15/08/2011 Estudo Físico-Químico dos Gases Prof. Alex Fabiano C. Campos Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Gás e Vapor Diagrama de Fase Gás Vapor • Gás: fluido elástico que não pode ser condensado apenas por aumento de pressão, pois requer ainda um abaixamento de temperatura. • Vapor: fase que pode coexistir em equilíbrio com a fase líquida. Pode ser condensado apenas por aumento de pressão ou abaixamento de temperatura. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 1 15/08/2011 Características dos Gases • • • • Os gases tendem a ocupar o volume total de seus recipientes. Apresentam alta compressibilidade e expansibilidade. Os gases sempre formam misturas homogêneas com outros gases. As forças intermoleculares dos gases são muito pouco intensas. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Teoria Cinética Molecular – O Gás Ideal • • • • • Teoria desenvolvida para explicar o comportamento dos gases em condições ideais. Suposições: – Os gases consistem de um grande número de moléculas em movimento aleatório constante. – O volume de moléculas individuais é desprezível comparado ao volume do recipiente. – As forças intermoleculares (forças entre moléculas de gases) são insignificantes de forma que podem ser desprezadas. – A energia pode ser transferida entre as moléculas, mas a energia cinética total é constante à temperatura constante. A teoria molecular cinética nos fornece um entendimento sobre a pressão e a temperaturas no nível molecular. A pressão de um gás resulta do número de colisões por unidade de tempo nas paredes do recipiente. A ordem de grandeza da pressão é dada pela freqüência e pela força da colisão das moléculas. As moléculas de gás têm uma energia cinética média, cada uma com energia diferente Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 2 15/08/2011 Variáveis de Estado dos Gases 1) Pressão (p) • p= A pressão é a força atuando em um objeto por unidade de área: F A 1 atm = 101325 Pa = 760 mm Hg Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 2) Volume (V) • O volume é a porção de espaço ocupada pela massa gasosa. No caso dos gases ideais é o próprio volume do recipiente. 1 L = 1000 mL = 1000 cm3. 1 m3 = 1000 L. 3) Temperatura Absoluta (T) • • Variável diretamente proporcional à energia cinética média das moléculas do sistema. Reflete o grau de agitação das moléculas do sistema. T(K) = t(°C) + 273,15 Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 3 15/08/2011 Transformações Gasosas 1) Lei de Boyle (Isotérmica) • Realizada à temperatura constante (T = cte). Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 2) Lei de Charles (Isobárica) • Realizada à pressão constante (p = cte). Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 4 15/08/2011 3) Lei de Gay Gay--Lussac (Isocórica ou Isovolumétrica) • Realizada a volume constante (V = cte). P = constante x T ou P = constante T Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 4) Lei Avogadro • • A hipótese de Avogadro: volumes iguais de gases à mesma temperatura e pressão conterão o mesmo número de moléculas. A lei de Avogadro: o volume de gás a uma dada temperatura e pressão é diretamente proporcional à quantidade de matéria do gás. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 5 15/08/2011 Equação de Estado dos Gases Ideais Considere as leis: • Lei de Boyle: • Lei de Charles: • Lei de Avogadro: Constante dos Gases Ideais Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 6 15/08/2011 Equação Geral dos Gases Ideais • Se PV = nRT e n e R são constantes, então podemos escrever: P1V1 P2V2 = T1 T2 • Esta equação vale somente para uma massa fixa de gases ideais. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Densidade dos Gases Ideais • • A densidade por definição relaciona massa e volume. Reajustando a equação ideal dos gases com M como massa molar, teremos: PV = nRT ⇒ n P nM PM = ⇒ =d = V RT V RT d= PM RT Em sistemas abertos: p é constante. Logo, para um mesmo gás, densidade e temperatura são inversamente proporcionais. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 7 15/08/2011 Misturas Gasosas • • Uma vez que as moléculas de gás estão tão separadas, podemos supor que elas comportam-se independentemente. A Lei de Dalton: em uma mistura gasosa, a pressão total é dada pela soma das pressões parciais de cada componente: Ptotal = P1 + P2 + P3 + ⋯ • Cada gás obedece à equação ideal dos gases: RT Pi = ni V (Pressão parcial) • Combinando-se as equações: RT Ptotal = (n1 + n2 + n3 + ⋯) V Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Exercício de Fixação Calcule a pressão total exercida por uma mistura de 8,4 g de eteno e 4,4 g de dióxido de carbono contidos em um recipiente de 5L a 50 0C. Determine ainda, as pressões parciais dos gases e a composição percentual em volume da mistura. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 8 15/08/2011 Efusão Gasosa • A efusão é a evasão de um gás através de um buraco pequeno. Após efusão Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Lei da Efusão de Graham • Considere a mesma quantidade de matéria de dois gases ideais A e B sob mesma temperatura: média média EcA = EcB ⇒ M Av A2 M B vB2 = ⇒ M Av A2 = M B vB2 2 2 Logo: vA = vB MB MA A velocidade de efusão de um gás ideal é inversamente proporcional à raiz quadrada de sua massa molar. Resumindo: gases mais pesados sofrem efusão mais lentamente. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 9 15/08/2011 Exercício de Fixação Um dos processos industriais mais utilizados no enriquecimento de urânio é a separação de seus dois isótopos na forma de hexafluoretos gasosos por meio de uma câmara de efusão. A relação entre as velocidades de efusão dos dois tipos de hexafloreto de urânio é 1,0043. Sabendo-se que um dos isótopos é o 238U92 e que o outro é o mais leve determine a massa atômica do outro isótopo de urânio . Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Difusão Gasosa • • • A difusão de um gás é a sua propagação pelo espaço devido a um gradiente de concentração. A difusão é mais rápida para as moléculas de gás leves. A difusão tem sua velocidade reduzida pelas colisões entre as moléculas de gás. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 10 15/08/2011 Distribuição de Maxwell Lei estatística de distribuição M P (v) = 4π 2π RT 3/2 v 2e − Mv 2 RT P(v) v + dv ∫ 2 P(v)dv v fração de moléculas cujas velocidades se encontram no intervalo entre v e v + dv Velocidade Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Livre Caminho Médio (λ (λ ) •A distância média de uma molécula de gás entre as colisões é denominado livre caminho médio r r d=2r v v r r v∆t λ= comprimento do caminho v∆t 1 ≈ = 2 número de colisões N 4π r v∆t N 4π r 2 Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 11 15/08/2011 Livre Caminho Médio (λ (λ ) Para considerar a correção para velocidade relativa, introduz o termo λ= • • • 2 : 1 1 = 2 4π Nr 2 2 π Nd 2 Quanto maior a concentração de moléculas no sistema e quanto maior o tamanho delas, menor é o livre caminho médio. No nível do mar, o livre caminho médio é aproximadamente 6 × 10-6 cm. Para um sistema contendo N moléculas esféricas de diâmetro d por unidade de volume, o livre caminho médio (λ) é dado pela equação: Desvios do Comportamento Ideal: Gases Reais • Fator de compressibilidade (Z): Z= • • • V V ideal ⇒ Z= pV RT Para gases ideais, Z = 1 independentemente da pressão. Para gases reais, Z varia significativamente com a pressão. Quanto maior a pressão, maior o desvio do comportamento ideal. Z Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 12 15/08/2011 • Quanto maior for a temperatura, menor será o desvio do comportamento ideal. Z Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Gases Reais ComportandoComportando-se Como Ideais • As suposições na teoria cinética molecular mostram onde o comportamento do gás ideal falha : – as moléculas de um gás têm volume finito; – as moléculas de um gás se atraem. Forças intermoleculares • Sob alta pressão, o volume finito dos gases não pode ser desprezado. Sob baixa temperatura, as moléculas têm maior chance de experimentar forças de London. Conclusão: Gases reais comportam-se mais aproximadamente ao modelo ideal em situações de BAIXA PRESSÃO E/OU ALTA TEMPERATURA. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 13 15/08/2011 Equação de van der Waals • Trata-se de uma proposta para modificar a equação dos gases ideais visando-se a obter uma equação que represente os resultados experimentais de forma mais exata. 1) Correção para o tamanho finito das moléculas • Introduz-se uma constante positiva b que seja comparável ao volume molar do líquido ou do sólido. V =b+ RT p ⇒ p= RT V −b • A constante b caracteriza o efeito do tamanho (forças repulsivas). • Calculando-se o fator de compressibilidade (Z) com a equação anterior, chega-se a: Z = 1+ Esse resultado explica somente os casos bp ⇒ Z varia linearmente com p ⇒ em que Z é sempre maior que a RT unidade. (Exemplo: H2) Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Equação de van der Waals Volume excluído devido ao tamanho molecular finito x Volume excluído por molécula N 4 3 2 = π x ⇒ π x3 N = b 2 3 3 Volume total excluído 14 15/08/2011 2) Correção para as forças atrativas intermoleculares • Em decorrência das forças atrativas, a pressão de um gás real é inferior a de um gás ideal. Desta forma, deve-se subtrair um termo na equação de estado. 1 2 V • Na proposta de van der Waals, esse termo é proporcional a p= RT a − 2 V −b V Correção para o tamanho finito das moléculas Correção para a atração molecular • Forma geral da equação de van der Waals: n2a p + (V − nb ) = nRT V2 Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Implicações da Equação de van der Waals • Calculando-se o fator de compressibilidade com a equação de van der Waals, chega-se a : Z= 1 a − 1 − b / V RTV • Esta equação pode ser desenvolvida numa série de potências: Z = 1+ 1 a b − RT RT a a 2b − p+ 3 ( RT ) RT 2 p + ... • A variação do fator de compressibilidade com a pressão, sob temperatura constante torna-se: ∂Z 1 a = b − RT ∂p T RT a a 2b − + 3 RT ( RT ) p + ... Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 15 15/08/2011 • Para o regime de baixíssimas pressões, a equação anterior pode ser escrita como: ∂Z 1 = ∂p T RT a b − RT • Esta derivada nada mais é que o coeficiente angular inicial da curva Z versus p. Logo: ∂Z a ⇒ >0⇒b > RT ∂p T Predominam os efeitos de tamanho comportamento do gás real (Z > 1). ∂Z a ⇒ <0⇒b< RT ∂p T Predominam os efeitos das interações atrativas no comportamento do gás real (Z < 1). Se Se ∂Z a a ⇒ TB = =0⇒b= RTB Rb ∂p T Se no T torna-se TB, a temperatura de Boyle, na qual um gás real comporta-se idealmente num ampla faixa de pressões. Prof. Alex Fabiano C. Campos ® Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 16 15/08/2011 Isotermas de Gases Reais Prof. Alex Fabiano C. Campos ® 17