Queijos Artesanais: a experiência de Minas Gerais Fernando A. R. Magalhães,D.Sc. Professor/Pesquisador EPAMIG-ILCT 1 2 Minas Geraes... Um lugar onde as horas parecem ter 120 minutos... 3 4 Agenda • • • • • • • • • Histórico da produção de queijos artesanais Panorama da produção Características das áreas produtoras Legislação Garantia da qualidade e segurança alimentar Caracterização sensorial Cenário atual Desafios Pesquisas da EPAMIG 5 Histórico dos queijos artesanais em Minas Gerais • Introdução de gado leiteiro no Brasil: - Martim Afonso de Souza (1534): I. Madeira - Dona Ana Pimentel (1534):São Vicente-SP - Tomé de Souza (1550): Salvador-BA Os portugueses consumiam, além do queijo do reino, queijos produzidos nas fazendas de gado 6 Queijos artesanais em Minas Gerais • Minas Gerais foi o estado que mais se identificou com a produção de queijos • A origem do queijo mineiro ainda não está bem definida • Às margens dos caminhos que levavam ao Rio de Janeiro produziam um queijo pouco maturado, com boa aceitação no mercado 7 Queijos artesanais em Minas Gerais • Corrida do ouro no século XVII: técnica de fabricação de queijo português da Serra da Estrela • Declínio do garimpo, o leite produzido nos platôs e chapadões tinha que ser estocado em forma de queijo • Armazenado em canastra, levado no lombo das mulas pelas comitivas de tropeiros 8 9 10 11 12 • Era necessário que o queijo fosse bem curado, de consistência firme, para não desmanchar durante a marcha da tropa • As queijarias artesanais prosperaram nessa junção de precariedade e fartura e se transformaram na principal fonte de renda para pequenos produtores familiares 13 Panorama atual da produção de queijo artesanal • 27.000 produtores de queijo artesanal • Produção anual de 70.000 toneladas / ano • Destes 10.773 são produtores das quatro regiões caracterizadas Produzindo 33.570 toneladas anuais Em 46 municípios 83% das propriedades têm até 100 ha Gerando 26.870 empregos diretos 14 Fonte: EMATER-MG, 2004 Queijo Artesanal em Minas Gerais EMATER e IMA(2004) MICRORREGIÕES GEOGRÁFICAS Alto Paranaíba Serro Araxá Canastra 15 Região Municípios Alto Paranaíba Abadia dos Dourados, Arapuá, Carmo do Paranaíba, Coromandel, Cruzeiro da Fortaleza, Guimarânea, Lagamar, Lagoa Formosa, Matutina, Patos de Minas, Patrocínio, Presidente Olegário, Rio Paranaíba, Santa Rosa da Serra, São Gonçalo do Abaeté, São Gotardo, Serra do Salitre, Tiros, Varjão de Minas. Araxá Serro Canastra Nº de produtores Prod. (ton) Empregos diretos Área (km2) 6.491 15.000 16.227 27.486 Araxá, Campos Altos, Conquista, Ibiá, Pedrinópolis, Perdizes, Pratinha, Sacramento, Santa Juliana, Tapira 1.136 11.000 2.840 13.629 Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim, Materlândia, Paulistas, Rio Vermelho, Sabinópolis, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas, Serro. 1.050 3.100 2.625 6.960 Bambuí, Medeiros, Piumí, São Roque de Minas, Tapiraí, Vargem Bonita, Delfinópolis 2.096 4.470 5.227 6.453 16 Microrregião Alto Paranaíba 17 Microrregião Alto Paranaíba • • • • • Fertilidade do solo Grande quantidade de água Clima ameno Desde as entradas e bandeiras – queijos QUEIJO DO CERRADO 18 Microrregião da Canastra 19 Microrregião da Canastra Relevo Rica hidrografia Clima ameno Agropecuária com grande importância econômica • Pastagem nativa • • • • 20 Microrregião da Canastra Ambiente propício ao desenvolvimento de microbiota endógena - presente no “pingo” - responsáveis pelo sabor característico do queijo Adição de “pingo” (sorofermento) 21 Microrregião do Serro 22 Microrregião do Serro • Origem do queijo na região: garimpeiros • Queijo contribuiu para o desenvolvimento da atividade agropecuária • Relevo acidentado • Climas tropicais amenizados • Densa rede de drenagem 23 Microrregião de Araxá 24 Microrregião de Araxá • Um dos primeiros núcleos de ocupação colonial: fruto de atuação dos criadores de gado e dos tropeiros • Mais de dois séculos de tradição 25 Produção queijo Minas artesanal • Atividade tradicional de vários municípios • Está ligada à identidade sócio-cultural do Estado (tombado pelo IEPHA) • Importante para a economia: uma das principais atividade geradoras de renda dessas regiões 26 Queijos fabricados a partir de leite cru • Comprometimento da sanidade do rebanho • Limitação das condições de higiene: Nas diferentes fases de fabricação, e Na comercialização do queijo artesanal Necessidade de regulamentação para garantia da segurança alimentar 27 Lei Estadual n.° 14.185 Regulamentada pelo Decreto n.°42.645 • Dispõe sobre o processo de produção do Queijo Minas Artesanal e dá outras providências • Considera Queijo Minas Artesanal: Confeccionado conforme tradição história e tradicional Leite integral fresco e cru Beneficiado na propriedade de origem 28 Procedimento a serem adotados no processamento Filtração Enformagem Adição de fermento e coalho Prensagem manual Coagulação Salga seca Corte e coalhada Maturação Mexedura Dessoragem 29 Garantia da Qualidade I – Rebanho Sadio Sem sinais clínicos de doenças infecto contagiosas Negativo nos testes oficiais de brucelose e tuberculose Teste da caneca de fundo preto Coleta de sangue para exame de Brucelose Tuberculinização 30 II – Certificação das condições de higiene recomendadas pelo IMA Entrada de leite na queijaria Telas protetoras nas janelas Saboneteira manual 31 II – Certificação das condições de higiene recomendadas pelo IMA Manejo dos dejetos nas salas de ordenha Higienização dos utensílios de ordenha Instalações de ordenha funcionais 32 II – Certificação das condições de higiene recomendadas pelo IMA Óculo para “expedição” dos queijos Lava botas Uso de cloradores 33 II – Certificação das condições de higiene recomendadas pelo IMA Impedimento do acesso de animais e pessoas estranhas Uso de toucas e máscaras 34 III – Cadastro do produtor IMA Certificação de produtores da região do Serro • Exame médico dos trabalhadores da queijaria • Nota fiscal da vacinação contra raiva • Atestado negativo contra Brucelose e Aftosa • Análise físico-química da água e do queijo em laboratórios credenciados pelo IMA • Planta baixa da queijaria • Laudo técnico sanitário da queijaria • Certificado de participação em curso de boas práticas de fabricação ministrado pela EMATER-MG 35 Decreto n.°42.645 Regulamentação da lei n.° 14.185 • Padrões microbiológicos Flora microbiana total <100.000 ufc/mL Contagem de células somáticas < 400.00 unidades/mL Sthapylococcus aureus (coag. +) < 100 ufc/mL Escherichia coli < 100 ufc/mL Salmonella Ausência /25mL 36 Adequação dos produtores de queijo Minas artesanal da região de Araxá à legislação em relação aos parâmetros microbiológicos 100,0 100 81,1 90 % de produtores 80 62,2 70 60 51,4 50 40 30 13,5 20 10 0 Coliforme 30ºC E. coli S. aureus Salmonella Listeria Parâm etros m icrobiológicos 37 Segurança alimentar • A presença de S. aureus coagulase (+) nem sempre é acompanhada da produção de enterotoxina • Algumas estirpes de S. aureus coagulase (-) também podem produzir enterotoxina • Necessidade de avaliação e reestruturação da legislação no sentido da detecção da enterotoxina 38 Oficinas de caracterização sensorial • Avaliadas queijos de diferentes “fichas de fabricação” dentro das variações tradicionais: • Dose de pingo • Dose de coalho • Quantidade de sal • Selecionados 10 a 20 julgadores, entre produtores, lideranças e técnicos • Características externas, internas, odor, textura, sabor (com diferentes pesos) 39 Oficinas de caracterização sensorial Queijo da Canastra São Roque de Minas-MG Queijo do Serro Serro-MG Queijo de Araxá Patrocínio-MG 40 Descrição dos queijos • Análise técnica de especialistas • Avaliação dos resultados do julgamento • Descrição minuciosa das características sensoriais de cada queijo 41 Exemplo de Caracterização sensorial por atributo Queijo Canastra Cor da massa: Característico Amarelada, podendo apresentar as bordas de tonalidade mais escura, sobretudo nos queijos maturados Desclassificado • Objetivo: gerar informações para compor parte da documentação necessária para Certificação de Origem, junto ao INPI 42 Comercialização • Importância do “queijeiro”: preço e tempo de maturação • Demanda por queijo branco nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro • Importância da garantia de origem 43 Destino do queijo Minas artesanal da região de Araxá 5,4 0,0 consumidor 5,4 24,3 comerciante intermediario cooperativa consumidor/intermediário 45,9 18,9 consumidor/comerciante 44 Queijaria antiga Queijaria nova 45 Queijaria antiga Queijo clandestino Queijaria nova Produto com valor histórico e econômico agregado 46 Desafios atuais • • • • • Adequação e cadastramento dos produtores Garantia da segurança alimentar Ajuste da legislação Comercialização Certificação de origem 47 Pesquisas da EPAMIG CT/ILCT • Efeito antagônico da microbiota endógena do queijo Minas artesanal do Serro-MG sobre Listeria sp. e Salmonella sp. • Padronização de métodos na fabricação de queijo Minas artesanal da Canastra • Efeito da Maturação na qualidade do queijo Canastra • Avaliação das condições higiênicosanitárias e implantação de um procedimento de higienização em unidade produtora de Queijo Canastra. 48 49 “A perfeita união entre queijos e vinhos é uma prova de que até o paladar tem horror à solidão” 50 51 52 53 “Adianta querer saber muita coisa? O senhor sabia, lá para cima me disseram. Mas, de repente chegou neste sertão, viu tudo diverso diferente, o que nunca tinha visto. Sabença aprendida não adiantou para nada... Serviu algum?” 54 Obrigado pela atenção fernando.magalhaes@ epamig.br 55