Diário do Minho ID: 33998846 10-02-2011 Tiragem: 9000 Pág: 6 País: Portugal Cores: Preto e Branco Period.: Diária Área: 27,67 x 33,11 cm² Âmbito: Regional Corte: 1 de 3 Bracarenses pagam cinco vezes mais que vimaranenses e o dobro dos lisboetas Renda social em Braga é das mais caras do país DM Joaquim Martins Fernandes As rendas de habitação social cobradas pela empresa que gere o património habitacional da Câmara Municipal de Braga são as mais caras de toda a região minhota, ultrapassando em cinco vezes o valor médio praticado nos concelhos de Guimarães, Famalicão, Coimbra e Setúbal. A nível nacional, só três autarquias cobram aos moradores de habitações sociais valores acima dos praticados em Braga, que são muito superiores às rendas cobradas pelas câmaras do Porto, Lisboa e Oeiras, sendo este o concelho que tem o ordenado médio mais elevado do país. Liderando de forma destacada o “ranking” minhoto, com um valor médio de 117 euros de renda mensal, o preço cobrado aos bracarenses pela empresa que gere o parque habitacional do Município de Braga só é ultrapassado pelos municípios da Maia (Norte), Trancoso (Centro) e Vila Viçosa (Alentejo), na totalidade dos 277 concelhos do território continental. O custo médio das rendas sociais praticado no país é de 56 euros, montante que não chega a metade (menos 61 euros) do valor que é cobrado pela edilidade bracarense. Os números publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no anuário estatístico da região Norte tiveram como base os resultados do “Inquérito à Habitação Social” e as informações disponibilizadas pelos municípios do país e pelas entidades detentoras e promotoras de edifícios e fogos destinados à habitação social e reportam-se a 31 de Dezembro de 2009. INE coloca Braga na liderança do “ranking” das rendas sociais mais elevadas Bragahabit contesta valores do INE Os valores a que o INE chegou, com os dados que colheu até ao dia 30 de Setembro de 2010, foram já contestados pela empresa municipal que gere o parque habitacional do Município bracarense. «Quem me dera que o valor médio fosse 117 euros, porque isso era sinal que não tínhamos problemas nenhuns», comentou o presidente da Empresa Municipal de Habitação de Braga (Bragahabit). João Nogueira faz notar que não é fácil calcular o valor médio dos contratos de arrendamento social, porque existem as modalidades de residência partilhada, os bairros sociais e o apoio ao subarrendamento. O administrador da Bragahabit refere que há ren- das de nove euros e que, nos bairros sociais, podem chegar aos 100 euros. Os valores mais elevados reportam-se aos contratos de subarrendamento, que podem chegar aos 200 euros ou até ultrapassar esse valor. Acrescenta o presidente da Bragahabit que é possível também encontrar famílias que começaram por ter apoio da Câmara de Braga ao nível do subarrendamento e que agora estão a pagar a totalidade da renda, pelo valor de mercado, porque passaram a ter rendimentos que excluem os apoios municipais, mas não quiseram abandonar a habitação. «Mas o fundamental não é que o valor da renda seja de 20 ou de 200 euros, mas a exacta aplicação da lei para apuramento do valor das rendas, em função dos rendimentos reais das famílias», sublinhou o também presidente da Junta de Freguesia de Gualtar, alegando que, «do ponto de vista social, o método adoptado por Braga é o mais justo e o mais legal do país». Os exemplos de Porto e Lisboa Comentando o facto dos valores do INE colocarem o preço médio das rendas sociais praticadas em Braga muito acima dos valores cobrados em cidades como Porto, Coimbra, Lisboa ou Setúbal, João Nogueira, colocando debaixo de suspeita a fiabilidade dos números do Instituto Nacional de Estatística, refere que os valores da generalidade dos concelhos «são muito baixos, porque nem todos são rigorosos na aplicação da lei» que regula o valor a pagar por cada arrendatário das habitações sociais. «No caso específico dos concelhos de Lisboa e Porto, o valor das rendas é particularmente baixo, porque a gestão de boa parte das habitações é da responsabilidade directa do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana [IHRU]», continua o gestor público, precisando que o instituto gere seis mil habitações em Lisboa e quatro mil no Porto. Mas os números que o presidente da Bragahabit invoca para a diferença de custos fi- cam, no entanto, muito longe dos valores que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, estiveram na origem do valor médio das rendas sociais nas duas maiores cidades do país. O valor médio da renda de 53 euros praticado pela Câmara Municipal do Porto resulta de 13 mil 355 contratos de arrendamento – mais do triplo das habitações geridas pelo IHRU – e, no caso de Lisboa, a renda média de 71 euros é calculada com base em 23 mil 317 contratos de arrendamento, número que supera em 17 mil 317 contratos, os arrendamentos tutelados directamente pelo Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana. A particularidade de boa parte das habitações sociais tuteladas pela Câmara Municipal de Braga necessitar de obras de reparação dispendiosas são razões que João Nogueira também invoca para a diferença de preços. «Concelhos que tenham habitações sociais que não precisam de obras de manutenção não têm tantos custos», comenta. Mais ricos pagam muito menos No confronto com aquela que é considerada a região mais rica do país – Área Metropolitana de Lisboa –, o preço das rendas sociais cobradas pela Câmara Municipal de Braga através da Bragahabit é ainda mais revelador, já que nenhum dos 18 concelhos que integram a sub-região da Grande Lisboa e a Península de Setúbal cobram valores superiores aos da auto-denominada “terceira cidade” do país. A capital do país pratica rendas sociais de 71 euros (40 por cento mais baratas que as de Braga) e a Câmara de Oeiras cobra somente 65 euros de renda média pelas suas habitações sociais, com a particularidade de que é este concelho que regista o vencimento médio mais elevado do país: 1.667 euros por mês, contra os 900 euros que fazem o ordenado médio dos bracarenses. A Câmara Municipal de Setúbal, que disputa com Braga o título de terceira cidade nacional, cobra 28 euros de renda média mensal, valor que representa quase cinco vezes menos que a renda mensal praticada em Braga. No emblemático concelho de Cascais, que pratica os preços mais altos da Área Metropolitana, o valor médio das rendas sociais não ultrapassa os 72 euros por mês, montante que fica 45 euros abaixo do preço médio cobrado aos bracarenses pela empresa presidida por João Nogueira Diário do Minho ID: 33998846 10-02-2011 Tiragem: 9000 Pág: 7 País: Portugal Cores: Preto e Branco Period.: Diária Área: 22,94 x 36,85 cm² Âmbito: Regional Corte: 2 de 3 Barcelenses e vimaranenses têm habitação a 26 euros Bracarenses pagam cinco vezes o valor dos concelhos vizinhos DM Joaquim Martins Fernandes O valor de 117 euros avançado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) como sendo o preço médio da renda da habitação social em Braga compara directamente com os 23 euros de renda que são cobrados pela Câmara Municipal de Barcelos, com a renda média de 29 euros cobrada pela autarquia de Guimarães e com os 29 euros que fazem o valor médio da renda cobrada aos inquilinos do Município de Famalicão, que se tem distinguido pela construção de habitação social que se impõe pela qualidade. Deixando o seu competidor directo na região Minho bem distante – o segundo valor médio mais elevado (75 euros) regista-se em Valença –, o preço médio pelo arrendamento de habitação social praticado em Braga só é ultrapassado, em toda a região Norte, pelo praticado no concelho da Maia. O Município maiato cobra uma renda média de 137 euros, o valor mais alto entre os 86 concelhos que integram as sub-regiões do Minho-Lima, Cávado, Ave, Grande Porto, Tâmega, Douro, Entre Douro e Vouga e Alto Trás-os-Montes. Entre os 100 municípios que fazem parte da região Centro, somente o concelho de Trancoso (125 euros) tem um pre- Famalicenses pagam 29 euros por habitações sociais com qualidade ço médio para a habitação social superior ao praticado pela Empresa Municipal de Habitação de Braga (Bragahabit), que cobra 4,34 vezes a renda de habitação social média de Coimbra. A “cidade dos estudantes” pratica um valor médio de renda social de 27 euros, montante que corresponde a menos de 25 por cento do preço praticado na capital do Baixo Minho. Entre os 58 municípios que fazem parte das cinco sub-regiões alentejanas – Alentejo Litoral, Alto Alentejo, Alentejo Central, Baixo Alentejo e Lezíria do Tejo –, apenas a Câmara Municipal de Vila Viçosa (139 euros) cobra aos seus inquilinos uma renda acima da praticada pela sua homóloga bracarense, mas a média da região fica a menos de metade dos valores cobrados na capital do Baixo Minho. Alentejo e Algarve Valores também muito abaixo dos cobrados pela empresa de habitação detida a 100 por cento pela Câmara Municipal de Braga são também os praticados pelas autarquias da Grande Lisboa e Península de Setúbal (ver caixa), com os valores médios da renda mensal a atingir os 50 euros na Amadora, os 56 euros em Loures, os 67 em Mafra, os 39 euros em Odivelas e os 55 euros mensais em Sintra. Na Península liderada por Setúbal, Alcochete pratica rendas médias de 65 euros, Almada de 24 euros, Moita de 67 euros, Montijo cobra 56 euros, Palmela 57 euros, Seixal 29 euros e Sesimbra 39 euros. A Câmara do Barreiro cobra um valor médio de oito euros mensais, montante que constitui um dos mais baixos do país. Mais a sul, todos os 16 municípios da região do Algarve Lista de espera Qualquer coisa como 137 agregados familiares a aguardar a decisão da Empresa Municipal de Habitação de Braga (Bragahabit). É o volume actual de pedidos acumulados na “lista de espera” da empresa que gere o património habitacional da autarquia bracarense. Os números foram avançados ao Diário do Minho pelo presidente do conselho de administração da empresa e reportam-se aos dados validados pela Bragahabit nesta última terça-feira, dia 8 de Fevereiro. «Entre a totalidade dos processos em análise encontram-se pedidos de renovação de apoio à habitação e novos pedidos para concessão de apoios ao arrendamento e atribuição de habitações em bairros sociais», precisa João Nogueira, demarcando-se dos 460 pedidos para atribuição de habitação social que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, foram registados pela Bragahabit, ao longo do ano de 2009. O presidente da Bragahabit refere que, em média, são duas dezenas por mês, o número de pedidos que dão entrada nos serviços. «Os pedidos que visam a renovação dos apoios ao subarrendamento são, normalmente, resolvido no espaço de um mês», vinca o também presidente da Junta de Freguesia de Gualtar, acrescentando que os processos novos demoram, em média, dois meses a terem decisão final. «Mas na “lista de espera” também estão pessoas que querem casa num bairro concreto e recusam-se a habitar um outro bairro», refere o administrador da empresa municipal bracarense, dando conta que alguns processos são mais morosos, porque as pessoas atrasam-se na entrega da documentação que lhes é solicitada. cobram rendas sociais médias bem inferiores às de Braga. O Município de Castro Marim é o que mais se aproxima dos valores praticados pelo Município bracarense, segundo os números do INE, ao facturar uma renda social média de 113 euros. A Câmara Municipal de Faro cobra 62 euros, a de Albufeira 70 euros, a de Aljezur cobra zero euros pelos 470 arrendamentos sociais e o Município de Lagoa pratica preços médios de 8 euros. Também muito abaixo dos valores de Braga ficam os praticados pelas câmaras de Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António, onde o valor médio das rendas da habitação social oscila entre os 33 euros de Vila Real de Santo António e os 61 euros exigidos aos arrendatários de Lagos. Diário do Minho ID: 33998846 10-02-2011 Tiragem: 9000 Pág: 1 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 21,39 x 20,51 cm² Âmbito: Regional Corte: 3 de 3 Bracarenses pagam cinco vezes mais que vimaranenses e o dobro dos lisboetas Renda social em Braga é das mais caras do país ARQUIVO DM p.6 As rendas de habitação social cobradas pela empresa que gere o património habitacional da Câmara Municipal de Braga são as mais caras de toda a região minhota, ultrapassando em cinco vezes o valor médio praticado nos concelhos de Guimarães, Famalicão, Coimbra e Setúbal. A nível nacional, só três autarquias cobram aos moradores de habitações sociais valores acima dos praticados em Braga, que são muito superiores às rendas cobradas pelas câmaras do Porto, Lisboa e Oeiras, sendo este o concelho que tem o ordenado médio mais elevado do país.