UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA FACULDADE DE EDUCAÇÃO / PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO CENTRO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES PARA O SETOR PÚBLICO ISP Financiamento da Educação Básica: um estudo de receitas e gastos das redes de ensino da Bahia Fase Final: Foco no Fundef Relatório Geral Período da Pesquisa: agosto de 2000 a novembro de 2003 Financiador: CNPq Processos: Nível 1B) Nº 301941/82/82-3 (Bolsa de Produtividade, Nº 479306/01-0 (Edital Universal) Robert E. Verhine, Ph.D. Coordenador Salvador, Bahia Dezembro de 2003 COORDENADOR Robert E. Verhine, Ph.D. Professor Adjunto da FACED /UFBA Diretor da ISP/UFBA PESQUISADORES Pesquisadores da UFBA - FACED e ISP Dora Leal Rosa Doutora em Educação. Professor Adjunto da FACED/UFBA Coordenadora de Ensino da Pós -Graduação da UFBA Ana Lúcia França Magalhães Mestre em Educação. Professora Aposentada da FACED/UFBA. Pesquisadora Associada do ISP/UFBA Claudia Dias Silva Especialista em Educação Básica de Jovens e Adultos. Pesquisadora Associada do ISP/UFBA Luiz Fernando Silva Graduado em Ciências Contábeis. Técnico do ISP/UFBA. Programa de Pós-Graduação em Educação da UFBA José Wellington M. de Aragão Professor Adjunto da FACED/UFBA Doutorando em Educação Maria Iza Pinto de Amorim Leite (Doutoranda) Professora Adjunta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia -UESB Doutoranda em Educação Bolsistas de Iniciação Científica Daniela Reis Vianna (PIBIC/CNPq) Lílian Bengard Mosquera Navarro (PIBIC/CNPq) Márcia Knop (PIBIC/FAPESB) Marcos Paulo Pereira da Anunciação (PIBIC/CNPq) Miriani Barbosa(PIBIC/CNPq) Viviane Brandão(PIBIC/CNPq) SIGLAS E ABREVIATURAS 1. APLB - Associação de Professores Licenciados da Bahia 2. Caopub - Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Interior com Atribuição para Proteção da Moralidade Administrativa e Patrimônio Público 3. CEE - Conselho Estadual de Educação 4. CEI/BA - Centro de Estudo e Informações da Bahia 5. CF - Constituição Federal 6. CIA - Centro Industrial de Aratu 7. Cmacsf - Conselho Municipal de Acompanhamento e Controle Social do Fundef 8. CMAE - Conselho Municipal de Alimentação Escolar 9. CME - Conselho Municipal de Educação 10. Condef - Conselho do Fundef do Estado da Bahia 11. Conder - Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia 12. Consed - Conselho Nacional de Secretários de Educação 13. CRFB - Constituição da República Federativa do Brasil 14. DMEC - Delegacia Regional do Ministério da Educação 15. EC - Emenda Constitucional 16. EF - Ensino Fundamental 17. EFR - Ensino Fundamental Regular 18. EI - Educação Infantil 19. EJA - Educação de Jovens e Adultos 20. EM - Ensino Médio 21. FEC - Função Educação e Cultura 22. FJP - Fundação João Pinheiro 23. FME - Fundo Municipal de Educação 24. FNDE - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 25. FPM - Fundo de Participação dos Municípios 26. Fundef - Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério 27. Fundescola - Fundo de Fortalecimento da Escola 28. IAT - Instituto Anísio Teixeira 29. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 30. ICMS - Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços 31. IDE - Índice de Desenvolvimento Econômico 32. IDH - Índice de Desenvolvimento Humano 33. IDS - Índice de Desenvolvimento Social 34. IGDE - Índice Geral de Desenvolvimento Sócio - Econômico 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. 82. 83. 84. IGP-DI - Índice Geral de Preço - Disponibilidade Interna INEP - Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa em Educação IPEA - Instituto de Pesquisa Econômic a Aplicada m IPM - Índice do Produto Municipal IPTU - Imposto Predial e territorial Urbano IPVA - Imposto de Propriedades sobre Veículos Automotores ISS - Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza LDB - Lei de Diretrizes e Bases LOM - Lei Orgânica do Município MDE - Manutenção e Desenvolvimento do Ensino MEC - Ministério de Educação MP - Ministério Público NM - Nível Médio NS - Nível Superior PCRN - Plano de Carreira e Remuneração do Magistério PCS - Plano de Cargos e Salários PDDE - Programa Dinheiro Direto da Escola PEB - Programa de Educação da Bahia Pecci - Procuradoria Especializada em Atos de Combate à Corrupção e de Improbidade Administrativa PMDB - Partido do Movimento Democrata Nacional PME - Plano Municipal de Educação PMS - Prefeitura Municipal de Salvador PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domiciliar PNAE - Programa Nacional de Alimentação Escolar PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano PPE - Projeto Pedagógico da Escola Pradem - Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Municipal Prasem - Programa de Apoio aos Secretários Municipais de Educação PT - Partido dos trabalhadores RA - Região Administrativa RE - Região Econômica RE -Rede Estadual RM - Rede Municipal RMS - Região Metropolitana de Salvador Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEC/BA - Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia Secad - Secretaria de Administração Secaf - Secretaria de Administração e Finanças Seduc - Secretaria de Educação Sefaz/Ba - Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia SEI - Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia Seplantec/Ba - Secretaria do Planejamento Ciência e Tecnologia Sesab - Secretaria de Saúde do Estado da Bahia Simmp - Sindicato do Magistério Municipal Público - Vitória da Conquista SME - Secretaria Municipal de Educação SMEC - Secretaria Municipal de Educação SSPassé - São Sebastião do Passé TCE/BA - Tribunal de Contas do Estado da Bahia TCM/BA - Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia TGM - Taxa de Crescimento Geométrico Médio 85. 86. 87. 88. 89. 90. UF - Unidade da Federação UFRGS -Universidade Federal do Rio Grande do Sul Undime/Ba - União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação / Bahia UPB - União dos Municípios da Bahia ZR - Zona Rural ZU - Zona Urbana INTRODUÇÃO A questão do financiamento da educação no Brasil tem sido objeto de interesse crescente por parte de estudiosos e formuladores de políticas, tanto pela percepção crescente das limitações do sistema vigente como pelas mudanças administrativas e fiscais promovidas pela Constituição de 1988 e, mais recentemente, pela Emenda Constitucional 14/96 e sua lei de regulamentação (Lei no 9.424) e pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei no 9.394). A literatura sobre o assunto indica que o nível de gastos com a educação no País é baixo e que o sistema de ensino, como um todo, sofre problemas de eficiência, eficácia e eqüidade (Birdsall e Sabot, 1995; Gomes & Verhine, 1996; Melchior, 1997, Plank, 1996). Dentre os problemas mais importantes, destacam-se a complexidade excessiva do sistema de financiamento, a falta de regras para organizar a distribuição de responsabilidades entre os vários órgãos que participam do sistema educacional e a ausência de procedimentos efetivos para monitorar e avaliar a distribuição e uso dos fundos públicos. Dentre as conseqüências destes e de outros problemas relacionados, estão os níveis altíssimos de desperdício, desigualdade e manipulação política dos recursos financeiros públicos, no sistema educacional brasileiro. Apesar do consenso de que o sistema vigente é falho, a pesquisa empírica sobre o assunto permanece escassa. Dados sobre a distribuição e a utilização dos recursos financeiros para a educação, além de serem difíceis de obter, quando estão disponíveis freqüentemente são desatualizados, incompletos e pouco confiáveis. Isto ocorre em todos os segmentos do sistema educacional, especialmente no caso de estados e municípios, onde os pesquisadores são obrigados a confiar em dados fragmentados, coletados em diversas fontes e com pouca consistência interna. Por causa destes problemas, análises sobre o financiamento da educação no Brasil têm sido difíceis de realizar e, assim, são raramente efetuadas com a devida sofisticação. A pesquisa aqui apresentada foi iniciada em 1991 com o intento de enfrentar esses problemas de obtenção e de análise de informações, levantando dados financeiros referentes às três redes de ensino do estado da Bahia (a estadual, a municipal e a particular), de maneira que nos permite examinar as tendências das receitas e despesas em cada rede e explicar as variações observadas no que diz respeito ao compromisso de financiar a educação básica. Como resultado das fases já concluídas da investigação, construímos três bancos informatizados de dados, tratando, respectivamente, da rede municipal (referentes aos anos 1990, 1993, 1996 - 1998), da rede estadual (referentes aos anos 1991-1998) e da rede particular (referentes aos anos 1995 e 1998). Além disso, realizamos estudos de caso em quatro municípios baianos, cada um representando um comportamento financeiro distinto, buscando compreender melhor, através de dados qualitativos, as tendências destacadas por nossas análise quantitativas. Neste sentido, é importante enfatizar que, desde o início desta pesquisa, nossa preocupação primordial não tem sido com a construção dos bancos em si, mas, sim, com a análise sistemática dos dados armazenados. Nosso intento é examinar as tendências das receitas e das despesas educacionais em cada uma das redes de ensino (municipal, estadual e particular), tanto de forma quantitativa como qualitativa. Mais especificamente, nosso foco principal tem sido e continuará sendo a identificação dos determinantes do comprometimento financeiro com a educação básica, com ênfase no ensino fundamental. A identificação desses determinantes tem sido feita estatisticamente, por meio de um modelo de regressão que mensura o comprometimento financeiro de três modos distintos e que inclui como variáveis independentes uma série de fatores sociais e econômicos (para detalhes, ver Verhine & Plank, 1996). Conforme mencionado acima, iniciamos, no período 1998-1999, uma segunda estratégia, buscando melhor compreender a questão do comprometimento financeiro através de análises qualitativas de dados oriundos de estudos de caso. A partir de agosto de 2000, a pesquisa entrou numa nova fase, sendo aprovada pelo CNPq para um período de três anos e contemplada com uma Bolsa de Pesquisa (nível 1B). Na presente fase, buscou-se atualizar e ampliar os bancos já existentes com dados referentes ao período 1999-2000, aprofundando a análise dos mesmos e aperfeiçoando a dimensão qualitativa da investigação, através de novos e mais sofisticados estudos de caso. Além disso, como uma segunda vertente da pesquisa, introduzimos a avaliação, no contexto do estado da Bahia, do impacto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Já tendo dados financeiros do passado, referentes ao ensino público da Bahia e coletando agora dados comparáveis, tanto quantitativos quanto qualitativos, depois da data de inauguração do Fundo, em março de 1998, foi possível analisar até que ponto a sua implementação tem produzido mudanças por parte dos governos estadual e municipais do estado quanto ao seu comportamento financeiro frente à sua rede de ensino. O Edital Universal do CNPq, publicado em 2001, abriu-se a possibilidade de apoio financeiro para a pesquisa. Assim, com o recebimento do referido apoio em novembro de 2001, o período da sua fase atual foi estendido até novembro de 2003. Esta prorrogação se justificou pela natureza longitudinal da pesquisa, com o levantamento e análise constante de dados comparáveis no decorrer do tempo, e também pelo ingresso, por parte da equipe da pesquisa, em uma rede nacional de estudos sobre o Fundef que contou com a participação de grupos trabalhando em 12 estados brasileiros. Com sua integração na referida rede, a avaliação do impacto do Fundef tornou-se o foco principal da pesquisa, através da realização de estudos de caso que utilizam indicadores e procedimentos que também foram adotados pelos outros membros do consórcio nos seus respectivos estados. O presente relatório é composto de duas partes. A primeira aborda a natureza da pesquisa e seu contexto, tratando, respectivamente, do quadro referencial, dos objetivos, da metodologia adotada e do perfil do Estado da Bahia. A segunda apresenta os resultados principais da investigação, focalizando o Fundef no Estado da Bahia. Discute, respectivamente, sua implantação, sua situação atual, seus impactos (de perspectivas quantitativa e qualitativa) e, finalmente, as conclusões e recomendações decorrentes. Para a elaboração da Parte 2, foram aproveitados os dados que fazem parte dos bancos de dados referentes às redes estadual e municipais, bem como outras informações levantadas através dos instrumentos desenvolvidos pelos integrantes da pesquisa nacional, acima referida. Os dados sobre a rede de ensino particular, por outro lado, são apresentados em forma de anexo (veja Anexo 5), pois os mesmos não se articulam nitidamente com o foco da fase da pesquisa ora em pauta, ou seja, o Fundef. PARTE I - A PESQUISA E SEU CONTEXTO O QUADRO REFERENCIAL: O Financiamento da Educação no Brasil Os elementos básicos do sistema de financiamento da educação no Brasil incluem um conjunto de normas constitucionais que regulam o gasto da receita tributária, um certo número de fontes de receita vinculadas à gastos com educação e uma estrutura burocrática complexa baseada na centralização de arrecadação de recursos e na descentralização da responsabilidade dos dispêndios (Gomes & Verhine, 1996). São também características fundamentais problemas de eficiência, eficácia e eqüidade e uma série de iniciativas recentes que oferecem possíveis soluções para as dificuldades enfrentadas. Os documentos oficiais geralmente conferem prioridade à alocação de verbas públicas para educação básica, porém a distribuição de recursos nem sempre tem refletido as prioridades formais definidas por essas políticas. Desde 1934, as Constituições brasileiras têm incluído dispositivos que fixam a percentagem dos respectivos orçamentos que os governos federal, estaduais e municipais devem destinar à educação. Em 1983 foi aprovada a chamada Emenda Calmon que estabeleceu que os governos de estados e municípios são obrigados a gastar 25% de suas receitas de impostos e transferências com educação, enquanto o governo federal deve gastar 13% (Gomes, 1992). Esta emenda foi regulamentada pela Lei 7.348, de 24/07/85, e incorporada à Constituição Federal de 1988, em seu artigo 212, elevando o percentual da União para 18%, com as respectivas definições do que podem ser consideradas receitas e despesas com a educação. Pela primeira vez, a nova Constituição reconheceu a autonomia do sistema municipal de ensino, que deixou de ser subordinado às agências dos governos estaduais. A Constituição de 1988 também delegou às autoridades estaduais e municipais o controle de fontes importantes de receita previamente gerenciadas pelo governo federal. No entanto, visto como um todo, o sistema de finanças públicas no Brasil e, mais especificamente, o financiamento da educação, continua sendo muito centralizado, com os principais impostos e contribuições recolhidos pela União (Melchior, 1993). Mesmo antes da implementação do Fundef, os recursos financeiros para o ensino público provinham de uma variedade grande de fontes. A fonte mais importante do sistema federal é o Imposto de Renda, enquanto o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) são, respectivamente, aqueles mais importantes para os sistemas estadual e municipal. Recursos financeiros são transferidos do governo federal para os estados e municípios através dos chamados Fundos de Participação. Nota-se que a importância relativa dos impostos fica reduzida na medida que passa do sistema federal para o sistema municipal, enquanto o papel relativo das transferências aumenta (Bremaeker, 1994; Castro, 1998). A principal fonte de recursos vinculada ao ensino fundamental é o salário-educação (Martins, 1999; Plank, 1996). Criada em 1964, esta fonte não é um imposto propriamente dito, mas, sim, uma contribuição social por parte das empresas, recolhida e distribuída de forma centralizada pela União, aos estados e municípios, com propósitos descentralizadores e compensadores das desigualdades regionais. Os recursos do salário-educação são provenientes da alíquota de 2,5% do valor da folha de salários das empresas. Ficam isentas de contribuição do salário-educação, as instituições de ensino públicas e privadas, os hospitais e as organizações culturais. A receita proveniente do salário-educação é gasta, obrigatoriamente, no ensino fundamental, sendo que dois terços retornam ao estado onde o imposto foi coletado e um terço é retido pelo governo federal - a chamada quota federal para distribuição entre estados e municípios de acordo com critérios que, em princípio, são equalizadores. Em anos recentes, as quotas estadual e federal têm sido aproximadamente de US$ 1 bilhão e US$ 0.5 bilhão, respectivamente (Martins, 1999; World Bank, 1995). Até a implementação da Emenda Constitucional no 14, no dia 12 de setembro de 1996, as empresas que se enquadraram entre as que deviam contribuir poderiam reter os pagamentos devidos a fim de manter suas próprias escolas ou para reembolsar despesas com educação fundamental de seus empregados ou com os dependentes dos mesmos. Este reembolso era normalmente efetuado através da distribuição de bolsas, sendo que uma grande parte dele foi destinado a escolas particulares (Plank, 1996). O Art. 4o da Emenda Constitucional 14/96, no entanto, retirou das empresas a possibilidade de reter suas contribuições para o salário-educação e, como conseqüência, eliminou um dos mecanismos principais utilizados para a transferência de recursos públicos à esfera do ensino privado. Os recursos da quota federal são usados para sustentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A função do FNDE é servir como um banco repassador para os estados e municípios e, em princípio, ele tem o objetivo de assistir escolas que atendem estudantes sócio-economicamente desfavorecidos. Os gastos do FNDE representam, aproximadamente, 10% do orçamento do MEC e financiam uma ampla variedade de atividades e projetos relacionados com o ensino fundamental. Com a implementação, em 1995, do Programa de Manutenção de Desenvolvimento do Ensino Fundamental, também conhecido como Programa Dinheiro Direto na Escola, uma parte dos recursos do FNDE é repassada diretamente às escolas públicas com pelo menos 150 alunos. Estes recursos são para custeio de atividades de ensino e a distribuição é feita de acordo com o número de alunos matriculados nas escolas, sendo o maior valor repassado para as regiões mais pobres (Brasil, 1997a). Nos anos de 1996 e de 1997, o Dinheiro Direto na Escola chegou a mais de 100.000 unidades escolares, com impactos sinergéticos e autoestimulantes, mas também com limitações. Segundo uma avaliação realizada em 1998, a expansão e desempenho do programa não vêm ocorrendo de forma homogênea, beneficiando as escolas de médio e grande porte e evidenciando uma tendência “sistematicamente desfavorável às regiões Norte e Nordeste” (UNICAMP, 1997, p. 41). Muitas escolas enfrentam problemas com a prestação de contas, o fluxo dos recursos e os prazos de execução. Além disso, segundo a referida avaliação, a participação da comunidade escolar na gestão e controle dos recursos é ainda insatisfatória. Além do programa de repasse direto às escolas, o FNDE financia, por meio de convênios, projetos municipais para a melhoria do ensino. Os projetos podem ser feitos para as várias modalidades de ensino (ensino infantil, ensino fundamental regular e supletivo, educação especial) e ter como seu objetivo construir, ampliar, reformar e/ou equipar escolas municipais, bem como realizar treinamentos de professores e adquirir equipamentos e material didático (Brasil, 1997c). Para obter recursos do FNDE, os municípios encaminham suas solicitações ao Ministério da Educação (MEC) sob forma de projeto, onde são avaliados por técnicos a partir de critérios, tanto legais com técnicos, e depois compatibilizados com os recursos disponíveis. Neste processo, entram em jogo não apenas o mérito do projeto e o critério de igualdade de oportunidades educacionais, mas também, a competência do município em preencher os formulários de solicitação e sua força política. Este último aspecto ajuda a explicar o fato de que, apesar da função redistributiva do FNDE, seu financiamento tem favorecido de forma desproporcional os estados mais ricos do país (Gomes & Verhine, 1996; World Bank, 1995). Existe uma série de razões que explicam por que o sistema de financiamento à educação no Brasil não é capaz de garantir a todas as crianças acesso à escola com um nível mínimo de qualidade, dentre essas razões três merecem destaque especial. Em primeiro lugar, apesar da incorporação, em sucessivas constituições, de dispositivos que obrigam à alocação de parcelas específicas das receitas públicas para fins educacionais, o sistema de financiamento da educação, como um todo, ressente-se da falta de regras efetivas que orientem a distribuição dos recursos. Mais ainda, tais regras, na forma como estão definidas - incluindo-se as normas constitucionais -, são freqüentemente burladas ou ignoradas, existindo poucos mecanismos de punição para esses casos. O acesso aos recursos para educação, portanto, continua dependente de um conjunto de fatores que tipicamente incluem a região, a riqueza e a vinculação política, mas que freqüentemente excluem a necessidade ou o esforço por parte de autoridades locais (Plank & Verhine, 1993; Verhine & Plank, 1996). Uma segunda razão para o fracasso do sistema de financ iamento à educação em garantir vagas escolares de qualidade aceitável, em número suficiente, é o fato de ele ser excessivamente complexo. Aos problemas colocados pela falta de regras transparentes de decisão para a distribuição dos recursos e pela proliferação de fontes de financiamento acrescenta-se o fato de que a maioria das fontes de financiamento exige que estado e municípios solicitem esses recursos para o desenvolvimento de projetos específicos. Como decorrência, o acesso à informação e a influência política adquirem um valor tremendo na concorrência pelos recursos. Os municípios rurais mais pobres, distantes de Brasília, enfrentam sérios obstáculos para tomar conhecimento acerca da disponibilidade de recursos de determinadas fontes, bem como experimentam grandes dificuldades na hora de atender a exigências administrativas e contábeis complexas, podendo, portanto, ter negado o acesso ao apoio financeiro ao qual ostensivamente teriam direito. Para evitar essa possibilidade, muitos municípios empregam intermediários especializados para facilitar- lhes o acesso às transferências federais. Segundo depoimento de um então Ministro de Educação, estes “despachantes” freqüentemente dificultam o processo para as prefeituras, por desconheceram a realidade local e por lesarem os recursos públicos ao cobrarem 25% do valor total do projeto de solicitação (Cerqueira, 1996). Um terceiro motivo para que o sistema de financiamento não tenha se mostrado capaz de garantir o direito à educação básica decorre da manipulação política em diversos níveis. Os ministros da Educação tendem a encaminhar recursos para seus estados de origem, enquanto membros do Congresso Nacional tendem a distribuir bolsas de estudo e “projetos especiais” para seus redutos eleitorais. Em nível local, os recursos são usados para recompensar aliados e angariar apoios através de empregos administrativos ou de posições de ensino ou ainda para contratos de construção ou outros serviços (Marques, 1995). A intervenção política na administração e financiame nto do sistema de educação tende a reduzir a qualidade do ensino e a aumentar o seu custo. Apesar desses problemas, seria um erro caracterizar o sistema brasileiro de financiamento da educação como uma esfera de “fracasso” de política. Conforme argumenta David Plank no seu livro sobre o ensino público no Brasil, o sistema atual não surgiu nem se mantém por acidente ou omissão, mas, ao contrário, é resultado da importância atribuída à consecução de objetivos mais urgentes do que a educação das crianças. A “educação” representa apenas um dentre os vários benefícios que são distribuídos através do sistema educacional, que incluem ainda empregos administrativos e de professores, licitações de obras, bolsas de estudo e merenda escolar. Manter a administração do sistema de modo a reter o controle sobre estes recursos atende aos interesses políticos dos responsáveis pelo sistema, mesmo que isto resulte em negligenciar os interesses educacionais das crianças brasileiras (Plank, 1996). Como já foi mencionado, nos últimos dois anos o governo federal brasileiro tem adotado uma variedade de medidas para sanar alguns dos problemas acima apresentados. Exemplos dessas medidas são a eliminação da possibilidade de uma empresa não contribuir para o salário-educação; a especificação, nos artigos 70 e 71 da nova LDB, de precisamente quais despesas educacionais entrariam no cálculo dos recursos públicos aplicados no ensino, conforme exigido no artigo 212 da Constituição; a responsabilização civil e criminal das autoridades comp etentes por atrasos na liberação de recursos financeiros para o ensino (ver Lei 9394, Art. 69) e a introdução da política de repasse direto de recursos do FNDE para as escolas. A iniciativa mais importante de todas, no entanto, é a implementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Conforme explicitado na Emenda Constitucional 14/96 e na Lei 9.424, o referido Fundo é constituído por 15% das principais fontes de receitas dos estados e municípios (FPM, FPE, ICMS, IPI) e seus recursos devem ser aplicados na manutenção e no desenvolvimento do ensino fundamental público e distribuídos, no âmbito de cada unidade da Federação, entre os governos estaduais e municipais na exata proporção do número de alunos efetivamente matriculados nas escolas das suas respectivas redes do ensino. Cabe à União complementar os recursos do Fundo, no âmbito de cada unidade federativa, sempre que seu valor por aluno/ano não alcançar o investimento mínimo definido nacionalmente pelo governo federal. Este valor por aluno/ano, que deveria estar ajustado anualmente, foi fixado em R$ 315,00 para os anos1998 e 1999. Para o controle social do Fundo, o acompanhamento e fiscalização da repartição e a transferência e aplicação dos recursos serão exercidos por conselhos instituídos, especialmente para este fim, em cada esfera do governo, assegurada a participação dos diversos segmentos da comunidade escolar (Brasil, 1997b). A exposição dos motivos que precede a proposta original da Emenda Constitucional 14 justifica a criação do Fundo, reportando-se a um avanço quantitativo do ensino no Brasil paralelo a um recuo ou retardamento qualitativo, assim como a problemas como a dispersão de esforços entre os diferentes níveis do governo, a falta de definição clara de responsabilidades, a má distribuição dos recursos, acentuando as desigualdades regionais e o descaso em relação à formação e remuneração do magistério. Segundo seus defensores, o Fundef representa uma tentativa de alterar este cenário, estimulando a transformação de certas práticas problemáticas vigentes (Negri, 1997; Callegari & Callegari, 1997). Segundo uma avaliação do primeiro ano do Fundef, realizada pelo MEC, os resultados concretos do Fundo têm sidos altamente positivos (Brasil, 1999). Por exemplo, conforme estudo do MEC, devido ao Fundef, os municípios brasileiros gastaram 22,7% a mais com o ensino fundamental em relação ao ano anterior. Os municípios da região nordeste, a parte mais pobre do país, aumentaram em 87% os recursos financeiros que aplicaram no ensino fundamental. Um outro benefício marcante do Fundef, no seu primeiro ano, foi um aumento substancial das matrículas no ensino fundamental. Entre 1997 e 1998, a matrícula no ensino fundamental público foi acrescida em 6%, chegando-se a alcançar nas regiões mais pobres níveis bem mais elevados (12,1% no Nordeste e 7,7% no Norte). Destaca-se que o impacto positivo do Fundef sob as matrículas escolares ocorreu, principalmente, nas redes municipais. Enquanto estas redes, no seu conjunto, adicionaram 2,7 milhões de alunos (um aumento de 21,5%), os sistemas estaduais perderam 832 mil estudantes (-4,6%). Em relação ao sistema estadual, a porcentagem dos alunos matriculados em escolas municipais aumentou de 37.2% em 1996 para 46.7% em 1998. Outros benefícios do Fundef assinalados pelo relatório do MEC foram aumentos dos níveis salariais dos professores que atuam no ensino fundamental público, bem como investimentos maiores na habilitação dos mesmos, resultando redução, em 15%, do número de professores leigos no país. Por outro lado, apesar dos avanços assinalados, pode-se dizer que a condução do Fundef tem sido marcada por dificuldades e limitações, decorrentes tanto da concepção e mecanismos do Fundo como de circunstâncias mais gerais inerentes ao sistema de financiamento do ensino (Monlevade & Ferreira, 1997; Davies, 1998; Pinto, 1999). Numa pesquisa recente, Marcos Bassi afirma que o Fundef representa nada mais do que “um mecanismo engenhoso” do governo federal, reme tendo o ônus do financiamento do ensino aos governos subnacionais e mantendo intocado o pano de fundo do ajuste econômico e fiscal do estado (Bassi, 2001, p. 58).. Com a crise e os cortes nos gastos públicos, o valor mínimo anual por aluno foi fixado em um nível muito baixo (R$ 315,00 em 1998 e 1999) , insuficiente não apenas para garantir um melhor padrão de qualidade do ensino, como, até mesmo, para o próprio cumprimento da Lei 9.424. Uma vez que essa Lei prevê um valor mínimo nunca inferior “a razão entre a previsão da receita total para o Fundo e a matrícula total do ensino fundamental do ano anterior, acrescida do total estimado de novas matrículas”, para que a mesma fosse respeitada, o valor mínimo aluno para 1998 deveria ter ficado em R$ 444,17, conforme estimativa efetuada por Davies (1998). Por outro lado, o Banco Mundial alega que, em um país com o nível de desenvolvimento do Brasil, o mínimo necessário para o ensino fundamental ficaria em torno de US$ 300 por aluno/ano, ou seja, mais do que R$ 600,00 nos tempos de hoje (World Bank, 1995). Existem muitos outros problemas com o Fundef. Nota-se, por exemplo, que sendo os coeficientes de participação dos sistemas estaduais e municipais definidos com base nos dados do censo educacional do ano anterior, as redes de ensino cujas matrículas crescem rapidamente, de um ano para o outro, terminam sendo prejudicadas. Segundo análise produzida por Castro (1999), o fato de que o MEC estimou o gasto mínimo por aluno em 1998 com base nas matrículas de 1997 significou que o cálculo não considerou os 1,84 milhões de novos estudantes matriculados em 1998 e não captou as migrações de alunos entre as redes provocadas pelo Fundef. Como conseqüência, contrária á notícia divulgada pelo MEC, não houve em 1998 uma disponibilização de gasto mínimo em 1998 de R$315 em todo o País. No Nordeste, o verdadeiro valor por aluno em 1998 foi de R$287, pois houve um acréscimo de R$1,196 milhões de um ano para o outro. Conforme Castro, o valor médio do sistema público (municipal + estadual) ficou abaixo dos R$315,00 exatamente nos oito estados beneficiados pela complementação federal, que chegou em montantes insuficientes para fazer face ao aumento regional médio de matrículas de 12,1% em 1998. Especialmente afetado pela distorção no cálculo do valor mínimo foram as redes municipais, onde o crescimento de matriculas tendia a ser marcante. Por exemplo, o valor aluno/ano no âmbito municipal foi, em media, apenas R$ 198,00 no estado do Pará, R$ 216,00 no estado de Minas Gerais e R$ 226,00 no estado da Bahia (Castro, 1999). Também preocupante é que o Fundef tende a dificultar esforços para racionalizar e melhorar a divisão de responsabilidades educacionais entre os estados e os municípios, na medida em que suas redes passam a competir por uma maior parcela das verbas. Além disso, a ênfase colocada pelo Fundef no ensino fundamental regular não leva em conta a exigência de uma política educacional mais abrangente, que possa contemplar o sistema de ensino como um todo (Haddad, 1997; Monlevade & Ferreira, 1997). Com um caráter restrito, o Fundef tende a enfraquecer os outros níveis e modalidades de ensino. Constatase, por exemplo, que entre 1997 e 1998 as matrículas nas classes de educação infantil reduziram-se e que o supletivo foi, em grande parte, incorporado ao ensino fundamental regular através de mecanismos que escamoteiam o fato de que os alunos já ultrapassaram a faixa de idade própria a esse nível de ensino (Abreu, 1999). Ao mesmo tempo, o ensino médio, que apresenta os maiores índices de crescimento da matrícula no país, conta com apenas 6% do total de gastos públicos em educação e não possui mecanismos próprios para assegurar o seu necessário financiamento (Rodriguez & Herrán, 2000). É por tudo isso que partidos políticos da oposição estão atualmente propondo a substituição do Fundef por um fundo mais abrangente, denominado Fundeb (Fundo da Educação Básica) (Partido dos Trabalhadores, 1999). Observa-se, também, que apesar do estímulo recente à municipalização, o impacto descentralizador e redistribuidor do Fundef é provavelmente reduzido. Conforme análise de Abrúcio e Ferreira (1998), dada à grande concentração dos recursos tributários destinados à educação na esfera estadual (quase 50% do total), os estímulos à municipalização tendem a se esgotar tão logo seja alcançado um equilíbrio entre as matrículas ofertadas pelos governos estadual e municipal e as receitas destinadas ao Fundo. Além disso, uma vez que ele opera e redistribui recursos no âmbito de cada estado e a complementação da União para aqueles mais pobres representa uma parte muito pequena (aproximadamente 4%) do seu valor total, as desigualdades existentes entre as várias unidades e regiões da Federação brasileira serão provavelmente mantidas, ou, até mesmo, acentuadas (Castro, 1998). Relacionado a esta crítica está o fato de que quase 70% dos recursos do Fundef são oriundos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), que é, por sua natureza, um tributo regressivo, onerando mais a população de baixa renda, uma vez que este grupo é aquele que usa a maior proporção de sua renda para fins de consumo. Finalmente, reafirmando a importância do contexto em que o Fundef está inserido, observase que as orientações e mecanismos do Fundef têm encontrado resistências e obstáculos em características sócio-culturais e em práticas políticas que ainda persistem na maioria dos municípios brasileiros. Notadamente em pequenos municípios e nas áreas menos desenvolvidas do país, como o Norte e o Nordeste, isto tem levado a fraudes, desvios e má utilização dos recursos do Fundef; a problemas com a valorização do magistério e a práticas orientadas para neutralizar os mecanismos estabelecidos de controle e de participação. Em 1998 os Conselhos de Acompanhamento e Controle Social exigidos pelo programa haviam sido criados em 80% dos municípios brasileiros. A maior parte deles, contudo, é manipulada pelos prefeitos ou por seus secretários de educação, nomeando funcionários, parentes ou amigos para compô- los, não orientando os participantes sobre a natureza das suas responsabilidades, sonegando as informações necessárias ou deixando de convocar reuniões. Mesmo quando isto não ocorre, o funcionamento desses órgãos vem sendo prejudicado pela carência de pessoas mobilizadas e capacitadas para a participação, pela complexidade dos registros contábeis e demais informações e pela velocidade com que as operações financeiras são implementadas (Abreu, 1999). Além disso, em muitos estados os órgãos responsáveis pelos sistemas de ensino e os Tribunais de Contas referentes aos diversos níveis de governo vêm agindo com lentidão em termos da criação de mecanismos específicos para a fiscalização do Fundef. A partir dessa discussão referente ao Fundef, acima apresentada, o que fica evidente é a necessidade de realizar investigações que acompanhem e avaliem o impacto do Fundo e também das outras iniciativas recentes, com base em procedimentos e critérios cientificamente construídos. A pesquisa apresentada aqui, baseada em bancos de dados criados no início da década de 90 e ampliados, desde então, de forma sistemática e regular, representa uma tentativa de atender a essa necessidade, pelo menos no âmbito do Estado da Bahia. OS OBJETIVOS DA FASE FINAL DA PESQUISA: Foco no Fundef Ao apresentar os objetivos da atual etapa da pesquisa, Fase Final - Foco no Fundef, é importante esclarecer que pretendíamos concluir a Fase Final em agosto de 2000, contudo, com o lançamento do Edital Universal de 2001, propusermos sua extensão até novembro de 2003, dando ênfase na avaliação do Fundef, sem prejudicar o trabalho constante de atualizar, ampliar e analisar os bancos de dados referentes às redes do ensino da Bahia. Dessa forma, foi desdobrado o último objetivo da Fase Final, que trata do Fundef, em um conjunto de sub-objetivos, dando destaque, assim, à avaliação do impacto desta importante política de financiamento do ensino fundamental. Em relação aos primeiros três objetivos, vale a pena registrar que os anos dos diversos levantamentos variam de um banco para o outro, dependendo da época em que os dados são disponibilizados e da periodicidade já adotada no decorrer da pesquisa. Os dados referentes às redes municipal e estadual são levantados anualmente, porém sofrem um lagtime de um ano ou mais, devido a atrasos por parte dos órgãos responsáveis, no registro, verificação e divulgação das informações pertinentes. No caso dos dados sobre a rede particular, o lagtime é bem menor, mas o processo de conseguir acesso aos mesmos é politicamente delicado e, por isso, realizamos o levantamento apenas de três em três anos (a partir de 1995). Assim dito, os objetivos que nortearam a pesquisa a partir de agosto de 2000 foram os seguintes: ?? Atualizar e ampliar o banco de dados referentes à rede municipal de ensino da Bahia, registrando dados sobre receitas e despesas educacionais dos municípios do estado para os anos 2000 e 2001. ?? Atualizar e ampliar o banco de dados referentes à rede estadual de ensino da Bahia, registrando dados sobre receitas e despesas educacionais do Governo do Estado para os anos 2000 e, 2001. ?? Atualizar e ampliar o banco de dados referentes à rede particular de ensino da Bahia, registrando dados sobre receitas e despesas educacionais de uma amostra de escolas particulares para o ano 2001. ?? Analisar, de forma longitudinal e comparativa, os dados dos bancos referentes às redes municipal e estadual, identificando as principais tendências quanto a receitas e despesas educacionais das mesmas no período 1990-2001. ?? Analisar, de forma longitudinal e comparativa, os dados dos bancos referentes à rede particular, identificando as principais tendências quanto a receitas e despesas educacionais da mesma no período 1995-2001. ?? Avaliar o impacto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério na Bahia, comparando as tendências quanto às despesas educacionais dos governos estadual e municipais da Bahia antes e depois da implementação do mesmo. Os sub-objetivos referentes ao impacto de Fundef, introduzidos a partir do recebimento, em novembro de 2001, de apoio financeiro através do Edital Universal, foram assim definidos: 1 2 3 4 5 6 7 Avaliar o impacto do Fundef nas taxas de matricula e de atendimento escolar referente ao ensino fundamental; Avaliar o impacto do Fundef nos níveis de dispêndio/aluno e de percentual da receita aplicada no ensino fundamental; Avaliar o impacto indireto do Fundef na educação infantil e no ensino médio, comparando suas tendências referentes às taxas cobertura e níveis de dispêndio com as do ensino fundamental; Avaliar o impacto do Fundef nos orçamentos das secretarias de educação, analisando a distribuição dos recursos financeiros por item orçamentário; Avaliar o impacto do Fundef nos níveis salariais dos professores do ensino fundamental; Avaliar a eficácia dos mecanismos de controle e acompanhamento dos recursos do Fundef, tanto no nível municipal quanto estadual; Identificar fatores sócio-econômicos e políticos que explicam variações no impacto do Fundef entre as diferentes redes de ensino. O presente relatório trata de todos os objetivos postos, mas a ênfase principal focaliza os relativos ao impacto do Fundef. A METODOLOGIA A Atualização e Ampliação dos Bancos de Dados Para atualizar e ampliar os três bancos de dados da pesquisa, utilizamos os mesmos procedimentos adotados nas fases anteriores do estudo. A respeito do banco sobre a rede municipal de ensino, por exemplo, foi necessário retornar ao Tribunal de Contas dos Municípios para, mais uma vez, extrair informações sobre receitas e despesas (esta vez, para os anos 2000 e 2001) dos balanços anuais e da declaração que se refere à porcentagem dos recursos aplicados no ensino. Informações adicionais sobre as distribuições do FNDE e do Fundef foram adquiridas através da Secretaria do Tesouro Nacional, enquanto dados atualizados sobre as características dos municípios e suas redes de ensino serão coletados, respectivamente, no IBGE, na biblioteca da Secretaria Estadual de Planejamento e Tecnologia, na sede da União de Prefeituras da Bahia e na Secretaria Estadua l de Educação. Esse último lugar dispõe de um sistema computadorizado de informações que contém os dados descritivos do Censo Escolar. Possui também, dados informatizados, oriundos do Sistema Nacional de Avaliação Básica (SAEB), que, através de amostras das escolas no estado, abordam aspectos do funcionamento das redes de ensino, inclusive o nível de desempenho dos seus alunos. Todos os dados coletados foram registrados na planilha computadorizada do programa estatístico SPSS 10, o que facilitou as análises subseqüentes. O banco é composto, atualmente, de 68 variáveis básicas, que se repetem para cada ano do levantamento e que servem para criar outras variáveis que são utilizadas nas análises estatísticas. As variáveis básicas foram escolhidas para representar aspectos sócio-econômicos do município, características do seu sistema escolar, o total de suas receitas, por fonte, e o total de suas despesas com a educação, por nível de ensino e por categoria orçamentária. Para permitir comparações inter-temporais, todos os valores monetários foram arquivados de forma deflacionada, utilizando o IGP-DI e também o US dólar. No seu primeiro ano (1990), o banco abrangeu 115 municípios baianos e no seu segundo ano (1993) este número cresceu para 143. Para os anos mais recentes, (a partir de 1996), foi possível coletar dados para todos os 417 municípios no estado, devido à informatização (embora ainda parcial) do Tribunal de Contas dos Municípios. Os procedimentos referentes às redes estadual e particular foram parecidos com aqueles para a rede municipal, com o aproveitamento de diversas fontes (IBGE, SEC/BA, etc.) e com o registro dos dados em planilhas do programa SPSS. No caso da rede estadual, a fonte principal para informações sobre receitas e despesas foi o Balanço Geral do Estado da Bahia (Salvador, Secretaria da Fazenda), publicado anualmente pelo Governo do Estado. Para a rede particular, os dados mais importantes foram levantados com base nas planilhas exigidas às escolas privadas pelo Ministério da Fazenda e disponíveis no Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE). O banco sobre o estado é composto, atualmente, de 36 variáveis básicas e os dados, por serem facilmente localizados, foram levantados anualmente. Os dados sobre a rede particular são mais difíceis de levantar, uma vez que sua disponibilidade depende da boa vontade dos membros da diretoria e dos funcionários do referido sindicato. Assim, nosso levantamento é feito de três em três anos. Este banco tem 52 variáveis básicas e atualmente aborda os anos de 1995, 1998 e 2001. Os dados registrados no banco até o presente momento abrangem apenas 10% das 1300 escolas- membros do sindicato.. Como no caso do banco referente aos municípios, os valores monetários nos outros dois bancos são registrados de forma deflacionada e existe um esforço constante, por parte da equipe de pesquisa, de identificar novas fontes e quantificar novas variáveis relacionadas com o tema da pesquisa. Conforme explicitado na introdução do presente relatório, os resultados da análise dos dados desse banco são apresentados no Anexo 5. Avaliação do Impacto do Fundef A pesquisa sobre o impacto do Fundef adotou o estudo de caso como estratégia metodológica, seguindo determinações da pesquisa nacional Processo de implantação e impacto do Fundef em estados e municípios: casos e comparações com vistas a uma avaliação. Foram realizados seis estudos de casos individuais que depois foram integrados numa análise comparativa, num estudo de caso múltiplo envolvendo o Estado da Bahia e os Municípios de Salvador, Alagoinhas, Vitória da Conquista, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira. Deste modo, foi utilizada a lógica da replicação, em que cada estudo de caso, desenvolvido nos municípios, e no estado era um estudo completo, no qual se procurava a partir do contexto descrever e analisar a implantação do Fundef e avaliar o seu impacto sobre a manutenção e desenvolvimento do ensino. A abordagem da replicação envolveu as seguintes ações: (a) definição dos elementos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - Fundef que se desejava avaliar; (b) seleção dos casos, ou seja, dos municípios a serem estudados; (c) plano de coleta de dados - estado e municípios; (d) condução dos estudos de casos municipais; (e) elaboração dos relatórios dos casos individuais; (f) elaboração do relatório dos casos cruzados (estado e municípios). O plano geral da pesquisa definiu que deveriam ser realizados estudos de casos sobre: o estado, o município capital e outros municípios que apresentassem, pelo menos condições distintas quanto ao percentual da receita própria municipal e quanto ao Fundef (contribui x recebe). Segundo as definições gerais estabelecidas para o desenho da pesquisa, Salvador, município-capital e o próprio Estado, eram necessariamente unidades da investigação. As demais unidades foram selecionadas considerando dois critérios: o primeiro relativo ao tamanho da população - municípios grandes, com mais de 100.000 habitantes, e municípios pequenos; o segundo critério, a inclusão em cada um desses grupos de pelo menos um município que ganha e outro que perde para o Fundef, em relação à sua contribuição. Nesse sentido, foram escolhidos de forma intencional sete municípios - três grandes e quatro pequenos - combinando os dois critérios anteriormente mencionados. Como municípios grandes, os de Vitória da Conquista (262.494 hab.), Camaçari (161.727 hab.) e Alagoinhas (130.095 hab.); como municípios pequenos, São Sebastião do Passé (39.960 hab.), São Francisco do Conde (26.293hab.), Conceição da Feira (17.514hab.) e Governador Mangabeira (17.165 hab.). No grupo de municípios grandes, Camaçari perde com o Fundef e os demais ganham, enquanto no grupo de municípios pequenos São Francisco do Conde e Conceição da Feira contribuem mais para o Fundo do que recebem, situação inversa a dos outros municípios desse grupo. Ao serem feitos os primeiros contatos para a realização de trabalho de campo, a coordenação da pesquisa teve dificuldades com os municípios de Camaçari e São Francisco do Conde para obter autorização para o levantamento de informações e dados principalmente daqueles relativos às receitas e despesas com a educação e especificamente com o ensino fundamental, ou seja, os recursos do Fundef. Assim, esses municípios foram eliminados não sendo possível sua substituição, uma vez que o número de municípios baianos que perdem com o Fundef é muito pequeno (oito casos). Com relação ao município de Conceição da Feira, o não pagamento do pessoal docente, em 2000, resultou em greve dos professores tendo o ano letivo sido reduzido a 43 dias letivos, posteriormente anulado, prejudicando os registros escolares e os das despesas com ensino fundamental, inviabilizando a coleta dos dados necessários para a pesquisa.Considerando o tempo disponível para a realização do estudo, a coordenação optou pelo redesenho do plano metodológico, formando dois grupos a partir do critério “tamanho da população”, nos quais estão os municípios que ganham com o Fundef, e formando um terceiro grupo com o município-capital e o Estado representando as unidades que perdem recursos com o Fundef. Dessa forma, o estudo de caso compreendeu o Estado da Bahia, Salvador, Vitória da Conquista, Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira. Para cada um dos municípios foi elaborado um relatório de caso individual e um relatório de “caso múltiplo” no qual os dados desses municípios foram comparados com os do Estado da Bahia, não tendo sido elaborado um relatório para o Estado, enquanto unidade de investigação. O plano de coleta de dados e informações sobre a implantação e os impactos do Fundef envolveu três focos: os recursos financeiros - receitas e despesas; a valorização dos professores - formação e salário; os alunos - matrícula e desempenho. Esses focos foram analisados a partir de três dimensões: política; econômico- financeira e educacional. Nesta perspectiva, considerando os planos da pesquisa, o quantitativo e o qualitativo, foram selecionadas três fontes para a coleta de dados seguindo o que propõe Robert Yin (2001): (a) arquivos em sua forma computadorizada, tais como, os registros organizacionais, os bancos de dados e os dados produzidos por levantamentos, como os censos demográfico e escolar; De um modo geral, os bancos de dados e informações foram utilizados via internet, destacando-se os das seguintes instituições: Ministério da Educação / Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (MEC/INEP), Secretarias de Educação e da Fazenda - Estaduais e Municipais, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI/BA), Secretaria do Planejamento, Ciência e Tecnologia da Bahia (Seplantec /Ba), Agência de Avaliação Secretaria de Educação do Estado da Bahia - Universidade Federal da Bahia/Centro de Estudos Interdisciplinares para o Setor Público (SEC/BA - UFBA/ISP), Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM/BA), Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), União dos Municípios do Estado da Bahia (UPB/BA), União dos Dirigentes Municipais de Educação - Secção da Bahia (Undime/Ba). (b) documentação envolvendo várias formas, como: documentos administrativos (propostas, planos, relatórios executivos, processos administrativos, pareceres, atas), documentos financeiros (extratos bancários, contracheques, folhas de pagamento, relatórios contábeis), documentos jurídicos (leis, decretos, pareceres, resoluções, portarias), artigos publicados na mídia, pesquisas e estudos de avaliação sobre o tema em estudo. (c) entrevistas não estruturadas nas quais os respondentes eram indagados sobre fatos, como também solicitados a emitir opinião ou apresentar suas próprias interpretações e avaliações, como também, foi utilizada a entrevista do tipo focal, semi-estruturada, com base em um roteiro com perguntas elaboradas a partir dos objetivos do estudo de caso, ampliado com observações que o entrevistado desejasse emitir. Os informantes foram selecionados em função do objeto de estudo e dos objetivos da pesquisa. Assim, foram entrevistados: gestores educacionais (secretários municipais de educação e da fazenda, superintendentes estaduais de educação, gestores do Fundef, diretores de unidades escolares municipais e estaduais); membros de conselhos (conselhos estadual e municipais de educação, conselhos estadual e municipais de acompanhamento e controle social do Fundef, conselhos municipais de alimentação escolar); membros do Ministério Público e dos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios; representações institucionais e sindicais (União dos Municípios da Bahia, União dos Dirigentes Municipais de Educação, Sindicato dos Professores). Entrevistas complementares foram realizadas com o ex-secretário estadual de educação e a ex-secretária executiva do Conselho Estadual de Acompanhamento e Controle Social do Fundef. Para a realização das entrevistas do tipo focal, semi-estruturada, um roteiro básico foi montado para orientar a busca de informações, com questões gerais e outras para atender às especificidades das instituições / órgãos, cujos entrevistados representavam. As questões abertas, propostas no roteiro, tinham a função de estimular o entrevistado para que relatasse de forma ampla e livre sua experiência com o Fundef, contudo o pesquisador a partir das informações trazidas pelo entrevistado poderia levantar novas questões ou pedir esclarecimentos para enriquecer o relato. As entrevistas, num total de 55, foram realizadas em dois períodos, agosto e setembro de 2001 e março a agosto de 2002. Além das entrevistas, o trabalho de campo envolveu o levantamento de dados cujo instrumento de coleta foram planilhas - dados educacionais e demográficos, dados financeiros, dados jurídicos - planejadas pelo comitê central da rede nacional. Os dados quantitativos coletados possibilitaram a montagem de tabelas, também sugeridas pelo comitê central, para a análise da implantação e do impacto do Fundef. A condução dos estudos de casos seguiu, em cada situação, uma dinâmica própria, contudo o trabalho de campo tinha sempre início com a coleta de dados quantitativos e o levantamento da documentação pertinente, envolvendo: documentos jurídicos, documentos educacionais e documentos financeiros. Concomitantemente, ao levantamento dos dados quantitativos foram agendadas e realizadas as entrevistas às pessoas-fonte. A realização do trabalho de campo, principalmente a coleta de dados financeiros sobre as despesas realizadas, seguindo o detalhamento da planilha, foi uma tarefa limitada por várias barreiras. Além dos pesquisadores de campo não terem acesso às fontes da Secretaria da Fazenda, exceto no Município de Vitória da Conquista, os dados levantados pelos técnicos da Sefaz estavam às vezes incompletos e inconsistentes, o que exigiu vários retornos ao município. Dados necessários a melhor compreensão do impacto do Fundef na manutenção e desenvolvimento do ensino não foram obtidos em função de dificuldades técnicas alegadas pelos informantes, tais como: impossibilidade de desagregar as despesas com os vários níveis e modalidades de ensino até 2000, salário de professores do ensino fundamental, despesas com formação/capacitação de docentes e outras despesas. Outras dificuldades foram encontradas para a coleta dos dados: a “falta de memória” ou seja, ausência da documentação para consulta; problemas com o agendamento e a realização de entrevistas com gestores e técnicos das secretarias municipais e estaduais; acesso aos bancos de dados dos órgãos governamentais. Os relatórios foram elaborados para os estudos de casos individuais, como para o estudo comparativo - estado e municípios, sendo este configurado como o Relatório Geral, aqui apresentado. Para os casos individuais a estrutura do relatório previa: (a) perfil do município - dados históricos, demográficos, sócio-econômicos, políticos, educacionais (gerais) e legislação municipal relacionada à educação; (b) impacto do Fundef (em dados) análise das finanças; das matrículas, classes, escolas, fluxos; da situação dos professores; (c) política educacional local frente ao Fundef; (d) o controle da aplicação dos recursos; (e) peculiaridades locais. Os relatórios dos cinco estudos de caso individuais fazem parte do anexo do Relatório Geral. Também em anexo encontram-se as planilhas com dados educacionais e financeiros que integram os bancos de dados acima referidos. O PERFIL DO ESTADO DA BAHIA O Estado da Bahia é um dos nove estados da Região Nordeste do Brasil. Possui uma área de 561.026Km² e limita-se, ao Norte, com os estados Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí; ao Sul, com os Estados Minas Gerais e Espírito Santo; ao Leste com o Oceano Atlântico e a Oeste com os Estados de Tocantins e Goiás. Dentre seus quatrocentos e quinze (415) municípios destacam-se: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus e Itabuna. Em 1996, segundo o IBGE, o Estado da Bahia tinha 12.541.675 habitantes (28% da população do Nordeste que, por sua vez, representa 28,5% da população do país), sendo 6.183.091 homens e 6.358.584 mulheres. É o estado mais populoso do Nordeste e o 4° mais populoso do Brasil. O Censo 2000 registrou a existência de 13.070.250 habitantes no estado, sendo 6.462.033 homens e 6.608.217 mulheres. Representando a 6ª economia do país, com um PIB de US$ 33,6 bilhões (4,7% do PIB Nacional e 33% do Nordeste) e renda per capita de US$2.615,00 (SILVA & MEIRELLES, 1999, p. 7), predomina no estado o setor de Comércio e Serviços que, em 1996, foi responsável por 60,3% da economia do estado. As indústrias baianas se ocupam com produtos químicos e petro-químicos, alimentares, me talúrgicos, minerais não- metálicos, bebidas, minerais e madeira. Entre os minérios explorados no estado encontram-se: água mineral, argila, baritina, calcário, caulim, chumbo, cromo, magnesita, manganês, mármore, talco, petróleo e gás natural. No setor agropecuário encontra-se o cultivo de algodão, cacau, coco, laranja, sisal, cana-de-açúcar, cebola, feijão, fumo, mandioca e milho e a criação de bovinos, suínos e eqüinos. De 1980 a 1996 verificou-se, no Brasil, um crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano que passou do nível considerado de médio desenvolvimento para o limite inferior do nível de alto desenvolvimento. A região Nordeste e o estado da Bahia, entretanto, ficam aquém da média nacional, não chegando a atingir o nível de alto desenvolvimento. A região Nordeste passou do nível de baixo desenvolvimento, em 1980, para o nível de médio desenvolvimento, em 1996 e a Bahia, apesar de ter elevado o seu índice de 0,53 para 0,66, se manteve no nível médio. Também em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) per capita a Bahia e o Nordeste apresentam crescimento mas se diferenciam da média verificada no Brasil, como se pode verificar no quadro a seguir. O PIB per capita da Bahia, em 1980, representava 55,73% da média brasileira e em 1996, elevando-se de 2,721 para 3,677, passou a representar 57,42% da média brasileira calculada em 6,403. Tabela 1 Índice de Desenvolvimento Humano e PIB per Capita 1980 a 1996 LOCAL BRASIL NORDESTE BAHIA IDH 1980 0,73 0,48 0,53 PIB per capita ajustado US$ 1991 0,79 0,56 0,59 1996 0,83 0,61 0,66 1980 4,882 2,021 2,721 1991 5,023 2,360 2,790 1996 6,403 3,085 3,677 Fonte: MEC/INEP A distribuição da população residente no Brasil tem se modificado, principalmente no Nordeste e na Bahia, onde se pode verificar o maior aumento percentual de habitantes na zona urbana. Em 1980 mais da metade da população baiana encontrava-se na zona rural (50,7%). Em 1996 esse percentual diminui, predominando o número de residentes na zona urbana (62,4%). Esses números, entretanto, ficam abaixo do percentual médio nacional em que se verificou, na população residente na zona urbana, o aumento de 67,6% para 78,4%. Os percentuais de aumento da população total na Bahia (32,65%) e no Brasil (31,99%) de 1980 a 1996 foram maiores que o percentual verificado no Nordeste (28,59%). De 1996 para 2000 verificam-se percentuais menores no aumento da população, mas aumentam os percentuais de residentes na zona urbana, no Brasil (81,2%), no Nordeste (69,1%) e na Bahia (67,1%), como se verifica no quadro a seguir. Tabela 2 População Residente Brasil - Nordeste - Bahia Anos Anos Brasil Nº de % zona habitantes urbana 119.002.706 67,6 1991 146.825.475 75,6 1996 157.079.573 78,4 2000 169.799.170 81,2 Percentuais de aumento da população total 1980 / 1996 31,99% 1996 / 2000 8,10% Fonte: IBGE. Nordeste Nº de habitantes 34.812.356 42.497.540 44.768.201 47.741.711 28,59% 6,64% % zona urbana 50,5 60,7 65,2 69,1 Bahia Nº de habitantes 9.454.346 11.867.991 12.541.745 13.070.250 % zona urbana 49,3 59,1 62,4 67,1 32,65% 4,21% Analisando-se os dados educacionais verifica-se que em 1997 a maior parte da população que se encontrava na faixa etária entre 25 e 64 anos não tinha concluído o ensino fundamental. A freqüência acumulada dos percentuais de residentes com nenhuma instrução e com ensino fundamental incompleto chega a 64,2% no Brasil. Na região Nordeste atinge 74%, aumentando para 75,6% no estado da Bahia. É também no Nordeste (24,5%) e na Bahia (26,4%) que se registram os maiores percentuais de habitantes computados como tendo “nenhum” grau de instrução, contrastando com os 13% verificados no país. Com o ensino fundamental completo encontram-se 12,4% da população brasileira nessa faixa etária, decrescendo para 8,1% no Nordeste e para 7,2% na Bahia. A respeito das taxas de analfabetismo na Bahia, observa-se que são mais elevadas na faixa etária de 50 anos e mais. Apesar da redução percentual que se verifica comparando-se o ano de 1990 e 1996 com o ano 2000, quase metade (48%) das pessoas nessa faixa etária é analfabeta. Os menores percentuais de analfabetismo encontram-se na faixa de 15 a 25 anos, como se pode verificar no quadro a seguir. Em todas as faixas etárias consideradas houve um decréscimo na taxa de analfabetismo ao longo da década de 90. Tabela 3 Taxa de Analfabetismo por Faixa Etária Bahia 1990 a 2000 Faixa Etária 10 a 14 anos 15 a 24 anos 25 a 49 anos 50 anos e mais 1990 30,8 20,6 29,9 57,3 1996 13,5 11,1 21,4 49,5 1997 14,3 11,3 23,3 54,0 1998 13,3 10,1 23,1 49,3 1999 9,8 8,6 21,8 51,5 2000 12,7 9,9 20,7 48,0 Fonte: IBGE/PNAD Paralelo à redução das taxas de analfabetismo podem ser analisados os aumentos das taxas de escolarização bruta e líquida que são mais altas no ensino fundamental. Em 1999, a escolarização bruta no ensino fundamental foi de 154,9% enquanto o Ensino Médio ficou em 53,3%. No ano 2001 essas taxas passam a 163,5% e 68,5% respectivamente. A diferença é ainda mais acentuada quando se analisa a escolarização líquida: no ensino fundamental passa de 93,3%, em 1999, para 96,2% em 2001, enquanto no ensino médio passa de 14,2% para 15,9% no mesmo período. Tabela 4 Taxa de Escolarização Bahia - 1999 a 2001 Taxa Ensino Bruta Liquida Ensino Fundamental 1999 154,9 93,3 2000 161,5 96,2 Ensino Médio 2001 163,5 96,0 1999 53,3 14,2 2000 61,3 15,3 2001 68,5 15,9 Fonte: SEC/BA, MEC/INEP Com o aumento das taxas de escolarização aumentam também as taxas de atendimento que, com a prioridade colocada para o ensino fundamental, são maiores na faixa de 7 a 14 anos. Entretanto verificam-se aumentos percentuais também na faixa de 15 a 17 anos já que existe um grande contingente de alunos desta faixa etária que vem sendo atendido com a oferta do ensino fundamental. Em 1960 somente 50% das crianças de 7 a 14 anos e 15,7% da faixa de 15 a 17 anos eram atendidas nas escolas baianas. Em 1996 esses percentuais se elevam para 89,2% e 63,7% e, em 2001 chega-se a 97,3% e 88,0%. Tabela 5 Taxas de Atendimento Bahia - 1960 a 2001 Anos 7 A 14 Anos 1960 50,0 1970 58,0 1980 77,1 1991 85,8 1996 89,2 1998 94,8 1999 95,3 2000 96,5 2001 97,3 Fonte: SEC/BA, MEC/INEP 15 A 17 Anos 15,7 17,0 19,0 25,1 63,7 82,6 84,6 88,2 88,0 O distanciamento das taxas de escolarização líquida no ensino médio e as taxas de atendimento na faixa etária de 7 a 14 anos remetem à análise das taxas de distorção idade/série, que tem entre suas causas a reprovação,o abandono e a conseqüente repetência escolar e ainda a entrada tardia na escola. As taxas de distorção idade-série na Bahia, em 1996 (70,0%) e em 2000 (64,9%), são mais elevadas que as médias registradas no Brasil (47,0% e 41,7%), equiparando-se às taxas de estados como Sergipe (67,2% e 62,0%), Maranhão (66,3% e 62,3% ), Alagoas (67,7% e 63,9%), Paraíba (70,0% e 62,0%) e Piauí (66,1% e 63,5%) e distanciando-se de São Paulo que, além de apresentar as menores taxas, conseguiu uma das maiores reduções da distorção idade-série de 1999 (30,5%) para 2000 (19,1%). Ao lado do quadro de distorção idade-série, a Bahia apresenta, em 99/2000, o quarto maior percentual de repetência escolar (31,6%), depois do Piauí (34,9%), Pará (33,5%) e Sergipe (33%). Apresenta também taxas de evasão maiores e taxas de promoção menores que as médias nacionais. De 1996 para 2000 o Estado da Bahia conseguiu reduzir as taxas de repetência, evasão e distorção idade/série e aumentar as taxas de promoção mas essas modificações ainda não foram suficientes para aproximar a Bahia das médias praticadas no país. Analisando-se a matrícula no ensino fundamental, cuja faixa etária regular é de 7 a 14 anos, verifica-se que 23,5% dos estudantes matriculados em 2000 no Brasil têm 15 anos ou mais. Na região Nordeste e no Estado da Bahia esse percentual se eleva para 33,6% e 38,4% respectivamente. O percentual de alunos com quinze anos ou mais matriculados em escolas de ensino fundamental aumenta em 2001 sendo os números no Nordeste (46,44%) e na Bahia (64,07%) mais elevados que o percentual registrado no Brasil (29,09%). Um dos empreendimentos visando reduzir a distorção idade série foi a implantação de programas de aceleração da aprendizagem que vêm sendo alvo de críticas por conta, principalmente, da falta de uma preparação específica do corpo docente. A política de redução do tempo escolar em cada série é outra característica do programa que, na Bahia, vem sendo rotulado de “política de analfabetização” por lideranças sindicais docentes. (SOUZA, 2001). O número de alunos matriculados em classes de Aceleração no ano 2000, no Brasil, equivale a 3,37% da matrícula no ensino fundamental. No Nordeste equivale a 5,73% e na Bahia, a 11,24%. São percentuais tímidos se comparados com as taxas de repetência escolar e de distorção idade/série. Os dados do censo/2000 indicam que se encontram na Região Nordeste 48,07% dos estabelecimentos de ensino fundamental do país. No Estado da Bahia encontram-se 30,77% dos estabelecimentos de ensino fundamental da Região Nordeste. A maioria desses estabelecimentos, no Brasil, encontra-se na rede municipal de ensino (71,42%) e na zona rural (61,65%). No Nordeste 71,91% das escolas encontram-se na zona rural sendo 81,78% da rede municipal. Na Bahia a predominância de escolas na zona rural (73,83%) e na rede municipal (84,91%) é ainda mais acentuada. Esta predominância no número de escolas localizadas na zona rural se explica pela existência de um grande número de escolas de pequeno porte com matrículas em torno de cem (100) alunos. Para funcionamento das escolas de ensino fundamental e médio, o Brasil contava, em 1996, com 1.715.074 professores. Em 1999 esse número passou a ser 1.888.449. Na rede municipal houve redução do quadro docente para o ensino médio que era formado por 20.957 professores, em 1996, e passou a contar com 16.827 em 1999. No ensino fundamental houve aumento a cada ano, tanto no total de professores quanto no número de professores nas redes municipais. No Estado da Bahia verificam-se aumentos nos quadros docentes do ensino fundamental e médio de 1996 a 1999 e 2001. A Bahia passa de 128.764 professores, em 1996, para 147.908 em 1999 e 162.724 em 2001. Na Bahia havia 3.791.179 alunos em 1996 e 4.667.899 em 2000 (aumento de 23,12%). Em 2001 o número de alunos matriculados na Bahia em educação infantil, alfabetização, ensino fundamental e ensino médio chegou a 4.833.218. Incluindo-se as matrículas em educação especial (13.594), suplência (51.936) e educação profissional (7.624) o total da matrícula fica em 4.906.371 alunos. A maior concentração de matrículas acontece nas escolas públicas que, em 2001, ficaram com 92,3% da matrícula sendo 35,7% na rede estadual e 56,6% na rede municipal. A matrícula no ensino fundamental, no Nordeste, representava 31,62% da matrícula realizada no Brasil nesse nível de ensino em 1996. Esse percentual aumenta para 34,64% na matrícula de 1999, para 35,02% em 2000 e para 35,22% em 2001. Também cresce o percentual de alunos matriculados na Bahia em relação ao Nordeste, passando de 27,56%, em 1996, para 29,64% em 1999, para 29,67% em 2000 e para 29,88% em 2001. Tabela 6 Percentual de Matrícula no Ensino Fundamental Relações Estabelecidas Nordeste/Brasil Bahia/Nordeste 1996 31,62 27,56 1997 32,67 27,51 1998 34,11 29,10 1999 34,64 29,64 2000 35,02 29,67 2001 35,22 29,88 Fonte: SEC/BA Em 1998, ano de implantação do Fundef, o Censo Escolar constatou que a Região Nordeste foi a que abriu o maior núme ro de vagas no Ensino Fundamental com um milhão de novas matrículas. Isso representa um crescimento de 9,6%. O Estado da Bahia foi o que apresentou o maior crescimento ao matricular mais 475.078 alunos, como demonstra o tabela a seguir. De 1997 para 1998 houve um acréscimo de 14,3% na matrícula de 1ª a 4ª série e 17,9% de 5ª a 8ª série (SILVA & MEIRELLES, 1999, p.36). Tabela 7 Matrícula no Ensino Fundamental - 1997 e 1998 Unidade da Federação Brasil Nordeste Norte Sudeste Sul Centro-Oeste Bahia 1997 1998 Diferença 34.229.388 11.184.186 3.011.865 13.020.903 4.512.267 2.500.167 3.076.801 35.838.372 12.261.780 3.208.587 13.248.533 4.553.460 2.566.012 3.551.879 1.608.984 1.077.594 196.722 227.630 41.193 65.845 475.078 Fonte: INEP. Os maiores aumentos na matrícula no ensino médio nas escolas baianas aconteceram nos anos de 1997, 1998 e 1999 em que se registraram aumentos de 16,05%, 15,95% e 17,53%. De 1994 a 1999 houve um aumento de 80,70% das matrículas. Segundo o documento Educação em Números - Bahia 2000, “o expressivo incremento anual da matrícula no ensino médio entre 1994 e 1999 reflete o resultado das medidas voltadas para melhoria do ensino e, ao mesmo tempo, sinaliza uma maior demanda futura por esse nível de ensino” (BAHIA 2000, p.17) Os aumentos anuais sucessivos registrados desde 1995, resultam numa taxa de crescimento 1994/2001 de 137,58%. Tabela 8 Matrícula Inicial do Ensino Médio Bahia - 1994-2001 Ano Total Geral 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Taxa de Crescimento. 94/99 Taxa de Crescimento 94/00 Taxa de Crescimento 94/01 279.219 298.770 319.045 370.256 429.294 504.554 586.812 663.369 80,70 % 110,16 % 137,58% Variação Anual % 7,00 6,79 16,05 15,95 17,53 16,30 13,05 Fonte: SEC/BA - MEC/INEP - Sinopse Estatística da Educação Básica 2000 e 2001 A rede estadual é responsável pela maior parte dos alunos do ensino médio na Bahia detendo, em 2001, 79,37% da matrícula nesse nível de ensino. As escolas federais têm o menor número de alunos (0,63% em 2001) e as redes municipal e particular tiveram, em 2001, respectivamente, 12,19% e 7,80% da matrícula no ensino médio do Estado da Bahia. Tabela 9 Matrícula no Ensino Médio por Dependência Administrativa Bahia - 1995 a 2001 Dependência Administrativa Federal Estadual Municipal Particular Total Fonte: SEC/BA . 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 3.511 193.794 44.220 57.245 298.770 3.800 209.773 47.598 57.874 319.045 5.888 247.250 57.002 60.116 370.256 5.028 306.663 64.040 53.563 429.294 5.406 378.967 65.613 54.568 504.554 6.414 454.788 72.937 52.673 586.812 4.177 526.535 80.868 51.789 663.369 O rendimento escolar em classes de ensino fundamental na Bahia é maior nas escolas particulares que, de 1998 para 2000 aumentaram o percentual de alunos aprovados de 80,83% para 83,04%. O número de alunos das escolas particulares, entretanto, ao contrário das escolas públicas baianas, decresceu em 2000. Entre as escolas públicas é a rede federal que apresenta os melhores percentuais de aprovação. Enquanto na rede particular a redução do número de alunos produz percentuais mais baixos de reprovação, na rede pública estadual e municipal o aumento da matrícula faz crescer esses percentuais. Enquanto as escolas federais detêm os maiores percentuais de alunos concluintes (15,35% em 1998, 13,29% em 1999 e 20,12% em 2000), as escolas municipais apresentam os maiores percentuais de abandono da escola (15,15% em 1998, 13,95% em 1999 e 15,56% em 2000). Tabela 10 Rendimento e Movimento Escolar do EF na Bahia 1998/1999 Movimento Discriminação Dependência administrativa Total Federal Estadual N° % N° % N° Aprov. 1998 2.521.874 66,37 497 71,31 898.630 1999 2.542.994 64,50 584 67,52 872.641 2000 2.409.639 60,88 449 68,45 785.749 Reprov. 1998 425.788 11,20 59 8,46 126.447 1999 519.132 13,17 68 7,86 164.766 2000 557.565 14,09 32 4,88 187.516 Conclui. 1998 166.037 4,37 107 15,35 101.445 1999 187.886 4,76 115 13,29 113.967 2000 219.686 5,55 132 20,12 132.529 Aband. 1998 523.513 13,78 17 2,44 185.183 1999 519.012 13,17 69 7,98 191.674 2000 591.138 14,93 0 0,00 219.763 Transf. 1998 162.489 4,28 17 2,44 50.293 1999 173.509 4,40 29 3,35 55.795 2000 180.113 4,55 43 6,55 59.864 Total 1998 3.799.701 100 697 100 1.361.998 1999 3.942.533 100 865 100 1.398.843 2000 3.958.141 100 656 100 1.385.421 Fonte: MEC/INEP - Sinopse Estatística da Educação Básica 1999; 2000; 2001 % 65,97 62,38 56,72 9,28 11,78 13,53 7,45 8,15 9,57 13,60 13,70 15,86 3,70 3,99 4,32 100 100 100 Municipal N° 1.433.444 1.493.834 1.458.324 287.617 344.182 361.420 45.122 56.445 69.642 333.721 324.842 369.188 102.906 110.275 114.643 2.202.810 2.329.578 2.373.217 % 65,07 64,12 61,45 13,05 14,78 15,23 2,05 2,42 2,93 15,15 13,95 15,56 4,68 4,73 4,83 100 100 100 Particular N° 189.303 175.935 165.117 11.665 10.116 8.597 19.363 17.359 17.383 4.592 2.427 2.187 9.273 7.410 5.563 234.196 213.247 198.847 % 80,83 82,50 83,04 4,98 4,74 4,32 8,27 8,14 8,74 1,96 1,14 1,10 3,96 3,47 2,80 100 100 100 Cabe mencionar que existem no Estado da Bahia, pelos dados do INEP referentes ao ano 2000, 49 instituições de ensino superior que oferecem 348 cursos para 89.191 graduandos. O maior contingente de matrícula em cursos de graduação fica com as 43 instituições privadas que oferecem 140 cursos para 39.239 alunos. O ensino superior público é oferecido pelas redes federal e estadual. Existem duas (2) instituições federais que oferecem 62 cursos para 19.170 alunos e quatro (4) instituições estaduais que oferecem 146 cursos para 30.782 graduandos. As instituições estaduais contam com o maior número de docentes e com o maior percentual de mestres (36,3%). As instituições federais têm o menor número de alunos por professor (9,6) e o maior percentual de doutores (24,2%). Os menores percentuais de mestres (30,1%) e de doutores (7,9%) e o maior número de alunos por professor (16,9) encontram-se nas instituições particulares. No que diz respeito ao perfil do estado, ainda merece atenção a questão da legislação. A legislação educacional nacional deve orientar o planejamento e a ação governamental em suas diversas instâncias, podendo, no entanto estados e municípios estabelecer legislação própria sobre matéria educacional desde que não transgrida os princípios da lei maior. No que diz respeito ao Estado da Bahia, foram identificadas como principais documentos legais a Constituição do Estado, a Lei Orgânica do Ensino e as Resoluções do Conselho Estadual de Educação. A Constituição do Estado da Bahia, promulgada em 5 de outubro de 1989, dedica o Título VI - Da Ordem Econômica e Social , capítulos XII a XV, artigos 244 a 275, à Educação, Ciência, Tecnologia e Cultura, definindo a organização do sistema público de ensino, abrangendo as redes estadual e municipal. A Constituição Estadual prevê a elaboração de Leis para dispor sobre o sistema estadual de ensino (Art. 247) e estabelecer o Plano Estadual de Educação, “de duração plurianual, proposto pelo Poder Executivo, com vistas à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público, que conduzam aos objetivos previstos na Constituição Federal.” (Art. 250). A Constituição Baiana destaca em um dos seus artigos “os valores da religião afro-brasileira” , determinando ser dever do Estado a preservação e garantia da integridade, respeitabilidade e permanência desses valores. Estabelece ainda a “adequação dos programas de ensino das disciplinas de geografia, história, comunicação e expressão, estudos sociais e educação artística à realidade histórica afro-brasileira, nos estabelecimentos estaduais de 1º, 2º e 3º graus” (Inciso IV Art.275). A Lei Orgânica do Ensino, Lei nº 2463 de 13 de setembro de 1967, definiu a estrutura, as finalidades e objetivos da escola, baseando-se na antiga Constituição Federal e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Essa lei não foi revogada nem atualizada. No Estado, essa legislação é regulamentada por Pareceres e Resoluções do Conselho Estadual de Educação a quem cabe ainda estabelecer normas que regulem a política educacional do estado. Esse Conselho, criado em 1842, o mais antigo Conselho Estadual de Educação do país, compreende as Câmaras de Educação Básica, Educação Superior e Educação Profissional, além das Comissões de Jovens e Adultos, Direito Educacional e Avaliação. Considerando o objeto deste estudo, vale mencio nar ainda a existência de legislação específica instituindo o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundef, o Decreto Estadual nº7.277 de 8 de abril de 1998, que será abordada na segunda parte deste relatório . PARTE II - O FUNDEF NO ESTADO DA BAHIA Para desenvolver a discussão referente ao impacto do Fundef, no contexto do Estado da Bahia, são destacado nesta segunda parte do relatório aspectos relacionados com: o momento de implantação do Fundo; a situação do estado e dos municípios com a execução desta nova política de financiamento do ensino fundamental; os impactos do Fundef, considerando as perspectivas quantitativa e qualitativa. IMPLANTAÇÃO DO FUNDEF - Antecedentes e providências A política de financiamento da educação pública brasileira, particularmente do ensino fundamental tem sido ao longo dos tempos, objeto de discussão em diferentes fóruns, como: o Ministério da Educação, o Congresso Nacional, os movimentos sociais organizados, as entidades científicas e educacionais, as orga nizações sindicais dentre muitas outras. No que diz respeito especificamente à criação do Fundef, sabe-se da movimentação dos gestores estaduais de educação, representados pelo Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) no sentido de obter recursos para que fosse possível concretizar a universalização do ensino fundamental e melhorar sua qualidade. A posição do Consed no período que antecede à criação do Fundef pode ser melhor compreendida através do depoimento de um de seus participantes, o Secretário de Educação da Bahia (1995-1999), no qual enfatiza as preocupações desses gestores com a questão da remuneração do professor, descreve as tensões entre o MEC e o Consed e entre os próprios estados para a formulação do projeto do Fundo e os resultados finais dessa negociação. A seguir são transcritos trechos do depoimento mencionado: 1 Nossa luta no Consed era para financiar os municípios, já que, grande parte dos municípios brasileiros não tinha condições de pagar aos professores uma remuneração de, pelo menos um salário mínimo. Geralmente, o pagamento ficava em torno de meio SM. Assim sendo, como procurar uma qualidade de ensino, se a remuneração era tão baixa? 2 Numa das reuniões do Consed o Ministro da Educação anunciou que estava sendo formatado um fundo que iria de certa forma transferir recursos dos estados mais ricos para os mais pobres (a idéia inicial era essa, a constituição de um grande fundo nacional, como uma forma de socialização dos recursos da educação, já que esses estavam praticamente concentrados nos estados mais desenvolvidos da Federação). 3 Depois de muitas discussões, foi apresentado um protótipo do Fundo, que não incluía a idéia inicial de redistribuição de recursos entre estados, rejeitada principalmente por São Paulo, mas envolvia apenas a redistribuição entre cada estado e seus municípios. Foi assim que o Fundef começou... 4 Uma das preocupações do CONSED era a remuneração do professor, tanto é que o projeto contemplou 60% dos recursos para o pagamento dos salários. Essa era a possibilidade de melhorar a situação dos professores desse país e de afastar a justificativa para a baixa produtividade. A idéia era essa, melhorar o salário do professor e conseqüentemente melhorar a qualidade do ensino. Nessa perspectiva, foi aprovada a lei que instituiu o Fundef. O documento legal do governo da Bahia que deu suporte à implantação do Fundef no Estado foi o Decreto N° 7.277 de 08 de abril de 1998 que dispõe sobre a criação do Conselho Estadual de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o Condef. Somente em fevereiro de 2000, através da Resolução N° 001/00 o Secretário de Educação do Estado da Bahia aprovou o Regimento do Condef que define sua competência, finalidade e composição reafirmando o que determina o decreto acima citado e estabelecendo três elementos organizacionais: presidência, plenário e secretaria executiva e respectivas competências. Inclui também uma instância de assessoramento na área de auditoria com representantes da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e dos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios (TCE e TCM) e acompanhamento do Ministério Público (MP) e da Procuradoria Especializada em Atos de Combate à Corrupção e à Improbidade Administrativa (Pecci). A implantação do Fundef na Bahia foi precedida de estudos, que envolveram não só assessores técnicos da Secretaria Estadual de Educação (SEC/BA), mas também, da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz/Ba), uma vez que o Fundo envolvia não só questões pedagógicas, mas, sobretudo financeiras e contábeis. Segundo declarações de um assessor técnico da SEC/Ba , as indicações da Sefaz sobre as perdas de receita que a Bahia teria, caso decidisse municipalizar todo o ensino fundamental, deram suporte à tomada de decisões quanto ao dimensionamento e à abrangência da municipalização do ensino fundamental e quanto à institucionalização do regime de colaboração, que envolve uma gestão compartilhada, e que já era uma prática no Estado da Bahia. Com o Fundef, o Estado da Bahia passou a perder recursos com as transferências para os municípios. Contudo, o Secretário de Educação da época entendia essa questão como plenamente administrável, considerando que parte da rede estadual, principalmente da 1ª a 4ª série do ensino fundamental já era mantida praticamente pelos municípios, que contratavam professores, uma vez que o estado estava com problemas relativos à realização de concursos e basicamente 100% do pessoal de apoio era do município. Assim sendo, em reunião com a participação de representantes da SEC/BA, Sefaz/Ba e com o apoio do próprio Governo do Estado foi definido: (a) que seria oportuno transferir as escolas estaduais de 1ª a 4ª série do ensino fundamental para os municípios; (b) que deveriam ser realizadas negociações com cada município para o dimensionamento da quantidade de unidades escolares a serem transferidas. Nesse processo de negociação sabe-se que foram estabelecidos alguns critérios, como: escolas rurais e escolas urbanas estaduais de até quatro salas passariam para os municípios. Assim, numa primeira etapa o projeto inicial de implantação do Fundef definiu que 1.643 escolas da primeira etapa do ensino fundamental seriam municipalizadas. Outras questões também foram negociadas. Como alguns municípios mantinham escolas de ensino médio e de educação profissional - magistério, a partir da implantação do Fundef desejavam transferir esses cursos para o estado. Neste caso, a negociação envolvia um “esquema de compensação”. Para que o município continuasse com seus cursos de nível médio, o estado repassaria mais dez turmas de ensino fundamental. Quanto à educação infantil foi toda municipalizada. Em síntese, nesse primeiro momento, o esquema de municipalização envolveu: a educação infantil, parte do ensino fundamental, especificamente o primeiro segmento desse nível da educação básica e não contemplou a transferência do ensino médio municipal para a rede estadual. Esta resistência dos gestores em absorver na rede estadual o ensino de nível médio municipal pode ser entendida como uma forma de proteção às perdas de recursos. Nesse caso, o estado estaria passando para o município alunos que garantiriam a ampliação da receita municipal e por outro lado, estaria absorvendo alunos que não representavam entrada de recursos e sim despesas. Contudo, é bom lembrar que o município também estava recebendo do estado, os alunos da educação infantil que também não participam do Fundo. Ainda, retomando a questão destacada pelo informante, gestor da educação, quanto às perdas de recursos do estado para os municípios, é importante registrar sua declaração: O Estado da Bahia, sem dúvida, perdeu dinheiro, mas ele utilizou um próprio dispositivo que existia na legislação, que permitia que o estado obtivesse aquele mesmo valor repassado para os municípios, junto ao governo federal sob forma de financiamento de longo prazo, para que o caixa do estado não sofresse tanto com as transferências. (Gestor da Educação, 08 / 02). Assim, as perdas de recursos tão proclamadas pelos dirigentes encontraram um canal de ordem legal de compensação, o que deixa dúvidas quanto ao fato de que a implantação do Fundef na Bahia possa ter prejudicado a qualidade do ensino médio oferecido pela rede estadual. A questão da municipalização fo rmal foi tratada pelo Secretário de Educação também Presidente do Condef na reunião de posse dos conselheiros, conforme a ata da referida reunião, na qual o Secretário declarou a conclusão das negociações com os 415 municípios da Bahia em relação ao Projeto de Reorganização da Rede Pública de Ensino e a eventual municipalização de escolas sob o controle do Estado, e que mais de 1.500 escolas foram transferidas da gestão estadual para a gestão municipal, iniciando-se, pois, o cumprimento de uma disposição legal. Assim, os municípios poderão concentrar-se na oferta da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e o Estado concentrar-se na oferta do Ensino Médio. O Senhor Presidente informou, também, que o MEC já foi comunicado sobre as transferências das escola s estaduais para a gestão municipal e, que o Censo escolar/98 recebeu todas as alterações para que os próximos repasses federais, inclusive para o Fundef/99, sejam transferidos para os municípios que ficarão com a responsabilidade de conduzir as unidades escolares municipalizadas. (Ata número 1 do Condef, julho de 1998). Nesta mesma reunião do Condef, segundo o que consta da ata, o Presidente do Condef deu a conhecer a seus pares, que O Estado está construindo com os 415 municípios da Bahia o Convênio de Ação de Parceria Educacional Estado-Município, que define claramente as competências do Estado, através da SEC e as competências dos Municípios através das Secretarias Municipais de Educação, em relação à implantação do Fundef e sua conseqüência direta nos municípios seria o processo de municipalização das escolas. Ele deixa claro que, neste Convênio os direitos dos profissionais da educação serão respeitados, independentemente da esfera onde estejam atuando. Através desse Convênio, estaremos transferindo, ou melhor dizendo, cedendo aos municípios os bens móveis e doando os equipamentos existentes nas escola, transferindo para os municípios. Estaremos fazendo uma cessão de uso das propriedades porque a transferência definitiva dependerá de um Projeto de Lei da Assembléia Legislativa. (Ata número 1 do Condef, julho de 1998). Em síntese, os depoimentos coletados e os documentos consultados indicam que a participação do Condef nas definições que orientaram a municipalização do ensino fundamental no Estado da Bahia foi bastante restrita, que o processo de municipalização das escolas de 1a a 4a série do ensino fundamental só deverá estar concluído em 2003. Por fim, observa-se que até o ano 2000 nenhuma escola do segundo segmento desse nível de ensino havia sido transferida para a rede municipal. SITUAÇÃO DO FUNDEF NA BAHIA Dados fornecidos pelo MEC sobre a distribuição dos recursos financeiros do Fundef revelam que, em 1998, o Fundo na Bahia absorveu recursos na ordem de R$742 milhões, com os governos estadual, municipais e federal contribuindo, respectivamente, com 53%, 31% e 16% do total (Brasil, 2000). A distribuição da receita, por outro lado, favoreceu fortemente as redes municipais, que ficaram, no seu conjunto, com 52% do valor total, representando um ganho em relação a sua contribuição de quase R$195 milhões. Cada município baiano recebeu do Fundef, em média, R$267,87/aluno do Fundo do Estado mais R$47,13/aluno do Governo Federal. Para a grande maioria deles (89,9%), o valor total recebido representou um ganho em relação ao que eles iriam receber naquele ano se o Fundef não existisse. Por outro lado, de acordo com dados relatados por Verhine (2000), este ganho relativo não significa, necessariamente, que os municípios gastaram mais no ensino fundamental em 1998 do que no ano anterior, uma vez que em 1997 praticamente todos eles aplicaram, neste nível de ensino, mais do que 15% da sua receita tributária. Segundo Verhine, os dados revelam que o repasse do Fundef em 1998 foi maior do que o dispêndio total no ensino fundamental para aproximadamente a metade dos municípios baianos (54,3%). Houve um ganho médio global, neste sentido, de 13%, embora seja importante registrar que 32 municípios do estado (inclusive o maior deles, Salvador) acabaram recebendo do Fundef menos do que a metade daquilo que gastaram no EF no ano anterior. Através de análise de correlação, Verhine (2000) verificou que os municípios que mais se beneficiaram com o Fundef, em relação ao seu comprometimento financeiro com EF em 1997, tenderam a ser os que são mais distantes da capital, menos populosos, menos urbanizados (medido através da relação população/área geográfica) e que apresentam menor grau de riqueza (mensurado através do ICMS per capita). Os dados referentes ao Fundef da Bahia para os anos 1999 e 2000 evidenciaram tendências similares aos do ano de 1998. Conforme demonstrado na Figura 1, o valor do Fundo cresceu em 19,6% entre 1998 e 1999 e em mais 11,0% entre 1999 e 2000, chegando, neste ano, a um valor total de quase R$1,2 bilhão. A Figura 1 também ilustra a composição do Fundo: o principal, derivado da receita de tributos do estado e dos municípios, e a complementação da União. Observa-se que durante o período 1998-2000, a complementação da União foi o componente do Fundo que teve o maior percentual de aumento (Complementação: 64,2%; Principal: 26,6%), indicando que o crescimento dos recursos do Fundef gerados pelo conjunto do estado não acompanhou o crescimento das matriculas nas redes de ensino fundamental público, tornando cada vez mais difícil o atendimento, por parte das redes baianas, do gasto aluno/ano exigido pela legislação. Como resultado, a complementação chegou a constituir 20,1% do total do Fundo em 2000, representando, em valores absolutos, a maior complementação recebida por uma unidade federativa. Por outro lado, quando se estima o valor da complementação em forma relativa (em termos de valor/aluno), a Bahia fica em terceiro lugar entre os estados mais beneficiados, atrás do Maranhão e Pará, conforme revelado pela Figura 2. 1400 R$ MILHÕES 1200 236,4 1000 215,1 800 143,9 600 742,1 844,5 939,6 1998 1999 2000 400 200 0 COMPLEMENTAÇÃO PRINCIPAL FONTE: MEC - BALANÇO DO FUNDEF 1998 2000 Figura 1 - Valor do Fundef na Bahia: Principal x Complementação 250 200 150 100 50 0 AL BA CE FONTE: MEC - BALANÇO DO FUNDEF MA ESTADOS PA PB PE PI TOTAL (EM MILHÕES R$) POR ALUNO (EM REAIS) Figura 2: Complementação Total (em R$ milhões) e por Aluno (em R$), da União ao Fundef, por UF - 2000. A Figura 3 indica que, com o crescimento do Fundo entre 1998 e 2000, a distribuição dos seus recursos de forma favorável aos municípios em relação ao estado ficou cada vez mais acentuada. Em 2000, os municípios receberam 60,6% do valor total distribuído pelo Fundo enquanto contribuíram com apenas 26,6%, ganhando, assim, um valor liquido de R$ 379 milhões. O estado, por outro lado, perdeu R$ 142,9 milhões naquele ano, ao contribuir com um montante quase duas vezes maior do que o dos municípios e ao receber de volta menos do que 40% dos recursos totais do Fundo. Assim, a perda liquida do estado em 2000 foi quase três vezes maior do que a perda (R$48 milhões) que o mesmo sofreu em 1998, ano da implantação do Fundef. VALORES EM R$ MILHÕES 1400 RECEITA 1200 RECEITA 1000 RECEITA CONTRIBUIÇÃO 800 CONTRIBUIÇÃO CONTRIBUIÇÃO 463,4 407,5 422,8 606,3 538,9 600 471,7 200 0 712,6 652,2 400 462,2 270,4 1998 1998 FONTE: MEC - BALANÇO DO FUNDEF 1998 - 2000 333,3 305,6 1999 1999 MUNICÍPIO 2000 2000 ESTADO Figura 3 - Valor do Fundef na Bahia: Contribuição e Receita por Esfera Governamental Com os ganhos dos municípios em relação ao estado sendo cada vez maiores, o número de municípios perdedores na Bahia reduziu-se substancialmente nos primeiros três anos do Fundef, passando de 48 (cerca de 12% do total no estado) em 1998 para apenas oito em 2000. Estes oito, caracterizados por ter uma receita relativamente grande em relação ao número de alunos matriculados na sua rede de ensino fundamental, inclui o município de Salvador (por ter um índice de municipalização muito baixo) e alguns municípios ao seu redor, como Camaçari, Madre de Deus, São Francisco de Conde, que têm uma situação peculiar por serem beneficiados com uma receita oriunda da exploração do petróleo. 100% 48 13 8 80% 60% 367 407 407 40% 20% 0% 1998 1999 2000 ANOS FONTE: MEC - BALANÇO DO FUNDEF 1998 - 2000 PERDEM GANHAM Figura 4 - Número de Municípios Baianos que Ganharam ou Perderam Recursos com o Fundef Essas tendências na Bahia refletem a dinâmica das matriculas no ensino fundamental, dinâmica esta provocada, em grande parte, pelo próprio Fundo, conforme será discutido no capítulo seguinte. IMPACTOS DO FUNDEF - ANÁLISE QUANTITATIVA A avaliação sistemática de políticas públicas ou de projetos sociais na sociedade brasileira ainda é uma prática limitada. Observa-se que a realização de estudos nessa direção conta, em geral, com obstáculos de natureza teórica e empírica. Percebe-se, por um lado, que as metodologias de avaliação, desenvolvidas para o campo econômico, têm sido transportadas para a avaliação do campo social sem as necessárias adequações, com os problemas daí decorrentes; por outro lado, as dificuldades para a obtenção de dados, compondo séries estatísticas confiáveis, dificultam a realização de estudos que permitam verificar o alcance dos objetivos propostos na implementação de uma determinada política ou projeto social e de modo particular o seu impacto, expressando a efetividade social. No entanto, em que pese os limites acima mencionados, a análise de políticas públicas é de fundamental importância para o planejamento da ação governamental e para o controle da sociedade sobre o uso dos recursos públicos. Desse modo, analisar o impacto de uma determinada política pública ou programa social é buscar discuti- la em seus múltiplos aspectos, procurando avaliar o grau de alcance dos objetivos e metas propostos. Nessa perspectiva, avaliar o impacto do Fundef é, dentre outros aspectos, analisar sua repercussão em relação a pelo menos três dos seus objetivos: a eqüidade no gasto aluno do ensino fundamental, verificando se o valor mínimo a ser gasto por aluno é realmente executado, a ampliação da matrícula do ensino fundamental visando sua universalização e a valorização do magistério expressa através da melhoria do salário do professor e da sua qualificação. Essa análise em relação ao Estado da Bahia, nos aspectos assinalados, toma como unidades de investigação o próprio Estado, o município capital, Salvador, e os municípios de Vitória da Conquista, Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira, selecionados conforme os critérios explicitados no item Metodologia. Esses municípios representam cerca de 22,0% da população do Estado, tendo, com exceção de Governador Mangabeira, uma característica em comum, a forte urbanização: mais de 70% da população desses municípios é urbana, enquanto em Governador Mangabeira essa taxa é de apenas 38,9%. No ano de 2000, esses cinco municípios matricularam em suas redes 159.145 alunos no ensino fundamental, o que corresponde a cerca de 5,6% do total de matrículas efetuadas na rede de ensino pública, estadual e municipal. Do ponto de vista do PIB per capita, o município de Governador Mangabeira também se distingue dos demais municípios da amostra, sendo sua renda per capita cerca de três vezes menor que a do PIB per capita do Estado da Bahia e do município capital e cerca de metade da dos demais municípios. A Tabela 11 apresenta dados sobre a população, o PIB per capita e a classificação desses municípios em relação aos índices de desenvolvimento econômico e social (IDE e IDS) além de dados sobre o Estado da Bahia. Tabela 11 Produto Interno Bruto (PIB) e Índices de Desenvolvimento Econômico e Social (IDE e IDS) Estado da Bahia e Municípios - 1998 Estado Municípios População Pop.Urb. PIB Per (%) capita PIB Classif. IDE Classif. IDS Classif. Bahia Salvador V.Conquista Alagoinhas SSPassé Gov.Mangabeira 13.070.250 2.443.107 262.494 130.095 39.960 17.165 67,15 99,96 85,92 86,43 73,95 38,94 3.016,19 3.932,41 2.030,77 2.159,65 2.841,22 1.350,93 1° 20° 7° 36° 228° 1° 7° 15° 41° 351° 1° 4° 7° 57° 100° Fonte: IBGE; SEI/BA A distinta situação econômica desses municípios, expressando sua maior ou menor riqueza, pode ser melhor observada quando são analisados os dados relativos à receita própria que expressa a capacidade de arrecadação do município (IPTU, ISS e ITBI) e do Estado (IPVA, Imposto de Transmissão 'causa mortis', etc), recursos que embora não integrem a cesta do Fundef são importantes para sinalizar a capacidade de investimento dessas instâncias governamentais na manutenção e desenvolvimento do ensino . Essa situação pode ser observada na Tabela 12 que apresenta o percentual de participação da receita própria na receita total do Estado da Bahia e municípios estudados: Tabela 12 Percentual da Receita Própria/Receita Total Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Receita Própria / Receita Total (%) 1996 1997 1998 1999 2000 72,91 74,31 70,38 66,32 69,26 46,01 43,32 49,24 47,41 45,10 15,78 16,83 22,49 23,20 24,16 10,98 11,60 13,01 11,34 11,05 4,42 7,61 11,74 9,45 8,48 0,65 0,86 0,72 0,85 0,95 Fonte: TCE/BA;TCM/BA O primeiro ponto que se destaca na análise da Tabela 12, numa perspectiva histórica, diz respeito à variação da participação da receita própria na composição da receita total seja do Estado, seja dos municípios, expressando, talvez, o movimento da economia brasileira. O segundo ponto a destacar, é a situação do município capital em relação aos demais municípios, pois metade da sua receita total tem como origem a receita diretamente arrecadada. Os municípios de Vitória da Conquista e Alagoinhas, com mais de cem mil habitantes cada um, e 86,0% de população urbana, distinguem-se no que diz respeito à sua capacidade de arrecadação, observando-se a posição de Vitória da Conquista em que a receita própria, em 2000, representa cerca de 18,0% da receita total e Alagoinhas, 7,30%. Chama a atenção, a situação de pobreza do município de Governador Mangabeira que praticamente não tem receita própria, lembrando-se que esse município é predominantemente rural, na medida em que apenas 38,9% da sua população é urbana. Esses dados sugerem que o os municípios têm uma baixa capacidade de investimento na implementação de políticas governamentais, tornando-os então dependentes dos repasses do Estado e da União. Observe-se, no entanto, que a situação dos municípios estudados espelha uma situação nacional pois as transferências da União e do Estado representam para a grande parte dos municípios brasileiros mais do que 90% da receita pública. Nesse sentido, a implantação do Fundef, como um mecanismo de redistribuição financeira visando a eqüidade dentro de cada estado para a universalização do ensino fundamental público sinaliza a importância de ter-se políticas de financia mento estáveis para a educação, pois como mencionado anteriormente, os municípios brasileiros, em sua grande maioria, não poderão cumprir o preceito constitucional que lhes atribui a responsabilidade pela oferta do ensino fundamental, de modo a caber ao Es tado e à União uma ação supletiva para esse nível de ensino. Os dados coletados, nos municípios que integram o estudo de caso, evidenciam uma tendência do Estado da Bahia, quando abordado de forma global, em que os municípios recebem mais recursos do Fundef do que contribuem. Assim, à exceção do município capital e do próprio Estado, os casos estudados estão entre os que mais recebem do que contribuem para o Fundef, observando-se ainda que, dentre eles, o município de Vitória da Conquista é o mais beneficiado com os repasses do Fundef, se estabelece a razão entre o percentual de recebimento e o de contribuição. As tabelas 13, 14 e 15 apresentam esses dados em relação aos anos de 1998, 1999 e 2000, percebendo-se uma certa estabilidade nos percentuais relativos à contribuição para o Fundef e uma variação em relação aos percentuais referentes ao recebimento. Tabela 13 Percentual da Contribuição para o Fundef sobre os 25% Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Percentual Fundef (25%) 1998 57,79 27,36 41,26 52,10 51,88 59,04 1999 54,95 28,29 41,83 52,57 53,47 58,30 2000 56,35 29,33 23,89 50,89 50,45 58,38 Fonte: TCE/BA; TCM/BA Tabe la 14 Percentual do Recebimento do Fundef sobre os 25% Estado e Municípios Localização Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Fonte: TCE/BA; TCM/BA Percentual Recebimento Fundef / 25% 1998 1999 2000 43,55 35,90 31,49 14,31 22,47 22,56 103,72 134,07 112,07 102,58 110,26 89,12 153,62 167,52 158,82 96,30 165,41 139,82 Tabela 15 - Razão entre Recebimento e Contribuição para o Fundef Estado da Bahia e Municípios Localização Recebimento / Contribuição (%) 1998 1999 2000 Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira 75,35 52,34 251,37 196,90 296,09 163,12 65,33 79,53 320,48 209,73 313,33 283,77 55,88 77,14 469,15 175,14 314,79 239,50 Fonte: TCE/BA;TCM/BA. A situação de Vitória da Conquista deve ser melhor discutida pois o município tem o 20º PIB do Estado da Bahia, estando bem classificado em outros indicadores como o IDE e o IDS e razoável capacidade de arrecadação dos seus impostos pois nos últimos três anos cerca de 24,0% da receita total foi proveniente da receita diretamente arrecadada. Assim, a situação sócio-econômica desse município é bastante superior à do Município de Governador Mangabeira, por exemplo, que, no entanto tem uma razão contribuição/recebimento menor que a de Vitória da Conquista. As despesas com a educação também podem ser analisadas a partir das prestações de contas elaboradas ao final de cada exercício financeiro, quando as despesas realizadas são apresentadas por Função e Categoria Econômica, expressando as políticas e ações governamentais. Tabela 16 - Percentual da Despesa com Função Educação e Cultura Estado e Municípios Localização Estados e Municípios Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira % FEC 1996 1997 1998 1999 2000 14,63 11,10 27,11 32,29 35,87 33,31 17,27 8,18 30,35 26,25 32,44 34,24 25,58 6,26 29,04 24,91 28,84 33,46 15,84 5,56 30,91 27,09 33,82 38,27 21,46 5,74 24,72 28,61 43,09 44,63 Fonte: Secretarias -Estadual e Municipais A Tabela 16 registra a despesa realizada, em termos percentuais, com a Função Educação e Cultura, observando-se que apenas os municípios de São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira demonstram haver priorizado essa Função, em relação às demais Funções programáticas, ou seja, esses municípios investiram, respectivamente 43,09% e 44,63% dos seus recursos na Função Educação e Cultura, em 2000, num movimento ascendente, conforme indica a série histórica. Por outro lado, chama a atenção o percentual da despesa realizada, em 2000, com essa Função no município capital, 5,74%, abaixo do que se destinou às Funções Administração/Planejamento, Habitação e Urbanismo e Assistência/Previdência (Tabela A7 em anexo). Contudo, tais dados têm que ser analisados com as devidas reservas, considerando que não se teve acesso a informações que permitissem analisar o detalhamento dessas despesas, ou seja, compreender o sistema de apropriação de custos por Função. Para melhor entender essa questão, menciona-se que o município capital lança as despesas com o custeio da sua rede de ensino no que se refere aos itens limpeza, vigilância, transporte, manutenção de máquinas copiadoras, telefone, energia elétrica e outras despesas na Funç ão Administração/Planejamento, o que certamente reduz do ponto de vista formal o seu investimento na Função Educação e Cultura. Ainda com relação às despesas relativas à Função Educação e Cultura convém observar que o Estado da Bahia, e os municípios de Alagoinhas, São Sebastião do Passe e Governador Mangabeira vêm aumentando, em termos percentuais, progressivamente, sua despesa nesta Função, ao contrário do município capital e de Vitória da Conquista que apresentam uma variação tendendo a menor investimento na Função. Mais uma vez, chama-se a atenção sobre os cuidados que se deve ter na leitura desses dados, pois derivam de lançamentos contábeis cujo conteúdo não é de conhecimento da equipe de pesquisa. Uma dimensão de análise a ser explorada diz respeito às despesas realizadas por Categoria Econômica, ou seja, os percentuais destinados às despesas de “custeio” e “capital”, esclarecendo-se que a despesa de “custeio” integra a categoria “despesas correntes” e nela estão apropriadas as despesas com pessoal, consumo e serviços de terceiros e encargos. A Tabela 17 apresenta esses resultados, permitindo a comparação entre o realizado pelo Estado da Bahia, o município capital e demais municípios pesquisados. Tabela 17 Percentual de Despesas do Estado e Municípios por Categorias Econômicas Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Categoria Econômica Capital / Total Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio Salvador Capital / Total Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio V.da Conquista Capital / Total Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio Capital / Total Alagoinhas Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio SSPassé Capital / Total Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio G.Mangabeira Capital / Total Custeio / Total Pessoal Civil / Total Pessoal Civil / Custeio 1996 (%) 1997 (%) 1998 (%) 1999 (%) 2000 (%) 19,85 73,13 42,60 58,25 16,37 72,42 48,24 66,62 99,27 84,29 84,91 0,73 17,72 75,68 41,50 54,84 18,25 57,71 39,26 68,02 99,11 86,38 87,15 10,88 22,78 71,22 38,32 53,81 20,43 76,91 65,75 85,48 15,16 56,49 42,84 75,84 19,19 22,94 66,86 35,82 53,57 21,52 63,73 31,48 49,39 8,75 59,31 40,83 68,85 7,09 23,11 66,62 17,77 26,67 22,74 67,62 36,65 54,20 9,86 9,44 18,43 99,77 51,52 51,90 5,78 94,22 39,03 41,43 9,21 89,80 42,62 47,46 88,68 49,14 55,41 4,19 95,66 40,66 42,50 15,05 83,93 43,92 52,33 80,81 66,60 82,42 26,69 73,04 26,57 36,37 8,49 90,46 43,75 48,36 92,76 39,17 42,23 23,09 76,72 22,80 29,71 9,79 89,23 39,15 43,88 70,90 32,66 46,07 19,03 80,02 20,95 25,92 4,89 94,47 31,93 33,80 Fonte: TCE/BA;TCM/BA; Secretarias da Fazenda Assim, observa-se que o Estado da Bahia vem aumentando, em termos percentuais, sua despesa de Capital, que em 2000, representou 23,11% do total das despesas. A tendência observada no município capital e no município de Alagoinhas é de crescimento, acompanhando o movimento do estado. O município de São Sebastião do Passe tem elevações e quedas bruscas na sua despesa de Capital, pois em 1996, aplicava 5,78% da sua receita em despesas de Capital, em 1998, 26,69% e em 2000, 19,03%, oscilação talvez explicada pela realização de obras em determinados períodos. Quanto ao município de Governador Mangabeira, a tendência observada é de queda no investimento em despesas de Capital. Vitória da Conquista apresenta uma situação peculiar em relação aos municípios pesquisados, embora talvez represente a situação de muitos municípios brasileiros que empregam seus recursos basicamente nas despesas de custeio. Em 1996 e 1997, o orçamento desse município era consumido basicamente com o pagamento de pessoal e as despesas de outros custeios; em 1998 e 1999, o município reservou um percentual ainda modesto para despesas de Capital, observando-se que ele e Governador Mangabeira são os municípios que destinam os meno res percentuais do seu orçamento para aplicação em despesas de Capital. As despesas com o Custeio são importantes itens do planejamento orçamentário e fundamental para a implementação de políticas públicas, pois em alguns municípios, parcela significativa dos recursos são despendidos com o pagamento de pessoal, diminuindo as possibilidades de serem desenvolvidas ações governamentais que visem a implementação de novos projetos ou a manutenção adequada da infra-estrutura governamental. O Estado da Bahia gastou, em 2000, 26,6% do seu orçamento de Custeio com a despesa de Pessoal, o que corresponde a 17,7% da sua despesa total. Registre-se que a sua despesa com Pessoal vem decrescendo ano a ano, pois em 1996, o Estado da Bahia gastava 58,2% do orçamento de Custeio para pagar Pessoal, absorvendo então 42,6% do orçamento total com a folha de pagamento de Pessoal. No entanto, embora venha diminuindo sua despesa de Pessoal, o Estado não vem aumentando o percentual alocado para as despesas de Custeio, pelo contrário, observa-se uma tendência de queda de 73,1% em 1996 para 66,6% em 2000. Os dados levantados sugerem que parte da economia realizada com Pessoal e outros custeios pode ter sido transferida para as despesas de Capital, que vêm crescendo, e para outras despesas correntes, como as transferências intergovernamentais. O município capital absorvia em 1996 2/3 do seu orçamento de custeio com as despesas de Pessoal, chegando a 85,4%, em 1998. A partir de 1999, há um aparente “enxugamento” na folha de pagamento, pois, em 2000, as despesas com Pessoal passam a representar 54,2% das despesas de Custeio, 36,6% do orçamento total. O município de Vitória da Conquista conforme comentado anteriormente destinava quase a totalidade dos seus recursos para as despesas de Custeio, despendendo nos anos de 1996 e 1997 mais de 80,0% do orçamento de Custeio com o pagamento de Pessoal, situação que começa a ser modificada a partir de 1998, quando as despesas com Pessoal caem para cerca de 40,0% do orçamento total e 68,8% do orçamento de Custeio, entendendo-se haver aí um esforço para adequar as despesas do município à Lei de Responsabilidade Fiscal. O município de Alagoinhas tem um perfil de despesa semelhante ao de Vitória da Conquista, qual seja, quase a totalidade do orçamento do município comprometido com as despesas de Custeio, sendo que a despesas com Pessoal absorviam em 1996, 51,9% dos recursos de Custeio caindo para 46,0%, em 2000. O município de São Sebastião do Passé tem um perfil diferenciado em relação aos municípios já comentados, pois a sua despesa de Pessoal é comparativamente menor. Em 1996, esse município aplicava 41,43% dos recursos de Custeio com o pagamento de Pessoal, percentual diminuído a cada ano, chegando a 25,92%. Assim, a despesa com Pessoal em relação ao orçamento total do município tem o menor percentual de comprometimento dos recursos orçamentários, equivalendo em 2000 a 20,95% dos recursos gastos. O município de Governador Mangabeira destina cerca de 90,0% dos seus recursos orçamentários para despesas de Custeio. O perfil da despesa realizada aproxima-se ao de São Sebastião do Passé pois a despesa com Pessoal tanto em relação às despesas de Custeio, quanto a sua participação nas despesas totais vêm diminuindo. Em 2000, o município aplicou 33,0% do orçamento de Custeio para pagar Pessoal, o que significou 31,93% do total de recursos gastos no ano. Os dados acima apresentados referem-se às despesas do estado e dos municípios, em seu conjunto. Cabe buscar entender a aplicação dos recursos em educação através do exame das despesas efetuadas através das Secretarias de Educação, pois elas revelam os gastos com essa atividade. Esses dados podem ser apreciados na Tabela A1, em anexo. Apenas o município de São Sebastião do Passé forneceu dados que permitem estudar a aplicação dos recursos em educação, através da execução orçamentária da Secretaria Municipal de Educação. O município capital forneceu dados parciais que limitam a análise. No entanto, a análise dos poucos dados obtidos podem sugerir algumas comparações entre a despesa total e a despesa com uma unidade específica, a do órgão responsável pela gestão da educação. O orçamento administrado pela Secretaria de Educação de São Sebastião do Passé aloca mais de 90,0% dos recursos para despesas de Custeio, sendo que mais de 60,0% dos recursos destinam-se para pagamento de Pessoal. Desses recursos, em 2000, 80,2% foram empregados para o pagamento do Pessoal Docente, observando-se que em anos anteriores a despesa com o pagamento dos docentes absorvia entre 94,8% até 100,0% dos recursos disponíveis. Como a relação entre a despesa com Pessoal / Custeio é alta, em 2000, 65,9% dos recursos de Custeio tinham esta finalidade, a Secretaria Municipal investe pouco em despesas de Capital e na Formação e Capacitação Docente, um dos objetivos do Fundef, no sentido de valorização do magistério e melhoria da qualidade do ensino. Com relação ao município de Salvador, as informações são mais limitadas. Os registros indicam que as despesas de capital, em 2000, representaram 4,9% do orçamento total destinado à Secretaria Municipal de Educação e Cultura e as despesas com pessoal chegaram a 62,8%, não sendo obtidos dados sobre o percentual da despesa de pessoal destinado ao pagamento do pessoal docente. (Tabela A 1, em anexo). Aprofundando a análise sobre os gastos com a Educação pode-se examinar a execução orçamentária em relação aos valores planejados, o MDE Formal e o efetivamente realizado, o MDE Real, ou seja, o estado e os municípios ao proporem seus orçamentos devem prever a aplicação de recursos para a educação em função das vinculações legais. A Tabela 18 apresenta os valores previstos para a “Manutenção e o Desenvolvimento do Ensino” e aqueles realmente executados. Tabela 18 - MDE Formal x MDE Real - Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia MDE 1996 R$ (IGP-DI) 1997 R$ (IGP-DI) MDE -F 902.304.494,72 1.006.298.278,99 MDE -R 1.693.520.205,10 2.589.536.233,15 Salvador MDE -F 112.758.124,20 121.563.777,69 MDE -R 60.554.418,83 52.220.109,69 V.Conquista MDE -F 7.719.054,47 7.610.743,86 MDE -R 18.365.231,94 17.297.135,04 Alagoinhas MDE -F 2.950.904,50 3.224.676,23 MDE -R 3.763.103,99 4.270.418,11 SSPassé MDE -F 1.203.946,83 1.286.688,65 MDE -R 1.768.899,69 1.824.487,35 Mangabeira MDE -F 603.409,46 735.894,57 MDE -R 978.638,23 1.095.636,57 Fonte: TCE/BA;TCM/BA; Secretarias da Fazenda. 1998 R$ (IGP-DI) 890.116.456,72 3.257.466.459,70 115.239.466,37 42.928.344,69 11.769.028,33 24.506.746,96 5.020.060,73 4.502.588,88 3.008.609,56 3.307.126,87 1.154.994,73 1.292.882,90 1999 R$ (IGP-DI) 951.195.783,50 2.670.259.616,50 120.052.765,51 37.549.052,03 15.563.332,73 23.139.240,61 5.162.704,17 4.984.664,32 3.155.417,70 4.016.510,04 1.700.956,95 1.738.150,21 2000 R$ (IGP-DI) 921.671.843,26 1.997.356.957,63 120.000.182,67 36.696.077,44 17.205.031,08 25.442.566,73 5.326.238,55 6.584.055,63 2.994.885,98 4.073.595,57 1.475.809,80 2.694.801,66 Esses dados indicam duas situações: a primeira, em que o MDE Formal é maior que o MDE Real, indicando que os recursos orçados não foram totalmente aplicados, ou seja, a despesa foi menor que a receita, situação do município de Salvador, ao longo da série pesquisada, e dos municípios de Alagoinhas e Governador Mangabeira em alguns dos anos examinados. Na segunda situação, o MDE Formal é igual ou menor que o MDE Real, significando que a receita e a despesa ficaram equilibradas ou que foram investidos mais recursos além daqueles devidos pela obrigação constitucional. Nessa segunda situação encontram-se os municípios de Vitória da Conquista, São Sebastião do Passé e o próprio Estado da Bahia. Dirigindo o foco de análise para as despesas relativas ao ensino fundamental em relação às receitas provenientes do Fundef, Tabela 19, vê-se que todos os casos investigados complementaram seus orçamentos destinados a esse nível de ensino incorporando recursos provenientes de outras fontes. Tabela 19 Percentual de Despesas EF/ Receitas Fundef Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Despesas EF/Receitas Fundef 1998 (%) 1999 (%) 2000 (%) 155,40 284,20 178,45 131,56 130,18 159,56 134,30 126,48 163,54 184,77 165,27 169,29 133,70 122,24 141,00 138,08 151,40 127,95 Fonte: TCE/BA; TCM/BA; MEC/INEP Implantado em 1998, o Fundef deveria garantir que a despesa por aluno do ensino fundamental fosse de no mínimo R$315,00. A Tabela 20 apresenta a despesa formal por aluno no período 1998 / 2000, observando-se que em 1998, os municípios de Vitória da Conquista e Governador Mangabeira não chegaram a atingir o mínimo de R$315,00, valor que corrigido pelo IGP-DI equivale a R$349,26, situação superada nos anos seguintes, lembrando-se que a base de dados utilizada para a distribuição dos recursos é a matricula no ensino fundamental, conforme registrada no censo escolar do ano anterior ao da distribuição. Tabela 20 Despesa Formal por Aluno por EF - Recursos do Fundef Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Recursos do Fundef por Aluno do EF R$ (IGP-DI) R$ (IGP-DI) R$ (IGP-DI) 1998 1999 2000 557,05 572,59 559,89 874,40 849,68 832,20 298,55 390,06 398,33 397,25 389,57 387,86 363,41 370,58 378,02 242,17 408,02 379,93 Fonte: TCE/BA;TCM/BA;MEC/INEP;SEC/BA A avaliação do impacto do Fundef pode ser apreciada se comparados esses dados com a despesa por aluno em 1996 e 1997, quando o ensino fundamental não contava com esse aporte de recursos. A Tabela 21 ind ica que os municípios de Vitória da Conquista, Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira gastavam por aluno entre R$136,32 e R$193,05, muito abaixo do valor posteriormente fixado como mínimo desejável. Nesse sentido, os dados demonstram que o Fundef cumpre uma função verdadeiramente eficaz no sentido de aumentar o gasto por alunos no ensino fundamental. Tabela 21 - Despesa Formal por Aluno do EF - Sem Fundef Estado da Bahia e Municípios Localização Receita Sem Fundef por Aluno do EF R$ (IGP-DI) R$ (IGP-DI) R$ (IGP-DI) 1996 1997 1998 Bahia 413,54 448,18 485,30 Salvador 1.199,78 1.291,80 906,01 Vitória da Conquista 193,05 195,84 129,94 Alagoinhas 178,81 189,71 181,50 SSPassé 136,32 113,07 119,48 G. Mangabeira 137,61 182,83 120,21 R$ (IGP-DI) R$ (IGP-DI) 1999 2000 554,94 778,10 138,50 168,50 113,77 128,55 582,10 768,03 151,51 196,23 120,29 138,33 Fonte: TCE/BA;TCM/BA;MEC/INEP;SEC/BA Deve-se observar que embora o estado e o município capital contribuam mais para o Fundef do que recebem (dados das Tabelas 13 e 14), o ensino fundamental por eles mantido não é prejudicado pois, com o Fundef, 100,0% do que lhes é repassado tem de ser necessariamente aplicado nesse nível de ensino, enquanto que se não houvesse o Fundo, apenas 60% dos recursos teriam que ser aplicados no EF. Essa situação fica clara quando os dados das Tabelas 20 e 21são comparados. Dados do MEC (2000) sugerem que a implantação do Fundef provocou em todas as regiões do Brasil uma forte tendência em favor da universalização e da municipalização do ensino. O mesmo aconteceu, de forma acentuada, no contexto baiano. Como demonstrado na Tabela 22, a matrícula inicial do ensino fundamental na Bahia cresceu 28,6% entre 1996 e 2000, com um aumento para as redes municipais de nada menos de que 71.4% . Enquanto isso, as matrículas do sistema estadual decresceram 3,4%, um percentual negativo que teria sido muito maior se o estado, numa tentativa de assegurar para seus cofres uma fatia maior do Fundo, não tivesse reclassificado alunos da educação de jovens e adultos (EJA) como sendo do ensino regular, através do artifício de classes de aceleração. Sendo que as matrículas das escolas particulares também foram reduzidas (-28.0%), os municípios baianos, que se responsabilizavam por 45% do total de matrículas do ensino fundamental em 1996, passaram a absorver 61% das matrículas registradas em 2000. Se considerar apenas o primeiro segmento do ensino fundamental, em que os municípios concentram seu esforço, o percentual de matriculas municipalizadas atingiu 73,5% em 2000, comparado com 54,7% em 1996. Tomando como base os municípios estudados, observa-se que, no ano 2000, o município capital tem sob sua responsabilidade apenas 21,5% das matrículas públicas desse nível de ensino, enquanto Vitória da Conquista é responsável por 58,0%, Alagoinhas, 35,7%, São Sebastião do Passé, 64,6% e Governador Mangabeira, 59,7% das matrículas do ensino fundamental público. Tabela 22 Matrícula inicial do ensino fundamental por dependência administrativa Bahia - 1996-1999 Rede Municipal Estadual Particular Total Fonte : Bahia 1996 1.318.206 1.309.135 260.559 2.887.940 (2002) 1997 1.477.557 1.347.163 254.081 3.076.801 1998 2.054.020 1.283.338 216.088 3.553.446 1999 2.209.254 1.291.261 202.022 3.702.727 2000 2.259.825 1.264.337 187.817 3.712.623 Fica evidente que, na Bahia, o Fundef, em conjunto com outras políticas públicas complementares, provocou tanto a redistribuição de matrículas entre as diferentes redes como também um ganho real em prol da democratização do ensino. De fato, entre 1996 e 2000, a taxa de atendimento referente a crianças de 7 a 14 anos subiu de forma significativa, passando de 87,1% para 96,5% (Ba hia, 2002). Entretanto, os dados sugerem que o processo de municipalização no Estado da Bahia é ainda limitado, pois a rede estadual ainda agrega 36% das matriculas do rede pública do ensino fundamental. Na Tabela 23 são apresentados dados sobre o crescimento da matrícula no EF, considerando o estado e municípios estudados, e, em anexo (Tabela A 5 ), dados sobre a matrícula da Educação Básica, por rede, em números absolutos e percentuais da municipalização nos anos 1996 e 2000. Na figura 15 são apresentados os dados da municipalização do ensino fundamental nos casos estudados. Tabela 23 Crescimento da Matrícula no Ensino Fundamental em % Estado da Bahia e Municípios Localização Estado da Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas SS Passé G.Mangabeira Rede Rede Municipal Rede Estadual Total Rede Municipal Rede Estadual Total Rede Municipal Rede Estadual Total Rede Municipal Rede Estadual Total Rede Municipal Rede Estadual Total Rede Municipal Rede Estadual Total 1996-1998 55,82 -2,01 27,02 55,62 19,49 25,12 39,44 15,51 27,89 11,37 0,28 0,56 41,33 -10,92 17,15 59,64 -0,76 26,99 1998-2000 10,02 -1,51 0,56 14,48 0,5 0,32 8,23 3,02 0,6 0,68 -0,1 0,19 -0,45 -0,89 -0,6 -19,04 0,13 -10,86 1996-2000 71,43 -3,54 34,13 78,16 20,09 29,13 50,92 19,01 35,52 18,98 0,22 0,76 35,29 -20,83 10,47 34,09 -0,62 14,55 Fonte: MEC/INEP;SEC/BA 70 60 50 40 30 20 10 0 Estado da Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas S.S.Passé Gov. Mangabeira Figura 5 - Percentual de Municipalização do EF nos casos estudados 1996 2000 Essa redistribuição de encargos, implicando no redirecionamento da alocação de recursos, pode ser também examinada na Tabela 24 e na tabela A7, em anexo, que apresentam dados sobre a despesa relativa ao Programa Ensino Fundamental. Tabela 24 Despesa por Programa - Percentual do Ensino Fundame ntal Estado da Bahia e Municípios Localização Programa 1996(%) 1997(%) 1998(%) 1999(%) 2000(%) Estado da Bahia Salvador * Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Gov. Mangabeira EF EF EF/ES EF EF EF 19,96 98,88 53,17 100,00 81,23 SI 15,34 94,74 52,29 100,00 87,81 SI 21,56 100,00 49,57 100,00 83,28 SI 21,12 93,23 54,81 100,00 86,95 SI 25,97 100,00 57,79 94,62 88,00 69,49 Fonte: Secretarias da Fazenda Salvador: os valores de despesa por programa estão agregados: EI e EF. Os dados da Tabela 24 demonstram que os municípios vêm aplicando de forma crescente seus recursos em despesas com o EF, sua responsabilidade maior, observando-se que mesmo o estado em que pese o processo de municipalização, com a conseqüente transferência de responsabilidades, vem aumentando a participação percentual das despesas com o ensino fundamental, que em 2000 absorveu cerca de um quarto das despesas. Pode-se ainda analisar as despesas por Função, com base nos dados apresentados na Tabela A7(em anexo) que revelam que no orçamento do Estado da Bahia “Administração e Planejamento” é a Função que consome o maior percentual de recursos alocados para a Educação, mesmo que a despesa esteja decrescendo ano a ano. O segundo Programa beneficiado é o relativo ao ensino fundamental que continua absorvendo parcela substancial de recursos (quase 26,0% em 2000) o que reflete o limitado grau de municipalização do ensino fundamental na Bahia. Quanto ao ensino médio, as estatísticas oficiais mostram que a matrícula nesse nível de ensino vem crescendo, no Brasil e na Bahia. Em relação ao estado como um todo, este aumento foi de 83,9% entre 1996 e 2000, sendo que para a rede estadual, que responde pela oferta de cerca de 80% dessas matriculas, o aumento no referido período foi de 117%. No entanto, os recursos aplicados no ensino médio da rede estadual não têm acompanhado seu incremento. A Figura 6 permite visualizar a relação entre a matrícula e despesa por aluno da rede estadual no EM, mostrando o descompasso entre o crescimento do alunado e a diminuição do investimento com esse nível de ensino. Figura 6 Matrícula e despesa por aluno da rede estadual no EM No que diz respeito ao município capital os dados coletados revelam certa inconsistência quando comparados entre si. Por exemplo, nos anos de 1996 e 1997, quase o total de recursos estava alocado em Administração (97,46%), em 1998, 100,00% dos recursos estavam alocados em dois Programas, Educação Infantil e Ensino Fundamental e em 1999 e 2000, mais de 90,0% dos recursos foram destinados ao Ensino Fundamental. Não foram obtidas explicações satisfatórias dos órgãos responsáveis pelas informações. Nos municípios de Vitória da Conquista, Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira o ensino fundamental é o Programa que concentra maior percentual de recursos, em alguns casos, recebendo quase a totalidade deles. No entanto, sabe-se que outras despesas são realizadas para manter o aparato administrativo das Secretarias e outros Programas na área de educação. Assim, alocar a totalidade ou quase totalidade dos recursos em um único Programa impede uma análise correta da execução orçamentária em educação, de modo a compreender, através dos dados financeiros, as prioridades da gestão governamental. Focalizando a despesa por aluno, os dados coletados devem ser examinados com cautela, pois as lacunas evidenciadas na Tabela 25 sugerem que as despesas com um determinado nível de ensino foram lançadas entre as despesas do Ensino Fundamental. Tabela 25 Despesa Total por Aluno, Segundo os Níveis da Educação Básica Estado da Bahia e Municípios Localização Níveis E.Básica 1996 1997 (IGP- 1998 (IGP- 1999 (IGP- 2000 (IGP(IGP-DI) DI) R$ DI) R$ DI) R$ DI) R$ R$ Estado da Bahia E.Infantil SI SI SI SI SI E.Fundamental 258,24 294,88 547,34 436,73 410,30 E.Médio 535,32 725,83 802,40 496,65 377,73 Salvador E. Infantil SI SI 5.678,01 SI 26,16 E.Fundamental 15,43 35,43 209,46 356,27 364,21 E.Médio NO NO NO NO NO Vitória da Conquista E.Infantil 0,00 0,18 31,30 30,95 43,79 E.Fund/E.Esp 458,21 441,69 400.83 436,37 462,83 E.Médio NO NO NO NO NO Alagoinhas E.Infantil SI SI SI SI 17,42 E.Fundamental 380,03 418,71 408,24 427,57 538,57 E.Médio SI SI SI SI NO São Sebastião do E.Infantil 0,64 2,89 130,90 138,78 147,17 Passé E.Fundamental 333,71 264,94 395,08 480,94 526,26 E.Médio SI SI 6,86 0,25 0,00 G.Mangabeira E.Infantil SI SI SI SI 30,23 E.Fundamental 371,96 453,68 307,83 453,47 545,73 E.Médio SI SI SI SI 20,94 Fonte: TCE/BA;TCM/BA; Sefaz; MEC/INEP;SEC/BA SI - Sem Informação;NO - Não Oferece Analisando-se esses dados, vê-se que após a implantação do Fundef a despesa total por aluno do ensino fundamental, mantido pelo Estado da Bahia, ficou acima dos R$315,00 ou seja de R$349,26 - IGP-DI, definidos como gasto mínimo por aluno. A situação do município capital é de difícil avaliação considerando a ausência de muitas informações e a aparente inconsistência das coletadas. Os demais municípios pesquisados demonstram vir, a partir de 1998, aumentando seus gastos com o ensino fundamental. Um outro item pode ser utilizado para a análise do Fundef, sob o aspecto da execução orçamentária, o da relação alunos e despesas por nível de ensino, conforme pode ser observado através dos dados da Tabela 26. Tabela 26 Percentual de Alunos e de Despesas por Níveis da Educação Básica Bahia e Municípios Localização Níveis EB Alunos / Desp. Bahia da Bahia EI Alunos Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas Salvador EI EI Alunos Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas Conquista EI Alunos Conquista Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas Alagoinhas EI Alunos Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas SSPassé EI Alunos Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas G. Mangabeira EI Alunos Despesas EF Alunos Despesas EM Alunos Despesas Fonte: Sefaz; MEC/INEP;SEC/BA SI - Sem Informação 1996 (%) 9,03 SI 78,40 75,07 12,57 24,93 15,98 0,00 84,02 100,00 NO NO 34,85 1997 (%) 6,33 SI 79,14 68,86 14,53 31,14 12,38 0,00 87,62 100,00 NO NO 31,70 1998 (%) 0,97 SI 79,92 74,06 19,10 25,94 4,69 57,18 95,31 42,82 NO NO 4,18 1999 (%) 0,61 SI 76,84 74,98 27,06 25,02 3,50 0,00 96,50 100,00 NO NO 7,50 2000 (%) 0,66 SI 73,06 77,52 26,28 22,48 3,88 0,29 96,12 99,71 NO NO 4,01 SI 0,02 0,48 0,55 0,97 64,91 68,06 95,48 92,43 95,92 100,00 99,98 99,51 99,45 99,03 NO NO NO NO NO NO NO NO NO NO 25,09 14,71 9,25 16,60 18,90 SI SI SI SI 0,75 74,91 85,29 90.75 83,40 81,10 SI SI SI SI 79,04 NO NO NO NO NO NO NO NO NO NO 12,28 12,39 9,23 6,92 8,19 0,03 0,18 3,54 2,25 2,56 76,03 75,63 82,58 86,75 87,22 99,97 99,82 96,31 97,75 97,44 11,59 11,98 8,19 6,33 4,59 0,00 0,00 0,15 0,00 0,00 26,55 23,53 13,89 16,63 21,62 SI SI SI SI 1,96 62,60 61,25 73,12 67,90 59,02 100,00 100,00 100,00 100,00 96,82 10,85 15,22 12,99 15,45 19,36 SI SI SI SI 1,22 NO - Não oferece esse nível de EB O Estado da Bahia a partir da implementação do Fundef, em 1998, vem praticamente extinguindo sua participação na oferta da "educação infantil", observando-se que em 2000 sua presença, em termos de aplicação de recursos financeiros, nesse nível da educação é residual, pois destinou apenas 0,66% dos recursos para a educação infantil. Aliás, a posição do Estado atende ao que dispõe a legislação, pois cabe aos municípios responsabilizar-se pela educação infantil. Observe-se que não se conseguiu coletar dados sobre a "despesa total por aluno", objeto da Tabela 24, muito embora os dados da Tabela 25 indiquem que despesas foram realizadas nesse nível de educação. Observa-se também que o Estado vem diminuindo a sua oferta relativa do ensino fundamental, de 79,92%, em 1998 para 73,06% em 2000 e aumentando de forma sua oferta de ensino médio. Assim, a participação percentual do ensino médio na oferta do Estado vem progressivamente aumentando, passando de 12,57%, em 1998, para 26,28% em 2000, embora os recursos aplicados não tenham crescido na mesma proporção, tendo mesmo decrescido nos anos pós- implantação do Fundef, conforme já comentado. O município capital mantém em sua rede, alunos da educação infantil e do ensino fundamental; no entanto, é para o ensino fundamental que se voltam os esforços do município, pois aí está o maior percentual de alunos (em 2000, 96,12% dos alunos) e das despesas (em 2000, 99,71%). A situação em relação à educação infantil, no município de Salvador, é crítica na medida em que nem o município capital, nem o estado aplicam recursos para atender à demanda dessa faixa da população a menos que os dados não representem a realidade. O município de Vitória da Conquista tem um perfil próximo ao do município capital, pois a participação percentual do alunado da educação infantil vem caindo enquanto é ascendente o alunado do ensino fundamental. Em termos percentuais, cerca de 99,0% das despesas estão concentradas no ensino fundamental. Os dados com relação aos municípios de Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira indicam que, em 1998, se comparado ao ano anterior, caiu, em termos relativos, o alunado da educação infantil, mas no ano seguinte o percentual de alunos na educação infantil cresceu, mantendo-se a tendência em 1999 e 2000. Com relação às despesas por nível da educação, o ensino fundamental é o que concentra o maior percentual da despesa. O município de São Sebastião do Passé e o de Governador Mangabeira são os únicos que oferecem ensino médio sendo que em São Sebastião do Passé o ensino de nível médio (Curso de Magistério) não lhe onera, pois as despesas com pessoal são cobertas pelo Estado da Bahia. A Figura 7, construída a partir de dados levantados no Tribunal de Contas do Estado da Bahia, os dados relativos á despesa, e na Secretaria Estadual de Educação, os relativos á matrícula, para ilustrar estudo sobre o financiamento da educação na Ba hia (Verhine, 2000) possibilita que se evidencie a relação matrícula e despesa por aluno da rede municipal do EF baiano, lembrando-se que esses dados não dizem respeito aos casos estudados . A Figura 8 permite visualizar a mesma relação a respeito da rede estadual do ensino fundamental. Comparando as duas Figuras, observa-se que, a partir da implantação do Fundef, as despesas por aluno tendem a aumentar nos municípios baianos enquanto o a rede estadual registra uma situação inversa. Figura 7 - Matrícula e Despesa por Aluno da Rede Municipal do EF Figura 8 - Matrícula e Despesa por aluno da Rede Estadual do EF Outros aspectos quantitativos, mas com forte impacto na qualidade do ensino, podem ser apreciados tais como a relação aluno/turma, aluno/professor, rendimento e movimentação do aluno, a formação e a remuneração do docente, observando-se a situação antes e depois da implantação do Fundef. Embora não se disponha de estudos conclusivos sobre uma possível relação entre o tamanho das turmas, a organização das classe (seriadas ou multisseriadas) e o rendimento do aluno pode-se tomar como hipótese de trabalho que turmas menores favorecem o trabalho pedagógico e melhoram o rendimento escolar. A Tabela 27 apresenta dados sobre a relação aluno/turma nos casos estudados. Tabela 27 - Alunos do Ensino Fundamental por Rede e Turma Estado da Bahia e Municípios Localização Redes Bahia Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Salvador Conquista Alagoinhas SSPassé G Mangabeira Alunos por Turma 1996 1997 31 32 42 43 34 36 31 32 35 36 30 29 30 30 27 27 33 35 30 30 34 35 29 26 1998 34 41 37 33 37 28 30 28 36 32 33 30 1999 34 41 36 33 38 29 29 28 38 31 36 29 2000 33 39 34 32 36 30 29 27 31 29 33 28 Fonte: MEC/INEP; SEC/BA O número de alunos por turma nas redes municipais, com exceção do município de Vitória da Conquista, sofreu pequena variação para mais em 1998, possivelmente conseqüência do impacto do Fundef, uma vez que o recebimento dos recursos financeiros está diretamente associado ao número de matrículas no ensino fundamental. Nota-se que a média por aluno nos municípios estudados é menor que a média da rede estadual de cada um desses municípios, embora os dados referentes à media de alunos por turma, se tomado o Estado da Bahia como um todo, revelem que a rede municipal tem mais alunos por turma que a rede estadual. Pode-se examinar também o número de alunos por professor, antes e depois da implantação do Fundef. Os casos estudados revelam haver em alguns deles uma variação no número de alunos por professor, se se compara o ano de 1998 ao de 1996, expressando possivelmente o crescimento da matrícula no Ensino Fundamental a cargo do município. Entretanto, como os dados obtidos não puderem ser desagregados, ou seja, a matrícula do ensino fundamental desdobrada em dois grupos, alunos de 1ª a 4ª série e de 5ª a 8ª série, e número de professores para cada um desses grupos, qualquer análise com esses números deve ser tomada com reservas. A Tabela 28 apresenta a distribuição por município e dependência administrativa, além do Estado da Bahia, do número de alunos por professor. Tabela 28 Alunos do EF por Rede e Professor Estado da Bahia e Municípios Localização Estado da Bahia Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé Governador Mangabeira Fonte: MEC/INEP; SEC/BA Redes Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal 1996 56 33 32 31 28 31 26 29 36 27 45 26 1998 81 38 40 38 32 28 31 35 54 31 32 26 1999 87 39 38 40 34 36 29 31 42 30 38 24 2000 90 38 35 35 32 36 29 32 34 28 41 24 1997 - SI Uma das variáveis a considerar na avaliação do Fundef, em seus aspectos quantitativos, é a que se refere ao "rendimento e movimento dos alunos". Os dados da Tabela 29 indicam em termos percentuais a situação do aluno do ensino fundamental em relação a aprovação, reprovação e ao abandono, no período 96 / 2000. A comparação entre os dados relativos aos anos de 1998 e 2000 sugere que o Fundef não teve um impacto positivo sobre a aprovação pois os índices não variaram ou variaram de forma negativa, assim como o abandono da escola que em alguns municípios revelou uma tendência de crescimento. A baixa performance do sistema escolar pode estar associada à falta de investimento na capacitação de professores, um dos itens de despesa coberto pelo Fundef, que nos casos estudados pouco foi objeto de investimento, conforme apontado na Tabela A1(em anexo) ou à própria formação docente, observando-se, nos casos estudados, que a qualificação docente, indicada nas Tabelas A2 e A3(em anexo) não contribuiu para a melhoria do desempenho do aluno. Tabela 29 Rendimento e Movimento dos Alunos do EF - Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Rendimento / Abandono Aprovação Reprovação Abandono Salvador Aprovação Reprovação Abandono V. Conquista Aprovação Reprovação Abandono Alagoinhas Aprovação Reprovação Abandono SSPassé Aprovação Reprovação Abandono G.Mangabeira Aprovação Reprovação Abandono Redes 1996 (%) 1997 (%) 1998 (%) 1999 (%) 2000 (%) Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal Rede Estadual Rede Municipal 67,94 63,44 17,07 19,99 14,99 16,57 65,18 74,88 21,96 12,07 12,86 13,05 68,88 73,94 14,80 12,96 16,32 13,10 57,54 54,73 16,48 26,38 16,04 17,87 66,45 67,92 14,87 21,15 18,68 10,93 69,40 59,74 18,77 23,75 11,83 16,51 74,25 69,76 10,45 14,00 15,30 16,24 74,07 68,34 11,97 11,44 13,96 20,22 74,58 73,38 8,21 9,43 17,21 17,19 69,83 67,36 9,98 21,85 16,21 16,00 69,57 69,92 9,73 13,23 20,68 16,86 78,24 82,05 12,73 9,80 9,03 8,15 65,86 66,62 15,72 16,51 18,42 16,87 62,40 68,47 18,38 13,46 19,22 18,07 69,06 61,23 11,89 21,67 19,05 17,10 55,69 63,85 16,72 15,64 20,48 13,47 64,31 68,58 14,65 19,97 21,04 11,45 74,91 71,17 13,64 14,83 11,45 14,00 71,36 67,45 13,61 16,56 15,03 15,99 72,85 71,25 14,64 13,46 12,51 15,29 72,65 69,21 11,49 17,08 15,86 13,71 65,61 63,83 11,70 19,07 18,61 16,91 71,82 72,43 9,51 15,07 18,67 12,50 73,52 68,16 13,04 16,86 13,44 14,98 71,00 69,07 13,41 15,91 15,59 15,02 68,50 62,97 15,39 18,63 16,11 18,40 72,83 66,37 11,72 19,28 15,45 14,35 68,47 75,18 12,49 10,95 14,20 5,47 74,26 68,12 7,88 18,81 17,86 13,05 78,49 71,50 12,25 17,21 9,26 11,29 Fonte: MEC/INEP;SEC/BA As análises produzidas, ao longo dos tempos, sobre a formação do professor do ensino fundamental têm chamado a atenção para a existência, nesse nível de ensino, do chamado professor leigo, aquele que não concluiu pelo menos o ensino médio/magistério para atuar nas classes de 1ª a 4ª série e a licenciatura para as classes de 5ª a 8ª série. Os dados relativos aos casos estudados indicam a presença do professor leigo principalmente nas escolas das zonas rurais embora se perceba um crescimento do percentual de professores com escolaridade de ensino médio ou superior atuando no ensino fundamental. No entanto, a qualificação docente deve ser relacionada com as etapas do ensino fundamental, de modo a permitir que se verifique a adequação da formação docente a cada uma dessas etapas. A Tabela A 2 (em anexo) apresenta dados sobre a formação docente por nível de ensino e grau de formação e a Tabela A3 (também em anexo) a distribuição docente por segmento do EF, considerando sua formação. Considerando os dados das tabelas mencionadas, o município capital é o que tem o corpo docente que melhor atende aos requisitos legais ou seja não tem professores leigos nas classes de 1ª a 4ª série nem nas de 5ª a 8ª série, seguindo-se o de Vitória da Conquista. No outro extremo, encontram-se os municípios de Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira que ainda têm no seu quadro de pessoal docente um percentual significativo de professores sem a formação legalmente exigida para nível de ensino ao qual está vinculado. Deve-se chamar a atenção para os dados relativos ao Estado da Bahia que ainda tem um percentual de docentes ensinando em classes de 5ª a 8ª série apenas com o curso de magistério. Também é importante apresentar o percentual de licenciados que atuam no ensino fundamental. O que se pode observar na Tabela 30 é que esse percentual vem crescendo lentamente, destacando-se Alagoinhas e Governador Mangabeira como os municípios com o mais baixo percentual de professores licenciados atuando nas oito séries do EF. Tabela 30 Percentual de Docentes Segundo a Habilitação Plena - Licenciatura Estado da Bahia e Municípios Localização Zona 1998 (%) 1999 (%) 2000 (%) Estado da Bahia Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Rural Urbana Salvador Vitória da Conquista Alagoinhas São Sebastião do Passé G. Mangabeira Fonte: MEC/INEP;SEC/BA. 2,01 24,77 2,72 27,53 7,03 11,43 0,90 2,39 0,41 4,16 0,00 2,44 2,68 29,44 0,00 30,88 20,98 15,92 1,33 4,24 4,74 10,27 0,00 0,00 1997 - Sem Informação 2,73 43,07 0,00 38,25 21,33 18,18 0,82 4,84 1,97 7,90 3,42 0,00 Dentre as justificativas para a criação do Fundef, uma das mais relevantes, segundo os argumentos que orientaram a elaboração desse projeto, era a possibilidade de utilização de parte dos recursos do Fundo para a melhoria da remuneração do professor do EF, pois, ao longo dos anos, as estatísticas educacionais registraram quão baixos são os salários desses professores, particularmente daqueles que pertencem à rede municipal das regiões norte e nordeste do país. Assim, uma perspectiva de análise do impacto do Fundef é verificar que alterações sofreram os salários docentes com a implantação do Fundo. Para efeito dessa análise, podese tomar o salário de um professor do EF, com formação de nível médio - magistério, como um exemplo das possíveis variações sofridas pela remuneração do professor. Com esse objetivo, tomou-se como referência o "salário - base", de um professor desse nível de ensino, conforme dados do Plano de Carreira e Remuneração do Magistério dos municípios da amostra e em relação ao professor da rede estadual, em informações colhidas junto ao sindicato da categoria. Conforme os dados da Tabela 31, que estão indexados, vê-se que, no período de 1998 a 2000, os municípios de Salvador, São Sebastião do Passé aument aram em cerca de um terço o salário - base dos seus professores, enquanto o estado reajustou em apenas 2,08% esse salário; surpreendentemente, os professores do Município de Vitória da Conquista tiveram decréscimo de salário no período de implementação do Fundef. Tabela 31 Crescimento do Salário Base -1996/2001 Professores do Ensino Fundamental com Formação de Nível Médio - Magistério Localização Bahia Salvador V. Conquista Alagoinhas SSPassé G Mangabeira Crescimento do Salário Base % indexado IGP-DI Redes 1996 - 2000 1998 -2000 (%) (%) Estadual 0,93 2,08 Municipal 28,03 Municipal -2,52 -15,00 Municipal Municipal 27,89 Municipal 0,52 15,07 1997-2001 (%) -3,75 - Fonte: PCRM e CNTE/APLB. Essa mesma análise pode ser feita considerando-se a remuneração do professor de EF, através de casos individuais. Assim, foram selecionados 4 professores, cada um deles representando os casos da amostra - estado e municípios, com a exceção do município capital - levantando-se seu salário base e o total da remuneração relativa ao mês de junho, durante quatro anos, 1998 a 2000. Dessa forma, através da análise do contracheque de cada um desses professores pode-se observar as variações em relação ao salário base e ao vencimento de cada um deles. A Tabela 32 reúne dados sobre a situação de cada um desses professores. Vê-se que os professores da rede estadual, tomando-se o caso de um deles como referência, tiveram, em termos percentuais, redução no salário base e vencimento no período 1998/2000, observando-se a mesma situação em relação ao município de Vitória da Conquista. Por outro lado, os professores vinculados aos municípios de Alagoinhas, São Sebastião do Passé e Governador Mangabeira tiveram uma variação positiva em relação ao vencimento. No entanto, as variações relativas ao salário base são mais interessantes de serem observadas pois expressam um valor comum aos ocupantes de uma mesma posição no Plano de Carreira e de Remuneração do Magistério. Desse ponto de vista, Alagoinhas e São Sebastião do Passé são os municípios que beneficiaram seus professores com variações positivas em relação ao salário base, esclarecendo-se, em relação a SSPassé, que esse aumento expressa a incorporação de determinadas vantagens ao salário base e não o resultado de um aumento real de salário. Tabela 32 Crescimento do Salário Base e Vencimento do Professor de EF Estado da Bahia e Municípios Localização Bahia Salvador V. da Conquista Alagoinhas SSPassé Gov. Mangabeira 1998 - 2000 (% indexado IGP-DI) Redes Salário Base Estadual -21,04 Municipal -23,56 Municipal -12,92 Municipal 4,70 Municipal 31,78 Municipal -7,67 Vencimento -16,82 -44,59 -9,71 2,34 7,69 33,87 Fonte: contracheques de professores O conjunto dos dados levantados e analisados neste relatório permitem que, de forma cautelosa, sejam apresentadas indicações, de caráter avaliativo, sobre o Fundef e sua ação sobre o EF, mesmo que se considere que a avaliação do impacto de projetos sociais é sempre complexa pelas razões já mencionadas neste estudo. A primeira observação, a mais evidente, é que o ensino fundamental está, sem dúvida, recebendo mais recursos após a implantação do Fundo, como demonstra o aumento no gasto por aluno desse nível de ensino, muito embora a despesa continue abaixo de um piso que possa ser considerado adequado para a manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental. Por outro lado, esses mesmos dados indicam que o Fundef tem contribuído para a redução da matrícula em outros níveis de ensino, como a educação infantil, tendo ainda um impacto negativo no gasto/aluno do ensino médio. No entanto, o impacto do Fundef não é homogêneo, variando entre os casos estudados, conforme pode ser constatado se se compara Salvador e os demais municípios, ou o estado e municípios. Os dados analisados revelam ainda os limites do Fundef para enfrentar uma questão crucial do ensino fundamental, a reprovação e o abandono, pois nos casos estudados não foram observadas variações significativas em relação a essas questões. Pontos importantes a destacar, qua ndo se avalia o impacto do Fundef, dizem respeito à qualificação docente e ao seu salário. Os dados sugerem estar em curso a melhoria da formação docente, em que pese, a existência de percentual significativo de "professores leigos" atuando nos dois segmentos do ensino fundamental. No que se refere ao salário base do professor, a promessa do Fundef não foi cumprida, nos casos estudados, pois em alguns casos os professores tiveram decréscimos, em termos percentuais, em seus salários. Contudo, a instituição e implantação do Fundef, em que pese o seu impacto reduzido nos casos estudados, demonstra um procedimento inovador no financiamento do ensino fundamental com a destinação de recursos vinculados à execução de um determinado conjunto de despesas claramente definidas e a possibilidade formal do controle social da aplicação desses recursos. Assim, a avaliação do Fundef como uma política pública de financiamento da educação não pode ser realizada apenas numa perspectiva quantitativa pois, mais do que dirigir recursos para o ensino fundamental, o Fundef traduz um movimento da sociedade brasileira em busca da transformação qualitativa da cultura da gestão pública. IMPACTOS DO FUNDEF - ANÁLISE QUALITATIVA Discutir os impactos do Fundef numa perspectiva qualitativa é colocar em foco múltiplas questões. Neste estudo, o recorte feito para essa discussão focalizou: (a) a percepção de gestores e de representantes de instituições públicas, de organizações associativas e sindicais sobre a descentralização e a municipalização do ensino, seus limites e barreiras; a valorização do magistério, considerando as novas exigências de habilitação e capacitação e seu reflexo no desempenho dos alunos; as políticas voltadas para a carreira docente e melhorias salariais; (b) a gestão democrática e o controle social do Fundef - o Condef e os conselhos municipais. Neste relatório, essas questões são discutidas na perspectiva das redes públicas de ensino do Estado da Bahia e dos municípios baianos que integram a pesquisa. Focalizando a Pe rcepção de Gestores e de Representantes de Instituições Públicas e de Organizações Associativas e Sindicais A avaliação do impacto do Fundef no ensino fundamental baiano envolve a abordagem de outras políticas públicas desenvolvidas no Estado com objetivos muito próximos aos definidos pelo Fundo, pois conforme observado por um dos Superintendentes da SEC/BA é difícil isolar os efeitos qualitativos produzidos pelo Fundo, daqueles outros provocados pelo Projeto Educação da Bahia - Educar para Vencer. Conforme depoimento desse gestor, o mencionado Projeto busca contribuir para a descentralização do ensino, e a autonomia da unidade escolar, redefinindo dessa forma o papel da SEC/BA. Assim, conforme suas palavras: ?? A Secretaria de Educação da Bahia, no passado, implementava e acreditava numa gestão centralizada. Ela foi possível e até mesmo eficiente em décadas anteriores em função do tamanho da rede. ?? Na década de 60, as escolas eram em número bem menor e atendiam apenas a metade da população de 7 a 14 anos. Dessa forma, aquele modelo de gestão era exeqüível. Com a expansão da rede, principalmente a partir do Fundef, a SEC se tornou uma grande organização com 2.300 escolas, 60.000 professores, 1.700.000 alunos, tornando impossível, inimaginável seguir o modelo anterior. Então, a opção do “Educar para Vencer”, não é só uma opção, uma escolha, é quase uma imposição da realidade. Ou descentraliza, ou escolhe o modelo da autonomia, e prepara as escolas para poder funcionar de forma autônoma ou afunda. ?? Com o “Programa Educar para Vencer” a SEC redefine o seu papel, se tornando uma Secretaria mais de regulação, de informação, de supervisão e menos uma Secretaria de execução, de tutela. ?? Também, está sendo buscada progressivamente a autonomia, dotando as escolas de condições para que possam funcionar de forma autônoma, tais como: (a) diretor escolhido pelo mérito; (b) colegiado escolar com a participação de pais e alunos; (c) avaliação externa para que a supervisão possa ser mais eficiente; (d) autonomia financeira escolar. Essas mudanças estão começando, em processo, em fase de transição e têm esbarrado em resistências fora e dentro da rede. Isto porque, segundo o entrevistado, esta reforma ao repassar as decisões e o poder para as escolas, diminui o raio de ação da Secretaria, o que significa questionar o modelo político em que formas tradicionais de indicação de diretores ainda são comuns, principalmente no interior. Desse modo, questiona conceitos instalados na cultura política e educacional baiana. Quanto à municipalização do ensino, percebe-se, através da fala dos gestores entrevistados, que a proposta do Estado da Bahia sempre foi por uma implantação progressiva, significando a transferência para a rede municipal de toda oferta da educação infantil e do ensino fundamental situado na zona rural, para alcançar, progressivamente, as escolas do meio urbano de 1ª a 4ª série, partindo esse processo de mudança, das escolas pequenas, de até quatro salas de aula, para as unidades escolares maiores. Iniciada há quatro anos, na Bahia, a municipalização do ensino fundamental continua em processo. A rede estadual ainda mantém muitas escolas exclusivamente de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, contudo, o Programa Educar para Vencer tem como uma de suas metas a municipalização progressiva desse nível de ensino. Para viabilizar a execução dessa meta, em março 2002, estava em estudo na Sefaz/Ba, segundo o informante, uma proposta de municipalização do ensino fundamental, de todas as escolas que ofereciam esse nível de ensino da 1ª à 4ª série. Meta a ser concretizada até o ano 2003. Desse modo, percebe-se que ainda não integra o plano de mudanças a municipalização das escolas que oferecem as oito séries do ensino fundamental. A resistência à municipalização extensiva decorre da perda de recursos do Fundef, pelas transferências para os municípios, o que pode gerar uma situação financeira insustentável para o Estado da Bahia, segundo estudos que vêm sendo realizados pela Sefaz/Ba. Ainda, sobre a questão da municipalização, um outro dado destacado pelo entrevistado, diz respeito aos professores, ou seja, quando é municipalizada uma escola de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, são passados para o município os alunos, os prédios, os equipamentos, contudo, os professores concursados permanecem na rede estadual. Como a grande maioria, tem apenas formação de nível médio - magistério, não preenche, portanto os requisitos para lecionar no segundo segmento do ensino fundamental, tampouco no ensino médio, níveis da educação básica de responsabilidade do estado. Desta forma, a municipalização estaria gerando uma categoria de professores na rede estadual, os excedentes. A situação acima mencionada, isto é, a dos professores excedentes tem sido um dos argumentos dos gestores estaduais para limitar a municipalização do ensino fundamental, argumentando que o Estado não pode transferir os professores efetivos para uma outra instância administrativa, uma vez que a legislação atual não permite essa transferência, nem pode demiti- los. Segundo informações levantadas na entrevista citada, o Estado da Bahia está iniciando um processo de negociação com os municípios, de modo que eles assumam o pagamento do salário dos professores e dos encargos e, em contrapartida, recebem escolas e alunos do primeiro segmento do ensino fundamental, visando acelerar a municipalização. As informações apresentadas até aqui mostram que, a implantação do Fundef na Bahia, ao contrário do que se poderia esperar, não tem estimulado de forma abrangente a municipalização do ensino fundamental e ainda tem tornado mais tensas as relações entre estado e municípios, dificultado desta forma a divisão de responsabilidades, sobretudo em decorrência da competição por mais recursos. Os dados sinalizam que os gestores da rede estadual desejam, sobretudo a garantia e a manutenção dos seus recursos. E, nessa perspectiva, adotaram medidas como a absorção do alunado da educação de jovens e adultos (EJA) na modalidade regular do ensino fundamental, em classes de aceleração, a partir de 1998. Essa medida, que alterou a estatística educacional, buscava frear a redução da matrícula do ensino fundamental, em função da municipalização, conseqüentemente a diminuição dos recursos do Fundo. Esta ação que transformou a matrícula da EJA (educação de jovens e adulto) em matrícula da modalidade regular do ensino fundamental, adotada não só pela rede estadual como também pelas municipais, se, por um lado amorteceu a perda de recursos da RE e garantiu mais recursos do Fundef para as RM(s), por outro, ampliou a distorção idade-série existente no sistema. Assim sendo, para corrigir essa defasagem está sendo implementado o projeto de regularização do fluxo escolar que integra o Programa de Educação na Bahia Educar para Vencer. Esse projeto que em 2002 deve estar atingindo 280 municípios está contribuindo para reduzir a citada distorção, e, segundo projeções da SEC/BA, quando implementado em todo estado deve liberar mais de 500 mil vagas no ensino fundamental regular diurno o que, como conseqüência, pode ampliar a matrícula do ensino médio. Com essa perspectiva, o projeto de regularização do fluxo tem preocupado os gestores municipais, pois vai gerar diminuição da matrícula do ensino fundamental, conseqüentemente, perda de receita, assim sendo preferem, a permanência da distorção, pois essa pode garantir mais recursos para o ensino fundamental. Em síntese, essa discussão vem mostrar que em matéria de financiamento da educação, “tudo” pode ser decidido e executado em função da garantia de mais recursos. Buscando perceber por outra via os impactos do Fundef na perspectiva de ações para a valorização do magistério, passa-se a destacar as questões relacionadas com a oferta de oportunidades para a melhoria de qualificação dos docentes do ensino fundamental, bem como, das políticas estaduais voltadas para a reestruturação da carreira do magistério e conseqüentemente seus reflexos sobre o salário dos professores. Para levantar os projetos de qualificação dos professores do ensino fundamental, foi visitado o Instituto Anísio Teixeira (IAT), órgão em regime especial de administração direta da SEC/BA responsável pela capacitação docente. No IAT, o gestor entrevistado expôs o principal projeto de formação de professores, da instituição. Destacou que até 1998 as ações do IAT estavam mais voltadas para cursos de capacitação, contudo, hoje está dirigindo suas ações para a formação, em parceria com universidades. Para definir suas ações, na linha de formação o IAT estudou os principais problemas do professorado, destacando o contingente daqueles que ensinam da 5a a 8a série do ensino fundamental e até no nível médio, com formação apenas de magistério, bem como, os bacharéis sem formação pedagógica. A partir da identificação dos principais problemas o IAT, segundo o informante, vem desenvolvendo, a partir de 1999, alguns programas para atender “aos profissionais do ensino fundamental, médio e superior, buscando a melhoria da prática pedagógica e da qualidade do ensino público, funcionando como suporte para a efetivação das políticas públicas” Dentre os programas definidos, aqui se destaca o Programa Tecnologia Educacional, integrado pelos cursos de: (a) capacitação para professores em informática básica; (b) capacitação para professores em informática educativa; (c) aperfeiçoamento para professores em telepedagogia; (d) formação para professores - mestrado em mídia e conhecimento; licenciatura plena para bacharéis que ensinam na rede estadual; licenciatura plena para professores da rede pública (estadual e municipal), portadores de diploma de nível médio. Os cursos de formação de professores oferecidos em dois níveis, pósgraduação e graduação estão sendo realizados em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina - o mestrado e a licenciatura plena para bacharéis; nas Universidades Estaduais da Bahia (UEFS, UESB, UESC, UNEB); Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Católica de Salvador (UCSAL), Universidade de Salvador (UNIFACS) - a licenciatura plena para professores com formação de nível médio. Em síntese, os cursos de licenciatura buscam a formação de profissionais em exercício na rede pública estadual e municipal, com o objetivo de atender às determinações legais, enquanto o Mestrado em Mídia e Conhecimento tem como objetivo: 1 a transferência de tecnologia de educação à distância, visando reforçar as ações pedagógicas já utilizadas pelas universidades estaduais, bem como capacitar docentes para gerir o Programa de Formação de Professores na Bahia, com os cursos de licenciatura plena para professores/bacharéis e professores com formação de nível médio, em uso intensivo dessa nova metodologia; 2 a preparação de 30 gestores da nova metodologia de educação à distância, tendo como participantes 28 docentes das universidades estaduais da Bahia e 2 técnicos do IAT. (IAT, 99-02). Este plano de ação vem sendo implementado a partir de 2000, estando alguns cursos em fase de execução, como o curso de mestrado que deve ser concluído em 2002, enquanto o curso de licenciatura para professores/bacharéis (física, química, matemática e biologia) com uma oferta de 600 vagas, teve início em 2001. Os cursos de licenciatura plena em letras, matemática, física, química e biologia ainda estão em processo discussão/planejamento, devendo ser lançado ainda em 2002, o edital, segundo o que afirmou o entrevistado. Além desses cursos específicos, voltados para a formação de professores, o IAT em parceria com outras instituições no período 99-02 vem desenvolvendo um programa de apoio às ações da SEC/BA com a oferta de cursos para capacitar: (a) dirigentes em gestão escolar; (b) professores - 1a a 8a série EF - envolvidos no projeto de regularização do fluxo escolar; (c) professores que trabalham com o Ciclo Básico de Aprendizagem (CBA - 1a e 2a séries EF) em avaliação da aprendizagem; (d) professores, diretores, coordenadores e técnicos na aplicação do PEI - Programa de Enriquecimento Instrumental além de outros cursos de aperfeiçoamento e especialização (IAT, Relatório 99-02). Ainda sobre a formação e a capacitação dos professores, não se pode deixar de registrar que, mesmo considerando que os 60% da receita do Fundo deveriam ser aplicados na remuneração dos professores, até 2001, parte desses recursos poderia ser utilizada na formação dos professores leigos, contudo muitos municípios não che garam a desenvolver essas ações por considera- las de custo elevado, pelas exigências dos convênios que requerem condições mínimas como equipamentos tecnológicos, biblioteca específica, linhas telefônicas e outros recursos. Assim sendo, as ações de formação foram adiadas, estando em fase de definição em alguns municípios, como Governador Mangabeira. Em Vitória da Conquista está em discussão, desde 1999, um projeto de graduação através de curso modular, em serviço, de professores municipais. Têm participado desse debate, representantes da Secretaria Municipal de Educação, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB e do Sindicato dos Professores, contudo, em 2002 a rede municipal ainda não havia definido seu projeto de habilitação dos professores não graduados. As discussões e divergências giram em torno da qualidade de um curso dessa natureza; dos recursos financeiros uma vez que a receita total do Fundef já está comprometida; das questões de mercado de trabalho, levantadas pelos alunos do Curso Regular de Pedagogia da UESB, que se sentem ameaçados com a oferta de um curso com vagas exclusivamente para os professores da rede municipal de ensino. No Município de São Sebastião do Passé, as atividades propostas na linha da habilitação dos professores da rede municipal, estão em processo, uma vez que as ações só se concretizaram a partir de 2000, dois anos após a implantação do Fundef, com conclusão prevista para o ano 2002. Informações recentes levantadas no Site da UPB confirmam as afirmações acima, ao destacar que em maio/2002 dezesseis professores concluíram curso de licenciatura para o ensino fundamental, oito na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e oito no Campus Avançado da UEFS, em Santo Amaro e que, através do Proformação, desenvolvido em parceria com o Fundescola, sete professores leigos foram habilitados a exercer a profissão na zona rural. Também, recente convênio firmado com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) assegurou 100 vagas para o Município de SSPassé, no Programa de Formação de Professores em Exercício nas Séries Iniciais do EF, com duração prevista para dois anos, a partir de 2003. (Site da UPB,14/08/.2002). Por outro lado, os municípios de Alagoinhas e Salvador não apresentaram seu plano de formação dos professores não licenciados que atuam na rede municipal. Salvador e Vitória da Conquista municípios que contam em sua sede com universidades públicas, apresentaram, maiores percentuais de professores do EF com habilitação em licenciatura, o que não se confirma em Alagoinhas, que se encontra nesse grupo e está localizado próximo a Salvador. Deste modo, as informações coletadas na pesquisa, deixam transparecer que ações do de formação não aconteceram ou ainda estão em processo e aquelas de apoio/aperfeiçoamento ainda não chegaram a produzir mudanças na ponta do sistema, não deixando ainda visível sua marca no desempenho dos alunos, pelo menos no que se refere à avaliação externa realizada pelo Projeto de Avaliação, integrado ao Programa Educar para Vencer. Em 2001, os resultados gerais da avaliação de desempenho de alunos da 4a e 8a séries, nas disciplinas Português e Matemática, mostram que os alunos de escolas estaduais apresentaram um resultado ligeiramente maior do que o dos alunos de escolas municipais, nas quatro provas realizadas. Contudo, um maior número de estudantes das duas redes de ensino estão situados nas faixas de desempenho “insuficiente e baixa” (Agência de Avaliação, 2001). Os resultados, da 8a série nas duas redes, chegam a ser preocupantes. Em Matemática, os alunos submetidos á avaliação, classificados nas faixas insuficiente e baixo, representam 98,26% da rede estadual e 98,71% da rede municipal. Em Português, o resultado das provas é um pouco mais elevado, encontrando-se nas faixas acima citadas 60,34% e 65,64%, respectivamente, nas redes estadual e municipal. (Agência de Avaliação, 2001). Também, a análise quantitativa mostrou que o Fundef ainda não produziu nos municípios estudados um impacto positivo no desempenho dos alunos, quando se observa o percentual de aprovados a partir de 1998. Passando a focalizar as políticas voltadas para a carreira docente, sobretudo o plano de carreira dos profissionais do magistério, foram realizadas entrevistas com a organização sindical filiada à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a Associação dos Professores Licenciados da Bahia - Sindicato (APLB) que representa os trabalhadores em educação, das redes públicas estadual e municipais. Segundo o professor entrevistado, a APLB vem atuando no sentido de discutir com a sociedade a importância desse plano, por considerar: esse documento a alma dos funcionários da educação, que aponta perspectivas, que aborda pontos fundamentais das políticas de capacitação e atualização profissional, de valorização profissional, de redução gradativa da carga horária para evitar doenças ocupacionais, de remuneração e de qualidade da educação. Nessa perspectiva, destacou o informante que, a entidade vem atuando junto aos gestores da educação no sentido de oferecer um suporte para a elaboração desses planos na busca da realização dos objetivos dos profissionais da educação, contudo não tem obtido êxito nesta sua luta, uma vez que as secretarias de educação têm optado por contratar empresas de assessoramento técnico que na verdade não estão trabalhando no sentido de melhorar as condições de trabalho e de salário dos professores, mas, ao contrário, o que esperam é garantir seu lucro com o trabalho de assessoria. Ainda, salientou que em muitos municípios, os documentos elaborados, foram até aprovados, mas ainda não estão implantados. Sobre as políticas estaduais voltadas para a carreira docente e seus reflexos nos salários, constatou-se com as informações levantadas que está em vigência a Lei N° 4.694 de 09 de junho de 1987, que estrutura o plano de carreira do magistério público estadual de 1° e 2° graus e a lei N° 7.250 de 09 de janeiro de 1998, que altera a carreira de magistério público estadual de ensino fundamental e médio e fixa os vencimentos básicos da categoria, definindo quatro níveis da carreia: nível 1 - docentes com formação de nível médio; nível 2 - docentes e especialistas habilitados em licenciatura de curta duração; nível 3 - docentes e especialistas com titulação de licenciatura plena; nível 4 - docentes e especialistas com estudos de pós- graduação. A legislação que alterou a carreira do magistério datada de 1998, primeiro ano de implantação do Fundef, extingue a gratificação de incentivo à qualificação profissional (art. 5°) e institui a gratificação por desempenho e qualificação profissional cargos efetivos do magistério destinada aos do EF e EM,em função da qualificação profissional, associada á avaliação prévia de conhecimento e de desempenho profissional (art. 6°). O valor da gratificação por desempenho e qualificação profissional varia, segundo a situação do profissional em relação a: regime de trabalho (20 ou 40 horas semanais); nível da carreira (1 a 4); referência (I a VI). Nesse instrumento legal, de 1998, o piso salarial fixado para o professor nível 1 - magistério de nível médio, em regime de trabalho de 20 horas, foi de R$140,00, podendo chegar ao máximo de R$280,00 para o professor pós-graduado, no mesmo regime de trabalho. Os que têm 40 horas dobram o salário-base, respectivamente, R$ 280,00 e 560,00. A observação, da Tabela A 4 (em anexo) que mostra o salário-base dos professores, apresentado anteriormente deixa perceber que os reajustes salariais ocorreram em função da correção do salário mínimo. Nesse sentido, os professores da rede estadual através da APLB - Sindicato tem se mobilizado, já tendo encaminhado à SEC/BA uma proposta de reestruturação do plano de carreira e do estatuto do magistério público, na busca da transformação do quadro salarial e das oportunidades para sua atualização continuada, para que possam ter sempre um bom desempenho profissional, capaz de produzir a melhoria da qualidade do ensino e do desempenho dos alunos. Quanto à questão salarial dos professores das redes municipais, o que se contatou nos municípios estudados foi uma certa apreensão dos gestores, no que diz respeito à reajustes salariais mais elevados. Isto porque, considerando que o Fundo tem duração fixada (10 anos), levantam a hipótese de que, ao término deste período, essa política de financiamento não seja renovada, o que pode gerar uma situação de total inadimplência dos municípios. Neste caso, alguns gestores adotaram a prática do abono, ou do rateio do saldo dos 60% destinados ao pagamento dos professores do EF. Ainda sobre a questão salarial, é importante não deixar de registrar as declarações dos representantes do Conselho Estadual de Educação (CEE) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação/BA (Undime/Ba) que ao serem indagados na entrevista sobre a relação entre o salário dos professores do ensino fundamental e as políticas de valorização do magistério, expressaram suas observações e críticas: ?? a existência do Fundef é válida, mas há muito que percorrer para cumprir as finalidades a que se propõe, (...) a questão que mais me chama atenção e me sensibiliza é a questão do professor. Ele continua muito exposto à insegurança salarial que está muito longe de ser atendida no padrão razoável. O fato dele ainda precisar trabalhar dois turnos (diurno e noturno) para sobreviver, a dificuldade de aquisição de bibliografia necessária a sua atualização, o desgaste emocional a que é submetido coordenando cla sses numerosas (...) quando deve ser facilitador, mediador, estimulador, um professor reflexivo... ( Declaração do Representante do CEE). ?? No Estado, um professor com formação de magistério, regime de trabalho de 20 horas ganha R$280,00 e no regime de 40 horas R$570,00 (...) Se ele não tiver casa própria e tiver que alugar uma casa, o dinheiro não dá nem para comprar um livro...este professor não pode se qualificar.(Undiime/Ba). ?? Chegou o momento de se pensar numa valorização do professor em termos de valorização salarial. O Fundef deveria ter um percentual bem maior visando a melhoria da qualidade do ensino e melhoria salarial (...) (Declaração do Representante da Undime/Ba). Por fim, vale deixar o registro do representante da União dos Municípios da Bahia (UPB) que ao ser entrevistado não chegou a tocar nas questões selecionadas para discussão, mas , sinalizou algumas dificuldades, dirigindo suas observações no sentido de indicar uma avaliação geral do Fundo. Desse modo, declarou que desde a implantação do Fundef, os prefeitos e os secretários da educação dos municípios baianos têm desenvolvido ações para conduzir e manter na sala de aula a clientela do ensino fundamental, avaliando na sua entrevista aspectos do Fundo, destacando que essa política pública de financiamento do ensino fundamental: 1 melhorou a vinculação específica do recurso orçamentário,no percentual mínimo de 25%, para atender o ensino de responsabilidade do município; 2 possibilitou o financiamento da melhoria das instalações físicas das escolas; 3 piorou o tratamento igualitário para todos os Municípios do Brasil, quando cada um deles possui realidades diferentes. (Há municípios que 25% da receita de seu orçamento, para atender a educação, constitui valor relativamente alto com aplicação de recursos sem observância do princípio da economicidade para atender a uma exigência constitucional, enquanto que para outros, o percentual de 25% do orçamento é insuficiente; 4 precisa melhorar o valor do custo/aluno/ano, para fazer face às demandas básicas de transporte escolar e melhoria salarial dos professores, além da necessidade de incluir a merenda escolar como item de responsabilidade do Fundef, porquanto para estes itens os recursão deficientes. Também, apontou sugestões que podem contribuir para a melhoria da gestão municipal de educação: 1 os municípios precisam capacitar seus técnicos e criar sistemas próprios de municipalização do ensino, para que não fiquem atrelados à política educacional do estado, haja vista que cada ente tem a sua atribuição, sua competência definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 2 esta ação de instalação do sistema municipal próprio de educação, deve envolver amplo debate com a categoria do magistério e sindicato da categoria, bem como,com o conselho de educação, sociedade civil organizada, no sentido de encontrar solução peculiar aos interesses da localidade; 3 os municípios precisam exigir do governo federal, que o valor do custo aluno/ano seja real, para possibilitar o custeio e a manutenção do ensino fundamental, sobretudo nos Estados do Nordeste, onde os municípios têm baixa arrecadação e a complementação da União não é suficiente para atender a demanda de custos, especialmente porque a fixação do custo tem sido inferior à sua realidade. As informações apresentadas quanto às questões propostas para análise, mostram que ações decorrentes da implantação do Fundef produziram impactos que podem ser considerados positivos e negativos. Os impactos vistos como positivos, dizem respeito principalmente a esse movimento de descentralização e municipalização do ensino, contudo, na Bahia ele não tem avançado no ritmo esperado pelas gestões municipais. As negociações têm sido lentas e muitas vezes têm caminhado na direção proposta pela gestão estadual, pelo menos, esta situação foi notada nos estudos de caso. As gestões municipais, por um lado, gostariam de assumir a gestão do ensino fundamental em suas oito séries, por outro lado, ficam apreensivas com esta responsabilidade na medida em que não têm certeza da manutenção do Fundo depois de 2006. Por outro lado, o registro de algumas situações, mostra que o Fundef de alguma forma deu brechas para que os gestores manipulassem situações no sentido de preservarem seus recursos, em detrimento de uma maior descentralização e municipalização do ensino fundamental. Também as informações coletadas mostraram que ações, como as de melhoria da qualificação atravé s da habilitação de professores, não foram sequer iniciadas em alguns municípios e que em outros, bem como, no estado estas estão no início do processo não permitindo avaliar seus impactos. Quanto aos o plano de carreira dos profissionais do magistério, ficou constatado que o movimento docente está buscando nesse momento uma reestruturação dos planos aprovados em 1998, vez que a prática tem mostrado que os documentos elaborados naquele momento em nada estão contribuindo para fazer avançar a melhoria da valorização do magistério, pelo menos, através da melhoria da qualificação e da remuneração. Focalizando a Gestão Democrática e o Controle Social do Fundef - o Condef e os Conselhos Municipais O Conselho Estadual de Acompanhamento e Controle Social do Fundef na Bahia foi criado, através do Decreto Estadual N° 7.277, de 8 de abril de 1998, passando a ser designado pela sigla Condef,. Em entrevista, o Secretário de Educação da época, declarou que: (...) houve um decreto do Governador definindo que o Secretário da Educação seria o presidente do Conselho Estadual de Acompanhamento do Fundef, e esse Conselho teria dois grandes objetivos: (a) aprovar um plano de aplicação de recursos para o Fundef; (b) fiscalizar a aplicação desse dinheiro. O decreto referido acima foi de abril de 1998, três meses depois da implantação nacional do Fundef. A nomeação dos onze conselheiros previstos no Decreto N° 7.277/98 deu-se quase três meses depois de instituído o Condef, isto é, em 30 de junho de 1998. Nessa primeira composição, o poder executivo estadual estava representado diretamente por quatro desses conselheiros (Secretarias da: Educação, Fazenda e Administração; e Procuradoria Geral do Estado) e ainda contava com o apoio da representação de outros quatro conselheiros oriundos do CEE, da UPB, de escolas públicas do EF e da DMEC (que ainda não tinha sido desativada); portanto, mais quatro votos totalizando o pleno controle da agenda do Condef. Tal composição dos conselheiros, além do atrelamento direto ao gabinete do Secretário de Educação, configura uma situação expressa pelo poder executivo de não assumir plenamente as atribuições e finalidade desses Conselhos de Acompanhamento naquilo que a Lei federal determinou que fosse feito nacionalmente. No que tange ao Regimento do Condef, este só veio a ser aprovado após um ano e oito meses, mais precisamente em 16 de fevereiro de 2000, conforme a Resolução n. 001/00, publicada no Diário Oficial do Estado em 17/02/2000. Entre as competências do Condef, o Regimento previa as seguintes: I - acompanhar e controlar a repartição, a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério - Fundef; II - examinar os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais atualizados, referentes aos recursos repassados ou recebidos à conta do Fundef; III - supervisionar a realização do Censo Escolar anual; IV - elaborar relatórios gerenciais trimestrais, referentes ao Fundef; e V - manter articulação com os Conselhos Municipais do Fundef. Ou seja, uma reprodução do que determina a Lei Federal N° 9.424, de 26 de dezembro de 1996, o que não significa que, na prática, as ações pertinentes ao Condef cheguem, de fato, a cumprir o que determina a Lei Federal. Sobre o funcionamento do Condef, o ex-secretario de educação e seu primeiro presidente, em entrevista aos pesquisadores, declarou que: Era para ter reunião do Conselho a cada mês, mas às vezes demorava dois meses, pois para ter reunião era preciso já ter prestações de contas prontas... (por isso que demorava). Nas prestações de contas verificamos que o Estado aplicava mais do que recebia. Acerca da periodicidade das reuniões do Condef, também assim se expressou, através de uma entrevista, a representante do Conselho Estadual de Educação no Condef, na primeira composição dos seus membros: “Nós tivemos pouquíssimas reuniões, mas na primeira reunião de instalação falou-se a respeito da finalidade daquele Conselho e também se deu logo início às discussões para a elaboração do regimento interno”. Procurou-se localizar, na Secretaria da Educação, as prestações de contas, bem como, livros de atas, relatórios gerenciais trimestrais, além de outros documentos sobre a atuação do Condef desde a sua criação em abril de 1998, contudo, os documentos citados não foram disponibilizados para consulta.Também, a realização de entrevistas com os conselheiros foi uma tarefa muito complicada. Resumindo, não se teve acesso direto a vários documentos públicos do Condef, nem foi possível entrevistar seu atual presidente, bem como, a secretária executiva. O Regimento do Condef prevê a seguinte organização interna: a) presidência: b) plenário; c) secretaria executiva. Essa estrutura organizacional funciona com o apoio administrativo e técnico da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC/BA). Também está previsto um assessoramento ao Condef, no campo da Auditoria com a finalidade de apurar reclamações e denúncias relativas a infrações disciplinares e ilícitos administrativos, referentes à aplicação dos recursos do Fundef no âmbito da administração pública do Estado da Bahia. Contudo, na prática, o que se constatou é que o Condef nada registrou, nada fez no âmbito das suas competências, desde abril de 1998. Apenas discutiu e aprovou o seu regimento interno no espaço de quase dois anos. Segundo uma das entrevistas realizadas, vez por outra, os conselheiros eram convocados para assinar Atas de Reuniões do Condef a pedido de seu presidente. Tal procedimento sugere que o Condef nunca exerceu suas competências e nunca cumpriu sua finalidade. Por exemplo, apesar de o Regimento determinar no artigo 2º que compete ao Condef: “estimular e apoiar a criação dos Conselhos Municipais do Fundef, promovendo a sua articulação com vistas ao desenvolvimento das ações relativas ao Fundef”, tais estímulos e apoios não foram constatados por nós nos estudos de caso dos municípios estudados pela equipe do projeto. Documentos fornecidos pela Associação dos Professores Licenciados da Bahia/Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB/SINDICATO), compondo um dossiê de denuncias, bem como, as informações coletadas através de entrevista com o representante da CNTE/Seção Bahia, no Conselho Estadual de Acompanhamento do Fundef, indicam que boa parte dos municípios (mais de cem) não cumpriu as exigências da Lei de criação do Fundef. Inúmeras denúncias, envolvendo os mais variados tipos de irregularidades, foram protocoladas na Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, nos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios, no Ministério Público, na Representação da Procuradoria Geral da União na Bahia e, por último, encaminhadas ao próprio MEC no final do ano de 1999. Essa entidade civil de representação dos professores tem-se mostrado vigilante sobre a implementação das políticas públicas em educação tanto ao nível do estado, quanto ao nível dos municípios baianos. No Bahia, o problema de fiscalização e controle do Fundef fica acentuado pelo fato de que não há um entendimento de quem deve julgar as ações de denuncia encaminhadas ao Ministério Público do Estado. Conforme entrevista realizada com um dos Promotores de Justiça, vinculado á Procuradoria Geral de Justiça - Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Interior com Atribuição para a Proteção da Moralidade Administrativa e Patrimônio Público (Caopub) - nenhuma ação referente ao Fundef foi julgada pela Justiça no âmbito do Estado da Bahia nos últimos quatro anos. Isto porque a composição do Fundef envolve recursos tanto do Estado como da União. Assim sendo, a compreensão do Ministério Público do Estado é de que o julgamento de processos deve ser realizado pela instância federal. A União, por outro lado, não tem atuado nesse sentido por entender ser esta uma atribuição do Estado e por ter um quadro de pessoal, na Bahia, que é insuficiente para assumir essa responsabilidade em todo o estado. O Ministério Público do Estado da Bahia aguarda que o Supremo Tribunal Federal solucione definitivamente o problema da competência da Justiça Federal para processar e julgar as ações decorrentes da má aplicação dos recursos do Fundef. Enquanto isso, a tramitação dos processos se encontra paralisada. Possivelmente, uma gestão transparente dos recursos públicos em educação, só poderia ocorrer se os Conselhos Estaduais e Municipais de Acompanhamento pudessem se organizar democraticamente, contando com os três segmentos sociais que compõem a educação: sociedade local (pais dos alunos, os próprios alunos, funcionários técnicoadministrativos e outros atores sociais locais), professores (suas entidades de representação política) e representantes do governo local (secretarias de educação). Atente-se à questão de que, em se tratando de um órgão colegiado de fiscalização das ações do executivo, jamais poderia o próprio governo presidir, ou pautar a conduta desse órgão colegiado. Como também, não deveria nomear conselheiros, vinculados aos interesses da política de governo, no sentido de preservar o princípio constitucional inscrito no artigo 206, inciso VI, da CRFB/88: “O ensino será ministrado com base no princípio da gestão democrática do ensino público, na forma da lei”. Diante da prática de omissão verificada no funcionamento do Condef, parece que nessa linha de conduta de descumprimento dos dispositivos constitucionais, o governo do Estado da Bahia, através da sua Secretaria de Educação, deixa de cumprir uma série de outras determinações legais, a exemplo do artigo 72 da LDB-9.394, de 20 de dezembro de 1996: As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Executivo, assim como nos relatórios a que se refere o parágrafo 3º do artigo 165 da Constituição Federal. No parágrafo 3º do art. 165 da CRFB/88, encontramos o seguinte: “O poder executivo publicará, até trinta dias após o encerramento da cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária”. No caso particular do Condef, não tivemos acesso nem aos referidos balanços, nem aos relatórios resumidos da execução orçamentária desde a implantação do Fundef na Bahia. Outro aspecto que vale salientar é o que diz respeito às competências individuais de cada conselheiro para entender de contabilidade pública, orçamento, balanço e relatório de prestação de contas, para que possam executar a análise e emitir pareceres sobre as receitas e despesas do Fundef. Nas entrevistas foram obtidas explicações do tipo: 1 A maioria dos conselheiros do Condef não possui conhecimento suficiente para analisar e emitir parecer sobre a movimentação da conta do Fundef; e 2 Alguns dizem sempre que entendem de educação e não de contabilidade. A análise, de algumas das entrevistas realizadas, sinaliza que parece existir uma bem elaborada cultura - ou apelo - à não-participação, à não-cidadania, por parte de algumas pessoas envolvidas com a representação de entidades civis e de instituições públicas e particulares. Por exemplo, entre os diversos conselheiros entrevistados, percebe-se que, às vezes, eles não sabem porque estão ali (no desempenho daquele papel, num órgão colegiado) e nem o que vão fazer ali. São poucos os que têm uma consciência mais esclarecida sobre a sua missão no desempenho de representação de uma dada função pública. A Lei Complementar No. 101, a Lei de Responsabilidade da Gestão Fiscal, determina o seguinte quanto à transparência, controle e fiscalização dos gastos públicos de governo, relativamente à transparência da gestão fiscal: Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos. Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos. Esta Lei tem sido a bússola de orientação na ação fiscalizadora externa dos Tribunais de Contas e do Ministério Público, sobre todas as contas públicas em geral. Contudo, segundo um assessor técnico do TCM, entrevistado pelos pesquisadores: (...) Para que se cumpra a Lei, é necessário algo que os municípios têm dificuldade de fazer, que é o planejamento. Não se tem como cumprir a Lei na aplicação do Fundef se não há um planejamento do município. Esse acompanhamento ele tem que ser feito através do controle interno do órgão; ele tem que ter um controle interno adequado que permita a ele ter uma avaliação de quanto se gastou, de quanto se tem para gastar. Comparando-se os seis casos estudados, observa-se a existência de algumas semelhanças, bem como algumas dessemelhanças entre os mesmos. Por exemplo, a partir da análise do conteúdo das diversas entrevistas realizadas, percebe-se uma maior participação do sindicato dos professores (APLB - Sindicato e o Simmp de Vitória da Conquista) nos municípios do interior, com uma atuação mais destacada dos conselheiros que representam o sindicato, do que no conselho de acompanhamento da capital do estado. Contudo, e apesar de haver uma representação da CNTE (sindicato) no conselho estadual de acompanhamento do Fundef, não é no âmbito do estado que se dá uma atuação mais transparente desse organismo de controle e fiscalização na aplicação dos recursos carimbados da educação, como determina a Lei de criação do Fundef. Mesmo assim, relativamente às competências dos conselhos de acompanhamento do Fundef, estas são desempenhadas com maior dificuldade e alguma restrição nos municípios interioranos do que no conselho da Capital, onde foi observada uma atuação regular, com reforço da assessoria em contas públicas, prestada aos conselheiros pelo Fundo Municipal de Educação. Contudo, no estado, o Condef, simplesmente não vem funcionando. Durante o período em estudo ocorreu um número insignificante de reuniões por falta de convocação. No que se refere ao acompanhamento e ao controle social da aplicação dos recursos do Fundef, a auditoria do TCE no Relatório e Parecer Prévio a ser encaminhado à Assembléia Legislativa em 2001, com base nas informações das atas das reuniões do Condef, concluiu que este Conselho: não vem acompanhando e controlando, adequadamente, a gestão dos recursos do Fundo, o que contraria o princípio básico da própria instituição do Fundef, repercutindo na efetividade e legitimidade do gerenciamento dos seus recursos. Ainda, neste mesmo Relatório e Parecer Prévio foi citada uma constatação da auditoria do TCE, no que diz respeito à gestão do Fundo, ou seja, “suas contas não foram prestadas desde sua constituição, devendo a autoridade competente proceder à devida tomada de contas dos exercícios de 1998, 1999,2000”. Tanto a divisão de responsabilidade, quanto à assistência técnica aos municípios, previstas na LDB, cujas ações devem ser acordadas entre o Estado e os seus Municípios, tal recomendação da lei parece que não chega a se concretizar na Bahia. A análise das declarações obtidas nas entrevistas realizadas não indica tal atitude, nos estudos de caso, por parte do Conselho Estadual de Acompanhamento do Fundef (Condef). Sabemos que a LDB 9.394, incumbe aos Estados, através do art.10, inciso II: “definir com os municípios formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do poder público”. A aplicação deste dispositivo, como rotina normal entre as duas esferas de poder público, não ficou demonstrada nas entrevistas realizadas. Ainda a esse respeito, a lei recomenda mais procedimentos, de modo a assegurar uma integração de fato entre as duas esferas executivas. Diz o inciso III, do mesmo artigo, que o Estado deve: “Elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios”. Assim, aquela perspectiva de execução de um planejamento educacional em regime de colaboração entre as diversas esferas do poder público, sobretudo na relação entre o estado e os seus municípios, não se percebe nas ações desenvolvidas em torno das ações educativas no Estado da Bahia. Os conselheiros municipais apresentam-se com uma imensa carência de conhecimentos em orçamento e contas públicas para efetuar uma fiscalização mais rigorosa nas contas do Fundef. Uma exceção é o Conselho Municipal de Acompanhamento do Fundef, de Salvador, que dispõe dos serviços de assessoria contábil do Fundo Municipal de Educação. Este fundo já se encontrava previsto na Lei Orgânica do Município de Salvador desde 1990, foi criado em 1996, e finalmente instalado a partir da implantação do Fundef (1998). Em dois, dos cinco estudos de caso, o Conselho de Acompanhamento do Fundef foi criado no ano de 1998, mas nunca chegou a se reunir durante o mandato dos respectivos prefeitos. Ambos só vieram a se reunir, discutir e aprovar o Regimento, além de estabelecer um calendário regular de reunião a partir das novas administrações municipais (de orientação política contrária ao antecessor) empossadas em janeiro de 2001. Portanto, num período de três anos esses Conselhos não atuaram, em flagrante desobediência ao que estabelecia a Lei Federal de criação do Fundef. Outro aspecto contrastante, diz respeito ao Conselho Estadual de Acompanhamento do Fundef, o qual, entre 1998 e 2001 reuniu-se apenas quatro vezes, isto é, numa média de uma reunião por ano. Entretanto, no seu Regimento reza uma periodicidade de reunião mensal. Aliás, os conselheiros do Condef, no Estado da Bahia, nunca exerceram suas atribuições como manda a Lei. Quando esses conselheiros foram convocados para aquelas quatro referidas reuniões, apenas iam tomar conhecimento de algumas das ações de interesse da própria Secretaria Estadual de Educação, além de assinar a ata da reunião anterior. Segundo declarou em entrevista o representante da CNTE (APLB-Sindicato), o Condef só se reúne para referendar os atos do executivo estadual e o representante dos trabalhadores em educação tem sido o mais crítico dos conselheiros. Porém uma voz única, que não é suficiente para desequilibrar a ordem das coisas. Nestas notas de confrontação entre os Conselhos Municipais e Estadual de Acompanhamento do Fundef, outro item digno de destaque, diz respeito ao modo como são escolhidos e indicados os membros de representação das entidades e órgãos nesses Conselhos. Em alguns deles, nos municípios do interior, há uma nítida separação entre os que representam o poder público municipal e aqueles que representam as entidades civis. Quase sempre, esses conselheiros foram eleitos, ou indicados após algum tipo de consulta, pelas respectivas bases que representam. Em quatro desses Conselhos (todos também no interior do Estado e numa linha de orientação política contrária ao governo estadual), a presidência dos trabalhos nunca esteve com o Secretário Municipal de Educação ou com o seu preposto no Conselho. Como declarou um dos entrevistados: “Não convém que seja o próprio secretário de educação ou um preposto dele a presidir os trabalhos de um órgão que se propõe a fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros destinados às ações da própria Secretaria”. Em outros Conselhos, sobretudo os dois sediados na capital do Estado, esses mesmos aspectos não são relevantes, nem mesmo são percebidos no corpo das entrevistas realizadas pela Equipe Técnica do Projeto. Como também não se percebe um procedimento democrático por parte do poder público na indicação e renovação de mandato dos componentes dos Conselhos de acompanhamento e fiscalização da aplicação dos recursos do Fundef. Outro aspecto notado é que nenhum dos conselheiros entrevistados - no interior e na capital - pronunciaram-se acerca do acompanhamento na realização anual do censo educacional. No entanto, existe uma série de denúncias na imprensa diária, nas Comissões de Educação e Cultura do poder legislativo e nos sindicatos de professores sobre a manipulação dos dados do censo escolar. Essas denúncias dão conta de que o número de alunos matriculados no ensino fundamental cresce demais no início de cada ano letivo e de que o mais importante é reter o aluno na escola independentemente do padrão de qualidade do ensino aí desenvolvido. (Conforme dossiê de denúncias, em três volumes, da APLB - Sindicato). Não há, também, por parte dos conselheiros uma rotina de fiscalização direta nas escolas do ensino fundamental para verificar in loco a melhoria, o aproveitamento pedagógico e o desempenho institucional e acadêmico da aplicação dos recursos do Fundef. Há uma excessiva preocupação com o número de matrículas, mas não há uma mínima preocupação com a qualidade dos serviços prestados pela escola do ensino fundamental. Por último, destaca-se que os dispositivos da Lei de criação do Fundef são cobrados e fiscalizados pelos órgãos de controle externo tipo Tribunal de Contas. Sobre esta questão, os exames auditoriais realizados pelo TCE permitiram que fossem apresentadas as seguintes considerações, acerca da gestão dos recursos do Fundef, no Relatório e Parecer Prévio de 2001, deste Tribunal: O procedimento adotado pela Sefaz, de transferir os recursos do Fundo do Governo Estadua l, da conta do Banco do Brasil, para a CUTE (Conta Única do Tesouro), é justificado por razões operacionais: a utilização dos recursos em conjunto garante um maior percentual na aplicação. Essa justificativa, entretanto, não pode prevalecer a ponto de desfigurar a própria instituição do Fundef, transformando-o em mera vinculação de recursos, sem a garantia, como é próprio à função do fundo, de que os rendimentos de seus recursos reverterão para a realização dos seus objetivos. O que se constatou com a pesquisa é que esse fato não produziu conseqüências, pois a prestação de contas do estado em 2001 foi aprovada, apesar das considerações apresentadas em relatório pelo TCE/BA. à Assembléia Legislativa. RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES PRINCIPAIS O estudo do processo de implantação do Fundef na Bahia gerou uma massa de informações e de dados que, discutidos e analisados, indicaram alguns impactos positivos e outros negativos no que diz respeito à cobertura do ensino fundamental e dos outros níveis da educação básica, bem como, no que se refere a indicadores de qualidade do serviço oferecido, ao salário dos professores, à fiscalização e ao controle social dos recursos. Sobre a Cobertura A pesquisa realizada constatou um crescimento da matrícula do ensino fund amental no período 1996/2000, aumentando 28,6% no estado como um todo e 71,4% nas redes municipais. Como resultado, a taxa de atendimento referente à população de 7 a 14 anos passou de 89,2% em 1996 para 96,5% em 2000. Nos municípios estudados, as tendênc ias aproximaram-se às do estado, pois o acréscimo percentual no total de matrículas variou no período de 14% (Governador Mangabeira) a 36% (Vitória de Conquista). No que diz respeito ao processo de municipalização do ensino fundamental, constatou-se que este movimento teve início antes de 1998 e, tomando-se como referência o período 1996/2000, sua expansão foi de 13,95% no estado como um todo, sendo mais expressiva nos municípios pesquisados menos populosos, como São Sebastião do Passé (12,02%) e Governador Mangabeira (8,72%). Salvador, o município capital, Vitória da Conquista e Alagoinhas registraram, no período citado, menor crescimento percentual de municipalização, respectivamente, 5,92%, 5,89% e 3,42%, destacando - se uma presença mais efetiva do estado na oferta do ensino fundamental em Salvador, que em 2000 apresentava um índice de municipalização do ensino fundamental de apenas 21,50%, enquanto São Sebastião do Passé já alcançava 64,77%. Se por um lado se tem afirmado que o Fundef estimulou o aumento da matrícula no ensino fundamental, tendo como elemento motivador a relação matrícula x recursos, por outro, pode ter inibido o crescimento da educação infantil. Esta hipótese tem como base dois fatores. O primeiro é a inexistência do vínculo matrícula x recursos para a educação infantil, o que levou as redes municipais a não absorverem as matrículas desse nível que o estado deixou de oferecer a partir de 1998. O segundo é o fato da LDB /96 não ter definido a idade mínima de sete anos para ingresso no ensino fundamental, o que possibilitou algumas gestões municipais alterarem o registro das estatísticas, passando a contabilizar as classes de alfabetização (crianças de cinco e meio a seis anos), que antes de 1998 eram computadas na educação infantil, como classes do ciclo inicial do ensino fundamental, que envolve a alfabetização. Este remanejamento das estatísticas para ampliar a matrícula do ensino fundamental também possivelmente ocorreu com as classes de educação de jovens e adultos (EJA), que quase desapareceram dos registros e passaram a ser computadas como classes de ensino fundamental regular, com enfoque na aceleração. Estas duas situações de possível remanejamento de dados podem estar contribuindo para o aumento da matrícula do ensino fundamental. Isto não significa, entretanto, que não tenha havido uma grande chamada escolar, sobretudo nas redes municipais e na zona rural, impulsionada pelo investimento no transporte escolar. Quanto ao ensino médio, sua matrícula vem crescendo, principalment e na rede estadual. Contudo, as taxas de escolarização ainda são baixas quando comparadas às do ensino fundamental, atingindo 15,9% (escolarização liquida) em 2001, enquanto no ensino fundamental esta taxa era de 96,2%. Ainda com relação ao ensino médio, pode-se levantar a hipótese de que seu crescimento tenha sido limitado pela falta de incentivo em relação aos recursos, o que levou os gestores da rede estadual a controlar a municipalização do ensino fundamental na expectativa de manutenção em sua própria rede dos alunos matriculados no segundo segmento do ensino fundamental. Esta medida impediu a liberação de espaço físico e de docentes para a ampliação da oferta do ensino médio. Assim, a idéia de que a municipalização do ensino fundamental permitiria à rede estadual avançar rapidamente na oferta do ensino médio não foi plenamente concretizada. A discussão dos dados de matrícula dos três níveis da educação básica mostra claramente que essa política de financiamento, que relaciona matrícula a recursos fina nceiros, motivou as gestões municipais para a busca da melhoria quantitativa, ou seja, da ampliação da oferta de vagas no ensino fundamental. Contudo, esta política tem tido conseqüências negativas para educação infantil e o ensino médio. Portanto, recomenda-se ampliar a cobertura do Fundo visando atender a todo os níveis de educação básica brasileira. Sobre a Qualidade do Ensino O Fundef busca não só a universalização do ensino fundamental, como também uma oferta de ensino de boa qualidade, através de uma melhor distribuição e alocação dos recursos e da valorização do magistério. Para a análise do impacto do Fundo, foram destacados neste estudo alguns indicadores que podem representar a qualidade da oferta do serviço. São eles: a quantidade de alunos por turma, o gasto aluno/ano, a qualificação dos professores, o rendimento e a movimentação dos alunos. Embora não haja estudos conclusivos sobre a questão, para fins desta pesquisa trabalhou-se com as hipóteses de que classes menores tornam o trabalho do professor mais eficiente, elevando conseqüentemente o rendimento dos alunos. Procurou-se então verificar o impacto do Fundef no tamanho das turmas do ensino fundamental. Aqui é importante registrar que os dados da pesquisa estão agregados, tendo sido calculado para cada ano do período estudado o número alunos/turma do ensino fundamental, não se obtendo este dado em relação a cada um dos segmentos - 1ª à 4ª séries e 5ª à 8ª séries. Esta ressalva é importante, uma vez que estes dois segmentos apresentam características diferenciadas quanto ao número de professores que atuam em cada turma. Assim, a discussão aqui desenvolvida está sendo conduzida a partir de dados aproximados. Os dados coletados mostram que, nos municípios estudados, o número de alunos por turma praticamente não variou entre 1996 e 2000, sendo que a média não ultrapassou 32 alunos/turma, média considerada adequada para os padrões aceitáveis de qualidade. É positiva a constância desse número diante do crescimento abrupto das matriculas no período em questão. Ao que parece, o referido aumento foi acompanhado por investimento na construção e/ou na ampliação das unidades escolares. Além da relação alunos/turma, um outro indicador de qualidade é o gasto por aluno/ano. Com o Fundef, a garantia de um valor mínimo de dispêndio/aluno se concretizou via repasse acrescido de uma complementação da União, quando necessário. Mostram os dados que sem os recursos do Fundo a receita disponível seria insuficiente para atender o valor mínimo estipulado, exceto no estado e no município capital, uma vez que estes apresentam uma maior capacidade de arrecadação. Além disso, foi constatado um aumento significativo na despesa aluno/ano (em trono de 50% depois de corrigido pela inflação) em quatro dos cinco municípios pesquisados. Nesta perspectiva, pode-se concluir que o Fundef teve um impacto positivo no sentido de garantir recursos e ainda promover um aumento no gasto por aluno/ano no ensino fundamental. Com relação às despesas por aluno/ano dos níveis de educação infantil e do ensino médio, não se pode afirmar que o Fundef tenha produzido algum impacto positivo. No ensino médio, enquanto as matrículas aumentaram após a criação do Fundef, o indicador despesa por aluno/ano tem decrescido ao longo deste período. Observa-se, no entanto, que em alguns casos os dados financeiros referentes a esses dois níveis de ensino, não foram disponibilizados e noutros eles estavam agregados com as despesas do ensino fundamental. É possível que, a partir de 1998, estejam embut idas no gasto aluno/ano do ensino fundamental, as despesas com educação infantil, nas redes municipais, e as despesas com ensino médio, na rede estadual. Essa discussão merece um aprofundamento do estudo, que vai requerer dos gestores uma atitude mais transparente no que diz respeito a tornar públicos os dados de receitas e despesas. Aqui, o que se quer destacar é a dificuldade que os pesquisadores encontraram para ter acesso aos dados financeiros. Até o ano 2001 as gestões municipais estavam autorizadas a aplicar parte dos recursos da parcela dos 60% destinada à valorização do magistério na capacitação dos professores leigos, para habilitação necessária ao exercício das atividades docentes. Assim sendo, a expectativa era de que fossem identificadas ações que buscassem adequar os quadros docentes das redes estadual e municipais às exigências legais, ou seja, formação de nível médio em curso de magistério para o ensino da 1ª à 4ª séries e formação de nível superior em curso de licenciatura plena para o exercício do magistério da 5ª à 8ª séries do ensino fundamental. Os dados coletados revelaram, contudo, a presença, em 2000, de professores sem a habilitação mínima exigida por lei para o exercício do magistério no ensino fundamental. Salvador e Vitória da Conquista foram os municípios, entre os pesquisados, que apresentaram o melhor quadro docente no que diz respeito à adequação do grau de formação ao nível de ensino em que o trabalho docente era exercido. Os outros três municípios, integrantes do estudo, ainda contavam com um percentual significativo de professores sem a habilitação requerida. Também na rede estadual foram encontrados professores com formação de magistério atuando no segundo segmento do ensino fundamental. No período 98-00, apenas o município de São Sebastião do Passé estava executando projetos, que buscavam a melhoria de qualificação de seus professores. Também a gestão estadual, através do Instituto Anísio Teixeira, em convênio com várias universidades, estava definindo projetos de habilitação, à distância, de professores em exercício em sua rede. No entanto, estas iniciativas são recentes demais para já terem surtido efeitos significativos. Assim, pode-se afirmar que a situação dos quadros docentes ainda era precária no ano 2000, considerando-se a perspectiva de que todos os professores do ensino fundamental tenham formação de nível superior, em cursos de licenciatura plena. Entre os casos estudados, Salvador, o município melhor situado, tinha 38,25% de professores licenciados enquanto Alagoinhas e Governador Mangabeira só contavam, em seus quadros, com 5,66% e 3,42%, respectivamente. Recomenda-se, portanto, que seja prolongado o período de capacitação dos professores leigos - findo em 2001 - para que seja assegurada uma maior participação dos docentes neste processo, com vistas a proporcionar ao alunado uma melhor qualidade de ensino. A pesquisa mostrou que a maior disponibilidade de recursos para a manutenção e desenvolvimento do ensino não foi capaz de modificar a situação do quadro docente. Esta situação, aliada a outras, podem ser responsáveis pela baixa produtividade das redes de ensino estudadas. Os dados da pesquisa indicam que o Fundef não produziu impacto positivo em relação ao rendimento dos estudantes, uma vez que, no período 96-00, os índices de aprovação variaram negativamente e os de reprovação positivamente, nas redes estudadas. Quanto à permanência do aluno na escola, a situação mostrou-se mais positiva com a diminuição do índice de abandono nos casos pesquisados, exceto em Governador Mangabeira e na rede estadual. Em síntese, fazendo-se um paralelo entre os indicadores da oferta do ensino fundamental, no que se refere às dimensões quantitativa e qualitativa, fica evidente, em todos os casos estudados, o impacto positivo do Fundef no que diz respeito à dimensão quantitativa, significando aumento da matrícula, embora se chame a atenção para a possibilidade da adoção de mecanismos para ampliar a matrícula do ensino fundamento de forma artificial. Contudo, quanto à dimensão qualitativa, este impacto só pode ser considerado positivo em relação ao crescimento da receita e, conseqüentemente, o gasto/aluno/ano, em função do Fundo associar a matrícula aos recursos. Conclui-se que a presença de mais recursos não foi condição suficiente para alterar o perfil dos quadros docentes nem o desempenho dos alunos. Assim sendo, recomenda-se que seja revisado o valor mínimo a ser gasto por aluno/ano, apoiado em estudos do custo real do ensino fundamental por aluno/ano, para que mais recursos sejam investidos na qualificação dos professores, além do financiamento de estudos qualitativos que investiguem questões específicas relativas à melhoria do ensino. Recomenda-se, também, que seja respeitada pelo Governo Federal a exigência legal que prevê um valor mínimo aluno/ano nunca inferior “a razão entre a previsão da receita total para o Fundo e a matrícula total do ensino fundamental do ano anterior, acrescida do total estimado de novas matrículas”. Segundo Davies (1998), se a lei fosse respeitada, o valor mínimo aluno para 1998 deveria ter ficado em R$ 444,17, e não em R$ 315,00. Sobre os Salários A melhoria dos salários dos professores, uma das motivações para a criação do Fundef, não se concretizou plenamente. Ao contrário, os dados coletados mostraram, em três casos estudados, no período 98-00, um crescimento negativo com relação ao salário-base, alcançando -21,04% na rede estadual. Por outro lado, no município onde ocorreu o maior crescimento (31,78%), isto se deu por incorporação ao salário-base dos 25% de atividades complementares, ocorrendo um reajuste real de apenas 6,78%. As informações levantadas sinalizam a insatisfação dos professores com seus níveis salariais, existindo no movimento docente a reivindicação da reformulação dos planos de carreira e remuneração do magistério. Observou-se na ação dos gestores a prática do abono ou da distribuição do saldo dos 60%, de uma só vez, a título de gratificação (“rateio”). O que pode parecer falta de planejamento, na verdade pode ser uma estratégia para não comprometer as finanças do município, caso o Fundef não permaneça como uma política de financiamento do ensino fundamental. Inicialmente, os professores ficaram satisfeitos com o abono ou a gratificação, contudo, já começaram a perceber o efeito negativo desta política em relação às suas garantias salariais, daí os movimentos reivindicatórios no sentido de revisão dos planos de carreira e remuneração do magistério. Neste caso, recomenda-se que os gestores da educação, juntamente com os representantes dos docentes realizem estudos no sentido de melhor planejar o gasto dos 60% disponíveis para o pagamento dos professores, evitando a política de ”rateio” e abono, sendo importante rever, nesse momento, de um modo global, o plano de carreira e de remuneração do magistério. Sobre a Fiscalização e o Controle Social dos Recursos Segundo a legislação, a fiscalização e o controle social dos recursos do Fundef devem ser executados pelos Conselhos Estadual e Municipais de Acompanhamento e Controle Social do Fundef, como também, pelos Tribunais de Contas e pelo Ministério Público. Na Bahia, os Conselhos Estadual e Municipais de Acompanhamento e Controle Social do Fundef, seguindo o que determina a legislação, foram formalmente constituídos no estado, bem como em todos os municípios pesquisados. Contudo, nos estudos de caso, não foi observada uma ação contínua e plena desses conselhos, pautada nos objetivos propostos. Também, a pesquisa identificou alguns elementos que foram considerados inibidores ou que têm funcionado como barreiras às ações desses órgãos de fiscalização, destacando-se, dentre outros: a presença do secretário de educação como membro e/ou presidente desses conselhos; a falta de motivação e de interesse do presidente em convocar reuniões; a deficiência e a insuficiência de informações; a morosidade no fluxo de informações; o despreparo dos conselheiros para analisar registros contábeis e demonstrativos gerenciais, bem como para elaborar relatórios e pareceres avaliativos; a dificuldade dos conselheiros para conciliar o tempo de suas atividades profissionais com o exercício das atividades nos conselhos; a escolha de conselheiros politicamente comprometidos com os gestores; a falta de infraestrutura material para o pleno funcionamento de um conselho de fiscalização e controle; a falta de canais de comunicação e de divulgação; a falta de organização de alguns segmentos da sociedade que têm participação nesses conselhos. Dessa forma, os conselheiros não têm conseguido fiscalizar a ação dos gestores, no que diz respeito à repartição, à transferência e à aplicação dos recursos do Fundo. Assim sendo, a pesquisa constatou uma distância entre os resultados alcançados e os esperados no que diz respeito à atuação dos conselhos de acompanhamento e controle, o que mostra a falta de efetividade do desempenho desses órgãos de fiscalização, bem como sua pouca eficácia no que se refere ao alcance de objetivos mais gerais, tais como os de controle social, de representação, de participação e de democratização. Sobre o controle externo dos recursos do Fundef, o TCE/BA e o TCM/BA têm realizado a apreciação das contas prestadas, anualmente, pelos órgãos governamentais do estado e dos municípios, com a finalidade de opinar por sua aprovação ou rejeição. Segundo a pesquisa, todos os municípios estudados tiveram suas contas aprovadas com ressalvas ou rejeitadas no período 98-00, exceto o município de Salvador que teve suas contas aprovadas no ano de 1999. Ainda, com relação às contas aprovadas com ressalva ou rejeitadas, a informação é de que, em muitas delas, a causa das ressalvas ou da rejeição estava relacionada com a aplicação dos recursos do Fundef. Quanto ao Estado da Bahia, verificou-se que suas contas foram aprovadas, apesar do Relatório Prévio - 2001 do TCE/BA ter chamado a atenção para o fato da Sefaz/Ba transferir os recursos do Fundo da conta específica do Banco do Brasil para a conta única do tesouro (CUTE), o que, segundo o próprio Tribunal, faz “desfigurar a própria instituição do Fundef, transformando-o em mera vinculação de recursos”. Em caso de rejeição das contas dos governos e havendo indícios de crime contra o patrimônio público, cabe aos Tribunais de Contas encaminhá- las ao Ministério Público para a devida investigação e providências cabíve is. Contudo, na Bahia, os processos relativos à má aplicação dos recursos do Fundef encaminhados ao MP pelo TCM, bem como por outras organizações não têm sido julgados, pois até o presente momento o Supremo Tribunal Federal não determinou a instância competente para processar e julgar esses processos (MP, Of. Nº 03/2002 e Of. Nº 188/2002). Assim sendo, constatou-se através da pesquisa que a fiscalização dos recursos Fundef ou não tem sido efetivada pelos Conselhos Estadual e Municipais de Acompanhamento e Controle Social desse Fundo ou quando executada pelos Tribunais não têm produzido conseqüências. Considerando as questões apontadas com relação à fiscalização do Fundef, recomenda-se: (a) que seja desenvolvido um amplo movimento no sentido de envolver todos os segmentos sociais que integram o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundef na discussão da função desse órgão colegiado, bem como, do papel de seus representantes nesse conselho; (b) que os gestores responsáveis pela aplicação dos recursos do Fundef, mantenham um canal de comunicação direto com o Conselho de Acompanhamento e Controle e que estabeleçam formas de divulgação, dos dados das receitas e despesas desse Fundo para a comunidade escolar, para os segmentos da sociedade que participam desse conselho e para a sociedade em geral; (c) que os órgãos de gestão dos recursos do Fundef, seguindo o que define a legislação, mantenham seus recursos em uma conta específica, os quais devem ser destinados a uma programação também específica no respectivo orçamento; (d) que os membros desses conselhos sejam preparados para a realização das suas atividades, de modo a compreender o que são as políticas públicas de financiamento da educação e a dominar as práticas específicas desses órgãos colegiados; (e) que seja revista a composição dos conselhos, na intenção de que o titular da pasta da educação não integre este órgão colegiado, que deve fiscalizar as ações do executivo da educação. (f) que seja incluída na legislação uma previsão de dispensa de carga horária dentro da jornada de trabalho dos profissionais integrantes de conselhos dessa natureza, para que possam desempenhar as atividades inerentes à condição de conselheiro. Como nota conclusiva é importante registrar que, com o Fundef, os municípios estudados passaram a assumir um papel de maior destaque na oferta dos serviços educacionais, responsabilizando-se pela educação infantil e uma parte significativa do ensino fundamental. Contudo, a municipalização ampla, envolvendo todo o ensino fundamental, exige planejamento e um processo de implantação acompanhado e controlado, buscando, sobretudo, cumprir a proposta do próprio Fundef de valorização e capacitação do magistério, para que gradativamente seja alcançada a melhoria da qualidade do ensino fundamental brasileiro. REFERÊNCIAS ABREU, M. Consensos e dissensos na avaliação do Fundef. 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