Universidade Cândido Mendes Pós-Graduação “Lato Sensu” Gestão de Recursos Humanos A Inclusão dos Moradores de Comunidades Carentes no Mercado de Trabalho Por: Fatima Fonseca Teixeira Monografia apresentada ao curso de PósGraduação em Gestão de Recursos Humanos, da Universidade Cândido Mendes. Orientadora: Professora Mary Sue. Rio de Janeiro 2 Março/2004 3 DEDICATÓRIA Dedico esta monografia, às pessoas mais importantes da minha vida, a minha família, em especial meus pais. Dedico também, ao meu namorado pela compreensão, apoio e companheirismo. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus, por me iluminar o caminho até aqui, e principalmente durante a elaboração desta monografia. Também agradeço a minha família e meu namorado, de maneira especial, por aceitar e colaborarem para a conclusão, não só da monografia como do curso. 5 RESUMO Não é difícil nos tempos atuais verificar a existência de diversas comunidades carentes, sabemos, porém que ainda existe um certo preconceito em relação aos moradores destas comunidades. Podemos verificar também, que muitas vezes, são os próprios moradores que não querem ser incluídos por diversos motivos, como por exemplo, a comodidade de viver ali, sem precisar trabalhar e serem taxados de “coitados”, vivendo das doações e programas do Governo, como “Cheque Cidadão”. No Rio de Janeiro, existem algumas empresas que mantêm contratos com organizações não governamentais que fazem este trabalho de inclusão destes moradores. Chamamos de inclusão não só o encaminhamento dos moradores para as empresas, mas a preparação deste para este encaminhamento. Cursos, palestras, etc. Facilitam esta inclusão. Igrejas e Associações de Moradores, além de entidades como o SENAI e o SENAC, podem fazer um trabalho muito bom neste âmbito, pois são entidades que possuem muita força, junto à sociedade de uma maneira geral. 6 METODOLOGIA A metodologia utilizada para a monografia foi a pesquisa bibliográfica, buscando em livros, periódicos, revistas especializadas, bibliotecas, internet, etc. todo material a respeito do tema abordado, com o objetivo de mostrar a importância da inclusão. O universo da pesquisa estará referido aos grupos diretamente envolvidos na formulação da mesma, como profissionais de empresas que tenham profissionais incluídos e de organizações que tenham como objetivo proceder com a inclusão. 7 SUMÁRIO Sumário ......................................................................................................................... 7 Introdução ..................................................................................................................... 8 Capítulo I – Desemprego e Exclusão Social.................................................................... 9 Capítulo II – Os principais Agentes de Inclusão ............................................................ 16 Capítulo III – Soluções para a Exclusão e o Desemprego. ............................................ 22 Capítulo IV – O Programa Primeiro Emprego............................................................... 26 Conclusão.................................................................................................................... 31 Anexos ........................................................................................................................ 33 Bibliografia................................................................................................................... 36 Atividades Culturais ..................................................................................................... 37 Índice .......................................................................................................................... 39 Folha de Avaliação ...................................................................................................... 40 8 INTRODUÇÃO Existem hoje em dia muitas pessoas consideradas excluídas da sociedade, essas pessoas necessitam de chances para serem incluídas, chances estas que podem ser dadas por empresas, e apode-se contar com o auxilio de entidades como o SENAC, o SENAI, Igrejas, Associações de Moradores, etc. O objetivo deste estudo é mostrar a necessidade da inclusão dos moradores de comunidades carentes no mercado de trabalho, além de mostrar o papel da sociedade, e organizações de uma maneira geral no processo de inclusão. Para alcançarmos o objetivo final deste trabalho procuraremos definir desemprego e exclusão social, os principais agentes de inclusão, soluções para a exclusão e o desemprego e o programa do primeiro emprego do governo federal. Nas empresas, atualmente, podemos observar que não há uma grande preocupação em incluir os moradores das comunidades carentes no mercado de trabalho. Considera-se relevante o estudo de empresas e organizações que utilizam estes funcionários em seu quadro de funcionários, bem como as que fazem o processo de inclusão, com o propósito de mostrar a necessidade desta inclusão. No final do trabalho o que se espera é mostrar a necessidade de incluir os moradores de comunidades carentes no mercado de trabalho, mostrando também como é feita hoje esta inclusão e como pode ser ainda melhorada. 9 CAPÍTULO I – DESEMPREGO E EXCLUSÃO SOCIAL Neste capítulo trataremos de desemprego e exclusão social, mostrando do que se tratam, porque existem e quais os tipos mais comuns de exclusão social, além de mostrar como e porque a pobreza existe e o problema do desemprego. Segundo Moura, a exclusão social é apenas um estado no qual o indivíduo não tem direito de participar das condições gerais que a sociedade dá aos cidadãos. Logo podemos dizer que com a exclusão social a cidadania deixa de existir. “Na sua essência, a exclusão social significa o estado do indivíduo que é vedado a participar das condições gerais (inclusive proteção e bem-estar) que a sociedade propicia aos seus cidadãos. Portanto, num certo sentido, a exclusão social anula a cidadania”. (Moura, Paulo C. – pág. 111) Podemos dizer também, que a exclusão está ligada a questão do emprego/desemprego e a globalização, e que nenhum cidadão fica totalmente excluído. “A exclusão social, está correlacionada ao emprego/desemprego e a globalização, embora este processo possa assumir formas variadas e sutis, conforme cada caso. Mas a exclusão social se realiza por graus, uma vez que ninguém fica totalmente excluído”. (Moura, Paulo C. pág. 111) Existem no Brasil diversos tipos de exclusão social, podendo ser estrutural ou conjuntural, individual ou coletiva. Dentro da exclusão social temos as causadas por cor, raça, educação, local de moradia, entre outras. “A exclusão social, que pode ser estrutural ou conjuntural, individual ou coletiva, não é causada somente pela pobreza. No Brasil, existem outras formas de exclusão social, causadas pela cor, sexo, educação, localização no campo ou na cidade (e área metropolitana), etc.”. (Moura, Paulo C. – pág. 111) 10 A questão do desemprego, segundo Moura, é importante por inúmeras razões, principalmente por existir um grande número de pessoas que é atingido, este vem crescendo constantemente, atualmente 03 (três) em cada 10 (dez) brasileiros não é incluído e o desemprego acaba por agravar outras formas de exclusão. “A exclusão social pelo desemprego é um fato importante por diversas razões, mas especialmente porque: 1) a parcela populacional atingida é muito grande; 2) e está em crescimento constante; 3) hoje, 3 em cada 10 brasileiros estão excluídos do emprego formal; 4) e agrava outras formas de exclusão social”. (Moura, Paulo C. – pág. 111) O número de excluídos é cada vez maior, qualquer pessoa pode verificar. As filas em frente às chamadas “Agências de Emprego”, por exemplo, nos mostra claramente o aumento acelerado deste número. Este aumento, segundo Tiriba é do que ela Chama de “Exército de Excluídos”. “Para quem se coloca mais atento, basta andar pelas ruas dos grandes centros urbanos para constatar o quanto o fim da “sociedade do emprego” vem desestruturando a vida de tantas pessoas... A lógica da sociedade de mercado, ao levar até as últimas conseqüências a ganância do capital em detrimento da própria vida, já não permite que se fale de ampliação exacerbada do “exército de reserva”, mas sim de um “exército de excluídos””. (Tiriba, Lia pág. 24) Tiriba, nos mostra três dimensões do desemprego, sendo Dificuldades em encontrar o primeiro emprego, o desemprego dos qualificados, ou seja, das pessoas que têm qualificação profissional para estarem empregadas, e dos “desqualificados”, ou semiqualificados, ale do prolongamento do desemprego, que nada mais é do que o tempo de desemprego dessas pessoas que dura muito mais tempo. “...o desemprego apresenta novas dimensões. A primeira é a dificuldade de encontrar um primeiro emprego, o que tem deixado perplexos os jovens que tentam inserir-se no mundo do trabalho. A Segunda é que não conseguem acesso a um posto de trabalho e são jogados no “olho da rua” não apenas os trabalhos com baixo nível de escolaridade e, portanto, 11 considerados semi ou “desqualificados”, mas também parte significativa daqueles que adquiriram as mais variadas gamas de qualificação. ... A terceira dimensão é a duração é a duração prolongada do desemprego, levando, muito comumente, as pessoas ao trabalho por conta própria, ou seja, a buscar – individual ou coletivamente – alternativas para a satisfação dos seus meios de sobrevivência”. (Tiriba, Lia – pág. 24) Ainda segundo Tiriba, vivemos num mundo em que a sociedade é dividida em três partes. A primeira em ascensão, a segunda em precárias condições de inclusão, e a terceira excluída. “Em síntese, temos vivido em um mundo em que a sociedade está cindida em três terços: um terço composto pelas camadas sociais em ascensão e com grande poder de consumo; um terço precariamente incluído e satisfazendo suas necessidades básicas de forma parcial; e um terço de excluídos (desempregados, subempregados e aqueles que tentam sobreviver do trabalho por conta própria)”. (Tiriba, Lia – pág. 24) 1.1 – COMO E PORQUE A POBREZA EXISTE. Segundo Moura, sempre existiram formas de criação e preservação das desigualdades econômicas no mundo, existindo ricos e pobres, isto não é novidade para ninguém. Desde épocas distantes, temos estas diferenças, basta lembrarmos um pouco da história de nosso país, por exemplo. “Já foi dito que, ao longo dos tempos, sempre houve alguma forma de criação e preservação de desigualdades econômicas, de tal modo que sempre encontramos ricos e pobres, e que o número de pobres excede o de ricos, apesar de que são os ricos que dominam e impões sua vontade”. (Moura, Paulo C. – pág. 112) 12 Por conta destas diferenças, sempre se procurou explicações para pobreza, porém nenhuma delas são definitivas, por um motivo muito simples, não se explica por que uma pessoa pode ser pobre e viver em condições precárias, e outra vive tão bem, podendo ter uma vida tranqüila, essas explicações não passam de preconceitos. “Daí a procura de explicações, populares umas, sofisticadas outras, para explicar como e por que a pobreza existe. A questão continua aberta”. (Moura, Paulo C. – pág. 112) Existe ainda, além de todas as explicações, como grandes diferenças como clima, raça, religião, etc., cinco interpretações utilizadas comumente, sendo o fatalismo, uma espécie de “karma”, preguiça, comodismo, etc., a pobreza como condição útil, a necessidade dos pobres para realização de determinados trabalhos. Porém, segundo Moura, nenhuma destas explicações é consistente o suficiente, não passam de preconceitos, alimentam discursos políticos, etc. e estas cinco explicações dadas, são falsas e não podem negar que são instrumentos de dominação e controle do poder. “Em verdade, estas explicações nada explicam em definitivo. São, antes de tudo, “racionalizações” ou “preconceitos”, que servem para manter o “status quo” e bloquear qualquer tentativa de mudança... servem também para alimentar o discurso político de determinados grupos ideológicos, principalmente quando se está à procura de bodes expiatórios. O que essas cinco falsas explicações não podem admitir é o fato de que são instrumentos de dominação e controle do poder”. (Moura, Paulo C. – pág. 113) Não existe uma teoria que sirva para explicar como resolver a questão da pobreza. Também não existe uma teoria da exploração e podemos criar mais riqueza, porém criaremos simultaneamente mais desigualdades. Segundo Tiriba existem diferentes níveis de pobreza e estes não permitem ver somente a existência de um Terceiro Mundo, como de um Quarto Mundo. 13 Os diferentes níveis de pobreza nos permitiriam falar tão somente de um Terceiro Mundo, mas de vários terceiros mundos (Schneider, 1986), de um Quarto Mundo...”. (Tiriba, Lia pág. 48) Sabemos que nunca, ou pelo menos quase nunca, se escolhe a condição de ser pobre. A pobreza é resultado de um processo dinâmico. Os pobres tornam-se fracos devido às privações e passam também a ser dependentes de regimes assistenciais, como bolsa escola, farmácia popular, entre outras muitas existentes. Apesar da busca constante de soluções para o problema da pobreza, as explicações decorrem sempre em algumas coisas em comum. Primeiro as soluções são sempre de “fácil aplicação”, segundo, elas minimizam os efeitos perversos das condições de nascimento e criação das pessoas, e por último, elas fazem recair o peso da responsabilidade da situação sobre os próprios pobres. As estratégias de sobrevivência existentes servem apenas para disfarçar a miséria e não resolve em nada o problema. 1.2 – O PROBLEMA DO DESEMPREGO Podemos dizer, quanto à avaliação do problema e das políticas de emprego, que temos quatro pontos básicos, sendo,b o primeiro que a crise que ocorreu recentemente esteve concentrada principalmente na classe de renda mais alta, o segundo que estes aumentos nas taxas de desemprego estão concentradas principalmente nas regiões metropolitanas, nas periferias e nos demais centros urbanos, chamados de grande porte, como terceiro ponto temos o problema do trabalho em nosso país, que não é apenas quanto a quantidade de empregos a disposição da população, mas também quanto a 14 qualidade destes empregos, este problema inclui a informalidade (trabalhadores sem carteiras assinadas, não remunerados, etc.), além disso é o problema da pobreza, que aumentou principalmente nas localidades com mais de 200 mil habitantes, principalmente nas capitais metropolitanas, e que a mesma caiu nas outras localidades. “O primeiro é que a recente crise se concentrou nas regiões metropolitanas, ocorreu principalmente na renda do trabalho e atingiu particularmente as classes de mais alta renda (a classe de renda mais elevada experimentou uma taxa de crescimento do desemprego de 16% a.a.)... O segundo ponto é que as maiores taxas de crescimento do desemprego (sempre no período de 96/99) são encontradas nas capitais metropolitanas (14,6% a.a.), nas periferias metropolitanas (13,4% a.a.) e nos demais centros urbanos de grande porte (14,2% a.a.). Tais áreas perfaziam, em 99, cerca de 68% do total de desempregados no país... Em terceiro lugar, como é sabido, o problema do trabalho no Brasil, não se restringe à quantidade de empregos disponíveis mas se refere também à sua qualidade. Isso coloca o problema da informalidade (trabalhadores autônomos, empregados sem carteira, trabalhadores não remunerados)... O quarto ponto é que a pobreza experimentou aumento nas localidades com mais de 200 mil habitantes, em particular nas capitais metropolitanas. Mas queda nos demais tipos de localidade, em particular nas cidades médias: 3,5% a.a.” (Velloso, João Paulo dos Reis, Alburquerque, Roberto Cavalcanti de, pág. 08, 09). Segundo, Velloso e Alburquerque, existem três tipos de políticas públicas de trabalho e renda com o objetivo combater a pobreza no Brasil, sendo as compensatórias, as distributivas e as estruturais: “As políticas compensatórias (como FGTS, Seguro Desemprego e Abono Salarial), que objetivam fazer transferência de renda em favor dos trabalhadores...Quanto às políticas distributivas (como o salário mínimo), seu propósito é elevar o valor do capital humano do pobre (ou reduzir o preço dos bens por ele prioritamente consumidos). Duas constatações são feitas a propósito do salário mínimo: afeta apenas o trabalho formal e pode levar a uma redução do emprego, quando se eleva o salário mínimo fora das condições de trabalho...Restam ainda as políticas estruturais (como crédito a microempresas, programas de treinamento profissional e programas de intermediação de mão-de-obra). 15 Seu objetivo é aumentar a qualificação da força de trabalho ou aumentar os postos de trabalho”. (Velloso, João Paulo dos Reis, Alburquerque, Roberto Cavalcanti de, pág. 09, 10) Existe ainda, um ponto de vital importância que é a intermediação de mão-deobra, que pudemos perceber existem poucas avaliações a este respeito, podemos verificar que apenas em duas regiões os trabalhadores que buscaram a intermediação tiveram um melhor resultado do que os que não procuraram este serviço. Existem dificuldades no sistema de intermediação, talvez seja, por exemplo, a velocidade em contratar o trabalhador, logo após se identifica à vaga. Uma sugestão que talvez pudesse ser uma solução para este problema, é que o Estado apenas fosse responsável pelo cadastro de trabalhadores e as empresas. A diferença entre estar empregado ou desempregado corresponde, por enquanto e para muitos países à diferença entre os chamados “incluídos” e os “excluídos” sociais. Os desempregados têm vivido a angústia de serem considerados “descartáveis”. Vivem as crises, que para o mercado capitalista é sempre uma crise de manutenção de taxas de lucro. A globalização é vista como uma maneira de se reestruturar as relações de trabalho, segundo Tiriba. “A globalização do mercado, a reestruturação produtiva e a flexibilização das relações de trabalho não representam mais que uma nova modalidade para a busca da recomposição do capital à escala global” (Tiriba, Lia pág. 59) 16 CAPÍTULO II – OS PRINCIPAIS AGENTES DE INCLUSÃO Neste capítulo mostraremos quais são os principais agentes de inclusão, e como eles podem exercer este papel. Existem hoje no Brasil, diversas organizações que se preocupam em fazer um trabalho de inclusão dos moradores de comunidade carente no mercado de trabalho. Além dessas organizações, temos também as Empresas, Igrejas, Associações de Moradores, Instituições como o SENAI, podem também ser agentes de inclusão. 2.1. AS EMPRESAS COMO AGENTES DE INCLUSÃO Chegamos a um ponto em que, com toda razão, podemos nos perguntar o que as empresas podem fazer com relação à exclusão social, principalmente aquela que diz respeito ao emprego. Claro que nem sempre a empresa pode incluir todos os moradores de determinada região, por exemplo, porém tem um papel importantíssimo no que diz respeito à não exclusão dos que já estão incluídos. Fazendo programas de demissão, quando não é possível mais manter o quadro existente, que não venham a ferir os seres humanos. Não podemos esquecer que as empresas não devem ser confundidas com o governo e vice-versa, ambos têm atribuições próprias e papéis claramente definidos. A empresa é livre para agir, conhecer e acompanhar seu mercado. Tendo que responder a seus clientes, fornecedores e funcionários, com isso nasce a chamada e tão famosa, nos dias atuais, “Responsabilidade Social”, o que segundo Moura, não deve ser confundido com filantropia, propaganda, ou evasão fiscal. 17 “Nasce daí a chamada “responsabilidade social” das empresas. Isto não se confunde com filantropia, com propaganda, menos ainda, com mecanismos de evasão fiscal”. (Moura, Paulo C. Pág. 166) A responsabilidade social é apenas uma conseqüência de que não existe empresa se não houver mercado para a mesma atuar em seu segmento. “A responsabilidade social é simplesmente a conseqüência do reconhecimento explícito de que não pode existir empresa onde não existe mercado para seus produtos e serviços”. (Moura, Paulo C. Pág. 166) A responsabilidade social, não pode parar nas ações externas, também deve haver ações internas, a “empresa cidadã”, deve compreender que tem responsabilidade social frente seus empregados e suas famílias. Frente todos os quais a empresa não sobreviveria. Mas do que nos momentos bons, nas épocas de crise as empresas devem atuar com sua comunidade de trabalho. É claro que quando falamos isso, temos coisas que devem ser feitas e outras que não devem ser feitas. Não se trata de uma receita de bolo, tirada de manuais de Recursos Humanos. Antes de qualquer coisa é importante saber que as crises têm efeitos, muitas vezes perversos no clima das organizações, uma das crises mais perversas pode ser a do desemprego, que abala o comportamento de todos os funcionários. “Antes de tudo, é importante considerar os feitos perversos que as crises (e o desemprego é uma das piores crises que abalam os comportamentos) provocam no chamado“clima organizacional””. (Moura, Paulo C. pág. 167) Segundo Moura, toda demissão cria grandes problemas, tanto para os que estão sendo demitidos, quanto para os que ficam nas organizações. Porém se a decisão de demitir é desagradável, a de admitir pode ser também bastante difícil. 18 Quando uma empresa entra num período de demissões, o primeiro a sofrer é o clima da organização, que fica tenso, as pessoas ficam ansiosas, desconfortáveis e inseguros. Toda demissão custa caro, fere suscetibilidades e cria diversos outros problemas, tanto para os que se vão, quanto para os que ficam. Mas é importante saber que, na vida empresarial, se a decisão de demitir é constrangedor, a decisão de admitir (empregar) pessoas é uma decisão que pode ser bastante difícil”. (Moura, Paulo C. Pág. 167) Podemos evitar esses problemas terríveis, no âmbito das empresas, porém em assuntos comportamentais nunca são válidas as tão famosas “Receitas de Bolo”. A direção da organização deve sempre falar com clareza aos seus funcionários, isto evita boatos, e a chamada “Rádio Corredor”. Informar os critério que serão utilizados no caso de haver demissões, por exemplo, ajuda bastante a diminuição do estresse durante os períodos de crise. Utilizar o programa de “Demissão Voluntária”, pois alguns dos funcionários já estão mesmo querendo sair de seus empregos, assim sendo, se inscrevem nos programas e não perdem seus tão esperados direitos. Treinamento especializado para aqueles que correm o risco de perder o emprego, também é uma prática interessante. Enfocando as situações em que o redesenho organizacional contempla redução de pessoal, podemos ver que determinados comportamentos são recomendáveis. Todos os empregados devem ter uma expectativa definida sobre o comportamento da empresa. Não existe compromisso de emprego para o resto da vida, mas o pessoal tem de ter confiança de será tratado com justiça caso a empresa precise rever seu quadro de pessoal. 19 2.2. A CONTRIBUIÇÃO DO SENAI O SENAI tem como missão contribuir para o fortalecimento da indústria, promovendo educação para o trabalho e a cidadania. Não estaríamos exagerando em dizer que o Brasil não consolidaria o seu parque industrial, se não fosse o trabalho que o SENAI faz. Nenhuma outra instituição tem o porte e a qualidade de serviços prestados pelo SENAI, que foi criado para preparar e aperfeiçoar uma mão-de-obra voltada para indústria, mão-de-obra esta que o Brasil precisaria com certa urgência. “... o SENAI foi criado com a missão de preparar e aperfeiçoar a mão-de-obra industrial, que o Brasil viria a precisar urgentemente”. (Moura, Paulo C. Pág. 190) O SENAI vem apoiando a modernização do Brasil, e para isso criou alguns programas, sendo: PBD (Programa Brasileiro de Desisgn), que é de âmbito nacional, Modernização do Setor de Mármore e Granito, que envolve 11 estados, Certificação de Qualidade e Reconversão Profissional, Segurança e Saúde no Trabalho e Proteção e Preservação do Meio Ambiente. Existe ainda o atendimento institucional, que vem evoluído bastante, contando com o Programa de Empresas Comunitárias, voltado para as comunidades de baixa renda. “O Programa de Empresas Comunitárias é especialmente vocacionado a ajudar comunidades de baixa renda”. (Moura, Paulo C. pág. 191) O SENAI, não se considera, nem é governo, nem gerador de emprego, porém contribuem para respostas inovadoras. 20 “Não somos governo, nem geradores de emprego, nem temos a pretensão de patetear soluções definitivas. Mas podemos e devemos contribuir, a partir de uma nova visão e de respostas inovadoras”. (Moura, Paulo C. Pág. 198). 2.3. AS ONG’S, IGREJAS E ASSOCIAÇÕES – PODEROSOS AGENTES DE INCLUSÃO Não podemos negar que existe uma força muito grande das ONG’s, Igrejas e Associações junto a sociedade. Estas são por isso poderosos agentes de inclusão, tendo a facilidade de incluir as pessoas no mercado de trabalho. Em uma conversa com a presidente da Associação de Moradores da Comunidade de Nova Brasília, em Bonsucesso/RJ, pudemos perceber que já existem trabalhos voltados para essa inclusão. Nessa associação existe uma cooperativa, que visa empregar os moradores desta comunidade carente no mercado de trabalho. Essa inclusão é feita a partir de convênios feitos com empresas da região que se comprometem a contatar a associação cada vez que precisam de novos funcionários. Os moradores se inscrevem na cooperativa e a partir de então estão sendo incluídos, pois a associação promove não só a inclusão propriamente dita, colocando-os no mercado de trabalho como também cursos e palestras que visam aprimorar os cooperados. 21 Quanto as Igrejas, essas são tão fortes ou mais que as Associações, por estarem na sociedade desde que esta existe. Determinadas Igrejas, como a Paróquia Sagrada Família, em Jacarepaguá, promovem a inclusão não diretamente, mas através de cursos que se mantém, além de projetos culturais, juntamente com a comunidade de “Shangrilá”, também em Jacarepaguá. Todos os anos é realizado na comunidade com o apoio da Paróquia um festival de música e poesia, no dia do Trabalhador. Este festival dá prêmios aos ganhadores, além de troféus os prêmios são baseados nos salários mínimos. Contam sempre com a presença de políticos do PT (Partido dos Trabalhadores). ONG’s como o CAP Mangueira, a Casa do Menor Aprendiz, que empregam os menores em grandes empresas, também são ótimas referências de Agentes de Inclusão, pois muitos deles têm a chance de crescer profissionalmente nessas empresas Empresas como a Xerox, e Loréal, empregam meninos da comunidade da Mangueira através do CAP. 22 CAPÍTULO III – SOLUÇÕES PARA A EXCLUSÃO E O DESEMPREGO. Trataremos neste capítulo das soluções que podem existir para a questão da Exclusão o do Desemprego. Muitas pessoas acham um exagero as preocupações sobre a crise do emprego e as conseqüências sociais da mesma. Para alguns todos os problemas trazem as suas soluções. Sendo assim alguma solução acaba “nascendo”. A humanidade enfrentou grandes problemas e a sociedade sempre soube enfrenta-los, superando-os. Porém pensar assim é um pouco fantasioso, pois nem todos os problemas forma superados, ainda mais espontaneamente. Segundo Moura a terceira revolução industrial e a globalização já estão criando vários empregos, mas não serão empregos para a “plebe”, e sim para pessoas da “elite”. Aqueles dias de ofertas de emprego em massa já se esgotaram, porém acredita-se que o crescimento da economia é uma maneira de se resolver o problema do desemprego. “A terceira revolução industrial e a globalização vão criar (em verdade, já estão criando) novas oportunidades de trabalho e até com muitos empregos bem remunerados. Mas serão empregos para a elite”. (Moura, Paulo c. pág. 153) Aa preocupação com a melhora do mercado de trabalho não é exclusividade de alguns países, e sim é extensiva a todos eles, industrializados ou não, de uma maneira geral existem quatro categorias de possíveis soluções, sendo segundo Moura. “...1) a mobilização da oferta de trabalho, 2) o desenvolvimento das capacidades relacionadas ao emprego, 3) o incentivo ao espírito de busca de oportunidades e 4) a criação direta de emprego”. (Moura, Paulo C. Pág. 154) A mobilização da oferta de trabalho inclui programas que visam melhorar as oportunidades de trabalho produtivo para pessoas difíceis de colocar e que, de outro 23 modo, permaneceriam desempregadas. Isto compreende a formação e o aperfeiçoamento de adultos desempregados, ou que correm o risco de perderem seus empregos, medidas especiais para jovens desocupados e reabilitação para portadores de deficiências físicas. Outra estratégia vem a ser a concessão de subsídios para a criação de emprego estável no setor privado e as pessoas interessadas em criar suas próprias empresas. O desenvolvimento das capacidades relacionadas ao emprego, ou seja, o desenvolvimento das competências requeridas nas futuras atividades, é fundamentalmente uma responsabilidade tanto dos empresários, quanto dos órgãos de ensino e formação profissional que existam em cada país. Nas áreas onde as oportunidades de formação são tidas como insuficientes, a política do mercado de trabalho pode ter um papel complementar. Mas existe uma tendência universal de dar mais ênfase aos programas de formação e qualificação profissional, especialmente para os jovens. O incentivo ao espírito de busca de oportunidades, tem como primeiro alvo o processo de “informação profissional”, ou os chamados “serviços de informação e emprego”, pelos quais trabalhadores e empregadores são postos em contato e trocam informações de mútuo interesse. Funcionam como “bolsas de emprego”, poupando assim tempo e esforço de ambas as partes no processo. Uma idéia bastante criativa e interessante é a criação direta de postos de trabalho seja do tipo tempo parcial, seja do tipo duração limitada, empregos estáveis e duradouros. Mas esta criação depende de investimentos em andamento. É muito difícil estimar quanto se precisa investir para criar um posto de trabalho, depende do tipo de empreendimento, da sofisticação tecnológica, da qualificação, e assim por diante. Como é sabido, no Brasil, e no resto do mundo, o grande empregador é a pequena e média empresa. Não temos dúvidas de que o treinamento e qualificação profissional são um dos melhores programas para o problema do desemprego, é necessário se criar programas deste tipo para destinados a novos empregos, segundo Moura. 24 “... os programas de treinamento e qualificação profissional como a provável melhor resposta ao problema do desemprego”. (Moura, Paulo C. Pág. 156) É muito natural que especialistas diversos, persistam na investigação sobre a natureza íntima do trabalho, buscando entender e clarificar os requisitos necessários ao bom desempenho, os tipos de competência e habilitações requeridas, os perfis profissiográficos e, por extensão, todos os atributos que se supõem presentes no trabalhador ideal. Destas investigações nasceram não só estes requisitos para se recrutar e selecionar com qualidade como também para o treinamento e desenvolvimento adequado. “Daí nascem não apenas os requisitos para um bom recrutamento e seleção, como também as indicações para os processos de formação, treinamento e desenvolvimento da mão-de-obra”. (Moura, Paulo C. Pa´g. 156, 157) Quanto melhor conhecermos a natureza do posto de trabalho, mais e melhor poderemos dimensionar o tipo de habilitação requerida, o melhor programa de formação, treinamento e desenvolvimento poderemos criar. No Brasil, os programas existentes, embora devessem ser assumidos por amplas parcerias entre empresas privadas, ONG’s, instituições públicas e privadas, organizações diversas e naturalmente com o governo à frente, soa fundamentalmente custeados pelo Estado. No Brasil, como em vários outros países do mundo, busca-se uma forma de elaborar um novo catálogo de ocupações, contemplando as principais exclusões e inclusões acontecidas em função dos novos tempos. Existem diversas pessoas pensando em soluções para o caso do desemprego e exclusão social. 25 Há quem defenda a redução da jornada de trabalho, outros sugerem um seguro desemprego mais realista, outros a renda mínima garantida, há quem defenda o subsídio direto ao consumidor, controlando os preços da cesta básica, o resgate das frentes de trabalho, outras pessoas ainda defendem uma política mais exigente de distribuição forçada de renda, falam de redução de encargos. Fica claro que não existe nenhuma solução “definitiva” ou “comprovada”, segundo Moura, certo mesmo só o há uma coisa, que se sabe á muito tempo, que o emprego não depende somente do nível da economia, mas também da educação geral e profissional, da demografia, e das condições de empregabilidade. “...o emprego depende do nível de atividade econômica, mas depende igualmente da educação geral e profissional, tudo aliado à demografia e às condições gerais de empregabilidade”.(Moura, Paulo C. Pág. 161 Embora não exista uma solução universal, não podendo então ser aplicada, não significa que nada possa ser feito. Muito pelo contrário, existe espaço e principalmente, necessidade para a ação de diversos agentes, os quais podem contribuir para um tratamento mais digno da questão. 26 CAPÍTULO IV – O P ROGRAMA P RIMEIRO EMPREGO É um conjunto de ações do Governo Federal direcionadas à geração empregos e preparação dos jovens a uma melhor inserção no mercado de trabalho. O Programa tem três linhas básicas: 1ª - Inserção do jovem no mercado de trabalho por meio de incentivos, responsabilidade social e empreendedorismo. 2a. - Preparação do jovem para o primeiro emprego por intermédio de qualificação profissional, aprendizagem, estágio e trabalho comunitário. 3a. - Processo de consulta com toda a sociedade através de conferências regionais, conferência nacional para a construção de uma política pública de emprego de inserção permanente dos jovens no mercado de trabalho. As empresas serão incentivadas a contratarem jovens através de incentivos. Além disso, poderão atuar no PPE sob a ótica da responsabilidade social, contratando jovens cadastrados sem receber o incentivo e sendo certificada como empresa parceira do PPE. As linhas de aprendizagem, responsabilidade social e estágio começam de imediato. A qualificação, a partir do dia 01 de agosto e as linhas de trabalho comunitário terão início com a aprovação do projeto de lei pelo Congresso Nacional e sua sanção pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As linhas de incentivo começam a serem implementadas dentro de 60 dias (concomitante com a aprovação do projeto de lei e sanção). Como passo imediato, o Ministério sensibilizará os empresários para o oferecimento de vagas aos jovens público alvo do programa. 27 O PPE terá uma ação de incentivo ao empreendedorismo, individual ou coletivo, que disponibilizará uma linha de crédito orientado. Além de recursos financeiros, os jovens receberão capacitação e acompanhamento na gestão do negócio. As ações de preparação dos jovens para o trabalho serão divididas em quatro linhas. A qualificação profissional será realizada com o objetivo de preparar os jovens para uma inserção em setores específicos da atividade produtiva. O trabalho comunitário consiste em articular qualificação com elevação de escolaridade e estágio em serviços comunitários. A aprendizagem e o estágio são ações que já existem, mas que serão incentivadas e monitoradas pelo MTE. As vagas estarão direcionadas aos jovens entre 16 e 24 anos, com ensino médio incompleto e com renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Além disso, o jovem tem que estar matriculado na escola. O jovem que se enquadrar no perfil deve procurar o SINE e realizar seu cadastro. Deve levar carteira de trabalho e comprovante de escolaridade. Não necessariamente todo jovem inscrito será empregado. A colocação dos jovens no emprego depende do número de vagas ofertadas, do perfil dos candidatos e da disponibilidade financeira para o PPE. É importante ressaltar que a decisão pela contratação caberá à empresa cadastrada no Programa. O encaminhamento às vagas será por ordem de inscrição. Por esse motivo, os jovens que já estão cadastrados no SINE serão encaminhados primeiro. O jovem deve cumprir suas obrigações inerentes ao posto de trabalho, além de freqüentar a escola. 28 O curso de capacitação, assessoria e assistência técnica serão executados por instituições conveniadas com o Ministério, como o Sebrae. As empresas deverão procurar o posto do SINE mais próximo. No SINE, deverão preencher um formulário, apresentar as certidões negativas do INSS, FGTS e da Receita Federal e assinar o termo de adesão, para que possam receber o incentivo. Qualquer empregador pode se habilitar, o PPE está aberto a pessoas físicas e jurídicas, exceto a empregadores domésticos. Nem todos os empregadores têm direito ao mesmo incentivo, os incentivos são diferenciados. Os empregadores com faturamento de até R$ 1,2 milhão receberão R$ 200,00 para cada emprego gerado e os empregadores com faturamento maior do que R$ 1,2 milhão receberão R$ 100,00 por cada jovem contratado. O empregador receberá o incentivo por seis meses, mas terá o compromisso de manter o emprego do jovem por mais seis meses. Assim, o tempo total de duração do emprego é de, no mínimo, 12 meses. O contato de trabalho do jovem deve ser exclusivamente por tempo indeterminado. O empregador deve cumprir todas as obrigações trabalhistas relativas a contratação do jovem. Também deve chegar ao final dos 12 meses com o número de empregados igual ou superior ao do tempo da adesão ao PPE. A empresa pode contratar o correspondente ao, no máximo, 20% de seu quadro de pessoal atual. Para as empresas com quatro ou menos empregados, esse limite é de um jovem. 29 O incentivo será creditado na conta corrente do empregador, bimestralmente. O jovem poderá ser demitido, desde que seja substituído por um outro jovem participante do programa. O Ministério do Trabalho fiscalizará as empresas cadastradas para impedir abusos e desvios de finalidade do programa. Durante o ano em que estiver dentro do programa, a empresa não poderá demitir. A linha de responsabilidade social é uma linha destinada às empresas que querem participar do PPE, sem receber o incentivo e obter a certificação de empresas parceira do Programa Fome Zero do Governo Federal. As empresas devem procurar o Ministério do Trabalho ou as Delegacias Regionais do Trabalho e firmar um protocolo de intenções, comprometendo-se com um determinado número de vagas para os jovens, no âmbito do Programa. As vagas serão registradas no SINE. As empresas que contratarem jovens no âmbito do PPE contrairão as obrigações especificadas no Programa, como a obrigatoriedade da manutenção do quadro de pessoal por 12 meses e a observância a legislação trabalhista. Terão acesso ao Trabalho comunitário os jovens, de 16 a 24 anos, que estiverem em situação de risco social, como os oriundos de instituições penais e de medidas sócio educativas. Esses jovens terão acesso a essa ação por intermédio dos Espaços de Juventude e do Serviço Civil Voluntário. 30 31 CONCLUSÃO Qualquer que seja a motivação, usando instrumentos simples ou sofisticados, em praticamente todas as culturas, o exercício do trabalho é algo que, de algum modo, completa a existência humana. Na cultura ocidental, que prevalece no mundo contemporâneo, para o ser humano o trabalho significa emprego, sendo praticamente sinônimos. Portanto o desemprego como vem se alastrando e atingindo milhares de pessoas não significa apenas ausência de trabalho, com suas implicações econômicas, sociais e psicológicas, simboliza também um estágio inferior de vida. A crise do emprego, por si só, é uma expressão dolorosa e inevitável da passagem de uma era de transformações, quando muitos conceitos e muitos valores terão que ser revistos e reordenados. O primeiro instinto do homem é tentar sobreviver, manter-se a si e a seus filhos. No caso de trabalho e de toda problemática ligada a ele, precisamos de mudança antecipada de tipo “inovador”, promovendo a adaptação das pessoas, das instituições e da sociedade global, de tal modo que o ser humano encontre meios de realização pessoal, ainda que vivendo em circunstâncias inusitadas. A busca incessante por mais produtividade, o substrato desse modo de produção, tem sérias repercussões no mercado de trabalho. As empresas vêm passando por um processo de adaptação do quadro funcional. 32 Existem para isso diversas iniciativas, como por exemplo a de redução de pessoal, conhecida como o downsizing e de reengenharia, alteração radical ou substituição de produtos e métodos por parte das empresas, tornaram-se uma questão de sobrevivência. Foi criado uma tendência a flexibilização das relações de trabalho, com separação da antiga expectativa de apenas um emprego para toda a vida. Existe hoje, o que chamam de sociedade de serviços, devido à importância que o setor adquiriu no mercado. Sem dúvida o homem não alcança o possível sem nenhuma vez tentar lutar pelo impossível, ou seja, podemos e devemos fazer algo para mudar esta “cara” que o país tem hoje, o desemprego e a exclusão social tomando conta de grande parte da população carente. Se cada um fizer sua parte sem dúvida alguma conseguiremos chegar onde queremos, um mínimo de pessoas desempregadas, e por que não nenhuma pessoa excluída. Com coisas simples, podemos fazer mudar este quadro. Criando, por exemplo, “agências populares”, nas associações de moradores, como existe na comunidade de Nova Brasília, nas Igrejas e em outras entidades. As empresas podem ajudar e muito aceitando e não tendo nenhum tipo de preconceito com as pessoas consideradas pobres e que não têm oportunidades, e só por isso se encontram excluídas. 33 ANEXOS DESEMPREGO ABERTO NA AMÉRICA LATINA Desemprego aberto em 1999 7,56% País Brasil Argentina 14,5% Chile 10,1% Colômbia 19,8% Equador 11,1% Peru 9,8% Uruguai 12,1% Venezuela 15,3% Média da América Latina 10,8% Fonte: Velloso,João Paulo dos Reis e Alburquerque, Roberto Cavalcanti de pág. 22 ESTIMATIVAS DE POPULAÇÃO NO ANO 2030 PREVISÃO China População em 2003 – estimativa 1.624 milhões Índia 1.443 milhões Países Estados Unidos 345 milhões Indonésia 307 milhões Nigéria 278 milhões Paquistão 260 milhões Brasil 252 milhões Fonte: Moura, Paulo C., pág. 57 34 35 DISTRIBUIÇÃO DA POBREZA Indigente Pobre 22,94 54,37 NE 48,37 35,41 SE 20,41 48,37 S 19,32 38,92 Região N e CO Fonte: Moura, Paulo C., pág. 58 1989 – Renda Per Capita Mensal em US$ Conceitos Básicos: Indigência – Renda mínima mensal necessária para o atendimento das necessidades individuais de ordem alimentar apenas. Pobreza – Renda mínima mensal para tender às necessidades básicas individuais (não apenas alimentares). 36 B IBLIOGRAFIA 1 – MOURA, Paulo C. A Crise do Emprego – Uma visão da Economia Rio de Janeiro: Mauad, 1998, p.. 2 – TIRIBA, Lia. Ecoomia Popular e Cultura do Trabalho.Pedagogia(s) da produção associada Rio Grande do Sul: Unijuí, 2001 p.. 3 – VELOSO, João Paulo dos Reis, ALBURQUERQUE, Roberto Cavalcanti de Soluções para a questão do Emprego Rio de Janeiro: José Olímpio Editora, 2000, p.. 4 – www.cnmcut.org.br/primeiro_emprego.htm 5 – www.mte.gov.br 37 ATIVIDADES CULTURAIS 38 39 ÍNDICE Dedicatória .................................................................................................................... 3 Agradecimentos ............................................................................................................. 4 Resumo ......................................................................................................................... 5 Metodologia .................................................................................................................. 6 Sumário ......................................................................................................................... 7 Introdução ..................................................................................................................... 8 Capítulo I – Desemprego e Exclusão Social.................................................................... 9 1.1 – Como e porque a pobreza existe. .................................................................... 11 1.2 – O Problema do Desemprego........................................................................... 13 Capítulo II – Os principais Agentes de Inclusão ............................................................ 16 2.1. As Empresas como Agentes de Inclusão............................................................ 16 2.2. A Contribuição do SENAI................................................................................ 19 2.3. As ONG’s, Igrejas e Associações – Poderosos Agentes de Inclusão ................. 20 Capítulo III – Soluções para a Exclusão e o Desemprego. ............................................ 22 Capítulo IV – O Programa Primeiro Emprego............................................................... 26 Conclusão.................................................................................................................... 31 Anexos ........................................................................................................................ 33 Bibliografia................................................................................................................... 36 Atividades Culturais ..................................................................................................... 37 Índice .......................................................................................................................... 39 Folha de Avaliação ...................................................................................................... 40 40 F OLHA DE AVALIAÇÃO Universidade Cândido Mendes Projeto A Vez do Mestre Pós-Graduação “Lato Sensu” Gestão de Recursos Humanos Título da Monografia: A Inclusão dos Moradores de Comunidades Carentes no Mercado de Trabalho Data de Entrega: 27 de março de 2004. Autora: Fatima Fonseca Teixeira Avaliação: Avaliado por: Grau: