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FACULDADE LOURENÇO FILHO
CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM UTILIZADOS NA
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO ENSINO SUPERIOR DO ESTADO
DO CEARÁ
por
Amanda Alexandre de Oliveira
____________________
Orientadora:
MSc. Teresa Cristina Gurgel Dessimone
Fortaleza, 2010
10
AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM UTILIZADOS NA
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO ENSINO SUPERIOR DO ESTADO
DO CEARÁ
Amanda Alexandre de Oliveira
Monografia apresentada ao curso de Ciência da
Computação, da Faculdade Lourenço Filho, como
requisito parcial para obtenção do título de Bacharel
em Ciência da Computação.
Orientadora: MSc. Teresa Cristina Gurgel
Dessimone
Fortaleza, 2010
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AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM UTILIZADOS NA
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO ENSINO SUPERIOR DO ESTADO
DO CEARÁ
Amanda Alexandre de Oliveira
Monografia apresentada ao curso de Ciência da Computação, da Faculdade Lourenço
Filho, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências da
Computação.
Aprovada em 10 de março de 2010
Composição da Banca Examinadora:
_______________________________________
Prof. MSc. Teresa Cristina Gurgel Dessimone (Orientadora)
________________________________________
Prof. Dr. Antônio Luiz de Oliveira Barreto
________________________________________
Prof. MSc. Wellington Wagner F. Sarmento
12
À minha avó querida, Maria Alexandre (in memorian).
13
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus por ser o meu guia e dono da minha vida.
Por Ele ter me mostrado tudo o que eu aprendi e ter demonstrado o amor constante e
maior que eu já vi. Nele guardo toda a minha confiança e fidelidade.
À minha mãe, Beth Alexandre, por ter me apoiado e me incentivado para
um bom desempenho nessa área tão árdua que são os estudos. Ela é o meu alicerce
debaixo do sol. Ao meu pai, Luiz Oliveira, que foi uma pessoa muito importante e
especial no realizar deste trabalho.
À minha querida irmã, Camila Alexandre, que me ajudou muito no
desenvolver desse trabalho.
A um homem muito especial na minha vida, meu noivo, Michael Cannon,
que contribuiu intercedendo a Deus pelo meu desenvolvimento. É com muito amor e
carinho que agradeço por ser tão atencioso e compreensivo pelos meus horários
limitados.
Aos meus familiares e amigos, que tanto intercederam por mim, me
motivaram e me deram amor.
À minha orientadora, Teresa Gurgel, que com tanta paciência e
disponibilidade me ajudou para que essa monografia saísse de uma maneira tão
completa. Agradeço juntamente ao Professor Carlos Manso por ser compreensivo nas
minhas datas corridas. Não posso deixar de agradecer também aos membros da Banca,
Professor Luiz Barreto e ao Professor Wellington Sarmento que se disponibilizaram
com tanta presteza a participarem desse momento tão importante da minha vida.
14
“Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias;
correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.”
(Isaías 40: 31)
15
RESUMO
Este trabalho apresenta uma descrição da evolução da Educação a Distância no Brasil e
no Estado do Ceará. A metodologia aqui utilizada baseia-se no levantamento
bibliográfico, o qual possibilitou uma breve visão das iniciativas no âmbito da Educação
a Distância, de projetos e programas que segmentaram os modelos atuais e das
tecnologias computacionais que possibilitam a mediação pedagógica na modalidade de
ensino semipresencial. O objetivo bem focado e bem discutido neste trabalho, são os
Ambientes Virtuais de Aprendizagem utilizados em Educação a Distância. A descrição
engloba uma tentativa de se ter uma visão de estratégias adotadas, com a apresentação
de algumas contribuições das comunidades acadêmicas, de projetos e programas
oriundos do Ministério da Educação em parceria com instituições educacionais. A
mesma enfoca a evolução da Educação a Distância em função das tecnologias
computacionais que propiciaram a concepção e construção dos ambientes virtuais de
aprendizagem aplicáveis a Educação a Distância. Podem-se contar como fortes
contribuições, o Projeto Educadi, o Proinfo, e o Ambiente Virtual de Aprendizagem
Solar, utilizado nos cursos semipresenciais da Universidade Federal do
Ceará/Universidade Aberta do Brasil. O Solar foi desenvolvido pelo Instituto UFC
Virtual com a finalidade de: promover mais interação entre atores do processo didático
em função de objetivos educacionais, disponibilizar recursos de apoio didático, facilitar
na administração de recursos educacionais e acadêmicos, entre outros. Com isso,
contextualiza-se o objetivo do presente trabalho. Conclui-se que a descrição apresentada
demonstra um resultado satisfatório para cenarizar a evolução da Educação a Distância
no ensino superior do Estado do Ceará, com a concepção, desenvolvimento e utilização
de novas tecnologias computacionais, estratégias pedagógicas e estratégias
administrativas, por meio de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Ao final do
trabalho, são relatadas as conclusões provenientes desta pesquisa.
Palavras-chave: Ambientes Virtuais de Aprendizagem, Educação à Distância,
Tecnologias da Informação e Comunicação.
16
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO--------------------------------------------------------------9
CAPÍTULO 2 – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA--------------------------------------------14
2.1 Conceituação-------------------------------------------------------------------------15
2.2 Princípios da Educação à Distância-----------------------------------------------20
2.3 Avanços Tecnológicos e Educação à Distância---------------------------------22
2.4 A EaD no Brasil----------------------------------------------------------------------26
2.5 A EaD no Ceará----------------------------------------------------------------------31
CAPÍTULO 3 – PROGRAMAS E PROJETOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
NO BRASIL--------------------------------------------------------------------------------------38
3.1 Projeto Educadi----------------------------------------------------------------------41
3.2 Proinfo---------------------------------------------------------------------------------43
CAPÍTULO 4 – TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ----------------------------------------44
4.1 Tecnologias Multimídia-------------------------------------------------------------49
CAPÍTULO 5 – AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM------------------55
5.1 Moodle--------------------------------------------------------------------------------59
5.2 Solar-----------------------------------------------------------------------------------60
CONSIDERAÇÕES FINAIS------------------------------------------------------------------62
TRABALHOS FUTUROS---------------------------------------------------------------------64
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS------------------------------------------------------65
17
1. INRODUÇÃO
Nas duas últimas décadas, a humanidade vem enfrentando radicais
transformações tecnológicas no setor produtivo e, principalmente, no tocante às
comunicações humanas. Tal realidade está exigindo mais qualificação dos trabalhadores
das diversas áreas e, sobretudo, reduzindo o espaço de tarefas repetitivas para as quais o
indivíduo seria capacitado para o desempenho perfeito de uma única função. Exige-se
agora um indivíduo mais criativo e com maior potencial para tomada de decisão.
O redirecionamento da vida em sociedade coloca como inadiáveis modificações
para as instâncias educadoras nos vários níveis, pois se impõe aos profissionais ligados
à educação, em todo o mundo, formar o cidadão com perfil adequado ao momento. Essa
condição vem gerando buscas constantes de novas soluções. O problema em si já traz
um nível de complexidade desafiador para qualquer país, tornando-se alarmante para
alguns países. Para o Brasil, a grande questão é, como vencer o desafio de gerar
condições para a formação de indivíduos com autonomia e capacidade de criação,
independente da localização geográfica.
O avanço tecnológico em ritmo acelerado já provocou uma interdependência
cada vez maior entre o conhecimento e a vida econômica. Daí a evolução da Educação a
Distância no mundo, com inúmeros investimentos nessa modalidade de ensino, com
redes intercontinentais e continentais, com novas tecnologias computacionais,
estratégias pedagógicas e administrativas e ambientes virtuais necessários para a
Educação a Distância.
Atualmente, pode-se ressaltar a ascensão da sociedade em rede, propiciando uma
perspectiva sistêmica aos grupos de pesquisa, estudos, criação e discussão de novas
idéias, formando verdadeiras “comunidades virtuais de aprendizagem” em rede. A
perspectiva da referida sociedade pressupõe: uma sociedade mais justa, soberana e
colaborativa, onde haja espaço inclusive para o pensamento divergente e a crítica. Nas
novas relações com os saberes, uma nova modalidade de ensino se instala, com novos
papéis para o educador e educando.
18
Nesse sentido, a sociedade contemporânea espera que a escola cumpra seu papel
de proporcionar a todos a apropriação do conhecimento historicamente acumulado e
socialmente valorizado, como condição necessária e prévia à construção da democracia
e do desenvolvimento sócio-econômico e cultural do país. Eis, portanto, o espaço da
Educação a Distância, na modalidade semipresencial comprometida com o
desenvolvimento humano, com a qualidade de vida dos indivíduos e com o alcance de
objetivos educacionais. A Educação a Distância, com o auxílio dos Ambientes Virtuais
de Aprendizagem e com estratégias educacionais adequadas, tem condição de oferecer
educação de qualidade com menor custo, considerando inúmeros investimentos em
projetos de pesquisa. Entretanto, fique claro que não é somente isso, a questão de menor
custo, pois algumas vezes a Educação a Distância pode custar muito caro.
A capacitação, os treinamentos e as formações em todos os âmbitos, enchem
hoje milhares de páginas escritas, fitas de vídeo e espaços na Internet. A evolução das
multimídias1 influenciou fortemente para a maior abrangência nas aplicações da
modalidade semipresencial.
A modalidade semipresencial, autorizada pela Portaria 4059/2004 do
Mec/Brasil, estabelece que até 20% da carga horária total de cursos de graduação possa
ser utilizada em atividades a distância (Bertagnolli et al. 2010).
Segundo dados colocados no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa2
(INEP) – 19/12/2007, em relação a Educação a Distância nos cursos superiores:
◆ De 2003 a 2006 houve um aumento de 571% em número de cursos;
◆ Crescimento do número de matrículas no ensino superior cresceu 315%
em relação a 2005;
◆ Aumento de 34% no número de cursos tecnológicos a distância;
1
O conceito de multimídia remete à integração de vários meios de comunicação. Essa integração só foi
possível graças aos crescentes avanços na área da informática e das telecomunicações. Ao se pensar em
multimídias, tem-se um suporte que integra, ao mesmo tempo, as linguagens de vários meios, ou seja, a
linguagem sonora, textual e visual.
2
Realizado anualmente pelo Inep/MEC, o Censo da Educação Superior é o principal instrumento de
coleta de informações sobre a educação superior no Brasil. Suas informações subsidiam a formulação e o
acompanhamento das políticas e programas da educação superior, contribuindo com o trabalho dos
gestores públicos, instituições públicas e privadas, pesquisadores e estudantes do Brasil e de outros
países, bem como de organismos internacionais.
19
◆ Modesto: 20 Institutos de Ensino Superior (IES) credenciados pelo
Ministério da Educação (MEC) para atuar em Educação a Distância;
◆ Mais de 70 Institutos de Ensino Superior (IES) Públicos e Privados
atuando com Educação a Distância;
◆ Mais de 300 cursos de graduação em Educação a Distância até 2006.
O INEP abriu um período para que as Instituições de Educação Superior (IES)
preencham o Censo da Educação Superior 2009. a coleta está sendo coletada de 18/01 a
05/04, por preenchimento online.
A Educação a Distância é uma realidade. Mais de três milhões de pessoas
participam de programas de Educação a Distância, no Brasil, efetuando estudos de
ensino básico, profissionalizante, graduação e pós-graduação. Na modalidade de
graduação, o país possui em torno de duzentos mil alunos, distribuídos em mais de
setenta instituições de ensino superior credenciadas pelo Ministério da Educação.
Existem atualmente programas de sucesso para Educação a Distância por meio da
televisão no Brasil, tais como o TV Escola, utilizado como ferramenta de capacitação
dos professores da rede pública de Ensino Fundamental e Médio, e o Telecurso 2000
que fornece oportunidade de estudos de 1º e 2º grau profissionalizante via a televisão
(Marinho, 2005).
Pode-se contar que a Educação a Distância atende a milhões de pessoas,
incluindo-se estudantes do ensino básico, do ensino superior, especialização, mestrado e
doutorado em mais de 80 países. E como não poderia ser diferente, com a arrancada de
todos para um mundo globalizado em que este mesmo mundo vai se transformando
numa aldeia, conforme já assegurava McLuhan (1996), a Educação a Distância, pela
rapidez com que é desenvolvida, tem sido o grande caminho para disseminação das
idéias e teorias da globalização, mas muito especialmente na área da tecnologia
desenvolvimentista.
No momento, a Universidade Federal do Ceará conta com oito cursos na
modalidade semipresencial e inúmeros cursos de extensão e especialização.
20
Porém, a EaD precisa de recursos tecnológicos e mídias para se efetivar essa
nova modalidade de ensino, podendo, assim ser bastante eficiente e prático.
A Educação a Distância teve vários estágios com diferentes recursos de
informação e comunicação, entre eles: textos, fitas, vídeos, programas de rádios e
programas televisivos.
As tecnologias da Informação e Comunicação possibilitaram mais interação
entre atores do processo educativo, bem como a utilização de tecnologias síncronas,
assíncronas e mídias compostas por: texto, som, imagem, movimento e gráficos, de
forma não linear. Na relação Ensino-Aprendizagem a Universidade é um espaço para a
construção de conhecimento, produção científica etc. Com essas possibilidades, os
cursos da modalidade semipresencial podem agregar estratégias pedagógicas,
estratégias administrativas e mídias interativas, por meio de Ambientes Virtuais de
Aprendizagem.
Diante da perspectiva acima descrita, o presente trabalho é resultado de uma
pesquisa que enfatiza a evolução da Educação a Distância no Brasil, mais
especificamente, no ensino superior do Estado do Ceará, mencionando projetos,
programas e tecnologias computacionais que promoveram, inovaram e segmentaram
com propriedade a modalidade de ensino semipresencial. Para isso, buscou-se
fundamentos no âmbito da relação sociedade e tecnologias da Informação e
Comunicação, bem como exemplos de projetos e experimentos que respaldam e
justificam as aplicações tecnológicas utilizadas na referida modalidade de ensino.
Ambientes Virtuais de Aprendizagem são sistemas computacionais disponíveis
na Internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de
informação e comunicação. Nesta pesquisa destacam-se dois Ambientes Virtuais de
Aprendizagem, denominados Solar e Moodle. Os mesmos se destacam por agregarem
recursos didáticos mais interativos, estratégias pedagógicas e administrativas, requisitos
que favorecem o processo didático na modalidade de ensino semipresencial. Os mesmos
são utilizados nas instituições de Ensino Superior do Estado do Ceará.
O principal método adotado nesta pesquisa é o bibliográfico, onde foram
utilizadas fontes impressas e digitais para verificar todas as etapas de introdução da
21
Educação a Distância baseada em planejamento de sua implantação em ambientes
virtuais e dos indicadores.
Esta pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva. A metodologia
pretende descrever, estabelecer relações e analisar no sentido organizacional os sistemas
de suporte – não todos os sistemas, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem – à
utilização da educação em instituições. A abordagem é qualitativa, com análise
interpretativa, tendo uma perspectiva em que reflete uma situação existente em um
determinado intervalo de tempo, possibilitando a ocorrência de estudos posteriores que
indiquem outras situações e cenários.
A presente monografia está estruturada da seguinte maneira:
§ Capítulo 2 – Educação a Distância: este capítulo trata de conceitos e sua
definição, trata os seus princípios, mostrando os avanços tecnológicos da
educação a distância, abordando também a educação a distância no Brasil e
ainda no mais específico, no Ceará;
§ Capítulo 3 – Programas e Projetos da Educação a Distância no Brasil: este
capítulo traz um apanhado das descrições de alguns programas e projetos
utilizados em aprendizagem. Também aborda sobre o Proinfo e Educadi;
§ Capítulo 4 – Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação a
Distância: neste capítulo é abordado a utilização do AVA, sua dimensão e seu
contexto na educação, além das tecnologias multimídias;
§ Capítulo 5 – Ambientes Virtuais de Aprendizagem: neste último capítulo o
conhecido AVA é definido e mostrado de uma maneira descritiva e bem
colocado com dois exemplos como Moodle e Solar.
22
2. Educação a Distância
Discutir sobre Educação a Distância, na atualidade no Brasil, se torna muito
prazeroso, pois se tornou uma realidade concreta. Esta modalidade foi iniciada
sistematicamente no fim do século XVIII com a educação por correspondência, teve um
estágio de desenvolvimento conforme meados do século XIX. Antes era apenas uma
experiência com raízes nas cartas de Platão e nas epístolas3 de Paulo com longa história
de experimentações, avanços e recuos.
Parece-se necessário reconhecer a Educação a Distância, doravante abreviada
com EaD, como um recurso utilizado, desde as eras mais remotas, para informar,
ensinar, doutrinar, repassar fatos instrutivos e educativos e apenas ou de maneira
categórica para enriquecer as mentes ou buscar a verdade por parte dos que a quisessem.
Essa inovação foi de bastante importância no dia-a-dia de uma instituição.
Embora muitos considerem uma inovação surgida com as novas
tecnologias, a educação a distância tem uma longa trajetória. Se
considerarmos o curso de taquigrafia oferecido por Caleb Philips
em 1728, nos Estados Unidos da América, como a primeira
experiência de educação a distância por correspondência, temos
dois séculos e meio de história. Mas, se quisermos considerá-la
como uma ação educativa institucionalizada, ela tem mais de 160
anos, pois teve seu início, no Reino Unido, em 1840, com a criação
da Sociedade Fonográfica por Correspondência que deu origem à
criação dos Colégios por Correspondência Sir Isaac Pitman. No
entanto, se esta contagem de tempo tiver como marco a chamada
educação a distância “moderna”, com a criação da Universidade
Aberta do Reino Unido da Grã-Bretanha, em 1969, temos um
pouco mais de três décadas. (Ribeiro, 2003, p. 13)
Como um meio utilizado através dos tempos, podemos citar os papiros4, as
inscrições tumulares, os escritos com caracteres cuneiformes deixados pelos medos5 e
antigos persas, os hieróglifos6, toda a literatura hebraica e de outros até hoje ainda não
decifrados.
3
Epístolas: cartas ou lições dos Apóstolos dirigidas às primeiras comunidades cristãs e inseridas no Novo
Testamento; carta de um autor antigo ou correspondência entre autores célebres.
4
Papiro: erva própria das margens alagadiças do Rio Nilo, na África, de cujas folhas se obtinha o papiro,
material sobre o qual se escreviam manuscritos antigos.
5
Medos: habitantes originários da Média, região da Ásia, atualmente parte do Irã.
6
Hieróglifo: unidade ideográfica fundamental do sistema de escrita do antigo Egito; escrita enigmática,
indecifrável.
23
Crê-se que foi nesse sentido que Todorov (1994) afirma que a EaD nasceu sob o
signo da democratização do saber. Foi exatamente isso o que pretenderam os mais
antigos criadores de meios de transmissão de conhecimentos: levar ou deixar para as
posteridades tudo o que lhes pudesse ser útil, seja para a prática da vida seja para o
desenvolvimento da mente.
Com base em artigos sobre EaD, há alguns que garantam que a informação não é
educação sabe-se, por outro lado, que o conhecimento se firma por meio da informação.
A partir dessa premissa não há como não aceitar o fato de que a história, inscrições,
doutrinas e todo o mais legado pelos povos mais antigos e que visavam a transmitir
mensagens ou princípios de orientação para a vida, não sejam formas de EaD.
Logo que novos meios de comunicação foram adotados7, o papel do professor
como agente educador passou a ser dividido com esses meios, primeiro pelo texto
didático, mais tarde pelo correio e depois, pelo rádio, pela televisão e por outros mais
recentes. O caminho para a EaD, então, estava aberto quando os primeiros homens
começaram a aprender diretamente do texto escrito e não diretamente do professor.
Assim, percebe-se um esforço dos estudiosos e pesquisadores dessa modalidade
de ensino, em reunir um conjunto de características, para situar com maior clareza a sua
conceituação.
2.1 Conceituação
A educação a distância é uma estratégia para operacionalizar os
princípios e fins da educação permanente e aberta, de tal modo que
qualquer pessoa, independente de tempo e espaço, possa converterse em sujeito protagonista de sua própria aprendizagem, graças ao
uso sistemático de materiais educativos, reforçados com diferentes
meios e formas de comunicação. Martinez (1994)
A avaliação em EaD passou a ser conhecida e as escolas ganharam campo para
desenvolverem atividades que não se resumiam somente no papel. Principalmente
7
Com o surgimento do texto didático e dos meios de comunicação, o papel do professor como agente
educador passou a ser medido por esses meios.
24
depois dos anos 90 em que as circunstâncias permitiram a muitas escolas desenvolver
ações autônomas em diversas modalidades, sendo um momento importante por ter
concedido às escolas a distância, uma importante margem de liberdade na promoção de
projetos tecnológicos e educacionais (treinamentos a distância) para os quais havia clara
intenção de serem avaliados.
Infelizmente, a decisão de implementar uma inovação tecnológica não foi
precedida da necessária cautela no tocante à formação dos agentes envolvidos nessa
modalidade . Na verdade, a EaD tem aspectos condicionantes do seu desenvolvimento,
pois há de conhecer a teoria e a prática tecnológica, o que requer aprendizagens
específicas. Por esse motivo já existem cursos em gestão a distância e tecnologia
promovidos por escolas do ensino superior.
A importância da EaD é clara no sentido da preocupação em viabilizar a
democratização da educação, e o desenvolvimento de conhecimento em âmbito social.
Esse segmento é o caminho da qualificação profissional, onde a aprendizagem é parte
integrante do processo educacional, embora não seja obrigatoriamente desenvolvido.
A EaD somada às tecnologias é uma modalidade educacional8 relativamente
nova, a qual muitos indivíduos a consideram sinônimo de baixa qualidade de ensino e
também a comercialização de informações e conhecimento. Para estudiosos neste setor,
proporciona a qualificação profissional, podendo ampliar a clientela atendida.
José Luis García Llamas (1986 apud Lobo Neto, 2001, p.22) destaca algumas
conceituações de EaD que vem sendo tratadas pelos estudiosos da atualidade. Dentre as
principais podemos considerar:
A educação a distância é uma estratégia educativa baseada na
aplicação da tecnologia à aprendizagem sem limitação de lugar,
tempo, ocupação ou idade dos estudantes. Implicam em novas
relações para os alunos e para os professores, novas atitudes e
novos enfoques metodológicos.
O sistema deve facilitar a participação de todos os que queiram aprender sem
impor-lhes os requisitos tradicionais de ingresso e sem que a obtenção de um título
acadêmico ou qualquer outro certificado seja a única recompensa.
8
A EaD online
25
Com o fim de alcançar a flexibilidade9 requerida para satisfazer uma ampla
gama de necessidades individuais, o sistema deveria permitir o emprego efetivo, a
opção de meios sonoros, televisivos, cinematográficos ou impressos, como veículo de
aprendizagem.
A capacidade humana está distante de poder abarcar todo o saber elaborado,
sendo que o homem formado com a expectativa de encontrar certezas se defronta na
insegurança de uma vida fragmentada.
A EaD viria para permitir um aumento de oferta de cursos de capacitação e
aperfeiçoamento dos profissionais, em diferentes níveis (graduação, extensão e pósgraduação), trazendo um diferencial quanto ao desenvolvimento de autonomia e uma
individualização maior no processo de aprendizagem. As habilidades exigidas são
sofisticadas, pois a nova forma de produção despreza o trabalho desqualificado
substituindo-o eficientemente pela automatização. Portanto, a EaD é mais do que nunca
um dos focos para a construção de uma sociedade que pretenda ser desenvolvida, e
assim mostrar como o sistema tem condições de suprir a questão da distância.
O sistema deve estar em condições de superar a distância entre o
pessoal docente e os alunos, utilizando essa distância como
elemento positivo para o desenvolvimento da autonomia na
aprendizagem. McKenzie et.al (1979, p. 19)
Pesquisadores que investigam a utilização de computadores na educação alegam
que a informática possui uma ação positiva para o desenvolvimento da capacidade
cognitiva. As radicais mudanças da informática nos anos noventa reforçaram ainda a
adoção dessa tecnologia nos meios educacionais. Para Neves Jr.:
A diferença ocorre a partir do momento que, para as corporações, as
tecnologias de EAD passam a ser uma poderosa arma para disseminar
informações privilegiadas entre as peças chaves da organização, de
maneira altamente estratégica, fazendo com que a detenção de tais
conhecimentos, apenas pelos integrantes da corporação, atue como
um forte diferencial competitivo no mercado (2002, p.24).
Nesse contexto, os projetos extraclasse, desenvolvidos com a orientação de
professores de sala de aula e apoiados por professores encarregados da coordenação são
facilitados em laboratórios e pesquisas de informática. Tecnologias de Informação e
9
A EaD como estratégia de socialização e democratização do conhecimento deve articular o projeto
pedagógico com o projeto histórico, político e social de uma nação.
26
Comunicação (TIC) foram introduzidas na educação para informatizar as atividades
administrativas, com enfoque no controle e a gestão técnica, principalmente no tocante à
oferta e à procura de oportunidades na educação.
Criam-se assim possibilidades de redimensionar o espaço da tecnologia
educacional tornando-a aberta propiciando um processo colaborativo, onde professores
e alunos trocam informações que atuam na instituição, como também com outros
agentes externos. Tais contextos levaram à compreensão de que a utilização das
Tecnologias de Informação e Comunicação principalmente com o acesso a Internet10,
contribui para expandir o acesso à informação atualizada e, principalmente, para
promover a criação de comunidades colaborativas que privilegiam a comunicação, bem
como o acesso a ambientes virtuais de aprendizagem que possibilitam a participação em
cursos diversos.
Há que se empregar nas ações os recursos disponíveis, inclusive as Tecnologias
da Informação e Comunicação (TIC), conforme a criação de comunidades educativas
que visem a criação de redes de conhecimentos, onde a trama ajuda a construir uma
sociedade mais humanitária. O fator essencial para a criação de comunidades de
aprendizagem e colaboração é a qualidade da interação, cuja criação poderá viabilizarse a partir da formação continuada e em serviço do educador. É interessante perceber a
importância do meio de comunicação utilizado na EaD.
O ensino a distância abrange as formas de estudo que não são
dirigidas e/ou controladas pala presença do professor na aula, ainda
que se beneficiem do planejamento, guia e ensinamentos de
professores-tutores, ou através de algum meio de comunicação
social que permite a interação professor/aluno, sendo este último, o
exclusivo responsável pelo ritmo e realização de seus estudos.
Zamora (1981, apud Garcia Aretio, 1987, Apud Corrêa 2007)
Nesse contexto, onde o arcabouço articula a realidade da instituição com o
domínio dos recursos tecnológicos e com a prática pedagógica, o educador terá a
oportunidade de analisar as problemáticas envolvidas em sua atuação, na sua instituição,
no sistema educacional e na sociedade, como também participar de comunidades que
buscam encontrar alternativas para superar problemáticas com base em novos conceitos
que lhe permitam identificar contribuições.
10
Com a Internet, as novas tecnologias interativas, interligando texto, imagem, som, movimento e
gráficos, de forma não linear, criaram espaços abertos de comunicação no ciberespaço.
27
As tecnologias podem ser incorporadas na instituição como suporte para a
comunicação entre os educadores da instituição, como também a realização de
atividades colaborativas, além da representação do conhecimento em construção pelos
alunos e respectiva aprendizagem (Alves e Nova, 2003).
Várias atividades de formação de educadores para a utilização pedagógica das
tecnologias mundiais a distância tem se desenvolvido na proporção da formação em
serviço contextualizado na prática pedagógica.
Contudo, outras dificuldades se fazem presentes, onde se relacionam tanto com
a falta de condições físicas, quanto com a postura dos dirigentes escolares o que
dificulta a sua compreensão a respeito da potencialidade das tecnologias para a melhoria
de qualidade do processo de ensino e de aprendizagem (Evans, 2002).
O foco então é a importância da formação de todos os profissionais que atuam
nas instituições, fortalecendo o papel da direção na gestão das tecnologias e na busca de
condições para a utilização no processo de aprendizagem.
A incorporação das novas tecnologias na EaD vem se concretizando com maior
frequência nas situações em que diretores e comunidades das instituições se envolvem
nas atividades como sujeitas do trabalho em realização, pois o sucesso está diretamente
relacionado com a mobilização de todo o pessoal escolar, onde o apoio para com as
transformações envolvidas nesse processo não se limita ao âmbito estritamente
pedagógico da sala de aula, mas se estendem aos distintos aspectos envolvidos com a
gestão do espaço e com a esfera administrativa e pedagógica.
A gestão das tecnologias na instituição implica gestão pedagógica e
administrativa do sistema tecnológico e informacional. O crescimento é essencial em
incorporar as tecnologias à prática pedagógica como também da necessidade de
envolver os gestores nessas atividades, já que sem a participação dos gestores, as
atividades diminuem as práticas em sala de aula. Ao atingir esse nível, leva-se à
percepção de que o papel do gestor não é apenas o de prover condições para o uso
efetivo das tecnologias em sala de aula.
28
2.2 Princípios da Educação a Distância
A partir do entendimento do que seja a EaD, torna-se significativo buscar seus
princípios, como também, descrever sua trajetória ao longo do tempo. Os princípios são
as indagações sobre a razão de ser de um aspecto da realidade. Com esse fim acredita-se
ser significativo expor o que difere a EaD da educação presencial, que tendências
pedagógicas são mais comuns nessa modalidade educativa, qual a função dos meios de
comunicação e da informação nesse universo.
O primeiro princípio da EaD que se deve considerar importante está diretamente
relacionado com a maneira como o aluno é percebido e tratado por aqueles que
organizam currículos, planejam os materiais didáticos, concebem os encontros
pedagógicos, sobretudo nos momentos em que está distante. Também diz respeito à
forma como se assimila a distância e as suas capacidades de superação e,
principalmente, a postura diante de novas formas de se apropriar dos conhecimentos.
Isso significa um maior grau de cooperação no processo de ensino e um maior nível de
autonomia do aprendiz no processo de aprendizagem. Paulo Freire (1996, p. 21) explica
melhor esse conceito quando diz que:
A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si é um
processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido
que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em
experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale
dizer, em experiências respeitosas da liberdade.
Na educação presencial, há uma apropriação física que possibilita certa
dependência do aluno em relação a toda a estrutura educacional que o rodeia.
Professores, supervisores, agentes educacionais compõem um quadro de assistência
contínua, que se altera significativamente quando se está distante do professor.
A EaD possibilita a organização de um sistema de ensino em que pessoas
dispersas geograficamente possam fazer parte de uma teia de saberes que se caracteriza
não só pela auto-aprendizagem, mas também por um senso de colaboração coletiva,
considerando dentre outras realidades o acompanhamento sistemático de professores e
tutores aos alunos distantes. As trocas de impressões dos alunos entre si e com o corpo
29
docente também contribuem para uma maior interação, fato possível agora em um
maior nível graças aos veículos de comunicação e das tecnologias da informação.
A EaD, pelas suas características, participa da função social da educação,
manifestando algumas particularidades no que se refere ao seu papel social. Assim
concebida, diz Lobo Neto (2003) que a EaD certamente não se afastará dos
fundamentos do ato de educar, em que a busca continuada da autonomia se concretiza
no respeito à liberdade, na relação interpessoal, político e cultural. O ponto mais
interessante da EaD é a sua autonomia.
A EAD e, por todos os títulos e modos, a mesma educação de que
sempre tratamos e que sempre concebemos como direito preliminar
de cidadania, dever prioritário de Estado Democrático, política
pública básica e obrigatória para ação de qualquer nível de
governo, conteúdo e forma do exercício profissional de educadores.
(...) A EAD, como qualquer forma de educação, não apenas deve
pretender ser, mas precisa concretamente realizar-se como uma
prática social significativa e consequente em relação aos princípios
filosóficos de qualquer projeto pedagógico: a busca da autonomia,
o respeito à liberdade e à razão, a construção de um convívio social
justo e solidário. (Lobo Neto, 2003)
Pode-se descrever que, a EaD é uma estratégia que amplia o acesso à educação
e, como tal, pode e deve aprofundar o compromisso do projeto pedagógico com o
projeto histórico, político e social de uma nação.
Não resta dúvida de que seu papel, democraticamente, merece bastante destaque,
mas é principalmente no papel de facilitadora da qualificação do processo pedagógico e
do serviço educacional que a sua contribuição parece relevante. Nesse sentido,
destacam-se os dois aspectos de maior importância: capacitação e atualização de
profissionais da educação, especialmente professores; formação e especialização em
novas profissões ou novas ocupações.
Fica fácil ver que em relação à questão social, a EaD, como qualquer outra
modalidade da educação, deve ser não apenas um projeto social, mas tornar-se uma
prática concreta, significativa e, ou seja, a busca da autonomia, o respeito à liberdade e à
razão, desenvolvimento da consciência crítica, da criatividade e do espírito de
solidariedade e participação.
30
Assim deve-se promover a EaD desde a definição de suas políticas,
planejamento, estratégias, execução dos programas, distribuição, utilização e avaliação.
Tudo deve emergir para a construção de uma sociedade solidária, segura, afirmativa,
que adote uma mentalidade aberta e construtiva para que se possa vislumbrar os
caminhos de um futuro mais animador.
2.3 Avanços Tecnológicos e Educação a Distância
Apesar dos aspectos metodológicos terem sido incorporados na educação já há
bastante tempo, o marco histórico da EaD ocorreu no século XV, quando Johannes
Guttenberg, ao inventar a imprensa, facilitou o acesso do povo às produções de
conhecimento com o livro impresso, de custo inferior ao dos manuscritos.
Na verdade, a incorporação de novas tecnologias na EaD propicia o domínio
para que possa auxiliar na gestão escolar e, simultaneamente, provocar a tomada de
consciência sobre as contribuições dessa tecnologia ao processo de aprendizagem.
Num mundo globalizado em um ambiente virtual de aprendizagem, cada
indivíduo tem a oportunidade de percorrer distintos caminhos, onde cada deficiência
representa um espaço de interação que pode ser caracterizado no poder de decisão.
Observa-se a disponibilidade de ambientes virtuais para a formação e a criação de
comunidades colaborativas que apresentam um potencial para aglutinar recursos
tecnológicos, e educadores em torno de atividades que permitam novos caminhos na
formação continuada a distância, com foco em um trabalho contextualizado na realidade
na instituição.
Cada participante do ambiente compartilha valores e torna-se emissor de
informações e os participantes desse ambiente são incitados a expressar idéias próprias
por meio da escrita, e resolver problemas engajando-se na construção coletiva de uma
ecologia da informação, onde o foco não é a tecnologia, porém a atividade humana em
realização.
31
Assim, gestores escolares terão informações disponíveis que lhes permitam
identificar problemas e buscar alternativas de solução por meio do diálogo e incentivar
as ações inovadoras que possa favorecer a constituição da instituição como uma
comunidade de aprendizagem.
O ambiente virtual para suporte das atividades a distância começou a ser
utilizado durante esse encontro presencial11, na realização de fóruns de discussão e para
a inserção como material de apoio das propostas de atividades elaboradas pelos
participantes, a serem realizadas junto com a comunidade escolar, tendo em vista a
criação coletiva do projeto de gestão de novas tecnologias. As teorias são buscadas para
ajudar a compreender as ações em realização, propiciando a reflexão sobre essas
práticas e a proposição de transformações que as tornem mais efetivas. (Evans, 2002)
O desenvolvimento propriamente dito da EaD remonta ao século XVIII, quando
foram implantados os primeiros cursos por correspondência como forma de expandir
programas educativos para segmentos da população com impossibilidades geográficas
de locomoção. Para Sousa (1996, p. 12) as primeiras iniciativas foram assim ser
discriminadas:
1728 – Aulas por correspondência ministradas por Caleb Philips, pela Gazeta de
Boston.
1840 – Isaac Pitman veicula um curso de taquigrafia por correspondência.
1880 – O Skerry’s College disponibiliza cursos voltados para concursos públicos.
1884 – O Foulkes Lynch Correspondense Tuition Service organiza cursos de
contabilidade.
1891 – Thomas J. Foster oferece curso sobre segurança de minas.
Somente a partir de 1923, no Brasil, passou-se a usar as transmissões
radiofônicas a fim de veicular programas educativos. Destaca-se a criação naquele ano
da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1936, a rádio foi doada ao Ministério da
Saúde e da Educação, o que proporcionou a criação do Serviço de Radiodifusão
Educativa do Ministério da Educação.
11
Encontro presencial formado por professor-aluno fisicamente no mesmo local.
32
As décadas de 60 e 80 viram se ampliar no Brasil às práticas de EaD,
desenvolvidas e implementadas por diversas instituições governamentais e provadas as
quais podemos citar:
Centro de Ensino Técnico de Brasília, 1965
Associação Mens Sana, 1967
Fundação Padre Anchieta, 1967
Fundação Educacional Padre Landell de Moura, 1967
Televisão Educativa do Maranhão, 1969
Cursos Guanabara de Ensino Livre, 1969
Instituto Cosmos, 1970
Centro de Socialização, 1972
Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, 1973
Fundação de Teleducação do Ceará, 1974
Universal Center, 1974
Fundação Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, 1975
Petrobrás – Projeto Acesso, 1975
Instituto de Radiodifusão da Bahia, 1975
Os formadores tem participação efetiva nas interações como orientadores e
provocadores de reflexões que possam levar à tomada de consciência sobre as ações em
avanços e desafios. Desta forma, existe uma preocupação com a comunicação
compreensível pelo outro e com a participação nas interações. O grupo em formação,
constituído por formadores e gestores é responsável pela própria evolução dos trabalhos
e pela qualidade das produções.
33
De fato, num mundo globalizado, os gestores elaboram propostas para a
continuidade das ações nas instituições voltadas para a construção do projeto de gestão
de novas tecnologias e levantam sugestões para a continuidade das interações nos
grupos de gestores a partir da criação de Comunidades Colaborativas de Aprendizagem.
Anuncia-se um novo tempo, cabendo a cada educador, participar de processos de
formação continuada e em serviço que criam a oportunidade de formação de redes
colaborativas de aprendizagem apoiadas em ambientes virtuais para encontrar, o
caminho evolutivo mais condizente de acordo com a identidade da instituição.
(EVANS, 2002).
Ao longo da leitura é possível perceber, o importantíssimo papel atribuído ao
professor para a implantação desses novos recursos tecnológicos no contexto
educacional, frente ao desenvolvimento da sociedade informatizada.
É importante salientar que as experiências construídas são fruto das articulações
entre instituições, de políticas públicas, de projetos e programas organizados por essas
instituições. Os avanços tecnológicos nas áreas de informação e comunicação trazem
novo fôlego para EaD no final da década de 80 e início da década de 90, quando se
fortalece a utilização de recursos audiovisuais e recursos multimídia. Esses avanços
proporcionaram às instituições que promovem EaD no Brasil a modernização no que
tange ao alcance e, sobretudo, mais interatividade.
Com o incremento e inserção das novas tecnologias da informação e da
comunicação, as iniciativas aproximaram-se, sobremaneira, do uso do computador e dos
recursos multimídia. Nesse momento também foram sedimentadas experiências nas
instituições acadêmicas no sentido de fortalecer a EaD a partir do cenário tecnológico
peculiar, quando são incorporados os recursos computacionais. Ressaltam-se, assim,
algumas instituições nacionais que vem desenvolvendo cursos nesta modalidade
educativa:
Universidade de Brasília
Núcleo de Educação Aberta e a Distância da Universidade Federal do Mato Grosso
Universidade Federal do Paraná
34
Universidade do Estado de Santa Catarina
Universidade Estadual do Ceará
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal do Espírito Santo
Universidade Federal de Alagoas
Nessa perspectiva, analisa-se o papel do computador como um agente mediador
de relações e comunicações que traz, para o espaço da aprendizagem, a informação e o
conhecimento que estão disponíveis nas redes. A idéia é usada para explicar o processo
de construção do conhecimento na interação aprendiz citando a internet como um bom
exemplo por revelar a ocorrência de aprendizagem em espiral, associando a esse
processo os aspectos emocionais.
A internet disponibilizou a tecnologia da informação a um grupo imenso de
pessoas, mas percebe-se, que embora possua um vasto potencial educativo, às vezes é
subutilizada, ignorando-se seu aspecto instrutivo. A influência da globalização no
contexto educacional, apontando para a necessidade de formação de profissionais
comprometidos com sua realidade e competentes para solucionar problemas
criativamente.
Faz-se necessário, no entanto, favorecer a formação tecnológica do professor, a
criação de conteúdos educativos para a internet e a conexão de todos os centros
educativos na rede com infra-estrutura mais avançada para assegurar o uso dessa
tecnologia.
2.4 A EaD no Brasil
Talvez por suas dimensões continentais, no Brasil, a radiodifusão teve um papel
preponderante na história da EaD. Tanto que o marco inicial da EaD Brasileira é a
35
inauguração da primeira emissora, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923,
fundada por Roquete Pinto com fins educativos. Até a década de 60, os cursos de
correspondência (principalmente profissionalizantes, caso do Instituto Monitor, criado
em 1939 e Instituto Universal Brasileiro, de 1941) dividiram o espaço com os
programas radiofônicos.
A partir da década de 60, nasceram as TVs educativas, com uma série de
iniciativas em termos de programação, que continuam até hoje. Em 1967, foi criada a
Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa (FUNTEVE, atual TVE), no Rio de
Janeiro. No ano de 1969, foram inauguradas a Fundação Padre Anchieta (a TV Cultura
de São Paulo), a TVE do Maranhão e tiveram início as atividades do Saci, um projeto
de transmissão de aulas via satélite para o nordeste brasileiro (Vianney, Barcia, Luz e
Abmes, 2008).
A segunda geração de EaD no Brasil se constituiu num somatório de materiais
impressos e de programas de rádio e de televisão. Assim, ao mesmo tempo em que
continuaram sendo oferecidos os cursos por correspondência, também encontrava-se
uma atividade via rádio e rede aberta de televisão, na qual o indivíduo seguia um
predeterminado curso com interação relativamente pequena com a instituição produtora.
O exemplo clássico do rádio é o Projeto Minerva (cursos supletivos de 1º grau,
iniciados em 1973), e os da televisão, são os do Telecurso de 2º grau (início em 1978),
Telecurso de 1º grau (1981), Novo Telecurso do 2º Grau (1985) e Telecurso 2000,
reforçados por materiais didáticos impressos vendidos em banca. Em todos os casos, a
recepção era aberta, sem controle e não existia interatividade entre os participantes do
processo. Em termos gráficos, pode-se identificar um modelo centralizado de uma via,
transmitindo em mão única para os pontos receptores. (Vianney, Barcia, Luz e Abmes,
2008).
A transição para uma nova geração de EaD começou quando as tecnologias de
comunicação interativa passaram a possibilitar uma aproximação da experiência da sala
de aula. O exemplo brasileiro mais conhecido é o do programa Salto para o Futuro
(1991), da Rede Educativa de Televisão, onde a recepção era aberta com um controle
dos telespectadores, que podiam assistir e participar através dos telepostos preparados
para isso.
36
A terceira geração de EaD é aquela em que emergiu a “comunidade de
aprendizes”, tornada possível por um uso assíncrono de cada meio de telecomunicação
como conferência computadorizada, correio eletrônico, correio por voz e que permitiam
ao estudante ganhar o controle sobre o tempo, lugar e ritmo do estudo, mas também se
comunicar com outros alunos (Miller, 1996).
Por esse breve retrospecto, percebe-se que a EaD no Brasil, apesar da quantidade
e qualidade de experiências, até a década de 90, não havia se consolidado como uma
forma educacional historicamente confiável.
Nunes (1994) enumera uma lista dos principais problemas que impediram o
progresso da EaD no Brasil: a criação de programas pouco vinculados às necessidades
reais do país, organizados sem qualquer vinculação exata com programas de governo,
geralmente projetos-pilotos feitos para testar metodologias, aos quais faltou
continuidade, e divulgação sobre os resultados alcançados.
A partir de 1995 começou uma nova fase dos programas educativos da
Fundação Roberto Marinho com o Telecurso 2000 veiculado pela Rede Globo e canais
educativos. Lançado em 1995, o TV Escola entrou em operação em março de 1996,
através da distribuição de kits de recepção e gravação de sinal de satélite por antena
parabólica nas escolas públicas de todo o país. Para dar conta desse novo espaço de
programação de TV educativa, muitas produtoras iniciaram suas atividades
principalmente no eixo Rio-São Paulo. Sinal dos novos tempos, no ano seguinte, 1997,
sob o slogan de “o canal do conhecimento”, entrou no ar o canal Futura, resultado de
uma parceria entre Fundação Roberto Marinho e os grupos norte americanos Turner e
Microsoft, transmitido pela TV por assinatura, a cabo e via satélite.
Mas a transformação no panorama da EaD Brasileira está relacionada à adesão
em peso da universidade nesse mercado. A demanda especialmente na área da pósgraduação tinha origem em pelo menos três razões:
a) mercado de trabalho: empresas com funcionários em áreas de rápida
obsolescência começam a buscar nas universidades uma reciclagem científica, tentando
ganhar na corrida pela produtividade e competitividade ao aliar-se aos setores de ponta
da pesquisa acadêmica;
37
b) o aumento nas exigências quanto à qualidade dos cursos universitários
levadas a cabo pelo governo federal através do Provão, que se refletiam principalmente
na urgência de qualificação dos docentes em faculdades isoladas e universidades
privadas ou públicas de todo o país; e, finalmente
c) com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, criou-se uma demanda por
capacitação e educação continuada de todos os profissionais da área de Educação (Pirró
e Longo, 1999)
Caso acrescenta-se a essas razões para descontinuidade, os interesses políticos,
os problemas econômicos relacionados ao custo dos equipamentos necessários e ao
preparo de mão-de-obra qualificada e infra-estrutura necessária para a distribuição dos
cursos, a ausência de um planejamento que definisse não apenas o desenvolvimento do
projeto, como também o modelo que seria utilizado para todo o processo e, finalmente,
uma demanda suficiente que gerasse uma concorrência dentro do mercado educativo
por cursos a distância.
O Brasil, há décadas, desenvolve programas televisivos a distância: MEB,
Projeto Minerva, LOGOS, Telecurso 2º Grau, Telecurso 2000, MOBRAL, Um Salto
Para o Futuro, TV Escola, Projeto João da Silva, Projeto Saci, Proformação; a
experiência da Universidade Aberta do Nordeste-Fundação Demócrito Rocha, em
parceria com as Universidades, com programas de extensão data de 1982. O marco
inicial, entretanto, conforme Ribeiro (2003, p.17) foi
(...) A criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923, e a
utilização educacional da radiodifusão para ampliar o acesso à
educação. O ensino por correspondência iniciado com o Instituto
Rádio Amador, criado em 1939, e o Instituto Universal, em 1941,
são exemplos de experiências que tiveram algum êxito. O rádio e a
televisão foram largamente utilizados para o desenvolvimento de
cursos no campo da educação popular, alfabetização de jovens e
adultos, ensino regular e supletivo de 1ª à 4ª série e 5ª à 8ª séries,
capacitação profissional, ensino de línguas estrangeiras, atualização
de professores, dentre outros.
O resultado dessa situação é que, em meados dos anos 90, ao mesmo tempo em
que se ampliava a oferta da televisão educativa/cultural com um consequente
crescimento na produção de programas educativos para transmissão em rede aberta ou
via satélite, também teve início a entrada progressiva das universidades na EaD
38
utilizando como base as novas mídias geradas pela união entre informática e
telecomunicações, como a Internet e a videoconferência.
Em 1993, foi assinado o Consórcio Interuniversitário de EaD – BRASILEAD12,
envolvendo o Conselho de Reitores das Universidades Públicas Brasileiras – CRUB, o
Ministério da Educação e do Desporto (MEC), o Ministério das Comunicações, o
Conselho dos secretários Estaduais de Educação (CONSED) e a União dos Dirigentes
Municipais de Educação (UNDIME). Posteriormente o Consórcio foi ampliado com a
participação do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o Ministério da Cultura
(MC) e a Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL).
Tomando-se por base os dados encontrados sobre EaD no Brasil pode-se avaliar
que alguns fatores políticos teriam contribuído e impulsionado essa mudança do cenário
da EaD no país. Estes fatores estão relacionados a uma crescente regulamentação,
incentivos através de parcerias do MEC com universidades, principalmente para
programas de treinamento de professores e também relacionados a iniciativas do
governo federal em acordos técnicos para barateamento do uso das Infovias de
comunicação no país.
A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96)13 apresentou
uma abertura bem ampla para a EaD em diferentes artigos e itens, podendo ser
desenvolvida nos diferentes níveis de ensino brasileiro. É, sem dúvida mais uma força
para a EaD que, aos poucos vai se impondo, embora ainda lutando contra o
convencional sistema de ensino que, hoje ou amanhã, terá de reconhecer a imperiosa
necessidade de atender a quantos não tem como adequar o estudo ao trabalho que
desenvolvem em todo o mundo.
Ainda no marco do BRASILEAD, uma iniciativa importante para a formação de
recursos humanos no âmbito da EaD foi oferta do Curso de Especialização em EaD,
pela Universidade de Brasília, em convênio com a Universidade de EaD da Espanha –
UNED, a Universidade Aberta de Portugal e a Universidade do Canadá, com a oferta de
vagas para as consorciadas do BRASILEAD e as Secretarias Estaduais de Educação.
12
A EaD no ensino superior institucionalizou-se no Brasil a partir do Consórcio Interuniversitário de
Educação a Distância BRASILEAD, em 1993.
13
O Decreto 2.494/98 regulamenta o Art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nº 9.394/96, que
trata da EaD.
39
Foram desenvolvidas três turmas, envolvendo centenas de profissionais, na sua maioria
professores universitários.
Várias iniciativas foram desenvolvidas pelas Universidades na busca de
democratização do conhecimento e de formação, a fim de atender à grande demanda dos
professores da rede pública do Ensino Básico. Um projeto pioneiro foi o de Licenciatura
em Educação Básica – 1ª à 4ª séries, da Universidade Federal de Mato Grosso,
envolvendo a Secretaria de Educação do Estado e as Secretarias Municipais de
Educação.
As universidades públicas federais ou estaduais de Santa Catarina, Paraná, Rio
Grande do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Brasília e Ceará14 foram as que primeiro
buscaram institucionalizar a EaD. A discussão do BRASILEAD no Ceará ensejou que
as signatárias do Consórcio – Universidade Estadual do Ceará – UECE e Universidade
Federal do Ceará – UFC articulassem a criação do Grupo Cearense de EaD envolvendo
a Secretaria de Educação Básica do Ceará, a Secretaria da Cultura, a Secretaria da
Ciência e Tecnologia, a Fundação de Televisão Educativa, o Conselho de Educação do
Ceará e a Delegacia do Ministério da Educação.
O último grande passo foram os programas da Secretaria de Educação a
Distância (SEED) e do Ministério da Educação (MEC) que adotaram a modalidade EaD
para democratizar os anexos a educação estimada e as tecnologias de Informação e
Comunicação.
2.5 A EaD no Ceará
No caso do Ceará, várias iniciativas de EaD foram desenvolvidas a partir de
políticas públicas estabelecidas com diferentes projetos, que tiveram momentos de
grandeza e declínios impostos por áreas de resistência criadas pelo conservadorismo de
alguns, interesses políticos de outros, falta de apoio maior das autoridades e
14
O Curso de Formação Continuada ministrado pela Universidade Aberta do Nordeste / Fundação
Demócrito Rocha capacitou 33.000 professores de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental em todo o Estado
do Ceará. (O Povo-10/12/03)
40
descontinuidade das ações ou filosofias, além do próprio desconhecimento do assunto
por parte de muitos que participam desse sistema de ensino.
A experiência em EaD, iniciada nos referidos períodos governamentais, inserese na política modernizante, por ter sido uma estratégia básica utilizada pela Secretaria
de Educação do Estado do Ceará para a universalização do ensino de 5ª à 8ª séries pela
Televisão Educativa, o LOGOS II, aqui denominado “Agora eu Sei” e o ensino
supletivo desenvolvido pelo Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA. Mais
recentemente, numa parceria com a Fundação Demócrito Rocha, foi desenvolvido o
Curso de Formação Continuada e o Curso de Educação Infantil, para professores da
rede pública do Estado. Com a Universidade Estadual do Ceará – UECE e a
Universidade Estadual de Santa Catarina – UDES, foi oferecido o Programa de
Formação Contínua a Distância para Gestores e Técnicos de Educação – PROGESTÃO,
atendendo a 11.272 profissionais da educação, destinada aos gestores da rede estadual e
municipal de ensino.
A Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará, por sua vez,
desenvolveu ações para estimular a utilização das novas tecnologias a partir da sua
compreensão como meios de extensão da comunicação e do saber, tendo implementado
estruturas de comunicação e ensino como: As Infovias do Desenvolvimento, Centro
Vocacionais Tecnológicos (CVTs), Centros Tecnológicos (CENTECS), Núcleos
Tecnológicos Educacionais (NTEs) e computadores nas escolas.
No ensino superior, a Universidade Estadual do Ceará (UECE) foi pioneira no
Estado a se estruturar para desenvolver programas a distância. Em 1995, criou o Núcleo
de Educação Continuada e a Distância (NECAD) por Resolução do Conselho de
Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE, com o objetivo de desenvolver estudos na área,
qualificando professores, com uma infra-estrutura tecnológica, concebendo programas e
implantando, um novo paradigma conceitual de educação no ensino superior tendo o
seu regimento aprovado pela Resolução 127/96 do CEPE em 3 de maio/96. A
Universidade Federal do Ceará – UFC, também consorciada no BRASILEAD, se
estruturou tecnologicamente para desenvolver Programas de Educação a Distância.
41
Em dezembro de 1999, a UECE realizou o 1º Workshop Internacional sobre a
Educação Virtual: “Realidade e desafios para o próximo milênio – Wise 9915”, sob o
patrocínio da Unesco, a Ifip e o Governo do Estado, reunindo conferencistas da Suíça,
Portugal, Estados Unidos, França, Etiópia, Moçambique e das universidades brasileiras
e experiências de outras instituições, ocasião em que foram apresentados 40 trabalhos
científicos e videoconferência da Global Distance Learning Association (USA), pelo
professor Michael Backer, com interatividade.
Os meios de comunicação no Brasil, por falta de tecnologia própria no campo da
transmissão caracterizaram-se como instrumentos de propagação dos produtos da
indústria de produção cultural nacional ocupando um papel privilegiado na conformação
da sociedade moderna, tanto no âmbito educacional, quanto nas manifestações culturais
de caráter regional.
De fato, a discussão sob a forma de organização do sistema de EaD é importante
principalmente se considerar que esse sistema reflete a complexidade presentes na
tecnologia da videoconferência e as necessidades de promover a educação, em especial
no estado do Ceará.
A tentativa de superar as dificuldades relativas à educação no Ceara é árdua, já
que o processo de EaD era distribuído pelo sistema de postagem, e também esta
modalidade de educação distanciava os estudantes dos educadores e das instituições.
Entre as várias vantagens, a utilização de recursos de videoconferência no
Estado propicia uma EaD, sendo capaz de atingir um maior quantitativo de estudantes
ao mesmo tempo. Com as facilidades que tem de aliar-se a outros meios de
comunicação, estas mídias estão mudando até os atuais métodos de ensino.
Na verdade, defende-se a possibilidade de apropriação de uma inteligência com
auxílio da videoconferência voltada para transmissão dos conhecimentos com garantia
de valorização deste novo profissional e comprova-se que é necessário.
Na literatura encontrou-se que as combinações de tecnologias convencionais e
modernas mostram que este tipo de proposta tem baixo custo se comparadas ao ensino
15
Pela primeira vez no Ceará foi realizada uma videoconferência, conectando-se com Uberlândia/MG e
os Estados Unidos, com interatividade em tempo real, por ocasião do “WISE-99”.
42
convencional, e um alcance muito maior, bem como a formação de pessoal bem
capacitado em menor prazo.
A EaD vem sendo um tema bastante discutido e a proliferação de recursos da
videoconferência e o grande avanço na tecnologia de transmissão de dados destacam-se
como os principais facilitadores da pesquisa nessa área. Nesse contexto, a
videoconferência tem se destacado como uma ferramenta essencial na investigação de
mecanismos eficientes no ensino a distância16.
Nessa área, projetos importantes estão sendo desenvolvidos. Como, por
exemplo, a construção de um módulo criptográfico em software livre, criado no Brasil,
para uso na ICP-Brasil. O projeto, intitulado João-de-Barro, é uma parceria entre ITI e
Centro de Análise de Sistemas Navais - CASNAV.
No que diz respeito a propostas de cursos, a primeira iniciativa do
NECAD/UECE foi desenvolver um programa de Formação Pedagógica de professores
bacharés com atuação nas escolas do nível médio da rede pública estadual, por
solicitação da Secretaria de Educação Básica do Estado do Ceará. Nesse projeto o
objetivo era “qualificar para o Magistério profissionais com bacharelado, oferecendo as
disciplinas de formação pedagógica para a prática legal da docência das disciplinas
técnicas do currículo do Ensino Médio, núcleo comum (5ª à 8ª séries) do Ensino
Fundamental e Ensino Médio”, considerando o número expressivo de professores da
rede pública estadual e municipal com atuação no Ensino Médio com licença precária,
sem a devida habilitação para o Magistério.
A Lei Estadual nº 12066 de 13 de janeiro de 1993, previa a qualificação do
Professor Pleno I, através do Esquema I e II. A Secretaria de Educação do Estado do
Ceará por sua vez, reconhecendo essa distorção e preconizando “uma escola de boa
qualidade para todos”, estava empenhada em desenvolver parcerias com as
Universidades, com vistas a atingir esse objetivo. Constatação nesse sentido observa-se
no Edital nº 004/95 da SEDUC, onde consta como pré-requisito aos Candidatos do
Concurso Público para provimento de cargos para Professor de Ensino Técnico Pleno I,
16
Videoconferência: Encontros/reuniões mantidos entre indivíduos espacialmente afastados, recorrendo
para além do som à imagem.
43
a exigência do Esquema I como acréscimo aos profissionais de nível superior nas áreas
técnicas sem licenciatura.
A preocupação alcançou também a esfera dos nossos legisladores, tendo sido
requerido e aprovado em Plenário na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará para
que a UECE ministrasse o Curso de Plenificação Pedagógica aos professores do Estado
com título de Bacharel, dotando-os de competência técnico-pedagógica para melhor
exercer suas funções docentes.
O Curso previa a utilização da tecnologia de multimeios (EaD), abrindo
possibilidades inovadoras e de acesso a oportunidades educacionais com altos padrões
de qualidade.
A necessidade de incorporar essas tecnologias ao processo educativo,
especialmente na capacitação de recursos humanos, visando à qualidade e à
produtividade do sistema educacional é uma exigência do mundo atual, que os
educadores precisam se apropriar.
Do ponto de vista legal, a formação pedagógica dos bacharéis para o magistério
público do Estado, estava respaldada na Portaria Ministerial nº 432, de 19 de junho de
1971, que fixava normas relativas a cursos de Licenciatura.
No âmbito estadual, o Conselho de Educação do Ceará, através do Parecer nº
1245/95, aprova o seu funcionamento e dá normas para sua operacionalização. No
âmbito da Universidade Estadual do Ceará, o Projeto foi aprovado pela Resolução
951/95, do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão – CEPE.
Foi assim consolidado o Esquema I que previa a formação pedagógica para
bacharéis nas diferentes áreas do conhecimento e que, através deste curso, passaram a
ter qualificação para o magistério nas disciplinas especializadas do currículo do Ensino
Médio.
Em face, porém, da grande necessidade de formação de professores para atuarem
nas quatro últimas séries do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, o Conselho
Nacional de Educação baixou a Resolução nº 2, de 7 de julho de 1997, alterando as
normas anteriores, definindo que os Programas Especiais de Formação Pedagógica
44
habilitarão não só para o Ensino Médio, como antes, mas também para ministrar
disciplinas que integram as quatro séries finais do Ensino Fundamental (Resolução 2/97
art. 1º).
O NECAD, com base nessa Resolução, submeteu à Delegacia do Ministério da
Educação / Setor de Legislação e Registro uma proposta de reformulação da Grade
Curricular do referido Curso tendo sido “a priori” aprovada.
A estruturação curricular dos Programas Especiais passou, então, a ser
desenvolvida em núcleos: Contextual, Estrutural e Integrador. O primeiro contempla as
disciplinas de formação pedagógica; o segundo aborda os conteúdos curriculares e o
terceiro a Prática de Ensino.
Os dispositivos existentes atualmente com relação à EaD indicam o seu uso nos
programas Especiais de Formação Pedagógica e, decididamente, atendem, de maneira
mais rápida, às linhas de preocupação do sistema nacional de ensino que tem se voltado
com insistência à necessidade de capacitação de recursos humanos como a forma segura
de oferecer educação padrão e de excelência acadêmica.
Posteriormente à Resolução nº 2/97 do CNE, o Projeto do Curso foi
encaminhado ao MEC para credenciamento na modalidade a distância, o que foi
concedido pela Portaria nº 1.065, de 8 de maio Ed 2003, pelo prazo de três anos.
Em agosto de 2000, for criada a Universidade Virtual Pública do Brasil –
UNIREDE, reunindo 68 Instituições de Ensino Superior, entre Universidades Federais,
Estaduais e Centros de Ensino Tecnológicos. O então Ministro da Educação, Paulo
Renato de Souza, a considerou no seu lançamento, como “um canal privilegiado para
ampliar os Programas de Capacitação do Magistério”.
As Universidades consorciadas tem desenvolvido experiências produtivas,
contribuindo para implementação da EaD. A UNIREDE, hoje, está estruturada em
consórcios regionais, com perspectivas promissoras sinalizadas pela Secretaria de
Educação a Distância do MEC, de apoio institucional e financeiro; gradativamente
implanta-se uma Política Pública para a EaD no ensino superior.
45
Mais significativo, entretanto, é o reconhecimento com que a EaD se coloca hoje
no quadro de educação brasileira como uma alternativa viável e válida de
democratização do conhecimento.
46
3. Programas e Projetos da Educação a Distância no Brasil
Pode-se descrever que a universidade, a igreja e o exército são instituições que
atravessam os tempos, estruturadas em regimentos que pouco se alteraram.
Encontramos nas universidades de todo o mundo, rituais que tiveram sua origem na
Idade Média, o que acabam revelando uma tendência. Um exemplo disso é a
composição e rigor das bancas para apreciação de trabalhos finais de cursos de pósgraduação.
A EaD de alguma forma também tem sofrido a influência do contexto
acadêmico acima descrito. Em experiências com EaD percebe-se que as universidades
de países como o Canadá, os Estados Unidos, a Austrália e o México apresentam mais
abertas a esta modalidade educativa que as dos países europeus.
Essa realidade se manifesta na sedimentação das primeiras universidades
abertas e a distância da Europa, que aconteceram de forma separada do sistema
universitário. Como exemplo, podemos citar a criação de universidades independentes
como é o caso da Open University britânica e a Universidade Nacional de Educação a
Distância da Espanha – UNED. Em Portugal, a universidade aberta se consolidou a
partir de uma determinação direta do Ministério da Educação, que criou o chamado
Instituto de Educação a Distância. Contudo, a universidade aberta propriamente dita foi
vetada.
Por esta razão o instituto teve que se vincular a universidades de outros países a
fim de estruturar a Associação Européia de Universidade de Educação Aberta e a
Distância. Este cenário, de maneira geral, revela que essas universidades transformaram
a EaD em um apêndice do seu organograma formal.
Como alternativa às dificuldades de implementação de uma grande estrutura
voltada especificamente para a EaD, as universidades desenvolveram espaços internos
por meio de núcleos, para efetivar cursos a distância. Geralmente essas estruturas estão
em forma de departamentos ou centros. Mesmo assim caminhos alternativos tem sido
organizados pelas universidades a fim de viabilizar esta modalidade educativa.
47
As universidades mesmo influenciadas por normas e tradições enfrentam o
desafio de continuar cumprindo, em cenários de profundas mudanças, as suas funções.
A EaD, por sua vez, é um meio de ampliar o acesso a educação e, como tal, pode
promover uma maior aproximação entre propostas educacionais e projetos históricos,
políticos e sociais de um país. Como exemplo desta realidade pode-se citar a realidade
da Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha – UNED que desde
1972 vem desenvolvendo larga experiência nesta área, como evidência Sá (2002, p. 10):
Com sede em Madri, a UNED (Universidade Nacional de
Educação a Distância da Espanha) é uma instituição universitária
pública, fundada em 1972, que conta com 1000 docentes (sede
central) e mais de 400 tutores espalhados pelos 65 Centros
Associados em toda Espanha. Entre 1997 e 1998 esta instituição
atendeu em torno de 150.000 alunos dentre os cursos de
Graduação, Pós-Graduação e extensão na modalidade de EaD.
O desenvolvimento vertiginoso das Tecnologias da Informação e da
Comunicação tem produzido o incremento de uma nova geração para a EaD, sobretudo,
ao observar a expansão das iniciativas acadêmicas, já citadas. Há um crescente interesse
para ampliação da participação no processo de construção do conhecimento. Para que
isto se efetivasse algumas áreas buscaram um eixo de interseção na EaD, como é o caso
das ciências da computação, da educação e da comunicação social. Cabe no próximo
tema apresentar os meios de comunicação e da informação como instrumento de
mediação do ambiente social e educativo.
Tomando-se por base os dados encontrados sobre EaD no Brasil pode-se avaliar
que alguns fatores políticos teriam contribuído e impulsionado essa mudança do cenário
da EaD no país. Esses fatores estão relacionados a uma crescente regulamentação,
incentivados através de parcerias do MEC com universidades, principalmente para
programas de treinamento de professores e também relacionados a iniciativas do
governo federal em acordos técnicos para barateamento do uso das Infovias de
comunicação no país.
Em 1992, a Secretaria de Ensino Superior do MEC iniciou a discussão para
estimular a EaD nas universidades brasileiras. É desse momento a proposta das
“Cátedras da UNESCO” e a criação da Coordenação Nacional de Educação a Distância
no cronograma do MEC. No ano seguinte, foi criado o Sistema Nacional de Educação a
Distância, oficializado pelo Decreto 1.237 de 1994. Ainda em 1993, um decreto
48
presidencial estabeleceu um acordo entre o MEC e o Ministério das Comunicações para
a redução de tarifas de telecomunicações para EaD, a chamada Televia. Em dezembro
de 1995, o MEC criou a Secretaria de Educação a Distância (Cruz, 2001).
Em 1996, foi criado o Proinfo (mencionado melhor logo em seguida), Programa
Nacional de Informática na Educação, que visava introduzir a tecnologia de informática
na rede pública de ensino. Para isso, vem sendo capacitados professores e técnicos e
distribuídos equipamentos de informática nas escolas públicas do país. Um memorando
de entendimentos sobre educação foi assinado entre Brasil e EUA, em 1997, como um
acordo de cooperação internacional na área educacional, com ênfase no uso de
tecnologia.
O grande avanço, no entanto, aconteceu em 1996, com a aprovação da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional que instituiu a EaD como uma forma de
ensino equivalente ao presencial em todos os níveis. Em 1998, o decreto n º 2.494, de
10 de fevereiro, regulamentou finalmente o Art. 80 da LDB n º 9394/96 que define a
EaD no seu artigo primeiro:
Art. 1º Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a
auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos
sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes
de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados
pelos diversos meios de comunicação”.
Em seu artigo 2º, o decreto prevê que “os cursos a distância que
conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental
para jovens e adultos, do ensino médio, da educação profissional, e
de graduação serão oferecidos por instituições públicas ou privadas
especificamente credenciadas para esse fim, nos termos deste Decreto
e conforme exigências pelo Ministro de Estado da Educação e do
Desporto.
No entanto, provavelmente em resposta a uma reação negativa ocorrida em
1997, por parte de setores do meio acadêmico, especialmente da SBPC – Sociedade
Brasileira pelo Progresso da Ciência, a regulamentação da pós-graduação a distância foi
adiada. Tanto que, no parágrafo primeiro do mesmo artigo 2º da LDB, lê-se que “a
oferta de programas de mestrado e de doutorado na modalidade a distância será objeto
de regulamentação específica” No ano de 2000, a Pós-Graduação a distância ainda
carecia de uma legislação que a regulamentasse. A falta de um apoio legal, no entanto,
49
não foi impedimento para que florescesse a oferta de ensino a distância em várias
universidades brasileiras (Maia, 2000).
Pode-se ver que, a partir de 1994, os cursos presenciais baseados em material
impresso passaram a migrar gradativamente para a internet, primeiro pela oferta de
algumas disciplinas e depois pela produção de cursos inteiros de extensão e
especialização online. Mais raros, os cursos de Mestrado e Doutorado por
Videoconferência ainda estão sendo oferecidos por poucas universidades.
Alguns projetos e programas governamentais já contribuíram com a evolução da
modalidade a distância, entre eles destacam-se: Educadi e o Proinfo.
A descrição sobre o Projeto Educadi baseia-se em um artigo da Professora Léa,
aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadorageral do Projeto Educadi.
A descrição sobre o Projeto Proinfo baseia-se no portal do Ministério da
Educação (MEC) disponibilizado pela Internet e no artigo da Professora Paula Michelle
Teixeira Vieira, da Universidade Federal Juiz de Fora.
3.1 Projeto Educadi
Esse projeto foi selecionado por ser um dos poucos que são organizados, bem
elaborados e de fácil manuseio.
O Projeto Educadi buscou inovação com aplicações frequentes com novas
tecnologias de comunicação e informação na EaD. O mesmo agregou possibilidades de
analisar as reações do ensino público em EaD, no sentido de concentrar-se na Internet.
A rede mundial de computadores foi bastante utilizada nesse projeto para um
melhoramento de interação e dinamicidade nas práticas educativas. Envolveu a
criatividade de desenvolver artifícios para o emprego da Internet no âmbito de sala de
aula.
50
A estratégia do projeto buscou a educação formal e não-formal para a
incorporação da maior massa de indivíduos a uma sociedade em que os métodos
produtivos tenham veloz desenvolvimento, em paralelo executar o crescimento da
expressão pela arte e pela criatividade, do exercício colaborativo, restabelecendo as
normas e leis básicas do cidadão.
A necessidade importante foi fazer crescer ou explanar as circunstâncias de
dinamicidade com os tutores de uma forma cooperativa e incentivar o aprendizado
colaborativo. Para isso acontecer, houve treinamentos, utilizando a ferramenta da
interação entre as pessoas interessadas e capacitadas para esse tipo de treinamento,
usando modalidades de fórmulas de questionamentos, de soluções de dificuldades
encontradas e de estudos, satisfação e avaliação de projetos pedagógicos. Tais
modalidades foram utilizadas na manutenção dos diversos assuntos. Para a adequação
dessas modalidades, foram-se utilizadas as diversas ferramentas da tecnologia, sendo:
softwares de fácil manuseio e, principal e especialmente, a disponibilidade de recursos
da Internet.
Percebe-se que o projeto Educadi preocupou-se em encontrar formas didáticas,
maneiras de aprimoramento, assim como manutenção do mesmo.
No sentido de administrar objetivos, o referido projeto foi bem focalizado na
busca de seus resultados, sendo: encontrar diversas maneiras de interação por meio da
Internet, mostrando continuamente a interdisciplinaridade das diversas culturas de
regiões brasileiras, a saber: nordeste, sudeste e sul.
Há constantemente a necessidade de se ampliar a estrutura física das redes de
computadores e de servidores.
O projeto Educadi esquematizou com muita cautela e desenvoltura a questão da
criação de cursos de formação de professores, futuros tutores em todos os núcleos
tecnológicos educacionais distribuídos nas capitais brasileiras. Como resultado, deu
auxílio aos professores que estavam iniciando ou se aprimorando em alguma disciplina
em EaD.
51
3.2 Proinfo
Esse programa foi selecionado por ser bem focado nos objetivos e ter a dinâmica
prática e teórica bem elaboradas.
O Proinfo é um programa com desenvolvimento organizacional denominado
Programa Nacional de Informática na Educação da Secretaria de Educação à Distância
(SEED) do Ministério da Educação (MEC).
Esse programa de formação é focado para a didática juntamente com a
pedagogia das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no dia-a-dia da escola.
Manuseado para a repartição das ferramentas tecnológicas nas escolas e para o
oferecimento de temas e meios multimídia e digitais propostos pelo Portal do Professor,
pela TV Escola e DVD Escola, pelo Domínio Público e pelo Banco Internacional de
Objetos Educacionais.
Ele trata as práticas e artimanhas de desenvolvimento do programa, elaborando
também, em termos de tecnologia e finanças, relacionados acertadamente com o que a
informação das escolas públicas almeja.
O programa tem como intuito introduzir a informática na rede de ensino básico
por meio de redes técnicas de produção.
O programa propunha a aquisição de 100 mil computadores a serem instalados
nas escolas que aderem ao programa. Os Pcs foram distribuídos nos 27 Estados da
União, em quotas proporcionais ao quantitativo de escolas existentes com mais de 150
alunos e serão essenciais para equipar 13,4% do total de 44.800 escolas públicas
brasileiras dedicando espaço à formação tecnológica dos educadores envolvidos no
Programa., onde também os números mostram que o treinamento dos educadores é
fundamental no Programa.
Desde 2008 o Proinfo se reergueu com cursos de capacitação de professores, se
estendendo a cursos de extensões e especializações. O passo mais recente foi a
distribuição de laptop para alunos da rede de ensino básico.
52
4. Tecnologias da Informação e Comunicação Utilizadas na EaD
Na modalidade de ensino a distância ao passar a se relacionar com os alunos
através das mediações humanas seja em relação ao conteúdo e forma, seja em relação
do relacionamento humano (apoiado por tutores e monitores) seja através das mediações
técnicas (representadas pelos meios de comunicação), os professores que ensinam a
distância começam a vivenciar uma rotina de trabalho diferente de sua experiência
presencial, utilizando recursos tecnológicos de informação e comunicação, considerados
educacionais, tendo como destaques: a videoconferência e os ambientes virtuais de
aprendizagem.
Especificamente no caso da videoconferência – por ser considerada a mais
ampla dentre os meios de comunicação –, também vivenciam de modo diferente as
funções da EaD tradicional descritas anteriormente. Isso porque, numa mídia interativa
e síncrona os professores retomam as funções globalizantes do ensino presencial,
acrescentando, no entanto, as mediações técnicas, tornando seu trabalho não só muito
mais complexo e sofisticado, mas também de caráter híbrido e desconhecido.
O fato dos alunos não estarem no mesmo lugar que o professor, implica numa
série de mudanças/consequências na questão do equipamento, estilos de aprendizagem,
preparação de material didático e também de treinamento e apoio.
Uma das principais alterações é que a aula pela videoconferência exige muito
dos professores. Pesquisas indicam que o tempo de preparação é muito maior que o
ensino equivalente face-a-face. A preparação consiste em: produzir material visual e
planejar o formato da aula. Quanto mais interação se deseja, mais planejamento é
necessário. A qualidade dos visuais usados é um elemento importante no sucesso da
videoconferência, por exemplo (Clouse e Alexander, 1998).
O tamanho e a legibilidade das letras e desenhos e a produção de gráficos ou
outras imagens, requerem que o professor seja competente no uso de softwares gráficos
ou tenha acesso a uma equipe de apoio. Com a videoconferência, os professores
53
precisam projetar sua imagem, quase como atores, e criar uma presença dinâmica para
transmitir o seu conteúdo através do monitor de vídeo.
O educador tem que se concentrar simultaneamente no conteúdo, no material
visual e nos estudantes nas salas remotas. Isso leva a altos níveis de cansaço durante a
sessão e a uma sensação de exaustão no final. Para alguns professores, a restrição do
movimento físico durante a sessão também contribui para o nível de concentração
necessário. Além disso, mais tempo de preparação é exigido para os professores
planejarem as aulas e produzirem material visual. A maioria dos professores também
relata que o meio demanda muito mais energia que a aula expositiva face a face.
A falta de interatividade é causa de alguma preocupação – já que alguns
estudantes ficam inibidos por sua distância do professor e intimidados pelo equipamento
de vídeo ou desacostumados de tomar uma atitude ativa na aprendizagem. Professores
trabalham muito para encorajar a interatividade no tamanho típico das salas. Além
disso, dinâmicas de grupo podem ser difíceis de manejar em sistemas ativados por voz,
quando a voz dominante de qualquer sala determina qual imagem é transmitida para
todos e o tempo de resposta sofre um retardo pela baixa velocidade de transmissão.
Para conhecer essas características diferenciadas, é preciso que os professores
sejam preparados para responder com estratégias adequadas. Limitações técnicas,
recursos didáticos audiovisuais, modos de interação, questões logísticas e afetivas, são
aspectos que os professores enfrentarão quando entrarem numa sala e fecharem a porta
atrás de si. Por essa razão, existe um consenso na literatura sobre a necessidade de
treinar os professores para que o sucesso da EaD por videoconferência possa ser
garantido (Cruz e Barcia, 2000).
Atualmente, quando são esboçados projetos de EaD, uma das situações cruciais
é a escolha dos meios de comunicação e de informação a serem utilizados. Percebe-se
pelas próprias características do atual contexto sociopolítico uma tendência em buscar
as modernas ferramentas computacionais, algumas geradoras de uma verdadeira
interação entre professores, alunos, tutores e equipe multidisciplinar.
54
Sabe-se que pelas próprias características dessa modalidade educativa é
imprescindível o uso de algum meio de comunicação que garanta a interação por meio
de serviços síncronos e assíncronos17 entre pessoas, geograficamente distantes.
A utilização desses meios vem acompanhando, cada vez mais, a própria
evolução da sociedade e das técnicas de transmissão de informação, o que faz com que a
EaD esteja dividida em pelo menos quatro gerações, sejam elas:
1ª – quando apenas os materiais impressos eram utilizados.
2ª – quando são incorporados os audiovisuais: rádio e televisão.
3ª – quando o computador é inserido no contexto da EaD.
4ª – quando as mídias podem ser integradas, por meio das multimídias.
As transformações tecnológicas estão para além de iniciativas pessoais ou
grupais para descobrir artefatos. Na verdade, fazem parte de processos sociais e de
modelos econômicos, muitas vezes, definidores de seus rumos. A partir da Revolução
Industrial, no século XVIII, a ciência e a técnica criaram relações de dependência
mútua, tornando-se instrumentos de legitimação de um sistema regido pelo capital.
Assim,
o
desenvolvimento
das
atuais
formas
de
produção
se
organizou
fundamentalmente no uso da ciência e da tecnologia, como principais forças produtivas.
Daí ser de fundamental importância perceber e refletir sobre os vínculos existentes entre
as formas de produção e o modelo de sociedade baseado na informação.
Sá (2002, pp. 4-5) comenta sobre os modelos econômicos e sociais que
permeiam a atual sociedade da informação regida pelas tecnologias:
Esse novo paradigma flexível incorpora todo o desenvolvimento
científico e tecnológico, suplantando a antiga base eletromecânica,
alterando a organização, o planejamento e o desenvolvimento da
produção de mercadorias. O conhecimento do trabalho, do saber/
fazer de diversas tarefas e incorporado a máquina que, utilizando a
linguagem da informática, armazena uma infinidade de dados com
possibilidade de acesso e manuseio em tempo real.
17
Síncronos: Processo de comunicação no qual as mensagens emitidas por uma pesssoa são
imediatamente recebidas e respondidas por outras pessoas. Assíncronos: Processo de comunicação onde a
mensagem emitida por uma pessoa é recebida e respondida mais tarde pelas outras.
55
Verifica-se na verdade, que os benefícios em tecnologia, no início da década
passada, pela chegada das novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC),
aplicaram-se para a modernização do ensino presencial.
Apesar de existir contradições, muitos teóricos concordam que a referida
educação ocorreu a partir da existência de uma propaganda num jornal americano, o
The Boston Gazette (1728) que anunciava um curso para todos os indivíduos da nação
que desejavam aprender por meio de lições enviadas e que seriam perfeitamente
instruídas (Aretio, 2001; Holmberg, 1995).
A possibilidade de separar professor e aluno usando tecnologia para estabelecer
a comunicação foi o que tornou possível na história de ensinar a distância. O
desenvolvimento da mencionada educação está relacionada ao desenvolvimento dos
meios de comunicação, pois as transformações tecnológicas trazidas pela Revolução
Industrial em meados do século XIX deram condições para o nascimento da educação
em questão (Keegan ,1996).
Apesar de a educação tradicional vir utilizando tecnologia no cotidiano há muito
tempo, esta nova modalidade educacional sempre dependeu das possibilidades de
comunicação para ser realizada.
Na verdade a tecnologia pode ser usada para se classificar o desenvolvimento da
EaD em três gerações tecnológicas:
a) predominância da utilização de uma só tecnologia, e pela falta de interação
direta entre o estudante e o professor que origina a instrução.
b) abordagem integrada de multi-meios, com os materiais didáticos
especialmente criados para o estudo a distância. Universidades autônomas de ensino a
distância são os exemplos dessa segunda geração.
c) permitem a interação direta entre o professor que origina a instrução e o aluno
a distância. (Bates ,1995).
Uma das motivações principais para o desenvolvimento da mencionada área é a
de incrementar oportunidades educacionais e a educação a distancia tem como função
56
essencial a democratização do acesso à escola principalmente de estudantes adultos que
por algum motivo não puderam chegar até a escola tradicional. Estudantes escolhem
esta educação, pois não podem fazer uso da educação convencional.
De fato, a EaD foi tida como uma solução para resolver carências educacionais,
desfavorecidos tais como donas-de-casa, idosos, deficientes físicos e outros, mas no
começo do milênio ou até mesmo antes essa situação transformou com a possibilidade
aberta pelas novas tecnologias e pelo surgimento de um novo perfil de estudante que
está escolhendo a mencionada educação para resolver seus problemas educacionais.
Para Keegan (1996), a introdução de tecnologias de áudio e vídeo em duas vias,
como é o caso da videoconferência, audioconferência e conferência computadorizada,
desafiam as categorias estabelecidas pela pesquisa em EaD. As transformações trazidas
à mencionada área tradicional são enfatizadas de uma forma de pesquisa focada em casa
para um centro educacional ou mesmo de uma forma de pesquisa individual para a
possibilidade de ensinar para grupos de alunos.
Esse processo de aprendizagem mediado, onde educadores e estudantes estão
separados temporalmente, e interligados por tecnologias, torna possível não somente a
educação, como também a educação presencial. Para Moran:
Na medida em que avançam as tecnologias de comunicação virtual
(que conectam pessoas que estão distantes em termos presenciais) como a Internet, telecomunicações, videoconferência, redes de alta
velocidade - o conceito de presencialidade também se altera.
Poderemos ter professores externos compartilhando determinadas
aulas, um professor de fora ‘entrando’, com sua imagem e voz, na
aula de outro professor. Haverá, assim, um intercâmbio maior de
saberes, possibilitando que cada professor colabore, com seus
conhecimentos específicos, no processo de construção do
conhecimento, muitas vezes a distância (1999, p. 4).
De fato, a EaD pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece
essencialmente com professores e estudantes separados fisicamente no espaço que
podem estar juntos por meio de tecnologias de comunicação.
57
4.1 Tecnologias Multimídia
O desenvolvimento tecnológico trouxe um crescente acesso a bens de consumo
relacionados com a disseminação de informações. A televisão, o rádio, o vídeo e, mais
recentemente, o computador, aos poucos vem compondo o cenário sociocultural. Isto
representou também novas possibilidades de ensino e aprendizagem, utilizando os mais
variados meios de comunicação, a partir das suas características de linguagem.
No âmbito das novas tecnologias da comunicação e da informação, voltadas para
o universo educativo, salienta-se o redimensionamento dos microcomputadores e do
vídeo, ferramentas essas capazes de expandir as possibilidades educativas, pelas
potencialidades que dizem respeitos sobretudo, a linguagem audiovisual.
É importante considerar os meios de comunicação na EaD, em função de suas
características inovadoras e interativas. É necessário buscar novas formas materiais
pedagógicos, a partir das condições culturais e das características dos alunos. Entre as
diversas tecnologias utilizadas como recurso didático, destacam-se: livro, telefone, fax,
cassete, rádio, televisão, vídeo, computador, CD-ROM e DVD.
O livro é baseado na linguagem verbal escrita tem sido, sem dúvida, por sua
tradição e facilidades o meio didático mais utilizado na EaD. Sabe-se que mesmo com
todas as modificações de linguagem necessárias, quando se elaboram mensagens
educativas para veículos diferenciados, o livro continuará a ser “ponto de partida” para a
organização dos conteúdos. Também pelas singularidades do público, nem sempre
familiarizando com as atuais tecnologias da comunicação e da informação, ele detém os
repertórios cognitivos necessários para que o aluno o entenda, sem maiores
dificuldades.
O telefone foi o primeiro meio utilizado na EaD que possibilitou uma
comunicação em tempo real e com características de interação, ou seja, o professor tem
a chance de ter o imediato retorno das dúvidas ou observações do aluno.
58
O fax, diferente do telefone que tem a linguagem sonora como principal
elemento, centra-se na linguagem escrita. Também proporciona para os envolvidos em
um processo educativo a distância, a chance de uma troca rápida de mensagens.
O cassete também voltado para uma linguagem sonora traz a facilidade do
registro e da escolha por parte dos alunos, de quando e onde estudar. Apesar de parecer
em desuso, ainda é um meio acessível para uma camada da população que não
incorporou ainda os novos meios computacionais.
O rádio é, sem dúvida, um dos meios de comunicação de maior alcance, já que
tem ampla penetração em todas as camadas sociais. Por fazer uso de vários recursos
sonoros é capaz de motivar a atenção dos alunos, além de em alguns momentos
propiciar situações de troca.
A televisão é um veículo de massa por excelência. Como o rádio, tem um amplo
alcance, atingindo um grande número de pessoas. Por essa condição é considerado um
meio pouco interativo. Por isso, torna-se fundamental que os programas que utilizam a
televisão tenham o apoio contínuo de interlocutores educacionais. Traz ao seu favor a
incorporação do som e da imagem em movimento, toda a sua amplitude. Assim, alunos
e professores podem ter no seu ambiente educativo, conteúdos relatados, depoimentos
ou simplesmente, as imagens que falam por si mesmas.
O vídeo também tem sido empregado como recurso pedagógico, principalmente
na EaD. Além das características próprias dos audiovisuais já descritas, tem ao seu
favor o fato de permitir ao aluno hora e local que fará uso dos conteúdos nele contidos.
O computador revolucionou as comunicações traz para o universo educativo a
condição de desenvolver a interação, em tempo real, entre professor e aluno distantes.
Absorve em um único meio quase todas as linguagens comunicacionais (escrita, sonora,
visual). Pelas suas características de armazenamento de dados e transmissão de
informações oferece aos alunos ampla condição de pesquisa, se naturalmente, estiver
conectado à rede mundial de comunicação, a Internet. Apesar de tecer uma gama de
possibilidades para a EaD, esse meio ainda está restrito a apenas uma parcela da
população, estando seu uso diretamente vinculado às condições de acesso dos
estudantes.
59
O CD-ROM condensa como meio um vasto volume de informações escritas,
sonoras e visuais. Vincula-se ao computador, já que sua visualização só é possível
através dele. É considerado pouco interativo, mas extremamente dinâmico.
O DVD possui um largo espaço de armazenamento de dados audiovisuais e de
escrita. Compatível não somente com o aparelho de DVD, mas também ao computador.
Possui uma tecnologia óptica superior ao CD, além de padrões melhorados de
compressão de dados.
Segue abaixo um quadro explicativo sobre os principais meios de comunicação
vinculados a EaD:
Tabela1: Principais meios de comunicação
Meios
Linguagem
oral
TV
Vídeo
Multimídia
Telefone
X
X
X
X
X
Correio
Web
X
E-mail
Fotos
Chat
Vídeo
conferência
imagem
sonora
vídeo
X
Escrito
Rádio
escrita
Tipos de Comunicação
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Unidirecional
Bidirecional
síncrona
X
X
X
X
X
Individual
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
assíncrona
X
X
X
X
X
X
Grupal
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
FONTE: Apostila da disciplina Videoconferência e Sistema Integrados de
Informação
Mestrado Universitário em Novas Tecnologias da Informação. Universidade Nacional
de Educação a Distância da Espanha - UNED
A Declaração Universal dos Direitos do Homem ao consagrar em 1948 o direito
à educação, aponta para necessidade de garantir desenvolvimento pleno dos indivíduos,
através da igualdade de oportunidades no acesso à educação. A mesma deve garantir ao
indivíduo, os instrumentos para a sua inserção participativa e transformadora na
60
sociedade em que vive e possibilitar as condições de intervenção social crítica, dentro
dos princípios de convivência democrática.
A cidadania encontra-se intimamente ligada à proposta de que todos os
indivíduos atinjam os princípios da liberdade e da igualdade perante a lei e a
universalização dos direitos.
A rápida evolução tecnológica, nomeadamente nas últimas décadas do século
XX, com a implementação de uma sociedade sustentada na necessidade permanente de
tratamento e atualização da informação difundida universalmente com o recurso às
novas tecnologias da informação e comunicação. A rapidez na geração de novas
informações e de novos conhecimentos, em praticamente todas as áreas do saber,
demanda a utilização de novas propostas educativas, que tornem a aprendizagem rápida,
flexível e significativa.
A universalização do acesso à educação não está unicamente relacionada com as
políticas educativas e as novas tecnologias da informação e da comunicação. Só uma
prática educativa atenta aos valores do saber, saber-ser, saber-fazer e saber-conviver
possibilitará as condições para uma universalização no acesso e no sucesso considerado
em seus diferentes sentidos.
Para atingir certos objetivos, a escola tende a abandonar uma postura que
aprimora aptidões já definidas em cada indivíduo, passando a atribuir particular relevo
aos fatores ambientais e sociais presentes e envolventes da educação. Os indivíduos
assumem papel central como parceiros da escola na construção de uma aprendizagem
que promova o crescimento integral da sua pessoa, o desenvolvimento do seu papel
crítico, exigente e consciente.
Perante as alterações socioculturais e tecnológicas crescentes, torna-se ainda
mais relevante a intervenção da educação na formação do indivíduo e do cidadão.
Entretanto os sistemas de ensino encontram dificuldades para corresponder às
exigências de universalização da educação não só ao nível da formação inicial, mas
crescentemente ao longo de toda a vida e com a vida, essencial para enfrentar a
obsolescência acelerada da tecnologia e do conhecimento.
61
A EaD é de acordo com o Decreto 2.494, de 10/02/1998, “uma forma de ensino
que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos
sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação,
utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de
comunicação”.
Ela tem por objetivo possibilitar condições igualitárias de acesso à educação ao
longo de toda a vida, aproveitando as oportunidades colocadas pelas novas tecnologias
da informação e da comunicação. De acordo com Niskier (1999, p. 19) a EaD
apresenta-se como “a tecnologia da esperança”, que deve ser encarada como “capaz de
propiciar o exercício da cidadania”
A sua evolução está intimamente relacionada com os desafios de uma
participação mais ativa do indivíduo enquanto cidadão no quadro da vida social e
política. Em consonância com as oportunidades proporcionadas pela evolução das
tecnologias da informação e da comunicação (NTIC), a EaD tem se firmado
mundialmente como alternativa credível de acesso à educação, do ponto de vista dos
recursos e da qualidade do ensino ministrado. As NTIC podem gerar condições para um
aprendizado mais interativo, abrindo vários caminhos que possibilitem aos alunos
determinar seu ritmo, sua velocidade e seus percursos de aprendizagem.
De acordo com Perrenoud (2000), as novas tecnologias da informação e
comunicação transformaram as nossas maneiras de comunicar, de trabalhar, de decidir e
de pensar. Aplicadas à EaD elas reforçam a idéia de uma formação holística do homem
que de acordo com Morin (2000), não mais seja reduzido à condição de indivíduo.
O livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil (2000, p. 35) atribui
particular relevância ao apoio aos programas “de educação continuada e a distância
baseados na Internet e em redes, mediante fomento a escolas, capacitação dos
professores, auto-aprendizado e certificação em tecnologias de informação e
comunicação em larga escala; implantação de reformas curriculares visando ao uso de
tecnologias de informação e comunicação em atividades pedagógicas e educacionais,
em todos os níveis da educação formal”.
62
O mesmo documento aponta “que a disseminação da Internet nos anos recentes
tem feito surgir com novo ímpeto o interesse da EaD como mecanismos complementar,
substitutivo ou integrante de ensino presencial”. São apontados como “aspectos críticos
o desenvolvimento de metodologias pedagógicas eficazes” para a Internet e de
“ferramentas adequadas para o estudo individual, ou em grupo”.
A EaD deverá se incorporar progressivamente no sistema regular de ensino, não
se limitando a suprir demandas emergenciais, nem a corrigir insuficiências pontuais da
educação presencial.
63
5. AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem, doravante abreviado com AVA, são
concebidos para auxiliar a EaD de uma maneira rápida e fácil. Agregam todos os
recursos pedagógicos e administrativos. Gerenciam-se e promovem mediações
pedagógicas.
Pode-se enfocar que nos dias atuais há uma transformação de idéias cujas
consequências já afetaram a forma como a sociedade trabalha com a informação. As
trocas de informações virtuais estão também mudando as atividades do conhecimento
humano.
Devido às mudanças que vem causando, como por exemplo, a facilidade em
obter novos contatos para o mercado de trabalho considera-se o AVA não somente uma
transformação expressivo como também um dos avanços tecnológicos. Atualmente as
pessoas podem ter acesso a informações localizadas nos lugares mais distantes da terra,
que antes seriam praticamente impossíveis de se obter.
Esse novo paradigma abrem perspectivas novas com relação a EaD em oferecer
serviços de informação específica. Portanto o que faz com que esse acesso se transforme
em algo revolucionário é o fato de os indivíduos ou grupos também poderem produzir e
trocar informações virtuais em larga escala favorecendo a EaD.
É importante estabelecer uma visão do tipo social que se dá em grupos formados
a partir da AVA, e de recursos computacionais comparando-se ainda esta sociabilidade
com outras formas coexistentes na atualidade da EaD. A hipótese central que leva este
empreendimento é que grupos formados a partir da AVA tem características próprias e
específicas, particularidades relativas à sua origem particular quanto ao seu
desenvolvimento específico.
É importante o processamento de linguagem com objetivo de se fazer com que
as tarefas humanas da AVA e de outros recursos sejam diversificadas pela máquina
através da EaD pois as fontes de informação para ser manipulado é vasto.
64
A EaD é o processo educacional onde o educador e aluno se encontram em
espaços físicos diferentes e também em ambientes virtuais importantes em
aprendizagem. Para GARCIA (1994, p.27)
Trata-se do sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que
pode ser massivo e que substitui a interação pessoal, na sala de
aula, de professor e aluno, como meio preferencial de ensino, pela
ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo
apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem
independente e flexível dos alunos.
No entanto, não se trata de uma conversação nos moldes tradicionais, porém de
um projeto investigativo que se insere nas ferramentas do computador via AVA e de
outros recursos.
Essa breve descrição dos mecanismos que se fazem necessários para a inserção
nos canais é necessária um aparato de conhecimentos técnicos em que o ser humano
utilize recurso da interface alcançando trocar mensagens através da AVA e de recursos.
Bakhtin (1999), embora não tenha vivido o suficiente para assistir a esse
revolucionário meio de se conversar na atualidade, oferece, um sólido suporte para a
busca de compreensão desta nova forma de interação.
Enquanto observa-se a consolidação de diversas ferramentas para a
disponibilização na AVA e de outros recursos é importante também o crescimento de
projetos que envolvem a dimensão da interface humana/computador como fator de
importância para a EaD.
Alguns autores como Belloni (2004) notataram que conforme características do
homem existem um debate sobre a crise da educação diante das novas demandas sociais
e sobre as contribuições possíveis da EaD, no tocante de tornar possível um processo de
aprendizagem aberto, numa perspectiva de educação avançada.
Gutierrez e Prieto (2004) focam a temática central na mediação pedagógica,
onde se configura como o motor da relação entre conhecimento e apreensão destacando
a importância de que o ensino à distância promova tal mediação e desperte o sentido,
fundamento da verdadeira educação.
65
A mencionada educação somada às tecnologias é uma área educacional
moderna, onde pessoas interessadas consideram conhecimento e proporciona a
qualificação profissional, podendo ampliar ainda mais as interfaces e habilidades do
homem/máquina. Para Alves (2004.p.01)
Inexistem registros precisos acerca da criação da EaD no Brasil.
Tem-se como marco histórico a implantação das "Escolas
Internacionais" em 1904, representando organizações norteamericanas. Entretanto, o Jornal do Brasil, que iniciou suas atividades
em 1891, registra na primeira edição da seção de classificados,
anúncio oferecendo profissionalização por correspondência
(datilógrafo), o que faz com que se afirme que já se buscavam
alternativas para a melhoria da educação brasileira, e coloca dúvidas
sobre o verdadeiro momento inicial da EaD.
Verifica-se a essência desta pesquisa não somente sobre a necessidade da
introdução de novos recursos computacionais mas também sobre a forma de não onerar,
para que estejam em perfeitas condições de uso de forma a atender à população na
escola.
Nesta área considera-se um estudo de alta expressividade pois se tem a
disposição uma equipe de profissionais qualificados para atender aos alunos,
acompanhá-los em seus estudos, bem como ferramentas de comunicação que permitam
a interação entre aluno-aluno e aluno-professor.
Os AVA são softwares que ajudam no desempenho dos cursos a distância. São
maneiras tecnológicas de aprendizado acessíveis na internet. Construídos para auxiliar
os professores na administração dos assuntos abordados para seus estudantes e que
beneficia com a facilidade da visualização dos resultados crescentes ou não dos
mesmos. Muitos autores tentam definir os AVA, e um deles, diz:
“Ambientes digitais de aprendizagem são sistemas computacionais
disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades
mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação.
Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos,
apresentar informações de maneira organizada, desenvolver
interações entre pessoas e objetos de conhecimento, elaborar e
socializar produções tendo em vista atingir determinados
objetivos.” (Almeida, 2006).
66
A partir de regras a serem seguidas, ou seja, padrões, o ciberespaço18
proporciona interações dentre pessoas com objetivos específicos onde podem trocar
idéias ou sentimentos a fins. Através desses tipos de comunidades, as pessoas criam
expectivas de crescer não só no conhecimento mas também em relação a culturas
diferentes.
AVA agregam tecnologias de Interação e Informação com o propósito de gerar
cada vez mais informações aplicáveis na educação.
Os AVA podem ser construídos, como outros softwares utilizando tecnologias
proprietárias e sendo distribuído através de licenças pagas ou gratuitas. Outra forma de
desenvolver estes ambientes é utilizando a filosofia de Software Livre.
Os AVA fazem o monitoramento da frequência e da produtividade de cada
aluno, quando consistem em uma grande base de informações que guarda ou pode
guardar a frequência e assiduidade (data e hora de acessos ao ambiente e a cada uma das
ferramentas disponíveis no ambiente), resultados de testes online, trabalhos publicados,
tarefas realizadas, inclusive uma averiguação de prazos de entrega e também as
mensagens trocadas entre os alunos de uma aula ou curso.
Um AVA deve ser utilizado em diversas maneiras e contextualidades. Cada
objeto tem sua particularidade, como a parte visual, que faz a dinâmica com o aluno
separadamente das informações sobre o conteúdo e as informações instrucionais do
mesmo.
Um grande exemplo de AVA é o Moodle (melhor mencionado daqui a pouco).
Ele é um software voltado para auxiliar no processo de ensino e aprendizagem
moldando-se para o exercício em colaboração, contribuindo para o desenvolvimento de
cursos online, páginas de disciplinas, equipes de trabalho e sociedades de aprendizagem.
Constantemente está crescendo, tendo como objetivo uma abordagem social
construtivista da educação. Existe uma diversidade de nomes, como Course
Management System (CMS) e ainda Learning Management System (LMS) ou Virtual
Learning Environment (VLE).
18
A palavra “ciberespaço” foi inventada em 1984, por William Gibson em seu romance de ficção
científica “Neuromante”. No livro, este termo designa o universo das redes digitais.
67
5.1 Moodle
Esse tipo de software se origina do Modular Object-Oriented Dynamic Learning
Environment, o qual quer dizer muito, principalmente para programadores e
investigadores da área da educação. A palavra Moodle é originariamente da língua
estrangeira inglês, a qual é um verbo que apresenta a ação que, usualmente acarreta a
resultados criativos. Desse modo, o nome Moodle sobrepõe tanto à maneira de como foi
realizado, quanto à maneira como um aprendiz ou mestre se relaciona numa disciplina
online.
O Moodle tem crescido desde 1999, seu apoio por uma comunidade global, e é
reconhecido por suas traduções por mais de 70 línguas.
É um ambiente virtual de aprendizagem que possui diversos recursos técnicos
incorporados a funcionalidades, e recursos aditivos, também conhecidos por módulos.
Tais recursos são oferecidos por desenvolvedores e os aditivos tem aplicações
importantes, e são compatíveis distintas versões do Moodle destacados pela aplicação
operacional.
O Moodle é um ambiente de aprendizagem a distância desenvolvido por
Dougiamas em 1999 sendo considerado um software gratuito, podendo ser modificado
por qualquer pessoa. Este ambiente vem sendo usado por várias instituições,
principalmente possuindo comunidade cujos membros estão envolvidos em atividades
que envolvem correções de erros e o desenvolvimento de novas ferramentas sobre
estratégias educacionais de utilização do ambiente.
Qualquer
instituição
que
use
este
ambiente,
está
colaborando
com
desenvolvimento ou mesmo com divulgação, obter possibilidades e experimentar novas
perspectivas educacionais. Essas contribuições se propagam através da livre cadeia de
interações entre as pessoas com foco nos relacionamentos que pode ser apropriada por
todas as situações em rede.
O mecanismo evidencia as aplicações que podem ser viabilizadas com seu uso,
aumentando o potencial em diferentes contextos pedagógicos, onde os ambientes de
68
aprendizagem virtuais são direcionados a uma série de ferramentas e tendem a melhorar
individualmente o desenvolvimento da rede integrado num único espaço.
É importante enfatizar que o Moodle é um ambiente educacional, onde sua
definição abrange a aprendizagem no sentido mais geral na utilização de tecnologias.
Possibilita as ações atuando simultaneamente como professores-aluno.
O conhecimento em um ambiente de aprendizagem centra sua abordagem no
papel ativo dos participantes conforme reflexão na ação, realizada entre os envolvidos
de forma a desenvolver uma aprendizagem especial.
O Moodle é dotado de uma interface humano-computador simples e as páginas
dos cursos são divididas em colunas personalizadas pelo educador inserindo elementos
em formato de caixas como Calendário, Usuários Online, Lista de Atividades, dentre
outros. Estas caixas em colunas à direita e à esquerda podendo ser deslocadas de um
lado para o outro.
5.2 Solar
O Solar (2005) é um ambiente virtual de aprendizagem desenvolvido em 2001
através do Instituto UFC Virtual, da Universidade Federal do Ceará, orientado ao
estudante e ao professor que possibilita a publicação como a participação em cursos a
distância baseados na Web. Voltado para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e
recursos para serem aplicados a EaD. O mesmo possui uma interface que facilita a
navegação em ambientes e acesso às páginas e ao conteúdo das aulas. Ele tem
ferramentas de interação e quanto a aplicação, trata-se de um sistema distribuído,
podendo ter seus elementos de frontend, componentes de software e base de dados em
diferentes computadores.
O ambiente Solar foi elaborado usando a tecnologia de dinamicidade entre as
páginas com base em Active Server Page, componentes de software, os quais devem ser
acessados pelas páginas ASP, tanto local quanto remotamente, baseado na tecnologia de
69
Distributed Common Object Model (DCOM), e um Sistema de Gerenciamento de
Banco de Dados (SGBD). Por causa dessas tecnologias, existe a facilidade da se
distribuir a carga de processamento e usabilidade de memória sobre a aplicação. O
cliente do Solar – que pode ser aluno, professor ou interessado – é acessado na
utilização de um navegador Web.
Percebe-se que o Solar teve um desafio de tirar o custo grande de arquitetura que
geralmente se teria por causa do recurso Cliente-Servidor Web, e criou um ambiente
virtual híbrido em relação a essa forma de dinamicidade, ou seja, de interação. Possui
três componentes que formam a dinâmica do ambiente. O interessante é que esses três
componentes são acessados simultaneamente em computadores diferentes.
O ambiente Solar possui quatro perfis diferentes para poder propor uma melhor
interface e praticidade quanto ao manuseio. Caso seja um aluno a acessar, ele vai ter
diversas opções de interação, como participar de cursos, ter acesso ao material
publicado, ir a fóruns, participar de bate-papos e/ou trocas de mensagens, além de ter
um espaço pessoal para o que quiser armazenar, como por exemplo, seus comentários
ou trabalhos feitos. Caso seja um professor, além de possuir as mesmas regalias que o
aluno, tem a opção de fazer o acompanhamento do aluno e, assim, postar suas
avaliações. Caso seja um editor, realizará atividades como definir e publicar cursos,
assim como gerenciar matrículas. E, por fim, caso seja o administrador, delegará e
limitará (ou não) funções para o editor e professor, bem como terá acesso a todas as
informações dos alunos podendo modificar de acordo com sua atribuição.
Por causa da distribuição de papéis, ou seja, perfis, a navegação das pessoas que
acessam ao ambiente fica bem mais fácil e prático.
Um dos objetivos do ambiente foi fazer da forma mais simples e prática a
divulgação e publicação de cursos a distância. Enriquecido com um grupo docente que é
quem estrutura todo o material de um curso.
O sistema foi desenvolvido potencializando a partir da relação com a interface
gráfica do ambiente, sendo desenvolvido para que o cliente seja rápido no acesso às
páginas e fácil compatibilidade com navegadores.
70
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho apresentou a evolução da EaD, com enfoque em atividades,
projetos, programas e Ambientes Virtuais de Aprendizagem desenvolvidos e utilizados
no Estado do Ceará.
As descrições reforçam o relacionamento de atividades com o uso de tecnologias
educacionais e incorpora a utilização dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem no
ensino superior, para auxiliar na administração e interação entre atores do processo
educativo, na modalidade de ensino semipresencial, na EaD. Além disso, foram
mostradas algumas ações que contribuíram para a EaD no Brasil.
As ações que delinearam o objetivo deste trabalho merecem algumas
considerações que serão comentadas a seguir: ao mesmo tempo em que a educação
discute a transformação no perfil das novas exigências de formação, que apontam para o
desenvolvimento de habilidades comportamentais, em substituição a modelos de
qualificação calcados no treinamento e na especialização, observa-se com atenção
especial neste trabalho, que o objetivo maior, foi demonstrar a utilização das tecnologias
educacionais na modalidade de ensino semipresencial no Estado do Ceará, com
destaque: o Solar e o Moodle.
Com o estudo e as descrições apresentadas nos capítulos 1 – Introdução, 2 –
Educação a Distância, 3 – Programas e Projetos da Educação a Distância no Brasil, 4 –
Tecnologias de Informação e Comunicação Utilizadas na Educação a Distância e, por
último, 5 – Ambientes Virtuais de Aprendizagem, surgiram as seguintes premissas:
- A Internet contribuiu para a evolução da Educação a Distância;
- As tecnologias computacionais são imprescindíveis para a modalidade de
ensino semipresencial;
- Os ambientes educacionais presenciais e a distância foram enriquecidos com o
auxílio de tecnologias educacionais, de projetos e programas do Ministério da
71
Educação em parceria com as redes de ensino público e com Instituições
Federais de Ensino Superior.
- Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem oferecem recursos educacionais,
considerados requisitos necessários para desenvolver práticas educativas a
distância, promovendo mais interação, disponibilizando em diversos tipos de
mídias mais informações e com mais controle administrativo.
No decorrer da pesquisa, visualizam-se transformações na sociedade devido a
utilização das tecnologias computacionais. As características usabilidade e utilidade nos
produtos disponibilizados na Internet promoveram mais acesso às novas tecnologias.
Consequentemente, ampliou o número de usuários, possibilitando aumento do público
alvo para a modalidade de ensino semipresencial, para a Educação a Distância.
A rígida divisão de tarefas vem cedendo lugar as formas mais autônomas de
organização permitindo maior adaptabilidade aos professores e estudantes às novas
situações, possibilitando a intensificação na EaD e em seus projetos específicos. As
estratégias pedagógicas e administrativas aplicáveis a Educação a Distância aparecem
neste estudo como necessárias às novas formas de produção e de delinear o processo
educativo. Ao contrário do modelo de ensino presencial, voltado para o consumo de
massa, no momento atual sugere formas didáticas mais flexíveis, mais amplas e mais
interativas.
A utilização dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem demanda reformas
administrativas, de investimentos, de material didático, de funções e de papéis. Os
modelos atuais estão evoluindo em função de aprendizagem satisfatória. Nesse sentido,
também, é possível visualizar novas tendências pedagógicas e novas formas didáticas
que possibilitem a qualidade na Educação a Distância. Portanto, pode-se considerar que
as questões pedagógicas e administrativas são vertentes dos Ambientes Virtuais de
Aprendizagem.
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem mencionados neste trabalho oferecem
recursos educacionais e uma forte tendência de mudança nos processos educativos. Mas
o propósito de tornar o sistema educativo mais dinâmico deve vir acompanhado de uma
72
política educativa a distancia de articulação e unidade do sistema educativo, para não
provocar sua fragmentação e, assim, legitimar os mecanismos de tecnologia.
Trabalhos Futuros
É importante em trabalhos futuros, o estudo do cenário cearense de utilização da
EaD baseada em novas tecnologias no processo educativo. Também é interessante o
estudo dos mecanismos de Qualidade de Serviço utilizados nas infra-estruturas de
AVA.
Dar continuidade no trabalho utilizando os AVA para pesquisar e avaliar
funcionalidades do ensino semi-presencial no ensino fundamental.
Este trabalho oferece espaço para pesquisas multidisciplinares em sistemas de
conhecimento. Os resultados poderão reverter para a comunidade, sendo aplicados em
áreas como sistemas de recuperação de informações e sistemas para trabalho e
aprendizado cooperativo.
Pesquisar, desenvolver e avaliar novas ferramentas e ambientes computacionais
para o uso educacional. Formar recursos humanos, no contexto de seu mestrado e
doutorado, para desenvolver e avaliar ambientes de aprendizagem mediados por
computador.
73
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Download

Ambientes Virtuais de Aprendizagem utilizados em Educação