IGOR ANTÔNIO DE ARAÚJO PINTO AVALIAÇÃO DO POTENCIAL CARCINOGÊNICO DO DIBENZOTIOFENO E DIBENZOTIOFENO SULFONA EM RATOS WISTAR Ouro Preto – MG, Outubro de 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS AVALIAÇÃO DO POTENCIAL CARCINOGÊNICO DO DIBENZOTIOFENO E DIBENZOTIOFENO SULFONA EM RATOS WISTAR AUTOR: Igor Antônio de Araújo Pinto ORIENTADOR: Prof. Dr. Milton Hércules Guerra de Andrade COORIENTADOR: Profª. Drª. Cibele Velloso Rodrigues Dissertação submetida ao programa de PósGraduação do Núcleo de Pesquisas em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto, como parte integrante dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Biológicas, área de concentração: Biologia Molecular. Ouro Preto – MG, Outubro de 2012 A663a Pinto, Igor Antônio de Araújo. Avaliação do potencial carcinogênico do dibenzotiofeno e dibenzotiofeno sulfona em ratos wistar [manuscrito] / Igor Antônio de Araújo Pinto. - 2012. xix, 90f.: il., color; graf.; tabs.; mapas. Orientador: Prof. Dr. Milton Hércules Guerra de Andrade. Coorientadora: Profª. Drª. Cibele Velloso Rodrigues. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Ouro Preto. Instituto de Ciências Exatas e Biológicas. Núcleo de Pesquisas em Ciências Biológicas (NUPEB). Área de concentração: Biologia Molecular. 1. Dibenzotiofeno (DBT) - Teses. 2. Dibenzotiofeno sulfona (DBTO2) - Teses. 3. Câncer - Teses. 4. Marcadores biológicos de tumor Teses. 5. Proteinase - Inibidores, Bowman-Birk (BBI) - Teses. I. Universidade Federal de Ouro Preto. II. Título. CDU: 577.112:616-006 Catalogação: [email protected] iii iv COLABORADORES Prof. Dr. Wanderson Geraldo de Lima Profª. Dra. Renata Guerra de Sá Cota v Este trabalho foi realizado no LABORATÓRIO DE ENZIMOLOGIA E PROTEÔMICA – ICEB/NUPEB/UFOP, com auxílio da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). vi Dedico esta dissertação aos meus pais e familiares, incentivadores e cúmplices do meu aprendizado. vii “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo” Winston Churchill viii AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela força e serenidade para trilhar meus caminhos. À minha mãe, sinônimo de amor, força e inspiração. Obrigado por acreditar em mim e abrir mão de tanto pela minha felicidade. Ao meu pai, pela torcida e exemplos de vida. Aos meus irmãos pela amizade, cumplicidade e por sempre estimularem meu crescimento pessoal e profissional. À Célia, por todos esses anos de carinho e apoio incondicional. Ao Prof. Dr. Milton Hércules Guerra de Andrade, pela oportunidade, orientação e aprendizado. Agradeço pela grande amizade criada nesses anos de convívio. À Profª. Drª. Cibele Velloso Rodrigues pela cooperação ao longo do trabalho. Ao Prof. Dr. William de Castro Borges, pela amizade e ensinamentos. Ao Técnico José Henrique Braga Fortes, pela amizade, piadas e pelos importantes conselhos durante esses anos de laboratório. Ao Prof. Dr. Wanderson Geraldo de Lima, pelo aprendizado e colaboração. À Profª. Drª. Renata Guerra de Sá Cota, pelo aprendizado e colaboração. Aos alunos da pós-graduação do laboratório, Karina, Marina, Jonathan, Gustavo, Lorran, Leandro, André, Fernanda e demais alunos do LEP, Aline, Vinícius e Simone. “Hoje, cheguei ao LEP, peguei meu jaleco e fui trabalhar...” Às pessoas que me auxiliaram durante a execução do projeto, Karina, Roberta, Leandro, Victor, Prof. Dr. Laser e Prof. Dr. Leandro. Aos diversos laboratórios do NUPEB por permitirem o uso de equipamentos e dependências para realização de parte deste trabalho. Aos demais professores do NUPEB que contribuíram de maneira construtiva para a realização deste trabalho. Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho. ix ÍNDICE Resumo...........................................................................................................................xii Abstract.........................................................................................................................xiv Lista de Abreviaturas...................................................................................................xvi Lista de Figuras..........................................................................................................xviii Lista de Tabelas.............................................................................................................xx 1. Introdução....................................................................................................................2 1.1. Epidemiologia do Câncer................................................................................2 1.2. Biologia do Câncer.........................................................................................3 1.3. Câncer Colorretal............................................................................................5 1.3.1. Carcinogênese Intestinal..................................................................9 1.4. Carcinogênese Química................................................................................11 1.4.1. Dibenzotiofeno (DBT) e seu metabólito Dibenzotiofeno Sulfona (DBTO2)...................................................................................................13 1.4.2. 1,2-Dimetilhidrazina (DMH) - Indutor Clássico de Câncer..........14 1.5. Marcadores Moleculares do Câncer.............................................................16 1.5.1. O Antígeno Carcinoembrionário (CEA)........................................16 1.5.2. Importância da Molécula CD44.....................................................18 1.6. Importância das Proteases no Desenvolvimento de Neoplasias...................20 1.6.1. Inibidores de Proteases do Tipo Bowman-Birk (BBI)...................22 2. Justificativa e Objetivos............................................................................................27 2.1. Justificativa...................................................................................................27 2.2. Objetivo Geral...............................................................................................27 2.3. Objetivos Específicos...................................................................................27 3. Materiais e Métodos..................................................................................................30 3.1. Indução de Câncer em ratos Wistar tratados com DMH, DBT e DBTO2....30 3.2. Avaliação Morfológica Microscópica (Histologia)......................................31 3.3. Imunohistoquímica.......................................................................................32 3.4. Análise por Fluorescência Direta (FA).........................................................33 3.4.1. Conjugação BBI-FITC...................................................................33 3.4.2. Preparação dos Cortes Histológicos para FA.................................33 3.5. Captura e Análise de Imagens......................................................................34 x 3.6. Análise da Expressão Gênica por qPCR (Real Time)...................................35 3.6.1. Oligonucleotídeos Iniciadores (Primers).......................................35 3.6.2. Extração de RNA Total..................................................................36 3.6.3. RT-PCR e Obtenção dos cDNA’s..................................................37 3.6.4. Reação da PCR Quantitativa em Tempo Real (qPCR)..................38 3.6.5. Curva de Eficiência dos Primers...................................................39 3.6.6. Curva de Dissociação dos Amplicons............................................41 3.7. Análise Estatística.........................................................................................42 4. Resultados e Discussão..............................................................................................44 4.1. Efeitos Biológicos da Indução Química por DBT, DBTO2 e DMH em Ratos Wistar...................................................................................................................44 4.1.1. Variação Massa Corporal dos Animais Associada aos Carcinógenos Durante Tratamento..........................................................44 4.1.2. Avaliação das Alterações de Peso do Fígado e do Baço................45 4.2. Avaliações Morfológicas Macroscópicas.....................................................46 4.3. Avaliações Morfológicas Microscópicas (Histologia).................................47 4.4. Imunohistoquímica.......................................................................................54 4.5. Ensaios de Fluorescência com BBI – FITC..................................................58 4.6. Expressão Gênica Relativa dos Transcritos Avaliados.................................60 5. Conclusão...................................................................................................................67 6. Perspectivas................................................................................................................70 7. Referências Bibliográficas…………………………………………………………71 8. Anexos.........................................................................................................................88 xi RESUMO O elevado nível de compostos sulfurados em derivados do petróleo é considerado prejudicial à qualidade de combustíveis, sendo sua remoção, mesmo que parcial uma das exigências no processo de refino. Além disso, legislações específicas delimitam sua concentração máxima em combustíveis fósseis, a fim de minimizar efeitos negativos dos compostos organossulfurados no ambiente. Dentre tais compostos, o dibenzotiofeno (DBT) é um hidrocarboneto policíclico aromático sulfurado, referência em trabalhos de remediação ambiental e com atividade carcinogênica. Considerando a importância dessa classe de substâncias na oncogênese e a escassez de estudos toxicológicos relacionados ao DBT, essa dissertação apresenta como objetivo, uma avaliação dos efeitos tóxicos provocados pelo tratamento crônico de ratos Wistar com doses sub-letais de DBT e de seu derivado oxidado DBTO2 (dibenzotiofeno sulfona), e compara o potencial toxicológico dessas substâncias com o agente mutagênico clássico 1,2-dimetilhidrazina (DMH). Esse trabalho permitiu uma avaliação do tratamento crônico com a dose de 30 mg/Kg de DBT e DBTO2 em ratos Wistar, sendo observadas lesões pré-neoplásicas nos intestinos delgado e grosso dos animais tratados, com intensidade e características semelhantes às lesões observadas no cólon de ratos tratados com DMH. As lesões, identificadas pelas análises histopatológicas, indicaram a ocorrência de um processo neoplásico em fase inicial de desenvolvimento. Além disso, verificou-se a marcação de células empregando-se técnicas imunohistoquímicas com anticorpos para o antígeno carcinoembrionário (CEA) e CD44, para os grupos DMH, DBT e DBTO2, com intensidades semelhantes. Através dessa avaliação, tais resultados indicam que a capacidade de induzir neoplasias do DBT e do DBTO2, se assemelha ao DMH, que é considerado um potente carcinógeno. Além disso, foi realizada análise da expressão gênica, por meio de qPCR, de transcritos de Cd44, c-Myc, c-Jun, Stat3, Psma6, Mapk3 e Sulf1, que são genes conhecidos como bons indicadores de câncer em fase avançada. Esses resultados apontaram que não ocorreram alterações nos níveis de expressão desses genes suficientes para a detecção em extratos de pólipos intestinais. Paralelamente, investigando-se a possibilidade de utilizar o inibidor Bowman-Birk como ligante específico de proteases usualmente superexpressas em tumores, cortes xii frescos de pólipos intestinais foram incubados com um conjugado BBI-FITC. Verificou-se uma marcação do conjugado BBI-FITC mais intensa em todos os grupos submetidos aos tratamentos com os agentes químicos. O aumento da fluorescência nos grupos testes foi em torno de 1,7 vezes maior em relação aos controles, e de maneira semelhante entre os grupos DMH, DBT e DBTO2. Sendo assim, verificou-se que o conjugado BBI-FITC, proposto como um ligante específico de proteases tripsina e quimotripsina símiles, indicou ser satisfatório para detecção do aumento da concentração de proteases-alvo do BBI, em animais tratados com agentes carcinógenos em estágio neoplásico inicial de desenvolvimento. Esses resultados demonstram que os inibidores de Bowman-Birk podem ser úteis no diagnóstico precoce de análises histopatológicas de animais submetidos à exposição a agentes químicos como DMH e também para os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos sulfurados como o DBT e DBTO2. xiii ABSTRACT The high level of sulfur compounds in petroleum is detrimental to the quality of fuels, and its removal, even partially, is one of the requirements in the refining process. Furthermore, specific laws delimit its maximum concentration in fossil fuels, in order to minimize negative effects of organosulfur compounds in the environment. Among such compounds, dibenzothiophene (DBT) is a polycyclic aromatic hydrocarbon sulphide, a reference in environmental remediation works and with carcinogenic activity. Considering the importance of this class of substances in oncogenesis and the lack of toxicological studies related to DBT, this dissertation presents the objective, an assessment of the toxic effects caused by chronic treatment of rats with sub lethal doses of DBT and its oxidized derivative DBTO2 (dibenzothiophene sulfone), as well as compares the toxicological potential of these substances with the classic mutagen 1,2dimethylhydrazine (DMH). This work performed an assessment of chronic treatment at the dose of 30 mg/kg of DBT and DBTO2 in Wistar rats, precancerous lesions in small and large intestines of the treated animals were observed, with intensity and characteristics similar to those reported lesions in the colon of rats treated with DMH. The lesions identified by histopathological analysis indicated the occurrence of a neoplastic process in early development. Furthermore, there was labeling of cells employing immunohistochemical techniques with antibodies to carcinoembryonic antigen (CEA) and CD44, for groups DMH, DBT and DBTO2 with similar intensity. Through this assessment, these results indicate that the ability to induce tumors of DBT and DBTO2 resembles the DMH, which is considered a potent carcinogen. Furthermore, analysis was performed of gene expression by qPCR of transcripts Cd44, c-Myc, c-Jun, Stat3, Psma6, Mapk3 e Sulf1, which are known genes to be good indicators of advanced cancer. These results indicated that no changes in expression levels of these genes sufficient for detection in extracts of intestinal polyps. In parallel, investigating the possibility of using the Bowman-Birk inhibitor as a specific ligand of proteases usually over expresses tumors, fresh cuts of polyps were incubated with a FITC-BBI conjugated. There was a labeling FITC-BBI conjugated more intense in all groups submitted to treatment with chemical agents. The increase in fluorescence in the test groups was around 1.7 times higher than in controls, and similarly between groups xiv DMH, DBT and DBTO2. Thus, it was found that the BBI-FITC conjugate, proposed as a specific binder of proteases trypsin and chymotrypsin similes, indicated to be satisfactory for detection of increased concentrations of the BBI target proteases in animals treated with carcinogens at the initial stage of neoplastic development. These results demonstrate that the Bowman-Birk inhibitors may be useful in the early diagnosis of pathological examinations of animals subjected to exposure to chemical agents such as DMH and polycyclic aromatics sulphides as DBT and DBTO2. xv LISTA DE ABREVIATURAS A - Adenina ACF - Focos de criptas aberrantes Actb - Actina β ANOVA - Análise de variância Apc - Adenomatous polyposis coli BBI - Inibidores tipo Bowman-Birk CcnD1 - Ciclina D1 CCR - Câncer colorretal CD44 - Cluster of differentiation 44 Cd44 - Gene que codifica a proteína CD44 cDNA - DNA complementar CEA - Carcinoembrionic antigen CEUA - Comissão de ética no uso de animais c-Jun - Proto-oncogene que codifica a proteína JUN c-Myc - Myelocytomatosis proto-oncogene Ctnnb1 - β-catenina DBT - Dibenzotiofeno DBTO2 - Dibenzotiofeno sulfona Dcc - Deleted in colorectal carcinoma DL50 - Dose Letal 50% DMH - 1,2-Dimetilhidrazina DMSO - Dimetilsulfóxido DNA - Ácido desoxirribonucleico F’ - Primer forward FA - Fluorescência direta FITC - Isotiocianato de fluoresceína G - Guanina HE - Hematoxilina/Eosina HPAs - Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos HRP - Horseradish peroxidase IARC - Agência internacional para pesquisa em câncer xvi IHQ - Imunohistoquímica INCA - Instituto Nacional do Câncer kDa - KiloDalton K-ras - Rat sarcoma gene KTI - Inibidores do tipo Kunitz Mapk3 - Mitogen activated protein kinase 3 nm - Nanômetro ng/mL - Nanogramas por mililitros O6-MeG - Oxigênio ligado ao carbono seis da guanina p185HER2 - Human epidermal growth factor receptor 2 gene P450 - Família de proteínas celulares com um pigmento característico a 450 nm p53 - Proteína 53 PCR - Reação em cadeia da polimerase Psma6 - Proteasome subunit alpha type 6 qPCR - Quantitative polymerase chain reaction R’ - Primer reverse R2 - Coeficiente de correlação dos genes RGD - Rat genome database RNA - Ácido ribonucleico RNAm - Ácido ribonucleico mensageiro Stat3 - Signal transducer and activator of transcription 3 Sulf1 - Sulfatase 1 TCF - T-cell family Tm - Melting temperature WHO - World Health Organization Wnt - Wingless tail, via sinalizadora celular que controla a comunicação célula-célula. xvii Lista de Figuras Figura 01: Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes por sexo, estimados para 2012 no Brasil, exceto pele não melanoma............................................02 Figura 02: Sequência adenoma-carcinoma em câncer colorretal...................................07 Figura 03: Modelo da via sinalizadora Wnt...................................................................10 Figura 04: Esquema de acumulação de alterações genéticas em células susceptíveis...11 Figura 05: Modelo da via 4S de oxidação do DBT........................................................14 Figura 06: Modelo de metilação do oxigênio ligado ao carbono seis da guanina causado pela DMH........................................................................................................................16 Figura 07: Esquema de interação de uma isoforma de CD44 na sinalização oncogênica e progressão tumoral........................................................................................................17 Figura 08: Modelo estrutural para o antígeno carcinoembrionário................................19 Figura 09: Esquema das etapas de progressão tumoral e do envolvimento das proteases no desenvolvimento do câncer........................................................................................21 Figura 10: Estrutura do BBI da soja, como determinado por Odani e Ikenaka (1973)..23 Figura 11: Esquema representativo do tempo de tratamento e de espera para o desenvolvimento de alterações patológicas nos animais tratados com DMH, DBT e DBTO2.............................................................................................................................31 Figura 12: Análise da qualidade das extrações de RNA total........................................37 Figura 13: Gráfico de amplificação referente à curva de eficiência do gene c-Myc utilizando diluição seriada de 5x de cDNA de pólipos intestinais..................................39 Figura 14: Curva padrão referente ao gene c-Myc utilizando diluição seriada de 5x de cDNA de pólipos intestinais............................................................................................40 Figura 15: Curva de dissociação referente ao amplicon do primer c-Myc.....................41 Figura 16: Gráfico de acompanhamento de peso dos animais pertencentes aos grupos controles e testes ao longo de 10 semanas de tratamento................................................45 Figura 17: Relações Peso Fígado/Peso Animal provenientes dos grupos controles e testes ao final do período de tratamento/latência.............................................................45 Figura 18: Relações Peso Baço/Peso Animal provenientes dos grupos controles e testes ao final do período de tratamento/latência......................................................................46 Figura 19: Fotografias de pólipos intestinais (grosso e delgado) induzidos por tratamento químico em ratos Wistar................................................................................47 xviii Figura 20: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (4µm) coradas pela técnica de HE...........................................................................................................52 Figura 21: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino grosso (4µm) coradas pela técnica de HE...........................................................................................................53 Figura 22: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação de células marcadas pelo anticorpo para CEA nos cinco grupos avaliados.............................................................55 Figura 23: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação de células marcadas pelo anticorpo para CD44 nos cinco grupos avaliados...........................................................56 Figura 24: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (4µm) marcados pela técnica de imunohistoquímica para os anticorpos CD44 e CEA, nos cinco grupos avaliados..............................................................................................................57 Figura 25: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação média da intensidade de fluorescência (UA) de regiões marcadas por fluorescência direta, pelo conjugado BBIFITC, em intestinos delgados dos cinco grupos avaliados.............................................59 Figura 26: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (20µm) marcados pela técnica de fluorescência direta, pelo conjugado BBI-FITC, nos cinco grupos avaliados..............................................................................................................60 Figura 27: Gráficos da expressão gênica dos transcritos selecionados nos pólipos de intestino delgado nos grupos controle óleo, DBT, DBTO2 e DMH................................63 xix Lista de Tabelas Tabela 01: Número de acesso ao RGD das sequências de primers forward (F’) e reverse (R’), referentes aos genes avaliados, temperatura de melting (Tm) e tamanho do amplicon gerado..............................................................................................................34 Tabela 02: Sequências de primers forward (F’) e reverse (R’), slope, eficiência de reação e coeficiente de correlação (R2) referentes aos genes avaliados..........................39 Tabela 03: Comparação de frequência das lesões observadas no Fígado para os grupos Controle Óleo, Controle Salina, Teste DBT, Teste DBTO2 e Teste DMH.....................47 Tabela 04: Comparação de frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Óleo e Controle Salina.....................................................................47 Tabela 05: Comparação de frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Óleo e Controle Salina.....................................................................48 Tabela 06: Frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Salina e Teste DMH 30 mg/Kg........................................................................48 Tabela 07: Frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Salina e Teste DMH 30 mg/Kg........................................................................49 Tabela 08: Frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Óleo, Teste DBT 30 mg/Kg e Teste DBTO2 30 mg/Kg...................................49 Tabela 09: Frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Óleo, Teste DBT 30 mg/Kg e Teste DBTO2 30 mg/Kg...................................50 xx 1. Introdução 1 1. Introdução 1.1. Epidemiologia do Câncer De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) e a Organização Mundial de Saúde (WHO), o câncer é a principal causa de mortes no mundo, respondendo por 7,6 milhões em 2008 (cerca de 13% de todos óbitos). Isso corresponde a uma porcentagem maior do que a mortalidade causada por HIV, tuberculose e malária juntas. Os principais tipos de cânceres são: pulmonar (1,37 milhões de mortes), estômago (736.000), fígado (695.000) e colorretal (608.000). Mesmo com o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e combate a esta doença, a projeção de falecimentos por sua decorrência continua a crescer, com uma estimativa de 13,1 milhões de óbitos em 2030 (WHO, 2010; IARC, 2010). No Brasil, um estudo do Ministério da Saúde indica que serão diagnosticados 518.510 novos casos de câncer em 2012. Tal projeção foi estimada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Segundo a entidade, as estimativas são a principal ferramenta de planejamento da saúde pública na área oncológica, porque fornecem informações para a criação de políticas públicas de atendimento (Fig. 01). Figura 01: Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes por sexo, estimados para 2012 no Brasil, exceto pele não melanoma. (Números arredondados para 10 ou múltiplos de 10). Fonte: INCA, 2012. Embora a incidência de alguns cânceres seja comparável em todo mundo, muitos variam drasticamente por país e, por isso, não podem ser justificados por apenas um processo biológico anormal ao acaso. Diferenças de hereditariedade ou ambientais 2 podem explicar essas variações. Estudos epidemiológicos mostraram que o ambiente é determinante nas variações entre países na incidência do câncer (PETO, 2001). O aumento da expectativa de vida, juntamente com a maior exposição a fatores cancerígenos aumenta a ocorrência de casos de câncer, levando a idade a ser considerada o seu maior fator de risco para ambos os sexos. A redefinição dos padrões de vida, a partir da uniformização das condições de trabalho, nutrição e consumo desencadeados pelo processo global de industrialização, refletem no perfil epidemiológico das populações (MONTESANO et al, 2001). Tais modificações, caracterizada pela redução das taxas de mortalidade e natalidade, provocaram o aumento da expectativa de vida e envelhecimento populacional no Brasil, levando ao aumento da incidência de doenças crônico-degenerativas, especialmente as cardiovasculares e o câncer (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). Apesar do crescente aumento no número de casos novos de câncer no Brasil e no mundo observa-se uma redução na taxa de mortalidade, fato este que pode ser atribuído às constantes e incessantes pesquisas nas áreas de diagnóstico e tratamento dessa doença (IARC, 2010). Diante das taxas de incidência e estimativas futuras podemos perceber que o câncer representa um verdadeiro problema de saúde pública em todo o mundo. A partir desse panorama é fundamental a manutenção de investimentos no desenvolvimento de ações e pesquisas relacionadas ao controle do câncer. 1.2. Biologia do Câncer O câncer é uma doença complexa e multicausal que ocorre como consequência do acúmulo progressivo de mutações no genoma de uma célula (WHO, 2010). Essas sucessivas alterações genéticas podem converter uma célula normal em uma célula alterada, afetando seu funcionamento e capacidade de resposta aos sinais no controle da proliferação, diferenciação celular e na apoptose. Normalmente, diversos fatores promotores atuam anteriormente ao desenvolvimento neoplásico, sendo que em poucos casos, uma mutação única seja suficiente para o estabelecimento da doença. Os danos genéticos responsáveis pelo surgimento do câncer ocorrem preferencialmente em genes que regulam o crescimento, diferenciação e proliferação celular, como os proto-oncogenes, anti-oncogenes (supressores de tumor) e genes de 3 microRNA’s. Os proto-oncogenes são genes normais do organismo que têm o potencial intrínseco de induzir neoplasias, porém necessitam ser ativados em oncogenes. Sua ativação é desencadeada através de alterações genéticas que potenciam suas atividades convertendo-os em oncogenes (BUTEL, 2000). Inversamente, os genes supressores de tumor são elementos genéticos cuja perda ou inativação permitem às células apresentarem algum dos vários fenótipos da transformação neoplásica. Esta inativação poderia ser causada por disfunções, como uma metilação do gene ou deleção deste (LI, 2009a). Os produtos desses anti-oncogenes são componentes das vias de sinalização intercelular que permitem à célula receber e processar sinais inibidores do seu redor. Quando a célula perde componentes críticos desta rede de sinalização, perde a capacidade de responder a certos sinais extracelulares inibidores da proliferação, mesmo que estes sinais ainda estejam presentes no meio celular (CROCE, 2008). Os genes de microRNA’s, ao contrário dos genes supressores de tumor e oncogenes, não codificam proteínas. O produto desses genes consiste em moléculas de RNA de 19-25 nucleotídeos, que atuam como potentes reguladores pós-transcricionais da expressão gênica (CROCE, 2008). Tal regulação pós-transcricional exercidas pelos microRNA’s depende do grau de complementaridade com o RNA mensageiro (RNAm) alvo, podendo ocorrer por inibição traducional ou degradação do RNAm. O pareamento de modo imperfeito com o RNAm acarreta a inibição traducional do alvo, sendo o mecanismo principal de atuação dos microRNA’s em mamíferos (BRENNECKE et al, 2005). Apesar de agirem inicialmente de forma distinta, todos os agentes oncogênicos têm a mesma via final: transformação de proto-oncogenes em oncogenes e/ou inibição de supressores de tumor. Em diferentes tipos de tumores, mutações em um gene específico parecem preceder as mutações em outros. Pelo fato dos oncogenes e genes supressores de tumor controlarem o crescimento celular de formas diferentes, talvez a ordem na qual, tais controles são interrompidos, não seja importante, mas sim que um número suficiente de vias críticas tenha sido desregulada para que o crescimento do tumor ocorra (BUTEL, 2000). Usualmente, tumores possuem clones diferentes que surgem a partir de uma célula inicial transformada através de alterações genéticas. Esta heterogeneidade contribui para as diferenças no comportamento clínico e respostas ao tratamento de tumores do mesmo tipo de diagnóstico. Estas populações podem diferir na sensibilidade 4 à quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos, tornando difícil o manejo clínico. Por estas razões, as etapas iniciais do desenvolvimento cancerígeno são de considerável importância clínica e uma prioridade no desenvolvimento de seu tratamento (CROCE, 2008). O sucesso da terapia e consequente redução na mortalidade dos pacientes acometidos por essa doença baseiam-se principalmente na detecção precoce e na evolução das técnicas utilizadas para o tratamento dessa doença. As terapias no caso do câncer colorretal (CCR), apesar dos relevantes avanços nas técnicas tradicionais de cirurgia (ressecções clássicas, ampliadas e laparoscópicas), quimioterapia e radioterapia (ou até mesmo terapia combinada), ainda são técnicas que apresentam eficiência limitada. Além disso, apresentam graves complicações pós-operatórias como infecções, deiscência da anastomose e recaídas. Tais enfermidades aumentam substancialmente o custo do tratamento, tempo de internação, perpetuam sequelas funcionais e contribuem para indesejável índice de mortalidade (SANTOS JR., 2011). 1.3. Câncer Colorretal O Câncer Colorretal (CCR) constitui atualmente uma neoplasia de ocorrência universal e de importância crescente como problema de saúde pública. Sua incidência varia de maneira diferente entre países, representando a terceira causa de câncer no mundo entre ambos os sexos e a segunda em países desenvolvidos (LOPEZ et al, 1993; JEMAL et al, 2005). O desenvolvimento de várias formas comuns de câncer colorretal é resultado da interação entre fatores endógenos (histórico familiar e doenças crônicas intestinais) e ambientais (dieta, tabagismo, obesidade e ingestão de hidrocarbonetos aromáticos), sendo o mais notável dentre tais fatores, a dieta. Uma dieta com base em um alto consumo de frutas, vegetais frescos, cereais e peixes, bem como a prática de atividade física, estão associados a um baixo risco de desenvolvimento do câncer do cólon e reto. Por outro lado, o consumo excessivo de carne vermelha, embutidos e bebidas alcoólicas, o tabagismo e a obesidade ou o sobrepeso favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer. Mas os fatores de risco mais relevantes são os fatores genéticos como, a história familiar de câncer colorretal e a predisposição ao desenvolvimento de doenças crônicas do intestino, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, que 5 causam inflamação em graus variados na mucosa do intestino grosso. As doenças inflamatórias intestinais estão associadas ao maior risco de câncer colorretal, especialmente em indivíduos com doença com mais de oito anos de evolução. A idade também é considerada um fator de risco, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam com a idade (DOLL and PETO, 1981; PLATZ et al, 2000; FERRARI et al, 2007). A incidência de CCR tem aumentado no âmbito geral devido, possivelmente, ao envelhecimento das populações, bem como à adoção de estilo de vida sedentária e a adoção de hábitos alimentares pouco saudáveis, como a dieta baseada em gorduras animais, baixa ingestão de frutas, vegetais e cereais, assim como consumo excessivo de tabaco e álcool (FRANCO et al, 2004; FERRARI et al, 2007). Como fatores protetores são citados o cálcio, a vitamina D, os folatos, o selênio e os antioxidantes (MARQUESVIDAL, 2006). Essa neoplasia é considerada de bom prognóstico se a doença for diagnosticada em estádios iniciais. A sobrevida média global em cinco anos se encontra em torno de 55% nos países desenvolvidos e 40% para países em desenvolvimento. Assemelhandose à incidência, as taxas de mortalidade são mais baixas em mulheres do que nos homens (WHO, 2007). Para seu diagnóstico precoce podem ser utilizados os exames de: toque retal, pesquisa de sangue oculto nas fezes, enema opaco, retossigmoidoscopia e colonoscopia. Em casos de descoberta de tecidos suspeitos são realizadas biópsias para verificação da presença de células malignas, já que a biópsia é o único exame que pode determinar a presença de câncer. A dosagem sérica de marcadores tumorais, como o antígeno carcinoembrionário (CEA), tem valor principalmente no controle pós-operatório da doença e não para o diagnóstico do câncer colorretal, devido à sua baixa sensibilidade e especificidade no sangue para este marcador. Sua simples detecção pode indicar a presença de recidiva da doença durante o período de seguimento (MITCHELL et al, 2001). Os adenomas constituem os tipos de pólipos mais frequentemente encontrados no intestino delgado, possuindo predileção pelo duodeno distal embora possam ser encontrados em toda a sua extensão. Histologicamente, eles são similares aos adenomas encontrados na região colorretal tendendo a apresentar uma arquitetura de vilos mais pronunciada. Embora os adenomas sejam benignos, eles têm o potencial para causar sérias complicações, comprimindo outras estruturas (efeito de massa) e levando a desregulação hormonal. Normalmente são removidos por causa da tendência de ficarem 6 malignos, sendo o risco de tal progressão aumenta quanto maior for o pólipo (BROSENS et al, 2010). A transformação de células epiteliais normais em adenomas e carcinomas segue, usualmente, um modelo de progressão de estágios histológicos e alterações genéticas e epigenéticas simultâneas (ex. metilação do DNA, acetilação de histonas) (FEARON et al, 1990) (Fig. 02). Tais alterações fornecem às células neoplásicas vantagens sob sua expansão clonal e levam à perda da inibição por contato celular, evasão de mecanismos apoptóticos e de interrupção do ciclo celular, aquisição de características do tipo célula tronco, entre outros (CARDOSO et al, 2007). Figura 02: Sequência adenoma-carcinoma em câncer colorretal. A iniciação e progressão da tumorogênese de uma mucosa normal até carcinoma e metástase é geralmente associada a características morfológicas (colonoscopia) e histopatológicas (fotomicrografias de cortes histológicos). Fonte: Adaptado de CARDOSO et al, 2007. Consequentemente ao longo dessa via adenoma-carcinoma-metástase, estágios mais histologicamente avançados de CCR terão acumulado maior quantidade de alterações genéticas que estágios precoces de adenoma. Porém sob uma perspectiva histológica, esta sequência é iniciada quando surgem pequenas lesões na arquitetura glandular do epitélio intestinal, chamadas focos de criptas aberrantes (ACF). Os ACF são agregados de criptas anormais caracterizados por hiperproliferação, tamanho aumentado, zonas pericrípticas expandidas e fendas alongadas (ROSENBERG, 1995). Tais focos de criptas são lesões pré-neoplásicas consideradas marcadores do câncer de cólon e muito utilizados em estudos experimentais de quimioprevenção. São lesões 7 encontradas tanto no cólon de roedores tratados com cancerígenos químicos, quanto em seres humanos acometidos por polipose ou propriamente câncer de cólon (ALRAWI et al, 2006). Na maioria dos casos, os ACF têm como origem mutações em enterócitos, ocasionando a não migração correta destas células para fora da cripta colônica, acumulando-se. O acúmulo destas populações de células e suas descendentes, que sustentam tais mutações, permanecem retidas nas criptas, cada vez mais propensas a novas alterações, ao invés de serem destruídas por apoptose (PAPANIKOLAOU et al, 1998, 2000). A descoberta de mudanças genéticas restritas às células neoplásicas demonstra que a detecção em estágio inicial de tumores colorretais é possível através de identificação de produtos de genes alterados secretados no sangue ou nas fezes, ou pela detecção de anticorpos do paciente contra tais produtos. A identificação dessas mudanças genéticas é o principal objetivo atual da pesquisa em câncer. Desde o início da década de 90 é relatada uma importante correlação entre a incidência de danos ao DNA no âmbito molecular e uma maior frequência do fenótipo neoplásico (FEARON and VOGELSTEIN, 1990; LIOTTA et al, 1991). Alterações na expressão gênica são diretamente responsáveis pela progressão ao fenótipo maligno, então se faz necessária à busca de marcadores tumorais envolvidos nas mudanças fenotípicas (proteínas, RNAm) e genotípicas (mutações, deleções, translocações cromossomais). Já foram descritos genes envolvidos na carcinogênese colorretal que estão significativamente alterados, entretanto, métodos de classificação e estadiamento do tumor e realização de prognósticos mais robustos e menos invasivos continuam sendo necessidades médicas ainda não atendidas (HOOPS et al, 1997; NAMBIAR et al, 2010). Embora as alterações moleculares relacionadas ao CCR tenham sido extensivamente investigadas, poucos pesquisadores têm descrito as aplicações desses biomarcadores na detecção de estágios primários de diagnóstico e prevenção do câncer colorretal. Considerando que o CCR pode ser prevenido se o adenoma for diagnosticado e removido, torna-se necessária a identificação de marcadores capazes de diagnosticar de maneira tecido-específica e precoce as alterações iniciais que ocorrem durante o desenvolvimento desta doença (CHANG et al, 2005). 8 1.3.1. Carcinogênese Intestinal A carcinogênese é um complexo processo envolvendo diversas mudanças genéticas e epigenéticas, ocorrendo em níveis moleculares, celulares e morfológicos, que pode ser dividida em três estágios principais: iniciação, promoção e progressão (PITOT, 2001). A iniciação pode ser caracterizada por alterações na sequência do DNA celular provocada pela exposição a um agente cancerígeno químico, físico ou biológico. Esta interação pode levar às células iniciadas, responsividade alterada ao microambiente e vantagem proliferativa. Na etapa de promoção, as células iniciadas se multiplicam formando lesões pré-neoplásicas (displasias e anaplasias) sob estímulos promotores. O agente cancerígeno promotor age de forma a selecionar as células iniciadas e dessa forma ocorre a expansão clonal das mesmas, levando a um acúmulo de mutações e aumentando a instabilidade genética. Já no estágio de progressão tumoral ocorre a aquisição de múltiplas alterações genéticas que desencadeiam multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Quando tais células invadem vasos sanguíneos e/ou linfáticos, alcançam tecidos distantes do hospedeiro formando sítios de metástases (PAPANIKOLAOU et al, 2000; PITOT, 2001). Segundo o modelo da sequência adenoma-adenocarcinoma colorretal de Fearon e Vogelstein (1990), os genes que são mutados nos estágios iniciais do câncer de cólon são o Apc (transição epitélio normal para adenoma) e o K-ras (presente em adenomas), e logo em seguida os supressores de tumorais Dcc e p53 (na transição adenoma para carcinoma) (NAMBIAR et al, 2010). De acordo com a literatura, mutações em Apc ou β-catenina estão relacionadas com a maioria dos tumores de cólon humanos e em roedores. Acredita-se que a primeira alteração que ocorre é a mutação do gene Apc, envolvido com a regulação da proteína β-catenina, organização do citoesqueleto, apoptose, controle do ciclo celular e adesão celular. Mutações no gene Apc são consideradas os principais fatos responsáveis e causadores da Polipose Adenomatosa Familiar (TAKAHASHI et al, 2004; TANAKA, 2009). A proteína APC é o principal fator de sinalização da via Wnt (mais conhecida por seu papel na embriogênese e desenvolvimento de câncer), que regula a ligação e degradação da β-catenina pelo proteassoma. A β-catenina, por sua vez, é uma proteína que está relacionada com a adesão célula-célula encontrada normalmente conjugada 9 com a e-caderina, importante proteína do controle da arquitetura tecidual. Quando os genes Apc e Ctnnb1 (codifica β-catenina) são mutados ou a via sinalizadora Wnt é ativada, a β-catenina deixa de ser degradada e acumula-se no citoplasma, liga-se a fatores de transcrição TCF e move-se para o núcleo, resultando no aumento da expressão de genes ligados a proliferação celular como c-Myc e CcnD1 (que codifica ciclina D1 - inibidor de supressores de tumor), importantes na carcinogênese (Fig. 03) (TAKAHASHI et al, 2004; TANAKA, 2009). Outros importantes genes no desenvolvimento tumoral que são regulados pela via β-catenina/TCF são c-Jun e Cd44 (NARAYAN et al, 2003). Figura 03: Modelo da via sinalizadora Wnt. (A) Retrata a regulação diminuída da ativação transcricional da β-catenina em células epiteliais normais do cólon. Na ausência da sinalização Wnt, a proteína APC auxilia na fosforilação da β-catenina que seguirá a via de degradação pelo proteassoma. Dessa forma a expressão dos genes c-Myc e ciclina D1 é reprimida para o controle da progressão do ciclo celular. (B) Demonstra o papel das mutações das proteínas β-catenina ou APC nos níveis de β-catenina e sua ativação transcricional em células neoplásicas. Ao não ser degradada a β-catenina se acumula no citoplasma e conjuga-se com o fator de transcrição TCF e se desloca para o núcleo onde potenciam a transcrição em direção à proliferação celular. Fonte: Adaptado de NARAYAN et al, 2003. 10 O gene mutado k-ras identificado em vários adenomas, favorece o aumento da proliferação celular, anaplasia e consequente crescimento tumoral (TAKAHASHI et al, 2004). Presume-se que em sequência ocorrem as mutações dos genes supressores de tumor Dcc, que codifica uma proteína homóloga a de adesão celular, e o p53, que é um fator de transcrição que regula o ciclo celular e apoptose. Tais mutações são denotadas de adenomas tardios e adenocarcinomas (POZZA et al, 2011). Além disso, outros genes estão envolvidos na carcinogênese colorretal e significativamente alterados em diferentes classes de tumores, no entanto, métodos de classificação e estadiamento de tumores e realização de prognósticos mais robustos e menos invasivos continuam sendo necessidades médicas ainda não atendidas (HOOPS et al, 1997; NAMBIAR et al, 2010). 1.4. Carcinogênese Química É fato que cânceres causados por agentes ambientais frequentemente tendem a ocorrer em regiões como pulmão, trato gastrointestinal e pele, porque normalmente os tecidos desses órgãos estão mais expostos ao ambiente (SHUBIK et al, 1956). Atualmente, pesquisas que envolvem a carcinogênese química têm sido feitas atentando as diversas alterações celulares inerentes às células cancerígenas, possibilitando assim, a busca por marcadores biológicos e vias metabólicas alteradas. A carcinogênese química causa anomalias genéticas e epigenéticas em células susceptíveis que acumulam mutações no genoma e sofrem uma expansão clonal, que são condições prévias para o desenvolvimento neoplásico (Fig. 04). Figura 04: Esquema de acumulação de alterações genéticas em células susceptíveis. Fonte: Adaptado do Ministério da Saúde, 2006. 11 O campo de estudos sobre a carcinogênese química provavelmente teve início com as associações epidemiológicas de ocorrência de tumores com a exposição à fumaça do tabaco, realizadas por Hill e Pott no início do século XIX. A partir disso, seguiram-se as observações de tumores no trato urinário de trabalhadores que mantinham contato com arilaminas nas fábricas europeias no final do século 19. Além destes, diversos trabalhos começaram a dar ênfase aos carcinógenos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) no século 20. Os principais estudos sobre o metabolismo dos HPA foram relatados na década de 30 com Kennaway (1930) e Kinosita (1936), entre outros. Em 1940, químicos britânicos purificaram vários componentes do piche de carvão, o qual era particularmente carcinogênico. Compostos como os HPA benzo[a]pireno e 1,2,4,5-dibenz[a,h]antraceno eram produtos comuns da combustões incompletas de compostos orgânicos e também encontrados em fumaça de cigarro (MILLER, 1978). Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos representam uma importante classe de poluentes ambientais que têm recebido atenção especial pelo fato de alguns de seus componentes demonstrarem forte potencial mutagênico e carcinogênico. Além disso, emissões antropogênicas destes compostos desempenham papéis cruciais em três problemas ambientais importantes: poluição do ar, chuva ácida e mudança climática global. Esses compostos estão presentes nos combustíveis fósseis e são formados durante a combustão incompleta e pirólise de matéria orgânica. Os HPA podem, por exemplo, ser gerados durante incêndios florestais e erupções vulcânicas além de serem constituintes naturais de alguns tipos de alimentos e produtos petroquímicos. Consequentemente, podem ser formados pelo gás de cozinha e no tráfego de automotores sendo, também, uma das diversas classes de carcinogênicos químicos presentes na fumaça de cigarro (HONER, 2001; MEIRE et al, 2007). Além disso, uma vez que diversas classes de HPA são agentes promotores, bem como iniciadores de neoplasias, uma devida atenção deve ser dada às possíveis atividades de seus metabólitos (VAN DUUREN, 1976; HONER, 2001). A absorção dos hidrocarbonetos policíclicos através do trato pulmonar, gastrointestinal e da pele ocorre de maneira dependente do tipo de HPA, do tamanho das partículas onde estão adsorvidos, da composição do adsorvente, e da sua afinidade por gordura (KAWAMURA et al, 1988). Em roedores, a absorção no trato gastrointestinal ocorre rapidamente e picos destes compostos podem ser identificados no sangue após 1-2 horas da administração (LIPNIAK et al, 1993). 12 Um dos principais vilões da poluição ambiental é o gás dióxido de enxofre (SO2), um dos causadores do efeito estufa. Sua fonte de geração mais comum é pela combustão do enxofre contido em combustíveis fósseis, o que conduziu a criação de regulamentos ambientais estritos para produção de baixas concentrações desses compostos orgânicos sulfurados em combustíveis (SWATY, 2005). 1.4.1. Dibenzotiofeno (DBT) e seu metabólito Dibenzotiofeno Sulfona (DBTO2) Atualmente, uma das estratégias para diminuir os níveis de emissão de compostos sulfurados consiste na remoção do enxofre antes da combustão do carvão, petróleo e seus derivados por processos químicos e biológicos (hidrodessulfurização e biodessulfurização). Entretanto a remoção é complicada, devido à sua difícil biodegradabilidade e são considerados compostos recalcitrantes (KROPP et al, 1997; VAN HAMME et al, 2006). Estudos de biodessulfurização tiveram início nas décadas de 50 e 60 por serem extremamente importantes para o meio ambiente em geral, e ainda de importância econômica uma vez que a presença de organossulfurados na gasolina causa a diminuição do poder de combustão com consequente perda econômica para a indústria petroquímica. No entanto, apenas nas últimas décadas, com o auxílio da biotecnologia, esta área passou a apresentar desenvolvimento significativo. Técnicas de dessulfurização, geralmente, utilizam o dibenzotiofeno (DBT), que é um composto organossulfurado heterocíclico utilizado como fonte de carbono e energia principal ou secundária (co-substrato) por microorganismos, como composto modelo para avaliar a eficiência nestes processos de biorremediação (VAN HAMME et al., 2003). A biodessulfurização do DBT requer uma série de enzimas e pode ocorrer por três vias: a de Kodama, na qual, apesar da quebra do DBT, o enxofre não é removido (KODAMA et al., 1973), a de van Afferden a qual proporciona a remoção do enxofre, no entanto ocorre a quebra da estrutura de carbono (VAN AFFERDEN et al., 1993) e a via 4S, na qual o esqueleto de carbono permanece intacto e o enxofre é retirado através de enzimas monoxigenases (Fig. 05) A ação inicial dessas enzimas transforma o DBT em DBTO e DBTO2. Porém, tais métodos, oxidam o DBT e acumulam o DBTO2 em combustíveis (KILBANE et al, 1992). 13 Figura 05: Via 4S. O enxofre é removido na forma de sulfito, permanecendo intacta a estrutura carbonilada. Fonte: Adaptado de SILVA, 2007. O DBT também é conhecido como uma das substâncias responsáveis pela queda da octanagem da gasolina e pela corrosão de partes de motores a combustão (MONTICELLO, 1985; INOUE et al, 2005). No entanto, poucos relatos sobre sua ação tóxica em mamíferos têm sido apresentados (LEIGHTON, 1989). Trabalhos anteriores utilizaram animais experimentais empregando doses maciças de DBT e derivados por via oral e subcutânea na expectativa de demonstrar efeitos tóxicos. Tais trabalhos estabeleceram a dose letal (DL50) de 470 mg/Kg para camundongos e demonstraram alterações de caráter neoplásico nos linfonodos mesentéricos e necrose das células do timo em ratos (LEVINE et al, 1977; LEIGHTON, 1989). Dessa forma, tornam-se necessários estudos minuciosos sobre a toxicologia dessa importante classe de compostos. A exposição crônica a pequenas doses representaria melhor a situação real da exposição cotidiana a seres vivos às essas substâncias. Como a dieta é uma das principais fontes de exposição humana e animal a HPA, as células epiteliais intestinais constituem os alvos primários a entrarem em contato com os contaminantes. O metabolismo de HPA pelos citocromos P450 é bem caracterizado e, embora exista evidência considerável de que o fígado de mamíferos pode metabolizar 14 tais substâncias, o metabolismo em tecidos extra-hepáticos como o intestino pode ser de grande importância (CAVRET et al, 2005). Por outro lado, a investigação bioquímica que pretendemos realizar não se limitou às abordagens do ponto de vista de medida de indicadores usuais de função hepática, pancreática e proteômica, anteriormente executadas em nosso laboratório. Esse projeto propôs a investigação de marcadores bioquímicos sensíveis para a exposição ao DBT e DBTO2, empregando-se técnicas de imunohistoquímica e análise de expressão gênica. O fato de agentes químicos promoverem alterações randômicas no genoma justifica o direcionamento de esforços para a quantificação dessas mudanças, diminuição da exposição a esses agentes e desenvolvimento de alternativas para a quimioprevenção. 1.4.2. 1,2-Dimetilhidrazina (DMH) - Indutor Clássico de Câncer Nas últimas décadas diversos modelos experimentais têm sido desenvolvidos em animais utilizando-se compostos químicos indutores da formação e desenvolvimento de tumores colorretais (LARANGEIRA et al, 1998), muitos com características semelhantes àqueles de ocorrência natural visando à obtenção de informações sobre a gênese, evolução, bem como métodos de diagnóstico e terapias mais eficazes frente a essas neoplasias (SHETYE et al, 1990). Dentre os compostos químicos, um dos mais utilizados em estudos experimentais é a 1,2-dimetilhidrazina (DMH), uma vez que induz carcinomas com semelhança morfológica e histológica daqueles tumores de ocorrência natural em humanos e, em razão de sua estabilidade química e alta taxa de obtenção de tumores após um determinado período de latência (LARANGEIRA et al, 1998). A 1,2 dimetilhidrazina é um carcinógeno químico indireto, que resulta na metilação do oxigênio ligado ao carbono seis da guanina (O6-MeG) no DNA alterando a ligação de hidrogênio, o que leva a um erro de leitura pela DNA polimerase e resulta na transição G:A (Fig. 06) (LEVI et al, 2009). A DMH induz a proliferação de tumores no cólon acentuadamente, observando-se diferentes padrões de apoptose nas criptas do intestino grosso e delgado o que tem sido proposto como um possível fator de especificidade do órgão pela carcinogênese promovida pela DMH, embora este fator 15 ainda não esteja claramente elucidado (LARANGEIRA et al, 1998; COLUSSI et al, 2001). Figura 06: Modelo da metilação do oxigênio ligado ao carbono seis da guanina causado pela DMH. Tal metilação resulta na alteração da ligação de hidrogênio entre nucleotídeos, no caso o que seria uma ligação entre G:C se torna uma ligação A:T. Fonte: Adaptado de foto retirada no site http://flipper.diff.org/app/pathways/info/4645, 22/08/2012. 1.5. Marcadores Moleculares do Câncer 1.5.1. O Antígeno Carcinoembrionário (CEA) Marcadores tumorais são substâncias que podem ser encontradas em concentrações alteradas em amostras biológicas de pacientes com certos tipos de câncer. Podem ser produzidos pelo próprio tumor ou pelo corpo, em resposta à presença do câncer. Testes para marcadores tumorais auxiliam no diagnóstico do câncer, entretanto raramente são usados prova definitiva para a constatação da enfermidade (RUBIE et al, 2005; YANG et al, 2009). Além disso, nem todos pacientes diagnosticados com câncer possuem um nível alterado destes marcadores, principalmente em estágios iniciais da doença (DUFFY et al, 2003). Como o uso de tais marcadores em diagnósticos para o câncer ainda seja limitado, pesquisadores buscam marcadores que sejam específicos para um determinado tipo de câncer e que possam ser usados para detectar a presença da doença antes que seus sintomas apareçam. Médicos podem usar as mudanças nos níveis do marcador 16 tumoral para seguir o curso da doença, para medir o efeito do tratamento e para verificar sua reincidência. Em alguns casos, o nível do marcador tumoral reflete a extensão da doença (estágio) ou indica o quão rápido a doença parece progredir (prognóstico) (DUFFY et al, 2003). Um marcador clínico, de suma importância é o antígeno carcinoembrionário (CEA) característico de cânceres colorretais, de bexiga, mama, pancreático e de pulmão (ZHAO et al, 2008). Tal antígeno é uma proteína de membrana de alto peso molecular pertencente à família das imunoglobulinas (Fig. 07). Tal molécula desempenha papéis na adesão celular, imunidade, apoptose e está relacionada à ocorrência de metástase em mamíferos (THOMAS et al, 2004; YANG et al, 2009). O CEA é o protótipo dos marcadores tumorais e tem sido intensivamente investigado desde sua primeira identificação, em 1965, por Gold e Freedman. Estes autores identificaram o antígeno em extratos de adenocarcinoma de cólon de humanos e em células de cólon fetais, porém em baixos níveis na mucosa de cólons normais. Figura 07: Modelo estrutural para o antígeno carcinoembrionário. Fonte: Adaptado de BOEHM et al, 2000. Cerca de 63% de pacientes com câncer de colorretal têm elevações de CEA. Além disso, é importante ressaltar que as concentrações de CEA correlacionam-se histologicamente com estadiamento do CCR e que elevados níveis pré-operatórios deste sugerem maior probabilidade de retorno da doença e baixas taxas de sobrevivência do paciente (KAHLENBERG et al, 2003). Atualmente o CEA é o marcador mais utilizado 17 na definição do prognóstico, no acompanhamento do tratamento de CCR, já que é detectado apenas em baixas concentrações no sangue de pessoas saudáveis, e em elevadas concentrações em pessoas portadoras deste câncer (COBBEN-BELD et al, 1996). Considera-se que a existência de uma concentração sérica acima de 5 ng/mL, em indivíduos já submetidos ao tratamento, está associada com a recorrência de câncer e metástase. Todavia pacientes com outros tipos de câncer ou com desordens como infecção pulmonar, colite ulcerativa e doença inflamatória intestinal também podem ter níveis elevados de CEA (KAHLENBERG et al, 2003; ZHAO et al, 2008). 1.5.2. Importância da Molécula CD44 As moléculas de adesão constituem um grupo heterogêneo de proteínas transmembrana que regulam as interações adesivas célula-célula e célula-matriz extracelular (HYNES, 2009). O CD44 é uma molécula de adesão receptora de ácido hialurônico, que por sua vez, é um dos principais componentes da matriz extracelular. Estudos demonstraram a interação da matriz extracelular com células tumorais através da via do CD44, estabelecendo-a como um dos principais mecanismos para a progressão do tumor e metástase (Fig. 08). Alterações na expressão e na função das moléculas de adesão de variadas classes e funções relacionam-se com o desenvolvimento tumoral, a diferenciação das células neoplásicas, a invasão e metástase (CHRISTOFORI, 2003; HYNES, 2009). Interações entre as células mesenquimais e epiteliais são consideradas fundamentais para o mecanismo de oncogênese, sendo apontado que o processo de invasão tumoral e metástase requerem alterações complexas nas interações célula-célula e célula-matriz extracelular, as quais refletem numa hiper-expressão de proteínas, entre elas o CD44 (HANLEY et al., 2006). Especificamente no câncer colorretal, a transformação adenoma-carcinoma ocorre em consequência às alterações genéticas que incluem algumas moléculas já identificadas, dentre elas a proteína CD44 (MIKAMI et al, 2000). 18 Figura 08: Esquema de interação de uma isoforma de CD44 na sinalização oncogênica e progressão tumoral. A ligação do ácido hialurônico (HA) ao CD44 estimula a ativação de RAS, a cascata quinase e ao crescimento da célula tumoral. Sendo assim, o CD44 desempenha um papel central na regulação de duas diferentes vias de sinalização (proliferativa X motilidade/invasão) durante a progressão tumoral. Fonte: Adaptado de BOURGUIGNON et al, 1998. O Cd44 é um gene que codifica uma ampla variedade de proteínas de superfície celular, através do processamento alternativo de seus éxons. Este gene é composto por 20 éxons, dos quais 10 são chamados éxons constantes, sendo expressos juntos em todos os tipos celulares sob a forma padrão. Os éxons remanescentes podem sofrer processamento alternativo e serem incorporados aos éxons padrões, gerando um número variado de isoformas proteicas (GOODISON et al, 1998). O gene Cd44 representa uma família de isoformas que, em certos tumores, têm expressão elevada nos tecidos. Estudos imunohistoquímicos também demonstraram que a expressão da proteína CD44 é alterada em diferentes tipos de neoplasias, sendo observado um padrão de expressão com notável diversidade molecular, indicando que essas moléculas apresentem grande valor para prognósticos de carcinomas (BÁNKFALVI et al., 2002). Estudos de casos de CCR em seres humanos, utilizando metodologias como qPCR e imunohistoquímica, já demonstraram que diferentes isoformas da molécula CD44 são super expressas, tanto no âmbito gênico (CHUN et al, 2000) quanto no proteico (ZAVRIDES et al, 2005). 19 Além disso, Franzmann e colaboradores (2005) avaliaram que a proteína CD44 solúvel na saliva como um potencial marcador molecular para câncer na região da cabeça e concluíram que o exame pode ser efetivo para detectar esse tipo de câncer em todos seus estágios. Dessa forma, acredita-se que esse marcador de células possa ser usado no acompanhamento terapêutico avaliando a progressão do tumor (Fig. 08). 1.6. Importância das Proteases no Desenvolvimento de Neoplasias Durante a década de 40 que foram feitas as primeiras associações entre proteases e o câncer, nas quais foi proposto que a atividade proteolítica poderia ser responsável por degradação da matriz extracelular de células tumorais e subsequente invasão de tecidos normais (FISHER et al, 1946). Até então acreditava-se que as enzimas proteolíticas contribuíam para o desenvolvimento do câncer apenas em etapas de metástase, no entanto, estudos mais recentes indicaram que as proteases participam de praticamente todos os passos do crescimento tumoral (KOBLINSKI et al, 2000; NYBERG et al, 2006). A homeostase celular requer a existência de um equilíbrio entre as proteases e seus inibidores endógenos. Caso esse equilíbrio seja perdido a favor das proteases, pode haver uma desregulação das proteólises que desencadeariam processos tais como, inflamação, artrites reumatóides, angiogênese patológica e crescimento tumoral (KENNEDY et al, 2008). Sabe-se que proteases participam de todas as etapas de progressão do tumor, incluindo os processos de proliferação, adesão, migração, angiogênese, apoptose e evasão do sistema imune (Fig. 09) (LAUFS et al, 2006; NYBERG et al, 2006). 20 Figura 09: Esquema das etapas de progressão tumoral e do envolvimento das proteases no desenvolvimento do câncer. MMPs: metalo-proteases; BM: membrana basal; ECM: matriz extracelular. Fonte: Adaptado de NYBERG et al, 2006. As serino-proteases são exemplo de família envolvida nos processos fisiológicos e patológicos de degradação da membrana basal e matriz extracelular. Tal família representa quase um terço de todas as proteases (GETTINS et al, 2002). Entre as principais enzimas pertencentes a esse grupo estão quimotripsina e tripsina, que apesar de apresentarem alta similaridade estrutural, reconhecem substratos diferentes. A tripsina hidrolisa, de maneira específica, as ligações peptídicas no lado carboxila dos aminoácidos arginina e lisina, enquanto a quimotripsina catalisa a hidrólise de ligações após resíduos de leucina, fenilalanina e tirosina (LOSSO et al, 2008). Certos estudos já demonstraram que a expressão e a atividade de serino-proteases, como da tripsina, estão associadas a várias fases de progressão do tumor (KATO et al, 1998; BORGONO et al, 2007; AFFARA et al, 2009). Diante da grande relevância das proteases em diversas etapas do desenvolvimento tumoral, o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos recomendou que as pesquisas para a cura dessa patologia deveriam envolver (LOSSO et al, 2008): 21 I) identificação de fontes de inibidores de proteases; II) determinação da concentração de inibidores de proteases em alimentos; III) determinação da relação entre a concentração de inibidores de proteases na dieta e prevalência de câncer na população humana; IV) determinação da eficácia dos inibidores de proteases em modelos animais; V) investigação do mecanismo de ação dos inibidores de proteases. Em concordância com tais recomendações, temos os inibidores de serinoproteases sendo a classe mais bem estudada e caracterizada dos inibidores. Tal classe apresenta uma inibição estritamente competitiva, como inibidores de tripsina do tipo Kunitz (KTI) e inibidores Bowman-Birk (BBI) (RICHARDSON, 1991; KENNEDY, 1998a). 1.6.1. Inibidores de Proteases do Tipo Bowman-Birk (BBI) Os BBI foram isolados pela primeira vez em sementes de soja (Glycine max) por Bowman, em 1946 e caracterizados por Birk em 1961, sendo posteriormente identificados em outras leguminosas (NORIOKA et al, 1982) e gramíneas (ODANI et al, 1986). Os BBI são proteínas de baixa massa molecular, aproximadamente 8 kDa, apresentam estrutura em cadeia única (Fig. 10), rica em resíduos de cisteína que lhes confere uma estrutura rígida e bastante conservada nas diferentes espécies do reino vegetal (MORHY et al, 1987), do qual são exclusivas. 22 Figura 10: Estrutura do BBI da soja, como determinado por Odani e Ikenaka (1973). A) Em cinza, do lado direito, o sítio inibitório para a quimotripsina (Leu – Ser), e do lado esquerdo o sítio inibitório para a tripsina (Lys – Ser). B) Estrutura tridimensional do BBI. O BBI isolado de soja é uma proteína de 71 aminoácidos (AA). A região carboxi-terminal da proteína está representada em roxo (AA71), a região N-terminal representada em amarelo. O sítio inibitório para a quimotripsina está representado em verde e o para tripsina está mostrado em azul. Fonte: Adaptado de Kennedy, 1998a. A interação do BBI com a tripsina ou com a quimotripsina é capaz de inibir fortemente a atividade dessas serino-proteases. A conformação do loop do sitio reativo do BBI é complementar ao sítio ativo da proteína a ser inibida, permitindo uma ligação firme do inibidor à protease (CHEN et al, 2005). Essa ligação do tipo reversível ocorre com elevada afinidade, semelhante à afinidade pelos substratos proteicos. Nesse contexto, os inibidores de proteases do tipo Bowman-Birk surgiram como um dos mais potentes agentes quimiopreventivos do câncer, sendo capaz de prevenir ou 23 suprimir os processos carcinogênicos em vários modelos in vitro e in vivo (YAVELOW et al, 1985; ARMSTRONG et al, 2000). Inclusive St. Clair e colaboradores (1990) já haviam verificado que aproximadamente 0,1% do BBI adicionado às dietas de camundongos foram suficientes para inibir a indução de câncer hepático por 1,2dimetilhidrazina. Yavelow e colaboradores (1985) demonstraram que moléculas de BBI modificadas enzimaticamente, com atividade inibitória apenas para quimotripsina, foram completamente eficazes como supressores da transformação maligna de células in vitro induzida por radiação. Neste mesmo trabalho, tais atividades anti-tumorais não foram observadas em moléculas de BBI modificadas com atividade inibitória apenas para tripsina. Apesar disso, proteases tripsina-símile envolvidas na carcinogênese devem ser consideradas alvos potenciais de proteínas relacionadas ao BBI (CLEMENTEA and DOMONEY, 2006). Dessa forma alguns estudos revelaram que a atividade proteolítica da tripsina correlaciona-se com a agressividade do tumor, pois está intimamente ligada à ativação de receptores envolvidos com processos de adesão e proliferação de células tumorais (MIYATA et al, 1998; MIYATA et al, 1999). Embora os mecanismos pelos quais o BBI exerça suas funções anticarcinogênicas ainda não sejam completamente conhecidas, várias hipóteses têm sido discutidas. Estudos demonstraram a capacidade deste inibidor em impedir a ativação de outras proteases envolvidas na degradação da membrana basal e matriz extracelular, além de prevenir processos angiogênicos necessários para a progressão tumoral. Assim sendo o inibidor de Bowman-Birk mostra-se capaz em reduzir o processo metastático (LOSSO et al, 2008). Recentemente seu efeito quimiopreventivo foi ainda associado à inibição do proteassoma (CHEN et al, 2005; SAITO et al, 2007). Foi demonstrada também atividade desse inibidor de proteases na redução do processo inflamatório. Como tal processo está intimamente associado à carcinogênese, acredita-se que a atividade antiinflamatória do BBI poderia ser o principal mecanismo pelo qual possa ser revertido o estágio inicial da carcinogênese, assim como afetar seu estágio promocional (KENNEDY, 1998a; KENNEDY, 1998b). A importância carcinogênica das proteases-alvo do inibidor de Bowman-Birk foi descrita em um estudo elaborado por Billings e colaboradores (1988), no qual investigaram os possíveis alvos do BBI como substância preventiva de neoplasias induzidas por DMH. Para tal, utilizaram colunas de afinidade de BBI identificando três enzimas similares tanto em células de camundongos induzidas com DMH, quanto em 24 fibroblastos de seres humanos portadores de Síndrome de Bloom. Dessa forma, demonstraram que proteases lisossomais ligantes em colunas de afinidade de BBI possivelmente estão intimamente relacionadas desenvolvimento neoplásico (BOND and BUTLER, 1987; BILLINGS et al, 1987). Recentemente, em nosso grupo de pesquisas, Carli e colaboradores (2012) confirmaram o efeito preventivo do BBI na indução de neoplasias por DMH em camundongos. Além disso, demonstraram que a expressão de CD44 e da atividade de proteases lisossomais associadas à coluna de afinidade de BBI são úteis no monitoramento desse modelo experimental. Nesse sentido, o atual trabalho tem como preocupação avaliar diferentes tipos de técnicas em busca de biomarcadores relacionados à indução crônica de câncer promovida por DBT, DBTO2 e DMH, enfatizando-se a expressão de proteínas e de genes relacionados ao câncer. 25 2. Justificativa e Objetivos 26 2. Justificativa e Objetivos 2.1. Justificativa A relevância ambiental dos Hidrocarbonetos Polícíclicos Aromáticos Sulfurados (HPA) não condiz com a escassez de informações toxicológicas, relacionadas às consequentes contaminações acarretadas pelos agentes DBT e DBTO2. Em consequência a isso, essas substâncias constituem importantes objetos de investigação científica na área da toxicologia voltada para a carcinogênese. Trabalhos prévios demonstraram que tais agentes são indutores de neoplasias em ratos, de potência similar ao DMH. Entretanto torna-se necessário maior confirmação molecular da indução do câncer promovido por esses agentes. Nesse sentido, o trabalho atual teve como proposta, avaliar a expressão gênica de proto-oncogenes específicos de amostras de pólipos intestinais de ratos tratados com esses agentes, a fim de demonstrar por meio de evidências moleculares manifestações da carcinogênese química. Além disso, torna-se necessário o emprego de técnicas de imunohistoquímica e imunofluorescência referente aos resultados histopatológicos obtidos anteriormente, visto que a comprovação molecular proporcionaria maior consistência às evidências já encontradas. 27 2.2. Objetivo Geral Realizar um estudo toxicológico em ratos Wistar submetidos a um regime crônico de administração de DBT, DBTO2 e DMH com ênfase no potencial carcinogênico desses compostos, por meio de técnicas moleculares. 2.3. Objetivos Específicos A) Comparação da potência de indução do DBT e DBTO2 como carcinógenos frente ao indutor clássico DMH. B) Realizar estudos histopatológicos no baço, fígado e intestinos dos animais submetidos à indução química da oncogênese. C) Analisar a expressão gênica relativa dos genes Cd44, c-Myc, c-Jun, Stat3, Psma6, Mapk3 e Sulf1 em pólipos intestinais pelo método de qPCR. D) Avaliar os pólipos intestinais por meio de ensaios de imunohistoquímica utilizando marcadores moleculares CD44 e o antígeno carcinoembrionário (CEA). E) Empregar o BBI marcado com Isotiocianato de Fluoresceína (FITC) como possível instrumento de avaliação de alterações teciduais de animais tratados com DBT, DBTO2 e DMH. 28 3. Materiais e Métodos 29 3. Materiais e Métodos Este trabalho foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) da Universidade Federal de Ouro Preto catalogado sob o protocolo de número 2011/11. Para a realização do mesmo, o número de animais utilizados assim como o tratamento aplicado restringiu-se ao estabelecido pelos objetivos delineados. 3.1. Indução de câncer em ratos Wistar tratados com DMH, DBT e DBTO2 Ratos da linhagem Wistar, machos, com aproximadamente 90 dias de idade, foram obtidos no Centro de Ciência Animal (CCA) da Universidade Federal de Ouro Preto sendo mantidos à temperatura ambiente com ração e água ad libitum e ciclo claro/escuro de 12 horas. Os animais foram divididos em sete grupos, a saber: Grupo I: Controle Salina (DMH) (n=5); Grupo II: Controle Óleo (DBT’s) (n=5); Grupo III: Teste DMH 30 mg/Kg (n=15) (NEWELL and HEDDLE, 2004); Grupo IV: Teste DBT 30 mg/Kg (n=15); Grupo V: Teste DBTO2 30 mg/Kg (n=15). Nos grupos I e II foram administradas, respectivamente, injeções intraperitoniais semanais de solução salina 0,9 % e óleo vegetal industrializado durante 10 semanas, os grupos III, IV e V receberam injeções de soluções de DMH (Sigma-Aldrich) em solução salina 0,9 %; DBT e DBTO2 (Sigma-Aldrich) em óleo vegetal industrializado, na dose de 30 mg/Kg no mesmo regime de tempo dos grupos anteriores. Todos os grupos passaram por um período de latência de 154 dias (22 semanas) após a última injeção (Fig. 10) para o desenvolvimento das alterações patológicas. Houve um aumento no período de latência em relação ao estudo de Newell e Heddle (2004) que utilizou da substância de referência DMH, já que resultados anteriores do nosso grupo de pesquisa demonstraram que induções com compostos organossulfurados precisaram de ao menos 14 semanas de latência para desenvolverem lesões pré- 30 neoplásicas em ratos. Após esse período, realizou-se a necrópsia dos animais para coleta de parte do pulmão e órgãos como, estômago, baço, fígado, intestinos grosso e delgado. Figura 11: Esquema representativo do tempo de tratamento e de espera para o desenvolvimento de alterações patológicas nos animais tratados com DMH, DBT e DBTO2. 3.2. Avaliação Morfológica Microscópica (Histologia) Para realizar as análises histológicas e imunohistoquímicas, os segmentos de tecidos, provenientes da necrópsia dos animais, foram fixados em formol tamponado, posteriormente processados e incluídos em blocos de parafina. Então foram realizadas secções de 4,0 μm em micrótomo. As lâminas relativas à análise histológica foram diafanizadas, hidratadas e submetidas aos corantes Hematoxilina e Eosina (HE), desidratadas, e então montadas em Entellan® sintético. Dessas, avaliou-se qualitativamente os seguintes parâmetros: presença/ausência de atipias celulares nas camadas mucosa e média, inflamação na mucosa, presença de necrose, atipias estruturais e hiperplasia de nódulos linfóides na análise dos intestinos; presença/ausência de inflamações parenquimais e portais, degeneração e necrose celular, hemossiderina, granuloma e hiperemia na avaliação do fígado; presença/ausência de hiperplasia de polpa branca, necrose, alterações capsulares e na polpa vermelha no baço dos animais. 31 3.3. Imunohistoquímica Para a realização das reações imunohistoquímicas, foram utilizados cortes histológicos provenientes dos mesmos blocos usados na análise histopatológica. Os ensaios de IHQ foram realizados utilizando os anticorpos primários CD44 (anti-rat - BD Biosciences) e CEA (anti-human com reação cruzada para rato - Sigma) na concentração de 1:1000 (PBS 0,01M e BSA 0,1%), e o sistema estreptavidina-biotina peroxidase (método LSAB - DAKO®), revelado com solução DAB (Diaminobenzidina). O protocolo utilizado teve as seguintes etapas: - diafanização dos tecidos em xilol (2 lavagens de 15 minutos), seguida de hidratação em soluções de álcoois decrescentes (absoluto, 90⁰, 80⁰, 70⁰) e água, durante 5 minutos em cada; - ativação antigênica com tampão citrato 0,01M, pH 6.0 e 5 ciclos, de 3 minutos cada, em potência máxima no microondas; - lavagem 3 vezes, de 5 minutos cada, com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - inibição da peroxidase endógena com solução de H2O2 3,5% em PBS durante 30 minutos; - lavagem 2 vezes, de 5 minutos cada, com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - bloqueio de reações não específicas com solução de leite em pó 14% em PBS por 30 minutos; - incubação com anticorpo primário em quantidade suficiente para cobrir os fragmentos, sendo as lâminas incubadas por 16 horas em câmara úmida a 4ºC; - lavagem 3 vezes, de 5 minutos cada, com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - incubação com anticorpo secundário biotinilado (link do kit LSAB DAKO) durante 30 minutos em câmara úmida, a temperatura ambiente; - lavagem 2 vezes, de 5 minutos cada, com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - adição do conjugado estreptavidina-HRP (peroxidases horseradish) e mantido durante 30 minutos em câmara úmida, a temperatura ambiente; - lavagem 2 vezes, de 5 minutos cada, com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - revelação com solução de DAB 0,05% com substrato (H2O2) por 5 minutos; - última lavagem de 5 minutos cada com tampão PBS 0,01M, pH 7.4; - contracoloração rápida (5 segundos) com hematoxilina e lavagem com água corrente a fim de retirar excesso de corante; - desidratação e montagem com Entellan® sintético. 32 Nos controles negativos, as lâminas foram incubadas com tampão PBS 0,01M, pH 7.4 ao invés do anticorpo primário. 3.4. Análise por Fluorescência Direta (FA) Nos ensaios de fluorescência direta elaborados neste estudo, o ligante primário utilizado foi um inibidor de Bowman-Birk (BBI), previamente enriquecido e purificado em nosso laboratório. Já o composto fluorescente utilizado na conjugação ao anticorpo, foi o isotiocianato de fluoresceína (FITC - Sigma), que emite luz verde brilhante ao ser estimulado por luz filtrada até 520 nm (filtro verde). 3.4.1. Conjugação BBI-FITC A conjugação entre o BBI e o FITC foi padronizada de acordo com manual adaptado do fabricante do composto fluorescente (Biorad). Para tal padronização utilizou-se solução estoque 10 mg/mL de FITC dissolvido em dimetilsulfóxido anidro (DMSO - Sigma) para estabelecer uma proporção de 80 µg de FITC por miligrama de BBI. O BBI foi diluído no tampão de reação (500 mM carbonato/bicarbonato, pH 9.5) e prontamente misturado a solução de FITC. Foi incubado sob agitação leve durante 60 minutos, a temperatura ambiente ao abrigo da luz. O FITC não conjugado foi retirado através de coluna exclusão molecular (Sephadex G-25M - Pharmacia Biotech) e o conjugado foi eluído em tampão de armazenamento (10 mM Tris, 150 mM NaCl, 0.1% NaN3, pH 8.2) e estocado a 4ºC no escuro. A concentração foi aferida pela medida da absorbância a 280 e 520 nm. 3.4.2. Preparação dos Cortes Histológicos para FA Os segmentos de tecidos obtidos em necropsia que foram fixados em solução crioprotetora (Tissue-Tek®-SakuraTM) e imediatamente congelados a -80ºC. Posteriormente, seccionados em criostato em slides de aproximadamente 20 µm, 33 fixados em lâminas de vidro e mantidos a -20ºC. A fluorescência para detecção em tecidos criopreservados foi processada pelas seguintes etapas: - os cortes histológicos foram inicialmente hidratados em soluções de álcoois decrescentes (absoluto, 90⁰, 80⁰, 70⁰) durante 5 minutos em cada; - seguiu-se a incubação com o conjugado BBI-FITC na concentração de 1:5000 (diluição no tampão de armazenamento), em quantidade suficiente para cobrir os fragmentos, sendo as lâminas incubadas por 60 minutos, em câmara escura úmida e a temperatura ambiente; - lavagem das lâminas em tampão PBS (NaCl 137mM; Fosfato 10 mM; KCl 2,7 mM; pH 7.4) e contracoloração com hematoxilina por três segundos; - lavagem, desidratação em álcoois crescentes, secagem e montagem com Entellan® sintético (Merck) e lamínula e guardadas ao abrigo da luz. No controle negativo, as lâminas foram incubadas apenas com o composto fluorescente FITC diluído em PBS. 3.5. Captura e Análise de Imagens As imagens, das lâminas de imunohistoquímica e dos ensaios de fluorescência direta, foram digitalizadas utilizando-se o microscópio Leica DM5000B com câmera acoplada, através do programa Leica Application Suite (versão 2.4.0 R1, Leica Microsystems). Para a captura de imagens de FA, foi utilizado o filtro verde e a captura feita no aumento de 110x. Para sua quantificação foi utilizado o programa de análises de imagens Image Tool 3.0 (UTHSCSA - University of Texas Health Science Center at San Antonio) para medir a intensidade de fluorescência de imagens aleatoriamente selecionadas. As imagens foram capturadas em 12 bits e analisadas em escala de cinza de 0 a 255. A intensidade de fluorescência foi medida através da média da área, isto é, a soma dos valores de tons cinza de todos os pixels dividida pelo número de pixels presentes na área. Os valores foram registrados em unidades arbitrárias (UA). A fluorescência de fundo foi medida e subtraída da região de interesse (GAVA et al, 2012). Para a quantificação das imagens dos ensaios imunohistoquímicos foi utilizado o programa ImageJ 1.45s (National Institute of Health, USA) para contagem total de 34 núcleos celulares marcados. Foram utilizadas as médias de 20 campos visuais sucessivos para cada animal, no aumento de 440x, para quantificação da marcação imunohistoquímica de cada grupo. Foram consideradas imagens com mais de 90% de tecido para a contagem nuclear. 3.6. Análise da Expressão Gênica por qPCR (Real Time) 3.6.1. Oligonucleotídeos Iniciadores (Primers) Os oligonucleotídeos iniciadores específicos para os genes em estudo foram baseados nas sequências de mRNA depositadas no banco de dados RGD (Rat Genome Database, disponível em http://rgd.mcw.edu) e idealizados com auxílio do programa Gene Runner (Versão 3.05). As sequências dos primers utilizados, bem como número de acesso no RGD e tamanho dos amplicons estão listados na Tabela 01: Tabela 01: Número de acesso ao RGD das sequências de primers forward (F’) e reverse (R’), referentes aos genes avaliados, temperatura de melting (Tm) e tamanho do amplicon gerado. Tamanho do Genes Nº de Acesso Primers Tm (ºC) Amplicon (pb) TGTGTTGTCCCTGTATGC NM_031144.3 43.5 96 Actb-F’ GCGTAACCCTCATAGATG 42.2 Actb-R’ GGCTCCAGTCATAGTACAAC NM_012924.2 43.4 80 Cd44-F’ GGTCCTGTCCTGTTCAAG 44.0 Cd44-R’ AAAGCCACCGCCTACATC NM_012603.2 49.9 80 c-Myc-F’ CGCCGTTTCCTCAGTAAG 48.1 c-Myc-R’ CAGCAATGGGCACATCAC NM_021835.3 49.8 141 c-Jun-F’ ACACTGGGCAGCGTATTC 48.0 c-Jun-R’ CAACCCAAGACCCAAGAG NM_134378.1 47.2 85 Sulf1-F’ CCATCCATCCCATAACTG 45.0 Sulf1-R’ GCCCGAAACTACCTACAG NM_017347.2 44.4 145 Mapk3-F’ GTGCTTCCTCTACTGTGATG 44.1 Mapk3-R’ AAGAGGCGGCAGCAGATAG NM_012747.2 52.2 107 Stat3-F’ TGGCGGGTCTGAAGTTGAG 53.3 Stat3-R’ CATGCCTGTCTACTGTTCTG NM_017283.3 45.1 119 Psma6-F’ AAGGTGAGCGTCAATCTC 44.0 Psma6-R’ 35 3.6.2. Extração de RNA Total Cerca de 100 mg de pólipos do intestino delgado, obtidos após a necrópsia dos animais, foram utilizados para obtenção do RNA total utilizando o Kit SV Total RNA Isolation System (Promega TM ) seguindo as recomendações do fabricante. Brevemente: 100 mg de tecido foram homogeneizados com auxílio de um homogeneizador do tipo politron (Ultra 80) em 1mL de Trizol® Reagent (InvitrogenTM) em 3 pulsos de 30 segundos cada, seguidos de 1 minuto em banho de gelo. A seguir as amostras foram incubadas, durante 20 minutos, a temperatura ambiente e posteriormente foram adicionados 0,4 mL de clorofórmio (Sigma) e novamente homogeneizados durante 1 minuto com auxílio de um agitador tipo vórtex, seguido de uma incubação a temperatura ambiente por 25 minutos. A seguir, as amostras foram centrifugadas durante 15 minutos a 12.000 G. A fase aquosa foi recuperada, transferida para um novo tubo e adicionados mais 0,4 mL de clorofórmio (Sigma), seguido de nova homogeneização por 1 minuto com auxílio de um agitador tipo vórtex e por centrifugação durante 2 minutos a 12.000 G. Após recuperar a fase aquosa, foram adicionados 0,6 mL de etanol 95% v/v (preparado com água livre de RNAses) para precipitar os ácidos nucléicos, e transferidos para a coluna de ligação que acompanha o kit. Em seguida, o RNA total foi purificado utilizando o Kit SV Total RNA Isolation System (PromegaTM) conforme instruções do protocolo técnico. O controle de qualidade do RNA foi realizado a partir da utilização de DNAses do próprio kit e suas confirmações através da quantificação e avaliação do grau de pureza do mesmo pelo aparelho NanoVue® (General Eletrics), seguidas da análise das preparações em gel de agarose 1,2% TBE-formamida (Fig. 12) a 90V durante 40 minutos e visualizado com auxílio de um transiluminador UV (modelo TFP-M/WL, Biosystems). A densidade óptica (quantificação) do RNA extraído foi avaliada no comprimento de onda a 260 nm. As razões para serem aceitas como adequadas para a quantificação da expressão gênica seguem certas condições. A razão 260/280 próxima a 1,8 indica baixa contaminação por proteínas, já as razões 260/230 maiores que 2,0 indicam uma baixa contaminação por isotiocianato de guanidina (MANCHESTER, 1996; GALLAGHER et al, 2006; BECKER et al, 2010). 36 Figura 12: Análise da qualidade das extrações de RNA total. Cerca de 10 μg de RNA total foram analisados em gel de agarose TBE-formamida 1,2%. O RNA total foi obtido a partir dos pólipos intestinais delgado de animais pertencentes aos grupos Controle Óleo (1), DBT (2), DBTO 2 (3) e DMH (4). 3.6.3. RT-PCR e Obtenção dos cDNA’s A primeira fita do cDNA foi sintetizada utilizando 1 µg de RNA total extraído e o Kit High Capacity RT-PCR System (Applied Biosystems), seguindo as recomendações dadas pelo fabricante. Para cada 1 µg de RNA total, foram utilizados 2 μL de tampão (10x RT Buffer), 2 μL de primers randômicos (10x RT Random Primer), 0,8 μL de dNTP’s [25x dNTP Mix (100 mM)] 1 μL de transcriptase reversa (Multi ScribeTM Reverse Transcriptase) e água livre de RNAse para um volume final de 10 μL. A mistura de reação foi preparada e adicionados o volume de RNA (10 μL), foi mantida em gelo até a programação do termociclador (Biocycler, versão 3.2). A mistura foi incubada durante 10 minutos a 25°C, seguidos de 120 minutos a 37°C, então 5 minutos a 85°C e até o momento do uso, a amostra permaneceu estocada a -20°C. 37 3.6.4. Reação da PCR Quantitativa em Tempo Real (qPCR) Para análise da expressão dos genes em estudo foi utilizada a técnica de PCR em tempo real. As reações foram realizadas pelo Kit SYBR® Green PCR Master Mix (Applied Biosystems) em placas de 96 poços (MicroAmp® Optical 96 Well Reaction Plate – Applied Biosystems) e seladas com adesivo óptico (MicroAmpTM Optical Adhesive Film – Applied Biosystems) ao final do procedimento. Foram pipetados 3 μL dos iniciadores (na concentração de 2,5 μM) em triplicata e 7 μL de um mix de reação contendo 2 μL de cDNA diluído 5x (com água livre de DNAse) e 5 μL de SYBR® Green Master Mix, totalizando um volume de reação em cada poço de 10 μL. Os ensaios foram realizados em triplicatas biológicas para todos os genes avaliados, com o gene de referência (β-actina) presente em todas as placas. Os valores de baseline foram ajustados para 3-15 ciclos. O threshold foi ajustado à região associada ao crescimento exponencial do produto da PCR e, portanto, fixado em 0,2 para todas as amostras, uma vez que se comparou o mesmo gene em diferentes grupos. As análises foram feitas pelo método do 2-ΔCq de quantificação relativa da expressão gênica (ΔCq), que permite quantificar diferenças no nível de expressão de um alvo específico entre as diferentes amostras. Os níveis dos genes alvos foram normalizados pelos níveis do gene de referência (β-actina). Os resultados foram alcançados por uma fórmula aritmética que considera a quantidade do alvo, normalizado para o gene de referência, dada por 2-∆Cq. A reação de qPCR foi conduzida conforme programação contida no aparelho ABI 7300 (Applied Biosystems). 38 3.6.5. Curva de Eficiência dos Primers Para determinar as eficiências relativas da amplificação dos alvos e do gene de referência foram construídas curvas padrões para cada amplicon a partir de uma mesma amostra. O ensaio foi realizado em triplicata e a concentração dos iniciadores foi de 2,5 μM. A curva padrão foi representada por um gráfico de regressão linear semi-log do valor de Cq (eixo Y) em comparação ao log da quantidade inicial do ácido nucleico (eixo X). Foram utilizadas 5 diluições seriadas de 5 vezes de cDNA (até 1:3125). A Figura 13 ilustra o gráfico de amplificação do gene c-Myc e a Figura 14 a curva padrão do mesmo gene, indicando um resultado esperado de um primer com eficiência próxima a 100%. Figura 13: Gráfico de amplificação referente à curva de eficiência do gene c-Myc utilizando diluição seriada de 5x de cDNA de pólipos intestinais. Em X estão demonstrados os valores dos ciclos de PCR e em Y os valores de ∆Rn. As interseções da linha verde com as curvas indicam os Cq’s das curvas de amplificação. 39 Figura 14: Curva padrão referente ao gene c-Myc utilizando diluição seriada de 5x de cDNA de pólipos intestinais. Em X estão demonstrados os valores de Log da concentração de cDNA e em Y os valores de Cq correspondentes a cada diluição. O slope da curva padrão foi usado para estimar a eficiência de amplificação. Uma reação 100% eficiente produzirá um aumento de 10 vezes no amplicon da PCR a cada 3,32 ciclos durante a fase exponencial de amplificação (log2 10 = 3,3219), ou seja, o amplicon dobra em quantidade durante a fase geométrica. O cálculo da estimativa da eficiência (E) foi calculado pela fórmula: E = (10-1/slope – 1) x 100. Os primers foram considerados apropriados para avaliar a expressão gênica pelo sistema SYBR® Green quando apresentaram eficiência de reação acima de 80% e abaixo de 120%. Os valores de baseline foram ajustados para 3-15 ciclos e o threshold fixado em 0,2 para todas as amostras. A Tabela 02 mostra os valores de slope e as eficiências dos primers avaliados. Tabela 02: Sequências de primers forward (F’) e reverse (R’), slope, eficiência de reação e coeficiente de correlação (R2) referentes aos genes avaliados. Gene Slope Eficiência do Primer R2 (%) -3,17 107 0,9989 Actb -3,57 98 0,9653 Cd44 -3,19 106 0,9897 c-Myc -2,59 117 0,8840 c-Jun -3,32 100 0,9848 Sulf1 -3,23 84 0,9766 Mapk3 -3,09 105 0,9918 Stat3 -3,96 92 0,9827 Psma6 40 3.6.6. Curva de Dissociação dos Amplicons Foi realizada a análise da curva de dissociação dos amplicons, conforme os guidelines para real time (MIQE) (BUSTIN et al, 2009; BUSTIN, 2010; TAYLOR et al, 2010), para identificar a formação de produtos inespecíficos no final de cada corrida, possivelmente gerados a partir de excesso de primers ou falha no desenho dos mesmos. A Figura 15 ilustra a curva de dissociação do gene c-Myc, indicando a ocorrência de um único pico à temperatura próxima de 80°C, mostrando não haver contaminação ou formação de produtos inespecíficos. Ao final dos 40 ciclos da qPCR, a temperatura foi elevada gradualmente de 60 à 95ºC, mantendo-se por 15 segundos em cada grau Celsius. Na medida em que os amplicons desnaturaram, o sinal fluorescente emitido pelo SYBR® Green foi reduzido e a temperatura em que metade do produto da PCR estava dissociada medida. O gráfico resultante permitiu verificar se houve um ou mais produtos de PCR presentes em cada reação devido a diferenças de temperatura de melting (Tm), específicas e dependentes do tamanho do fragmento e do conteúdo de GC (%GC). O Tm desejado foi em torno de 80°C. Figura 15: Curva de dissociação referente ao amplicon do primer c-Myc. No eixo x está representada a temperatura de dissociação do amplicon gerado pela reação de PCR e no eixo Y a derivada do valor de emissão de fluorescência. 41 3.7. Análise Estatística A análise estatística dos resultados foi realizada com o software Prism (Versão 5.0). Para análise das diferenças entre os parâmetros histológicos observados, utilizaram-se os testes Exato de Fisher e Qui-quadrado. Para os demais resultados utilizou-se a análise de variância (ANOVA) ONE-WAY para testar as diferenças entre os tratamentos, seguido de pós-teste de Tukey para determinação das diferenças significativas entre os grupos expostos aos agentes químicos e os grupos controle. Adotou-se o nível de significância p < 0,05 para todas as análises. 42 4.Resultados e Discussão 43 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Levando em consideração a importância toxicológica dos organossulfurados DBT e DBTO2, e devido à escassez de estudos nesse sentido, foram realizados experimentos aplicando-se doses subletais destas substâncias de forma crônica por via intraperitoneal de ratos Wistar, no intuito de observar lesões de caráter neoplásico consequentes da exposição a esses compostos. Dessa maneira, utilizou-se a dose de 30 mg/Kg tanto para o DBT, DBTO2 quanto para a DMH, substância de referência na indução de câncer. Os animais foram tratados semanalmente durante o período de 10 semanas (tratamento) e mantidos em espera por 22 semanas adicionais (latência) com a expectativa de observar uma evolução da gravidade das lesões causadas por tais cancerígenos. 4.1. Efeitos Biológicos da Indução Química por DBT, DBTO2 e DMH em Ratos Wistar 4.1.1. Avaliação da Massa Corporal dos Animais Durante o Tratamento com os Agentes Químicos A figura 16 demonstra o acompanhamento do peso dos animais durante as semanas em que se realizaram o tratamento com os agentes químicos DBT, DBTO2 e DMH. Como pode ser observado, não houve variação significativa de peso entre os diversos grupos, demonstrando que a inoculação dessas substâncias, de acordo com regime proposto, não interferiu no crescimento normal dos animais. Além disso, não foram observadas alterações macroscópicas na superfície corporal externa dos animais tratados. 44 Massa Corporal (g) 350 Controle DBT Controle DMH DBT DBTO2 DMH 300 250 200 150 50 0 0 2 4 6 8 10 Semanas Figura 16: Gráfico de acompanhamento de peso dos animais pertencentes aos grupos controles e testes ao longo de 10 semanas de tratamento. 4.1.2. Avaliação das Alterações de Peso do Fígado e do Baço As avaliações dos pesos relativos à massa corporal dos fígados e baços dos grupos experimentais não mostrou diferenças significativas (Fig. 17 e 18). Esses resultados mostram por meio de apreciação superficial de possíveis efeitos desses agentes nesses órgãos, que não ocorreram variações nas massas teciduais analisadas. Peso Fígado/Peso Animal 15 10 5 H D M 2 D B TO B T D Sa on tr ol e C C on tr ol e Ó le o lin a 0 Grupos Figura 17: Relações Peso Fígado/Peso Animal provenientes dos grupos controles e testes ao final do período de tratamento/latência. 45 Peso Baço/Peso Animal 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2 H D M 2 D B TO B T D Sa on tr ol e C C on tr ol e Ó le o lin a 0.0 Grupos Figura 18: Relações Peso Baço/Peso Animal provenientes dos grupos controles e testes ao final do período de tratamento/latência. 4.2. Avaliações Morfológicas Macroscópicas Ao se observar macroscopicamente o fígado, baço, estômago e parte do pulmão concluiu-se que esses órgãos apresentaram aspecto e coloração compatíveis com normalidade nos diversos grupos avaliados. No caso dos intestinos delgado e grosso, o quadro de aparente normalidade foi observado apenas em animais dos grupos controle salina e controle óleo. No grupo teste DMH observou-se a presença de projeções papiliformes na mucosa voltada para a luz do intestino grosso na maioria dos animais deste grupo. Verificaram-se lesões também no intestino delgado, porém em menor quantidade e intensidade (Fig. 19, A e B). Simultaneamente, para os animais pertencentes aos grupos testes DBT e DBTO2 foram visualizadas projeções mais frequentes ao longo do intestino delgado em relação ao intestino grosso (Fig. 19; C, D e E). Na maioria dos animais pertencentes aos grupos testes foi verificada a presença de pequenas ulcerações, superfície irregular de aspecto avermelhado e consistência rígida típicas de pólipos. 46 Figura 19: A, B - Fotografia de parte do intestino grosso de animal pertencente ao grupo III (Teste DMH 30 mg/Kg) onde podem ser observadas as formações de pólipos. C, D, E - Fotografias de partes do intestino delgado de animais pertencentes aos grupos IV (acima) e V (abaixo) (Testes DBT 30 mg/Kg e DBTO2 30 mg/Kg, respectivamente) onde podem ser observados diversos pólipos. 4.3. Avaliações Morfológicas Microscópicas (Histologia) Para a avaliação microscópica das lesões, realizou-se a análise histológica dos intestinos, fígado e baço avaliando-se a ocorrência de alterações celulares, estruturais e inflamatórias nos grupos controles e testes avaliados. As lâminas coradas pela técnica Hematoxilina e Eosina (HE) foram analisadas sob microscopia ótica de maneira quantitativa. As alterações histopatológicas consideradas neste trabalho foram as mais frequentes para cada órgão. O delineamento experimental incluiu grupos de ratos tratados com os solventes salina e óleo para descartar qualquer possibilidade de indução de efeitos biológicos decorrentes da administração crônica desses veículos. A análise do baço não revelou qualquer alteração histológica em todos os grupos experimentais. No fígado, observouse um aumento significativo da ocorrência de inflamação parenquimal e hiperemia dos animais tratados com os três agentes em relação aos seus respectivos controles (Tab. 03). 47 Tabela 03: Comparação de frequência das lesões observadas no Fígado para os grupos Controle Óleo, Controle Salina, Teste DBT, Teste DBTO2 e Teste DMH Lesões Observadas Controle Óleo % (n) Controle Salina % (n) Teste DBT % (n) Teste DBTO2 % (n) Teste DMH % (n) p Inflamação Portal 0 (0/4)a 0 (0/4)a 0 (0/15)a 0 (0/14)a 0 (0/14)a - Inflamação Parênquimal 0 (0/4)a 25 (1/4)c 20(3/15)c 14(2/14)b; c 50 (7/14)d <0,0001 Degeneração Celular 0 (0/4)a 25 (1/4)c 0(0/15)a 0 (0/14)a 7 (1/14)b <0,0001 Necrose 0 (0/4)a 0 (0/4)a 0 (0/15)a 0 (0/14)a 0 (0/14)a - Hemossiderina 0 (0/4)a 0 (0/4)a 0 (0/15)a 0 (0/14)a 0 (0/14)a - Granuloma 0 (0/4)a 0 (0/4)a 0 (0/15)a 0 (0/14)a 0 (0/14)a - Hiperemia 100 (4/4)g 100 (4/4)g 93(13/14)f 71 (10/14)e 79(11/14)e <0,0001 # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) Nos intestinos dos animais dos grupos controles foi possível a observação de todas as estruturas histológicas características da normalidade desse órgão. No grupo óleo não foram observadas lesões em ambos os intestinos (Tab. 04 e 05). Por outro lado, em apenas um em quatro animais do grupo controle salina, foi verificado aumento de células inflamatórias de maneira difusa e de baixa intensidade nos intestinos grosso e delgado. Neste mesmo animal, também foram observadas reações hiperplásicas de nódulos linfóides (Tab. 04 e 05). Entretanto, considerando o tratamento invasivo de injeções intraperitoneais ao qual os animais foram submetidos, e a diferença estatística encontrada confrontando-se os animais testes, tratados com DMH, DBT e DBTO2, pode-se afirmar que o quadro geral observado dos grupos controles representa, praticamente, a normalidade histológica. Tabela 04: Comparação de frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Óleo e Controle Salina. Controle Óleo % (n) Controle Salina % (n) p Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4)a 0 (0/4) a - Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Inflamação na Mucosa 0 (0/4) a 25 (1/4) b <0.0001 Necrose 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Atipias Estruturais 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Hiperplasia de Nódulos Linfóides 0 (0/4) a 25 (1/4) b <0,0001 Lesões Observadas # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) 48 Tabela 05: Comparação de frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Óleo e Controle Salina. Controle Óleo % (n) Controle Salina % (n) p Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Inflamação na Mucosa 0 (0/4) a 25 (1/4) b <0.0001 Necrose 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Atipias Estruturais 0 (0/4) a 0 (0/4) a - Hiperplasia de Nódulos Linfóides 0 (0/4) a 25 (1/4) b <0.0001 Lesões Observadas # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) Ao comparar os resultados das análises histológicas dos grupos controle salina e teste DMH 30 mg/Kg nos intestinos delgado e grosso (Tab. 06 e 07) nota-se o aumento significativo para todas as alterações avaliadas, porém mais acentuado no intestino grosso dos animais teste DMH. Verificou-se a presença frequente e intensa de células inflamatórias ao longo do tecido tanto em intestinos grosso quanto delgado. As principais atipias observadas foram alterações na morfologia das mucosas, presença de glândulas irregulares e de células com morfologia irregular de difícil identificação (Fig. 20, G e H; e Fig. 21, G e H). Grande parte dos tecidos de intestino delgado e grosso apresentaram áreas de necrose, atingindo predominantemente as túnicas mucosas de forma consistente com a presença de nódulos linfóides pouco frequentes, principalmente na região do cólon dos animais (Fig. 20 e 21, G). Tabela 06: Frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Salina e Teste DMH 30 mg/Kg. Controle Salina %(n) Teste DMH 30 mg/Kg % (n) P Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4) a 57 (8/14) b < 0,0001 Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 7 (1/14) b 0,0140 Inflamação na Mucosa 25 (1/4) a 100 (14/14) b < 0,0001 Necrose 0 (0/4) a 92 (13/14) b < 0,0001 Atipias Estruturais 0 (0/4) a 57 (8/14) b < 0,0001 Hiperplasia de Nódulos Linfóides 25 (1/4) a 50 (7/14) b 0,0004 Lesões Observadas # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) 49 Tabela 07: Frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Salina e Teste DMH 30 mg/Kg. Controle Salina % (n) Teste DMH 30 mg/Kg % (n) P Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4) a 79 (11/14) b < 0,0001 Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 57 (8/14) b < 0,0001 Inflamação na Mucosa 25 (1/4) a 93 (13/14) b < 0,0001 Necrose 0 (0/4) a 86 (12/14) b < 0,0001 Atipias Estruturais 0 (0/4) a 79 (11/14) b < 0,0001 Hiperplasia de Nódulos Linfóides 25 (1/4) a 21 (3/14) a 0,6145 Lesões Observadas # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) As análises histopatológicas envolvendo os grupos teste DBT 30 mg/Kg e teste DBTO2 30 mg/Kg (Tab. 08 e 09), revelaram um aumento significativo para todas as alterações avaliadas. Da mesma forma, foi verificado aumento da intensidade inflamatória na mucosa de ambos os intestinos. As hiperplasias das regiões nodulares eram caracterizadas pelo aumento concêntrico de linfócitos e macrófagos, possivelmente relacionadas com as projeções papiliformes observadas macroscopicamente (Fig. 20; C e E). Nesses grupos observou-se um menor índice de necrose e de atipias de maneira similar ao encontrado nos animais tratados com DMH. Sendo assim, esses resultados se mostram consistentes com a expectativa da indução química de lesões de caráter neoplásico com organossulfurados, corroborando com as evidências anteriores verificadas em trabalhos do nosso grupo de pesquisas em protocolos similares de tratamento. Tabela 08: Frequência das lesões observadas no Intestino Delgado para os grupos Controle Óleo, Teste DBT 30 mg/Kg e Teste DBTO2 30 mg/Kg. Lesões Observadas Controle Óléo % (n) Teste DBT 30 mg/Kg % (n) Teste DBTO2 30 mg/Kg % (n) P Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4) a 20 (3/15) b 0 (0/14) a <0,0001 Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 7 (1/15) b 0 (0/14) a 0,0008 Inflamação na Mucosa 0 (0/4) a 93 (14/15) b 71 (10/14) c <0,0001 Necrose 0 (0/4) a 33 (5/15) b 7 (1/14) c < 0,0001 Atipias Estruturais 0 (0/4) a 20 (3/15) b 0 (0/14) a < 0,0001 Hiperplasia de Nódulos Linfóides 0 (0/4)a 53 (8/15) b 64 (9/14) b <0,0001 # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) 50 Tabela 09: Frequência das lesões observadas no Intestino Grosso para os grupos Controle Óleo, Teste DBT 30 mg/Kg e Teste DBTO2 30 mg/Kg. Controle Óléo % (n) Teste DBT 30 mg/Kg % (n) Teste DBTO2 30 mg/Kg % (n) p Atipias Celulares na Mucosa 0 (0/4) a 13 (2/15) b 0 (0/14) a <0,0001 Atipias Celulares na Média 0 (0/4) a 0 (0/15) a 0 (0/14) a - Inflamação na Mucosa 0 (0/4) a 93 (14/15) b 79 (11/14) c <0,0001 Necrose 0 (0/4) a 33 (5/15) b 21 (3/14) b < 0,0001 Atipias Estruturais 0 (0/4) a 20 (3/15) b 0 (0/14) a < 0,0001 Hiperplasia de Nódulos Linfóides 0 (0/4)a 40 (6/15) b 50 (7/14) b <0,0001 Lesões Observadas # Letras diferentes indicam diferenças estatísticas na avaliação em linha (Teste de Exato de Fisher) A presença de inflamação e necrose aumentadas nos grupos testes indicou o potencial irritativo e lesivo das drogas utilizadas em órgãos como fígados e, principalmente, intestinos. Todavia, as observações de crescimento celular aumentado e alterações nas estruturas teciduais correspondem a um estágio inicial de displasia característico de lesões pré-neoplásicas (KIM et al, 2006). Diante da constatação de indução de lesões de natureza neoplásica nos animais tratados com DBT e DBTO2 em intensidade similar àquelas provocadas pela administração crônica de mesma dose de DMH, fica clara a importância desses resultados para contribuir para a avaliação toxicológica dessas substâncias de irrefutável relevância ambiental. 51 Figura 20: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (4µm) coradas pela técnica de HE. a, c, e, g 110x. b, d, f, h 220x. a, b) Detalhes da túnica mucosa apresentando aspecto histológico normal. c, e) Notar presença de diversas hiperplasias de nódulos linfoides na região da mucosa (setas). d) Observar área de necrose (estrela) e aumento de células inflamatórias na mucosa (seta). f) Observar aumento de células inflamatórias na região glandular (setas). g) Observar área de necrose (estrela) associada à atrofia mucosa e atipias celulares, determinando a formação de estruturas irregulares e de difícil identificação e processo inflamatório associado (setas). h) Detalhes de células atípicas (setas). 52 Figura 21: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino grosso (4µm) coradas pela técnica de HE. a, c, e, g 110x. b, d, f, h 220x. a, b) Detalhes da túnica mucosa apresentando aspecto histológico normal. c,e) Observar a presença de hiperplasias de nódulos linfóides (setas) e atipias celulares (estrela). d) Detalhe da área de necrose (estrela). f) Observar forte inflamação da mucosa (setas). g, h) Vasta área de necrose (estrelas) com atipias celulares com formação de estruturas de difícil identificação (setas). 53 4.4. Imunohistoquímica A técnica de imunohistoquímica é um procedimento sensível de detecção molecular, que pode auxiliar em diagnósticos de doenças inflamatórias, infecciosas e neoplasias. No caso do câncer, essa técnica pode ainda auxiliar no fornecimento de dados relevantes e individualizados sobre o melhor tratamento, provável evolução de tumores indiferenciados e determinação de fatores preditivos de neoplasias (ZAVRIDES et al, 2005; PALTIAN et al, 2009). No trabalho desenvolvido, embora os resultados das análises histológicas demonstrarem o desenvolvimento de lesões com características neoplásicas, esses dados devem ser reforçados com evidências moleculares. Em trabalhos anteriores, do nosso grupo de pesquisa, foram realizados ensaios Western Blotting utilizando-se de marcadores moleculares CD44 e o antígeno carcinoembrionário (CEA). Porém não foi possível detectá-los nos extratos de proteínas de membrana provenientes dos pólipos dos animais induzidos. Na ocasião, o resultado negativo pôde ser justificado pelo estágio inicial de desenvolvimento tumoral e a utilização de anticorpos recomendados para análises imunohistoquímicas. É importante ressaltar que o CEA é um antígeno reconhecido como um marcador tumoral de tecidos neoplásicos colorretais, sendo praticamente nula sua expressão em tecidos saudáveis (COBBEN-BELD et al, 1996; KAHLENBERG et al, 2003). Já o marcador CD44 é um antígeno expresso endogenamente, porém sua expressão é aumentada em tecidos tumorais pulmonares e intestinais (KARGL et al, 1997; CARLI et al, 2012). Dessa forma, no atual projeto utilizaram-se tais marcadores moleculares pela técnica de imunohistoquímica de lâminas montadas a partir dos pólipos coletados nos intestinos delgados dos animais necropsiados. Tanto o antígeno CD44 e o CEA foram detectados de forma mais aguda estatisticamente nos tecidos de animais submetidos aos tratamentos com carcinógenos, corroborando com a literatura supracitada. Os resultados demonstraram que as expressões de CEA nos animais controle foram muito baixas em relação aos grupos induzidos com os carcinógenos (Fig. 22). Foram verificados aumentos em torno de 100 vezes na expressão deste antígeno em todos os grupos testes de maneira similar entre si (DBT, DBTO2 e DMH), sem apresentar diferenças estatísticas. A grande diferença de expressão citada acima está de acordo com a expectativa de quase nulidade da presença do antígeno em células 54 normais. Desta forma verifica-se que esse marcador foi satisfatório para detecção desse estágio neoplásico em início de desenvolvimento. Nº de células marcadas CEA 300 200 b b b 100 H D M 2 B TO D B T a C D N TR O LE O C a O Ó N LE TR O O LE SA LI N A 0 Grupos Figura 22: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação de células de intestino delgado marcadas pelo anticorpo para CEA nos cinco grupos avaliados. Letras diferentes indicam diferenças estatísticas no teste de comparação múltipla Tukey e análise de variância (ANOVA) ONE-WAY, p<0,05. A expressão de CD44 nos pólipos intestinais dos grupos testes mostrou-se aumentada em torno de 3 vezes em todos os grupos testes quando comparado aos respectivos grupos controles. No entanto, entre os animais testes (DBT, DBTO2 e DMH), não houve diferenças estatísticas (Fig. 23). Embora em menor intensidade que o CEA, esses dois marcadores não revelaram diferenças de expressão entre os três grupos de tratamentos citados acima. Dessa forma, o CEA e o CD44 avaliaram de forma coerente e semelhante os estágios de desenvolvimento neoplásico desses três grupos. A explicação para uma menor diferença de expressão da CD44 entre controle e teste se deve a franca expressão endógena dessa proteína de adesão em células normais (CHRISTOFORI, 2003; PALTIAN et al, 2009). Esses resultados reforçam ainda mais as evidências que os três agentes se equiparam em potência como carcinógenos. 55 CD44 Nº de células marcadas b b 300 b 200 100 a a M H D 2 B TO D B T D C O N TR O LE C O Ó N LE TR O O LE SA LI N A 0 Grupos Figura 23: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação de células de intestino delgado marcadas pelo anticorpo para CD44 nos cinco grupos avaliados. Letras diferentes indicam diferenças estatísticas no teste de comparação múltipla Tukey e análise de variância (ANOVA) ONE-WAY, p<0,05. 56 Figura 24: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (4µm) marcados pela técnica de imunohistoquímica para os anticorpos CD44 e CEA, nos cinco grupos avaliados. A marcação é significativamente maior nos animais dos grupos testes para ambos anticorpos. Foram verificados aumentos na expressão de 3x e 100x, para CD44 e CEA, respectivamente. 440x. 57 4.5. Ensaios de Fluorescência com BBI – FITC O papel quimiopreventivo dos inibidores de proteases do tipo Bowman-Birk foi demonstrado em vários modelos de câncer induzido com DMH (KENNEDY,1998; ARMSTRONG et al, 2000). Existem diversos trabalhos que demonstram uma atividade protetora em roedores tratados simultaneamente com injeções intraperitoneais de 1,2dimetilhidrazina e BBI adicionado às dietas (ST. CLAIR et al, 1990; CARLI et al, 2012). Além disso, é conhecida atividade inibitória do BBI sobre proteases envolvidas na degradação da membrana basal e proliferação neoplásica prevenindo processos angiogênicos necessários para a progressão tumoral (LOSSO et al, 2008). Além disso, a capacidade antiinflamatória de BBI é bem demonstrada em estudos anteriores, reduzindo danos oxidativos celulares causados por radicais livres (KENNEDY, 1998a), e inibindo proteases envolvidas em processos inflamatórios (WARE et al, 1997). Dessa forma, como a inflamação está estreitamente associada à carcinogênese, acredita-se que a atividade antiinflamatória do BBI possa ser o principal mecanismo quimiopreventivo contra o desenvolvimento do câncer (KENNEDY, 1998b, KENNEDY et al, 2008). O aumento da expressão de proteases, em pólipos intestinais de camundongos tratados com DMH, capazes de se ligarem em colunas de afinidade de BBI, evidencia uma possibilidade de utilizar esse inibidor como um ligante específico de proteases envolvidas no desenvolvimento de câncer induzido quimicamente (CARLI et al, 2012). Além disso, outros autores caracterizaram duas proteases de 45 e 60 kDa, purificadas em colunas de afinidade de BBI, obtidas da fração lisossomal de pólipos neoplásicos intestinais induzidas com DMH (BILLINGS et al, 1988; BILLINGS et al, 1991). A elevada afinidade dos BBI’s por enzimas tripsina e quimotripsina símile (GARIANI et al, 1997) favorece o emprego desse inibidor como possível ferramenta de avaliação de alterações teciduais de animais tratados com DBT, DBTO2 e DMH, mediante a ligação às proteases que podem constituir marcadores moleculares das lesões causadas por estes agentes. Assim sendo, BBI de semente de soja foi conjugado a isotiocianato de fluoresceína (FITC), para ser aplicado em cortes frescos de intestinos de grupos controles e testes. Os resultados foram analisados através do programa ImageTool 3.0 a fim de mensurar a intensidade de fluorescência em imagens aleatoriamente selecionadas a partir do intestino delgado dos animais. Os valores foram registrados como unidades arbitrárias (UA). 58 A partir disso, verificou-se uma marcação do conjugado BBI-FITC mais intensa em todos os grupos submetidos aos tratamentos com os agentes químicos (Fig. 25 e 26). O aumento da fluorescência nos grupos testes foi em torno de 1,7 vezes em relação aos controles, sem apresentar diferenças estatísticas entre os grupos DMH, DBT e DBTO2. Sendo assim, verificou-se que o conjugado BBI-FITC, proposto como um ligante específico de proteases tripsina e quimotripsina símiles indicou ser satisfatório para detecção do aumento da concentração de proteases-alvo do BBI, em animais tratados com agentes carcinógenos em estágio neoplásico inicial de desenvolvimento. Esses resultados demonstram que os inibidores de Bowman-Birk podem ser úteis no diagnóstico precoce de análises histopatológicas de animais submetidos à exposição a agentes químicos como DMH e também para os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos sulfurados como o DBT e DBTO2. Intensidade Relativa de Fluorescência (UA) FA 150 b 100 b b a a 50 H D M 2 B TO D B T D lin a Sa on tr ol e C C on tr ol e Ó le o 0 INTESTINO DELGADO Figura 25: Gráfico com os resultados obtidos da quantificação média da intensidade de fluorescência (UA) de regiões marcadas por fluorescência direta, pelo conjugado BBI-FITC, em intestinos delgados dos cinco grupos avaliados. A fluorescência de fundo foi medida e subtraída da região de interesse. Letras diferentes indicam diferenças estatísticas no teste de comparação múltipla Tukey e análise de variância (ANOVA) ONE-WAY, p<0,05. 59 Figura 26: Fotomicrografias de cortes histológicos de intestino delgado (20µm) marcados pela técnica de fluorescência direta, pelo conjugado BBI-FITC, nos cinco grupos avaliados. A marcação é significativamente maior nos animais dos grupos testes em relação aos seus respectivos controles. Foram verificados aumentos na expressão de proteases BBI-alvo em torno de 1,7x nos animais teste. 110x. 4.6. Expressão Gênica Relativa dos Transcritos Avaliados O desenvolvimento neoplásico consiste em um processo multicausal no qual controles normais da proliferação celular e da interação célula-célula são modificados. A ativação irregular de proto-oncogenes juntamente com a inibição desregulada de genes supressores tumorais representam os fundamentos desse processo (BUTEL, 2000). Diversos genes já foram descritos como pertencentes a essas categorias em cânceres humanos, entretanto estima-se que ainda exista uma grande variedade a serem identificados (DEVRIESE et al, 2012). Dentro deste imenso universo de possibilidades, a alteração de genes específicos, com papéis centrais em canais regulatórios, revela o 60 potencial impacto de um único distúrbio molecular para a promoção da neoplasia (LI et al, 2009a). No atual trabalho, foram escolhidos sete genes notoriamente envolvidos no processo carcinogênico em diferentes fases de seu desenvolvimento, no intuito de avaliarmos possíveis alterações de expressão de maneira mais ampla. Essa escolha justifica-se pelo precário conhecimento científico a respeito de efeitos toxicológicos de Dibenzotiofeno e seus derivados sulfonados, inclusive em regimes de indução tumoral em animais empregando-se tais compostos. Nesse contexto, destacaram-se os seguintes proto-oncogenes e gene supressor de tumor: - Cd44, que codifica uma glicoproteína integral de membrana, que funciona como um receptor hialurônico para a matriz extracelular, envolvida na migração e adesão celular, sendo seu aumento transcricional e de suas variadas isoformas, fortemente relacionado com o desenvolvimento tumoral (HYNES, 2009; CHRISTOFORI, 2003); - c-Myc, c-Jun e Stat3, atuam como fatores de transcrição que desempenham papéis fundamentais em processos celulares como, crescimento e proliferação celular, apoptose e processos inflamatórios (HANADA et al, 2001; GAO et al, 2004; KUSABA et al, 2006; CROCE, 2008); - Psma6, codifica a subunidade alfa tipo 6 do proteassoma, importante complexo enzimático responsável pela degradação de proteínas celulares regulando a homeostase celular. Qualquer distúrbio em sua estrutura ou expressão pode resultar no desenvolvimento e/ou progressão de patologias (EGERER et al, 2002; DAHLMANN, 2007); -Mapk3, codifica a proteína da família das quinases reguladas por sinal extracelular envolvida na regulação de processos de proliferação, diferenciação e progressão do ciclo celular. Tal proteína atua na via ERK/MAPK adicionando um grupo fosfato a proteína vizinha, dando prosseguimento à cascata de sinalização que resulta na fosforilação de fatores de transcrição no núcleo. Sua superexpressão está vinculada a progressão tumoral em diferentes tecidos (JOHNSON et al, 2000; ORTON et al, 2005); - Sulf1, gene supressor de tumor envolvido na modulação a interação com o fator de crescimento de células. Quando Sulf1 é regulado negativamente, aumenta-se a 61 disponibilidade de ligação do fator de crescimento via carboidratos sulfatados, relacionando-se com a progressão tumoral (LAI et al, 2003; NAWROTH, 2007). Além das avaliações histológicas que permitiram observar alterações de caráter neoplásico em ratos submetidos à indução química com os três agentes empregados nesse trabalho, avaliaram-se alterações na expressão gênica de transcritos específicos em abordagem frequentemente empregada pela literatura (WANG et al, 2006; CARDOSO et al, 2007; CROCE, 2008; PATEL et al, 2008). Desta forma, para estudar alterações dos níveis transcricionais em pólipos intestinais delgados, extraídos de animais tratados quimicamente, os níveis desses RNA’s mensageiros foram medidos utilizando técnicas de qPCR com corante SYBR Green®. A análise da expressão dos genes Cd44, c-Myc, c-Jun, Stat3, Psma6, Mapk3 e Sulf1 foi avaliada nos grupos teste DBT, DBTO2 e DMH, em comparação pelo método do 2-ΔCq. Empregou-se como referência o gene Actb, que codifica a actina, por se tratar de uma proteína constitutiva, envolvida na estrutura e integridade celular. A amostra calibradora utilizada foi o tecido intestinal delgado sadio dos animais pertencentes ao grupo controle óleo, porque apresentou o melhor padrão de normalidade quando avaliado pela histologia. O efeito do tratamento químico sobre a expressão gênica relativa foi avaliado pela análise de variância (ANOVA) ONE-WAY (teste de Tukey) e considerado significativo quando p<0,05 (Fig. 27). Todos os dados seguiram padrões de conformidade com as diretrizes do MIQE (Minimum Information for Publication of Quantitative Real-Time PCR Experiments) (BUSTIN et al, 2009; BUSTIN, 2010; TAYLOR et al, 2010). 62 Figura 27: Gráficos da expressão gênica dos transcritos selecionados nos pólipos de intestino delgado de 4 animais referentes para cada grupo estudado (Controle Óleo, DBT, DBTO2 e DMH). A expressão destes genes foi avaliada pelo método do 2-ΔCq. Como gene de referência foi utilizado o gene Actb. O efeito do tratamento dos animais com os agentes químicos sobre a expressão gênica foi avaliado pela análise de variância (ANOVA) ONE-WAY (teste de Tukey) e p<0,05 (Letras diferentes representam diferenças). 63 A análise quantitativa da expressão gênica pela qPCR não demonstrou diferenças significativas na expressão dos transcritos avaliados, em animais tratados com DMH, DBT e DBTO2, em relação aos pertencentes ao grupo controle. As variações encontradas são consistentes com as possibilidades de oscilação nas expressões de genes durante processos tumorais. Famílias específicas de oncogenes, como a do c-Myc, normalmente, são amplificadas durante tais processos. Entretanto, a amplificação de cMyc correlaciona-se com um avançado estágio tumoral em cânceres cervicais, de pulmão, mama, esôfago, ovários e cólon (BODE et al, 2003; HULS et al, 2003; CROCE, 2008). Além disso, é importante ressaltar que os pólipos intestinais, analisados em nosso trabalho, demonstraram aspectos de um estágio inicial de desenvolvimento tumoral, caracterizando um nível pré-neoplásico das células, o que também pode justificar a não alteração da expressão gênica dos oncogenes estudados (CORPET et al, 2002; CARDOSO et al, 2007). Em geral, os mecanismos que levam a superexpressão de genes em células neoplásicas ainda permanecem pouco compreendidos. São descritos genes que se mostram amplificados em genomas de células tumorais que não são necessariamente superexpressos, devido a influências externas ou por RNA’s interferentes (miRNA e siRNA) (PLASTERK, 2002; CHOPRA et al, 2002). Isto indica que a amplificação gênica por si só, ainda não constitui evidência que prove o papel chave de um gene na orientação de proliferação tumoral (CROCE, 2008; DUFFY et al, 2003; ALBERTS et al, 2002). Por outro lado, diversos trabalhos demonstraram diferenças na expressão gênica utilizando diferentes metodologias de tratamento e técnicas de análise. Starkel e colaboradores (1999) ao induzirem lesões em fígados de ratos, demonstraram aumento na expressão de genes como Stat3, c-Myc e c-Jun através de ensaios de RT-PCR e Northern Blotting, durante as primeiras horas após as lesões. Além disso, outros estudos demonstraram alterações na expressão gênica de oncogenes estudados neste trabalho, empregando amostras de tecido tumoral de carcinogênese induzida com DMH em ratos (SALIM et al, 1997; WANG et al, 2006). Entretanto, tais trabalhos também utilizaram protocolos e modelos diferentes do atual trabalho, como, por exemplo, indução empregando dimetilhidrazina em animais susceptíveis ao desenvolvimento de câncer. Em pesquisas de Stopera e colaboradores (1993), utilizaram-se linhagens de ratos Sprague Dawley, similares a Wistar utilizada em nosso estudo, porém induziram as lesões utilizando o carcinógeno azoximetano em regimes de tratamento mais agressivos. 64 São também conhecidas pesquisas que obtiveram diferenças significativas de expressão oncogênica, utilizando a técnica de qPCR Taqman, em culturas de células humanas MCF-7 expostas a radiação gama (KROUPIS et al, 2005). Sendo assim, mesmo com a análise gênica desse trabalho não demonstrando diferenças após tais induções com os agentes DBT, DBTO2 e DMH, não se pode ignorar a aplicabilidade da técnica qPCR na busca de novos biomarcadores e no auxílio de diagnósticos de doenças como o câncer (CARDOSO et al, 2007; DEVRIESE et al, 2012). Além disso, diversos estudos, com resultados negativos, dificilmente chegam a ser publicados, o que conduz a literatura a um viés na busca de informações (CORPET et al, 2002). Os resultados não significativos, para alteração da expressão gênica dos ensaios de qPCR, não convergem com resultados obtidos na avaliação histológica deste trabalho. As lesões apresentaram um estágio inicial do câncer constituindo um quadro de manifestações pré-neoplásicas presentes nos pólipos intestinais. Tal estágio foi caracterizado pela presença de células alteradas em regiões pontuais do tecido, formando pólipos esparsos ao longo dos intestinos, que foram evidenciadas pelos anticorpos CD44 e CEA em ensaios imunohistoquímicos (Fig. 22, 23 e 24). Tais achados relacionam-se com recentes trabalhos com técnicas imunohistoquímicas, que indicaram a associação da expressão da glicoproteína CD44 com tumores de glândulas mamárias em estágios iniciais e relativamente benignos em cães (PALTIAN et al, 2009). De forma semelhante à imunohistoquímica, a fluorescência direta do conjugado BBI-FITC, permitiu a marcação dos tecidos em estágio pré-neoplásico. Embora não seja possível uma associação direta desse aumento de fluorescência com marcadores específicos de tumores, há sem dúvida uma concordância desses resultados com a imunohistoquímica. Possivelmente, as proteases alvo envolvidas na prevenção do câncer induzido quimicamente que são inibidas pelo BBI, estão de fato aumentadas nas preparações de pólipos intestinais induzidas tanto pelo DMH (CARLI et al, 2012), como na indução com DBT e DBTO2. Sendo assim, esses dois agentes sulfurados demonstraram ser capazes de induzir neoplasias em mesma intensidade que o DMH, considerado um agente mutagênico e um carcinógeno clássico. Nesses diferentes tipos de induções químicas foram apresentadas alterações de mesma densidade de eventos histopatológicos, imunohistoquímicos e em intensidade similares de fluorescência associada à ligação com inibidores de Bowman-Birk. 65 5. Conclusão 66 5. Conclusão Os dados experimentais de análises histológicas e moleculares de amostras de intestinos de ratos Wistar tratados em regime crônico com DBT, DBTO2 e DMH, permitiram as seguintes avaliações: A apreciação macroscópica e histológica de intestinos grosso e delgado indicaram uma equivalência na ocorrência de processos neoplásicos em estágio inicial de desenvolvimento tanto para os animais dos grupos tratados com DBT e DBTO2, quanto para os animais tratados com DMH; Demonstrou-se que o aumento na expressão dos marcadores CD44 e CEA, avaliados pela técnica de imunohistoquímica em animais tratados com os três agentes químicos estudados, é de maneira equivalente e coerente ao estágio de desenvolvimento neoplásico verificado pelas análises histopatológicas; A análise quantitativa da expressão gênica pela qPCR não demonstrou diferenças significativas na expressão dos genes Cd44, c-Myc, c-Jun, Stat3, Psma6, Mapk3 e Sulf1, em animais tratados com DMH, DBT e DBTO2, em relação ao grupo controle; Comprovou-se que a técnica de fluorescência direta, empregando-se o conjugado BBI-FITC, marcou intensamente cortes histológicos frescos de pólipos intestinais em estágio neoplásico inicial de desenvolvimento de ratos tratados com os três agentes carcinógenos em intensidade semelhante; A equivalência no potencial carcinogênico entre os agentes policíclicos aromáticos sulfurados e o DMH confere a estas substâncias uma grande importância toxicológica, sobretudo no que diz respeito às questões ambientais ligadas ao petróleo. 67 6. Perspectivas 68 6. Perspectivas Avançar na avaliação dos ensaios fluorescentes com BBI como possível instrumento de diagnóstico de alterações teciduais causadas pela carcinogênese química; Considerando-se o escasso entendimento da toxicologia dos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos sulfurados e sua relevância ambiental, o presente trabalho comprova o efeito carcinogênico desses agentes em ratos Wistar e incentiva o monitoramento ambiental e estudos de novos marcadores moleculares. 69 7. Referências Bibliográficas 70 7. Referências Bibliográficas Affara, N. I.; Andreu, P.; Coussens, L. M. Delineating protease functions during cancer development. Methods Mol. Biol. 539, 1-32. (2009). Alberts, B. Johnson, A. Lewis, J. Raff, M. Roberts, K. Peter, W. Molecular biology of the cell. 4th ed., Garland Science. (2002). Alrawi, S. J.; Schiff, M.; Carroll, R. E.; Dayton, M.; Gibbs, J. F.; Kulavlat, M.; Tan, D.; Berman, K.; Stoler, D. L.; Anderson, G. R. Aberrant crypt foci. 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As intercessões da linha verde com as curvas indicam os Cq’s das curvas de amplificação. 88 Actb Cd44 Jun Sulf1 Stat3 Mapk3 Psma6 Anexo 02: Curvas padrões referentes aos genes Actb, Cd44, Jun, Sulf1, Stat3, Mapk3 e Psma6 utilizando diluição seriada de 5x de cDNA de pólipos intestinais. Em X estão demonstrados os valores de Log da concentração de cDNA e em Y os valores de Cq’s correspondes a cada diluição. 89 Actb Cd44 Jun Sulf1 Stat3 Mapk3 Psma6 Anexo 03: Curva de dissociação referente aos amplicons dos primers de Actb, Cd44, Jun, Sulf1, Stat3, Mapk3 e Psma6. No eixo x estão representadas as temperaturas de dissociação dos amplicons gerados pelas reações de PCR e no eixo Y as derivadas dos valores de emissão de fluorescência respectivos. 90