Ceará Oftalmológico Órgão Oficial da Sociedade de Oftalmologia do Ceará Ano XXVI Nº 30 Gestão Atual - Trimestral - Janeiro/Março 2006 - Nº 05 PALAVRA DO PRESIDENTE Em virtude do momento atual da nossa especialidade, decidimos em reunião da Diretoria da Sociedade de Oftalmologia do Ceará, realizada no dia 24 de janeiro do corrente, elevar o nosso grande evento à categoria de Congresso. A Oftalmologia cearense terá seu Congresso, como já ocorre com a Pediatria, Cardiologia e NeuroTeve início em 1978, o logia, dentre outras. maior evento da OftalmoloOs números dos encontros serão mantidos. gia do Ceará. A Jornada Ce- Desse modo, em novembro, teremos o XVII arense de Congresso CearenOf talmolo se de Oftalmologia. A Oftalmologia cearense gia ocorreu Para mantermos anualmenterá seu Congresso, como também a tradição te, por muie preservarmos mejá ocorre com a Pediatria, tos anos, até 2004, quando lhor a história, depassou a chamar-se Simpósio cidiu-se na reunião Cardiologia e Neurologia, Cearense de Oftalmologia. supracitada, mandentre outras. Nas últimas edições, register o Prêmio Hélio trou-se um crescimento em Góes, a pedido da todos os sentidos. Constatamos pelo com- nossa amiga Eliane Bonfim, que o introduziu parecimento significativo dos oftalmologistas como premiação do melhor trabalho científico. cearenses, assim como dos estados vizinhos. O Dr. Hélio Góes possui uma bibliografia rica Destaca-se também a quantidade e qualidade de serviços prestados à Oftalmologia cearendos trabalhos científicos apresentados. A par- se, destacando-se a fundação do Instituto dos ticipação das empresas ligadas a Oftalmologia Cegos. Fazemos, portanto, justiça à memória tem aumentado de forma considerável. deste grande colega. Grande empresa nacional promete a soc que não vai comercializar lentes de contato página 3 soc dá início ao seu programa de educação médica continuada - pec t nota jurídica soc obtém éxito em ações judiciais Lentes de Contato Em prol da Saúde Ocular página 4 página ENTREVISTA COM A DRA. MARJORIE MOTA, PRIMEIRA MULHER A ASSUMIR A PRESIDÊNCIA DA A.M.C. página 3 página 7 história da oftalmologia do ceará - parte I 11 página 6 Ceará Oftalmológico Dra. Idalina Maranha No mundo estressante em que vivemos, cada dia que passa mais se impõe a necessidade da humanização da consulta médica, com uma relação médico paciente mais harmoniosa e confiante. Devemos nos conscientizar que o paciente é antes de tudo um ser humano, buscando ou precisando de nossa ajuda, quer para trocar os óculos, adaptar lentes de contato, tratar de uma conjuntivite ou com uma patologia mais grave, lutando para que seja restituída sua visão. Não importa o seu nível socioeconômico, escolaridade, raça, etc, é antes de tudo uma pessoa que necessita de nossa ajuda, de nossa atenção e empatia. Mesmo com as dificuldades profissionais do mundo moderno, socialização da medicina, preços aviltantes tanto das consultas como dos procedimentos médicos, contrapondo-se aos elevados custos na aquisição de aparelhos oftalmológicos e manutenção dos mesmos, das despesas dos consultórios, temos que honrar o nosso juramento de exercer a arte de curar, fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência, com discrição, sem servir-se da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Principalmente na nossa especialidade, oftalmologia, em que enfrentamos falsos profissionais tentando a todo custo, por todos os meios, atuar na nossa área médica, ilegalmente, prescrevendo óculos, adaptando lentes de contatos , etc. O atendimento médico consciente, atencioso, honesto e amigo, é uma das armas que dispomos para fidelização do paciente , fazendo o diferencial para que esses falsos profissionais não invadam nosso mercado de trabalho e não coloquem em risco a saúde ocular da população. Como conciliar a nossa profissão, como exercer uma medicina ética, que avalia o paciente como um todo e não apenas um órgão do seu corpo, no caso, o olho; dando-lhe atenção, explicações sobre sua patologia, apoio médico e dando-lhe a certeza de que estamos fazendo o possível para solucionar o seu problema. A medicina é a nossa profissão, é o nosso meio de sobrevivência, de ganharmos o pão de cada dia, mas a nossa maior gratificação é a oportunidade de ajudar o outro. Que honorário médico paga a alegria de salvar uma vida, de melhorar a qualidade de vida de um ser humano, ajudando-o a recuperar sua saúde, aliviar sua dor ou recuperando sua visão, de proporcionar a uma pessoa a oportunidade de apreciar a beleza da natureza, o sorriso de uma criança ou ver o rosto da pessoa amada? Não. Não existe profissão mais nobre e gratificante que a medicina, e nós médicos temos o dever de honrála, nos aprimorando e atualizando nossos conhecimentos, fazendo o melhor que pudermos para beneficiar e ajudar nossos pacientes com paciência, amor e respeito. Nesta Edição Editorial pág. 02 Notícias da SOC pág. 03 PEC - Programa de Educação pág. 04 Médica Continuada Curso Avançado em Avastin pág. 04 Mácula 2006 pág. 05 16º Curso de Ecografia pág. 05 Ocular História da Oftalmologia do pág. 06 Ceará - Parte I Espaço Jurídico pág. 07 Artigo Científico pág. 08 Entrevista pág. 11 Eleições 2006 pág. 12 Atividades Oficiais do Presidente da SOC pág. 12 Correspondência pág. 13 Dicionário Oftalmológico pág. 13 Necrológio pág. 13 Oftalmologia e Arte pág. 14 Oftalmologia em Destaque pág. 15 Conversa Fiada pág. 15 Calendário Oftalmológico pág. 16 Conselho Editorial: Fernando Furtado, Gilmasa Daniele Rios Dias, Maria do Socorro Aguiar Lucena e Máurea Cesar de Lima Jornalista Responsável: José Mario Pinto - Reg/ DRT 290/01/148 CE Editoração Gráfica: Saul Ferreira Impressão:Expressão Gráfica 3253.2222 Ceará Oftalmológico NOTÍCIAS DA SOC REDE DE FARMÁCIAS PAGUE MENOS ASSUME COMPROMISSO COM A OFTALMOLOGIA No último dia 23 de março, na sede administrativa da rede de Farmácias Pague Menos, maior rede de farmácias do Brasil, a diretoria da SOC, representada pelo seu presidente, Dr. Fernando Furtado, juntamente com o departamento juridico da SOC, reuniu-se com o diretor da Pague Menos, Sr. Geraldo Gadelha. Na reunião o Dr. Fernando Furtado abordou o problema da venda de lentes de contato e óculos de grau em farmácias e congêneres, sendo assessorado pelos advogados da SOC, Drs. George Fontenele e Mário Martins, que mostraram, além de questões juridicas, o risco à saúde ocular da população. O Sr. Geraldo Gadelha sensibilizou-se e assumiu o compromisso de não comercializar em suas lojas, lentes de contato ou óculos de grau. Sr. Geraldo Gadelha, Dr. Fernando Furtado e Advs. Drs. George Fontenelle e Mário Martins LENTES DE CONTATO EM PROL DA SAÚDE OCULAR Sabendo-se que a Adaptação de Lentes de Contato é um ato médico, listamos abaixo as empresas que, preocupadas com a Saúde Ocular da população, informaram a Sociedade de Oftalmologia do Ceará, que as lentes abaixo são restritas a Área Médica(Estado do Ceará). • Lentes da Coopervision • Lentes da Mediphacos • Lentes da Ciba Vision – As Lentes da linha Focus e a Lente O2 (OOPTIX) Obs: 1- Atualizações serão feitas a cada edição 2- Informações – Sociedade de Oftalmologia do Ceará – 85-3264-9404 MAIOR EVENTO DA OFTALMOLOGIA CEARENSE PASSA A SE CHAMAR CONGRESSO Em reunião de diretoria realizada no dia 24 de janeiro de 2006, na sede da Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC), ficou decidido que a partir de 2006 o Simpósio Cearense de Oftalmologia passa a se chamar Congresso Cearense de Oftalmologia, decisão registrada em ata. Devido à importância que o evento alcançou e a várias solicitações de colegas oftalmologistas, a diretoria da SOC resolveu adotar o nome de congresso, nome este que é usado em eventos de várias outras especialidades no Ceará como pediatria, cancerologia, neurologia, neurocirurgia, cardiologia e outras. Também nesta reunião, e com registro em ata, a diretoria da SOC resolveu reinstituir o Prêmio Hélio Góes Ferreira ao trabalho científico vencedor do congresso. Esta decisão atende ao pedido da ex-presidente da SOC, Dra. Eliane Barbosa, que instituiu em 2002 tal prêmio. SOCIEDADE NORTE NORDESTE DE OFTALMOLOGIA PROMOVE REUNIÃO Por ocasião do Congresso Mundial de Oftalmologia realizado em São Paulo, a Sociedade Norte Nordeste de Oftalmologia (SNNO) promoveu no dia 21 de fevereiro uma reunião com os seus membros e presidentes das Sociedades de Oftalmologia do norte e nordeste, quando foram abordados temas relacionados a realização do próximo Congresso Norte Nordeste de Oftalmologia, que acontecerá de 06 a 08 de setembro em São Luís-Ma. A Sociedade de Oftalmologia do Ceará, através de seu presidente, Dr. Fernando Furtado, na oportunidade levantou o problema da venda de lentes de contato por estabelecimentos, como farmácias e congêneres, indicando e ouvindo soluções. Representantes das Sociedades de Oftalmologia do Norte e Nordeste Ceará Oftalmológico PEC - Curso de Metodologia Científica Dando início ao PEC – PROGRAMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA de 2006, a Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC) promoveu nos dias 10 e 11 de fevereiro, o Curso de Metodologia Científica. O evento, que teve a coordenação dos Drs. Fernando Furtado e Jailton Vieira, aconteceu no auditório da UNI- MED-Fortaleza e contou com a participação de um grande número de médicos oftalmologistas, residentes e acadêmicos de medicina. Os temas abordados foram: “A Publicação Científica” (Dr. Jailton Vieira), “Desenhos de Estudo em Pesquisa” (Dr. Fernando Monte e “Estatística Médica e sua Importância” (Dr. Fábio Go- mes de Matos e Sousa). Por ocasião do evento, a SOC fez o sorteio do livro “Refração”, de autoria do médico oftalmologista Aderbal Alves, que teve como ganhador o Dr. Clayrton Martins. As Ópticas Itamaraty, Essilor e Transitions apoiaram o evento e promoveram o sorteio de valiosos brindes entre os participantes. Fernando Furtado, Fernando Monte e Jailton Vieira Fábio Gomes de Matos e Fernando Furtado Eurípedes de Lima, Álvaro Fernandes, Fernando Furtado, Levi Madeira e Luciano Alencar Cesar Juaçaba e Gersivan de Lima Clayrton Martins e Fernando Furtado Germana Vasconcelos e Andréa Lucas Idalina Maranha, Fernando Furtado e Andréa Lucas Francisco José, Sérgio Augusto Filho e Bruno de Lima (Liga de Oftalmologia da UFC) Werton Farias e Larissa Farias CURSO AVANÇADO EM AVASTIN: REGIÃO NORDESTE O Centro Avançado Retina e Catarata, juntamente com o Centro de Estudos Professor Fernando Oréfice, promoveram no último dia 27 de janeiro de 2006 o Curso Avançado em Avastin: Região Nordeste. O evento, que teve o apoio da Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC), teve como coordenadores os Drs. Abelardo Targino, Danielle Costa e David Lucena. O Curso foi aberto pelo presidente da SOC, Dr. Fernando Furtado, e contou com a presença dos palestrantes Dr. Rodrigo Jorge(SP) e Dr. Rogério Costa(SP). Além das palestras, aconteceu uma sessão com avaliação de pacientes e tratamento. O evento foi prestigiado por um bom número de médicos oftalmologistas. Fernando Furtado Rodrigo Jorge Platéia Rogério Costa Ceará Oftalmológico MÁCULA 2006 Em uma realização do Centro Avançado Retina e Catarata e com o apoio da Sociedade de Oftalmologia do Ceará, aconteceu no dia 17 de março de 2006 o Mácula 2006 “Avanços em diagnóstico e tratamento”. O evento, que teve como coordenador o médico oftalmologista Abelardo Targino, aconteceu no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza. A programação do Mácula 2006 constou de dois módulos. No primeiro módulo, foi proferida palestra dirigida à comunidades leiga, “Mácula para o não oftalmologista: conceitos, pesquisas e tratamento”. O segundo módulo apresentou palestras dirigidas à comunidade oftalmológica do Ceará, “Mácula 2006: Avanços no diagnóstico e tratamento”. O convidado deste ano foi o Dr. André Gomes (SP), do Dep. De Oftalmologia da FMUSP-SP, do Instituto de Oftalmologia Suel Abujamra e Chefe do setor de Retina e Vítreo do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Abelardo Targino, André Gomes, Fernando Furtado e David Lucena André Gomes Abelardo Targino Hélder Vasconcelos, Werton Farias, Fernando Furtado e Abelardo Targino Aristófanes Canamary, Valter Justa, Abelardo Targino, André Gomes, David Lucena Abelardo Targino e Leiria de Andrade Neto Nonato (ALCON), Jorge Eldo, Adriano Holanda, David Lucena e Excelsa Costa Lima David Lucena, Valter Justa, João Conrado da Ponte e Luciano Alencar Platéia 16º CURSO ECOGRAFIA OCULAR O CEBEPO (Centro Brasileiro de Estudo e Pesquisa em Oftalmologia) realizou, no período de 09 a 11 de fevereiro de 2006, o 16º Curso Ecografia Ocular. O curso, que contou com o apoio da Javier Yugar Sociedade de Oftalmologia do Ceará, foi ministrado pelo médico oftalmologista Javier Yugar. O evento teve lugar no CLDO, contando com a presença de um grande número de participantes. Ceará Oftalmológico HISTÓRIA DA OFTALMOLOGIA DO CEARÁ. Parte I O Ceará Oftalmológico inicia neste número a publicação de uma série de artigos do colega Valter Justa, sobre a História da Oftalmologia do Ceará. PRIMÓRDIOS DA OFTALMOLOGIA CEARENSE Valter Justa (Titular da Academia Cearense de Medicina) Tudo indica que o primeiro oftalmologista do Ceará foi o Dr. José Cardoso MOURA BRASIL e que as primeiras cirurgias da especialidade foram por ele realizadas na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. Em 1875, de retorno ao Brasil após quase dois anos de estágio na clínica do famoso Professor Louis de Wecker, em Paris, o jovem oftalmologista, nascido em Quixoçó (atual município de Iracema, Ceará) em 1846, aqui se demorou de agosto até dezembro. Nesse curto período atendeu numerosos pacientes, pondo em prática os conhecimentos adquiridos na Europa. Em Fortaleza realizou 51 operações, a maioria na Santa Casa de Misericórdia. Eis o registro das mesmas (tabela 1): Blefaroplastia Calázio Esclerotomia anterior Excisão de hérnia de íris Iridectomia óptica Tatuagem de córnea Blefarofimose Entrópio Pterígio Entrópio Catarata Triquíase Estrabismo (tenotomia) Iridectomia 1 1 1 1 1 1 2 3 3 4 4 4 12 13 gusto Borges. Na qualidade de observadores registrados os nomes dos Drs. Meton de Franca Alencar, José Lourenço de Castro e Silva, Rufino Antunes de Alencar e Antônio Pompeu de Sousa Brasil. Desse grupo um único médico (Dr. João da Rocha Moreira) apresentara tese relacionada à oftalmologia. Os demais eram cirurgiões gerais. Todavia foi o Dr. METON DE ALENCAR que passou a exercer a especialidade, seduzido pela sua resolutividade. Seu anúncio na “Gazeta do Norte” de 27 de setembro de 1883 assim explicitava: “trabalha em medicina, cirurgia e olhos”. Voltando ao Dr. Moura Brasil, dois registros valem a pena. O primeiro diz respeito aos locais de atendimento de consultas. Nos primeiros dias de sua estada entre nós, foi improvisado consultório no “Hotel de l’Univers” (pertencente a um francês) onde dava consulta “a qualquer hora” (segundo anúncio no “Cearense” de 22 de agosto de 1875). Imaginemos a cena: vestido a caráter, com gorro, avental branco longo, gravata borboleta, dispondo de caixa de provas e- quem sabe?- do instrumento mais importante na especialidade, o oftalmoscópio (recentemente inventado por Helmholtz). Nada de lâmpada de fenda ou tonômetro, ainda desconhecidos. Alguns colírios de preparação artesanal, naturalmente franceses. Dois meses depois mudou para a Rua Conde D’Eu número 109, residência do amigo Dr. Antônio Mendes da Cruz Guimarães, transferindo para lá sua moderna aparelhagem. O segundo fato digno de registro foram as grandes manifestações de reconhecimento pelo seu meritório trabalho, já que a maioria dos pacientes era constituída por indigentes. Duas grandes festas em sua homenagem foram organizadas pela alta sociedade local e outorgados diplomas de reconhecimento por parte da Câmara Municipal e da Sociedade Beneficente Portuguesa Dous de Fevereiro. Faleceu o Dr. Moura Brasil aos 82 anos. Continuaram sua obra no Rio de Janeiro numerosos oftalmologistas descendentes do ilustre cearense, formadores de verdadeira dinastia. Tabela 1 – Operações realizadas pelo Dr. Moura Brasil em Fortaleza no ano de 18751 O Dr. Francisco PAULA RODRIGUES, graduado em 1887, foi também um dos pioneiros da especialidade em nosso estado. OFTALMOLOGIA CEARENSE NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO 20 Nomes de destaque João da Rocha Moreira, Antônio Mendes da Cruz Guimarães e Pedro Au- Dr. MANUEL Duarte PIMENTEL, nasceu em Fortaleza, a 5 de abril de Seus auxiliares foram os Drs. 1857, tendo aqui realizado seus estudos primários e de humanidades. Em 1887, diplomado médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, realizou breve incursão pela área da traumatologia tendo, a seguir, se dedicado à oftalmologia. Orientou-o nesse mister outro cearense, o Dr. Moura Brasil, que o iniciou na especialidade e o encaminhou a Paris, onde estagiou com o Professor Wecker, expoente europeu. Após residir em Ribeirão Preto e Belém do Pará, fixou-se em sua cidade natal, onde exerceu a especialidade com dedicação e proficiência. Interessado por jornalismo, colaborou com o “Diário da Manhã” em Ribeirão Preto e, em Fortaleza, fundou o “Diário do Norte”, de breve existência. Foi ainda o grande idealizador e um dos fundadores do Centro Médico Cearense, em 1913, embora jamais tenha ocupado sua presidência. Faleceu em Fortaleza, em 1917. Dr. METON DE ALENCAR Filhonasceu em Fortaleza em 1875, filho do Dr. Meton Franca de Alencar e de Da. Clotilde Alves de Alencar. Iniciou sua formação acadêmica na Faculdade de Medicina da Bahia onde cursou os dois primeiros anos. Transferiu-se para a Faculdade de Medicina e de Farmácia do Rio de Janeiro onde foi Adjunto da Clínica Oftalmológica da Policlínica geral do Rio de Janeiro e auxiliar do Dr. Moura Brasil em sua clínica. Logo após concluir o curso médico, em 1899, defendeu tese em com o título “Contribuição para o estudo da herança em ophtalmologia” (1900). Retornando a Fortaleza chefiou o Serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Misericórdia. Foi o pioneiro do transplante de córnea em nosso estado (1926), tendo realizado doze xenotransplantes usando córneas de galinhas e de coelhos com finalidade tectônica. Publicou vários trabalhos, um dos quais intitulado “Do Trachoma no Estado do Ceará”, apresentado ao 6o Congresso Médico realizado em São Paulo. Foi o criador de várias fórmulas muito conhecidas à época, entre as quais o “Ophtalmol” e o “Trachomatol”, além do conhecido “Aseptol”. Faleceu em 1932. De seu consórcio com a senhora Hortência Natalina Jaguaribe de Alencar nasceram sete filhos, dentre eles o Dr. Meton Alencar Neto, também oftalmologista. Fonte: Justa, V. : História da Oftalmologia no Ceará, Anais da Academia Cearense de Medicina, vol IX, 9,391-404, 2001 1 Segundo levantamento realizado pelo Dr. Oswaldo Riedel em jornais da época e publicado no número 2 dos Anais da Academia Cearense de Medicina (1985 pág. 195). Anote-se, ainda, que três dessas operações foram realizadas em consultório (no caso, o Hotel de L’Univers ou a residência do amigo) e que o emprego da cocaína como anestésico local em cirurgias oculares foi introduzido por Koller apenas em 1884 (portanto, nove anos mais tarde) e as técnicas de acinesia (van Lint, 1914) e de anestesia retrobulbar (Elshnig, 1928) surgiram somente no século atual. O que nos leva a supor que a técnica anestésica empregada foi a geral, por inalação de éter, muito utilizada na época. Ceará Oftalmológico ESPAÇO JURÍDICO NOTA JURÍDICA É com satisfação que comunicamos o êxito obtido pela Sociedade de Oftalmologia do Ceará, por meio de Ação Judicial, quanto ao seu pedido de Liminar para que uma ótica da cidade se abstenha de fazer recomendação e adaptação de lentes de contato, sem prescrição médica para tanto, bem como de realizar exames de refração, ou de vistas, ou testes de visão, e que não volte a utilizar equipamentos como “auto-refrator com ceratômetro” ou “queratômetro”. Tal empresa, inclusive, divulgava seus serviços irregulares em periódicos. A Dra. Dilara Guerreiro de Brito, juíza titular da 1ª Vara Cível, que concedeu a Liminar, determinou, ainda, a incidência de multa de R$ 1.000,00 (hum) mil reais diários em caso de descumprimento. Aproveitamos o ensejo para informar, ainda, que no último dia 24 de março, os advogados da SOC, juntamente com o Dr. Fernando Furtado, estiveram em reunião com um dos diretores das Farmácias Pague Menos, Sr. Geraldo Gadelha, esclarecendo acerca da vedação legal das farmácias, de modo geral, de vender óculos de grau e lentes de contato sem prescrição médica. O Sr. Gadelha ratificou seu compromisso com a saúde da população cearense, ao afirmar que a empresa não comercializa atualmente tais produtos e nem pretende faze-lo. Por fim, agradecemos àqueles que, através de encaminhamento de denúncias e pedido de Pareceres, têm contribuído para o combate aos falsos médicos em nosso Estado. Nos próximos dias, mais Ações Judiciais estarão sendo ajuizadas. Departamento Jurídico da Sociedade de Oftalmologia do Ceará. André Peixoto. George Fontenelle. Mário Coelho Bessa. André Pinto Peixoto Assessor Jurídico da Sociedade de Oftalmologia do Ceará / Advogado OAB-CE 17.284 O optometrista já tem “Dia Internacional”. Você sabia? No último dia 06 de março, os optometristas comemoraram a data que elegeram para o “Dia Internacional do Optometrista”. Em Fortaleza, exibiram, inclusive, outdoors com mensagens de felicitação aos optometristas, patrocinados pelo “Conselho Brasileiro de Óptica e Optometria”. Tais manifestações são preocupantes, tendo em vista a suposta naturalidade com a qual os optometristas atuam no mercado. Medidas judiciais estão sendo tomadas, além da maior divulgação das informações de como fazer as denúncias, mas é preciso que a sociedade, como um todo, ajude a combater este nefasto exercício irregular da medicina. A optometria não é uma profissão regulamentada no Brasil. Assim, as pessoas que se utilizam deste rótulo para realizarem atos privativos de médicos, tais como consultas e prescrições de lentes de grau estão exercendo irregularmente a Medicina, podendo ser punidos por isso, como vem ocorrendo em vários estados brasileiros. A adaptação de lentes de contato e a prescrição de lentes de grau devem ser, em qualquer hipótese, realizadas por médico oftalmologista. Casas de óticas e optometristas não podem fazê-lo sem a receita médica ou em desacordo com a mesma. Existem várias formas de controle sobre essas pessoas e empresas referentes à venda e prescrição de lentes de grau, fiscalização e punição de optometristas e óticas que agem em desconformidade com a Lei. Dentre estes, são as mais importantes: denúncia dos infratores para que lhes sejam aplicadas as punições devidas, tais como multas, apreensão de mercadorias e equipamentos, fechamento de estabelecimento e aplicação de penas criminais; participação intensa dos Médicos Oftalmologistas, Hospitais, Clínicas, Estabelecimentos de Vendas de Lentes de Grau, Fabricantes de Lentes e comunidade cearense na denúncia dos infratores da lei; campanhas de conscientização da população sobre os malefícios causados pela prática irregular da medicina. As formas de punição dos culpados podem ser de caráter penal, civil e administrativo. As provas necessárias em processos referentes à atuação irregular de um optometristas não são especificamente apontadas pelas leis brasileiras. Além disso, variarão de acordo com as peculiaridades de cada caso. Via de regra são necessárias a identificação do optometrista, com seu nome completo, o local onde o mesmo atendeu determinada pessoa e a prescrição por ele realizada. Se for o caso, é necessário indicar doenças não detectadas pelo optometrista, as repercussões da não identificação da mazela e os danos causados por uma prescrição errônea. Os casos de exercício irregular da medicina podem ser averiguados pela Polícia e pelo Ministério Público da cidade onde ocorreu o delito penal, para, em seguida ser levado o caso a um Juiz de Direito, que conduzirá o respectivo processo de constatação dos fatos e punição dos culpados. Também é possível a apresentação do caso na Secretaria da Vigilância Sanitária, no Conselho Regional de Medicina e, no caso da Oftalmologia, na Sociedade de Oftalmologia do Ceará, onde seu Departamento Jurídico adotará as providências para que o caso seja apresentado à Polícia e ao Ministério Público. Ceará Oftalmológico Uso de C3F8 no descolamento da membrana de Descemet pós-facectomia* Introdução Dr. Abrahão Lucena Pós-graduando nível doutorado em oftalmologia FMRP-USP Título de especialista em córnea e cirurgia refrativa Mestrado em oftalmologia pela FMRP-USP Resumo Introdução- O descolamento da membrana de Descemet é uma complicação rara, mas devastadora após fecectomia. Algumas alternativas têm sido usadas para reposição da Descemet: bolha de ar, sutura com transfixação da córnea, viscoelástico associado com bolha de ar e gás SF6 ou C3F8. O transplante de córnea é o último recurso utilizado. Objetivo- Avaliar os resultados anatômicos e funcionais, do descolamento iatrogênico da membrana de Descemet, com uso de C3F8 (16%) na câmara anterior em seis olhos pós-facectomia. Material e métodos- Após colocação de 0,5ml do gás em câmara anterior avaliou-se localização justa-estromal da membrana de Descemet em lâmpada de fenda. Os olhos com descolamento superior/central eram orientados a ficar em decúbito elevado por dois dias e no caso do descolamento inferior solicitamos decúbito dorsal com leve supraversão. Resultados- A média de idade foi de 71,3 anos (s=9,3), sendo quatro do sexo feminino. Todos os olhos tiveram sucesso com a colocação do C3F8, havendo aumento da pressão intra-ocular em um caso. O edema corneano regrediu a partir do segundo dia com resolução completa até o quarto dia. A acuidade visual melhorou em todos os casos logo após regressão do edema, sendo reavaliada quarenta e cinco dias depois. Conclusão- A introdução unicamente do gás C3F8 não expansivo para colar a membrana de Descemet é citado pela primeira vez na literatura brasileira. O reestabelecimento da acuidade visual é rápida, o método é seguro, efetivo e de fácil execução, sendo realizado sob anestesia tópica. Palavras-chave: Descemet, C3F8, Catarata. A membrana de Descemet é uma lâmina basal de cerca de 10um de espessura que reveste a porção posterior do estroma e o separa do endotélio, responsável por sua secreção. Encontra-se frouxamente aderida ao estroma, é homogênea, altamente refrátil, flexível e elástica (apesar de não ter fibras elásticas). Identificam-se duas zonas distintas: anterior, elástica, e a posterior, constituída de lâmina basal. Esta membrana é resistente a infecções e possui uma capacidade parcial de se regenerar, embora muitas vezes de maneira imperfeita. O descolamento da membrana de Descemet não é uma complicação freqüente, mas devastadora após uma cirurgia de catarata. Descolamentos pequenos e periféricos raramente são problemáticos, mas os extensos e/ou próximos ao eixo visual podem afetar em muito a visão dos pacientes, sendo necessário recorrer a transplante penetrante de córnea . Um tratamento tradicional é a conduta expectante, na esperança do recolamento espontâneo. Outras alternativas têm sido usadas na tentativa de reposição da membrana de Descemet: bolha de ar (descolamento pequeno e periférico), sutura com transfixação de toda córnea, viscoelástico associado com bolha de ar, gás (hexafluoreto de sulfúrio ou SF6 e o perfluorpropano ou C3F8) associado ou não com sutura. Objetivo Avaliar os resultados anatômicos e funcionais, do descolamento iatrogênico da membrana de Descemet, com uso de C3F8 na câmara anterior em seis olhos pós-facectomia. Material e Métodos Realizou-se estudo prospectivo em seis olhos com descolamento da membrana de Descemet pós-facectomia no departamento de córnea e refrativa do Centro Avançado de Retina e Catarata recebeu de Fevereiro de 2002 até Maio de 2004. Dos seis casos de descolamento, cinco foram após facoemulsificação e um por extração extra-capsular do cristalino. O PAM (potencial de acuidade macular) foi realizado no pré-operatório de todos os pacientes, assim como a acuidade visual (AV) pré-operatória. No pós-operatório, um médico especialista em córnea avaliou: AV, biomicros- copia (observando edema corneano, anatomia: extensão e localização do descolamento). A medida da PIO e o acompanhamento biomicroscópico foi realizado com dois, seis, 45 e 180 dias de pós-operatório. O descolamento era filmado e fotografado, media-se a pressão intra-ocular e encaminhava o paciente ao bloco cirúrgico para colocação da bolha não expansiva (16,0%) do gás C3F8, sob anestesia tópica com cloridrato de oxibuprocaína 0,4%. Em três casos o gás foi colocado no segundo dia pós-descolamento, o quarto paciente no 15 dia, o quinto com 40 dias e o sexto com 60 dias de pós-operatório. Com uma seringa de 10ml conectada em uma agulha de insulina (13 x 4,5) era aspirado 2,0 ml do gás C3F8 do recipiente, logo em seguida expulsava-se 0,4 ml para atingir a quantidade desejada (1,6 ml) para então completar a seringa com ar ambiente até 10ml e ficar, ao final, com uma concentração próxima de 16,0%. Dos cinco casos que foram realizados facoemulsificação, em dois utilizamos a mesma incisão superior temporal para introdução da cânula com o gás. Uma outra opção utilizada foi a punção corneana, justa-limbar com agulha de insulina (13 x 4,5) na região oposta ao descolamento, aspirava-se 0,1ml de humor aquoso da câmara anterior e injetava-se o gás. No caso da extração extra-capsular do cristalino, entramos superiormente as 12:00 horas com cânula adequada. Imediatamente a colocação do gás (0,5ml em câmara anterior) o paciente era avaliado em lâmpada de fenda para verificar a localização justa-estromal da membrana de Descemet / endotélio, além de medir da pressão intra-ocular. Os pacientes com descolamento superior e central da membrana eram orientados a ficar em posição de decúbito elevado por dois dias e no caso do descolamento inferior solicitamos decúbito dorsal com leve supraversão. Essas posições são importante para maior contato da bolha com o local do descolamento. Em um caso houve aumento da pressão intra-ocular, sendo utilizado acetazolamida 250mg 6 / 6 horas até controle adequado. No pós-operatório de todos os pacientes foi prescrito tobramicina com dexametazona de 6 / 6 horas por 10 dias. Ceará Oftalmológico Dois dias após, os pacientes eram reavaliados para observação do edema, acuidade visual, medida da pressão intra-ocular e posição da mem- brana da Descemet. Tivemos dificuldade em avaliar a AV no segundo dia por presença da bolha em eixo visual, mas no sexto dia já era possível medir a visão de todos os pacientes. Os dados foram digitados em planilha do EXCEL, sendo as variáveis quantitativas contínuas avaliadas pelo teste t de Student. Resultados Todos os pacientes tiveram sucesso com a colocação da bolha do gás C3F8. O edema corneano regrediu a partir do segundo dia com resolução completa até o quarto dia. A média de idade dos pacientes foi de 71,3 anos (s=9,3), sendo quatro do sexo feminino. A acuidade visual com correção no sexto dia de pós-operatório foi de 0,40 (20/50) em quatro pacientes, um ficou com 0,25 (20/80) e outro com 0,20 (20/100). Não houve diferença estatisticamente significativa entre o PAM e acuidade visual com quarenta e cinco dias de pós-operatório (p=0,0722). Com quarenta e cinco dias após introdução da bolha a AV melhorou significantemente em relação ao pré-operatório, como mostra a tabela 1. Tabela 1- Distribuição dos pacientes com descolamento da membrana de Descemet pós-facectomia, Fortaleza-CE, 2005. Casos Idade (Anos) PAM PréFacectomia Localização do Descolamento AV pré-operatória AV c/c 45 DPO Tipo de Facectomia 1 83 0,20 Superior e Central Conta dedos 2 metros 0,25 Extracapsular 2 72 0,67 Superior e Central Conta dedos 4 metros 0,80 Facoemulsificação 3 68 0,50 Superior e Central Conta dedos 4 metros 0,50 Facoemulsificação 4 81 0,29 Superior e central Conta dedos 3 metros 0,33 Facoemulsificação 5 59 0,50 Superior e Central Conta dedos 2 metros 0,67 Facoemulsificação 6 65 0,80 Superior, central e Inferior Conta dedos 1 metro 0,80 Facoemulsificação PAM- Potencial de acuidade macular (decimal) AV- Acuidade visual (decimal) c/c- com correção DPO- Dias de pós-operatório; x =71,3 anos (s=9,3) Como mostra a tabela 1 acima, cinco casos havia descolamento da Descemet superior e central. Em um notamos descolamento atingindo a região central até inferior com contato Descemet / estroma apenas medial periférico, com rasgo central da membrana e envelopamento das abas (secundário provavelmente ao edema feito no final da facoemulsificação pela entrada de serviço). Nesse caso, em especial, entramos com dupla via, irrigamos até desdobrar as abas para então colocarmos o gás. Durante o acompanhamento dos seis pacientes (mínimo de seis meses) não notamos novo descolamento da membrana de Descemet, com manutenção da acuidade visual. A pressão intra-ocular de um olho aumentou oito horas após a colocação da bolha (45mmHg as 11:00 horas), melhorando com uso de acetazolamida. Os demais olhos, não apresentaram picos da pressão intra-ocular havendo uma variação entre 14mmHg e 18mmHg no segundo dia de pós-operatório. Nas fotos abaixo (foto 1 a 6) acompanhamos alguns casos de descolamentos da membrana de Descemet até clareamento corneano pós-bolha. Foto 1-Descolamento da Descemet (linha posterior) Foto 2-Descolamento da Descemet (linha posterior) 10 Ceará Oftalmológico Foto 3- Edema superior (pré-operatório) Foto 4- Introdução da bolha de C3F8 Foto 5- Córnea clara sem descolamento no 10º DPO Foto 6- Córnea clara no 10º dia de pós-operatório Discussão O descolamento da membrana de Descemet não é uma complicação freqüente no pós-operatório da cirurgia de catarata, mas causa uma baixa visual intensa quando atinge o eixo visual e, quando o edema persiste por muito tempo a ceratopatia bolhosa é uma ocorrência que incomoda e baixa a qualidade de vida dos pacientes. O transplante de córnea é uma alternativa já conhecida para esses casos. A sutura da Descemet englobando a espessura total da córnea, a colocação de viscoelástico com bolha de ar ou a introdução de SF6 com ou sem sutura também são relatados na literatura. A colocação da bolha de ar não é efetiva, principalmente em descolamentos extensos, que atingem o eixo visual, já que a sua absorção é rápida. O uso de viscoelástico aumenta a pressão intra-ocular, podendo também ficar resíduo entre a Descemet e o estroma posterior, bloqueando a adesão. A sutura da membrana de Descemet é traumática, de difícil realização, além de ter um alto índice de redescolamento. O transplante de córnea é uma opção radical que deve ser deixado para último caso. Uma boa opção para reposicionamento da membrana de Descemet, em extensos descolamentos, é a introdução unicamente do gás C3F8 não expansivo, sob anestesia tópica. Apesar de ser um método conhecido, é citado pela primeira vez na literatura nacional. Há uma permanência maior do gás dentro da câmara anterior (sete a 14 dias) mantendo a membrana de Descemet por mais tempo colada ao estroma, contribuindo assim para a adesão definitiva. Logo após a colocação da bolha do gás a membrana de Descemet pode ser observada em lâmpada de fenda colada ao estroma. O reestabelecimento da acuidade visual é rápida e no sexto dia de pós-operatório todos os olhos apresentam visão útil. Houve um caso de pico hipertensivo pós-C3F8. Pode ter havido uma leve expansão do gás com conseqüente aumento da pressão por aumento do volume da câmara anterior. Acreditamos nessa hipótese por não ter sido notado bloqueio angular nesse paciente. No caso do descolamento inferior foi necessário o retorno do paciente ao bloco por aposicionamento da bolha sobre uma dobra da Descemet. A bolha foi então retirada, a dobra foi desfeita utilizando uma dupla via irrigada com ringer lactato para então introduzimos uma nova bolha. Em termos de custos, se a clínica já tem serviço de retina e possui o cilindro de C3F8, consideramos a quantidade de gás utilizada irrisória (1,6ml em uma seringa de 10ml= R$ 1,21). Caso o serviço não possua o cilindro, o investimento inicial é de 1520,0 Reais em um cilindro de 125g de C3F8 ou de 691,0 Reais no cilindro de 20g. Já que o descolamento de Descemet não é complicação frequente, a utilização do gás com esse propósito será rara, podendo ser mais adequado, financeiramente, o encaminhamento para serviço de referência. Um achado biomicroscópico descoberto nesse trabalho foi a observação de estrias posteriores em estroma, mesmo com descolamento da descemet na área das estrias, nos levando a concluir que as estrias notadas em pós-operatório de cirurgia de catarata ou outras cirurgias de segmento anterior, não são primariamente estrias de Descemet, como conhecida e repassada há décadas em escolas de oftalmologia, mas sim estrias do próprio estroma posterior (foto 2). Conclusão Partindo-se do princípio que o descolamento da membrana de descemet é complicação rara após facectomia, consideramos o número de olhos suficientes para demonstrar que o uso de C3F8 nesses casos é método seguro, efetivo e de fácil execução. * Trabalho vencedor do XV Simpósio Cearense de Oftalmologia de 2004. Publicado nos Arquivos do Congresso Brasileiro de Oftalmologia (Revista Indexada). 11 A Presidenta da Associação Médica Cearense (AMC), Dra. Marjorie Mota, concedeu ao Ceará Oftalmológico (C.O.) a seguinte entrevista: C.O - Como se sente sendo a primeira mulher a dirigir a Associação Médica Cearense(AMC)? R- Sinto-me envaidecida, pois sei que este é um marco na história desta instituição. Serei sempre lembrada como a primeira mulher a dirigir a Associação Médica Cearense, porém tenho certeza do quanto é grande a minha responsabilidade. Todas as nossas atitudes serão lembradas e se depender de boa vontade e ação tentarei fazer o melhor. A mulher quando ocupa cargos que no passado foram eminentemente masculinos tende a se exigir mais, talvez na tentativa não de superar o homem, mas de equiparar o já realizado até o momento. C.O - Quais são as suas prioridades para o mandato? R- Priorizar é sempre tão difícil principalmente quando tantas idéias temos. Gostaria de deixar implantada a finalização da Ordem do Médicos do Brasil, pois cremos que a união em pensamentos, em espaço físico e em trabalho vai aumentar mais ainda os benefícios para a classe. Não quero deixar de concluir a implantação da CBHPM, garantindo a todos um referencial de procedimentos e um reajuste anual. Faz-se necessário aumentar a participação efetiva dos médicos na entidade e para que isso aconteça é de nossa obrigação mostrar as vantagens desta participação. C.O - Em relação aos planos de saúde, qual o papel da AMC e quais as perspectivas futuras? R- A AMC foi essencial na negociação com os planos de saúde. Nós estivemos presentes em todas as negociações da CBHPM e neste momento estamos fechando as minutas de contrato para que cada médico assine o seu, desde que os contratos sejam como o acordado com a Comissão Estadual de Honorário Médico (CEHM). As perspectivas para o futuro são boas, porém a participação efetiva dos profissionais é indispensável para a conclusão des- Dra. Marjorie Mota Ceará Oftalmológico te processo. Vivemos um momento extremamente favorável, pois os planos de saúde por orientação da ANS (Agência Nacional de Saúde) têm que ter um contrato assinado com todos os seguimentos que atuam e nossa orientação é de só assinar aqueles com aval da CEHM. “Ordem dos Médicos do Brasil”, a exemplo do que existe em Portugal? R- Com olhos brilhantes de um sonho que haverá de se realizar. Nestes três anos de mandato tentaremos unificar as entidades, sabemos que não é fácil, porém temos certeza que todas as entidades sabem do significado desta união. C.O - A venda e adaptação de Lentes de Contato por não médicos, e a venda de óculos de grau em farmácias e congêneres podem trazer sérios riscos à saúde ocular da população. Caso isto venha a ocorrer, qual a posição a ser adotada pela AMC? R- Jamais estaremos ao lado de atitudes que venham a por em risco a saúde da população. Entendemos que procedimentos médicos são realizados por médicos e devemos ocupar este espaço, para que outros profissionais não habilitados para a função a exerçam. C.O - Quais os principais obstáculos que a sra. tem enfrentado em sua gestão? R- Nenhum que com união, cautela e espírito de grupo não conseguiremos ultrapassar. A dificuldade de gerir sem recursos é uma constante, mas é necessário corrigi-la. Temos, nossa diretoria e eu, que tornar a AMC mais presente no dia a dia do doutor, vários atrativos estão sendo criados para captar a classe e também gostaríamos de estreitar ainda mais os laços com as sociedades e cooperativas de especialidade. C.O - Qual a sua opinião em relação à proliferação das faculdades de medicina? R- A cada dia vemos a abertura de um número maior de universidades sem o devido estudo de funcionamento, pois algumas nem hospital com todas as especialidades têm para garantir o correto ensino. Não tem sido observado um estudo de mercado nem da formação pós-universitária ( poucos cursos de residência médica, mestrado e doutorado que venham a absorver os novos médicos) nem de mercado de trabalho. Temos carência de médicos em regiões do interior do estado, ou seja, apesar da abertura de faculdades no interior não vemos um fluxo de médicos em algumas cidades do estado, aguardaremos quando as primeiras turmas de medicina destas faculdades se formarem. Continuaremos a nos posicionar não favorável a abertura sem que exista necessidade de médicos. C.O - Como a sra. vê uma possível unificação de todas as entidades médicas brasileiras em uma só, como uma C.O - A SOC está apoiando o médico oftalmologista Hermínio Rezende para Deputado Estadual, pois acreditamos que as entidades médicas devam ter um braço político. Tendo a AMC grande representatividade, não seria interessante um posicionamento mais eficaz, como fazem outras entidades de classe? R- Concordo plenamente com vocês. Penso que a classe médica tem um potencial político fantástico, mas não tem sabido aproveitá-lo. Não tenho na memória recente nenhum nome que tenha sido eleito com apoio da classe e os médicos eleitos de outra forma, com algumas exceções, não têm participado da política médica de forma efetiva. C.O - Qual a mensagem que a sra. gostaria de transmitir a classe oftalmológica? R- UNIÃO. À Oftalmologia só temos a agradecer, pois é uma especialidade unida que trabalha com interesse na coletividade e sabe pontuar a importância da Associação Médica Cearense. 12 Ceará Oftalmológico Eleições 2006 Enxergando a política com outros olhos Dr. Hermínio Resende O Jornal Ceará Oftalmológico abre, mais uma vez, espaço para o colega Hermínio Resende, candidato a deputado estadual nas proxímas eleições. A SOC dispensará total apoio ao colega, que se compromete na defesa da saúde ocular da população e da classe oftalmológica. “A sociedade começa a perceber que é possível sim fazer da atual crise política um momento para exigir reformas capazes de corrigir deformações e imperfeições no atual modelo político brasileiro. Fortalecer o sistema partidário, promover o financiamento público de campanhas e adotar as cláusulas de barreira como mecanismo inibidor da proliferação dos chamados partidos de aluguel além de exigir fidelidade partidária - são pontos fundamentais para o sucesso dessas reformas. No entanto, essas medidas serão meramente paliativas se mulheres e homens públicos não forem plenamente conscientes de seu papel de servidores do povo - fazendo desse princípio o grande norteador de sua missão; o desenvolvimento social com justiça, igualdade e inclusão não virá sem esse sentimento, além da ética e da indispensável transparência. A vivência democrática exige hoje, mais do que em qualquer momento, a participação de pessoas honestas, capazes e bem intencionadas para que todos, principalmente os mais desvalidos, possam ter as mesmas possibilidades de realização e felicidade. Urge, na atual conjuntura, que passemos a enxergar a política com novos olhos. É por isso que nos colocamos à disposição dos colegas médicos para representar e fortalecer também as nossas causas, em proveito de toda coletividade, junto ao legislativo estadual. A sociedade não pode ceder as pressões de mercado, que tentam a todo custo liberalizar a prática da Optrométria, feita por paramédicos, e o exercício da adaptação de lentes de contato por terceiros, que não seja o médico oftalmologista. Não é justo, nem socialmente, nem tecnicamente, que o acesso aos oftalmologistas esteja restrito às pessoas de maior poder aquisitivo. Não podemos deixar que as classes menos favorecidas e desinformadas corram os ricos advindos dessas práticas danosas. É necessário que a classe médica tenha representatividade para encampar essas lutas, fazendo chegar a todos os verdadeiros frutos da medicina oftalmológica, tarefa que desde já nos comprometemos a abraçar.” ATIVIDADES OFICIAIS DO PRESIDENTE DA SOC 09/01/06 - Reunião com Dr. Jailton Vieira para planejamento do Curso de Metodologia Científica 13/01/06 - Reunião com a Arx para tratar da Programação dos PECs e Congresso no Fim do Ano. 18/01/06 - Reunião com a Arx para tratar da Programação dos PECs e Congresso no Fim do Ano. 23/01/06 - Reunião com a Mariz e a Arx para tratar do patrocínio da Mariz nos PECs de 2006. 23/01/06 - Reunião com a R-Ximenes para tratar de patrocínios, nos PECs, Guia do Oftalmologista e Ceará Oftalmologico no ano de 2006. 24/01/06 - Reunião com a Diretoria e Comissão de Curso da SOC para tratar dos PECs, Congresso de Oftalmologia e outros assuntos de interesse da SOC. 25/01/06 - Reunião mensal com membros da Comissão de Saúde Ocular e Prevenção da Cegueira da Secretaria de Saúde do Estado, para tratar de assuntos relacionados a saúde ocular da população. 27/01/06 - Abertura do Curso Avançado em Avastin, no Centro Avançado de Retina e Catarata. 30/01/06 - Inauguração do Banco de Olhos no Hospital Geral de Fortaleza. 03/02/06 - Reunião com Setor Jurídico para tratar de assuntos relacionados à defesa da classe. 03/02/06 - Reunião com a Arx para tratar da agenda dos PECs. 17/02/06 - Reunião com Gráfica para fechar contrato do Guia do Oftalmologista 17/02/06 - Reunião com a Arx para tratar dos PECs. 19/02/06 - Reunião com a Diretoria do CBO e CBO-Estados, por ocasião do Congresso Mundial de Oftalmologia. Tomamos conhecimento dos assuntos e resoluções posteriormente, durante o congresso, pois nosso vôo teve que ser alterado para chegar em São Paulo em 19/02/06, após a reunião. 21/02/06 - Reunião com membros da Sociedade Norte-Nordeste de Oftalmologia, durante o Congresso Mundial de Oftalmologia, para tratar de diversos assuntos de interesse da Oftalmologia cearense e regional. 07/03/06 - Reunião da Diretoria da SOC, Comissão de Defesa da Saúde Ocular e Comissão de Lentes de Contato para tratar da possível venda de lentes de contato em farmácias e outros assuntos relacionados a lentes de contato. 10/03/06 - Reunião com Setor Jurídico para tratar de assuntos pertinentes ao interesse da classe oftalmológica. 10/03/06 - Reunião com a ARX para tratar dos detalhes dos Programas de Educação Médica Continuada. 10/03/06 - Reunião com Hyder Filho, representante da Coopervision, para tratar da decisão da reunião da SOC do dia 07/03/06. 24/03/06 - Reunião com a direção da Rede de Farmácias Pague Menos para tratar de assunto de interesse da População cearense. 24/03/06 - Reunião com Imprensa para tratar de matéria jornalística de interesse da Saúde Ocular. 24/03/06 - Reunião com a ARX para tratar dos detalhes dos Programas de Educação Médica Continuada. Ceará Oftalmológico 13 CORRESPONDÊNCIA Fac símile da correspondência recebida O presidente da SOC, Dr. Fernando Furtado, recebeu em 22 março de 2006, do presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Dr. Harley Bicas, a seguinte correspondência: “Sr. Presidente Em primeiro lugar, volto a lhe agradecer por todas as gentilezas demonstradas para com o C.B.O. e seu presidente, em particular. Depois, agradecer também o encaminhamento do exemplar do Jornal Ceará Oftalmológico, contendo a entrevista que tiva a honra de ver aí publicada. E, por fim, reiterar meus sinceros cumprimentos pela alta qualidade dessa publicação, tanto pelo riquíssimo conteúdo informativo, quanto pela finíssima reprodução gráfica. Não tenha a menor dúvida, senhor Presidente, da exemplaridade com a Sociedade de Oftalmologia do Ceará se dá a conhecer, mostrando sua inequívoca capacidade de organização e trabalho. Parabéns. Harley Bicas” V Í D E O D E C A T A R A T A E N T R E O S 14 M E L H O R E S NO CONGRESSO MUNDIAL DE OFTALMOLOGIA O vídeo sobre Catarata Hipermadura Verdadeira de autoria dos Drs. David Lucena e e Socorro Aguiar Lucena foi escolhido entre os 14 melhores na área de Catarata durante o Congresso Mundial de Oftalmologia. Este apresentou várias cirurgias sugerindo manobras simplificadas para evitar a “Bandeira Argentina” e para conquista do núcleo luxado no saco capsular. DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO DE OFTALMOLOGIA Oftalmologista cearense lança Dicionário de Oftalmologia Por ocasião do Congresso Mundial de Oftalmologia ocorreu o lançamento do DICIONÁRIO TERMINOLÓGICO DE OFTALMOLOGIA cujo autor é o oftalmologista sobralense João Conrado Ponte que mora em Camocim, CE. O trabalho que se propõe a servir de ferramenta na tradução de termos em língua inglesa encontrados na literatura da especialidade tem a orientação da equipe do Professor Fernando Oréfice e já está disponível no site www.dicionariooftalmo.blogspot.com Segundo o autor, “o trabalho terá utilidade especialmente para os colegas que pretendem traduzir textos científicos (inglês-português-inglês) que, como se sabe, universalmente têm publicação na língua inglesa”, informa. A edição inicial que consta de cerca de 1000 verbetes, além da de siglas e epônimos, deverá estar nas livrarias em todo o País após o lançamento em Fortaleza previsto para julho deste ano. A publicação é pioneira entre os países de língua portuguesa e é a segunda do escritor no gênero, já que Conrado é co-autor do Dicionário de Medicina Popular. NECROLÓGIO Dr. Sylvio Leal A Sociedade de Oftalmologia do Ceará vem, com profundo pesar, comunicar o falecimento, no último dia 19 de janeiro de 2006, do médico oftalmologista Sylvio Ideburque Carneiro Leal. O Dr. Sylvio Leal nasceu em 18 de julho de 1915, em Fortaleza. Tinha apenas 22 anos quando recebeu o diploma de médico na tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, em 1937. Sylvio Leal, então com 27 anos de idade, e já projetado como oftalmologista na Capital cearense, tornou-se um dos fundadores da Sociedade de Assistência aos Cegos (SAC). Ele foi um dos que, em 1942, assinou a ata de fundação da entidade. Marcou sua carreira profissional em algumas expressivas posições, como a presidência do Centro Médico Cearense (atual Associação Médica Cearense), onde efetivou importantes reformas e melhorias, dando maior vigor à classe médica há algumas décadas passadas. O Dr. Sylvio Leal deixa 10 filhos, entre eles o colega Sylvio Leal Filho, 21 netos e 11 bisnetos. 14 Ceará Oftalmológico OFTALMOLOGIA E ARTE A seção Oftalmologia e Arte traz a trova e a poesia criadas por médicos oftalmologistas. O Dr. Francisco Pessoa apresenta algumas de suas trovas premiadas nacionalmente. O Dr. Levi Madeira nos traz mais uma poesia de sua autoria. Prêmios Troféu de vencedor Concurso Nacional da Editora Valença Rio de Janeiro Troféu de vencedor do XV Concurso de Trovas da cidade de Belem Troféu de Menção Honrosa nos XXII Jogos Floraia da UBT Fortaleza Diploma de 2º Lugar nos Jogos Florais da UBT Natal - RGN Diploma de 1º, 2º, e 3º lugares nos Jogos Florais da UBT de Maranguape A humildade se mede e sempre se medirá, não com favor que se pede mas com perdão que se dá A gratidão do roceiro fitando a chuva que vem, não cabe num livro inteiro mas numa palavra - Amém! Nas veredas tortuosas dessa vida em desalinho, nas retas eu colho as rosas nas curvas tiro os espinhos. As pedras em mim lançadas podem ferir tal espinho... mas servirão de calçadas para eu seguir meu caminho. O ter, às vezes ilude àquele que muito tem... doutor que vende saúde, compra saúde também. Trovas premiadas no Concurso da Academia Brasileira de Trovas no Rio de Janeiro. Diz o sertanejo, ao vê-las, piscando, soltas ao léu: - “Acredito que as estrelas, são pirilampos do céu “. Mesmo que lhe desagrade dentre os sabores prefira, o amargo de uma verdade ao doce de uma mentira. Dr. Francisco Pessoa branosa bem aderente Sendo a anomalia lacrimal congênita de longe a mais freqüente A não permeabilidade completa deste conduto lacrimal Transforma em fundo de saco a sua porção terminal Estagnadas se contaminam as lágrimas já no final Levando a dacriocistite que é a inflamação do saco lacrimal EPÍFORA NA CRIANÇA Dr. Levi Madeira (*) Exteriorizando as emoções sua produção é mais freqüente Alegria, tristeza ou raiva são estímulos bem eloqüentes Mas evitar ressecamento do olho o nosso órgão da visão É que dão às preciosas lágrimas inestimável função È na glândula lacrimal que ocorre sua constante produção Daí se espalham livremente cumprindo a sua missão O excesso, porém é drenado pelo ducto lacrimal Que começa na margem da pálpebra até a cavidade nasal Na chegada do nariz a válvula de Hasner está presente Impedindo que as lágrimas retornem em sentido diferente Não raro ai se encontra uma mem- E conhecido por epífora este tipo de lacrimejamento Obstrução é sua causa e tem diferente tratamento O olho se encontra úmido podendo estar purulento A epífora na criança é a obstrução lacrimal congênita Preste muita atenção nas faixas etárias de tratamento Pode ser bastante simples ou se tornar grande lamento Os pediatras são os médicos que mais podem ajudar Pois a eles correm os pais com a criança e a babá Grande é a aflição dos pais ao perceberem o sinal Além de lágrima e secreção a criança se sente mal Pois irritação e ardência surgem, na pele palpebral Quando se livram do problema é alívio sem igual A primeira faixa etária vai de zero até os três meses Até lá pode esperar com colírio antibiótico e limpeza Massagem pode ser feita, porém com cuidado e destreza Sessenta por cento dos casos se curam até os três meses A segunda faixa etária vai dos três até seis meses O tratamento é importante é mister que não esqueça Uma sondagem lacrimal é o mais correto a ser feito A anestesia pode ser tópica sem risco e com alto êxito Dos 6 meses até dois anos ainda se faz a sondagem Mas as recidivas aumentam com o passar da idade Após 2 anos só dá certo uma dacriocistorrinostomia O que até os 6 meses uma simples sondagem resolvia. Oftalmologistas e Pediatras são parceiros nesta luta A cada faixa etária mostrada tem precisa uma conduta Dos 3 aos 6 meses a sondagem é o melhor tratamento Tratar na idade certa a epífora é que é o procedimento (*) poesia extraída do livro “Parnaso Oftálmico” de Levi Madeira 15 Ceará Oftalmológico O F T A L M O L O G I A EM DESTAQUE A Oftalmologia foi destaque na imprensa cearense através de artigo sobre exercício ilegal da medicina, publicado pelo Jornal Diário do Nordeste em 26 e 29 de março de 2006, em artigo escrito e entrevista concedida pelo presidente da SOC, Dr. Fernando Furtado. Também foi destaque em editorial do caderno Fato Médico do Jornal O Povo, de 26 de março de 2006 e do Informativo da Sociedade Norte-Nordeste de Oftalmologia, de fevereiro de 2006. volante da Mercedes que até hoje não conseguimos extrair da cabeça dela. Conversa fiada Ciúmes Madre Teresa está passeando calmamente no paraíso e quem ela vê? A princesa Diana ostentando o que parece ser uma bela auréola sobre a cabeça. A piedosa madre não se conforma e vai falar com São Pedro: - Escuta aqui, ó São Pedro. Eu passei minha vida toda ajudando os pobres, enfermos e desvalidos e até hoje não ganhei minha auréola enquanto aquela princesinha ali, veja só que auréola bonita... - Não é isso, não, madre Teresa. Aquilo ali é a O teste Teste de conhecimentos gerais para admissão ao serviço militar. É um exame muito difícil. Poucos serão os escolhidos. O sargento pergunta aos candidatos: - O que é que ferve a 90 graus? Silêncio geral. Ninguém responde. - Vocês são umas bestas. Não sabem de nada. É a água que ferve a 90 graus, seus ignorantes. Já ia passando para a questão seguinte quando um candidato falou timidamente: - Seu sargento, eu acho que o senhor se enganou. A água ferve a 100 graus. Meio contrafeito, o sargento concordou: - É. É verdade. O que ferve a 90 graus é o ângulo reto. Reencontro - Olá, tanto tempo, meu velho! Como vai você? Não nos víamos desde a faculdade, não é mesmo? Como é? Casou? Quantos filhos? - É verdade. Veja como o tempo passa rápido. É, eu me casei. E meus dois filhos já estão se preparando pra casar. O mais velho casa semana que vem. - Que bom! Logo você vai ser avô... - Acho que não. Ele vai se casar com outro rapaz. - Bom, mas quando o outro se casar... - O mais novo casa daqui a três meses, mas também é com outro rapaz. - Caramba! E nessa casa, ninguém gosta de mulher? - Minha filha de dezoito adora... 16 Ceará Oftalmológico CALENDÁRIO OFTALMOLÓGICO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA DA SOCIEDADE DE OFTALMOLOGIA DO CEARÁ. 10 e 11 de fevereiro de 2006 “Curso de Metodologia Científica” Palestrante: Drs. Fernando Monte, Jailton Vieira e Fábio Gomes de Mato 05 e 06 de maio de 2006 “Infecções Oculares” Palestrante: Dra. Luciene Barbosa - SP 09 e 10 de junho de 2006 “Retina e Vítreo” Palestrante: Dr. Marcos Ávila - GO 25 e 26 de agosto de 2006 “Neuroftalmologia e Glaucoma” Palestrantes: Dra. Patrícia Medeiros - PI Dr. Remo Susanna - SP Informações e Inscrições: ARX Eventos Fone: (85) 4011.1572 - Fax: (85) 4011.1573 Eventos apoiados e incentivados pela SOC Silicone Hidrogel - Lentes do Futuro (CIBA Vision) - 11 de maio Palestrante: Dr. Marcelo Sobrinho (SP) Informações: (85) 9171.2399 (Simone) - (85) 3087.7870 (Sidney) Glaucoma 2006 - Promoção Centro Visual - 26 de maio Informações: ARX Eventos - (85) 4011.1572 - Sara ou Juliana XVII CONGRESSO CEARENSE DE OFTALMOLOGIA 23 a 25 de novembro de 2006 Aprovado pela Comissão Nacional de Acreditação, da Associação Médica Brasileira (AMB). Este evento valerá 15 pontos para a revalidação do seu título de especialista. Este espaço é reservado a divulgação dos eventos científicos da Sociedade de Oftalmologia do Ceará. As clínicas que desejarem divulgar seus eventos, devem entrar em contato com a SOC. DIREITOS DO SÓCIO O associado da S.O.C tem direito a: participar gratuitamente dos cursos e eventos promovidos pela Sociedade; desconto na inscrição do Congresso Cearense de Oftalmologia; assessoria jurídica; participar da COFTALCE; receber o Jornal Ceará Oftalmológico; participar do Guia do Oftalmologista Cearense. ASSOCIE-SE JÁ! FORTALEÇA A DEFESA DA CLASSE! Informações: (85) 3264-9404 AGRADECIMENTOS SOCIEDADE DE OFTALMOLOGIA DO CEARÁ Sede Própria: Av. Dom Luiz, 300 - S/ 1127 Meireles-Fortaleza-CE - CEP 60.160-230 Fone-Fax: (85) 3264.9781 - 3264.9404 www.soc.org.br e-mail: [email protected] DIRETORIA EXECUTIVA Presidente Dr. Fernando Antonio Lopes Furtado Mendes Vice-Presidente Dr. Germano Leitão de Andrade Secretário Geral Dr. David da Rocha Lucena 1º Secretário Dra. Idalina Costa Maranha 2º Secretário Dr. César Augusto Mesquita Juaçaba 1º Tesoureiro Dr. Sérgio Augusto Carvalho Pereira 2º Tesoureiro Dr. Breno Santos de Holanda Representante Regional Norte Dr. Vicente Abdias Fernandes Representante Regional Central Dr. Raimundo Holanda Amorim Representante Regional Sul Dr. Régis Santana de Figueiredo Comissões Ceará Oftalmológico Gilmasa Daniele Rios Dias Maria do Socorro Aguiar Lucena Máurea Cesar de Lima Cursos Abelardo Pompeu Targino Francisco Eurípedes Gomes de Lima Heloísa Maria Vieira Lima Ivana Lucia Sobreira Carneiro Maria Denise Rocha Menezes Defesa da Saúde Ocular Alvaro Fernandes Ferreira Cleanto Jales de Carvalho Filho Ismar Dias da Silva Ivalto Gonçalves do Nascimento José Luciano Leitão de Alencar Luiz Carlos Sales de Castro e Silva Divulgação e Marketing André Jucá Machado Francisco Airton de Vasconcelos Francisco Helder de Vasconcelos Gersivan Gomes de Lima Lucia de Fatima Cavalcante Tavares Ética Fernando Queiroz Monte Francisco Alequy de Vasconcelos Filho Rafael Dias Marques Nogueira Sylvio Idelburque Leal Filho Incentivo a Pesquisa Cientifica Abrahão da Rocha Lucena Danielle Limeira Lima Costa Jailton Vieira Silva Rosemary Jorge Mendonça Albuquerque Telma Gondim Freitas Informática e Documentação João Helder Alves Arcanjo Jorge Eldo Silva Lima José Ribamar Fernandes Filho Levi Torres Madeira Paulo Grangeiro de Araújo Lente de Contato Fernando Augusto Delgado Sampaio José Hyder Dantas Carneiro Márcia de Araújo Medeiros Maria Excelsa Chaves Costa Lima Wantan Laércio Prevenção da Cegueira Antonio Hermínio Bezerra Resende Francisco José Ferreira Simão Francisco Waldo Pessoa de Almeida Newton Leitão de Andrade Transplante de Córnea Francisco Adriano de Almeida Alexandre Teles Holanda Marcos Emanuel Teixeira Maia Marineuza Rocha Memória Conselho Fiscal Adriano Holanda Viana José Emilson Barros de Oliveira Jonas Marinho de Araújo Filho Conselho Consultivo Aristófanes Canamary Ribeiro Eliane Barbosa Silva Bonfim de Morais Islane Maria Castro Verçosa Antonio Augusto Matos Pires Leiria de Andrade Neto