Impactos socioambientais gerados por atividades petrolíferas em áreas indígenas da Amazônia colombiana1 Maria Ernestina Garreta Chindoy2 James León Parra Monsalve3 Resumo Em 2006 e 2007, desenvolveu-se uma pesquisa de campo em áreas indígenas dos departamentos de Guaviare, Caquetá e Putumayo, na Amazônia colombiana, com o escopo de avaliar os impactos socioambientais da exploração e produção de petróleo nestas áreas do sul do país. Seguindo a metodologia da Pesquisa Ação Participativa, puderam-se avaliar tais impactos a través de testemunhas, fóruns, entrevistas, visitas à infra-estrutura petrolífera e comunidades afetadas, entre outros. Segundo a informação coletada em campo, além da revisão bibliográfica, evidenciam-se impactos negativos nessas áreas, tais como poluição da água, do ar e do solo, diminuição da segurança alimentar, desmatamento, doenças de vários tipos etc. Aliás, verificou-se a pouca, enganosa ou nula consulta prévia dos povos Inga, Siona, Kamsá, Kofan e Nukak-Maku. Introdução Este artigo surge das experiências vividas nas transformações geradas pela exploração e produção de petróleo em terras indígenas da Amazônia colombiana. Da necessidade de encontrar uma forma culturalmente adequada e ambientalmente sustentável para o desenvolvimento de projetos de exploração de recursos naturais nessas áreas do país, na realidade exige-se uma participação ativa e eficaz desses grupos, em prol da sua sobrevivência futura. Sem esta condição, é muito difícil para a Amazônia colombiana avançar no ideal de construção de uma nação inclusiva e participativa. A indústria do petróleo e o Estado colombiano não têm levado em consideração os prejuízos causados devido à extração de riquezas nas terras dos povos indígenas, o qual continua gerando conflitos com as corporações, os grupos armados ilegais e entre os próprios nativos. Ao final, estes últimos sofrem o empobrecimento da base natural de subsistência pela limitação das suas terras para a caça e coleta de frutos em seus territórios ancestrais. 1 O presente artigo apresenta os resultados mais importantes do trabalho de campo e da dissertação “Indígenas, Petróleo y Sostenibilidad Humana en el Piedemonte Amazónico de Colombia”, feitos como requisito para o curso de Mestrado em Gestão Ambiental (2005-2007) na Pontifícia Universidade Javeriana, Bogotá, Colômbia. 2 Mestra em Gestão Ambiental e Advogada. Tem trabalhado em várias organizações indígenas na Colômbia, especialmente em temáticas de recursos naturais e meio ambiente na Amazônia. Na atualidade doutorando do curso Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido no NAEA/UFPA Correio eletrônico: [email protected] 3 Mestre em História e Comunicador Social – Jornalista. Atualmente é doutorando do curso Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido no NAEA/UFPA. Correio eletrônico: [email protected] Existem muitos desenvolvimentos na arena internacional no reconhecimento da importância da diversidade cultural dos países. Desse patrimônio imaterial que ainda existe em diversos cantos do planeta. Na Colômbia, essa é uma tarefa que já tem começado com a promulgação da Constituição Política de 1991, que reconhece e protege a diversidade étnica e cultural e a Lei 21 de 1991, a qual ratifica a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, além de outras leis especiais para os assuntos indígenas. O presente artigo tenta resgatar a visão nativa sobre problemas ambientais, apoiado no conhecimento ancestral dos povos indígenas e os princípios da identidade cultural e a autonomia no seu território. É uma oportunidade para repensar a forma como a indústria e o Estado vêm desenvolvendo suas atividades em áreas de moradia e sustento ancestrais indígenas. 1. A exploraçâo e produção de petróleos em Guaviare, Caquetá e Putumayo A Constituição colombiana tem sido uma das instituições que torna possível o processo para os povos indígenas reivindicarem os direitos coletivos violados pela exploração do petróleo; uma luta que salienta a crise ambiental, cultural, social, econômica e política na qual estão envolvidos e que em boa parte é gerada por este tipo de atividades industriais nas últimas décadas no país. A procura do petróleo abriu a porta para a aculturação, colonização, deslocamento, violência, enfermagem, deterioração de a segurança alimentar e perda de territórios ancestrais de povos indígenas destas áreas; ainda que o petróleo esteja servindo atualmente como uma opção de desenvolvimento para o país, segundo a visão ocidental. O desmatamento e a exploração madeireira abriram também o espaço para a entrada do gado que afeta o solo e que foi trazido por agentes alheios à região. Mas agora vejamos qual é a situação dos grupos indígenas afetados em cada um dos departamentos estudados na região amazônica da Colômbia. 1.1. Os Nukak-Maku e o petróleo no Guaviare A população indígena neste departamento é de 5.792 pessoas, das quais 1.074 são Nukak. Estes indígenas vivem geralmente nus em seu território, as famílias são formadas por grupos ou bandos, caracterizados como nômades por se mover livremente dentro de suas áreas ancestrais; só falam a sua língua e moram temporariamente em casebres feitos com folhas da floresta, descansam em redes feitas de fibras de palmeira e ficam num local por enquanto fazem caça e coleta de frutos silvestres. É o caso do “Mahué” (o nome na sua língua), indígena Nukak-Maku, muito jovem (uns 28 anos de idade) e o único do seu grupo que falava um pouquinho do espanhol. Ele estava transmitindo para os outros Nukak sobre o que estava acontecendo ao seu redor, sempre pronto a responder pelos seus colegas da etnia. Tinha muita curiosidade sobre por que um monte de pesquisadores nacionais e internacionais estava com eles e não os deixavam dormir em paz nem se alimentar segundo sua tradição. Ele pertencia aos bandos que foram primeiramente afetados pela dita exploração petroleira em suas terras ancestrais. Confrontados com esta invasão do território étnico Nukak e o perigo que isto representava para sua sobrevivência, a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC) demandou à empresa em uma ação de tutela apresentada em setembro de 1992 ao judiciário colombiano, mesmo antes de a empresa realizar um estudo para avaliar os efeitos ambientais que poderiam resultar neste ambiente e quase coincidindo com a conclusão do projeto de exploração. Pelo processamento da dita ação judiciária foi possível testar a perturbação do ecossistema que o projeto tinha feito no território: o desmatamento, a construção de trilhas e heliportos, as explosões de dinamite, o lixo, o abandono de artefatos etc. Por tais razões, a exploração deste território foi finalmente suspensa em outubro de 1992, em cumprimento da decisão do Juiz Terceiro do Circuito Civil da cidade de Villavicencio. "E em 23 de novembro de 1993, a Junta Diretiva do INCORA4, através da Resolução N° 136, reconheceu aos indígenas Nukak, com o caráter de resguardo, uma área de 632.000 hectares, localizada na jurisdição do departamento do Guaviare.”( ONIC, CECOIN e GHK, 1995, p. 284). Tais têm sido duas das mais importantes decisões judiciárias e administrativas sobre a conservação étnica e ambiental adotados no país.5 1.2. Os Inga do Caquetá Em 1994, a empresa Repsol6 tinha feito exploração sísmica em Yurayaco, uma inspeção de polícia do município de São José do Fragua. Dentro de seus territórios ancestrais a exploração sísmica da Repsol foi feita sem consulta prévia. Só procuraram dialogar depois de fazer as perfurações. Os nativos da área manifestaram a incoerência de tal situação. Deveria ser importante para o governo convocar a consulta prévia para ter a opinião da comunidade; a partir da base organizativa local e de acordo com a visão dos povos indígenas. Como afirmou Mario Jacanamijoy, líder comunitário, "pelo menos devem vir a nos visitar e nos informar sobre essas questões, que eles tragam-nas, além de que essa entidade deveria nos apoiar e nos dar conhecimento sobre os projetos com antecedência e não como está acontecendo: vêm de surpresa e pegam a gente despreparada e sem qualquer informação sobre 4 Instituto Colombiano para a Reforma Agrária, INCORA. Mais informação sobre esta etnia da Amazônia colombiana pode-se encontrar também em: POLITIS, 1996 ; ZAMBRANO, s. d. ; ARANGO e SÁNCHEZ, 2004. 6 Esta companhia petrolífera espanhola teve suas origens na CAMPSA (Compañía Arrendataria del Monopolio de Petróleos S.A), mas criou-se formalmente como o grupo empresarial Repsol S.A. em 1987, tendo como suas atividades principais a exploração, produção, transporte e refino de petróleo e gás. Uma história mais completa da companhia pode-se consultar em: www.repsol.com. 5 esses assuntos."7. Como resposta a essas questões faz-se crítica a participação dos indígenas na elaboração e execução dos projetos na procura da equidade, levando em conta que muitas destas populações estão na capacidade de fazer seu próprio plano de gestão ambiental, o qual acolha e explique seus pontos de vista. Na comunidade indígena de Yurayaco o ambiental é trabalhado a partir de práticas tradicionais, como o calendário lunar e os ciclos da natureza. É por isso que exigem que as propostas devam ser encaminhadas a partir das necessidades reais das comunidades e que respeitem as práticas tradicionais e antigas nelas desenvolvidas. Por isso a comunidade organizou-se ao redor de uma proposta de conservação biológica e cultural com o objetivo de proteger o território dos impactos ambientais, sociais e culturais, segundo os planos de vida do povo Inga dessa localidade. No entanto, a maior problemática relativa à indústria petrolífera é suportada pelas nações indígenas do Putumayo, onde existe tanto exploração quanto produção de óleos ainda. 1.3. Os indígenas e a exploração e produção de petróleo no Putumayo O Putumayo tem uma área de 24.885 quilômetros quadrados. Conforme assinala Maria Clemencia Ramírez, citando Camilo Domínguez, este departamento da Colômbia: Contém uma das regiões mais complexas de toda a grande bacia amazônica. Das montanhas geladas de Patascoy até as quentes planícies entre os rios Caquetá e Putumayo não há muita distância horizontal, mas eles são paisagens de mundos muito diferentes. (...) O contraste entre os Andes e a planície gera uma grande variedade de paisagens: páramos, como Juanoy, Tajumbina ou Patascoy; planaltos como Sibundoy; abruptas pendentes andinas, como aquelas pelas quais baixam os rios Caquetá, Putumayo, São Juan, Guamuez e São Miguel; e a vasta planície amazônica, com suas formas levemente onduladas que se estendem até o Oceano Atlântico, a milhares de quilômetros para o leste. (RAMIREZ, 2003, p. 207). Este departamento para 2001 tinha uma população total estimada em 340.911 pessoas, das quais 24.391 eram indígenas. Na região os povos indígenas têm 143.299 hectares de resguardos ou reservas. O município de Orito Putumayo foi criado pelos petroleiros e migrantes de outras regiões que procuraram novas oportunidades através da exploração e produção do óleo. Antes da expansão do petróleo já havia índios Kofans, Sionas e Ingas neste setor. Antigamente, a administração de Orito dependia do município de Porto Asis. Embora, a necessidade de independência econômica e administrativa, sustentadas em boa parte no boom petroleiro, animou a criação do primeiro. (DEVIA, 2004). Nesta jurisdição construiu-se uma pequena refinaria de petróleo e de gestão da Ecopetrol, as quais existem até hoje. 7 Participação de Mário Jacanamijoy em um dos fóruns de pesquisa, feito no Conselho Indígena Tandachirídu – Yurayaco, em São José do Fragua, Caquetá, em agosto de 2006. Orito tornou-se assim no mais importante centro de exploração e produção de petróleo no Putumayo e no sul do país. Desse jeito, tornou-se também um centro de colonização pela construção de estradas e diversos tipos de infra-estrutura industrial e comercial. Na área municipal existem reservas indígenas com populações Awá, Embera Chami, Embera Katio, Inga, Cofan, entre outras, as quais têm morado historicamente ou chegado pela imigração. Um 80% das reservas têm recurso petroleiro, o qual está em fase de exploração, produção ou ainda em reservas por descobrir. O recurso natural existe ainda em áreas não-incorporadas como reservas indígenas, mas reconhecidas como povoadas por indígenas segundo o Escritório de Assuntos Indígenas e/ou o INCODER8. Tal a situação do Conselho Indígena de Água Branca e sua comunidade, os quais ficam a 200 metros do poço que a empresa II & B tem em produção. Como o manifesta o Governador indígena desse sítio: Estamos perto da empresa. Eles chegaram sem autorização de nós para tirar o petróleo, e disseram que poderíamos trabalhar duas pessoas da comunidade, um para o trabalho de pedreiro e outro para técnico, mas nós não temos técnicos; o trabalho foi só por um mês, e aí direitinho construíram a estrada e entraram caminhões para se levar o petróleo; nós temos solicitado que se reconheça nosso território, mas o governo não nos responde; só disseram que nós temos o direito de exigir regalias e temos também outro sinal de que aqui na comunidade há petróleo, muitos danos e de tudo.9 É evidente a afetação dos povos indígenas porque não há o reconhecimento de seus territórios pelo Escritório de Assuntos Indígenas e o INCODER. Estas duas entidades têm totalmente negligenciado as solicitações feitas naquela comunidade. Da mesma forma, o Ministério do Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial concedeu uma licença ambiental para a produção de óleo, sem qualquer controle por parte do próprio Estado, criando indiretamente impactos ambientais, sociais e culturais negativos nesta área autóctone. Os municípios de Porto Asis, Porto Caicedo, Porto Guzman, Vale do Guamués, São Miguel e Porto Leguízamo Putumayo. Dentro desta jurisdição têm-se também populações indígenas que ainda conservam os costumes culturais e tradicionais notavelmente. Tais municípios salientam mesmo pela existência de blocos de petróleo de grande importância para o país. 1.3.1. A história e a dinâmica da indústria do petróleo no Putumayo Já na década de 1930, a Texas Company10 tinha feito contratos com o Estado colombiano para executar nos departamentos do Putumayo e Caquetá. Segundo Avellaneda: "registraram-se 13 8 Instituto Colombiano do Desenvolvimento Rural, o qual assumiu as funções do antigo INCORA. Entrevista feita por María E. Garreta Chindoy ao senhor Auréncio Garcia, Governador do Conselho Indígena Awá de Água Branca. Orito, Putumayo, enero de 2007. 10 Nos inícios do “boom” petroleiro texano, Joseph S. Cullinan (ex-trabalhador da Standard Oil Co) e Arnold Schlaet (ex-empregado financeiro da H.P. Lapham and Co), fundaram em 1901 a Texaco Fuel Company, primeiro nome da empresa que abriu suas portas em 9 propostas e concessões, das quais estavam em vigor para 1938 apenas duas (concessões 237 e 280) na parte superior do rio Putumayo e na fronteira com o Equador." (AVELLANEDA, Op. Cit. P. 37). No entanto, foi na década de 1960 quando a Texaco ingressou definitivamente ao Putumayo. Os índios perceberam o som de helicópteros e sentiram o barulho dos motores dos barcos; Impressionaram-se com as longas trilhas e estradas que se construíam no meio da floresta; eles ouviram explosões e perceberam o início da construção de acampamentos dentro de seus territórios, apropriando-se gradualmente das suas terras ancestrais. Essas circunstâncias levaram à expulsão da população Cofan e Siona de seus jardins e casas para entrar na floresta, onde a água não tinha o gosto do óleo negro escapado das perfurações recém feitas. Nos anos 1970, as comunidades dos Kofan e Inga do vale do Guamuez e cabeceiras do arroio a Formiga, tinham cruzado seu território de norte a sul e de leste a oeste por uma ampla rede estradas. Para 1973 a colonização tinha ocupado já entre 60 e 70% do antigo espaço dos indígenas, quem só ficaram com 30 mil hectares do grande território que antes ocupavam. Em 1976 novas reservas foram estabelecidas no Afilador e Santa Rosa do Sucumbios para dois grupos Kofan, com uma área de 14.454 ha. por novo achado petróleo. Os territórios e as economias dos povos indígenas sofreram enormes prejuízos causados pela procura do óleo e a desordem institucional. Esse é o quadro sombrio que hoje apresentam as comunidades indígenas influenciadas pelos projetos petrolíferos no Putumayo. No entanto, uma relação muito mais detalhada dos impactos identificados nas áreas pesquisadas mostrará uma paisagem clara da dinâmica industrial de exploração de recursos naturais na região amazônica colombiana, segundo a matriz de impactos socioambientais elaborada com esse objetivo; das externalidades negativas e dos passivos ambientais que hoje afetam estas populações. 2. Identificação de impactos socioambientais da exploração e produção petrolíferas na amazônia colombiana Nessas áreas muitas vezes são abertas estradas sem o consentimento das pessoas que estão nestes lugares. Tal ação tem gerado grande desmatamento, poluição da água, mudanças na estrutura do solo, afastamento das espécies locais, perda da fauna e da flora, degradação das bacias hidrográficas de rios e córregos, perda das fontes tradicionais da caça de subsistência e da janeiro de 1902 em Beaumont, Texas. Só três meses depois criaram a Texas Company, pelo incremento extraordinário do investimento e fluxo de capitais que começaram a manejar. Desde então esta seria conhecida como Texaco, empresa que para os 1960 liderava nos EUA o negócio do refino e comercialização de produtos derivados do óleo e que tinha já grandes investimentos em América Latina que lhe permitiram, inclusive, participar na construção do Oleoduto Transandino na Colômbia e o Equador. Para mais informação consulte-se: www.texaco.com. pesca, ruptura de suas formas tradicionais de organização social, presença de passivos ambientais11 e aceleração do esquecimento da língua indígena. As estradas são construídas nessas áreas para o transporte de maquinaria, equipamentos, suprimentos e pessoal para a exploração e produção de combustíveis. As estradas são melhoradas com os materiais dos rios, como areia e pedra, além do asfalto, fuel oil12 e outros elementos. A este respeito, vêm-se gerando grandes afetações nos rios pela mudança da sua dinâmica natural devido à perda de seu leito, o qual traz problemas, tais como sedimentação, troca da cor da água, que afeta a disponibilidade da luz solar e a captação de oxigênio, e a eutrofização dos corpos d’água13. Há também mudanças dos rios e córregos em seu curso e a sua capacidade de transporte de água que criam inundações e erosão14. A degradação da floresta gera a perda de cobertura vegetal, os processos erosivos, a compactação15, a instabilidade16 e a salinização17 do solo. Quando as árvores são derrubadas causa-se o desaparecimento ou transformação do habitat para diversas espécies, as quais são forçadas a se deslocar para outros lugares e as que não se adaptam às novas condições desaparecem. Perder a cobertura vegetal afeta também o ciclo hidrológico, pelo qual os rios recebem mais água do escoamento superficial, forçando-os a carregar mais água da que normalmente levam. É importante salientar que a poluição da água é gerada, além do acima referido, através das descargas resultantes de atividades como perfuração de buracos, contaminação do lençol freático com elementos como o enxofre, uso da água para lavar maquinaria e equipamentos, produção de águas residuais nas atividades domésticas, como a cozinha e os banheiros, a lavagem de roupas e áreas comuns etc. A poluição do ar é causada pela emissão de partículas e gases poluentes provenientes da operação de grandes máquinas nas estradas e nas instalações petrolíferas, além das emissões atmosféricas resultantes da queima de combustíveis fósseis aeriformes. Também na operação de equipamentos de diferentes motores de combustão incompleta, tais como geradores elétricos ou de sucção de materiais, que liberam dióxido de carbono no ar. 11 Passivos Ambientais: a presença de poluição dos recursos naturais de uma determinada área, sem haver a responsabilidade dos órgãos ambientais reguladores e da indústria do óleo, pelo qual se tem aumentado historicamente a dívida do setor petrolífero para a restauração do meio ambiente das áreas nativas. 12 Fuel oil: óleo pesado, lubrificante, o qual é muito difícil para sua degradação ambiental e tem uma elevada incidência ambiental negativa, envolvendo especialmente os componentes físicos e bióticos do solo. 13 A eutrofização das massas de água, que se manifesta pelo rápido crescimento de certas plantas, a falta de oxigenação das águas, a presença de uma cor azul-esverdeada, a perda do fluxo e do espelho da água. 14 Erosão: ela se manifesta através da perda de cobertura vegetal e do solo por meio da ação das chuvas que arrastam as camadas superficiais da terra. 15 A compactação do solo é manifesta pelo pisoteio de animais e seres humanos, e a passagem de veículos os quais arrastam a cobertura vegetal e os nutrientes, alterando sua estrutura. 16 Instabilidade do terreno: é produzida pela extração de materiais (areia, cascalho, pedras) e a perda da vegetação, expondo o solo à ação da água e do ar. 17 A salinização da terra revela-se pela alta concentração de sais de potássio pela ação da evaporação, provocando uma alta mortalidade de plantas e perda da estrutura do solo. Outros impactos proeminentes dessas atividades industriais é o aspecto sócio-econômico e cultural dos sítios indígenas, toda vez que se alteram as condições normais de vida, produz-se deslocamento da população, introduz-se novas formas culturais, e a prostituição, os bares e as boates são promovidos pela chegada de novas pessoas sem nenhum vínculo histórico com estas áreas, especialmente os militares, a mão-de-obra externa, os técnicos e os funcionários estatais que procuram avançar na exploração do petróleo. O resultado final é a transgressão das relações comunitárias e de solidariedade em favor dos lucros industriais. 2.1. Análise da matriz de impactos socioambientais das atividades petrolíferas na Amazônia colombiana Foram identificados os impactos ambientais e sociais no Putumayo, Guaviare e Caquetá, com pesquisa de campo nos municípios de Orito, a Hormiga, a Dorada, São Miguel, Mocoa, São José do Guaviare e São José do Fragua. O estudo enfocou-se em algumas das populações indígenas de suas áreas petroleiras, onde foram analisados os aspectos ambientais18, os efeitos ambientais19 e os impactos socioambientais20, produzidos na exploração e produção de petróleo nesta região do sudoeste da Colômbia. Para a identificação dos aspectos ambientais trabalhou-se com as diferentes fases e atividades de exploração e produção de petróleo versus os componentes socioambientais; a pontuação foi feita pela metodologia de cores e a construção da matriz seguindo os princípios básicos para a gestão ambiental em tais atividades. A metodologia de cores indica o estado da relevância dos temas discutidos: Branco: relevância reduzida para o ambiente, na qual não são esperados danos às pessoas e ao meio ambiente, não é necessária a toma de medidas de mitigação ambiental, e pode ser classificada como de impacto positivo. Cinza: destacável relevância para o meio ambiente. Isso significa possíveis danos às pessoas e ao ambiente, pelo qual deve se programar medidas de mitigação ambiental. Preto: relevância grave ao meio ambiente. Prevêem-se danos às pessoas e ao meio ambiente; é necessário estabelecer medidas de mitigação ambiental imediatamente. Em alguns casos não é aplicável a avaliação dos impactos ambientais porque alguns projetos ficam na fase de exploração, e por isto não se podem avaliar as emissões de gases, líquidos e outros impactos que possam afetar as pessoas. Tal é a situação das atividades petroleiras passadas nos departamentos do Guaviare e Caquetá, não obstante existam impactos 18 Aspecto ambiental: em nosso estudo são os diversos elementos das atividades industriais que podem interagir com o ambiente, gerando um impacto ambiental significativo. 19 O efeito ambiental é uma ação ou alteração humana imediata nos processos naturais que a médio e longo prazo gera um determinado impacto no meio ambiente. 20 Impacto socioambiental: é a alteração irreversível no ambiente e na sociedade e pode ser resultado positivo ou negativo dos aspectos ambientais. socioculturais. No entanto, a matriz (veja-a ao final desta secção) permite reconhecer mais detalhadamente os impactos socioambientais gerados pela exploração e produção do recurso especialmente na jurisdição do Putumayo. 2.1.1. Análise dos impactos socioambientais no Putumayo No Putumayo foram identificados impactos ambientais e sociais com uma concentração elevada no componente social, pelo qual devem se desenvolver medidas imediatas e contínuas para a restauração, mitigação de danos e conservação das populações indígenas, correspondendo sua elaboração e execução às próprias comunidades, às autoridades ambientais e do Ministério do Interior e Justiça, fundamentalmente ao Escritório de Assuntos Étnicos, e às companhias petrolíferas, as quais, pela sua co-responsabilidade social devem cumprir com os compromissos assumidos nas licenças e planos ambientais. A elevada concentração de impactos negativos sobre a componente social é devida à falta de um sistema de ações ambientais de planejamento estratégico na prevenção para os processos de produção de petróleo e avaliação da degradação ambiental. Isso representa uma lacuna na pesquisa e desenvolvimento de processos, práticas ou produtos que reduzam a geração de poluentes na fonte, ou seja, da remoção ou tratamento dos poluentes que poderiam penetrar em fluxos de água ou os emitidos para o ambiente (incluindo vazamentos, derrames óleo, fugas de gás etc.) antes da extração mesma do recurso. Por outro lado, observou-se uma falta de responsabilidade das autoridades ambientais para resolver os passivos ambientais encontrados em comunidades indígenas, expostos a graves impactos ambientais e sociais pelas fugas e explosões de gasodutos e oleodutos, os quais ficam quebrados por muito tempo prejudicando as comunidades indígenas sem os prontos e devidos consertos estruturais. A análise do impacto socioambiental da matriz sugere a implementação urgente de medidas de gestão ambiental para mitigar os impactos decorrentes na área para evitar o extermínio dos povos indígenas Nasa, Awá e Cofan, quem têm problemas na segurança alimentar, doenças respiratórias e digestivas e a perda de sua qualidade de vida. A análise do projeto petroleiro Orito Sul é um bom exemplo do dito até aqui. Segundo o Processo 1.990 de novembro de 1998, que continha o Estudo de Impacto Ambiental, a empresa Canadian Petroleum Colombia obteve permissão governamental para desenvolver atividades industriais de exploração do recurso petroleiro nessa área do Putumayo. Foram concedidas também as licenças ambientais de ocupação do leito, de derrubamento da floresta adjacente ao projeto, o esgoto desde as lagoas de tratamento aos córregos e a captação da água dos arroios Luzona e Achiote. Na revisão de dito processo de licenciamento ambiental não foi encontrada nenhuma consulta prévia das populações indígenas, apesar da existência do Decreto 1320 de 13 de julho de 199821. A autorização para as descargas de esgotos industriais determinou que fossem feitas em função da localização do poço exploratório no riozinho a Papaya, o qual flui para o riacho Achiote que vai logo para o rio Guamuez, desta forma poluindo o fluxo d’água que consomem os povos indígenas que moram nesses rios, e que não são contemplados como afetados diretamente pela exploração da Canadian Petroleum Colombia, mesmo que afete suas bacias hidrográficas. Na área foi encontrada uma criança de dois anos com borbulhas no seu corpo. Segundo informações da sua avó, na comunidade não podem consumir a água do rio que atravessa o resguardo indígena de Yarinal já que está totalmente contaminada. Conforme testemunhas da comunidade é comum a presença de metais pesados e fenóis22, os quais estão destruindo a fauna e a micro-fauna da área. 2.1.2. Análise dos impactos ambientais e sociais, no departamento do Guaviare Os impactos socioambientais iniciais nos Nukak-Maku dão-se com o acesso dos primeiros colonos para as terras ancestrais deles. Classifica-se então o impacto da chegada da petroleira como um impacto negativo23 para esta população; pela sua ruptura integral étnica ambiental24 dessas pessoas. Mas os colonos vêem com bons olhos a construção da estrada de CalamarMiraflores ao gerar uma maior conectividade com outros municípios do Guaviare e sua repercussão com o desenvolvimento dos mais remotos cantos deste departamento colombiano. Percebe-se também neste caso a ausência de autoridades ambientais para fazer cumprir o respeito dos ecossistemas que são designados no regime legal de reserva florestal ou indígena. Com o decorrer do tempo, mesmo que se reconheça na Colômbia o impacto negativo da civilização sobre os Nukak, ainda os processos de colonização e os confrontos armados continuam a se suceder nas suas terras e sua população deixada à toa pelas autoridades que propiciaram em parte a chegada dos forasteiros até suas florestas. Este território tem desse jeito um passivo ambiental e cultural que aumenta com a degradação ambiental gerada no tempo desde os primeiros contatos. 21 Este é o decreto “Por el cual se reglamenta la consulta previa con las comunidades indígenas y negras para la explotación de los recursos naturales dentro de su territorio”, e foi emitido nesse ano pelo Ministério do Interior e Justiça da República da Colômbia. 22 Fenol: é um composto aromático ácido da família C 6H5OH, o que provoca a poluição da água e a irritação da pele pela presença de seis carbonos em sua composição. 23 Impacto negativo: a partir do ponto de vista social é a mudança que causa danos irreversíveis às populações e suas tradições culturais. 24 Visão integral étnica ambiental: os povos indígenas integram território, identidade, autonomia e cultura para uma melhor proteção e conservação dos recursos naturais. 2.1.3. Análise do impacto socioambiental no Caquetá Entre os impactos socioambientais mais proeminentes no Caquetá pode-se listar o abandono em que a empresa Repsol deixou a área, pois não investiu na restauração da paisagem nem na cultura ali assentada no resguardo indígena de Yurayaco. O grupo Inga daquele local foi afetado pela perfuração de buracos na procura do petróleo e as perfurações demarcadas logo com placas de ferro, aumentando assim os problemas de corrosão e oxidação nos locais pertos dos buracos. Observa-se a importância do conhecimento tradicional e as instituições do povo Inga na maneira na qual eles têm tentado a restauração e a estabilização da cobertura vegetal do solo ao planejar atividades comunitárias e ao declarar a área como de conservação biológica, cultural e social. Das diversas comunidades pesquisadas nos três departamentos, esta foi a única onde houve impactos positivos na cultura depois da fase de exploração petroleira, ao evidenciar-se a falta da organização local para o tratamento e defesa dos recursos comuns frente aos interesses estrangeiros. A ameaça ao seu território significou para eles a oportunidade de refletir e tomar decisões sobre assuntos que antes não tinham debatido. A importância da trajetória local neste caso de sucesso positivo não pode ser esquecida. Esgoto químico (presença de fenóis) Presença de derramamentos Esgotos domésticos Esgotos em corpos de água natural Mudança de pH Presença de águas estancadas Doenças respiratórias Doenças da pele Doenças digestivas ATIVIDADE S NA EXPLORAÇ ÃO PETROLÍFE RA Desenho da N N N N N N N N N N N rede sísmica A A A A A A A A A A A Desenvolvim ento do processo N N N A A A FASE DE EXPLORAÇÃO Fatores de risco para os indígenas Atentados Afetação aos trabalhadores Prostituição MICOS SIDAD Pobreza BIODIVER Introdução de novos hábitos ÁGUA Deslocamento cultural GEOMORFODINÂ Perda de espécies nativas PROCESSOS Deslocamento de espécies nativas Compactação Instabilidade Sedimentação SOLO Erosão RICO Salinização do solo ATMOSFÉ Mudanças na paisagem Infiltrações no solo SOCIOAMBI Nível de ruído NTES Presença de material particulado COMPONE Qualidade do ar Tabela 1. Matriz de identificação de impactos socioambientais gerados por atividades petrolíferas no Guaviare, Caquetá e Putumayo (Amazônia colombiana) ASPECTOS SOCIAS ENTAIS sísmico Detonação de explosivos Construção de áreas de trabalho N N N A A A N N N N N N N A A A A A A A Emissão de N N N N N N N N N N N N N ruídos fortes A A A A A A A A A A A A A ão de N N N N N N N N N N N N N pessoal e A A A A A A A A A A A A A N N N N N N N N N N N N N N A A A A A A A A A A A A A A N N N A A A N N N N N N N A A A A A A A N N N N N N Movimentaç maquinaria Traçado de linhas sísmicas Perfuração limiar dos poços Instalação de heliportos e estações FASE DE PRODUÇÃO Construção N de estrutura A A A A N N N N A A A A A A A de produção Construção de estradas de acesso Instalação de piscinas N N N N N N N N N de A A A A A A A A A tratamento Tratamento e disposição de esgotos Estações de N N N N N N N N N A A A A A A A A A N N N N N N N A A A A A A A Captação de N N N N N N N N N N N N N águas A A A A A A A A A A A A A N N N A A A separação e bombeio Construção de obras civis FASE DE REFINAÇÃO Construção de torres de destilação Instalação sistema de N N N N N N N N N N N N queima de A A A A A A A A A A A A gás Processo de N destilação A Condução de petróleo N com água a A estações de separação Armazenam ento do petróleo N N N A A A FASE DE TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO Escavação N N N N N N A A A A A A Instalação N de tubos A Transporte por oleodutos N A FASE DE DESMANTELAMENTO E ABANDONO Limpeza dos N NA NA N A cortes de A perfuração Desmantela mento das N N N geo- A A A membranas Obras de nivelação e N compactaçã A o Agregação de abonos ao solo e aspersão de sementes METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DE IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS Saliência grave. Esperam-se afetações a pessoas e ao ambiente. É necessário tomar medidas. Saliência notável. Possíveis afetações a pessoas e ao ambiente. Verificar medidas. Saliência reduzida ou nula. Sem possíveis afetações a pessoas e ao ambiente. Não é necessário tomar medidas. O “NA” define que não tem aplicação na avaliação 100 Alto 50 Médio 0 Baixo NA Não aplicável Fonte: elaborado pelos autores com base na metodologia de avaliação de impactos socioambientais e na pesquisa de campo. 2.1.4. Recomendações para mitigar os impactos ambientais e sociais As autoridades ambientais municipais e as corporações autônomas regionais (CARs) ou de desenvolvimento sustentável devem idear mecanismos de auditoria dos planos de monitoramento e controle no processo de desmantelamento e abandono das atividades petroleiras nas terras indígenas, em conformidade com o marco legal colombiano, já que é uma fase que aumenta o prejuízo ambiental nas áreas de influência do óleo, como se deduz da pesquisa feita no Caquetá, Putumayo e Guaviare. O Ministério do Meio Ambiente, Habitação e Desenvolvimento Territorial assim como exige que as empresas de petróleo preparem os estudos de impacto ambiental e os planos de gestão ambiental, com o fim de lhes outorgar licenças ambientais, deve avaliar mais de perto a execução dos planos de ação para a recuperação das áreas e culturas afetadas pelo desenvolvimento de este tipo de projetos de exploração de recursos naturais. No caso das empresas é importante sublinhar na necessidade de cumprir com as medidas de gestão estabelecidas no estudo de impacto ambiental para a conservação dos ecossistemas, e no investimento adequado à restauração ou compensação pelo uso dos recursos hídricos, o solo, a biodiversidade, a fauna e a flora. Também envolver as populações indígenas no restabelecimento da componente socioambiental na procura de melhorar a paisagem transformada e o ambiente local e regional. A Organização Nacional Indígena da Colômbia, ONIC, e a Organização dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, OPIAC, devem capacitar líderes indígenas nos assuntos petroleiros e ambientais, a fim de que estes vão ajudar na estruturação do desenvolvimento comunitário dos projetos e também para apoiar a verificação do cumprimento dos planos ambientais no setor, a fim de ter pessoal qualificado na exigência da reparação pelos impactos ambientais negativos e a desintegração cultural, física, moral, social, econômica e da segurança alimentar dos nativos. Essas atividades de seguimento e controle devem ser alentadas pelas organizações nacionais e regionais, e acompanhadas por estas últimas e as locais, visando Conclusões Existem diversos mecanismos de participação estabelecidos nos marcos regulatórios colombianos. Embora seja preciso reiterar que é dever do Estado cumprir com as convenções internacionais, a Constituição, as leis e os decretos na procura de uma participação real e efetiva dos povos indígenas no que diz respeito a projetos de exploração e produção de petróleo. Tal participação deve-se dar desde o início da Avaliação de Impacto Ambiental, a criação dos Planos de Gestão Ambiental, e mesmo antes da emissão das licenças ambientais. É importante que as empresas petrolíferas levem em conta os povos indígenas nos processos de licenciamento ambiental e nas diversas concessões ambientais, tais como são: a taxa pela captação de águas, a taxa pelas descargas líquidas, a ocupação do leito, o uso e aproveitamento florestal, irrigação de estradas e de solos etc., de modo que as pessoas saibam no tempo apropriado sobre os impactos que irão se gerar com as atividades petroleiras. Os povos indígenas devem ser envolvidos no processo para contribuir com seu conhecimento ancestral na gestão ambiental. É importante que eles participem como facilitadores para a tomada de decisões das autoridades ambientais. Deve-se lembrar que os grupos indígenas são quem mais conhecem os seus territórios, portanto, é preciso falar de um desenvolvimento que respeite sua identidade cultural em vez do aculturamento característico da história da exploração dos recursos naturais na Amazônia colombiana. Os nativos devem ser envolvidos assim desde a pesquisa para identificar os impactos ambientais através de workshops e debates com comunidades e lideranças indígenas das organizações indígenas nacionais, regionais e locais. Que a partir de palestras e fóruns possam-se construir propostas para a conservação, preservação, restauração, mitigação e compensação pelas afetações biológicas, ambientais, culturais etc., a fim de proteger o território que sustenta a vida. Por outro lado, é necessário que os povos indígenas tenham um mecanismo alternativo de participação para tornar realizável a autonomia das pessoas indígenas no exercício do autogoverno e coordenação nos projetos de desenvolvimento local, regional e nos planos nacionais, com base no desenvolvimento com identidade. Tal mecanismo terá o dever de proteger e restaurar os recursos naturais afetados e o de informar e treinar os líderes indígenas em programas de saneamento básico e água potável, a restauração dos ecossistemas e a educação ambiental em geral, buscando essencialmente a participação étnica nos assuntos do desenvolvimento. Existem omissões das autoridades ambientais nos diversos níveis territoriais, pois elas ainda não têm criado mecanismos de acompanhamento, controle e avaliação do cumprimento dos direitos indígenas nas fases de exploração, produção, desmantelamento e abandono das atividades industriais. Isto é mais evidente se elas considerarem a concentração de impactos no solo, na água e no ar, que afeta aos povos indígenas, gerando escassez de alimentos, deslocamento forçado de suas terras ancestrais, poluição dos recursos hídricos e poluição atmosférica na presença de gases letais. Referências ARANGO, R. e SÁNCHEZ, E. Los pueblos indígenas de Colombia en el umbral del nuevo milenio. Bogotá: Departamento Nacional de Planeación, 2004. AVELLANEDA, C. A. Petróleo y colonización y medio ambiente en Colombia: De la Tora a Cusiana. Santa Fe de Bogotá: ECOE Ediciones, 1998. BARRIOS, A. E. Energía y Desarrollo, Ensayos sobre Hidrocarburos en Colombia y el Mundo. Bogotá: Ediciones Antropos, 2003. CARRIZOSA, J. Desequilibrios territoriales y sostenibilidad local. Conceptos, metodologías y realidades. Bogotá: Universidade Nacional de Colômbia, 2006. COORDINADORA DE LAS ORGANIZACIONES INDIGENAS DE LA CUENCA AMAZONICA. Volviendo a la maloca. Quito: COICA, 2005. 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