ESCOLA DE ENFERMAGEM WENCESLAU BRAZ
ANA LUIZA SOUZA FIGUEIREDO
IORLANDA CRISTINA FERREIRA
TAYFANE PRISCILLA GOULART
SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o discurso
do sujeito coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica
ITAJUBÁ-MG
2012
ANA LUIZA SOUZA FIGUEIREDO
IORLANDA CRISTINA FERREIRA
TAYFANE PRISCILLA GOULART
SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o discurso
do sujeito coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica
Trabalho de Conclusão de Curso com
apoio do PROBIC/FAPEMIG, apresentado
à Escola de Enfermagem Wenceslau
Braz, como requisito parcial para a
obtenção do título de Enfermeira.
Orientadora: Profª. M.ª Mariângela Gomes
Paixão.
Coorientadora:
Profª.
M.ª
Ivandira
Anselmo Ribeiro Simões.
ITAJUBÁ-MG
2012
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
Bibliotecária Karina Morais Parreira CRB 6/2777
Escola de Enfermagem Wenceslau Braz – EEWB
F475s
Figueiredo, Ana Luiza de Souza.
Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato: o
discurso ... / Ana Luiza de Souza Figueiredo ; Iorlanda
Cristina Ferreira ; Tayfane Priscilla Goulart. – 2012.
85 f.
Orientadora: Profª. M.ª Mariângela Gomes da Paixão.
Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Enfermagem) com apoio do Programa de Bolsa de Iniciação
Científica – (PROBIC/FAPEMIG) Escola de Enfermagem
Wenceslau Braz - EEWB, Itajubá, 2012.
1. Pré-operatório imediato. 2. Representação social.
3. Paciente. I. Ferreira, Iorlanda Cristina. II. Goulart,
Tayfane Priscilla. III. Título.
NLM: WO 178
AGRADECIMENTOS
“Uma pesquisa de tamanha magnitude jamais poderia ter sido desenvolvida por uma
única pessoa. Gostaríamos de agradecer a Deus pelo dom da vida e a todos
aqueles que fizeram parte das nossas vidas durante a realização deste trabalho,
desafiando-nos a pensar em coisas novas, motivando-nos a contornar as
dificuldades e dando-nos apoio em nossos esforços. É com amor e gratidão que
reconhecemos as contribuições dessas pessoas preciosas, em especial nossos
pais, os participantes da pesquisa, nossa orientadora Mariangela Gomes Paixão e
coorientadora Ivandira Anselmo Ribeiro Simões, as quais não mediram esforços
para a realização deste grandioso trabalho”
“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”
William Shakespeare
RESUMO
Quando chega ao Hospital, e recebe a notícia da necessidade de internação e de
intervenção cirúrgica o paciente se vê imerso numa situação de desamparo e, de
certa forma, perde sua dignidade quando deixa sua posição de “sujeito” passando a
“objeto” de intervenção. O presente estudo de abordagem qualitativa, do tipo
exploratório, descritivo e transversal, teve como objetivo conhecer os sentimentos
dos pacientes vivenciados no pré-operatório imediato na Clínica Cirúrgica do
Hospital Escola da cidade de Itajubá - MG. A coleta de dados ocorreu após
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau
Braz, no período de janeiro a fevereiro de 2012, mediante um questionário referente
a caracterização dos participantes e um roteiro de entrevista semi-estruturada,
gravada, contendo uma pergunta inerente ao objetivo da pesquisa. A amostragem
foi do tipo intencional, sendo 20 participantes, da Instituição de saúde em destaque.
Os dados coletados, depois de transcritos, foram analisados e interpretados por
meio do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), à luz da Teoria das Representações
Sociais (TRS). Para os participantes os sentimentos vivenciados no pré-operatório
imediato são: “medo”, “ansiedade”, “preocupação”, “impotência”, “diversos
sentimentos”, “tristeza”. Concluiu-se que houve uma diversidade de sentimentos
entre os respondentes.
Palavras-chave: Pré-operatório imediato. Representação social. Paciente.
ABSTRACT
When it comes to the Hospital, and receives the news of the need for hospitalization
and surgical intervention the patient finds himself immersed in a situation of
helplessness and somehow loses his dignity when he leaves his position of "subject"
passing the "object" of intervention . This qualitative study, exploratory, descriptive
and cross, aimed to understand the feelings of the patients experienced immediate
preoperative Clinic Surgical Hospital School City Itajubá - MG. Data collection
occurred after approval of the Ethics Committee of the School of Nursing Wenceslau
Braz, from January to February 2012 through a questionnaire regarding the
characterization of the participants and a roadmap for semi-structured, recorded,
containing a question inherent in the research objective. Sampling was kind of
intentional, with 20 participants, Institution of Health highlighted. Data collected after
transcripts were analyzed and interpreted by the Collective Subject Discourse (CSD),
the Theory of Social Representations (TRS). For participants in the feelings
experienced immediate preoperative are "fear," "anxiety," "concern," "impotence",
"different feelings", "sadness". It was concluded that there was a diversity of feelings
among respondents.
Keywords: Pre-operatively. Social representation. Patient.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Faixa etária dos participantes do estudo que se encontravam no
pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20) ...........................................44
Gráfico 2 – Gênero dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20) ..................................................44
Gráfico 3 – Estado cívil dos participantes do estudo que se encontravam no
pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20) ...........................................45
Gráfico 4 – Escolaridade dos participantes do estudo que se encontravam no
pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20) ...........................................45
Gráfico 5 – Tempo de internação dos participantes do estudo que se
encontravam no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20)...............45
Gráfico 6 – Cirurgia proposta dos participantes do estudo que se encontravam
no pré-operatório imediato, Itajubá- MG, 2012.
(n=20)......................................46
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Idéias centrais referentes a primeira pergunta .................................47
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO .....................................................................................................12
1.1
INTERESSE PELO TEMA ...................................................................................12
1.2
JUSTIFICATIVA DO ESTUDO .............................................................................14
1.3
OBJETIVO DO ESTUDO......................................................................................18
2
MARCO CONCEITUAL........................................................................................19
2.1
O PACIENTE NA CLÍNICA CIRÚRGIA ................................................................19
2.2
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-OPERATÓRIO..............................23
3
REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO ....................................................27
3.1
AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS (RS)..............................................................27
3.2
DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO .................................................................28
3.2.1 Figuras metodológicas ......................................................................................29
3.2.2 Fases do DSC .....................................................................................................30
3.2.2.1Tabulação de dados .............................................................................................30
3.2.2.2Apresentação dos resultados ...............................................................................31
4
TRAJETÓRIA METODOLÓGICA ........................................................................32
4.1
CENÁRIO DE ESTUDO .......................................................................................32
4.2
DELINEAMENTO METODOLÓGICO DO ESTUDO.............................................36
4.3
PARTICIPANTES DO ESTUDO, AMOSTRA E AMOSTRAGEM .........................37
4.4
COLETA DE DADOS............................................................................................38
4.4.1 Instrumento de coleta de dados........................................................................39
4.4.2 Procedimentos de coleta de dados...................................................................39
4.5
PRÉ–TESTE.........................................................................................................40
4.6
ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS ........................................................40
4.7
ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA...................................................................41
4.8
RESULTADOS DA PESQUISA ............................................................................42
5
RESULTADOS .....................................................................................................43
5.1
CARACTERIZAÇÃO DOS ENTREVISTADOS QUANTO AS
CARACTERÍSTICAS PESSOAIS, PROFISSIONAIS, ESCOLARIDADE E
TEMPO DE INTERNAÇÃO PARA SUBMISSÃO AO PROCEDIMENTO
CIRÚRGICO E CIRÚRGIAS PROPOSTAS .........................................................43
5.2
TEMAS, IDÉIAS CENTRAIS E DSC.....................................................................46
5.2.1 Tema 01: Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato....................46
5.2.2 DSC referente às idéias centrais evidenciadas dos sentimentos
vivenciados no pré-operatório imediato. .........................................................47
5.3
SÍNTESE DAS IDEIAS CENTRAIS DOS TEMAS EVIDENCIADOS NO
TRABALHO ..........................................................................................................50
6
DISCUSSÃO ........................................................................................................52
7
CONCLUSÕES ....................................................................................................57
8
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................58
REFERÊNCIAS ...................................................................................................60
APENDICE A – Características pessoais sociais e ocupacionais .................65
APENDICE B - Roteiro de entrevista semi-estruturada ..................................66
APENDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .......................67
APENDICE D - Solicitação para a coleta de dados .........................................69
APÊNDICE E – Ideias centrais, sujeitos, freqüências de ideias centrais
sobre o tema: sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato ...........71
APÊNDICE F – Agrupamento das idéias centrais semelhantes ou
complementares ................................................................................................72
APENDICE G - Instrumento de análise de discurso 1 (IAD - 1) referente a
questão norteadora ...........................................................................................73
APENDICE H - Instrumento de análise de discurso 2 (IAD - 2) referente a
questão norteadora ...........................................................................................80
ANEXO A – Parecer Consubstanciado N° 786/2011........................................84
12
1
INTRODUÇÃO
Neste primeiro momento, iremos apresentar sobre o interesse pelo tema,
justificativa do estudo e objetivos a serem alcançados com a elaboração do trabalho.
1.1
INTERESSE PELO TEMA
A
condição
de
enfermidade
gera
sentimentos
como
incapacidade,
dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo.
(PUPULIM, SAWADA; 2002)
A atual assistência não está centrada no paciente como um todo, mais sim na
patologia e no simples fazer rotineiro do dia-dia. Não há interação entre
paciente/profissional e este não houve as queixas e dores do indivíduo. Está sempre
preocupado somente em um tecnicismo
esquecendo-se
da
humanização.
(PUPULIM; SAWADA, 2002)
O interesse pelo tema surgiu após a leitura de um artigo durante a busca de
dados, este chamou nossa atenção, pois destacava a importância da humanização,
através de uma visão holística do indivíduo exposto á esta unidade (UTI).
Esta pesquisa abordava de forma profunda e completa tudo o que pode
causar algum tipo de estresse nos pacientes, ela fala sobre morte de outros
pacientes, ruídos da unidade e dos aparelhos, o conviver com a morte de outros
pacientes, execução rápida dos procedimentos, e até da atuação dos profissionais
de saúde e cuidadores.
Percebe-se que as queixas psicológicas e espirituais dos pacientes não são
levadas em conta pela equipe de enfermagem durante o período de internação. Tal
fato nos impulsionou a pesquisar quais os sentimentos dos pacientes de um préoperatório imediato de uma clínica cirúrgica.
Esta inquietação aumentou em nosso ensino clínico na clínica cirúrgica do
Hospital Escola onde nos deparamos com pacientes no pré-operatório imediato, o
período que se refere às 24 horas que antecedem o procedimento cirúrgico, neste
momento o paciente encontra-se fragilizado, sensível o que gera diversos
sentimentos de medo, ansiedade, preocupações com emprego e com sua família,
além de dúvidas e angústias.
13
De acordo Guimarães (2002), cirurgia é a técnica de tratar lesões ou
enfermidades por processos operatórios, atualmente pode-se intervir cirurgicamente
em qualquer parte do organismo.
O fato de termos optado pelo pré-operatório imediato decorre da circunstância
na qual o paciente se encontra num estado de maior vulnerabilidade durante as
horas que antecedem o procedimento cirúrgico, pois quanto mais próximo a cirurgia
seus sentimentos se afloram por diversos fatores.
Nos dizeres de Calil (2010) o cuidado focado em apenas órgãos, patologias,
sinais e sintomas clínicos; faz com que a relação e interação entre os seres ficam
prejudicadas. Considera-se que o cuidado deve ir além da visão biológica e
biomédica, de modo a integrar as diversas unidades e multiplicidades dos seres. As
ações do profissional de enfermagem precisam ser eficientes e eficazes, contudo,
precisam valorizar também a subjetividade do ser humano em sua totalidade.
Muito se tem discutido sobre o perfil dos pacientes, e percebe-se que muitos
deles mantêm-se lúcidos e acordados neste processo de internação, sofrendo males
biológicos e também psicológicos/psicossociais.
De acordo com estes mesmos autores muitas destas vivências de stress,
sensação de morte, sentimentos de culpa, ansiedade e depressão, entre outras, não
são facilmente expressas e, conseqüentemente, não são detectadas nem pelos
familiares, tão pouco pela equipe, podendo o profissional de Enfermagem funcionar
como mediador neste processo de adoecimento, evitando-o e/ou minimizando-o.
Os doentes encaram a hospitalização como fator de despersonalização por
reconhecerem a dificuldade para manter sua identidade, intimidade e privacidade. O
ambiente hospitalar é estressante por diversos fatores, essencialmente ao doente,
por perder o controle sobre os que o afetam, e dos quais depende para a sua
sobrevivência. (PUPULIM, SAWADA; 2002)
Além disso, a internação é angustiante por evidenciar a fragilidade a que estão
sujeitos, devido à exposição emocional e física. A enfermagem não pode ignorar
que, ao cuidar do doente, toca-lhe o corpo e o expõe, muitas vezes sem pedir
autorização, adotando uma postura de “poder” sobre o corpo de outrem. (PUPULIM,
SAWADA; 2002).
O doente pouco questiona essa Invasão porque, na sua percepção, ela é
necessária para sua recuperação, porém demonstra constrangimento, vergonha e
14
embaraço, que dentre outros fatores podem ser estressantes durante o período de
internação. (MELO, SOUZA; 2008).
A escolha de um personagem considerado mais ou menos responsável pelo
stress vivido por parte de um paciente no ambiente hospitalar pode indicar maior ou
menor grau de autonomia individual, e ter conseqüências psicossociais sobre a
experiência do mesmo. (PUPULIM, SAWADA; 2002)
Existem as dimensões puramente físicas, mentais e comportamentais do
indivíduo, assim como outras fontes de stress que são pertinentes às relações
interindividuais e inter-grupais, as quais dizem respeito a vivências representadas
por pacientes, sendo afetadas pelo tipo de relação social, pelo ambiente hospitalar,
e equipe multiprofissional. (MELO, SOUZA; 2008).
1.2
JUSTIFICATIVA DO ESTUDO
Historicamente, houve uma grande mudança tanto da vida social quanto na
prevenção e tratamento das doenças, a partir de uma crescente tomada de
consciência do papel ativo dos indivíduos na manutenção de sua saúde. Mesmo
assim, ainda existem em muitos ambientes sociais, noções e práticas referentes à
saúde e à doença que supõem o paciente como alguém passivo, a ser cuidado por
profissionais, que têm nas mãos o seu destino e sorte. Portanto a situação de
atendimento hospitalar é fortemente marcada por normas específicas do ambiente
que incluem hierarquias de poder informativo e de ação. Assim, o modo de lidar com
a situação hospitalar adotado por pacientes é o misto de um repertório de
experiências
informativas
e
práticas
anteriores,
vivenciadas
atualmente.
(CARDOSO, GOMES, 2000)
No âmbito epidemiológico ocorre uma diminuição de doenças infecciosas e
contagiosas, por outro lado existe uma elevação nas doenças crônicas e
degenerativas, com ênfase para as cardiovasculares e neoplásicas, doenças essas
que requerem longo acompanhamento e retaguarda de atendimento ambulatorial
para que sejam efetuados os ajustes terapêuticos durante o tratamento. (WEHBE;
GALVÃO, 2001)
Paralelamente existe um aumento dos agravos de origem traumática
caracterizados pelos acidentes de trânsito e demais causas externas. Estes fatos
15
geram uma crescente demanda por serviços na área da saúde nos últimos anos e
um grande salto do número de internações.
Dentre os vários fatores precipitantes destacam-se o crescente número de
acidentes e a violência urbana, além da insuficiente estruturação da rede, que são
fatores determinantes da sobrecarga de serviços disponibilizados para o
atendimento da população. (WEHBE; GALVÃO, 2001)
Os problemas de doença e morte sempre afetaram a humanidade, gerando
comportamentos e pensamentos que fazem parte de tradições e costumes
socioculturais, alguns prevalecendo até hoje. (MOURA, 1996).
Alguns autores têm chamado a atenção para as percepções sociais da
experiência de saúde/doença. Trata-se de levar em conta os conteúdos mentais e
comportamentais construídos por indivíduos, internamente, e em práticas cotidianas
no ambiente hospitalar, para lidar com os processos de saúde e doença vividos.
(MOURA, 1996).
Moura (1996); Rossi et al. (2004), relatam que a doença ou acidente provoca
uma crise e faz com que o sujeito entre em contato com possíveis situações de
perda: perda de alguém querido (morte), perda do corpo saudável (doença) e da
condição de “inteiro” (fraturas, mutilações, procedimentos cirúrgicos). Nesse
momento, o paciente teme tudo aquilo que a dor possa representar inclusive a morte
e o sofrimento. Esse medo baseia-se em dados de realidade, tais como a sensação
de dor e de outros sintomas físicos, somados a dependência da equipe de saúde e o
sentimento de impotência. (COPPE; MIRANDA, 2002)
Quando chega ao Hospital, e recebe a notícia da necessidade de internação e
de intervenção cirúrgica o paciente se vê imerso numa situação de desamparo e, de
certa forma, perde sua dignidade quando deixa sua posição de sujeito passando a
objeto de intervenção. (MOURA, 1996).
É submetido a procedimentos médicos que, embora visem sua melhora,
podem adquirir um caráter ameaçador e invasivo. Assim, ele vive um momento de
perda de referencial, que é acompanhado por vivências de isolamento, abandono e
rompimento de laços afetivos, profissionais e sociais. (ROSSI et al. 2004)
Os autores referidos anteriormente afirmam que esses aspectos, muitas
vezes, são ignorados, pelos profissionais de saúde. Há uma preocupação muito
grande com a rotina e a humanização e visão holísticas são deixadas de lado
durante a assistência. O medo e insegurança sentidos pelo paciente estão
16
relacionados à natureza súbita ou inesperada dos eventos, à dor e ao ambiente do
hospital, que é desconhecido para eles. Estes apresentam sentimentos de
desamparo, humilhação, alteração da imagem corporal, regressão, negação, raiva,
ansiedade e depressão.
No entender de Girardon-Perlini e Pilatto (2008), sentimentos de tensão e
preocupação são experimentados quando o indivíduo se defronta com algo que
parece ser – ou de fato é - perigoso ou ameaçador. Esta percepção desencadeia
uma reação de ansiedade que se torna constante e se exacerba quando a ameaça
de perda é real. Contudo, essas reações são comuns e determinadas pelas
exigências psicológicas que o ser humano enfrenta diante de um ato cirúrgico.
Possari (2004) afirma que a cirurgia, seja ela eletiva ou de emergência, é um
evento estressante e complexo para o paciente. Os pacientes com problemas de
saúde, cujo tratamento envolve uma intervenção cirúrgica, geralmente se submetem
a uma cirurgia.
Tal procedimento envolve a administração de anestesia local, regional ou
geral, aumentando assim o grau de ansiedade do paciente, o que provoca
alterações emocionais decorrentes do anúncio do diagnóstico cirúrgico. Isso causa,
portanto situações desagradáveis no estado bio-psico-sócio-espiritual do paciente,
acarretando problemas graves, podendo chegar à suspensão da cirurgia ou até
mesmo óbito do paciente. (SATELE, 2009).
Os pacientes, geralmente, tentam não exteriorizar seus sentimentos diante da
família. Junto dela procuram manter o equilíbrio, a tranqüilidade e mostrarem-se
confiantes. Entretanto, esses sentimentos, muitas vezes, podem não ser reais. Na
verdade, sentem-se inseguros e assustados, mas buscam ter autocontrole,
reprimindo o que sentem em consideração ao familiar, no intuito de apoiar e
encorajar. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008).
De acordo com Carvalho e Bianchi (2007), ao iniciar a entrevista préoperatória com o paciente, o enfermeiro deve apresentar-se ao doente e propor seus
objetivos. A seguir deve verificar por meio de perguntas o grau de conhecimento do
paciente a respeito da cirurgia e anestesia as quais será submetido.
A coleta de informações a respeito de experiências ou conhecimentos
anteriores referentes a essas situações é importante para que possíveis
posicionamentos negativos sejam identificados. Com base nessas informações, o
17
enfermeiro adquire uma visão global das dúvidas, ansiedades, medo e expectativas
do paciente frente aos procedimentos. (SATELE, 2009).
O estudo realizado por Girardon-Perlini; Pilatto (2008) demonstra a
importância da comunicação e da interação dos profissionais com os pacientes no
pré-operatório, uma vez que esta, quando efetiva, interfere positivamente na
recuperação dos pacientes, seja reduzindo a ansiedade, seja aumentando a
colaboração e a aderência ao tratamento.
Podemos citar vários fatores que dificultam a relação entre paciente e
profissional,
dentre
estes
a
interação
no
atendimento
propriamente
dito.
Destacamos a realização de um trabalho meticuloso que absorve a atenção dos
profissionais e, de igual modo, a falta de trabalhadores, o que não permite
desenvolver totalmente um cuidado capaz de contemplar todas as necessidades que
cada situação exige. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008)
O presente tema é relevante profissionalmente, visto que o enfermeiro passa
a maior parte do tempo com o paciente e uma reflexão acerca dos sentimentos
deste no pré-operatório, fazendo com que o profissional reflita sobre sua atuação e
assistência, deixando o tecnicismo e o simples fazer de lado, visando assim um
atendimento holístico e humanizado.
A relevância científica desta pesquisa baseia-se na importância de conhecer
os sentimentos dos pacientes sobre a cirurgia no âmbito pré-cirúrgico, fornecendo
subsídios para discussões e como fonte de conhecimento, visto que não há muitos
estudos e reflexões neste aspecto onde os sentimentos do cliente estão em questão.
Proporcionar bases para pesquisas e consultas nesse tema que é pouco
estudado, cuja literatura é relativamente escassa sem muitas referências específicas
relacionados exclusivamente ao sentimento do paciente, além de influenciar na vida
acadêmica e profissional abrindo portas para novas pesquisas nesta área servindo
de fonte de dados para novos estudos que podem surgir após a leitura deste.
Serve também para fortalecer e melhorar a vida da pessoa, da família, da
comunidade e principalmente do cliente que se sentirá respeitado e confiante, com
um atendimento humanizado e holístico onde será visto como um todo e não
somente na sua patologia. Este estudo serviu de estímulo para a busca de
estratégias que possibilitem maior compreensão das dificuldades enfrentadas pelos
pacientes submetidos a um procedimento cirúrgico, bem como medidas que possam
18
contribuir para a redução dos agentes estressores favorecendo, portanto a
recuperação do paciente submetido a um procedimento cirúrgico.
Diante isso surgiu à necessidade de pesquisar os sentimentos dos pacientes
perante a cirurgia, buscando descobrir quais são seus sentimentos em relação à
realidade que vivenciam durante o período pré-operatório imediato. Assim, emerge a
questão de pesquisa: “Quais os sentimentos dos pacientes frente à situação de ser
submetido a um procedimento cirúrgico?”
1.3
OBJETIVO DO ESTUDO
O presente estudo teve como objetivo:
• Identificar os sentimentos dos pacientes no pré-operatório imediato da Clínica
Cirúrgica do Hospital Escola de Itajubá-MG.
19
2
MARCO CONCEITUAL
Nesta etapa do trabalho discorremos detalhadamente sobre o paciente na
clínica cirúrgica e sobre a assistência de enfermagem no período pré-operatório
imediato.
2.1
O PACIENTE NA CLÍNICA CIRÚRGIA
A intervenção cirúrgica representa uma ameaça na vida de qualquer pessoa,
pois envolve uma carga emocional específica e diferenciada. (FIGHERA, VIERO;
2005)
Do ponto de vista médico, o adoecimento é visto como alguma função do
organismo que não está desempenhando bem o seu papel. A visão que a medicina
tradicional possui do homem é de um corpo com uma expectativa previsível de
funcionamento. Já do ponto de vista psicológico, o adoecimento é visto como uma
situação inesperada para a qual não estamos preparados, pois ninguém escolhe
adoecer (ROTH, 2002).
Com relação ao procedimento cirúrgico também é isso que acontece. A
cirurgia é uma desconhecida na vida do indivíduo, e como tudo que é desconhecido
pode causar ansiedades e despertar fantasias.
De acordo com Mello Filho (1997), a ansiedade provocada pela possibilidade
de uma intervenção cirúrgica pode afetar o paciente e se este sentimento não for
expresso e conscientizado, visto que a cirurgia é um evento muitas vezes nãoesperado, pode interromper o ciclo normal de desenvolvimento e de vida do
indivíduo.
Para Silva, Garcia e Farias (1990), a hospitalização é um evento que envolve
uma grande capacidade de adaptação do indivíduo as várias mudanças que
ocorrem no cotidiano. As dificuldades de adaptação acontecem no momento em que
o paciente não é atendido adequadamente em suas necessidades básicas,
agravando com isso as sensações de isolamento e angústia pré-existentes.
Essas dificuldades são suficientes para produzirem uma crise acidental que
dependendo da intensidade, pode desorganizar temporariamente a personalidade
do paciente. Cosmo e Carvalho (2000) também comentam sobre esse assunto,
afirmando que o momento da internação é vivido de forma extremamente dramática,
20
não importando o tipo de cirurgia a qual o paciente será submetido, mas sim o modo
como o paciente vivencia esse momento. Para eles, o estado emocional no préoperatório atua diretamente sobre suas reações, tanto durante a cirurgia quanto no
pós-operatório.
A internação hospitalar pode contribuir para o sentimento de ruptura com a
vida diária e com a perda da autonomia do paciente. A hospitalização pode implicar
uma série de sentimentos de desconforto, inclusive propiciando o processo de
despersonalização, muito comum no ambiente hospitalar e em grandes períodos de
internação, pois o paciente passa a ser tratado em função do quadro de sintomas
que apresenta, e não mais pela sua singularidade enquanto indivíduo.
Com relação a isso, Ruschel, Daut e Santos (2000) afirmam que quando os
aspectos psicológicos não são considerados na situação de tratamento cirúrgico,
poderá haver aumento da predisposição para complicações emocionais que
prejudicam a convalescença, chegando a intensificar, em algumas situações, a
morbidade no período pós-operatório. Para essas mesmas autoras, a cirurgia é uma
experiência de muita ameaça na vida de qualquer pessoa, pois envolve uma carga
emocional característica.
A forma como cada um enfrenta esse tipo de intervenção poderá facilitar ou
não a completa recuperação e readaptação à vida normal. Para Romano (1998), as
principais fontes de ansiedade no período pré-operatório são: separação de casa, da
família, de seu ambiente, de suas coisas; o medo com relação à vida em si e ser
forçado a assumir o papel de doente e antecipar questões diretamente relacionadas
com o físico, tais como o ato cirúrgico, a dor e a perda do controle sobre si mesmo.
Sabemos que a clínica cirúrgica, é o setor do hospital onde o sofrimento e o
desespero se faz presente o tempo todo, estes são sentidos pelo indivíduo, pela
família e pelos profissionais que trabalham nesta unidade. (SALOMÉ; CAVALI;
ESPÓSITO, 2009)
Para que a atuação nesse setor seja eficaz é necessário que os profissionais
que nele trabalham sejam qualificados para tal atividade, pois além do conhecimento
é necessário agilidade, autocontrole, e acima de tudo humanização. (MENDES,
2005)
Segundo Backes et al. (2006), a humanização do ambiente hospitalar e da
assistência à saúde não se concretiza se estiver centrada unicamente em fatores
motivacionais externos ou somente no usuário. O hospital humanizado é aquele que
21
contempla, em sua estrutura física, tecnológica, humana e administrativa, a
valoração e o respeito à dignidade da pessoa humana, seja ela paciente, familiar ou
o próprio profissional que nele trabalha, garantindo condições para um atendimento
de qualidade.
O paciente que é submetido à cirurgia, geralmente, teve sua vida
desestruturada a partir da instalação abrupta de um processo mórbido, da vivência
de acidente ou de uma descompensação em casos de doenças crônicas. (BACKES
et al., 2006)
O atendimento na clínica cirúrgica envolve a imprevisibilidade e provoca, no
paciente, reações psicológicas bastante variadas, incluindo ansiedade, medo,
ressentimentos, perda de autonomia e autodomínio, sensação de estranheza,
alteração da auto-estima e da imagem corporal (COPPE & MIRANDA, 2002, citado
por ROSSI et al., 2004)
As pessoas que passam por situações de risco precisam acreditar em algo
sobrenatural que as auxilie a conviver com as angústias. A fé, o acreditar, o confiar e
a esperança dão suporte ao medo e à angústia, funcionando como mecanismos de
defesa nos momentos de tensão e dor e remetendo a pessoa à necessidade de
buscar apoio num ser superior. A espiritualidade, expressada principalmente pela
oração e a crença em Deus, é considerada como um recurso para minimizar o
próprio sofrimento psíquico, em situações de adversidades, doença grave e ameaça
à vida. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008)
O enfermeiro pode além de ajudar e confortar o paciente, ajudar também sua
família, dando suporte e apoio, principalmente mantendo o paciente e os familiares
presentes informados a respeito da situação, esclarecendo suas dúvidas,
orientando-os e ouvindo-os, na medida do possível. (BACKES et al., 2006)
Para que o enfermeiro possa ser efetivo em seu propósito de ajuda é
fundamental que conheça a experiência vivida pelo paciente a partir da ótica de
quem a vive. Esta perspectiva permite apreender os significados que o paciente
atribui a sua experiência. Conhecendo como este percebe a doença e as situações
que a envolvem, é possível ajudá-lo a conviver e a responder à experiência.
(GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008)
O estudo realizado por Perlini; Pilatto, 2008 demonstra a importância da
comunicação e da interação dos profissionais com os pacientes uma vez que esta,
quando efetiva, interfere positivamente na recuperação dos mesmos, seja reduzindo
22
a ansiedade, seja aumentando a colaboração e a aderência ao tratamento. Dentre
os fatores que dificultam a interação no atendimento propriamente dito, destacamos
a realização de um trabalho meticuloso que absorve a atenção dos profissionais e,
de igual modo, a falta de trabalhadores, o que não permite desenvolver totalmente
um cuidado capaz de contemplar todas as necessidades que cada situação exige.
De acordo com este mesmo autor para os profissionais que atuam nestes
serviços, situações que possam contribuir para uma comunicação inadequada e o
lidar com a dor e o sofrimento constituem-se em fontes potenciais de sofrimento e
desconforto no trabalho, enquanto que a possibilidade de ajudar os usuários,
proporcionar alivio da dor e do sofrimento e a atuação nas situações em que
conseguem salvar vidas constituem-se em fonte de prazer e gratificação.
No momento de uma cirurgia, o cliente bem como sua família e comunidade
tornam-se fragilizados com o fato, o paciente fica apreensivo, por isso a confiança e
o interesse no caso devem ser transmitidos pelos profissionais na tentativa de
acalmar o paciente e sua família, informando os procedimentos á serem realizados
bem como a gravidade e o estado real em que o paciente encontra-se naquele
momento. (ROSSI et al., 2004)
Nos dizeres de Calil (2010) o cuidado focado em apenas órgãos, patologias,
sinais e sintomas clínicos, a relação e interação entre os seres ficam prejudicadas.
Considera-se que o cuidado deve ir além da visão biológica e biomédica, de modo a
integrar as diversas unidades e multiplicidades dos seres. As ações do profissional
de enfermagem precisam ser eficientes e eficazes, contudo, precisam valorizar
também a subjetividade do ser humano em sua totalidade.
O profissional de enfermagem deve demonstrar destreza, agilidade,
habilidade, bem como, capacidade para estabelecer prioridades e intervir de forma
consciente e segura no atendimento ao ser humano, sem esquecer que, mesmo na
condição de paciente o cuidado é o elo de interação/integração/relação entre
profissional e cliente. (BAGGIO et al., 2009)
Ser enfermeiro significa ter, como foco profissional, o homem. Pode-se
considerar que a maior gratificação no trabalho do profissional consiste, em
preservar a vida. Para os que atuam em setores críticos, como é o caso do centro
cirúrgico, essa concepção é bastante acentuada. (BAGGIO et al., 2009)
23
2.2
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-OPERATÓRIO
Historicamente por longos períodos, a assistência de enfermagem foi
realizada de forma empírica, intuitiva e limitada, exercendo um trabalho acrítico, fruto
de uma formação, em que o modelo de assistência era centralizado na execução de
tarefas e procedimentos rápidos e eficientes, comandado por rígida disciplina
(GEOVANINI et al., 2005)
Sendo baseada em receber e cumprir ordens médicas, administrar medicação
e realizar a higiene dos pacientes, obrigando-o a se adequar ao cuidado
previamente estabelecido. Na sua trajetória, sofreu diversas influências, que foram
moldando seu perfil tendo absorvido de maneira mais marcante, aquelas advindas
do paradigma religioso-militar, porém, com o passar do tempo e com a evolução
científica e tecnológica, ocorreu à necessidade de melhoria na prestação desses
cuidados de enfermagem (GEOVANINI et al., 2005)
Para Brêtas e Gamba (2006), a expressão cuidado em enfermagem tem sido
utilizada para denotar um serviço oferecido por enfermeiros para aqueles que
apresentam necessidades relacionadas ao binômio saúde-doença.
Nesse sentido, a distinção entre polaridades de compreensão sobre o
cuidado de enfermagem, que se refere ao desempenho de procedimentos
específicos por parte dos enfermeiros; e a expressão cuidar em enfermagem, que
denota a totalidade de serviços prestados por meio das interações enfermeirocliente. (BRÊTAS, GAMBA; 2006)
Nesse contexto, a enfermagem vem aprimorando seu conhecimento e
propondo novas alternativas de assistência, desenvolvendo uma metodologia
própria de trabalho, fundamentada em um método científico, isto é, fundamentada
na sistematização da assistência de enfermagem (SAE). A SAE é um processo que
tem como objetivos promover, manter e recuperar a saúde do cliente e de sua
família, abrangendo três fases da experiência cirúrgica: o pré-operatório mediato e
imediato, transoperatório e pós-operatório mediato e imediato (NETO et al., 2008).
Ainda segundo NETO et al., (2008) a assistência baseada em conhecimento
científico é essencial para garantir uma assistência de enfermagem de melhor
qualidade, repercutindo, assim, na recuperação do cliente na prevenção de
complicações, na redução de tempo de internação e de gastos hospitalares, bem
como no reconhecimento do profissional enfermeiro.
24
Segundo Nettina (2003), a conduta formal do enfermeiro no pré-operatório é
obter um histórico do paciente em uma avaliação inicial, onde será observado o
estado físico e psicológico do paciente (calmo ou agitado; excesso de peso;
incapacidade ou limitações), como também uso de medicamentos e alergias à
medicamento, alimentos ou látex, condição do dente (se há dentadura, obturação,
coroas), problemas de pressão arterial, doenças importantes, outras cirurgias,
convulsões, cefaléias intensas, fumantes, problemas cardíacos ou respiratórios.
Após obtenção do histórico, o enfermeiro deve iniciar a educação de saúde com
instruções para o paciente quanto ao horário de chegada na unidade; da ingestão de
alimentos ou líquidos pré-cirurgia (desde a meia-noite do dia anterior até a cirurgia),
sobre o vestuário, jóias, higiene bucal, direito a acompanhante (nas 24h pós a
cirurgia).
Na chegada do paciente à unidade para internamento e/ou realização do ato
cirúrgico, a equipe de enfermagem deve solicitar do paciente/cliente a assinatura do
consentimento formal: documento padronizado e aprovado pelo departamento
jurídico do hospital que tem como objetivo informar o paciente do procedimento
cirúrgico e impetrar seu consentimento. A intenção deste documento garante ao
paciente a compreensão da natureza do tratamento, incluindo potenciais
complicações; proteger o paciente quanto aos procedimentos não-autorizados;
garantir que o procedimento seja realizado na parte correta do corpo; proteger o
cirurgião e o hospital contra ações legais de pacientes (NETTINA, 2003).
É no momento da investigação que o paciente entra em contato com o
enfermeiro, oportunizando momentos de interação e de relacionamento de ajuda
que podem minimizar alguns sentimentos evidenciados em face da necessidade do
procedimento cirúrgico e do desconhecimento do que está por vir. Assim, o paciente
estará sendo esclarecido quanto ao problema físico que está enfrentando e
amparado emocionalmente para reagir de forma adequada tanto no pré como no
pós-operatório. Para o paciente e sua família, o procedimento anestésico cirúrgico é
percebido como uma ameaça ou desafio. Por meio da visita o enfermeiro pode
transmitir informações e tentar modificar essa visão, de forma que percebam a
cirurgia como um enfrentamento necessário, e passem da situação de ameaçados
para o de atores de ações que possibilitem a resolução das dificuldades (PENICHE;
CHAVES, 2000).
25
A prática de enfermagem exige que os profissionais estejam mais preparados,
não só em termos técnicos e teóricos, mas também humanísticos. De acordo com
esse entendimento, a equipe de enfermagem, no exercício do cuidado, deve como
objetivo principal, reconhecer e definir a assistência de enfermagem mais adequada
ao paciente de unidade cirúrgica no período pré, trans e pós-operatório
(CHISTÓFORO; ZAGONEL; CARVALHO, 2006).
Para Nettina, (2003) os profissionais de enfermagem desempenham um papel
importante na fase pré-operatória, sendo fundamental a educação pré-operatória no
processo cirúrgico, oferecida através de diálogo, discussão, uso de auxílios
audiovisuais e demonstrações, ajudando o paciente a compreender a experiência
cirúrgica, para minimizar a ansiedade, além de transmitir confiança e segurança ao
paciente e promover a recuperação plena a partir da cirurgia e anestesia, na busca
do conhecer quais são as necessidades reais do paciente, para planejar como será
a assistência de enfermagem prestada.
A ansiedade e a depressão são consideradas os distúrbios psiquiátricos mais
associados às doenças físicas. Sendo assim, os pacientes que se encontram no préoperatório, o mais indicado seria que eles não tivessem maiores preocupações do
que aquelas originadas de sua própria doença. No entanto, fatores como a
antecipação da dor, separação da família, perda da independência e medo de se
tornar incapacitado, do procedimento cirúrgico e da morte são fatores que com
freqüência desencadeiam sintomas de ansiedade nesse período, cerca de 11% a
80% em pacientes adultos (MARANETS apud Marcolino et al., 2007).
Portanto a doença sempre se constitui em fonte de estresse, uma vez que
essa experiência pode perturbar o paciente, por exemplo, em suas condições de
saúde e sociais, pela necessidade de compreensão dos cuidados que lhe estão
sendo prestados ou perda do emprego, promovendo ansiedade. Estes fatores se
agravam se o paciente é provedor financeiro da instituição familiar. Assim, o
enfermeiro necessita planejar a assistência, na tentativa de realizar ações que
gerem sentimentos positivos e promovam formas educativas de amparo ao paciente
(SILVA et al. apud JORGETTO; ARAUJO, 2003).
O paciente que será submetido a uma cirurgia apresenta diversos temores
que podem alterar seu equilíbrio. Sendo assim, o contato dos profissionais de saúde,
dentre eles, o enfermeiro, possivelmente poderá ajudar este paciente no sentido de
26
fornecer-lhe informações e diminuir sua insegurança (SILVA et al. apud Jorgetto;
Araujo, 2003).
Smeltzer; Bare (2005) afirmam que o valor da orientação pré-operatória tem
sido reconhecida há tempos. Cada cliente é orientado enquanto indivíduo,
considerando suas ansiedades, necessidades e esperanças como únicas.
A educação em saúde importante atividade do enfermeiro, direciona o
paciente quanto às intervenções que serão realizadas no período pré-operatório,
tornando-as relevantes para a assistência no pós-operatório. Deverão fundamentarse no conhecimento prévio do paciente, para que não provoque nesses sentimentos
e sensações negativas que posteriormente comprometam seu restabelecimento no
pós-operatório e contribuam para o aumento do seu período de internação e
desgaste emocional para o paciente, acompanhante ou família.
Dentre as medidas recomendadas para o período pré-operatório, destaca-se
a comunicação/interação enfermeiro-cliente como instrumento amenizador de
estressores.
Desse modo, a prática de enfermagem exige profissionais mais preparados,
em termos técnicos, teóricos e principalmente humanísticos. Ressalta-se que a
humanização é fundamental na assistência de enfermagem, contribuindo para a
recuperação do cliente, além de estreitar vínculos entre enfermeiro e cliente,
priorizando o homem e não a sua doença. Enfatiza a grandeza do relacionamento
com o paciente através da escuta, percepção, cuidado, comunicação, considerando
assim, sentimentos mobilizados diante de situações estressantes como, medo,
ansiedade, dúvida e alterações emocionais.
Aborda ainda, a necessidade de conscientização em relação à valorização do
cuidado e da relação enfermeiro-cliente, a fim de alcançar a humanização do
cuidado.
27
3
REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO
Nesta pesquisa foi utilizado para a análise dos dados o Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC) que está descrito em seguida, mas, antes discorreremos sobre a
Teoria das Representações Sociais, visto que o DSC é um dos métodos de análise
desta teoria.
3.1
AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS (RS)
A sociedade (toda sociedade) é constituída por um plano simbólico que pode
ser configurado como um sistema de crenças ou representações Sociais (RS)
compartilhadas que permitem a comunicação ou troca de sentidos entre seus
membros, conferindo-lhes coesão. (LEFEVRE; LEFEVRE, 2010).
O autor acima citado afirma que as representações são por outro lado,
influenciadas pelos atributos ou lugares de onde seus sujeitos portadores falam:
nacionalidade, gênero, religião/crença, idade, condição social (lugar que ocupa na
estrutura produtiva), nível de instrução, estrutura psíquica, traços de personalidade,
profissão/ocupação, estrutura física (portados ou não de enfermidade), história de
vida e assim sucessivamente.
As RS são reelaborações, metabolizações de conhecimentos e informações
geradas em certo número de espaços sociais onde, modernamente, tais
conhecimentos são produzidos e/ou difundidos: meios de comunicação de massa,
internet, escola/academia, centros culturais, museus, centros religiosos, locais de
trabalho, núcleo familiar. (LEFEVRE; LEFEVRE, 2010)
De acordo com Moscovici (2003) o objetivo da Teoria das Representações
Sociais é explicar os fenômenos do homem a partir de uma perspectiva coletiva,
sem perder de vista a individualidade.
Este mesmo autor afirma que as Representações Sociais são um conjunto de
conceitos, proposições e explicações originadas na vida cotidiana no desenrolar das
comunicações interpessoais. Elas são equivalentes, em nossa sociedade, aos mitos
e sistema de crenças das sociedades tradicionais, podendo também ser vista como
a versão contemporânea do senso comum.
As Representações Sociais devem ser vistas como uma maneira específica
de compreender e comunicar aquilo que já sabemos. Elas ocupam uma posição, em
28
algum ponto, entre conceitos que têm como objetivo abstrair o sentido do mundo e
introduzir nele ordem e percepções que reproduzam o mundo de forma significativa.
(MOSCOVICI, 2003)
Portanto, a Teoria das Representações Sociais, preconizada pelo psicólogo
social europeu Moscovici, está principalmente relacionada com o estudo das
simbologias sociais a nível tanto de macro como de micro análise, ou seja, o estudo
das trocas simbólicas infinitamente desenvolvidas em nossos ambientes sociais; de
nossas relações interpessoais, e de como isto influencia na construção do
conhecimento compartilhado, da cultura.
Conforme Andrade; Duarte; Mamede (2009), as representações sociais não
pertencem a um único campo de conhecimento, possuí suas raízes na sociologia,
atravessam a psicanálise de Freud e se desenvolvem na psicologia social de
Moscovici, aprofundada por outros autores.
A representação social seria uma forma de conhecer, cuja velocidade
vertiginosa da informação obriga a um processamento constante do novo, que não
abre espaço nem tempo para a cristalização de tradições, processamento que se
esteia no olhar de quem vê. A representação social, portanto, não é uma cópia nem
um reflexo, uma imagem fotográfica da realidade: é uma tradução, uma versão
desta. (ARRUDA, 2002)
Segundo Moscovici, (2003) ela está em transformação assim como o objeto
que tenta elaborar. É dinâmica, móvel. Ao mesmo tempo, diante da enorme massa
de traduções que executamos continuamente, constituímos uma sociedade de
"sábios amadores", na qual o importante é falar do que todo o mundo fala, uma vez
que a comunicação é berço e desaguadouro das representações. Isto indica que o
sujeito do conhecimento é um sujeito ativo e criativo, e não uma tabula rasa que
recebe passivamente o que o mundo lhe oferece, como se a divisória entre ele e a
realidade fosse um corte bem traçado.
3.2
DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO
O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), que é uma proposta de organização e
tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos por meio de
depoimentos e da fala direta.
29
Este método utiliza-se de questões abertas com a intenção de aprofundar as
razões subjacentes a escolha por uma das alternativas de resposta. O que a difere
de uma pesquisa social onde contém apenas questões fechadas que limitam muito a
expressão do pensamento dos pesquisados, o que não é o objetivo do DSC.
De acordo com Levéfre e Levéfre (2010) após fazer a pergunta aberta, juntase os discursos individuais gerados de modo que expressem o pensamento de uma
coletividade sobre um dado tema .
Conforme esse mesmo autor é um discurso-síntese, redigido na primeira
pessoa do singular, compostos pela ECH (expressão chave) que tem a mesma IC
(idéia central) ou AC (ancoragem).
Por se tratar de questões abertas faz-se necessário a leitura das respostas e
a identificação de palavra conceito ou expressão que saliente a essência do sentido
da resposta, após isso temos o que se chama de categoria. A partir de então é
possível enquadrar os vários discursos em uma das categorias podendo então ser
distribuídas por classes.
3.2.1 Figuras metodológicas
Para que o DSC seja confeccionado fazem-se necessárias algumas figuras
metodológicas, que orientaram o trajeto deste método. São elas: ExpressõesChaves (ECH), Idéia Central (IC) e Ancoragem (AC). (LEFÉVRE; LEFÉVRE, 2010).
As Expressões-Chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do
discurso, que devem ser sublinhadas, iluminadas, coloridas pelo pesquisador, e que
revelam a essência do depoimento. A ECH é uma espécie de prova discursivoempírica da verdade das idéias centrais e das ancoragens e vice-versa.
As Idéias Centrais (IC) é um nome ou expressão lingüística que revela e
descreve, de maneira simples, precisa e fidedigna, o sentido de cada discurso
analisado e cada conjunto homogêneo de ECH, dando início ao DSC. A IC não é
uma interpretação, mas sim uma descrição do sentido de depoimento ou de um
conjunto de depoimentos. Podem ser resgatadas através de descrições diretas do
sentido do depoimento, revelando o que foi dito através de descrições indiretas ou
mediatas.
A Ancoragem (AC) é a manifestação lingüística explícita de uma dada teoria,
ideologia ou crença, em que o autor do discurso professa na qualidade de afirmação
30
genérica, esta sendo usada pelo enunciador para enquadrar uma situação
específica. Deve ser uma afirmação redigida positivamente. Os valores estão
embutidos na fala, na crença, trata-se do valor forte que esta no grupo, ou seja, traz
a idéia básica que sustenta o discurso, devendo conter na fala tudo que a pessoa
expressa e acredita.
3.2.2 Fases do DSC
Lefévre e Lefévre (2010), explicam que o DSC é uma estratégia discursiva em
que os passos estão descritos a seguir:
3.2.2.1
COLETA DE DADOS
• Escolha do sujeito - Há três situações que se apresentam ao pesquisador: na
primeira, o pesquisador pode compor pessoalmente a sua amostra,
escolhendo todos ou quase todos os indivíduos a serem pesquisados. Na
segunda, é uma escolha intencional dos sujeitos á serem pesquisados, e o
pesquisador tem conhecimento aprofundado sobre os sujeitos. E a terceira é
quando o pesquisador não conhece ou conhece superficialmente os sujeitos.
• Elaboração do roteiro de perguntas - Neste antes de formular uma questão,
deve–se definir os objetivos que se pretende atingir.
• Preparo dos entrevistados - apresentação do entrevistador, informação do
registro da entrevista ao entrevistado seguindo rigorosamente as perguntas
do roteiro.
• Preparo do ambiente para a entrevista - local ausente de ruídos, onde haja
privacidade.
• Preparo do equipamento – Verifica o funcionamento das canetas e
providenciar um caderno com antecipação.
• Clima da entrevista - deve transcorrer o mais informal possível, deixando o
entrevistado a vontade e descontraído.
3.2.2.1 Tabulação de dados
31
Após a entrevista coletada, gravada ou transcrita, faz-se:
• Análise das questões isoladamente, copiando integralmente cada resposta
obtida.
• Identificação e delimitação das expressões – chaves ou idéias centrais e
também as idéias centrais da ancoragem.
• Identificar idéias centrais e ancoragens separando–as.
• Identificação e agrupamento das idéias centrais e ancoragens do mesmo
sentido ou em sentido equivalente ou complementar.
• Denominar cada um dos grupos por A, B, C...
3.2.2.2 Apresentação dos resultados
Se houver mais de um DSC por questão, pode–se apresentar inicialmente um
quadro – síntese com as principais idéias surgidas na análise das questões.
As características pessoais não serão analisadas, fazendo parte do trabalho
apenas para enriquecimento deste.
32
4
TRAJETÓRIA METODOLÓGICA
Esta parte do trabalho englobou os aspectos relacionados com o cenário do
estudo, delineamento do estudo, os sujeitos da pesquisa, a natureza da amostra e
amostragem, os procedimentos e instrumento para a coleta de dados, o pré-teste, as
estratégias para análise de dados, assim como os aspectos éticos da pesquisa.
4.1
CENÁRIO DE ESTUDO
O local escolhido para a realização da pesquisa foi a clínica cirúrgica do
Hospital Escola (HE), localizado á Rua Miguel Viana, 420, bairro Morro Chic na
cidade de Itajubá MG.
A cidade de Itajubá está localizada no Sul de Minas Gerais. Possuí cerca de
86.036 habitantes. Destes 42.105 são do gênero masculino e 43.931 são do
feminino.
O município de Itajubá é centro de referência em assistência à saúde para
dezesseis municípios da chamada microrregião do Alto Sapucaí. Conta com dois
hospitais credenciados para o Sistema Único de Saúde - SUS, sendo eles a Santa
Casa de Misericórdia de Itajubá e o Hospital Escola de Itajubá da Faculdade de
Medicina de Itajubá, com níveis de atendimento de atenção primária até atenção
terciária de alta complexidade.
Itajubá, incrustada na Serra da Mantiqueira, é uma cidade do Sul de Minas
Gerais que destaca-se por suas belas paisagens, rodeadas por montanhas,
cachoeiras e ar puro. É referência nacional em Educação Superior. Destaca-se
também por seu peso político inconteste - terra do Ex-Presidente da República
Wenceslau Braz e do Ex-Vice-Presidente da República Aureliano Chaves. Com
população de 2007-86.673 hab. 2009- 90.225 hab. 2010- 90.679 hab. (CENSO
2010).
Vive um momento ímpar, pois um grande crescimento é esperado para a
cidade com a ampliação da Helibras (única fabricante de helicópteros da América
Latina), tornando-a o segundo polo aeronáutico do País e gerando mais de 3400
empregos diretos e indiretos.
33
Conta com várias universidades que enriquecem a cidade no quesito
educação: a Universidade Federal de Itajubá, Faculdade de Medicina, o Centro
Universitário de Itajubá -FEPI, a Escola de Enfermagem Wenceslau Braz.
Localizada às margens do rio Sapucaí, na Serra da Mantiqueira.
Estrategicamente posicionada entre as duas mais importantes rodovias do país, a
rodovia Fernão Dias (60 km) e via Dutra (65 km). Sua população aferida em 2010 é
de 90.644 habitantes, ou seja, a 6ª maior cidade do sul de Minas. O município de
Itajubá situa-se no sul de Minas Gerais. Faz divisa com os municípios de São José
do Alegre, Maria da Fé, Wenceslau Braz, Piranguçu, Piranguinho e Delfim Moreira.
Pertencente à bacia hidrográfica do rio Sapucaí, cuja nascente fica na cidade de
Campos do Jordão.
Com uma frota de mais de 30 mil veículos e uma média de 1 veículo para
cada 3,1 habitantes, Itajubá sofre atualmente com excesso de veículos
principalmente no horário de pico, quando algumas ruas e avenidas ficam com um
trânsito muito carregado.
A principal rodovia que corta o município é a BR-459 ligando Paraty a Poços
de Caldas e é a principal ligação do município com a rodovia Presidente Dutra BR116, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e com a Rodovia Fernão Dias (BR-381),
que liga São Paulo a Belo Horizonte.
Além desta rodovia, a MG-383 oferece acesso ao município de Piranguçu.
Finalmente a rodovia MG-350 liga o município de Itajubá a Delfim Moreira e Bairro
do Ataque (Barreira).
O município, possui a parcela do IDH referente a educação com valor de
0,928, considerado muito alto. O de longevidade é 0,764 e o de renda, 0,752.
A população aferida do município pelo Censo 2010 é de 90.644 habitantes,
com uma densidade populacional de 402,9 habitantes/km². O índice de
desenvolvimento humano do município está estimado em 0,815, sendo um dos mais
altos em Minas Gerais. Possui uma população predominantemente urbana, com
92% dos habitantes vivendo em sua região urbana e apenas 8% habitando a zona
rural. Seus índices de crescimento vegetativo são baixos, ficando em torno de 1,3%
ao ano.
Possui uma das menores taxas de analfabetismo em todo país, e é uma das
cidades com maior número de pesquisadores pós-graduados por número de
habitantes. Há uma grande população estudantil, principalmente em cursos de
34
graduação e pós graduação oferecidos pelas faculdades abrigadas na cidade. A
cidade conta também com muitas escolas profissionalizantes tendo assim grande
mão de obra especializada.
O município de Itajubá é o um dos centros urbanos mais importantes da
região, concentra e distribui bens e serviços para os municípios limítrofes. Dentre as
instituições financeiras que se encontram no município se destacam: Banco do
Brasil; Banco Itaú; Banco HSBC; Banco Mercantil do Brasil; Banco Santander;
Bradesco; Caixa Econômica Federal; Real ABM AMRO Bank e Unibanco.
O município possui um dos maiores distritos industriais da região sul de Minas
Gerais, com indústrias de grande e médio porte, e muitas encontram-se em fase de
expansão e formação de novos postos de trabalho, empregando hoje entre nove e
dez mil pessoas. Dentre as principais indústrias do município podemos destacar:
Alcoa EES do Brasil, indústria de Sistemas de distribuição elétrica; Areva, fabricante
de transformadores, fabricante de ferramentas; Borrachas Itajubá, indústria de
borrachas; Cabelauto do Brasil, fábrica de cabos elétricos; Compex, fabricante de
produtos de informática; Datapool Eletrônica, indústria do setor de eletrônica e
tecnologia; Endep do Brasil, fabricante de autopeças; FANIA, indústria de
autopeças;
Gima
Máquinas,
fabrica
e
Reforma
Máquinas
para
fazer
macarrão,Fabrica e Reforma Moldes para Massas Alimentícias, e peças para
Industria alimentícias Helibras, única fabricante de helicópteros da América latina;
SIEMENS Itajubá; Higident do Brasil, indútria de cosméticos; IMBEL, indústria estatal
de armamento bélico; Intermec, fabricante de produtos de informática; Interway,
fabricante de produtos de informática; Mahle, fabricante de autopeças; Mafita (atual
FRIVASA), indústria frigorífica; Neurotec, indústria biomédica e tecnologia; Ômega,
indústria de micromecânica; Plásticos Tubos, fabricante de tubos plásticos; Sisvôo,
indústria de componentes eletrônicos; Stabilus, fabricante de autopeças; Teleflex do
Brasil, fabrica de autopeças; Usimicrons, fábrica de ferramentas; Alpha Digi,
Fabricante de equipamentos de segurança; Intermec, fabricante de produtos de
automação;
Interway,
distribuidor
de
produtos
de
automação;
Orteng
Blt
(transformadores); Stabilus (indústria de complementos automotivos), Usinagem
Moabe
(Usinagem
industrial);
JPV
Industrializações
(usinagem);
Tecard(Administradora de cartão de credito); TCI Microestance (Desenvolvimento de
Software, tecnologia); Microboard (Fabricante de Notebooks, Netbooks), Minas
35
Tubo, Master Sensores e Equipamentos Ltda (fabricação de peças para indústria
automotiva e manutenção industrial), entre outras.
O principal produto agrícola do município é a banana. Destacam-se também o
cultivo do milho, a pecuária bovina e suína, e em menor escala a cafeicultura. O
comércio varejista do município é bem diversificado contando, atualmente, com mais
de 400 estabelecimentos comerciais registrados na Associação Comercial, Industrial
e Empresarial de Itajubá. A Cidade conta com grandes redes de lojas como Casas
Bahia, Lojas Cem, Casas Pernambucanas, Ponto frio, Magazine Luiza ,Lojas
Colombo, Vera Cruz Florarte, Casa Joka, Lojas Edmil, Le Postiche, entre muitas
outras. O comércio que vem crescendo na cidade, que ganhou também um
shopping recentemente: o Vila Nova Shopping, e que ja está em fase de expansão.
Itajubá conta com ótimas boates, barzinhos, chopperias, festas, shows, um
shopping e muitos clubes para a diversão nos finais de semana.
A cidade se destaca em várias modalidades esportivas. Com destaque merecido, o
tênis de mesa é um dos principais esportes praticados na cidade. Fez e faz grandes
campeões mineiros e nacionais. Também há grande destaque para Basquetebol
masculino, o voleibol feminino, e o futsal masculino, que já conquistou, o cobiçado
título da Taça EPTV de Futsal (Adulto) e é a atual campeã da Copa Alterosa e
JIMI(1º e 2º fases),por mais de uma vez o título da Liga Sul Mineira de Futsal
(Infantil e Juvenil)e também os Jogos da Juventude do Sudoeste de Minas e Jogos
Infantis do Sudoeste de Minas (2 Vezes) a equipe ja contribuiu na formação de
grandes cidadãos, mas também de um dos atletas da melhor equipe de futsal do
país a Malwee de Jaraguá do Sulo Atleta Augusto César que disputa a Liga Nacional
de Futsal. É o berço do Hexa-Campeão Brasileiro de Motocross Massoud Nassar
Neto, que tem no currículo participações em corridas representando o Brasil na
Europa e nos Estados Unidos.
Possui três grandes clubes de esporte e lazer, a seguir: Clube Itajubense,
Country Club e Clube Dezesseis de Julho, da fábrica de Armas IMBEL. Têm sede
em Itajubá dois clubes de futebol relegados ao ostracismo: O Yuracan Futebol Clube
e O Smart Club.
Hoje, Itajubá se destaca também na atividade de escalada esportiva devido a
qualidade e quantidade de rochas existentes na região. Muitos atletas locais estão
se sobressaindo no cenário da escalada esportiva nacional devido ao incentivo de
empresas especializadas no ramo.
36
A cidade possui uma forte vocação na àrea de educacional, contanto com
excelentes escolas de primeiro e segundo graus, e instituições universitárias de
fama nacional. Conta atualmente com dezessete escolas particulares, treze
estaduais, 33 escolas municipais, entre ensino infantil e fundamental, e quatro de
ensino técnico-profissionalizante. Está presente, também o CESEC (Centro de
Estudos Supletivos de Educação Continuada "Padre Mário Penock").Também estão
presentes escolas mantidas pelo SESI, SENAI, SENAC e Fundação Bradesco.
Possui uma das menores taxas de analfabetismo em todo país, e devido ao grande
número de pesquisadores pós-graduados, encontra-se entre os expoentes da
pesquisa científica brasileira e mundial. Um exemplo disto é o Laboratório Nacional
de Astrofísica (LNA), cuja sede encontra-se em Itajubá.
Itajubá é também reconhecida nacionalmente por ter um dos melhores
sistemas de ensino universitário do país. Possui seis estabelecimentos de ensino
superior: Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Faculdade de Medicina de
Itajubá (FMIt), Escola de Enfermagem Wenceslau Braz
(EEWB), Centro
Universitário de Itajubá (UNIVERSITAS), Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas
do Sul de Minas (FACESM) e Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC),
Faculdade Internacional de Curitiba FACINTER e Faculdade de Tecnologia
Internacional FATEC.
4.2
DELINEAMENTO METODOLÓGICO DO ESTUDO
A pesquisa foi de abordagem qualitativa, do tipo exploratória descritiva e
transversal.
Minayo (2003) refere que a pesquisa qualitativa trata de uma atividade da
ciência, que visa a construção da realidade, mas que se preocupa com as ciências
sociais em um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o
universo de crenças, valores, significados e outros construto profundos das relações
que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
Godoy (1995) cita algumas características principais de uma pesquisa
qualitativa, como: o ambiente é uma fonte direta dos dados e o pesquisador como
instrumento chave, possuí caráter descritivo, o processo é o foco principal de
abordagem e não o resultado ou o produto, a análise dos dados foi realizada de
forma intuitiva e indutivamente pelo pesquisador, não requereu o uso de técnicas e
37
métodos estatísticos, e, por fim, teve como preocupação maior a interpretação de
fenômenos e a atribuição dos resultados.
Segundo esse mesmo autor, a pesquisa qualitativa não enfoca a mensuração
ou mensuração dos eventos estudados dos eventos estudados, nem emprega
instrumental estatístico na análise dos dados, está ligado à obtenção de dados
descritivos sobre pessoas, ambientes, e processos interativos pelo contato direto do
pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos
segundo a perspectiva dos participantes da situação em estudo.
De acordo com Minayo (2000), pode-se dizer que a abordagem qualitativa se
refere a uma preocupação com a realidade que não pode ser quantificada,
aprofundando-se nos significados das ações e relações humanas, processos e
fenômenos.
Um trabalho é de natureza exploratória quando envolver levantamento
bibliográfico, ou entrevista com pessoas que tiveram (ou tem), experiências práticas
com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão.
Possui ainda a finalidade básica de desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e
idéias para a formulação de abordagens posteriores. Dessa forma, visa proporcionar
um maior conhecimento para o pesquisador acerca do assunto, a fim de que esse
possa formular problemas mais precisos ou criar hipóteses que possam ser
pesquisadas por estudos posteriores. (GIL, 2006).
O autor acima finaliza dizendo que este tipo de pesquisa visa proporcionar
uma visão geral de um determinado fato, sendo do tipo aproximativo.
A pesquisa transversal tem como foco principal examinar dados sobre uma
determinada perspectiva de tempo. Assim são aqueles em que são coletados com
um ou mais grupos de sujeitos em um momento particular de tempo.
Já as pesquisas descritivas caracterizam-se pela descrição de determinada
população ou fenômeno ou, então, estabelecimento de relações entre variáveis.
Utiliza-se de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como questionário e a
observação sistemática. Tendo como objetivo levantar opiniões, atitudes, e crenças
de uma população. (GIL, 2002).
4.3
PARTICIPANTES DO ESTUDO, AMOSTRA E AMOSTRAGEM
38
Os participantes deste estudo foram os pacientes da unidade já citada
anteriormente que estejam internados, e que estejam no pré-operatório imediato.
Foram 20 sujeitos entrevistados na instituição participante do estudo.
O tipo de
amostragem utilizada para a realização do estudo foi intencional.
De acordo com Lefévre e Lefévre (2010), o estudo intencional é aquele onde
o pesquisador tem conhecimento aprofundado das características de todo ou de
quase todo o universo a ser pesquisado, mas como se trata de um campo muito
extenso, uma investigação qualitativa integral com todos os pacientes que aguardam
por assistência seria muito trabalhosa, por isso procede-se uma escolha intencional
dos elementos que participaram da pesquisa.
Os critérios de inclusão foram:
•
Paciente com indicação cirúrgica que estejam internados na clínica cirúrgica
na instituição envolvida na pesquisa;
•
Encontram-se no período pré-operatório imediato (24 horas que antecedem a
cirurgia);
•
Sejam submetidos à anestesia raque ou geral;
•
Serem maior de 18 anos;
•
Serem do gênero masculino ou feminino;
•
Não estarem sobre efeito de medicação pré-anestésica;
•
Aceitarem participar da pesquisa;
Nos critérios de inclusão no tocante aos itens:
“Sejam submetidos à anestesia geral ou raqui”; os pacientes se encontram
no momento de maior ansiedade tendo em vista desconhecer tal
procedimento e ainda se levar por experiências de outrem;
“Não estar sobre efeito de medicação anestésica”; visto que o paciente pode
ter o seu nível de consciência alterado em decorrência do efeito das mesmas.
Os critérios de exclusão foram aqueles que não contemplarem os critérios de
inclusão.
4.4
COLETA DE DADOS
39
Nesta etapa iremos abordar o instrumento de coleta de dados e o
procedimento da coleta de dados.
4.4.1 Instrumento de coleta de dados
As estratégias escolhidas para a coleta de dados foram:
1- Caracterização dos participantes que serão entrevistados, conforme: tempo de
internação na clínica cirúrgica, ocupação, estado civil, escolaridade, cirurgia
proposta, diagnóstico, idade, gênero. (APÊNDICE A)
2- Roteiro de entrevista semi–estruturada, contendo uma pergunta norteadora: Qual
o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será submetido?
(APENDICE B)
A coleta de dados foi realizada em horário adequado para os participantes a
fim de não comprometer o atendimento na unidade escolhida para a pesquisa,
mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APENDICE
C) e a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Escola de Enfermagem
Wenceslau Braz (EEWB).
Segundo Minayo (2000), a técnica de entrevista semi–estruturada obtém
dados por meio da fala, revelando condições estruturais de sistemas de valores,
normas e símbolos, e ao mesmo tempo transmite por porta–voz as representações
sociais de grupos determinados, em condições históricas socioeconômicas e
culturais específicas.
4.4.2 Procedimentos de coleta de dados
A coleta de dados ocorreu após a aprovação do CEP da EEWB, a autorização
para coleta de dados do Coordenador de Ensino do Hospital Escola de Itajubá
(APENDICE D) e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido
(APENDICE C) pelos pacientes que aceitarem participar da pesquisa que será
realizada pelas pesquisadoras responsáveis no Hospital Escola na cidade de Itajubá
- MG.
A coleta foi realizada em um local privativo e tranqüilo na unidade da
instituição, participante da pesquisa. Antes de iniciar a entrevista os participantes
serão informados sobre a pesquisa, seus objetivos, e principalmente anonimato.
40
Após as explicações e esclarecimentos o participante concorda em participar
ou não e mediante sua decisão assina o Termo de Consentimento Livre Esclarecido
dando assim início a pesquisa propriamente dita.
A entrevista não foi agendada previamente com o entrevistado,
portanto não houve escolha de um horário responder as perguntas, devendo estes
estarem internados e no pré-operatório imediato, na clínica cirúrgica na unidade já
citada. A coleta será feita de forma individual, garantindo a privacidade ao
participante, redigidas por meio de um caderno e após a transcrição do conteúdo
este será incinerado.
4.5
PRÉ–TESTE
De acordo com GIL (2006), o pré–teste é realizado mediante a aplicação da
entrevista em elementos que estejam respeitando os critérios de inclusão para o
estudo. Ele define o pré–teste como uma prova preliminar, cuja função é evidenciar
possíveis falhas na redação do questionário, tais como: complexidade das questões,
imprecisão na redação, desnecessidade da questão, constrangimento ao informante,
exaustão, entre outros fatores.
Nesta pesquisa foi realizado o pré–teste, com dois pacientes que estiverem
internados na clínica cirúrgica no pré-operatório imediato, que não fizeram parte da
amostra, serviram somente para confirmar a compreensão dos participantes frente
as questões.
Isso ocorreu para fornecer uma base as autoras da pesquisa, sobre o tempo
gasto para a aplicação do instrumento, analisar o nível de compreensão das
perguntas, para que se necessário fossem feitas alterações e assim, assegurar
precisão e validade.
4.6
ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS
Os dados obtidos durante a pesquisa foram analisados e interpretados
através da Teoria das Representações Sociais e como método o DSC descrito na
etapa anterior.
Com o objetivo de facilitar a construção do DSC cada depoimento é colocado,
na íntegra, em um instrumento denominado de ‘Instrumento de Análise de
41
Discurso1’ (IAD–1) em que se expressam as expressões chaves (ECH) em uma
coluna e em outra as idéias centrais (IC). (APENDICE G).
Em seguida, faz-se o agrupamento das expressões-chave semelhantes, em
uma coluna de outro instrumento ‘Instrumento de Análise de Discurso 2’ (IAD–2) e
na outra coluna constrói-se o DSC propriamente dito. (APENDICE H).
4.7
ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA
A coleta de dados ocorreu somente após a aprovação do Comitê de Ética e
Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz.
Para comprovação da autorização e do consentimento das unidades
envolvidas estas receberam a folha de rosto para pesquisa envolvendo os seres
humanos (ANEXO A) juntamente com uma carta de solicitação para a coleta de
dados (APENDICE D) que foi enviada a direção desta, para que fossem assinadas
comprovando a liberação para que a coleta de dados seja realizada com os
pacientes na clínica cirúrgica do HE.
Os participantes tiveram autonomia para decidirem se queriam ou não
participar da pesquisa, após o fornecimento das informações que foi dado pelas
autoras.
Foi apresentado o TCLE que foi lido, retirado quaisquer dúvidas e assinado,
informando aos participantes que poderiam se retirar da pesquisa quando
desejassem.
Foram respeitados os valores morais, religiosos, culturais, sociais e éticos dos
entrevistados.
A imagem dos participantes, bem como as informações fornecidas por eles
foram confidenciais, de forma a garantir a privacidade. A privacidade foi garantida
através da utilização da letra P (paciente) seguida de números ordinais seqüenciais.
Ex.: P1 (Paciente1), P2 (Paciente 2), P 3 (Paciente 3,...).
O presente estudo obedeceu aos preceitos estabelecidos pela resolução n°.
196/96 de 16/10/1996 do Ministério da Saúde, que trata de pesquisa envolvendo
seres humanos, onde foi respeitada a autonomia do participante, o princípio ético da
justiça fundamentado na equidade, na confidencialidade e privacidade, na proteção
da imagem, garantindo a não utilização das informações obtidas em prejuízo das
pessoas ou comunidade.
42
Os benefícios resultantes da pesquisa, bem como em termos sociais foram
assegurados aos sujeitos.
A Folha de Rosto da CONEP para pesquisa envolvendo os seres humanos
encontra-se devidamente preenchida no ANEXO A.
4.8
RESULTADOS DA PESQUISA
Os resultados da pesquisa foram obtidos por meio de quadros, gráficos, e
mediante o Discurso do sujeito Coletivo após o estabelecimento das idéias centrais
que surgiram com as análises do DSC a partir das entrevistas.
43
5
RESULTADOS
Todos os dados desta pesquisa foram obtidos a partir das transcrições das
gravações com as entrevistas fornecidas pelos participantes e pelo preenchimento
de um instrumento com as características pessoais com questões fechadas, como já
foi citado anteriormente.
A partir da análise das entrevistas surgiram os temas que deram origem as
idéias centrais.
Os participantes são caracterizados quanto a características pessoais,
profissionais, escolaridade, o tempo de internação para submissão ao procedimento
cirúrgico e cirurgias propostas, sendo assim para fornecer melhor visualização e
entendimento dos dados obtidos foram utilizados gráficos com intuito de ilustrar
esses dados.
Em seguida, apresento o quadro com o tema estudado, separado pelas idéias
centrais e organizado em ordem decrescente com relação a freqüência de aparição
dessas idéias.
Após o quadro, são apresentadas, separadamente, as diversas idéias centrais
com os seus respectivos DSC.
Finalmente, após a representação de cada DSC são realizados os respectivos
comentários.
5.1
CARACTERIZAÇÃO
DOS
ENTREVISTADOS
CARACTERÍSTICAS
PESSOAIS,
PROFISSIONAIS,
QUANTO
ESCOLARIDADE
AS
E
TEMPO DE INTERNAÇÃO PARA SUBMISSÃO AO PROCEDIMENTO
CIRÚRGICO E CIRÚRGIAS PROPOSTAS
Nesta etapa estão descrita as características pessoais, profissionais,
escolaridade e quanto tempo de internação para submissão ao procedimento
cirúrgico e cirurgias propostas.
44
Gráfico 1 - Faixa etária dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório
imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
35%
35%
Idade
18-35
36-53
30%
Idade
18-35
36-53
54-71
54-71
Fonte: Instrumento da pesquisa
Gráfico 2 – Gênero dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório
imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
Fonte: Instrumento da pesquisa
45
Gráfico 3 – Estado cívil dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório
imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
Solteiro
45%
Casado
Viuvo
35%
Divorciado
10%
Solteiro
Casado
Viuvo
10%
Divorciado
Fonte: Instrumento da pesquisa
Gráfico 4 – Escolaridade dos participantes do estudo que se encontravam no pré-operatório
imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
10%
15%
Ensino Médio Completo
5%
15%
Ensino Médio Incompleto
Ensino Fundamental Completo
Ensino Fundamental Incompleto
Ensino Superior
20%
Analfabeto
35%
Fonte: Instrumento da pesquisa
Gráfico 5 – Tempo de internação dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
2 dias
30%
3 dias
4 dias
15%
10%
10%
2 dias
3 dias
Fonte: Instrumento da pesquisa
5 dias
20%
15%
4 dias
5 dias
6 dias
6 dias
7 dias
7 dias
46
Gráfico 6 – Cirurgia proposta dos participantes do estudo que se encontravam no préoperatório imediato, Itajubá- MG, 2012. (n=20)
Cirurgia Ortopédica
75%
Cirurgia Geral
25%
Cirurgia Ortopédica
Cirurgia Geral
Fonte: Instrumento da pesquisa
5.2
TEMAS, IDÉIAS CENTRAIS E DSC
Nessa etapa está apresentado o tema estudado, um quadro representativo da
pergunta realizada. Incluído neste quadro as ideias centrais, seus respondentes e
sua frequência.
A seguir encontram-se, separadamente, as diversas ideias centrais com seus
respectivos DSC, acrescidas das colocações de diversos autores, análise e
apreciação das pesquisadoras.
5.2.1 Tema 01: Sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato
Pergunta 1: “Sabemos que o ato cirúrgico é de suma importância para
solucionar ou melhorar as condições de saúde e proporcionar qualidade de vida,
entretanto esse procedimento gera várias dúvidas, preocupações e sentimentos
por ser algo desconhecido. Daqui a algumas horas o senhor (a) irá se submeter a
esse ato, pensando nisso, diga para nós: qual o seu sentimento mediante ao
procedimento cirúrgico ao qual será submetido?”.
O Quadro 1 refere-se ás idéias centrais que emergiram sobre a pergunta em
questão, extraídas das respostas dos participantes do estudo, apartir do
agrupamento efetuado das idéias centrais semelhantes em ordem de maior
frequência. (APÊNCIDE E e F)
47
Quadro 1 – Idéias centrais referentes a primeira pergunta
Nº
IDÉIAS CENTRAIS
FREQUÊNCIA DAS IDÉIAS
CENTRAIS
1
Medo
12
2
Ansiedade
11
3
Preocupação
6
4
Impotência
4
5
Diversos sentimentos
4
6
Tristeza
3
Fonte: Instrumento da pesquisa
5.2.2 DSC referente às idéias centrais evidenciadas dos sentimentos
vivenciados no pré-operatório imediato.
IDÉIA CENTRAL – MEDO
DSC - Até nessa idade que eu to nunca precisei de ficar internado pra nada e agora
to eu aqui, a gente sente alguma coisa, mais sempre tem um pouco de medo. Eu
fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer direito, acho que é catarata, não sei
o que vão fazer comigo lá, eu to com medo; medo, porque me pegou de surpresa,
medo da pressão não melhorar sei lá o que vai acontecer. Tenho medo da anestesia,
porque eu tenho um “probleminha” no coração, medo de não voltar, porque a gente
não é mais criança. Medo também de voltar com alguma limitação, de ficar incapaz.
tenho medo, medo de não andar mais, de amputar a perna. To com medo na hora de
ir porque não sei se vai dar certo tenho medo, medo de não andar mais. Ah, eu
penso que não quero morrer. Tenho medo das coisas que podem acontecer, ter que
colocar parafusos na perna, to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e
pra lá; gente gritando (acho que é de dor, sei lá) nossa, da uma coisa dentro do
peito, um aperto.
Durante o pré-operatório mediato e principalmente imediato, o paciente
experiência uma ambigüidade de sentimentos, pois esse momento desperta uma
infinidade de sentimentos, verbalizados ou não. Apesar de os pacientes afirmarem
que concordavam com a cirurgia, apresentavam expressões de desânimo, dor,
angústia,
medo,
tristeza
e
choro,
permanecendo
cabisbaixos.
Os
gestos
comunicavam, a todo momento, a dificuldade em viver na iminência de uma cirurgia
(BOEMER, CHINI; 2007).
Em todo processo de coleta de dados, observamos que a realidade
vivenciada no pré-operatório imediato vem ao encontro das autoras acima, visto que
os pacientes mostram-se preparados e confiantes, grande parte do tempo,
48
escondendo muitas vezes a infinidade de sentimentos que passa pela cabeça deles
enquanto aguardam a cirurgia. Estes vindo à tona no momento em que se aproxima
o ato cirúrgico em si, demonstrando seus anseios em linguagem verbal e a maioria
em linguagem não verbal.
Muitos sentem medo por não saberem ou sabiam muito pouco sobre o
procedimento cirúrgico (cirurgia proposta, anestesia, tempo aproximado estipulado
para
duração,
dentre
outras
dúvidas),
infelizmente
faltam
respostas
e
esclarecimentos, o que pode ser concretizado em nossa vivência.
IDÉIA CENTRAL – ANSIEDADE
DSC - Quando eu entrei pra internar eu tava muito nervosa, nunca internei antes e
agora venho para fazer uma cirurgia, a gente fica ansiosa né. Minha cirurgia sei que
não é fácil porque é na coluna, estou ansiosa, senti uma taquicardia. Não conheço
muito sobre a cirurgia. Medo eu não tenho, só ansiedade mesmo. To aqui desde
terça e até agora nada, estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar
a cirurgia. Quero que acabe logo, quando a gente passa por essas coisas a gente
quer melhorar. Situação tensa, a gente não sabe o que faz, dá muito nervoso.
O ser humano quando afetado por uma enfermidade se torna vulnerável,
razão pela qual merece ser olhado com muito respeito, haja vista ser um doente e
não uma máquina a ser reparada ou um objeto a ser reconstituído. Portanto, se faz
necessário modificar a forma de tratamento que normalmente se dá ao doente, pois
ele está circunstancialmente afetado pela doença, ameaçado, às vezes, de invalidez
e morte. Isto faz surgir um sentimento de insegurança, solidão, medo e desamparo,
levando-o a buscar na equipe de Saúde não apenas a sua cura, mas também
segurança, afeto e solidariedade (NAKATA, SILVA; 2005).
IDÉIA CENTRAL – PREOCUPAÇÃO
DSC - Fiquei preocupado, porque eu nem sabia que ia fazer a cirurgia, ai assustei.
Eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque tenho
medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia. O que me preocupa é
que eles (médicos) passam aqui e nem olham pra cara da gente; deixa eu até te
pedir, deixa a porta aberta que na hora que eu vê um deles passando eu vou
chamar. Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando
quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das perna pra
trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem vários dias, e até agora só fica adiando a
cirúrgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que horas vai ser e não
sabe de nada .Fico apreensivo, pois minha esposa, meus filhos, minha família toda
esta preocupada, um acidente muda a vida da gente, pois é quando agente perde o
poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que agente vê o
49
valor da vida.
A vivência da hospitalização pode ser agravada quando envolve a espera por
uma intervenção cirúrgica, haja vista que, esta pode levar o cliente a uma série de
conflitos internos, como o medo e a ansiedade, medo de invalidez ou até mesmo da
morte, que são considerados riscos iminentes em uma cirurgia. (SANTOS, LUIS;
1999)
Muitas vezes o período que antecede a internação é um período de pouca
informação para o paciente. Devido à parte burocrática e demais passos que devem
ser tomados, frente ao diagnóstico cirúrgico ele sabe pouco sobre sua situação e o
que ocorrerá com ele. Para muitos, uma fonte de informação são os leigos, amigos,
e familiares que vivenciaram situações semelhantes. No entanto, em algumas
situações, estas informações são repassadas de maneira equivocada, o que, muitas
vezes aumenta o medo dos pacientes frente ao procedimento cirúrgico ao qual será
submetido (CARVALHO, CHRISTÓFORO; 2009).
IDÉIA CENTRAL – IMPOTÊNCIA
DSC - Me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia,
e nem sei direito como vai ser, ninguém me explicou muito bem. Não posso mexer
na cama, tomar banho sozinho, a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não
posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir, é
uma sensação muito ruim. Às vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui
e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a mesma
coisa, já fiquei nessa uns 5 dias. Não dão a mínima atenção pra gente, a gente e uma
pedra é a mesma coisa, dá uma raiva, nem parece que eu to em um hospital.
A
condição
de
enfermidade
gera
sentimentos
como
incapacidade,
dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo. Os
doentes
encaram
a
hospitalização
como
fator
de
despersonalização
por
reconhecerem a dificuldade para manter sua identidade, intimidade e privacidade
(PUPULIM, SAWADA; 2002).
O enfermeiro “é o profissional da área de saúde que tem maior autorização
social para tocar o corpo do outro” (MIRANDA, 1994); mas pouco tem discutido a
questão da nudez, que é um fator a mais de estresse e sofrimento para o paciente,
dificultando sua adaptação ao ambiente hospitalar (SILVEIRA, 1997). Para um
indivíduo, mesmo doente, estar despido pode significar desconforto e embaraço.
(PUPULIM, SAWADA; 2002).
50
IDÉIA CENTRAL – DIVERSOS SENTIMENTOS
DSC - Me sinto desvalorizada, poderia ter mais informação. Se tivesse uma pessoa
para conversar com a gente, que chegasse, sentasse, sabe retirasse as dúvidas, to
com muita dor, já falei várias vezes pra moça me trazer algum remédio pra dor, e ela
disse que eu já to tomando, mais a dor não melhora; não dão a mínima atenção pra
gente. Eu já não tenho mais esperança de fazer a cirurgia não, eles estão me
enrolando desde sexta passada. Ficar aqui é muito cansativo, é estressante.
Ocasionalmente, o ser humano experimenta situações estressantes e a
exposição a isso pode gerar dolorosas emoções como ansiedade e depressão.
Existem diferentes tipos de reações das pessoas frente ao estresse. Há uma grande
influência de fatores psicológicos no desencadeamento do estresse, atingindo até
respostas fisiológicas. Assim, prever a ocorrência de um evento estressante, mesmo
sem poder controlá-lo, geralmente reduz o estresse. Isso reforça a idéia de que o
paciente é capaz de discernir e saber o que vai acontecer durante a cirurgia
apresenta menor grau de déficit psicológico. (ATKINSON et al., 1995)
IDÉIA CENTRAL – TRISTEZA
DSC - É triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da
saúde que á cada dia que passa ta pior. Quando soube que ia ter que fazer outra
cirurgia para corrigir um negócio errado que eles fizeram, eu fiquei magoado. É
muito triste ficar aqui sozinho.
A pessoa que vivencia um desequilíbrio em seu estado de saúde vê-se
constantemente em perigo de perder sua integridade tanto física como psíquica, ou
seu lugar na família e na sociedade, em decorrência das alterações em suas
funções orgânicas. A família, por sua vez, também sofre um processo de desajuste
em sua forma de organização e em suas funções, pois passa a ter que adaptar a
dinâmica familiar às necessidades e atividades relativas ao tratamento e apoio ao
membro portador da deficiência. (CARREIRA; MARCON, 2003)
5.3
SÍNTESE DAS IDEIAS CENTRAIS DOS TEMAS EVIDENCIADOS NO
TRABALHO
Na síntese abordaremos os sentimentos evidenciados que emergiram no
trabalho, mostrado em 1 figura que resume os achados.
51
Figura 1 - Sentimentos dos pacientes: idéias centrais e idéias que emergiram a partir das
ideías centrais semelhantes
Ansiedade
Medo
Tristeza
Preocupação
Impotência
Diversos sentimentos
Fonte: Das autoras
52
6
DISCUSSÃO
A hospitalização é responsável pelo afastamento do paciente do seu cotidiano
para um ambiente com rotinas e normas rígidas. Isso pode refletir de forma negativa,
levando esta pessoa a experimentar sentimentos como o medo e a carência
(TESCK, 1976). Por si só, essa pode ser uma experiência desagradável por
envolver inúmeros aspectos negativos como o distanciamento do ambiente familiar,
de pessoas significativas, além de, às vezes, significar um certo grau de
dependência (ANTONIO, MUNARI, COSTA; 2002). Como podemos observar no
DSC, relacionada à idéia central Impotência que teve frequência de 4
respondentes.
“Nossa isso daqui é horrível... a gente se sente impotente, de mãos atadas.
Não posso me mexer, sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro
posso ir. Fico apreensivo pois minha esposa, meus filhos, minha família toda
esta preocupada...um acidente muda a vida da gente...dou graças a Deus por
estar vivo, pois se não fosse por ele talvez eu nem estivesse aqui. Agora é
rezar e ver se esse sentimento de perda, de vazio passa, pois é quando agente
perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se alimentar é que
agente vê o valor da vida.”
Muitas vezes o ato cirúrgico é visto como a possibilidade do retorno a uma vida
“normal”, quando então cessarão todos os desconfortos advindos da doença que
vem incomodando. Segundo CÁMIO et al. (1995, p. 40):
”O ato cirúrgico consiste, para o paciente, um dos momentos
mais críticos no processo terapêutico, tendo em vista o medo
do desconhecido e da anestesia, a sua complexidade e o
próprio risco inerente a qualquer procedimento desta natureza”.
Durante a coleta de dados muitos dos sujeitos percebiam a entrevista como
uma possibilidade de desabafo, chorando ou demonstrando sua indignação frente a
abordagem de toda equipe de saúde, falta de informação, suspensão da cirurgia,
distanciamento da família, visto que a faixa etária predominante neste estudo foi de
igualdade 35 % entre 18 a 35 e 36 a 53 anos, o que não permite que no Sistema
Único de Saúde (SUS), estes sejam acompanhados por um familiar, ressaltando que
todos os sujeitos participantes estavam internados pelo SUS. Segue-se o DSC
relacionado à idéia central Tristeza que teve frequência de 2 sujeitos.
53
“É muito triste ficar aqui sozinho. Não pode ficar ninguém com agente e ainda
fica nessa enrolação. Ninguém sabe informar direito o que está acontecendo,
enquanto isso eu fico aqui”
Ao analisarmos os relatos identificamos de um modo geral, diversos
sentimentos vivenciados durante o período pré-operatório imediato. Vieram à tona
sentimentos que se relacionavam com a experiência vivenciada durante a
suspensão da cirurgia. Relacionados a própria internação e diagnóstico da cirurgia
proposta como a raiva, o medo, o conformismo e a impotência, foram ligados as
emoções do sujeito frente a situação e também, ligados à instituição e atendimento
que recebiam.
Observa-se que são diversos os fatores geradores de sentimentos no período
operatório estudado, estes se aflorão e intensificam-se de forma exacerbada.
Relacionados ao próprio paciente, e ao seu próprio enfrentamento com relação a
situação vivenciada. Dentre os sentimentos encontrados após a análise destaca-se
a preocupação, A preocupação está relacionada ao quadro e a piora do mesmo, a
situação da família, o sustento da casa e a dificuldade de remarcação da cirurgia,
quando esta é suspensa ou adiada. Isso pode ser observado nos DSC que seguem
abaixo relacionados às idéias centrais Diversos Sentimentos com frequência de 4
sujeitos e Preocupação de 6 respondentes.
“Situação tensa, a gente não sabe o que faz; às vezes dá até raiva na gente,
porque eles passam aqui e falam que é hoje, daí agente fica em jejum e nada,
daí no outro dia é a mesma coisa... já fiquei nessa uns 5 dias...”
“Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando quem
vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das “perna” pra
trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem vários dias... e até agora só fica
adiando a cirurgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser, que
horas vai ser e não sabe de nada .”
A grande maioria dos pacientes atendidos no HE é de classe baixa
dependendo do SUS para receberem o tratamento, muitos precisam trabalhar para
sustentar suas famílias, além daqueles que vêm de outras cidades em busca de
tratamento. Por estas e outras razões, estes pacientes ficam ansiosos para que o
54
tratamento chegue ao fim e o mais breve possível, para que possam retomar suas
atividades.
Embora reconheçamos o grande desafio que é a garantia da qualidade no
serviço público, principalmente, em função do sucateamento do setor saúde,
dificuldades financeiras, diminuto quadro de pessoal para dar conta de um
contingente de trabalho, muitas vezes penoso e desumano para os profissionais.
Consideramos que o quadro descrito pelos pacientes demonstra uma desarticulação
entre os setores, fato esse que gera um desgaste para o indivíduo internado e para
a própria instituição. Tal situação seria descartada, caso a organização e a
comunicação entre os setores fosse mais eficiente. (ANTONIO, MUNARI, COSTA;
2002)
Percebe-se ainda que o cancelamento implique em prejuízos tanto para os
profissionais e instituição como para o próprio paciente e sua família. Para o
paciente o cancelamento torna estes sentimentos acentuados, causando um
desconforto maior e gerando mais angústia, esses sentimentos podem assumir
maiores proporções, potencializando o aparecimento de sentimentos desagradáveis,
causando maior tensão, bem como aumentando o nível de stress do paciente,
desencadeando assim a elevação da glicose e da pressão arterial, podendo
prolongar a suspensão do procedimento cirúrgico em função destas alterações
orgânicas. O que pode ser confirmado e observado no DSC que se segue
relacionado à IC Ansiedade que teve frequência de 11 sujeitos.
“Estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia. Agora
estou com medo da pressão não melhorar”.
Para a instituição o prolongamento do período de internação gera implicações
diretas no custo operacional e financeiro ao mesmo tempo em que reflete
negativamente no atendimento da clientela (CAVALCANTE et al., 2000).
Para a família as preocupações do paciente são reais e para ele a coisa mais
importante é a resolução do seu problema e o retorno para a vida cotidiana e suas
atividades. Em nosso estudo as cirurgias mais adiadas foram às ortopédicas.
Outro
fator
evidenciado
através
dos
dados
foi
o
temor
pelo
desconhecido/medo, que foi citado em diferentes falas. Muitos sentiam medo de
complicações. Conforme DSC das idéias centrais Ansiedade com frequência já
55
descrita e Medo com frequência de 12 respondentes, sendo esta a de maior
frequência.
“Tô ansiosa... minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna, né?! daí
tenho medo...medo de não andar mais, eu to sentindo muito medo”
“Eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado porque
tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia e to
assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá... gente gritando
(acho que é de dor,sei lá)... nossa, da uma coisa dentro do peito, um aperto...”
Houve durante as entrevistas diversas queixas em que não foi explicado ao
paciente sobre a cirurgia e todos os procedimentos que a envolvem, sendo que
alguns entrevistados não sabiam informar a cirurgia proposta frente ao diagnóstico
médico. Segue os DSC da idéia central Impotência com frequência de 4 sujeitos.
“Eu fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer direito, acho que é
catarata. O “douto” falou que e pra eu ficar tranqüilo pra pressão não subir
mais acho que ela já ta lá nas alturas, (risos) porque agente assusta, né, não
sei o que vão fazer comigo lá dentro... só rezo pra que dê tudo certo.”
“Me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa cirurgia,
e nem sei direito como vai ser”
Estes relatos dos DSC já citados apontam uma falha de comunicação por
parte de toda a equipe de saúde, nos possibilitando identificar no decorrer das
entrevistas a deficiência da comunicação em diferentes etapas anteriores do
tratamento, inclusive no pré-operatório mediato, que é o período propício para
realização de exames de rotina e principalmente retirada de dúvidas para gerar
conforto emocional para o próprio sujeito e seus familiares. Neste DSC segue-se a
IC Diversos Sentimentos com frequência de 4 sujeitos.
“Agora eu to ficando nervosa porque esta ficando cada vez mais
próximo da cirurgia, to preocupada comigo porque eles (médicos) passam
aqui e nem olham pra cara da gente [deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta
que na hora que eu vê um deles passando eu vou chamar].”
Em relação ao cancelamento de cirurgia BIANCHI, CASTELLANOS (1983,
p.155) consideram que:
56
“A comunicação da suspensão da cirurgia é um assunto
importante e merece maior atenção. O paciente é cuidado
pela equipe de saúde, equipe esta que necessita de
informações para prestar assistência contínua e
individualizada, num trabalho em equipe sincrônico e para
um objetivo comum – cuidar do paciente como ele
merece”.
Sendo assim esta afirmação citada acima vem ao encontro aos achados
nesta pesquisa, o que comprova que o medo do desconhecido encontra-se
entrelaçado a falta de informação ou ainda de informações completas em linguagem
compreensível.
Esses fatos somados podem gerar sentimentos de impotência e conformismo
(ANTONIO, MUNARI, COSTA; 2002). Neste estudo também foi encontrado o
sentimento de desvalorização e descaso somados aos citados acima. Em destaque
os DSC conforme a IC Impotência.
“Não dão a mínima atenção pra gente... a gente e uma pedra é a mesma coisa,
da uma raiva, antes eu tivesse em casa, pelo menos alguém iria me dar
atenção, agora aqui nem parece que eu to em um hospital.”
“É triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte da
saúde que a cada dia que passa ta pior.”
Podemos indicar finalmente nessa análise indo ao encontro dos autores
ANTONIO, MUNARI, COSTA; (2002) que realizaram um estudo há dez anos e os
achados refletem ainda hoje em nossa atualidade, cuidar destes aspectos não é
tarefa exclusiva da enfermagem. Parte dos problemas identificados poderia ser
minimizado com a intervenção de um planejamento mais eficiente, uma vez que, tais
aspectos repercutem de forma direta no “andamento” das cirurgias e da instituição,
além de serem geradores de sentimentos desagradáveis para os pacientes,
podendo ser evitados.
57
7
CONCLUSÕES
Quanto às características pessoais, as médias encontradas na idade dos
pacientes que se encontravam no pré-operatório imediato foram 35% dos
participantes na faixa de 18 a 35 anos, 35% de 36 a 53 anos e 30% de 54 a 71 anos.
Dos entrevistados 30% foram do gênero feminino e 70% do gênero masculino.
No tocante estado civil 45% dos participantes eram casados, 35% solteiros,
10 % viúvo, e 10% divorciado.
Quanto ao grau de escolaridade dos entrevistados 35% possuem o ensino
fundamental completo e 20% incompleto, 15 % possuem o ensino médio completo e
5 % incompleto, 15 % possuem nível superior e 10% analfabetos.
O tempo de internação dos participantes do estudo que se encontravam no
pré-operatório imediato teve grande variação. Dentre os pacientes que foram
entrevistados, 30% estavam internados há 2 dias, 20% há 5 dias, 15% há 7 dias,
15% há 3 dias, 10% há 6 dias e 10% há 4 dias.
Das cirurgias propostas aos participantes do estudo que se encontravam no
pré-operatório imediato, 75 % foram ortopédicas e 25 % geral.
Após análise dos resultados do presente estudo, as idéias centrais foram
agrupadas conforme a questão referente ao tema. Desta forma concluiu-se que os
sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato possibilitou o levantamento das
seguintes idéias centrais, conforme a ordem de maior freqüência: “Medo; Ansiedade;
Preocupação, Impotência; Diversos sentimentos; Tristeza. ”
58
8
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao realizarmos este estudo, trabalhamos apenas com uma faceta da questão do
que tange aos sentimentos quando se trata de cirurgias. Trata-se de uma temática
complexa, por envolver aspectos psíquicos, físicos, emocionais, familiares e
inclusive institucionais. Isto envolve a enfermagem desde o cuidado, as
intervenções, assistência ao paciente cirúrgico, e o planejamento institucional
relacionado ao gerenciamento de enfermagem.
A pesquisa nos permitiu identificar quais os sentimentos dos pacientes em préoperatório imediato. Aqueles relacionados ao próprio cliente, que são mais
freqüentes, e tão importantes, que na maioria das vezes acabam passsando
despercebido e sendo causa de alterações orgânicas significativas, inclusive causas
de adiamento cirúrgico. São compreendidos como sentimentos previsíveis a
pessoas nessa situação, porém que poderiam ser prevenidos, o que nos aponta um
importante aspecto a ser considerado pelas instituições e pela equipe de saúde no
seu planejamento.
Sentimentos de apreensão, de tensão emocional e de preocupação são
comumente experimentados por pessoas que vivenciam situações que se
constituam em uma ameaça, como é o caso do atendimento no âmbito hospitalar,
principalmente na clínica cirúrgica. (GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008)
Todavia, situações de tensão e ansiedade são respostas do organismo
quando o indivíduo enfrenta coisas boas ou ruins. Evidentemente que coisas ruins
são as que mais afetam o ser humano, e este procura reagir por meio de seus
recursos internos para enfrentar a realidade e adquirir o máximo de equilíbrio
possível para sentir-se seguro e transmitir segurança aos demais familiares.
(GIRARDON-PERLINI; PILATTO, 2008)
Os estudos feitos para a realização deste estudo vêm ao encontro com os
resultados obtidos. Permitindo-nos compreender que os momentos que antecedem
a cirurgia são vivenciados pelo paciente de uma forma dramática e assustadora,
sobretudo muito subjetiva, lembrando-nos que para a melhoria do atendimento
hospitalar, nem sempre serão necessários gastos dispendiosos como a melhor infra
-estrutura e tecnologia. Muitas vezes o que mais desequilibra os pacientes é a falta
de informação ou atenção por parte da equipe de saúde. Basta que a equipe
59
proporcione o mínimo de atenção necessária a cada paciente durante o
atendimento.
O medo do desconhecido é a principal causa da insegurança e da ansiedade do
paciente pré-cirúrgico. Ele teme a morte, a anestesia, o procedimento em si, a
recuperação. Para tentar obter controle sobre a ansiedade e o medo, o paciente précirúrgico lança mão de algumas estratégias, como: depositar confiança na equipe de
saúde; religiosidade - acreditar em Deus acima de qualquer coisa; a desqualificação
dos sentimentos; controlar o pensamento; ter sempre a companhia de alguém
conhecido (FIGHERA, VIERO; 2005).
O resultado desta pesquisa também revelou que a maioria dos pacientes não
receberam orientações adequadas e completas sobre suas cirurgias, praticamente
desconheciam, como foi observado nos resultados desta pesquisa.
Concordamos com o autor ao referir que necessitamos fazer uma reflexão crítica
da trajetória percorrida pelos profissionais de Saúde, em particular o enfermeiro.
Necessitamos visualizar novos horizontes e procurar humanizar mais a assistência
aos nossos pacientes. Devemos valorizar os aspectos emocionais com relação ao
medo, pois eles têm medo da dor, da anestesia, da incapacidade, têm medo de
mostrar o medo e de mil e uma fantasias e, principalmente, o medo de morrer. É
válido ressaltar que existem duas forças em oposição dentro da pessoa doente que
impedem e dificultam o equilíbrio: a harmonia e o diálogo. Quando o indivíduo tem
saúde, mesmo sujeito à pressões de toda a ordem, tem capacidade e força
suficiente para superá-las, mas quando está doente, o corpo parece dominá-lo, a
pessoa passa a ser um peso e obstáculos surgem impedindo-a de viver a vida e
gozar da liberdade (NAKATA, SILVA; 2005).
Sugerimos que outros estudos sejam realizados, haja visto que este estudo
Abordou somente uma faceta de um tema que permite uma ampla abordagem em
diversas outras temáticas já descritas do decorrer do trabalho.
60
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65
APENDICE A – Características pessoais sociais e ocupacionais
Tempo de Internação: _______________
Idade: ________ Sexo: _____________________
Cirurgia
Proposta:
______________________
Escolaridade:
______________________
Ocupação:
Estado Civil:
______________________________
______________________
Diagnóstico clínico: __________________________________________________
66
APENDICE B - Roteiro de entrevista semi-estruturada
Sabemos que o ato cirúrgico é de suma importância para solucionar ou
melhorar as condições de saúde e proporcionar qualidade de vida, entretanto esse
procedimento gera várias dúvidas, preocupações e sentimentos por ser algo
desconhecido. Daqui a algumas horas o senhor (a) irá se submeter a esse ato,
pensando nisso, diga para nós:
1) Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual será
submetido?
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
67
APENDICE C - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Nós, Ana Luisa de Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane
Priscilla Goulart, Mariângela Gomes Paixão, Ivandira Anselmo Ribeiro Simões,
alunas e professoras, respectivamente, da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz,
da cidade de Itajubá-MG, estamos realizando uma pesquisa com o título:
“SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o Discurso do
Sujeito Coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica cirúrgica”. O objetivo da
pesquisa é conhecer os sentimentos dos pacientes que enfrentam o pré–operatório
imediato. Esta pesquisa será realizada na Clínica Cirúrgica, do Hospital Escola de
Itajubá – MG. O tema escolhido é de grande importância social, pois o atendimento
integral nessas situações de reflete no indivíduo, na família e na comunidade. É
relevante aos profissionais de Enfermagem, pois proporciona aos mesmos, observar
e opinar sobre as situações bem como sua importância para os clientes e influência
destes profissionais durante a prestação dos cuidados. Por meio dessa pesquisa os
profissionais de Enfermagem podem refletir sobre ética, valores, e respeito para
assim podermos compreender a importância da humanização durante o atendimento
ao cliente, observando a diferença entre o atendimento humanizado e o simples
fazer rotineiro. Além de comprovar a segurança sentida pelos clientes durante a
assistência quando os profissionais os ouvem, e dão a devida atenção a eles, nas
situações de medo e perda da identidade. A relevância científica desta pesquisa
baseia-se na importância de conhecer os sentimentos dos pacientes que estão
internados em uma clínica cirúrgica no período pré-operatório imediato, fornecendo
uma reflexão a cerca disso, visto que não há muitos estudos e reflexões neste
aspecto onde o sentimento do cliente esta em questão. Também proporcionará
bases para pesquisas e consultas nesse tema que é pouco estudado, cuja literatura
é
relativamente
escassa
sem
muitas
referências
específicas
relacionados
exclusivamente a essa área, além de influenciar na vida acadêmica e profissional
abrindo portas para novas pesquisas nesta área servindo de fonte de dados para
novos estudos que podem surgir após a leitura deste.
Sua participação nesta pesquisa é de livre e espontânea vontade, e a
qualquer momento, se for de sua vontade poderá desistir e interrompê-la sem
nenhum problema.
68
Gostaríamos de esclarecer que as informações obtidas serão confidenciais e
não haverá identificação de seu nome. As informações serão redigidas por meio de
um caderno e após a transcrição do conteúdo este será incinerado.
As informações ficarão sobre nossa responsabilidade e trabalharemos
reunindo os dados de todas as pessoas que participarão do estudo.
Você aceita participar do estudo?
Este Termo de Consentimento assinado é um documento que comprova sua
autorização. Precisamos da sua assinatura para oficializar o seu consentimento.
Agradecemos desde já por sua valiosa observação e nos colocamos a sua
disposição para outros esclarecimentos necessários.
Para eventuais necessidades, estaremos à disposição na Escola de
Enfermagem Wenceslau Braz, localizada na Avenida Cesário Alvim, 566, Centro, na
cidade de Itajubá-MG, telefone: (35) 3622-0930 ramal 323.
Diante do que foi exposto acima, concordo em participar desta pesquisa e
para comprovar minha participação, assino o presente documento.
NOME:
___________________________________________________________________
ASSINATURA:
___________________________________________________________________
CIDADE:
___________________________________________________________________
DATA:______________________________________________________________
69
APENDICE D - Solicitação para a coleta de dados
Itajubá, 11 de Outubro de 2011.
Exmo. Sr.
Dr. Ângelo Flávio Adami
Coordenador de Ensino do Hospital Escola
Prezado Dr. Ângelo
Nós Ana Luiza Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane Príscilla
Goulart, acadêmicas do 6º período do curso de Graduação em Enfermagem pela
Escola de Enfermagem Wenceslau Braz (EEWB) por meio desta solicitamos
autorização para realizar a coleta de dados para uma pesquisa de Conclusão de
Curso na Clínica Cirúrgica do Hospital Escola.
Os dados de identificação da pesquisa consistem nos seguintes:
-Título: “SENTIMENTOS VIVENCIADOS NO PRÉ-OPERATÓRIO IMEDIATO: o
Discurso do Sujeito Coletivo sobre a óptica dos pacientes de uma clínica
cirúrgica”
-Tipo de pesquisa: Abordagem qualitativa e de caráter descritivo, tipo transversal.
Orientadores: Mariângela Gomes Paixão e Ivandira Anselmo Ribeiro Simões (coorientadora).
Objetivo: Os objetivos são de forma geral, conhecer os sentimentos dos pacientes
no pré-operatório imediato na clínica cirúrgica do Hospital Escola.
Sujeitos: Pessoas tanto do gênero masculino quanto do feminino e acima de 18
anos, paciente com indicação cirúrgica que estejam internados na clínica cirúrgica
na instituição envolvida na pesquisa que se encontrem no período pré-operatório
imediato (24 horas que antecedem a cirurgia); sejam submetidos à anestesia raque
ou geral; apresentarem função cognitiva preservada; aceitarem participar da
pesquisa;
Tipo de coleta: Preenchimento de um instrumento através de entrevista semiestruturada e caracterização dos mesmos.
Locais de estudo: Hospital Escola AISI Itajubá;
O projeto de pesquisa será devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da Escola de Enfermagem Wenceslau Braz.
70
Sem
outro
particular,
aproveitamos
o
ensejo
para
enviar
nossos
agradecimentos antecipados pela atenção que nos será dispensada.
Atenciosamente,
Ana Luiza Souza Figueiredo, Iorlanda Cristina Ferreira, Tayfane Príscilla
Goulart.
Para quaisquer dúvidas e esclarecimentos, a pesquisadora disponibiliza o telefone
para contato EEWB: 3622-0930 ou Celular: 9817-2616
71
APÊNDICE E – Ideias centrais, sujeitos, freqüências de ideias centrais sobre o
tema: sentimentos vivenciados no pré-operatório imediato
N°
IDÉIAS CENTRAIS
SUJEITOS
FREQUÊNCIA DAS
IDÉIAS CENTRAIS
1
Medo
P2, P5, P12, P13,
10
P14, P15 P16 P17
P18 P19
2
Ansiedade
P2, P11, P14, P15,
6
P18 P19
3
Preocupação
P1, P4, P5, P9
5
P18
4
Nervosismo
P1, P12, P15 P17
4
5
Raiva
P1, P7
2
6
Susto
P3, P4
2
7
Impotência
P6, P8
2
8
Desvalorização
P7, P10
2
9
Tristeza
P15, P20
2
10
Tensão
P1
1
11
Apreensão
P6
1
12
Desesperança
P12
1
13
Mágoa
P14
1
14
Estresse
P15
1
Total
Fonte: Instrumento da pesquisa
40
72
APÊNDICE F – Agrupamento das idéias centrais semelhantes ou
complementares
IDÉIAS CENTRAIS
IDÉIAS CENTRAIS
ORIGINADAS PÓS AGRUPAMENTO
Tristeza
Mágoa
Tristeza
Tensão
Ansiedade
Ansiedade
Nervosismo
Apreensão
Preocupaçãp
Preocupação
Susto
Medo
Medo
Raiva
Impotência
Impotência
Desesperança
Estresse
Desvalorização
Diversos sentimentos
73
APENDICE G - Instrumento de análise de discurso 1 (IAD - 1) referente a
questão norteadora
QUESTÃO 1: Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual
será submetido?
SUJEITOS EXPRESSÕES – CHAVE (ECH)
IDÉIA CENTRAL-IC
Ai menina, agora eu to ficando
nervosa porque esta ficando
cada vez mais próximo da
cirurgia,
to
preocupada
comigo porque eles (médicos)
passam aqui e nem olham pra
cara da gente [deixa eu até te
pedir, deixa a porta aberta que
na hora que eu vê um deles
passando eu vou chamar]. É
uma situação tensa, a gente
não sabe o que faz; as vezes
dá até raiva na gente, porque
eles passam aqui e falam que
é hoje, daí agente fica em
jejum e nada, daí no outro dia
é a mesma coisa...já fiquei
nessa uns 5 dias...mais agora
chegou a minha vez...que Deus
me abençõe e que dê tudo certo.
1º IC Nervosismo
2º IC Tensão
3º IC Preocupação
4º IC Raiva
P1
P2
Tô
ansiosa...sabe,
minha
cirurgia sei que não é fácil
porque é na coluna,né?!dai
tenho medo...medo de não
andar mais, porque eu já vi na
televisão que quando dá alguma
coisa errada na coluna a pessoa
pode nem andar mais [silêncio]
Mais assim, eu confio na
doutora, ela é muito atenciosa,
mais assim me explica as coisas
mas a cirurgia na hora lá é Deus
e ela. Já passei por uma cirurgia,
essa vai ser a segunda, mais
não adianta agente sente tudo
de novo como se fosse a
primeira, agora de sentir mesmo
1º IC Ansiedade
2º IC Medo
74
eu to sentindo muito medo.
P3
P4
P5
É minha filha, até nessa idade
que eu to nunca precisei de
ficar internado pra nada e
agora to eu aqui. O que eu sei
é o que a moça falou pra mim,
que eu vou lá pra cirurgia daqui
a pouco, daí quando ela falou
isso pra mim eu fiquei
assustado, eu não sei o que
que eu vou fazer direito, acho
que é catarata. O “douto” falou
que e pra eu ficar tranqüilo pra
pressão não subir mais acho que
ela já ta lá nas alturas, (risos)
porque agente assusta, né,
quando fala assim que é a nossa
vez...não sei o que vão fazer
comigo lá dentro...só rezo pra
que dê tudo certo.
Assim, sentimento é o que eu to
sentindo agora, né?! Agora,
agora eu to meio preocupado e
assustado ao mesmo tempo.
To preocupado porque tenho
medo da minha perna não
ficar a mesma depois da
cirurgia e to assustado porque
é um tal de passar gente pra
cá e pra lá...gente gritando
(acho que é de dor,sei
lá)...nossa, da uma coisa
dentro do peito,um aperto...sei
lá, você entende,né...agente que
não ta acostumado com hospital
fica assim, assustado com tudo,
com medo de tudo. (risos)
Ah, eu to com medo...sei lá o
que vai acontecer, comigo na
verdade nem estou muito
preocupado, queria ir embora ,
porque
minha
namorada
morreu daí ta sendo o velório
dela e eu queria ir (silencio e
choro). Agora eu vou ter que ir
1º IC Susto
1º IC Preocupação
2º IC Susto
1º IC Medo
2º IC Preocupação
75
pra essa cirurgia com medo e
preocupado em saber se vai
dar tempo de eu ver ela, pelo
menos pela ultima vez. Mais
assim da cirurgia mesmo, é mais
medo.
P6
P7
P8
Nossa isso daqui é horrível...a
gente se sente impotente, de
mãos atadas. Não posso me
mexer,
sinto
dor,
tudo
dependo das pessoas, nem ao
banheiro
posso
ir.
Fico
apreensivo,
pois
minha
esposa, meus filhos, minha
família toda esta preocupada...
um acidente muda a vida da
gente...dou graças a Deus por
estar vivo, pois se não fosse por
ele talvez eu nem estivesse aqui.
Agora é rezar e ver se esse
sentimento de perda, de vazio
passa, pois é quando agente
perde o poder de fazer as
coisas como um simples ato
de se alimentar é que agente
vê o valor da vida.
Pra te falar bem a verdade,
sentimento eu não sei te
falar...to com muita dor...já
falei várias vezes pra moça me
trazer algum remédio pra dor,
e ela disse que eu já to
tomando, mais a dor não
melhora...sei lá, as vezes acho
que os funcionários aqui não
dão a mínima atenção pra
gente...a gente e uma pedra é
a mesma coisa, da uma raiva,
antes eu tivesse em casa, pelo
menos alguém iria me dar
atenção, agora aqui nem
parece que eu to em um
hospital.
Ah me sinto muito impotente,
estou aqui agora esperando
pra fazer essa cirurgia, e nem
sei direito como vai ser,
1º IC Impotência
2º IC Apreensão
1º IC Raiva
2º IC Desvalorização
1º IC Impotência
76
ninguém me explicou muito
bem. Não posso mexer na
cama, tomar banho sozinho ...
credo é uma sensação muito
ruim.
P9
P10
P11
P12
Estou muito preocupado, a
gente que é pai de família, só
fica pensando quem vai
sustentar a casa se alguma
coisa sair errado, dependo das
perna pra trabalhar. Então
uma tá quebrada, já tem varios
dias... e até agora só fica
adiando a cirúrgia, a gente fica
pensando que dia vai ser,
como vai ser, que horas vai
ser e não sabe de nada .
Me
sinto
desvalorizada,
poderia ter mais informação ...
a gente é tão leiga no assunto,
se tivesse uma pessoa para
converssar com a gente, que
chegasse,sentasse, sabe ...
retirasse as dúvidas .
Estou ansioso... Não conheço
muito sobre a cirurgia, mais
um rapaz falou pra mim que é
tranqüilo. Mais eu quero é fazer
logo, tanto pra ir embora quanto
pra ver no que vai dar. Medo eu
não tenho, estou ansioso
mesmo. Quero ver como é essa
cirurgia. To aqui desde terça e
até agora nada, uma hora
agente tem que ir... Minha vez
vai chegar, e espero que seja
hoje.
Eu quero sair daqui logo, eu já
não tenho mais esperança de
fazer a cirurgia não. Eles estão
me enrolando desde sexta
passada e até agora eu to aqui.
Eles só ficam dando um
remedinho pra dor e a cirurgia
1º IC Preocupação
1º IC Desvalorização
1° IC Ansiedade
1°- IC Desesperança
2°- IC Medo
3°- IC Nervosismo
77
que é bom nada. Tenho medo
da anestesia, porque eu tenho
um “probleminha” no coração
e tenho medo de não voltar.
Fico nervoso de ficar aqui,
pois isso aqui é um caminho
sem saída, se eu fico aqui eles
não me atendem e se eu vou
embora fico sem mexer o braço.
P13
P14
P15
Ah, meu sentimento é medo de
amputar a perna. Não tenho
medo da anestesia; isso agora
pra falar a verdade não importa.
To com medo na hora de ir
porque não sei se vai dar
certo, mas tenho fé em Deus
que vai dar certo sim.
Ah, agente vai né, é que sempre
agente sente alguma coisa...
mais sempre tem um pouco de
medo. O médico disse que fez
uma coisa errada, então eu vou,
né. Tem que arrumar, e quem
vai fazer agora não tem culpa do
outro ter feito errado, estou
ansioso. Quero que acabe
logo...quando agente passa
por essas coisas agente quer
melhorar. Quando eu soube
que ia ter que fazer outra
cirurgia para corrigir um
negócio errado que eles
fizeram eu fiquei magoado.
Mas fazer o que, agora quero
fazer essa logo pra ir embora.
Não quero mais ficar aqui.
A gente fica ansiosa, né.
Tenho medo da anestesia,
porque agente não é mais
criança. Ontem quando eu
entrei pra internar eu tava
muito nervosa nunca internei
antes e agora venho para fazer
uma cirurgia. Eu tenho medo
também de voltar com alguma
1°- IC Medo
1° –IC Medo
2°- IC Ansiedade
3°- IC Mágoa
1°- IC Ansiedade
2°- IC Medo
3°- IC Nervosismo
4° - IC Estresse
5°- IC Tristeza
78
limitação, de ficar incapaz.
Penso em meus filhos, porque
eu quero é ficar bem pra eles.
Ficar aqui é muito cansativo,
estressante. Essa demora me
mata, eles falaram que eu ia
operar ontem e nada. E mais,
vou te dizer uma coisa, menina,
é triste demais a gente
depender
dos
outros
e
principalmente na parte da
saúde que a cada dia que
passa ta pior.
P16
P17
Ah, eu penso que não quero
morrer... Tenho medo das
coisas que podem acontecer,
ter que colocar parafusos na
perna, isso eu não quero. Minha
pressão é alta, e quando eu fico
nervoso ela sobe mais ainda,
então, se eu ficar nervoso ela
pode subir. Daqui a pouco eu
vou começar a ficar nervoso,
isso eu tenho certeza. Eu sei
que eu não posso, queria muito
ficar bom logo.
To muito nervoso, to com
medo de doer, já passei por
tanta dor que não queria mais.
Tenho medo de dar errado, de
perder a perna. É ruim demais
ficar aqui. Já quebrei outras
coisas mas nunca precisei de
cirurgia
nenhuma.
Quando
coloca agente na maca, é
horrível, a perna vai pra um lado
e o corpo pro outro. Credo é
muito ruim. Eu sei que vai ser
ainda pior quando a maca vier
pra me levar pra cirurgia. Ai o
bixo pega, né, as pernas treme e
o coração dispara.
1°- IC Medo
1°- IC Nervosismo
2°- IC Medo
79
P18
P19
P20
Sabe,
fiquei
preocupada,
porque eu nem sabia que ia
fazer a cirurgia, aí assustei.
Disseram que ia ser anestesia
geral, fiquei ansiosa, senti uma
taquicardia, medo, porque me
pegou
de
surpresa,
fico
pensando no que vai acontecer
lá dentro, de alguma coisa não
dar certo e eu não voltar da
anestesia ou voltar com algum
problema.
Estou ansiosa, pois minha
pressão subiu e tiveram que
adiar a cirurgia. Agora estou
com medo da pressão não
melhorar ou ainda dar algum
problema durante a cirurgia por
causa disso.
É muito triste ficar aqui
sozinho.
Não
pode
ficar
ninguém com agente e ainda fica
nessa enrolação. Ninguém sabe
informar direito o que está
acontecendo, enquanto isso eu
fico aqui sem saber quando vai
ser a cirurgia.
1°- IC Preocupação
2°- IC Ansiedade
3°- IC Medo
1°- IC Ansiedade
2°- IC Medo
1°- ICTristeza
80
APENDICE H - Instrumento de análise de discurso 2 (IAD - 2) referente a
questão norteadora
QUESTÃO 1: Qual o seu sentimento mediante ao procedimento cirúrgico ao qual
será submetido?
Nº
IDÉIA CENTRAL 1 – NERVOSISMO
P1
(...) Agora eu to ficando nervosa, porque esta ficando cada vez mais
próximo da cirúrgia.
(...) Fico nervoso de ficar aqui.
P12
P15
P17
(...) Quando eu entrei pra internar eu tava muito nervosa, nunca
internei antes e agora venho para fazer uma cirurgia.
To muito nervoso.
Nº
IDÉIA CENTRAL 2 – TENSÃO
P1
(...) situação tensa, a gente não sabe o que faz.
Nº
IDÉIA CENTRAL 3 – PREOCUPAÇÃO
P1
(...) to preocupada comigo porque eles (médicos) passam aqui e nem
olham pra cara da gente [deixa eu até te pedir, deixa a porta aberta que na
hora que eu vê um deles passando eu vou chamar.
(...) eu to meio preocupado e assustado ao mesmo tempo. To preocupado
porque tenho medo da minha perna não ficar a mesma depois da cirurgia.
(...) na verdade comigo nem estou muito preocupado, minha namorada
morreu daí ta sendo o velório dela e eu queria ir (silencio e choro). Tô
preocupado sem saber se vai dar tempo de eu ver ela, pelo menos pela
ultima vez.
Estou muito preocupado, a gente que é pai de família, só fica pensando
quem vai sustentar a casa se alguma coisa sair errado, dependo das perna
pra trabalhar. Então uma tá quebrada, já tem varios dias... e até agora só
fica adiando a cirúrgia, a gente fica pensando que dia vai ser, como vai ser,
que horas vai ser e não sabe de nada .
(...) fiquei preocupada, porque eu nem sabia que ia fazer a cirurgia, aí
assustei.
P4
P5
P9
P18
Nº
IDÉIA CENTRAL 4 – RAIVA
P1
(...) as vezes dá até raiva na gente, porque eles passam aqui e falam
que é hoje, daí agente fica em jejum e nada, daí no outro dia é a
81
P7
Nº
mesma coisa...já fiquei nessa uns 5 dias.
(...) não dão a mínima atenção pra gente...a gente e uma pedra é a
mesma coisa, da uma raiva, nem parece que eu to em um hospital.
IDÉIA CENTRAL 5 – ANSIEDADE
P2
Tô ansiosa, minha cirurgia sei que não é fácil porque é na coluna.
P11
P15
Estou ansioso... Não conheço muito sobre a cirurgia. Medo eu não tenho,
estou ansioso mesmo. To aqui desde terça e até agora nada.
(...) estou ansioso. Quero que acabe logo...quando agente passa por essas
coisas agente quer melhorar.
A gente fica ansiosa né.
P18
(...) fiquei ansiosa, senti uma taquicardia.
P19
Estou ansiosa, pois minha pressão subiu e tiveram que adiar a cirurgia.
P14
Nº
IDÉIA CENTRAL 6 – MEDO
P2
(...) tenho medo...medo de não andar mais.
P5
Eu to com medo...sei lá o que vai acontecer.
P12
(...) Tenho medo da anestesia, porque eu tenho um “probleminha” no
coração, medo de não voltar.
(...) medo de amputar a perna. To com medo na hora de ir porque não sei
se vai dar certo.
(...) a gente sente alguma coisa... mais sempre tem um pouco de medo.
P13
P14
P15
P18
(...) Tenho medo da anestesia, porque a gente não é mais criança. Medo
também de voltar com alguma limitação, de ficar incapaz
Ah, eu penso que não quero morrer... Tenho medo das coisas que podem
acontecer, ter que colocar parafusos na perna.
(...) to com medo de doer, já passei por tanta dor que não queria
mais...medo de dar errado, de perder a perna.
(...) medo, porque me pegou de surpresa.
P19
(...) medo da pressão não melhorar.
P16
P17
Nº
IDÉIA CENTRAL 7 – SUSTO
P3
(...) até nessa idade que eu to nunca precisei de ficar internado pra nada e
agora to eu aqui. Eu fiquei assustado, eu não sei o que eu vou fazer
direito, acho que é catarata, não sei o que vão fazer comigo lá dentro.
(...) to assustado porque é um tal de passar gente pra cá e pra lá...gente
gritando (acho que é de dor,sei lá)...nossa, da uma coisa dentro do
P4
82
peito,um aperto.
Nº
IDÉIA CENTRAL 8 – IMPOTÊNCIA
P6
(...) a gente se sente impotente, de mãos atadas. Não posso me mexer,
sinto dor, tudo dependo das pessoas, nem ao banheiro posso ir.
(...) me sinto muito impotente, estou aqui agora esperando pra fazer essa
cirurgia, e nem sei direito como vai ser, ninguém me explicou muito bem.
Não posso mexer na cama, tomar banho sozinho, é uma sensação muito
ruim.
P8
Nº
IDÉIA CENTRAL 9 – APREENSÃO
P6
(...) Fico apreensivo, pois minha esposa, meus filhos, minha família toda
esta preocupada... um acidente muda a vida da gente... pois é quando
agente perde o poder de fazer as coisas como um simples ato de se
alimentar é que agente vê o valor da vida.
Nº
IDÉIA CENTRAL 10 – DESVALORIZAÇÃO
P7
(...) to com muita dor...já falei várias vezes pra moça me trazer algum
remédio pra dor, e ela disse que eu já to tomando, mais a dor não
melhora... não dão a mínima atenção pra gente.
Me sinto desvalorizada, poderia ter mais informação. se tivesse uma
pessoa para converssar com a gente, que chegasse,sentasse, sabe
retirasse as dúvidas .
P10
Nº
IDÉIA CENTRAL 11 – DESESPERANÇA
P12
(...) eu já não tenho mais esperança de fazer a cirurgia não. Eles estão me
enrolando desde sexta passada.
Nº
IDÉIA CENTRAL 12 – MÁGOA
P14
(...) Quando soube que ia ter que fazer outra cirurgia para corrigir um
negócio errado que eles fizeram eu fiquei magoado.
Nº
IDÉIA CENTRAL 13 – ESTRESSE
P15
(...) Ficar aqui é muito cansativo, estressante.
83
Nº
IDÉIA CENTRAL 14 – TRISTEZA
P15
(...) é triste demais a gente depender dos outros e principalmente na parte
da saúde que a cada dia que passa ta pior.
(...) É muito triste ficar aqui sozinho.
P20
84
ANEXO A – Parecer Consubstanciado N° 786/2011
85
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