post
Kalender. Ijuí, 1958).Einsamkeit ( Serra-Post Kalender, Ijuí,1959).Das Lied ( SerraPost Kalender. Ijuí,1961).Ich habe so oft…( Serra- Post Kalender. Ijuí, 1960).Die
Weihnachtsbotschaft ( Deutsche Nachrichten, São Paulo, 25.12.1960).Mutterhände
(Deutsche Nachrichten, São Paulo, 13.5.1956).Wachsen und werden (Serra-Post
Kalender, Ijuí,1960).Es fliehn die Sekunden ( Serra-Post Kalender, Ijuí, 1962 und A
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Poesia alemã no Brasil. Tendências e situação atual. S. Paulo, 1967).Bedenke, Mensch
(Serra-Post Kalender, Ijuí, Löw, 1962 und A poesia alemã no Brasil Tendências e
situação atual. USP, S.Paulo, 1967).Entgegen dem Morgen ( Serra-Post Kalender,
Ijuí,1964).Du merkst es nicht ... (Serra-Post Kalender, Ijuí, Löw, 1967).Die
Friedfertigen Brasil ( Post, S.Paulo, 2.1. 1971und. Elos e Anelos. Da literatura em
lingua alemã no Brasil. S..Paulo, 1981)Gruss an die Heimat ( Brasil-Post, São Paulo,
20.7.1951).Tagtäglich gibt es Wunder.(Brasil- Post, S.Paulo,15.7.1989 und. Elos e
Anelos. Da Literatura em língua alemã no Brasil S. Paulo, 1981), Quo Vadis? ( BrasilPost, São Paulo, 21.10.1989, und Elos e Anelos . Da Literatura em lingua alemã no
Brasil,S. Paulo, 198)Träumerei ( Serra-Post Kalender. Ijuí,1959).Was träumst du,
Pionier? ( Deutsche Zeitung, São Paulo, 21.7.1974).Meiner Heimat Glocken (BrasilPost, São Paulo, 1963 und Elos e Anelos . Da Literatura em língua alemã no Brasil.
S.Paulo, 1981, p. 94-95
Contos e narrativas: AMMON, Wolfgang. Chronik von São Bento. Übersetzung von
E.Herkenhoff. Joinville, Typ. Boehm, 1923Aus fernen Tagen (Kolonie Zeitung
Joinville.1924)Wiedersehen ( Serra-Post Kalender, Ijuí,1955).Die Überraschung ) .
(Serra-Post Kalender, Ijuí, 1954, und Elos e Anelos Da Literatura em lingua alemã no
Brasil, S. Paulo 1981) Vor 30 Jahren (Serra-Post Kalender, Ijuí, 1956, und Elos e
Anelos. Da Literatura em lingua alemã no Brasil. Paulo, l981)Der Meisterschuss (
Deutsche Nachrichten, S.Paulo, 17.12. 1955 und Serra-Post Kalender, Ijuí,
1973)Günthers Braut (Serra- Post Kalender, Ijuí,1957)Fiat Lux ( Serra-Post Kalender,
Ijuí, 1960 und Brasil- Post, S. Paulo, 18.11.1971).Erste Begegnung (Serra-Post
Kalender, Ijuí, 1961).Bis ans Ende meiner Tage ( Serra-Post Kalender, Ijuí,1962).Die
Lügentine ( Serra-Post Kalender, Ijuí, 1963)Wiedersehen mit Gertrud ( Serra-Post
Kalender, Ijuí, 1964)Das grosse Los (Serra-Post Kalender,1966)Liebsbrief an Cassiano
(Serra-Post Kalender, Ijuí, 1967und Elos e Anelos.Da Literatura em lingua alemã no
Brasil. S. Paulo,1981)Arme, liebe Berenice ( Serra-Post Kalender, Ijuí, 1969).Anno
Dazumal ( Serra-Post Kalender, Ijuí,1971) Mäusejagd am Sonntagmorgen ( SerraPost Kalender, Ijuí, 1972).Der Glückspilz ( Serra-Post Kalender, Ijuí, 1974/75).
Livros de História: História da imprensa de Joinville;(Geschichte der Presse in
Joinville) Joinville: Nossos prefeitos 1869 -1903 (Joinville: unsere Bürgermeister 18691903 Joinville: nosso teatro amador (1858-1938) (Joinville: unser amateur Theater
(1858-1938)
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Viagem a sua poesia e contos
Como os titulos de seus escritos deixam entrever, a sua temática ainda está ligada,
direta ou indiretamente, ao tema da imigração, que vão desde o oscilar entre duas
pátrias, a capacidade de trabalho dos pioneiros e a natureza tropical paradisiaca. Mas há
também outros “Leitmotive” como a efemeridade da felicidade, as alegrias e dores do
amor, a fé na luta, a esperança e tudo isso desemboca em reflexões filosóficas. O estado
de alma por vezes é melancólico, denota tensões e conflitos interiores, inquietude,
recordações impregnadas de saudade. Não faltam tampouco objetivos pedagógicos, pois
quer alertar o leitor, levá-lo a refletir sobre a vida.
Vejamos isto em alguns trechos de poemas, que frequentemente são singelos, quase
infantis e é desta forma que comovem, como o amor perdido que retorna em sonhos no
poema Der Traum ( HERKENHOFF 1960, S. 185 )
Du gabst mir einst, mir lächelnd deine Hand,
Und wolltest schon in Liebe mich umfangen,
-Da wacht´ich auf…und alles um mich schwand-i
…ich bin ja lang, so lang von dir gegangen…
(Der Traum)
Você me deu uma vez sua mão
E ias, com amor me abraçar,
Então eu acordei e tudo se foi
Há muito, muito tempo eu partira
(O sonho)
Mas é preciso colher os bons frutos da vida, usufruir os momentos de
felicidade, apesar da passagem inexorável do tempo, da efemeridade dos
momentos felizes, pois é nisso que consiste a sabedoria, como vemos no
poema Es fliehen die Sekunden (id. Ibid. 1962,S.171):
Die Sekunden, die Stunden, die Jahre, Es fliehen
Das Gute, das Böse, das Falsche, das Wahre,
durchkoste es dankbar – Verlust und Gedeih!
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Und was dir im Leben die Stunden auch bringen,
lass sinnlos und nutzlos nicht eine verklingen!
(Es fliehen die Sekunden)
O segundos, as horas, os anos.
Passa o bem,o mal, o falso, o verdadeiro
Usufrua-os grato – Perdas e ganhos!
O que trouxerem as horas da vida
Não deixe nenhuma passar em vão!
(Os segundos passam)
A procura da felicidade, o medo de ser feliz, às vezes, surgem com melancólica
consciência de que tudo passa e se perde, como vemos em: Glück (Id.ibid.,1954, S.
191),
Es träumt der Mensch vom Glück sucht es in fernen Dingen,
Kämpft Jahr um Jahr und sorgt und hofft solang er lebt,
Bis endlich dann zum Schluss, mit fast gelähmten Schwingen,
Er fragend rückwärts schaut: „Wozu all mein Ringen?...
Hab`ich mein Leben lang nach einem Wahn gestrebt?“
(Glück)
O ser humano sonha com a felicidade em coisas longínquas
Luta ano após ano, a vida toda, pleno de esperança
Até, ao final, com asas quase paralisadas
Ele olha para trás: para que tanta batalha?
Terei eu procurado toda a minha vida por uma ilusão?
(Felicidade)
Suas poesias sobre a imigração tem o tom alegre da festa, louvor aos antepassados ,
geralmente celebrações de datas importantes, e expressam tanto a dor da saudade como
a esperança no futuro,bem como orgulho e gratidão aos que acreditaram num futuro
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melhor.É o que percebemos em Den Urwalpionieren ( id. 1954,10.3.1951, S.4) und
Der Auswanderer (id..1956,16.6.1956)
Ihr kamt…. Das war für euch die grosse Schicksalsstunde
Ihr kamt als Wande’rer, fremd war noch das Land,
Noch wühlte Heimweh tief… und bohrend schwoll die Wunde
Die Abschiedskummer wild euch in das Herz gebrannt!
(Den Urwaldpionieren)
Vocês vieram… Soava o sinal do destino
Vocês vieram como peregrinos, estranha era a terra,
A saudade ainda mordia a alma…e a ferida crescia
A hora da despedida marcada em fogo no coração!
(Aos pioneiros da selva)
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Nun komm, mein Sohn, nimm hier im Bündel die geringe Habe,
Vergiss den Schmerz und vorwärts richte deinen Blick
Mit frohem Mut grief deine junge Hand zum Wanderstabe,
Es winkt im fernen Land dort draussen uns das Glück!
(Der Auswanderer)
Venha meu filho, leve na trouxa teus poucos petences
Esqueça a dor e lance teu olhar para a frente
Com animo alegre tua mão pegou o cajado de migrante
Lá longe, em terras distantes, nos acena a felicidade.
(O imigrante)
Quando escreve poemas sobre a natureza, deixa - se levar por uma visão edênica da
natureza tropical e exótica, sobretudo da selva com seus mistérios e perigos. Mas
também pelas paisagens variadas e multifacetadas de uma natureza pródiga em
cores,perfumes e beleza. Nesta lirica da natureza, tão ao gosto teuto -brasileiro, ela tem
seus momentos mais inspirados como podemos ver nos poemas a seguir, onde ela
também usa nomes para nossa flora e fauna em português, pois eles não existem em
alemão: Gruss an die Heimat ( id. 20.7.1951. S. 5). Meiner Heimat Glocken( id.1963,
S. 173-174)
Ich grüsse dich Heimat, ich grüsse die weiten
Durchsonnten Gefilde am südlichen Strand,
Ich grüsse die Wogen, die schäumend entgleiten,
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Die rauschenden Wälder, die endlos sich breiten,
Die Klüfte, die See und das strahlende Land!
(Gruss an die Heimat)
Eu te saúdo pátria, saúdo as amplas
Ensolaradas campinas nas praias do sul,
Eu saúdo as ondas, que deslizam, espumantes,
As florestas sussurrantes, que se espraiam sem fim,
Os abismos, o mar a terra radiante!
(Saudação à pátria)
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Du siehst den Bach, das Haus,die Bambushecken,
der Sabiá schlägt so wie einst im Rohr,
der Bem- te- vi, der Schelm, sucht dich zu necken,
Jasmin und Rosen duften an den Ecken,
und Alamanda wuchert übers Tor…
(Meiner Heimat Glocken)
Tu vês o riacho, a casa, o bambuzal,
O sabiá canta como antigamente no bambú
O Bem-te-vi, o pícaro, querem brincar contigo
Jasmins e rosas exalam seu perfume pelos cantos
E alamandas vicejam sobre o portão...
(Os sinos da minha terra)
Suas narrativas são estórias lineares, com enredos lógicos, desenvolve-se
cronologicamente e geralmente contém algum ensinamento moral. Muitas são
estórias de amor como: Die Überraschung , Erste Begegnung, Bis ans Ende
meiner Tag, Liebesbrief an Cassiano. Outras narram acontecimentos históricos
como: Anno Dazumal, cujo tema é o desejo dos imigrantes de
participarem na Guerra do Paraguai ( 1864-1872) e Der Meisterschuss sobre
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a revolução federalista no Rio Grande do |Sul ( 1889-1895), que se estende a Joinville.
Como conclusão podemos dizer que sua poesia está ainda sob a irradiação do “pahos
dos imigrantes”, expresso de forma romantica e, às vezes, com tons patéticos, mas
muitas são reflexões filosóficas com enfase nas virtudes e transmissão de
ensinamentos. Já se percebe nela preocupação com o mundo da sua época, o meio
ambiente brasileiro, suas caracteristicas e percebe-se uma attitude de patriotismo. Há
nela uma contemporaneidade palpável, importante para seu reconhecimento estético.
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DADOS BIOGRÁFICOS
VALBURGA HUBER – Natural de Rio do Sul – SC, filha de imigrantes alemães.
Graduação em Filosofia e Letras ( Ufpr – UcPr),Mestrado em Lit. Brasileira na
UFRJ e Doutorado em Lingua e Lit. Alemã na USP. Cursos de especialização na
Inglaterra e Alemanha
Professora da FFCL da UFPr e desde 1988 de Lingua e Lit. alemã da Fac. Letras
–UFRJ . Pesquisa há décadas a Literatura da Imigração alemã, tema dos seus 2
livros: SAUDADE E ESPERANÇA O Dualismo do Imigrante alemão refletido em
sua Literatura ( Ed. FURB – 1993 – Blumenau SC) e A PONTE EDÊNICA Da
Literatura dos imigrantes de lingua alemã a Raul Bopp e Augusto Meyer. ( FapespEd. Anna Blume 2009 – S.Paulo SP))
Atualmente pesquisa os autores teuto—brasileiros de Joinville.SC.
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ELLY HERKENHOFF – A mais expressiva poetisa teuto