PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS PROCESSO: APELAÇÃO CÍVEL Nº 434890 - CE (2006.81.00.018974-0) APTE : INSS – INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL REPTE : PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO : JOSÉ ELIAS FERREIRA DA SILVA ADV/PROC : MARIA DE FÁTIMA SILVEIRA PEREIRA REMTE : JUÍZO DA 8ª VARA FEDERAL DO CEARÁ (FORTALEZA) RELATOR : DES. FEDERAL MANUEL MAIA DE VASCONCELOS NETO (CONVOCADO). RELATÓRIO O Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal MANUEL MAIA (Relator Convocado): Trata-se de apelação e remessa oficial em face de sentença que julgou procedente o pedido da parte demandante, para considerar como especiais os períodos de 02/09/1985 a 25/03/1995 e de 26/03/1995 a 06/03/2006, convertendo-os em comum e condenando a ré a rever a decisão que indeferiu o benefício pleiteado pelo autor, concedendo-lhe o benefício se o lapso temporal resultante da conversão determinada for suficiente para que sejam preenchidas as condições para a aposentadoria especial. Determinou ainda que, caso o promovente alcance a aposentadoria, deve o INSS pagar as prestações vencidas desde 06/06/2006 (requerimento administrativo), corrigidas e acrescidas de juros de 1% ao mês, condenando ainda a parte ré ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em 10% do valor da condenação. Nas razões de seu apelo, a ré alega que não cabe a conversão pela simples comprovação do exercício da atividade que anteriormente possibilitava a aquisição de aposentadoria especial, alegando ainda que o tempo posterior à Lei 9.032/95 somente poderá ser convertido se comprovada a exposição a agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física. Houve contra-razões. É o relatório. (ESM) AC-434890 - CE 1 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS PROCESSO: APELAÇÃO CÍVEL Nº 434890 - CE (2006.81.00.018974-0) APTE : INSS – INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL REPTE : PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO : JOSÉ ELIAS FERREIRA DA SILVA ADV/PROC : MARIA DE FÁTIMA SILVEIRA PEREIRA REMTE : JUÍZO DA 8ª VARA FEDERAL DO CEARÁ (FORTALEZA) RELATOR : DES. FEDERAL MANUEL MAIA DE VASCONCELOS NETO (CONVOCADO) – Segunda Turma V O T O O Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal MANUEL MAIA (Relator Convocado): Trata-se de apelação e remessa oficial em face de sentença que julgou procedente o pedido da parte demandante para considerar como especiais os períodos de 02/09/1985 a 25/03/1995 e de 26/03/1995 a 06/03/2006, convertendo-os em comum e condenando a ré a rever a decisão que indeferiu o benefício pleiteado pelo autor, concedendo-lhe o benefício se o lapso temporal resultante da conversão determinada for suficiente para que sejam preenchidas as condições para a aposentadoria especial. Determinou ainda que, caso o promovente alcance a aposentadoria, deve o INSS pagar as prestações vencidas desde 06/06/2006 (requerimento administrativo), corrigidas e acrescidas de juros de 1% ao mês, condenando ainda a parte ré ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em 10% do valor da condenação. Sabe-se que até 28/04/95 era suficiente para o reconhecimento do direito à conversão que o segurado comprovasse o exercício de uma das atividades previstas no anexo do Decreto nº 53.831/64 ou nos anexos I e II do Decreto nº 83.080/79, não sendo necessário fazer prova efetiva das condições prejudiciais à saúde ou à integridade física, exceto para o agente agressivo ruído, cuja comprovação, por meio de laudo técnico, sempre foi exigida. A partir de 29/04/95, com a alteração feita na Lei 8.213/91 pela Lei 9.032/95, o reconhecimento da insalubridade passou a exigir a efetiva exposição aos agentes agressivos previstos no Anexo I do Decreto 83.080/79 ou no código 1.0.0 do Anexo ao Decreto 53.831/64, o que se operacionalizava através da apresentação do (ESM) AC-434890 - CE 2 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS documento de informação sobre exposição a agentes agressivos (conhecido como SB 40 ou DSS 8030). Com o advento da Medida Provisória 1.523/96, posteriormente convertida na Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, a redação do art. 58 da Lei nº 8.213/91 foi modificada, passando-se a exigir a elaboração de laudo técnico assinado por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. No que diz respeito a tal exigência, a jurisprudência do STJ, posteriormente, firmou posicionamento no sentido de que somente é necessária a apresentação do laudo técnico a partir da edição do Decreto 2.172/97 (05/03/97), e não da data da Medida Provisória mencionada. Sucessivos atos do Poder Executivo regularam o enquadramento das atividades laborativas como insalubres. Antes de 05.03.97, os agentes agressivos estavam previstos nos Decretos nº. 53.831/64 e 83.080/79; de 06.03.1997 a 06.05.99, no Decreto nº. 2.172/97; e, de 07.05.99 até os dias atuais, no Decreto nº. 3.048/99. A comprovação do exercício permanente (não ocasional, nem intermitente) somente passou a ser exigida a partir da Lei nº 9.032, de 28/04/95, que deu nova redação ao §3º do art. 57 da Lei nº 8.213/91. O tempo de serviço prestado antes dessa data, ainda que exercido alternadamente em atividade comum e sob condições especiais, pode ser considerado especial para fins de conversão em tempo de serviço em comum e somado ao restante para qualquer benefício. É relevante destacar, no que se refere à contagem do tempo de serviço, que a lei a discipliná-la é aquela vigente à época do serviço prestado (vide artigo 1o, § 1o, do Decreto nº. 4.827, de 3.9.2003). Para a comprovação do tempo de serviço especial exercido até 29/04/95, é suficiente que a atividade desempenhada pelo segurado esteja elencada no anexo do Decreto nº 53.831/64 ou nos anexos I e II do Decreto nº 83.080/79. A conversão de tempo de serviço trabalhado sob condições especiais em comum, para os segurados que não lograram trabalhar o período integral para concessão de aposentadoria especial, era admitido pelo § 5º do artigo 57 da Lei 8.213/91, devendo ser aplicado para tal a tabela do artigo 64 do Decreto nº 2.172/97 (que prevê, por exemplo, a multiplicação por 1,4 para homem, quando a (ESM) AC-434890 - CE 3 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS insalubridade justificava a aposentação aos 25 anos). Esse parágrafo 5º fora revogado expressamente pela Medida Provisória 1663-10, de 28.05.1998. Ressalte-se que foi pacificado o entendimento no sentido de que poderá haver a conversão de tempo especial de período prestado posteriormente à MP 1663-10, desde que comprovada a efetiva exposição a agentes agressivos (TRF 5, APELREEX 5149, Rel. Des. Federal Geraldo Apoliano, DJE 01/09/2009). Além disso, a Súmula 16 da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais (TNU), cujo texto impedia a conversão do tempo de serviço comum em especial, para o trabalhador que tivesse exercido atividade insalubre em período posterior a 28 de maio de 1998, data da edição da Medida Provisória 1663-10, foi revogada (TNU, Processo 2004.61.84.005712-5, Rel. Juíza Federal Joana Carolina Lins Pereira, DJU 22/05/2009). A aposentadoria proporcional ao tempo de serviço, por sua vez, era devida ao segurado homem que completasse 30 anos de serviço e à mulher que completasse 25 anos, sendo a renda calculada nos termos do artigo 53 da Lei 8.213/91. Quem perfez referido tempo de trabalho antes de 15.12.1998, data da EC nº 20, adquiriu o direito à aposentação, independentemente de idade. Referida emenda extinguiu a aposentadoria proporcional, mantendo-a apenas como regra de transição para aqueles que já estavam vinculados ao regime previdenciário. As pessoas que não completaram tempo suficiente para a concessão antes de 15.12.1998 estão sujeitas às regras do § 1º do artigo 9º da EC nº 20/98, ou seja, precisam trabalhar um tempo adicional correspondente a 40% do que faltava àquela data para a aquisição do direito à aposentadoria proporcional e possuir a idade de 53 anos, se homem e 48 anos, se mulher. Além disso, o cálculo do valor do benefício observar o disposto no inciso II daquele parágrafo. Por seu turno, o segurado já filiado ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS) na data da publicação da EC nº 20/98, para auferir aposentadoria com proventos integrais, deverá possuir tempo de serviço de 35 anos, se homem, e 30 anos, se mulher. A aposentadoria por tempo de contribuição, de sua parte, foi instituída pela Emenda Constitucional nº 20/1998, sendo aplicada aos que ingressarem no RGPS após sua publicação, ressalvada a opção para quem já era filiado anteriormente e devida ao segurado que completar 35 anos, se homem, e 30 anos, se mulher, de contribuição. Nos termos do art. 4º da referida Emenda (ESM) AC-434890 - CE 4 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS Constitucional, o tempo de serviço considerado pela legislação vigente será contado como tempo de contribuição até que a lei discipline a matéria. In casu, verifica-se que o tempo que o recorrente pretende que sejam computados como especiais são os compreendidos entre 02/09/1985 e 25/03/1995 e 26/03/1995 a 06/03/2006. Analisando-se a documentação comprobatória juntada pelo autor, tem-se que o recorrido juntou aos autos sua CTPS (fls. 27), formulário DSS-8030 (fls. 18), laudo técnico pericial (fls. 20/21) e PPP – Perfil Profissiográfico Profissional (fls. 22/24), dando conta que trabalhou em condições de insalubridade, submetido ao agente agressivo ruído, indicado no código 1.1.6 do anexo do Decreto 53.831/64, no código 1.1.5 do anexo I do Decreto 83.080/79 e no código 2.0.1 do Decreto 2.172/97. Importa observar, quanto ao agente agressivo em referência, que, com a entrada em vigor do Decreto nº 2.172/97 (em 05/03/97), o nível de ruído necessário para caracterização do tempo de serviço como especial foi elevado de acima de 80 (oitenta) para acima de 90 dB (noventa decibéis). Posteriormente, entretanto, o Decreto n.º 3.048/99 (com a alteração do Decreto n.º 4.882/2003), ato normativo que atualmente regulamenta o plano de benefícios do regime geral de previdência social, classificou como agente nocivo o ruído em nível superior a 85 dB (oitenta e cinco decibéis), pelo que este nível deverá ser o considerado a partir de 05/03/97. Ressalte-se que o uso de equipamento de proteção individual (EPI) não descaracteriza a insalubridade do serviço, conforme demonstra o julgado abaixo, do Tribunal Regional da 1ª Região: (...) 7. Como documentos hábeis à comprovação do tempo de serviço sob condições insalubre são admitidos os formulários DSS 8030 e laudo técnico, devendo ser ressaltado, conforme jurisprudência da Corte, que a exigência de laudo pericial somente pode se dar a partir de 10.12.97, data da publicação da Lei 9.528/97.No que diz respeito à utilização de equipamento de proteção individual (EPI), ele tem a finalidade de resguardar a saúde do trabalhador, para que não sofra lesões, não podendo descaracterizar a situação de insalubridade. (AMS 2001.38.00.017669-3/MG, Relator DESEMBARGADOR FEDERAL TOURINHO NETO, SEGUNDA TURMA, DJ 24/10/2002). (ESM) AC-434890 - CE 5 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS 8. A condenação ao pagamento das parcelas vencidas, desde o ajuizamento da ação mandado de segurança não comporta o pagamento de prestações pretéritas, estando sua fixação em consonância com entendimento desta Corte. Os juros de mora são devidos, em face do caráter alimentar da dívida no percentual de 1% (um por cento) ao mês, a partir da notificação. A correção monetária, nos termos da Lei n. 6.899/81, é devida a partir do vencimento de cada parcela (Súmulas 43 e 148 do STJ). 9. Apelação do INSS e remessa desprovidas. (Excerto de TRF1. AMS 200138000412992. 1ª T. Rel Des. JOSÉ AMILCAR MACHADO. DJ 09/05/05 p. 35.) Considerando que o autor sempre esteve exposto a níveis de ruído acima de 85 dB, conforme laudo técnico juntado, não há qualquer óbice a que se considerem os tempos em questão como especiais, determinando sua conversão em comum pelo multiplicador 1,4, de modo que agiu bem o Magistrado sentenciante ao reconhecer os tempos como especiais. Ressalte-se que já está pacificado o entendimento no sentido de que poderá haver a conversão de tempo especial de período prestado posteriormente à MP 1663-10, desde que comprovada a efetiva exposição a agentes agressivos, o que aconteceu no caso dos autos, e a Súmula 16 da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, cujo texto impedia a conversão do tempo de serviço comum em especial em período posterior a 28/05/1998, também foi revogada. É o posicionamento expresso nos julgados abaixo, desta E. Corte: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO INSALUBRE. ELETRICISTA. CONVERSÃO TEMPO ESPECIAL EM COMUM. 1. A TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO, RECENTEMENTE, REVOGOU A SÚMULA 16 DA TNU, A QUAL PREVIA QUE "A CONVERSÃO EM TEMPO DE SERVIÇO COMUM, DO PERÍODO TRABALHADO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS, SOMENTE É POSSÍVEL RELATIVAMENTE À ATIVIDADE EXERCIDA ATÉ 28 DE MAIO DE 1998 (ART. 28 DA LEI Nº 9.711/98)"; ADMITINDO SEREM AS REGRAS DE CONVERSÃO DE TEMPO DE ATIVIDADE SOB CONDIÇÕES ESPECIAIS EM TEMPO DE ATIVIDADE COMUM DELE CONSTANTES APLICÁVEIS "AO TRABALHO PRESTADO EM QUALQUER PERÍODO" (TNU, PROCESSO Nº 2004.61.84.005712-5, (ESM) AC-434890 - CE 6 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS REL. JUÍZA FEDERAL JOANA CAROLINA LINS PEREIRA, DJU 22/05/2009). 2 - ANTES DA LEI 9.032/95, PARA A CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL, NÃO SE FAZIA NECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO COMPROVANDO A EXPOSIÇÃO AOS AGENTES AGRESSIVOS, SENDO SUFICIENTE APENAS A DEMONSTRAÇÃO DO EXERCÍCIO REGULAR DA ATIVIDADE E O SEU ENQUADRAMENTO NA LEGISLAÇÃO COMO DE CARÁTER ESPECIAL. APÓS A EDIÇÃO DO REFERIDO DIPLOMA LEGAL, 9.032, DE 28.04.95, O RECONHECIMENTO DA INSALUBRIDADE PASSOU A EXIGIR A EFETIVA EXPOSIÇÃO AOS AGENTES AGRESSIVOS ESPECIFICADOS NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 3. COM O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.523/96, POSTERIORMENTE CONVERTIDA NA LEI Nº 9.528/97, A REDAÇÃO DO ART. 58 DA LEI Nº 8.213/91 FOI MODIFICADA, PASSANDO-SE A EXIGIR A ELABORAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO ASSINADO POR MÉDICO DO TRABALHO OU ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO. 4. NO CASO DOS AUTOS, O AUTOR LABOROU NA COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ NO PERÍODO DE 01/10/1979 ATÉ 28/07/2004 EXERCENDO A FUNÇÃO DE ELETRICISTA, SUBMETENDO-SE A TENSÃO ACIMA DE 250 VOLT, DE FORMA HABITUAL E PERMANENTE, CONFORME COMPROVA O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO -PPP. 4. EM QUE PESE, A JURISPRUDÊNCIA DO STJ TER SE FIRMADO NO SENTIDO DE EXIGIR, APÓS 05/03/1997, O LAUDO PERICIAL PARA COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE ESPECIAL, ENTENDIMENTO O QUAL ME FILIO, NO CASO ESPECÍFICO DOS AUTOS, NÃO SERIA RAZOÁVEL NEM JUSTO, ADMITIR A CONVERSÃO DO TEMPO ESPECIAL EM COMUM APENAS ATÉ 03/1997 E PASSAR A CONTAR O RESTANTE DO TEMPO COMO COMUM, UMA VEZ QUE O AUTOR LABOROU DURANTE TODO O PERÍODO NA MESMA EMPRESA, SEM SOLUÇÃO DE CONTINUIDADE, EXERCENDO A MESMA FUNÇÃO, SUBMETIDA A ALTA TENSÃO ELÉTRICA. 5. COMPROVADA EXPOSIÇÃO À ELETRICIDADE (ALTAS TENSÕES) DURANTE O PERÍODO DE 01/12/79 A 28/07/2004, FORÇOSO RECONHECER A ESPECIALIDADE DO TEMPO DE SERVIÇO DO AUTOR, BEM COMO A CONCESSÃO DA APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO NOS MOLDES CALCULADOS PELO JUIZ SINGULAR, COM DIB EM 30/10/2006, UMA VEZ QUE SOMANDO-SE OS PERÍODOS DE ATIVIDADE COMUM, PERFAZ-SE UM TOTAL DE MAIS DE 36 (ESM) AC-434890 - CE 7 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS ANOS DE CONTRIBUIÇÃO. CONSIDERANDO QUE A AÇÃO FOI PROPOSTA EM 01/03/2007, NÃO HÁ PARCELAS PRESCRITAS NO QUINQUÍDIO ANTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. 6. MANTENÇÃO DA CONDENAÇÃO DO INSS EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NO PERCENTUAL DE 10% SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO, POR ESTAR EM CONSONÂNCIA COM O ART. 20, PARÁGRAFOS 3º E 4º DO CPC. 7. COM RELAÇÃO ÀS PARCELAS VENCIDAS DEVERÁ INCIDIR A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.960/2009, PARA FINS DE REMUNERAÇÃO DO CAPITAL E COMPENSAÇÃO DA MORA, UMA ÚNICA VEZ, ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO, OS ÍNDICES OFICIAIS DE REMUNERAÇÃO BÁSICA E JUROS APLICADOS ÀS CADERNETAS DE POUPANÇA. 8. APELAÇÃO NÃO PROVIDA E REEXAME NECESSÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. (TRF5. AC 443794/CE. Relator Des. Francisco Barros Dias. Segunda Turma. 26/11/2009) PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONVERSÃO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL EM COMUM. EXPOSIÇÃO AOS AGENTES NOCIVOS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS DE 1% AO MÊS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 20, PARÁGRAFO 4º DO CPC. 1. A APOSENTADORIA ESPECIAL É PREVISTA CONSTITUCIONALMENTE NO ART. 201, PARÁGRAFO 1º, A SER REGULAMENTO POR LEI COMPLEMENTAR. ENQUANTO NÃO PUBLICADA A REFERIDA LEI, PERMANECEM EM VIGOR OS ARTS. 57 E 58 DA LEI Nº 8.213/91. 2. COM A EDIÇÃO DA LEI Nº 9.032/95, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 57 DA LEI Nº 8.213/91, A PARTIR DE 29/4/1995 DEIXOU DE HAVER O ENQUADRAMENTO PELO SIMPLES EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PROFISSIONAL, DEVENDO O SEGURADO COMPROVAR A EFETIVA EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. 3.A LEI Nº 9.528/97 DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 58 DA LEI Nº 8.213/91, PASSANDO A EXIGIR LAUDO TÉCNICO PERICIAL PARA A COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. 4. SITUAÇÃO EM QUE FOI CONCEDIDA A APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO, CONTABILIZANDO-SE TAMBÉM O TEMPO POSTERIOR A 28/5/1998, DATA DA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.663-10, SUCESSIVAMENTE REEDITADA E (ESM) AC-434890 - CE 8 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS CONVERTIDA NA LEI Nº 9.711/98, QUE TERIA VEDADO A CONVERSÃO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL EM COMUM. O INSS CONCORDA COM A CONVERSÃO, MAS APENAS ATÉ O ADVENTO DA CITADA LEI. 5. A SÚMULA Nº 16 DA TNU FOI CANCELADA NO DIA 27 DE MARÇO, SOB O ARGUMENTO DE QUE A LEI Nº 9.711, DE 20/11/1998 NÃO REVOGOU O PARÁGRAFO 5º DO ARTIGO 57 DA LEI Nº 8213, DE 1991. ESSE PARÁGRAFO CHEGOU A SER SUPRIMIDO PELO ART. 28 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.663-10, MAS FOI MANTIDO NO TEXTO FINAL DA LEI DE CONVERSÃO, DE FORMA QUE É POSSÍVEL A CONVERSÃO DO TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL PARA COMUM APÓS O DIA 28/5/1998. 6. CONSTATADO QUE O AUTOR REÚNE OS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO, DEVE SER DEFERIDA A CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. 7. JUROS MORATÓRIOS MANTIDOS NO PERCENTUAL DE 1% AO MÊS, EM RAZÃO DA NATUREZA ALIMENTAR DA DÍVIDA PREVIDENCIÁRIA. 8. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS REDUZIDOS PARA 5% (CINCO POR CENTO) SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO EM RAZÃO DA NATUREZA DA CAUSA, POSTO SER MATÉRIA DE FÁCIL DESLINDE, ATENDIDO O DISPOSTO NO ART. 20, PARÁGRAFO 4º DO CPC, BEM COMO SÚMULA Nº 111 DO STJ. 9. CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL E À APELAÇÃO DO INSS. (TRF5. APELREEX 3183. Relator Des. Francisco Cavalcanti. Primeira Turma. 14/08/2009) Assim, tem-se que deve ser mantida a sentença recorrida, reformando-a apenas no que se refere aos honorários advocatícios, ressalvando-se que nas ações previdenciárias, como a hipótese em tela, devem ser respeitados os termos da Súmula 111 do STJ, ou seja, os honorários advocatícios não devem incidir sobre prestações vincendas após a sentença. Diante do exposto, dou parcial provimento à remessa oficial e nego provimento à apelação. É como voto. (ESM) AC-434890 - CE 9 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS PROCESSO: APELAÇÃO CÍVEL Nº 434890 - CE (2006.81.00.018974-0) APTE : INSS – INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL REPTE : PROCURADORIA REPRESENTANTE DA ENTIDADE APDO : JOSÉ ELIAS FERREIRA DA SILVA ADV/PROC : MARIA DE FÁTIMA SILVEIRA PEREIRA REMTE : JUÍZO DA 8ª VARA FEDERAL DO CEARÁ (FORTALEZA) RELATOR : DES. FEDERAL MANUEL MAIA DE VASCONCELOS NETO (CONVOCADO) - Segunda Turma EMENTA PREVIDENCIÁRIO. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO INSALUBRE. CÔMPUTO DE TEMPO ESPECIAL. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA 111 DO STJ. APELAÇÃO IMPROVIDA. REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. 1. Antes da Lei 9.032/95, para a contagem de tempo de serviço especial, não se fazia necessária a apresentação de laudo comprovando a exposição aos agentes agressivos, sendo suficiente apenas a demonstração do exercício regular da atividade e o seu enquadramento na legislação como de caráter especial. Após a edição do referido diploma legal, 032, de 28.04.95, o reconhecimento da insalubridade passou a exigir a efetiva exposição aos agentes agressivos especificados na legislação previdenciária. 2. Na hipótese dos autos, ficou comprovada a exposição ao agente agressivo ruído, indicado no código 1.1.6 do anexo do Decreto 53.831/64, no código 1.1.5 do anexo I do Decreto 83.080/79 e no código 2.0.1 do Decreto 2.172/97, com níveis de pressão sonora superiores a 85 dB, de modo que os períodos devem ser computados como especiais. 3. Manutenção da sentença, reformando-a apenas no que se refere aos honorários advocatícios, para ressalvar que nas ações previdenciárias, como a hipótese em tela, devem respeitados os termos da Súmula 111 do STJ, ou seja, os honorários advocatícios não devem incidir sobre prestações vincendas após a sentença. 4. Apelação improvida e remessa oficial parcialmente provida. (ESM) AC-434890 - CE 10 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS A C Ó R D Ã O Vistos e relatados os autos em que são partes as acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5a. Região, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO À APELAÇÃO E DAR PARCIAL PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL, apenas para determinar que os honorários advocatícios sejam fixados em 10% sobre o valor da condenação, nos termos da Súmula 111 do STJ, na forma do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Recife, 23 de fevereiro de 2010. Desembargador Federal MANUEL MAIA Relator Convocado (ESM) AC-434890 - CE 11