PRÊMIO ABIQUIM DE TECNOLOGIA
INCENTIVO Á PESQUISA E INOVAÇÃO
2010
FORMULÁRIO PARA APRESENTAÇÃO
FAVOR NÃO PREENCHER
No de inscrição:
IDENTIFICAÇÃO DO TRABALHO
TÍTULO: Novo Processo de Separação da Mistura Propano/Propeno: Uma Eficiente alternativa para a
Economia de Energia na Indústria Petroquímica
NOME DA EMPRESA/PESQUISADOR: Programa de Engenharia Química- UFRJ
CATEGORIA DE INSCRIÇÃO: Empresa
Empresa Nascente
Pesquisador (X)
IDENTIFICAÇÃO DO(S) PESQUISADOR(ES)
NOME DO RESPONSÁVEL PELA PESQUISA: Liliane Damaris Pollo
NOME(S) DO(S) PESQUISADOR(ES) (EQUIPE DE PESQUISA, SE HOUVER) E RESPECTIVOS
CARGOS: Alberto Cláudio Habert e Cristiano Piacsek Borges (Coordenadores)
DADOS PARA CONTATO
ENDEREÇO: Programa de Engenharia Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Tecnologia, Bloco G, sala 115, Cidade Universitária, CEP 21941-972, Rio de Janeiro,
RJ.
TELEFONE: (21) 25627165
Email: [email protected]
Associação Brasileira da Indústria Química
Av. Chedid Jafet, 222, Bloco C – 4º andar, Vila Olímpia, São Paulo, SP
Cep: 04551-065 – Fone: (11) 2148-4712 – Fax: (11) 2148-4760
www.abiquim.org.br e-mail: [email protected]
FAVOR NÃO PREENCHER
[Segunda Página]
No de inscrição:
IDENTIFICAÇÃO DO TRABALHO
TÍTULO: Novo Processo de Separação da Mistura Propano/Propeno: Uma Eficiente alternativa para a
Economia de Energia na Indústria Petroquímica
CATEGORIA DE INSCRIÇÃO: Empresa
Empresa Nascente
Pesquisador (X)
Obs.: nenhuma identificação pessoal do pesquisador ou empresa deve constar neste espaço do
formulário de inscrição.
APRESENTAÇÃO DO TRABALHO
(i) Limite máximo de 10 (dez) páginas, contando com esta, incluindo gráficos, imagens e bibliografia.
(ii) O espaço excedido será desconsiderado na avaliação do trabalho inscrito
(iii) Formatação do texto - Fonte: Arial; Tamanho: 11; espaço simples entre linhas; parágrafo: 0 pt
Tema: Nanotecnologia aplicada a processos energeticamente favoráveis
Objetivo: Com a temática da escassez dos recursos energéticos em âmbito mundial se faz
necessário o desenvolvimento de processos industriais mais eficientes. A separação de
propeno/propano por membranas de transporte facilitado (MTF) apresentam elevado potencial
para a economia de energia. É neste contexto que o presente trabalho se insere, com o
objetivo geral de desenvolver membranas poliméricas de poliuretano, empregando
nanopartículas de prata como agentes transportadores na separação da mistura
propano/propeno.
Resumo:
O gás propeno, juntamente com o eteno, são as principais matérias primas da indústria
petroquímica. O propeno é utilizado na produção de polipropileno, acrilonitrila, e muitos outros
compostos. A demanda mundial deste produto vem crescendo a uma taxa anual de
aproximadamente 5% desde 2007, com projeção para mais de 100 mil toneladas para 2015.
Na obtenção do propeno são necessários muitos estágios de destilação, sendo a última
etapa, a separação da mistura propano/propeno, a mais onerosa, principalmente em se
tratando do fator energético. Uma eficiente alternativa à destilação são os Processos de
Separação por Membranas (PSM), que apresentam entre suas principais vantagens um
menor consumo de energia, uma vez que a separação ocorre sem mudança de fase. Para
aumentar a eficiência de separação de compostos com propriedades físicas e químicas
semelhantes, agentes transportadores (nanopartículas de prata – AgNp’s) são incorporadas
na matriz polimérica, interagindo de forma reversível com o propeno, e não com o propano,
melhorando significativamente o transporte através da membrana. No presente trabalho foi
desenvolvida uma membrana polimérica de poliuretano contendo AgNp’s sintetizadas “in situ”
no próprio polímero. As membranas sintetizadas mostraram excelente desempenho e
estabilidade na separação da mistura propano/propeno, obtendo seletividade e
permeabilidade de aproximadamente 400 e 4 GPU, respectivamente, em testes de
permeação contínua de 180 horas.
2
Introdução:
Olefinas leves como eteno e propeno são os principais petroquímicos básicos mundiais. São
insumos de alto valor agregado utilizados para a manufatura de diversos polímeros e
compostos, principalmente na fabricação de polietileno e polipropileno. Com o crescente
consumo de produtos à base destes compostos, a demanda mundial vem aumentando e as
perspectivas indicam a necessidade de um aumento da capacidade de produção. A América
Latina é responsável por 4% do total mundial produzido e o Brasil é responsável por mais da
metade desta produção (QUIMAXLATIN REPORT, 2010). Um estudo realizado pela
Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM, 2006), mostra que a demanda
brasileira destas olefinas já é superior à oferta, como ilustrado na Fig. 1. O aumento da oferta
a partir de 2012 é devido à instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro
(Comperj).
7
5
5
demanda
oferta
Milhões de toneladas
Milhões de toneladas
6
4
3
2
1
0
4
demanda
oferta
3
2
1
0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
período
Período
(a)
(b)
Fig.1. Balanço oferta-demanda de eteno (a) e propeno (b) em milhões de toneladas anuais (Adaptado do
Relatório Anual Abiquim 2006).
Para a obtenção do propeno, o produto de craqueamento é submetido a sucessivas etapas de
destilação até a separação da fração C3 (propano/propeno). Os principais custos de obtenção
de propeno estão associados a esta última etapa de separação, uma vez que estes gases
apresentam propriedades físico-químicas semelhantes e tamanhos moleculares próximos. O
processo de destilação da mistura propano/propeno apresenta alto consumo de energia e de
investimento capital, pois operam com altas razões de refluxo para a obtenção do grau de
separação desejada. Para esta separação são necessárias torres com aproximadamente 90
metros de altura e colunas com mais de 180 pratos. A energia necessária de operação é tão
elevada quanto o custo capital dos equipamentos. Estima-se que estes processos são
responsáveis por 40% do total do consumo de energia de uma indústria petroquímica
(aproximadamente 1.2 x 1014 Btu/ano) (Eldridge, 1993).
Em vista do elevado custo associado a esta separação, há um grande potencial para o
desenvolvimento de novos processos de obtenção de propeno, resultando em menores
custos operacionais e infra-estrutura.
Neste contexto, os processos de separação por membranas (PSM’s) se mostram como uma
alternativa muito atrativa, com intensas atividades de pesquisa sendo realizadas nesta área.
Os PSM’s apresentam, entre outras vantagens, maior facilidade de operação, menor custo
capital e elevada eficiência energética, já que esta separação ocorre sem mudança de fase. É
estimado que a economia anual de energia obtida através dos PSM’s pode chegar a 105
trilhões de Btu. Além disso, com o avanço na área de engenharia de materiais, diversos
polímeros vem sendo desenvolvidos a partir de materiais renováveis que são altamente
competitivos com os produzidos a partir de petróleo, reduzindo significativamente o impacto
3
ambiental. Membranas poliméricas apresentam um promissor potencial para a separação de
propeno, devido às infinitas propriedades e diversidade dos materiais poliméricos atualmente
disponíveis. Em decorrência da semelhança entre o tamanho e propriedades físico-química
dos gases propeno e propano, a eficiência de separação ainda não é suficiente. Para um
melhor desempenho na separação, que alie elevados fluxos com elevadas seletividades, as
membranas poliméricas de transporte facilitado (MTF) são as mais adequadas. Essas
membranas contem agentes transportadores, nanopartículas de prata, incorporados na matriz
polimérica, que promovem o transporte específico e reversível do propeno através da
membrana. O uso de nanopartículas de prata como agentes transportadores de propeno é
uma aplicação da nanotecnologia ainda pouco reportada na literatura. Por definição,
nanopartículas são materiais que apresentam diâmetro compreendido entre 1 e 100
nanômetros. As propriedades físicas e químicas de materiais quando diminuídos nesta escala
podem ser bastante diferenciadas comparadas às propriedades em escala macroscópica
(“bulk”). Estas características conferem a estes materiais grande importância e aplicação no
campo da nanotecnologia. A prata metálica, por exemplo, é geralmente inerte como agente
transportador de propeno, contudo, torna-se extremamente ativa quando levada à escala
nanométrica (MURRAY et al., 2000).
Existem diversos fatores responsáveis pelas mudanças das propriedades dos nanomateriais,
sendo um deles relacionado às características de sua superfície. Quando um material na
escala nanométrica tem sua relação área/volume aumentada substancialmente, os sítios
ativos ficam mais expostos e o número de átomos presentes na superfície do material é da
ordem daqueles presentes no seu interior. Por estarem mais próximos à superfície, estes
átomos apresentam uma reatividade diferenciada. No presente trabalho, foram desenvolvidas
membranas de poliuretano contendo nanopartículas de prata para a separação da mistura
propeno/propano. Os resultados demonstraram um grande potencial para ampliação de
escala e aplicação industrial das membranas, que poderá ser utilizada, num primeiro
momento, como parte de um processo híbrido de destilação e separação por membranas. O
domínio de tal tecnologia seria de importância estratégica na indústria petroquímica,
mostrando-se como uma alternativa aos onerosos processos de destilação. Além disso, o
conhecimento adquirido pelo desenvolvimento de novos materiais com propriedades
diferenciadas, como a síntese de nanocompósitos poliméricos (membrana com nanopartículas
de prata) e o seu uso para separação de gases, é de primordial importância tanto no âmbito
científico-tecnológico como no desenvolvimento mais sustentável visando um processo
energeticamente mais favorável.
Separação Propeno/Propano por Membranas – Estado da Arte
O emprego industrial de membranas poliméricas para a separação de gases é relativamente
recente, com a primeira planta instalada em 1980 para a separação de hidrogênio. Desde
então, este processo vem ganhando espaço e atualmente existem diversas plantas que
operam utilizando membranas poliméricas para as mais variadas separações. Cerca de dois
terços destes sistemas são para a separação O2/N2, desumidificação do ar e remoção de
hidrogênio do gás de purga da síntese de amônia (Ghosal e Freeman, 1994; Baker, 2002).
Membranas densas são mais adequadas para a separação de gases que membranas com
outros tipos de morfologia. Em membranas densas, a separação dos gases ocorre devido às
diferenças de solubilidade e mobilidade dos permeantes no material que constitui a
membrana, segundo um mecanismo conhecido como sorção-difusão (Baker e Wijmans,
1995). Os materiais poliméricos testados, até o momento, na separação de misturas
propano/propeno não obtiveram uma boa relação permeabilidade/seletividade, obtendo altas
seletividades à custa de baixos fluxos e vice-versa.
4
A dificuldade na separação se deve às propriedades físicas semelhantes destes gases,
resultando em fatores de separação baixos para membranas que apresentam somente a
sorção-difusão como mecanismo de transporte.
Segundo Costa et al. (2001), membranas que apresentam seletividade maior que cinco são
economicamente viáveis para a separação de propano/propeno em correntes de purga. Já
para a substituição das colunas de destilação em refinarias por processos com membranas ou
processos híbridos (destilação e membrana), seletividades bem maiores deverão ser
atingidas. Neste caso, membranas poliméricas convencionais não são adequadas, sendo
necessário o desenvolvimento de membranas de transporte facilitado, mais especificamente,
membranas contendo transportadores fixos.
Em membranas poliméricas com transportador fixo, a olefina é transportada através de um
mecanismo adicional à sorção-difusão, via complexação com um metal de transição, elevando
simultaneamente sua permeabilidade e seletividade. Os metais de transição são utilizados
como transportadores de olefinas porque são capazes de formar complexos reversíveis com
moléculas contendo dupla ligação. O mecanismo de transporte mais aceito pressupõe que a
olefina permeie através da membrana por saltos de um sítio ativo fixo à cadeia polimérica para
outro vizinho, até atingir o lado permeado. Para que estes saltos sejam efetivos, dois agentes
complexantes deverão estar próximos o suficiente um do outro para que a molécula de soluto
consiga saltar de um sítio ativo a outro (Cussler et al., 1989). Para uma melhor compreensão,
uma representação esquemática do mecanismo de saltos entre os sítios ativos de prata,
juntamente com o mecanismo de sorção-difusão na região isenta de agentes transportadores
está apresentada na Fig. 2. O sistema demonstrado é a separação de propano
(C3H8)/propeno (C3H6) usando o íon prata (Ag+) como transportador fixo. A fixação dos cátions
no polímero ocorre pela coordenação com os grupos funcionais ou heteroátomos doadores de
elétrons presentes na matriz polimérica. A mobilidade segmental das cadeias do polímero é
de fundamental importância no transporte facilitado, pois esses movimentos auxiliam a
aproximação dos agentes transportadores, facilitando o salto das moléculas de propeno.
ALIMENTAÇÃO
C3H6
C3H8
Transportador fixo
Polímero
Ag+
Transporte passivo
Ag+
Ag+
PERMEADO
Fig. 2. Representação do mecanismo proposto para o transporte facilitado através de membranas
contendo transportadores fixos
No entanto, sais de prata são muito instáveis quimicamente e são facilmente reduzidos a
partículas de prata formando agregados, perdendo sua atividade de transporte. Além disso, a
redução da prata provoca a degradação do poliuretano resultando na perda de suas
propriedades mecânicas. Em vista disso, houve a necessidade de se investigar um agente
transportador mais estável e nanopartículas de prata são materiais altamente promissores
para esta aplicação.
5
A pesquisa em nanopartículas metálicas vem crescendo consideravelmente nos últimos anos,
pois estes materiais apresentam propriedades físico-químicas diferenciadas, devido ao seu
reduzido tamanho e elevada área superficial. Propriedades óticas, eletrônicas, térmicas,
catalíticas e também biológicas são inerentes a estes materiais, lhes conferindo tamanho
interesse na pesquisa de materiais avançados dentro da nanotecnologia. O uso de
nanopartículas de prata para o transporte de propeno é muito recente, sendo que este método
de preparação utilizando a síntese da membrana e das nanopartículas de prata “in situ” é
inédito na literatura. O mecanismo de transporte é muito semelhante ao proposto para íons
prata, pois as nanopartículas de prata apresentam uma carga positiva deslocalizada em torno
de toda a sua área superficial, que permite a complexação com o propeno, porém, de forma
muito mais eficiente e estável.
Metodologia Experimental:
As membranas planas foram preparadas através da técnica de inversão de fase por
evaporação de solvente. O polímero utilizado na preparação das membranas foi um
poliuretano (PU) à base de poliéter. O sal de prata Trifluorometanosulfonato (AgCF3SO3)
(triflato de prata), adquiridos da Aldrich, foi utilizado como agente precursor das AgNp’s.
Na preparação da membrana, o polímero foi dissolvido em tetrahidrofurano (THF, >99%,
Aldrich) com agitação a temperatura ambiente. Após completa dissolução, uma quantidade
pré-determinada do sal (AgCF3SO3) foi adicionada à solução e o sistema foi homogeneizado
através de um agitador ultrasônico para se obter uma eficiente dispersão dos íons prata no
polímero. Esta solução foi espalhada sobre um suporte microporoso (membrana de Nylon®) e
submetida à irradiação ultravioleta durante quinze horas. Após a formação das membranas
contendo nanopartículas de prata, estas foram armazenadas sob vácuo para a evaporação do
solvente residual. Também foi preparada uma membrana a partir do polímero puro, com
ausência de AgNp’s, como parâmetro de comparação.
As propriedades de transporte das membranas foram avaliadas através de testes de
permeação ao propano e propeno puros. Os experimentos de permeabilidade foram
realizados em uma unidade de permeação de gases, conforme ilustrado na Fig.3. Foram
utilizados gases propano e propeno com teor de pureza de 99,5%, fornecidos pela AGA. A
pressão de alimentação foi mantida em 2 bar e a permeabilidade dos gases puros obtida
através do acompanhamento do aumento da pressão do lado do permeado.
Fig. 3. Representação esquemática do sistema de permeação de gases
6
A permeabilidade é calculada através da seguinte equação:
(1)
P dp ⎛ Vsistema
.⎜
=
l
dt ⎜⎝ A.Δp
⎞ ⎛ TCNTP
⎟⎟.⎜⎜
⎠ ⎝ Tamb . pCNTP
⎞
⎟⎟
⎠
Onde P é a permeabilidade da membrana; l é a espessura da membrana; dp/dt é a variação
da pressão com o tempo; ∆p é a diferença de pressão através da membrana; A é a área de
permeação da membrana; p(CNTP) e T(CNTP), são a pressão e a temperatura nas CNTP; Vs é o
volume do sistema; T(AMB) é a temperatura nas condições de operação.
A
unidade
utilizada
para
permeabilidade
é
o
Barrer,
que
equivale
a
1010cm3(CNTP).cm/(cm2.s.cmHg).
A seletividade ideal (αC3H6/C3H8) é determinada pela razão das permeabilidades dos gases
puros, de acordo com a Eq. (2):
(2)
α C 3H 6
=
C 3H 8
PC 3 H 6
PC 3 H 8
Para um melhor entendimento da natureza estrutural das membranas formadas e evidenciar
os efeitos da presença da nanopartícula na matriz polimérica, foram realizadas análises de
microscopopia eletrônica de transmissão e espectroscopia fotoeletrônica de raios-X (XPS).
Para análise de desempenho foram realizados testes de permeação de gases propano e
propeno.
Resultados e Discussão
Análises de Microscopia Eletrônica de Transmissão (MET)
A análise de MET é importante e essencial para comprovar a presença, forma e distribuição
das AgNp’s na membrana. A Fig. 4 mostra a imagem de microscopia eletrônica de
transmissão da membrana de poliuretano contendo nanopartículas de prata (PU_AgNp).
Observa-se claramente a formação de nanopartículas de prata formadas na matriz do
poliuretano, com distribuição de tamanho entre 5 e 30 nanômetros.
Fig. 4. Imagem de microscopia eletrônica de transmissão da membrana PU_AgNp.
Espectroscopia Fotoeletrônica de Raios-X (XPS)
A espectroscopia fotoeletrônica de Raios-X é uma análise de superfície amplamente utilizada
para se determinar os elementos químicos presentes, o seu estado de oxidação e
informações sobre o ambiente químico dos elementos. Segundo KIM et al., (2007), a região
3d/2 do espectro de XPS para nanocompósitos de prata é muito sensível ao ambiente químico
que circunda a prata, podendo fornecer importantes informações sobre o seu estado de
7
oxidação. Neste sentido, a análise de XPS foi realizada com o objetivo de se obter
informações sobre as espécies de prata presentes e suas interações com o polímero.
O espectro de XPS da membrana contendo AgNp’s na região 3d/2 da prata pode ser
observado na Fig. 5. Pode-se observar um pico centrado em 368,54 eV, correspondente a
prata metálica. Este valor de energia é próximo ao encontrado na literatura (368,26 eV)
(KANG et al., 2007). O íons Ag+ e Ag2+ apresentam energia de ligação 3d5/2 de 367,6 e 367,2
eV, respectivamente (KOBAYASHI et al., 2001).
368,54
Ag d 5/2
Ag d 5/2
368,26
362
364
366
368
370
372
374
376
378
380
Energia de ligação (eV)
Fig. 5. Espectro de XPS do sinal Ag 3d/2 da membrana PU_AgNP. (O ponto em 368,26 eV é atribuído a
nanopartículas de prata)
A comparação com os dados da literatura sugere que apenas AgNp’s estão presentes na
superfície da membrana. O deslocamento do pico de 368,26 para 368,54 eV pode ser
resultante da interação entre os átomos de prata e o polímero, como também observado por
KANG et al., (2007).
A hipótese de coordenação das AgNp’s com o polímero é reforçada através do resultado de
XPS da região O1s (Fig. 6).
531.64
532.50
B
A
524
526
528
530
532
534
536
538
540
542
Energia de ligação (eV)
Fig. 6. Espectro de XPS do sinal O1s das membranas PU (A) e PU_AgNp (B).
A energia de ligação do oxigênio na membrana de PU (A) corresponde a 532,50 eV e diminui
para 531,54 eV na membrana contendo AgNp’s (B). As mudanças nas energias de ligação em
ambos os espectros podem ser explicadas pela transferência parcial de elétrons dos átomos
de prata para os átomos de oxigênio, levando a uma deficiência de elétrons na superfície das
8
nanopartículas de prata. Esta deficiência de elétrons tornaria as partículas positivamente
carregadas, condição favorável para a complexação com a dupla ligação da olefina (KANG et
al., 2007).
Permeação de Gases
A Tab. 1 apresenta os resultados da permeação de gases utilizando a membrana
contendo nanopartículas de prata na separação propeno/propano. Como pode ser observado,
os resultados foram altamente satisfatórios. A membrana de poliuretano contendo
nanopartículas de prata apresentou excelente fator de separação (α>400) comparado à
membrana sem o agente transportador. Este comportamento é conseqüência do significativo
aumento na permeabilidade ao propeno e drástica diminuição na permeabilidade ao propano.
Tab. 1. Permeabilidades e seletividades das membranas de PU puro e contendo nanopartículas de prata
Permeabilidade (Barrer)
Membrana
αC3H6/C3H8
Propeno
Propano
PU puro
66
27
2
PU/Ag_Np
120
0,3
400
Testes de longa duração foram realizados e resultados muito animadores e promissores foram
obtidos. Foi observado comportamento constante da permeabilidade do propeno durante sete
dias de permeação contínua, como observado na Fig. 7.
Permeabilidade ao Propeno (GPU)
5
4
3
2
1
0
0
20
40
60
80
100
120
140
160
180
Tempo (horas)
Fig. 7. Permeabilidade ao propeno da membrana contendo nanopartículas de prata durante teste de longa
duração.
Estes resultados demonstram a estabilidade da nanopartícula de prata como agente
transportador. Estes resultados são inéditos na literatura, pois seletividades e estabilidades
tão elevadas ainda não foram reportadas para membranas contendo nanopartículas de prata
como agentes transportadores.
Conclusões
O mérito do presente trabalho foi a obtenção de uma membrana contendo AgNp’s formadas
“in situ” no próprio polímero, capaz de separar eficientemente o gás propeno. Membranas
formadas pelo método descrito aliam as excelentes propriedades do poliuretano à eficiência
do transporte das AgNp’s. O fator de separação atingido foi superior a 400, demonstrando um
9
excelente desempenho na separação da mistura propano/propeno. A membrana apresenta
elevada estabilidade, conforme indicando em testes de longo período de duração.
O presente trabalho vem a contribuir com o desenvolvimento de uma nova tecnologia de
separação utilizando membranas e nanotecnologia, como alternativa aos onerosos processos
de destilação. Os resultados obtidos demonstram que nanopartículas de prata são eficientes
agentes transportadores de propeno e apresentam grande potencial para emprego em
membranas para esta separação, podendo vir a competir com os processos vigentes em
termos de maior eficiência energética.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABIQUIM, Associação brasileira da indústria química e produtos derivados, Anuário da indústria
química brasileira, São Paulo, 2006.
BAKER, R. W. “Future Directions of Membrane Gas Separation Technology” Ind. Eng. Chem.
Res., v. 41, pp. 1393-1411, 2002.
BAKER, R. W., WIJMANS, J. G. “The Solution-Diffusion Model: a Review.” Journal of Membrane
Science, v. 107, pp. 1-21, 1995.
COSTA, A. R., DANIELS, R., HE, Z., MORISATO, A., PINNAU, I. “Membrane Process for the
Recovery of Propylene from Chemical Industry Waste Streams”. 6th. World Congress of
Chemical Engineering, Melbourne, Australia, 2001.
CUSSLER, E. L., ARIS, R., BHOWN, A. “On the Limits of Facilitated Diffusion”. Journal of
Membrane Science, v. 43, pp. 149-164, 1989.
ELDRIDGE, R. B. “Olefin/Paraffin Separation Technology: A Review”. Ind. Eng. Chem. Res., v.
32, pp. 2208-2212, 1993.
GHOSAL, K., FREEMAN, B. D. “Gas Separation using Polymeric Membranes: An Overview”.
Polymer for Advanced Techologies, v. 5, pp. 673-697, 1994.
KANG, Y. S., KANG, S. W., KIM, H., KIM, J. H., WON, J., KIM, C. K., CHAR, K. “Interaction with
Olefins of the Partially Polarized Surface of Silver Nanoparticles Activated by p-benzoquinone
and its Implications for Facilitated Olefin Transport”, Advanced Materials, v. 19(3), pp. 475-479,
2007.
KIM, J. H., MIN, B. R., KIM, C. K., WON, J., KANG, Y. S. “Spectroscopic Interpretation of Silver Ion
Complexation in Silver Polymer Electrolytes”. Journal of Physical Chemistry B, v. 106, pp.
2786-2790, 2002.
KOBAYASHI, Y., SALGUEIRINO-MACEIRA, V., LIZ-MARZÁN, L. M. “Deposition of Silver
Nanoparticles on Silica Spheres by Pretreatment Steps in Electroless Plating”, Chemistry of
Materials, v. 13, pp. 1630-1633, 2001.
MURRAY, C. B., KAGAN, C. R., BAWENDI, M. G. “Synthesis and Characterization of Monodisperse
Nanocrystals and Close-Packed Nanocrystals Assemblies”, Annu. Rev. Mater. Sci., v. 30, pp.
545-610, 2000.
QUIMAXLATIN REPORT, “Providing Market Intelligence to the Petrochemical and Plastic
Industries” Disponível em: <http://www.quimaxlatin.com/site/noticias_todas.php>. Acesso em:
10 ago. 2010.
Impacto ambiental:
O presente trabalho apresenta impactos ambientais mínimos. Os processos de separação com membranas são
conhecidos como processos de tecnologia limpa, pois separaram compostos fisicamente, não sendo necessário o
uso de produtos químicos, e é possível reaproveitar ambas correntes, de concentrado e permeado. No presente
processo de separação de propano/propeno, a membrana seletiva e semipermeável discrimina um composto frente
a outro separando os componentes em duas correntes, o propeno no permeado e o propano no concentrado. O
propano pode ser reutilizado na fabricação de GLP (gás liquefeito de petróleo).
10
Download

prêmio abiquim de tecnologia incentivo á pesquisa e inovação 2010