ESCOLA DE ENFERMAGEM WENCESLAU BRAZ ANA LUIZA SOUZA FIGUEIREDO IORLANDA CRISTINA FERREIRA TAYFANE PRISCILLA GOULART SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o discurso do sujeito coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica ITAJUBÁ-MG 2012 ANA LUIZA SOUZA FIGUEIREDO IORLANDA CRISTINA FERREIRA TAYFANE PRISCILLA GOULART SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o discurso do sujeito coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica Trabalho de Conclusão de Curso com apoio do PROBIC/FAPEMIG, apresentado à Escola de Enfermagem Wenceslau Braz, como requisito parcial para a obtenção do título de Enfermeira. Orientadora: Profª. M.ª Mariângela Gomes Paixão. Coorientadora: Profª. M.ª Ivandira Anselmo Ribeiro Simões. ITAJUBÁ-MG 2012 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Bibliotecária Karina Morais Parreira CRB 6/2777 Escola de Enfermagem Wenceslau Braz – EEWB F475s Figueiredo, Ana Luiza de Souza. Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato: o discurso ... / Ana Luiza de Souza Figueiredo ; Iorlanda Cristina Ferreira ; Tayfane Priscilla Goulart. – 2012. 85 f. Orientadora: Profª. M.ª Mariângela Gomes da Paixão. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Enfermagem) com apoio do Programa de Bolsa de Iniciação Científica – (PROBIC/FAPEMIG) Escola de Enfermagem Wenceslau Braz - EEWB, Itajubá, 2012. 1. Pré-operatório imediato. 2. Representação social. 3. Paciente. I. Ferreira, Iorlanda Cristina. II. Goulart, Tayfane Priscilla. III. Título. NLM: WO 178 AGRADECIMENTOS “Uma pesquisa de tamanha magnitude jamais poderia ter sido desenvolvida por uma única pessoa. Gostaríamos de agradecer a Deus pelo dom da vida e a todos aqueles que fizeram parte das nossas vidas durante a realização deste trabalho, desafiando-nos a pensar em coisas novas, motivando-nos a contornar as dificuldades e dando-nos apoio em nossos esforços. É com amor e gratidão que reconhecemos as contribuições dessas pessoas preciosas, em especial nossos pais, os participantes da pesquisa, nossa orientadora Mariangela Gomes Paixão e coorientadora Ivandira Anselmo Ribeiro Simões, as quais não mediram esforços para a realização deste grandioso trabalho” “Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito” William Shakespeare RESUMO Quando chega ao Hospital, e recebe a notícia da necessidade de internação e de intervenção cirúrgica o paciente se vê imerso numa situação de desamparo e, de certa forma, perde sua dignidade quando deixa sua posição de “sujeito” passando a “objeto” de intervenção. O presente estudo de abordagem qualitativa, do tipo exploratório, descritivo e transversal, teve como objetivo conhecer os sentimentos dos pacientes vivenciados no pré-operatório imediato na Clínica Cirúrgica do Hospital Escola da cidade de Itajubá - MG. A coleta de dados ocorreu após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz, no período de janeiro a fevereiro de 2012, mediante um questionário referente a caracterização dos participantes e um roteiro de entrevista semi-estruturada, gravada, contendo uma pergunta inerente ao objetivo da pesquisa. A amostragem foi do tipo intencional, sendo 20 participantes, da Instituição de saúde em destaque. Os dados coletados, depois de transcritos, foram analisados e interpretados por meio do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), à luz da Teoria das Representações Sociais (TRS). Para os participantes os sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato são: “medo”, “ansiedade”, “preocupação”, “impotência”, “diversos sentimentos”, “tristeza”. Concluiu-se que houve uma diversidade de sentimentos entre os respondentes. Palavras-chave: Pré-operatório imediato. Representação social. Paciente. ABSTRACT When it comes to the Hospital, and receives the news of the need for hospitalization and surgical intervention the patient finds himself immersed in a situation of helplessness and somehow loses his dignity when he leaves his position of "subject" passing the "object" of intervention . This qualitative study, exploratory, descriptive and cross, aimed to understand the feelings of the patients experienced immediate preoperative Clinic Surgical Hospital School City Itajubá - MG. Data collection occurred after approval of the Ethics Committee of the School of Nursing Wenceslau Braz, from January to February 2012 through a questionnaire regarding the characterization of the participants and a roadmap for semi-structured, recorded, containing a question inherent in the research objective. Sampling was kind of intentional, with 20 participants, Institution of Health highlighted. Data collected after transcripts were analyzed and interpreted by the Collective Subject Discourse (CSD), the Theory of Social Representations (TRS). For participants in the feelings experienced immediate preoperative are "fear," "anxiety," "concern," "impotence", "different feelings", "sadness". It was concluded that there was a diversity of feelings among respondents. Keywords: Pre-operatively. Social representation. Patient. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Faixa etária dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) ...........................................44 Gráfico 2 – Gênero dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) ..................................................44 Gráfico 3 – Estado cívil dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) ...........................................45 Gráfico 4 – Escolaridade dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) ...........................................45 Gráfico 5 – Tempo de internação dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)...............45 Gráfico 6 – Cirurgia proposta dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)......................................46 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Idéias centrais referentes a primeira pergunta .................................47 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................12 1.1 INTERESSE PELO TEMA ...................................................................................12 1.2 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO .............................................................................14 1.3 OBJETIVO DO ESTUDO......................................................................................18 2 MARCO CONCEITUAL........................................................................................19 2.1 O PACIENTE NA CLÍNICA CIRÚRGIA ................................................................19 2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-OPERATÓRIO..............................23 3 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO ....................................................27 3.1 AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS (RS)..............................................................27 3.2 DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO .................................................................28 3.2.1 Figuras metodológicas ......................................................................................29 3.2.2 Fases do DSC .....................................................................................................30 3.2.2.1Tabulação de dados .............................................................................................30 3.2.2.2Apresentação dos resultados ...............................................................................31 4 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA ........................................................................32 4.1 CENÁRIO DE ESTUDO .......................................................................................32 4.2 DELINEAMENTO METODOLÓGICO DO ESTUDO.............................................36 4.3 PARTICIPANTES DO ESTUDO, AMOSTRA E AMOSTRAGEM .........................37 4.4 COLETA DE DADOS............................................................................................38 4.4.1 Instrumento de coleta de dados........................................................................39 4.4.2 Procedimentos de coleta de dados...................................................................39 4.5 PRÉ–TESTE.........................................................................................................40 4.6 ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS ........................................................40 4.7 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA...................................................................41 4.8 RESULTADOS DA PESQUISA ............................................................................42 5 RESULTADOS .....................................................................................................43 5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS ENTREVISTADOS QUANTO AS CARACTERÍSTICAS PESSOAIS, PROFISSIONAIS, ESCOLARIDADE E TEMPO DE INTERNAÇÃO PARA SUBMISSÃO AO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO E CIRÚRGIAS PROPOSTAS .........................................................43 5.2 TEMAS, IDÉIAS CENTRAIS E DSC.....................................................................46 5.2.1 Tema 01: Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato....................46 5.2.2 DSC referente às idéias centrais evidenciadas dos sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato. .........................................................47 5.3 SÍNTESE DAS IDEIAS CENTRAIS DOS TEMAS EVIDENCIADOS NO TRABALHO ..........................................................................................................50 6 DISCUSSÃO ........................................................................................................52 7 CONCLUSÕES ....................................................................................................57 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................58 REFERÊNCIAS ...................................................................................................60 APENDICE A – Características pessoais sociais e ocupacionais .................65 APENDICE B - Roteiro de entrevista semi-estruturada ..................................66 APENDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .......................67 APENDICE D - Solicitação para a coleta de dados .........................................69 APÊNDICE E – Ideias centrais, sujeitos, freqüências de ideias centrais sobre o tema: sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato ...........71 APÊNDICE F – Agrupamento das idéias centrais semelhantes ou complementares ................................................................................................72 APENDICE G - Instrumento de análise de discurso 1 (IAD - 1) referente a questão norteadora ...........................................................................................73 APENDICE H - Instrumento de análise de discurso 2 (IAD - 2) referente a questão norteadora ...........................................................................................80 ANEXO A – Parecer Consubstanciado N° 786/2011........................................84 12 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro momento, iremos apresentar sobre o interesse pelo tema, justificativa do estudo e objetivos a serem alcançados com a elaboração do trabalho. 1.1 INTERESSE PELO TEMA A condição de enfermidade gera sentimentos como incapacidade, dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo. (PUPULIM, SAWADA; 2002) A atual assistência não está centrada no paciente como um todo, mais sim na patologia e no simples fazer rotineiro do dia-dia. Não há interação entre paciente/profissional e este não houve as queixas e dores do indivíduo. Está sempre preocupado somente em um tecnicismo esquecendo-se da humanização. (PUPULIM; SAWADA, 2002) O interesse pelo tema surgiu após a leitura de um artigo durante a busca de dados, este chamou nossa atenção, pois destacava a importância da humanização, através de uma visão holística do indivíduo exposto á esta unidade (UTI). Esta pesquisa abordava de forma profunda e completa tudo o que pode causar algum tipo de estresse nos pacientes, ela fala sobre morte de outros pacientes, ruídos da unidade e dos aparelhos, o conviver com a morte de outros pacientes, execução rápida dos procedimentos, e até da atuação dos profissionais de saúde e cuidadores. Percebe-se que as queixas psicológicas e espirituais dos pacientes não são levadas em conta pela equipe de enfermagem durante o período de internação. Tal fato nos impulsionou a pesquisar quais os sentimentos dos pacientes de um préoperatório imediato de uma clínica cirúrgica. Esta inquietação aumentou em nosso ensino clínico na clínica cirúrgica do Hospital Escola onde nos deparamos com pacientes no pré-operatório imediato, o período que se refere às 24 horas que antecedem o procedimento cirúrgico, neste momento o paciente encontra-se fragilizado, sensível o que gera diversos sentimentos de medo, ansiedade, preocupações com emprego e com sua família, além de dúvidas e angústias. 13 De acordo Guimarães (2002), cirurgia é a técnica de tratar lesões ou enfermidades por processos operatórios, atualmente pode-se intervir cirurgicamente em qualquer parte do organismo. O fato de termos optado pelo pré-operatório imediato decorre da circunstância na qual o paciente se encontra num estado de maior vulnerabilidade durante as horas que antecedem o procedimento cirúrgico, pois quanto mais próximo a cirurgia seus sentimentos se afloram por diversos fatores. Nos dizeres de Calil (2010) o cuidado focado em apenas órgãos, patologias, sinais e sintomas clínicos; faz com que a relação e interação entre os seres ficam prejudicadas. Considera-se que o cuidado deve ir além da visão biológica e biomédica, de modo a integrar as diversas unidades e multiplicidades dos seres. As ações do profissional de enfermagem precisam ser eficientes e eficazes, contudo, precisam valorizar também a subjetividade do ser humano em sua totalidade. Muito se tem discutido sobre o perfil dos pacientes, e percebe-se que muitos deles mantêm-se lúcidos e acordados neste processo de internação, sofrendo males biológicos e também psicológicos/psicossociais. De acordo com estes mesmos autores muitas destas vivências de stress, sensação de morte, sentimentos de culpa, ansiedade e depressão, entre outras, não são facilmente expressas e, conseqüentemente, não são detectadas nem pelos familiares, tão pouco pela equipe, podendo o profissional de Enfermagem funcionar como mediador neste processo de adoecimento, evitando-o e/ou minimizando-o. Os doentes encaram a hospitalização como fator de despersonalização por reconhecerem a dificuldade para manter sua identidade, intimidade e privacidade. O ambiente hospitalar é estressante por diversos fatores, essencialmente ao doente, por perder o controle sobre os que o afetam, e dos quais depende para a sua sobrevivência. (PUPULIM, SAWADA; 2002) Além disso, a internação é angustiante por evidenciar a fragilidade a que estão sujeitos, devido à exposição emocional e física. A enfermagem não pode ignorar que, ao cuidar do doente, toca-lhe o corpo e o expõe, muitas vezes sem pedir autorização, adotando uma postura de “poder” sobre o corpo de outrem. (PUPULIM, SAWADA; 2002). O doente pouco questiona essa Invasão porque, na sua percepção, ela é necessária para sua recuperação, porém demonstra constrangimento, vergonha e 14 embaraço, que dentre outros fatores podem ser estressantes durante o período de internação. (MELO, SOUZA; 2008). A escolha de um personagem considerado mais ou menos responsável pelo stress vivido por parte de um paciente no ambiente hospitalar pode indicar maior ou menor grau de autonomia individual, e ter conseqüências psicossociais sobre a experiência do mesmo. (PUPULIM, SAWADA; 2002) Existem as dimensões puramente físicas, mentais e comportamentais do indivíduo, assim como outras fontes de stress que são pertinentes às relações interindividuais e inter-grupais, as quais dizem respeito a vivências representadas por pacientes, sendo afetadas pelo tipo de relação social, pelo ambiente hospitalar, e equipe multiprofissional. (MELO, SOUZA; 2008). 1.2 JUSTIFICATIVA DO ESTUDO Historicamente, houve uma grande mudança tanto da vida social quanto na prevenção e tratamento das doenças, a partir de uma crescente tomada de consciência do papel ativo dos indivíduos na manutenção de sua saúde. Mesmo assim, ainda existem em muitos ambientes sociais, noções e práticas referentes à saúde e à doença que supõem o paciente como alguém passivo, a ser cuidado por profissionais, que têm nas mãos o seu destino e sorte. Portanto a situação de atendimento hospitalar é fortemente marcada por normas específicas do ambiente que incluem hierarquias de poder informativo e de ação. Assim, o modo de lidar com a situação hospitalar adotado por pacientes é o misto de um repertório de experiências informativas e práticas anteriores, vivenciadas atualmente. (CARDOSO, GOMES, 2000) No âmbito epidemiológico ocorre uma diminuição de doenças infecciosas e contagiosas, por outro lado existe uma elevação nas doenças crônicas e degenerativas, com ênfase para as cardiovasculares e neoplásicas, doenças essas que requerem longo acompanhamento e retaguarda de atendimento ambulatorial para que sejam efetuados os ajustes terapêuticos durante o tratamento. (WEHBE; GALVÃO, 2001) Paralelamente existe um aumento dos agravos de origem traumática caracterizados pelos acidentes de trânsito e demais causas externas. Estes fatos 15 geram uma crescente demanda por serviços na área da saúde nos últimos anos e um grande salto do número de internações. Dentre os vários fatores precipitantes destacam-se o crescente número de acidentes e a violência urbana, além da insuficiente estruturação da rede, que são fatores determinantes da sobrecarga de serviços disponibilizados para o atendimento da população. (WEHBE; GALVÃO, 2001) Os problemas de doença e morte sempre afetaram a humanidade, gerando comportamentos e pensamentos que fazem parte de tradições e costumes socioculturais, alguns prevalecendo até hoje. (MOURA, 1996). Alguns autores têm chamado a atenção para as percepções sociais da experiência de saúde/doença. Trata-se de levar em conta os conteúdos mentais e comportamentais construídos por indivíduos, internamente, e em práticas cotidianas no ambiente hospitalar, para lidar com os processos de saúde e doença vividos. (MOURA, 1996). Moura (1996); Rossi et al. (2004), relatam que a doença ou acidente provoca uma crise e faz com que o sujeito entre em contato com possíveis situações de perda: perda de alguém querido (morte), perda do corpo saudável (doença) e da condição de “inteiro” (fraturas, mutilações, procedimentos cirúrgicos). Nesse momento, o paciente teme tudo aquilo que a dor possa representar inclusive a morte e o sofrimento. Esse medo baseia-se em dados de realidade, tais como a sensação de dor e de outros sintomas físicos, somados a dependência da equipe de saúde e o sentimento de impotência. (COPPE; MIRANDA, 2002) Quando chega ao Hospital, e recebe a notícia da necessidade de internação e de intervenção cirúrgica o paciente se vê imerso numa situação de desamparo e, de certa forma, perde sua dignidade quando deixa sua posição de sujeito passando a objeto de intervenção. (MOURA, 1996). É submetido a procedimentos médicos que, embora visem sua melhora, podem adquirir um caráter ameaçador e invasivo. Assim, ele vive um momento de perda de referencial, que é acompanhado por vivências de isolamento, abandono e rompimento de laços afetivos, profissionais e sociais. (ROSSI et al. 2004) Os autores referidos anteriormente afirmam que esses aspectos, muitas vezes, são ignorados, pelos profissionais de saúde. Há uma preocupação muito grande com a rotina e a humanização e visão holísticas são deixadas de lado durante a assistência. O medo e insegurança sentidos pelo paciente estão 16 relacionados à natureza súbita ou inesperada dos eventos, à dor e ao ambiente do hospital, que é desconhecido para eles. Estes apresentam sentimentos de desamparo, humilhação, alteração da imagem corporal, regressão, negação, raiva, ansiedade e depressão. No entender de Girardon-Perlini e Pilatto (2008), sentimentos de tensão e preocupação são experimentados quando o indivíduo se defronta com algo que parece ser – ou de fato é - perigoso ou ameaçador. Esta percepção desencadeia uma reação de ansiedade que se torna constante e se exacerba quando a ameaça de perda é real. Contudo, essas reações são comuns e determinadas pelas exigências psicológicas que o ser humano enfrenta diante de um ato cirúrgico. Possari (2004) afirma que a cirurgia, seja ela eletiva ou de emergência, é um evento estressante e complexo para o paciente. Os pacientes com problemas de saúde, cujo tratamento envolve uma intervenção cirúrgica, geralmente se submetem a uma cirurgia. Tal procedimento envolve a administração de anestesia local, regional ou geral, aumentando assim o grau de ansiedade do paciente, o que provoca alterações emocionais decorrentes do anúncio do diagnóstico cirúrgico. Isso causa, portanto situações desagradáveis no estado bio-psico-sócio-espiritual do paciente, acarretando problemas graves, podendo chegar à suspensão da cirurgia ou até mesmo óbito do paciente. (SATELE, 2009). Os pacientes, geralmente, tentam não exteriorizar seus sentimentos diante da família. Junto dela procuram manter o equilíbrio, a tranqüilidade e mostrarem-se confiantes. Entretanto, esses sentimentos, muitas vezes, podem não ser reais. Na verdade, sentem-se inseguros e assustados, mas buscam ter autocontrole, reprimindo o que sentem em consideração ao familiar, no intuito de apoiar e encorajar. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008). De acordo com Carvalho e Bianchi (2007), ao iniciar a entrevista préoperatória com o paciente, o enfermeiro deve apresentar-se ao doente e propor seus objetivos. A seguir deve verificar por meio de perguntas o grau de conhecimento do paciente a respeito da cirurgia e anestesia as quais será submetido. A coleta de informações a respeito de experiências ou conhecimentos anteriores referentes a essas situações é importante para que possíveis posicionamentos negativos sejam identificados. Com base nessas informações, o 17 enfermeiro adquire uma visão global das dúvidas, ansiedades, medo e expectativas do paciente frente aos procedimentos. (SATELE, 2009). O estudo realizado por Girardon-Perlini; Pilatto (2008) demonstra a importância da comunicação e da interação dos profissionais com os pacientes no pré-operatório, uma vez que esta, quando efetiva, interfere positivamente na recuperação dos pacientes, seja reduzindo a ansiedade, seja aumentando a colaboração e a aderência ao tratamento. Podemos citar vários fatores que dificultam a relação entre paciente e profissional, dentre estes a interação no atendimento propriamente dito. Destacamos a realização de um trabalho meticuloso que absorve a atenção dos profissionais e, de igual modo, a falta de trabalhadores, o que não permite desenvolver totalmente um cuidado capaz de contemplar todas as necessidades que cada situação exige. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008) O presente tema é relevante profissionalmente, visto que o enfermeiro passa a maior parte do tempo com o paciente e uma reflexão acerca dos sentimentos deste no pré-operatório, fazendo com que o profissional reflita sobre sua atuação e assistência, deixando o tecnicismo e o simples fazer de lado, visando assim um atendimento holístico e humanizado. A relevância científica desta pesquisa baseia-se na importância de conhecer os sentimentos dos pacientes sobre a cirurgia no âmbito pré-cirúrgico, fornecendo subsídios para discussões e como fonte de conhecimento, visto que não há muitos estudos e reflexões neste aspecto onde os sentimentos do cliente estão em questão. Proporcionar bases para pesquisas e consultas nesse tema que é pouco estudado, cuja literatura é relativamente escassa sem muitas referências específicas relacionados exclusivamente ao sentimento do paciente, além de influenciar na vida acadêmica e profissional abrindo portas para novas pesquisas nesta área servindo de fonte de dados para novos estudos que podem surgir após a leitura deste. Serve também para fortalecer e melhorar a vida da pessoa, da família, da comunidade e principalmente do cliente que se sentirá respeitado e confiante, com um atendimento humanizado e holístico onde será visto como um todo e não somente na sua patologia. Este estudo serviu de estímulo para a busca de estratégias que possibilitem maior compreensão das dificuldades enfrentadas pelos pacientes submetidos a um procedimento cirúrgico, bem como medidas que possam 18 contribuir para a redução dos agentes estressores favorecendo, portanto a recuperação do paciente submetido a um procedimento cirúrgico. Diante isso surgiu à necessidade de pesquisar os sentimentos dos pacientes perante a cirurgia, buscando descobrir quais são seus sentimentos em relação à realidade que vivenciam durante o período pré-operatório imediato. Assim, emerge a questão de pesquisa: “Quais os sentimentos dos pacientes frente à situação de ser submetido a um procedimento cirúrgico?” 1.3 OBJETIVO DO ESTUDO O presente estudo teve como objetivo: • Identificar os sentimentos dos pacientes no pré-operatório imediato da Clínica Cirúrgica do Hospital Escola de Itajubá-MG. 19 2 MARCO CONCEITUAL Nesta etapa do trabalho discorremos detalhadamente sobre o paciente na clínica cirúrgica e sobre a assistência de enfermagem no período pré-operatório imediato. 2.1 O PACIENTE NA CLÍNICA CIRÚRGIA A intervenção cirúrgica representa uma ameaça na vida de qualquer pessoa, pois envolve uma carga emocional específica e diferenciada. (FIGHERA, VIERO; 2005) Do ponto de vista médico, o adoecimento é visto como alguma função do organismo que não está desempenhando bem o seu papel. A visão que a medicina tradicional possui do homem é de um corpo com uma expectativa previsível de funcionamento. Já do ponto de vista psicológico, o adoecimento é visto como uma situação inesperada para a qual não estamos preparados, pois ninguém escolhe adoecer (ROTH, 2002). Com relação ao procedimento cirúrgico também é isso que acontece. A cirurgia é uma desconhecida na vida do indivíduo, e como tudo que é desconhecido pode causar ansiedades e despertar fantasias. De acordo com Mello Filho (1997), a ansiedade provocada pela possibilidade de uma intervenção cirúrgica pode afetar o paciente e se este sentimento não for expresso e conscientizado, visto que a cirurgia é um evento muitas vezes nãoesperado, pode interromper o ciclo normal de desenvolvimento e de vida do indivíduo. Para Silva, Garcia e Farias (1990), a hospitalização é um evento que envolve uma grande capacidade de adaptação do indivíduo as várias mudanças que ocorrem no cotidiano. As dificuldades de adaptação acontecem no momento em que o paciente não é atendido adequadamente em suas necessidades básicas, agravando com isso as sensações de isolamento e angústia pré-existentes. Essas dificuldades são suficientes para produzirem uma crise acidental que dependendo da intensidade, pode desorganizar temporariamente a personalidade do paciente. Cosmo e Carvalho (2000) também comentam sobre esse assunto, afirmando que o momento da internação é vivido de forma extremamente dramática, 20 não importando o tipo de cirurgia a qual o paciente será submetido, mas sim o modo como o paciente vivencia esse momento. Para eles, o estado emocional no préoperatório atua diretamente sobre suas reações, tanto durante a cirurgia quanto no pós-operatório. A internação hospitalar pode contribuir para o sentimento de ruptura com a vida diária e com a perda da autonomia do paciente. A hospitalização pode implicar uma série de sentimentos de desconforto, inclusive propiciando o processo de despersonalização, muito comum no ambiente hospitalar e em grandes períodos de internação, pois o paciente passa a ser tratado em função do quadro de sintomas que apresenta, e não mais pela sua singularidade enquanto indivíduo. Com relação a isso, Ruschel, Daut e Santos (2000) afirmam que quando os aspectos psicológicos não são considerados na situação de tratamento cirúrgico, poderá haver aumento da predisposição para complicações emocionais que prejudicam a convalescença, chegando a intensificar, em algumas situações, a morbidade no período pós-operatório. Para essas mesmas autoras, a cirurgia é uma experiência de muita ameaça na vida de qualquer pessoa, pois envolve uma carga emocional característica. A forma como cada um enfrenta esse tipo de intervenção poderá facilitar ou não a completa recuperação e readaptação à vida normal. Para Romano (1998), as principais fontes de ansiedade no período pré-operatório são: separação de casa, da família, de seu ambiente, de suas coisas; o medo com relação à vida em si e ser forçado a assumir o papel de doente e antecipar questões diretamente relacionadas com o físico, tais como o ato cirúrgico, a dor e a perda do controle sobre si mesmo. Sabemos que a clínica cirúrgica, é o setor do hospital onde o sofrimento e o desespero se faz presente o tempo todo, estes são sentidos pelo indivíduo, pela família e pelos profissionais que trabalham nesta unidade. (SALOMÉ; CAVALI; ESPÓSITO, 2009) Para que a atuação nesse setor seja eficaz é necessário que os profissionais que nele trabalham sejam qualificados para tal atividade, pois além do conhecimento é necessário agilidade, autocontrole, e acima de tudo humanização. (MENDES, 2005) Segundo Backes et al. (2006), a humanização do ambiente hospitalar e da assistência à saúde não se concretiza se estiver centrada unicamente em fatores motivacionais externos ou somente no usuário. O hospital humanizado é aquele que 21 contempla, em sua estrutura física, tecnológica, humana e administrativa, a valoração e o respeito à dignidade da pessoa humana, seja ela paciente, familiar ou o próprio profissional que nele trabalha, garantindo condições para um atendimento de qualidade. O paciente que é submetido à cirurgia, geralmente, teve sua vida desestruturada a partir da instalação abrupta de um processo mórbido, da vivência de acidente ou de uma descompensação em casos de doenças crônicas. (BACKES et al., 2006) O atendimento na clínica cirúrgica envolve a imprevisibilidade e provoca, no paciente, reações psicológicas bastante variadas, incluindo ansiedade, medo, ressentimentos, perda de autonomia e autodomínio, sensação de estranheza, alteração da auto-estima e da imagem corporal (COPPE & MIRANDA, 2002, citado por ROSSI et al., 2004) As pessoas que passam por situações de risco precisam acreditar em algo sobrenatural que as auxilie a conviver com as angústias. A fé, o acreditar, o confiar e a esperança dão suporte ao medo e à angústia, funcionando como mecanismos de defesa nos momentos de tensão e dor e remetendo a pessoa à necessidade de buscar apoio num ser superior. A espiritualidade, expressada principalmente pela oração e a crença em Deus, é considerada como um recurso para minimizar o próprio sofrimento psíquico, em situações de adversidades, doença grave e ameaça à vida. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008) O enfermeiro pode além de ajudar e confortar o paciente, ajudar também sua família, dando suporte e apoio, principalmente mantendo o paciente e os familiares presentes informados a respeito da situação, esclarecendo suas dúvidas, orientando-os e ouvindo-os, na medida do possível. (BACKES et al., 2006) Para que o enfermeiro possa ser efetivo em seu propósito de ajuda é fundamental que conheça a experiência vivida pelo paciente a partir da ótica de quem a vive. Esta perspectiva permite apreender os significados que o paciente atribui a sua experiência. Conhecendo como este percebe a doença e as situações que a envolvem, é possível ajudá-lo a conviver e a responder à experiência. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008) O estudo realizado por Perlini; Pilatto, 2008 demonstra a importância da comunicação e da interação dos profissionais com os pacientes uma vez que esta, quando efetiva, interfere positivamente na recuperação dos mesmos, seja reduzindo 22 a ansiedade, seja aumentando a colaboração e a aderência ao tratamento. Dentre os fatores que dificultam a interação no atendimento propriamente dito, destacamos a realização de um trabalho meticuloso que absorve a atenção dos profissionais e, de igual modo, a falta de trabalhadores, o que não permite desenvolver totalmente um cuidado capaz de contemplar todas as necessidades que cada situação exige. De acordo com este mesmo autor para os profissionais que atuam nestes serviços, situações que possam contribuir para uma comunicação inadequada e o lidar com a dor e o sofrimento constituem-se em fontes potenciais de sofrimento e desconforto no trabalho, enquanto que a possibilidade de ajudar os usuários, proporcionar alivio da dor e do sofrimento e a atuação nas situações em que conseguem salvar vidas constituem-se em fonte de prazer e gratificação. No momento de uma cirurgia, o cliente bem como sua família e comunidade tornam-se fragilizados com o fato, o paciente fica apreensivo, por isso a confiança e o interesse no caso devem ser transmitidos pelos profissionais na tentativa de acalmar o paciente e sua família, informando os procedimentos á serem realizados bem como a gravidade e o estado real em que o paciente encontra-se naquele momento. (ROSSI et al., 2004) Nos dizeres de Calil (2010) o cuidado focado em apenas órgãos, patologias, sinais e sintomas clínicos, a relação e interação entre os seres ficam prejudicadas. Considera-se que o cuidado deve ir além da visão biológica e biomédica, de modo a integrar as diversas unidades e multiplicidades dos seres. As ações do profissional de enfermagem precisam ser eficientes e eficazes, contudo, precisam valorizar também a subjetividade do ser humano em sua totalidade. O profissional de enfermagem deve demonstrar destreza, agilidade, habilidade, bem como, capacidade para estabelecer prioridades e intervir de forma consciente e segura no atendimento ao ser humano, sem esquecer que, mesmo na condição de paciente o cuidado é o elo de interação/integração/relação entre profissional e cliente. (BAGGIO et al., 2009) Ser enfermeiro significa ter, como foco profissional, o homem. Pode-se considerar que a maior gratificação no trabalho do profissional consiste, em preservar a vida. Para os que atuam em setores críticos, como é o caso do centro cirúrgico, essa concepção é bastante acentuada. (BAGGIO et al., 2009) 23 2.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-OPERATÓRIO Historicamente por longos períodos, a assistência de enfermagem foi realizada de forma empírica, intuitiva e limitada, exercendo um trabalho acrítico, fruto de uma formação, em que o modelo de assistência era centralizado na execução de tarefas e procedimentos rápidos e eficientes, comandado por rígida disciplina (GEOVANINI et al., 2005) Sendo baseada em receber e cumprir ordens médicas, administrar medicação e realizar a higiene dos pacientes, obrigando-o a se adequar ao cuidado previamente estabelecido. Na sua trajetória, sofreu diversas influências, que foram moldando seu perfil tendo absorvido de maneira mais marcante, aquelas advindas do paradigma religioso-militar, porém, com o passar do tempo e com a evolução científica e tecnológica, ocorreu à necessidade de melhoria na prestação desses cuidados de enfermagem (GEOVANINI et al., 2005) Para Brêtas e Gamba (2006), a expressão cuidado em enfermagem tem sido utilizada para denotar um serviço oferecido por enfermeiros para aqueles que apresentam necessidades relacionadas ao binômio saúde-doença. Nesse sentido, a distinção entre polaridades de compreensão sobre o cuidado de enfermagem, que se refere ao desempenho de procedimentos específicos por parte dos enfermeiros; e a expressão cuidar em enfermagem, que denota a totalidade de serviços prestados por meio das interações enfermeirocliente. (BRÊTAS, GAMBA; 2006) Nesse contexto, a enfermagem vem aprimorando seu conhecimento e propondo novas alternativas de assistência, desenvolvendo uma metodologia própria de trabalho, fundamentada em um método científico, isto é, fundamentada na sistematização da assistência de enfermagem (SAE). A SAE é um processo que tem como objetivos promover, manter e recuperar a saúde do cliente e de sua família, abrangendo três fases da experiência cirúrgica: o pré-operatório mediato e imediato, transoperatório e pós-operatório mediato e imediato (NETO et al., 2008). Ainda segundo NETO et al., (2008) a assistência baseada em conhecimento científico é essencial para garantir uma assistência de enfermagem de melhor qualidade, repercutindo, assim, na recuperação do cliente na prevenção de complicações, na redução de tempo de internação e de gastos hospitalares, bem como no reconhecimento do profissional enfermeiro. 24 Segundo Nettina (2003), a conduta formal do enfermeiro no pré-operatório é obter um histórico do paciente em uma avaliação inicial, onde será observado o estado físico e psicológico do paciente (calmo ou agitado; excesso de peso; incapacidade ou limitações), como também uso de medicamentos e alergias à medicamento, alimentos ou látex, condição do dente (se há dentadura, obturação, coroas), problemas de pressão arterial, doenças importantes, outras cirurgias, convulsões, cefaléias intensas, fumantes, problemas cardíacos ou respiratórios. Após obtenção do histórico, o enfermeiro deve iniciar a educação de saúde com instruções para o paciente quanto ao horário de chegada na unidade; da ingestão de alimentos ou líquidos pré-cirurgia (desde a meia-noite do dia anterior até a cirurgia), sobre o vestuário, jóias, higiene bucal, direito a acompanhante (nas 24h pós a cirurgia). Na chegada do paciente à unidade para internamento e/ou realização do ato cirúrgico, a equipe de enfermagem deve solicitar do paciente/cliente a assinatura do consentimento formal: documento padronizado e aprovado pelo departamento jurídico do hospital que tem como objetivo informar o paciente do procedimento cirúrgico e impetrar seu consentimento. A intenção deste documento garante ao paciente a compreensão da natureza do tratamento, incluindo potenciais complicações; proteger o paciente quanto aos procedimentos não-autorizados; garantir que o procedimento seja realizado na parte correta do corpo; proteger o cirurgião e o hospital contra ações legais de pacientes (NETTINA, 2003). É no momento da investigação que o paciente entra em contato com o enfermeiro, oportunizando momentos de interação e de relacionamento de ajuda que podem minimizar alguns sentimentos evidenciados em face da necessidade do procedimento cirúrgico e do desconhecimento do que está por vir. Assim, o paciente estará sendo esclarecido quanto ao problema físico que está enfrentando e amparado emocionalmente para reagir de forma adequada tanto no pré como no pós-operatório. Para o paciente e sua família, o procedimento anestésico cirúrgico é percebido como uma ameaça ou desafio. Por meio da visita o enfermeiro pode transmitir informações e tentar modificar essa visão, de forma que percebam a cirurgia como um enfrentamento necessário, e passem da situação de ameaçados para o de atores de ações que possibilitem a resolução das dificuldades (PENICHE; CHAVES, 2000). 25 A prática de enfermagem exige que os profissionais estejam mais preparados, não só em termos técnicos e teóricos, mas também humanísticos. De acordo com esse entendimento, a equipe de enfermagem, no exercício do cuidado, deve como objetivo principal, reconhecer e definir a assistência de enfermagem mais adequada ao paciente de unidade cirúrgica no período pré, trans e pós-operatório (CHISTÓFORO; ZAGONEL; CARVALHO, 2006). Para Nettina, (2003) os profissionais de enfermagem desempenham um papel importante na fase pré-operatória, sendo fundamental a educação pré-operatória no processo cirúrgico, oferecida através de diálogo, discussão, uso de auxílios audiovisuais e demonstrações, ajudando o paciente a compreender a experiência cirúrgica, para minimizar a ansiedade, além de transmitir confiança e segurança ao paciente e promover a recuperação plena a partir da cirurgia e anestesia, na busca do conhecer quais são as necessidades reais do paciente, para planejar como será a assistência de enfermagem prestada. A ansiedade e a depressão são consideradas os distúrbios psiquiátricos mais associados às doenças físicas. Sendo assim, os pacientes que se encontram no préoperatório, o mais indicado seria que eles não tivessem maiores preocupações do que aquelas originadas de sua própria doença. No entanto, fatores como a antecipação da dor, separação da família, perda da independência e medo de se tornar incapacitado, do procedimento cirúrgico e da morte são fatores que com freqüência desencadeiam sintomas de ansiedade nesse período, cerca de 11% a 80% em pacientes adultos (MARANETS apud Marcolino et al., 2007). Portanto a doença sempre se constitui em fonte de estresse, uma vez que essa experiência pode perturbar o paciente, por exemplo, em suas condições de saúde e sociais, pela necessidade de compreensão dos cuidados que lhe estão sendo prestados ou perda do emprego, promovendo ansiedade. Estes fatores se agravam se o paciente é provedor financeiro da instituição familiar. Assim, o enfermeiro necessita planejar a assistência, na tentativa de realizar ações que gerem sentimentos positivos e promovam formas educativas de amparo ao paciente (SILVA et al. apud JORGETTO; ARAUJO, 2003). O paciente que será submetido a uma cirurgia apresenta diversos temores que podem alterar seu equilíbrio. Sendo assim, o contato dos profissionais de saúde, dentre eles, o enfermeiro, possivelmente poderá ajudar este paciente no sentido de 26 fornecer-lhe informações e diminuir sua insegurança (SILVA et al. apud Jorgetto; Araujo, 2003). Smeltzer; Bare (2005) afirmam que o valor da orientação pré-operatória tem sido reconhecida há tempos. Cada cliente é orientado enquanto indivíduo, considerando suas ansiedades, necessidades e esperanças como únicas. A educação em saúde importante atividade do enfermeiro, direciona o paciente quanto às intervenções que serão realizadas no período pré-operatório, tornando-as relevantes para a assistência no pós-operatório. Deverão fundamentarse no conhecimento prévio do paciente, para que não provoque nesses sentimentos e sensações negativas que posteriormente comprometam seu restabelecimento no pós-operatório e contribuam para o aumento do seu período de internação e desgaste emocional para o paciente, acompanhante ou família. Dentre as medidas recomendadas para o período pré-operatório, destaca-se a comunicação/interação enfermeiro-cliente como instrumento amenizador de estressores. Desse modo, a prática de enfermagem exige profissionais mais preparados, em termos técnicos, teóricos e principalmente humanísticos. Ressalta-se que a humanização é fundamental na assistência de enfermagem, contribuindo para a recuperação do cliente, além de estreitar vínculos entre enfermeiro e cliente, priorizando o homem e não a sua doença. Enfatiza a grandeza do relacionamento com o paciente através da escuta, percepção, cuidado, comunicação, considerando assim, sentimentos mobilizados diante de situações estressantes como, medo, ansiedade, dúvida e alterações emocionais. Aborda ainda, a necessidade de conscientização em relação à valorização do cuidado e da relação enfermeiro-cliente, a fim de alcançar a humanização do cuidado. 27 3 REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO Nesta pesquisa foi utilizado para a análise dos dados o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) que está descrito em seguida, mas, antes discorreremos sobre a Teoria das Representações Sociais, visto que o DSC é um dos métodos de análise desta teoria. 3.1 AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS (RS) A sociedade (toda sociedade) é constituída por um plano simbólico que pode ser configurado como um sistema de crenças ou representações Sociais (RS) compartilhadas que permitem a comunicação ou troca de sentidos entre seus membros, conferindo-lhes coesão. (LEFEVRE; LEFEVRE, 2010). O autor acima citado afirma que as representações são por outro lado, influenciadas pelos atributos ou lugares de onde seus sujeitos portadores falam: nacionalidade, gênero, religião/crença, idade, condição social (lugar que ocupa na estrutura produtiva), nível de instrução, estrutura psíquica, traços de personalidade, profissão/ocupação, estrutura física (portados ou não de enfermidade), história de vida e assim sucessivamente. As RS são reelaborações, metabolizações de conhecimentos e informações geradas em certo número de espaços sociais onde, modernamente, tais conhecimentos são produzidos e/ou difundidos: meios de comunicação de massa, internet, escola/academia, centros culturais, museus, centros religiosos, locais de trabalho, núcleo familiar. (LEFEVRE; LEFEVRE, 2010) De acordo com Moscovici (2003) o objetivo da Teoria das Representações Sociais é explicar os fenômenos do homem a partir de uma perspectiva coletiva, sem perder de vista a individualidade. Este mesmo autor afirma que as Representações Sociais são um conjunto de conceitos, proposições e explicações originadas na vida cotidiana no desenrolar das comunicações interpessoais. Elas são equivalentes, em nossa sociedade, aos mitos e sistema de crenças das sociedades tradicionais, podendo também ser vista como a versão contemporânea do senso comum. As Representações Sociais devem ser vistas como uma maneira específica de compreender e comunicar aquilo que já sabemos. Elas ocupam uma posição, em 28 algum ponto, entre conceitos que têm como objetivo abstrair o sentido do mundo e introduzir nele ordem e percepções que reproduzam o mundo de forma significativa. (MOSCOVICI, 2003) Portanto, a Teoria das Representações Sociais, preconizada pelo psicólogo social europeu Moscovici, está principalmente relacionada com o estudo das simbologias sociais a nível tanto de macro como de micro análise, ou seja, o estudo das trocas simbólicas infinitamente desenvolvidas em nossos ambientes sociais; de nossas relações interpessoais, e de como isto influencia na construção do conhecimento compartilhado, da cultura. Conforme Andrade; Duarte; Mamede (2009), as representações sociais não pertencem a um único campo de conhecimento, possuí suas raízes na sociologia, atravessam a psicanálise de Freud e se desenvolvem na psicologia social de Moscovici, aprofundada por outros autores. A representação social seria uma forma de conhecer, cuja velocidade vertiginosa da informação obriga a um processamento constante do novo, que não abre espaço nem tempo para a cristalização de tradições, processamento que se esteia no olhar de quem vê. A representação social, portanto, não é uma cópia nem um reflexo, uma imagem fotográfica da realidade: é uma tradução, uma versão desta. (ARRUDA, 2002) Segundo Moscovici, (2003) ela está em transformação assim como o objeto que tenta elaborar. É dinâmica, móvel. Ao mesmo tempo, diante da enorme massa de traduções que executamos continuamente, constituímos uma sociedade de "sábios amadores", na qual o importante é falar do que todo o mundo fala, uma vez que a comunicação é berço e desaguadouro das representações. Isto indica que o sujeito do conhecimento é um sujeito ativo e criativo, e não uma tabula rasa que recebe passivamente o que o mundo lhe oferece, como se a divisória entre ele e a realidade fosse um corte bem traçado. 3.2 DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), que é uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos por meio de depoimentos e da fala direta. 29 Este método utiliza-se de questões abertas com a intenção de aprofundar as razões subjacentes a escolha por uma das alternativas de resposta. O que a difere de uma pesquisa social onde contém apenas questões fechadas que limitam muito a expressão do pensamento dos pesquisados, o que não é o objetivo do DSC. De acordo com Levéfre e Levéfre (2010) após fazer a pergunta aberta, juntase os discursos individuais gerados de modo que expressem o pensamento de uma coletividade sobre um dado tema . Conforme esse mesmo autor é um discurso-síntese, redigido na primeira pessoa do singular, compostos pela ECH (expressão chave) que tem a mesma IC (idéia central) ou AC (ancoragem). Por se tratar de questões abertas faz-se necessário a leitura das respostas e a identificação de palavra conceito ou expressão que saliente a essência do sentido da resposta, após isso temos o que se chama de categoria. A partir de então é possível enquadrar os vários discursos em uma das categorias podendo então ser distribuídas por classes. 3.2.1 Figuras metodológicas Para que o DSC seja confeccionado fazem-se necessárias algumas figuras metodológicas, que orientaram o trajeto deste método. São elas: ExpressõesChaves (ECH), Idéia Central (IC) e Ancoragem (AC). (LEFÉVRE; LEFÉVRE, 2010). As Expressões-Chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do discurso, que devem ser sublinhadas, iluminadas, coloridas pelo pesquisador, e que revelam a essência do depoimento. A ECH é uma espécie de prova discursivoempírica da verdade das idéias centrais e das ancoragens e vice-versa. As Idéias Centrais (IC) é um nome ou expressão lingüística que revela e descreve, de maneira simples, precisa e fidedigna, o sentido de cada discurso analisado e cada conjunto homogêneo de ECH, dando início ao DSC. A IC não é uma interpretação, mas sim uma descrição do sentido de depoimento ou de um conjunto de depoimentos. Podem ser resgatadas através de descrições diretas do sentido do depoimento, revelando o que foi dito através de descrições indiretas ou mediatas. A Ancoragem (AC) é a manifestação lingüística explícita de uma dada teoria, ideologia ou crença, em que o autor do discurso professa na qualidade de afirmação 30 genérica, esta sendo usada pelo enunciador para enquadrar uma situação específica. Deve ser uma afirmação redigida positivamente. Os valores estão embutidos na fala, na crença, trata-se do valor forte que esta no grupo, ou seja, traz a idéia básica que sustenta o discurso, devendo conter na fala tudo que a pessoa expressa e acredita. 3.2.2 Fases do DSC Lefévre e Lefévre (2010), explicam que o DSC é uma estratégia discursiva em que os passos estão descritos a seguir: 3.2.2.1 COLETA DE DADOS • Escolha do sujeito - Há três situações que se apresentam ao pesquisador: na primeira, o pesquisador pode compor pessoalmente a sua amostra, escolhendo todos ou quase todos os indivíduos a serem pesquisados. Na segunda, é uma escolha intencional dos sujeitos á serem pesquisados, e o pesquisador tem conhecimento aprofundado sobre os sujeitos. E a terceira é quando o pesquisador não conhece ou conhece superficialmente os sujeitos. • Elaboração do roteiro de perguntas - Neste antes de formular uma questão, deve–se definir os objetivos que se pretende atingir. • Preparo dos entrevistados - apresentação do entrevistador, informação do registro da entrevista ao entrevistado seguindo rigorosamente as perguntas do roteiro. • Preparo do ambiente para a entrevista - local ausente de ruídos, onde haja privacidade. • Preparo do equipamento – Verifica o funcionamento das canetas e providenciar um caderno com antecipação. • Clima da entrevista - deve transcorrer o mais informal possível, deixando o entrevistado a vontade e descontraído. 3.2.2.1 Tabulação de dados 31 Após a entrevista coletada, gravada ou transcrita, faz-se: • Análise das questões isoladamente, copiando integralmente cada resposta obtida. • Identificação e delimitação das expressões – chaves ou idéias centrais e também as idéias centrais da ancoragem. • Identificar idéias centrais e ancoragens separando–as. • Identificação e agrupamento das idéias centrais e ancoragens do mesmo sentido ou em sentido equivalente ou complementar. • Denominar cada um dos grupos por A, B, C... 3.2.2.2 Apresentação dos resultados Se houver mais de um DSC por questão, pode–se apresentar inicialmente um quadro – síntese com as principais idéias surgidas na análise das questões. As características pessoais não serão analisadas, fazendo parte do trabalho apenas para enriquecimento deste. 32 4 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA Esta parte do trabalho englobou os aspectos relacionados com o cenário do estudo, delineamento do estudo, os sujeitos da pesquisa, a natureza da amostra e amostragem, os procedimentos e instrumento para a coleta de dados, o pré-teste, as estratégias para análise de dados, assim como os aspectos éticos da pesquisa. 4.1 CENÁRIO DE ESTUDO O local escolhido para a realização da pesquisa foi a clínica cirúrgica do Hospital Escola (HE), localizado á Rua Miguel Viana, 420, bairro Morro Chic na cidade de Itajubá MG. A cidade de Itajubá está localizada no Sul de Minas Gerais. Possuí cerca de 86.036 habitantes. Destes 42.105 são do gênero masculino e 43.931 são do feminino. O município de Itajubá é centro de referência em assistência à saúde para dezesseis municípios da chamada microrregião do Alto Sapucaí. Conta com dois hospitais credenciados para o Sistema Único de Saúde - SUS, sendo eles a Santa Casa de Misericórdia de Itajubá e o Hospital Escola de Itajubá da Faculdade de Medicina de Itajubá, com níveis de atendimento de atenção primária até atenção terciária de alta complexidade. Itajubá, incrustada na Serra da Mantiqueira, é uma cidade do Sul de Minas Gerais que destaca-se por suas belas paisagens, rodeadas por montanhas, cachoeiras e ar puro. É referência nacional em Educação Superior. Destaca-se também por seu peso político inconteste - terra do Ex-Presidente da República Wenceslau Braz e do Ex-Vice-Presidente da República Aureliano Chaves. Com população de 2007-86.673 hab. 2009- 90.225 hab. 2010- 90.679 hab. (CENSO 2010). Vive um momento ímpar, pois um grande crescimento é esperado para a cidade com a ampliação da Helibras (única fabricante de helicópteros da América Latina), tornando-a o segundo polo aeronáutico do País e gerando mais de 3400 empregos diretos e indiretos. 33 Conta com várias universidades que enriquecem a cidade no quesito educação: a Universidade Federal de Itajubá, Faculdade de Medicina, o Centro Universitário de Itajubá -FEPI, a Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. Localizada às margens do rio Sapucaí, na Serra da Mantiqueira. Estrategicamente posicionada entre as duas mais importantes rodovias do país, a rodovia Fernão Dias (60 km) e via Dutra (65 km). Sua população aferida em 2010 é de 90.644 habitantes, ou seja, a 6ª maior cidade do sul de Minas. O município de Itajubá situa-se no sul de Minas Gerais. Faz divisa com os municípios de São José do Alegre, Maria da Fé, Wenceslau Braz, Piranguçu, Piranguinho e Delfim Moreira. Pertencente à bacia hidrográfica do rio Sapucaí, cuja nascente fica na cidade de Campos do Jordão. Com uma frota de mais de 30 mil veículos e uma média de 1 veículo para cada 3,1 habitantes, Itajubá sofre atualmente com excesso de veículos principalmente no horário de pico, quando algumas ruas e avenidas ficam com um trânsito muito carregado. A principal rodovia que corta o município é a BR-459 ligando Paraty a Poços de Caldas e é a principal ligação do município com a rodovia Presidente Dutra BR116, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e com a Rodovia Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte. Além desta rodovia, a MG-383 oferece acesso ao município de Piranguçu. Finalmente a rodovia MG-350 liga o município de Itajubá a Delfim Moreira e Bairro do Ataque (Barreira). O município, possui a parcela do IDH referente a educação com valor de 0,928, considerado muito alto. O de longevidade é 0,764 e o de renda, 0,752. A população aferida do município pelo Censo 2010 é de 90.644 habitantes, com uma densidade populacional de 402,9 habitantes/km². O índice de desenvolvimento humano do município está estimado em 0,815, sendo um dos mais altos em Minas Gerais. Possui uma população predominantemente urbana, com 92% dos habitantes vivendo em sua região urbana e apenas 8% habitando a zona rural. Seus índices de crescimento vegetativo são baixos, ficando em torno de 1,3% ao ano. Possui uma das menores taxas de analfabetismo em todo país, e é uma das cidades com maior número de pesquisadores pós-graduados por número de habitantes. Há uma grande população estudantil, principalmente em cursos de 34 graduação e pós graduação oferecidos pelas faculdades abrigadas na cidade. A cidade conta também com muitas escolas profissionalizantes tendo assim grande mão de obra especializada. O município de Itajubá é o um dos centros urbanos mais importantes da região, concentra e distribui bens e serviços para os municípios limítrofes. Dentre as instituições financeiras que se encontram no município se destacam: Banco do Brasil; Banco Itaú; Banco HSBC; Banco Mercantil do Brasil; Banco Santander; Bradesco; Caixa Econômica Federal; Real ABM AMRO Bank e Unibanco. O município possui um dos maiores distritos industriais da região sul de Minas Gerais, com indústrias de grande e médio porte, e muitas encontram-se em fase de expansão e formação de novos postos de trabalho, empregando hoje entre nove e dez mil pessoas. Dentre as principais indústrias do município podemos destacar: Alcoa EES do Brasil, indústria de Sistemas de distribuição elétrica; Areva, fabricante de transformadores, fabricante de ferramentas; Borrachas Itajubá, indústria de borrachas; Cabelauto do Brasil, fábrica de cabos elétricos; Compex, fabricante de produtos de informática; Datapool Eletrônica, indústria do setor de eletrônica e tecnologia; Endep do Brasil, fabricante de autopeças; FANIA, indústria de autopeças; Gima Máquinas, fabrica e Reforma Máquinas para fazer macarrão,Fabrica e Reforma Moldes para Massas Alimentícias, e peças para Industria alimentícias Helibras, única fabricante de helicópteros da América latina; SIEMENS Itajubá; Higident do Brasil, indútria de cosméticos; IMBEL, indústria estatal de armamento bélico; Intermec, fabricante de produtos de informática; Interway, fabricante de produtos de informática; Mahle, fabricante de autopeças; Mafita (atual FRIVASA), indústria frigorífica; Neurotec, indústria biomédica e tecnologia; Ômega, indústria de micromecânica; Plásticos Tubos, fabricante de tubos plásticos; Sisvôo, indústria de componentes eletrônicos; Stabilus, fabricante de autopeças; Teleflex do Brasil, fabrica de autopeças; Usimicrons, fábrica de ferramentas; Alpha Digi, Fabricante de equipamentos de segurança; Intermec, fabricante de produtos de automação; Interway, distribuidor de produtos de automação; Orteng Blt (transformadores); Stabilus (indústria de complementos automotivos), Usinagem Moabe (Usinagem industrial); JPV Industrializações (usinagem); Tecard(Administradora de cartão de credito); TCI Microestance (Desenvolvimento de Software, tecnologia); Microboard (Fabricante de Notebooks, Netbooks), Minas 35 Tubo, Master Sensores e Equipamentos Ltda (fabricação de peças para indústria automotiva e manutenção industrial), entre outras. O principal produto agrícola do município é a banana. Destacam-se também o cultivo do milho, a pecuária bovina e suína, e em menor escala a cafeicultura. O comércio varejista do município é bem diversificado contando, atualmente, com mais de 400 estabelecimentos comerciais registrados na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Itajubá. A Cidade conta com grandes redes de lojas como Casas Bahia, Lojas Cem, Casas Pernambucanas, Ponto frio, Magazine Luiza ,Lojas Colombo, Vera Cruz Florarte, Casa Joka, Lojas Edmil, Le Postiche, entre muitas outras. O comércio que vem crescendo na cidade, que ganhou também um shopping recentemente: o Vila Nova Shopping, e que ja está em fase de expansão. Itajubá conta com ótimas boates, barzinhos, chopperias, festas, shows, um shopping e muitos clubes para a diversão nos finais de semana. A cidade se destaca em várias modalidades esportivas. Com destaque merecido, o tênis de mesa é um dos principais esportes praticados na cidade. Fez e faz grandes campeões mineiros e nacionais. Também há grande destaque para Basquetebol masculino, o voleibol feminino, e o futsal masculino, que já conquistou, o cobiçado título da Taça EPTV de Futsal (Adulto) e é a atual campeã da Copa Alterosa e JIMI(1º e 2º fases),por mais de uma vez o título da Liga Sul Mineira de Futsal (Infantil e Juvenil)e também os Jogos da Juventude do Sudoeste de Minas e Jogos Infantis do Sudoeste de Minas (2 Vezes) a equipe ja contribuiu na formação de grandes cidadãos, mas também de um dos atletas da melhor equipe de futsal do país a Malwee de Jaraguá do Sulo Atleta Augusto César que disputa a Liga Nacional de Futsal. É o berço do Hexa-Campeão Brasileiro de Motocross Massoud Nassar Neto, que tem no currículo participações em corridas representando o Brasil na Europa e nos Estados Unidos. Possui três grandes clubes de esporte e lazer, a seguir: Clube Itajubense, Country Club e Clube Dezesseis de Julho, da fábrica de Armas IMBEL. Têm sede em Itajubá dois clubes de futebol relegados ao ostracismo: O Yuracan Futebol Clube e O Smart Club. Hoje, Itajubá se destaca também na atividade de escalada esportiva devido a qualidade e quantidade de rochas existentes na região. Muitos atletas locais estão se sobressaindo no cenário da escalada esportiva nacional devido ao incentivo de empresas especializadas no ramo. 36 A cidade possui uma forte vocação na àrea de educacional, contanto com excelentes escolas de primeiro e segundo graus, e instituições universitárias de fama nacional. Conta atualmente com dezessete escolas particulares, treze estaduais, 33 escolas municipais, entre ensino infantil e fundamental, e quatro de ensino técnico-profissionalizante. Está presente, também o CESEC (Centro de Estudos Supletivos de Educação Continuada "Padre Mário Penock").Também estão presentes escolas mantidas pelo SESI, SENAI, SENAC e Fundação Bradesco. Possui uma das menores taxas de analfabetismo em todo país, e devido ao grande número de pesquisadores pós-graduados, encontra-se entre os expoentes da pesquisa científica brasileira e mundial. Um exemplo disto é o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), cuja sede encontra-se em Itajubá. Itajubá é também reconhecida nacionalmente por ter um dos melhores sistemas de ensino universitário do país. Possui seis estabelecimentos de ensino superior: Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIt), Escola de Enfermagem Wenceslau Braz (EEWB), Centro Universitário de Itajubá (UNIVERSITAS), Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas (FACESM) e Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC), Faculdade Internacional de Curitiba FACINTER e Faculdade de Tecnologia Internacional FATEC. 4.2 DELINEAMENTO METODOLÓGICO DO ESTUDO A pesquisa foi de abordagem qualitativa, do tipo exploratória descritiva e transversal. Minayo (2003) refere que a pesquisa qualitativa trata de uma atividade da ciência, que visa a construção da realidade, mas que se preocupa com as ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o universo de crenças, valores, significados e outros construto profundos das relações que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Godoy (1995) cita algumas características principais de uma pesquisa qualitativa, como: o ambiente é uma fonte direta dos dados e o pesquisador como instrumento chave, possuí caráter descritivo, o processo é o foco principal de abordagem e não o resultado ou o produto, a análise dos dados foi realizada de forma intuitiva e indutivamente pelo pesquisador, não requereu o uso de técnicas e 37 métodos estatísticos, e, por fim, teve como preocupação maior a interpretação de fenômenos e a atribuição dos resultados. Segundo esse mesmo autor, a pesquisa qualitativa não enfoca a mensuração ou mensuração dos eventos estudados dos eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise dos dados, está ligado à obtenção de dados descritivos sobre pessoas, ambientes, e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação em estudo. De acordo com Minayo (2000), pode-se dizer que a abordagem qualitativa se refere a uma preocupação com a realidade que não pode ser quantificada, aprofundando-se nos significados das ações e relações humanas, processos e fenômenos. Um trabalho é de natureza exploratória quando envolver levantamento bibliográfico, ou entrevista com pessoas que tiveram (ou tem), experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão. Possui ainda a finalidade básica de desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias para a formulação de abordagens posteriores. Dessa forma, visa proporcionar um maior conhecimento para o pesquisador acerca do assunto, a fim de que esse possa formular problemas mais precisos ou criar hipóteses que possam ser pesquisadas por estudos posteriores. (GIL, 2006). O autor acima finaliza dizendo que este tipo de pesquisa visa proporcionar uma visão geral de um determinado fato, sendo do tipo aproximativo. A pesquisa transversal tem como foco principal examinar dados sobre uma determinada perspectiva de tempo. Assim são aqueles em que são coletados com um ou mais grupos de sujeitos em um momento particular de tempo. Já as pesquisas descritivas caracterizam-se pela descrição de determinada população ou fenômeno ou, então, estabelecimento de relações entre variáveis. Utiliza-se de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como questionário e a observação sistemática. Tendo como objetivo levantar opiniões, atitudes, e crenças de uma população. (GIL, 2002). 4.3 PARTICIPANTES DO ESTUDO, AMOSTRA E AMOSTRAGEM 38 Os participantes deste estudo foram os pacientes da unidade já citada anteriormente que estejam internados, e que estejam no pré-operatório imediato. Foram 20 sujeitos entrevistados na instituição participante do estudo. O tipo de amostragem utilizada para a realização do estudo foi intencional. De acordo com Lefévre e Lefévre (2010), o estudo intencional é aquele onde o pesquisador tem conhecimento aprofundado das características de todo ou de quase todo o universo a ser pesquisado, mas como se trata de um campo muito extenso, uma investigação qualitativa integral com todos os pacientes que aguardam por assistência seria muito trabalhosa, por isso procede-se uma escolha intencional dos elementos que participaram da pesquisa. Os critérios de inclusão foram: • Paciente com indicação cirúrgica que estejam internados na clínica cirúrgica na instituição envolvida na pesquisa; • Encontram-se no período pré-operatório imediato (24 horas que antecedem a cirurgia); • Sejam submetidos à anestesia raque ou geral; • Serem maior de 18 anos; • Serem do gênero masculino ou feminino; • Não estarem sobre efeito de medicação pré-anestésica; • Aceitarem participar da pesquisa; Nos critérios de inclusão no tocante aos itens: “Sejam submetidos à anestesia geral ou raqui”; os pacientes se encontram no momento de maior ansiedade tendo em vista desconhecer tal procedimento e ainda se levar por experiências de outrem; “Não estar sobre efeito de medicação anestésica”; visto que o paciente pode ter o seu nível de consciência alterado em decorrência do efeito das mesmas. Os critérios de exclusão foram aqueles que não contemplarem os critérios de inclusão. 4.4 COLETA DE DADOS 39 Nesta etapa iremos abordar o instrumento de coleta de dados e o procedimento da coleta de dados. 4.4.1 Instrumento de coleta de dados As estratégias escolhidas para a coleta de dados foram: 1- Caracterização dos participantes que serão entrevistados, conforme: tempo de internação na clínica cirúrgica, ocupação, estado civil, escolaridade, cirurgia proposta, diagnóstico, idade, gênero. (APÊNDICE A) 2- Roteiro de entrevista semi–estruturada, contendo uma pergunta norteadora: Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido? (APENDICE B) A coleta de dados foi realizada em horário adequado para os participantes a fim de não comprometer o atendimento na unidade escolhida para a pesquisa, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APENDICE C) e a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz (EEWB). Segundo Minayo (2000), a técnica de entrevista semi–estruturada obtém dados por meio da fala, revelando condições estruturais de sistemas de valores, normas e símbolos, e ao mesmo tempo transmite por porta–voz as representações sociais de grupos determinados, em condições históricas socioeconômicas e culturais específicas. 4.4.2 Procedimentos de coleta de dados A coleta de dados ocorreu após a aprovação do CEP da EEWB, a autorização para coleta de dados do Coordenador de Ensino do Hospital Escola de Itajubá (APENDICE D) e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (APENDICE C) pelos pacientes que aceitarem participar da pesquisa que será realizada pelas pesquisadoras responsáveis no Hospital Escola na cidade de Itajubá - MG. A coleta foi realizada em um local privativo e tranqüilo na unidade da instituição, participante da pesquisa. Antes de iniciar a entrevista os participantes serão informados sobre a pesquisa, seus objetivos, e principalmente anonimato. 40 Após as explicações e esclarecimentos o participante concorda em participar ou não e mediante sua decisão assina o Termo de Consentimento Livre Esclarecido dando assim início a pesquisa propriamente dita. A entrevista não foi agendada previamente com o entrevistado, portanto não houve escolha de um horário responder as perguntas, devendo estes estarem internados e no pré-operatório imediato, na clínica cirúrgica na unidade já citada. A coleta será feita de forma individual, garantindo a privacidade ao participante, redigidas por meio de um caderno e após a transcrição do conteúdo este será incinerado. 4.5 PRÉ–TESTE De acordo com GIL (2006), o pré–teste é realizado mediante a aplicação da entrevista em elementos que estejam respeitando os critérios de inclusão para o estudo. Ele define o pré–teste como uma prova preliminar, cuja função é evidenciar possíveis falhas na redação do questionário, tais como: complexidade das questões, imprecisão na redação, desnecessidade da questão, constrangimento ao informante, exaustão, entre outros fatores. Nesta pesquisa foi realizado o pré–teste, com dois pacientes que estiverem internados na clínica cirúrgica no pré-operatório imediato, que não fizeram parte da amostra, serviram somente para confirmar a compreensão dos participantes frente as questões. Isso ocorreu para fornecer uma base as autoras da pesquisa, sobre o tempo gasto para a aplicação do instrumento, analisar o nível de compreensão das perguntas, para que se necessário fossem feitas alterações e assim, assegurar precisão e validade. 4.6 ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS Os dados obtidos durante a pesquisa foram analisados e interpretados através da Teoria das Representações Sociais e como método o DSC descrito na etapa anterior. Com o objetivo de facilitar a construção do DSC cada depoimento é colocado, na íntegra, em um instrumento denominado de ‘Instrumento de Análise de 41 Discurso1’ (IAD–1) em que se expressam as expressões chaves (ECH) em uma coluna e em outra as idéias centrais (IC). (APENDICE G). Em seguida, faz-se o agrupamento das expressões-chave semelhantes, em uma coluna de outro instrumento ‘Instrumento de Análise de Discurso 2’ (IAD–2) e na outra coluna constrói-se o DSC propriamente dito. (APENDICE H). 4.7 ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA A coleta de dados ocorreu somente após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. Para comprovação da autorização e do consentimento das unidades envolvidas estas receberam a folha de rosto para pesquisa envolvendo os seres humanos (ANEXO A) juntamente com uma carta de solicitação para a coleta de dados (APENDICE D) que foi enviada a direção desta, para que fossem assinadas comprovando a liberação para que a coleta de dados seja realizada com os pacientes na clínica cirúrgica do HE. Os participantes tiveram autonomia para decidirem se queriam ou não participar da pesquisa, após o fornecimento das informações que foi dado pelas autoras. Foi apresentado o TCLE que foi lido, retirado quaisquer dúvidas e assinado, informando aos participantes que poderiam se retirar da pesquisa quando desejassem. Foram respeitados os valores morais, religiosos, culturais, sociais e éticos dos entrevistados. A imagem dos participantes, bem como as informações fornecidas por eles foram confidenciais, de forma a garantir a privacidade. A privacidade foi garantida através da utilização da letra P (paciente) seguida de números ordinais seqüenciais. Ex.: P1 (Paciente1), P2 (Paciente 2), P 3 (Paciente 3,...). O presente estudo obedeceu aos preceitos estabelecidos pela resolução n°. 196/96 de 16/10/1996 do Ministério da Saúde, que trata de pesquisa envolvendo seres humanos, onde foi respeitada a autonomia do participante, o princípio ético da justiça fundamentado na equidade, na confidencialidade e privacidade, na proteção da imagem, garantindo a não utilização das informações obtidas em prejuízo das pessoas ou comunidade. 42 Os benefícios resultantes da pesquisa, bem como em termos sociais foram assegurados aos sujeitos. A Folha de Rosto da CONEP para pesquisa envolvendo os seres humanos encontra-se devidamente preenchida no ANEXO A. 4.8 RESULTADOS DA PESQUISA Os resultados da pesquisa foram obtidos por meio de quadros, gráficos, e mediante o Discurso do sujeito Coletivo após o estabelecimento das idéias centrais que surgiram com as análises do DSC a partir das entrevistas. 43 5 RESULTADOS Todos os dados desta pesquisa foram obtidos a partir das transcrições das gravações com as entrevistas fornecidas pelos participantes e pelo preenchimento de um instrumento com as características pessoais com questões fechadas, como já foi citado anteriormente. A partir da análise das entrevistas surgiram os temas que deram origem as idéias centrais. Os participantes são caracterizados quanto a características pessoais, profissionais, escolaridade, o tempo de internação para submissão ao procedimento cirúrgico e cirurgias propostas, sendo assim para fornecer melhor visualização e entendimento dos dados obtidos foram utilizados gráficos com intuito de ilustrar esses dados. Em seguida, apresento o quadro com o tema estudado, separado pelas idéias centrais e organizado em ordem decrescente com relação a freqüência de aparição dessas idéias. Após o quadro, são apresentadas, separadamente, as diversas idéias centrais com os seus respectivos DSC. Finalmente, após a representação de cada DSC são realizados os respectivos comentários. 5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS ENTREVISTADOS CARACTERÍSTICAS PESSOAIS, PROFISSIONAIS, QUANTO ESCOLARIDADE AS E TEMPO DE INTERNAÇÃO PARA SUBMISSÃO AO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO E CIRÚRGIAS PROPOSTAS Nesta etapa estão descrita as características pessoais, profissionais, escolaridade e quanto tempo de internação para submissão ao procedimento cirúrgico e cirurgias propostas. 44 Gráfico 1 - Faixa etária dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) 35% 35% Idade 18-35 36-53 30% Idade 18-35 36-53 54-71 54-71 Fonte: Instrumento da pesquisa Gráfico 2 – Gênero dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) Fonte: Instrumento da pesquisa 45 Gráfico 3 – Estado cívil dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) Solteiro 45% Casado Viuvo 35% Divorciado 10% Solteiro Casado Viuvo 10% Divorciado Fonte: Instrumento da pesquisa Gráfico 4 – Escolaridade dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) 10% 15% Ensino Médio Completo 5% 15% Ensino Médio Incompleto Ensino Fundamental Completo Ensino Fundamental Incompleto Ensino Superior 20% Analfabeto 35% Fonte: Instrumento da pesquisa Gráfico 5 – Tempo de internação dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) 2 dias 30% 3 dias 4 dias 15% 10% 10% 2 dias 3 dias Fonte: Instrumento da pesquisa 5 dias 20% 15% 4 dias 5 dias 6 dias 6 dias 7 dias 7 dias 46 Gráfico 6 – Cirurgia proposta dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20) Cirurgia Ortopédica 75% Cirurgia Geral 25% Cirurgia Ortopédica Cirurgia Geral Fonte: Instrumento da pesquisa 5.2 TEMAS, IDÉIAS CENTRAIS E DSC Nessa etapa está apresentado o tema estudado, um quadro representativo da pergunta realizada. Incluído neste quadro as ideias centrais, seus respondentes e sua frequência. A seguir encontram-se, separadamente, as diversas ideias centrais com seus respectivos DSC, acrescidas das colocações de diversos autores, análise e apreciação das pesquisadoras. 5.2.1 Tema 01: Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato Pergunta 1: “Sabemos que o ato cirúrgico é de suma importância para solucionar ou melhorar as condições de saúde e proporcionar qualidade de vida, entretanto esse procedimento gera várias dúvidas, preocupações e sentimentos por ser algo desconhecido. Daqui a algumas horas o senhor (a) irá se submeter a esse ato, pensando nisso, diga para nós: qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido?”. O Quadro 1 refere-se ás idéias centrais que emergiram sobre a pergunta em questão, extraídas das respostas dos participantes do estudo, apartir do agrupamento efetuado das idéias centrais semelhantes em ordem de maior frequência. (APÊNCIDE E e F) 47 Quadro 1 – Idéias centrais referentes a primeira pergunta Nº IDÉIAS CENTRAIS FREQUÊNCIA DAS IDÉIAS CENTRAIS 1 Medo 12 2 Ansiedade 11 3 Preocupação 6 4 Impotência 4 5 Diversos sentimentos 4 6 Tristeza 3 Fonte: Instrumento da pesquisa 5.2.2 DSC referente às idéias centrais evidenciadas dos sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato. IDÉIA CENTRAL – MEDO DSC - Até nessa idade que eu to nunca precisei de ficar internado pra nada e agora to eu aqui, a gente sente alguma coisa, mais sempre tem um pouco de medo. Eu fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer direito, acho que é catarata, não sei o que vão fazer comigo lá, eu to com medo; medo, porque me pegou de surpresa, medo da pressão não melhorar sei lá o que vai acontecer. Tenho medo da anestesia, porque eu tenho um “probleminha” no coração, medo de não voltar, porque a gente não é mais criança. Medo também de voltar com alguma limitação, de ficar incapaz. tenho medo, medo de não andar mais, de amputar a perna. To com medo na hora de ir porque não sei se vai dar certo tenho medo, medo de não andar mais. Ah, eu penso que não quero morrer. Tenho medo das coisas que podem acontecer, ter que colocar parafusos na perna, to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá; gente gritando (acho que é de dor, sei lá) nossa, da uma coisa dentro do peito, um aperto. Durante o pré-operatório mediato e principalmente imediato, o paciente experiência uma ambigüidade de sentimentos, pois esse momento desperta uma infinidade de sentimentos, verbalizados ou não. Apesar de os pacientes afirmarem que concordavam com a cirurgia, apresentavam expressões de desânimo, dor, angústia, medo, tristeza e choro, permanecendo cabisbaixos. Os gestos comunicavam, a todo momento, a dificuldade em viver na iminência de uma cirurgia (BOEMER, CHINI; 2007). Em todo processo de coleta de dados, observamos que a realidade vivenciada no pré-operatório imediato vem ao encontro das autoras acima, visto que os pacientes mostram-se preparados e confiantes, grande parte do tempo, 48 escondendo muitas vezes a infinidade de sentimentos que passa pela cabeça deles enquanto aguardam a cirurgia. Estes vindo à tona no momento em que se aproxima o ato cirúrgico em si, demonstrando seus anseios em linguagem verbal e a maioria em linguagem não verbal. Muitos sentem medo por não saberem ou sabiam muito pouco sobre o procedimento cirúrgico (cirurgia proposta, anestesia, tempo aproximado estipulado para duração, dentre outras dúvidas), infelizmente faltam respostas e esclarecimentos, o que pode ser concretizado em nossa vivência. IDÉIA CENTRAL – ANSIEDADE DSC - Quando eu entrei pra internar eu tava muito nervosa, nunca internei antes e agora venho para fazer uma cirurgia, a gente fica ansiosa né. Minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna, estou ansiosa, senti uma taquicardia. Não conheço muito sobre a cirurgia. Medo eu não tenho, só ansiedade mesmo. To aqui desde terça e até agora nada, estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia. Quero que acabe logo, quando a gente passa por essas coisas a gente quer melhorar. Situação tensa, a gente não sabe o que faz, dá muito nervoso. O ser humano quando afetado por uma enfermidade se torna vulnerável, razão pela qual merece ser olhado com muito respeito, haja vista ser um doente e não uma máquina a ser reparada ou um objeto a ser reconstituído. Portanto, se faz necessário modificar a forma de tratamento que normalmente se dá ao doente, pois ele está circunstancialmente afetado pela doença, ameaçado, às vezes, de invalidez e morte. Isto faz surgir um sentimento de insegurança, solidão, medo e desamparo, levando-o a buscar na equipe de Saúde não apenas a sua cura, mas também segurança, afeto e solidariedade (NAKATA, SILVA; 2005). IDÉIA CENTRAL – PREOCUPAÇÃO DSC - Fiquei preocupado, porque eu nem sabia que ia fazer a cirurgia, ai assustei. Eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia. O que me preocupa é que eles (médicos) passam aqui e nem olham pra cara da gente; deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta que na hora que eu vê um deles passando eu vou chamar. Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das perna pra trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem vários dias, e até agora só fica adiando a cirúrgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que horas vai ser e não sabe de nada .Fico apreensivo, pois minha esposa, meus filhos, minha família toda esta preocupada, um acidente muda a vida da gente, pois é quando agente perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que agente vê o 49 valor da vida. A vivência da hospitalização pode ser agravada quando envolve a espera por uma intervenção cirúrgica, haja vista que, esta pode levar o cliente a uma série de conflitos internos, como o medo e a ansiedade, medo de invalidez ou até mesmo da morte, que são considerados riscos iminentes em uma cirurgia. (SANTOS, LUIS; 1999) Muitas vezes o período que antecede a internação é um período de pouca informação para o paciente. Devido à parte burocrática e demais passos que devem ser tomados, frente ao diagnóstico cirúrgico ele sabe pouco sobre sua situação e o que ocorrerá com ele. Para muitos, uma fonte de informação são os leigos, amigos, e familiares que vivenciaram situações semelhantes. No entanto, em algumas situações, estas informações são repassadas de maneira equivocada, o que, muitas vezes aumenta o medo dos pacientes frente ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido (CARVALHO, CHRISTÓFORO; 2009). IDÉIA CENTRAL – IMPOTÊNCIA DSC - Me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia, e nem sei direito como vai ser, ninguém me explicou muito bem. Não posso mexer na cama, tomar banho sozinho, a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir, é uma sensação muito ruim. Às vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a mesma coisa, já fiquei nessa uns 5 dias. Não dão a mínima atenção pra gente, a gente e uma pedra é a mesma coisa, dá uma raiva, nem parece que eu to em um hospital. A condição de enfermidade gera sentimentos como incapacidade, dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo. Os doentes encaram a hospitalização como fator de despersonalização por reconhecerem a dificuldade para manter sua identidade, intimidade e privacidade (PUPULIM, SAWADA; 2002). O enfermeiro “é o profissional da área de saúde que tem maior autorização social para tocar o corpo do outro” (MIRANDA, 1994); mas pouco tem discutido a questão da nudez, que é um fator a mais de estresse e sofrimento para o paciente, dificultando sua adaptação ao ambiente hospitalar (SILVEIRA, 1997). Para um indivíduo, mesmo doente, estar despido pode significar desconforto e embaraço. (PUPULIM, SAWADA; 2002). 50 IDÉIA CENTRAL – DIVERSOS SENTIMENTOS DSC - Me sinto desvalorizada, poderia ter mais informação. Se tivesse uma pessoa para conversar com a gente, que chegasse, sentasse, sabe retirasse as dúvidas, to com muita dor, já falei várias vezes pra moça me trazer algum remédio pra dor, e ela disse que eu já to tomando, mais a dor não melhora; não dão a mínima atenção pra gente. Eu já não tenho mais esperança de fazer a cirurgia não, eles estão me enrolando desde sexta passada. Ficar aqui é muito cansativo, é estressante. Ocasionalmente, o ser humano experimenta situações estressantes e a exposição a isso pode gerar dolorosas emoções como ansiedade e depressão. Existem diferentes tipos de reações das pessoas frente ao estresse. Há uma grande influência de fatores psicológicos no desencadeamento do estresse, atingindo até respostas fisiológicas. Assim, prever a ocorrência de um evento estressante, mesmo sem poder controlá-lo, geralmente reduz o estresse. Isso reforça a idéia de que o paciente é capaz de discernir e saber o que vai acontecer durante a cirurgia apresenta menor grau de déficit psicológico. (ATKINSON et al., 1995) IDÉIA CENTRAL – TRISTEZA DSC - É triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da saúde que á cada dia que passa ta pior. Quando soube que ia ter que fazer outra cirurgia para corrigir um negócio errado que eles fizeram, eu fiquei magoado. É muito triste ficar aqui sozinho. A pessoa que vivencia um desequilíbrio em seu estado de saúde vê-se constantemente em perigo de perder sua integridade tanto física como psíquica, ou seu lugar na família e na sociedade, em decorrência das alterações em suas funções orgânicas. A família, por sua vez, também sofre um processo de desajuste em sua forma de organização e em suas funções, pois passa a ter que adaptar a dinâmica familiar às necessidades e atividades relativas ao tratamento e apoio ao membro portador da deficiência. (CARREIRA; MARCON, 2003) 5.3 SÍNTESE DAS IDEIAS CENTRAIS DOS TEMAS EVIDENCIADOS NO TRABALHO Na síntese abordaremos os sentimentos evidenciados que emergiram no trabalho, mostrado em 1 figura que resume os achados. 51 Figura 1 - Sentimentos dos pacientes: idéias centrais e idéias que emergiram a partir das ideías centrais semelhantes Ansiedade Medo Tristeza Preocupação Impotência Diversos sentimentos Fonte: Das autoras 52 6 DISCUSSÃO A hospitalização é responsável pelo afastamento do paciente do seu cotidiano para um ambiente com rotinas e normas rígidas. Isso pode refletir de forma negativa, levando esta pessoa a experimentar sentimentos como o medo e a carência (TESCK, 1976). Por si só, essa pode ser uma experiência desagradável por envolver inúmeros aspectos negativos como o distanciamento do ambiente familiar, de pessoas significativas, além de, às vezes, significar um certo grau de dependência (ANTONIO, MUNARI, COSTA; 2002). Como podemos observar no DSC, relacionada à idéia central Impotência que teve frequência de 4 respondentes. “Nossa isso daqui é horrível... a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir. Fico apreensivo pois minha esposa, meus filhos, minha família toda esta preocupada...um acidente muda a vida da gente...dou graças a Deus por estar vivo, pois se não fosse por ele talvez eu nem estivesse aqui. Agora é rezar e ver se esse sentimento de perda, de vazio passa, pois é quando agente perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que agente vê o valor da vida.” Muitas vezes o ato cirúrgico é visto como a possibilidade do retorno a uma vida “normal”, quando então cessarão todos os desconfortos advindos da doença que vem incomodando. Segundo CÁMIO et al. (1995, p. 40): ”O ato cirúrgico consiste, para o paciente, um dos momentos mais críticos no processo terapêutico, tendo em vista o medo do desconhecido e da anestesia, a sua complexidade e o próprio risco inerente a qualquer procedimento desta natureza”. Durante a coleta de dados muitos dos sujeitos percebiam a entrevista como uma possibilidade de desabafo, chorando ou demonstrando sua indignação frente a abordagem de toda equipe de saúde, falta de informação, suspensão da cirurgia, distanciamento da família, visto que a faixa etária predominante neste estudo foi de igualdade 35 % entre 18 a 35 e 36 a 53 anos, o que não permite que no Sistema Único de Saúde (SUS), estes sejam acompanhados por um familiar, ressaltando que todos os sujeitos participantes estavam internados pelo SUS. Segue-se o DSC relacionado à idéia central Tristeza que teve frequência de 2 sujeitos. 53 “É muito triste ficar aqui sozinho. Não pode ficar ninguém com agente e ainda fica nessa enrolação. Ninguém sabe informar direito o que está acontecendo, enquanto isso eu fico aqui” Ao analisarmos os relatos identificamos de um modo geral, diversos sentimentos vivenciados durante o período pré-operatório imediato. Vieram à tona sentimentos que se relacionavam com a experiência vivenciada durante a suspensão da cirurgia. Relacionados a própria internação e diagnóstico da cirurgia proposta como a raiva, o medo, o conformismo e a impotência, foram ligados as emoções do sujeito frente a situação e também, ligados à instituição e atendimento que recebiam. Observa-se que são diversos os fatores geradores de sentimentos no período operatório estudado, estes se aflorão e intensificam-se de forma exacerbada. Relacionados ao próprio paciente, e ao seu próprio enfrentamento com relação a situação vivenciada. Dentre os sentimentos encontrados após a análise destaca-se a preocupação, A preocupação está relacionada ao quadro e a piora do mesmo, a situação da família, o sustento da casa e a dificuldade de remarcação da cirurgia, quando esta é suspensa ou adiada. Isso pode ser observado nos DSC que seguem abaixo relacionados às idéias centrais Diversos Sentimentos com frequência de 4 sujeitos e Preocupação de 6 respondentes. “Situação tensa, a gente não sabe o que faz; às vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a mesma coisa... já fiquei nessa uns 5 dias...” “Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das “perna” pra trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem vários dias... e até agora só fica adiando a cirurgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que horas vai ser e não sabe de nada .” A grande maioria dos pacientes atendidos no HE é de classe baixa dependendo do SUS para receberem o tratamento, muitos precisam trabalhar para sustentar suas famílias, além daqueles que vêm de outras cidades em busca de tratamento. Por estas e outras razões, estes pacientes ficam ansiosos para que o 54 tratamento chegue ao fim e o mais breve possível, para que possam retomar suas atividades. Embora reconheçamos o grande desafio que é a garantia da qualidade no serviço público, principalmente, em função do sucateamento do setor saúde, dificuldades financeiras, diminuto quadro de pessoal para dar conta de um contingente de trabalho, muitas vezes penoso e desumano para os profissionais. Consideramos que o quadro descrito pelos pacientes demonstra uma desarticulação entre os setores, fato esse que gera um desgaste para o indivíduo internado e para a própria instituição. Tal situação seria descartada, caso a organização e a comunicação entre os setores fosse mais eficiente. (ANTONIO, MUNARI, COSTA; 2002) Percebe-se ainda que o cancelamento implique em prejuízos tanto para os profissionais e instituição como para o próprio paciente e sua família. Para o paciente o cancelamento torna estes sentimentos acentuados, causando um desconforto maior e gerando mais angústia, esses sentimentos podem assumir maiores proporções, potencializando o aparecimento de sentimentos desagradáveis, causando maior tensão, bem como aumentando o nível de stress do paciente, desencadeando assim a elevação da glicose e da pressão arterial, podendo prolongar a suspensão do procedimento cirúrgico em função destas alterações orgânicas. O que pode ser confirmado e observado no DSC que se segue relacionado à IC Ansiedade que teve frequência de 11 sujeitos. “Estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia. Agora estou com medo da pressão não melhorar”. Para a instituição o prolongamento do período de internação gera implicações diretas no custo operacional e financeiro ao mesmo tempo em que reflete negativamente no atendimento da clientela (CAVALCANTE et al., 2000). Para a família as preocupações do paciente são reais e para ele a coisa mais importante é a resolução do seu problema e o retorno para a vida cotidiana e suas atividades. Em nosso estudo as cirurgias mais adiadas foram às ortopédicas. Outro fator evidenciado através dos dados foi o temor pelo desconhecido/medo, que foi citado em diferentes falas. Muitos sentiam medo de complicações. Conforme DSC das idéias centrais Ansiedade com frequência já 55 descrita e Medo com frequência de 12 respondentes, sendo esta a de maior frequência. “Tô ansiosa... minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna, né?! daí tenho medo...medo de não andar mais, eu to sentindo muito medo” “Eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia e to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá... gente gritando (acho que é de dor,sei lá)... nossa, da uma coisa dentro do peito, um aperto...” Houve durante as entrevistas diversas queixas em que não foi explicado ao paciente sobre a cirurgia e todos os procedimentos que a envolvem, sendo que alguns entrevistados não sabiam informar a cirurgia proposta frente ao diagnóstico médico. Segue os DSC da idéia central Impotência com frequência de 4 sujeitos. “Eu fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer direito, acho que é catarata. O “douto” falou que e pra eu ficar tranqüilo pra pressão não subir mais acho que ela já ta lá nas alturas, (risos) porque agente assusta, né, não sei o que vão fazer comigo lá dentro... só rezo pra que dê tudo certo.” “Me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia, e nem sei direito como vai ser” Estes relatos dos DSC já citados apontam uma falha de comunicação por parte de toda a equipe de saúde, nos possibilitando identificar no decorrer das entrevistas a deficiência da comunicação em diferentes etapas anteriores do tratamento, inclusive no pré-operatório mediato, que é o período propício para realização de exames de rotina e principalmente retirada de dúvidas para gerar conforto emocional para o próprio sujeito e seus familiares. Neste DSC segue-se a IC Diversos Sentimentos com frequência de 4 sujeitos. “Agora eu to ficando nervosa porque esta ficando cada vez mais próximo da cirurgia, to preocupada comigo porque eles (médicos) passam aqui e nem olham pra cara da gente [deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta que na hora que eu vê um deles passando eu vou chamar].” Em relação ao cancelamento de cirurgia BIANCHI, CASTELLANOS (1983, p.155) consideram que: 56 “A comunicação da suspensão da cirurgia é um assunto importante e merece maior atenção. O paciente é cuidado pela equipe de saúde, equipe esta que necessita de informações para prestar assistência contínua e individualizada, num trabalho em equipe sincrônico e para um objetivo comum – cuidar do paciente como ele merece”. Sendo assim esta afirmação citada acima vem ao encontro aos achados nesta pesquisa, o que comprova que o medo do desconhecido encontra-se entrelaçado a falta de informação ou ainda de informações completas em linguagem compreensível. Esses fatos somados podem gerar sentimentos de impotência e conformismo (ANTONIO, MUNARI, COSTA; 2002). Neste estudo também foi encontrado o sentimento de desvalorização e descaso somados aos citados acima. Em destaque os DSC conforme a IC Impotência. “Não dão a mínima atenção pra gente... a gente e uma pedra é a mesma coisa, da uma raiva, antes eu tivesse em casa, pelo menos alguém iria me dar atenção, agora aqui nem parece que eu to em um hospital.” “É triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da saúde que a cada dia que passa ta pior.” Podemos indicar finalmente nessa análise indo ao encontro dos autores ANTONIO, MUNARI, COSTA; (2002) que realizaram um estudo há dez anos e os achados refletem ainda hoje em nossa atualidade, cuidar destes aspectos não é tarefa exclusiva da enfermagem. Parte dos problemas identificados poderia ser minimizado com a intervenção de um planejamento mais eficiente, uma vez que, tais aspectos repercutem de forma direta no “andamento” das cirurgias e da instituição, além de serem geradores de sentimentos desagradáveis para os pacientes, podendo ser evitados. 57 7 CONCLUSÕES Quanto às características pessoais, as médias encontradas na idade dos pacientes que se encontravam no pré-operatório imediato foram 35% dos participantes na faixa de 18 a 35 anos, 35% de 36 a 53 anos e 30% de 54 a 71 anos. Dos entrevistados 30% foram do gênero feminino e 70% do gênero masculino. No tocante estado civil 45% dos participantes eram casados, 35% solteiros, 10 % viúvo, e 10% divorciado. Quanto ao grau de escolaridade dos entrevistados 35% possuem o ensino fundamental completo e 20% incompleto, 15 % possuem o ensino médio completo e 5 % incompleto, 15 % possuem nível superior e 10% analfabetos. O tempo de internação dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato teve grande variação. Dentre os pacientes que foram entrevistados, 30% estavam internados há 2 dias, 20% há 5 dias, 15% há 7 dias, 15% há 3 dias, 10% há 6 dias e 10% há 4 dias. Das cirurgias propostas aos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório imediato, 75 % foram ortopédicas e 25 % geral. Após análise dos resultados do presente estudo, as idéias centrais foram agrupadas conforme a questão referente ao tema. Desta forma concluiu-se que os sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato possibilitou o levantamento das seguintes idéias centrais, conforme a ordem de maior freqüência: “Medo; Ansiedade; Preocupação, Impotência; Diversos sentimentos; Tristeza. ” 58 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao realizarmos este estudo, trabalhamos apenas com uma faceta da questão do que tange aos sentimentos quando se trata de cirurgias. Trata-se de uma temática complexa, por envolver aspectos psíquicos, físicos, emocionais, familiares e inclusive institucionais. Isto envolve a enfermagem desde o cuidado, as intervenções, assistência ao paciente cirúrgico, e o planejamento institucional relacionado ao gerenciamento de enfermagem. A pesquisa nos permitiu identificar quais os sentimentos dos pacientes em préoperatório imediato. Aqueles relacionados ao próprio cliente, que são mais freqüentes, e tão importantes, que na maioria das vezes acabam passsando despercebido e sendo causa de alterações orgânicas significativas, inclusive causas de adiamento cirúrgico. São compreendidos como sentimentos previsíveis a pessoas nessa situação, porém que poderiam ser prevenidos, o que nos aponta um importante aspecto a ser considerado pelas instituições e pela equipe de saúde no seu planejamento. Sentimentos de apreensão, de tensão emocional e de preocupação são comumente experimentados por pessoas que vivenciam situações que se constituam em uma ameaça, como é o caso do atendimento no âmbito hospitalar, principalmente na clínica cirúrgica. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008) Todavia, situações de tensão e ansiedade são respostas do organismo quando o indivíduo enfrenta coisas boas ou ruins. Evidentemente que coisas ruins são as que mais afetam o ser humano, e este procura reagir por meio de seus recursos internos para enfrentar a realidade e adquirir o máximo de equilíbrio possível para sentir-se seguro e transmitir segurança aos demais familiares. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008) Os estudos feitos para a realização deste estudo vêm ao encontro com os resultados obtidos. Permitindo-nos compreender que os momentos que antecedem a cirurgia são vivenciados pelo paciente de uma forma dramática e assustadora, sobretudo muito subjetiva, lembrando-nos que para a melhoria do atendimento hospitalar, nem sempre serão necessários gastos dispendiosos como a melhor infra -estrutura e tecnologia. Muitas vezes o que mais desequilibra os pacientes é a falta de informação ou atenção por parte da equipe de saúde. Basta que a equipe 59 proporcione o mínimo de atenção necessária a cada paciente durante o atendimento. O medo do desconhecido é a principal causa da insegurança e da ansiedade do paciente pré-cirúrgico. Ele teme a morte, a anestesia, o procedimento em si, a recuperação. Para tentar obter controle sobre a ansiedade e o medo, o paciente précirúrgico lança mão de algumas estratégias, como: depositar confiança na equipe de saúde; religiosidade - acreditar em Deus acima de qualquer coisa; a desqualificação dos sentimentos; controlar o pensamento; ter sempre a companhia de alguém conhecido (FIGHERA, VIERO; 2005). O resultado desta pesquisa também revelou que a maioria dos pacientes não receberam orientações adequadas e completas sobre suas cirurgias, praticamente desconheciam, como foi observado nos resultados desta pesquisa. Concordamos com o autor ao referir que necessitamos fazer uma reflexão crítica da trajetória percorrida pelos profissionais de Saúde, em particular o enfermeiro. Necessitamos visualizar novos horizontes e procurar humanizar mais a assistência aos nossos pacientes. Devemos valorizar os aspectos emocionais com relação ao medo, pois eles têm medo da dor, da anestesia, da incapacidade, têm medo de mostrar o medo e de mil e uma fantasias e, principalmente, o medo de morrer. É válido ressaltar que existem duas forças em oposição dentro da pessoa doente que impedem e dificultam o equilíbrio: a harmonia e o diálogo. Quando o indivíduo tem saúde, mesmo sujeito à pressões de toda a ordem, tem capacidade e força suficiente para superá-las, mas quando está doente, o corpo parece dominá-lo, a pessoa passa a ser um peso e obstáculos surgem impedindo-a de viver a vida e gozar da liberdade (NAKATA, SILVA; 2005). Sugerimos que outros estudos sejam realizados, haja visto que este estudo Abordou somente uma faceta de um tema que permite uma ampla abordagem em diversas outras temáticas já descritas do decorrer do trabalho. 60 REFERÊNCIAS ANDRADE, S.M.O. de; MAMEDE, M.V.; DUARTE, S.J.H. 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Daqui a algumas horas o senhor (a) irá se submeter a esse ato, pensando nisso, diga para nós: 1) Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 67 APENDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Nós, Ana Luisa de Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane Priscilla Goulart, Mariângela Gomes Paixão, Ivandira Anselmo Ribeiro Simões, alunas e professoras, respectivamente, da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz, da cidade de Itajubá-MG, estamos realizando uma pesquisa com o título: “SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o Discurso do Sujeito Coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica”. O objetivo da pesquisa é conhecer os sentimentos dos pacientes que enfrentam o pré–operatório imediato. Esta pesquisa será realizada na Clínica Cirúrgica, do Hospital Escola de Itajubá – MG. O tema escolhido é de grande importância social, pois o atendimento integral nessas situações de reflete no indivíduo, na família e na comunidade. É relevante aos profissionais de Enfermagem, pois proporciona aos mesmos, observar e opinar sobre as situações bem como sua importância para os clientes e influência destes profissionais durante a prestação dos cuidados. Por meio dessa pesquisa os profissionais de Enfermagem podem refletir sobre ética, valores, e respeito para assim podermos compreender a importância da humanização durante o atendimento ao cliente, observando a diferença entre o atendimento humanizado e o simples fazer rotineiro. Além de comprovar a segurança sentida pelos clientes durante a assistência quando os profissionais os ouvem, e dão a devida atenção a eles, nas situações de medo e perda da identidade. A relevância científica desta pesquisa baseia-se na importância de conhecer os sentimentos dos pacientes que estão internados em uma clínica cirúrgica no período pré-operatório imediato, fornecendo uma reflexão a cerca disso, visto que não há muitos estudos e reflexões neste aspecto onde o sentimento do cliente esta em questão. Também proporcionará bases para pesquisas e consultas nesse tema que é pouco estudado, cuja literatura é relativamente escassa sem muitas referências específicas relacionados exclusivamente a essa área, além de influenciar na vida acadêmica e profissional abrindo portas para novas pesquisas nesta área servindo de fonte de dados para novos estudos que podem surgir após a leitura deste. Sua participação nesta pesquisa é de livre e espontânea vontade, e a qualquer momento, se for de sua vontade poderá desistir e interrompê-la sem nenhum problema. 68 Gostaríamos de esclarecer que as informações obtidas serão confidenciais e não haverá identificação de seu nome. As informações serão redigidas por meio de um caderno e após a transcrição do conteúdo este será incinerado. As informações ficarão sobre nossa responsabilidade e trabalharemos reunindo os dados de todas as pessoas que participarão do estudo. Você aceita participar do estudo? Este Termo de Consentimento assinado é um documento que comprova sua autorização. Precisamos da sua assinatura para oficializar o seu consentimento. Agradecemos desde já por sua valiosa observação e nos colocamos a sua disposição para outros esclarecimentos necessários. Para eventuais necessidades, estaremos à disposição na Escola de Enfermagem Wenceslau Braz, localizada na Avenida Cesário Alvim, 566, Centro, na cidade de Itajubá-MG, telefone: (35) 3622-0930 ramal 323. Diante do que foi exposto acima, concordo em participar desta pesquisa e para comprovar minha participação, assino o presente documento. NOME: ___________________________________________________________________ ASSINATURA: ___________________________________________________________________ CIDADE: ___________________________________________________________________ DATA:______________________________________________________________ 69 APENDICE D - Solicitação para a coleta de dados Itajubá, 11 de Outubro de 2011. Exmo. Sr. Dr. Ângelo Flávio Adami Coordenador de Ensino do Hospital Escola Prezado Dr. Ângelo Nós Ana Luiza Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane Príscilla Goulart, acadêmicas do 6º período do curso de Graduação em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Wenceslau Braz (EEWB) por meio desta solicitamos autorização para realizar a coleta de dados para uma pesquisa de Conclusão de Curso na Clínica Cirúrgica do Hospital Escola. Os dados de identificação da pesquisa consistem nos seguintes: -Título: “SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o Discurso do Sujeito Coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica” -Tipo de pesquisa: Abordagem qualitativa e de caráter descritivo, tipo transversal. Orientadores: Mariângela Gomes Paixão e Ivandira Anselmo Ribeiro Simões (coorientadora). Objetivo: Os objetivos são de forma geral, conhecer os sentimentos dos pacientes no pré-operatório imediato na clínica cirúrgica do Hospital Escola. Sujeitos: Pessoas tanto do gênero masculino quanto do feminino e acima de 18 anos, paciente com indicação cirúrgica que estejam internados na clínica cirúrgica na instituição envolvida na pesquisa que se encontrem no período pré-operatório imediato (24 horas que antecedem a cirurgia); sejam submetidos à anestesia raque ou geral; apresentarem função cognitiva preservada; aceitarem participar da pesquisa; Tipo de coleta: Preenchimento de um instrumento através de entrevista semiestruturada e caracterização dos mesmos. Locais de estudo: Hospital Escola AISI Itajubá; O projeto de pesquisa será devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. 70 Sem outro particular, aproveitamos o ensejo para enviar nossos agradecimentos antecipados pela atenção que nos será dispensada. Atenciosamente, Ana Luiza Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane Príscilla Goulart. Para quaisquer dúvidas e esclarecimentos, a pesquisadora disponibiliza o telefone para contato EEWB: 3622-0930 ou Celular: 9817-2616 71 APÊNDICE E – Ideias centrais, sujeitos, freqüências de ideias centrais sobre o tema: sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato N° IDÉIAS CENTRAIS SUJEITOS FREQUÊNCIA DAS IDÉIAS CENTRAIS 1 Medo P2, P5, P12, P13, 10 P14, P15 P16 P17 P18 P19 2 Ansiedade P2, P11, P14, P15, 6 P18 P19 3 Preocupação P1, P4, P5, P9 5 P18 4 Nervosismo P1, P12, P15 P17 4 5 Raiva P1, P7 2 6 Susto P3, P4 2 7 Impotência P6, P8 2 8 Desvalorização P7, P10 2 9 Tristeza P15, P20 2 10 Tensão P1 1 11 Apreensão P6 1 12 Desesperança P12 1 13 Mágoa P14 1 14 Estresse P15 1 Total Fonte: Instrumento da pesquisa 40 72 APÊNDICE F – Agrupamento das idéias centrais semelhantes ou complementares IDÉIAS CENTRAIS IDÉIAS CENTRAIS ORIGINADAS PÓS AGRUPAMENTO Tristeza Mágoa Tristeza Tensão Ansiedade Ansiedade Nervosismo Apreensão Preocupaçãp Preocupação Susto Medo Medo Raiva Impotência Impotência Desesperança Estresse Desvalorização Diversos sentimentos 73 APENDICE G - Instrumento de análise de discurso 1 (IAD - 1) referente a questão norteadora QUESTÃO 1: Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido? SUJEITOS EXPRESSÕES – CHAVE (ECH) IDÉIA CENTRAL-IC Ai menina, agora eu to ficando nervosa porque esta ficando cada vez mais próximo da cirurgia, to preocupada comigo porque eles (médicos) passam aqui e nem olham pra cara da gente [deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta que na hora que eu vê um deles passando eu vou chamar]. É uma situação tensa, a gente não sabe o que faz; as vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a mesma coisa...já fiquei nessa uns 5 dias...mais agora chegou a minha vez...que Deus me abençõe e que dê tudo certo. 1º IC Nervosismo 2º IC Tensão 3º IC Preocupação 4º IC Raiva P1 P2 Tô ansiosa...sabe, minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna,né?!dai tenho medo...medo de não andar mais, porque eu já vi na televisão que quando dá alguma coisa errada na coluna a pessoa pode nem andar mais [silêncio] Mais assim, eu confio na doutora, ela é muito atenciosa, mais assim me explica as coisas mas a cirurgia na hora lá é Deus e ela. Já passei por uma cirurgia, essa vai ser a segunda, mais não adianta agente sente tudo de novo como se fosse a primeira, agora de sentir mesmo 1º IC Ansiedade 2º IC Medo 74 eu to sentindo muito medo. P3 P4 P5 É minha filha, até nessa idade que eu to nunca precisei de ficar internado pra nada e agora to eu aqui. O que eu sei é o que a moça falou pra mim, que eu vou lá pra cirurgia daqui a pouco, daí quando ela falou isso pra mim eu fiquei assustado, eu não sei o que que eu vou fazer direito, acho que é catarata. O “douto” falou que e pra eu ficar tranqüilo pra pressão não subir mais acho que ela já ta lá nas alturas, (risos) porque agente assusta, né, quando fala assim que é a nossa vez...não sei o que vão fazer comigo lá dentro...só rezo pra que dê tudo certo. Assim, sentimento é o que eu to sentindo agora, né?! Agora, agora eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia e to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá...gente gritando (acho que é de dor,sei lá)...nossa, da uma coisa dentro do peito,um aperto...sei lá, você entende,né...agente que não ta acostumado com hospital fica assim, assustado com tudo, com medo de tudo. (risos) Ah, eu to com medo...sei lá o que vai acontecer, comigo na verdade nem estou muito preocupado, queria ir embora , porque minha namorada morreu daí ta sendo o velório dela e eu queria ir (silencio e choro). Agora eu vou ter que ir 1º IC Susto 1º IC Preocupação 2º IC Susto 1º IC Medo 2º IC Preocupação 75 pra essa cirurgia com medo e preocupado em saber se vai dar tempo de eu ver ela, pelo menos pela ultima vez. Mais assim da cirurgia mesmo, é mais medo. P6 P7 P8 Nossa isso daqui é horrível...a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir. Fico apreensivo, pois minha esposa, meus filhos, minha família toda esta preocupada... um acidente muda a vida da gente...dou graças a Deus por estar vivo, pois se não fosse por ele talvez eu nem estivesse aqui. Agora é rezar e ver se esse sentimento de perda, de vazio passa, pois é quando agente perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que agente vê o valor da vida. Pra te falar bem a verdade, sentimento eu não sei te falar...to com muita dor...já falei várias vezes pra moça me trazer algum remédio pra dor, e ela disse que eu já to tomando, mais a dor não melhora...sei lá, as vezes acho que os funcionários aqui não dão a mínima atenção pra gente...a gente e uma pedra é a mesma coisa, da uma raiva, antes eu tivesse em casa, pelo menos alguém iria me dar atenção, agora aqui nem parece que eu to em um hospital. Ah me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia, e nem sei direito como vai ser, 1º IC Impotência 2º IC Apreensão 1º IC Raiva 2º IC Desvalorização 1º IC Impotência 76 ninguém me explicou muito bem. Não posso mexer na cama, tomar banho sozinho ... credo é uma sensação muito ruim. P9 P10 P11 P12 Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das perna pra trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem varios dias... e até agora só fica adiando a cirúrgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que horas vai ser e não sabe de nada . Me sinto desvalorizada, poderia ter mais informação ... a gente é tão leiga no assunto, se tivesse uma pessoa para converssar com a gente, que chegasse,sentasse, sabe ... retirasse as dúvidas . Estou ansioso... Não conheço muito sobre a cirurgia, mais um rapaz falou pra mim que é tranqüilo. Mais eu quero é fazer logo, tanto pra ir embora quanto pra ver no que vai dar. Medo eu não tenho, estou ansioso mesmo. Quero ver como é essa cirurgia. To aqui desde terça e até agora nada, uma hora agente tem que ir... Minha vez vai chegar, e espero que seja hoje. Eu quero sair daqui logo, eu já não tenho mais esperança de fazer a cirurgia não. Eles estão me enrolando desde sexta passada e até agora eu to aqui. Eles só ficam dando um remedinho pra dor e a cirurgia 1º IC Preocupação 1º IC Desvalorização 1° IC Ansiedade 1°- IC Desesperança 2°- IC Medo 3°- IC Nervosismo 77 que é bom nada. Tenho medo da anestesia, porque eu tenho um “probleminha” no coração e tenho medo de não voltar. Fico nervoso de ficar aqui, pois isso aqui é um caminho sem saída, se eu fico aqui eles não me atendem e se eu vou embora fico sem mexer o braço. P13 P14 P15 Ah, meu sentimento é medo de amputar a perna. Não tenho medo da anestesia; isso agora pra falar a verdade não importa. To com medo na hora de ir porque não sei se vai dar certo, mas tenho fé em Deus que vai dar certo sim. Ah, agente vai né, é que sempre agente sente alguma coisa... mais sempre tem um pouco de medo. O médico disse que fez uma coisa errada, então eu vou, né. Tem que arrumar, e quem vai fazer agora não tem culpa do outro ter feito errado, estou ansioso. Quero que acabe logo...quando agente passa por essas coisas agente quer melhorar. Quando eu soube que ia ter que fazer outra cirurgia para corrigir um negócio errado que eles fizeram eu fiquei magoado. Mas fazer o que, agora quero fazer essa logo pra ir embora. Não quero mais ficar aqui. A gente fica ansiosa, né. Tenho medo da anestesia, porque agente não é mais criança. Ontem quando eu entrei pra internar eu tava muito nervosa nunca internei antes e agora venho para fazer uma cirurgia. Eu tenho medo também de voltar com alguma 1°- IC Medo 1° –IC Medo 2°- IC Ansiedade 3°- IC Mágoa 1°- IC Ansiedade 2°- IC Medo 3°- IC Nervosismo 4° - IC Estresse 5°- IC Tristeza 78 limitação, de ficar incapaz. Penso em meus filhos, porque eu quero é ficar bem pra eles. Ficar aqui é muito cansativo, estressante. Essa demora me mata, eles falaram que eu ia operar ontem e nada. E mais, vou te dizer uma coisa, menina, é triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da saúde que a cada dia que passa ta pior. P16 P17 Ah, eu penso que não quero morrer... Tenho medo das coisas que podem acontecer, ter que colocar parafusos na perna, isso eu não quero. Minha pressão é alta, e quando eu fico nervoso ela sobe mais ainda, então, se eu ficar nervoso ela pode subir. Daqui a pouco eu vou começar a ficar nervoso, isso eu tenho certeza. Eu sei que eu não posso, queria muito ficar bom logo. To muito nervoso, to com medo de doer, já passei por tanta dor que não queria mais. Tenho medo de dar errado, de perder a perna. É ruim demais ficar aqui. Já quebrei outras coisas mas nunca precisei de cirurgia nenhuma. Quando coloca agente na maca, é horrível, a perna vai pra um lado e o corpo pro outro. Credo é muito ruim. Eu sei que vai ser ainda pior quando a maca vier pra me levar pra cirurgia. Ai o bixo pega, né, as pernas treme e o coração dispara. 1°- IC Medo 1°- IC Nervosismo 2°- IC Medo 79 P18 P19 P20 Sabe, fiquei preocupada, porque eu nem sabia que ia fazer a cirurgia, aí assustei. Disseram que ia ser anestesia geral, fiquei ansiosa, senti uma taquicardia, medo, porque me pegou de surpresa, fico pensando no que vai acontecer lá dentro, de alguma coisa não dar certo e eu não voltar da anestesia ou voltar com algum problema. Estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia. Agora estou com medo da pressão não melhorar ou ainda dar algum problema durante a cirurgia por causa disso. É muito triste ficar aqui sozinho. Não pode ficar ninguém com agente e ainda fica nessa enrolação. Ninguém sabe informar direito o que está acontecendo, enquanto isso eu fico aqui sem saber quando vai ser a cirurgia. 1°- IC Preocupação 2°- IC Ansiedade 3°- IC Medo 1°- IC Ansiedade 2°- IC Medo 1°- ICTristeza 80 APENDICE H - Instrumento de análise de discurso 2 (IAD - 2) referente a questão norteadora QUESTÃO 1: Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido? Nº IDÉIA CENTRAL 1 – NERVOSISMO P1 (...) Agora eu to ficando nervosa, porque esta ficando cada vez mais próximo da cirúrgia. (...) Fico nervoso de ficar aqui. P12 P15 P17 (...) Quando eu entrei pra internar eu tava muito nervosa, nunca internei antes e agora venho para fazer uma cirurgia. To muito nervoso. Nº IDÉIA CENTRAL 2 – TENSÃO P1 (...) situação tensa, a gente não sabe o que faz. Nº IDÉIA CENTRAL 3 – PREOCUPAÇÃO P1 (...) to preocupada comigo porque eles (médicos) passam aqui e nem olham pra cara da gente [deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta que na hora que eu vê um deles passando eu vou chamar. (...) eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia. (...) na verdade comigo nem estou muito preocupado, minha namorada morreu daí ta sendo o velório dela e eu queria ir (silencio e choro). Tô preocupado sem saber se vai dar tempo de eu ver ela, pelo menos pela ultima vez. Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das perna pra trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem varios dias... e até agora só fica adiando a cirúrgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que horas vai ser e não sabe de nada . (...) fiquei preocupada, porque eu nem sabia que ia fazer a cirurgia, aí assustei. P4 P5 P9 P18 Nº IDÉIA CENTRAL 4 – RAIVA P1 (...) as vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a 81 P7 Nº mesma coisa...já fiquei nessa uns 5 dias. (...) não dão a mínima atenção pra gente...a gente e uma pedra é a mesma coisa, da uma raiva, nem parece que eu to em um hospital. IDÉIA CENTRAL 5 – ANSIEDADE P2 Tô ansiosa, minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna. P11 P15 Estou ansioso... Não conheço muito sobre a cirurgia. Medo eu não tenho, estou ansioso mesmo. To aqui desde terça e até agora nada. (...) estou ansioso. Quero que acabe logo...quando agente passa por essas coisas agente quer melhorar. A gente fica ansiosa né. P18 (...) fiquei ansiosa, senti uma taquicardia. P19 Estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia. P14 Nº IDÉIA CENTRAL 6 – MEDO P2 (...) tenho medo...medo de não andar mais. P5 Eu to com medo...sei lá o que vai acontecer. P12 (...) Tenho medo da anestesia, porque eu tenho um “probleminha” no coração, medo de não voltar. (...) medo de amputar a perna. To com medo na hora de ir porque não sei se vai dar certo. (...) a gente sente alguma coisa... mais sempre tem um pouco de medo. P13 P14 P15 P18 (...) Tenho medo da anestesia, porque a gente não é mais criança. Medo também de voltar com alguma limitação, de ficar incapaz Ah, eu penso que não quero morrer... Tenho medo das coisas que podem acontecer, ter que colocar parafusos na perna. (...) to com medo de doer, já passei por tanta dor que não queria mais...medo de dar errado, de perder a perna. (...) medo, porque me pegou de surpresa. P19 (...) medo da pressão não melhorar. P16 P17 Nº IDÉIA CENTRAL 7 – SUSTO P3 (...) até nessa idade que eu to nunca precisei de ficar internado pra nada e agora to eu aqui. Eu fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer direito, acho que é catarata, não sei o que vão fazer comigo lá dentro. (...) to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá...gente gritando (acho que é de dor,sei lá)...nossa, da uma coisa dentro do P4 82 peito,um aperto. Nº IDÉIA CENTRAL 8 – IMPOTÊNCIA P6 (...) a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir. (...) me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia, e nem sei direito como vai ser, ninguém me explicou muito bem. Não posso mexer na cama, tomar banho sozinho, é uma sensação muito ruim. P8 Nº IDÉIA CENTRAL 9 – APREENSÃO P6 (...) Fico apreensivo, pois minha esposa, meus filhos, minha família toda esta preocupada... um acidente muda a vida da gente... pois é quando agente perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que agente vê o valor da vida. Nº IDÉIA CENTRAL 10 – DESVALORIZAÇÃO P7 (...) to com muita dor...já falei várias vezes pra moça me trazer algum remédio pra dor, e ela disse que eu já to tomando, mais a dor não melhora... não dão a mínima atenção pra gente. Me sinto desvalorizada, poderia ter mais informação. se tivesse uma pessoa para converssar com a gente, que chegasse,sentasse, sabe retirasse as dúvidas . P10 Nº IDÉIA CENTRAL 11 – DESESPERANÇA P12 (...) eu já não tenho mais esperança de fazer a cirurgia não. Eles estão me enrolando desde sexta passada. Nº IDÉIA CENTRAL 12 – MÁGOA P14 (...) Quando soube que ia ter que fazer outra cirurgia para corrigir um negócio errado que eles fizeram eu fiquei magoado. Nº IDÉIA CENTRAL 13 – ESTRESSE P15 (...) Ficar aqui é muito cansativo, estressante. 83 Nº IDÉIA CENTRAL 14 – TRISTEZA P15 (...) é triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da saúde que a cada dia que passa ta pior. (...) É muito triste ficar aqui sozinho. P20 84 ANEXO A – Parecer Consubstanciado N° 786/2011 85