1
REPERCUSSÕES SÓCIO-AMBIENTAIS DECORRENTES
DA IMPLANTAÇÃO DO DISTRITO INDUSTRIAL
EM SÃO JOSÉ DOS PINHAIS – PR
José Carlos de Jesus Lopes
José Henrique Volpi
Karin Sylvia Graeml
Maria da Salete Sachweh
Olga Estefania Duarte Gomes Pereira
Wilson João Zonin1
Resumo
Este trabalho analisa as possíveis repercussões sócio-ambientais decorrentes da implantação do Complexo Industrial
Automotivo Ayrton Senna, no Distrito Industrial em São José dos Pinhais – Pr, município integrante da Região
Metropolitana de Curitiba - RMC. O recorte físico espacial foi escolhido por estar em uma região passível de ocorrer
impactos sócio-ambientais, nem sempre reversíveis, em sua área politicamente delimitada. Os três Estados da região Sul
do Brasil, criaram estratégias políticas de atração para as montadoras, objetivando promover o crescimento econômico
regional. Na RMC foram instaladas as novas unidades de automóveis da Renault, Audi, Volvo e ampliação da Scania.
Sabe-se, que a gestão produtiva desenvolvida por essas empresas é questionada, inclusive, em alguns países
desenvolvidos, por força das leis ambientais. Com relação à implantação da montadora Renault, esta regra foi
confirmada por uma pesquisa realizada no Curso de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, da UFPR. Para
melhor compreender os impactos sócio-ambientais que possam ter ocorridos no Distrito Industrial, entende-se ser
necessário um aprofundamento sobre a teorização e as relações epistemológicas existentes entre as Ciências Sociais e as
Ciências da Natureza. Deste modo, desenvolver um trabalho de pesquisa interdisciplinarmente significa participar de
um processo dinâmico, integrador e, sobretudo, dialógico.
1. Introdução
Este estudo resultou de um exercício interdisciplinar entre as disciplinas de Ciências
Naturais
e
Sociais
ministradas
no
curso
de
Doutorado
em
Meio
Ambiente
e
Desenvolvimento/UFPR. Para tentar entender conceitos e representações tratadas em sala de aula
fez-se um recorte físico, espacial e territorial, na Região Metropolitana de Curitiba – RMC.
O primeiro conceito estudado foi o da própria interdisciplinaridade - termo que não tem
significado único, pois possui diferentes interpretações, mas em todas elas está implícita uma nova
postura diante do conhecimento, uma mudança de atitude em busca da unidade do pensamento.
Deste modo, desenvolver um trabalho de pesquisa interdisciplinarmente significa participar de um
processo dinâmico, integrador e, sobretudo, dialógico.
Para a pesquisa de campo foi desenvolvida no Distrito Industrial do Município de São José
dos Pinhais - RMC, onde se encontra o Complexo Industrial Automotivo Ayrton Senna, por estar
em região de possíveis impactos sócio-ambientais em sua área politicamente delimitada. A região
está geograficamente localizada a 906 m de altitude, 25º 32’ de latitude e 49º 12’ W de longitude.
Ressaltar-se, no entanto, que os impactos sócio-ambientais não se restringem somente ao recorte da
área territorial escolhida, uma vez que o espaço entorno pode ser direta ou indiretamente impactada.
1
Alunos do Curso de Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná.
2
De acordo com Martins et all (2003), há algum tempo o setor automobilístico vinha
demonstrando uma saturação da demanda nos países avançados, fazendo com que a partir da década
de 90, a América Latina trabalhasse em ritmo acelerado, para que o mercado consumidor
automotivo global pudesse crescer. Assim, a partir de então os três Estados da região Sul do Brasil,
começaram a criar estratégias políticas de atração para as montadoras, objetivando promover o
crescimento econômico regional (AZZOLIN, 2001; IPARDES, 1981).
No Paraná, Estado em que a maior parte dos investimentos se concentrou na região
metropolitana (13,1% do total nacional), destacaram-se a instalação de novas unidades de
automóveis da Renault, Audi, Volvo e ampliação da Scania. A atração das montadoras, com intuito
de promover o crescimento econômico, pode trazer junto impactos sócio-ambientais, uma vez que
essas empresas são potencialmente poluidoras. Sabe-se que a gestão produtiva desenvolvida por
essas empresas, é questionada, inclusive, em alguns países desenvolvidos por força das leis
ambientais.
2. Desenvolvimento
Para melhor compreender os impactos sócio-ambientais que ocorreram no Distrito
Industrial, entende-se necessário um aprofundamento sobre a teorização e as relações
epistemológicas existentes entre as Ciências Sociais e as Ciências da Natureza.
De acordo com Morin (1981) é necessário encarar toda a ciência física em seu
embasamento social e todo o fato social em seu fundamento físico, ou então, considerar todo o
conhecimento físico em seu enraizamento antropossocial, assim como, toda a realidade
antropossocial em seu enraizamento físico.
O mesmo autor aponta para um pensamento transdisciplinar - novo discurso científico que articula os três níveis de organização: físico, biológico e antropossocial. Continua o autor
dizendo, que fundamentar a produção do saber científico na produção cultural não significa reduzir
a ciência a uma ideologia, mas significa tornar mais complexa nossa concepção de conhecimento
científico, com duas ramificações: uma inerente à práxis histórico-social; e a outra inerente à
realidade empírica.
De acordo com Savater citado por Foladori (2003), existem diferentes concepções de
natureza, das quais três são distintas: a natureza como conjunto de todas as coisas existentes,
submetida às regras que estudam as “ciências da natureza”; a natureza como conjunto das coisas
que existem sem intervenção humana, com espontaneidade não deliberada; e a natureza como
origem e causa de todas as coisas, como explicação última e razão de ser.
Assim, de acordo com os entendimentos de Foladori (2003), tudo que se encontra no
espaço é natureza. Isto quer dizer, que tanto a natureza virgem como os produtos criados pela
3
atividade humana são elementos da natureza. Desse modo, a natureza como conjunto das coisas
que existem sem intervenção humana serviria para distinguir o natural como aquilo que existe fora
da intervenção humana, e o artificial como produto da ação humana. Esta é uma concepção que é
muito utilizada porque expressa o sentido mais comum dos termos natural e artificial.
Para Milton Santos (1999), território deve ser visto como o conjunto de sistemas naturais
mais os acréscimos históricos materiais impostos pelo homem. É formado pelo conjunto
indissociável do substrato físico, natural ou artificial, e mais o seu uso, em outras palavras, a base
técnica e as práticas sociais, isto é, uma combinação de técnica e de política. Os acréscimos são
destinados a permitir, em cada época, uma nova modernização, que é sempre seletiva.
Atividades econômicas sejam de grande ou pequeno porte podem ocasionar uma série de
alterações ambientais, nem sempre reversíveis, bem como gerar prejuízos para a sociedade. Com
relação à implantação da montadora Renault, no Distrito Industrial, São Jose dos Pinhais, esta regra.
foi confirmada no desenvolver dessa pesquisa.
A fim de entender as alterações sócio-ambientais que possam ter ocorrido, fez-se
necessário elencar alguns conceitos das Ciências da Natureza. Ao tratar-se de impactos ambientais
está se tratando de quaisquer alterações das propriedades físicas, químicas e biológicas que ocorrem
no meio ambiente causadas por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades
humanas (CONAMA, 1986).
De acordo com Franco (2001), os conceitos de impacto e poluição são antropocêntricos, já
que estão diretamente relacionados aos efeitos das ações humanas sobre a sociedade e os
ecossistemas. Enquanto que, a degradação ambiental estudada por Guerra e Cunha (2003, p. 345) é
“o manejo inadequado do solo, tanto em áreas rurais, como em áreas urbanas, é a principal causa da
degradação”. Em se tratando de risco ambiental, Reis e Queiroz (2002) alertam para que seja
considerado anteriormente à implantação de uma empresa ou de uma atividade, qual o risco
ambiental que eventualmente poderá provocar no meio ambiente. Assim, um impacto ambiental
pode por em risco todo um ecossistema.
3. Caracterização do Distrito Industrial
O distrito Industrial está localizado na porção Norte do Município com as coordenadas
geográficas médias 25o 30’ de latitude Sul e 49o 07’de latitude O Greenwich, abrangendo parte das
sub-bacias do Rio Pequeno e Itaqui, em uma área de 5,5 milhões de m2. Esta área agrupa indústrias
no parque que é formando por um condomínio de uso estritamente industrial com cerca de 2,5
milhões de m2. O restante do imóvel está com uso diversificado, em especial o habitacional.
A vegetação predominante, de acordo com o Sistema de Classificação Fitogeográfica
Brasileira (COMEC, 1999), é caracterizada como floresta Ombrófila Mista, nas formações: Aluvial
4
e Montana. Para Jacobs (2002) a Floresta Ombrófila Mista era, no passado, à vegetação que
recobria este tipo de floresta no primeiro planalto ficou conhecida como mata de araucária. Já a
Floresta Ombrófila Mista Aluvial que é formação ribeirinha, ocupa ainda hoje os terrenos
aluvionares, nas margens dos rios ou nas pequenas depressões aparecem os capões e matas de
galeria associada ás estepe gramíneo-lenhosa.
Utilizando-se dos dados do EIA/RIMA (1996) da região, a presença desta estepe no
Município de São José dos Pinhais está associada com a Formação Guabirotuba, cujos sedimentos
quaternários antigos apresentam condições especiais de drenagem, aeração e acidez. Os campos de
várzea às margens do rio Pequeno e Itaqui são regiões baixas sujeitas a inundações periódicas.
Em 1996, nos dados do EIA/RIMA (1996, p.319 v II), já havia um alerta sobre os
possíveis riscos e impactos ambientais que poderiam ocorrer na região, com a construção de obras
civis no Distrito Industrial, onde parte da cobertura vegetal correspondente à Estepe Gramíneolenhosa poderiam sumir, o que resultaria no empobrecimento da diversidade florística local e,
conseqüentemente, da biodiversidade.
A supressão desta vegetação pode ter sido de caráter permanente o que seria irreversível,
assim, a capacidade de resiliência seria nula, pois a vegetação retirada não poderá ser reposta, e o
papel deste tipo de cobertura vegetal em área de mananciais, deixa de ser exercido, desprotegendo
mecanicamente o solo nas áreas de extravasamento natural dos cursos d'água, por conseqüência
expões a região a inundações por elevação do lençol freático.
De acordo com a classificação climática de Köppen, segundo Trewartha e Horn (1980), o
clima da região em estudo é do tipo Cfb - Clima temperado propriamente dito; temperatura média
no mês mais frio abaixo de 18oC (mesotérmico), com verões frescos, com ocorrência de geadas
severas e freqüentes, não apresentando estação seca.
A Mineropar (1995) diz que a geologia do Distrito Industrial está representada
basicamente por rochas gnáissicas e migmatíticas, sedimentos da bacia de Curitiba e sedimentos
aluvionares recentes. A área está também situada sobre uma grande bacia aluvionar, caracterizada
por baixas declividades (entre 0% a 5%), cuja planície está limitada por um relevo suave, com
colinas baixas e médias (formação Guabirotuba) e tendo as maiores elevações da área, sustentadas
por rochas magmáticas do Complexo Cristalino.
Guerra e Cunha (2003) dizem que os sistemas ambientais naturais ao considerar a
intervenção humana apresentam maior ou menor fragilidade em função de suas características
genéticas. Frente a esta afirmação o EIA/RIMA da região (1996), aponta que a fragilidade do meio
físico pode ser considerada moderada para ocupação urbana, agropecuária e obras viárias, baixa
para equipamento enterrados e alta para rejeitos.
Considerando a hidrografia da região, o Distrito Industrial está localizado em um divisor
5
de águas entre as sub-bacias dos rios Pequeno e Itaqui, na bacia do altíssimo Iguaçu, sendo o
Pequeno um dos limites da área do Distrito Industrial. Os rios: Pequeno e Itaqui são afluentes da
margem esquerda da bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, compondo o atual Sistema Integrado de
Abastecimento de Água da Região Metropolitana de Curitiba.
A bacia do Iguaçú segundo Andreolli et all (s.d) possui 565 km e atualmente abriga duas
captações de água (captação Iguaçu e captação Irai). A bacia do altíssimo Iguaçu é constituída pelas
seguintes sub-bacias: Irai, Iraizinho, do Meio, Piraquara, Palmital, Itaqui e Pequeno, que juntas,
produzem hoje, cerca de 5.600 l/s (já incluído o reservatório do Irai). A sub-bacia do Rio Pequeno
abrange uma área de 137 km2 (SUDERHSA, 2002) e atualmente está com intensa ocupação urbana
numa área com cerca de 50 km 2 a jusante do Rio Quississana e no Distrito Industrial de São José
dos Pinhais (ANDREOLLI et all, s.d).
De acordo com o relatório realizado em 15 de junho de 2002 pelo Conselho Municipal de
Meio Ambiente de São José dos Pinhais, diversos loteamentos foram construídos na área de
preservação permanente do rio Pequeno e o esgoto é lançado no rio sem tratamento. Ainda segundo
o mesmo documento, outros fundos de vale da bacia, seguidamente, são agredidos com despejo de
lixo trazido por pessoas de áreas urbanas.
Ao mesmo tempo, o Distrito Industrial atraiu uma acelerada ocupação imobiliária, tanto de
nível popular como de chácaras. O entorno Distrito Industrial apresenta sérios problemas de
impacto ambiental causando transtornos para os moradores da região, bem como para as nascentes,
córregos e rios, como o Pequeno.
A sub-bacia do Rio Itaqui abrange uma área de 39,80 km2, nos Municípios de Piraquara e
São José dos Pinhais com loteamentos e com um processo de ocupação acelerada. Parte da margem
esquerda do Rio Itaqui, bem como suas nascentes possuem declividades mais acentuadas, onde as
matas ciliares estão conservadas e praticamente sem ocupação urbana. Já na sua margem esquerda,
a mata ciliar é praticamente inexistente.
Este desmatamento, juntamente com o uso inadequado do solo, proporciona o
carregamento de sedimentos, fazendo com que ocorra o assoreamento do seu leito natural,
ocasionando enchentes. (COMEC, 1999). Porém as nascentes de água encontram-se ameaçadas,
pois de acordo com os dados do EIA/RIMA (1996, p. 310) existe um alerta para o problema do
soterramento de nascentes, entende-se que esta ameaça se encontra em execução em alguns platôs
que compõe o Parque Industrial, pois tal como foi concebido, atinge e soterra, em sua porção sul,
nascentes e pequenos córregos que dispunham de mata ciliar (Floresta Ombrófila Mista Aluvial).
Tal fato pode resultar em prejuízos ao sistema hídrico local e à fração da biota que dele
depende, intervindo diretamente sobre reservas ecológicas protegidas por lei. Este impacto atinge a
área diretamente afetada e ocorrerá no instante em que as obras atinjam esse ponto e será
6
permanente e irreversível. Portanto, a sua magnitude e importância podem ser consideradas
grandes, principalmente tendo-se em vista que em determinados pontos, o soterramento de cursos
d'água deverá se dar em um desnível superior a 20m.
Conforme Carta da Comissão Executiva Estadual do Partido Verde ao Presidente da
Renault, datada de 29/03/96, alertava: “A operação das industrias no Distrito Industrial deverá gerar
um certo volume de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, todos eles com potencial poluidor do
lençol freático” (1996, p.4), indicando assim um aumento da poluição dos aqüíferos subterrâneos
O EIA/RIMA (1996, p. 309) também evidenciou o risco do escoamento superficial, que
com execução de obras civis, especialmente a pavimentação de ruas e estacionamento,
impermeabilizarão uma parte substancial do terreno, fazendo com que a parcela de água
proveniente das precipitações pluviométricas que se infiltraria no subsolo, escoe em superfície,
aumentando o runoff e causando uma sobrecarga no sistema de drenagem superficial natural. Este
impacto afeta a área de influência indireta, ou seja, as sub-bacias dos rios: Pequeno e Itaqui, em
suas porções a jusante do empreendimento. A ação impactante teria efeito imediato e progressivo a
partir do início das obras, podendo ser considerada permanente e irreversível a partir daí, pois
terminada a implantação do empreendimento, as condições não serão revertidas.
Para Branco Rocha (1936), o escoamento superficial das águas de chuva e ou de irrigação
pode causar transporte horizontal não só de matérias orgânicas em solução, mas também de finas
partículas em suspensão, ocasionando grandes deslocamentos de solo das regiões mais altas para os
vales, rios, lagos e oceanos.
Atualmente, as evidências mostram que os riscos alertados pelo EIA/RIMA estão se
concretizando sem que ações por parte dos órgãos competentes tenham sido encaminhadas.
Segundo Oliveira (2002), ocorreu a obstrução de um córrego que está causando o alagamento de
uma propriedade rural em São José dos Pinhais, fundos da montadora Renault. O problema
ambiental surgiu ainda durante a terraplanagem para a construção da montadora, e a situação está se
agravando diariamente, pois além da transformação da vegetação, grande parte da propriedade está
improdutiva.
A Comissão Executiva Estadual do Partido Verde em carta dirigida ao Presidente da
Renault alertava também sobre o incremento no volume das enchentes.
A impermeabilização progressiva do solo terá como efeito previsto o aumento do
coeficiente de escoamento superficial, em razão da redução da infiltração, gerando
sobrecarga da rede de drenagem superficial. [...], pois deverá acontecer sempre que a
precipitação pluviométrica alcance determinada patamar, sendo, uma vez deflagrada,
irreversível (1996, p. 4).
Estes fatos também foram levados a conhecimento do Ministério Público (12/2002),
através de denúncia do Conselho Municipal do Meio Ambiente, de São José dos Pinhais,
acrescentando informações sobre a poluição do rio Pequeno, decorrente dos resíduos industriais da
7
Renault, causando um grande volume de espuma sobre as águas e mortandade de peixes.
Guerra e Cunha (2003) enfatizam que na área de encostas tanto o desmatamento como
crescimento da área urbana reduz a capacidade de infiltração aumentando o escoamento superficial,
promovendo desta maneira, a erosão hídrica nas encostas o que acarreta em um maior volume de
sedimentos para a calha fluvial podendo resultar no assoreamento do leito e enchentes na planície
de inundação.
4. Área de Proteção Ambiental - APA
Os mananciais são as fontes de onde a água é retirada para o abastecimento e consumo.
Por isso eles são tão importantes e precisam ser preservados. Infelizmente, os mananciais que
abastecem a população vêm sendo comprometidos pelo desmatamento, exploração incorreta do
solo, subsolo e utilização exagerada de agrotóxicos. Foi desta necessidade que surgiu a
regulamentação o uso e a ocupação das diversas atividades humanas de modo a assegurar a
proteção, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, criando-se as chamadas Áreas de
Proteção Ambiental - APA.
Andreolli et al. (s.d) diz que um manancial sofre degradação quando há um crescimento
populacional sobre ele, que por conseqüência, gera a impermeabilização do solo, remoção florestal,
aumento de lançamento direto de lixo e esgoto, aterros sanitários, etc. No caso dos mananciais
urbanos, os problemas com o lixo e esgoto sanitário são os que mais atuam para a degradação de
mananciais de abastecimento.
Já, uma Área de Proteção Ambiental é assim declarada com o objetivo de proteger valores
ambientais significativos, assegurar o bem estar da população humana e/ou melhorar as condições
ecológicas locais. Uma APA é criada por decretos em nível, Federal, Estadual e Municipal em
terras públicas ou privadas, quando houver relevante interesse público (THEODOVICZ, 1994).
Dentro do limites geográficos das APAs é necessário que seja estabelecida uma zona de
vida silvestre, na qual será regulado o uso dos recursos naturais, sendo proibida qualquer atividade
de terraplanagem, mineração, dragagem e escavação que venham a causar danos ou degradação ao
meio ambiente e/ou perigo as pessoas, bem como a implantação e o funcionamento de indústrias
potencialmente poluidoras, cujas normas reguladoras serão estabelecidas pelo Poder Público (1994).
Na delimitação física que se tornou objeto desta pesquisa, encontra-se o Rio Pequeno, que
é protegido ambientalmente pelo Decreto Estadual nº 1752/96 - que Institui a APA na área de
manancial da bacia hidrográfica do Rio Pequeno, denominada APA Estadual do Pequeno,
localizada no município de São José dos Pinhais, com área aproximada de 6.200,00 ha.
Diariamente novas áreas urbanização estão se consolidando nas periferias das grandes
cidades, não só em áreas de fácil acesso e ocupação próximas ao centro, como também em lugares
8
deficitários de infra-estrutura e/ou com alta declividade, normalmente, de importância hídrica,
podendo estar localizadas neles inúmeras nascentes de rios, lagos de represas, constituindo um meio
ecológico frágil. Apresentando características que facilitam a erosão e a contaminação pelos
esgotos, resíduos sólidos e lixo, assim se faz necessário que normas rígidas e leis para ocupação e
uso da terra se façam presentes, tanto para fins de habitação, quanto para outros tipos de manejo,
apontando para os diferentes problemas de risco e vulnerabilidades a que estão sujeitas as
populações urbanas ricas e pobres (PENNA, 2002).
Assim, pode-se até mesmo afirmar que os recursos hídricos estão sendo diariamente
comprometidos pela degradação doméstica, industrial e agrícola, bem como por desequilíbrios
ambientais resultantes do desmatamento e uso indevido do solo, pois ali as coisas acontecem
rapidamente e longe de uma visão interdisciplinar que norteie o planejamento e a consolidação de
políticas ambientais diretamente voltadas para um enfoque do ecodesenvolvimento.
Há que se considerar uma APA como área de extrema importância para o meio ambiente e
para a sociedade, coube então a esta pesquisa, salientar que a área destinada à implantação do
Distrito Industrial de São José dos Pinhais, está localizada na APA do rio Pequeno.
Acatando as observações de Azzolin (2001), o local onde está instalada a Renault
pertencia a uma zona denominada área de Proteção Ambiental criada com a função de proteger as
bacias hidrográficas, houve porém, necessidade de promover alteração na legislação que normatiza
essas áreas para a instalação da Renault.
5. Sociedade e Economia
O processo de globalização se fez presente na região a partir de 1990, quando o Município
foi incluído por força de acordos, leis e decretos nacionais e internacionais na economia
mundializada, com a implantação do Complexo Industrial Automotivo por meio da criação do
Distrito Industrial.
Em função destes arranjos produtivos, pode-se observar que houve uma nova dinâmica na
economia municipal, interagindo com a RMC, com os demais Estados e com as outras regiões
produtoras em escala internacional, pois o Município passou a importar peças e componentes
automotivos, amparando-se no sistema produtivo draw-back2 para importar bens acabados.
Com a criação dos Distritos Industriais, bem como a implementação de algumas infraestruturas, o Governo do Estado indica o Município para a instalação da montadora Renault e
posteriormente da Volkswagen-Audi, que fortalecem o setor automotivo no Estado (GUERRA;
CUNHA, 2003). Assim, Renault e Volkswagen-Audi são consideradas empresas-mãe, pois, atraem
2
Este recurso permite que as empresas exportadoras tenham isenção fiscal para os produtos importados quando estes
forem re-exportados (RATTI, 2002).
9
diversas outras empresas de menor porte para servirem suas matérias primas, dentro das unidades
de montagem. Esta região passa a produzir, então, bens de alto valor agregado para o país e para o
resto do mundo. São José dos Pinhais hoje é considerada uma região que participa do ambiente
mercadológico - arena global.
Para elaborar uma reflexão sobre os possíveis impactos sócio-ambientais ocasionados pela
implantação do Complexo Industrial Ayrton Senna, faz-se necessário analisar as repercussões
sócio-econômicas, bem como entender a opção do Estado do Paraná em promover o crescimento
econômico por força da industrialização. Durante as décadas de 30 ao final de 80, baseado no
pensamento econômico keynesiano, coube ao Estado criar oportunidades de empregos e de
negócios, sendo ele próprio o Estado-empresário que podia e devia intervir na economia e na
distribuição de renda, de modo a zelar pela qualidade de vida dos cidadãos, criando empresas
estatais e fusões com empresas estrangeiras, em áreas e em segmentos econômicos em que o capital
privado não se interessava (FEIJÓ, 2002).
A partir da década de 90, este modelo deu lugar ao pensamento econômico e distributivo
do neoliberalismo que determinou um novo papel para o Estado, também denominado papel
mínimo do Estado. A partir de então, coube a iniciativa privada promover o crescimento econômico
e o mercado volta a ser o regulador dos investimentos necessários para o crescimento econômico,
embora amparado por incentivos governamentais.
As políticas de industrialização saíram da esfera central do Governo Federal e passaram
para a esfera política de cada unidade da Federação. O crescimento econômico, das regiões,
depende das políticas de investimentos fomentadas pelo próprio Estado Federativo. Desta forma,
cabe aos Estado e às regiões criarem oportunidades de atração para o capital internacional, a fim de
participar efetivamente do processo de globalização.
A partir da década de 1990, com a abertura econômica do Brasil, este processo tomou
características regionais diferenciadas, pois os governos passaram a oferecer oportunidades de
incentivos fiscais, creditícios legais e mercadológicos, enquanto isso, os Estados federativos
passaram a competir entre si para atrair os grandes investimentos tendo como conseqüência à guerra
fiscal.
O segmento econômico industrial traz consigo a promessa do desenvolvimento
econômico, por conta do crescimento das indústrias de produtos de massa, consubstanciadas pelos
fatores tecnológico, social e mercadológico, com um discurso de ocorrer melhor distribuição de
renda e melhoria na qualidade de vida a todos os participantes. Assim, a distribuição de riqueza é
feita tanto pelo aumento do número de empregos que a indústria gera, quanto pelo melhor salário
pago. Este resultado é devido ao valor agregado que é inserido nos bens produzidos pelo processo
industrial, conforme os quadros a seguir.
10
QUADRO 1 - EVOLUÇÃO DA INSTALAÇÃO DE INDÚSTRIAS EM SÃO JOSÉ DOS PINHAIS.
Período
1940 a 1996
1997 a 2003
Total de Indústria em 2003
Instalação de indústria
523
450
973
Média por ano
9.33
75
Fonte: Secretaria do Trabalho do Município de São José dos Pinhais
O quadro 1 comprova o grau de atratividade do município para o processo de
industrialização, enquanto que o Quadro 2 mostra o número de habitantes de São José dos Pinhais
que fazem parte do quadro de funcionários da Renault e Audi.
QUADRO 2 - QUADRO DE FUNCIONÁRIOS DA RENAULT E AUDI
RENAULT
Nascidas em São José dos Pinhais e que residem em São José dos Pinhais
Nascidas em São José dos Pinhais e que não residem em São José dos Pinhais
Nascidas em outras localidades, mas que residem em São José dos Pinhais
Total de funcionários do Paraná
Total de Funcionários
AUDI
Funcionários de São José dos Pinhais
Curitiba e RMC
Outros
Total de funcionários
Nº de pessoas
041
005
321
873
1.855
Nº de pessoas
505
1.628
159
2.292
Fonte: Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais, 2000.
Observa-se que dos 1.855 funcionários, somente 46 trabalhadores sãojoseenses foram
incluídos nos postos de trabalho criados pelo processo de industrialização do município, quebrando
a promessa de crescimento econômico e melhoria na qualidade de vida da população.
Outro ponto a ser considerado e questionável é o incentivo do Estado ao município por
conta da distribuição de renda gerada pelas iniciativas e investimentos privados no Estado. Do que é
produzido, tributa-se. O tributo é o recurso legal que os Estados têm para fazer frente aos gastos dos
governos, tais como pagamentos dos salários dos funcionários públicos, investimentos nas áreas de
saúde, educação, infra-estrutura e incentivos. Parte do tributo total do Estado é devolvido aos
municípios para que os mesmos possam também fazer frente aos seus gastos municipais. Um dos
tributos em questão é o ICMS Ecológico, que o Estado repassa para os municípios que têm
Programas de Proteção e Conservação do Meio Ambiente.
O Quadro 3 apresenta uma problemática que poderá ser aprofundada em trabalhos futuros.
QUADRO 3 - EXTRATO FINANCEIRO DO ICMS E ICMS ECOLÓGICO
Ano
Total de ICMS repassado ao
Município (A)
% ICMS
Anual
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
11.777.997,75
13.962.529,17
13.774.790,88
16.408.345,37
21.693.745,08
33.737.942,62
42.377.597,12
54.171.515,05
18,54
(1,34)
19,11
32,21
55,51
25,60
27,83
Fonte: Secretaria de Estado da Fazenda, 2003.
Total de ICMS
Ecológico repassado
(B)
1.264.727,43
1.521.077,01
1.134.652,77
1.078.655,18
1.199.247,84
1.484.806,91
1.704.534,51
825.891,19
% ICMS
Ecológico
Anual
20,27
(25,40)
(4,93)
11.17
23,81
14,80
51,54
B/A
10,73
10,89
8,23
6,57
5,52
4,40
4,02
1,52
11
Diante dos fatos e estatísticas analisadas, observa-se que houve uma redução drástica no
percentual do ICMS Ecológico repassado ao município, contrastando com a política de incentivo
fiscal que promove a preservação ambiental do município. Enquanto a arrecadação do município
cresceu na ordem de 359% no período de 7 anos, o repasse do Estado diminuiu de 10,73% para
1,52%.
6. A fome e as repercussões para a saúde da população do município
São José dos Pinhais é uma cidade que traduz a tipicidade do modo de produção vigente
no Brasil e no Paraná, apresentando os mesmos problemas de desigualdades sociais, resultantes do
intenso crescimento que ocorreu de modo acelerado e desordenado na última década (PEREIRA,
2003). Discutir, portanto, a questão da fome é tratar de um assunto complexo e perigoso, (CASTRO
2002) questiona as causas ocultas desta verdadeira conspiração de silêncio em torno da fome. Para
cada mil publicações tratando dos problemas da guerra, pode-se contar apenas um acerca da fome.
No entanto, os estragos produzidos por esta calamidade, são maiores que as guerras e as epidemias
juntas. O fato universalmente comprovado é de que a fome constitui a causa mais constante e
efetiva das guerras e a fase preparatória do terreno, quase obrigatória, para a eclosão de epidemias.
(CASTRO, 2002)
Para Doretto et al. (2003), no Mapeamento da Pobreza no Paraná, pesquisa efetuada com
base nos microdados do Censo Demográfico do Paraná de 2000, identificou o contingente de
pessoas abaixo da linha de pobreza dentro do território estadual, o critério utilizado para esta
classificação foi a renda per capita disponível (0,25 salário mínimo) para aquisição de alimentos.
Como resultado foi encontrado que a RMC apresentava um total de 2.701.306 pessoas, das quais
216.118, ou seja, 8% encontravam-se abaixo da linha de pobreza. Destes, 17.079 localizavam-se em
São José dos Pinhais, segundo maior foco paranaense da fome, atrás apenas de Curitiba que
apresentava 83.682 pessoas abaixo da linha de pobreza.
O entorno do distrito industrial de São José dos Pinhais, evidencia claramente estas
condições, na medida em que os problemas sociais são agravados com a instalação da Empresa
Automotiva, que remetem a entidades assistenciais e religiosas cuidar dos famintos que convivem
neste mesmo espaço. As informações disponíveis sobre a situação de saúde não poderiam deixar de
refletir também esta realidade.
Houve um aumento significativo no índice de mortalidade infantil nos anos de 1999 e
2000, seguido de um decréscimo nos anos de 2001 e 2002. Estes valores são maiores que os
12
encontrados na 2ª Regional de Saúde3 que foram os seguintes: Mortalidade Infantil4 (1.000 NV) 1999/13,42; 2000/23,87; 2001/20,79 e 2002/18,81; por sua vez, para o município os índices
disponíveis foram os seguintes: 1999/17,77; 2000/18,44; 2001/17,06; 2002/15,59.
Se por um lado os índices apresentados são reconhecidos mundialmente como “baixos”,
por outro, a definição de faixas de valores da Taxa de Mortalidade Infantil – TMI consideradas altas
ou baixas é sempre arbitrária, e sujeita a controvérsias. Por sua vez, as comparações entre diferentes
populações, ou entre diferentes períodos, são úteis na avaliação da sua magnitude. (MEDRONHO et
al, 2002). Szwarcwald, citado por Medronho, afirma que a redução da TMI no Brasil de 1979 a
1989 é marcada pela instabilidade. Este padrão de instabilidade de queda da TMI deve-se às
variações da economia. Segundo Vermelho, Costa e Kale In: Medronho:
(...) Seus efeitos negativos, conseqüentes à agudização da pobreza, interagem com os efeitos da
implementação de políticas sociais e de programas de prevenção e controle de doenças, como o
programa de imunizações e a implantação da terapia de reidratação oral, levando às flutuações
observadas. (...) A Taxa de Mortalidade Infantil Pós-Neonatal-TMIPN foi determinada por óbitos
devidos a causas infecciosas, particularmente às diarréias, pneumonias e doenças
imunopreveníveis. Ressalta-se o sub-registro dos óbitos devido a deficiências nutricionais. As
causas perinatais foram responsáveis por grande parte dos óbitos neonatais. (2002, p. 41)
Pode-se depreender desta análise, que nos anos estudados, as altas taxas de mortalidade
infantil verificadas no município de São José dos Pinhais, refletem condições de saúde e de vida
precárias como conseqüência das deficiências apresentadas pelo aparelho de Estado, que não está
organizado para responder estruturalmente e não se mostrou capaz de satisfazer adequadamente as
demandas da comunidade.
7. Método
Para realização deste trabalho buscou-se construir um caminho metodológico de pesquisa
“não convencional”, não primando o método sobre a realidade; ao contrário, partindo da realidade
social na sua complexidade, na sua totalidade qualitativa e quantitativa, na sua marcha histórica,
também dotada de horizontes subjetivos (DEMO, 1995). Uma postura crítico-dialética. Como
método, utilizou-se a análise de conteúdo, que é um conjunto de instrumentos que se aplica a
discursos extremamente diversificados. Como técnicas de pesquisa, pode-se referir ao contexto de
3
Divisão administrativa da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná que possui um território de 29 municípios da região
metropolitana de Curitiba.
2
Fonte: CIDS/DSI/ISEP/SESA, GPC/ISEP/SESA, DSS/ISEP/SESA, Ministério da Saúde/DATASUS, OPS, OMS
13
um “estudo de caso”, analisado a partir de informações secundárias (SALVADOR, 1986),
observação em equipe, entrevistas despadronizadas (MARCONI & LAKATOS, 2002), para a
realização de análise de conteúdo que é “uma hermenêutica controlada, baseada na dedução: a
inferência”. E a hermenêutica é a arte de interpretar os textos sagrados ou misteriosos é uma prática
muito antiga, onde os cientistas sempre acreditaram que “por detrás de um discurso aparente
geralmente simbólico ou polissêmico esconde-se um sentido que convém desvendar” (BARDIN,
2000, p. 14).
A análise de conteúdo é útil para se compreender a comunicação de um discurso além dos
seus significados imediatos. É um conjunto de técnicas que analisa a comunicação, e “que oferece
uma avaliação e uma análise que terão a virtude da objetividade e revelarão também os aspectos
do material que poderiam ter escapado ao exame minucioso do clínico” (BARDIN, 2000). Por fim,
a análise de conteúdo é um recurso que tem por objetivo fazer análise material do “qualitativo”.
Os sujeitos desta investigação foram moradores do Município de São José dos Pinhais/PR,
escolhidos aleatoriamente, conduzidas no período de 05 a 13 de novembro de 2003.
Como instrumento de pesquisa para a coleta de dados, optou-se por entrevistas semiestruturadas, e dentre as várias perguntas que nortearam o interesse, centrou-se os problemas sócioambientais ocasionados na região, após a implantação do Complexo Industrial Automotivo Renault.
As entrevistas foram analisadas seguindo o método de análise qualitativa descrito por
Bardin (2000). Iniciou-se o trabalho com a leitura das entrevistas, destacando pontos importantes
relacionados aos possíveis impactos sócio-ambientais. De posse dessas informações, efetuou-se o
levantamento de categorias de impactos ambientais e sociais, comparando-os, em seguida, com
todas as entrevistas realizadas, no intuito de verificar pontos em comum, os quais foram
relacionados à teoria apresentada nesse trabalho.
8. Análise e Discussão dos Resultados
Com base nos resultados das entrevistas, levantou-se como categorias de impactos:
1) Impactos Ambientais:
a) Diminuição da APA e ocupação irregular de área de preservação
“Houve uma modificação na legislação estadual que determina a extensão da área de preservação ambiental
de São José dos Pinhais, a fim de possibilitar a construção do Distrito Industrial. Nós abrimos mão da fonte
da vida para instalar uma indústria poluidora” (Entrevista 1).
“Nós tamos aqui dentro de uma área onde toda ela se volta para a preservação. Aqui tempos água, a fonte da
água pura está aqui” (Entrevista 4).
“Essa região era tida como manancial e não era pra ter casa” (Entrevista 6).
14
Pelo relato das entrevistas, percebeu-se que a Constituição Federal não foi e não está
sendo cumprida, uma vez que houve uma alteração de legislação para a implantação de uma
indústria dentro de uma região de preservação e a ocupação e uso do solo na área de proteção
continua ocorrendo.
b) Poluição do rio Pequeno e do rio Itaqui
O relatório do Conselho Municipal do Meio Ambiente (2002) apontou que o entorno
Distrito Industrial apresenta sérios problemas de impacto ambiental causando transtornos para os
moradores da região, bem como para as nascentes, córregos e rios, como o rio Pequeno, fatos que
também são apontados no relato das entrevistas citadas.
“Foi constatado grande volume espuma sobre as águas dos rios, em decorrência do esgoto lançado pela
Renault” (Entrevista 1).
“O rio piorou muito. O rio era limpo. Dava pra pescar e tudo. Agora é uma sujerada tudo e os banheiros
caindo dentro do rio” (Entrevista 8).
“Eles jogam a culpa na Renault mais tem casa que joga o esgoto tudo no rio” (Entrevista 9).
“Quando eu cheguei aqui era um buracão de valeta ai nois manilhemo com 40 manilha que o prefeito ajudou,
pra fazer o esgoto até o rio. Quando eu cheguei aqui era um buracão de valeta ai nois manilhemo com 40
manilha que o prefeito ajudou, pra fazer o esgoto até o rio”. (Entrevista 10).
“Ah, é a Renault que jogava sujeira no rio, esvaziava e ficava assim, ó, a parte de baixo... Mas a Renault
continua jogando sujeira no rio? Joga não. Agora quem joga é os morador. Joga esgoto de todas as casas e
fica assim, ta vendo? [...] Aqui tem muita poluição, tem esgoto no rio” (Entrevista 11).
Estes fatos foram levados, através de denúncia do Conselho Municipal do Meio Ambiente,
a conhecimento do Ministério Público de São José dos Pinhais (12/2002), sobre a poluição do rio
Pequeno decorrente dos resíduos industriais da Renault, causando um grande volume de espuma
sobre as águas e mortandade de peixes. Mesmo assim, o problema ainda não foi solucionado.
c) Contaminação do lençol freático
De acordo com o EIA/RIMA (1996), na fase de implantação do empreendimento Renault,
foram previstos impactos sobre praticamente todos os fatores ambientais. No que diz respeito ã
qualidade da água, o documento relata:
A qualidade da água também se verá afetada, pelo aumento do escoamento superficial, causando
sobrecarga na rede de drenagem de superfície; bem como pelo soterramento de drenagens e
nascentes, causando prejuízo ao sistema hidrológico, podendo provocar o incremento do volume
de enchentes localizadas. A modificação da qualidade das águas, pela alteração de parâmetros
físicos, químicos, biológicos e de suas características organolépticas, resultará de um modo geral
em aumento de áreas inundáveis e dos índices de insalubridade registrados e, conseqüentemente,
na incidência de doenças. (EIA/RIMA, 1996, p. 439)
15
“Quando estavam, os tratores tavam trabalhando, eles jogavam alguns óleos do trator do lado debaixo da
estrada e aquilo, o pessoal só tem poço, não tem água encanada e o poço deles chegava com a água cheia de
óleo e eles não tinha o que tomar. (sic) (Entrevista 4).”
“Olha o que fizeram. Isso ai foi tudo eles que fizeram. Encheram de terra, a nossa água do poço não presta
mais. Eu moro aqui a dezoito anos, até antes da vinda da Renault eu usava a água para beber, fazer comida,
tudo. E os vizinhos também. Depois da instalação da Renault a água tem mau cheiro, cheiro de podre e a cor
diferente. A gente tem de pegar lá em cima, do vizinho, pra beber. Pra fazer comida e beber não tem como
essa água”. (Entrevista 7).
Conforme Carta da Comissão Executiva Estadual do Partido Verde ao Presidente da
Renault, datada de 29/03/96, alertava: “A operação das industrias no Distrito Industrial deverá gerar
um certo volume de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, todos eles com potencial poluidor do
lençol freático” (p. 4), indicando assim um aumento da poluição dos aqüíferos subterrâneos.
Percebe-se pelas entrevistas, que o lençol freático superficial na região do Distrito
Industrial, encontra-se alterado.
d) Alagamentos
“Quando a Reneault ia ser instalada aqui, algumas pessoas do meio ambiente chamaram a gente e alertou
para os possíveis alagamentos que poderia ter aqui e hoje quando enche, fecha tudo. Tudo isso aqui fica
embaixo da água” (sic) (Entrevista 6).
De acordo com o dados do EIA/RIMA (1996, p.319 v II), possíveis riscos e impactos
ambientais poderiam ocorrer na região, com as obras civis no local do Distrito Industrial, onde parte
da cobertura vegetal correspondente à Estepe Gramíneo-lenhosa poderia sumir, o que resultaria no
empobrecimento da diversidade florística local e, conseqüentemente, da biodiversidade. A
supressão desta vegetação pode ter sido de caráter permanente e isto seria irreversível, pois a
vegetação retirada não poderá ser reposta. Nesse caso, a capacidade de resiliência seria nula. O
papel importante deste tipo de cobertura vegetal em área de mananciais, que não vai mais ser
exercido, é o de proteção mecânica do solo nas áreas de extravasamento natural dos cursos d'água,
ou onde recorrentemente ocorram inundações por elevação do lençol freático.
A Comissão Executiva Estadual do Partido Verde em carta dirigida ao Presidente da
Renault alertava, também sobre o incremento no volume das enchentes:
A impermeabilização progressiva do solo terá como efeito previsto o aumento do coeficiente de
escoamento superficial, em razão da redução da infiltração, gerando sobrecarga da rede de
drenagem superficial. [...] pois deverá acontecer sempre que a precipitação pluviométrica alcance
determinada patamar, sendo, uma vez deflagrada, irreversível (1996, p. 4).
2) Impactos Sociais
a) Migração/Fome
16
“Nesses 5 anos, um borbulhar de tanta gente vindo de tantos lugares, o crescimento, a população de todos os
lugares vindo do Brasil todo, da propaganda que se fala, de busca de empregos, e não existe este emprego. É
uma ilusão. [...], então esta questão social é muito séria [...] e a gente está vendo a pobreza [...], famílias
passando fome [...], mulheres que são abandonadas. Os maridos vão embora e deixam aqui a mulher com 4
ou 5 filhos. Pessoas vem pedir cesta básica, ajuda, chegavam, aí a gente vai conversar, né, de onde o senhor
vem, o que vem fazer... Olha, nos viemos, eu vim para trabalhar na Reneault, atrás de emprego. O senhor
tem algum curso? Não, sou analfabeto. É analfabeto. Não sabe ler, nem escrever. Vinha iludido? Vinha
iludido. nós temos dentro desse projeto muitas famílias que vem aqui buscar, passando fome, necessidade.
Então vem aqui em busca de cesta básica, como que pode ajudar. E nós ajudamos bastante. Chegamos a dar
300 cestas por mês, acompanhando isso. Tem muita criança passando fome. Então nós fomos buscar
alternativas para isso. Então usamos a cozinha comunitária, atendemos hoje 300 crianças no almoço todos os
dias de segunda a sexta. Está aqui na capela próxima e estão convidados a almoçarem pra conhecer. ”
(Entrevista 4)
“Eu conheço muita gente desempregada aqui, que ta passando até necessidade de fazer até campanha de
alimentos pra muitas pessoas que tavam passando necessidade porque não tinham emprego. Tinham a
certeza de que com duas montadoras ia ter emprego pra todos, mais a gente sabe que não é assim não. Gera
emprego, isso não tem dúvida, mais não é tudo isso” (sic) (Entrevista 5).
“Teve muita gente que veio morar pra atrais de emprego” (sic) (Entrevista 8).
O Mapeamento da Pobreza no Paraná’, trabalho organizado por uma equipe técnica do
IAPAR, mostra resultados que indicam uma intensa desigualdade distributiva das pessoas pobres
dentro do território estadual, considerando a sua ocorrência em regiões consideradas rurais, urbanas
e metropolitana no Paraná. Segundo este relatório, a RMC apresentava um total de 2.701.306
pessoas, das quais 216.118 ou seja 8% encontravam-se abaixo da linha de pobreza. Destes, 17.079
localizavam-se em São José dos Pinhais, segundo maior foco paranaense da fome, atrás apenas de
Curitiba que apresentava 83.682 pessoas abaixo da linha de pobreza.
b) Aumento da criminalidade/violência
“É, violência aumentou barbaridade aqui. [...] Eu acho que tanto perto de uma quanto de outra tem
moradores ali que são até favelados, falando o português claro. No caso propriamente da Reneault, tem
muitas famílias que invadiram ali e tão até hoje. Então, com aquilo aumentou a criminalidade, os assaltos, e
muito mais”. (Entrevista 5).
“Tem muito ladrão aqui e o povo não quer mais ficar aqui. Tem gente boa que vem de fora, mais tem muito
ladrão também depois disso” (Entrevista 9).
“A violência ta meio parada porque agora tem a polícia. Mas antes era muito assalto”. (Entrevista 11).
Outro impacto no âmbito social verificado na análise do conteúdo das entrevistas foi o
aumento da violência e dos roubos após a implantação da indústria Renault. Fator decorrente do
aumento da população, somado ao desemprego, conforme mostram os recortes já citados.
c) Modificação no índice da mortalidade infantil
A oscilação verificada no coeficiente de mortalidade infantil nos anos de 1999 a 2000,
apresentando um sensível aumento e, nos anos de 2001 a 2002 apresentando um decréscimo,
17
desvela que a intervenção estatal tem se dado nas conseqüências do problema e não nas causas que
determinam este evento.
Diante da análise do perfil epidemiológico elaborado anteriormente, pode-se concluir que
há necessidade de outros estudo sobre as causas dos principais coeficientes de saúde. Sugere-se
destacar aqueles que apresentam significativa perda para os indivíduos atraídos pelo sonho de uma
vida melhor, que incluiu a perspectiva de obtenção de trabalho na Renault.
9. Conclusão
Como exercício interdisciplinar julgou-se a proposta do trabalho de fundamental
importância para a construção da prática que soma diversos saberes e campos de atuação, pois
entende-se que as necessidades do futuro hoje não mais requerem somente uma especialização, mas
versatilidade e harmonia entre a formação especializada e o saber geral, de forma a assegurar a
assimilação de novos conhecimentos e a capacidade de auto-apredizagem conforme ocorreu com o
grupo, tanto na pesquisa de campo como na pesquisa bibliográfica.
Assim, como pós-graduandos sujeitos de própria ação e do engajamento no processo de
investigação descobriu-se e re-descobriu-se a importância da construção coletiva do conhecimento,
superando a divisão do conhecimento em disciplinas e ao compartilhando as idéias, as ações e as
reflexões de cada participante, fato que permitiu a cada parte do grupo sentir-se ao mesmo tempo
"ator" e "autor" do processo.
Desta forma, o que foi observado em campo levou a equipe a aprofundar o conhecimento
dos autores que foram apresentados durante as aulas das disciplinas que enfocaram as Ciências da
Natureza e as Ciências Humanas e Sociais do Curso de Doutorado em Meio Ambiente e
Desenvolvimento e a acrescentar outros autores que fundamentaram o trabalho de pesquisa.
Conforme proposto nos objetivos no início deste estudo, pode-se constatar empiricamente
que algumas das repercussões sócio-ambientais pesquisadas cientificamente não devem ser contidas
apenas no desenvolvimento deste trabalho, mas consideradas como um referencial para novas
pesquisas, dentre elas pode-se destacar: a contaminação do lençol freático, a poluição do Rio
Pequeno, a diminuição da Área de Preservação Ambiental, a concentração da fome e da
criminalidade, além do elevado coeficiente de Mortalidade Infantil no município de São José dos
Pinhais.
Ressalta-se ainda, que muito há que se explorar, pois as repercussões sócioambientais
encontradas no município de São José dos Pinhais, após a implantação da fábrica destinada à
produção de veículos automotores da marca Renault, deverão ser objeto de outros estudos mais
aprofundados, a fim de contribuir para a compreensão dos impactos gerados na vida de parte da
população brasileira e, que haja por parte de líderes quer sejam na esfera política local, regional,
18
estadual ou federal, pensadores críticos, que desafiem a realidade concreta e pensem politicamente a
questão da relação entre homem/natureza refletindo sobre os possíveis projetos e alternativas de
vida.
10. Referências
ANDREOLI, C. V.; DALARMI, O.; LARA, A.I.; ANDREOLI, F.N.; Os Mananciais de Abastecimento do
Sistema Integrado da Região Metropolitana de Curitiba – RMC
_____. Limites ao Desenvolvimento da Região Metropolitana de Curitiba, Impostos pela Escassez de
Água. SANARE - Revista Técnica da Sanepar. (1)
AZZOLIN, J. L. Uma avaliação da fórmula de distribuição do imposto relativo às operações de
circulação de mercadorias e serviços (ICMS) aos municípios paranaenses. 2001. 161p. Dissertação
(Mestrado em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre, 2001.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2000.
BRANCO, S. M.; ROCHA, A. L. Poluição, proteção e usos múltiplos de represas. São Paulo: Edegard
Blücher, CETESB, 1997.
CARTA DO PARTIDO VERDE PARA O PRESIDENTE DA RENAULT. 29 mar.1996.
CASTRO, J. Geografia da Fome. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 2002.
COMEC - UTP do Itaqui, 1999.
CONAMA. Definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e
implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional
do Meio Ambiente. Nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Disponível em: http://www.lei.adv.br/001-86.htm.
Último acesso em: 03/11/2003.
CUNHA, S. K.; OLIVEIRA, M. A.; CUNHA, J. C.. Clusters: novo padrão de especialização da indústria
paranaense na década de 90. Política de Gestão Tecnológica. VI SEMEAD. Revista. s.d.
DEMO, P. Saber pensar. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2002
DORETTO, M. et al.; Pobreza urbana e rural nos municípios paranaenses: situação segundo
Municípios e Associações de Municípios, ano 2000 / IAPAR – Londrina: IAPAR, 2003. (Relatório
preliminar).
EIA/RIMA. Relatório de Impacto Ambiental do Distrito Industrial de São José dos Pinhais. Curitiba:
UNILIVRE, 1996.
FEIJÓ, Ricardo. História do pensamento econômico. São Paulo: Atlas, 2001.
FOLADORI, G. Uma tipologia do pensamento ambientalista. Texto trabalhado em sala de aula no curso
de doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Federal do Paraná. Curitiba.(mimeo)
2003
FRANCO, M. A. R. Planejamento ambiental para a cidade sustentável. São Paulo: Annablume: FAPESP,
2001
GUERRA, A.J.T; CUNHA, S. Degradação Ambiental. In: Geomorfologia Ambiental. GUERRA, A.J.T;
19
CUNHA, S.(orgs). 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
IAPAR. Cartas climáticas do Paraná. Londrina: Instituto Agronômico do Paraná, edição 2000.
IBGE. São José dos Pinhais. Censo 2002. Disponível em: http://www.ibge.org.br. Acesso em: 12/nov. 2003.
IPARDES. Estudos para uma política de desenvolvimento industrial no Paraná. Curitiba: IPARDES,
1981.
JACOBS, A. G. Dinâmica de uso e ocupação dos mananciais na região metropolitana de Curitiba–Pr.
Curitiba. 2002. 259 p. Tese (doutorado em Engenharia Florestal). UFPR
LIMA, W. P. Apostila sobre Manejo de Microbacias Hidrográficas - cap. 4 (2003). disponível em:
<http://lcf.esalq.usp.br/lhf>/ . Último acesso em 15/11/03.
MARCONI, M. De A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
MARTINS, H. E. P. et all. Sistemas regionais de inovação da indústria automobilística: O caso da
Mercedes Benz em Juiz de Fora/MR. Disponível em: www.race.nuca.ie.ufrj.br/nucahp/papers/sep/mesa11/humberto.doc. Último acesso em: 13/11/2003.
MARTINS, G. de A. Metodologias convencionais e não-convencionais e a pesquisa em administração. São
Paulo: Caderno de Pesquisa em Administração. Revista, v.00,n. 0, 1994.
MAROCHI, M. A. Câmara Municipal de São José dos Pinhais: 150 anos – 1853-2003. São José dos
Pinhais: Câmara de Vereadores, 2003.
MEDRONHO, R. A. et al. Epidemiologia. São Paulo: Editora Atheneu, 2002.
MINISTÉRIO PÚBLICO. Termo de declaração. Curitiba: Ministério Público, 17/12/2002, fls. 72 e 73.
MORIN, E. Contrabandista dos saberes. In: PESSIS-PASTERNAK, G. Do caos à inteligência artificial.
Tradução de Luis Paulo Rouanet. São Paulo: Editora da UNESP, 1993.
OLIVEIRA, R. Problema ambiental criado na Renault não foi resolvido: dano foi causado durante
construção da montadora. Curitiba: O Estado do Paraná, 12/06/2002.
PENNA N. A. Urbanização, cidade e meio ambiente: GEOUSP - Espaço e Tempo. São Paulo: n. 12, pp.
XX, 2002.
PEREIRA, M. G. Epidemiologia teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 2003.
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS. Disponível em: www.pmsjp.pr.gov.br.
Último acesso em 02/12/2003.
RATTI, B. Comércio internacional e câmbio. 10 ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001
REIS, L. F. S. D.; QUEIROZ, S. M. P. Gestão ambiental em pequenas e médias empresas. Rio de Janeiro:
Quality Mark, 2002.
SALVADOR, A. D. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. Porto Alegre: SULINA,1986.
SANTOS, M. Guerra dos lugares: Áreas inteiras do Brasil têm sido retiradas do controle do país. Especial
para a Folha. Publicado em 08/09/99 no caderno Mais! Folha de São Paulo. São Paulo, 1999.
______. A normalidade da crise: A tirania do dinheiro e da informação está na base do atual desarranjo do
capitalismo global. Especial para a Folha. Publicado em 26/09/99 no caderno Mais! da Folha de São Paulo.
São Paulo, 1999
20
SUDERHSA - Plano de Despoluição Hídrica da Bacia do Alto Iguaçu - v. 5. dez. 2002.
THEODOVICZ, A. M. Projeto Curitiba. Áreas naturais sob proteção na Região Metropolitana de
Curitiba. Curitiba - 1994 CPRM - Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba.
TREWARTHA, G.T; HORN L.H. An introduction to climate. New York, McGraw-Hill, 5th ed., 1980.
Download

1 REPERCUSSÕES SÓCIO-AMBIENTAIS