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LÍNGUA DE SINAIS NO CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO DE SURDOS:
ALGUMAS QUESTÕES
Carolina Hessel Silveira
UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
Neste trabalho, vou discutir algumas questões sobre língua de sinais ou
estudos surdos no currículo de educação de surdos. Na primeira parte, vou
retomar um pouco da história da educação de surdos até a atualidade. Na
segunda parte, vou contar como surgiu meu interesse sobre a presença de
língua de sinais no currículo de educação de surdos. Na terceira parte, vou
trazer alguns dados preliminares de pesquisa que estou realizando para minha dissertação de mestrado.
1. Um pouco da história da educação de surdos. Tendências atuais.
Como sabemos, a educação dos surdos sempre foi decidida pelos ouvintes. Lulkin (2000, p.31) nos conta
que foi no século XVIII que apareceu a educação pública dos surdos, na França. Muito importante foi a pessoa do
abade L’Epée, que valorizava o uso da língua de sinais na educação dos surdos, no século XVIII. Conta-se que
naquela época se fundam várias escolas para surdos na Europa, usando línguas de sinais nacionais.
Mas, depois disso, veio o Congresso Mundial de Professores de Surdos, em Milão, na Itália, em 1880. Lá se
concluiu que todos os surdos deveriam ser ensinados pelo Método Oral Puro, contra o uso da Língua de Sinais. No
começo do século XX, no Brasil, foi adotado o oralismo como método de educação dos surdos , seguindo o
congresso de Milão.
No final da década de 70, começa no Brasil a Comunicação Total, que foi adotada por várias escolas de
surdos. Depois, na década de 80, por causa dos estudos de Lingüística e de outras teorias, começa a teoria de
educação de surdos chamada Bilingüismo. No Bilingüismo, se adota a Libras como primeira língua e o Português
como segunda língua. Esta é a tendência dominante atual na educação de surdos.
Tudo isso tem a ver com a importância da Língua de Sinais para a identidade surda e para o seu
desenvolvimento.
Perlin (s/d, p.1) nos diz:
Como datar o início da História da Língua dos Sinais? Ela surgiu com o surdo. A falta de audição deve
ser sempre a iniciativa para o surdo usar sinais. Cada sinal é um visível espaço de comunicação, a
captação pelos olhos depende da percepção e do conhecimento da pessoa em relação a significados e
significações do mesmo. Na História em geral, o aparecimento da língua de sinais está ligado à
educação do surdo.
A autora nos informa que em cada país, cada povo surdo tem sua língua de sinais e existem registros muito
antigos de língua de sinais muito antigas. A Língua de Sinais é a língua materna e natural dos surdos e é diferente para
cada povo. O bilingüismo reconhece a importância da língua de sinais para a identidade surda. .
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Tudo isso combina com a minha experiência pessoal e o que venho pensando sobre os surdos e sua
educação. Também nas leis, essa idéia é a que predomina sobre a educação de surdos. A importância da Libras é
reconhecida em decreto 5623, de dezembro de 2005, que regulamenta a lei nº 10.436/2002, e determina, em seu
artigo 3o.:
Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação
de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de
Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos
sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
2. Minha experiência com o ensino de Língua de Sinais na Educação de Surdos.
Dentro desse contexto de ensino bilíngüe, o ensino de Língua de Sinais ou Cultura Surda no currículo das
escolas de surdos torna-se importante. Para mostrar as dificuldades desse ensino, trago minha experiência pessoal.
No ano de 1999, fui convidada, em uma situação de emergência, para dar aula de Cultura Surda - este era o
nome que existia numa escola de surdos na Região Metropolitana de Porto Alegre, no RS. Aceitei bem empolgada:
pela primeira vez na vida ia ser professora de surdos, naquela época eu fazia curso de instrutores para dar aula de
Libras para ouvintes. Achava que o currículo e a metodologia eram parecidas para os alunos ouvintes e para os
surdos. Comecei no primeiro dia de aula. Cheguei lá e vi meus alunos pequenos me olhando como se esperassem o
que eu devia fazer com eles. Eu também olhava para eles como se encarasse, nem sabia o que fazer e como dar
aula. Atrapalhei-me um pouco. Após a aula, fui pedir para os professores ouvintes e surdos alguma coisa sobre o
currículo de Estudos Surdos; então recebi resposta simples:
- Não tem nada material, nem o currículo, nem a metodologia, nada, só pegar material de ouvintes e adaptar!
Pronto!
Esta frase me deixou indignada e decepcionada. Fui verificar material de ouvintes, mas não tinha nada a ver
com a forma de surdos ensinarem e aprenderem, também era difícil para adaptar. Lunardi (1998, p. 33) fala que nas
escolas de surdos existem muitos tipos de currículos, como: “currículo adaptado da escola regular, currículo da
escola regular, currículo especial, currículo mínimo, currículo oral”. Isso é igual o que me disseram para fazer:
“currículo adaptado da escola regular”.
Pensei que eu ia achar um dia o currículo adequado, mas nada apareceu. Após anos, fui para outra escola em
que o nome da disciplina era Língua de Sinais; mas, mesmo que o nome fosse diferente, o ensino era igual à escola
anterior. Eu até desconhecia alguns conteúdos, que não tinham explicação. Tive que conversar com vários
professores surdos que dão aula de Língua de Sinais (pois a maioria das escolas de surdos tem a disciplina chamada
Língua de Sinais e não Estudos Surdos) para resolver e desenvolver o ensino de Estudos Surdos. Mas também esses
professores não sabiam muitas coisas, pois existem poucas informações, pouca divulgação de Estudos Surdos, etc...
Também aqui não tinha formação de cursos de professores de Estudos Surdos para surdos. Até houve uma reunião
de encontro de professores surdos de Língua de Sinais para discussão, mas tudo ficou na mesma situação! .
Dentro dessa situação, é que resolvi escolher este assunto de pesquisa, para poder desenvolver o currículo
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de Estudos Surdos nas escolas de surdos. O pior acontece quando eu viajo para outros estados do Brasil e visito as
escolas de surdos, mas que não têm ensino de Estudos Surdos. Pergunto-me como surdos podem não ter ensino de
Estudos Surdos, com reflexão sobre sua própria identidade e língua. Isto representa um risco “alto” de que os
surdos possam desvalorizar sua própria identidade, cultura, até desconhecendo que a Língua de Sinais é sua própria
língua, sem conhecer gramática, literatura surda, etc... Isto é carência cultural. Como falei anteriormente, faltam
registros sobre os problemas da educação dos surdos, especificamente sobre o ensino de Língua de Sinais e de
Estudos Surdos.
3. Importância e dificuldades atuais na implantação da Língua de Sinais
Entendo que os Estudos Surdos se tornam importantes na escola, no currículo, porque estão envolvidos com a
construção de identidades surdas, para dar poder aos surdos, através de ações concretas, como criar comunidade
surda nos locais como associações de surdos, atuar na educação de surdos, nos movimentos surdos, até ter
conhecimentos de variantes de Língua de Sinais. Os Estudos Surdos incluem o ensino de Língua de Sinais e ensino
de
Cultura Surda. Isso vai fazer o empoderamento dos alunos surdos, vai fazer com que eles assumam suas identidades.
Mas, infelizmente, a maioria das escolas de surdos brasileiras não tem ensino de Estudos Surdos, pois
pensam que não precisa o ensino de Estudos Surdos focalizado no currículo, porque já tem comunicação através da
Língua de Sinais nas outras disciplinas. Outras escolas têm a filosofia do Oralismo; acho que o maior problema é a
tradição da filosofia oralista ou Comunicação Total.
Algumas escolas que têm a filosofia do Oralismo ou
Comunicação Total aceitam Estudos Surdos na teoria, mas na prática não usam ou usam pouco.
Quando as escolas têm alguma disciplina específica, a disciplina tem o nome de Língua de Sinais, que eu
estou pesquisando. Mas isso vai ser chamado Estudos Surdos no currículo, pois é um termo mais geral, que engloba
identidade, cultura surda, língua de sinais, movimentos surdos, empoderamento...
Também atualmente tem livros que falam dos Estudos Surdos, dos Estudos Culturais, ou vários temas sobre
surdos, mas a educação de surdos não usa ou ignora possíveis mudanças na educação de surdos. A educação
sempre é conservadora, embora haja mudanças no tempo e espaço em qualquer cultura, diferenças, etc...
A
educação sempre demora para acompanhar as mudanças da sociedade.
Assim, vemos que as escolas de ouvintes têm ensino de Língua Portuguesa, História (das culturas ouvintes),
Filosofia, que ajudam a política, os conhecimentos, o ensino da cidadania, num currículo que começou a existir pelo
século XIX.
As escolas de ouvintes têm ensino de Língua Portuguesa; para que serve, se os alunos ouvintes já falam
Português? Para desenvolver diferentes possibilidades de explorar a língua. Conhecer suas variantes, adequar o uso
ao contexto, desenvolver a escrita, e assim por diante. É a mesma coisa: surdos necessitam do estudo de Língua de
Sinais. A disciplina de História, para que serve? Ter conhecimentos sobre a linha do tempo, os acontecimentos, as
políticas, os interesses, as formas de pensar... A filosofia? Para ajudar a refletir, aprofundar o pensamento, identificar
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relações de poder... Assim, surdos também precisam ter conhecimentos sobre os acontecimentos que envolvem a
comunidade surda, para adquirirem sua identidade, se inserir em sua cultura, etc... No caso dos ouvintes, eles têm
uma vida social, com muitas informações, que vêm da família ouvinte, da mídia, de vários lugares. Mas onde podem
os surdos construir a sua identidade, se muitos deles vêm de famílias onde só existem ouvintes?
Só através da educação, das associações de surdos, da comunidade surda. Por isso resolvi estudar o
currículo de Estudos Surdos de uma forma geral e nesse trabalho trago alguns dados preliminares da pesquisa que
estou realizando.
Lembro que os lingüistas pesquisam a Língua de Sinais já faz anos, tem livros publicados sobre Língua de
Sinais, mas poucas escolas usam as discussões e reflexões dos surdos; sempre usam educação do passado
ignorando os estudos sobre a LS e não incorporando os aspectos que são fundamentais da perspectiva surda. A
filosofia de surdos não é só de agora, já existe há séculos, mas sofreu “violência filosófica” dos ouvintes como no
Congresso de Milão, em 1880, que estabeleceu o predomínio do Oralismo. Atualmente nós, professores de surdos,
temos de resgatar a filosofia do passado.
Para iniciar a pesquisa fiz um primeiro levantamento de currículos de LS existentes nas escolas de surdos no
Rio Grande do Sul, através de informações que eu tinha sobre essas escolas. Para encontrar esses currículos,
mandei mensagens por e-mail e também perguntei diretamente aos professores surdos das escolas, que eu já
conhecia. Eu fiz duas perguntas simples: se tinha ensino de Língua de Sinais na escola e se tinha currículo escrito
(documentado) nas escolas de surdos. No Rio Grande do Sul, tive contato com professores de treze escolas de
surdos (região metropolitana de Porto Alegre e maiores cidades do Estado); dessas, apenas onze têm ensino de LS;
dez têm currículo escrito, um documento. Dessas treze escolas de surdos, dez são públicas e três são privadas.
Inicialmente, peguei 3 currículos escritos de escolas do Rio Grande do Sul. O primeiro currículo escrito
pertence à Escola de Ensino Fundamental Frei Pacífico, de Porto Alegre, que é particular, pois tenho contato nesta
escola. Também acessei o currículo escrito de outra escola, Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores Paulo
Freire (CMET) que é municipal, de Porto Alegre, ensina Alfabetização e Pós-Alfabetização, como se fossem séries
iniciais. O CMET trabalha só com jovens de mais de 14 anos e adultos. Também poucas escolas de surdos têm o
currículo de Estudos Surdos nas séries iniciais, por isso escolhi esta escola. Último currículo escrito foi retirado da
Escola Estadual Lilia Mazeron, estadual, de Porto Alegre, tem ensino fundamental.
Observei, então, esses currículos escritos das escolas gaúchas, que mostraram poucos conteúdos para o
ensino. Alguns conteúdos eu desconheço. Não têm nenhuma explicação nestes conteúdos. Para analisa-los, vou
chamar os currículos escritos das escolas como currículo A, currículo B e currículo C.
Os currículos A e B são listas de conteúdos divididos por série, sem mais explicações. Eles são parecidos
entre si e diferentes do currículo C. Por isso, vou analisar C depois.
Também fiz entrevistas com professores surdos que aplicam tais currículos. Sobre o currículo A, a professora
entrevistada disse que este currículo foi feito no ano 1999, ficou intacto até hoje; mas algumas modificações só as
professoras anotam em seus papéis, como caderno ou agenda. Também tem muitos conteúdos repetidos todos os
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anos, sem explicação da diferença. A 1º e 2º séries mostram conteúdos totalmente iguais: Trabalhar em história,
Hora do Conto, Vocabulário de sinais, Gramática de Libras, Escrita de Língua de Sinais, Configuração das
mãos, Descrição das figuras, Jogos e Valores.
Este currículo não mostrou totalmente o poder surdista, tendo poucos conteúdos, repetitivos, reproduções,
simplificações, desestimulantes... Conforme Silva (1999, p. 134) :
Quais são as implicações dos Estudos Culturais para a análise do currículo e para o currículo? Em
primeiro lugar, os Estudos Culturais permitem-nos conceber o currículo como um campo de luta em
torno significação e da identidade.
Então mostro agora outro currículo escrito na outra escola, que é parecido com este currículo que acabei de
explicar. Só foi ampliado e modificado um pouco, o que foi feito no ano 2005.
Também nesta escola B, a professora surda entrevistada descobriu, neste ano de 2005 em que ela começou
a trabalhar, que existe ensino de Estudos Surdos há anos mas nunca teve um currículo documentado, porque outros
professores surdos não resolveram fazer um currículo nem pegar um currículo velho para modificar. Será que foram
colonizados pelos ouvintistas ou não tinham uma reflexão surdista ou não tinham empoderamento surdista ? Estes
professores já eram mais antigos na escola, e na época deles na educação não tinha ensino de Estudos Surdos para
que eles pudessem ter reflexão surdista e ter empoderamento surdista.
Sobre o currículo B, todos os conteúdos das séries são parecidos, só vão aumentando. Por exemplo, na 1º
série tem nove conteúdos (Hora do conto, Explorar vocabulários de sinais, Trabalhar em histórias,
Conversas, Jogos, Descrição das figuras, Narrativa das figuras, Configuração das mãos e Expressões
faciais). Na 2º série tem todos estes nove, mais dois conteúdos (Arquitetura da escola e Teatro). Na 3º série,
tem os onze conteúdos da 2º série, mais seis conteúdos: Seqüência em Libras, Conhecimentos com sinais em
lugares, História dos surdos, Piadas surdas, Cultura surda e Datas comemorativas.
A análise dos conteúdos mostra que os currículos são repetidos de uma série para a outra. Parece que os
alunos não vão para a frente. Organizei quatro grupos de conteúdos:
Primeiro grupo de conteúdos é Libras (I) que mostra vários assuntos; exemplo de conteúdo - Hora do Conto,
Trabalhar em histórias, Gramática de Libras, Configuração das mãos, Escrita de Língua de Sinais,
LIBRAS X Língua Portuguesa, Seqüência em Libras, Conhecimentos com sinais em lugares, Expressões
faciais, Expressões corporais.
Segundo grupo de conteúdos é Cultura Surda (II), que contém os conteúdos História do surdo, Cultura Surda,
Piada Surda (este tem alguma relação com a questão das identidades surdas).
Outro terceiro grupo tem alguns conteúdos que são mais de Metodologia (III), de como trabalhar para
desenvolver vocabulário e Libras, como Descrição de figuras, Jogos, Conversas, Narrativa de figuras,
Teatro, Ditados em Libras. Outros conteúdos (IV) são mais difíceis de explicar, porque pertencem a currículo
em geral.
Então mostro agora o último currículo - C - escrito na escola, que observei que é diferente dos outros
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currículos A e B. Ele foi apresentado escrito à mão pelo próprio professor surdo, e não é documento da escola. O
currículo mostrou que é surdista, e o seu principal conceito é Identidade Cultural, com vários grupos (11), de
conteúdos. Os onze grupos são: Literatura, Língua de Sinais, Espaço, Legislação, História/Tempo, Tecnologia,
Poder /Saber, Piada, Mídia, Saúde/Ciência Interfaces. Na entrevista que realizei com o professor, verifiquei que ele
tem conhecimento profundo de muitas questões debatidas entre os grupos surdos e pode passar isso para seus
alunos, representando uma abertura para o empoderamento dos surdos.
4. Observações finais
Podemos observar que existe muito por fazer ainda no currículo de Língua de Sinais e Cultura Surda. Entre
os principais problemas encontrados nesse estudo inicial estão: a maioria dos currículos foram improvisados; eles
tiveram poucas mudanças em sua aplicação; nem foram discutidos estes currículos; professores não têm formação de
Língua de Sinais; maioria da escola só tem um professor surdo de Língua de Sinais, o que dificulta trocar idéias ou
informações com outros professores da mesma escola. Em resumo, o currículo de Língua de Sinais foi discutido
pouco com os professores surdos e, de maneira geral, se apresenta de forma muito pobre.
Mas há algumas novidades boas, como o currículo (C) que está sendo desenvolvido por um professor com
consciência da importância da identidade surda. Este professor que vive na comunidade surda, tem conhecimento de
política surda, etc... Também, neste momento, estão anunciando um novo curso de graduação a distância em
Letras/Licenciatura com habilitação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) em UFSC (Universidade Federal de
Santa Catarina). A UFSC oferecerá, a partir deste ano, em parceria com outras oito instituições de ensino superior.
Isto pode melhorar a qualificação do ensino de Língua de Sinais, mas só se incorporar as discussões que já vêm
sendo feitas na comunidade dos surdos nestes últimos anos. Todas as questões de currículo para as escolas dos
surdos são também questões para a política da comunidade surda.
Referências
DECRETO-LEI
n.
5626.
Disponível
em
http://www.presidencia.gov.br/CCIVIL/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm. Acesso em 19 de março de 2006.
LULKIN, Sérgio. O silêncio disciplinado – a invenção dos surdos a partir de representações ouvintes. Porto
Alegre: Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, 2000.
LUNARDI, Márcia. Educação de surdos e currículo: um campo de lutas e conflitos. Dissertação de Mestrado.
Porto Alegre, PPGEdu-UFRGS, 1998.
PERLIN, Gládis. A história da língua do povo surdo. Texto digitado, s/d.
SILVA, Tomaz Tadeu da. O currículo como fetiche – a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte:
Autêntica, 1999.
RESUMO
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LÍNGUA DE SINAIS NO CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO DE SURDOS: ALGUMAS QUESTÕES
Palavras-chave: currículo – educação de surdos – língua de sinais
Neste trabalho, vou discutir algumas questões sobre língua de sinais ou
estudos surdos no currículo de educação de surdos. Na primeira parte, vou
retomar um pouco da história da educação de surdos até a atualidade, mostrando como esta educação tem sido
decidida pelos ouvintes e como a tendência atual é da educação bilíngüe e valorização da cultura surda. Na segunda
parte, mostro a importância de existir Estudos Surdos (disciplina que aparece com o nome de Língua de Sinais) nas
escolas para surdos, para fortificar a identidade surda. Também conto como surgiu meu interesse sobre a presença
de língua de sinais no currículo de educação de surdos, a partir da minha experiência pessoal como professora e as
dificuldades que encontrei pela falta de definição do currículo. Na terceira parte, trago alguns dados preliminares que
apareceram numa pesquisa que estou fazendo, em que coletei currículos de Língua de Sinais de 3 escolas de surdos
de Porto Alegre, e fiz entrevistas com professores que os aplicam.
De um lado, encontrei dificuldades em currículos que parecem não ter muita importância para os alunos surdos, assim
como falta de preparo de professores para trabalhar com a disciplina. Mas encontrei novidades em um currículo,
com conteúdos novos que o professor trabalha, como Identidade Cultural, Literatura, Língua de Sinais, Legislação,
História/Tempo, Poder /Saber, contribuindo para o fortalecimento das identidades surdas em seus alunos.
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