XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
A RELAÇÃO ENTRE O PERFIL
EMPREENDEDOR E O DESEMPENHO
ACADÊMICO DE ALUNOS DE
ENGENHARIA: UM ESTUDO
DESCRITIVO
Jakson Trindade de Fonte (UFG-CAC)
[email protected]
BRUNA FERNANDA SILVA LEAO (UFG-CAC)
[email protected]
Julio Cesar Valandro Soares (UFG-CAP)
[email protected]
Gabriel Freitas Vieira (UFG-CAC)
[email protected]
Jose Victor Silverio (UFG-CAC)
[email protected]
Muitos são os trabalhos que vêm sendo realizados no universo do
empreendedorismo e, neste sentido, a busca por um perfil que possa
caracterizar um agente empreendedor pode ser relevante para o
desenvolvimento de sociedades. Existem diversos estudos que visam
identificar o perfil exato de um empreendedor. Entretanto, ainda não
foi possível concluir quais características compõem o perfil
empreendedor (BIRLEY; MUZIKA, 1997). Deste modo, o objetivo deste
estudo é identificar e analisar, sobretudo comparativamente, perfis
empreendedores de estudantes, a partir do seu desempenho acadêmico,
de diferentes cursos de engenharia da Universidade Federal de Goiás,
a partir de uma escala desenvolvida para tal. Cada constructo foi
analisado comparando seus resultados em cada grupo de estudantes
formado a partir do desempenho acadêmico dos mesmos. De acordo
com os resultados obtidos, pode-se ressaltar que o grupo 1, cujo
desempenho acadêmico é superior entre os grupos estudados,
apresentou resultado superior em cinco constructos dos treze
constructos abordados, porém, também apresentou menores valores
que os demais grupos em outros quatro dos treze constructos.
Palavras-chave: Empreendedorismo, Perfil Empreendedor,
Desempenho Acadêmico, Constructos
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1. Introdução
Muitos são os trabalhos que vêm sendo realizados no universo do empreendedorismo e, neste
sentido, a busca por um perfil que possa caracterizar um agente empreendedor pode ser
relevante para o desenvolvimento de sociedades. Neste sentido, cresce a quantidade de
estudos relacionados ao empreendedorismo, devido à importância dessas novas empresas
conseguirem se estabelecer no mercado, trazendo progresso econômico e riqueza para
sociedade (SCHUMPETER, 1934; MARTIN, PICAZO, 2009).
Foi com McClelland (1961) que se deu início a busca por características comportamentais dos
empreendedores a partir de estudos no meio acadêmico dentro do universo do
empreendedorismo. Nesta perspectiva, portanto, tornam-se oportunos esforços de pesquisa a
respeito dos empreendedores, principalmente no âmbito acadêmico, a fim de identificar o
perfil e o potencial empreendedor.
Portanto, o objetivo deste estudo é identificar e analisar, sobretudo comparativamente, perfis
empreendedores de estudantes, a partir do seu desempenho acadêmico, de diferentes cursos de
engenharia da Universidade Federal de Goiás, a partir de uma escala desenvolvida para tal.
Este trabalho está estruturado de modo que na seção dois encontra-se uma revisão
bibliográfica acerca do tema proposto neste estudo. Na terceira seção estão explicitados os
métodos de pesquisa utilizados para elaboração do presente trabalho. Na seção quatro estão
elencados os resultados obtidos através dos dados mensurados e as discussões geradas pelos
mesmos. Por fim, na seção cinco, têm-se as conclusões obtidas através da presente pesquisa.
2. Revisão bibliográfica
2.1. Empreendedorismo: considerações gerais
A origem do termo “empreendedor” remete à França do século XVIII e tem como definição
aquele que se submete a riscos e começa algo ainda não existente, muito embora haja
controvérsias acerca dessa origem. Porém, o empreendedorismo pode estar assumindo uma
importância muito maior no presente século, inclusive para além do que foi a Revolução
Industrial. Neste sentido, percebe-se que o estilo de vida do homem sofreu inúmeras
modificações ao longo do século passado e, provavelmente por conta disso, muitas ideias
inovadoras surgiram para auxiliar no desenvolvimento de novas invenções ou, simplesmente,
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em uma nova percepção de como utilizar algo já existente. Além do que, ainda durante o
século XX, têm-se o empreendedor como alguém que desenvolve algo não existente, ou seja,
uma inovação, sendo que tal criação é considerada uma atividade difícil de ser realizada pelo
empreendedor, pois além de exigir capacidade para criação e concepção, também exige poder
de entendimento a respeito das forças e influências do ambiente (DORNELAS, 2013;
HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009).
Segundo Hashimoto (2006), Richard Cantillon, no ano de 1755, foi o primeiro a utilizar o
termo empreendedorismo para explicar o risco na compra e venda de produtos em um regime
de incerteza. O autor continua sua análise histórica relatando a ampliação da definição deste
termo por Jean Baptiste Say, no ano de 1803. E, dando sequência a isso, o conceito é
ampliado pelo autor, onde ele afirma que, quando o homem consegue transferir recursos de
um setor inferior de produtividade para um mais alto, tem-se o conceito de empreendedorismo
definido.
Vários são os trabalhos em que os termos empreendedorismo e empreendedor aparecem. No
ambiente acadêmico, um dos primeiros a definir o empreendedorismo foi Schumpeter (1952,
p.72): "O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de
novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de
novos recursos e materiais". Ainda há de se destacar o que outrora fora escrito por Dolabela
(1999, p.28): “Empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, empreendedores nascem
por influência do meio em que vivem”.
Definido como a habilidade de se criar e construir algo que muitas vezes parte do zero, o
empreendedorismo parte da concentração de energia a fim de se iniciar ou continuar um
empreendimento onde, deste modo, pode-se definir empreender como um ato criativo
(BARRETO, 1998). Partindo desse pressuposto, Motomura (2004) define empreendedorismo
como a força capaz de se fazer com que algo aconteça e, como retrato desta lógica, aquele que
empreende nada mais é do que uma pessoa com capacidade criativa e comprometida com a
geração de resultados.
O empreendedorismo é definido por Malheiros et al. (2003, p.17) como sendo
“um comportamento e não como um traço de ferramentas baseadas no interesse em
buscar mudanças, reagir a elas e explorá-las como oportunidade de negócios. Como
consequência, uma cultura empreendedora gera prosperidade econômica ao
proporcionar altas taxas de criação de novas empresas. Por se tratar de um fenômeno
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social e cultural, existem famílias, cidades, regiões e países mais empreendedores
que outros.”
O empreendedorismo, na visão de Hisrich, Peters e Shepherd (2009), é um processo para
geração de riqueza e, isto só é atingido quando o ser humano assume riscos necessários para a
criação de um produto ou serviço. Segundo Kumar e Ali (2010), o empreendedorismo nasce
na percepção do homem de enxergar além das contradições, caos e confusão, e transformar
isso em objeto de lucro. Ampliando estes conceitos, Honesko (2002) acrescenta que o
empreendedorismo não está restrito somente a criação de novos negócios, pode também ser
estendido a um modelo de gestão que transforme os empregados de uma empresa,
estimulando a criatividade dos mesmos.
2.2. Perfil empreendedor
Muitos são os estudos que visam identificar o perfil exato de um empreendedor. No entanto,
ainda não foi possível concluir quais são realmente as características necessárias que
constituam essa personalidade empreendedora (BIRLEY; MUZIKA, 1997).
Para Filion (1999), o empreendedor é um indivíduo com habilidade para detectar
oportunidades e fazer com que possa, através da sua imaginação, colocar em prática as suas
ideias. Ser empreendedor é ter a capacidade de, a partir da detecção de oportunidades, que na
maioria das vezes passam despercebidas por outras pessoas, e transformá-las em negócios
(NUEVO, 2001).
O empreendedor é uma pessoa com capacidades para criação e construção de algo a partir do
zero e possui energia e criatividade para erguer uma empresa contrariamente à ideia de apenas
analisa-la e descrevê-la. Possui também como características assumir riscos pessoais e
financeiros, sendo que tenta diminuir ao máximo os riscos que possam levá-lo ao fracasso
(TIMMONS, 1985).
O empreendedor, não é somente aquele que inicia seu próprio negócio, mas também aquele
comprometido com a inovação em empresas já instauradas no mercado (SCHUMPETER,
1952; CARREIRO; COUTINHO; COUTINHO, 2010). Drucker (1986) estabelece que a
busca pela mudança, a capacidade de inovação, o senso de missão a cumprir e o
estabelecimento de uma cultura, são características que compõe o comportamento
empreendedor.
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Segundo Véras (1999), o empreendedor possui características marcantes que são definidas
pelo psicólogo americano David McClelland, da Universidade de Harvard, e estas são:
iniciativa na busca de oportunidades, capacidade de correr riscos, persistência,
comprometimento, objetividade no estabelecimento de metas, capacidade para buscar e
valorizar as informações, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança,
exigência na qualidade e, por fim, eficiência.
Já para Bringhenti et al. (1999), as características de um empreendedor passam pela:
iniciativa, alto poder de persuasão, correr risco calculado, postura gerencial flexível,
criatividade, independência, habilidade para resolver problemas, mover-se por metas
específicas, imaginação, crença no poder de controlar o futuro dos empregados, liderança, alta
capacidade de trabalho, entre outras.
3. Metodologia de pesquisa
3.1. Construção da escala
Através de pesquisa bibliográficas foi possível a elaboração da escala aplicada aos estudantes
dos cursos de engenharia presentes na Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão. A
respectiva escala foi estruturada a partir de treze constructos, sendo estes: iniciativa,
necessidade de realização, capacidade de correr/assumir riscos, visualização/aproveitamento
de oportunidades, autoconfiança, liderança, planejamento, proatividade, persistência, busca
por informação, criatividade, eficácia própria e paixão. Para cada um deles, há um grupo de
questões atreladas, sendo que cada uma possuía três respostas, onde estas tinham um valor
predefinido em uma escala do tipo 1:3:5, sendo que o número 1 representava a menor
tendência empreendedora, enquanto que o número 5 a maior tendência empreendedora.
3.3. Coleta de dados
Os questionários foram aplicados na Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão entre
os anos de 2013 e 2014. Esta pesquisa compreendeu estudantes dos cursos de Engenharia
Civil, Engenharia de Minas e Engenharia de Produção. Foram respondidos um total de 188
questionários por meio de entrevista direta (survey).
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3.4. Análise dos dados
Os dados analisados nesta pesquisa foram obtidos através de estatística descritiva, sendo eles
absolutos e relativos. Para um melhor desenvolvimento da análise dos dados se optou pela
utilização do software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences). Neste estudo, os
estudantes foram ordenados de acordo com o desempenho acadêmico (média global dos
estudantes) e separados em quatro grupos para que, deste modo, pudesse ser analisado o perfil
empreendedor em cada um destes.
Dessa maneira, após a conclusão das entrevistas com os questionários, os dados foram
ordenados e divididos nos quatro grupos distintos supracitados. Com estes dados, os mesmos
foram inseridos no software estatístico SPSS para o devido processamento. Sendo assim, cada
constructo foi analisado comparando seus resultados em cada grupo de estudantes. Tais
grupos são formados a partir da classificação obtida pelo desempenho acadêmico dos alunos.
Os mesmos foram ordenados de modo decrescente e divididos em quatro grupos de 47 alunos
sendo que, no grupo 1, foram agrupados os alunos que possuem o melhor desempenho
acadêmico, seguido pelo grupo 2, grupo 3 e por fim, o grupo 4 que engloba aqueles que
tiveram o pior desempenho acadêmico até o momento em que os dados foram coletados.
4. Resultados e discussões
Cada constructo foi analisado comparando seus resultados em cada grupo de estudantes. A
Tabela 1 ilustra tais dados tanto no que diz respeito à média, quanto ao desvio-padrão e ao
coeficiente de variação.
Os alunos pertencentes ao grupo 1 se destacam quando analisada a característica de
"Iniciativa", com uma média de 3,73 enquanto que os demais grupos possuem certa
proximidade de valores, onde o grupo 2 possui média de 3,45, o grupo 3 tem 3,38 e, por fim,
o grupo 4 com 3,28. No que diz respeito ao constructo "Necessidade de realização" existe
uma ligeira superioridade do grupo 1 em relação aos demais grupos, principalmente ao grupo
2. O primeiro possui como média de seus valores 3,74, enquanto que os grupos 2, 3 e 4
possuem, respectivamente, 3,71, 3,60 e 3,45.
No que tange à "Capacidade de correr ou assumir riscos", o grupo 3 supera os demais grupos
seguido pelos grupos 4, 2 e 1 respectivamente. Nota-se também que tanto o grupo 3 quanto o
grupo 4 possuem valores superiores à média dos quatro grupos. O constructo, "Visualização e
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aproveitamento de oportunidades" possui como característica o fato do grupo 1 possuir o
maior valor (4,29) entre os presentes, enquanto que o grupo 4, o menor (4,08).
Tabela 1 - Grupos com maior e menor valor para cada constructo
Constructos
Iniciativa
Necessidade de realização
Capacidade de correr ou
assumir riscos
Visualização ou
aproveitamento de
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Grupo 4
Média
3,73
3,45
3,38
3,28
Desvio padrão
1,14
1,13
1,06
1,16
Coeficiente de variação
0,31
0,33
0,31
0,35
Média
3,74
3,71
3,6
3,45
Desvio padrão
1,03
1,16
1,13
1,22
Coeficiente de variação
0,28
0,31
0,31
0,35
Média
3,95
4,09
4,21
4,12
Desvio padrão
1,1
1,05
1,06
1,15
Coeficiente de variação
0,28
0,26
0,25
0,28
Média
4,29
4,21
4,1
4,08
Desvio padrão
1,03
1,1
1,05
1,04
Coeficiente de variação
0,24
0,26
0,26
0,25
Média
3,71
3,61
3,72
3,77
Desvio padrão
0,95
1,04
1,04
1
Coeficiente de variação
0,26
0,29
0,28
0,27
Média
3,74
3,69
3,58
3,67
Desvio padrão
1,1
1,11
1,05
1,14
Coeficiente de variação
0,29
0,3
0,29
0,31
Média
4,01
3,84
4,02
3,81
Desvio padrão
1,04
1,16
1,05
1,15
Coeficiente de variação
0,26
0,3
0,26
0,3
Média
4
3,81
4,09
4,02
Desvio padrão
1
1,08
1,71
0,95
Coeficiente de variação
0,25
0,28
0,42
0,24
oportunidades
Autoconfiança
Liderança
Planejamento
Proatividade
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Persistência
Média
4,35
4,12
4,24
4,01
Desvio padrão
1,01
1,14
1,05
1,22
Coeficiente de variação
0,23
0,28
0,25
0,3
Tabela 1 - Grupos com maior e menor valor para cada constructo
Constructos
Busca por informação
Criatividade
Eficácia própria
Paixão
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Grupo 4
Média
3,81
3,97
3,68
3,72
Desvio padrão
1,18
0,96
1,03
1,02
Coeficiente de variação
0,31
0,24
0,28
0,27
Média
3,1
3,17
3,17
3,23
Desvio padrão
1,21
1,18
1,23
1,13
Coeficiente de variação
0,39
0,37
0,39
0,35
Média
3,95
4,02
3,96
3,97
Desvio padrão
1,13
1,11
1,05
1,14
Coeficiente de variação
0,29
0,28
0,27
0,29
Média
2,97
3,01
3,04
3,12
Desvio padrão
0,69
0,76
0,62
0,73
Coeficiente de variação
0,23
0,25
0,2
0,23
Fonte: Acervo pessoal (2015)
Quando se fala do quesito "Autoconfiança", verifica-se uma certa proximidade entre os
valores dos grupos 1, 3 e 4 com os seguintes valores: 3,71, 3,72, 3,77. O menor valor é visto
no grupo 2 (3,61). Outra característica presente no presente estudo é a "Liderança", e nela o
grupo 1 novamente assume como sendo aquele que possui o maior valor entre os
entrevistados, sendo este, 3,74. Já o menor valor pode ser observado no grupo 3, enquanto que
os demais grupos possuem valores muitos próximos.
Se tratando do constructo “Planejamento” a proximidade de médias do grupo 3 (4,02) e grupo
1 (4,01) os deixa em destaque, seguidos dos grupos 2 e 4 com médias 3,84 e 3,81
respectivamente. Já para o quesito “Proatividade” a amplitude das médias analisadas é maior,
tendo o grupo 3 à frente com média 4,09, e os demais grupos, em ordem decrescente de média
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dispostos da seguinte forma: grupo 4 (4,02), grupo 1 (4,00) e grupo 2 com a menor média,
sendo esta 3,81.
O grupo denominado “Persistência” no geral teve médias relativamente altas, e com grande
amplitude entre elas, em destaque o grupo 1, que obteve a maior média, sendo esta de 4,35. A
sequência é dada pelo grupo 3 (4,24), em seguida grupo 2 (4,12) e grupo 4 (4,01). O grupo 2
de alunos obteve a maior média (3,97) referente ao constructo “Busca por Informação”,
seguido em ordem decrescente de médias pelos grupos 1, 4, e 3.
Para a dimensão denominada “Criatividade” a amplitude entre as médias observadas é
relativamente baixa, variando de 3,23 no Grupo 4, à 3,10 para o Grupo 1. Os demais grupos
obtiveram médias iguais, equivalentes à 3,17.
No constructo "Eficácia própria" verifica-se certa proximidade nos resultados obtidos após o
processamento dos dados. A amplitude das médias dos grupos analisados é de apenas 0,07. O
grupo 2 possui o maior valor entre os grupos (4,02) enquanto que o grupo 1, o menor (3,95).
A característica denominada "Paixão" é aquela em que todos os grupos apresentaram as
menores médias. Nota-se que o grupo 4 obteve a maior média (3,12) entre os valores
processados, enquanto que no grupo 1, a média foi a menor (2,97).
Como pode ser visto no Quadro 1, o grupo 1, cujo os alunos apresentam o melhor
desempenho acadêmico, possuem os maiores valores que os demais grupos para iniciativa,
necessidade de realização, visualização ou aproveitamento de oportunidades, liderança e
persistência, ou seja, para cinco dos treze constructos. Enquanto isso, os grupos 3 e 4,
apresentam valores maiores que os outros dois grupos em 3 constructos cada, sendo estes:
capacidade de correr ou assumir riscos, planejamento e proatividade para o grupo 3 e,
autoconfiança, criatividade e paixão para o grupo 4. O grupo 2 possui em busca por
informação e eficácia própria, maiores valores que os demais grupos.
No que se refere aos menores valores em cada constructo, o grupo 4 se sobressai
(negativamente) em relação aos demais grupos nos seguintes constructos: iniciativa,
necessidade de realização, visualização ou aproveitamento de oportunidades, planejamento e
persistência, ou seja, em cinco dos trezes constructos. O grupo 1 tem nos constructos
capacidade de correr ou assumir riscos, criatividade, eficácia própria e paixão os menores
valores em relação aos demais grupos. Os grupos 2 e 3 possuem valores mínimos em dois
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constructos cada, sendo estes respectivamente autoconfiança e proatividade para o primeiro e
planejamento e persistência para o segundo.
Como pode ser observado na Tabela 1, o coeficiente de variação obtido neste estudo para as
situações estudadas se mantem em um intervalo entre 0,2 e 0,42 denotando assim uma relativa
homogeneidade dos valores. Vale destacar que, devido ao fato do coeficiente de variação ser a
relação entre o desvio-padrão em porcentagem com a média, o mesmo se torna um
instrumento bastante utilizado por pesquisador no que diz respeito à avaliação dos estudos
realizados por estes (AMARAL; MUNIZ; SOUZA, 2007).
Quadro 1 - Grupos com maior e menor valor para cada constructo
Constructo
Grupos
Com maior valor
Com menor valor
Iniciativa
1
4
Necessidade de realização
1
4
Capacidade de correr ou
3
1
1
4
Autoconfiança
4
2
Liderança
1
3
Planejamento
3
4
Proatividade
3
2
Persistência
1
4
Busca por informação
2
3
Criatividade
4
1
Eficácia própria
2
1
Paixão
4
1
assumir riscos
Visualização e
aproveitamento de
oportunidades
Fonte: Elaborado pelos autores (2015)
De acordo com Pimentel e Gomes (2000), quanto mais baixo o coeficiente de variação, mais
homogêneos os dados utilizados são, de modo que, abaixo de 10%, a homogeneização dos
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dados é alta, de 10 a 20%, é considerada média, entre 20 e 30%, alta, e além disso, o
coeficiente de variação é considerado muito alto. Continuando por esta lógica, Shimakura
(2011) diz que, quando os valores encontrados corresponderem a menos que 25%, o conjunto
de dados analisados é considerado razoavelmente homogêneo.
11
Figura 1 – Gráfico comparativo entre os grupos de estudantes analisados em cada constructo
Fonte: Acervo pessoal (2015)
5. Considerações finais
De acordo com os resultados obtidos, pode-se ressaltar que o grupo 1, cujo desempenho
acadêmico é superior entre os grupos estudados, apresentou resultado superior em cinco
constructos (iniciativa, necessidade de realização, visualização e aproveitamento de
oportunidades, liderança, persistência) dos treze constructos abordados, porém, também
apresentou menores valores que os demais grupos em outros quatro (capacidade de correr ou
assumir riscos, criatividade, eficácia própria e paixão) dos treze constructos.
A de se ressaltar também que, ao verificar os melhores valores para as outras características
que não tiveram o grupo 1 como aquele que apresentou tal resultado, existe certa distribuição
entre os demais grupos, porém, no que diz respeito às menores médias para cada constructo,
ocorreu um monopólio entre os grupos 4 (pior desempenho acadêmico entre os grupos) e 1
(melhor desempenho acadêmico entre os grupos).
Em se tratando dos resultados obtidos em relação aos coeficientes de variação identificados
através da pesquisa, onde todos encontram-se entre os valores 0,2 e 0,42, estes resultados
sugerem homogeneidade dos dados, podendo significar comportamentos relativamente
homogêneos entre os entrevistados.
Para futuras pesquisas, sugere-se estudos que possam abranger um número maior de
estudantes, a fim de se aprofundar nas questões inerentes ao que foi tratado. Neste sentido,
análises de regressão linear múltipla podem vir a ser uma alternativa adequada ao caso.
Referências bibliográficas
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precisão
na
experimentação
com
citros
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2007
–
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a relação entre o perfil empreendedor e o desempenho