3º Congresso de Ciências Farmacêuticas e 3º Simpósio em Ciência e Tecnologia de Alimentos do Mercosul Análise de composição e avaliação da acidez do Queijo Colonial produzido por agricultores familiares de Céu Azul (PR) Luciana Oliveira de Fariña1, Robson Kurumiya2, Diego Takano2, Elóide Capitanio Mousquer3; Fabiana André Falconi1, Fernanda Giacomini Bueno2, Rubiane Ferreira2; Cintia Marina Polli Paez2; Bruna Tavares2; Sheila Fernanda Dallabrida2. 1 – Docente/Curso de Farmácia; 2 – Aluno/Curso de Farmácia. Laboratório de Alimentos; 3 – EMATER/PR Universidade Estadual do Oeste do Paraná. CEP: 85819-110. Cascavel, Paraná, Brasil. E-mail: [email protected] Palavras-chave: Queijo Artesanal, Agricultura Familiar. INTRODUÇÃO O queijo artesanal Colonial, fabricado de forma semelhante ao tipo Minas artesanal é um dos queijos mais produzidos e consumidos no Paraná. A produção clandestina deste queijo é prática freqüente e inevitável. Sua proibição pode acarretar, em determinadas regiões, um problema econômico, principalmente, para populações que sobrevivem somente desse tipo de atividade. Grande parte dos agricultores da região do Oeste do Paraná produz o queijo chamado Colonial, com tecnologia semelhante àquela do queijo Minas, porém dados concretos a respeito da tecnologia, composição e comercialização produção são escassos. O objetivo desse trabalho foi caracterizar a composição química e a acidez do queijo Colonial artesanal produzido por três agricultores familiares no município de Céu Azul (PR). As três amostras de queijo recém produzidas foram enviadas diretamente das propriedades de Céu Azul, até o laboratório de Alimentos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná e as metodologias empregadas em duplicata com repetição foram: determinação de umidade, proteínas totais (N×6,38), resíduo mineral fixo (RMF em mufla a 550ºC), lipídios totais pelo método butirométrico, cloreto de sódio nas cinzas e acidez em percentual de ácido lático. Os resultados obtidos foram comparados com os padrões vigentes na legislação para o queijo avaliado. RESULTADOS E DISCUSSÃO As Tabelas 1 e 2 mostram os resultados referentes às análises químicas composicionais das amostras de queijo colonial avaliadas. Tabela 1. Resultados das análises de umidade, lipídios, carboidratos e proteínas do Queijo Colonial avaliado. Produtor 1 2 3 Média Umidade % (m/m) 42,56 37,51 31,84 Lipídios % (m/m) 23,02 20,04 33,27 Carboidratos %(m/m) 15,05 18,41 13,37 Proteínas %(m/m) 16,58 20,87 16,71 37,30 ±5,36 25,44 ±6,94 15,61 ±2,57 18,05 ±2,44 Em relação à umidade percebeu-se que os queijos avaliados se adequavam à denominação de “média umidade” (de 36,0 a 45,9g/100g) definida para queijo Minas (BRASIL, 2000). O teor médio de lipídeos foi compatível com aqueles encontrados por diversos autores (REIS,1998; MOUSQUER, 2007; SANCHES et al., 2001) para queijo Colonial. O teor médio de carboidratos totais no queijo ligeiramente elevado indica que na fração aquosa há um elevado teor de substâncias fermentáveis, que poderiam provocar situações de estufamento e formação de sabores indesejáveis, por processos fermentativos inadequados com aumento da acidez e produção de gás. O teor médio de proteínas encontrado apresentou-se dentro das médias encontradas para este tipo de queijo por alguns autores (DREYFUSS et al., 2001; LÜBECK et al. 2001; SANCHES et al., 2001). Tabela 2. Resultados das análises de nitrogênio total, RMF, cloretos e acidez do Queijo Colonial avaliado. Produtor 1 2 3 Média Nitrogênio Total % (m/m) 2,6 3,27 2,62 RMF %(m/m) 2,79 3,17 4,81 NaCl %(m/m) 0,42 0,28 0,29 Acidez % (m/v) 0,27 0,13 0,66 2,83 ±0,38 3,59 ±1,07 0,33 ±0,08 0,35±0,27 O teor de nitrogênio total refletiu o teor de proteínas já discutido e o teor de RMF, que é uma estimativa do teor de cloretos, pode ser afetado pelo o tipo de salga. Considerando que o teor encontrado de cloretos nas cinzas foi extremamente baixo, inferior à média citadas por vários autores como DREYFUSS et al. (2001) e AQUARONE et al. (2001), vê-se claramente que o tipo de salga superficial teve influência direta no teor de sal do produto final. O teor de acidez encontrada nos queijos foi compatível com aquela descrita por outros autores (MOUSQUER, 2007; LÜBECK, 2001; MARTINS et al., 2004). CONCLUSÃO Os resultados permitiram melhorar a caracterização do queijo Colonial produzido no oeste do Paraná em relação à composição química e acidez, permitindo outros estudos comparativos futuros com aqueles queijos produzidos em outras regiões do estado. AGRADECIMENTOS Agradecemos o apoio da Emater e a todos os agricultores familiares que participaram deste trabalho. _________________________ BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Resolução nº 7 de 28 de novembro de 2000. Estabelece Critérios de Funcionamento e de Controle da Produção de Queijarias, para seu relacionamento junto ao Serviço de Inspeção Federal. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Secretaria Nacional de Inspeção de Produtos de Origem Animal. Diário Oficial da União, Brasília (DF) 02 janeiro de 2001. MOUSQUER, E. C. Aspectos de composição e avaliação das condições gerais de produção do queijo colonial por agricultores familiares na região oeste do Paraná. Monografia. Especialização. Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 2007.