A bola que desapareceu Era uma vez um menino chamado Alexandre. Ele gostava muito de jogar à bola e ainda por cima jogava muito bem. Um dia, quando jogava à bola no jardim de casa, sozinho, pois não tinha irmãos, deu um grande chuto na sua bola preferida e a bola desapareceu. Começou a correr na direcção em que achava que a bola tinha desaparecido; procurou, procurou em vão e não encontrou nada; e foi para casa a chorar. Quando chegou a casa a mãe perguntou-lhe o que se tinha passado e ele disse: - Lembras-te daquela bola que o pai me deu? - Sim. Lembro-me. Aquela vermelha e branca. O que aconteceu? – Perguntou a mãe. - Estava a jogar no jardim com ela e de repente ela desapareceu. – Respondeu entre soluços. No dia seguinte, bem cedinho, já ele estava acordado para ir procurar a bola no jardim. Correu para a casa do seu melhor amigo que era seu vizinho e contou-lhe tudo o que se tinha passado. Eles procuraram e procuraram, até que o Alexandre caiu num buraco coberto com uns ramos! Verdade! Aquilo era um túnel por onde a bola tinha entrado. Andou por muitas horas a pé, até que encontrou uma casa subterrânea; entrou e logo lhe apareceram dois ratos e duas toupeiras. Quando o viram naquele estado, todo transpirado, convidaram-no a sentar-se e a trincar qualquer coisa, para depois lhes explicar como tinha chegado até ali. Comeu alguma coisa e contou-lhes que estava à procura da sua bola, que perdera no jardim; que vinha à procura dela, que caíra por um túnel e viera ter ali. Deixaram-no ficar aquela noite ali e depois o resto dos dias haveria de ver-se. Quando chegou a hora de jantar, ele é que fizera o jantar; no fim de jantar fui deitarse no quarto de hóspedes. Na manhã seguinte quando os donos da casa acordaram, ele já tinha feito o pequenoalmoço e também já tinha varrido a casa e limpo os quartos; os donos da casa ficaram espantados com aquele esforço todo que ele estava a fazer. Ele disse: - Façam bom proveito e espero que gostem! - Escusas de estar a fazer esse esforço todo, tu és nosso convidado e não nosso escravo. A nossa empregada deve estar a chegar, deixa isso e vai continuar a tua busca. – Disse a toupeira. 1 E lá foi o Alexandre continuar a sua busca; e todos os dias quando chegava a casa trazia as mãos vazias. O rato acabou por morrer, pois tinha uma doença cardíaca e não se podia enervar; enervou-se com a mulher que tinha um amante às escondidas; o rato descobriu e morreu. No funeral do rato tinha muita gente e no meio dessa gente toda estava o amante da rata viúva. Logo de seguida o casal toupeira pôs a rata fora de casa. A rata casou-se rapidamente com o rato Sr. Gomes que era muito rico e era o amante dela. No dia do casamento estava um dia chuvoso; no momento da cerimónia a luz falhou devido a uma enorme trovoada que passava por ali; o casamento foi adiado porque não havia eletricidade para o órgão da música funcionar. Quando chegou a casa e disse que o casamento tinha sido adiado, o Sr. Toupeira ficou todo contente, pois ele não gostava nada da rata, porque tinha traído o seu melhor amigo, que cometeu um grande erro quando casou com ela. O casamento acabou por nunca mais se realizar, pois o Sr. Gomes desistiu do casamento. A rata ficou pobre, viúva e velha e acabou por morrer por velhice. O Sr. Toupeira acabou por se tornar o melhor amigo do Sr. Gomes, criaram uma empresa em conjunto, que era uma empresa de construção civil que se chamava «GOMES e TOUPEIRA, LDA»; foi nessa empresa que o Alexandre começou a trabalhar, pois debaixo da terra não havia escola. O Sr. Gomes pôs o Alexandre na função de lavar os automóveis, máquinas, camiões, etc. Não recebia nada pois o seu patrão já lhe dava estadia na casa dele. Um dia, o Alexandre foi ver uma obra e viu uma bola; correu para lá e quando chegou perto dela, viu que era a sua e chamou o Sr. Toupeira: - Sr. Toupeira! Sr. Toupeira! Encontrei a minha bola. - Muito bem, pega nela, vai a casa, come qualquer coisa, despede-te da minha mulher e ela que te dê uma coisa que eu e ela sabemos. Xau. Gostei muito da tua presença é sempre bom ter um humano no nosso mundo para que eles saibam que nós também temos vida como eles. – Disse o Sr. Toupeira. E o Alexandre lá foi para casa; despediu-se da toupeira e ela deu-lhe uma bola nova. O Alexandre agradeceu e prometeu-lhe que voltaria a vir visitá-los pois eles tinham-se tornado nos seus melhores amigos. Quando saiu de casa para fora estava o Sr. Toupeira que o guiou até à superfície. 2 Quando chegou a casa, a mãe correu para ele e abraçou-o com tanta força que até o estava a aleijar; quando o largou, o Alexandre disse que estava bem e que estivera em boas mãos; a mãe ficou mais aliviada. Um dia, enquanto a mãe tratava das flores, encontrou uma toupeira e matou-a! O Alexandre disse à mãe: - Deixa ver! O Alexandre foi ver e verificou que não eram nenhum dos seus amigos. No dia seguinte enviou uma carta à dona rata a dizer: - Tenham cuidado! Não venham à superfície pois ontem a minha mãe matou uma toupeira. Logo de seguida foi colocar a carta no buraco do túnel. Dois dias depois recebeu uma carta deles a dizer que prometiam que iriam proibir as toupeiras de vir à superfície. Mas um dia aconteceu o pior: a mãe do Alexandre tornou a matar, não uma mas sim três toupeiras! O Alexandre foi ver e foi aí que aconteceu o pior! Eram o Sr. Toupeira, o Sr. Gomes e a dona rata! Correu para o seu quarto a chorar, porque tinha perdido os meus melhores amigos! Quando a mãe veio fazer o almoço, foi enterrar as toupeiras. Depois de as tapar, disse muito alto: - Por que é que vocês não me obedeceram!? Poooooooooooorquê!? E assim acabou a história da bola desaparecida. Março.2014 Dino Alegria 3