O meu cérebro é único E maravilhoso! O cérebro é um órgão maravilhoso, cujo funcionamento se vai conhecendo lentamente nos últimos anos, mas ainda vem longe o dia em que sejam completamente desvendados os seus mistérios. Na Oficina de Psicologia estamos sempre atentos aos resultados mais avançados da investigação neurocientífica relevante ao trabalho em Psicologia Clínica, apurando em permanência os melhores modelos e formas mais eficazes de intervenção. Deixamos-lhe algumas curiosidades, acompanhadas de cérebros que poderá colorir, como forma de relaxamento e estímulo à criatividade. No seu cérebro residem 100 biliões de neurónios – tantos quantas as estrelas da Via Láctea; cada um deles liga-se a cerca de 10.000 outros neurónios, criando um total de 10 milhões de biliões de conexões que disparam na sua cabeça a cada momento. E isto é só a massa cinzenta – 80% das células cerebrais são glia (ou neuróglia), que constituem a massa branca, e que têm por função apoiar e alimentar o trabalho neuronal. E, contrariamente ao mito popular de que apenas usamos 10% da nossa capacidade cerebral, o cérebro está muito bem rentabilizado em toda a sua extensão. Use bem todo este poder interno! Desde o 1º momento da sua existência, o seu cérebro tem vindo a esculpir-se de acordo com as suas experiências. Para as funções que não usa, o seu cérebro enfraqueceu as ligações. E, em vez disso, investiu em ligações – que aumentam a dimensão dessa área - naquilo que mais pratica, tornando-lhe mais fácil e rápido o acesso ao que vai escolhendo fazer, pensar e sentir. De cada vez que se permitir estar entretido com pensamentos depressivos ou que criam ansiedade escusada, por exemplo, pense que está a facilitar o acesso a esses estados negativos e opte por uma prova de realidade ou por uma substituição de pensamentos. A atenção e a novidade são os grandes estímulos da neuroplasticidade – a capacidade do seu cérebro se ir moldando de acordo com as suas experiências. Por isso, realize todas as aprendizagens que quer reforçar prestando-lhes uma atenção intencional, concentrando-se plenamente em todos os detalhes da experiência – os actos de aprendizagem mudam a própria estrutura cerebral de uma forma enriquecedora. Além disso, todos os dias tente que a sua vida tenha algo de diferente ou novo, por pequeno que seja, para estimular a curiosidade e o elemento surpresa, tão importantes para a boa criação de memórias e para esculpir um cérebro ágil e reforçado. Aprender um instrumento musical pode criar mudança cerebral, melhorar as competências matemáticas e verbais e até aumentar um bocadinho a inteligência geral. O próprio acto de escutar música activa redes neuronais importantes e capazes de criar estados emocionais. O seu cérebro é sedento de aprendizagem e gosta de ser desafiado com competências novas, em qualquer idade. Aprender, seja o que for, de uma forma continuada, é um acto de saúde e longevidade! O exercício físico ajuda na neuroplasticidade – a capacidade que o cérebro tem de se adaptar em estrutura e função. A forma como isso acontece é complexa mas queremos deixar-lhe um dos efeitos que o exercício tem sobre o cérebro: permite que as células estaminais que conseguem crescer no hipocampo tenham uma maior viabilidade – ou seja, o exercício físico potencia a renovação neurocelular. O mais importante no que se refere a exercício físico é a regularidade! 4 a 5 vezes por semana, qualquer exercício moderado durante 20 a 30 minutos aumenta a longevidade e protege a saúde física e psicológica. E o cérebro agradece. O cérebro corresponde a 2% do seu corpo e, no entanto, consomelhe 20% da energia – 20% da sua alimentação destina-se a “combustível” cerebral. E há alimentos de que o cérebro gosta e outros de que não gosta. Por exemplo: experimente carne, peixe aveia, trigo, lacticínios e rebentos de soja para aumentar a sensação de prazer na vida E, se quiser aumentar a calma, diminuir a tensão e irritabilidade, experimente ovos, pêssegos, uvas, abacate, pevides de girassol e ervilhas. Para por as insónias a dormir, o copo de leite antes de deitar é uma boa ajuda, tal como as nossas avós já recomendavam. Sabia que o auto-controlo, que nos permite mobilizar a força de vontade para resistir ao que não queremos ou persistirmos na direcção do que queremos, se vai “gastando” e diminuindo em força, a cada utilização? Isto acontece pelo gasto energético que cada acto de autocontrolo tem no nosso organismo. Uma boa forma de ajudar o cérebro a permanecer com bons níveis de energia? Mantenha uma alimentação a intervalos regulares, para repor os níveis de glucose – energia – no sangue. Quando estes níveis baixam no sangue, o nosso cérebro sente-se mais tentado com decisões mais impulsivas e de maior risco. Invista em alimentos de baixa glicémia, para energia duradoura: proteínas, frutos secos, leguminosas, cereais, frutas e legumes. Sabia que ensaiar mentalmente uma acção activa os mesmos caminhos cerebrais do que fazê-la de facto? Por isso, é importante que use o seu tempo mental para visualizar as competências que quer adquirir ou reforçar. E por isso também é importante que cuide dos seus processos internos de fantasia – dedicar-se a imaginar resultados negativos das suas acções equivale a treinar-se precisamente nesse sentido, o que, de certeza, lhe será muito pouco útil. Sabia que há um vazio naquilo que vemos? O nosso campo de visão tem como que um buraco, correspondente ao local do nervo óptico na retina – nós apenas vemos uma imagem completa porque o nosso cérebro preenche esse espaço, “imaginando-o”. Além disso, os sensores da retina apenas registam as cores vermelha, verde e azul – todas as outras cores que vemos resultam de uma mistura que o cérebro faz destas 3 cores. E mesmo assim, ainda acha mesmo que a realidade existe, sem uma construção mental individual? Até que ponto isto o pode ajudar numa discussão com outra pessoa que tem uma visão completamente diferente da sua sobre a mesma situação? E até que ponto é que poderá mudar a sua percepção sobre o mundo sempre que ela não estiver a contribuir para os seus objectivos de bem-estar? O hemisfério esquerdo do seu cérebro tem por missão pensar de uma forma mais detalhada e analítica, impulsioná-lo na direcção daquilo que pretende atingir ou fazer, ajudá-lo nas tarefas de linguagem e dar-lhe uma visão mais optimista da vida. Já o seu hemisfério direito faz avaliações mais globais e pessimistas, puxa-o para longe das situações que possam ser-lhe desagradáveis e ajuda-o nas tarefas mais criativas. Qual é o melhor? Nenhum. É a “dança” entre os dois hemisférios que lhe permite ser completo e viver em pleno. Quando a sua vida for dominada por um dos lados convém –lhe estimular o outro para que este equilíbrio se retome. Sabia que algumas das mesmas áreas cerebrais que são activadas para recordar o passado também são usadas para imaginar o futuro? Quando pensamos no que vamos fazer ou no que poderá vir a acontecer, na verdade estamos também a ir buscar as nossas memórias sobre o que já aconteceu para podermos fazer estimativas informadas. É útil e eficiente mas, como tudo, pode induzir-nos em erro, sobretudo se tiver acontecido algo no nosso passado que tenha tido uma elevada relevância emocional para nós. Por muito excepcional que tenha sido e, portanto, pouco provável que volte a acontecer no futuro, se não exercermos alguma reflexão crítica sobre isto, vamos tomar decisões futuras demasiado influenciadas por um acontecimento passado. Praticar é a base da excelência . Se a má notícia é que não existe pílula mágica que evite um esforço persistente na direcção que se pretende, a boa notícia é que a excelência está ao alcance de todos. Aliás, está estabelecida a regra das 10.000 horas: com base em vários estudos com atletas, músicos, escritores, compositores e até jogadores de xadrez, sabe-se hoje que um investimento de 10.000 horas de prática atenta é aquilo que pode levar-nos até níveis de elevada qualidade de execução. O cérebro muda e cria atalhos que nos permitem facilidade em actos complexos, mas requer alguma determinação – por exemplo, 5,5 anos de prática diária de 5 horas se quiser ser mesmo muito bom numa área da sua eleição. De cada vez que acede a uma memória, recordando-a, o seu cérebro vai recolher diversos componentes dessa memória que se encontram “arquivados” em locais diferentes. Nesta recomposição, a um nível elétrico e proteico, ocorrem mudanças. A memória tem muito pouco de fotográfico, no sentido em que não é estática – cada memória vai sendo recriada ao longo do tempo e quando a trazemos conscientemente à memória. Por isso, uma confiança excessiva nos pormenores daquilo que “sabe que aconteceu” poderá não ser uma boa ideia quando a recordação se tornar importante para si. E, por isso também, lembre-se que tem graus de liberdade na recriação do seu passado, podendo usar essa liberdade em seu benefício. Sabia que, muito mais importante do que os resultados académicos ou mesmo um suposto “nível de inteligência”, os grandes determinantes do seu sucesso na vida são a sua capacidade de cooperação, a sua capacidade para regular as suas emoções, a sua capacidade para adiar possíveis recompensas e prazeres, de uma forma que tenha em conta possíveis ganhos no médio e longo prazo, e a sua capacidade para focar a atenção? E porque é que isto é importante? Porque estas capacidades são passíveis de serem treinadas, o que lhe deixa o sucesso na vida sob a sua área de controlo e responsabilidade. Os sonhos são críticos para a sobrevivência – estudos em animais, por exemplo, dizem-nos que mais depressa morrem se impedidos de sonhar do que se impedidos de comer. Passamos cerca de 2 horas por noite a sonhar, com cada sonho a durar entre 5 a 20 minutos – são cerca de 6 anos inteiros de sonhos ao longo de uma vida! Atualmente, pensa-se que os sonhos são uma espécie de arrumação da casa – o momento em que o nosso cérebro organiza as memórias e aprendizagens de uma forma coerente. Aliás, as áreas cerebrais que estão activas durante o sono são idênticas às que activam durante tarefas de aprendizagem. Por isso, mais vale uma boa noite de sono do que uma noitada a tentar aprender algo para o dia seguinte. Quando força um sorriso, os músculos faciais são activados a partir do córtex pré-frontal (uma área racional e lógica) mas quando sorri genuinamente quem comanda é o sistema límbico (uma parte do cérebro mais ligada às emoções) o que faz movimentar um conjunto de músculos faciais ligeiramente diferente. E os nossos cérebros sabem distinguir entre ambos os sorrisos e por isso conseguimos desmascarar os “sorrisos amarelos” ou forçados. No entanto, quando se força a sorrir, mesmo que o ambiente interno seja sombrio, a mensagem do sorriso chega ao cérebro que, por sua vez, faz disparar a neuroquímica associada a um sorriso genuinamente bem-disposto. Por isso, quando está bem baixo force-se a sorrir para activar um bom humor. Mas não conte que os outros acreditem que está mesmo bem-disposto