Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia CONTECC’ 2015 Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE 15 a 18 de setembro de 2015 INFLUÊNCIA DA ÉPOCA DE CORTE DA SOJA PARA PRODUÇÃO DE SILAGEM LUAN DOS SANTOS SILVA1*, GLEISON PEREIRA LOPES², CARLA MICHELLE DA SILVA³, FÁBIO MIELEZRSKI4, JOSÉ SIDINEI BEZERRA LIMA5 1 Graduando em Eng. Agronômica, UFPI, Bom Jesus-PI. Fone: (89) 99975-6155, [email protected] ² Graduando em Eng. Agronômica, UFPI, Bom Jesus-PI. Fone: (89) 98120-5366, [email protected] 3 Mestranda em Agronomia/Fitotecina, UFPI, Bom Jesus-PI. Fone: (89) 99982-0112, [email protected] 4 Dr. Professor Agronomia, UFPI, Bom Jesus-PI. (89) 99917-6286, [email protected] 5 Msc. Zootecnia, UFPB, Areia-PB. Fone: (83) 99137-3169, [email protected] Apresentado no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia – CONTECC’ 2015 15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil RESUMO: A soja pertence à família Fabaceae, é um grão rico em proteínas, cultivada como alimento tanto para humanos quanto para animais. O experimento teve como objetivo avaliar a influência da época de corte da soja para produção de silagem nos estádios fenológicos R4, R5 e R6. O ensaio apresentou um esquema fatorial 3x2 com um delineamento em blocos ao acaso (DBC), com 4 repetições. Os tratamentos foram: T1 - Época de colheita em R4; T2 - Época de colheita R5; T3 Época de colheita em R6 em dois cultivares diferentes. As amostras úmidas foram levadas para o laboratório da Universidade Federal do Piauí – UFPI, campus Professora Cinobelina Elvas, Bom Jesus, onde permaneceram 72h em uma estufa à 65º, até manter atingir sua massa seca, utilizando 2 plantas das amostras colhidas na área util. Os resultados mostraram que o corte da soja em R4 é ideal para maior acumulo de matéria seca, necessário para uma silagem de qualidade. PALAVRAS–CHAVE: Glycine max, colheita, massa seca. INFLUENCE OF SOY CUTTING TIME FOR SILAGE PRODUCTION ABSTRACT: Soy belongs to the Fabaceae family, is a rich grain in proteins, cultivated as food for both humans and animals. The experiment aimed to evaluate the influence of soy cutting time for silage in growth stages R4, R5 and R6 two different cultivars. The test showed a 3x2 factorial arrangement with a design in randomized blocks (DBC), with four repetitions. The treatments were: T1 - Harvest time in R4; T2 - R5 harvest season; T3 - Harvest time in R6. The wet samples were taken to the laboratory of the Federal University of Piauí - UFPI, campus Professor Cinobelina Elvas, Bom Jesus, where they remained 72 hours in an oven at 65, to keep achieving its dry mass, using 2 plants of samples taken at the useful area. The results showed that the cut soybeans in R4 is ideal for increased accumulation of dry matter, required for a silage quality. KEYWORDS: Glycine max, harvest, dry mass. INTRODUÇÃO A produtividade dos rebanhos nordestinos apresenta reduzidos índices produtivos quando comparados aos de outras regiões do Brasil. Os índices de produtividade são prejudicados pelo sistema extensivo de exploração utilizado pela maioria dos criadores e pela sazonalidade das chuvas, que interfere na produtividade e qualidade das forrageiras durante o decorrer do ano. Com frequência, as forragens constituem a única fonte de nutrientes disponíveis para ruminantes (Sant’ana et al., 2015). O Piauí é caracterizado pelo clima semiárido, onde a precipitação pluvial raramente supera 500 mm e a evapotranspiração potencial frequentemente supera a precipitação anual, a comunidade vegetal é efêmera, caducifólia e xerófita. Essas peculiaridades associadas à estratificação do dossel, baixa drasticamente a possibilidade do aporte de biomassa vegetal (Santos et al. 2010). A soja (Glycine max (L.) Merril) pertencente à família Fabaceae (leguminosa), é um grão rico em proteínas, cultivada como alimento tanto para humanos quanto para animais (Crispino et al., 2001). Segundo Mendes et al. (2004), a soja tem elevados teores de proteínas e energia constituindo uma boa alternativa de alimentação proteica apresentando 17 a 18% de óleo, 35 a 37% de proteína bruta com elevado valor biológico composto por aminoácidos essenciais favoráveis a alimentação animal. O que pode se tornar uma alternativa para o incremento da ensilagem de gramíneas, que geralmente resulta em silagens com baixo teor proteico. O suprimento das necessidades nutricionais dos ruminantes depende, principalmente, do conteúdo de energia e proteína da dieta, que podem ser utilizadas pela microbiota ruminal ou escapar da fermentação no rúmen, sendo absorvidos nos demais compartimentos do trato digestivo. A fermentação ruminal e a digestão pós-ruminal dependem da concentração total de carboidratos e proteínas na dieta e de suas taxas de degradação (Mello et al., 2004). Faria (1986) observou que existe uma faixa de percentagem de matéria seca que é ideal tanto para o consumo como para a produção e conservação da silagem, pois confere uma fermentação adequada no processo, situando-se entre 30 e 35%, dependendo da espécie a ser utilizada. Silagem armazenada com umidade acima desta faixa tem grande potencial de perda via efluente, que estão positivamente correlacionadas com a atividade de água, seguindo incrementos simultâneos dessa variável, em que plantas com alto teor de umidade apresentam maiores perdas. A atividade de água do material está associada ao teor de matéria seca da forragem e, também, ao processamento físico aplicado ao material no momento do corte (Balsalobre et al., 2001). Dessa forma, os efluentes constituem uma forma importante de perdas de valor nutritivo durante o processo de conservação. Tendo em vista os atenuantes supracitados, o objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da época de corte da soja para produção de silagem nos estádios fenológicos R4, R5 e R6. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no período de 14 de fevereiro à 18 de abril de 2015, com as cultivares Syn1378PRO (C1) e 1281 RR (C2), na área experimental do Campus Professora Cinobelina Elvas (CPCE), Universidade Federal do Piauí (UFPI), situado no município de Bom Jesus, PI, nas coordenadas geográficas 09º04’28” S, 44º21’31” W e altitude média de 277 m. Seu clima é quente e úmido classificado por Köppen como Cwa, com precipitação pluvial média entre 900 e 1200 mm ano 1 distribuídos entre os meses de dezembro a abril e temperatura média anual de 26,6 ºC (Viana et al., 2002). O solo da área de estudo é classificado como Latossolo Amarelo Distrófico (Embrapa, 2006), com textura arenosa. Antes da semeadura, realizou-se análise química do solo obtendo-se os seguintes resultados: pH H+Al Al Ca Mg K SB T -3 H2O cmol dm 5,8 3,96 1,00 2,30 1,10 0,23 3,63 7,59 O experimento constitui um esquema fatorial 3x2, com delineamento em blocos ao acaso (DBC), com 4 repetições. Os tratamentos foram: T1 - Época de colheita em R4; T2 - Época de colheita em R5; e T3 - Época de colheita em R6 em dois cultivares diferentes. A área experimental constou de parcelas com quatro linhas, sendo que as duas linhas centrais representaram a área útil e as linhas laterais e 0,5m da extremidade das linhas centrais representaram a bordadura, sendo que cada linha apresentou 3m de comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,45 m. O preparo do solo foi realizado com auxílio de grade aradora. Com uma enxada, foram abertos sulcos de plantio de 10 cm de profundidade. O adubo foi aplicado em cada sulco de semeadura, o qual foi coberto com uma camada de 5 cm de solo, para que a semente não ficasse em contato com o mesmo. A adubação de base foi feita de acordo com a análise de solo, na dose de 125g de superfosfato simples e 125g de cloreto de potássio por metro linear. O teste de germinação foi realizado conforme Brasil (2009) e a correção da germinação segundo Fancelli (2004). A quantidade de sementes utilizada na semeadura foi determinada em função da correção da porcentagem de germinação do lote, que foi de 80%, para se obter uma população de 16 plantas por metro linear. No momento da semeadura foi realizada a inoculação de sementes, como produto Masterfix®, na dose de 3ml/kg. Para a análise de matéria seca (MS), foi feito o corte da soja nas respectivas épocas, predeterminadas em cada tratamento, em seguida, as amostras úmidas foram colocadas em estufa, onde permaneceram 72h a 65º, até manter seu peso constante, ou seja, atingir sua massa seca, para posteriormente serem pesadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Gráfico 1. Valores médios do índice de matéria seca (MS), em diferentes épocas de colheita, em plantas de soja, cultivar Syn1378PRO, UFPI/CPCE, Bom Jesus-PI, 2015. Pelas médias dos dados obtidos, percebe-se que a C1 apresentou maior rendimento de massa seca no estádio R4, atingindo 82g, isto ocorreu provavelmente porque neste estádio há um acréscimo rápido e constante acumulação de matéria seca pelas vagens. O teor de matéria seca na matéria verde da planta a ser ensilada deve estar entre 28 a 40%, valores abaixo de 28% favorece a perda de efluentes, além de favorecer a atuação de microrganismos indesejáveis, valores acima de 40% causam problemas relacionados a baixa compactação (Jobim et al., 2009). Já nos tratamentos com a C2 (gráfico 2) percebe-se que a maior taxa de matéria seca é no estádio R6, porém, com valor próximo ao T1, variando em média 2g. Na planta, a rápida taxa de acúmulo de matéria seca e de nutrientes começa a diminuir logo após o estádio R6, isso acontece por causa da senescência foliar (POTAFOS, 1997), tornando R6 o estádio limite para corte da soja, pois a partir deste período, haverá grande perda de MS. Gráfico 2. Valores médios do índice de matéria seca (MS), em diferentes épocas de colheita, em plantas de soja, cultivar 1281 RR, UFPI/CPCE, Bom Jesus-PI, 2015 Em ambos os cultivares ocorrem uma diminuição da massa seca no estádio R5, isso ocorre provavelmente porque nesse período acontece a translocação dos assimilados da fotossíntese para o enchimento de grãos, iniciando o processo de senescência das folhas. Os componentes assimilados fotossintéticos são translocados pelo floema de áreas de suprimento, conhecidas como fontes, para áreas de consumo metabólico ou estoque, denominadas como drenos, que se caracterizam por serem órgãos que não realizam fotossíntese ou não produzem carboidratos em quantidades referentes ás suas exigências para crescimento e armazenamento (Taiz & Zeiger, 2009). O C2 teve uma massa maior no estádio R6, possivelmente porque C1 teve uma menor disponibilidade de fotoassimilados em folhas, e uma menor capacidade de uso de sacarose pelas vagens que estavam em desenvolvimento, resultando assim na diminuição no fluxo de carboidratos das folhas até as vagens (Liu et al., 2004). Esse fator é importantíssimo no peso das sementes e no valor final da massa seca. CONCLUSÕES A época de maior acumulo de matéria seca na Syn1378PRO situa-se em R4, sendo o ideal para a produção de Silagem, já 1281 RR apresenta bons resultados tanto em R4 como R6, para optar por uma ou outra pode-se levar em consideração o tempo que ele vai ficar na área, podendo encurtar (R4) diminuir o custo de produção, ou, evitar que saia do limite máximo da faixa de matéria seca requerida para silagem. REFERÊNCIAS Balsalobre, M. A. A.; Nussio, L. G.; Martha júnior, G. B. Controle de perdas na produção de silagens de gramíneas tropicais. In: Mattos, W. R. S.; Farias, V. P.; da Silva, S. 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