AVALIAÇÃO DE SISTEMA DE ILUMINAÇÃO DE UMA EMPRESA VISANDO ECONOMIA DE ENERGIA E EFICIÊNCIA LUMINOTÉCNICA José Francisco Rodrigues (1); Renato Crivellari Creppe (1); José Alfredo Covolan Ulson (1); Luiz Gonzaga Campos Porto (1); Rodrigo Alessandro Godoy (2) (1) Profs. Drs. do Departamento de Engenharia Elétrica–FEB/UNESP/Bauru; [email protected] (2) Engenheiro Eletricista Resumo Em uma linha de produção um projeto eficiente de sistema de iluminação pode proporcionar aos funcionários de uma empresa um trabalho com maior segurança, agilidade e conforto evitando dessa forma perdas de produtividade por condições inadequadas do nível de iluminação, acidentes de trabalho e custos adicionais à empresa para reparar falhas não previstas no projeto original. Este artigo descreve a importância de se analisar e avaliar periodicamente os sistemas de iluminação já instalados nas linhas de produção industrial visando o nível adequado de iluminância do ambiente a fim de proporcionar para a empresa a garantia de ergonomia do trabalho, prezando pela segurança e ainda certificando-se que não haverá perdas de produtividade em função de deficiências da iluminação. As medidas “in loco”, as coletas dos dados do sistema de iluminação atual e os cálculos efetuados foram essenciais para constatar o nível inadequado de iluminância, demonstrando a importância de se investir no emprego de novos equipamentos e tecnologias relacionadas com a área de iluminação. Também ficou garantida a redução do consumo de energia elétrica com o investimento a ser realizado preservando ainda a ergonomia do local de trabalho em termos de iluminação adequada para a eficiência das atividades desenvolvidas. Introdução Vários fatores influenciam a lucratividade de uma empresa e entre eles podem-se citar dois que serão abordados neste artigo: produtividade e redução de custos. Dentro do quesito produtividade enfatiza-se principalmente a questão associada ao tema deficiência de iluminação. Já em relação à redução de custos o assunto fica por conta do consumo de energia. Focando uma linha de produção, um projeto eficiente de sistema de iluminação pode proporcionar aos funcionários de uma empresa trabalho com maior segurança, agilidade e conforto evitando dessa forma perdas de produtividade por condições inadequadas do nível de iluminação, acidentes de trabalho e custos adicionais à empresa para reparar falhas não previstas no projeto inicial. Do ponto de vista de eficiência energética, várias formas podem ser usadas para se reduzir o consumo de energia em uma empresa, tais como: mudança do tipo de estrutura tarifária, aumento do fator de potência, a conscientização dos funcionários quanto à forma de uso e ao consumo de energia elétrica e mudanças nos sistemas de iluminação. Materiais e Métodos O artigo tem como objetivo identificar e apresentar potenciais de melhorias de um atual sistema de iluminação em uma linha de montagem com base nos dados obtidos “in loco”. Quando se propõe estudos envolvendo sistemas de iluminação vários conceitos inseridos nessa área exigem um tratamento detalhado, conforme mencionam ABNT (1992) [1], GUERRINI (2007) [4], OSRAM (2006) [7] e PHILIPS (2008) [8]. Desta forma, buscou-se identificar nos ambientes analisados a quantidade e qualidade da iluminação requerida, a iluminância, ofuscamento, distribuição das luminárias, temperatura de cor da fonte de luz, utilização da iluminação natural, tipos de lâmpadas, reatores e luminárias, curvas fotométricas, para finalmente culminar com a execução dos projetos de iluminação desses ambientes fazendo uso do método dos lumens, conforme descreve GUERRINI (2007). Foi analisado o projeto do sistema de iluminação atual de uma linha de produção de motores em funcionamento para posterior comparação com novas propostas de projetos e para tanto se fez uso de novas tecnologias existentes em lâmpadas, reatores e luminárias que são apresentados por DEMAPE (2007) [3], GE ILUMINAÇÃO (2002) [5], ITAIM ILUMINAÇÃO (2008) [6], OSRAM. (2006) [7] e PHILIPS (2008) [8]. Foi escolhido um estudo de caso devido suas várias aplicações oferecendo oportunidade para que aspectos de um problema sejam estudados em profundidade dentro de um período de tempo limitado. Resultados e Discussão O sistema atual de iluminação, na verificação “in loco”, é composto de 94 luminárias pendentes do tipo iluminação direta, sem refletor com 4 lâmpadas por luminária. O reator é do tipo eletrônico de partida instantânea com alto fator de potência e as lâmpadas são do tipo T8 de 32W de potência cada, com diâmetro de 26mm e eficiência luminosa de 84,4 lúmens/W. Essa configuração demanda uma energia de aproximadamente 12.318 kWh/mês e custos operacionais (CO) da ordem R$ 2.260,55/mês. O nível médio de iluminância medido junto à linha de produção foi da ordem de 480 lux, seguindo a ABNT (1985) [2]. Para tal tarefa foi utilizado um luxímetro digital marca Hagner modelo EC1 com precisão de ± 3% da leitura e ± 5 dígitos. De acordo com a ABNT (1992) [1], o nível de iluminância para uma linha de produção desse tipo deve estar compreendido entre 500 e 1000 lux dependendo dos fatores determinantes para o nível de iluminância adequado, cujo valor final adotou-se 750 lux verificando-se desta forma que o projeto atual não está adequado às necessidades mínimas. O desconforto visual proporcionado pela baixa iluminância afeta a segurança dos funcionários após horas de trabalho prejudicando a sua produtividade. Uma nova proposta foi elaborada a fim de atender ao nível de iluminância que irá garantir acima de tudo a questão da ergonomia dos postos de trabalho e mais intrinsecamente a segurança dos funcionários que ali desempenham suas atividades laborais e a redução do consumo de energia atual, buscando obviamente, economia nos custos operacionais de iluminação. Foi realizada uma investigação comercial para identificar os componentes que poderiam substituir o atual projeto de iluminação a fim de atender o nível correto de iluminância com conseqüente redução do consumo de energia, resultando na utilização de lâmpadas fluorescentes tubulares TL5 de 28W de potência cada, com diâmetro de 16 mm e eficiência luminosa de 103,6 lúmens/W. Sua tonalidade de cor também é superior a atual o que pode proporcionar um estímulo maior da atividade laboral levando a uma tendência de melhor produtividade. A Figura 01 ilustrada a luminária escolhida. Figura 01: Luminária Escolhida As características do reator empregado no novo projeto devem ser equivalentes ao usado atualmente e a potência do mesmo compatível com a potência das novas lâmpadas. Neste artigo adotou-se o “Método dos Lúmens” para os cálculos de iluminação, conforme demonstra GUERRINI (2007). Após a utilização dos dados no método dos lumens, foi possível obter-se ao final dos cálculos 262 lâmpadas, ou seja, no mínimo, 131 luminárias, uma vez que cada luminária possui duas lâmpadas. Foi necessário também realizar a distribuição das luminárias no local, cujo resultado culminou para a melhor distribuição em 135 luminárias com uma proposta de combinação de “27 x 5”. Estimou-se o consumo mensal de energia levando-se em conta que a empresa trabalha em média 672 h/mês e o custo do kWh para a mesma será de R$ 0,17. A Tabela 01 compara a eficiência do sistema atual e do novo. Tabela 01: Comparativo de Consumos e Gastos Características de Consumo de Energia Iluminância Alcançada (lux) Potência Total Instalada (kW) Potência Nominal da Lâmpada (W) Potência Total das Lâmpadas (W) Potência Nominal Cj.Acessórios (W) Potência Total Cj. Acessórios (W) Densidade da Potência (W/m²) Densid. Potência Relativa (W/m²)/100 lux Custo Médio da Energia Elétrica (kW/h) Na ponta (kW/h) Fora da ponta (kW/h) Custos do Consumo Mensal de Energia Sistema Atual Novo Sistema 480 816 18,33 12,02 32 28 12032 7560 67 33 6298 4455 19,09 12,52 3,98 1,53 0,17 0,17 0,26 0,26 0,16 0,16 2134,47 1399,11 Fonte: Cálculos efetuados no projeto Quando se realiza uma análise comparativa de dois sistemas de iluminação, para se estabelecer qual deles é o mais rentável, levam-se em consideração tanto os custos de investimento (CI) quanto operacional (CO). Uma análise da rentabilidade é um fator importante no momento da escolha e aprovação de um projeto. Logo é vital mostrar quanto será necessário investir, quanto vai custar para mantê-lo, em quanto tempo será retornado esse investimento e os custos com a manutenção do mesmo. Para saber o quanto é necessário investir, deve-se considerar todos os equipamentos a serem adquiridos mais o custo do projeto. Para tal concluiu-se que o custo de investimento será de R$ = 17.077,50. Agora, para a estimativa do custo operacional deve-se considerar o custo do consumo mensal de energia, neste caso, igual R$ 1.399,11, observado na Tabela 01 e o custo médio mensal de reposição de lâmpadas, que será igual a R$ 244,94. Logo, o custo operacional total (CO) será de R$ 1.644,05/mês. Desta forma, houve em relação ao projeto atual há uma economia mensal de R$ 616,50. Com base nos valores acima apresentado pode-se verificar o tempo de retorno do investimento através de um payback simples (PB), que resultou em PB =. [(R$ 17.077,50/R$ 616,50)]/12 ≈ 2,3 anos. Após o retorno do investimento a empresa passa a economizar com custos operacionais em torno de R$ 7.400,00 por ano. Conclusões A busca de dados e as medições realizadas nos locais do atual sistema de iluminação foram essenciais para a constatação do nível inadequado de iluminância. Através dos cálculos realizados e apresentados anteriormente fica comprovada a necessidade de se realizar periodicamente uma investigação detalhada dos sistemas de iluminação fazendo uso de modernos componentes e alta tecnologia, além de se constatar efetivamente a deficiência de projetos antigos que não garantem um nível de iluminância acima do mínimo recomendado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, demonstrando a importância de se investir no emprego de novos equipamentos e tecnologias relacionadas com a área de iluminação. Também está garantida a redução do consumo de energia com o investimento a ser realizado preservando também a ergonomia do local de trabalho em termos de iluminação adequada para a eficiência das atividades desenvolvidas bem como assegurando que perdas de produtividade e qualidade dos produtos não venham a ocorrer em função de baixos valores de iluminância. É importante frisar que o cálculo dos custos operacionais teve como base a tarifa de energia vigente. A principal importância da aplicação de uma nova avaliação nos sistemas de iluminação na linha de montagem de uma empresa foi comprovar efetivamente a melhora na qualidade de iluminação seguindo os padrões atualizados e estabelecidos pela ABNT bem como mostrar a necessidade de utilização da energia elétrica de forma racional evitandose desperdícios e a economia da mesma. Referências Bibliográficas [1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT (1992). 13p. NBR 5413: Iluminância de interiores. Rio de Janeiro. [2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT (1985). 4p. NBR 5382: Verificação de iluminação de interiores. Rio de Janeiro. [3] DEMAPE. (2007). Reatores para iluminação. São Paulo [4] GUERRINI, Délio Pereira. (2007). Iluminação – Teoria e Projetos. São Paulo: Érica. [5] GE ILUMINAÇÃO (2002). Guia de Consulta Técnica. Rio de Janeiro. [6] ITAIM ILUMINAÇÃO (2008). Guia de Referência 2008. São Paulo. [7] OSRAM. (2006). Manual Luminotécnico Prático. São Paulo. [8] PHILIPS (2008). Catálogo Geral Luminárias 2008. São Paulo.