Projecto da Licenciatura em Engenharia Informática
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Capítulo I
Introdução
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1.1 Conceito
A designação “Biblioteca Digital” não é a única para representar o objecto deste
trabalho. Com efeito, “biblioteca electrónica” é uma designação utilizada em Inglaterra
daquilo que nos EUA se designa por “biblioteca digital”. Outra designação mais recente
e muito utilizada é a de “biblioteca virtual”.
No estudo efectuado optamos pela designação biblioteca digital para identificar o
objecto de estudo.
Dependendo das perspectivas, a designação biblioteca digital poderá conter
significados diferentes. Poderá significar a informatização das bibliotecas tradicionais;
a implementação electrónica de um novo conceito de biblioteca baseado nas técnicas
das bibliotecas tradicionais; um repositório de informação online ou uma colecção de
serviços de informação distribuídos; um sistema de informação multimédia.
Todas as perspectivas contribuem para o conceito de biblioteca digital, passo no
entanto a citar algumas definições elucidativas do conceito:
Gladney, 1994
“A Digital library is an assemblage of digital computing, storage and
communications machinery together with the content and software needed to
reproduce, emulate and extend the services provided by conventional libraries based
on paper and other material means of collecting, cataloging, finding and disseminating
information. A full service digital library must accomplish all essential services of
traditional libraries and also exploit the well known
advantages of digital storage,
searching and communication”.
Leiner, 1998
“The Digital Library is the collection of services and the collection of information
objects and their organization, structure, and presentation that support users in dealing
with information objects available directly or indirectly via electronic/digital means”
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Há autores mais radicais que negam a existência das bibliotecas digitais ou que
rejeitam nas bibliotecas digitais a existência dos conceitos usados nas bibliotecas
tradicionais, ao defenderem que os conceitos das duas bibliotecas são completamente
diferentes e que não pode haver nenhuma ligação entre elas. Apesar de as bibliotecas
digitais não se enquadrarem num conceito diferente das bibliotecas tradicionais
existem mecanismos e procedimentos que de alguma forma são semelhantes. Por
outro lado não se deve limitar a evolução tecnológica das bibliotecas digitais pelo
apego a eventuais conceitos relacionados com as bibliotecas tradicionais. Existem
espaços sociais e ambientais para cada um destes conceitos e a existência de um
nunca pode substituir o outro.
1.2 Características essenciais
As
bibliotecas
digitais
apresentam
três
características
fundamentais:
características das suas colecções (documentos); tecnologias envolvidas na
construção; os serviços que permitem prestar aos seus utilizadores. Existem já alguns
pressupostos associados a estas características.
Relativamente aos documentos existe o pressuposto de que são fixos e
permanentes. Esta ideia é verdadeira para as bibliotecas tradicionais onde o
documento não muda com o tempo, mas não se adqua às bibliotecas digitais onde é
possível renovar os documentos de acordo com as suas alterações e actualizações.
Podemos considerar um livro que foi adquirido por uma biblioteca tradicional, se for
editada uma nova versão do mesmo livro é necessário comprar a nova versão, o que
atribui um carácter permanente ao documento; no caso da biblioteca digital substitui-se
a versão antiga pela nova versão, o que atribui um carácter mais versátil à
actualização do documento.
Relativamente às tecnologias, existe o pressuposto de que as bibliotecas digitais
são exclusivamente constituídas por documentos em formato digital. Este pressuposto
não estará totalmente correcto se considerarmos que o investimento financeiro para
digitalizar toda a informação nem sempre é possível e muitas vezes não é justificável,
por essa razão a biblioteca digital não é uma alternativa à biblioteca tradicional ou viceversa mas podem complementar-se de forma eficaz.
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Por último, os serviços prestados pelas bibliotecas digitais, existe o pressuposto
de que as bibliotecas digitais são direccionadas para utilizadores que trabalham
isoladamente. Este conceito está totalmente errado, as bibliotecas digitais são espaços
virtuais que podem ter salas de conversação (chat rooms) em que a partilha de
conhecimento é muito mais abrangente do que o espaço físico proporcionado pelas
bibliotecas tradicionais.
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Capítulo II
Impacto Social
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2.1 A biblioteca e a sociedade de informação
As bibliotecas têm tradicionalmente desempenhado um papel fulcral na
educação. Com efeito, professores, alunos e investigadores, têm sido os principais
utilizadores dos seus recursos. No entanto, ultimamente, tem-se verificado que o ritmo
de mudança, acompanhado pela necessidade de disseminar o conhecimento com
maior celeridade, têm de alguma forma, diminuído o papel das tradicionais bibliotecas
no contexto educativo. A informação para servir os potenciais utilizadores em tempo
útil, tem de circular com maior rapidez. Neste contexto, surgem as bibliotecas digitais e
a própria Internet, cuja importância principal é, sem dúvida, mais sentida em questões
educativas e de aprendizagem. Para se poder avaliar o impacto das bibliotecas digitais
na sociedade de informação, tem que se analisar qual será o contributo que poderão
dar aos tipos de aprendizagem existentes.
Basicamente, existem três tipos de aprendizagem:
•
Formal
•
Informal
•
Profissional
A aprendizagem formal tem a ver com a aprendizagem levada a cabo pelas
escolas (primárias, secundárias, universitárias). É uma aprendizagem conduzida de
modo sistemático: os professores leccionam matérias que os estudantes consultam em
livros e obras de referência.
A aprendizagem informal é aquela que decorre inteiramente da pessoa que se
questiona e procura informação para auto-aprendizagem. Neste tipo de aprendizagem,
a pessoa dispõe de inteira liberdade (ausência de orientação, de limitações temporais)
para localizar a informação.
A aprendizagem profissional tem a ver com a aprendizagem realizada no âmbito
da actividade profissional. É, de algum modo, uma aprendizagem algo dirigida, com
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objectivos próprios e afectando directamente o desenvolvimento e desempenho
profissional.
É indiscutível que com o advento da Internet, a aprendizagem formal tem
tendência a sofrer alterações relativamente ao modo sistemático de apreensão das
matérias. Os professores de espírito mais aberto estão a acolher com simpatia a
possibilidade de ao invés de apenas debitarem matérias e sugerirem determinados
livros
e
fontes
bibliográficas
estáticas,
poderem
actuar
igualmente
como
coordenadores da aquisição de conhecimentos diversificados a partir da Internet e dos
seus recursos variados, como sejam as bibliotecas digitais.
2.2 Potencialidades das Bibliotecas Digitais
Em qualquer dos três tipos de aprendizagem atrás mencionados, as bibliotecas
digitais têm um importante espaço a ocupar. Tanto, a Internet em geral como as
bibliotecas digitais em particular, desempenham os seguintes papeis na aprendizagem:
Aproximação de pessoas fisicamente distantes às fontes de informação - As
bibliotecas digitais permitem diminuir distâncias e quebrar barreiras físicas. Pessoas
de diferentes continentes podem dialogar e partilhar ideias num espaço virtual. As
pessoas deixam de estar limitadas no que se refere ao acesso à informação.
Atendendo a que esta matéria é crítica na evolução das ideias e das sociedades em
geral, esta parece ser uma das características mais relevantes das bibliotecas
digitais. Por outro lado, tal pode proporcionar a existência de cursos tendencialmente
"virtuais", leccionados por universidades que desejem inovar tecnologicamente e
chegar a pessoas fisicamente distantes do seu campus.
Alteração do tempo de circulação de ideias - É inequívoco que as ideias circulam
mais rapidamente através das bibliotecas digitais, permitindo um acesso mais rápido
ao conhecimento. Tradicionalmente, os livros publicados comportam um certo
desfasamento em relação aos temas estudados por um determinado autor. Este
desfasamento resulta dos atrasos causados pelo processo de publicação. As
bibliotecas digitais permitem ultrapassar este problema. Relativamente à novidade da
produção das ideias, quanto mais cedo o autor fizer publicar nas bibliotecas digitais
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as suas ideias, mais possibilidades confere a estas de circularem e produzir feedbacks construtivos.
Partilha de recursos e menores custos - Uma vez que várias bibliotecas digitais
podem especializar-se em domínios específicos, é vantajoso estabelecer contratos
de intercâmbio, que permitam que umas partilhem recursos de outras sem custos
acrescidos.
Alteração da relação professor-aluno - O tradicional papel de emissor por parte do
professor, e de receptor por parte do aluno, altera-se profundamente com o advento
das bibliotecas digitais. Assim, os alunos dispõem de acesso a conhecimentos que,
em áreas específicas, podem ser superiores aos detidos pelo próprio professor. Qual
é então o papel do professor neste novo contexto? O tradicional papel de emissor
alterar-se-á para o inovador papel de coordenador de ideias e conhecimentos,
ajudando os alunos a discernir o que é essencial do que se apresenta como
acessório.
Alteração do modelo educativo - O modelo educativo tradicional pressupõe um
método educativo que assenta nas horas passadas em aulas, seminários e
laboratórios e da participação dos alunos nessas sessões. O novo modelo
educacional emergente muda este contacto que assenta numa natureza formalmente
estruturada. Com efeito, o contacto dentro deste modelo passa a ter uma natureza
não-estruturada. Assim, os alunos e professores reúnem-se quando existe uma
efectiva necessidade e não dentro de um horário rígido. Poderá acontecer que um
professor divida uma turma em várias turmas consoante as necessidades e
dificuldades específicas, e reuna quando for necessário apenas com essas subturmas. A simples possibilidade de deixar mensagens electrónicas aos professores e
alunos e de reunir em fóruns virtuais, ajuda a consolidar este modelo educativo.
Diminuição das diferenças entre alunos de diferentes graus de ensino - Na
generalidade dos casos, o ensino de pós-graduação difere do de licenciatura e
bacharelato, pelo modelo tradicional que as caracterizam. O contacto entre alunos e
professor é diferente na pós-graduação, visto ser dada mais liberdade ao aluno de
prosseguir os seus próprios fins dentro dos limites impostos. Com as novas
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tecnologias, as bibliotecas digitais e a Internet, os alunos de licenciatura e de
bacharelato aproximam-se dos de pós-graduação, na medida em que adquirem
maior autonomia e estudam aquilo que mais prazer e mais interesse lhes desperta.
Isto também origina uma maior responsabilização destes, pois com este sistema os
alunos são deixados a si próprios.
Alteração das competências do corpo docente - O corpo docente normalmente
divide-se em actividades de docência tradicional (instrução), investigação e de
serviços. Naturalmente, com a diminuição de tempo consagrado a aulas regulares,
parte do corpo docente terá de proceder a alterações das suas funções. Assim,
aqueles que antes davam instrução passam a conceber a instrução, desenvolvendo
software e vídeos educacionais adequados, produzindo e colocando materiais de
estudo nas bibliotecas digitais e na Internet. As aptidões requeridas para a docência
passam de aptidões instruccionais para aptidões de concepção de material educativo
e de apoio aos estudantes. Parte dos docentes deixam de ter um horário de
"docência" para passar a estar disponível para atender os alunos e as suas
solicitações. Assim, muito mais tempo pode ser consagrado à revisão do conteúdo
programático dos cursos e sua actualização, elevando consideravelmente o nível do
ensino ministrado.
Propiciar o aparecimento de novas equipas educacionais - Tradicionalmente,
têm sido os docentes os únicos responsáveis pela transmissão dos conhecimentos.
Com estas alterações, o docente assumirá as funções de coordenador de uma
equipa de especialistas de concepção e transmissão de instrução. Esta equipa
deverá integrar ainda:
‰
especialistas de tecnologia, para definir possíveis alternativas de transmissão
de conhecimentos e cuidar de aspectos de implementação;
‰
especialistas de informação, responsáveis por localizar informação relevante
à disciplina;
‰
especialistas em comunicação, responsáveis em conceber a melhor forma de
comunicar os conhecimentos necessários e interagir com os estudantes;
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psicólogos, para determinar as necessidades dos estudantes, aferir
comportamentos face ao método de ensino aplicado e definir as melhores
estratégias para dar resposta a essas necessidades.
Fomento da aprendizagem informal e profissional - Tradicionalmente, só as
pessoas integradas na aprendizagem formal tinham acesso a um determinado
conjunto de conhecimentos, uma vez que esta se exercia nas escolas, universidades
e cursos profissionais. As bibliotecas digitais alteram esta situação, pois não é
condição fundamental para ter acesso aos conhecimentos nelas contidos frequentar
um curso; basta estar-se "ligado" à Internet, e através desta, aos repositórios de
informação e às bibliotecas digitais.
Possibilidade de mais alunos nas universidades - As Universidades não
necessitam de um acréscimo das suas infra-estruturas (i.e. dormitórios, salas de
aulas) para acolher mais alunos. Com efeito, podem ser admitidos vários tipos de
alunos e em maior quantidade:
‰
Alunos que desejem obter um grau, tendo de prestar provas de admissão e
ser avaliados ao longo do curso;
‰
Alunos integrados na referida aprendizagem informal e profissional que
poderão obter conhecimentos específicos nas universidades, sem prejuízo de
continuarem a obter conhecimentos na Internet e noutros locais.
‰
O limite ao número de alunos poderá apenas ser as limitações do servidor,
uma vez que é necessário existir uma conta aberta por aluno. No entanto,
poder-se-á pretender limitar em termos administrativos o número de alunos a
determinados cursos.
Redução de conflitos de horário e mais cursos e disciplinas – Um dos
problemas do ensino é a questão das disciplinas atrasadas que obrigam a um
enorme esforço de conciliação de horários por parte de quem os planeia e por parte
dos alunos. Muitas vezes estes são inconciliáveis pelo que o aluno não consegue
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assistir a determinadas aulas. Com a possibilidade da Internet, bibliotecas digitais e
novas tecnologias, os alunos podem "ter" as aulas quando melhor lhes convier,
permitindo compatibilizar o que era incompatível. Por outro lado, estes novos meios
permitem manter nos cursos disciplinas pouco procuradas pelos alunos em anos
anteriores, sem que haja a necessidade de as retirar. Ainda mais importante, é a
possibilidade de serem oferecidos determinados cursos pouco procurados pelo
mercado.
Divulgação da cultura dos povos - Tal como o cinema e a televisão contribuíram
para a disseminação de culturas, as bibliotecas digitais podem assumir um papel
determinante na afirmação de determinadas culturas. Todas as culturas poderão,
inclusivamente, dispor de condições de igualdade de acesso e disseminação da
informação. Em termos de "cultura de investigação", as bibliotecas digitais permitem
uma resposta mais célere por parte dos investigadores às descobertas e avanços de
outros.
Facilitação da edição electrónica - A possibilidade que as bibliotecas digitais
conferem às pessoas de editarem directa e atempadamente elas próprias a
informação e obras por elas produzidas, é algo de muito importante. Com efeito, um
dos principais “entraves” à publicação tradicional vem dos próprios editores que
decidem publicar uma obra em função daquilo que eles classificam como sendo "de
qualidade" e "vendável no mercado". Estes critérios não são lineares e nada garante
que aquilo que não é vendável não tem qualidade. O próprio critério da qualidade é
dúbio pois, na criação intelectual, aquilo que para uns é de qualidade pode ser para
outros duvidoso. As bibliotecas digitais permitem assim que as minorias tenham
acesso àquilo que de outro modo lhes estaria vedado.
2.3 Dificuldades de implementação
Acreditação de conhecimentos - As bibliotecas digitais e a Internet também
levantam algumas questões a nível educacional:
Atendendo a que as bibliotecas digitais e a Internet proporcionam uma grande
quantidade de conhecimentos para quem deseje aprender, como deverá ser feita a
acreditação desses mesmos conhecimentos?
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Como actuar perante um indivíduo que embora não possua qualquer diploma,
pesquisou e "frequentou" determinados repositórios de informação, bibliotecas digitais
e outros pólos de difusão do conhecimento na Internet?
Atendendo a que a nossa sociedade privilegia os diplomas, este indivíduo estará
aparentemente em desvantagem face a terceiros com diplomas?
Pode-se até colocar em questão o papel das Universidades actuais?
Até que ponto estas perdurarão no tempo, se existe uma rede de conhecimentos
paralelos potencialmente mais actualizados e profundos que podem ser apreendidos
com grande facilidade e a qualquer hora?
Não deverá ser possível "convencer" muitas Universidades a actuar como centros de
acreditação de conhecimentos sem que as pessoas as frequentem?
Uma solução poderá consistir em fazer essa acreditação pelo mercado de trabalho. Se
em vez de os candidatos a um emprego prestarem somente provas psicotécnicas,
passarem a realizar exames de conhecimentos, as empresas ou os seus consultores,
poderão, independentemente dos diplomas universitários, conferir uma verdadeira
acreditação de conhecimentos. Nos tempos actuais a acreditação para um emprego já
não se baseia somente no percurso académico. Grande parte das empresas exige um
estágio profissional para consolidar a opinião baseada no curriculum do candidato.
Outra solução poderá passar pela já referida acreditação de conhecimentos fornecida
a pessoas que demonstrem possuí-los.
A "ditadura" da tecnologia - Um dos grandes problemas que se podem pôr é o da
"ditadura da tecnologia", que consiste em separar de um lado os que a têm, e do outro,
os que a não têm.
É certo que as universidades que possuírem a Internet e outras tecnologias de ponta,
vão por isso distanciar-se de outras, que não possuindo tais meios, perdem vantagens
competitivas no mercado da educação e investigação.
No nosso país já existem variados acessos à Internet por parte de alunos e
professores de várias instituições, bem como do público anónimo. Contudo, a
realidade internacional é, em alguns casos, diferente. Com efeito, a situação dos
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países do terceiro mundo e dos países em vias de desenvolvimento é desigual nesta
corrida, face aos congéneres industriais.
Excesso de informação - Um dos grandes problemas trazidos pelas bibliotecas
digitais e pela Internet é o do excesso de informação. O problema não se coloca para
pessoas que possuam um conhecimento aprofundado dos assuntos, pois estas sabem
discernir o que é válido do que é inválido.
A grande questão põe-se quando existem alunos, por exemplo, a procurar informação
sobre um tópico que mal conhecem. Quando as pessoas não têm um conhecimento
aprofundado sobre um determinado tema, toda a informação que encontram parece
ser válida.
Perante a situação descrita, torna-se necessário uma filtragem da informação,
podendo contribuir para tal o corpo docente que acompanha os alunos. Num mundo
onde predomina o excesso de informação, o corpo docente terá de ajudar os alunos a
decidir aquilo que é essencial, actuando como orientadores educativos.
Despersonalização do contacto professor-aluno - Existem pessoas que perfilham a
opinião de que o ensino baseado maioritariamente nas bibliotecas digitais e na Internet
leva a que se perca o contacto directo, pessoal e corrente entre professores e alunos.
Enquanto que no sistema de ensino corrente os alunos têm contacto diário com os
professores, com a emergência e adopção de um tal sistema de ensino tenderia a
haver um isolamento progressivo de uns face a outros. Uma das questões em jogo é a
do corpo docente vir a pensar que: gastar mais ou menos tempo com os estudantes
fora das aulas, para além do previsto, não ter qualquer consequência em termos de
salários ou de promoções.
Uma solução poderá passar por salvaguardar tal isolamento de vir a suceder. Deverse-ão prever períodos habituais de atendimento personalizado dos professores aos
alunos e incentivar e premiar, de alguma forma, o esforço, dedicação e acréscimo de
tempo que os professores passam com os alunos. De igual modo, deverão ser
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previstos espaços de encontro entre os próprios alunos por forma a que estes se
conheçam e possam evoluir participadamente em termos académicos. Com efeito,
muitos dos avanços académicos são conseguidos pelo estudo em grupo.
Preponderância de um sentido face aos outros - Na Internet e nas bibliotecas
digitais, o contacto estabelece-se principalmente através da escrita de uns e leitura de
outros. Os outros sentidos humanos estão pois diminuídos.
No entanto, a interactividade dos meios desenvolvidos e a desenvolver, tenderá a
atenuar esta questão. Algumas bibliotecas digitais utilizam conceitos hipermédia,
englobando também som, para além das tradicionais imagens e textos, associados à
visão. O tacto também começa a ser possível em termos de realidade virtual.
Apesar de tudo isto requerer muitos recursos máquina, a adopção da banda larga e a
implementação de IPV6 poderá vir a solucionar possíveis constrangimentos.
O perigo da diminuição do corpo docente - Uma consequência da Internet e das
bibliotecas digitais, poderá ser o desemprego a breve trecho para parte do corpo
docente. O raciocínio é simples: se os alunos têm acesso aos ensinamentos através
das novas tecnologias (Internet e bibliotecas digitais incluídas), então haverá uma
menor necessidade de professores.
Por outro lado, pode-se alegar que um docente que anteriormente dispunha de um
horário de doze horas semanais de aulas efectivas, possuindo duas ou três turmas de
alunos, pode agora dispor de muito mais alunos diminuindo assim a necessidade de
novos docentes.
Esta questão é controversa e a situação não é linear. Em teoria, deveria até aumentar
o número de pessoas envolvidas no processo educativo, mas a crescente necessidade
de racionalizar custos por parte das universidades estatais e a competitividade
crescente das universidades privadas poderá nivelar o ensino por baixo, diminuindo os
custos, o que passará necessariamente pela dispensa de parte do corpo docente.
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Abuso e passividade dos estudantes - Um dos perigos que podem decorrer de um
modelo educacional baseado na Internet e nas bibliotecas digitais é o de tal modelo
implicar imensos tempos livres, visto o estudante poder concentrar a ministração ou a
procura de conhecimentos no espaço de tempo que lhe convier.
Não havendo horários, poderá haver a tendência para um certo abuso do sistema,
implicando que alguns estudantes esbanjem tempo. Sendo assim, a grande
oportunidade para um desenvolvimento acelerado dos conhecimentos não iria ser
aproveitada.
Este esbanjamento de tempo também poderá decorrer da atitude passiva que os
estudantes têm na aquisição dos conhecimentos. É muito diferente um estudante ser
ensinado da forma tradicional de ter que investir tempo na procura e compilação de
conhecimentos.
2.4 Direitos de Autor
Desde há séculos que existem os chamados direitos de autor. O objectivo destes
direitos é proporcionar aos autores um determinado rendimento pela utilização das
suas obras originais de modo a que cada vez mais autores se sintam atraídos a
publicá-las e assim os leitores possam beneficiar de mais obras disponíveis.
Perante as auto-estradas da informação os laços entre autores e leitores
estreitam-se. É hoje em dia muito fácil um autor colocar à disposição a sua obra em
qualquer repositório de informação com ligações à Internet, sendo pois muito fácil o
acesso dos leitores às obras. Os próprios leitores podem facilmente ser eles próprios
autores. Existe, inclusivamente, um feed-back mais atempado pelo que tanto os
autores como os leitores só terão a ganhar. Este estreitar de laços não assenta
necessariamente na diminuição do papel das editoras uma vez que com o advento da
rede Internet, autores que outrora não eram "aprovados" pelas editoras têm agora
oportunidade de mostrar as suas obras. Por outro lado, os autores tradicionalmente
apoiados pelas editoras também beneficiam, uma vez que as suas obras chegam a
mais pessoas ou, pelo menos, a um público mais dirigido.
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Um dos principais problemas das bibliotecas digitais, é saber como transpor os
direitos de autor aplicados a livros e obras tradicionais, às obras das bibliotecas
digitais. Se, nas bibliotecas tradicionais, é assumido que o direito de autor não é
infringido quando a biblioteca empresta um livro, uma vez que já o teve de adquirir à
editora, a situação nas bibliotecas digitais difere profundamente. A questão é simples:
se uma biblioteca digital adquire uma obra em formato digital a uma editora e o coloca
à disposição dos seus leitores livremente, o que acontece é que mais ninguém deste
tipo de leitores comprará esta obra uma vez que todos quanto quiserem a vão "buscar"
a esta biblioteca. Tal não aconteceria numa biblioteca tradicional pois, para além desta
ter de adquirir vários volumes da obra, só os leitores das suas proximidades
geográficas e que estiverem autorizados a usar a biblioteca (por exemplo na
generalidade das bibliotecas universitárias, só os alunos universitários as podem usar)
a ela teriam acesso. Isto implica que outros leitores teriam de se deslocar a outras
bibliotecas que assim iriam também adquirir vários exemplares da obra. Uma vez que
a rede Internet diminui distâncias e aproxima pessoas, bastava assim que uma
biblioteca digital adquirisse a obra em formato digital e todos a ela teriam acesso, o
que colocaria a questão de como remunerar a editora e o próprio autor. Assim, a
tradicional visão dos direitos autorais de compensar os autores por exemplares da
obra vendidos, tem necessariamente que sofrer alterações.
A grande questão que se coloca desde que se começou a debater os direitos
autorais em ambientes electrónicos prende-se com os direitos mínimos que os
consumidores de informação deverão ter neste tipo de ambientes. Ora, estes direitos
estão intimamente ligados à maior ou menor protecção conferida às obras. Entre a
situação desejável e as perspectivas Americana e Europeia existem significativas
diferenças, que serão abordadas de seguida. A situação desejável de protecção de
obras num ambiente digital, do ponto de vista das bibliotecas, arquivos e museus,
deveria respeitar as seguintes regras:
‰
Possibilidade de visualização, browsing e cópia de material digital para
propósitos privados, educacionais e de investigação;
‰
Possibilidade de realizar uma cópia digital para os propósitos de arquivo e
preservação;
‰
Possibilidade de realizar cópias em papel de um número limitado de páginas de
uma obra em formato digital, para os seus utilizadores;
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‰
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Possibilidade de realizar cópias em meio áudio, visual ou audiovisual por
indivíduos frequentadores destes, para seu próprio uso não comercial.
Obviamente que as referidas premissas deveriam desejavelmente poder ser
aplicadas à situação de acesso por parte de um utilizador individual a uma biblioteca
digital na Internet. Infelizmente, a realidade dos direitos de autor não é exactamente
esta. Com vista a ultrapassar o problema de cópia referido no ponto anterior, foi
elaborado pelo governo dos EUA um relatório sobre "os direitos de propriedade
intelectual e a infra-estrutura de informação nacional NII (National Information
Infrastructure)". As recomendações mais importantes do relatório NII incluem:
‰
Considerar uma infracção, a transmissão digital de uma cópia de uma obra que
esteja sob alçada dos direitos de autor.
‰
Considerar como uma infracção o simples acto de realizar browsing (a menos
que autorizado pelo autor).
‰
Abolir a regra da "primeira venda" para uma obra distribuída por transmissão
digital.
‰
Limitar a lei do "uso justo".
‰
Considerar uma infracção aos direito de autor, o facto de uma pessoa/entidade
construir ou distribuir qualquer dispositivo capaz de tornear esquemas de
protecção engendrados pelos autores para proteger as suas obras.
Estas recomendações do relatório NII parecem ir contra o interesse dos
utilizadores, uma vez que impõem sérias restrições à circulação das obras o que é
manifestamente do interesse das editoras. Assim, sobre a transmissão de obras, o
actual direito de autor americano prevê a sua possibilidade sem grandes restrições,
uma vez que adquirida a obra, o consumidor a pode exibir livremente em privado. A
sua exibição pública carece de autorização do autor. Ora, a recomendação do relatório
NII sobre a transmissão digital dá aos autores, e por último às editoras, o poder sobre
todo o tipo de exibições (públicas e privadas). Relativamente à questão do browsing e
leitura ser considerado por este relatório como infracção ao direito de autor, tal facto é
mais uma extensão ao actual direito autoral que não considera esta questão. Esta
questão é controversa, uma vez que nunca foi considerado violação do direito autoral,
a leitura ou browsing de uma obra, não se adivinhando uma aceitação pacífica, caso
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venha a ser adoptada oficialmente. Quanto à regra da "primeira venda", ela permite
que o comprador de uma obra a dê, alugue ou empreste a terceiros (com algumas
excepções). Uma vez que a transmissão digital pode resultar numa multiplicação de
cópias, esta abolição parece resultar justa e natural.
No que concerne à lei do "uso justo", embora o relatório NII não a pretenda
abolir, no entanto limita-a significativamente ao não admitir sequer a utilização de
trabalhos com direito de autor para investigação ou pesquisa e restringindo
severamente a sua utilização para propósitos educacionais. É de notar que um dos
principais aspectos por parte da lei de direito de autor americano é o "espírito
educacional" que lhe está associado, estando mesmo consignado na Constituição.
Quanto ao último aspecto, de se considerar infracção a construção de
dispositivos que visem tornear as protecções realizadas pelos autores para as suas
obras, a questão aqui consiste em saber se tal não será um exagero. O simples facto
de um indivíduo dispor de um video-gravador, não significa que o seu objectivo seja o
de fazer cópias de filmes para os amigos! Assim, nesta linha de raciocínio, o facto de
se dispor de meios de quebrar a protecção de uma obra, não significa que se vá
realizar múltiplas cópias mas pode somente significar que se pretende realizar uma
cópia de reserva ( backup ) da obra - direito tradicionalmente conferido por lei.
Mais recentemente existiram desenvolvimentos na área dos direitos de autor
aplicados a ambientes digitais nos EUA, pela aprovação pelo Congresso em 29 de
Julho de 1997 da WIPO (World International Property Organization) Copyright Treaties
Implementation Act (visa transpor para o direitos dos EUA as obrigações dos tratados
WIPO) e em 4 de Novembro de 1997 da No Electronic Theft (NET) Act (cobre a lacuna
existente na legislação sobre distribuição não autorizada de material com direitos de
autor na Internet).
A perspectiva europeia tem vindo a ser debatida ao longo de vários anos e
culminou numa proposta de directiva sobre direitos de autor. A referida directiva tem
por objecto a questão dos direitos de autor no âmbito do mercado único europeu,
conferindo formas legais de protecção de informação contida em meios digitais ou
transportada por via digital. Visa, igualmente, implementar as principais obrigações dos
tratados WIPO.
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Com base na informação constante da referida proposta de directiva e no servidor
Web da Comissão Europeia, são os seguintes os tópicos cobertos:
‰
Direito de Reprodução - A proposta confere aos autores e organizações
diversas o direito exclusivo de autorizar ou proibir reproduções, directas ou
indirectas, temporárias ou permanentes, online ou off-line;
‰
Direito de Transmissão ao Público - Os autores têm o direito exclusivo de
permitir ou não qualquer transmissão ao público de originais ou cópias das
suas obras, por via directa ou remota. No fundo, é o acto de oferecer um
serviço ao público relativo a uma dada obra que está em causa;
‰
Direito de Distribuição - Os autores têm o direito exclusivo de controlar qualquer
forma de distribuição ao público de cópias das suas obras;
‰
Protecção Legal de Sistemas Anti-Cópia e de Sistemas de Gestão de Direitos Faz depender a introdução em larga escala de sistemas de controlo de
acessos, identificação e anti-cópia, do devido enquadramento legal (que terá de
ser aprovado pelos diversos Estados) contra actos de tornear, violar ou
manipular os referidos sistemas. Na sequência do anterior, requer que os
Estados Membros proporcionem, igualmente, enquadramento legal contra
pessoas que alterem ou eliminem informação electrónica sobre direitos, entre
outras, sem a devida autorização; a proposta de directiva contempla as
seguintes:
o
Excepções específicas ao Direito de Reprodução – Excepção
obrigatória para certos actos técnicos de reprodução ditados pela
tecnologia (Ex.: Cópias para a Cache que surjam durante uma
transmissão na Internet);
o
Excepções passíveis de ser adoptadas pelos diversos Estados;
o
Reproduções em papel ou similar por técnica fotográfica ou processos
similares;
o
Reproduções em meio áudio, visual, ou audiovisual, feitos por
indivíduos para uso privado e fins não comerciais;
o
Actos de reprodução realizados por bibliotecas públicas, museus ou
outros estabelecimentos acessíveis ao público que não comportem
vantagens económicas directas ou indirectas;
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Pág. 19
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o
Computadores e Sistemas
Excepções relativas aos Direitos de Reprodução e de Transmissão Envolvem as seguintes excepções passíveis de ser adoptadas pelos
diversos Estados:
ƒ
Uso para os fins específicos de ensino e investigação;
ƒ
Usos não comerciais para o benefício de pessoas com
deficiências visuais e auditivas;
ƒ
Uso de excertos relacionados com a divulgação corrente;
ƒ
Citações para os efeitos de crítica ou avaliação para os
propósitos de segurança pública e procedimento judicial ou
administrativo.
Esta tomada de posição da Comissão Europeia relativamente a esta matéria de
interesse vital para a Sociedade de Informação é positiva, contemplando os interesses
de todas as partes envolvidas mas limitada na sua aplicação. A questão talvez
ultrapasse a fronteira do tema em questão, mas é inevitável questionar qual a
aplicabilidade prática de uma futura Directiva que na questão das excepções confere
demasiadas alternativas, e fazendo depender estas no âmbito do Estado Membro. Isto
implicará que os diferentes Estados irão certamente ter a sua política própria de
excepções, podendo excepções importantes como a excepção para o ensino e
investigação ser adoptadas por uns e não por outros.
É paradoxal mas pode-se afirmar que a presente proposta comparada com as
recomendações do relatório NII, traduzem uma maior exigência a priori das
recomendações do referido relatório, mas poderá não ser assim em todos os Estados.
Com efeito, dependendo do grau de aplicabilidade das excepções pelos vários
Estados Membros europeus, alguns poderão vir a enquadrar-se numa situação
relativamente próxima da situação decorrente das recomendações do referido relatório
(caso não apliquem as excepções), enquanto outros estarão numa posição mais
favorável e permissiva relativamente aos consumidores de informação.
Talvez se possam considerar alguns dos pontos acima focados (tanto na
situação dos EUA como na situação Europeia) como exagerados. O grande objectivo
de redes como a Internet, nas quais as bibliotecas digitais têm o seu sustentáculo, é o
de promover a livre troca de ideias entre investigadores e estudantes, disponibilizar
informação e promover a realização de trabalho em conjunto. Tudo isto tem vindo a ser
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feito com a maior lisura (embora haja excepções) e sob um código de conduta que
todos seguem e respeitam.
A questão é muito simples: Ao imporem-se todas estas limitações, não se estará
a negar tudo o que já foi conseguido e a desequilibrar injustamente a balança para o
lado dos editores (por intermédio dos autores)?
Neste contexto surgem os SEGDA (Sistemas electrónicos para gestão de direitos
de autor) como forma de responder, por um lado, às preocupações com os direitos de
autor e, por outro, como forma de sistematizar processos de gestão de informação
documental, tais como: controlo de acessos; feed-back aos autores; disponibilização
de informação em tempo útil.
O surgimento dos SEGDA (embora não exactamente com esta designação) fezse paralelamente às diversas iniciativas de bibliotecas digitais nos EUA e na Europa. É
por demais evidente que não podem existir bibliotecas digitais sem existirem estes
meios de gestão efectiva de direitos de autor.
A questão que se coloca actualmente é a da protecção legal destes sistemas. A
questão passa mesmo por determinar se deverão reforçar-se medidas legislativas (e
inclusive criar novas medidas) ou utilizar e desenvolver os SEGDA como forma óbvia
de impor o cumprimento dos direitos de autor.
Embora no referido relatório NII se tenha feito referência à protecção explicita dos
SEGDA, na Europa tem-se discutido se estes deveriam ser ou não objecto de
protecção. Tem sido argumentado que estes não resolvem tudo até porque impõe
barreiras financeiras e restrições de acesso.
Actualmente não estando contemplada a protecção dos SEGDA em nenhuma
legislação, nada impede alguém que queira tornear estes sistemas de o fazer, sem
que haja sanções explicitas na Lei. Mesmo na proposta de Directiva da Comissão
Europeia, faz-se depender a introdução em larga escala de Sistemas para Gestão de
Direitos do devido enquadramento legal que terá de ser aprovado pelos diversos
estados. A proposta de Directiva Europeia visa criar legislação para proteger
legalmente os SEGDA. Embora os SEGDA não estejam explicitamente contemplados
na Lei, tem que ser destacado o papel que os SEGDA têm na imposição e aplicação
dos direitos de autor.
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Os SEGDA (no âmbito do direito de autor) podem permitir entre outras possibilidades:
o controlo do número de cópias, impressões e demais acções sobre uma obra, o que
pode ser realizado com uma dada obra (ex.: imprimir), a alteração indevida da obra.
A iniciativa dos autores permitirem a digitalização das suas obras comporta
benefícios e alguns riscos. Entre os benefícios contam-se a abertura de novos
mercados e possibilidades de divulgação das obras (e mais acessibilidade das
mesmas). Entre os riscos contam-se certamente o perigo de cópia e uso não
autorizado das mesmas. No contexto da gestão de informação documental os SEGDA
surgem como uma necessidade e imposição. Os mesmos, no entanto, comportam
vantagens e desvantagens que serão abordadas de seguida.
A implementação e utilização dos SEGDA traz benefícios, dos quais se destacam os
seguintes:
‰
Permite feed-back ao autor dos índices de consulta da obra e em tempo real.
Com efeito, a utilização de outros sistemas na Web não permite aferir de forma
sistemática, organizada e dirigida, de quantas pessoas tiveram acesso, por
exemplo, a um determinado artigo cientifico, ou a uma imagem. Com os
SEGDA, o autor pode dispor de forma quase imediata dessa informação, o que
permite determinar o sucesso ou insucesso de determinada obra e assim
incentivar (ou não) o mesmo a realizar novas obras;
‰
Criação de nova fonte de receitas para autores. No caso de inexistência dos
SEGDA, os autores publicariam as suas obras de forma tradicional (i.e.
revistas, jornais científicos) ou na Web, disponibilizando-as correntemente de
forma gratuita. Com o advento dos SEGDA os autores dispõem de uma fonte
de receitas complementar, uma vez que pode ser um processo paralelo às
formas de publicação tradicional e ainda permitir realizar lucros através da
publicação na Web;
‰
Desincentivo da cópia. Muitas vezes, dadas as pequenas tiragens de certas
obras levam a que a obra se esgote rapidamente; a cópia não autorizada
necessariamente acontece porque as pessoas não conseguem ter acesso às
referidas obras. Com os SEGDA as obras encontram-se sempre disponíveis;
‰
Controlo de Utilização. Os SEGDA envolvem invariavelmente uma componente
de segurança e controlo de acessos, o que permite restringir quem usa qual
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informação. Tal permite impedir inequivocamente o uso indevido (sem
consentimento prévio) das obras.
‰
Mais e Melhores Conteúdos. Existe uma maior tendência para que os autores
realizem mais (e melhores) conteúdos uma vez que sabem que o seu trabalho
terá algum tipo de compensação (académica e/ou financeira) ;
‰
Controlo Editorial. Uma vez que a generalidade da informação nestes tipos de
sistemas é paga, necessariamente ter-se-á que garantir a sua qualidade.
A utilização dos SEGDA também comporta algumas desvantagens das quais se
destacam:
‰
Restrição no acesso à informação. Uma vez que muitas vezes se tem que
pagar pelo acesso e utilização das obras então está-se a restringir o acesso à
informação, uma vez que muitas pessoas não estão dispostas a pagar por ela;
‰
Custos de Implementação e manutenção acrescidos. A implementação dos
SEGDA implica alguns custos, destacando-se:
o
Custos com pessoal. Profissionais de informática e bibliotecários para
seleccionarem as obras presentes;
o
Custos de hardware e software. A estes custos acresce o custo de
desenvolvimento de software aplicacional especifico e eventual
aquisição de módulos complementares ao sistema.
‰
Sistemas de pagamento não credíveis. Actualmente ainda se verifica um
grande descrédito relativamente aos sistemas de pagamento. Ou se opta por
sistemas em que antecipadamente é efectuado um pagamento havendo um
correspondente crédito atribuído que vai sendo consumido pelos clientes, ou se
envereda por soluções de sistemas electrónicos de pagamento (directamente
ou indirectamente relacionados com cartões de crédito) pouco seguros à vista
dos utilizadores;
‰
Grande Complexidade de alguns meios de Controlo de Acessos e Pagamento.
Com efeito alguns dos referidos meios podem ser algo complexo de utilizar o
que poderá originar a desistência ou má utilização dos clientes;
‰
Violação dos Direitos de Protecção de Dados Pessoais. A generalidade dos
SEGDA incluem uma componente de controlo dos comportamentos dos
utilizadores:
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o
o que adquirem; conteúdos preferidos;
o
taxa de utilização do sistema.
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Estes dados podem ser transmitidos às editoras e/ou autores violando os
direitos à protecção de dados pessoais. Neste contexto, a identidade dos
utilizadores deveria ser anónima; tal levanta, no entanto, questões a nível de
sistemas de cobrança que comportem o anonimato, entre outras.
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Capítulo III
Do Tradicional ao
Digital
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3.1 Introdução
A biblioteca tradicional é aquela onde a maioria dos itens do seu acervo é
constituída por documentos em papel. Ela existe desde a invenção da escrita. É claro
que antes do advento da imprensa o acervo era formado por outros tipos de materiais
(como o papiro e o pergaminho). Uma característica da biblioteca tradicional é que
tanto a colecção como o catálogo utilizam o papel como suporte de registo da
informação. Todavia, no final do século XIX, houve uma grande revolução na biblioteca
com a introdução do catálogo em fichas e o abandono do catálogo sob a forma de
livro.
A biblioteca digital implica um novo conceito de armazenamento de informação
(forma electrónica). Assim, nesse contexto estão embutidas a criação, aquisição,
distribuição e armazenamento do documento sob a forma digital. De um documento
digital pode-se conseguir uma cópia em papel. Nesta biblioteca, o documento é uma
fonte digitalizada e o papel, portanto, é um estado transitório.
Na biblioteca digital, definida por dezenas de autores, pode-se encontrar uma ou
várias das seguintes características:
a) acesso remoto pelo utente, por meio de um computador ligado a uma rede;
b) utilização simultânea do mesmo documento por duas ou mais pessoas;
c) inclusão de produtos e serviços de uma biblioteca ou centro de informação;
d) existência de colecções de documentos correntes onde se pode aceder à
referência bibliográfica e ao texto completo. A percentagem de documentos
retrospectivos tende a aumentar à medida que novos textos forem
digitalizados pelos diversos projectos em andamento;
e) acesso em linha a outras fontes externas de informação (bibliotecas, museus,
bancos de dados, instituições públicas e privadas);
f)
a biblioteca local não necessita de ser a proprietária do documento solicitado
pelo utente;
g) existência de um sistema inteligente ou especialista para ajudar na
recuperação de informação mais relevante.
O conceito biblioteca digital aparenta algo revolucionário, mas, na verdade, ele é
resultado de um processo gradual e evolutivo. Nas últimas décadas, o computador tem
sido utilizado de forma cada vez mais crescente, muitas bibliotecas disponibilizaram
catálogos em linha, passaram a aceder a bases de dados, iniciaram o uso regular de
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cd-rom para recuperar referências bibliográficas e textos completos de artigos de
periódicos. Com o crescimento da Internet, as possibilidades de recuperar e aceder à
informação aumentaram de forma nunca antes imaginada. No que se refere a
projectos de automação de bibliotecas, a ênfase maior foi sempre para os mecanismos
de descrição bibliográfica (catálogos e índices) e não no armazenamento e
recuperação do próprio conteúdo dos periódicos, livros e outros documentos contidos
no acervo. Admite-se que um número crescente de bases de dados incorpora os
conteúdos completos de livros, artigos de periódicos, relatórios técnicos e outros
materiais; muitas bibliotecas, entretanto, continuam a manter esses documentos em
papel ou em microfilme. Os conceitos e as tecnologias da biblioteca digital prevêem o
armazenamento e a recuperação dos materiais bibliotecários para um formato que
possa ser armazenado em suporte informático.
A introdução de processos digitais nos diversos serviços existentes numa
biblioteca já provoca impactos, com reflexos positivos e negativos, nas funções e
serviços de uma biblioteca. Não existe uma estratégia única a ser empregada na
implementação de uma biblioteca digital. As estratégias, tal como as bibliotecas,
nascem num determinado tempo e, obviamente, sofrem influências da cultura e da
situação financeira de cada instituição na altura da implementação.
3.2 Espaço Físico
As bibliotecas tradicionais convivem com problemas derivados da necessidade
de áreas físicas suficientes para armazenar os documentos e para disponibilizar os
serviços aos utentes. O espaço necessário para armazenar as colecções que estão
em permanente crescimento sempre foi uma das maiores preocupações dos directores
das bibliotecas. Com o advento da utilização de meios informáticos, surgiu mais uma
preocupação para os directores das bibliotecas: Como adaptar as instalações
existentes às necessidades de utilização das novas tecnologias. Os programas das
bibliotecas são transformados e a introdução de novos mecanismos têm provocado
profundos impactos no espaço físico da biblioteca. Nos últimos dez anos, bases de
dados bibliográficos em suporte óptico têm sido continuamente introduzidos na maioria
das áreas da biblioteca.
Em geral, a automação de bibliotecas enfrenta dois importantes desafios para o
planeamento do espaço físico. O primeiro é causado pelo fato de que muitos prédios
de bibliotecas foram planeados para dar suporte a estruturas tradicionais que não
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Computadores e Sistemas
utilizam muitos equipamentos e, como consequência, não possuem a infra-estrutura
necessária para os sistemas de comunicação, eléctrico e de iluminação para apoiar os
modernos programas informáticos. O segundo desafio está relacionado com a
evolução rápida dos sistemas de informação e a capacidade de mudança dos espaços
de acordo com a evolução. Muitas bibliotecas foram planeadas considerando que
seriam utilizadas durante várias décadas sem grandes alterações.
Cada biblioteca deve avaliar cuidadosamente o seu espaço, levando em conta
que o programa de disponibilidade da informação combinará, por alguns anos, numa
forma híbrida, o uso tradicional do suporte em papel com a ampla gama dos suportes
digitais. O espaço físico, portanto, precisa combinar os elementos que fazem uma
biblioteca funcionar num ambiente de rápida mudança e, ao mesmo tempo, manter-se
como o centro intelectual do campus. Além disso, necessita acomodar novas
tecnologias e reconhecer que o actual ciclo de disponibilização da informação ainda
não está completamente esgotado.
É incerto se os formatos antigos serão extintos ou se apenas será reduzida a sua
importância à medida que novas tecnologias forem introduzidas. Embora não se possa
antecipar quais direcções as mudanças irão seguir, ou mesmo quais os seus impactos
nos sistemas de gestão de bibliotecas, uma coisa é certa: a futura biblioteca coexistirá
num ambiente onde os utentes estarão conectados a uma ampla variedade de
recursos de informação que muitas bibliotecas não poderão disponibilizar, a menos
que se conectem a tais recursos...
Como resultado da ideia de estabilidade atribuída à biblioteca tradicional, os
espaços projectados com base nessa premissa reservaram áreas generosas para o
catálogo público em fichas, para o processamento técnico e para as estantes. Aquelas
poucas instituições que, tempos atrás, instalaram cabos coaxiais para ligar microcomputadores precisam agora furar paredes e tectos para colocar as calhas onde
serão alojados os cabos de fibra óptica. Além disso, provavelmente, não previram rede
eléctrica com “ligação a terra” e tomadas que permitam a ligação de computadores
portáteis dos utentes. O aspecto negativo desse cenário é que muitas bibliotecas
universitárias irão descobrir que as capacidades para adquirir terminais e máquinas de
novas gerações será insuficiente para superar as necessidades dos utentes. Portanto,
para amenizar os efeitos dessa procura a biblioteca deverá disponibilizar pontos de
acesso nos quais o próprio utente pode ligar o seu equipamento portátil e, por si
mesmo, utilizará o sistema da biblioteca para aceder à informação.
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A reforma física pode custar mais do que o esperado. Os metros quadrados
libertados pelo abandono do catálogo em fichas podem, paradoxalmente, ser
insuficientes para abrigar os micro-computadores necessários ao catálogo público de
acesso em linha. As sessões em linha poderão ocupar grande parte dos equipamentos
à medida que os utentes, além de verificarem a existência do documento no acervo,
confirmam se o mesmo está emprestado ou não, pesquisam os índices e bibliografias
correntes disponíveis em torres de cd-rom ou alojados na rede local, solicitam uma
cópia do texto completo de um artigo de periódico, fazem um download de uma
bibliografia pessoal, navegam um pouco na Internet e, se ainda tiverem tempo,
conferem as mensagens de correio electrónico! Assim, com o aumento de utentes
conhecedores das ofertas do sistema, provavelmente, aumentará a procura por
terminais adicionais.
Outro aspecto relacionado com o espaço físico, que geralmente tem sido
negligenciado, está relacionado com o barulho. As necessidades de ambiente de
estudo numa biblioteca obrigam a que o ambiente seja calmo. A introdução do
computador na biblioteca trouxe consigo um incremento no número de decibéis. O
dedilhar de teclas, a impressão de um documento numa impressora a laser ou mesmo
jacto de tinta provoca sempre algum barulho. As soluções utilizadas para minimizar o
barulho consistem no revestimento para o chão, tratamento acústico nas paredes e
abafadores para as impressoras. O mobiliário também não pode ser negligenciado. O
uso de computadores geralmente requer uma mesa com largura maior do que as
tradicionalmente usadas nas bibliotecas. As cadeiras precisam ser ergonomicamente
correctas, além de possuírem rodas, para evitar danos à saúde e propiciar conforto
aos utentes.
3.3 Aquisições
Com a biblioteca digital, a actual revolução tecnológica apresenta novas
oportunidades de mudança. Este é o momento de expansão para além dos aspectos
relativos de como a biblioteca universitária adquire e processa os materiais. É vital
iniciar uma integração das fontes e materiais electrónicos nos acervos e serviços. É
tempo de parar de pensar só em termos de fontes impressas e disponibilidade dos
documentos, mesmo que esses tipos de fontes sejam predominantes nas colecções. É
possível que os serviços de desenvolvimento de colecções e aquisição passem por
grandes transformações com a biblioteca digital, podendo sofrer reduções. Agora
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chegou o momento de pensar além de como os documentos são adquiridos e
processados e começar a integração, em larga escala, das fontes electrónicas aos
acervos e serviços da nova biblioteca. A partir desse momento dois conceitos entrarão
em desuso. São eles: as fontes impressas e a propriedade do acervo. Com a
introdução do cd-rom, colecções de periódicos, directórios e enciclopédias passaram a
estar disponíveis tanto em papel como em suporte digital. Nos últimos anos,
determinados títulos de periódicos tornaram-se acessíveis somente pela Internet, são
os chamados periódicos electrónicos. Esse acervo digital, a princípio, estava
disponível só numa estação de trabalho, depois começaram a estar disponíveis nas
redes locais; agora, com os projectos pioneiros de bibliotecas digitais, começam a
estar disponíveis a todos, por meio de redes de grande extensão geográfica (Internet).
É claro que, dentro de 10 a 15 anos, nem todas as bibliotecas universitárias se terão
transformado em bibliotecas digitais. Entretanto, elas continuarão a acrescentar
documentos de todas as formas às suas colecções físicas, mas, com igual
importância, será a informação sobre aquilo que não está armazenado localmente. Se
as bibliotecas falharem em incorporar a responsabilidade de gerenciamento da
informação armazenada em outros lugares daquilo que é comprado, alugado,
arrendado ou assinado, elas poderão ser substituídas por empresas comerciais
fornecedoras de informação ou por intermediários da informação. Antes da era digital
as colecções desenvolviam-se de forma isolada. Na nova era, esse desenvolvimento
será, sem dúvida, coordenado, tornando-se um dos requisitos de gerenciamento e
sobrevivência de qualquer biblioteca.
Determinados pedidos solicitados pelos utentes estarão armazenados em outras
bibliotecas digitais e, nem sempre, estarão disponíveis sem custo. As bibliotecas
digitais irão requerer dos utentes mais autorizações e pagamentos para os detentores
dos direitos de autor de uma maneira que nunca foi imaginada no mundo não digital.
Os direitos e o gerenciamento dos direitos de autor estarão interligados para
possibilitar o acesso autorizado à informação sob diferentes formas, criadas sob
diversos sistemas de propriedade intelectual, por exemplo, impressos, filme, som,
fotografia. Assim, haverá necessidade de pagamento pelo acesso e transmissão da
informação. Esses custos poderão ser subsidiados, total ou parcialmente, pela
biblioteca ou pagos integralmente pelo utente. O processo pay-per-view será algo onde
o utente paga, antecipadamente, pela informação que desejar ver. A transmissão do
pedido do documento solicitado e o pagamento das respectivas taxas serão feitos de
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forma electrónica. Portanto, deverão ser implantados módulos flexíveis e fiáveis de
cobrança e controle financeiro das transações solicitadas pelos utentes. A recepção do
item solicitado pelo utente poderá ser feito pelo próprio interessado e/ou colocado à
disposição de toda a clientela daquela biblioteca no caso de ser um item de grande
procura. O item recebido poderá vir sob a forma de um documento impresso,
transferido via FTP(File Transference Protocol), cd-rom, disquete e em outros suportes
digitais ainda não existentes no momento. É possível também que haja uma fusão
administrativa entre os sectores de aquisição e de comutação bibliográfica, pois, a
partir de agora, a ênfase será na organização e reempacotamento da informação. Com
a introdução do acesso em linha às bases de dados comerciais as bibliotecas
passaram a ter pedidos sempre crescentes, principalmente de cópias de artigos de
periódicos de títulos inexistentes nos acervos locais. A existência de centenas de
bibliotecas a utilizar os catálogos públicos de acesso em linha (Opac – Online Public
Access Catalogue) e dos catálogos colectivos de livros e periódicos, houve enorme
crescimento dos pedidos de empréstimo-entre-bibliotecas de obras disponíveis em
outras regiões. Entretanto, com o advento da biblioteca digital, a comutação
bibliográfica deixou de ser um mecanismo de superar falhas do acervo para se
transformar em uma das áreas básicas da organização bibliotecária.
Na implantação de colecções digitais, muitas bibliotecas procuram no ambiente
externo aquelas fontes de informação que poderão ser úteis para seus utentes. Outras
seleccionam documentos isentos de direitos autor, digitalizam os conteúdos e
disponibilizam a informação no campus. Isto tem sido feito principalmente com obras
raras e manuscritos, e, após a existência do documento digital, a preservação do
original poderá ser feita a custos menores e com possibilidade de ampliar a
disponibilidade. A digitalização do acervo envolve custos referentes a recursos
humanos, equipamentos, indexação (manual e/ou automática) e controle de qualidade.
As
bibliotecas
universitárias
tradicionalmente
utilizaram
políticas
de
desenvolvimento de colecções que antecipavam as possíveis necessidades de
informação dos seus utentes. Tinham como pressuposto que as necessidades
correntes dos utentes seriam automaticamente atendidas tendo em vista as decisões
feitas junto ao acervo em períodos anteriores. Agora os sectores de referência e
desenvolvimento de colecções deverão estar intimamente interligados, pois a
biblioteca digital irá forçar todas as bibliotecas a resolver as necessidades dos seus
utentes de forma prioritária, de maneira imediata. Além disso, tendo em vista as
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imensas possibilidades advindas de, por meio de contratos, poder aceder a
repositórios de informação alojados em computadores diversos, haverá uma redução
das diferenças entre as pequenas e grandes bibliotecas, como também entre os
diversos tipos de bibliotecas. O tamanho do acervo diminui de importância, pois o que
irá contar, daqui para frente, não são os milhões de itens do acervo, mas as opções
para aceder à informação solicitada. Para caracterizar uma biblioteca, o diferencial
mudará do tamanho do acervo para o tamanho das verbas disponíveis para o acesso.
Neste cenário algumas modificações poderão ocorrer no ambiente bibliotecário. São
elas:
a) Variedade de formatos – o especialista em desenvolvimento de colecções
precisará considerar os diversos formatos, desde o impresso, como também
arquivos bibliográficos, arquivos de textos completos, arquivos numéricos,
multimédia e programas aplicativos.
b) A biblioteca como conceito abstracto – a nova biblioteca universitária existirá
mais como um conceito abstracto e não tanto como uma realidade física. O
desenvolvimento de colecções privilegiará as necessidades dos utentes, e não
a descrição total dos assuntos. Para atender a essas novas necessidades,
serão utilizados não somente os recursos documentários locais, mas,
principalmente, pelo acervo virtual acessível via comutação bibliográfica,
consórcios, rede e vendedores comerciais. As tarefas típicas do futuro
especialista em desenvolvimento de colecções incluem, também, as funções
relativas às actividades de fazer hiperligações para mapear os recursos de
informação externos.
c) Pagamento da informação – a possibilidade de pagamento pelo acesso deverá
ser uma rotina. Além disso, será necessário conhecer os detalhes relativos às
novas modalidades de contratos para se poder aceder a informação externa.
d) Esforços cooperativos – para se reduzir os custos advindos da duplicação de
acervos electrónicos, em diversas universidades devem existir acções
cooperativas mediante convénios. A colecção local não vai ter a relevância
anterior. A partilha de recursos será uma acção crítica e a comutação
bibliográfica passará a ser uma função essencial na nova estrutura da
biblioteca universitária.
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e) Novos suportes de informação e equipamentos – para optimizar o uso do
documento digital será necessário maior conhecimento de hardware e software
por parte dos técnicos de desenvolvimento de colecções.
3.4 Catalogação, classificação e indexação
À medida que a informação digital se expande, as bibliotecas universitárias
enfrentam os desafios de facilitar o acesso dos utentes a esses documentos. Além dos
cd-rom, agora é necessário utilizar arquivos de texto completo de periódicos, imagens
digitais, dados numéricos e multimédia. O sector de processamento técnico é
desafiado a disponibilizar novos meios de descrição do registo e do conteúdo de itens
com estruturas de informação e manipulação bem diferentes daqueles que eram
tradicionalmente usados pelo controle bibliográfico.
Com o advento da Internet surgiram novos tipos de documento que devem ser
processados pelos serviços técnicos. São, por exemplo, as páginas www, os
periódicos electrónicos e as listas de discussão. Aqui surge uma questão séria: devem
ser incluídas ou não essas novas fontes de informação nos catálogos? Na prática,
tratam-se de verdadeiras obras de referência, cuja importância cresce a cada dia. Elas
devem ser deixadas de fora do catálogo porque não fazem parte do património da
organização? Se for feita uma análise, estritamente sob o aspecto legal, na verdade,
essas novas fontes não são bens da organização e, como tal, não deveriam ser
incluídas no catálogo público. Mas, por outro lado, devido à importância crescente,
essas novas fontes certamente deverão constar dos registos do catálogo.
Essas fontes digitais trazem também novas questões para a catalogação formal.
Em decorrência da natureza de muitos recursos da Internet – afirma-se que a vida
média de um sítio (website) é de 70 dias. Muitas bibliotecas só catalogarão aquelas
fontes que consideram de qualidade ou que possuam uma certa segurança de acesso.
Aqui novas tarefas surgem. Considerando que na Internet ainda não existe uma
preocupação a respeito da preservação da informação, os endereços ou URLs mudam
constantemente, os títulos são alterados e os arquivos deixam de ser armazenados
nos servidores, os bibliotecários responsáveis pelo processamento desses novos
materiais deverão fazer conferências semanais quanto à validação dos dados, à
existência dos documentos e à permanência das hiperligações.
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Computadores e Sistemas
Esses recentes tipos de documentos originaram novos padrões para a descrição
dos formatos. As normas existentes no formato Unimarc (Universal Machine Readable
Cataloging) e no formato Marc (Machine Readable Cataloging) mostram-se
insuficientes para atender às novas necessidades técnicas. Assim, os catalogadores,
além de conhecer os seus instrumentos de trabalho, também necessitam de dominar
instrumentos como metadados e marcação de textos. A catalogação e classificação
dos recursos digitais deve levar em conta a natureza dinâmica desses materiais. Tanto
as normas de catalogação como os catalogadores deverão estar preparados para lidar
com esses documentos. Como se pode depreender, ainda existirá a tarefa de se fazer
catalogação original, tanto para itens impressos como para os digitais. Entretanto, essa
tarefa provavelmente ficará restrita a grandes bibliotecas. Nas bibliotecas mais
pequenas, será feito o download do registo bibliográfico para o catálogo local, o qual
terá as ligações (links) para as bibliotecas onde os documentos digitais estão alojados.
Com a possibilidade de a biblioteca digital permitir o acesso aos mais diversos
continentes, ela tornou-se, de facto, uma instituição internacional. Em decorrência
disso e visando melhorar a qualidade da recuperação da informação por parte de sua
clientela potencial, o processamento técnico começa a sentir a necessidade de indexar
os documentos em diversas línguas – preferencialmente na língua local e em inglês.
Isto implicará alterações no perfil dos técnicos e nos instrumentos de indexação
utilizados. O armazenamento digital amplia as possibilidades de pontos de acesso a
um determinado documento. Nos sistemas manuais tradicionais e mesmo nos
catálogos automatizados produzidos até o final da presente década, existia uma
limitação de campos e de memória de massa para se descrever um item documental.
Essas limitações faziam com que as descrições ficassem restritas a dados sobre o
autor, título e alguns cabeçalhos de assunto. Com a crescente automatização das
bibliotecas, com os progressos recentes da informática, as antigas limitações foram
gradualmente reduzidas. Actualmente, centenas de termos de indexação podem ser
incluídos e diversos níveis de representação podem ser criados nos sistemas de
bibliotecas digitais. Em alguns casos, com o auxílio de modernos programas de
indexação, pode fazer-se a pesquisa em todas as palavras do texto. Tais
características agregam elevado grau de flexibilidade e qualidade à pesquisa e
recuperação da informação. No caso de periódicos electrónicos, por exemplo, as
diversas partes do documento (som, imagem ou texto) podem ficar alojadas em
diversos servidores. Assim, um artigo sobre música pode ter a letra armazenada num
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computador, as partituras noutro equipamento e a musica numa terceira máquina.
Para o utente, o acesso à informação da música está ao alcance do pressionar do
botão do rato sobre o ícone correspondente. Muitos dos sistemas de recuperação de
imagens, vídeo, áudio e outros objectos que não são texto estão dependentes de
campos de dados tais como o título, nome do autor ou de cabeçalhos de assuntos
escolhidos manualmente.
Actualmente, na área de bibliotecas digitais, há muita pesquisa sobre o
desenvolvimento de técnicas de indexação que não dependem da representação
textual. Além disso, com a moderna tecnologia de informação novos tipos de
documentos
são
agregados
ao
acervo.
Entre
eles
pode-se
mencionar
a
videoconferência, que, com a sua natureza temporal, já necessita de novas e
dinâmicas formas de indexação. Como atribuir pontos de acesso temático a um
documento que é realizado ao vivo, via Internet? A resposta para essa questão ainda
está em fase de estudo. Outro aspecto que se deve abordar aqui é a mudança da
unidade representativa da informação. Até hoje, a unidade de informação era, por
exemplo, um livro, e não os capítulos. Agora, com uma colecção digital, a
representação do conteúdo desce a detalhes mais profundos, podendo ser um mapa,
uma figura, um filme, um slide ou um capítulo. A política de indexação seguida pela
biblioteca digital é que irá delinear quais os níveis de representação da informação que
serão adoptados num determinado acervo. Obviamente, essas decisões terão
consideráveis implicações na representação do conteúdo a ser utilizada com reflexos
no tamanho do arquivo e nos mecanismos de pesquisa.
3.5 Periódicos
É no sector de periódicos que já se verificam grandes mudanças. O periódico
electrónico já é uma realidade. Os periódicos electrónicos podem ser encontrados sob
a forma de arquivos de imagens ou como produtos totalmente codificados com
linguagens de marcação de textos tais como o SGML e o HTML. O acesso ao
periódico electrónico pode ser feito em duas modalidades. A consulta pode efectuar-se
localmente por meio de cd-rom numa estação de trabalho ou numa LAN com a
utilização de torres de cd-rom. A consulta remota pode ser feita acedendo ao acervo
digital localizado numa outra biblioteca, consórcio, empresa provedora de documentos
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ou mesmo em sítios na Internet. Em relação aos periódicos existe um outro aspecto a
que se deve prestar atenção. É saber como será a futura estrutura da comunicação
científica. O próprio termo “periódico” carrega consigo uma enorme herança cultural.
Os títulos muito especializados, com pequeno número de assinaturas, talvez mudem
para o formato electrónico caso a maioria dos seus assinantes tenha acesso à Internet.
Enquanto isso, os títulos de grande circulação, particularmente aqueles de conteúdos
generalistas, talvez precisem ser impressos em papel por algum tempo. É possível que
haja para esses últimos uma forma híbrida, publicação em papel e forma digital (com
diversas modalidades de acesso aos artigos: parcial ou totalmente livre para todos, e
acesso integral para os assinantes da publicação impressa).
Uma outra faceta da temática “comunicação científica” refere-se à questão da
propriedade da divulgação dos resultados das pesquisas. Tradicionalmente, os
professores universitários e investigadores encaminham os resultados dos seus
projectos para serem publicados em periódicos comerciais. Como consequência, os
direitos de autor derivados desses artigos são de propriedade das editoras. Assim, os
autores, em grande parte vinculados a universidades e centros de pesquisas,
remetem, de forma gratuita, os originais dos artigos que, posteriormente, são vendidos
para as bibliotecas universitárias sob a forma de caras assinaturas de periódicos. É
claro que as universidades não estão satisfeitas com esse tipo de transação. As
universidades pretendem retomar o controle das publicações escritas no campus,
como era de esperar, enfrentando forte restrição das editoras comerciais. Até ao
momento não se sabe qual será o resultado dessa “guerra”; de qualquer maneira,
poderá afectar o desenvolvimento das colecções e o funcionamento da aquisição.
3.6 Apoio do Bibliotecário
Tempos atrás discutiu-se a respeito do provável desaparecimento do bibliotecário
de referência, tendo em vista a possibilidade de o utente aceder a toda a imensidão de
informação digital. Contudo, devido à precariedade dos mecanismos ou ferramentas
de pesquisa (search engines) existentes na www em recuperar informações
relevantes, parece que o intermediário da informação ainda tem muito o que fazer.
Vale a pena observar que, na Internet, o grupo de discussão passou a executar
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algumas tarefas típicas do serviço de referência: aqueles participantes que lançam
perguntas sobre determinado assunto, muitas vezes, recebem, rapidamente, respostas
dos participantes da lista. O bibliotecário de referência, para desempenhar o seu papel
profissional, tem de aceitar mudanças regulares e frequentes, adaptando-se,
simultaneamente, às alterações ambientais. É provável que, agora, a maioria dos
profissionais já aceite essas mudanças.
As actividades de educação do utente, tradicionalmente executadas pelo serviço
de referência, deverão adaptar-se
ao ambiente de uma biblioteca digital. O
bibliotecário continuará a ter uma responsabilidade docente, ao ensinar às pessoas
como utilizar com proveito os recursos de informação existentes em determinada
biblioteca ou mesmo na Internet. Certamente, os métodos utilizados para informar e
instruir os utentes sofrerão mudanças contínuas, principalmente aquelas provocadas
pela tecnologia da informação. Nota-se, entretanto, que os criadores dos sistemas
informáticos preocupam-se em melhorar o interface do utente, tentando torná-la mais
amigável. Apesar dos enormes esforços de pesquisa na área de inteligência artificial,
ainda estamos longe de sistemas que sejam imunes a dificuldades de aprendizagem
por parte de quem os utiliza; entretanto, ninguém pode contestar que os atuais
sistemas de automação de bibliotecas apresentam maior facilidade de manipulação do
que os anteriores.
A seguir serão analisados alguns dos novos desenvolvimentos de tecnologia da
informação que, no ambiente universitário, podem possibilitar maior eficácia nas
actividades relacionadas com a formação do utente.
a) Tutoriais baseados em computador Novos pacotes tutoriais em linha
podem ficar residentes no computador que aloja o catálogo da biblioteca
ou serem transferidos para o computador do utente. Esses instrumentos
educacionais são úteis para disponibilizar informações básicas, mas
também aquelas específicas de uma biblioteca (por exemplo: os serviços
oferecidos, normas internas, localização e o status dos diversos serviços).
Em bibliotecas universitárias e escolares, podem instruir o utente a
conduzir uma pesquisa para um trabalho escolar, bem como oferecer
instruções mais elaboradas a respeito do uso de fontes específicas,
impressas ou digitais. Esses tutoriais podem servir de introdução básica
para o utente,
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provendo-o com a necessária habilidade numa
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determinada pesquisa, antes que o mesmo possa colocar ao bibliotecário
de referência perguntas mais elaboradas e complexas relacionadas com o
tema a pesquisar.
b) Serviço de referência electrónica. Com o crescimento das redes
electrónicas dentro das organizações, o uso do correio electrónico passou
a ser um dos serviços mais comuns; com a Internet, ele transformou-se
no serviço mais utilizado. Assim, a biblioteca passou a contar com mais
um canal de comunicação junto dos utentes que de uma forma rápida,
fácil e barata podem enviar as mais diversas perguntas e solicitações à
biblioteca. Para que essa nova modalidade de comunicação funcione bem
é vital que a mesma seja integrada nas rotinas normais, devendo ser
dada responsabilidade a um bibliotecário para verificar as mensagens,
direccionar os pedidos e enviar as respostas. Pode-se, por meio dele,
enviar uma lista de livros novos, perfis de utentes e cópia de documentos.
O utente, por seu lado, não precisa se deslocar até ao edifício da
biblioteca para solicitar determinados serviços e, além disso, espera que o
tempo de resposta por parte do serviço de referência seja menor.
c) Videoconferência Novos programas de videoconferência, a custos
menores por existirem equipamentos mais simples, já estão disponíveis.
A videoconferência permite uma interacção em tempo real entre os
participantes; assim, esta tecnologia pode ser usada para formação à
distância.
As novas tecnologias de informação partilham esforços para melhorar a interface
entre o utente e as fontes de informação, mas a existência de diferentes programas
navegadores (browsers) e mecanismos de pesquisa (search engines) leva o utente a
pedir apoio para optimizar a navegação na Internet. Aqui observa-se um paradoxo: ao
mesmo tempo que existe um grande número de utentes que necessita aprender como
navegar na Internet, existe uma tendência, cada vez mais crescente, de um grupo
ainda pequeno de utentes que desejam ir directamente às fontes sem passar pela
biblioteca. De olho neste mercado, alguns produtores de bibliografias correntes
permitem ao utente, mediante pagamento, o acesso a sumários correntes de
periódicos, consulta de normas técnicas, obter notícias diárias sobre determinado
tema, fazer perguntas que serão respondidas por professores ou bibliotecários,
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consultar bibliografia técnica e pedir cópia de documentos. Ainda relativamente ao
aspecto da educação em geral, presume-se que a biblioteca digital ocupará um papel
importante como um dos suportes no fornecimento de informação dentro dos
programas de ensino à distância. O sucesso das actividades de uma universidade
virtual depende da biblioteca digital. Com uma ligação mais estreita entre os
programas de ensino formal e os do ensino à distância, a biblioteca digital permitirá
que sejam “quebradas” as paredes da sala de aulas, facilitando a aprendizagem aos
novos alunos virtuais independentemente da sua localização.
Com a facilidade proporcionada pela navegação na Internet começam a aparecer
projectos de ensino à distância, de responsabilidade de universidades nacionais e
estrangeiras, tentando conquistar este mercados. Esse fenómeno pode ocorrer
também com as bibliotecas digitais. São os efeitos da globalização penetrando, aos
poucos, também na área bibliotecária. Este fenómeno ainda é pouco abordado na
literatura técnica, mas pode causar impactos, ainda sem contornos definidos, nas
instituições de ensino superior. Os produtos e serviços oferecidos por determinada
biblioteca dependem dos recursos alocados pela instituição. Nas bibliotecas
tradicionais, grande parte das actividades dependem do factor humano; nas digitais,
essa dependência é amenizada e, como consequência, permite maior optimização dos
recursos humanos.
3.7 Arquivo
A preservação da informação ainda é um dos calcanhares de Aquiles da
biblioteca digital. Calcula-se que as fitas magnéticas, mesmo sob condições ideais de
temperatura e humidade, tenham uma vida média de 5 a 10 anos. Os suportes ópticos
têm uma vida média mais prolongada e por essa razão será o suporte mais indicado
para a preservação de informação.
Um factor que vem agravar o problema da preservação da informação digital
refere-se à constante obsolescência dos equipamentos e programas informáticos.
Assim, à medida que os sistemas informáticos são alterados, também os suportes que
registam a informação digital devem ser mudados. Similarmente ao que acontece na
biblioteca tradicional com o documento impresso, onde é comum conviverem no
mesmo acervo edições diversas de determinada obra, na biblioteca digital isto também
ocorrerá, porém com maior intensidade. Tal fato é explicado pela facilidade com que
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se pode alterar o conteúdo de um texto digital. Assim, o acervo poderá manter todas
ou algumas versões do documento. Entretanto, em cada um deles será necessário
acrescentar ou apagar as hiperligações desses objectos. Aqui pode-se pensar na
assinatura digital para dar uma validação ao conteúdo de um determinado texto.
3.8 Tecnologia
As bibliotecas, em todas as épocas, sempre foram dependentes da tecnologia de
informação. A passagem dos textos manuscritos para a utilização de textos impressos,
a utilização pioneira do microfilme para o intercâmbio de informação, o acesso a bases
de dados bibliográficos armazenados nos grandes bancos de dados e o uso do cd-rom
demonstram que as instituições sempre acompanharam e venceram os novos
paradigmas tecnológicos. O advento da biblioteca digital, altamente dependente das
diversas tecnologias de informação, também ultrapassará essas novas barreiras. Nos
últimos tempos, com o aumento da velocidade das CPUs, com o incremento das
velocidades de transmissão de dados e redução drástica nos custos das memórias de
massa, o contínuo progresso da biblioteca digital irá beneficiar da redução dos custos
e do aumento da potencialidade dos recursos informáticos.
Até ao momento não existem sistemas de biblioteca digital completos, onde seja
possível implementar todas as fases de um projecto sem grandes preocupações por
parte das instituições.
As necessidades de desenvolvimento desta área obriga à existência de mais e
melhores computadores, tanto para os funcionários como para os utentes. Com
projectos de acervos digitais, as instituições necessitarão de mais recursos financeiros
para a aquisição de equipamentos mais potentes e modernos. Vale a pena ressaltar
que a implementação de redes digitais de alta velocidade para interligar diversos
edifícios do campus por meio de cabos de fibra óptica, aumentando o acesso à World
Wide Web (www) já é uma preocupação nos projectos de rede para instituições
universitárias; como seria de esperar o edifício da biblioteca tem uma ligação directa
aos restantes edifícios. O cenário tecnológico, é favorável. Resta, entretanto, suplantar
o cenário económico. A implementação da biblioteca digital implica a existência de
recursos reais.
Ainda no aspecto tecnológico, importa ressaltar que, para haver um
desenvolvimento continuado nas bibliotecas digitais, é vital que haja intercâmbio
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regular de experiências entre os diversos projectos em curso. A colaboração resultará
no domínio do ciclo tecnológico e na optimização dos parcos recursos investidos na
área.
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Capítulo IV
Aspectos Tecnológicos
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4.1 Protocolos de comunicação
Esta é uma das áreas relacionadas com as bibliotecas digitais de vital
importância. É com frequência que são sugeridos protocolos e impostos novas
normas.
A questão da interoperabilidade é importante pois os computadores têm de
comunicar eficazmente, utilizando normas claras e bem definidas. Estas questões são
polémicas pois existem organizações como a ISO (International Organization for
Standardization) que se dedicam à certificação de normas que, na sua maioria, são
pouco utilizadas na Internet. Organizações como a IETF (Internet Engineering Task
Force) definem normas para a Internet que são aconselhadas deixando o próprio
mercado escolher qual a melhor norma.
Existem ainda opiniões divergentes sob a existência de múltiplas normas,
havendo autores que defendem que essa quantidade se revela extremamente positiva.
Tais autores defendem que deverá existir uma multiplicidade de normas e protocolos,
focando a questão da interoperabilidade destes através de gateways e de serviços
fornecidos por terceiros.
No contexto das Bibliotecas Digitais devem ser considerados os protocolos de
transmissão de dados sobre a Internet que aumentem a performance desta rede mas
também devemos considerar protocolos específicos de troca e tratamento de
informação bibliográfica. Seguidamente referencio alguns dos protocolos que
considero os mais importantes no domínio deste projecto:
Hypertext Transfer Protocol (HTTP) - Este protocolo, existente desde 1990, é
aplicado a sistemas distribuídos de hipermédia no âmbito da World Wide Web,
sendo o protocolo nativo e primário utilizado entre clientes e servidores WWW. É
um protocolo orientado por objectos.
Este protocolo caracteriza-se por ser um protocolo do tipo pedido/resposta.
Uma transacção deste protocolo, consiste em:
•
Conexão (entre cliente e servidor);
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•
Pedido (envio de pedido do cliente ao servidor:
•
Resposta (envio de resposta do servidor ao cliente);
•
Fecho (da conexão).
Uma das principais características que distinguem esta versão das anteriores é
a possibilidade de serem enviados vários pedidos/respostas diferentes por
conexão. Nas versões anteriores não era possível, pois para cada pedido era
necessário nova conexão, o que degradava a performance global.
Nesta versão os pedidos são assíncronos, o que possibilita ao cliente não ter
necessidade de esperar por uma resposta antes de enviar outros pedidos; por
outro lado, o servidor pode responder aos pedidos pela ordem desejada, enviando
inclusivamente, vários dados em paralelo para diferentes objectos.
Dienst - Este protocolo permite a comunicação entre servidores geograficamente
distribuídos de uma biblioteca digital, proporcionando acesso a colecções de
documentos em múltiplos formatos (e.g. TIFF, GIF, Postscript). Cada documento
consiste em duas partes: uma lógica (páginas) e outra física (e.g. capítulos,
tabelas).
A designação "Dienst" é utilizada indistintamente para referir uma arquitectura
conceptual para bibliotecas digitais, um protocolo de comunicação nessa
arquitectura e um sistema de software que implemente o mencionado protocolo.
A referida arquitectura permite:
o
pesquisar todos os documentos da biblioteca independentemente da
sua localização;
o
existência de múltiplas representações de um documento logicamente
ligadas;
o
visualizar parcial ou totalmente documentos que se encontram
definidos como objectos estruturados.
Os servidores Dienst proporcionam os seguintes serviços inerentes às
bibliotecas digitais (comunicando todos através do protocolo Dienst):
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o
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Serviço de repositório - armazena documentos digitais (cada
documento possuindo um nome único e podendo existir em múltiplos
formatos);
o
Serviço de indexação - um servidor de serviço de indexação pesquisa
e retorna documentos;
o
Serviço de contacto - fornece um directório das localizações dos
outros serviços;
o
Serviço de interface de utilizador - permite efectuar browsing,
pesquisa e recolha.
Este protocolo tem a particularidade de ser construído sobre a estrutura do
HTTP,
permitindo
tal
facto
utilizar
browsers
da
WWW
e
aproveitar
desenvolvimentos nas áreas da autorização e autenticação que venham a ser
efectuados. No entanto, existem algumas restrições técnicas no protocolo Dienst
que se devem ao HTTP.
Um bom exemplo da aplicação do referido protocolo é a Networked Computer
Science Technical Reference Library (NCSTRL).
Z39.50 - Este protocolo, aprovado em 1992 pela NISO (National lnformation
Standards Organization), é um standard
americano para busca e recolha de
informação, suportando um alto grau de interoperabilidade entre clientes e
servidores no que concerne a dados bibliográficos.
A designação detalhada deste protocolo é a de lnformation Retrieval Service
Definition and Protocol Specification for Library Applications. Foi desenvolvido para
ultrapassar problemas relacionados com a pesquisa de múltiplas bases de dados,
nomeadamente a necessidade de se conhecer menus, linguagens de comando e
procedimentos específicos a cada sistema.
O Z39.50 segue o modelo cliente/servidor, sendo o cliente designado por
"Origem" e o servidor por "Alvo". A "Origem" é a componente do sistema local
responsável por efectuar toda a comunicação e funções de início de pesquisa,
envio de queries e pedido de resultados. O "Alvo", faz a interface com a base de
dados do destino, respondendo às mensagens da "Origem", fornecendo registos a
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uma query. O Z39.50 trabalha assente no protocolo TCP/IP, tendo objectivamente
os seguintes serviços definidos:
•
Serviço de inicialização - estabelecimento de conexões;
•
Serviço de pesquisa - envio de queries e resposta pelo servidor;
•
Serviço de apresentação - definição de quantos registos são
transferidos e qual o formato de apresentação;
•
Serviço de controlo de acessos - definição de mecanismos de
segurança;
•
Serviço de controlo de recursos - supervisão dos recursos;
•
Serviço de eliminação - permite eliminar registos.
As regras e procedimentos do Z39.50 possibilitam que sistemas que utilizem
software e hardware diferentes possam comunicar efectivamente entre si. Um
exemplo muito significativo da implementação do Z39.50 é o OCLC(Online
Computer Library Center). Esta é uma organização de investigação e,
simultaneamente, um serviço não lucrativo que abrangem mais de 62 países,
englobando mais de 17.000 bibliotecas! Os serviços OCLC incluem serviços de
referência, operações técnicas de biblioteca, acesso e comunicação.
4.2 Normas de troca de informação
As normas surgem a partir de consensos gerados por grupos de pessoas ou de
organizações, fornecendo uma estrutura de como deverá ser gerida a informação de
uma forma similar por todos os envolvidos. As normas mais comuns e que podem ser
aplicadas, como princípio, às bibliotecas digitais são:
Standard Generalized Markup Language (SGML) - O SGML, definido em 1986
pela ISO, pode definir-se como sendo "uma norma internacional para a definição de
métodos de representação de textos em forma electrónica, independentes de
dispositivos e sistemas". Globalmente, o SGML modeliza os documentos digitais
como colecções de hierarquias ordenadas de objectos.
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O SGML é uma meta-linguagem, ou seja, uma forma de descrever formalmente
uma linguagem de markup. A linguagem markup ou de codificação é constituída por
um conjunto de convenções utilizadas para codificar os textos. A linguagem markup
deverá especificar qual a codificação permitida, requerida e como distinguir a
codificação do texto.
As seguintes características distinguem claramente o SGML de outras linguagens
de markup:
Codificação descritiva - O SGML coloca o ênfase na codificação descritiva em
vez da codificação procedimental. Na codificação descritiva são fornecidos nomes
para categorizar partes de um documento. Assim, por exemplo, existirá um nome
que significará "o texto seguinte é um parágrafo". Com este tipo de codificação, o
mesmo documento poderá ser interpretado por diferentes tipos de software.
Conceito de tipo de documento - Este conceito pressupõe que exista uma
definição de tipo de documento (DTD). O tipo de um documento é constituído pelas
suas partes e estrutura. A vantagem da existência deste conceito é evidente, pois
tal possibilita que vários documentos do mesmo tipo sejam processados da mesma
maneira.
Independência de sistemas - Esta noção, garante que os documentos codificados
pelo SGML poderão ser transportados para diferentes plataformas de hardware e
software, sem perdas de informação.
Extensible Markup Language (XML) - O XML é uma especificação aprovada pelo
consórcio W3C (World Wide Web Consortium). Consiste num subconjunto do SGML,
sendo o seu objectivo o de tornar fácil o intercâmbio de documentos estruturados na
Internet.
O XML permite aos utilizadores:
•
Juntar diversos documentos com o objectivo de formar documentos
compostos;
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•
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Identificar onde são colocadas ilustrações (e qual o seu formato) no
âmbito de ficheiros de texto;
•
Fornecer informação de controlo de processos a determinados
programas, como browsers;
•
Adicionar comentários editoriais a um ficheiro.
O XML baseia-se no conceito de documentos compostos por uma série de entidades
ou objectos. Cada entidade ou objecto pode conter um ou mais elementos lógicos.
Cada um destes elementos pode ter uma série de atributos ou propriedades que
descrevem qual a forma em que ele deverá ser processado.
O XML é uma linguagem formal que possui uma sintaxe para a descrição de relações
entre entidades, elementos e atributos de um mesmo documento XML. Essa
informação é "passada" para outro sistema informático, permitindo a este último
interpretar e reproduzir a estrutura lógica de qualquer documento.
Uma das grandes virtudes apontadas ao XML é o facto de permitir que se possam
definir novas etiquetas (etiquetas personalizadas) que assim poderão definir com mais
exactidão determinados documentos. Por exemplo, as bases de dados de imagem
poderiam utilizar a especificação XML para definir para as imagens nela constantes
informações como o preço, o conteúdo, título e formato. Deste modo, esta informação
poderia ser apresentada com a disposição necessária por um qualquer browser.
HyperText Markup Language (HTML) - O HTML, disponível desde 1990, e utilizado
desde inicio pela World Wide Web, é uma aplicação do standard ISO 8879.
A linguagem HTML é considerada uma simples linguagem de markup, utilizada para
criar documentos hipertextuais, independentes das várias plataformas. Um documento
criado em HTML é, em sentido lato, um documento SGML, pois consiste numa
sequência de caracteres organizada fisicamente num conjunto de entidades, e
logicamente, como uma hierarquia de elementos.
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O markup do HTML pode representar: notícias, correio e documentação hipertextuais;
hipermédia; menus de opções; resultados de queries; documentos simplesmente
estruturados com gráficos incluídos; views hipertextuais de conjuntos de informação.
4.3 Segurança
A segurança é um factor crucial na utilização das bibliotecas digitais. Que autores
ou editores irão disponibilizar as suas obras na WWW via bibliotecas digitais, se não
existir a garantia que estas estejam protegidas de cópia e alteração? As próprias
bibliotecas digitais terão de possuir mecanismos de protecção próprios para evitar
acessos não autorizados. Questões como a dos pagamentos por via electrónica estão
na ordem do dia, pois tal só será efectivamente viável se existir segurança.
Nesta matéria da segurança, ao nível da elaboração de normas, prevenção e
resposta a incidentes, actuam várias entidades americanas. Uma das mais conhecidas
é a CERT, que constitui um ponto central para o qual os incidentes relacionados com
segurança são reportados e a partir do qual é dada uma resposta coordenada. A
CERT é ajudada a nível de alerta de incidentes por um conjunto de equipas, que
constituem a FIRST. Ainda em termos de segurança, actuam grupos da IETF.
O meio mais comum de entrar ilegalmente nos sistemas é via linha comutada
(dial-up). Alguns dos métodos mais comuns serão revistos de seguida.
4.4 Hacker’s e Crackers.
Hackers ou crackers, definem-se como sendo potenciais criminosos que
utilizando alta tecnologia, hardware e/ou software, entram nos sistemas via redes
telefónicas ou outras visando alterar e/ou roubar informação e criar distúrbios.
Existem inúmeras técnicas utilizadas pelos hackers para aceder e criar distúrbios
nos sistemas, sendo de destacar as seguintes:
Roubo de passwords - Esta técnica é bastante utilizada pela facilidade de efectivar
esse roubo. As pessoas muitas vezes utilizam passwords que integram na sua
constituição, atributos facilmente identificáveis por tentativa e erro ( e.g. nome, data
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de nascimento, nome dos filhos, número de telefone). Os hackers limitam-se nestes
casos a utilizar um software que gera diversas passwords possíveis até encontrar a
correcta.
Utilização de Sniffers - Uma técnica mais sofisticada e utilizada ultimamente é a de
utilizar programas sniffers. Estes programas são instalados num determinado
sistema e aguardam a entrada de utilizadores no mesmo, capturando os respectivos
usernames e passwords. O hacker apenas terá de posteriormente entrar no sistema
e activar o programa para lhe fornecer essas mesmas informações, possuindo
acesso ilegítimo ao mesmo.
Utilização de vírus - A utilização de vírus é uma forma de os hackers fazerem sentir
a sua importância e de exteriorizar os seus sentimentos. Os vírus podem ser
destrutivos ou apenas incomodativos.
Entrada não autorizada via FTP (File Transfer Protocol) - Esta é outra das técnicas
utilizadas. As várias implementações deste protocolo por vezes comportam bugs.
Por outro lado, existem muitas vezes privilégios de acesso à raiz, o que pode facilitar
a entrada de hackers.
Acesso indevido a informação do DNS (Domain Name System) - O DNS comporta
informação vital sobre quem é quem e qual a sua localização na rede. A acrescer a
isto, o conteúdo engloba preciosa informação sobre o sistema que é reservada.
Obviamente que esta informação nas mãos erradas pode dar maus resultados.
Monitorização de tráfego - Muitas redes são propícias à utilização desta técnica
pois não existe encriptação da informação que nelas circula. Os hackers, através de
passwords ilegítimas, limitam-se a instalar software de monitorização do tráfego da
rede.
Bugs dos Sistemas Operativos - Muitas vezes, os grandes responsáveis pelos
acessos indevidos são os sistemas operativos. Ao apresentarem bugs, permitem o
acesso a informação restrita ou mesmo que os hackers tenham privilégios ao nível
do administrador do sistema.
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4.5 Implementação de segurança
Existe já um número significativo de técnicas para protecção de acessos
indevidos. Estas técnicas que implicam maior segurança também, na maior parte dos
casos, contrapõem maior limitação no acesso à Internet. De entre estas destacam-se
as firewalls. Estas podem definir-se muito genericamente como uma barreira entre a
rede e o mundo exterior, com o objectivo de impedir a entrada de intrusos. No fundo,
podem ser pensadas como um par de mecanismos: um que existe para bloquear o
tráfego e outro que existe para permitir o tráfego. O propósito das firewalls é, pois,
manter intrusos afastados das redes em que estão instaladas, permitindo que o
trabalho normal continue a ser efectuado.
As firewalls apresentam alguns pontos fracos, no caso de um ataque ser dirigido
ao sistema sem passar pela firewall, esta não poderá ter qualquer acção. Outro ponto
fraco é a dificuldade em proteger efectivamente contra vírus, ou genericamente, outros
programas enviados por correio electrónico ou copiados para os servidores e
posteriormente executados.
Na concepção e implementação de uma firewall, existem questões a ponderar:
Política organizacional de operação do sistema - A decisão deverá ser tomada
tendo em consideração se a segurança é ou não mais importante que a facilidade de
utilização. O problema resume-se ao seguinte:
•
Aquilo que não é expressamente permitido é proibido;
•
Aquilo que não é expressamente proibido é permitido.
No primeiro caso, a firewall está implementada deforma a bloquear tudo e apenas
alguns serviços são permitidos. No segundo caso, é preciso avaliar que acções os
utilizadores poderão tomar que ponham em risco a segurança da firewall e que
medidas deverão ser tomadas.
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Nível de monitorização, redundância e controlo pretendido – Após a questão
anterior estar definida, deve ser elaborada uma lista daquilo que deverá ser
monitorizado, permitido e proibido.
Componente financeira - Os custos de uma firewall a ponderar são, para além do
custo imediato, os custos de manutenção.
Podem existir diversas configurações de firewalls consoante os objectivos a atingir:
Dual Homed Gateway - Basicamente, esta configuração consiste em bloquear o
tráfego entre as redes. O tráfego apenas se dá entre os hosts (internos e externos) e
a gateway. Esta gateway é considerada um bastion host, ou seja, um sistema
identificado como ponto forte da segurança da rede.
Screened Host Gateway - É considerada a configuração de firewall mais comum,
sendo implementada com recurso a um screening router e a um bastion host.
Habitualmente, o bastion host está localizado na rede privada e o screening router
encontra-se entre esta e a Internet, sendo o bastion host, o único sistema da rede
privada em contacto com a Internet. O screening router pode ser comercial ou
baseado num host, mas disporá sempre de capacidades de filtragem de pacotes; ele
possui a capacidade de bloquear o tráfego ao nível IP.
Screened Subnet - Consiste principalmente na criação de uma subrede isolada
entre a Internet e a rede privada, havendo comunicação da Internet e dos hosts da
rede privada de e para a sub-rede, mas não havendo comunicação entre os hosts
desta última. A subrede, que pode integrar um bastion host para suportar sessões
terminais interactivas ou application level gateways, é habitualmente isolada com
recurso a screening routers.
Gateways híbridas - Estas integram múltiplas e, eventualmente, complexas
configurações, no intuito de dificultar ao máximo tentativas de intrusão.
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Pág. 52
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Computadores e Sistemas
4.6 Interfaces
Interfaces definem-se, como sendo "colecções de objectos, ferramentas,
linguagens e displays que se encontram entre as pessoas e as máquinas que estas
pretendem utilizar".
Os interfaces são, portanto, o meio através do qual o utilizador interage com o
sistema, sendo decisivos na forma como essa interacção se processa. Um mau
interface redundará na frustração do utilizador e na sua menor utilização do sistema. O
contrário ocorrerá com um bom interface.
4.6.1
WWW Interface
Um interface poderá ser maioritária ou totalmente constituído por texto, ou ainda,
comportar um determinado número de componentes gráficas.
Os gráficos numa interface, são responsáveis por quebrar o próprio conteúdo
denso de texto em pedaços menores, e por outro lado, fornecem associações a
elementos intuitivos e por vezes humanos (e.g. símbolos, realidades existentes e
conhecidas, pessoas). No entanto, actualmente não é aconselhável que o interface
seja na sua totalidade gráfico, pois existe uma relação directa entre a maior
componente gráfica e o maior tempo de espera de carregamento das páginas. Tal leva
a uma certa frustração por parte do utilizador, o que é de evitar.
4.6.2
Considerações na construção do interface.
Existem alguns pressupostos a considerar na concepção de interfaces genéricos e
específicos da WWW:
Necessidades dos utilizadores - Deverão ser concebidos em resposta às
necessidades destes, devendo ser realizados estudos de quais as reais necessidades
em questão (entrevistar os futuros utilizadores se necessário) e adaptar o interface em
função dos parâmetros indicativos das necessidades dos utilizadores.
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Público alvo do interface - Deverão ter em conta o público a que se dirige o interface,
não fazendo sentido conceber, por exemplo, um interface para adultos que
posteriormente será utilizado por crianças. Por outro lado, não faz sentido conceber
interfaces eminentemente textuais para crianças de pouca idade, pois certamente não
conseguirão interagir correctamente com eles.
Complexidade do material - Há que ter em conta que na biblioteca digital podem
existir materiais em formatos diferentes (e.g. vídeo, texto, som, imagens paradas,
gráficos, fórmulas, dados brutos), correspondendo a complexidades diferentes tanto na
apresentação como na manipulação por parte do utilizador.
Proporcionar feed-back eficaz - É fundamental que um interface seja capaz de
responder de forma eficaz ao utilizador. De nada serve um interface gráfico, com
analogias por ícones, por exemplo, que não conduza o utilizador às páginas
pretendidas, ou que provoque a dispersão do utilizador por páginas e páginas com
ícones similares e confusos. Um dos aspectos a contemplar na componente feed-back
é a existência de ecrãs ou de formas mais complexas de ajuda que interajam com o
utilizador sempre que necessário.
Factores psicológicos - É inequívoco que nesta matéria de interfaces, os factores
psicológicos são fundamentais. Algumas questões como a cor a utilizar, a textura dos
objectos, a disposição das imagens e ícones, o arranjo e interligação das componentes
textuais, deverão obedecer e responder a critérios de ordem psicológica.
Concepção de protótipos - É fundamental a construção de um protótipo quando se
têm ideias assentes, pois só este poderá permitir testar as reacções dos utilizadores
ao que será a futura biblioteca digital. Na posse dessas reacções e criticas, podem ser
elaboradas alternativas e efectuadas correcções desejáveis.
Especificidades da WWW – Os clientes GUI (Graphics User Interface) da Web
apresentam especificidades próprias. Toda a interacção é baseada em ligações
hipertextuais que transportam o utilizador para outro contexto. É de evitar a situação a
que se designa por "perdido no hiperespaço". Por outro lado, existem aspectos
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Computadores e Sistemas
técnicos intrínsecos à Web sendo de destacar a linguagem HTML que comporta
possibilidades e limitações próprias.
Contemplação das necessidades dos deficientes - Um interface correctamente
concebido terá necessariamente de contemplar as limitações em termos visuais, de
audição ou outros, das pessoas deficientes. Assim, entre outros, estes deverão
permitir aumento de textos automático, textos em formato áudio e eventuais
componentes da interface para permitir a interacção mínima com o utilizador
deficiente.
4.6.3
Interactividade nos interfaces WWW
Com o passar dos anos verifica-se que os utilizadores são cada vez mais
exigentes em termos de interface e o simples HTML não é suficiente para cativar os
mais exigentes. Com o surgimento de novas linguagens, torna-se possível conceber
interfaces mais sofisticadas.
De seguida listam-se algumas das linguagens mais significativas para o referido
efeito:
JavaScript - JavaScript é uma linguagem de programação interpretada desenvolvida
pela Nestcape Communications Corp. e Sun Microsystems.
Inicialmente designava-se por LiveScript. o JavaScript é muito útil na concepção de
interfaces pois possui a característica de adicionar interactividade ás páginas
concebidas em HTML. Os scripts podem ser embebidos numa página HTML entre as
etiquetas <SCRIPT> e </SCRIPT>. Qualquer browser actual permite interpretar esta
linguagem. O JavaScript permite lidar com eventos (por exemplo o preenchimento de
um formulário por um utilizador), execução do lado do cliente e estender o controlo
de quem desenvolve os scripts ao browser do cliente. O JavaScript é considerada
uma linguagem de fácil aprendizagem, tendo sido concebida com este objectivo.
JAVA - A linguagem JAVA, ao contrário do JavaScript, não é uma linguagem de
scripting. Tendo sido desenvolvida pela Sun Microsystems, é uma linguagem
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Pág. 55
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Computadores e Sistemas
revolucionária na sua essência. A ideia é que um programa em JAVA, um applet por
exemplo, seja independente da plataforma e sistema operativo em que foi concebido
e seja portável para qualquer outra plataforma e sistema operativo. Isto significa que
um programa concebido num MAC poderá ser executado num PC, bem como noutra
plataforma e sistema operativo.
As características mais importantes, para além das já referidas, são:
•
ser uma linguagem orientada a objectos;
•
a possibilidade de animar páginas HTML simples;
•
permitir adicionar interactividade;
O JAVA, no entanto, é muito mais complexo que o JavaScript. Esta complexidade
acrescida permite uma performance e outras possibilidades que o JavaScript não
contempla.
DHTML - O DHTML, ou Dynamic HTML não é ainda um standard, existindo duas
versões distintas suportadas pela Netscape e Microsoft. o DHTML oferece algumas
possibilidades de concepção e manipulação de interfaces relevantes:
lnteractividade - O DHTML permite que quando se move o rato por cima
de uma área pré-definida, por exemplo, surja um outro layer com
informação.
Esta
e
outras
possibilidades
adicionam
efectivamente
interactividade a um site;
Posicionamento de elementos - ao contrário do que vem sucedendo, os
designers têm a possibilidade de colocar exactamente conteúdos nas
coordenadas em que o pretendem fazer;
Folhas de estilo (Cascading Style Sheets) - Ao contrário do que vem
sucedendo com os designers de páginas que têm de alterar um a um os
estilos das suas diversas páginas, o DHTML permite fazê-lo apenas uma
vez com efeito em todas as páginas do site, por exemplo.
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Computadores e Sistemas
Existem diversas outras possibilidades que não se encontram ainda estabilizadas
entre a Nestcape e a Microsoft. O futuro do DHTML depende, em grande parte, da
evolução destes dois gigantes do software Internet mundial.
4.7 Tratamento da informação
As bibliotecas digitais requerem, em virtude da grande quantidade de informação
que podem armazenar, soluções de compressão. Estas soluções, visam possibilitar o
armazenamento de mais informação e terão de ser acompanhadas de procedimentos
de indexação adequados por forma a optimizar os tempos de pesquisa e acesso à
informação.
As
soluções
de
compressão
e
indexação
encontram-se,
no
entanto,
tradicionalmente em conflito com os objectivos referidos inicialmente: a necessidade
de indexação aumenta o espaço requerido para armazenamento dos índices e a
descompressão aumenta os tempos de acesso à informação.
4.7.1
Compressão
A compressão de informação (e.g. texto, imagens, áudio e vídeo) é o procedimento
pelo qual a informação é recodificada de uma forma mais eficiente, com o objectivo de
reduzir o espaço necessário em disco para ser armazenada.
Existem dois tipos principais de sistemas de compressão:
Sistemas lossy - Os dados descomprimidos são similares aos originais que foram
comprimidos, não sendo exactamente iguais. Estes sistemas aplicam-se a imagens,
vídeo e áudio.
Os standards de compressão dos sistemas lossy mais conhecidos são:
O JPEG (Joint Photographic Experts Group), para imagens paradas, e o MPEG
(Moving Pictures Experts Group), para filmes/imagens em movimento. O JPEG foi
concebido para comprimir imagens (a cores ou em escalas de cinzento) de
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Computadores e Sistemas
cenários reais e naturais, funcionando bem com fotografias, arte naturalista, e
material similar. O standard não funciona tão bem para letras, cartoons e desenhos
de linhas.
O standard explora as limitações do olho humano, especialmente o facto de
pequenas mudanças de cor não serem muito notadas. Por este facto, as suas
compressões são efectuadas para serem lidas pelo olho humano e não por
máquinas que assinalariam pequenos erros.
O JPEG apresenta ainda duas características interessantes: a possibilidade de se
variar o grau de perda, podendo fazer-se depender o tamanho dos ficheiros da
qualidade final pretendida.
O MPEG é o resultado do trabalho de um grupo de pessoas que se reúne sob a
orientação da ISO, tal como o JPEG, com o objectivo de conceber normas para
compressão de vídeo digital, áudio e dos dois em conjunto.
Em particular, o MPEG propõe um fluxo de bits de compressão, deixando os
algoritmos de compressão ao cuidado dos fabricantes.
O esquema básico a nível da compressão de vídeo digital, consiste em prever o
movimento de imagem para imagem, segundo a direcção temporal. A nível de
compressão áudio, são utilizados modelos psicoacústicos que são obtidos a partir
de experiências que visam determinar quais as "partes" de som que não ouvimos;
existem os chamados "efeitos de ocultação", que por exemplo, impedem que sejam
audíveis determinadas frequências quando em presença de outras.
Sistemas lossless - Os dados são reconstruídos exactamente como eram
originalmente. Estes sistemas lossless devem ser aplicados a dados do tipo textual e
discretos, que são dados que não admitem nenhuma alteração, pois tal pode originar
alteração de significado do contexto.
Contrariamente à situação das imagens, vídeo e áudio, para dados textuais não
existem oficialmente nenhuns normas de compressão.
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Pág. 58
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4.7.2
Computadores e Sistemas
Indexação
Para existir uma pesquisa e um acesso rápidos e eficazes, terá de ser realizada
uma indexação apropriada. Dependendo do formato dos dados, a indexação será
diferente.
Se os dados que integram uma dada colecção de uma biblioteca digital se
encontrarem em formato vídeo, existem questões específicas envolvidas. Assim, uma
das questões mais significativas reside na necessidade de, previamente, segmentar
cada vídeo em cenas mais pequenas. Realizar esta tarefa automaticamente torna-se
complexo e existe mesmo a necessidade de métricas de imagem para detectar
transições de cenas. A segmentação da componente áudio em palavras poderá ser
realizada com recurso ao reconhecimento de voz e guiões dos vídeos.
No que concerne a dados do tipo textual, o problema principal reside na
utilização de métodos elementares para a construção dos índices, o que poderá
demorar excessivo tempo. Um método para ultrapassar esta questão consiste no
seguinte: para cada documento é gerada uma lista de termos que nele ocorrem. Esta
lista é escrita para um ficheiro temporário contendo a informação da ocorrência de um
dado termo num dado documento e número de vezes em que ocorre. O conteúdo do
ficheiro temporário é ordenado por ordem crescente dos termos e de valores
crescentes de documentos. De seguida, é produzido um índice invertido pela leitura do
ficheiro temporário de forma sequencial e posterior concepção das listas invertidas
comprimidas. Quando comprimido, o índice ocupa pouco espaço. Na prática, o texto
original fica convertido num texto e índice comprimidos que conjuntamente ocupam
menos de metade do espaço ocupado originalmente.
4.7.3
Pesquisa de Informação
A pesquisa de informação basear-se-á nos tradicionais procedimentos
booleanos, nomeadamente nos operadores AND, OR, NOT, e utilização de palavraschave e termos de pesquisa.
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No caso específico das pesquisas textuais, observa-se que o processamento da
pesquisa é rápido, apesar do texto e índices se encontrarem comprimidos. Esta
rapidez decorre do facto de, para cada query, somente serem descodificadas as
necessárias partes do índice. A rapidez de descompressão é comparável aos valores
obtidos por um sistema que não utilize compressão, o que atesta a qualidade dos
métodos.
No caso de uma biblioteca digital baseada em vídeos, as pesquisas deverão
poder realizar-se com recurso a queries baseadas em textos e em características dos
vídeos. Esta última abordagem é inovadora pois o utilizador poderá pesquisar por
cores, texturas, objectos constantes das cenas, desenho de linhas e thesaurus
relacionando imagens.
A pesquisa por objectos constantes das cenas e o desenho de linhas são
abordagens particularmente interessantes. A pesquisa de objectos tridimensionais
permite introduzir um modelo a três dimensões no computador e pesquisar na base de
dados todas as cenas que incluam esse objecto, qualquer que seja a sua orientação.
No caso do desenho de linhas, é inserido para pesquisa um desenho e o computador
identificará as sequências que incluam esse desenho.
4.8 Protecção de direitos de autor
As tecnologias aqui referidas aplicam-se maioritariamente aos designados
Objectos Digitais. Um Objecto Digital define-se como sendo "uma entidade lógica ou
estrutura de dados cujas duas componentes principais são material digital ("dados")
mais um identificador único para o material e outra informação relativa aos dados
("metadados")" (Cross Industry Working Team, 1997).
Normas de metadados são muito importantes pois podem, entre outras, englobar
informação relativamente aos termos de utilização, restrições, operações permitidas, e
direitos originais de cada fonte. Obviamente que dada a diversidade de possibilidades
associadas aos metadados, deverão existir standards para os mesmos de forma a
garantir a sua utilização por diferentes sistemas. No âmbito dos Metadados, deverá
existir um identificador único. Destes destaca-se o Identificador de Objecto Digital
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Computadores e Sistemas
(IOD). O IOD é um standard internacional para a identificação de material publicado
on-line, visando a interoperabilidade entre sistemas e a coexistência com normas já
existentes. O IOD cobre os seguintes requisitos:
‰
Os identificadores deverão ser tão simples quanto possível;
‰
Deverão identificar univocamente (sem duplicações) itens do conteúdo;
‰
Poderão
existir
uma
infinidade
de
identificadores
consoante
as
necessidades;
‰
Deverá ser um "meta-esquema" recorrendo a normas já existentes (i.e.
ISBN, ISSN, BICI, SICI) bem como a URLs;
‰
Poderá ser aplicado a qualquer tipo de formato de conteúdo (i.e. Vídeo,
Áudio, material estático, serviços);
‰
Poderá cobrir objectos de diferentes dimensões (i.e. Uma obra completa,
um único parágrafo);
‰
Deverá ser independente da localização ou posse.
Destacam-se a nível dos SEGDA, a utilização das seguintes técnicas que
implementam conceitos de segurança:
‰
Encriptação - Técnicas de encriptação têm sido utilizadas ao longo dos
séculos. Na Internet, a encriptação tem vindo progressivamente a ser
adoptada por proporcionar segurança relativamente a leituras não
autorizadas. A técnica consiste basicamente na conversão de um
documento
compreensível
para
um
documento
incompreensível.
Posteriormente o SEGDA envia o documento para o destinatário, e este,
com o auxílio da chamada chave de desencriptação converte-o para o
formato original.
‰
Tecnologia Watermarking (marcas d'água) - A tradicional marca d'água
que caracterizava certos fabricantes de papel, volta a estar em voga,
sendo actualmente aplicada ao ambiente digital. As marcas d'água digitais
(visíveis ou invisíveis) aplicadas às bibliotecas digitais podem ser
utilizadas para indicar a posse da informação de duas formas:
o
Identificando de quem é originário o material (conteúdo)
o
Identificando o destinatário (biblioteca ou utilizador final) a quem o
material (conteúdo) tenha sido distribuído;
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A técnica de marca d'água do destinatário é mais utilizada pois é mais
fácil impedir deste modo a redistribuição do material.
‰
Relativamente à marca d' água que identifica de quem é originário o
material, existem duas possibilidades de aplicação com objectivos
distintos:
o
Identificação visível - permite dissuadir intenções de redistribuição
e utilização não autorizada do material;
o
Identificação não visível - permite pesquisar a Web com vista a
localizar quem distribui e utiliza o material de forma não
autorizada.
‰
Assinaturas Digitais - Fornecem indicadores de integridade seguros,
sendo pois de grande importância para os SEGDA. São geradas
usando métodos criptográficos.
‰
Autenticação - Pretende assegurar que os dados que provêm de uma
dada entidade só possam realmente ter sido originados por essa
entidade e que o conteúdo não sofreu alterações.
4.9 Sistemas de pagamento
Dispor de sistemas de pagamento eficazes e sem riscos, é uma necessidade
muito importante da gestão de informação documental. Com efeito, existe já uma
aceitação corrente de que a informação de qualidade deverá ser paga, pelo que estes
sistemas são mais do que uma necessidade; eles são uma imposição.
De acordo com diversos autores existem requisitos gerais e específicos que os
sistemas de pagamento deverão seguir por forma a serem fiáveis. Os sistemas de
pagamento podem dividir-se em três categorias:
o
sistemas de dinheiro electrónico,
o
sistemas de contas de débito/crédito
o
sistemas de cartão de crédito.
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Os Sistemas de dinheiro electrónico consistem na possibilidade de se utilizar
verdadeiro dinheiro electrónico. O valor deste sistema encontra-se na moeda
electrónica e não na possibilidade de autorização de transferências de fundos entre
consumidores e fornecedores. Basicamente, o sistema consiste no seguinte:
1. Um banco, que troca dinheiro verdadeiro por dinheiro electrónico
colocando simultaneamente uma assinatura digital para verificação;
2. Moeda electrónica, que é transferida para o cliente sob a forma de porta
moedas electrónico (cartão inteligente) ou cliente de software;
3. O cliente pode gastar o dinheiro electrónico com os fornecedores, que por
sua vez trocarão o dinheiro electrónico recebido por dinheiro real em
bancos pré-definidos.
Este sistema apresenta as vantagens seguintes:
‰
Qualquer um pode comprar e vender;
‰
Algoritmos contra a cópia das unidades monetárias e gasto acima do
permitido com registo de fraude;
‰
Utilização pelas bibliotecas, também com o intuito de obterem informação
de utilização e estatísticas.
Sistemas de contas de débito/crédito. Estes sistemas lidam com autenticação,
verificação de créditos, controlo de acessos e registo de transacções. Os seus
objectivos passam por trabalhar com protocolos abertos (possibilidade de trabalhar
com mais servidores e clientes), e trabalhar exclusivamente com bens entregues
electronicamente. O sistema divide-se em dois algoritmos de implementação. O
primeiro algoritmo realiza transacções com a seguinte sequência de acções:
1. o cliente solicita um preço ao servidor;
2. o servidor fornece um preço, autenticado com uma assinatura digital;
3. o cliente aceita a oferta com uma resposta englobando uma assinatura
digital;
4. os bens são entregues encriptados;
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5. o cliente executa um programa que gera um checksum dos bens, que é
retornado ao servidor com um acordo para pagar os bens atestando a
recepção dos mesmos;
6. o servidor recebe o checksum do cliente, verificando que o cliente
recebeu os bens em condições, e elabora uma factura para enviar ao
sistema. A factura inclui o preço original do vendedor;
7. a aceitação do consumidor;
8. checksums provando a entrega dos bens;
9. a chave criptográfica que "abre" os bens ao consumidor;
10. o sistema processa a factura e transfere o dinheiro da conta do utilizador
para a do vendedor;
11. o servidor liberta a chave para que o consumidor tenha acesso aos bens
encriptados.
Este algoritmo apresenta as seguintes vantagens:
‰
segurança das transacções efectuadas através de encriptação e
assinaturas digitais;
‰
o conteúdo das transacções não necessita de ser dado a conhecer ao
sistema;
‰
o sistema permite a utilização de pseudónimos dos clientes para não
serem conhecidos dos vendedores;
‰
os custos por transacção são muito baixos.
O segundo algoritmo parte de premissas diferentes de outros sistemas, pois
considera a possibilidade do utilizador poder ter acesso à informação antes de a pagar.
Com este sistema, já em funcionamento, o utilizador acorda uma conta com
cartão de crédito com o sistema pelo telefone. O vendedor também terá de dispor de
uma conta acordada com o sistema para efeitos de depósitos e situada num banco.
As compras de informação processam-se da seguinte forma:
1. o comprador informa o vendedor que está interessado em comprar dados,
dando-lhe o número de conta do sistema;
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2. o vendedor confere o número da conta com o sistema;
3. o vendedor envia ao comprador os dados e pede ao sistema para cobrar
ao comprador;
4. o comprador recebe os dados e verifica a sua qualidade;
5. o sistema envia um e-mail ao comprador com uma nota de venda
perguntando-lhe se pretende pagar;
6. o comprador responde ao sistema: "sim", "não" ou "fraude";
7. Se o comprador responder "sim", o cartão de crédito é debitado.
Os pontos fortes deste algoritmo são a possibilidade de se ter acesso à
informação antes de a pagar, avaliando a sua qualidade, e por outro lado, a
simplicidade do próprio sistema.
Nos pontos fracos, há a destacar o facto de não possuir uma protecção de
privacidade significativa, de não poder ser utilizado para vendas em tempo real
(sistema baseado no e-mail) e permitir que os utilizadores possam abusar do sistema,
não pagando.
Sistemas de cartão de crédito. Estes sistemas permitem transacções com
pagamento imediato entre vendedores e consumidores, através de uma instituição
financeira. As transacções são efectuadas com recurso ao cartão de crédito, sendo
objectivos do sistema, garantir a eficiência, segurança e baixo custo das transacções.
O sistema funciona de acordo com o seguinte algoritmo:
1. o cliente envia os dados do cartão de crédito, identificação do vendedor,
produto(s) que pretende adquirir e valor respectivo criptado com chave
pública ao servidor, bem como uma chave simétrica;
2. o servidor executa a transacção junto da instituição financeira;
3. o servidor transmite ao vendedor as identificações do cliente, produto a
adquirir, valor, número de transacção e a chave simétrica. Esta
informação é criptada;
4. o vendedor procede à criptagem da informação com a chave simétrica e
envia-a ao cliente;
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A vantagem deste sistema é a utilização da criptoanálise para garantir a
segurança e privacidade ao cliente.
A desvantagem reside no facto de o vendedor poder não enviar o bem e não
existir maneira de provar isso através do sistema.
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Capítulo V
Conclusões
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Devido ao crescimento explosivo da documentação, acrescido das dificuldades
económicas, as bibliotecas universitárias e municipais têm passado por períodos de gestão
difícil. Duas das funções básicas das bibliotecas correm o perigo de extinção: a
disponibilização de acesso à informação e a preservação do conhecimento para futuras
gerações. Para a biblioteca, torna-se cada vez mais difícil disponibilizar o acesso à
informação solicitada pelos utentes, devido aos custos relacionados com a obtenção de
informação. O crescente custo dos documentos é um dos entraves à aquisição; porém,
talvez o mais importante seja a explosão bibliográfica que tornou quase impossível adquirir e
encontrar espaço físico para o número de documentos necessários aos utentes da biblioteca
relacionados com as mais diferentes áreas de investigação e ensino. A explosão
bibliográfica, devido às limitações orçamentais atribuídas às bibliotecas em quase todos os
países faz com que seja impossível adquirir tudo o que se publica.
No que respeita à preservação dos conhecimentos, muitas das necessidades de
informação dos utentes não são satisfeitas exclusivamente pelas bibliotecas. Em algumas
áreas, como a informática, alguns investigadores já disponibilizam os resultados da sua
investigação na Internet, o que permite aos interessados nessa informação obtê-la sem a
participação directa da biblioteca. Alguns intermediários no fluxo da informação científica, tal
como o editor e o bibliotecário, passam a desempenhar papéis de menor importância.
O desenvolvimento de esforços no sentido de recuperar as funções básicas da
biblioteca universitária necessitarão de considerar que cada vez mais utentes resolvem as
suas necessidades de informação através da utilização das redes de comunicação. É
também inevitável que se observem os novos contornos que estão em curso no que se
refere à disponibilização de informação digital, que a criação de uma biblioteca digital é um
dos caminhos a serem seguidos para a disponibilização de recursos e para a iniciação de
projectos colaborativos de partilha dos recursos por parte dos intervenientes. É necessário
acreditar que o lugar da biblioteca digital é muito importante na sociedade de informação,
mas só é possível se existir por parte dos grupos que se identificam com determinado
assunto uma colaboração sã que permitirá o crescimento global do grupo.
Biblioteca digital tem sido um tema cada vez mais discutido nas literaturas de ciência
da informação e de informática. Ao mesmo tempo, dezenas de projectos de implementação
estão em andamento em diversos países, nomeadamente nos Estados Unidos, Europa, etc.
Esses projectos de bibliotecas digitais entrarão em produção nos próximos anos, portanto,
dentro em breve, entraremos numa fase híbrida, convivendo com a biblioteca tradicional que
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conhecemos e com a biblioteca digital. Para que essa transição seja feita com sucesso,
alguns componentes prioritários são necessários:
‰
Colecção básica. Existe, no momento, uma tendência quase generalizada de
redução no número de assinaturas de periódicos e, ao mesmo tempo, um
incremento nas transações de informação bibliográfica. As monografias sob a forma
digital e em texto completo ainda são escassas e/ou caras para comprar ou alugar.
Portanto, por algum tempo, as necessidades dos utentes ainda serão satisfeitas com
as monografias impressas. Assim, a colecção básica continuará a ser uma
componente importante nos próximos anos. O melhor complemento ao uso de fontes
remotas para artigos de periódicos é a colecção local. Além disso, será útil ter uma
pequena colecção de periódicos.
‰
Infra-estrutura electrónica. Aqui incluem-se os equipamentos e programas
relacionados com a conectividade à rede local e à Internet. A conectividade
permanece como factor crucial para o perfeito desempenho das funções da
biblioteca.
‰
Acesso remoto aos documentos. O aumento da velocidade de transmissão de dados
e o crescimento de acervos digitais disponíveis na Internet facilitam a rápida
identificação e acesso ao texto integral do documento. Existe um custo associado ao
pedido de artigos resultante do tempo de pesquisa e da operação de download. O
dinheiro gasto com a encomenda de artigos é relevante; porém, uma boa maneira de
avaliar a importância dos gastos é compará-los com os custos da assinatura de
periódicos.
‰
Equipe treinada. O novo ambiente digital irá exigir da biblioteca universitária uma
equipa bem treinada no uso dos diversos equipamentos e programas. Além disso,
serão também importantes o conhecimento de língua estrangeira (principalmente a
inglesa) para compreender sítios (sites) no exterior e facilitar nos procedimentos de
sintaxe utilizada para a pesquisa, identificação das fontes relevantes e rápida
decisão a respeito do pedido electrónico dos documentos. O ambiente bibliotecário
nessa era digital, será, inevitavelmente, cada vez mais internacional. Vale destacar
também que, nesse novo ambiente, o utente e a equipa terão mais contactos do que
na biblioteca tradicional. O utente necessita saber e/ou aprovar os custos envolvidos
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com o download de documentos digitais, portanto a equipa deverá estar mais
preparada para um envolvimento com o utente.
Foram vistos até agora diversos aspectos relacionados com a tecnologia da
informação e as implicações na biblioteca universitária. Entretanto, um aspecto importante
faltou nessa discussão: o utente da informação, seja ela digital ou não. O que o utente quer?
A resposta é simples: informação rápida e relevante. Relevante, em primeiro lugar, e rápida,
se possível! Tradicionalmente, os bibliotecários têm de se preocupar mais com a entrada da
informação, de forma simplificada no sistema (catalogação e classificação, por exemplo) do
que com a avaliação mais analítica e depurada da informação. As bibliotecas, tradicionais
ou digitais, ainda não possuem instrumentos que informem o nível intelectual do conteúdo e
a perfeita escolha de “palavras chave” para o documento. Espera-se que a biblioteca digital
dos próximos anos possa incorporar a possibilidade de o utente escolher o nível de
conteúdo da informação, bem como o contexto no qual o mesmo pretender aplicá-la.
Relativamente ao espaço físico e ao contrário das bibliotecas universitárias
tradicionais,
as
bibliotecas
digitais
não
se
localizam
num
determinado edifício.
Provavelmente muitas salas identificadas como bibliotecas departamentais irão desaparecer
do campus. Outras irão sobreviver devido às necessidades específicas da área em questão.
A informação torna-se cada vez mais digital, mas as pessoas não! “Elas precisarão de um
lugar para estudo e reflexão. Um lugar para aprenderem a ser indivíduos, e não apenas
parte de uma massa” (Myers, 1994). A biblioteca digital está na sua fase inicial, como tal,
deve ser estudada, entendida e aperfeiçoada. Entender todas as implicações da Biblioteca
Digital é tarefa essencial para todos bibliotecários e outros profissionais da área de
informação.
Gostaria de terminar esta conclusão com uma citação de Nelson Jackson que elucida
sobre a necessidade das instituições aderirem a esta causa chamada “Biblioteca Digital”:
“I do not believe you can do today’s job with yesterday’s methods and be in business
tomorrow” (Nelson Jackson).
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Computadores e Sistemas
Casos Práticos
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Computadores e Sistemas
Projecto pioneiro de biblioteca digital na Alemanha.
URL: http://www.forwiss.tu-muenchen.de/~vd17
Projecto de biblioteca digital da Parliamentary Library. – Austrália
URL: http://www.aph.gov.au/
Projecto de biblioteca digital da Curtin University. – Austrália
URL: http://www.curtin.edu.au/curtin/library
Biblioteca digital de documentos em multimédia. - Canadá
URL: http://sirs.scg.ulaval.ca/
Cornell Digital Library Web Interface. - EUA
URL: http://OITNET.CIT.CORNELL.EDU:80
Digital Library Collection – Library of Congress. - EUA
URL: http://lcweb.loc.gov/homepage/digital.html
Emory University. Virtual Library Project - EUA
URL: http://www.emory.edu/VL/vlhome.html
National Aeronautical and Space Agency (Nasa) - EUA
Digital Library Tecnology (DLT)
URL: http://dlt.gsfc.nasa.gov/
Stanford University. Digital Libraries Project. - EUA
URL: http://www-diglib.stanford.edu/diglib/
University of California, Berkeley. Digital Library Project - EUA
URL: http://sunsite.berkeley.edu
University of California, San Francisco - EUA
URL: http://www.library.ucsf.edu/
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Pág. 72
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Computadores e Sistemas
University of Pittsburgh.Electronic Text Project - EUA
URL: http://stirner.library.pitt.edu/
Yale University. Project Open Book. - EUA
URL: http://www.library.yale.edu/pres/pobweb.html
Bibliothèque Publique d’Information (BPI) - França
URL: http://www.bpi.fr
- Japão
URL: http://www.dl.ulis.ac.jp/
New Zealand Digital Library
URL: http://timeframes.natlib.gov.nz/
Edinburgh Engineering Virtual Library (EEVL) - Inglaterra
URL: http://www.eevl.ac.uk/
Electronic Libraries Programme (eLib) - Inglaterra
URL: http://ukoln.bath.ac.uk/elib/intro.html
Enciclopédia britânica - Inglaterra
URL: http://www.britannica.com
European Legislative Virtual Library (ELVIL) - Escócia
URL: http://www.sub.se/sam/elvil.htm
Internet Public Library
URL: http://www.ipl.org
Biblioteca Nacional – Portugal
URL: http://www.bn.pt
URL: http://dited.bn.pt
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Computadores e Sistemas
Bibliografia
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Pág. 74
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Computadores e Sistemas
Monografias
The Digital Library Toolkit
Second Edition
March 2000
Sun MicroSystems
URL: http://www.sun.com/edu
Bonnie A. Nardi and Vicki L. O’Day
Information Ecologies: Using Technology with Heart
Second Printing, 1999
The Mit Press
URL: http://mitpress.mit.edu
José Luis Brinquete Borbinha
BIBLIOTECAS DIGITAIS: O FUTURO ATRAVÉS DA BIBLIOTECA TRADICIONAL
Dissertação para a obtenção do Grau de Doutor
Outubro de 2000
Universidade Técnica de Lisboa: Instituto Superior Técnico
Periódicos
Computers in libraries. Medford: Information Today
ISSN 1041-7915
URL: http://www.infotoday.com/
D-lib Magazine. Reston (VA): Corporation for National Research Institute (CNRI),
ISSN 1082-9873
URL: http://www.dlib.org
URL: http://www.cnri.reston.va.us/home/dlib.html
Diginews. v. 1 –, April 1997URL: http://www.rlg.org/preserv/diginews
Initiatives in Digital Information. Ann Arbor(MI): University of Michigan, Digital
URL:http://www.lib.umich.edu/libhome/IDINews/
International Journal on Digital Libraries. Berlin: Springer Verlag
ISSN 1432-1300 (em linha).
URL: http://link.springer.de
Artigos
Benton Foundation
Buildings, Books and Bytes: Libraries and Communities in Digital Age
Library Trends
Vol. 46 Nº 1
1997
pp. 178-223
Instituto Superior de Engenharia do Porto
Pág. 75
Projecto da Licenciatura em Engenharia Informática
Computadores e Sistemas
Nick Joint and Derek Law
The Electronic Library: a review
MCB University Press
Vol. 49 Nº 9
2000
pp. 428-435
Paulo Ferreira
Influência das Tecnologias na Acessibilidade
Colóquio “Biblioteca e Novas Tecnologias”
Lisboa – 2000
Laverna M. Saunders
The Human Element in the Virtual Library
Library Trends
Vol. 47 Nº 4
1999
pp. 771-787
Hyun-Hee Kim and Chang-Seok Choi
XML: how it will be applied to digital library systems
MCB University Press
Vol. 18 Nº 3
2000
pp. 183-189
R.K. Sharma and K.R. Vishwanathan
Digital Libraries: development and challenges
MCB University Press
Vol. 50 Nº 1
2001
pp. 10-15
Kate Bloor
Scientific electronic publishing: European policy strategies
MCB University Press
Vol. 49 Nº 6
2000
pp. 277-285
David Barber
Building a Digital Library: Concepts and Issues
1996
Library Technology Reports
pp. 573-738
Instituto Superior de Engenharia do Porto
Pág. 76
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Capítulo I Introdução - Departamento de Engenharia Informática