Ceará Oftalmológico
Órgão Oficial da Sociedade de Oftalmologia do Ceará
Ano XXVI Nº 30
Gestão Atual - Trimestral - Janeiro/Março 2006 - Nº 05
PALAVRA DO
PRESIDENTE
Em virtude do momento atual da nossa especialidade, decidimos em reunião da Diretoria da
Sociedade de Oftalmologia do Ceará, realizada
no dia 24 de janeiro do corrente, elevar o nosso
grande evento à categoria de Congresso. A Oftalmologia cearense terá seu Congresso, como
já ocorre com a Pediatria, Cardiologia e NeuroTeve início em 1978, o logia, dentre outras.
maior evento da OftalmoloOs números dos encontros serão mantidos.
gia do Ceará. A Jornada Ce- Desse modo, em novembro, teremos o XVII
arense de
Congresso CearenOf talmolo se de Oftalmologia.
A Oftalmologia cearense
gia ocorreu
Para
mantermos
anualmenterá seu Congresso, como também a tradição
te, por muie preservarmos mejá
ocorre
com
a
Pediatria,
tos anos, até 2004, quando
lhor a história, depassou a chamar-se Simpósio
cidiu-se na reunião
Cardiologia e Neurologia,
Cearense de Oftalmologia.
supracitada, mandentre outras.
Nas últimas edições, register o Prêmio Hélio
trou-se um crescimento em
Góes, a pedido da
todos os sentidos. Constatamos pelo com- nossa amiga Eliane Bonfim, que o introduziu
parecimento significativo dos oftalmologistas como premiação do melhor trabalho científico.
cearenses, assim como dos estados vizinhos. O Dr. Hélio Góes possui uma bibliografia rica
Destaca-se também a quantidade e qualidade de serviços prestados à Oftalmologia cearendos trabalhos científicos apresentados. A par- se, destacando-se a fundação do Instituto dos
ticipação das empresas ligadas a Oftalmologia Cegos. Fazemos, portanto, justiça à memória
tem aumentado de forma considerável.
deste grande colega.
Grande empresa nacional
promete a soc que não vai
comercializar lentes de
contato
página
3
soc dá início ao seu programa
de educação médica
continuada - pec
t
nota jurídica
soc obtém éxito em ações
judiciais
Lentes de Contato
Em prol da Saúde Ocular
página
4
página
ENTREVISTA COM A DRA.
MARJORIE MOTA, PRIMEIRA
MULHER A ASSUMIR A
PRESIDÊNCIA DA A.M.C.
página
3
página
7
história da oftalmologia do
ceará - parte I
11
página
6
Ceará Oftalmológico
Dra. Idalina Maranha
No mundo estressante em
que vivemos, cada dia que passa mais se impõe a necessidade
da humanização da consulta médica, com uma relação médico
paciente mais harmoniosa e confiante. Devemos nos conscientizar que o paciente é antes de
tudo um ser humano, buscando
ou precisando de nossa ajuda,
quer para trocar os óculos, adaptar lentes de contato, tratar de
uma conjuntivite ou com uma patologia mais grave, lutando para
que seja restituída sua visão.
Não importa o seu nível socioeconômico, escolaridade, raça,
etc, é antes de tudo uma pessoa
que necessita de nossa ajuda,
de nossa atenção e empatia.
Mesmo com as dificuldades
profissionais do mundo moderno, socialização da medicina,
preços aviltantes tanto das consultas como dos procedimentos
médicos, contrapondo-se aos
elevados custos na aquisição de
aparelhos oftalmológicos e manutenção dos mesmos, das despesas dos consultórios, temos
que honrar o nosso juramento de
exercer a arte de curar, fiel aos
preceitos da honestidade, da caridade e da ciência, com discrição, sem servir-se da profissão
para corromper os costumes ou
favorecer o crime.
Principalmente na nossa especialidade, oftalmologia, em que
enfrentamos falsos profissionais
tentando a todo custo, por todos os
meios, atuar na nossa área médica, ilegalmente, prescrevendo óculos, adaptando lentes de contatos ,
etc. O atendimento médico consciente, atencioso, honesto e amigo,
é uma das armas que dispomos
para fidelização do paciente , fazendo o diferencial para que esses
falsos profissionais não invadam
nosso mercado de trabalho e não
coloquem em risco a saúde ocular
da população.
Como conciliar a nossa profissão, como exercer uma medicina
ética, que avalia o paciente como
um todo e não apenas um órgão
do seu corpo, no caso, o olho;
dando-lhe atenção, explicações
sobre sua patologia, apoio médico e dando-lhe a certeza de que
estamos fazendo o possível para
solucionar o seu problema.
A medicina é a nossa profissão,
é o nosso meio de sobrevivência,
de ganharmos o pão de cada dia,
mas a nossa maior gratificação é
a oportunidade de ajudar o outro.
Que honorário médico paga a alegria de salvar uma vida, de melhorar a qualidade de vida de um ser
humano, ajudando-o a recuperar
sua saúde, aliviar sua dor ou recuperando sua visão, de proporcionar a uma pessoa a oportunidade
de apreciar a beleza da natureza,
o sorriso de uma criança ou ver
o rosto da pessoa amada? Não.
Não existe profissão mais nobre e
gratificante que a medicina, e nós
médicos temos o dever de honrála, nos aprimorando e atualizando
nossos conhecimentos, fazendo
o melhor que pudermos para beneficiar e ajudar nossos pacientes
com paciência, amor e respeito.
Nesta Edição
Editorial
pág. 02
Notícias da SOC
pág. 03
PEC - Programa de Educação
pág. 04
Médica Continuada
Curso Avançado em
Avastin
pág. 04
Mácula 2006
pág. 05
16º Curso de Ecografia
pág. 05
Ocular História da Oftalmologia do
pág. 06
Ceará - Parte I Espaço Jurídico
pág. 07
Artigo Científico
pág. 08
Entrevista
pág. 11
Eleições 2006 pág. 12
Atividades Oficiais
do Presidente da SOC pág. 12
Correspondência
pág. 13
Dicionário
Oftalmológico
pág. 13
Necrológio
pág. 13
Oftalmologia e Arte
pág. 14
Oftalmologia em
Destaque pág. 15
Conversa Fiada pág. 15
Calendário
Oftalmológico
pág. 16
Conselho Editorial: Fernando Furtado, Gilmasa
Daniele Rios Dias, Maria do Socorro Aguiar
Lucena e Máurea Cesar de Lima
Jornalista Responsável: José Mario Pinto - Reg/
DRT 290/01/148 CE
Editoração Gráfica: Saul Ferreira
Impressão:Expressão Gráfica 3253.2222
Ceará Oftalmológico
NOTÍCIAS DA SOC
REDE DE FARMÁCIAS PAGUE MENOS
ASSUME COMPROMISSO COM A
OFTALMOLOGIA
No último dia 23 de março, na sede administrativa da rede de
Farmácias Pague Menos, maior rede de farmácias do Brasil, a diretoria da SOC, representada pelo seu presidente, Dr. Fernando
Furtado, juntamente com o departamento juridico da SOC, reuniu-se com o diretor da Pague Menos, Sr. Geraldo Gadelha. Na
reunião o Dr. Fernando Furtado abordou o problema da venda de
lentes de contato e óculos de grau em farmácias e congêneres,
sendo assessorado pelos advogados da SOC, Drs. George Fontenele e Mário Martins, que mostraram, além de questões juridicas, o risco à saúde ocular da população. O Sr. Geraldo Gadelha
sensibilizou-se e assumiu o compromisso de não comercializar
em suas lojas, lentes de contato ou óculos de grau.
Sr. Geraldo Gadelha, Dr. Fernando Furtado e Advs. Drs. George
Fontenelle e Mário Martins
LENTES DE CONTATO
EM PROL DA SAÚDE OCULAR
Sabendo-se que a Adaptação de Lentes de Contato é um ato
médico, listamos abaixo as empresas que, preocupadas com
a Saúde Ocular da população, informaram a Sociedade de Oftalmologia do Ceará, que as lentes abaixo são restritas a Área
Médica(Estado do Ceará).
• Lentes da Coopervision
• Lentes da Mediphacos
• Lentes da Ciba Vision – As Lentes da linha Focus e a Lente
O2 (OOPTIX)
Obs: 1- Atualizações serão feitas a cada edição
2- Informações – Sociedade de Oftalmologia do Ceará – 85-3264-9404
MAIOR EVENTO DA OFTALMOLOGIA CEARENSE PASSA A SE CHAMAR CONGRESSO
Em reunião de diretoria realizada no dia 24 de janeiro de 2006, na sede da Sociedade de Oftalmologia do Ceará
(SOC), ficou decidido que a partir de 2006 o Simpósio Cearense de Oftalmologia passa a se chamar Congresso Cearense de Oftalmologia, decisão registrada em ata. Devido à importância que o evento alcançou e a várias solicitações de
colegas oftalmologistas, a diretoria da SOC resolveu adotar o nome de congresso, nome este que é usado em eventos
de várias outras especialidades no Ceará como pediatria, cancerologia, neurologia, neurocirurgia, cardiologia e outras.
Também nesta reunião, e com registro em ata, a diretoria da SOC resolveu reinstituir o Prêmio Hélio Góes Ferreira ao
trabalho científico vencedor do congresso. Esta decisão atende ao pedido da ex-presidente da SOC, Dra. Eliane Barbosa, que instituiu em 2002 tal prêmio.
SOCIEDADE NORTE NORDESTE DE OFTALMOLOGIA PROMOVE REUNIÃO
Por ocasião do Congresso
Mundial de Oftalmologia realizado em São Paulo, a Sociedade
Norte Nordeste de Oftalmologia
(SNNO) promoveu no dia 21 de
fevereiro uma reunião com os
seus membros e presidentes das
Sociedades de Oftalmologia do
norte e nordeste, quando foram
abordados temas relacionados
a realização do próximo Congresso
Norte Nordeste de Oftalmologia, que
acontecerá de 06 a 08 de setembro
em São Luís-Ma. A Sociedade de Oftalmologia do Ceará, através de seu
presidente, Dr. Fernando Furtado, na
oportunidade levantou o problema da
venda de lentes de contato por estabelecimentos, como farmácias e congêneres, indicando e ouvindo soluções.
Representantes das Sociedades de Oftalmologia do Norte
e Nordeste
Ceará Oftalmológico
PEC - Curso de Metodologia Científica
Dando início ao PEC – PROGRAMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA de 2006, a Sociedade de
Oftalmologia do Ceará (SOC) promoveu nos dias 10 e 11 de fevereiro,
o Curso de Metodologia Científica. O
evento, que teve a coordenação dos
Drs. Fernando Furtado e Jailton Vieira, aconteceu no auditório da UNI-
MED-Fortaleza e contou com a participação de um grande número de
médicos oftalmologistas, residentes
e acadêmicos de medicina. Os temas abordados foram: “A Publicação
Científica” (Dr. Jailton Vieira), “Desenhos de Estudo em Pesquisa” (Dr.
Fernando Monte e “Estatística Médica e sua Importância” (Dr. Fábio Go-
mes de Matos e Sousa). Por ocasião
do evento, a SOC fez o sorteio do
livro “Refração”, de autoria do médico oftalmologista Aderbal Alves, que
teve como ganhador o Dr. Clayrton
Martins. As Ópticas Itamaraty, Essilor e Transitions apoiaram o evento
e promoveram o sorteio de valiosos
brindes entre os participantes.
Fernando Furtado, Fernando Monte e Jailton Vieira
Fábio Gomes de Matos e Fernando Furtado
Eurípedes de Lima, Álvaro Fernandes, Fernando
Furtado, Levi Madeira e Luciano Alencar
Cesar Juaçaba e Gersivan de Lima
Clayrton Martins e Fernando Furtado
Germana Vasconcelos e Andréa Lucas
Idalina Maranha, Fernando Furtado e Andréa Lucas
Francisco José, Sérgio Augusto Filho e
Bruno de Lima (Liga de Oftalmologia da UFC)
Werton Farias e Larissa Farias
CURSO AVANÇADO EM AVASTIN: REGIÃO NORDESTE
O Centro Avançado Retina e Catarata,
juntamente com o Centro de Estudos Professor Fernando Oréfice, promoveram no último
dia 27 de janeiro de 2006 o Curso Avançado
em Avastin: Região Nordeste. O evento, que
teve o apoio da Sociedade de Oftalmologia do
Ceará (SOC), teve como coordenadores os
Drs. Abelardo Targino, Danielle Costa e David Lucena. O Curso foi aberto pelo presidente da SOC, Dr. Fernando Furtado, e contou
com a presença dos palestrantes Dr. Rodrigo
Jorge(SP) e Dr. Rogério Costa(SP). Além das
palestras, aconteceu uma sessão com avaliação de pacientes e tratamento. O evento foi
prestigiado por um bom número de médicos
oftalmologistas.
Fernando Furtado
Rodrigo Jorge
Platéia
Rogério Costa
Ceará Oftalmológico
MÁCULA 2006
Em uma realização do Centro Avançado Retina e Catarata e com o apoio da Sociedade de Oftalmologia do Ceará, aconteceu
no dia 17 de março de 2006 o Mácula 2006 “Avanços em diagnóstico e tratamento”. O evento, que teve como coordenador o médico
oftalmologista Abelardo Targino, aconteceu no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza. A programação do Mácula 2006 constou de dois
módulos. No primeiro módulo, foi proferida palestra dirigida à comunidades leiga, “Mácula para o não oftalmologista: conceitos, pesquisas e tratamento”. O segundo módulo apresentou palestras dirigidas à comunidade oftalmológica do Ceará, “Mácula 2006: Avanços no diagnóstico e tratamento”. O convidado deste ano foi o Dr. André Gomes (SP), do Dep. De Oftalmologia da FMUSP-SP, do
Instituto de Oftalmologia Suel Abujamra e Chefe do setor de Retina e Vítreo do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Abelardo Targino, André Gomes, Fernando
Furtado e David Lucena
André Gomes
Abelardo Targino
Hélder Vasconcelos, Werton Farias, Fernando
Furtado e Abelardo Targino
Aristófanes Canamary, Valter Justa, Abelardo
Targino, André Gomes, David Lucena
Abelardo Targino e Leiria de Andrade Neto
Nonato (ALCON), Jorge Eldo, Adriano
Holanda, David Lucena e Excelsa Costa Lima
David Lucena, Valter Justa, João Conrado da
Ponte e Luciano Alencar
Platéia
16º CURSO ECOGRAFIA OCULAR
O CEBEPO (Centro Brasileiro de
Estudo e Pesquisa em Oftalmologia) realizou, no período de 09 a 11 de fevereiro de 2006, o 16º Curso Ecografia Ocular. O curso, que contou com o apoio da
Javier Yugar
Sociedade de Oftalmologia do Ceará,
foi ministrado pelo médico oftalmologista Javier Yugar. O evento teve lugar no
CLDO, contando com a presença de um
grande número de participantes.
Ceará Oftalmológico
HISTÓRIA DA OFTALMOLOGIA DO CEARÁ. Parte I
O Ceará Oftalmológico inicia neste
número a publicação de uma série de
artigos do colega Valter Justa, sobre a
História da Oftalmologia do Ceará.
PRIMÓRDIOS DA OFTALMOLOGIA CEARENSE
Valter Justa (Titular da Academia
Cearense de Medicina)
Tudo indica que o primeiro oftalmologista do Ceará foi o Dr. José Cardoso
MOURA BRASIL e que as primeiras cirurgias da especialidade foram por ele
realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. Em 1875, de retorno
ao Brasil após quase dois anos de estágio na clínica do famoso Professor
Louis de Wecker, em Paris, o jovem
oftalmologista, nascido em Quixoçó
(atual município de Iracema, Ceará)
em 1846, aqui se demorou de agosto até dezembro. Nesse curto período
atendeu numerosos pacientes, pondo
em prática os conhecimentos adquiridos na Europa. Em Fortaleza realizou
51 operações, a maioria na Santa Casa
de Misericórdia. Eis o registro das mesmas (tabela 1):
Blefaroplastia
Calázio
Esclerotomia anterior
Excisão de hérnia de íris
Iridectomia óptica
Tatuagem de córnea
Blefarofimose
Entrópio
Pterígio
Entrópio
Catarata
Triquíase
Estrabismo (tenotomia)
Iridectomia
1
1
1
1
1
1
2
3
3
4
4
4
12
13
gusto Borges. Na qualidade de observadores registrados os nomes dos Drs.
Meton de Franca Alencar, José Lourenço de Castro e Silva, Rufino Antunes de
Alencar e Antônio Pompeu de Sousa
Brasil. Desse grupo um único médico
(Dr. João da Rocha Moreira) apresentara tese relacionada à oftalmologia.
Os demais eram cirurgiões gerais. Todavia foi o Dr. METON DE ALENCAR
que passou a exercer a especialidade,
seduzido pela sua resolutividade. Seu
anúncio na “Gazeta do Norte” de 27
de setembro de 1883 assim explicitava: “trabalha em medicina, cirurgia e
olhos”.
Voltando ao Dr. Moura Brasil, dois
registros valem a pena. O primeiro diz
respeito aos locais de atendimento de
consultas. Nos primeiros dias de sua
estada entre nós, foi improvisado consultório no “Hotel de l’Univers” (pertencente a um francês) onde dava consulta
“a qualquer hora” (segundo anúncio no
“Cearense” de 22 de agosto de 1875).
Imaginemos a cena: vestido a caráter,
com gorro, avental branco longo, gravata borboleta, dispondo de caixa de
provas e- quem sabe?- do instrumento
mais importante na especialidade, o oftalmoscópio (recentemente inventado
por Helmholtz). Nada de lâmpada de
fenda ou tonômetro, ainda desconhecidos. Alguns colírios de preparação
artesanal, naturalmente franceses.
Dois meses depois mudou para a Rua
Conde D’Eu número 109, residência
do amigo Dr. Antônio Mendes da Cruz
Guimarães, transferindo para lá sua
moderna aparelhagem.
O segundo fato digno de registro
foram as grandes manifestações de reconhecimento pelo seu meritório trabalho, já que a maioria dos pacientes era
constituída por indigentes. Duas grandes festas em sua homenagem foram
organizadas pela alta sociedade local
e outorgados diplomas de reconhecimento por parte da Câmara Municipal e
da Sociedade Beneficente Portuguesa
Dous de Fevereiro.
Faleceu o Dr. Moura Brasil aos 82
anos. Continuaram sua obra no Rio
de Janeiro numerosos oftalmologistas
descendentes do ilustre cearense, formadores de verdadeira dinastia.
Tabela 1 – Operações realizadas pelo
Dr. Moura Brasil em Fortaleza no ano
de 18751
O Dr. Francisco PAULA RODRIGUES, graduado em 1887, foi também
um dos pioneiros da especialidade em
nosso estado.
OFTALMOLOGIA CEARENSE NA
PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20
Nomes de destaque
João da Rocha Moreira, Antônio Mendes da Cruz Guimarães e Pedro Au-
Dr. MANUEL Duarte PIMENTEL,
nasceu em Fortaleza, a 5 de abril de
Seus auxiliares foram os Drs.
1857, tendo aqui realizado seus estudos primários e de humanidades. Em
1887, diplomado médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, realizou breve incursão pela área da traumatologia tendo, a seguir, se dedicado
à oftalmologia. Orientou-o nesse mister
outro cearense, o Dr. Moura Brasil, que
o iniciou na especialidade e o encaminhou a Paris, onde estagiou com o
Professor Wecker, expoente europeu.
Após residir em Ribeirão Preto e Belém
do Pará, fixou-se em sua cidade natal,
onde exerceu a especialidade com dedicação e proficiência. Interessado por
jornalismo, colaborou com o “Diário da
Manhã” em Ribeirão Preto e, em Fortaleza, fundou o “Diário do Norte”, de breve existência. Foi ainda o grande idealizador e um dos fundadores do Centro
Médico Cearense, em 1913, embora
jamais tenha ocupado sua presidência.
Faleceu em Fortaleza, em 1917.
Dr. METON DE ALENCAR Filhonasceu em Fortaleza em 1875, filho
do Dr. Meton Franca de Alencar e de
Da. Clotilde Alves de Alencar. Iniciou
sua formação acadêmica na Faculdade
de Medicina da Bahia onde cursou os
dois primeiros anos. Transferiu-se para
a Faculdade de Medicina e de Farmácia do Rio de Janeiro onde foi Adjunto
da Clínica Oftalmológica da Policlínica
geral do Rio de Janeiro e auxiliar do
Dr. Moura Brasil em sua clínica. Logo
após concluir o curso médico, em 1899,
defendeu tese em com o título “Contribuição para o estudo da herança em
ophtalmologia” (1900).
Retornando a Fortaleza chefiou
o Serviço de Oftalmologia da Santa
Casa de Misericórdia. Foi o pioneiro
do transplante de córnea em nosso
estado (1926), tendo realizado doze
xenotransplantes usando córneas de
galinhas e de coelhos com finalidade
tectônica.
Publicou vários trabalhos, um dos
quais intitulado “Do Trachoma no Estado do Ceará”, apresentado ao 6o
Congresso Médico realizado em São
Paulo. Foi o criador de várias fórmulas muito conhecidas à época, entre as
quais o “Ophtalmol” e o “Trachomatol”,
além do conhecido “Aseptol”. Faleceu
em 1932.
De seu consórcio com a senhora
Hortência Natalina Jaguaribe de Alencar nasceram sete filhos, dentre eles o
Dr. Meton Alencar Neto, também oftalmologista.
Fonte: Justa, V. : História da Oftalmologia no Ceará, Anais da Academia Cearense de Medicina, vol IX, 9,391-404,
2001
1 Segundo levantamento realizado pelo Dr. Oswaldo Riedel em jornais da época e publicado no número 2 dos Anais da Academia Cearense de
Medicina (1985 pág. 195). Anote-se, ainda, que três dessas operações foram realizadas em consultório (no caso, o Hotel de L’Univers ou a residência do amigo) e que o emprego da cocaína como anestésico local em cirurgias oculares foi introduzido por Koller apenas em 1884 (portanto,
nove anos mais tarde) e as técnicas de acinesia (van Lint, 1914) e de anestesia retrobulbar (Elshnig, 1928) surgiram somente no século atual. O
que nos leva a supor que a técnica anestésica empregada foi a geral, por inalação de éter, muito utilizada na época.
Ceará Oftalmológico
ESPAÇO JURÍDICO
NOTA JURÍDICA
É com satisfação que comunicamos o êxito obtido pela Sociedade de Oftalmologia do Ceará, por meio de Ação
Judicial, quanto ao seu pedido de Liminar para que uma ótica da cidade se abstenha de fazer recomendação e
adaptação de lentes de contato, sem prescrição médica para tanto, bem como de realizar exames de refração, ou
de vistas, ou testes de visão, e que não volte a utilizar equipamentos como “auto-refrator com ceratômetro” ou “queratômetro”. Tal empresa, inclusive, divulgava seus serviços irregulares em periódicos.
A Dra. Dilara Guerreiro de Brito, juíza titular da 1ª Vara Cível, que concedeu a Liminar, determinou, ainda, a incidência de multa de R$ 1.000,00 (hum) mil reais diários em caso de descumprimento.
Aproveitamos o ensejo para informar, ainda, que no último dia 24 de março, os advogados da SOC, juntamente
com o Dr. Fernando Furtado, estiveram em reunião com um dos diretores das Farmácias Pague Menos, Sr. Geraldo
Gadelha, esclarecendo acerca da vedação legal das farmácias, de modo geral, de vender óculos de grau e lentes
de contato sem prescrição médica. O Sr. Gadelha ratificou seu compromisso com a saúde da população cearense,
ao afirmar que a empresa não comercializa atualmente tais produtos e nem pretende faze-lo.
Por fim, agradecemos àqueles que, através de encaminhamento de denúncias e pedido de Pareceres, têm contribuído para o combate aos falsos médicos em nosso Estado. Nos próximos dias, mais Ações Judiciais estarão
sendo ajuizadas.
Departamento Jurídico da Sociedade de Oftalmologia do Ceará.
André Peixoto.
George Fontenelle.
Mário Coelho Bessa.
André Pinto Peixoto
Assessor Jurídico da Sociedade de Oftalmologia
do Ceará / Advogado
OAB-CE 17.284
O optometrista já tem “Dia
Internacional”. Você sabia?
No último dia 06 de março, os optometristas comemoraram a data que
elegeram para o “Dia Internacional
do Optometrista”. Em Fortaleza, exibiram, inclusive, outdoors com mensagens de felicitação aos optometristas, patrocinados pelo “Conselho
Brasileiro de Óptica e Optometria”.
Tais manifestações são preocupantes, tendo em vista a suposta
naturalidade com a qual os optometristas atuam no mercado.
Medidas judiciais estão sendo
tomadas, além da maior divulgação das informações de como fazer
as denúncias, mas é preciso que a
sociedade, como um todo, ajude a
combater este nefasto exercício irregular da medicina.
A optometria não é uma profissão
regulamentada no Brasil. Assim, as
pessoas que se utilizam deste rótulo para realizarem atos privativos
de médicos, tais como consultas e
prescrições de lentes de grau estão
exercendo irregularmente a Medicina, podendo ser punidos por isso,
como vem ocorrendo em vários estados brasileiros.
A adaptação de lentes de contato
e a prescrição de lentes de grau devem ser, em qualquer hipótese, realizadas por médico oftalmologista.
Casas de óticas e optometristas não
podem fazê-lo sem a receita médica
ou em desacordo com a mesma.
Existem várias formas de controle
sobre essas pessoas e empresas referentes à venda e prescrição de lentes de grau, fiscalização e punição
de optometristas e óticas que agem
em desconformidade com a Lei.
Dentre estes, são as mais importantes: denúncia dos infratores para que
lhes sejam aplicadas as punições
devidas, tais como multas, apreensão de mercadorias e equipamentos,
fechamento de estabelecimento e
aplicação de penas criminais; participação intensa dos Médicos Oftalmologistas, Hospitais, Clínicas, Estabelecimentos de Vendas de Lentes
de Grau, Fabricantes de Lentes e
comunidade cearense na denúncia
dos infratores da lei; campanhas de
conscientização da população sobre
os malefícios causados pela prática
irregular da medicina.
As formas de punição dos culpados podem ser de caráter penal, civil
e administrativo.
As provas necessárias em processos referentes à atuação irregular de
um optometristas não são especificamente apontadas pelas leis brasileiras. Além disso, variarão de acordo
com as peculiaridades de cada caso.
Via de regra são necessárias a identificação do optometrista, com seu
nome completo, o local onde o mesmo atendeu determinada pessoa e a
prescrição por ele realizada. Se for o
caso, é necessário indicar doenças
não detectadas pelo optometrista, as
repercussões da não identificação
da mazela e os danos causados por
uma prescrição errônea.
Os casos de exercício irregular
da medicina podem ser averiguados pela Polícia e pelo Ministério
Público da cidade onde ocorreu o
delito penal, para, em seguida ser
levado o caso a um Juiz de Direito,
que conduzirá o respectivo processo
de constatação dos fatos e punição
dos culpados. Também é possível a
apresentação do caso na Secretaria
da Vigilância Sanitária, no Conselho Regional de Medicina e, no caso
da Oftalmologia, na Sociedade de
Oftalmologia do Ceará, onde seu
Departamento Jurídico adotará as
providências para que o caso seja
apresentado à Polícia e ao Ministério Público.
Ceará Oftalmológico
Uso de C3F8 no descolamento da membrana de
Descemet pós-facectomia*
Introdução
Dr. Abrahão Lucena
Pós-graduando nível doutorado em
oftalmologia FMRP-USP
Título de especialista em córnea e
cirurgia refrativa
Mestrado em oftalmologia pela FMRP-USP
Resumo
Introdução- O descolamento da
membrana de Descemet é uma complicação rara, mas devastadora após
fecectomia. Algumas alternativas têm
sido usadas para reposição da Descemet: bolha de ar, sutura com transfixação da córnea, viscoelástico associado com bolha de ar e gás SF6 ou
C3F8. O transplante de córnea é o último recurso utilizado. Objetivo- Avaliar os resultados anatômicos e funcionais, do descolamento iatrogênico
da membrana de Descemet, com uso
de C3F8 (16%) na câmara anterior em
seis olhos pós-facectomia.
Material e métodos- Após colocação
de 0,5ml do gás em câmara anterior
avaliou-se localização justa-estromal da
membrana de Descemet em lâmpada
de fenda. Os olhos com descolamento
superior/central eram orientados a ficar
em decúbito elevado por dois dias e no
caso do descolamento inferior solicitamos decúbito dorsal com leve supraversão. Resultados- A média de idade foi
de 71,3 anos (s=9,3), sendo quatro do
sexo feminino. Todos os olhos tiveram
sucesso com a colocação do C3F8, havendo aumento da pressão intra-ocular em um caso. O edema corneano
regrediu a partir do segundo dia com
resolução completa até o quarto dia. A
acuidade visual melhorou em todos os
casos logo após regressão do edema,
sendo reavaliada quarenta e cinco dias
depois. Conclusão- A introdução unicamente do gás C3F8 não expansivo para
colar a membrana de Descemet é citado pela primeira vez na literatura brasileira. O reestabelecimento da acuidade
visual é rápida, o método é seguro, efetivo e de fácil execução, sendo realizado
sob anestesia tópica.
Palavras-chave: Descemet, C3F8,
Catarata.
A membrana de Descemet é uma
lâmina basal de cerca de 10um de espessura que reveste a porção posterior
do estroma e o separa do endotélio,
responsável por sua secreção. Encontra-se frouxamente aderida ao estroma,
é homogênea, altamente refrátil, flexível e elástica (apesar de não ter fibras
elásticas). Identificam-se duas zonas
distintas: anterior, elástica, e a posterior, constituída de lâmina basal. Esta
membrana é resistente a infecções e
possui uma capacidade parcial de se
regenerar, embora muitas vezes de
maneira imperfeita.
O descolamento da membrana de
Descemet não é uma complicação freqüente, mas devastadora após uma
cirurgia de catarata. Descolamentos
pequenos e periféricos raramente são
problemáticos, mas os extensos e/ou
próximos ao eixo visual podem afetar
em muito a visão dos pacientes, sendo
necessário recorrer a transplante penetrante de córnea .
Um tratamento tradicional é a conduta expectante, na esperança do recolamento espontâneo. Outras alternativas têm sido usadas na tentativa de
reposição da membrana de Descemet:
bolha de ar (descolamento pequeno e
periférico), sutura com transfixação de
toda córnea, viscoelástico associado
com bolha de ar, gás (hexafluoreto de
sulfúrio ou SF6 e o perfluorpropano ou
C3F8) associado ou não com sutura.
Objetivo
Avaliar os resultados anatômicos e
funcionais, do descolamento iatrogênico da membrana de Descemet, com
uso de C3F8 na câmara anterior em
seis olhos pós-facectomia.
Material e Métodos
Realizou-se estudo prospectivo em
seis olhos com descolamento da membrana de Descemet pós-facectomia no
departamento de córnea e refrativa do
Centro Avançado de Retina e Catarata
recebeu de Fevereiro de 2002 até Maio
de 2004. Dos seis casos de descolamento, cinco foram após facoemulsificação e um por extração extra-capsular
do cristalino.
O PAM (potencial de acuidade
macular) foi realizado no pré-operatório de todos os pacientes, assim como
a acuidade visual (AV) pré-operatória.
No pós-operatório, um médico especialista em córnea avaliou: AV, biomicros-
copia (observando edema corneano,
anatomia: extensão e localização do
descolamento). A medida da PIO e o
acompanhamento biomicroscópico foi
realizado com dois, seis, 45 e 180 dias
de pós-operatório.
O descolamento era filmado e fotografado, media-se a pressão intra-ocular e encaminhava o paciente ao bloco
cirúrgico para colocação da bolha não
expansiva (16,0%) do gás C3F8, sob
anestesia tópica com cloridrato de oxibuprocaína 0,4%. Em três casos o gás
foi colocado no segundo dia pós-descolamento, o quarto paciente no 15 dia,
o quinto com 40 dias e o sexto com 60
dias de pós-operatório.
Com uma seringa de 10ml conectada em uma agulha de insulina (13 x
4,5) era aspirado 2,0 ml do gás C3F8
do recipiente, logo em seguida expulsava-se 0,4 ml para atingir a quantidade
desejada (1,6 ml) para então completar
a seringa com ar ambiente até 10ml e
ficar, ao final, com uma concentração
próxima de 16,0%.
Dos cinco casos que foram realizados facoemulsificação, em dois utilizamos a mesma incisão superior temporal
para introdução da cânula com o gás.
Uma outra opção utilizada foi a punção
corneana, justa-limbar com agulha de
insulina (13 x 4,5) na região oposta ao
descolamento, aspirava-se 0,1ml de
humor aquoso da câmara anterior e injetava-se o gás. No caso da extração
extra-capsular do cristalino, entramos
superiormente as 12:00 horas com cânula adequada.
Imediatamente a colocação do gás
(0,5ml em câmara anterior) o paciente
era avaliado em lâmpada de fenda para
verificar a localização justa-estromal da
membrana de Descemet / endotélio,
além de medir da pressão intra-ocular.
Os pacientes com descolamento
superior e central da membrana eram
orientados a ficar em posição de decúbito elevado por dois dias e no caso
do descolamento inferior solicitamos
decúbito dorsal com leve supraversão.
Essas posições são importante para
maior contato da bolha com o local do
descolamento.
Em um caso houve aumento da
pressão intra-ocular, sendo utilizado
acetazolamida 250mg 6 / 6 horas até
controle adequado.
No pós-operatório de todos os
pacientes foi prescrito tobramicina
com dexametazona de 6 / 6 horas
por 10 dias.
Ceará Oftalmológico
Dois dias após, os pacientes eram
reavaliados para observação do edema, acuidade visual, medida da pressão intra-ocular e posição da mem-
brana da Descemet. Tivemos
dificuldade em avaliar a AV no segundo dia por presença da bolha
em eixo visual, mas no sexto dia
já era possível medir a visão de
todos os pacientes.
Os dados foram digitados em
planilha do EXCEL, sendo as variáveis
quantitativas contínuas avaliadas pelo
teste t de Student.
Resultados
Todos os pacientes tiveram sucesso com a colocação da bolha do gás
C3F8. O edema corneano regrediu a
partir do segundo dia com resolução
completa até o quarto dia.
A média de idade dos pacientes foi
de 71,3 anos (s=9,3), sendo quatro do
sexo feminino. A acuidade visual com
correção no sexto dia de pós-operatório foi de 0,40 (20/50) em quatro pacientes, um ficou com 0,25 (20/80) e
outro com 0,20 (20/100). Não houve
diferença estatisticamente significativa entre o PAM e acuidade visual com
quarenta e cinco dias de pós-operatório (p=0,0722). Com quarenta e cinco
dias após introdução da bolha a AV
melhorou significantemente em relação ao pré-operatório, como mostra a
tabela 1.
Tabela 1- Distribuição dos pacientes com descolamento da membrana de Descemet pós-facectomia, Fortaleza-CE, 2005.
Casos
Idade
(Anos)
PAM PréFacectomia
Localização do
Descolamento
AV
pré-operatória
AV c/c
45 DPO
Tipo de Facectomia
1
83
0,20
Superior e Central
Conta dedos
2 metros
0,25
Extracapsular
2
72
0,67
Superior e Central
Conta dedos
4 metros
0,80
Facoemulsificação
3
68
0,50
Superior e Central
Conta dedos
4 metros
0,50
Facoemulsificação
4
81
0,29
Superior e central
Conta dedos
3 metros
0,33
Facoemulsificação
5
59
0,50
Superior e Central
Conta dedos
2 metros
0,67
Facoemulsificação
6
65
0,80
Superior, central e
Inferior
Conta dedos
1 metro
0,80
Facoemulsificação
PAM- Potencial de acuidade macular (decimal) AV- Acuidade visual (decimal) c/c- com correção
DPO- Dias de pós-operatório; x =71,3 anos (s=9,3)
Como mostra a tabela 1 acima, cinco casos havia descolamento da Descemet superior e central. Em um notamos
descolamento atingindo a região central até inferior com contato Descemet / estroma apenas medial periférico, com rasgo
central da membrana e envelopamento das abas (secundário provavelmente ao edema feito no final da facoemulsificação
pela entrada de serviço). Nesse caso, em especial, entramos com dupla via, irrigamos até desdobrar as abas para então
colocarmos o gás.
Durante o acompanhamento dos seis pacientes (mínimo de seis meses) não notamos novo descolamento da membrana
de Descemet, com manutenção da acuidade visual.
A pressão intra-ocular de um olho aumentou oito horas após a colocação da bolha (45mmHg as 11:00 horas), melhorando com uso de acetazolamida. Os demais olhos, não apresentaram picos da pressão intra-ocular havendo uma variação
entre 14mmHg e 18mmHg no segundo dia de pós-operatório.
Nas fotos abaixo (foto 1 a 6) acompanhamos alguns casos de descolamentos da membrana de Descemet até clareamento corneano pós-bolha.
Foto 1-Descolamento da Descemet (linha posterior)
Foto 2-Descolamento da Descemet (linha posterior)
10
Ceará Oftalmológico
Foto 3- Edema superior (pré-operatório)
Foto 4- Introdução da bolha de C3F8
Foto 5- Córnea clara sem descolamento no 10º DPO
Foto 6- Córnea clara no 10º dia de pós-operatório
Discussão
O descolamento da membrana de
Descemet não é uma complicação freqüente no pós-operatório da cirurgia de
catarata, mas causa uma baixa visual
intensa quando atinge o eixo visual e,
quando o edema persiste por muito tempo a ceratopatia bolhosa é uma ocorrência que incomoda e baixa a qualidade de
vida dos pacientes.
O transplante de córnea é uma
alternativa já conhecida para esses
casos. A sutura da Descemet englobando a espessura total da córnea, a
colocação de viscoelástico com bolha
de ar ou a introdução de SF6 com ou
sem sutura também são relatados na
literatura.
A colocação da bolha de ar não é
efetiva, principalmente em descolamentos extensos, que atingem o eixo visual,
já que a sua absorção é rápida. O uso
de viscoelástico aumenta a pressão intra-ocular, podendo também ficar resíduo entre a Descemet e o estroma posterior, bloqueando a adesão. A sutura
da membrana de Descemet é traumática, de difícil realização, além de ter um
alto índice de redescolamento. O transplante de córnea é uma opção radical
que deve ser deixado para último caso.
Uma boa opção para reposicionamento da membrana de Descemet, em
extensos descolamentos, é a introdução
unicamente do gás C3F8 não expansivo,
sob anestesia tópica. Apesar de ser um
método conhecido, é citado pela primeira
vez na literatura nacional. Há uma permanência maior do gás dentro da câmara anterior (sete a 14 dias) mantendo a
membrana de Descemet por mais tempo
colada ao estroma, contribuindo assim
para a adesão definitiva.
Logo após a colocação da bolha do
gás a membrana de Descemet pode ser
observada em lâmpada de fenda colada ao estroma. O reestabelecimento da
acuidade visual é rápida e no sexto dia
de pós-operatório todos os olhos apresentam visão útil.
Houve um caso de pico hipertensivo
pós-C3F8. Pode ter havido uma leve expansão do gás com conseqüente aumento da pressão por aumento do volume da
câmara anterior. Acreditamos nessa hipótese por não ter sido notado bloqueio
angular nesse paciente.
No caso do descolamento inferior foi
necessário o retorno do paciente ao bloco
por aposicionamento da bolha sobre uma
dobra da Descemet. A bolha foi então retirada, a dobra foi desfeita utilizando uma
dupla via irrigada com ringer lactato para
então introduzimos uma nova bolha.
Em termos de custos, se a clínica já
tem serviço de retina e possui o cilindro
de C3F8, consideramos a quantidade de
gás utilizada irrisória (1,6ml em uma seringa de 10ml= R$ 1,21). Caso o serviço
não possua o cilindro, o investimento inicial é de 1520,0 Reais em um cilindro de
125g de C3F8 ou de 691,0 Reais no cilindro de 20g. Já que o descolamento de
Descemet não é complicação frequente,
a utilização do gás com esse propósito
será rara, podendo ser mais adequado,
financeiramente, o encaminhamento
para serviço de referência.
Um achado biomicroscópico descoberto nesse trabalho foi a observação de
estrias posteriores em estroma, mesmo
com descolamento da descemet na área
das estrias, nos levando a concluir que
as estrias notadas em pós-operatório de
cirurgia de catarata ou outras cirurgias de
segmento anterior, não são primariamente estrias de Descemet, como conhecida
e repassada há décadas em escolas de
oftalmologia, mas sim estrias do próprio
estroma posterior (foto 2).
Conclusão
Partindo-se do princípio que o descolamento da membrana de descemet
é complicação rara após facectomia,
consideramos o número de olhos suficientes para demonstrar que o uso de
C3F8 nesses casos é método seguro,
efetivo e de fácil execução.
* Trabalho vencedor do XV Simpósio Cearense de Oftalmologia de 2004. Publicado nos Arquivos do Congresso Brasileiro de
Oftalmologia (Revista Indexada).
11
A Presidenta da
Associação Médica Cearense
(AMC), Dra. Marjorie Mota, concedeu ao
Ceará Oftalmológico (C.O.) a seguinte entrevista:
C.O - Como se sente sendo a primeira mulher a dirigir a Associação
Médica Cearense(AMC)?
R- Sinto-me envaidecida, pois sei que
este é um marco na história desta instituição. Serei sempre lembrada como
a primeira mulher a dirigir a Associação
Médica Cearense, porém tenho certeza
do quanto é grande a minha responsabilidade. Todas as nossas atitudes serão
lembradas e se depender de boa vontade e ação tentarei fazer o melhor. A
mulher quando ocupa cargos que no
passado foram eminentemente masculinos tende a se exigir mais, talvez na tentativa não de superar o homem, mas de
equiparar o já realizado até o momento.
C.O - Quais são as suas prioridades
para o mandato?
R- Priorizar é sempre tão difícil principalmente quando tantas idéias temos.
Gostaria de deixar implantada a finalização da Ordem do Médicos do Brasil,
pois cremos que a união em pensamentos, em espaço físico e em trabalho vai aumentar mais ainda os benefícios para a classe. Não quero deixar
de concluir a implantação da CBHPM,
garantindo a todos um referencial de
procedimentos e um reajuste anual.
Faz-se necessário aumentar a participação efetiva dos médicos na entidade
e para que isso aconteça é de nossa
obrigação mostrar as vantagens desta
participação.
C.O - Em relação aos planos de
saúde, qual o papel da AMC e quais as
perspectivas futuras?
R- A AMC foi essencial na negociação
com os planos de saúde. Nós estivemos presentes em todas as negociações da CBHPM e neste momento estamos fechando as minutas de contrato
para que cada médico assine o seu,
desde que os contratos sejam como
o acordado com a Comissão Estadual
de Honorário Médico (CEHM). As perspectivas para o futuro são boas, porém
a participação efetiva dos profissionais
é indispensável para a conclusão des-
Dra. Marjorie Mota
Ceará Oftalmológico
te processo. Vivemos um momento
extremamente favorável, pois os planos de saúde por orientação da ANS
(Agência Nacional de Saúde) têm que
ter um contrato assinado com todos os
seguimentos que atuam e nossa orientação é de só assinar aqueles com aval
da CEHM.
“Ordem dos Médicos do Brasil”, a exemplo do que existe em Portugal?
R- Com olhos brilhantes de um sonho
que haverá de se realizar. Nestes três
anos de mandato tentaremos unificar as
entidades, sabemos que não é fácil, porém temos certeza que todas as entidades sabem do significado desta união.
C.O - A venda e adaptação de Lentes de Contato por não médicos, e a
venda de óculos de grau em farmácias
e congêneres podem trazer sérios riscos à saúde ocular da população. Caso
isto venha a ocorrer, qual a posição a
ser adotada pela AMC?
R- Jamais estaremos ao lado de atitudes que venham a por em risco a saúde
da população. Entendemos que procedimentos médicos são realizados por
médicos e devemos ocupar este espaço, para que outros profissionais não
habilitados para a função a exerçam.
C.O - Quais os principais obstáculos que a sra. tem enfrentado em sua
gestão?
R- Nenhum que com união, cautela e
espírito de grupo não conseguiremos
ultrapassar. A dificuldade de gerir sem
recursos é uma constante, mas é necessário corrigi-la. Temos, nossa diretoria e eu, que tornar a AMC mais
presente no dia a dia do doutor, vários
atrativos estão sendo criados para
captar a classe e também gostaríamos
de estreitar ainda mais os laços com
as sociedades e cooperativas de especialidade.
C.O - Qual a sua opinião em relação à proliferação das faculdades de
medicina?
R- A cada dia vemos a abertura de um
número maior de universidades sem
o devido estudo de funcionamento,
pois algumas nem hospital com todas
as especialidades têm para garantir o
correto ensino. Não tem sido observado um estudo de mercado nem da
formação pós-universitária ( poucos
cursos de residência médica, mestrado e doutorado que venham a absorver
os novos médicos) nem de mercado de
trabalho. Temos carência de médicos
em regiões do interior do estado, ou
seja, apesar da abertura de faculdades
no interior não vemos um fluxo de médicos em algumas cidades do estado,
aguardaremos quando as primeiras
turmas de medicina destas faculdades
se formarem. Continuaremos a nos posicionar não favorável a abertura sem
que exista necessidade de médicos.
C.O - Como a sra. vê uma possível
unificação de todas as entidades médicas brasileiras em uma só, como uma
C.O - A SOC está apoiando o médico oftalmologista Hermínio Rezende
para Deputado Estadual, pois acreditamos que as entidades médicas devam
ter um braço político. Tendo a AMC
grande representatividade, não seria
interessante um posicionamento mais
eficaz, como fazem outras entidades
de classe?
R- Concordo plenamente com vocês.
Penso que a classe médica tem um potencial político fantástico, mas não tem
sabido aproveitá-lo. Não tenho na memória recente nenhum nome que tenha
sido eleito com apoio da classe e os
médicos eleitos de outra forma, com algumas exceções, não têm participado
da política médica de forma efetiva.
C.O - Qual a mensagem que a sra.
gostaria de transmitir a classe oftalmológica?
R- UNIÃO. À Oftalmologia só temos a
agradecer, pois é uma especialidade
unida que trabalha com interesse na
coletividade e sabe pontuar a importância da Associação Médica Cearense.
12
Ceará Oftalmológico
Eleições 2006
Enxergando a política com
outros olhos
Dr. Hermínio Resende
O Jornal Ceará Oftalmológico
abre, mais uma vez, espaço para
o colega Hermínio Resende, candidato a deputado estadual nas
proxímas eleições. A SOC dispensará total apoio ao colega, que se
compromete na defesa da saúde
ocular da população e da classe
oftalmológica.
“A sociedade começa a perceber que é possível sim fazer da
atual crise política um momento
para exigir reformas capazes de
corrigir deformações e imperfeições no atual modelo político brasileiro. Fortalecer o sistema partidário, promover o financiamento
público de campanhas e adotar as
cláusulas de barreira como mecanismo inibidor da proliferação dos
chamados partidos de aluguel além de exigir fidelidade partidária
- são pontos fundamentais para o
sucesso dessas reformas.
No entanto, essas medidas
serão meramente paliativas se
mulheres e homens públicos não
forem plenamente conscientes de
seu papel de servidores do povo
- fazendo desse princípio o grande norteador de sua missão; o desenvolvimento social com justiça,
igualdade e inclusão não virá sem
esse sentimento, além da ética e
da indispensável transparência.
A vivência democrática exige
hoje, mais do que em qualquer
momento, a participação de pessoas honestas, capazes e bem intencionadas para que todos, principalmente os mais desvalidos,
possam ter as mesmas possibilidades de realização e felicidade.
Urge, na atual conjuntura, que
passemos a enxergar a política
com novos olhos.
É por isso que nos colocamos
à disposição dos colegas médicos para representar e fortalecer
também as nossas causas, em
proveito de toda coletividade, junto ao legislativo estadual. A sociedade não pode ceder as pressões
de mercado, que tentam a todo
custo liberalizar a prática da Optrométria, feita por paramédicos, e
o exercício da adaptação de lentes de contato por terceiros, que
não seja o médico oftalmologista. Não é justo, nem socialmente,
nem tecnicamente, que o acesso
aos oftalmologistas esteja restrito
às pessoas de maior poder aquisitivo. Não podemos deixar que as
classes menos favorecidas e desinformadas corram os ricos advindos dessas práticas danosas.
É necessário que a classe
médica tenha representatividade
para encampar essas lutas, fazendo chegar a todos os verdadeiros
frutos da medicina oftalmológica,
tarefa que desde já nos comprometemos a abraçar.”
ATIVIDADES OFICIAIS
DO PRESIDENTE DA SOC
09/01/06 - Reunião com Dr. Jailton Vieira para
planejamento do Curso de Metodologia Científica
13/01/06 - Reunião com a Arx para tratar da
Programação dos PECs e Congresso no Fim do
Ano.
18/01/06 - Reunião com a Arx para tratar da
Programação dos PECs e Congresso no Fim do
Ano.
23/01/06 - Reunião com a Mariz e a Arx para
tratar do patrocínio da Mariz nos PECs de 2006.
23/01/06 - Reunião com a R-Ximenes para tratar de patrocínios, nos PECs, Guia do Oftalmologista e Ceará Oftalmologico no ano de 2006.
24/01/06 - Reunião com a Diretoria e Comissão
de Curso da SOC para tratar dos PECs, Congresso
de Oftalmologia e outros assuntos de interesse da
SOC.
25/01/06 - Reunião mensal com membros da
Comissão de Saúde Ocular e Prevenção da Cegueira da Secretaria de Saúde do Estado, para
tratar de assuntos relacionados a saúde ocular da
população.
27/01/06 - Abertura do Curso Avançado em
Avastin, no Centro Avançado de Retina e Catarata.
30/01/06 - Inauguração do Banco de Olhos no
Hospital Geral de Fortaleza.
03/02/06 - Reunião com Setor Jurídico para tratar de assuntos relacionados à defesa da classe.
03/02/06 - Reunião com a Arx para tratar da
agenda dos PECs.
17/02/06 - Reunião com Gráfica para fechar
contrato do Guia do Oftalmologista
17/02/06 - Reunião com a Arx para tratar dos
PECs.
19/02/06 - Reunião com a Diretoria do CBO e
CBO-Estados, por ocasião do Congresso Mundial
de Oftalmologia. Tomamos conhecimento dos
assuntos e resoluções posteriormente, durante o
congresso, pois nosso vôo teve que ser alterado
para chegar em São Paulo em 19/02/06, após a
reunião.
21/02/06 - Reunião com membros da Sociedade Norte-Nordeste de Oftalmologia, durante o
Congresso Mundial de Oftalmologia, para tratar de
diversos assuntos de interesse da Oftalmologia
cearense e regional.
07/03/06 - Reunião da Diretoria da SOC, Comissão de Defesa da Saúde Ocular e Comissão de
Lentes de Contato para tratar da possível venda de
lentes de contato em farmácias e outros assuntos
relacionados a lentes de contato.
10/03/06 - Reunião com Setor Jurídico para tratar de assuntos pertinentes ao interesse da classe
oftalmológica.
10/03/06 - Reunião com a ARX para tratar dos
detalhes dos Programas de Educação Médica
Continuada.
10/03/06 - Reunião com Hyder Filho, representante da Coopervision, para tratar da decisão da
reunião da SOC do dia 07/03/06.
24/03/06 - Reunião com a direção da Rede de
Farmácias Pague Menos para tratar de assunto de
interesse da População cearense.
24/03/06 - Reunião com Imprensa para tratar
de matéria jornalística de interesse da Saúde
Ocular.
24/03/06 - Reunião com a ARX para tratar dos
detalhes dos Programas de Educação Médica
Continuada.
Ceará Oftalmológico
13
CORRESPONDÊNCIA
Fac símile da correspondência recebida
O presidente da SOC, Dr. Fernando Furtado, recebeu em 22 março de
2006, do presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Dr.
Harley Bicas, a seguinte correspondência:
“Sr. Presidente
Em primeiro lugar, volto a lhe agradecer por todas as gentilezas demonstradas para com o C.B.O. e seu presidente, em particular. Depois,
agradecer também o encaminhamento do exemplar do Jornal Ceará Oftalmológico, contendo a entrevista que tiva a honra de ver aí publicada. E,
por fim, reiterar meus sinceros cumprimentos pela alta qualidade dessa
publicação, tanto pelo riquíssimo conteúdo informativo, quanto pela finíssima reprodução gráfica. Não tenha a menor dúvida, senhor Presidente,
da exemplaridade com a Sociedade de Oftalmologia do Ceará se dá a conhecer, mostrando sua inequívoca capacidade de organização e trabalho.
Parabéns.
Harley Bicas”
V Í D E O D E C A T A R A T A E N T R E O S 14 M E L H O R E S
NO CONGRESSO MUNDIAL DE OFTALMOLOGIA
O vídeo sobre Catarata Hipermadura Verdadeira de autoria dos Drs. David Lucena e e Socorro Aguiar Lucena foi escolhido entre os 14 melhores na área de Catarata durante o Congresso Mundial de Oftalmologia. Este apresentou várias cirurgias
sugerindo manobras simplificadas para evitar a “Bandeira Argentina” e para conquista do núcleo luxado no saco capsular.
DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO DE OFTALMOLOGIA
Oftalmologista cearense
lança Dicionário de
Oftalmologia
Por ocasião do Congresso Mundial de Oftalmologia ocorreu o lançamento do DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO DE OFTALMOLOGIA
cujo autor é o oftalmologista sobralense João Conrado Ponte que
mora em Camocim, CE. O trabalho
que se propõe a servir de ferramenta na tradução de termos em língua
inglesa encontrados na literatura
da especialidade tem a orientação
da equipe do Professor Fernando
Oréfice e já está disponível no site
www.dicionariooftalmo.blogspot.com
Segundo o autor, “o trabalho terá
utilidade especialmente para os colegas que pretendem traduzir textos
científicos (inglês-português-inglês)
que, como se sabe, universalmente
têm publicação na língua inglesa”,
informa.
A edição inicial que consta de
cerca de 1000 verbetes, além da
de siglas e epônimos, deverá estar
nas livrarias em todo o País após o
lançamento em Fortaleza previsto
para julho deste ano. A publicação
é pioneira entre os países de língua
portuguesa e é a segunda do escritor no gênero, já que Conrado é
co-autor do Dicionário de Medicina
Popular.
NECROLÓGIO
Dr. Sylvio Leal
A Sociedade de Oftalmologia do Ceará vem, com profundo pesar, comunicar o falecimento, no último dia 19 de janeiro de 2006, do médico oftalmologista Sylvio Ideburque Carneiro
Leal. O Dr. Sylvio Leal nasceu em 18 de julho de 1915, em Fortaleza. Tinha apenas 22 anos
quando recebeu o diploma de médico na tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, em
1937. Sylvio Leal, então com 27 anos de idade, e já projetado como oftalmologista na Capital
cearense, tornou-se um dos fundadores da Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC). Ele
foi um dos que, em 1942, assinou a ata de fundação da entidade.
Marcou sua carreira profissional em algumas expressivas posições, como a presidência
do Centro Médico Cearense (atual Associação Médica Cearense), onde efetivou importantes
reformas e melhorias, dando maior vigor à classe médica há algumas décadas passadas. O
Dr. Sylvio Leal deixa 10 filhos, entre eles o colega Sylvio Leal Filho, 21 netos e 11 bisnetos.
14
Ceará Oftalmológico
OFTALMOLOGIA E ARTE
A seção Oftalmologia e Arte traz a
trova e a poesia criadas por médicos
oftalmologistas. O Dr. Francisco Pessoa apresenta algumas de suas trovas
premiadas nacionalmente. O Dr. Levi
Madeira nos traz mais uma poesia de
sua autoria.
Prêmios Troféu de vencedor Concurso Nacional da Editora Valença Rio de Janeiro
Troféu de vencedor do XV Concurso de Trovas da cidade de Belem
Troféu de Menção Honrosa nos
XXII Jogos Floraia da UBT Fortaleza
Diploma de 2º Lugar nos Jogos Florais da UBT Natal - RGN
Diploma de 1º, 2º, e 3º lugares nos
Jogos Florais da UBT de Maranguape
A humildade se mede
e sempre se medirá,
não com favor que se pede
mas com perdão que se dá
A gratidão do roceiro
fitando a chuva que vem,
não cabe num livro inteiro
mas numa palavra - Amém!
Nas veredas tortuosas
dessa vida em desalinho,
nas retas eu colho as rosas
nas curvas tiro os espinhos.
As pedras em mim lançadas
podem ferir tal espinho...
mas servirão de calçadas
para eu seguir meu caminho.
O ter, às vezes ilude
àquele que muito tem...
doutor que vende saúde,
compra saúde também.
Trovas premiadas no Concurso da
Academia Brasileira de Trovas no Rio
de Janeiro.
Diz o sertanejo, ao vê-las,
piscando, soltas ao léu:
- “Acredito que as estrelas,
são pirilampos do céu “.
Mesmo que lhe desagrade
dentre os sabores prefira,
o amargo de uma verdade
ao doce de uma mentira.
Dr. Francisco Pessoa
branosa bem aderente
Sendo a anomalia lacrimal congênita
de longe a mais freqüente
A não permeabilidade completa deste
conduto lacrimal
Transforma em fundo de saco a sua
porção terminal
Estagnadas se contaminam as lágrimas já no final
Levando a dacriocistite que é a inflamação do saco lacrimal
EPÍFORA NA CRIANÇA
Dr. Levi Madeira (*)
Exteriorizando as emoções sua
produção é mais freqüente
Alegria, tristeza ou raiva são estímulos bem eloqüentes
Mas evitar ressecamento do olho o
nosso órgão da visão
É que dão às preciosas lágrimas
inestimável função
È na glândula lacrimal que ocorre
sua constante produção
Daí se espalham livremente cumprindo a sua missão
O excesso, porém é drenado pelo
ducto lacrimal
Que começa na margem da pálpebra até a cavidade nasal
Na chegada do nariz a válvula de
Hasner está presente
Impedindo que as lágrimas retornem em sentido diferente
Não raro ai se encontra uma mem-
E conhecido por epífora este tipo de
lacrimejamento
Obstrução é sua causa e tem diferente tratamento
O olho se encontra úmido podendo
estar purulento
A epífora na criança é a obstrução lacrimal congênita
Preste muita atenção nas faixas etárias de tratamento
Pode ser bastante simples ou se tornar grande lamento
Os pediatras são os médicos que
mais podem ajudar
Pois a eles correm os pais com a
criança e a babá
Grande é a aflição dos pais ao perceberem o sinal
Além de lágrima e secreção a criança
se sente mal
Pois irritação e ardência surgem, na
pele palpebral
Quando se livram do problema é alívio sem igual
A primeira faixa etária vai de zero
até os três meses
Até lá pode esperar com colírio antibiótico e limpeza
Massagem pode ser feita, porém
com cuidado e destreza
Sessenta por cento dos casos se
curam até os três meses
A segunda faixa etária vai dos três
até seis meses
O tratamento é importante é mister
que não esqueça
Uma sondagem lacrimal é o mais
correto a ser feito
A anestesia pode ser tópica sem
risco e com alto êxito
Dos 6 meses até dois anos ainda
se faz a sondagem
Mas as recidivas aumentam com o
passar da idade
Após 2 anos só dá certo uma dacriocistorrinostomia
O que até os 6 meses uma simples
sondagem resolvia.
Oftalmologistas e Pediatras são
parceiros nesta luta
A cada faixa etária mostrada tem
precisa uma conduta
Dos 3 aos 6 meses a sondagem é o
melhor tratamento
Tratar na idade certa a epífora é
que é o procedimento
(*) poesia extraída do livro “Parnaso Oftálmico” de Levi Madeira
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Ceará Oftalmológico
O F T A L M O L O G I A EM DESTAQUE
A Oftalmologia foi destaque na imprensa cearense através de artigo sobre exercício ilegal da medicina, publicado pelo
Jornal Diário do Nordeste em 26 e 29 de março de 2006, em artigo escrito e entrevista concedida pelo presidente da SOC,
Dr. Fernando Furtado. Também foi destaque em editorial do caderno Fato Médico do Jornal O Povo, de 26 de março de
2006 e do Informativo da Sociedade Norte-Nordeste de Oftalmologia, de fevereiro de 2006.
volante da Mercedes que até hoje não conseguimos extrair da cabeça dela.
Conversa fiada
Ciúmes
Madre Teresa está passeando calmamente no
paraíso e quem ela vê? A princesa Diana ostentando o que parece ser uma bela auréola sobre a
cabeça. A piedosa madre não se conforma e vai
falar com São Pedro:
- Escuta aqui, ó São Pedro. Eu passei minha
vida toda ajudando os pobres, enfermos e desvalidos e até hoje não ganhei minha auréola enquanto aquela princesinha ali, veja só que auréola
bonita...
- Não é isso, não, madre Teresa. Aquilo ali é a
O teste
Teste de conhecimentos gerais para admissão
ao serviço militar. É um exame muito difícil. Poucos serão os escolhidos. O sargento pergunta
aos candidatos:
- O que é que ferve a 90 graus?
Silêncio geral. Ninguém responde.
- Vocês são umas bestas. Não sabem de nada.
É a água que ferve a 90 graus, seus ignorantes.
Já ia passando para a questão seguinte quando um candidato falou timidamente:
- Seu sargento, eu acho que o senhor se enganou. A água ferve a 100 graus.
Meio contrafeito, o sargento concordou:
- É. É verdade. O que ferve a 90 graus é o
ângulo reto.
Reencontro
- Olá, tanto tempo, meu velho! Como vai
você? Não nos víamos desde a faculdade, não
é mesmo? Como é? Casou? Quantos filhos?
- É verdade. Veja como o tempo passa rápido. É, eu me casei. E meus dois filhos já estão
se preparando pra casar. O mais velho casa
semana que vem.
- Que bom! Logo você vai ser avô...
- Acho que não. Ele vai se casar com outro
rapaz.
- Bom, mas quando o outro se casar...
- O mais novo casa daqui a três meses, mas
também é com outro rapaz.
- Caramba! E nessa casa, ninguém gosta de
mulher?
- Minha filha de dezoito adora...
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Ceará Oftalmológico
CALENDÁRIO OFTALMOLÓGICO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA
DA SOCIEDADE DE OFTALMOLOGIA DO CEARÁ.
10 e 11 de fevereiro de 2006
“Curso de Metodologia Científica”
Palestrante:
Drs. Fernando Monte, Jailton
Vieira e Fábio Gomes de Mato
05 e 06 de maio de 2006
“Infecções Oculares”
Palestrante:
Dra. Luciene Barbosa - SP
09 e 10 de junho de 2006
“Retina e Vítreo”
Palestrante:
Dr. Marcos Ávila - GO
25 e 26 de agosto de 2006
“Neuroftalmologia e Glaucoma”
Palestrantes:
Dra. Patrícia Medeiros - PI
Dr. Remo Susanna - SP
Informações e Inscrições: ARX Eventos
Fone: (85) 4011.1572 - Fax: (85) 4011.1573
Eventos apoiados e incentivados pela SOC
Silicone Hidrogel - Lentes do Futuro (CIBA Vision) - 11 de maio
Palestrante: Dr. Marcelo Sobrinho (SP)
Informações: (85) 9171.2399 (Simone) - (85) 3087.7870 (Sidney)
Glaucoma 2006 - Promoção Centro Visual - 26 de maio
Informações: ARX Eventos - (85) 4011.1572 - Sara ou Juliana
XVII CONGRESSO CEARENSE DE OFTALMOLOGIA
23 a 25 de novembro de 2006
Aprovado pela Comissão Nacional de Acreditação, da Associação Médica Brasileira (AMB). Este evento valerá 15 pontos para a revalidação
do seu título de especialista.
Este espaço é reservado a divulgação dos eventos científicos da Sociedade de Oftalmologia do Ceará.
As clínicas que desejarem divulgar seus eventos, devem entrar em contato com a SOC.
DIREITOS DO SÓCIO
O associado da S.O.C tem direito a:
participar gratuitamente dos cursos
e eventos promovidos pela Sociedade;
desconto na inscrição do
Congresso Cearense de Oftalmologia;
assessoria jurídica;
participar da COFTALCE;
receber o Jornal Ceará
Oftalmológico;
participar do Guia do Oftalmologista
Cearense.
ASSOCIE-SE JÁ!
FORTALEÇA A DEFESA DA CLASSE!
Informações: (85) 3264-9404
AGRADECIMENTOS
SOCIEDADE DE OFTALMOLOGIA DO CEARÁ
Sede Própria: Av. Dom Luiz, 300 - S/ 1127
Meireles-Fortaleza-CE - CEP 60.160-230
Fone-Fax: (85) 3264.9781 - 3264.9404
www.soc.org.br
e-mail: [email protected]
DIRETORIA EXECUTIVA
Presidente
Dr. Fernando Antonio Lopes Furtado Mendes
Vice-Presidente
Dr. Germano Leitão de Andrade
Secretário Geral
Dr. David da Rocha Lucena
1º Secretário
Dra. Idalina Costa Maranha
2º Secretário
Dr. César Augusto Mesquita Juaçaba
1º Tesoureiro
Dr. Sérgio Augusto Carvalho Pereira
2º Tesoureiro
Dr. Breno Santos de Holanda
Representante Regional Norte
Dr. Vicente Abdias Fernandes
Representante Regional Central
Dr. Raimundo Holanda Amorim
Representante Regional Sul
Dr. Régis Santana de Figueiredo
Comissões
Ceará Oftalmológico
Gilmasa Daniele Rios Dias
Maria do Socorro Aguiar Lucena
Máurea Cesar de Lima
Cursos
Abelardo Pompeu Targino
Francisco Eurípedes Gomes de Lima
Heloísa Maria Vieira Lima
Ivana Lucia Sobreira Carneiro
Maria Denise Rocha Menezes
Defesa da Saúde Ocular
Alvaro Fernandes Ferreira
Cleanto Jales de Carvalho Filho
Ismar Dias da Silva
Ivalto Gonçalves do Nascimento
José Luciano Leitão de Alencar
Luiz Carlos Sales de Castro e Silva
Divulgação e Marketing
André Jucá Machado
Francisco Airton de Vasconcelos
Francisco Helder de Vasconcelos
Gersivan Gomes de Lima
Lucia de Fatima Cavalcante Tavares
Ética
Fernando Queiroz Monte
Francisco Alequy de Vasconcelos Filho
Rafael Dias Marques Nogueira
Sylvio Idelburque Leal Filho
Incentivo a Pesquisa Cientifica
Abrahão da Rocha Lucena
Danielle Limeira Lima Costa
Jailton Vieira Silva
Rosemary Jorge Mendonça Albuquerque
Telma Gondim Freitas
Informática e Documentação
João Helder Alves Arcanjo
Jorge Eldo Silva Lima
José Ribamar Fernandes Filho
Levi Torres Madeira
Paulo Grangeiro de Araújo
Lente de Contato
Fernando Augusto Delgado Sampaio
José Hyder Dantas Carneiro
Márcia de Araújo Medeiros
Maria Excelsa Chaves Costa Lima
Wantan Laércio
Prevenção da Cegueira
Antonio Hermínio Bezerra Resende
Francisco José Ferreira Simão
Francisco Waldo Pessoa de Almeida
Newton Leitão de Andrade
Transplante de Córnea
Francisco Adriano de Almeida
Alexandre Teles Holanda
Marcos Emanuel Teixeira Maia
Marineuza Rocha Memória
Conselho Fiscal
Adriano Holanda Viana
José Emilson Barros de Oliveira
Jonas Marinho de Araújo Filho
Conselho Consultivo
Aristófanes Canamary Ribeiro
Eliane Barbosa Silva Bonfim de Morais
Islane Maria Castro Verçosa
Antonio Augusto Matos Pires
Leiria de Andrade Neto
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Jornal 30