MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Universidade Federal de Alfenas . UNIFAL-MG Rua Gabriel Monteiro da Silva, 714 . Alfenas/MG . CEP 37130-000 Fone: (35) 3299-1000 . Fax: (35) 3299-1063 LUISA BARBOSA MESSORA PERFIL DOS IDOSOS EM INSTITUIÇÕES ASILARES DE TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL DE MINAS GERAIS ALFENAS-MG 2006 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS UNIFAL/MG PERFIL DOS IDOSOS EM INSTITUIÇÕES ASILARES DE TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL DE MINAS GERAIS LUISA BARBOSA MESSORA Trabalho de Conclusão apresentado ao Departamento de Farmácia da Universidade Federal de Alfenas, como parte das exigências do curso de PósGraduação “Lato Sensu” em Atenção Farmacêutica, para obtenção do título de especialista. Orientadora: Profª. Luciene Alves Moreira Marques ALFENAS-MG 2006 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS UNIFAL-MG PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO A comissão examinadora, abaixo-assinado, aprova a monografia “PERFIL DOS IDOSOS EM INSTITUIÇÕES ASILARES DE TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL DE MINAS GERAIS”, elaborada por Luisa Barbosa Messora, como requisito parcial para conclusão do Curso de Especialização em Atenção Farmacêutica. Banca examinadora: ___________________________________________ Prof. ___________________________________________ Prof... ___________________________________________ Prof... Alfenas, ____ de novembro de 2006 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 2. JUSTIFICATIVA 3. OBJETIVO 4. REVISAO DE LITERATURA 4.1 Violência contra Idosos 4.2 Política Nacional do Idoso 4.2.1 Estatuto do Idoso 4.3 Instituições Asilares Brasileiras ou Instituições de Longa Permanência (ILP) 4.4 Principais patologias entre Idosos Institucionalizados 5. MATERIAIS E MÉTODOS 5.1 Local 5.2 Coleta de Informações 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO 7. CONCLUSÃO 8. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 9. ANEXOS................................................................................................... DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos os alunos e amigos; a todos os que, de uma maneira ou de outra, nos fazem felizes e quando precisamos, nos impulsionam a continuar...; e aos idosos das Instituições pesquisadas, pelo ensino e carinho oferecido a cada um de nós. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pelo ar da vida e pela força de cada dia; aos alunos pelo carinho e cuidado demonstrados; aos responsáveis pelas Instituições pesquisadas, pela prestatividade e dedicação para que somente os fatos verdadeiros fossem retratados; a minha orientadora pelo conhecimento oferecido, pela amizade e interesse em orientar-me. RESUMO O Relatório Nacional sobre o Envelhecimento da população Brasileira, mostra que a proporção da população acima de 80 anos tem aumentado, alterando a composição etária dentro do próprio grupo, o que significa que a população considerada idosa também está envelhecendo. Este grupo representa o segmento populacional que mais cresce, embora ainda seja um contingente pequeno: de 166 mil pessoas, em 1940, o grupo "mais idoso" passou para quase 1,8 milhões em 2000. O relatório aponta que as mudanças ocorridas na estrutura populacional está acarretando uma série de conseqüências sociais, culturais, econômicas, políticas e epidemiológicas, para as quais o país não está ainda devidamente preparado (COM CIENCIA, atualizado em 10/09/2002). O presente trabalho teve por objetivo realizar o levantamento do perfil dos idosos institucionalizados, a fim de se conhecer suas necessidades e verificar a qualidade de vida em Instituições de longa permanência e o índice de abandono familiar dentro destas instituições, que muitas vezes para os idosos, constitui a pior de todas as características da vida asilar. O trabalho foi realizado em três instituições asilares para idosos nas cidades da região: Machado/MG, Alfenas/MG e Carmo do Rio Claro/MG, sendo entrevistados todos os idosos pertencentes a estes asilos, através de um questionário contendo oito perguntas, com questões que abrangeram desde dados pessoas até os problemas sociais, econômicos e de saúde a que esses indivíduos estão inseridos. Conclui-se que, apesar da falta que sentem os entrevistados do contato com os familiares, das patologias em que são acometidos, a grande maioria se diz feliz e satisfeita com o tratamento recebido, com os serviços fornecidos pelas instituições, e que, continuarão, nestas instituições, independentemente da presença de seus familiares, a luta pela vida. 1. INTRODUÇÃO O idoso brasileiro, como qualquer outro, possui suas particularidades. Estas foram levantadas a partir do Relatório Nacional sobre o Envelhecimento da População Brasileira, que é um dos mais completos documentos já produzidos sobre o assunto, resultante de um trabalho coordenado pelo Itamaraty, com ampla participação de órgãos do Estado e entidades da sociedade civil. Nele, o envelhecimento da população brasileira se evidencia por um aumento da participação do contingente de pessoas maiores de 60 anos de 4%, em 1940, para 9% em 2000. Além disso, a proporção da população acima de 80 anos tem aumentado, alterando a composição etária dentro do próprio grupo, o que significa que a população considerada idosa também está envelhecendo. Este grupo representa o segmento populacional que mais cresce, embora ainda seja um contingente pequeno: de 166 mil pessoas, em 1940, o grupo "mais idoso" passou para quase 1,8 milhões em 2000, representando 12,6% da população idosa em 2000 e aproximadamente 1% da população total. O relatório aponta que as mudanças ocorridas na estrutura populacional crescimento exponencial da população brasileira de 60 anos ou mais, longevidade e queda da fecundidade - está acarretando uma série de conseqüências sociais, culturais, econômicas, políticas e epidemiológicas, para as quais o país não está ainda devidamente preparado. (COM CIENCIA, atualizado em 10/09/2002) Quanto à saúde, o Suplemento especial da PNAD - Saúde (Pesquisa Nacional por amostra de domicílios ) de 1998, constatou que 83% dos idosos entrevistados reportaram seu estado de saúde como regular ou bom. Embora essa proporção diminua com a idade, 75% da população de 80 anos e mais consideravam seu estado de saúde como regular ou bom. Ou seja, mesmos entre os mais idosos é relativamente elevada a proporção dos que consideram seu estado de saúde regular ou bom. Quanto à renda, percebe-se que esta depende, principalmente, dos benefícios previdenciários. Já foi observado que a importância da renda proveniente da aposentadoria cresce com a idade. Em 1997, para a população masculina, as aposentadorias contribuíram com cerca de 46% da renda dos que tinham entre 60 e 64 anos e 82% dos rendimentos da população maior de 80 anos nos dois anos (CAMARANO, 2002). 2. JUSTIFICATIVA O processo de envelhecimento e sua conseqüência natural, a velhice é uma das preocupações da humanidade desde os primórdios da civilização. Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do Brasil e constitui a classe que mais cresce, devendo apresentar um crescimento de 91,7% em 2020, com relação a 1960. Assim, questões relativas ao envelhecimento humano têm sido tema de relevante importância, uma vez que, nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a estimativa de vida das pessoas tem aumentado de forma significativa. O envelhecimento da população é um fenômeno de amplitude mundial; a OMS (Organização Mundial de Saúde) prevê que, em 2025, existirão 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os muitos idosos (com 80 ou mais anos) constituem o grupo etário de maior crescimento. No Brasil, estima-se que haverá cerca de 34 milhões de idosos em 2025, o que levará o Brasil à 6ª posição entre os países mais envelhecidos do mundo. Junto com esse crescimento percebe-se um aumento significativo das Instituições de Longa Permanência, os tão conhecidos “asilos”. Os idosos internados em asilos estão abandonados duplamente; primeiro, pela família; segundo, pela própria instituição. Esse duplo esquecimento os condena a uma realidade quase sempre idêntica, não raras vezes definida por eles mesmos como um cotidiano onde se "come e dorme". Assim, os idosos vitimados por esse modelo asilar são submetidos ao sedentarismo, pois a eles não são oferecidas atividades que possam proporcionar qualidade de vida. 3. OBJETIVO O presente trabalho teve por objetivo realizar o levantamento do perfil dos idosos institucionalizados, a fim de se conhecer suas necessidades e verificar a qualidade de vida em Instituições de longa permanência e o índice de abandono familiar dentro destas instituições, que muitas vezes para os idosos, constitui a pior de todas as características da vida asilar. Mostrar a qualidade dos serviços prestados pelas instituições asilares, avaliando o concentimento destes idosos frente a estas instituições, visto que, em países desenvolvidos e nos próximos anos, a estimativa de vida das pessoas irão aumentar de forma significativa. 4. REVISÃO DE LITERATURA 4.1. Violência contra idosos Os idosos e as crianças estão entre as principais vítimas de violência doméstica e raras vezes conseguem se livrar do agressor e recomeçar uma vida saudável. Os maustratos não são exclusividade de países pobres, e se tornam motivo de preocupação em todas as sociedades. Nos Estados Unidos, cerca de 2 milhões de idosos acima de 65 anos sofreram algum tipo de agressão. Dados do Conselho Nacional de Pesquisa Norte-Americano revelam que os estados não possuem profissionais capacitados para lidar com o assunto e faltam informações sobre as causas de abusos contra velhos. No seu artigo 3º, inciso IV, a Constituição Federal do Brasil determina que o Estado deve promover o bem de todos, sem preconceito ou discriminação devido à idade. O Decreto Federal 1.948, de 3 de julho de 1996, regulamenta a lei sobre a Política Nacional do Idoso, pela qual "todo cidadão tem o dever de denunciar à autoridade competente qualquer forma de negligência ou desrespeito ao idoso". O impasse se encontra na aplicação das leis, em contraste com a realidade. O Rio de Janeiro é o estado brasileiro onde morrem mais idosos vítimas de violência, conforme pesquisa do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde (CLAVES), pertencente à Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Estima-se que, num grupo de 100 mil habitantes com mais de 60 anos, 249,5 morrem por homicídios, atropelamentos, tombos dentro de casa, entre outros. A coordenadora-executiva do CLAVES, Edinilsa Ramos de Souza, explica que apesar de ter sido criada, em 2000, a Política Nacional de Controle e Redução dos Acidentes e Violência, não saiu do papel. Ela informa que apenas alguns estados, como o Pará, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco fizeram encontros e começam a estabelecer metas. Para ela, a notícia mais positiva é a mobilização de grupos de idosos que lutam por descontos nos preços dos medicamentos, por lazer e criação de associações. De acordo com Lan Hee Alves Castanha, coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (Navv) do Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Sabóia, situado na capital paulista, 32% das mortes registradas de idosos são em decorrência de violência. Na opinião da professora de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, Maria do Rosário Menezes, ela resulta de um modelo cultural, em que a estética é supervalorizada, em detrimento da velhice. Ficou constatado, ainda, que a maioria dos idosos não dependia financeiramente dos seus agressores, tinham filhos, moravam em casa própria e ainda assim sofria maustratos até dos filhos que moravam fora. ( COM CIENCIA, atualizado em 10/02/2002). Outro tipo de violência sofrida pelos idosos são os maus tratos. No Brasil, 65% dos idosos consideravam-se maus-tratados pela sociedade em geral através da forma preconceituosa como são visto, através das baixas aposentadorias, e a falta de leitos para idosos em hospitais. Entretanto, é muito difícil conhecer exatamente a extensão dos maus-tratos e negligencia com idosos, uma vez que existe silêncio em torno da situação. Além disso, no Brasil, os idosos não se sentem protegidos em denunciar, uma vez que são dependentes físicos, emocional e muitas vezes financeiramente de sua família ou da instituição que vivem. ( MACHADO E QUEIROZ, 2002). 4.2. Política Nacional do Idoso O envelhecimento da população influencia o consumo, a transferência de capital e propriedades, impostos, pensões, o mercado de trabalho, a saúde e assistência médica, a composição e organização da família. É um processo normal, inevitável, irreversível e não uma doença. Portanto, não deve ser tratado apenas com soluções médicas, mas também por intervenções sociais, econômicas e ambientais. A política pública de atenção ao idoso se relaciona com o desenvolvimento sócioeconômico e cultural, bem como com a ação reivindicatória dos movimentos sociais. Um marco importante dessa trajetória foi a Constituição Federal de 1988, que introduziu em suas disposições o conceito de Seguridade Social, fazendo com que a rede de proteção social alterasse o seu enfoque estritamente assistencialista, passando a ter uma conotação ampliada de cidadania. A Política Nacional do Idoso, estabelecida em 1994 (Lei 8.842/94), criou normas para os direitos sociais dos idosos, garantindo autonomia, integração e participação efetiva como instrumento de cidadania. Ela objetiva criar condições para promover a longevidade com qualidade de vida, colocando em prática ações voltadas, não apenas para os que estão velhos, mas também para aqueles que vão envelhecer, bem como lista as competências das várias áreas e seus respectivos órgãos. A implantação dessa lei estimulou a articulação dos ministérios setoriais para o lançamento, em 1997, de um Plano de Ação Governamental para Integração da Política Nacional do Idoso. Entretanto, essa legislação não tem sido eficientemente aplicada. De acordo com membros do Ministério Público, algumas deficiências da Política Nacional do Idoso, são: a falta de especificação da lei que contribua para criminalizar a discriminação, o preconceito, o desprezo e a injúria em relação ao idoso, assim como para publicidades preconceituosas e outras condutas ofensivas; dificuldades em tipificar o abandono do idoso em hospitais, clínicas, asilos e outras entidades assistenciais para a punição de parentes das vítimas; falta de regulamentação criteriosa sobre o funcionamento de asilos, sendo preciso que a lei especifique o que devem essas entidades disponibilizar para a clientela, quem deverá fiscalizá-las, e qual a punição para os infratores. Na relação do que compete às entidades públicas, encontram-se importantes obrigações como estimular a criação de locais de atendimento aos idosos, centros de convivência, casas-lares, oficinas de trabalho, atendimentos domiciliares e outros; apoiar a criação de universidade aberta para a terceira idade e impedir a discriminação do idoso e sua participação no mercado de trabalho. ( COM CIENCIA, atualizado em 2002). 4.2.1. Estatuto do Idoso O distanciamento entre a lei e a realidade dos idosos no Brasil ainda é enorme. Segundo os especialistas, para que esta situação se modifique, é preciso que ela continue a ser debatida e reivindicada em todos os espaços possíveis, pois somente a mobilização permanente da sociedade é capaz de configurar um novo olhar sobre o processo de envelhecimento dos cidadãos brasileiros. Concordando com essa perspectiva, tem emergido da sociedade civil organizada a cobrança pela aprovação do Estatuto do Idoso, que está em tramitação no Congresso Nacional. O Projeto de Lei 3.561/97, do Deputado Paulo Paim (PT/RS), cria o Estatuto do Idoso acrescentando novos dispositivos à Política Nacional do Idoso. Esse projeto está embasado na concepção da necessidade de aglutinação, em norma legal abrangente, das postulações sobre idosos no país, exigindo um redirecionamento de prioridades das linhas de ação das políticas públicas. Para o relator do substitutivo deste projeto, deputado Silas Brasileiro (PMDB/MG), consideráveis avanços já foram obtidos, com a edição da lei que instituiu a Política Nacional do Idoso. Porém, ela cuida essencialmente da atuação do poder público na promoção das políticas sociais básicas de atendimento ao idoso, enquanto o Estatuto do Idoso consolida os direitos já assegurados na Constituição Federal, sobretudo tentando proteger o idoso em situação de risco social. São novas exigências da sociedade brasileira para o atendimento da população idosa. ( COM CIENCIA, atualizado em 2002). 4.3. Instituições Asilares Brasileiras ou Instituições de Longa Permanência (ILP) A situação familiar do idoso no Brasil reflete o efeito cumulativo em eventos sócioeconômicos, demográficos e de saúde ao longo dos anos, demonstrando que o tamanho da prole, as separações, o celibato, a mortalidade, a viuvez, os recasamentos e as migrações, vão originando, no desenvolver das décadas, tipos de arranjos familiares e domésticos, onde o morar sozinho, com parentes ou em asilos, pode ser o resultado desses desenlaces. Os asilos, geralmente, são casas inapropriadas e inadequadas às necessidades do idoso, as quais não lhes oferecem assistência social, cuidados básicos de higiene e alimentação. Ademais, esses locais vêm também dificultar as relações interpessoais no contexto comunitário, indispensáveis à manutenção do idoso pela vida e pela construção de sua cidadania. Constituem, também, a modalidade mais antiga e universal de atendimento ao idoso, fora do seu convívio familiar, tendo como, inconveniente, favorecer seu isolamento, sua inatividade física e mental , tendo, dessa forma, conseqüências negativas à sua qualidade de vida. No entanto, o Decreto n.º 1.948 de 03 de julho de 1996, frisa, no artigo 3º, que a instituição asilar tem, por finalidade, atender, em regime de internato, o idoso sem vínculo familiar ou sem condições de prover a própria subsistência, de modo a satisfazer suas necessidades de moradia, alimentação, saúde e convivência social. Prioriza, também, a Lei 8.842, de janeiro de 1994, no artigo 4º, parágrafo III, atendimento ao idoso pelas famílias, ao invés do asilar. Porém, com a existência de vários fatores, tais como os demográficos, sociais e de saúde, conduzem ao aumento da demanda pela institucionalização. Na maioria das vezes, os asilos costumam surgir, espontaneamente, das necessidades sociais da comunidade, ocorrendo, nesse caso, problemas na qualidade de vida que os residentes lá encontram. Dessa forma, os principais serviços existentes oferecidos a essa população dirigem-se à saúde, sendo comum, em grande parte das capitais do país, instituições asilares privadas ou filantrópicas direcionadas ao idoso, e, com raras exceções, aquelas mantidas pelo Estado. Quanto às características das instituições asilares dirigidas ao idoso, normalmente são locais com espaço e áreas físicas semelhantes a grandes alojamentos. Raras são as que mantêm pessoal especializado para assistência social e à saúde ou que possuam uma proposta de trabalho voltada para manter o idoso independente e autônomo. Eles vivem, na maioria das vezes, como se estivessem em reformatórios ou internatos, com regras de entradas e saídas, poucas possibilidades de vida social, afetiva e sexual ativa. Na realidade, muitas vezes o que se encontra são depósitos de pessoas, que, fundamentados na idéia de amor ao próximo e amparo aos desabrigados, consideram que os abrigos, juntamente com os cuidados a eles prestados, são suficientes às pessoas que estejam em seus últimos dias de vida. (DAVIM et al., 2004). É difícil saber quantos são os idosos institucionalizados no Brasil. Pelos dados do governo, existem hoje em torno de 19 mil idosos atendidos em instituições asilares. O número pode ser muito maior se levarmos em conta que muitas das instituições do tipo não estão cadastradas e outras tantas funcionam, efetivamente, na clandestinidade (ROLIM, 2002). Dentre as principais causas que levam idosos a instalarem nas instituições, destacam-se: • Problemas familiares; • Problemas de saúde; • Limitação das atividades da vida diária; • Situação Mental; • Etnia; • Ausência de suportes sociais; • Pobreza, entre outros (BORN e BOECHAT, 2002). Contudo, vale ressaltar que a maioria desses idosos foi levada às instituições por familiares e que alguns se dirigiram por iniciativa própria. (ROLIM, 2002). Nota-se que devido a internação dos idosos em Instituições de longa permanência (Asilos ), mudanças os acometem frente a características psicológicas. São elas: Depressão no idoso Segundo Gordilho ( 2002, p. 204) “ a depressão é um distúrbio da área afetiva ou do humor, com forte impacto funcional em qualquer faixa etária, envolvendo inúmeros aspectos de ordem biológica, psicológica e social”. Vários fatores são identificados como proeminentes à depressão na fase tardia da vida. Entre eles estão a fragilidade na saúde, pobreza, viuvez, institucionalização e solidão. Em idosos institucionalizados, as taxas encontradas na literatura costumam ser altas, tanto para sintomas depressivos, entre 10% e 30%, quanto para a Depressão Maior, entre 5% e 12% ( GORDILHO, 2002 ). Ansiedade A ansiedade é uma emoção normal frente às circunstâncias ameaçadoras e é considerada positiva na evolução humana, na luta pela sobrevivência. O Transtorno da Ansiedade é considerada uma má adaptação das funções cerebrais que desencadeiam uma série de reações como o medo, apreensão, tensão muscular, sudorese, tremores, entre outros, sem um perigo iminente real. O estudo Epidemiologic Catchment Área (ECA) avaliou taxas para o pânico, fobia e TOC ( Transtorno obsessivo-compulsivo). Entre todos os pacientes acima de 65 anos, 6,8% das mulheres e 3,6% dos homens enquadraram-se nos critérios estabelecidos para um dos três transtornos. A fobia, no entanto, parece ser o tipo de ansiedade mais comum em adultos idosos, em 4,8% dos indivíduos idosos; o TOC foi encontrado em 0,8% e o Transtorno do pânico, em 0,1% dos idosos (GORDILHO, 2002). 4.4. Principais patologias entre idosos institucionalizados Os Idosos são mais susceptíveis a algumas doenças que indivíduos mais jovens. A fragilidade da saúde, muitas vezes devido ao cansaço do organismo, leva os idosos a adquirirem algumas patologias, já conhecidas como comuns a essa fase da vida. Dentro deste tópico serão apontadas duas das mais comuns: a Hipertensão Arterial e a Diabetes Mellitus. Hipertensão Arterial A Hipertensão Arterial é uma doença altamente comum em indivíduos idosos, tornando-se um fator determinante na morbidade e mortalidade elevadas dessa população. Aproximadamente 50 milhões de mortes/ano ocorrem no mundo, e destes, 30%, ou seja, 15 milhões, são causados por doenças cardiovasculares como a hipertensão. O mecanismo que explica o aumento progressivo da pressão sistólica observado com a idade é a perda da distensibilidade e elasticidade dos vasos de grande capacitância. Os indivíduos idosos com aumento da pressão sistólica tem menor débito cardíaco, enquanto nos indivíduos mais jovens o débito cardíaco encontra-se elevado com pouca alteração na resistências vascular periférica (BRANDAO et al., 2002). Diabetes Mellitus Diabetes mellitus é uma alteração do metabolismo associada a deficiência da insulina. Nos últimos anos, um grande número de estudos epidemiógicos foram feitos avaliando a incidência da diabetes mellitus na população idosa. Embora estes tenham variação na sua metodologia, todos demonstraram um aumento consistente da incidência e prevalência desta patologia. Na população idosa brasileira a incidência é de 17,4% ( 60 a 65 anos), cerca de 6,4 vezes mais do que na população entre 30 e 39 anos ( NASRI, 2002). 5. MATERIAL E MÉTODOS 5.1 Local O presente trabalho foi realizado em três instituições asilares para idosos nas cidades da região: Machado/MG, Alfenas/MG e Carmo do Rio Claro/MG, buscando-se compreender o contexto social, econômico e de saúde a que esses indivíduos estão inseridos. A Instituição de Machado/MG conta com 39 idosos, a de Alfenas com 70 idosos e a Instituição de Carmo do Rio Claro/MG com 42 idosos. As Instituições tem sua renda adquirida por meio de doações das Secretarias Municipal e Estadual, da população (70% do total) e dos próprios idosos, que contribuem com 70% de suas aposentadorias. Contudo, a contribuição não é um critério para a entrada nas instituições e sim, a necessidade de assistência asilar. 5.2. Coleta das Informações A coleta de informações teve seu início após consentimento livre e esclarecido dos participantes (Anexo 1). O trabalho foi realizado com a população do Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG e de Alfenas/MG, e do Lar do Idoso Frederico Osanan em Carmo do Rio Claro/MG, utilizando-se, para isso, um questionário estruturado, e tendo-se, como técnica, a entrevista. Além disso, foram coletados dados já armazenados nas Instituições, referentes à saúde dos Idosos. As entrevistas foram realizadas nas próprias Instituições, observando-se os aspectos éticos e legais no que se refere ao anonimato dos entrevistados. 1. Quantos anos o Sr.(a) tem? ( )60 a 70 anos ( ) mais de 70 2. Há quanto tempo o Sr.(a) está nesta instituição? ( )1 a 5 anos ( )6 a 10 anos ( )mais de 10 anos 3. O Sr.(a) gosta de morar aqui? ( )Sim ( )Não 4. Com que freqüência seus familiares o visitam? ( )Nunca/raramente 5. O Sr.(a) possui assistência médica quando necessário? ( )Sim ( ( )Não ( )Ás vezes ( )Sempre )Ás vezes 6. Os medicamentos que o Sr.(a) necessita são fornecidos gratuitamente? ( )Sim ( )Não 7. Quais das doenças abaixo o Sr.(a) possui? ( )Hipertensão ( )Diabetes ( )Nenhuma ( )Outra _________________ 8. Os funcionários tratam o Sr.(a) com o respeito devido? ( )Sempre ( )Ás vezes ( )Nunca 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO No presente tópico serão apresentados os resultados do questionário aplicado aos idosos, das três instituições de Longa Permanência retro citadas. Buscou-se, com as respostas, o levantamento do perfil dos idosos ali internados, e, conseqüentemente, estabelecer parâmetros que possam efetivamente auxiliar o leitor a formação de uma postura tuteladora dos direitos dos mesmos. Tabela 1- Faixa etária dos idosos entrevistados no Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG, de Alfenas/MG, e do Lar do Idoso Frederico Osanan de Carmo do Rio Claro/MG, durante o mês de outubro de 2006. MACHADO/MG 60 a 70 ANOS MAIS DE 70 ANOS TOTAL 67% CARMO DO CLARO/MG 69% RIO ALFENAS/MG 90% 33% 31% 10% 100% 100% 100% GRÁFICO 1.1 FAIXA ETÁRIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG 33% 60 A 70 ANOS MAIS DE 70 ANOS 67% GRÁFICO 1.2 FAIXA ETÁRIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR DE IDOSOS FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG 31% 69% 60 a 70 ANOS MAIS DE 70 ANOS GRÁFICO 1.3 FAIXA ETÁRIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG 10% 60 A 70 ANOS MAIS DE 70 ANOS 90% O Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG, de Alfenas/MG, e o Lar do Idoso Frederico Osanan de Carmo do Rio Claro possuem a maioria dos seus idosos com idade entre 60 e 70 anos, sendo, portanto, os idosos com mais de 70 anos a minoria. Tabela 2- Tempo de moradia dos idosos entrevistados nas instituições pesquisadas. 33% 23% CARMO DO RIO CLARO/MG 59% 17% 44% 24% 20% 100% 100% 100% MACHADO/MG 1 a 5 ANOS 6 a 10 ANOS MAIS DE ANOS TOTAL 10 ALFENAS/MG 10% 70% GRÁFICO 2.1 TEMPO DE MORADIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG 33% 1 A 5 ANOS 44% 6 A 10 ANOS MAIS DE 10 ANOS 23% GRÁFICO 2.2 TEMPO DE MORADIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG 20% 10% 1 A 5 ANOS 6 A 10 ANOS MAIS DE 10 ANOS 70% GRÁFICO 2.3 TEMPO DE MORADIA DOS IDOSOS ENTREVISTADOS DO LAR FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG 24% 1 A 5 ANOS 6 A 10 ANOS 17% 59% MAIS DE 10 ANOS O período de permanência dos idosos nas instituições pesquisado foi agrupado em três faixas de tempo: de 1 a 5 anos, 6 a 10 anos e mais de 10 anos. Verifica-se que, o período de permanência varia de uma cidade para outra, sendo que no Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG, a maioria dos idosos moram há mais de 10 anos; e, na instituição de Alfenas/MG, a maioria moram de 6 a 10 anos, diferentemente da instituição do Carmo do Rio Claro/MG, em que a maioria dos seus idosos moram no asilo num período de 1 a 5 anos. Tabela 3 – Porcentagem de idosos entrevistados que estão satisfeitos em morar nas Instituições. SIM NÃO TOTAL MACHADO/MG 72% 28% 100% CARMO DO RIO CLARO/MG 62% 38% 100% ALFENAS/MG 96% 4% 100% GRÁFICO 3.1 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/M G SATISFEITOS COM A INSTITUIÇÃO 28% SIM NÃO 72% GRÁFICO 3.2 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG SATISFEITOS COM A INSTITUIÇÃO 38% SIM NÃO 62% GRÁFICO 3.3 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG SATISFEITOS COM A INSTITUIÇÃO 4% SIM NÃO 96% Para que fosse possível o levantamento do perfil dos idosos das três instituições pesquisadas, supra citadas, fez-se necessário o conhecimento a respeito da satisfação do idoso em relação à moradia dentro das instituições de Machado/MG, Carmo do Rio Claro/MG e Alfenas/MG, explanada na tabela 3. Torna-se relevante ressaltar que a maioria dos idosos entrevistados relatou a satisfação em morar nas Instituições. Tabela 4 – Freqüência de visitas dos familiares dos idosos entrevistados no Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG e de Alfenas/MG e do Lar de Idosos Frederico Osanan de Carmo do Rio Claro/MG. MACHADO/MG NUNCA/RARAMENTE ÀS VEZES SEMPRE TOTAL 54% 28% 18% 100% CARMO DO RIO CLARO/MG 46% 40% 14% 100% ALFENAS/MG 90% 10% 0% 100% GRÁFICO 4.1 FREQUÊNCIA DE VISITAS DOS FAMILIARES DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG 18% NUNCA/RARAMENTE AS VEZES 54% 28% SEMPRE GRÁFICO 4.2 FREQUÊNCIA DE VISITAS DE FAMILIARES DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG 10% 0% NUNCA/RARAMENTE AS VEZES SEMPRE 90% GRÁFICO 4.3 FREQUÊNCIA DE VISITAS DOS FAMILIARES DOS IDOSOS ENTREVISTADOS NO LAR FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG 14% 46% NUNCA/RARAMENTE AS VEZES SEMPRE 40% Assim, em continuidade ao trabalho, levantou-se com qual freqüência os idosos institucionalizados recebiam visitas de seus familiares, informação esta, fundamental ao sucesso do trabalho e ao alcance do objetivo do mesmo. Ficou constatado, através dos dados estatísticos acima demonstrados, que os idosos institucionalizados recebem poucas visitas de seus familiares. Em todas as instituições percebe-se que a maioria dos idosos nunca ou raramente recebem visitas de seus consangüíneos. Observou-se, ainda, que os idosos da instituição Lar São Vicente de Paulo de Alfenas/MG, não recebem visitas de seus familiares - a maioria nunca ou raramente recebem visitas. Tabela 5 – Porcentagem de idosos entrevistados que possuem assistência médica gratuita nas Instituições em que estão internados. MACHADO/MG SIM NÃO ÀS VEZES TOTAL 87% 5% 8% 100% CARMO DO RIO CLARO/MG 38% 29% 33% 100% ALFENAS/MG 100% 0% 0% 100% GRÁFICO 5.1 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE M ACHADO/MG QUE POSSUEM ASSISTÊNCIA MÉDICA GRATUITA 5% 8% SIM NÃO AS VEZES 87% GRÁFICO 5.2 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG QUE POSSUEM ASSISTÊNCIA MÉDICA GRATUITA 0% 0% SIM NÃO AS VEZES 100% GRÁFICO 5.3 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR FREDERICO OSANAN QUE POSSUEM ASSISTÊNCIA MÉDICA GRATUITA 33% 38% SIM NÃO AS VEZES 29% Outra característica pesquisada neste trabalho foi se os idosos institucionalizados possuíam assistência médica gratuita quando necessário. Percebe-se através dos resultados obtidos que, a maioria dos idosos das três instituições asilares possuem assistência médica gratuita quando necessário. Contudo, vale ressaltar que o Lar do Idoso Frederico Osanan em Carmo do Rio Claro/MG demonstrou um equilíbrio entre a porcentagem de idosos que sempre possuem assistência médica gratuita quando necessário, e os que esporadicamente recebem. Vale ressaltar a presença periódica de médicos voluntários no asilo da cidade de AlfenasM/G. Tabela 6 – Porcentagem de idosos entrevistados que recebem os medicamentos necessários gratuitamente. SIM NÃO TOTAL MACHADO/MG CARMO DO RIO CLARO/MG 95% 69% 5% 31% 100% 100% ALFENAS/MG 100% 0% 100% GRÁFICO 6.1 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG QUE RECEBEM OS MEDICAMENTOS NECESSÁRIOS GRATUITAMENTE 5% SIM NÃO 95% GRÁFICO 6.2 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG QUE RECEBEM OS MEDICAMENTOS NECESSÁRIOS GRATUITAMENTE 31% SIM NÃO 69% GRÁFICO 6.3 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG QUE RECEBEM OS MEDICAMENTOS NECESSÁRIOS GRATUITAMENTE 0% SIM NÃO 100% Avaliou-se, ainda, se os medicamentos necessários à manutenção da saúde dos idosos eram fornecidos gratuitamente pelas instituições. Os dados dos questionários aplicados revelaram que a maioria dos idosos recebem medicamentos gratuitos das instituições, não necessitando desembolsar nenhum valor para a obtenção dos mesmos, exceto em Machado e Carmo do Rio Claro cujo resultado não alcançou 100%. Tabela 7 – Condições de saúde dos idosos entrevistados. MACHADO/MG CARMO DO RIO CLARO/MG ALFENAS/MG DIABETES MELLITUS 5% 2% 10% HIPERTENSÃO ARTERIAL 18% 24% 45% NENHUMA 18% 29% 0% OUTRAS 59% 45% 45% TOTAL 100% 100% 100% GRAFICO 7.1 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG COM HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES MELLITUS, NENHUMA E OUTRAS DOENÇAS 59% 0,6 0,5 0,4 0,3 18% 18% 0,2 5% 0,1 0 HIPERTENSÃO ARTERIAL DIABETES MELLITUS NENHUMA OUTRAS GRÁFICO 7.2 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR DO IDOSO FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG COM HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES MELLITUS, NENHUMA E OUTRAS DOENÇAS 45% 0,5 0,4 0,3 29% 24% 0,2 2% 0,1 0 HIPERTENSÃO ARTERIAL DIABETES MELLITUS NENHUMA OUTRAS GRÁFICO 7.3 PORCENTAGEM DE IDOSOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS M/G COM HIPERTENSÃO ARTERIAL, DIABETES MELLITUS, NENHUMA E OUTRAS DOENÇAS 45% 0,45 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 45% 10% 0% HIPERTENSÃO ARTERIAL DIABETES MELLITUS NENHUMA OUTRAS Com relação à saúde dos idosos entrevistados nas três instituições, foi levantado à porcentagem de idosos que sofriam de Hipertensão arterial e Diabetes Mellitus, doenças comuns a esse grupo populacional. Contudo, observou-se que não são essas as patologias mais comuns aos idosos entrevistados, percebendo que existem outras mais comuns. Dentre estas destacam-se Mal de Azheimer, Mal de Parkinson, Depressão e Distúrbios Psicóticos, dentre outras. Ressalta-se ainda a alta porcentagem de idosos entrevistados no Lar do Idoso Frederico Osanan de Carmo do Rio Claro/MG que não possuíam nenhum tipo de patologia, o que sugere que a causa da internação não foi por problemas de saúde. Tabela 8 – Freqüência com que os funcionários dos asilos tratam os idosos respeitosamente. MACHADO//MG SEMPRE ÀS VEZES NUNCA TOTAL 82% 15% 3% 100% CARMO DO RIO CLARO/MG 52% 48% 0% 100% ALFENAS/MG 100% 0% 0% 100% GRÁFICO 8.1 FREQUÊNCIA COM QUE OS FUNCIONÁRIOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE MACHADO/MG TRATAM OS IDOSOS ENTREVISTADOS RESPEITOSAMENTE 15% 3% SEMPRE AS VEZES NUNCA 82% GRÁFICO 8.2 FREQUÊNCIA COM QUE OS FUNCIONÁRIOS DO LAR DO IDOSO FREDERICO OSANAN DE CARMO DO RIO CLARO/MG TRATAM OS IDOSOS ENTREVISTADOS RESPEITOSAMENTE 0% SEMPRE AS VEZES 48% NUNCA 52% GRÁFICO 8.3 FREQUÊNCIA COM QUE OS FUNCIONÁRIOS DO LAR SÃO VICENTE DE PAULO DE ALFENAS/MG TRATAM OS IDOSOS ENTREVISTADOS RESPEITOSAMENTE 0% 0% SEMPRE AS VEZES NUNCA 100% Como último item avaliado está a freqüência com que os funcionários das Instituições Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG e de Alfenas/MG e do Lar do Idoso Frederico Osanan de Carmo do Rio Claro tratam respeitosamente os idosos entrevistados. Felizmente, os dados analisados concluíram que, na maioria das vezes, os funcionários tratam os idosos com o respeito devido, sendo que, somente uma minoria, do Lar São Vicente de Paulo de Machado/MG, revelou que nunca eram tratados respeitosamente. A população do Lar São Vicente de Paulo de Alfenas/MG, revelou que não existem situações em que são tratados desrespeitosamente. 7. CONCLUSÃO Em vista do aumento crescente da população idosa no Brasil, e conseqüentemente, do aumento das Instituições de Longa Permanência, popularmente conhecidas como “asilos”, surgiu uma preocupação em relação a qualidade de vida dos idosos dentro destas Instituições, observando-se as características gerais da vida asilar, bem como o perfil dos mesmos. Muitas vezes, as famílias não possuem a renda ou o tempo suficiente para manter aqueles, cuja idade, muitas vezes, não lhes permite a auto-suficiência, e a garantia da satisfação de suas necessidades, levando assim, a escolha da internação destes em instituições de Longa Permanência. Verificou-se, ao desenvolver o presente trabalho, que as famílias dos idosos institucionalizados, na maioria das vezes, são ausentes no que se refere à relação com os idosos, o que tem, na maioria das vezes, levado-os à depressão, distúrbios da ansiedade, entre outros. Notou-se que, na maioria das Instituições, os idosos são carentes afetivamente, posto que, raramente recebem visitas de familiares. Embora a ausência familiar seja marcante na vida de cada entrevistado, observou-se que esta lacuna é parcialmente preenchida pelo trato recebido dos funcionários destas instituições. O aparecimento de doenças, tais como diabetes mellitus, hipertensão arterial, depressão, distúrbios psicóticos, AVC, entre outras, que normalmente são fatores preponderantes na debilitação da pessoa humana com idade avançada, atrelado às condições econômicas dos mesmos, pode levá-los a buscar abrigo em instituições como as citadas, onde, a assistência médica e o fornecimento de medicamentos são gratuitos, lhes assegurando uma qualidade de vida melhor do que teriam com os seus consangüíneos, verificados pelas respostas obtidas no quesito: gratuidade assistencial. Destarte, conclui-se que, apesar da falta que sentem os entrevistados do contato com os familiares, das patologias em que são acometidos, ora pela idade, ora por outros fatores externos, a grande maioria se diz feliz e satisfeita com o tratamento recebido, com os serviços fornecidos pelas instituições, e que, continuarão, nestas instituições, independentemente da presença de seus familiares, a luta pela vida. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BORN, Tomiko e BOECHAT, Norberto. A Qualidade dos Cuidados ao Idoso Institucionalizado. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 93, p. 768 - 777. BRANDÃO, Ayrton Pires, et al. Hipertensão Arterial no Idoso. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 30, p. 249 – 262. CAMARANO, Ana Amélia. Envelhecimento da População Brasileira: uma Contribuição Demográfica. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 6, p. 58 – 70. COM CIENCIA. Envelhecimento da População Brasileira. Disponível em < http://www.comciencia.com.br/reportagens/envelhecimento/texto/env03.htm> atualizado em 10/09/2002, acessado em 20/09/2005. DAVIM, Rejane Marie Barbosa, TORRES, Gilson de Vasconcelos, DANTAS, Susana Maria Miranda et al. Estudo com idosos de instituições asilares no município de Natal/RN: características socioeconomicas e de saúde. Rev. Latino-Am. Enfermagem. [online]. Maio/Junho 2004, vol.12, no.3 p.518-524. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010411692004000300010& lng=en&nrm=iso>. ISSN 0104-1169. GORDILHO, Adriano. Depressão, Ansiedade, outros Distúrbios Afetivos e Suicídio. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 25, p. 204 – 215. MACHADO, Laura e QUEIROZ, Zally V. Negligência e Maus-tratos. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 95, p. 791 – 797. NASRI, Fábio. Diabetes Mellitus no Idoso. In: FRETAS, Elizabete, et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan , 2002, v. único, c. 58, p. 496 – 501. ROLIM, Marcos. Entre o silencio e a morte. Disponível em < http://www.rolim.com.br/2002/modules.php?name=Sections&sop=viewarticle&artid=48> criado em Março de 2002, acessado em 10/09/2005.