FÓRUM MUNDIAL DA JUVENTUDE CONCLUI EM DACAR Aprova Estratégia de Dacar Para Autonomização da Juventude; Representantes de 85 Países Exortam a Maior Cooperação com Organismos da ONU DACAR, 10 de Agosto (Serviço de Informação das Nações Unidas) – Um pedido de criação de um fundo para a Educação e Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) destinado a promover a cooperação Norte-Sul e Sul-Sul foi uma das várias recomendações inscritas no documento final aprovado pelo Fórum Mundial da Juventude do Sistema das Nações Unidas, que terminou hoje, nesta cidade, após cinco dias de debates e consultas entre grupos de jovens e representantes dos organismos das Nações Unidas. A Estratégia de Dacar para Autonomização da Juventude irá ser transmitida à próxima sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa em Setembro. O Fórum Mundial da Juventude, que teve como anfitrião o Governo do Senegal, tinha como objectivo central a autonomização dos jovens de modo, a participarem de uma forma mais eficaz, a todos os níveis da sociedade. Donald Charumbira, Secretário-Geral da Assembleia Mundial da Juventude e Presidente da quarta sessão do Fórum, classificou-o como “uma reunião histórica com a tarefa importante de redigir a Estratégia de Dacar para Autonomização da Juventude, como um conjunto de recomendações concretas para autonomização da juventude”. Afirmou que um dos acontecimentos mais importantes durante o Fórum foi a aprovação de um anexo especial sobre o VIH/SIDA, que evidenciava o empenho e dedicação da juventude mundial no que se refere ao combate a este importante problema de saúde. “O anexo especial afirma, de forma eloquente, que a responsabilidade de tomar medidas para combater a epidemia não recai apenas sobre os governos e a sociedade civil, mas também sobre os próprios jovens”, afirmou o Sr. Charumbira. As recomendações do Fórum abrangem as preocupações dos jovens nas 10 áreas analisadas por grupos de trabalho, nomeadamente, educação e tecnologia da informação e das comunicações, emprego, saúde e população, fome, pobreza e dívida, ambiente e povoamentos humanos, integração social, cultura e paz, política, participação e direitos da juventude, mulheres jovens e raparigas, e juventude, desportos e actividades de lazer. Os observadores dos organismos, órgãos e organizações das Nações Unidas consideraram que as recomendações da reunião reflectem o conceito de autonomização da juventude tal como é visto pelos jovens e demonstram o seu desejo de participação na definição de políticas sobre questões da juventude. Odile Frank, Chefe da Secção de Integração Social da Divisão de Política Social e Desenvolvimento das Nações Unidas, afirmou que o Fórum cumpriu dois objectivos primordiais. Em primeiro lugar, foi um fórum para os jovens de ambos os sexos, que representam a juventude de todo o mundo, transmitirem as suas preocupações e os seus desejos ao Secretariado das Nações Unidas e aos organismos especializados das Nações Unidas. Em segundo lugar, proporcionou um meio de comunicação entre jovens de todo o mundo. A Sr.ª Frank disse esperar que as decisões tomadas em Dacar sejam o início de um novo processo de uma juventude internacional autonomizada. Rima Salah, Directora Regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), afirmou que o seu organismo necessita da participação dos jovens, devido ao seu empenhamento enérgico e vitalidade, no Movimento Mundial em prol das Crianças. Abubakar Dungus, Assessor de Informação do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), afirmou que o Fundo promove a autonomização, participação e liderança dos jovens, uma vez que eles são parte integrante da procura de soluções. As questões analisadas na quarta sessão do Fórum, tais como pobreza, educação e saúde, estão em consonância com os objectivos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento -- apoiar os jovens para fazerem escolhas informadas e saudáveis e realizarem o seu pleno potencial. Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt Pág. 1 / 5 Analisando a questão do desemprego entre os jovens, Grace Stracham, Economista Principal da Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmou que a quarta sessão do Fórum proporcionara à OIT uma oportunidade excelente de partilhar informação sobre a Rede de Emprego para Jovens, do Secretário-Geral, e de obter reacções sobre os projectos de recomendações elaborados pelo seu grupo de peritos de alto nível que se reuniu, há menos de um mês, em Genebra, com o Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, Juan Somavia, Director-Geral da OIT, e James D. Wolfensohn, Presidente do Banco Mundial. Magatte Wade, Directora-Geral do AGETIP-Senegal, e membro do grupo de peritos de alto nível, apresentou a Rede como uma oportunidade real de os jovens de ambos os sexos interagirem com líderes políticos ao mais alto nível, fazerem ouvir as suas vozes em debates de políticas importantes e de agirem no domínio da criação de empregos dignos para os jovens. Ao longo da semana, o impacte de uma reunião tão grande e multifacetada de jovens – mais de 300, no total, na sua maioria com menos de 24 anos – podia ser observado e ouvido em todo o Palais des Congrès, onde decorreu o evento. No salão de exposições, os observadores e convidados especiais puderam ver diversas mostras informativas que se distribuíam pelas paredes e mesas e analisavam aspectos particulares de projectos, nomeadamente o projecto “Vozes dos Jovens” organizado pela UNICEF e o projecto da FAO, “Florestas do Futuro”. As paredes do espaço de exposições estavam cobertas com cartazes coloridos, folhetos e T-shirts, que ostentavam títulos em muitas línguas dos participantes. Um cartaz afirmava “Há uma Floresta no Vosso Futuro”. Outro cartaz exortava as jovens e raparigas com a invectiva “Diga Não!”, para se protegerem do VIH/SIDA, enquanto outro exigia o fim da violência contra as mulheres e raparigas, nomeadamente a mutilação genital feminina. Entre outras mensagens destinadas aos jovens, contavam-se “Mudem o Mundo com as Crianças”, “Sim à Música, Não às Drogas”, “Salvem a Camada de Ozono” e “O Tabaco Mata!” Foi a quarta reunião deste tipo organizada pelas Nações Unidas e a primeira a ser realizada em África. A primeira e segunda sessões realizaram-se em Viena, Áustria, em 1991 e 1996, e a terceira, em Braga, Portugal, em 1998. O mandato do Fórum Mundial da Juventude está enunciado no Artigo 125 do Programa Mundial de Acção para a Juventude até ao Ano 2000 e Posteriormente, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1995, no décimo aniversário do Ano Internacional da Juventude. Afirma que os canais eficazes de comunicação entre organizações não governamentais de juventude e o sistema das Nações Unidas são essenciais para o diálogo e consultas sobre a situação dos jovens e para as repercussões na sua aplicação. O Preâmbulo da Estratégia afirma a preocupação dos jovens que participaram no Fórum quanto à deterioração continuada da situação mundial dos jovens, que enfrentam níveis crescentes de desemprego, pobreza, conflitos armados, epidemias, analfabetismo funcional e abuso de substâncias – entre outros problemas sociais e económicos – apesar dos progressos feitos, a nível mundial, no domínio das tecnologias, desenvolvimento empresarial e investigação médica. Entre as outras preocupações abordadas no Preâmbulo, contam-se a fome e a malnutrição, a condição dos sem abrigo e os ambientes inseguros, a exclusão social, o ciclo de endividamento dos países em desenvolvimento, a pandemia do VIH/SIDA, a desigualdade de oportunidades no domínio da educação, as violações dos direitos humanos, nomeadamente, o trabalho infantil, o tráfico e a exploração sexual e as crianças e os jovens nos conflitos armados, o estatuto desigual das jovens e raparigas, a violência e o suicídio e a deterioração do ambiente. Os participantes defenderam a implementação de estratégias de autonomização da juventude, holísticas e integradas, que sejam aplicáveis a nível mundial, regional e nacional e que envolvam os jovens em todos os níveis de concepção, formulação e execução. Exortaram os governos, o sistema das Nações Unidas e as organizações da sociedade civil a apoiarem os jovens nos seus esforços para obterem recursos para programas amplos de autonomização da juventude. Entre as recomendações do Fórum, contam-se as seguintes: Educação e Tecnologia da Informação e das Comunicações (TIC) Reconhecendo o impacte da TIC no modo como os jovens aprendem, interagem e participam na sociedade mundial da informação que está a nascer, e de modo a garantir o acesso universal à educação a todos os níveis, os participantes exortaram à criação de um fundo para a educação e a TIC Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt Pág. 2 / 5 destinado a promover a cooperação Norte-Sul e Sul-Sul. A fim de eliminar o fosso digital, o grupo de trabalho reclamou medidas para melhorar a qualidade e o acesso à educação e à TIC e a utilização da TIC como meio de difusão de informação sobre questões tão importantes como o VIH/SIDA e os problemas ambientais. Emprego dos Jovens Para aumentar o investimento na formação no domínio das capacidades relevantes, o grupo de trabalho exortou a que fosse dada ênfase à formação adequada ao mercado de trabalho e ao sector paralelo e à colaboração entre empregadores e prestadores de formação. Em consonância com a Declaração dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da OIT, os participantes recomendaram a melhoria das condições de trabalho dos jovens, a promoção dos seus direitos e o reconhecimento da sua opinião e participação no trabalho. Reclamou também que lhes fossem proporcionadas oportunidades de mercado, formação em capacidades empresariais e acesso ao crédito e a outros serviços financeiros. Saúde e População O grupo de trabalho no domínio da saúde e população recomendou um maior acesso a recursos nacionais e internacionais, de modo a criar programas educativos formais e não formais no domínio do VIH/SIDA, abuso de substâncias, saúde sexual e reprodutiva e saúde mental. Exortou os governos a garantirem o acesso dos jovens a informações sobre saúde, serviços de saúde e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Defendeu também a implementação das recomendações aprovadas pela sessão extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA, em especial aquelas que dizem respeito directamente aos jovens. Fome, Pobreza e Dívida O grupo de trabalho no domínio da fome, pobreza e dívida recomendou a promoção de esquemas de auto-emprego, de modo a permitir que os jovens das zonas rurais e urbanas combatam a fome e a pobreza. Para gerar uma estratégia a longo prazo de minimização dos efeitos da fome e erradicar a pobreza, sublinhou a importância da educação, formação e criação de capacidades dos jovens de ambos os sexos. Deveria ser proporcionada aos jovens a capacidade de responderem eficazmente aos problemas mundiais mais prementes, como as mudanças climáticas, a degradação dos solos, a perda da biodiversidade, o VIH/SIDA e o fosso crescente entre os ricos e os pobres. Ambiente e Povoamentos Humanos Este grupo propôs que fosse aumentada a cooperação entre os jovens e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), o Centro das Nações Unidas para os Povoamentos Humanos (Habitat) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Os participantes reconheceram o papel potencial das plataformas nacionais e regionais de juventude no controlo da execução da Agenda 21 e do Programa do Habitat e exortou à criação de subcomissões no âmbito dessas plataformas. O grupo recomendou também que fosse produzida uma versão orientada para juventude do Programa do Habitat e que os governos incluam jovens nas suas delegações oficiais para a conferência conhecida como “Rio+10” e para reuniões da Comissão para os Povoamentos Humanos. Integração Social O grupo de trabalho no domínio da integração social reclamou apoio técnico, humano e financeiro para dar assistência aos jovens marginalizados e vulneráveis, de modo a organizarem-se para satisfazerem as suas próprias necessidades e interesses e para contribuírem para o progresso social. Baseando-se na convicção de que os jovens e as suas organizações são os melhores agentes da promoção de mudança para a juventude, o grupo de trabalho recomendou a promoção do voluntariado entre as organizações de juventude de modo a que assumam a liderança na formação dada por jovens a outros jovens. Exortou à promoção dos interesses dos jovens marginalizados e vulneráveis nos órgãos de tomada de decisões, incluindo a Assembleia Geral das Nações Unidas, e à concessão de igualdade de oportunidades a esses jovens, através da educação e do emprego, para lhes permitir que participem a todos os níveis da sociedade. Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt Pág. 3 / 5 Cultura de Paz O grupo de trabalho reconheceu que, para construir uma verdadeira cultura de paz, é necessário desenvolver a justiça e o respeito pelos direitos humanos. Subscreveu diversas propostas concretas, nomeadamente, a formação de uma rede de jovens que trabalhe com os organismos das Nações Unidas na resolução de conflitos, bem como uma rede que possa gerar mecanismos que garantam a participação de representantes dos jovens no processo de reconciliação, negociação e consolidação da paz. Exortou também à criação de programas de apoio ao ensino de uma cultura de paz, nas escolas, a todos os níveis. Política, Participação e Direitos dos Jovens Para além de instar as Nações Unidas a melhorarem as comunicações com organizações de juventude, este grupo de trabalho exortou os governos a incluírem representantes dos jovens nas suas delegações junto da Assembleia Geral das Nações Unidas e outras reuniões. Exortou ao empenhamento dos governos na implementação da Convenção dos Direitos da Criança, na sessão extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro. O grupo de trabalho pediu também às Nações Unidas que reformulem a sua definição de juventude – que abrange as idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos – e aumente o limite superior para os 30 anos, de modo a enfrentar os desafios que se colocam aos jovens, especificamente nos países em desenvolvimento. Raparigas e Mulheres Jovens O grupo de trabalho identificou três questões fundamentais que são relevantes para a promoção do progresso das raparigas e mulheres jovens – saúde, educação e prevenção da violência. Exortou ao ensino gratuito a todos os níveis para raparigas e adolescentes, bem como a uma redução dos custos dos contraceptivos e do tratamento do VIH/SIDA e à prevenção e tratamento de doenças transmitidas sexualmente. O grupo instou também os governos a fornecerem educação sexual e preparação para a vida familiar. Reclamou medidas para combater a violência com base no género, nomeadamente a criação de centros e serviços, orientados para os jovens e as pessoas do sexo feminino, para mulheres jovens e raparigas. Entre as outras recomendações, contaram-se os programas educativos destinados a consciencializar e eliminar os estereótipos e a utilização de jovens do sexo feminino com formação em matemáticas e ciências como modelos de comportamento. Juventude, Desportos e Actividades de Lazer Este grupo de trabalho recomendou uma maior colaboração entre as Nações Unidas e as organizações e associações de juventude e incentivou a assistência das Nações Unidas a essas organizações, a nível das bases, para a criação de actividades desportivas, culturais e tradicionais. Recomendou a promoção de medidas destinadas a participação de jovens trabalhadores voluntários em associações de juventude e organizações não governamentais, bem como a formação e a assistência técnica a essas organizações. Outras Recomendações Entre as outras recomendações dos participantes no Fórum, contaram-se a criação de mecanismos para controlo e implementação do Plano de Acção para a Juventude, aprovado em Braga em 1998, e da Estratégia de Dacar para Autonomização da Juventude, nomeadamente através de relatórios nacionais, relatórios dos governos e de um relatório mundial sobre a juventude publicado pelas Nações Unidas. Na sessão de encerramento do Fórum Mundial da Juventude, a Primeira-Ministra do Senegal, Mame Madior Boye, afirmou que o Fórum Mundial da Juventude foi um passo decisivo na direcção certa para enfrentar os problemas com que se deparam aos jovens de ambos os sexos e louvou as recomendações contidas na Estratégia de Dacar para a Autonomização da Juventude. Exortou os jovens a serem uma força de mudança no mundo, no âmbito da luta contra os problemas mundiais, como a fome e a pobreza. Odile Frank, da Secção de Integração Social da Divisão de Política Social e Desenvolvimento, das Nações Unidas, afirmou, nos seus comentários finais, que se sentia gratificada Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt Pág. 4 / 5 pelo facto de o Fórum Mundial da Juventude ter analisado duas questões que constituíam uma preocupação do Secretário-Geral das Nações Unidas: o desemprego dos jovens e a pandemia do VIH/SIDA. * *** * Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal www.onuportugal.pt Pág. 5 / 5