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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE PSICOLOGIA
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NA MEMÓRIA: percepções e
crenças de idosos
DAIANE REBELATO
Itajaí, (SC) 2009
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DAIANE REBELATO
EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NA MEMÓRIA: percepções e
crenças de idosos
.
Monografia apresentada como requisito
parcial para obtenção do título de Bacharel em
Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí
Orientador: Prof. Kátia Ploner.
Itajaí SC, 2009.
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AGRADECIMENTOS
À Deus, que permitiu que eu realizasse esse trabalho com persistência e dedicação.
À minha família, representada por minha mãe e minha irmã, que sempre me
apoiaram e me incentivaram a continuar o trabalho, mesmo nos momentos mais
difíceis.
Às minhas amigas e colegas da faculdade, que escutaram minhas preocupações,
medos e anseios diante da realização deste trabalho. Agradeço a elas pelos
incentivos e apoio recebidos para que eu pudesse chegar até aqui.
À minha orientadora, Kátia Ploner, pela paciência e dedicação, pelos minutos a mais
em cada orientação, por incentivar a minha caminhada até o fim e por confiar no
meu trabalho. Agradeço ainda, a minha banca, prof. Dr. Eduardo Legal e a prof. Dr.
Márcia Mezadri, pela participação nesse processo importante da minha vida
acadêmica.
Aos meus amigos do trabalho, que me escutaram e me apoiaram quando precisei.
E aos entrevistados, pessoas fundamentais para que ocorresse a realização deste
trabalho.
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SUMÁRIO
RESUMO......................................................................................................... 05
1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 06
2. EMBASAMENTO TEÓRICO......................................................................... 09
2.1 Envelhecimento................................................................................ 09
2.2 Memória............................................................................................ 11
2.3 Memória e Envelhecimento.............................................................. 14
2.4 Crenças ou Meta-memória............................................................... 17
3. ASPECTOS METODOLÓGICOS................................................................. 19
4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS........................... 23
4.1 Crenças............................................................................................ 23
4.2 Memória de longo prazo.................................................................. 27
4.3 Memória de curto prazo................................................................... 28
4.4 Memória de trabalho........................................................................ 31
4.5 Memória episódica........................................................................... 33
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 36
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................ 40
7. APÊNDICES................................................................................................ 43
7.1 Apêndice A...................................................................................... 43
7.2 Apêndice B...................................................................................... 44
7.3 Apêndice C...................................................................................... 45
7.4 Apêndice D...................................................................................... 46
7.5 Apêndice E...................................................................................... 49
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EFEITOS DO ENVELHECIMENTO NA MEMÓRIA: percepções e crenças de idosos
Orientador: Kátia Ploner
Defesa: junho de 2009
Resumo:
Com o aumento mundial da população de idosos, evidencia-se a necessidade de estudos sobre o processo de
envelhecimento, o qual está associado a alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas.
Algumas alterações são típicas a esse processo, como as alterações cognitivas, especialmente na memória. O
declínio da memória torna-se evidente com o avanço da idade, representando o alvo de queixa mais comum
nessa população. Entretanto, há uma variabilidade dos efeitos do envelhecimento em relação à memória, sendo
importante, então, identificar quais subsistemas da memória são atingidos no processo de envelhecimento. Nesse
sentido, o presente trabalho teve como objetivo geral compreender as crenças e percepções dos idosos sobre o
funcionamento da memória no processo de envelhecimento e como objetivos específicos identificar as
percepções dos idosos sobre as transformações na memória de curto e longo prazo geradas pelo processo de
envelhecimento, analisar as percepções dos idosos a respeito das alterações provocadas pelo envelhecimento na
memória episódica e na memória de trabalho e, por último, identificar a meta-memória, ou seja, as crenças dos
idosos sobre sua memória. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa, na qual os dados foram coletados e
gravados através de uma entrevista semi-estruturada, sendo posteriormente analisados através do método de
análise de conteúdo e discutidos com a literatura pesquisada. Foram entrevistados 6 idosos de ambos os sexos,
com idade superior a 70 anos, os quais residiam na cidade de Balneário Camboriú. Os resultados alcançados
indicam que os idosos avaliam sua memória como boa, e que as mudanças na memória ocorreram de forma
gradativa, sendo um processo natural do envelhecimento. Os idosos também perceberam que sua capacidade de
recordação e armazenamento das informações mudou com o envelhecimento, mas, revelam que suas
dificuldades de memória encontram-se reduzidas, pois a maioria faz uso de estratégias de memorização.
Palavras-chave: envelhecimento; memória; percepção;
SUB-ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: PSICOLOGIA COGNITIVA -7.07.06.00-0
Membros da banca:
Dr. Eduardo José Legal
_______________________________
Professor Convidado
Dr. Márcia G. Mezadri
_______________________________
Professora Convidada
Msc. Kátia Simone Ploner
_______________________________
Professora Orientadora
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1 INTRODUÇAO
O envelhecimento mundial da população é um fato recente e uma experiência
crescente em todo o mundo (VERAS, 2000). É um fenômeno que provoca desafios
sociais e também para a ciência, a qual deve buscar alternativas para as
conseqüências desse fato (RODRIGUES; RATH, 2006).
O estudo do envelhecimento cognitivo torna-se cada vez mais importante,
considerando que o avanço da idade é um fenômeno associado ao aumento da
vulnerabilidade e da disfuncionalidade, como também pode estar relacionado com
dificuldades na memória (ARGIMON; STEIN, 2005). Surge então, uma preocupação
com a memória, função cognitiva que sofre alterações com o envelhecimento, sendo
o alvo de queixa mais comum na velhice (BERTOLUCCI, 2000).
A memória, por sua vez possui uma estreita relação com a constituição da
personalidade do indivíduo, sendo que o passado, as vivências e as projeções para
o futuro encontram-se ligadas a formação da identidade do sujeito e são registradas
a partir da memória (IZQUIERDO, 2002). Assim, alterações na memória podem
comprometer as lembranças que fazem do indivíduo ser o que ele é.
A memória é constituída a partir das experiências do sujeito, uma vez que ela
envolve a aquisição, o armazenamento e a evocação das informações e
acontecimentos da vida do indivíduo (IZQUIERDO, 1989). Então, a memória e a
aprendizagem encontram-se relacionadas, pois a aquisição das informações ocorre
através do aprendizado.
Nesse sentido, Pinto (1999) salienta a importância do estudo dos sistemas da
memória e suas alterações associadas ao envelhecimento, uma vez que podem
comprometer o desempenho do idoso nos aspectos biológicos, psicológicos e
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sociais. Para Neri (2006) há uma necessidade de estudos a respeito da metamemória, entendida como as crenças e percepções dos idosos sobre as
capacidades de exercer o controle do próprio nível de funcionamento da memória e
dos eventos que ocorrem ao longo da vida.
Para o profissional da Psicologia o estudo das mudanças ocorridas no
processo de envelhecimento, contribui para a compreensão do desenvolvimento
humano, a fim de distinguir as alterações normais e as patológicas desse fenômeno.
Assim, é fundamental a investigação das alterações cognitivas, principalmente na
memória, provocadas por esse processo.
A relevância deste estudo encontra-se associada às percepções e crenças
das pessoas idosas sobre o funcionamento da memória no processo de
envelhecimento, uma vez que a literatura aponta alterações de alguns subsistemas
da memória em função da velhice. Identificar essas percepções torna-se importante,
pois elas influenciam os mecanismos de ajustamento do indivíduo para enfrentar as
mudanças geradas pelo processo de envelhecimento.
Dessa forma, o presente trabalho visou alcançar os seguintes objetivos:
• Identificar as percepções dos idosos sobre as transformações na memória de
curto e longo prazo geradas pelo processo de envelhecimento.
• Analisar as percepções dos idosos a respeito das alterações provocadas pelo
envelhecimento na memória episódica e na memória de trabalho.
• Identificar a metamemória, ou seja, as crenças dos idosos sobre sua
memória.
Cabe ressaltar que a técnica utilizada para atingir esses objetivos foi a
entrevista semi-estruturada, sendo que os idosos participantes não possuíam
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nenhum comprometimento na memória e realizavam suas atividades diárias sem
auxílio de outros.
A partir da análise dos dados coletados, foi possível identificar as principais
alterações no funcionamento da memória no processo de envelhecimento
percebidas pelos entrevistados, o que foi relacionado com o referencial teórico sobre
envelhecimento e memória.
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2 EMBASAMENTO TEÓRICO
Os fundamentos desse trabalho encontram-se relacionados ao processo de
envelhecimento e aos sistemas da memória, os quais serão descritos a seguir.
2.1 Envelhecimento
Vale ressaltar a diferença entre envelhecimento e velhice, uma vez que seus
componentes estão intimamente relacionados, sendo a velhice entendida como fase
da vida e o envelhecimento como processo que ocorre no organismo (PAPALÉO
NETTO, 2006).
A velhice aparece como fase da vida do indivíduo em que ocorrem
manifestações somáticas, ou seja, é uma fase caracterizada pela redução da
capacidade funcional, diminuição da capacidade de trabalho e resistência,
mudanças na aparência física que se associam a perda de papéis sociais, solidão,
perdas psicológicas, motoras e afetivas (PAPALÉO NETTO, 2006).
Não há um consenso sobre o conceito de envelhecimento, mas existem
quatro condições relacionadas às mudanças fundamentais ocorridas com a idade:
devem
ser deletérias
(reduzir a
funcionalidade),
devem
ser progressivas
(estabelecer-se gradualmente), devem ser intrínsecas (ocorrer em ausência de
influências ambientais) e devem ser universais (todos os membros de uma espécie
devem mostrar tais mudanças graduais com o avanço da idade) (JECKEL-NETO e
CUNHA, 2006).
O envelhecimento humano é visto como um processo de todo um continuum
que é vida, iniciando com a concepção e terminando com a morte. O
envelhecimento refere-se a um processo dinâmico e progressivo, em que há
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modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que determinam
a redução da capacidade de adaptação homeostática em presença de situações de
sobrecarga funcional do organismo, ocasionando maior vulnerabilidade e maior
incidência de processos patológicos (PAPALÉO NETTO, 2006). Burla (2004)
considera o envelhecimento como um processo heterogêneo, ou seja, acontece de
forma diferente para cada indivíduo.
Spirduso (2005) e Paschoal (1996) consideram o envelhecimento como uma
experiência
individual,
pois
os
sujeitos
diferem
quanto
a
características,
comportamentos e personalidade. Assim, o envelhecimento é um processo pessoal,
uma vez que os indivíduos envelhecem em ritmos diferentes tendo a mesma idade
cronológica. Neri (2001) considera que esta diferenciação se dá como resultado da
influência de fatores histórico-culturais, intelectuais e de personalidade e ainda pela
ocorrência de patologias durante o processo de envelhecimento normal.
Neri
(2001,
envelhecimento:
disfuncionalidade
p.30)
o
e
indica
normal
e
que
o
existem
patológico.
descontinuidade
do
dois
A
padrões
ocorrência
desenvolvimento
diferentes
de
são
de
“doenças,
típicas
do
envelhecimento patológico”. E a normalidade designa o acontecimento de
“alterações típicas e inevitáveis do envelhecimento”.
Vale ressaltar o conceito de envelhecimento bem-sucedido, considerando que
esse processo se manifesta através do equilíbrio entre as limitações e
potencialidades do indivíduo. Para Freire (2000) o envelhecimento bem-sucedido
refere-se a uma capacidade de adaptação do indivíduo frente os desafios biológicos,
mentais, autoconceituais, interpessoais e sociais resultantes do processo de
envelhecimento.
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Para Argimon e Stein (2005, p.64) “o processo de envelhecimento pode ser
acompanhado pelo declínio das capacidades tanto físicas, como cognitivas dos
idosos, de acordo com suas características de vida”. Entretanto não se evidenciam
alterações em todas as funções cognitivas; apresentam declínio especialmente as
atividades que exigem rapidez, atenção, concentração e raciocínio indutivo. Estas,
por sua vez, comprometem a capacidade da memória do indivíduo e esta função
cognitiva será explorada a seguir.
2.2 Memória
A memória designa a capacidade de aquisição, armazenamento e
recuperação de informações e fatos já ocorridos (IZQUIERDO, 2002). Segundo
Dalgalarrondo (2008) tudo o que o sujeito aprende no decorrer de sua vida depende
de sua capacidade de memorização. Desse modo, para Izquierdo (2002, p.9)
“somos aquilo que recordamos”, uma vez que a memória apresenta-se como papel
fundamental na definição e constituição do ser humano, determinando sua
personalidade. Assim, a perda da memória acarreta perda da história de vida do
indivíduo.
A memória encontra-se associada ao aprendizado e as experiências, uma vez
que a retenção e a recuperação da informação adquirida ocorrem por meio de
experiências e o aprendizado é o resultado da aquisição de memórias (Gazzaniga;
Ivry; Mangun, 2006; Izquierdo, 1989).
Com o avanço das neurociências o termo “memória” foi sendo substituído por
“memórias” devido à existência de muitos tipos específicos de memória. Assim, com
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a grande variedade de memórias, vale ressaltar que essa capacidade cognitiva
ocorre em muitas áreas ou subsistemas cerebrais, e não é papel particular de
nenhuma delas (IZQUIERDO, 1989).
A memória pode ser dividida em três processos (IZQUIERDO, 2002;
GAZZANIGA, IVRY e MANGUN, 2006): codificação, que corresponde ao
processamento da nova informação a ser armazenada; armazenamento, que é o
processo de conservação e retenção da informação; e evocação, entendida como a
recuperação da informação armazenada. A falha no processo de recuperação
denomina-se esquecimento, o qual se manifesta de várias formas e segundo
Izquierdo, Bevilaqua e Cammarota (2006), são as mais comuns: a extinção abandono de uma resposta; a repressão – uma forma evitar a recuperação de uma
memória causadora de desconforto; e o esquecimento real - entendido como o
desaparecimento da informação retida.
De acordo com Izquierdo (2002) a memória pode ser classificada segundo
sua função em memória de trabalho; tempo de duração, dividida em memória de
longo prazo, memória de curto prazo e memória remota; e conteúdo, subdividida em
memória declarativa e memória de procedimento.
A memória de trabalho está relacionada com a manipulação e processamento
simultâneos das informações mantidas ativas a fim de realizar uma determinada
tarefa como, por exemplo, ouvir um número de telefone, retê-lo na mente para em
seguida discá-lo (DALGALARRONDO, 2008; YASSUDA, 2006). Tais informações
são mantidas ativas por um período de segundos até no máximo 3 minutos.
A memória de curto prazo refere-se à capacidade de reter a informação por
um período limitado (de poucos minutos até três a seis horas), a qual sobrevive o
tempo necessário para a informação ser utilizada, tendo a função de analisar as
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novas informações e compará-las com as existentes na memória a fim de que ocorra
o processo de consolidação da informação (IZQUIERDO, 2002).
A memória de longo prazo designa a capacidade de recuperação de
informações e fatos já ocorridos, sendo que envolve o processo de consolidação,
podendo durar de meses a anos ou ainda por toda a vida (DALGALARRONDO,
2008). E, de acordo com Izquierdo (2002) a memória remota é um tipo de memória
de longo prazo que envolve lembrança de fatos ou informações depois de muitos
anos de sua aquisição, por exemplo, um indivíduo de 70 anos lembrar
acontecimentos de sua infância. Já Damasceno (1999) utiliza os termos memória
recente e memória remota para designar, respectivamente a memória de curto prazo
e memória de longo prazo.
De acordo com Dalgalarrondo (2008) e Izquierdo (2002) a memória
declarativa ou explícita envolve registro de fatos, eventos ou conhecimentos de
forma consciente, ela pode ser subdividida em memória episódica, memória
semântica e memória autobiográfica. A primeira relaciona-se ao registro de eventos
e fatos específicos ocorridos na vida do indivíduo. A memória semântica designa o
registro geral de conceitos e conhecimentos factuais do indivíduo, bem como
informações lingüísticas, ou seja, “diz respeito ao registro e a retenção de conteúdos
em função do significado que têm” (DALGALARRONDO, 2008, p.144). A memória
autobiográfica refere-se ao arquivamento de informações da história de vida do
indivíduo. Gazzaniga, Ivry e Mangun (2006) abordam o conceito de memória
autobiográfica como sendo componente da memória episódica, pois essa envolve o
conhecimento de fatos passados como a memória pessoal do indivíduo.
Para Dalgalarrondo (2008) a memória de procedimento refere-se a
capacidades e habilidades motoras, sensoriais e ocasionalmente lingüísticas,
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consistindo em memória implícita, uma vez que é adquirida de forma automática.
Gazzaniga, Ivry e Mangun (2006) e Izquierdo (2002) incluem ainda como memória
de procedimento o priming, tipo de memória adquirida e evocada por meio de
“dicas”, isto é, manifesta-se frente à mudança na resposta ocasionada por um
estímulo, por exemplo, um músico só lembra o restante de uma partitura quando
realiza ou escuta as primeiras notas.
Neste trabalho o foco é conhecer como essas memórias são afetadas pelo
envelhecimento humano, como será abordado a seguir.
2.3 Memória e envelhecimento
As funções cognitivas compreendem um sistema de atividades mentais
integradas e interdependentes, envolvendo os aspectos da percepção, pensamento,
linguagem, raciocínio e memória (STELLA, 2004). Assim, com o envelhecimento do
organismo, as funções cognitivas passam a apresentar certo declínio, sendo
algumas preservadas, como a linguagem (vocabulário) e outras apresentam
alterações evidentes, como a memória. Todavia o declínio cognitivo apresenta
progressão variável, podendo ser influenciado por fatores externos e capacidades
internas (PINTO, 1999).
Segundo Néri e Yassuda (2004) as alterações nas funções cognitivas
ocorrem no processo evolutivo e são associadas às mudanças cerebrais próprias do
envelhecimento, podendo ter implicações principalmente na memória, função
cognitiva mais afetada com o avanço da idade.
Para Bertolucci (2000) esse declínio na memória é evidente, uma vez que
essa função cognitiva torna-se o alvo de queixas mais comum em idosos.
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Entretanto, vale ressaltar que uma parcela significativa dos idosos apresenta
alterações muito leves ou nenhuma alteração.
As alterações de memória no envelhecimento normal acontecem de forma
variável, ou seja, cada ser humano tem um ritmo próprio e particular de
envelhecimento. Assim, há uma variabilidade dos efeitos do envelhecimento em
relação à memória (NÉRI; YASSUDA, 2004).
Considerando a divisão da memória em subsistemas, verificam-se algumas
mudanças em relação a adultos jovens e idosos. De acordo com Mendonça (2006) a
memória de curto prazo é pouco afetada pelo envelhecimento. Neri e Yassuda
(2004) consideram que esse tipo de memória permanece relativamente estável com
o avanço da idade. Stella (2004) pontua que em idade muito avançada pode ocorrer
dificuldades na memória de curto prazo. Para Bertolucci (2000) a memória de curto
prazo pode apresentar alteração no envelhecimento, quando comparado o
desempenho em testes de idosos com adultos jovens. Damasceno (1999) corrobora
este dado, considerando que a memória de curto prazo sofre um declínio com o
envelhecimento
normal,
sendo
identificadas
alterações
no
processo
de
armazenamento de novas informações e acontecimentos.
A memória de trabalho, relacionada com o gerenciamento das informações,
apresenta um declínio com o avanço da idade, uma vez que estudos evidenciam
que há uma crescente dificuldade na manipulação das informações com o
envelhecimento (BERTOLUCCI, 2000; DAMASCENO, 1999). Neri e Yassuda (2004)
corroboram com essa idéia, apontando que alterações nessa capacidade podem ser
identificadas em idosos pela dificuldade em fazer tarefas simultâneas, como
memorizar uma seqüência de números e evocá-la de forma inversa.
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A memória de longo prazo envolve a codificação, armazenamento e evocação
das informações. Para Yassuda (2006) e Stella (2004) a memória de longo prazo
parece estar estável e pouco atingida com o envelhecimento. Para Bertolucci (2000)
os processos de codificação e armazenamento parecem poucos afetados, embora
apresentem um declínio em idade mais avançada (a partir de 75 anos) necessitando
um número maior de estratégias para memorização.
“As dificuldades de memória relacionadas à idade são maiores para a
memória episódica do que para a memória semântica”, uma vez que o vocabulário e
o processamento sintático, funções da memória semântica, permanecem estáveis
(DAMASCENO, 1999, p. 80). Na memória episódica, o avanço da idade provoca
dificuldades relacionadas com o aprendizado de acontecimentos específicos, bem
como prejuízos na recuperação voluntária de acontecimentos (NERI; YASSUDA,
2004). Além disso, segundo Mendonça (2006) o idoso apresenta dificuldade em
localizar quando e onde a informação foi obtida, indicando que a memória para
eventos relacionados a um contexto situado no tempo é afetada no envelhecimento.
É sabido que alterações na memória podem ser observadas no processo de
envelhecimento. Todavia, segundo Bertolucci (2000), essas alterações podem ser
acompanhadas de múltiplos fatores, como déficits na percepção dos eventos,
dificuldade em manter a atenção no estímulo com conseqüente falha em inibir
estímulos irrelevantes, baixa capacidade de selecionar estratégias de codificação e
lentidão geral de processamento. Além dessas variáveis, para Neri, Yassuda e
Lasca (2005) o desempenho dos idosos em tarefas de memória pode ser
influenciado por suas percepções, atitudes e crenças.
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2.4 Crenças ou Meta-memória
O termo meta-memória é usado para designar o conjunto de idéias e
sentimentos sobre a memória. Sua definição está relacionada ao conhecimento do
indivíduo sobre o funcionamento de sua memória. Assim, mudanças na metamemória dos idosos podem influenciar a forma como a tarefa de memorizar é
realizada assim como o seu desempenho final. A meta-memória inclui ainda crenças
como auto-eficácia, controle e atribuição (NERI; YASSUDA; LASCA, 2005).
A auto-eficácia refere-se à avaliação pessoal de um sujeito sobre sua
capacidade de desempenhar uma determinada tarefa em um domínio particular
(BANDURA apud NERI; YASSUDA, 2004). Desse modo, o nível de auto-eficácia de
um indivíduo representa um forte motivador e regulador do comportamento, pois
influencia as escolhas, a inicialização e o curso das ações a serem desempenhadas
pelo indivíduo (NERI, 2006). Assim, os idosos são mais vulneráveis a desenvolver a
baixa
auto-eficácia,
pois
além
de
vivenciarem
dificuldades
cognitivas
constantemente, são influenciados pelos estereótipos negativos associados ao
envelhecimento (NERI; YASSUDA; LASCA, 2005).
A crença dos idosos no controle sobre as ações pode ter dois lócus: um
interno e outro externo. O controle interno determina que os resultados dependem
dos comportamentos e habilidades do indivíduo, enquanto que o sujeito com
controle externo confia que seus resultados seriam conseqüência de fatores
externos, como destino, sorte ou poder dos outros. Assim, em idosos o foco de
controle tende a ser mais externo quanto à memória, pois se sentem menos no
controle de seu desempenho, influenciando negativamente o funcionamento da
memória (NERI; YASSUDA, 2004).
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A atribuição está relacionada ao modo como o indivíduo avalia suas
experiências, podendo ser positiva e/ou negativa. Essa crença encontra-se
associada às causas que podem afetar o desempenho da memória em idosos, uma
vez que estudos apresentaram que os idosos explicam seu desempenho por fatores
que não são passíveis de controle, apresentando um desempenho inferior aos
jovens nas tarefas de memória (NERI; YASSUDA, 2004).
Diante do exposto, buscou-se investigar as percepções e crenças dos idosos
sobre o funcionamento da memória no processo de envelhecimento.
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3 ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.1Participantes da pesquisa
Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, o critério numérico não garante a
representatividade, pois esse tipo de pesquisa trabalha com os significados, motivos,
aspirações, valores e atitudes correspondentes a fenômenos (Minayo, 2000).
Trata-se de um estudo exploratório, de iniciação científica, em que fizeram
parte três mulheres e três homens, com idade superior a 70 anos, os quais
participam de atividades sociais e realizam suas atividades de vida diária sem
dificuldades. A pesquisa foi realizada na cidade de Balneário Camboriú.
Ressalta-se que os participantes da pesquisa serão identificados pela letra
inicial do nome, a fim de manter o anonimato dos entrevistados. Dessa forma, segue
a caracterização dos participantes da entrevista.
Quadro 1: Caracterização dos participantes
Participante
Sexo
Idade
Profissão - Renda
L.L.S.
Masculino
79 anos
Comerciante
M.
Masculino
76 anos
Economista - Aposentado
J. G.
Masculino
75 anos
Agrônomo – Aposentado
O.L.R.
Feminino
75 anos
Dona de casa - Pensionista
E.L.M.
Feminino
72 anos
Professora - Aposentada
N.
Feminino
75 anos
Dona de casa - Pensionista
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3.2 Instrumento
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada (APÊNDICE A), a qual foi elaborada de forma a conter perguntas
referentes aos tipos de memórias mais afetados nesse período, conforme literatura
pesquisada. As questões foram organizadas em um quadro (APÊNDICE B) e
divididas de acordo com os objetivos investigados.
Segundo Rauen (2006) a entrevista semi-estruturada é entendida como uma
maneira de interação verbal controlada, em que o pesquisador procura levantar
dados relevantes para a realização de sua análise qualitativa.
3.3 Coleta dos Dados
Após a aprovação do Comitê de Ética sob o número 522a/08 foi dado início
às entrevistas. Foram entrevistados seis idosos, sendo três deles provenientes do
Clube dos Amigos, constituído por homens. E as três mulheres foram selecionadas
por preencher os seguintes critérios: ter mais de setenta anos e estarem realizando
atividades da vida diária sem depender de outros. Antes de iniciar a entrevista, a
pesquisadora apresentou os objetivos da pesquisa, convidando os idosos a
participar do estudo livremente, de acordo com sua disponibilidade de local e
horário. Os idosos foram submetidos à realização da pré-entrevista (APÊNDICE A)
e, em seguida, assinaram o termo de consentimento livre esclarecido (APÊNDICE
C).
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Vale ressaltar que houve uma relação de respeito entre pesquisador e
participante, sendo esclarecidos aos entrevistados os procedimentos e métodos
utilizados no estudo. Além disso, os participantes receberão uma devolutiva
pessoalmente dos resultados alcançados na pesquisa, através do convite para
participação da banca ou, se preferirem, uma cópia eletrônica ou impressa deste.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas (APÊNDICE A) com os idosos
e o registro dos dados foi realizado com o uso de um gravador digital, sendo
posteriormente transcritos e analisados. A transcrição dos dados ocorreu da forma
mais fidedigna possível a fim de garantir a qualidade das respostas e a
confiabilidade da pesquisa.
3.4 Análise dos Dados
Após a coleta de dados, as entrevistas foram transcritas e analisadas a partir
do método chamado Análise de Conteúdo. Segundo Moraes (1999) a análise
conteúdo “é uma técnica para ler e interpretar o conteúdo de toda a classe de
documentos, que analisados adequadamente nos abrem as portas ao conhecimento
de aspectos e fenômenos da vida social de outro modo inacessíveis” (p. 9-10).
Para Moraes (1999) a análise de conteúdo é constituída por cinco etapas: a
primeira etapa caracterizou-se pela organização dos dados coletados, ou seja, a
transcrição das entrevistas. Na segunda etapa realizou-se a unitarização, isto é, o
estudo do conteúdo, das palavras e frases que constituíram as informações obtidas,
segmentando os dados em unidades de análise. A terceira etapa foi a
categorização, em que as unidades foram classificadas em categorias, a fim de
extrair a significação de cada elemento segmentado. Nesse sentido, “as categorias
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devem ser válidas, exaustivas e homogêneas” (P.19), sendo que esses critérios
associam-se ainda com a objetividade, consistência e fidedignidade. O resultado
desse processo pode ser visualizado no apêndice D. Assim, nessa fase foram
definidas as seguintes categorias:
•
Crenças
•
Memória de Longo Prazo
•
Memória de Curto Prazo
•
Memória de Trabalho
•
Memória Episódica
Por último, segundo Moraes (1999), foram realizadas as etapas de descrição
e interpretação de cada categoria a fim de atingir uma compreensão do conteúdo
obtido na entrevista, as quais serão executadas no próximo capítulo.
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4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Este capítulo apresenta a discussão dos resultados encontrados a partir das
entrevistas realizadas, sendo dividido em cinco grandes categorias, as quais são:
crenças, memória de longo prazo, memória de curto prazo, memória de trabalho e
memória episódica. Vale ressaltar que cada categoria abriga subitens que permitem
um maior entendimento do tema abordado.
A seguir, as categorias encontradas serão discutidas e analisadas de acordo
com os textos relacionados à memória e envelhecimento humano. A primeira
categoria a ser apresentada é referente às crenças dos idosos sobre sua memória.
4.1 Crenças
As crenças de memória provêm da avaliação da própria pessoa sobre o
funcionamento dessa função cognitiva. Assim, as crenças sobre a memória
influenciam o quão bem as pessoas lembram-se das informações e podem
determinar o que fazer diante de atividades de lembrar. Nesse sentido, o
desempenho dos idosos em tarefas de memória pode ser influenciado por suas
crenças internas e pela sua percepção frente às dificuldades de memória (NERI;
YASSUDA, 2004).
Dessa forma, com as perguntas referentes à importância, funcionamento e
mudanças na memória e utilização de estratégias de memorização, tem-se o intuito
de identificar as crenças e percepções dos idosos sobre sua memória.
24
A memória tem um papel fundamental na vida do indivíduo, é através dela
que ocorre a retenção e a evocação das informações e fatos adquiridos através da
experiência, possuindo o armazenamento mental do passado, presente e futuro,
além disso, ela forma a base para a aprendizagem (IZQUIERDO, 1989). Entre os
entrevistados, na pergunta sobre a importância da memória, todos relataram que a
memória é muito importante para a realização das tarefas do dia-a-dia, M. (76
anos/masc.)1 afirma que “a memória é fundamental para os compromissos
bancários, sociais e familiares” e N. (75 anos/fem.) relata que a memória é
importante “para fazer crochê, fazer comida, pegar o ônibus”. Fica evidente que a
memória é uma função muito utilizada e importante no cotidiano de cada um.
É sabido que à medida que se envelhece o organismo sofre mudanças,
acentuam-se as perdas biológicas e ocorrem alterações nas funções cognitivas
como, por exemplo, na memória (NERI; YASSUDA, 2004). Bertolucci (2000)
corrobora afirmando que o envelhecimento pode causar alterações na memória.
Pinto (1999) confirma abordando que as queixas de esquecimentos e as falhas de
memória são comuns na velhice. Na pergunta sobre a percepção dos idosos a
respeito do funcionamento de sua memória, metade dos idosos avaliou sua memória
como boa, encontrado no relato de J. (75 anos/masc.) “é boa, porque às vezes a
gente esquece alguma coisa (...) mas depois se lembra”. E a outra metade autoavaliou sua memória como média, ou seja, percebem mudanças com o passar dos
anos, segundo M. (76 anos/masc.) “a pessoa com o tempo vai perdendo, vai ficando
as lembranças, eu acho que faz parte do próprio processo de envelhecimento”.
1
Os participantes da pesquisa serão representados pela letra inicial do nome, idade e sexo,
sendo este abreviado como fem. para feminino e masc. para masculino, com o intuito de preservar a
identificação dos participantes.
25
A crença de auto-eficácia refere-se à avaliação dos idosos sobre o
funcionamento e capacidade de sua memória. Segundo Neri e Yassuda (2004) os
idosos tendem a desenvolver uma baixa auto-eficácia devido aos estereótipos
negativos associados a esquecimentos no envelhecimento. Entretanto, os idosos
entrevistados avaliam o funcionamento de sua memória como bom ou médio,
mesmo sendo possível identificar nas suas falas, que é comum acontecer
esquecimentos no seu cotidiano, como afirma E. (72 anos/fem.) “ela (a memória)
está boa, apesar de a gente esquecer, a gente recorda” e N. (75 anos/fem.) “eu acho
que a minha memória está boa, às vezes, eu esqueço alguma coisa, mas é muito
difícil”.
Nesse sentido, na pergunta sobre as mudanças percebidas na memória
durante o processo de envelhecimento, a maioria dos participantes relata que
percebeu mudanças nas habilidades de memória, de acordo com L. (79 anos/masc.)
“o processo foi gradativo (...), foi uma mudança gradativa, é natural do
envelhecimento” e M. (76 anos/masc.) acrescenta “o processo foi lento (...) é
conforme a idade vai avançando”. Segundo Neri (2006), no cotidiano a memória
funciona como um indicador de mudanças intelectuais que seguem o processo de
envelhecer, assim, é fato que os idosos têm consciência dessas mudanças e
acreditem que a memória decline gradualmente com a idade, afinal alterações nessa
função cognitiva são naturais do processo de envelhecimento. De acordo com
Mendonça (2006) dificuldades relacionadas à memória aparecem como queixa de
50% da população de idosos.
Apenas um participante relatou que percebeu pouca ou nenhuma mudança
no funcionamento de sua memória com o envelhecimento. N. (75 anos/fem.) afirma
“a minha memória está a mesma coisa, há dez anos atrás e agora, por enquanto
26
ainda não notei diferença”. Para Bertolucci (2000) é importante ressaltar que uma
parcela significativa de idosos apresenta alterações leves na memória ou nenhuma
alteração. Burla (2004) acrescenta que as alterações próprias do envelhecimento
podem ser vividas de maneira diferente para cada indivíduo, pois esse é um
processo intrínseco.
No envelhecimento normal, as mudanças cerebrais fazem pouca diferença no
funcionamento das funções cognitivas, todavia o processamento das informações
torna-se mais lento, evidenciando que as pessoas com mais idade precisam usar
estratégias para armazenar informações (ARGIMON et al, 2006). Na pergunta sobre
o uso de estratégias no processo de memorização, todos os idosos participantes da
pesquisa relataram que fazem uso de algum tipo estratégia. Citaram as seguintes
estratégias: a) agenda, L. (79 anos/masc.) afirma “tenho agenda de telefones dos
companheiros”; b) anotações em cadernos, M. (76 anos/masc.) relata “é eu costumo
anotar os meus compromissos, tenho um caderno; c) lista de supermercado, J. (75
anos/masc.) refere “para bastantes itens eu uso uma lista”; d) bilhetes O. (75
anos/fem.) relata “se eu vou fazer compras, daí eu anoto”. Segundo Bee (1997) os
idosos estão bastante inclinados a usar auxílios externos, tais como listas e
anotações em cadernos para ajudá-los a lembrar-se das coisas, deixando de
praticar muitas estratégias internas de memorização.
Conclui-se que esses idosos reconhecem a memória como uma função
fundamental para suas atividades e que, com o passar dos anos, foram percebendo
mudanças
nas
suas
habilidades
de
memória,
tornando-se
trivial
ocorrer
esquecimentos, sendo comum o uso de estratégias de memorização entre eles.
A seguir será analisada a segunda categoria, a qual se refere à memória de
longo prazo.
27
4.2 Memória de Longo Prazo
A memória de longo prazo designa a capacidade que o sujeito tem de manter
informações arquivadas por longos períodos de tempo (YASSUDA, 2006). Para
investigar se o processo de envelhecimento provoca mudanças nessa categoria,
foram realizadas perguntas aos participantes sobre recordações de sua infância,
nome das avós e avôs, o ganhador das últimas eleições para presidente e
lembrança do almoço dos dois dias anteriores à entrevista.
Segundo Yassuda (2006) a memória de longo prazo tem se mostrado estável
e pouco atingida pelo envelhecimento. Estudos com idosos acima de 70 anos
abordam que os fatos mais importantes de sua infância foram lembrados pelos
participantes (CAVANAUGH, 1997 apud YASSUDA, 2006). Esse fato pode ser
corroborado com relato de J.(75 anos/masc.) “é mais fácil lembrar do tempo da
infância do que agora dos últimos anos (...) lembro de tudo, desde a aula, desde a
escola” e de M. (76 anos/masc.) “eu me lembro da minha infância, talvez mais do
que algumas coisas que aconteceram há anos atrás”. Assim como apresentado nos
relatos acima, todos os participantes da pesquisa lembraram algum fato ocorrido na
sua infância, evidenciando que esses acontecimentos foram consolidados na sua
memória.
A pergunta sobre a lembrança do nome das avós e avôs maternos e paternos
foi realizada visando identificar se os idosos possuem alguma dificuldade em
lembrar nomes. A maioria dos entrevistados lembrou os nomes, sendo que apenas
dois participantes tiveram dificuldade nessa tarefa. Nesse sentido, vale ressaltar que
em um estudo realizado com o objetivo de avaliar a capacidade de pessoas com
idades entre 17 e 74 anos sobre lembrar nomes de ex-colegas de classe, através do
28
álbum de formatura, mesmo as pessoas de 70 anos conseguiram lembrar o nome de
pelo menos 70% de seus ex-colegas (BAHRICK et al. 1975 apud YASSUDA, 2006).
Esse fato sugere que a memória de longo prazo é pouco afetada pelo
envelhecimento.
Desse mesmo modo, verificou-se pouca alteração da memória de longo prazo
nas perguntas sobre o ganhador das últimas eleições para presidente e sobre a
lembrança do almoço dos dois últimos dias, em que a maioria dos participantes
respondeu corretamente e apenas um respondeu incorretamente a primeira
pergunta. E, na segunda pergunta, todos os participantes lembraram o cardápio dos
últimos dois dias.
A partir dos relatos dos idosos foi possível identificar que o processo de
evocação da informação armazenada a um longo período de tempo parece pouco
afetado pelo envelhecimento. Stella (20004) confirma este dado ao abordar que há
uma preservação da memória de longa duração em idosos.
Em seguida serão analisados os efeitos do envelhecimento na memória de
curto prazo, a partir das percepções dos idosos entrevistados.
4.3 Memória de Curto Prazo
A memória de curto prazo abriga os pensamentos e os sentimentos que o
sujeito está dando atenção no momento, ela retém as informações por um curto
período de tempo, e passado esse momento, a informação é descartada ou é
arquivada como memória de longo prazo (YASSUDA, 2006).
Dessa maneira, para identificar as percepções dos idosos sobre as
transformações na memória de curto prazo geradas pelo envelhecimento foram
29
realizadas perguntas referentes à lembrança de acontecimentos novos, lembrança
do lugar onde o idoso guarda a chave de casa e outros objetos de uso, lembrança
do conteúdo de um texto lido recentemente e por último, a percepção dos idosos
sobre aprender coisas novas.
No item referente a recordações de acontecimentos novos, todos os
participantes da entrevista relataram lembrar-se desses fatos, sendo que um dos
participantes fez questão de relatar os últimos acontecimentos, buscando
demonstrar que se lembrava de fatos recentes.
As duas perguntas seguintes referem-se à memória do cotidiano do sujeito,
uma vez que elas envolvem manter a lembrança simultânea de uma série de
atividades e informações que o idoso necessita usar no seu dia-a-dia. Na pergunta
sobre a lembrança do lugar onde os participantes guardam a chave de casa, a
maioria lembra o local onde guarda a chave, L. (79 anos/masc.) enfatiza dizendo
“tem que guardar (a chave) num lugar só”, sendo que apenas um entrevistado sente
dificuldade nesse item. A dificuldade em achar a chave da casa pode estar
relacionada, de acordo com Pinto (1999), com o branco ocasional, pois essas
ocorrências são comuns no cotidiano do idoso.
E na pergunta no seu dia-a-dia, quando você precisa de um objeto para uso,
você lembra onde está guardado? A maioria dos entrevistados lembra o local onde
está o objeto, L. (79 anos/masc.) relata “sou bem organizado (...) não tenho
dificuldade em achar”. Dessa forma, a organização aparece como mais uma
estratégia utilizada a favor da memorização do local onde os objetos possam estar
guardados.
Sobre a lembrança do conteúdo de um texto e/ou reportagem de jornal lido
recentemente, a maioria dos entrevistados lembra o conteúdo, mas abordam que se
30
o texto chamar a atenção, ele torna-se mais fácil de ser lembrado, como afirma J.
(75 anos/masc.) “quando é um assunto que interessa, amanhã eu sei”. Apenas um
participante relatou ter dificuldades, O. (75 anos/fem.) “eu tenho dificuldades porque
eu leio pouco”. A dificuldade em lembrar o conteúdo do texto lido, sem uso de
estratégias,
pode
ser
relacionada
com
as
mudanças
na
velocidade
do
processamento das informações ocorridas no envelhecimento, isto é, um idoso
necessita de um tempo maior para processar (ler, compreender, memorizar) as
informações contidas em uma reportagem de jornal do que um sujeito mais jovem
(NERI; YASSUDA; LASCA, 2005). Nesse sentido, o interesse aparece como um
fator que auxilia o sujeito a manter a atenção na tarefa e, para Pinto (1999) a
atenção é uma condição básica para que exista memorização, ou seja, para que se
consolide uma lembrança.
Segundo Pinto (1999) o processo de aprendizagem encontra-se associado ao
processo de memória, uma vez que a aquisição de novas informações ocorre
através da aprendizagem. E, nesse sentido para Neri (2002, apud NERI; YASSUDA,
2004) no momento da gravação, os idosos apresentam maior dificuldade para
organizar novas informações e utilizar estratégias para armazená-las de forma
eficaz. Esse fato pode ser corroborado com as respostas dos participantes da
entrevista, em que todos os idosos relataram que sentem dificuldades para aprender
coisas novas, principalmente em operar aparelhos celulares e computadores, o
relato de J. (75 anos/masc.) comprova “eu tenho dificuldade, aparelhos mudam
muito”.
Segundo Neri e Yassuda (2004) a memória de curto prazo “mantém-se
relativamente estável ao longo do envelhecimento” (p.145). Esse fato confirma os
dados encontrados nas entrevistas com os idosos, uma vez que eles perceberam
31
pouca ou nenhuma alteração nessa memória durante as atividades que
desenvolvem no dia-a-dia. Em contrapartida, a dificuldade apresentada pelos idosos
entrevistados encontra-se relacionada à aprendizagem de coisas novas.
Em seguida será analisada a categoria memória de trabalho.
4.4 Memória de Trabalho
A memória de trabalho é responsável por manter informações na memória e
simultaneamente utilizá-las para a resolução de problemas. Ela está em
funcionamento na tomada de decisão, no cálculo e na manipulação do espaço
(NERI 2000 apud NERI; YASSUDA, 2004).
Segundo Neri e Yassuda (2004) a memória de trabalho sofre alterações com
o curso do envelhecimento normal, caracterizando-se pela dificuldade em realizar
tarefas simultâneas. Damasceno (2000) confirma esse dado, para o autor as
alterações na memória de trabalho ocorrem devido à lentificação do processamento
das informações com o avanço da idade.
Com o intuito de investigar os efeitos do envelhecimento na memória de
trabalho foram realizadas três perguntas, as quais se referem a alterações na
capacidade de calcular mentalmente, dificuldades em somar e/ou subtrair números
mentalmente e dificuldade em lembrar o que pretendia falar durante uma conversa.
Para Bertolucci (2000) a realização de cálculos é um exemplo de memória de
trabalho, pois envolve a manipulação de informações. E Yassuda (2006) apresenta
como exemplo de memória de trabalho a realização mental de três operações
matemáticas distintas e, posteriormente a soma dos três resultados.
32
Assim, foram apresentadas aos idosos, perguntas sobre alterações
identificadas na capacidade de calcular, somar ou subtrair números mentalmente. A
maioria dos entrevistados não percebeu nenhuma mudança em calcular, somar ou
subtrair mentalmente. M. (76 anos/masc.) afirmou “eu faço conta de matemática
aqui, na hora”. E L. (79 anos/masc.) relata “faço conta de cabeça (...) isso faz parte
para a pessoa de idade, para mexer com os neurônios, pra não deixar muito parado,
pra estar sempre em movimento, ficar parado ajuda a pessoa a ficar mais
esquecida”. Apenas duas entrevistadas perceberam dificuldades nessa atividade. E.
(72 anos/ fem.) afirma “para somar números baixos eu consigo, senão não” e N. (75
anos/fem.) relata que encontra dificuldades, “mas isso é desde nova”.
No questionamento sobre dificuldade em lembrar o que pretendia falar
durante um conversa, a maioria dos participantes da pesquisa percebe dificuldades
em lembrar alguma palavra ou nome durante uma conversa. Segundo o relato dos
idosos, isso acontece às vezes, sendo caracterizado como um fato que ocorre
raramente. A fala de L. (79 anos/masc.) ilustra isso “às vezes acontece de esquecer
uma palavra no meio do assunto, ela espaça”. O. (75 anos/fem.) relata que
“acontece, mas é raro, quando a gente começa uma conversa e às vezes parece
que sai do ar”. Este fato pode ser explicado devido há uma crescente dificuldade na
manipulação de informações à medida que a idade aumenta, e isso tem como
conseqüência uma queda no desempenho de tarefas que necessitam do uso da
memória de trabalho (BERTOLUCCI, 2000). Apenas um participante relata que não
tem dificuldade nessa tarefa.
Segundo Mendonça (2006) muitos idosos não apresentam queixa de
dificuldade na memória, mas quando avaliados, seu desempenho é inferior ao
esperado. Entretanto, o estudo não teve o objetivo de avaliar e sim identificar as
33
percepções dos idosos sobre o funcionamento de sua memória e, nesse sentido, a
capacidade cognitiva dos idosos é diversa, uma vez que algumas pessoas idosas
podem apresentar dificuldades e outras não, estando na mesma faixa etária.
As alterações identificadas na memória episódica segundo as percepções dos
idosos entrevistados serão abordadas a seguir.
4.5 Memória Episódica
A memória episódica é classificada como uma memória explícita de longo
prazo, ela armazena informações sobre acontecimentos específicos na vida do
sujeito e envolve o pensamento consciente (LOMBROSO, 2004).
Para Neri e Yassuda (2004) a memória episódica está relacionada com as
lembranças de coisas ou eventos associados a um tempo ou lugar em particular. E
esse tipo de memória tende a sofrer alterações com o avanço da idade, uma vez
que está relacionada com a dificuldade de arquivar acontecimentos específicos.
Yassuda (2006) acrescenta que em testes de memória aparecem diferenças
significativas entre jovens e idosos para essa memória.
Dessa forma, para a investigação da memória episódica foram elaboradas
quatro perguntas, sendo elas: lembrança de ocasiões especiais; ano em que teve as
últimas eleições para presidente; lembrança do nome de lugares familiares; e
lembrança do último aniversário.
No item referente à lembrança de ocasiões especiais, todos os entrevistados
relataram não ter dificuldade em lembrar as datas de aniversário dos familiares,
porém o mesmo não acontece quando comparado a lembrar de aniversários de
amigos, vizinhos e parentes mais distantes, para esses os idosos encontram
34
dificuldades. J. (75 anos/masc.) relata “da família eu me lembro de todos e amigos
às vezes eu esqueço” e E. (72 anos/fem.) afirma “o aniversário dos netos, eu sei
todos”. Dessa forma, percebe-se que recordar o aniversário de parentes mais
próximos é uma tarefa fácil, uma vez que está relacionada com o cotidiano desses
idosos.
Entretanto, Neri e Yassuda (2004) abordam que a memória episódica tende a
ser afetada com o envelhecimento, visto que a tarefa de gravar e lembrar
informações e fatos específicos é realizada com dificuldade pelos idosos,
confirmando as informações trazidas pelos idosos em seus relatos de que lembrar o
aniversário de vizinhos e amigos é mais difícil do que lembrar essa data dos filhos e
netos.
Na pergunta referente ao ano em que teve as últimas eleições para
presidente, três participantes ficaram com dúvidas na resposta, fazendo o cálculo de
quantos anos haviam se passado para chegar a data correta, como exemplo, M. (76
anos/masc.) relata “foi em 2005 (depois de passado um tempo) eu acho que foi em
2006, teve reeleição” e O. (75 anos/fem.) “estamos em 2009, faz dois anos, foi em
2007, não, foi em 2006, porque tem a eleição e depois em janeiro que eles tomam
posse, isso, acho que foi em 2006”. Um participante relatou que não sabia, N. (75
anos/fem.) “não sei dizer” e o outro relatou que não lembrava, E. (72 anos/fem.) “eu
não lembro”. Um participante foi direto ao ano, L. (79 anos/masc.) relata “Já faz três
anos, foi em 2006”. Essa pergunta investiga se os idosos conseguem lembrar
eventos específicos da vida social, e de acordo com suas respostas o grau de
dificuldade nessa tarefa é alto, sugerindo dificuldades para a memória episódica
entre os idosos entrevistados.
35
No que se refere a lembrar o nome de lugares familiares, todos os
entrevistados relataram não ter dificuldades, porém quando a pesquisadora
questionou se os participantes lembravam o nome da escola em que estudaram na
infância, metade deles falaram o nome da escola, enquanto a outra metade não
lembrava ou não sabia se a escola tinha nome.
Na última pergunta feita aos participantes sobre a lembrança do último
aniversário, a maioria dos idosos relatou não ter dificuldades nisso, com exceção de
um entrevistado que relatou ter dificuldades em lembrar os detalhes da última festa
de aniversário. Para Bertolucci (2000) os idosos apresentam dificuldades para a
memória de contexto, isto é, quando e onde a informação foi oferecida. Entretanto,
todos os idosos descreveram em linhas gerais como foi e o dia em que fazem
aniversário, evidenciando que essa informação assume papel relevante na vida dos
indivíduos, sendo pouco influenciada pelas alterações ocorridas na memória
episódica.
A partir dos dados encontrados junto aos participantes da pesquisa, sugerese que a memória episódica sofre algumas alterações com o envelhecimento, pois
envolve a evocação de episódios específicos da vida do idoso. Entretanto, segundo
Bee (1997) as diferenças diminuem quando o material a ser lembrado é mais familiar
ou mais significativo, como por exemplo, o aniversário da família e do próprio
entrevistado.
36
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
“Cada fase da vida é influenciada pela que a
antecedeu e irá afetar a que virá a ocorrer”
(ARGIMON, 2006. p. 243).
Esse estudo teve como objetivo geral investigar as crenças e percepções dos
idosos sobre o funcionamento de sua memória no processo de envelhecimento.
Percebeu-se que os idosos têm uma crença positiva com relação a sua memória, ou
seja, eles avaliam sua memória como boa, mesmo percebendo mudanças nessa
habilidade, reconhecem-na como fundamental para realizar suas tarefas cotidianas.
Outro aspecto observado diz respeito ao esquecimento, episódio comum entre os
entrevistados, mas que é reduzido à medida que utilizam estratégias de
memorização.
Vale ressaltar que não foi aplicado nenhum tipo de teste, apenas foram
realizadas perguntas sobre como o idoso percebe o funcionamento de sua memória
e a usa diante de diferentes situações, visando identificar as transformações na
memória de curto e longo prazo geradas pelo envelhecimento, como também as
alterações na memória episódica e na memória de trabalho.
Em relação às transformações na memória de longo prazo, observou-se
através dos relatos dos idosos que esse subsistema é pouco afetado pelo
envelhecimento, uma vez que, na percepção da maioria dos entrevistados é mais
fácil lembrar eventos do passado do que acontecimentos recentes. Esse fato pode
ser relacionado com a teoria estudada (STELLA, 2004; YASSUDA, 2006), em que a
memória de longo prazo encontra-se inalterada no envelhecimento.
37
Sobre a investigação das alterações na memória de curto prazo, percebeu-se
que a maioria dos idosos avalia sua memória como boa para fatos atuais. Em
contrapartida, nas atividades como aprender coisas novas ou lembrar o conteúdo de
um texto lido recentemente, alguns entrevistados perceberam dificuldades. Segundo
a literatura pesquisada (PINTO, 1999; NERI, YASSUDA e LASCA, 2005; NERI e
YASSUDA, 2004) essa memória pode sofrer alterações com o envelhecimento, pois
as atividades que envolvem a memória de curto prazo estão relacionadas com o
processamento das informações, o qual fica mais lento no envelhecimento.
No que se refere à investigação da memória de trabalho, foram identificadas
alterações com o processo de envelhecimento, não nas tarefas de calcular
mentalmente, já que a maioria dos idosos avaliou sua memória como eficaz. E,
entretanto, quando questionados sobre esquecer palavras durante uma conversa, a
maioria relatou que sente dificuldades, acontecendo o esquecimento da palavra a
ser falada. Conforme estudado na literatura (DAMASCENO, 2000; NERI e
YASSUDA, 2004) essa memória é afetada pelo envelhecimento, uma vez que a
manipulação das informações torna-se uma tarefa difícil no envelhecimento.
Na investigação da memória episódica, foram encontradas alterações com o
envelhecimento. No relato dos idosos foi possível identificar que lembrar fatos
específicos da vida social é uma tarefa difícil, pois implica em recordar um
acontecimento ocorrido em um determinado local e época. Todavia, os idosos
entrevistados perceberam facilidades para recordar fatos particulares da vida
cotidiana, como aniversários da família e do próprio entrevistado, pois esses
acontecimentos são tidos como significativos em suas vidas. O referencial teórico
estudado (BERTOLUCCI, 2000; NERI e YASSUDA, 2004; YASSUDA 2006) indica
que esse tipo de memória é um dos mais afetados pelo envelhecimento, pois
38
envolve o contexto onde a informação foi armazenada. Entretanto, observou-se que
os idosos entrevistados encontraram poucas dificuldades em responder as
perguntas apresentadas.
Percebe-se que este estudo traz dados sobre as crenças dos entrevistados e
possíveis
alterações
provocadas
na
memória
pelo
processo
normal
de
envelhecimento, contribuindo para o conhecimento dos profissionais que trabalham
com o envelhecimento e suas alterações, como também para o público em geral que
deseja conhecer mais sobre as modificações psicológicas geradas no processo de
envelhecimento humano.
Com o crescimento recente da população de idosos em todo o mundo,
evidencia-se a necessidade de estudos epidemiológicos para investigar as
alterações na memória provocadas pelo processo envelhecimento, valendo-se de
um grande número de participantes para obter dados mais concisos. Além disso,
sugerem-se estudos sobre as alterações da memória com o envelhecimento,
investigando as diferenças entre homens e mulheres.
Por se tratar de uma pesquisa transversal, a qual analisa apenas alguns
dados do indivíduo coletados em um único momento, sem acompanhamento ao
longo do tempo, acaba sugerindo que as alterações encontradas na memória
referem-se ao processo de envelhecimento. Porém, essa relação é feita pelo
referencial bibliográfico e não por um estudo detalhado do processo de
envelhecimento dessas pessoas, assim, é indicado desenvolver um estudo
longitudinal, o qual é impossível em iniciação científica. Dessa forma, apenas em
estudos longitudinais, será possível afirmar se as alterações percebidas pelos idosos
em sua memória são decorrentes do processo de envelhecimento ou se esses
39
idosos já apresentavam alguma dificuldade nessa função cognitiva, no período
anterior à pesquisa.
Um estudo mais detalhado sobre as crenças de memória pode ser também
realizado, uma vez que o desempenho da memória no envelhecimento pode ser
influenciado por fatores afetivos, psicológicos e sociais.
Sugere-se também a realização de um estudo sobre a função da atenção na
memória no envelhecimento, assim como o estudo das alterações na memória
prognóstica. Além desses, faz-se necessário o estudo dos mapas cognitivos a fim de
investigar se os idosos têm representações gráficas dos lugares que conhecem.
Portanto, esse trabalho possibilitou conhecer as percepções dos idosos
entrevistados sobre o funcionamento de sua memória e das alterações identificadas
no processo de envelhecimento, alcançando os objetivos propostos no início desse
estudo e contribuindo para o conhecimento na área do envelhecimento e da
psicologia, que deve refletir constantemente sobre sua possibilidade de atuação
junto aos idosos, visando minimizar suas dificuldades e melhorar a qualidade de
vida. Mas, isso só é possível à medida que se conhece com profundidade esses
fenômenos.
40
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43
7 APÊNDICES
Apêndice A
NOME: ________________________________________________________
IDADE: ____
SEXO: ( ) M. ( ) F.
Pré-entrevista
1. Você tem alguma dificuldade para realizar suas atividades cotidianas?
2. Você recebe auxílio de filhos ou de outros para desempenhar alguma tarefa?
Se sim, por quais motivos?
3. Alguma vez você já procurou médico ou outro profissional da saúde por
queixas na sua memória? Se sim, quando foi e teve algum retorno ou toma
alguma medicação em função disso?
Entrevista
1. Para você a memória é importante para a realização das tarefas no cotidiano?
Poderia citar exemplos?
2. Como você percebe o funcionamento de sua memória? Justifique sua
resposta?
3. Você percebe que suas habilidades de memória mudaram com o avanço da
idade? Pode descrever como foi esse processo?
4. Você faz uso de alguma estratégia para auxiliar no processo de memorização
de acontecimentos, como, por exemplo, agenda, repetir algo para não
esquecer, criar listas para afazeres, escrever recados em bilhetes para
lembrar depois, entre outros?
5. Você tem alguma dificuldade em lembrar fatos que aconteceram durante sua
infância?
6. Você consegue lembrar o que almoçou nos dois últimos dias?
7. Você lembra o nome de seus avôs? Percebeu alguma dificuldade nesta
tarefa?
8. Quando lhe perguntam quem ganhou as últimas eleições para presidente,
você percebe dificuldades em recuperar essa informação?
9. No seu cotidiano, quando lhe são contados acontecimentos novos, você
consegue lembrá-los depois de algumas horas?
10. Geralmente, quando precisa pegar a chave de casa para sair, você lembra o
lugar onde está guardada?
11. No seu dia-a-dia, quando você precisa de um objeto para uso, você lembra
onde está guardado?
44
12. Quando você precisa lembrar o conteúdo lido em um texto recentemente, você
consegue fazê-lo sem dificuldades?
13. Você percebe alguma dificuldade em aprender coisas novas (como regras de
um jogo ou as instruções de uso de um novo aparelho eletrônico)?
14. Você percebeu alguma alteração na sua capacidade de calcular mentalmente
no decorrer do processo de envelhecimento?
15. Você percebe
mentalmente?
alguma
dificuldade
em
subtrair
ou
somar
números
16. Durante uma conversa você percebe dificuldade em lembrar o que pretendia
falar?
17. Você percebe alguma dificuldade em lembrar ocasiões especiais (aniversários,
festas, etc.)?
18. Você percebe alguma dificuldade em lembrar o ano em que teve as últimas
eleições para presidente?
19. Você percebe dificuldades em lembrar o nome de lugares familiares, por
exemplo, a escola em que em que estudou?
20. Para você existe alguma dificuldade em lembrar como foi seu último
aniversário? Quando foi isso?
Apêndice B
Questões
Categorias específicas
1-4
Crenças
5-8
Memória de Longo Prazo
9-13
Memória de Curto Prazo
14-16
Memória de Trabalho
17-20
Memória episódica
45
Apêndice C
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Prezado(a) participante:
Sou estudante do curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí.
Estou realizando uma pesquisa sob supervisão da professora Kátia Simone Ploner,
em que objetivo é compreender as percepções e crenças dos idosos sobre o
funcionamento da sua memória.
Sua participação envolve uma pré-entrevista já respondida e uma entrevista,
a qual será gravada em áudio. Os dados serão transcritos da forma mais fidedigna
possível, garantindo a confiabilidade das respostas. O estudo não apresentará riscos
ou prejuízos aos participantes.
A participação nesse estudo é voluntária e se você decidir não participar ou
desistir da mesma em qualquer momento, tem absoluta liberdade de fazê-lo. Na
publicação dos resultados desta pesquisa, sua identidade será mantida em sigilo.
Serão omitidas todas as informações que permitam identificá-lo.
Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará
contribuindo para a compreensão do fenômeno estudado e para a produção de
conhecimento científico. Caso queira conhecer os resultados deste trabalho poderá
participar da banca de apresentação ou se preferir poderá ter acesso ao mesmo por
meio de uma cópia eletrônica.
Quaisquer dúvidas relativas à pesquisa poderão ser esclarecidas pela
responsável por esta pesquisa.
Atenciosamente
Pesquisador Responsável: Prof. Kátia Ploner
E-mail: [email protected]
Telefone: (47) 33417935
UNIVALI – CCS - Curso de Psicologia
R: Uruguai, 448 – bloco 25b – Sala 401
Acadêmica: Daiane Rebelato
E-mail: [email protected]
Telefone: 8826-7619
Rua 2000, nº 249, apto 402.
Balneário Camboriú - SC
Consinto em participar deste estudo e declaro ter recebido uma cópia
deste termo de consentimento.
Assinatura do participante
Local e Data
46
Apêndice D
Categorias e seus subitens encontradas nos entrevistados masculinos:
CATEGORIAS
CRENÇAS
Importância da
Memória
Funcionamento da
Memória
L.79anos/masc.
M. 76anos/masc.
“Que é importante
a memória, é. Um
exemplo é que eu
tenho comércio
ainda, eu executo
meus negócios
ainda”.
“A minha memória
já não é mais
aquela, alguma
coisa a gente, às
vezes, esquece”.
“É fundamental. Os
compromissos que a
gente assume: bancários,
sociais, familiares, isso
são coisas que a gente
procura não esquecer”.
“Tudo que a gente
quer fazer a gente
lembra tal, a
memória pra mim é
muito importante”.
“Digamos que seria
“Olha não é ótima,
mas é boa, porque às
vezes a gente
esquece alguma
coisa (...) mas depois
lembra”.
Mudança na memória “É um pouco
mudou, isso não
resta dúvida. O
processo foi lento,
(...) acho que é
conforme a idade
vai avançando”.
Uso de estratégias de
Memorização
“Tenho agenda de
telefones dos
companheiros. No
supermercado é
mais fácil levar
uma lista para ver
os produtos que
precisa”.
média, dentro das
circunstâncias, mediana.
Eu acho que a própria
idade, etapa da vida,
tudo isso influi, a pessoa
com o tempo vai
perdendo, vai ficando as
lembranças, eu acho que
faz parte do próprio
processo de
envelhecimento”.
“Acho que é média
também. O processo foi
gradativo, foi havendo
uma regressão gradativa,
mas permanecendo os
valores vitais. Foi uma
redução gradativa, é
natural do
envelhecimento,
depende muito do modo
de vida e do tratamento
clínico que a pessoa tem
que procurar”.
“É eu costumo anotar os
meus compromissos,
tenho um caderno”.
J. 75 anos/masc.
“Ela mudou
praticamente quase
nada no meu caso,
mas a gente as vezes
alguma coisa acaba
esquecendo (...)hoje
eu me sinto bem eu
sei que tudo o que eu
quero fazer eu faço,
programo e faço”.
“Se for bastante
coisa, bastantes itens
eu uso uma lista”.
MEMÓRIA DE LP
Fatos da Infância
“Nesse ponto ainda
recordo bem”.
“Eu lembro de coisas
incríveis, eu lembro de
quando a gente fazia
alguma bagunça (...)”.
“É mais fácil
lembrar o tempo da
infância do que dos
últimos anos, o que a
gente passou na
47
“Hoje almocei muito
mal por sinal, fui numa
comida de quilo. Ontem
a minha mulher fez
feijão, arroz e bife”.
“Avô paterno era G. P.
Nome dos avôs e avós “Um era J. V.L e
A. G. e das avós era de S., eu nunca tive
V. e E. A gente
contato com ele e ela era
mantém as fotos
C. P. de S. e o avô
dos avós, fotos
materno, do lado da mãe
antigas, mas então
era M. G. e ela era A.
a gente guarda o
G., eram árabes”.
nome”.
Ganhador das últimas “Foi o nosso amigo “Lula da Silva”.
Lula”.
eleições para
presidente
Almoço dos últimos
dois dias
MEMÓRIA DE CP
Lembranças de
acontecimentos novos
Lembrança do local
onde guarda chave de
casa
Lembrança do lugar
do objeto quando
precisa dele
Lembrança do
conteúdo de um texto
lido recentemente
“Meu almoço nos
últimos dois dias
foi aqui (clube)
até”.
infância eu me
lembro de tudo
desde a aula, desde a
escola”.
“O almoço dos
últimos dois dias foi
num restaurante por
quilo”.
“J. G. e C. G. do
lado da mãe, e do
lado do pai eu não
cheguei a conhecer
ninguém, mas me
lembro do nome dele
que é M. G.”.
“A última eleição foi
o Lula, a outra foi o
Fernando Henrique,
depois o Sarnei”.
“Eu me lembro, eu “Consigo lembrar”.
assisto muito jornal (O entrevistado relatou
da televisão. Tenho sua manhã)
um que mora em
Bauru, então a
gente conta
notícias um pro
outro, quanto a isso
não tenho
problema”.
“Consigo lembrar”.
“Me lembro, de
vez em quando
depende o lugar, já
estou guardando
em um lugar mais
fácil. (...) Tem que
guardar num lugar
só”.
“Sou bem
organizado nas
coisas que eu
guardo, assim
então eu não tenho
dificuldade em
achar”.
“Consigo lembrar”.
“Eu tenho sempre no
bolso”.
“Sempre lembro”.
“Algumas coisas não,
porque são coisas que a
gente não lida, mas
aquilo que é pessoal
meu, eu sei onde está”.
“”Lembro. Eu vou
no escuro e pego
tudo o que eu tenho
que pegar, tenho
tudo guardadinho no
lugar certo”.
“Sei, sou muito bem
“É mais difícil
porque eu leio com
pouca atenção, só
quando é um assunto
que me interessa daí
eu leio com atenção
informado”.
(O entrevistado lê muito
jornal)
48
(...) amanhã eu sei
daí”.
“Isso eu tenho
dificuldade,
aparelhos mudam
muito”.
“Eu tenho um
celular que eu nem
uso, não consegui
me adaptar bem
ainda. É
computador nunca
mexi, nem
procurei”.
“Posso dizer que tenho
alguma dificuldade, não
tenho interesse, mas sei
que é errado, eu ainda
quero aprender a
mexer”.
“Não. Sei a
tabuada até hoje”.
“Isso eu faço conta de
matemática aqui na
hora”.
“Não, eu faço,
divido e somo. Pra
fazer conta e tal eu
nem uso máquina”.
“Não, até faço
conta de cabeça.
Faz parte para a
pessoa de idade,
para mexer com os
neurônios, pra não
deixar muito
parado, pra estar
sempre em
movimento, ficar
parado ajuda a
pessoa a ficar mais
esquecida”.
“Às vezes,
acontece esquecer
de uma palavra no
meio do assunto,
ela escapa”.
“Não”.
“Não”.
“Acho que não”.
“Às vezes acontece”.
“Não, isso aí eu
tenho agenda”.
“De modo geral, eu sei o
aniversario de todos os
filhos, da minha mulher,
netos, de amigos (...)”.
Ano em que teve as
ultimas eleições
“Já faz três anos,
foi em 2006”.
Dificuldades em
lembrar o nome de
lugares familiares
“Não, acho que é
mais fácil a gente
lembrar de coisas da
infância do que o que
acontece agora”.
“Foi em 2005, (...) eu
acho que em 2006, teve
reeleição”.
“Não, eu estudava
primeiro no colégio de
freiras, que se chamava
Santa Clara, depois fui
pro colégio Irmãos
“Às vezes acontece,
mas da família eu
me lembro de todos
os aniversários e
amigos às vezes eu
esqueço, mas está
tudo anotado, ta na
agenda lá, senão eu
esqueço”.
“Foi em 2004, não
foi em 2006”.
Dificuldade em
aprender coisas novas
MEMÓRIA DE
TRABALHO
Alteração na
capacidade de
calcular mentalmente
Dificuldade em somar
e/ou subtrair números
mentalmente
Dificuldade em
lembrar o que
pretendia falar
durante uma conversa
MEMÓRIA
EPISÓDICA
Dificuldade em
lembrar ocasiões
especiais
“Não. O nome da
escola eu consigo
lembrar, era grupo
escolar Alexandre de
Gusmão”.
49
Dificuldade em
lembrar o último
aniversário
“Não. Faço
aniversário dia 2
de dezembro de
1929, agora dia 2
de dezembro eu
faço 80 anos”.
Marista, depois eu fui
pra PUC (...)”.
“Não, porque foi uma
surpresa que fizeram,
meus sobrinhos, meus
parentes (...).Meu
aniversário é 18 de
julho, nasci as sete horas
da manhã”.
“Olha o último tenho
dificuldade. Foi 30
de novembro, (...)
esse último eu não
me lembro assim de
como foi realmente,
eu não me lembro
detalhado”.
Apêndice E
Categorias e seus subitens encontradas nas entrevistadas femininas:
CATEGORIAS
CRENÇAS
Importância da
Memória
Funcionamento da
Memória
Mudança na memória
Uso de estratégias de
Memorização
MEMÓRIA DE LP
Fatos da Infância
O. 75 anos/fem.
E. 72 anos/fem.
“Coisa mais importante
é a memória. Quando
“Ela é importante,
eu uso a memória
para procurar as
coisas que a gente
não sabe onde
guardou”.
“Eu tinha três anos, é
uma coisa que eu
(A entrevistada
relata um fato de
aconteceu quando
N. 75 anos/fem.
“Para fazer crochê,
fazer comida, pego
você pensa em fazer
ônibus e vou pra
alguma coisa e
um lado e vou pra
realiza”.
outro, viajo e ainda
vou a Brasília
sozinha”.
“Boa completamente “Ela está boa,
“Eu acho que a
apesar de a gente
ela não está, a gente
minha memória
esquecer, a gente
nota as vezes que a
está boa (...), às
recorda”.
gente tem falhas.
vezes, eu esqueço
Alguma coisa a gente
alguma coisa, mas é
esquece, mas é raro”.
muito difícil”.
“Mudou bastante.
“Mudou, eu percebi
“A minha memória
Fui
eu
mesma
que
depois que tive a
está a mesma coisa,
percebi. Mudou de
depressão”.
há dez anos atrás e
5 anos para cá”.
agora, por enquanto
ainda não notei
diferença”.
“Se eu vou fazer
“Anoto, guardo na “No supermercado
compras, daí eu
às vezes quando é
cabeça. Para o
anoto”.
muita coisa eu levo
supermercado eu
lista”.
faço lista, porque
é muita coisa”.
“Naquela época
minha, era
50
nunca esqueci na
minha vida”.
Almoço dos últimos dois
dias
“Ontem eu comi um
chuchu refogado,
bife, feijão, arroz e
salada de chicória e
antes de ontem eu
almocei na N.,
comemos um assado
de leitão, lasanha,
arroz, salada de
chicória e tomate”.
Nome dos avôs e avós
“Do lado paterno J.
B. L. e J. A. L. e do
lado da mãe G. T.,
ele veio da Itália e
ela era L. T.”
“Foi o Lula”.
Ganhador das últimas
eleições
para presidente
MEMÓRIA DE CP
Lembranças de
acontecimentos novos
Lembrança do local
onde guarda chave de
casa
Lembrança do lugar do
objeto quando precisa
dele
Lembrança do conteúdo
de um texto lido
recentemente
Dificuldade em
aprender coisas novas
“Lembro”.
“Lembro sempre”.
ela tinha 13 anos,
além de outro
quando tinha 28
anos.)
mascarado que
tinha, era perto do
Natal, então isso eu
nunca esqueço e eu
tinha muito medo
(...) eu já tinha uns
10 anos”.
“Ontem eu fiz
“Ontem eu fiz
uma carne moída camarão pra mim,
com massa, feijão, frito com ovos,
mandioca, batata, omelete de
arroz e alface. E
camarão. No outro
antes de ontem eu dia, eu fui ao
fiz feijão, arroz,
supermercado e
mandioca e batata comprei um pedaço
de novo, eu gosto de pernil e ai assei
de batata e carne”. o pernil no forno e
fiz com purê de
batata, salada e
arroz”.
“Conheci apenas uma
“Do lado da mãe
avó a J. C. D. do lado
era M. e L. e do
materno e dos outros
lado do meu pai
eu não lembro, não
era J. e L.”.
conheci”.
“Lula, ele foi
reeleito”.
“Fernando Henrique
Cardoso”.
“Lembro”.
“Me lembro”.
“Isso, às vezes eu
não lembro, eu
esqueço do lugar”.
“Lembro, sei o lugar
“Olha eu tenho
certo de tudo”.
que procurar
objetos que eu uso
na casa, mas
minhas roupas,
minhas coisas eu
lembro onde estão
guardadas”.
“Tenho dificuldades “Se o texto é bom,
porque eu leio
chama minha
pouco”.
atenção eu lembro,
senão é difícil”.
“Celular e computador “Isso eu tenho
não sei mexer, mas sei dificuldade, no
mexer nos
celular até agora
eletrodomésticos como eu não aprendi a
o microondas”.
“Lembro toda vida,
está sempre no
mesmo lugar”.
“Me lembro”.
“Me lembro, mas
depende se chama
minha atenção, é
mais fácil”.
“Tenho dificuldade
em mexer no
celular e
computador nem
51
escrever
mensagem, mas
computador eu
não mexer”.
MEMÓRIA DE
TRABALHO
Alteração na capacidade “Eu faço contas de
de calcular mentalmente cabeça, não mudou
nada, eu faço rápido
minhas contas de
cabeça”.
Dificuldade em somar
e/ou subtrair números
mentalmente
Dificuldade em lembrar
o que pretendia falar
durante uma conversa
MEMÓRIA
EPISÓDICA
Dificuldade em lembrar
ocasiões especiais
Ano em que teve as
ultimas eleições
Dificuldades em
lembrar o nome de
lugares familiares
Dificuldade em lembrar
o último aniversário
pensar”.
“Isso eu nunca fui
“Mudou, eu faço
muito pouca conta muito boa”.
com a cabeça,
antes eu fazia, mas
agora é mais
difícil eu sou boa
na caneta, no
papel eu sei
fazer”.
“Não”.
“Para somar
números baixos eu
consigo, senão não”.
“É, às vezes, mas isso
é desde nova”.
“Acontece, mas é
raro”.
“Percebo
dificuldade,
acontece às vezes
de eu esquecer o
que ia falar”.
“É difícil, mas às
vezes acontece”.
“Isso eu não esqueço,
sei o aniversário até
dos vizinhos”.
“Isso eu não
esqueço, o
aniversário dos
netos eu sei
todos”.
“Dos meus filhos
eu lembro, só
esqueci do meu
neto e nem sei até
porque”.
“Estamos em 2009,
faz dois anos foi em
2007, não foi em
2006, porque tem a
eleição e depois em
janeiro que eles
tomam posse, isso
acho que foi em
2006”.
“Lembro da escola,
mas não sei se
naquele tempo tinha
nome (...), acho que
não tinha, mas o
lugar eu lembro, era
uma escola perto de
casa”.
“Não me lembro”.
“Não sei dizer”.
“Eu lembro, mas
quando eu estudei
não tinha nome”.
“Nós morávamos em
Itajaí, então eu
estudei no colégio
Floriano Peixoto”.
“Foi no dia 28 de
janeiro. Foi na casa de
um dos filhos meus”.
“Lembro sim, veio
minha filha e meus
netos. Foi no dia 24
de junho”.
“No meu aniversário
eu gosto de passar
assim, eu fazer as
coisinhas tudo em
52
casa e só vim os
meus filhos. Foi no
dia 25 de maio”.
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