Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
ESTUDO DA SOLVATAÇÃO DA MÓLECULA DE
TRICLOROMONOFLUORMETANO (CFCl3 – CFC-11) POR DINÂMICA
MOLECULAR DE CAR-PARRINELLO
Rosemberg Fortes Nunes Rodrigues *(UEG), Maryhellen da Costa Monteiro (UEG), Elisana
Dias Barroso (UEG/ UniAnhanguera), Ademir João Camargo (UEG) e Solemar Silva Oliveira
(UEG)
[email protected]
Resumo
A molécula de CFCl3 - Tricloromonofluormetano ou triclorofluormetano é um
clorofluorcarboneto (CFC), também conhecido por freon-11, CFC-11 e R-11 e é substância
responsável pelo aumento da entrada de raios UV na atmosfera o que causa consideraveis
problemas tais como o câncer de pele, catarata, diminuição do fitoplâncton e redução das
colheitas. Neste trabalho faremos a simulação desta molécula isolada e da estudaremos sua
hidratação, através da dinâmica molecular de Car-Parrinello.
1. Introdução
Os clorofluorocarbonetos (clorofluorcarboneto, clorofluorcarbono ou CFC) são
compostos baseados em carbono cotem em sua estrutura átomos de cloro e flúor. Os CFC’s
são compostos pertencentes à função orgânica derivadas dos halogenados obtidos
principalmente pela halogenação do metano. Entre as principais aplicações se destacam o
emprego como solventes orgânicos, gases para refrigeração e propelentes em extintores de
incêndio e aerossóis. Estas moléculas são responsáveis pela redução da camada de ozônio.
Atualmente o seu uso é proibido em vários países. [1]
Quando o mais conhecido CFC, o freon, começou a ser utilizado vislumbrou-se a
solução para os problemas de refrigeração. O gás foi testa e não causava danos aos humanos.
Era o substituto perfeito para produtos anteriores tais como aqueles baseados em amônia.
Porém, descobertas recentes mostram que os CFC sofrem fotólise quando submetidos à
radiação UV, ultravioleta, dividindo-se na altura da camada de ozônio onde a presença desses
raios é intensa.
Alguns exemplos de exemplos de CFC são: CFCl3 (CFC-11), CF2Cl2 (CFC-12),
C2F3Cl3 (CFC-113), C2F4Cl2(CFC-114) e C2F5Cl (CFC-115).
Por exemplo a molécula de CFCl3 quando interage com a radiação ultravioleta libera
um cloro. O radical liver Cl que se forma reage com o ozônio, que por sua vez se co
decompõe em O2 (gás oxigênio) e ClO (monóxido de Cloro). O ClO fica disponível para
reagir com outra molécula de O3, que formará duas moléculas de O2 e o radical livre Cl
novamente poderá repetir o ciclo de reação. O Ciclo irá se prosseguir até que o cloro se ligue
a uma substância que não seja o O3 e formará um outra substância que eventualmente será
resistente à fotólise ou uma substância mais densa e poderá descer para uma camada mais
baixa que a camada de ozônio. Esse é o fenômeno responsável pela destruição da camada de
ozônio. O aumento da entrada de raios UV na atmosfera causa problemas tais como o câncer
de pele, catarata, diminuição do fitoplâncton e redução das colheitas.
Tricloromonofluormetano ou triclorofluormetano é um clorofluorcarboneto (CFC),
também conhecido por freon-11, CFC-11 e R-11. Ele é um líquido incolor e quase inodoro
que entra em ebulição a temperaturas próximas da temperatura ambiente. [2,3,4,5]
O objetivo do trabalho é abordar a estrutura do CFCl3, observando a sua solvatação
em água e analisando vários parâmetros cinéticos e termodinâmicos importantes para a sua
compreensão química.
1
Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
A dinâmica molecular é a ciência que estuda o comportamento de um sistema de
partículas dependente do tempo, tendo como objetivo predizer a energia associada a uma dada
conformação de uma molécula.
Os elementos essenciais para a execução de uma simulação de dinâmica molecular
são a descrição completa da energia potencial do sistema (potenciais empíricos) e as equações
de movimento que regem a dinâmica das partículas (Leis de Newton).
Através da Dinâmica Molecular calcula-se as propriedades de equilíbrio e de
transporte de um sistema de muitos corpos a partir das equações de movimento. Numa
simulação em dinâmica molecular são utilizados algoritmos para solução de tais equações
definindo a trajetória deste sistema. Uma vez obtida a trajetória do sistema, as propriedades de
equilíbrio e as grandezas dinâmicas podem ser calculadas em um código para a dinâmica
molecular.
A dinâmica molecular conhecida como dinâmica molecular ab initio[4], resulta da
combinação da dinâmica molecular clássica com o cálculo da estrutura eletrônica. Em 1985,
Roberto Car e Michelle Parrinello[5], apresentaram um novo método de dinâmica molecular,
de modo que o movimento iônico é descrito pela mecânica clássica e a aproximação de BornOppenheimer para separar as coordenadas nuclear e eletrônica.
A conexão do tratamento clássico dos núcleos com o tratamento ab initio dos
elétrons é dada a partir da formulação da Lagrangiana estendida,
(1)
de forma que a estrutura eletrônica é calculada auto-consistentemente permitindo às funções
de onda eletrônica seguirem o movimento dos íons adiabaticamente, uma vez que os elétrons
são levados à superfície de Born-Oppenheimer, e reali-zam somente pequenas oscilações ao
redor do estado fundamental.
Esta equação apresenta dois termos de energia cinética, um termo de energia total e
uma restrição de ortonormalidade imposta pelos multiplicadores de Lagrange, . O primeiro
termo é a energia cinética eletrônica, onde μ é um parâmetro de massa fictícia para os graus
de liberdade eletrônico. O segundo termo é a energia cinética nuclear onde MI é a massa
atômica real e RI é a coordenada iônica. O terceiro termo denota o funcional energia de KohnSham que é inserido na Lagrangiana para substituir a energia potencial na formula-ção
convencional da Lagrangiana, onde as funções de onda são dadas pelas equações de KohnSham:
(2)
com
(3)
onde Vxc é o potencial de correlação e troca. O quarto termo da Equação 1 faz com que o
movimento eletrônico seja forçado para a hipersuperfície graças à restrição de ortogonalidade
orbital, de forma que estas restrições na função de onda leva a “restrições de força” nas
equações de movimento[4,6].
A Lagrangiana do método de Car-Parrinello tem a propriedade de simetria que é
invariante sobre as transformações unitárias dos orbitais no espaço dos estados ocupados.
As equações de movimento do sistema dinâmico completo, são derivadas da
Lagrangiana a partir das equações asso-ciativas de Euler-Lagrange; As equações de
movimento de Car-Parrinello são estabelecidas sob as formas
2
Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
(4)
e
(5)
De acordo com as equações de movimento de Car-Parrinello, as Equações 4 e 5, os
núcleos evoluem no tempo a certa temperatura física instantânea
, enquanto que a
“temperatura fictícia”
está associada aos graus de liberdade eletrônicos. Isto
significa dizer que o subsistema eletrônico está próximo a sua energia mínima instantânea,
, quando sua temperatura é baixa, isto é, próxima à superfície de BornOppenheimer (costuma-se utilizar a terminologia “elétrons frios” para designar a baixa
temperatura do subsistema eletrônico).
A quantidade
pode ser escrita equivalentemente, conforme as idéias
trazidas pela Teoria do Funcional Densidade [7], como
, onde
é o
Hamiltoniano de Kohn-Sham.
As equações de movimento de Car-Parrinello conservam energia,
(6)
e a energia física do sistema é dada por
(7)
onde equivale à energia conservada menos a energia cinética eletrônica.
A minimização da energia, ou a otimização da geometria molecular, de um sistema é
um processo iterativo que visa encontrar um conjunto de coordenadas que minimizam a
energia potencial do sistema em estudo consistindo em percorrer a superfície de potencial na
direção em que a energia decresce de maneira que o sistema seja levado a um mínimo de
energia local próximo. A minimização da energia faz uso de uma pequena parte do espaço de
configurações e com os ajustes nas posições atômicas, as distorções nas ligações químicas e
nos ângulos entre as ligações, e os contatos de Van der Waals são relaxados. Alguns
algoritmos que podem ser utilizados para se conseguir a minimização do funcional energia de
Kohn-Sham são o Steepest Descent, o Damp e o Conjugate Gradient [4,8,9].
O método de Car-Parrinello foi aplicado originalmente usando conjuntos de base de
ondas planas empregando-se condições de contorno periódicas em conjunção com os
pseudopotenciais [5]. Quando as ondas planas são usadas como um conjunto de base para as
funções de onda eletrônica, as equações de Kohn-Sham assumem uma forma particularmente
simples [10].
(8)
3
Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
Nesta forma, a energia cinética é diagonal e as variações dos potenciais são descritas
em termos de suas Transformadas de Fourier. Nos cálculos práticos, a expansão de Fourier
das funções de onda é truncada mantendo somente os vetores de onda plana (k + G) com
energia cinética menor que um valor de corte EPW, com
(9)
Na versão original do método de Car-Parrinello, os pseudopotenciais de normaconservada [11,12] foram usados em sua forma completamente separável [13] e, em 1993,
Laasonen et. al. [14] implementou os pseudopotenciais ultrasoft de Vanderbilt [15] na
estrutura do método de Car-Parrinello. Desta forma, a energia total, descrita pelas funções de
onda é dada por
(10)
onde ( ) é a densidade eletrônica que é dada por
(11)
, é a energia de correlação e troca,
é a energia de interação íon-íon e as funções
são rigorosamente localizadas nas regiões do caroço.
Uma aproximação que controla a temperatura individual dos dois subsis-temas e
minimiza a perturbação do movimento iônico é obtido de uma extensão do esquema de
dinâmica molecular à temperatura constante introduzida por Nosé [15,16] e reformulada por
Hoover [17].
2. Materiais e métodos
O desenvolvimento do projeto será realizado no Laboratório de Química Teórica e
Estrutural de Anápolis (QTEA), localizado na Unidade Universitária de Ciências Exatas e
Tecnológicas (UnUCET) da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Serão utilizados
programas computacionais que utilizam métodos de mecânica quântica, dentro os quais os
programas HyperChem 8.0 e Gaussian03W, ambos utilizando o método da teoria do funcional
da densidade (DFT). As reações de complexação do ácido L-ascórbico com os íons serão
realizadas no pacote de programas QuantumEspresso utilizando o nível de dinâmica
molecular de Car-Parrinello. Com isso, serão utilizados o conjunto de bases ondas planas e
pseudopotenciais de Vanderbilt para a descrição dos elétrons da camada de valência, além de
utilizar o funcional de correlação de Becke e o funcional de troca de Lee-Yang-Parr (BLYP).
Para a otimização dos sistemas serão utilizados os algoritmos Steepest Descent, Damp e
Conjugate Gradient, e o algoritmo Verlet será aplicado para a realização das simulações de
dinâmica molecular. Os resultados serão avaliados a partir do programa Vizual Molecular
Dynamics, os gráficos serão plotados com o auxílio do programa Origin 6.0 Professional e as
figuras serão feitas com o auxílio do programa GaussView.
3. Resultado e discussão
Utilizamos em nossos cálculos um parâmetro de massa fictícia igual 500 u.a. e
realizamos cálculo para um tempo de 24 ps (aproximadamente 200.000 passos). A molécula
foi colocada em uma caixa com água e observamos dinamicamente a sua hidratação.
4
Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
A simulação ocorre com energias cinéticas bem distintas e constante de modo que a
energia eletrônica é menor em relação à energia iônica. A separação energética entre estas
energias cinéticas representa a diferença de energia entre os dois subsistemas. Os elétrons não
foram aquecidos na presença dos núcleos e mantiveram-se situados na superfície de BornOppenheimer, ou seja, no estado fundamental.
Fizemos cálculos para as distâncias e ângulos médios entre átomos. Resultados para
distribuição radial de pares mostra a presença de camadas de solvatação.
5. Conclusão
Essa molécula tem grande interesse social devido a tratar-se de uma estrutura nociva à
camada de ozônio. O tempo, ou seja, o tamanho do passo para a simulação foi importante,
mostrando que a quantidade de passos, em geral de 100.000, não foi suficiente para
visualizarmos estruturas interessantes. Para parâmetro de massa fictícia, 500 u.a., e o tempo
de simulação, 24 ps, as energias mantiveram um separação fixa o que significa que os elétrons
permanecem na superfície de Bohr Oppenheimer, ou seja, no estado fundamental.
6. Referências bibliográficas
1. http://pt.wikipedia.org/wiki/R-11.
2. Prado P., Armstrong R.L., Powell B.: "Comments on the crystal structure of solid
trichlorofluoromethane", Can. J. Phys. 73 (1995) 650–652.
3. Cockcroft J.K., Fitch A.N.: "Structure of solid trichlorofluoromethane, CFCl3, by
powder neutron diffraction", Z. Kristallogr. 209 (1994) 488–490.
4. S. S. Kumaran, M.-C. Su,† K. P. Lim, J. V. Michael,* and A. F. Wagner*. “Thermal
Decomposition of CFCl3” Chemistry Division, Argonne National Laboratory,
Argonne, Illinois 60439. J. Phys. Chem., 1996, 100 (18), pp 7533–7540
5. Marx, D. e Hutter, J. Ab Initio Molecular Dynamics – Basic Theory and Advanced
Methods. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.
6. Car, R. e Parrinello, M. Physical Review Letters, vol. 55, pág. 2471 (1985).
7. Fois, E. S.; Penman, J. I.; Madden, P. A. Journal Chemical Physics, vol. 98, pág. 6361
(1993).
8. Parr, R. G. E Yang, W. Density-Functional Theory of Atoms and Molecules. New
York: Oxford University Press, 1989.
9. Payne, M. C.; Teter, M. P.; Allan, D. C.; Arias, T. A. E Joannopoulos, J. D. Review of
Modern Physics, vol. 64, pág. 1045 (1992).
10.
Verlet, L. Physical Review, vol. 159, pág. 98 (1967).
11. Ihm, J.; Zunger, A. E Cohen, M. L. Journal of Physics C, vol. 12, pág. 4409 (1979).
12. Hamann, D. R., Schlüter, M. E Chiang, C. Physical Review Letter, vol. 43, pág. 1494,
(1979).
13. Bachelet, G. B.; Hamann, D. R. E Schlüter, M. Physical Review B, vol. 26, pág. 4199
(1982).
14. Kleinman, L. E Bylander, D. M. Physical Review Letter, vol. 48, pág. 1425, (1982).
15. Laasonen, K.; Pasquarello, A.; Car, R; Lee, C. E Vanderbilt, D. Physical Review B,
vol. 47, pág. 142 (1993).
16. Vanderbilt, D. Physical Review B, vol. 32, pág. 8412, (1985).
17. Nosé, S. Molecular Physics, vol. 52, pág. 255 (1984).
18. Nosé, S. Journal Chemical Physics, Vol. 81, pág. 511 (1984).
5
Download

Dinâmica Molecular de Car