Colimação de um telescópio
Newtoniano
Uma leve introdução
Geralmente quando um iniciante se decide comprar um telescópio, ele se
depara com vários tipos de instrumentos ópticos, disponíveis no mercado, isso
vai de marcas até modelos, cada um deles com suas vantagens e
desvantagens.
A tarefa de escolher um telescópio não é fácil, é preciso ter noções básicas
para se comprar um bom instrumento.
Sabemos que existem 3 tipos de telescópios, os Refratores, Refletores e
Catadióptricos, vamos falar um pouco deles, de sua importância e de seus
componentes, para que depois possamos entender a tarefa de colimação.
Telescópios Refratores
Este tipo de telescópio é constituído de um tubo onde geralmente é longo,
onde numa extremidade há a lente objetiva, onde é a entrada da luz.
Na outra extremidade encontramos a ocular, lugar onde podemos ver a
imagem. Popularmente, o telescópio refrator é chamado de Luneta.
Assim, a luz passa pela lente objetiva que se converte e direciona a luz para
a ocular.
Sendo assim, o telescópio refrator usa como coletor de imagem Lentes.
Fig: 1
Telescópios Refletores
O telescópio refletor, como todos os outros também é constituído de um tubo
longo, existem casos que se encontram uns curtos.
Muito diferente do refrator, o refletor usa como coletor de imagens um
espelho. Na verdade, este telescópio possui dois espelhos, chamados de
espelho primário e espelho secundário, ambos dentro do tubo em suas
extremidades.
O esquema dos espelhos segue dessa forma: Como mostrado na imagem
abaixo, a luz entra pelo tubo óptico até chegar no espelho primário, isso faz
com que a luz seja refletida do espelho primário para o secundário. Para
finalizar, a luz quando chega ao espelho secundário, reflete a luz para a ocular.
Neste caso, sabemos que telescópios refletores usam espelhos como
coletores de luz.
Fig: 2
Telescópios Catadióptricos
O telescópio catadióptrico é constituído por uma lente que existe na
extremidade do telescópio, por onde a luz atravessa em primeiro lugar, e
depois chega ao espelho primário no fundo do tubo que reflete a luz para o
espelho secundário. Podemos dizer que é uma mistura de refractor com
refletor.
Há vários tipos diferentes de telescópios catadióptricos, como o SchmidtCassegrain ou o Maksutov-Cassegrain.
Fig: 3
Mas o que seria a colimação ?
Damos o nome de Colimação, ao processo de alinhamento dos conjuntos
ópticos de um telescópio, os espelhos.
A colimação de um telescópio, é super importante, pois sem uma óptica de
qualidade e desalinhada, não teremos uma boa imagem do objeto observado
visto pela ocular. Uma óptica desalinhada, pode ser um tanto desconfortável
aos nossos olhos. Ela deixa a visão de planetas totalmente embaçada, por
exemplo em Júpiter: Não é possível ver com nitidez os detalhes de suas
nuvens equatoriais, além de seus satélites.
Um exemplo de Saturno: Não é possível identificar a divisão de Cassini e
satélites.
Exemplo com estrelas: A estrela aparece borrada, com traços, como se
estivesse explodindo e jogando “ destroços ” para fora e com aglomerados,
não é possível deixar as estrelas bem “ separadas ”.
Por isso, é muito importante para se ter uma boa observação ou sessão de
astrofotos, alinhar os espelhos, ou seja, fazer a colimação.
E os refratores ?
Como já sabemos, o processo de colimação só é necessário nos telescópios
que possuem espelhos como coletores de luz.
Os telescópios refratores ficam livre desse processo.
Iniciando o processo de colimação
Antes de iniciar a colimação devemos saber que a primeira parte da
colimação é feita com o espelho secundário. O processo é feito através do
focalizador, sem o uso de uma ocular.
Mostraremos passo a passo este procedimento. O processo requer muito
cuidado e paciência. Qualquer descuido pode danificar os elementos
envolvidos.
Colimando o espelho secundário em um newtoniano
Dificilmente o espelho secundário irá ficar na posição errada, geralmente o
espelho primário é quem precisa de mais atenção no alinhamento.
Por tanto, não mexa nele, a não ser que haja necessidade de fazer esse
ajuste.
Olhe pelo focalizador e faça com que a imagem do
espelho primário seja refletida no secundário, para
ajudar nessa etapa, tome como referência as garras
que ficam na lateral do espelho primário.
( Em vermelho ).
Fig. 4
O processo de colimação do secundário é
feito por 3 parafusos que se encontram no
suporte da aranha. Não aperte ou afrouxe
o parafuso que fica no centro do suporte,
pois ele é responsável por segurar o
espelho secundário.
Fig: 5
O alinhamento do secundário estará pronto, quando o
espelho primário e as 3 garras estiverem sendo
refletidos no espelho secundário.
Fig: 6
Colimando o espelho primário em um newtoniano
Vemos na imagem ao lado que o
reflexo do espelho secundário não se
encontra
totalmente no centro do campo de
visão do focalizador.
É preciso agora ajustar os parafusos
de colimação na célula de seu
telescópio.
Fig: 7
Geralmente as células dos espelhos
primários, contém 6 parafusos, 3 para
colimação e outros 3 para travamento do
espelho.
Aperte ou afrouxe somente os parafusos
de colimação, mostrados em vermelho.
Faça o ajuste e olhe pelo focalizador até
que esteja na posição certa.
Após fazer ver pelo focalizador que o
espelho primário está no centro da
imagem, aperte os parafusos que servem
de trava do espelho, neste caso, os que
parafusos marcados em azul.
Fig: 8
Após o ajuste, vemos que agora sim
temos o posição correta de ambos os
espelhos.
Vemos o reflexo do espelho
secundário bem ao centro e as hastes
que seguram o secundário bem com
tanhos iguais.
Este é um exemplo do que é um
óptica bem alinhada.
Fig: 9
Agora sim, temos um telescópio bem colimado e pronto para as observações
ou fotografias.
Se você não tem ainda um lugar fixo para seu telescópio e é daqueles que
faz várias observações durante a semana, você terá que realizar o processo de
colimação sempre antes de usar, pois a movimentação do telescópio pode levar
aos conjuntos ópticos ao desalinhamento.
Há mais formas fáceis e rápidas de se fazer uma colimação.
Geralmente, alguns espelhos vem com uma pequena marcação, um círculo
no meio do espelho primário.
Ele tem uma boa necessidade na hora da colimação do primário.
Veja no detalhe na figura que está abaixo. Se seu espelho possui essa
marcação, você terá mais sucesso, facilidade e precisão na colimação.
Fig: 10
Pra facilitar o processo de colimação do seu telescópio, você pode usar
colimadores.
Existem vários tipos de acessórios para colimar um telescópio, o mais preciso é
o colimado a laser, o segundo é a própria ocular colimadora.
Fig: 11
Fig: 12
Colimador a laser
Ocular colimadora
Ou você pode fazê-la em casa mesmo ou comprando, eu recomendo
comprar uma, pois a precisão é maior e você terá um acessório certo e com
garantia sobre oque você irá fazer.
Fig: 13
Fig: 14
Fig: 15
Nas figuras acima vemos um exemplo de um mal alinhamento no espelho
secundário, de uma correção no secundário mas com o primário desalinhado e
uma óptica alinhada corretamente.
Veja a importância da marca no espelho primário e o uso da ocular
colimadora.
Ao colimar um telescópio com esse ocular, ela reproduz um ponto, no qual
deve ficar dentro da marca do espelho primário e para isso, é preciso apertar
ou afrouxar os parafusos do suporte do secundário e os da célula do primário.
E novamente, após concluir este processo, aperte os parafusos de trava, mas
não aperte tanto. Feito isso, boas observações !!!
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Colimação de um telescópio Newtoniano