Mestrado de Construção e Reabilitação
Planeamento e Gestão da Construção
CAPÍTULO 2
ORÇAMENTAÇÃO
2.1. CONCEITO
O orçamento é um documento contratual que traduz o valor proposto pela empresa para
execução dos trabalhos previstos no projecto patenteado a concurso. Determina o custo
industrial e o preço pelo qual a empresa pretende vender este serviço.
Para além disso serve também de base a:
- Emissão de Facturas (Mensal);
- Estudo de Erros e Omissões;
- Controlo de rendimentos e custos, pelo Dono de Obra, (MO, MT, SB, EQ);
E disponibiliza informações com vista à elaboração de:
- Mapas de previsões de consumos (materiais e componentes);
- Determinação de rácios e indicadores de quantidades e custos da obra para
utilização futuras obras;
- Mapas estatísticos.
A oferta de uma empreitada de construção é chamada proposta. A proposta (apresentada
pelos concorrentes) é o documento pelo qual a empresa manifesta ao dono de obra a
vontade de contratar a empreitada e indica as condições em que se dispõe a fazê-lo. Deve
constituir um mapa orçamental expresso em termos de venda, com a lista de preços
unitários em valores de venda e os mapas resumo de quantidades de trabalho.
Documentos que instruem uma proposta:
- Mapa Orçamental com valor proposto (preço de venda)
- Lista de Preços Unitários do mapa orçamental, com mapas resumo de
quantidades de trabalho, a preços de venda
- Programa de Trabalhos, incluindo prazos, planos de mão-de-obra e de
equipamentos
- Memória Justificativa e descritiva do modo de execução da obra
- Declaração de compromisso subscrita pelo concorrente e cada um dos
subempreiteiros.
 Factores a ter em conta na elaboração do orçamento
 Factores internos (empresa)
- Organização: localização, dimensão e apoios à equipa de orçamentação;
- Disponibilidades da produção: eventual preenchimento do volume relevante;
- A obra. Tipo, duração, tecnologia, localização
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- O consumo de materiais (mapa de quantidades) em cada um dos serviços a serem
realizados,
- A quantidade de mão-de-obra,
- O tempo de uso dos equipamentos necessários aos serviços,
- Os custos financeiros decorrentes,
- Os custos administrativos (indirectos),
- A carga tributária que irá pesar sobre os serviços etc.
- Os métodos construtivos,
- As condicionantes regionais e locais,
- O tipo de gerência que se pretende empregar na execução da obra,
 Factores externos (mercado)
- A realidade do mercado (concorrência, fornecedores, subempreiteiros e clientes)
- A incidência das leis sobre o custo da mão-de-obra,
- A possibilidade de ocorrência de fenómenos climáticos que venham a interferir
nos custos da obra etc.
2.2. PROCEDIMENTO
Existem vários métodos de estimação de custos de construção. Todos eles assentam num
conceito comum que consiste em:
Custo (estimado) = Quantidade x Preço Unitário (estimado)
O processo de orçamentação tem início na apreciação do anúncio público ou carta convite
e desenrola-se até à apresentação da proposta e negociação da empreitada. Em caso de
adjudicação, conclui-se com a elaboração e assinatura do contrato de empreitada e
passagem dos elementos do concurso e orçamento à equipa responsável pela execução da
obra – Produção. Após adjudicação, a equipa da produção deve proceder em obra à
reorçamentação do projecto, passando-se de um orçamento comercial a um mapa
orçamental.
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Valor de Venda = Custo Industrial + Margem Líquida
Custo Industrial = Custo Directo + Custo Indirecto
Custo Directo = Custo Produção + Subempreitadas
Custo Produção = custo fabrico + encargos estaleiro
Custo de Fabrico = MO + MT + EQ
Custo Produção = CF + EE
Margem Líquida = Margem de Lucro + Margem para risco
2.2.1. Custo Industrial
O valor que a empreitada custa de facto à empresa. No entanto, este valor não é o valor
final apresentado, pois está despido de quaisquer margens para a cobertura de encargos
que não digam directamente respeito à execução da obra, isto é o lucro.
O custo industrial é independente do valor de venda (Vv), pois este está associado à
execução da obra e o segundo também está associado às estratégias da empresa.
Ci = Σ (C.D + C.I)
2.2.2. Custos Directos
Todas as despesas que incidem, directa e exclusivamente, na execução de um trabalho.
Das fichas de preços compostos, resultará um custo directo unitário de produção, ao qual
se terá de adicionar o custo das Subempreitadas (SB)
C.D. = Σ (C.P + SB)
2.2.2.1 Custos de Produção

CUSTOS DE FABRICO = MO + MT + EQ
É preço dos recursos (mão de obra, materiais e equipamentos) que são utilizados
para realizar uma unidade de trabalho.
Os preços compostos das actividades são obtidos pelo somatório dos preços
unitários dos recursos (preços simples) ou complexos multiplicados pelas
respectivas quantidades necessárias à execução de uma unidade elementar da
medição do trabalho de construção. Método da composição de custos.
Consumos e Rendimentos
Para quantificar os preços compostos previstos para uma determinada operação
de construção precisamos calcular os consumos a utilizar nos vários elementos.
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Por exemplo:
Para cofrar 1 m2 de viga necessitamos de saber quantas horas de carpinteiro são
precisas, assim como quantas horas de servente, ou quantos metros quadrados de
taipas, ou quantos quilos de pregos, ou quantos litros de óleo descofrante, ou
quantos dias de prumos extensíveis.
A esta quantidade de consumo utilizada para realizar uma unidade de operação
de construção é considerada o Consumo.
Dir-se-ia, por exemplo, que o Consumo (inverso do rendimento) do carpinteiro
seria de 1,2 h/m2 se fossem necessárias 1,2 horas para executar 1 metro
quadrado de cofragem em vigas.
- Mão-de-obra: MO
Para se calcular o custo de mão-de-obra por unidade de medição recorre-se ao
conceito de Consumo de mão-de-obra que traduz a quantidade de tempo de
trabalhador necessária à realização de uma unidade de trabalho. [Hh/m2]
Pode também considerar-se o inverso do consumo designando-se então por
Rendimento
mão-de-obra que traduz a quantidade de trabalho produzida por determinada
equipa num dado tempo.
Custo = quantidade tempo p/1 unidade de operação X custo horário do
trabalhador
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Custo horário =
- Encargos sociais legais:
- Taxa social única; Seguros; Medicina no trabalho; Formação profissional;
Férias; Subsídio de férias; Subsídio de Natal; Feriados; Higiene e segurança no
trabalho; Faltas remuneradas; Indemnização por cessação do contrato;
Inactividade por mau tempo; Subsídio de almoço; Ferramentas
- Encargos sociais atribuídos por iniciativa da empresa
- Horas extraordinárias; Transporte de pessoal; Prémios de assiduidade;
Gratificações; Alojamento e refeições de pessoal; Tempo despendido nas
visitas ao médico de trabalho; Tempo gasto no exercício de funções
remuneradas, mas que não correspondem a trabalho realizado
- Materiais: MT
As quantidades de materiais devem ser determinadas de uma forma semelhante
à dos rendimentos de mão-de-obra, considerando ainda o nº de utilizações
desse material e os desperdícios. (exemplo da cofragem).
MT = ( Custo unitário X Quantidade)/ nº Utilizações
O custo dos materiais por unidade de medição de uma operação de construção
é calculado pelo somatório dos custos de todos os materiais necessários para a
sua realização, atendendo-se sempre às unidades a que os custos dos materiais
recolhidos no mercado se referem. [MT]
- Equipamentos: EQ
Os equipamentos a considerar nas fichas de preços compostos deverão ser
aqueles em relação aos quais é possível determinar, com grau de precisão
elevado, os tempos de permanência necessários à execução das várias tarefas
em que se prevê utilizar o equipamento em causa.
De modo geral os custos com os equipamentos são considerados como um
Custo de Estaleiro, devido a serem utilizados simultaneamente em diversas
operações de construção e ser difícil a quantificação da sua utilização de cada
um deles nestas operações, exemplifica-se o caso das gruas fixas em obra e das
retroescavadoras.
Existe porém o caso em que estes equipamentos são utilizados numa operação
especifica, exemplifica-se o caso da utilização de uma máquina de estuque da
empresa na execução da operação de fornecimento e aplicação de estuque.
Neste caso imputa-se o custo desta máquina ao conjunto de operações de
construção em que a mesma é utilizada. O seu custo determina-se do seguinte
modo, para uma unidade de medição de operação de construção, de acordo
com a equação:
EQ = CH / Pd ; [1]
Em que:
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EQ= Custo por unidade de medição de operação de construção realizada por
um equipamento;
= Custo Horário de utilização do equipamento;
Pd = Quantidade de trabalho produzido pela máquina numa dada unidade de
tempo (rendimento da máquina)
Sabendo que:
[2]
Em que:
a= nº de horas anuais teoricamente possíveis;
= nº de horas em que o trabalhador está afecto à maquina;
nº de horas de trabalho efectivo;
custo horário de posse em €;
custo horário de manobra em €;
custo horário de manutenção, reparação e consumo, em €.
Os equipamentos também podem figurar como parte integrante de uma
subempreitada, neste caso a determinação do seu custo faz-se através de uma
consulta a uma empresa externa.
 ENCARGOS DO ESTALEIRO [EE]
EE = EM + ED + EU + EG + EP + EO
- Montagem e Desmontagem de estaleiro
- Encargos de Utilização do estaleiro
- Encargos Gerais
- Encargos com Pessoal técnico de estaleiro;
- Encargos com a Organização, técnica e administrativa.
Instalações do estaleiro
Devem incluir, entre outras as seguintes rubricas:
- Transporte, montagem, desmontagem e conservação das instalações do
estaleiro, nomeadamente:
- Vedações da obra e acessos;
- Ramais de ligação às redes de água, esgotos, electricidade e respectivas
redes internas
- Rede de iluminação da obra
- Conservação e eventual construção de acessibilidades no estaleiro

SUBEMPREITADAS
Por subempreitada entende-se o fornecimento de meios ou execução de trabalhos por
entidades exteriores com capacidade técnica para as realizar. Assim a empresa deve
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solicitar aos sub empreiteiros propostas de execução das subempreitadas previstas
(incluindo preço e prazo de execução).
2.2.3 Custos Indirectos
Custos dos encargos que dizem respeito à empreitada mas que não incidem directamente
sobre a execução das várias actividades que constituem a obra, como as despesas da
empresa comuns a todas as obras (custos da estrutura da empresa).
CI = CG + EF + DS + OU
CG Encargos com a caixa geral de aposentações, seguros;
EF - Encargos financeiros;
DS - Encargos de Estrutura - as despesas com a sede da empresa de construção;
OU - Outros encargos
Proporcionais: Custos indirectos não integrados no orçamento, cujo valor é
proporcional ao Custos Directos: CI = (valor em %) x CD
(7% a 18%)
2.2.4 Margem Líquida
A Margem Líquida (ML), representa a margem de lucro e é definida pela estratégia da
empresa.
ML = Ml + Mr
Ml – Margem líquida;
Mr – Margem de risco
Ao valor do custo industrial é necessário acrescentar os encargos que não dizem
directamente respeito à execução da obra, estes definem-se como sendo a margem de
lucro com que o negócio deve contribuir para o sucesso da empreitada.
Esta abordagem significa definir para cada caso a margem de lucro em função das
seguintes variáveis:
- Duração da obra
- Grau de amortização dos encargos de estrutura e industriais
- Nível garantido dos resultados económicos da empresa
- Situação da carteira de obras
2.3. VALOR DE VENDA
Ao somatório dos custos directos (CD), Custos Indiretos (LI) e Margem Liquida (ML),
designa-se por Valor de Venda da Obra (Vv) é expressa pela equação [5]:
Deste modo obtém-se o valor de venda da proposta (VV):
Vv = CD + CI + ML ; [5]
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Factor de Agravamento
Seguidamente determina-se o Encargo sobre o Custo Directo (CD), designado (1+K),
que incidindo sobre os custos directos da obra, traduza a comparticipação dessa obra
para a amortização dos encargos não industriais (CI) e da margem líquida (ML).
VV = CD × (1 + k )
Preço unitário de venda
O preço unitário de venda de cada trabalho corresponde ao custo directo unitário
multiplicado pelo seu factor de encargo:
Pu = CDu x (1+ K)
CDu – custo directo unitário.
(1+ K) – factor de agravamento ou encargo sobre o custo directo
K
– factor de venda
O valor final – Preço de venda – corresponde ao somatório do produto das quantidades
de trabalhos previstos no mapa de quantidades de trabalhos (MQT), pelos preços unitários
de venda determinados com base na recolha de preços no exterior, na base de dados e na
estrutura de custos da empresa.
VV = Σ Pui × qi
Pui - preço unitário de venda unitário de cada uma das operações.
qi - quantidade de cada operação.

MAPAS ORÇAMENTAIS
Com a determinação dos custos unitários das operações de construção e respectivas
quantidades necessárias à execução do empreendimento, assim como o valor de todas as
subempreitadas a adjudicar para a realização do mesmo, elabora-se um mapa
Orçamental de Custos
Assim exemplifica-se na figura 4.1 uma parte de um mapa orçamental de uma obra,
referindo-se este em Valores de Custo de Produção aos quais somando o valor das
empreitadas se obtem o Custo Directo.
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Descrição
Artº
Un Qnt.
Mats (€)
Materiais
(€)
M.O
. (€)
Subempr. Cust. unit
(€)
Produç (€)
Total
(€)
ARQUITECTURA
Cap
ALVENARIAS
1
1.1 Fornecimento
e
execução de paredes
interiores simples em
tijolo,
incluindo
argamassas
de
assentamento.
argamassa
1.1.
1
Furado 30x20x7
1.1.
2
Furado 30x20x11
1.1.
3
Furado 30x20x22
m2
102,0
1,76
0,67
4,50
m2
85,0
1,91
1,06
m2
96,0
3,67
2,11
93,14
6,93
800,0
4,50
7,47
694,9
4,50
10,28
986,9
Figura 2.1 – Parte de um mapa orçamental a valores de custo
Quando o mapa orçamental se refere em termos de preços de venda terá de vir referido
“mapa orçamental em termos de venda” vide a figura 4.2, referindo-se apenas à
denominação, “mapa orçamental” este será sempre em termos de custos.
Artº
Descrição
ARQUITECTURA
Un
Quantid.
Preço de V.
unit
Pu (€)
Preço de Venda
Total (€)
Cap 1
ALVENARIAS
1.1
Fornecimento e execução de paredes
interiores simples em alvenaria de tijolo,
incluindo argamassas de assentamento,
travamentos sempre que necessário. Inclui
ainda todos os materiais e trabalhos
necessários a um bom acabamento e de
acordo com elementos de projecto.
1.1.1
Furado 30x20x7
m²
102,27
9,36
957,25
1.1.2
Furado 30x20x11
m²
1.285,11
10,08
12.953,91
1.1.3
Furado 30x20x22
m²
156,89
13,88
2.177,63
(1+K) = 1,35
Figura 2.2 – Parte de um mapa orçamental expresso em valores de venda.
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 Proposta
O mapa orçamental expresso em termos de venda representa o documento justificativo
do preço de venda, a lista de preços unitários em valores de venda e os mapas resumo de
quantidades de trabalho. Aos elementos atrás referidos adiciona-se os restantes elementos
constantes que têm de complementar a proposta, de modo a ter-se a proposta do
empreiteiro instruída e validada para responder a um concurso público ou privado,
consoante o que é requerido pelo cliente.
Mapa orçamental com valor proposto (preço de venda)
Lista de preços unitários do mapa orçamental, com mapas resumo de quantidades de
trabalho, a preços de venda.
Proposta
Programa de trabalhos, incluindo prazos, planos de mão-de-obra e de equipamentos
Memória justificativa e descritiva do modo de execução da obra
Declaração de compromisso subscrita pelo concorrente e cada um dos subempreiteiros,
consoante o previsto no artº 266 do RJEOP
Figura 2.3 – Documentos que instruem uma proposta.
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CAP 4 - ORÇAMENTAÇÃO