Relato de Pesquisa/Research Reports ISSN 2176-9095 Science in Health 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 O PERFIL DE SAÚDE DOS INDIVÍDUOS IDOSOS RESIDENTES NO MUNICÍPIO DE GUARULHOS Health profile of elderly residents in Guarulhos Profa. Dra. Fabiana Augusto Neman Nelson Henrique da Silva Resumo Abstract Perante as necessidades da busca de melhor qualidade de vida para os indivíduos idosos, surgiu o interesse pelo tema, já que existem inúmeros idosos que envelhecem de uma maneira inadequada em relação ao que se conhece sobre envelhecimento saudável. Com o objetivo de montar um protocolo de orientação para profissionais de saúde habilitados e para a população idosa, este estudo tem como base as opiniões de 40 idosos cadastrados na UBS Jardim Palmira, no município de Guarulhos. Com isso, foi elaborado um questionário composto de 19 questões, sendo que, dentre as respostas mais relevantes, 62,5% não praticam atividade física, 57,5% não possuem muitos amigos e 70% não praticam nenhum tipo de atividade de lazer com os amigos. Discute-se a necessidade de maior conhecimento sobre envelhecimento saudável e também para o auxílio a indivíduos idosos. Address the needs of the search for a better quality of life for older people became interested in the subject, since we observed that many seniors age in an inappropriate manner in relation to what is known about healthy aging. Aiming to build a protocol guidelines for health professionals and qualified for the elderly population, this study based on the opinions of 40 senior enrolled at UBS Jardim Palmira, in Guarulhos. Is a questionnaire whith 19 questions, and among the most relevant responses, 62.5% did not practice any physical activity, 57.5% did not have many friends and 70% did not practice any type of leisure activity with friends. It is discussed the need for greater knowledge about healthy aging and also the guidance on the topic to the aid of the elderly. Key-words: Health of the Elderly • Quality of Life • Health Services for the Aged Palavras-chaves: Saúde do Idoso • Qualidade de Vida • Serviços de Saúde para Idosos 83 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 Introdução É inegável o fato de que a população está envelhecendo de maneira muito acelerada e que os idosos vêm sendo o foco de diversos assuntos relacionados ao envelhecimento saudável. Junto com essa perspectiva, é necessária a definição de indivíduo idoso. De acordo com Mazo et al.1 (2001), a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos, residente em países desenvolvidos e com 60 anos ou mais para países em desenvolvimento. Outra classificação, baseada na Organização Mundial de Saúde e citada por Weineck2 (1991), subdivide a idade adulta em quatro estágios: meia idade: 45 a 59 anos, idoso: 60 a 74 anos, ancião: 75 a 90 anos e velhice extrema: acima de 90 anos. Para expressar a relevância do assunto, diversos estudiosos avaliam a quantidade crescente de idosos no Brasil por meio de pirâmides etárias, as quais são estabelecidas, principalmente, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE). Uma perspectiva do número de idosos para 2050 e a pirâmide etária do Brasil seguem abaixo. ISSN 2176-9095 Com a análise dos dados acima, surge à preocupação com o estado de saúde que esses idosos apresentarão futuramente. Com isso, termos como senescência e senilidade estão sendo cada vez mais utilizados e sua definição torna-se necessária. De acordo com Simões3 (1999), senescência é caracterizada como um fenômeno fisiológico, arbitrariamente identificado pela idade cronológica, que pode ser considerado como um envelhecimento sadio, em que o declínio físico e mental é lento, sendo compensado, de certa forma, pelo organismo e senilidade caracteriza-se pelo declínio físico associado à desorganização mental. Ela não é exclusiva da idade avançada e pode ocorrer prematuramente, pois se identifica com uma perda considerável do funcionamento físico e cognitivo, observável pelas alterações na coordenação motora, a alta irritabilidade, além de uma considerável perda de memória. A senilidade pode ser exacerbada através de atitudes pessimistas em relação à vida, ao futuro, a si mesmo e aos outros. Também é importante citar que inúmeros fatores que corroboram com a senilidade estão envolvidos Gráfico 1 – Projeção da população com 80 anos ou mais de idade por sexo. Fonte: IBGE 84 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 ISSN 2176-9095 Gráfico 2: Pirâmide etária do Brasil entre 1997 e 2007 Fonte: IBGE ansiedade, depressão, dependência de drogas, função intelectual e sexual, satisfação de vida e suporte social. Da mesma forma, diversos autores citados por Oleson7 (1990), afirmam que as definições de indicadores subjetivos e objetivos de qualidade de vida têm incluído os fenômenos físicos e psicológicos. Aliadas ao exposto acima, diversos fatores que interferem na qualidade de vida e ocorrem de maneira exponencial com o idoso devem ser lembrados, sendo que entre os mais corriqueiros encontram-se a perda da saúde e da autonomia, preconceito por parte da família, aposentadoria e sensação de inutilidade e dificuldades para ser empregado. Para que uma pessoa tenha oportunidades para envelhecer de maneira saudável é extremamente necessária a promoção de saúde, visto que o conhecimento e o esclarecimento sobre o tema senescência podem fazer com que inúmeras patologias sejam evitadas. Atualmente, a importância do desenvolvimento de ações voltadas à promoção da saúde vem sendo destacada em nível mundial. Trata-se de uma ideia an- no surgimento de doenças e desvalorização do idoso. Esse tópico refere-se aos preconceitos e tabus que, incorporados e reproduzidos pelos próprios idosos, acentuam a tendência de segregação dos mais velhos, sustentada pela ideia de que são pessoas que existiram no passado e que aguardam seu momento de “sair inteiramente da cena do mundo” (Birman4, 194). É inegável o fato de que as características de saúde de um inivíduo que envelhece estão intimamente relacionadas com seus hábitos e vícios, prática de exercícios físicos, condição financeira, entre outros fatores. Com isso, uma boa qualidade de vida pode ter influência direta na saúde do idoso e uma definição dessa qualidade torna-se necessária: “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (WHOQOL5, 1994). Na perspectiva de Zlotnick e Decker6 (1991), a medida de qualidade de vida compreende vários indicadores, tais como condições de saúde, segurança, 85 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 ISSN 2176-9095 moção de saúde para idosos levou ao conhecimento de uma nova ciência, a gerontologia, que estuda o processo de envelhecimento, na qual o médico está inserido. De acordo com SÁ10 (1999), não existe ainda o profissional da gerontologia, mas o médico, o assistente social, o psicólogo, o enfermeiro e outros profissionais que se “especializam” em gerontologia. Todos responsáveis pelo cuidado ao idoso em suas diferentes dimensões. Ainda de acordo com a autora, a gerontologia atua “estabelecendo a ligação entre os elementos intermediários que vão aflorando, preenchendo os hiatos deixados pelas ciências, trabalhando o caráter dialético de seu objeto específico, ao mesmo tempo uno e diverso” (SÁ10 1999). tiga na Saúde Pública e que tem origem no reconhecimento de que para a melhoria da saúde da população é necessário garantir o acesso a boas condições de vida e de trabalho. Na década de 1980, conforme citado por Kickbusch8 (1994), a Organização Mundial de Saúde definiu a promoção da saúde como o processo que consiste em proporcionar aos povos os meios necessários para melhorar sua saúde e exercer um maior controle sobre ela. De acordo com Assis9 (2002), pode ser extremamente difícil orientar as pessoas com base apenas em programas prontos ou grupos de apoio, já que o contexto em que os indivíduos vivem pode e deve ser levado em consideração. A promoção da saúde reconhece tais implicações e preconiza um conjunto de estratégias que incluem a implementação de políticas públicas saudáveis e a criação de ambientes favoráveis à saúde como dimensões fundamentais da responsabilidade social da saúde. Isso significa que a saúde não deve se encerrar nas ações do próprio setor, mas envolver todas as áreas, governamentais ou não, cujas ações repercutam na qualidade de vida da população. Baseando-se nos termos citados acima, é importante que haja mecanismos para desenvolver a promoção de saúde. Dentre esses mecanismos podemos encontrar papéis educativos mediados por médicos, encontros de grupos de idosos, ações de atividade física, entre outros. Com isso, Assis9 (2002), comenta que as ações educativas em saúde buscam, a partir do encontro afetivo entre agentes educativos e idosos, recuperar para estes: • Direito à informação e ao debate crítico sobre aspectos gerais de saúde e sobre prevenção e controle de doenças e agravos no processo de envelhecimento; • Sentido de humanidade, pelo reforço da autoestima e reconhecimento e valorização de sua história de vida, suas percepções sobre a velhice e seus direitos e possibilidades de ação; • Sentido da autonomia e do papel de sujeito político na construção da dignidade do envelhecer. Perante os aspectos discutidos acima, é importante ressaltar que o médico é um importante profissional que atua na promoção de saúde para os indivíduos idosos. A escassez de material científico relacionada especificamente ao papel desse profissional na pro- Método A busca de novos horizontes para um assunto tão importante como a senescência nos motivou a realizar um estudo de caráter qualitativo, por pretender analisar as condições em que os indivíduos idosos cadastrados na Unidade Básica de Saúde do bairro Jardim Palmira, no município de Guarulhos, estão envelhecendo. O trabalho proposto foi realizado em três etapas, as quais consistiram em: coleta dos dados fornecidos pelos idosos da região, tabulação das respostas obtidas e elaboração de um protocolo de orientação para os profissionais de saúde da região e também para os idosos, proporcionando um auxílio sobre como trabalhar no sentido da prevenção de doenças e de manter um hábito de vida mais saudável para envelhecer com maior qualidade de vida, respectivamente. Os dados obtidos foram submetidos ao procedimento de análise adequado a cada uma das etapas da coleta de dados, possibilitando a conclusão desta pesquisa. Para o alcance do objetivo proposto foi utilizado um questionário composto de perguntas fechadas, as direcionadas para uma população de 40 indivíduos idosos cadastrados na UBS Jardim Palmira, no município de Guarulhos. A coleta de dados foi realizada após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da universidade. Com a análise dos resultados obtidos, foi possível reconhecer o perfil de envelhecimento desses idosos, trabalhar demandas de saúde para otimizar a qualidade do processo de envelhecimento saudável, além 86 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 de orientar os profissionais de saúde e também os cadastrados no sentido de prevenção de doenças e atividades que permitam uma melhor qualidade de vida, por meio de um protocolo de orientação. 7,5% ISSN 2176-9095 0% 5% 12,5% TV Caminhada Apresentação dos resultados Na busca de respostas, após a aplicação do instrumento de coleta de dados, com um total de 40 indivíduos idosos, foi possível obter as seguintes informações: 1- O senhor (a) pratica atividade física? Passeios Outros Teatro ou Cinema 74% Gráfico III – Percentual de atividades de lazer realizadas atualmelmente, 2010. 37,5% IV – O senhor (a) tem algum vício? Sim 12,5% Não 62,5% Não Gráfico I – Percentual de idosos que praticam atividade física, 2010. Álcool É inegável o fato de que as características de saúde de um individuo que envelhece estão intimamente relacionadas com seus hábitos e vícios, prática de exercícios físicos, condição financeira, entre outros fatores. II - Se não, já praticou em alguma fase de sua vida 87,5% Gráfico IV – Percentual de idosos que têm algum vício, 2010. V – Considera-se nervoso ou ansioso? 10% 10% Sim Não Sim Não 90% 90% Gráfico II – Percentual de idosos que já praticaram atividade física, 2010. Gráfico V – Percentual de idosos que se consideram ansiosos, 2010. III – Quais as atividades de lazer realizadas no momento? De acordo com Simões3 (1998), em idosos senes- 87 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 centes, identifica-se com uma perda considerável do funcionamento físico e cognitivo, observável pelas alterações na coordenação motora, a alta irritabilidade, além de uma considerável perda de memória. VI – O senhor (a) ainda trabalha? ISSN 2176-9095 13,5% 7,5% Sim Não Sim 86,5% Não Gráfico VIII – Percentual de idosos que passaram por alteração de qualidade de vida ou sensação de inutilidade, 2010. 92,5% Gráfico VI – Percentual de idosos que ainda trabalham, 2010. 45% VII - Sente-se feliz com o trabalho? 55% Sim Não Gráfico IX – Percentual de idosos que se consideram financeiramente estáveis, 2010. realizar suas atividades diárias? XI – O senhor (a) é casado (a)? Gráfico VII – Percentual de idosos que se sentem satisfeitos com seu trabalho, 2010. VIII – Se não trabalha, percebeu mudança na qualidade de vida ou sensação de inutilidade após o término da atividade? Diversos fatores que interferem na qualidade de vida, sendo que entre os mais corriqueiros encontram-se a perda da saúde e da autonomia, preconceito por parte da família, aposentadoria e sensação de inutilidade e dificuldades para ser empregado. IX – O senhor (a) considera-se com uma condição financeira estável? X – O senhor (a) depende de outras pessoas para Gráfico X – Percentual de idosos dependentes, 2010. 88 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 ISSN 2176-9095 22,5% 30% Sim Sim Não Não 70% 77,5% Gráfico XIV – Percentual de idosos que praticam atividades de lazer, 2010. Gráfico XI – Percentual de idosos casados, 2010. XV – O senhor (a) tem alguma doença? XII – Considera-se satisfeito com sua vida sexual? 25% 28% Sim Sim Não Não 72% 75% Gráfico XII – Percentual de satisfação sexual, 2010. Gráfico XV – Percentual de idosos que possuem doença, 2010. XIII – O senhor (a) tem muitos amigos? XVI – Já esteve internado (a) por algum motivo de doença? 22,5% 42,5% Sim Não 57,5% Sim Não Gráfico XIII – Percentual de idosos que possuem amigos, 2010. 77,5% XIV – Realiza atividades de lazer com os amigos? Gráfico XVI – Percentual de idosos que já foram internados, 2010. 89 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 XVII – O senhor (a) teve perda de memória importante nos últimos tempos? Quadro 1: Respostas mais frequentes: 1 - O senhor (a) pratica atividade física? 20% 2 - Se não, já praticou em alguma fase de sua vida Sim 3 - Quais as atividades de lazer realizadas no momento? Não 4 - O senhor (a) tem algum vicio? 80% 5 - Considera-se nervoso ou ansioso? Gráfico XVII – Percentual de idosos que já tiveram perda de memória, 2010. 6 - O senhor (a) ainda trabalha? XVIII – Sente-se rejeitad(o)a pela sociedade em que vive? 7 - Sente-se feliz com o trabalho? 35% Sim Não 65% 34% 15 - O senhor (a) tem alguma doença? Esporte 16 - Já esteve internado (a) por algum motivo de doença? 17 - O senhor (a) teve perda de memória importante nos últimos tempos? Gráfico XIX – Percentual de atividades que podem melhorar a qualidade de vida, 2010. 90 Não 92,5% Sim 100% Não 100% 14 - Realiza atividades de lazer com os amigos? 27,5% Sim 90% 10 - O senhor (a) depende de outras pessoas para realizar suas atividades diárias? 13 - O senhor (a) tem muitos amigos? Outros Não 87,5% Não 22,5% XIX – O que o senhor (a) considera importante para melhorar sua qualidade de vida? Amigos Caminhada 75% 9 - O senhor (a) considera-se com uma condição financeira estável? 12 - Considera-se satisfeito com sua vida sexual? Viajar Sim 90% Sim 86,5% Gráfico XVIII – Percentual de idosos que se sentem rejeitados pela sociedade, 2010. 5% Sim 62,5% 8 - Se não trabalha, percebeu mudança na qualidade de vida ou sensação de inutilidade após o término da atividade? 11 - O senhor (a) é casado (a)? 32,5% ISSN 2176-9095 Sim 77,5% Não 72% Não 57,5% Não 70% Sim 75%. A maioria com hipertensão arterial Não 77,5% Sim 80% Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 18 - Sente-se rejeitada(o) pela sociedade em que vive? Não 65% 19 - O que o senhor (a) considera importante para melhorar sua qualidade de vida? Viajar 35% ISSN 2176-9095 do processo de senilidade. É fato que todas essas considerações são conhecidas por muitos idosos e também por profissionais da saúde, mas é sempre necessária uma maior explanação sobre o assunto, já que, mesmo com o grande acesso a informações e o conhecimento do assunto pelos profissionais de saúde, muitos idosos ainda não seguem as orientações necessárias para que envelheçam com saúde. A seguir, apresentamos uma proposta para orientação aos idosos, com o intuito de apoio nesta experiência. 1. Praticar atividades físicas, sendo a caminhada a mais indicada; 2. Atividades de lazer com amigos; 3. Buscar grupos de terceira idade para maior socialização; 4. Alimentar-se de maneira adequada; 5. Evitar o consumo de álcool e tabaco, prevenindo uma grande quantidade de doenças crônicas; 6. Evitar aposentadoria precoce apenas por motivo financeiro; 7. Buscar formas alternativas de ocupação após a aposentadoria; 8. Procurar acompanhamento médico frequente para prevenir as doenças próprias do envelhecimento. Fonte: Silva; Neman, 2010 Considerações De acordo com a análise dos dados e embasados na literatura referente ao assunto concluímos que para um envelhecimento saudável é necessária a prática de atividades físicas, atividades de lazer com amigos, evitar consumo de substâncias danosas à saúde como o tabaco e o álcool. Todos esses dados enquadram-se na definição de qualidade de vida, ou seja, na perspectiva de Segundo Zlotnick e Decker6 (1991), a medida de qualidade de vida compreende vários indicadores, tais como condições de saúde, segurança, ansiedade, depressão, dependência de drogas, função intelectual e sexual, satisfação de vida e suporte social. É interessante o fato de que os idosos negam o consumo de tabaco e álcool, o que leva à reflexão sobre a omissão de informações sobre seus vícios, já que estes são um dos principais fatores para o avanço 91 Relato de Pesquisa/Research Reports Neman FA, Silva NH. O perfil de saúde dos indivíduos idosos residentes no município de Guarulhos São Paulo • Science in Health • 2011 mai-ago; 2(2): 83-92 ISSN 2176-9095 Referências 1. Mazo G, Lopes M, Benedetti T. Atividade física e o idoso: concepção gerontológica. Porto Alegre: Sulina; 2001. 2. Weineck J. Biologia do esporte. São Paulo: Manole; 1991. 3. Simões R. Corporeidade e terceira idade: a marginalização do idoso. 3 ed. Piracicaba: UNIMEP; 1998. 4. Birman J. O futuro de todos nós: temporalidade, memória e terceira Idade na psicanáli- se. In: Veras R, editor. Terceira idade: envelhecimento digno para o cidadão do futuro. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; 1995. p. 29-48. 5. WHOQOL G. The development of the World Health Organization quality of life assessment instrument (the WHOQOL). In: Orley J, Kuyken W, editors. Quality of life assessment: international perspectives. Heidelberg: Springer Verlag; 1994. p. 41-60. 6. Zlotnick C, Decker R. Home visiting outcomes and quality of life measures. 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