UNIJUI – Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Departamento de Humanidades e Educação
Curso de Geografia
PAULO ROBERTO SANTOS MACHADO
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO: O ESPAÇO SIDERAL
IJUÍ / RS
2011
PAULO ROBERTO SANTOS MACHADO
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO: O ESPAÇO SIDERAL
Monografia apresentada ao curso de
Geografia da Universidade Regional do
Noroeste do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ,
como requisito parcial para a obtenção do
título de Licenciado em Geografia
Orientador: Msc. Mario Amarildo Attuati
IJUÍ / RS
2011
"Estamos irrevogavelmente em um caminho
que nos levará às estrelas. A não ser que,
por uma monstruosa capitulação ao egoísmo
e à estupidez, acabemos nos destruindo.”
Carl Sagan
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 6
Capítulo 1 - AS BASES DA OCUPAÇÃO ESPACIAL................................................................................ 8
1.1. MODELOS DA TERRA: O GEOCENTRISMO E O HELIOCENTRISMO .............................................. 9
1.2. ESPAÇO SIDERAL OU ESPAÇO EXTERIOR ................................................................................... 10
1.3. ÓRBITAS TERRESTRES ................................................................................................................ 11
1.3.1.
ÓRBITA TERRESTRE INFERIOR ....................................................................................... 12
1.3.2.
ÓRBITA TERRESTRE MÉDIA............................................................................................ 12
1.3.3.
ÓRBITA TERRESTRE ALTA .............................................................................................. 12
Capítulo 2 - A EXPLORAÇÃO ESPACIAL ............................................................................................. 13
2.1. A CORRIDA ESPACIAL................................................................................................................. 14
2.2. A NOVA ERA DA EXPLORAÇÃO ESPACIAL .................................................................................. 15
2.3. A TERRITORIALIZAÇÃO DO ESPAÇO SIDERAL ............................................................................ 18
2.3.1.
O DIREITO ESPACIAL ...................................................................................................... 18
2.3.2.
POLÍTICA ESPACIAL BRASILEIRA .................................................................................... 20
Capítulo 3 - A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO SIDERAL .............................................................................. 22
3.1. UTILIZAÇÃO DE SATÉLITES ARTIFICIAIS ..................................................................................... 23
3.2. O LIXO ESPACIAL........................................................................................................................ 27
3.3. O TURISMO ESPACIAL ............................................................................................................... 29
3.4. MINERAÇÃO E AGRICULTURA ESPACIAL ................................................................................... 30
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................... 33
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 34
R
ESUMO
Uma vez que sofra a intervenção humana, apresente as marcas dessa atuação e
organização, o espaço surge como espaço geográfico. Na era das grandes
navegações, quando novos mundos foram descobertos, coube à Geografia papel
importante no entendimento desses novos territórios, sua ocupação e exploração.
Com o início da corrida espacial, na década de 60 do século XX, o Homem começa
a dar os primeiros passos para o domínio do espaço sideral. Os subsídios técnicocientíficos para esta ocupação são fornecidos pela Astronomia. É ela a base do
conhecimento para colocar em órbitas próximas à Terra os satélites artificiais,
estações espaciais e, em um futuro próximo, enviar missões tripuladas a novos
planetas. O espaço sideral passa a apresentar marcas da ocupação humana,
tornando-se assim, espaço geográfico e, novamente, caberá à Geografia papel de
destaque na análise desta ocupação. Este trabalho busca contextualizar a conquista
espacial a partir do início da corrida espacial até a atual concepção, a qual considera
a exploração espacial como projeto para a humanidade, com estreita colaboração
entre as dezenas de Agências Espaciais espalhadas pelo mundo; identificar os
países que estão na liderança e analisar a posição do Brasil neste processo e, para
finalizar, pretende identificar os primeiros impactos da exploração espacial nas áreas
político-sociais, econômicas e ambientais, tratando a indústria, o turismo, o lixo, a
agricultura e a mineração espaciais, os acordos sobre a territorialidade do espaço
sideral.
6
I
NTRODUÇÃO
As grandes navegações dos séculos XV e XVI ampliaram o objeto de
estudo geográfico e foram feitas usando a Astronomia que, com seu conhecimento
da dinâmica da esfera celeste e dos instrumentos para a medição e posições dos
astros, dava aos navegadores condições de orientação em alto mar onde outros
referenciais não haviam. Com o início da corrida espacial, na década de 60 do
século XX, o Homem começa a dar os primeiros passos para o domínio do espaço
sideral. Assim como as do passado, as navegações para a Lua e as planetárias
fazem uso dos subsídios técnico-científicos fornecidos pela Astronomia. A
Astronáutica detém a base do conhecimento para colocar em órbitas próximas à
Terra os satélites artificiais, as estações espaciais e, em um futuro próximo, enviar
missões tripuladas a novos planetas. A humanidade começa a apropriar-se do
espaço sideral, modificando-o e deixando nele as marcas da sua atividade.
Novamente com apoio da Astronomia, mais especificamente pela Astronáutica,
amplia-se o objeto de estudo geográfico.
Mais do que buscar as relações entre Geografia e Astronomia e buscar
na Astronáutica temas que possam ser estudados pela Geografia, este trabalho
objetiva mostrar que a ocupação do espaço sideral é, ela própria, objeto de estudo
da Geografia. A atividade humana no espaço sideral inclui-se em áreas do
conhecimento Geográfico – da Geografia da Indústria, da Geografia Econômica, da
Geografia Política, meio ambiente, turismo.
Esta pesquisa foi desenvolvida em três capítulos. No primeiro capítulo,
se faz uma breve revisão sobre os conceitos fundamentais para o lançamento dos
primeiros artefatos ao espaço. Estas informações fazem parte dos conhecimentos
básicos da Astronomia e contam com extensa bibliografia, fazendo parte, inclusive,
de livros didáticos de Geografia do ensino fundamental. No capitulo dois, é feita uma
contextualização histórica da exploração espacial, iniciando com a corrida espacial,
7
durante a Guerra Fria, avançando até a nova fase da exploração espacial deste
início do século XXI. A questão da territorialização do espaço sideral, com
abordagens relativas ao Direito espacial e à política espacial brasileira é tratada
também neste segundo capítulo. A conquista espacial encontra farta literatura e a
internet conta com milhares de sites, excelentes fontes de pesquisa. No último
capítulo, é feita uma análise das questões tecnológicas, econômicas, ambientais,
relacionadas ao uso dos satélites artificiais, das questões do lixo espacial, do
turismo espacial e da possibilidade futura da agricultura espacial e da mineração de
corpos celestes. Há menos livros disponíveis tratando destes assuntos, sendo que a
maior fonte de informações faz parte de periódicos, revistas e jornais que foram
consultados na internet.
8
C
apítulo 1 - AS BASES DA OCUPAÇÃO ESPACIAL
O céu desde sempre foi objeto de fascínio do homem. As últimas cinco
décadas foram pródigas no desenvolvimento da tecnologia espacial que já nos
permite a ocupação do espaço sideral próximo e poderá, um dia, levar a
humanidade a ocupar novos planetas. Mas nem sempre se teve o mesmo
entendimento que, hoje, norteia nossas pesquisas e conhecimentos sobre o
funcionamento do Universo. Antes da invenção do telescópio, quando o Homem
ainda estava limitado a observar o que os seus olhos podiam ver, antes da era
“moderna” da Astronomia, os conceitos e teorias sobre o Universo eram fortemente
ligados aos mitos e à religiosidade.
9
1.1. MODELOS DA TERRA: O GEOCENTRISMO E O HELIOCENTRISMO
Conforme Souza (2007), o Geocentrismo, modelo em que a Terra
estava no centro de tudo, com o Sol e os planetas presos a esferas de cristal
girando à sua volta, vigorou por muitos séculos. Dos vários modelos criados com
base no Geocentrismo, o de Cláudio Ptolomeu foi o mais completo. Sua proposta
era bastante convincente e era suficiente para atender às necessidades da época.
Para ele, a Terra estava no centro, e a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas estavam
colocados à sua volta em conformidade com o tempo que cada astro demorava a
dar uma volta na esfera celeste. Assim, a primeira esfera era a da Lua. Logo a
seguir, a esfera do Sol. Depois, vinham as cinco esferas dos cinco planetas
conhecidos (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno). Na última esfera, vinham as
estrelas “fixas”. Eventualmente, pequenas inconsistências surgiam. Por vezes, os
planetas diminuíam a velocidade do seu movimento, chegando a parar e mover-e
para trás numa inexplicável “laçada” no céu. Num esforço para justificar estes fatos,
foram criados os epiciclos 1 que justificavam os movimentos estranhos. Quando
mesmo isso não era suficiente, novos epiciclos eram adicionados, até que a reação
do astro fosse aquela esperada.
Apesar de inconcebível à teologia de então, havia quem afirmasse que
era o Sol, e não a Terra, o centro do Universo. Nicolau Copérnico foi o primeiro a
publicar, em 1543, a teoria do Heliocentrismo, um sistema em que o Sol estava no
centro de tudo. Observações mostravam que não eram necessários os complicados
epiciclos para justificar os movimentos dos planetas, se o Sol estivesse no centro do
sistema. Essa idéia não foi aceita até 70 anos depois da publicação de Copérnico,
quando Galileu passou a fazer observações do céu com uma luneta e percebeu o
movimento em torno de Júpiter de seus quatro maiores satélites, movimentos que
contradiziam as bases do Geocentrismo. Ao mesmo tempo, Johanes Kepler deu
fundamentação matemática às conclusões de Galileu.
Segundo Costa (2004), Johanes Kepler (1571-1630) é um dos grandes
nomes da astronomia. pastor luterano, direcionou o seu grande conhecimento
1
pequeno círculo imaginário da esfera celeste, cujo centro se encontra na circunferência de um outro círculo
maior, ou seja é um círculo que um astro supostamente descrevia em torno de um ponto, o qual, por sua vez,
descrevia um outro círculo em torno da Terra, chamado deferente, ou, às vezes, em torno do centro de outro
epiciclo.
10
matemático para a Astronomia. Em 1600, vai trabalhar como assistente do famoso
astrônomo Tycho Brahe, de quem acabou herdando anotações de dezenas de anos
de observações atentas, que originaram os mais completos e confiáveis dados
referentes aos movimentos de estrelas e planetas. Partidário da teoria herética do
Heliocentrismo de Copérnico, Kepler utilizou as anotações de Tycho para definir o
que ficou conhecido como “Leis de Kepler sobre o Movimento Planetário”. São
três leis que mostram que os planetas movem-se em padrões previsíveis e
baseados em princípios matemáticos. Combinando estes princípios como a teoria de
Copérnico, chegou a fazer previsões com grande grau de precisão sobre a futura
posição dos planetas. A publicação do seu trabalho, em meados de 1650, fez com
que o Geocentrismo de Ptolomeu desse lugar ao Heliocentrismo de Copérnico.
Ainda conforme Costa (2004), Isaac Newton foi o primeiro a explicar a
causa do movimento dos planetas em torno do Sol como sendo a mesma que nos
mantém presos á Terra – a Gravidade. Segundo Newton, “todos os objetos do
Universo atraem todos os outros objetos com uma força direcionada ao longo da
linha que passa pelos centros dos dois objetos, e que é proporcional ao produto de
suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da separação entre os dois
objetos”. A Lei da Gravitação Universal publicada por Newton no seu Principia
Mathematica é a base da exploração espacial.
1.2. ESPAÇO SIDERAL OU ESPAÇO EXTERIOR
A Terra, o terceiro planeta a partir do Sol, está envolvida por gases
insípidos, incolores e inodoros, presos à sua superfície pela força da gravidade – a
atmosfera. A atmosfera terrestre está dividida em cinco camadas: a) Troposfera,
onde acontecem praticamente todos os fenômenos meteorológicos, com média de
12 km de espessura; b) Estratosfera, onde circulam a maioria dos aviões a jato e
onde está a camada de Ozônio, atingindo até 50 km de altitude; c) Mesosfera, onde
se dá a combustão dos meteoróides, entre 50 a 85 km de altitude; d) Termosfera, de
100 a 900 km de altitude, é onde orbitam os satélites artificiais; e) Exosfera, acima
da Termosfera, confundindo-se com o espaço exterior.
11
O limite onde os efeitos atmosféricos são notáveis fica em torno de 120
km de altitude. Recentemente cientistas canadenses, após experimentos baseados
em medições dos efeitos nos ventos da alta atmosfera causados pelos fluxos de
energia das partículas vindas do espaço, afirmaram que a fronteira do espaço se
encontra a exatamente 118 km de altitude (figura 1).
Figura 1 – Fronteira do espaço
Disponível em:
http://www.apolo11.com/spacenews.php?titulo=Cientistas_determinam_com_precisao_a_Fronteira
_do_Espaco&posic=dat_20090413-091920.inc – acesso em 06/11/2011
1.3. ÓRBITAS TERRESTRES
Órbita é definida pela trajetória fechada (circular ou elíptica) que
qualquer objeto descreve em torno de um astro. O experimento mental elaborado
por Newton demonstra a relação da força gravitacional com as órbitas planetárias
bem como de qualquer outro objeto. Um objeto que alcance a velocidade de pouco
mais de 11,26 km/s (aproximadamente 40.536 km/h), mesmo sendo continuamente
desacelerado pela gravidade da Terra, será capaz de escapar dela. Para que este
objeto mantenha-se em órbita ao redor do planeta, ele precisará atingir altitudes tais
que velocidade e força gravitacional fiquem equilibradas. Para colocar um satélite
em órbita ao redor da Terra, a uma altitude de 322 km, por exemplo, deve-se
12
impulsioná-lo a uma velocidade de aproximadamente 28.962 km/h. O satélite cairá
continuamente rumo à Terra atraído pela força da gravidade, mas a superfície curva
do planeta não permitirá sua aterrissagem. O satélite estará sempre caindo e
sempre “errando” a Terra.
1.3.1. ÓRBITA TERRESTRE INFERIOR
Órbita entre 350 km e 5 mil km de altitude. É onde ocorre a maioria das
missões tripuladas do Programa Espacial. Abriga o telescópio espacial Hubble e a
Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). O sistema de satélites de
órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês) ocupa uma altitude entre 600 e 2 mil
km e é utilizado para telefonia por satélite, sistemas de comunicação pessoais
móveis e tráfego de voz.
1.3.2. ÓRBITA TERRESTRE MÉDIA
Localiza-se acima da órbita terrestre inferior, de 10 a 20 mil km acima
da Terra. O sistema de satélites de órbita terrestre média (MEO, na sigla em inglês)
não mantém uma posição fixa em relação à superfície terrestre. O sistema MEO
exige uma maior quantidade de satélites para obter uma cobertura total do globo e
são utilizados para navegação.
1.3.3. ÓRBITA TERRESTRE ALTA
Localizada de 25 a 55 mil km acima do nível do mar. Na Astronáutica é
conhecida como órbita síncrona geoestacionária (OSG). Nela se concentram as
aplicações comerciais do sistema de satélites de órbita geossíncrona (GEO, na sigla
em inglês). Os satélites GEO orbitam sobre o equador terrestre, a 35 mil km de
altura e tem um período orbital de 24 horas, o que os mantém sempre em uma
mesma posição em relação à superfície.
13
C
apítulo 2 - A EXPLORAÇÃO ESPACIAL
A história da Astronáutica, a ciência da exploração espacial, tem início
no período da II Grande Guerra, quando das primeiras experiências com os foguetes
V-1 e V-2 desenvolvidos pelos alemães como novas armas de guerra. No pósguerra, Estados Unidos da América (EUA) e União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas (URSS) disputam a hegemonia política, econômica e militar mundial. O
período histórico que ficou conhecido como a Guerra Fria – a paz armada – foi de
grande
desenvolvimento
tecnológico,
notadamente
nos
setores
energético,
comunicações e tecnologia espacial. Criados durante a corrida armamentista entre
soviéticos e americanos, os grandes mísseis balísticos intercontinentais foram
construídos com base nos foguetes V-2 e são considerados os precursores dos
foguetes de lançamento de satélites, sondas e naves espaciais que viabilizaram as
primeiras atividades espaciais.
14
2.1. A CORRIDA ESPACIAL
Durante a Guerra Fria, como uma forma de mostrar ao mundo qual o
melhor sistema – se o capitalismo americano ou o socialismo soviético – as duas
superpotências desencadearam uma acirrada disputa pela conquista do espaço.
Durante esta fase, que ficou conhecida como a “corrida espacial”, os primeiros
satélites foram colocados em órbita, o homem chegou à Lua, sondas foram lançadas
para a exploração do sistema solar, surgiram os veículos espaciais reutilizáveis e as
estações espaciais.
Em outubro de 1957 o mundo passou a receber os primeiros sinais do
satélite artificial Sputnik, colocado em órbita pelos soviéticos que, contra todas as
pressuposições americanas, saíram na frente. Em 3 de novembro de 1957, à bordo
da espaçonave Sputnik II, a cadela russa Laika tornou-se o primeiro ser vivo a
chegar ao espaço.
No ano seguinte, os EUA lançam o seu satélite artificial, o
Explorer I, transportando vários aparelhos de pesquisa. Em 1959 a URSS inicia o
projeto Luna e obtém as primeiras fotos da superfície lunar. Os soviéticos fizeram
também o primeiro vôo tripulado por um humano. Em 1959, a bordo da nave Vostok,
o russo Yuri Gagarin orbitou a Terra e proferiu a famosa frase “a Terra é azul!”. O
astronauta americano John Glenn faz o primeiro vôo dos EUA ao redor da Terra em
1962. Neste ano a Agência Espacial Americana (NASA, na sigla em inglês) começa
o seu projeto de colocar um homem na Lua. Em 20 de julho de 1969, com
transmissão pela televisão, os astronautas estadunidenses Edwin Aldrin Jr., Neil
Armstrong e Michael Collins, tripulantes da nave espacial Apollo XI, atingiram o solo
lunar, fato marcado pela frase de Neil Armstrong “Este é um pequeno passo para um
homem, mas um grande salto para a humanidade”.
A corrida espacial chega ao fim em 1975, com o projeto cooperativo
Apollo-Soyuz, símbolo de uma flexibilização parcial das relações tensas entre a
URSS e os EUA. Em 1989, a derrubada do Muro de Berlim foi o ato simbólico que
marcou o fim da Guerra Fria. A exploração espacial perde, então, bastante do seu
cunho político / militar e passa a ser prioritariamente científica e tecnológica. A
motivação política era a garantia dos pesados investimentos públicos necessários
para os projetos da conquista do espaço. No atual mundo multipolarizado e
15
globalizado, as principais Agências Espaciais lidam com cortes radicais nos seus
orçamentos e temem pela continuidade dos seus programas espaciais.
2.2. A NOVA ERA DA EXPLORAÇÃO ESPACIAL
Os anos pós Guerra Fria foram pouco produtivos para a Astronáutica.
A recessão econômica afetou seriamente as grandes potências mundiais, forçandoas a revisões dos seus planejamentos estratégicos, reduzindo a prioridade da
competição espacial.
No final do século XX, os principais programas espaciais (quadro 1)
procuram na cooperação internacional e no apoio do capital privado a redução de
custos, como alternativas ao simples cancelamento de projetos. Os maiores
destaques do período de parcerias são a ISS, o telescópio espacial Hubble, a
exploração não tripulada de Marte e a entrada da iniciativa privada na disputa pelo
mercado espacial, principalmente do turismo.
Quadro 1 - Principais Agências Espaciais
PAÍS
AGÊNCIA
EUA
NASA - National Aeronautics and Space Administration
FRANÇA (sede)
ESA – European Space Agency
5,4 bilhões
RÚSSIA
RKA - Russian Federal Space Agency
3,8 bilhões
FRANÇA
CNES - Centre National d'Études Spatiales
2,8 bilhões
JAPÃO
JAXA - Japan Aerospace eXploration Agency
2,4 bilhões
ALEMANHA
DLR - Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt
2,0 bilhões
CHINA
CNSA - Chinese National Space Administration
1,3 bilhões
ÍNDIA
ISRO - Indian Space Research Organization
1,2 bilhões
ITÁLIA
ASI - Agenzia Spaziale Italiana
REINO UNIDO
BNSC - British National Space Centre
400 milhões
BRASIL
AEB – Brazilian Space Agency
343 milhões
Fonte: sites oficiais das agências espaciais – acesso em novembro/2011
ORÇAMENTO (US$)
18,7 bilhões
1 bilhão
16
O crescimento da dívida pública dos EUA no final do século passado
acarreta o declínio do programa espacial americano. A NASA, após cinco décadas,
se vê sem condições próprias de enviar homens ao espaço. Após a missão Atlantis
STS-135, em julho de 2011, último vôo de um ônibus espacial, os EUA passam a
contar com a cooperação dos russos para viajar à ISS a bordo das naves Soyuz.
Projetos americanos mais ousados, como a construção de uma base na Lua ou uma
missão
tripulada
à
Marte,
continuam
na
pauta,
mas
os
investimentos
governamentais são cada vez menores. Para os demais governos é igualmente
grande a dificuldade em justificar os valores envolvidos na exploração espacial.
Ainda que os benefícios já obtidos pelo desenvolvimento da tecnologia espacial
sejam indiscutíveis, a expansão da conquista do espaço e a continuidade das
agendas dos programas espaciais governamentais são assuntos de debates
acirrados em todo o mundo. As sociedades questionam os investimentos em
atividades espaciais sendo que existem tantos outros problemas que precisariam da
atenção dos governantes, como a fome na África, para citar apenas um. Mesmo
entre os especialistas existem divergências, por exemplo, quanto aos benefícios da
expedição tripulada à Marte, e nem mesmo a construção da ISS tem a aprovação
unânime por parte dos cientistas.
A dinâmica no setor espacial do ocidente é cada vez mais dependente
do setor privado. A exploração espacial movida pelo setor privado adquire um ritmo
cada vez mais célere. Diversas empresas estão empenhadas em projetos visando
lançadores de satélites e astronautas e os vôos suborbitais com espaçonaves
reutilizáveis. O mercado em disputa é, principalmente, o turismo espacial, mas os
governos também esperam poder usufruir do desenvolvimento de alternativas
tecnológicas mais baratas de exploração espacial. Em junho de 2011, a SPACEX
tornou-se a primeira empresa do setor privado a construir um foguete com
capacidade de levar astronautas ao espaço – o Falcon 9 com a cápsula Dragon. A
companhia americana Virgin Galactic é a primeira agência de viagens espaciais,
dispondo de uma espaçonave reutilizável para vôos suborbitais, a SPACESHIPONE.
A Bigelow Aerospace trabalha para finalizar um projeto de estações espaciais mais
econômicas com base em módulos infláveis. A Galactic Suite Limited anuncia sua
pretensão em investir somas consideráveis na construção de um hotel espacial.
17
Evidentemente, o capital privado visa rentabilidade financeira em
projetos de curto prazo. A agenda espacial para 2011 – 2020 (quadro 2) mostra
atividades de empresas privadas com missões equivalentes às dos programas
espaciais das principais Agências Espaciais.
Quadro 2 – Agenda Espacial para 2011-2020
AGÊNCIAS
NASA
MISSÃO
Sonda Dawn – visita de um ano ao asteróide Vesta
Jul / 2011
Sonda Juno - exploração de Júpiter
Ago / 2011
Sonda Grail – retorno americano à Lua
Out / 2011
Mars Science Laboratory (Curiosity) – procura de evidências de vida
microbiana em Marte
Nuclear Spectroscopic Telescope Array - procura por buracos
negros, explosões de supernovas e estudo de galáxias distantes
NASA/ESA/CSA
NASA/ESA
DATA
Nov / 2011
Fev / 2012
Sonda Maven – estudo da atmosfera da Marte
Nov / 2013
James Webb Space Telescope – sucessor do telescópio Hubble
2018
Mars Sample Return Mission – coleta de amostras do solo de Marte
2018
Europa Jupiter System Mission – exploração dos satélites de Júpiter
com foco em Europa e Ganymede
2020
ESA
Gaia – câmera digital para mapeamento da Via Láctea
2013
ESA/JAXA
BepiColombo – exploração do planeta Mercúrio
2014
Luna-Grunt – coleta de material do solo lunar
2014
Venera-D – pesquisa do planeta Vênus
2016
ROSCOSMOS
ROSCOSMOS
Chandrayaan-2 – sonda para testes de novas tecnologias e
ISROS
condução de novos experimentos
ISROS
ISRO Orbital Vehicle – missão indiana tripulada ao espaço
CNSA
CNSA
CNSA
CNSA
SpaceDev
Space X
Laboratório Espacial Chinês – módulo I – módulo teste para
construção de uma estação espacial
Laboratório Espacial Chinês – módulo II – segundo módulo teste
para construção de uma estação espacial
Laboratório Espacial Chinês – módulo III – terceiro módulo teste para
construção de uma estação espacial
Estação Espacial Chinesa - início da construção
Dream Chase – veículo comercial capaz de levar carga e
astronautas à ISS
Falcon Heavy – foguete comercial com o dobro da capacidade de
carga dos desativados ônibus espaciais americanos
2014
2016
Out / 2011
2013
2015
2020
2014
2013
Fonte: Revista Veja - http://veja.abril.com.br/infograficos/missoes_futuras/ - acesso em Nov/2011
18
2.3. A TERRITORIALIZAÇÃO DO ESPAÇO SIDERAL
Na liderança do setor espacial, tanto na área militar como no mercado
comercial de serviços de satélites ou de lançamentos desde o fim da Guerra Fria,
estão os Estados Unidos. Este domínio se deve também aos tratados que
restringem a transferência de conhecimento, tecnologia, produtos e componentes
que podem ser usados tanto para lançamento de satélites quanto para uso com
armamento nuclear. O Brasil é um dos países que se ressente dos embargos
impostos ao seu programa espacial, ainda que o mesmo seja declaradamente
pacífico. Outros países, no entanto, passam a despontar no setor devido ao
desenvolvimento de suas tecnologias espaciais. Em destaque, o caso da China, que
em 2003 colocou um homem em órbita e em 2008 realizou uma caminhada no
espaço. Os chineses estão em avançado processo de criar sua própria estação
espacial e buscam, em breve, fincar a bandeira chinesa na Lua. Também a Índia
surge no cenário da exploração espacial, tendo concluído com sucesso uma missão
não tripulada à Lua e, até 2012, pretende colocar um astronauta no espaço.
Uma nova corrida espacial se anuncia. O espaço é um ativo estratégico
e o acesso ao ambiente espacial é essencial não só para elevar a influência de um
país, mas também porque os produtos espaciais estão entre os de maior valor
agregado no mercado mundial. O espaço tem, cada vez mais, potencial para
embates e conflitos entre as nações.
2.3.1. O DIREITO ESPACIAL
Tratar das situações de conflitos de interesses, tanto de ordem interna
como internacional são de responsabilidade do Direito. A partir do lançamento do
Sputnik, em outubro de 1957, a questão da regulamentação do espaço sideral passa
a ser premente. De que modo o espaço seria ocupado, quais as finalidades desta
ocupação, como trabalhar o direito de posse, são temas de fundamental importância
e estão sob responsabilidade das Nações Unidas.
Os fundamentos do Direito Espacial Internacional surgiram em 1964.
São resultado direto da 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e
19
Desenvolvimento (CNUCD), realizada em Genebra em março daquele ano - altura
na qual o mundo já havia ingressado definitivamente na Era Espacial. Na 1ª
CNUCD, o Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço aprovou na
Assembléia Geral da ONU a Resolução 163 de 13 de dezembro de 1963, com
destaque para recomendação de um acordo destinado a reger as atividades
espaciais. Desta Resolução originou-se o Tratado sobre Princípios Reguladores das
Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e
Demais Corpos Celestes. O “Tratado do Espaço” entrou em vigor em 10 de outubro
de 1967. Ele é composto por 17 artigos que regulamentam o uso do espaço pelas
nações ainda nos dias de hoje, dos quais valem destacar:
Artigo 1º
A exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e
demais corpos celestes, só deverão ter em mira o bem e interesse de todos
os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e
científico, e são incumbência de toda a humanidade.
O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes,
poderá ser explorado e utilizado livremente por todos os Estados sem
qualquer discriminação, em condições de igualdade e em conformidade com
o direito internacional, devendo haver liberdade de acesso a todas as regiões
dos corpos celestes.
O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes,
estará aberto às pesquisas científicas, devendo os Estados facilitar e
encorajar a cooperação internacional naquelas pesquisas.
Artigo 2º
O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes,
não poderá ser objeto de apropriação nacional por proclamação de
soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio.
Artigo 3º
As atividades dos Estados partes deste tratado relativas à
Exploração e uso do espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos
celestes deverão efetuar-se em conformidade ao direito internacional,
inclusive a Carta das Nações Unidas, com a finalidade de manter a paz e a
segurança internacional e de favorecer a cooperação e a compreensão
internacional.
Artigo 4º
Os Estados-Partes do Tratado se comprometem a não colocar
em órbita qualquer objeto portador de armas nucleares ou de qualquer outro
tipo de armas de destruição em massa, a não instalar tais armas sobre os
corpos celestes e a não colocar tais armas, de nenhuma maneira, no espaço
cósmico (...).
20
2.3.2. POLÍTICA ESPACIAL BRASILEIRA
As questões aeroespaciais dizem respeito à forma de observar, à
distância, as atividades humanas e as atividades da natureza e são, juntamente com
as nucleares e a de tecnologia da informação, áreas tidas como estratégicas pela
Secretaria de Assuntos Estratégicos e o ministério da Defesa na edição da
Estratégia Nacional de Defesa.
O programa espacial brasileiro sofreu um processo de militarização
durante o regime militar. Hoje é declaradamente civil e pacífico, não recebendo
verbas dos órgãos de defesa, ficando seus recursos a cargo do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), ligado ao Ministério de Ciências e Tecnologia. A
responsabilidade pela formulação e coordenação da política espacial está a cargo
da Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia federal criada no ano de 1994,
ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
O atraso no caso do desenvolvimento do seu veículo lançador de
satélites, parte do programa que é de responsabilidade dos militares, é a principal
causa do atraso do programa espacial brasileiro. Os obstáculos estão relacionados
às crises econômicas, mudanças das políticas domésticas e externas, espionagem,
concorrência no mercado espacial e o boicote de países como os Estados Unidos na
transferência de tecnologia. Apesar de todas as declarações de uso pacífico da
tecnologia espacial, a questão da não proliferação de armas na área de mísseis
ainda é um grande obstáculo à importação de equipamentos, sistemas e
subsistemas para foguetes.
As aplicações civis são menos suscetíveis às mudanças de governo e
da oposição dos EUA, tendo na cooperação internacional seu maior aliado para o
desenvolvimento tecnológico.
Assim como nos demais países, o Estado também analisa a
necessidade do ingresso da iniciativa privada na execução do seu programa
espacial. A idéia é estimular o desenvolvimento da indústria para a produção dos
componentes espaciais objetivando recuperar o atraso no desenvolvimento dos
veículos lançadores.
21
O Brasil não faz parte do Acordo que Regula as Atividades dos
Estados na Lua e em outros Corpos Celestes de 1979, tendo assinado e ratificado
outros quatro grandes tratados que regulamentam as atividades espaciais:
•
Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na
Exploração e Uso do Espaço Cósmico, inclusive a Lua e demais Corpos
Celestes, de 1967;
•
Acordo sobre o Salvamento de Astronautas e Restituição de Astronautas e de
Objetos lançados ao Espaço Cósmico, de 1968;
•
Convenção sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por
Objetos Espaciais, de 1972;
•
Convenção Relativa ao Registro de Objetos Lançados no Espaço Cósmico,
adotada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas em 12 de novembro de
1974, e pelo Brasil em 17 de março de 2006.
22
C
apítulo 3 - A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO SIDERAL
Nos últimos 50 anos a humanidade deixou de ser uma espécie limitada
à superfície da Terra. Pessoas caminharam sobre a superfície da Lua, sondas nãotripuladas exploraram todos os planetas do nosso sistema solar, milhares de
satélites artificiais foram colocados em órbita e temos residência fixa no espaço a
bordo da ISS (SOBREIRA, 2005).
A ciência e a tecnologia desenvolvidas para a exploração do espaço
sideral trouxeram significativos avanços em praticamente todos os setores da
sociedade, como a Indústria, as comunicações, os sistemas de defesa dos Estados,
o meio ambiente, a economia, a medicina, a educação e outros.
A Geografia beneficia-se diretamente da tecnologia espacial ao contar
com uma grande gama de satélites artificiais cujas informações são largamente
utilizadas na cartografia, na climatologia e no monitoramento ambiental, caso dos
sistemas GPS e de sensoriamento remoto. No entanto, mais do que se utilizar das
ferramentas disponibilizadas pela tecnologia espacial, cabe à Geografia analisar
outras questões relevantes que surgem a partir da corrida espacial, como a questão
do desenvolvimento da indústria aeroespacial dos últimos 50 anos; as políticas dos
Estados no que se relaciona à apropriação do espaço sideral; a nova vertente
econômica da exploração comercial do uso de satélites, do turismo espacial, da
agricultura espacial e da possibilidade de mineração de corpos celestes como a Lua
e Marte. As ações do homem no espaço sideral incorporam objetos sociais ao
“território sideral” – estações espaciais, espaçonaves, sondas, tecnologias que são
desenvolvidas para o espaço sideral e que são também usadas na superfície do
planeta, etc. O espaço territorializado é dotado de uma estrutura, uma organização
espacial, é espaço geográfico, é objeto de estudo da Geografia.
23
3.1. UTILIZAÇÃO DE SATÉLITES ARTIFICIAIS
Satélites artificiais são veículos espaciais que podem ou não contar
com uma tripulação, colocados pelo homem em órbita de um planeta, de um satélite
natural ou mesmo de uma estrela. Independentemente de ser de uso civil ou militar,
sua função básica é receber e enviar informações para a Terra. Mais da metade dos
satélites em órbita são satélites de comunicação, usados para telefonia, internet e
televisão, mas existem também os meteorológicos, astronômicos, os do sistema de
navegação (GPS), monitoramento ambiental, mapeamento geográfico, espionagem,
destruição de alvos orbitais ou terrestres, além das sondas planetárias e estações
espaciais.
Desde o início da corrida espacial, estima-se que mais de 5 mil
satélites tenham sido lançados e cerca de mil estão operacionais (figura 2). Pouco
mais de uma centena deles pode ser visto a olho nu a partir da superfície terrestre
devido ao reflexo da luz solar no metal do satélite. Esta modificação na “paisagem”
do firmamento é a mais evidente marca da transformação do espaço sideral pelo
homem.
Figura 2 – Satélites artificiais em uma só imagem
Disponível em http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=10220 – acesso em 06/11//2011
24
A capacidade de construção e lançamento de satélites é a plataforma
básica dos programas espaciais e parâmetro que afere o desenvolvimento dos
países nas atividades espaciais neste início do século XXI. As nações já não podem
prescindir do seu uso. Eles são essenciais para telecomunicações, espionagem,
experimentos científicos, meteorologia, sensoriamento remoto, navegação entre
outros. Os serviços disponibilizados pelos satélites são o mais evidente ganho da
tecnologia espacial e eles são responsáveis por grandes disputas comerciais e
políticas no mundo moderno (quadro 3).
As aplicações comerciais estão concentradas no sistema GEO –
órbitas circulares, equatoriais, com altitudes de seis vezes o raio da Terra e período
orbital de 24 horas. A ocupação da órbita síncrona geoestacionária (OSG) é
regulamentada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), porém a
questão é regida pela premissa de que “o primeiro a chegar será o primeiro a ser
servido”. Como são necessárias grandes distâncias de afastamento entre os
satélites da OSG, esta órbita comporta um número limite de satélites e sua
ocupação está relacionada a questões geopolíticas que exigem intensas
negociações e planejamento estratégico por parte dos Estados, principalmente
daqueles mais atrasados na tecnologia de lançamentos de satélites.
Segundo a UIT, em 2008 os serviços de telecomunicações geraram
uma receita de 143,31 bilhões de dólares, incluídos aí serviços de telecomunicações
e transmissões de televisão. Somente operando na OSG, estima-se uma população
entre 150 e 180 satélites comerciais e espera-se que até 2015 sejam construídos e
lançados outros 176 (dos quais 20% para atender a China e outros 22% para servir
aos Estados Unidos), com valores da ordem de 28,3 bilhões de dólares.
O Brasil representa 50% do mercado sul americano do sistema GEO,
sendo que a maior demanda pelos serviços de satélites de comunicação no Brasil é
do Estado Brasileiro - Forças Armadas, Ministérios das Comunicações, Ministério da
Justiça, Ministério da Educação, Bancos Estatais (INPE, 2006).
25
Quadro 3 – Satélites artificiais ativos em órbita por países
PAÍSES
QUANTIDADE
Estados Unidos
Russia (ex União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
China
Multinacionais
Japão
Índia
Reino Unido
Alemanha
Canadá
França
ESA – Agencia Espacial Européia
Luxemburgo
Holanda
Arábia Saudita
Israel
Itália
Espanha
Brasil
Indonésia
Argentina
Austrália
Turquia
Egito
Malásia
México
Coréia do Sul
Suécia
Tailândia
Nigéria
Paquistão
Emirados Árabes
Suíça
Iran
Kazaquistão
África do Sul
Ucrânia
Algéria
República Checa
Venezuela
Dinamarca
Grécia
Total
Fonte: http://www.ucsusa.org/nuclear_weapons_and_global_security/ - acesso em Nov/2011
443
101
69
46
41
26
21
20
17
16
16
16
10
10
9
9
9
8
7
5
5
5
4
4
4
4
4
4
3
3
3
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
965
26
Como ferramentas da Geografia, os Sistemas de Posicionamento
Global (GPS, na sigla em inglês) e os sistemas de sensoriamento remoto são os
principais. O sistema GPS adotado no Brasil é o americano NAVSTAR.
Desenvolvido para uso militar e hoje disponível gratuitamente para uso civil, conta
com uma rede de 24 satélites ativos e outros 3 como reservas, monitorados a partir
de bases terrestres. Este sistema deixou de ter aplicação unicamente para
navegação aérea, marítima e terrestre e vem sendo largamente utilizado em
levantamentos topográficos, trabalhos de prospecção e exploração de recursos
naturais, na geologia, na arqueologia, na defesa civil, na agricultura de precisão e
outros.
Já o monitoramento do território é feito com o uso de satélites de
sensoriamento remoto. Os sensores colocados nos satélites possibilitam a obtenção
de informações de extensas áreas terrestres através do registro da interação da
radiação eletromagnética com a superfície. As imagens obtidas são utilizadas, por
exemplo, para o controle de desmatamento e queimadas, na expansão
agropecuária, no monitoramento de recursos hídricos, no crescimento urbano, na
ocupação do solo. O Brasil, antes dependente de imagens fornecidas por
equipamentos estrangeiros, depois do programa Satélite Sino-Brasileiro de
Recursos Terrestres (CBERS), aparece como um dos maiores distribuidores de
imagens de satélites do mundo. O principal órgão atuante na área é o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O emprego geopolítico dos satélites pode ser exemplificado no Brasil
pelo Serviço de Vigilância da Amazônia (SIVAM), projeto elaborado pelos órgãos de
defesa brasileiros com objetivo de proteger pontos estratégicos da região amazônica
contra invasores estrangeiros por via aérea. O SIVAM não é totalmente militar. Sua
parte civil é o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), desenvolvido para
integrar
informações
e
gerar
conhecimentos
atualizados
para
articulação,
planejamento e coordenação de ações globais de Governo na Amazônia Legal
Brasileira, visando a proteção, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável da
região (FAB – SIVAM, agosto/2006). Para um completo monitoramento da região, o
SIPAM conta com um grande aparato tecnológico instalado na região, que inclui
subsistemas integrados de sensoriamento remoto, radares, estações meteorológicas
e plataformas de coletas de dados.
27
3.2. O LIXO ESPACIAL
O avanço dos programas espaciais acarreta o crescimento do número
de detritos na órbita da Terra, o chamado lixo espacial (figura 3). Estes detritos são
formados por espaçonaves obsoletas ou partes delas, pedaços da tinta liberada pelo
estresse térmico, efluentes sólidos dos foguetes e até mesmo uma mala de
ferramentas perdida por uma astronauta da estação espacial internacional durante
uma caminhada no espaço. A Space Surveillance Network (SSN), rede norteamericana de rastreamento do lixo espacial, estima em 17.300 o número de
escombros ou lixo espacial com dimensão maior que 10 centímetros de diâmetro e
mais de 300.000 objetos no espaço que medem entre 1 e 10 centímetros e
incontáveis bilhões de pedaços menores. A cada ano são adicionados de 70 a 100
satélites no espaço, agravando continuamente o problema.
Figura 3 – Visão esquemática da Terra e do lixo espacial
Fonte: NASA - disponível em http://eternosaprendizes.com/2009/02/17/o-problema-do-lixoespacial-em-imagens/ acesso em 21 de novembro de 2011
28
As órbitas já abarrotadas de satélites favorecem os choques espaciais.
O primeiro acidente de maior monta foi registrado em 2009. Um satélite de
telecomunicações da Iridium e um satélite russo desativado colidiram 789
quilômetros acima da Sibéria, aumentando em milhares os detritos em órbita
(agência Reuters, setembro de 2011). Em 2007 a China já havia destruído um de
seus satélites climáticos fora de uso como parte de um criticado teste de mísseis
anti-satélites.
O lixo espacial não é tratado como um problema ambiental, mas como
um problema de segurança. Se o lixo em órbita não afeta o meio-ambiente e é
pequena a probabilidade de detritos que resistam à queima na reentrada da
atmosfera causarem danos / vítimas na superfície do planeta, o risco de colisões no
espaço é ameaça constante para os astronautas e os satélites.
Nos últimos 50 anos muitas possíveis soluções já foram cogitadas, mas
muitas são técnica / financeiramente inviáveis, como construção de uma rede
gigantesca ou um veículo para arrastar e coletar lixo. Em 2007 o Subcomitê TécnicoCientífico do Comitê da ONU para Uso Pacífico do Espaço Interno (COPOUS, na
sigla em inglês) aprovou uma série de diretrizes para tentar reduzir a incidência de
lixo em órbita. Devido aos altos custos envolvidos, as medidas, que vão desde a
limitação de dejetos espaciais liberados durante os lançamentos até a minimização
dos riscos de desintegração e a reentrada controlada dos satélites no final da sua
vida útil, acabam não sendo implementadas, principalmente pelos países em
desenvolvimento.
A solução adotada na OSG e que parece ser a alternativa mais viável é
a remoção do satélite para órbitas mais distantes antes do término do seu
combustível – uma “órbita-cemitério”. Mas, mesmo no caso da OSG, novamente
pelas questões de custos elevados, muitos satélites são lançados sem um motor
que permita sua operação ao final de sua vida útil.
Existe a possibilidade, conforme a Síndrome de Kessler, físico da
NASA, que o número de detritos espaciais chegue a tal ponto que inviabilize o uso
do espaço para as necessidades da humanidade. Quanto mais objetos em órbita,
maior a chance de choques. Quanto maior o número de choques, maior o número
de objetos em órbita, numa reação em cadeia. O assunto é hoje motivo de
29
preocupação internacional e a maioria das agências espaciais possui um núcleo
para tratar especificamente do lixo espacial. Estes núcleos costumam recomendar
práticas ideais, mas como as agências não têm força de lei, raramente estas
práticas são adotadas.
3.3. O TURISMO ESPACIAL
“Na História da Humanidade existiu sempre um forte impulso para
explorar e viajar para novos e fantásticos sítios. A exploração espacial entrou em
foco nos últimos 30 anos e as pessoas começaram a questionar-se se e quando
deveriam aventurar-se no Espaço” (Lappas, 2006:157 apud Devile, 2007).
As viagens espaciais sem objetivos científicos, por puro lazer, são um
fenômeno recente e ainda privilégio de poucos mega-milionários. Ao preço de
milhões de dólares, a empresa norte-americana Space Adventures oferece
transporte ao espaço em naves russas Soyuz. O americano Denis Tito foi o primeiro
turista espacial do mundo. Ele foi até a ISS em 30 de abril de 2001. Este começo
despertou várias companhias para o que pode ser uma indústria muito lucrativa no
século XXI. Várias empresas privadas planejam construir veículos suborbitais e até
mesmo cidades orbitais nas próximas décadas. Recentes estudos chineses apontam
o turismo espacial como uma indústria de 10 bilhões de dólares por ano.
Em 2004, a companhia americana Virgin Galactic conseguiu, em duas
semanas, lançar por duas vezes ao espaço uma espaçonave reutilizável tripulada.
A SPACESHIPONE ganhou o prêmio de 10 milhões de dólares oferecido pela Ansari
X PRIZE. Essa foi a primeira missão de um programa espacial completada com
sucesso sem apoio do governo e a sinalização de que a corrida para o turismo
espacial havia começado. A Virgin Galactic é a primeira agência de viagens
espaciais e já dispõe de uma lista de reservas para as primeiras viagens turísticas
ao espaço.
30
Mas não é apenas a indústria do turismo que tende a ganhar com os
investimentos da iniciativa privada na área. A disponibilidade de naves comerciais
permitirá até mesmo vôos diários. Com isso, projetos espaciais paralisados pelos
sucessivos cortes de orçamento governamentais serão alavancados. Cientistas
poderão utilizar este serviço privado para levar seus experimentos ao espaço mais
rapidamente e com maior freqüência do que poderiam fazer utilizando as Agências
Espaciais.
O próximo passo depois dos vôos suborbitais regulares serão as
estações espaciais privadas. A Bigelow Aerospace trabalha para finalizar um projeto
de módulos infláveis para estações espaciais mais econômicas. Uma estação
inflável pode ser lançada ao espaço vazia, ocupando pouco espaço em um foguete,
e ser inflada no espaço. A Galactic Suite Limited anunciou que pretende investir 3
bilhões de dólares na construção de um hotel espacial com capacidade para
hospedar até dois hóspedes e afirma ter 40 mil clientes potenciais no mundo todo
com capacidade para pagar pela experiência.
O turismo espacial é uma realidade desde 2001. Mas é um cenário
complexo, que implica em elevado grau de desenvolvimento tecnológico e somente
em algumas décadas, quando a indústria aeroespacial chegar ao nível em que hoje
se encontra a indústria da aviação, poderemos ver concretizada a indústria do
turismo espacial (DEVILE, 2007).
3.4. MINERAÇÃO E AGRICULTURA ESPACIAL
Obter os recursos para vida sustentável fora do planeta, ainda que
estejamos longe da tecnologia necessária, já faz parte de estudos de organismos
internacionais. Sociedades vivendo no espaço em tempo integral, em estações
espaciais ou mesmo em outro planeta, indústrias de extração de minérios, indústrias
químicas e outras de atividades poluentes e predatórias instaladas no espaço, hoje
exclusividade da ficção científica, podem ser uma solução para os problemas
relacionados ao esgotamento dos recursos naturais da Terra.
31
Para sobrevivência de humanos no espaço por longos períodos, dois
grandes desafios precisarão ser enfrentados primeiro: o cultivo de plantas no espaço
– a agricultura espacial, e a mineração de corpos celestes. Uma vez que desenvolva
a capacidade de produção agrícola no espaço e a capacidade de extração de
minérios de corpos celestes, a humanidade terá resolvido seus maiores problemas
para viabilizar a colonização do espaço: alimentação e energia para abastecer
transportes e para sustentação dos equipamentos de suporte à vida. A ISS é o
primeiro grande laboratório para pesquisas em condições de aprofundar estudos
nesse sentido.
No ano de 2011, o presidente dos EUA manifestou a intenção de
instalar uma base permanente na Lua. A exploração da energia contida no elemento
hélio-3, abundante na Lua e indisponível naturalmente na Terra, é o primeiro
impacto entre as possibilidades desta ocupação do satélite. Cientistas da
Universidade Wisconsin-Madison afirmaram que a Lua possui toda a energia que a
Terra necessitará nesse milênio (conforme o site Inovação Tecnológica). A Lua
também poderia ser uma excelente fonte de recursos que poderiam ser
transformados em materiais úteis aos astronautas, como o oxigênio e a água, que
poderiam ser obtidos a partir das rochas e do solo lunar. No interior das crateras
lunares poderia ser encontrado gelo e gases como o hidrogênio, hélio e nitrogênio.
Além da Lua, os asteróides têm um enorme potencial para a indústria
de mineração. Segundo John S. Lewis, autor do livro de mineração do espaço
Explorando o Céu, um asteróide com o diâmetro de um quilômetro deveria ter massa
aproximada de 2 bilhões de toneladas e conteria 30 milhões de toneladas de níquel,
1,5 milhões de toneladas de cobalto e 7.500 toneladas de platina. Somente a platina
valeria mais de 200 bilhões de dólares (conforme o site HowStuffWorks). A NASA
estima que as riquezas minerais do cinturão de asteróides ultrapassem os 100
bilhões de dólares para cada habitante da Terra.
As atuais pesquisas da agricultura espacial estão direcionadas às
soluções para contornar alguns elementos que afetam o crescimento das plantas no
espaço, como a microgravidade, a iluminação artificial (dentro das estações
espaciais), os contaminantes (o ar e a umidade diferentes das condições da Terra),
a redução de espaço e o meio de fixação das plantas.
32
Uma vez que o objetivo é a produção de uma fonte de alimentos
regenerativa que venha a possibilitar uma exploração espacial de longo prazo, as
experiências em andamento são com plantas que têm muitas partes comestíveis,
como a lentilha, o trigo, folhas verdes e a soja,
Os impactos das conclusões destas pesquisas podem ter também
aplicações na vida da Terra, aumentando nosso conhecimento sobre a agricultura.
Dados detalhados de como as plantas crescem podem nos ajudar na produção de
plantas mais resistentes, com plantações de melhor qualidade, safras melhores,
estufas e sistemas agrícolas melhor controlados.
33
C
ONSIDERAÇÕES FINAIS
O objeto de estudo da Geografia tem se limitado aos Reinos da Terra.
Sobre os processos, lugares, tempo e espaço, redes e fluxos, principalmente na
superfície da Terra. Com o avanço da tecnologia espacial, a conquista do espaço
vai, lentamente, se tornando uma realidade. A humanidade está deixando de ser
uma espécie exclusivamente terrestre.
Se, num primeiro momento, a conquista do espaço tinha como único
objetivo a demonstração de superioridade tecnológica, a exploração espacial é hoje
fundamental em termos estratégicos e de desenvolvimento, podendo vir a ser fonte
abundante de energia, água, minerais, produtos agrícolas e até abrigar colônias
humanas quando os recursos naturais da Terra se tenham, finalmente, exauridos.
A
tecnologia
espacial
já
produz
satélites,
foguetes,
sondas,
espaçonaves, estações espaciais, afeta as economias dos países, produz lixo,
conflitos de interesses entre as nações, novas indústrias e um sem fim de produtos e
tecnologias de uso diário no planeta.
Com a territorialização, o espaço sideral torna-se lugar de relações
sociedade-natureza e homens-homens, torna-se espaço de ação e poder
(Dallabrida, 2002). O Tratado Espacial define o espaço sideral como território da
humanidade. Nenhuma nação poderá requerer posse do espaço, da Lua ou de
qualquer outro corpo celeste. A Geografia tem papel importante na análise da
ocupação espacial que tende a se intensificar nas próximas décadas. Ela deve ser
capaz de evitar que, nesse processo, se repitam os problemas sócio-políticoambientais que temos hoje no planeta. Mudanças climáticas, recessão econômica,
secas, inundações, terremotos, pessoas sem acesso a água limpa. A Geografia
precisa se envolver nas questões do uso do espaço sideral, estar bem preparada,
ter conhecimento e planejamento para responder onde, como, porque e como isso
se relaciona com a sociedade num meio de grande escala?
34
R
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Paulo Roberto Santos Machado