23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
VIII-004 – GESTÃO EMPRESARIAL DE COOPERATIVISMO DE CRÉDITO EM
EMPRESA DE SANEAMENTO – CASO DA CECRES EM SÃO PAULO
Lázaro Miguel Rodrigues(1)
Administrador de Empresas, formado pela Faculdade de Administração de Votuporanga – SP, Gerente do
Departamento Administrativo e Financeiro da Unidade de Negócio Alto Paranapanema da Sabesp em
Itapetininga e atual Presidente da CECRES.
Luiz Eduardo de Paiva(2)
Administrador de Empresas, formado pela Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo – SP, Ex-Gerente
do Departamento de Produção da Diretoria de Produção da Sabesp, Ex-Vice Presidente da CECRESP – SP e
atual Superintendente da CECRES.
Endereço(1): Av. Padre Antonio Brunetti, nº 1234 – Vila Rio Branco – Itapetininga – SP – Cep: 18208-080 –
Brasil – (15) 3272-4320 – Fax: (15) 3272-4320 r. 290 – e-mail: [email protected]
RESUMO
Em um mundo capitalista como o que hoje vivemos, as linhas de créditos, financiamentos e quaisquer outras
movimentações que envolvam custos na captação do dinheiro, invariavelmente encontramos enormes
dificuldades e sobressaltos, indistintamente em qual nível sócio-econômico que a pessoa se encontra.
Facilitar este envolvimento com o ambiente econômico-financeiro e contribuir para que as pessoas tenham
linhas de créditos mais facilitadas a um custo menor, é sem dúvida o que todos esperam e almejam.
A CECRES contanto com aproximadamente 14.000 cooperados e possibilidades de crescimento, uma vez que
o Estatuto assim permite, sem dúvida alguma, em se tratando do segmento “Cooperativismo de Crédito” é
uma referência nacional.
PALAVRAS-CHAVE: Intercooperação, Gestão democrática e livre, Participação econômica dos membros,
Educação, Formação e informação, Interesse pela comunidade.
INTRODUÇÃO
Voltando no tempo, vamos encontrar em 1610, com a fundação das primeiras reduções jesuíticas no Brasil, o
início da construção de um estado cooperativo em bases integrais. Por mais de 150 anos, esse modelo deu
exemplo de sociedade solidária, fundamentada no trabalho coletivo, onde o bem-estar do indivíduo e da
família se sobrepunha ao interesse econômico da produção. A ação dos padres jesuítas se baseou na
persuasão, movida pelo amor cristão e no princípio do auxílio mútuo (mutirão), prática encontrada entre os
indígenas brasileiros e em quase todos os povos primitivos, desde os primeiros tempos da humanidade.
Em 21 de dezembro de 1844 no bairro de Rochdale, em Manchester ( Inglaterra), 27 tecelões e uma tecelã
fundaram a "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale" com o resultado da economia mensal de uma libra
de cada participante durante um ano. Tendo o homem como principal finalidade - e não o lucro, os tecelões de
Rochdale buscavam naquele momento uma alternativa econômica para atuarem no mercado, frente ao
capitalismo ganancioso que os submetiam a preços abusivos, exploração da jornada de trabalho de mulheres e
crianças (que trabalhavam até às 16h) e do desemprego crescente advindo da Revolução Industrial. Naquele
momento a constituição de uma pequena cooperativa de consumo no então chamado "Beco do Sapo" (Toad
Lane) estaria mudando os padrões econômicos da época e dando origem ao movimento cooperativista. Tal
iniciativa foi motivo de deboche por parte dos comerciantes, mas logo no primeiro ano de funcionamento o
capital da sociedade aumentou para 180 libras e mais tarde o "Armazém de Rochdale" já contava com 1.400
cooperantes. O sucesso dessa iniciativa passou a ser um exemplo para outros grupos. O cooperativismo
evoluiu e conquistou um espaço próprio, definido por uma nova forma de pensar o homem, o trabalho e o
desenvolvimento social. Por sua forma igualitária e social o cooperativismo é aceito por todos os governos e
reconhecido como fórmula democrática para a solução de problemas sócio-econômicos.
Porém, é em 1847 que situamos o início do movimento cooperativista no Brasil. Foi quando o médico francês
Jean Maurice Faivre, adepto das idéias reformadoras de Charles Fourier, fundou, com um grupo de europeus,
nos sertões do Paraná, a colônia Tereza Cristina, organizada em bases cooperativas. Essa organização, apesar
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de sua breve existência, contribuiu na memória coletiva como elemento formador do florescente
cooperativismo brasileiro.
Contudo, para aprofundar-nos no desenvolvimento histórico do cooperativismo no Brasil, é necessário fazê-lo
por ramos, ou seja, tipos de cooperativas, já que cada um teve a sua própria história, com dificuldades e
sucessos distintos, dependendo, quase sempre, das facilidades ou obstáculos oferecidos pelo Governo. Neste
trabalho mostraremos o caso da Cecres, uma Cooperativa de Crédito Mútuo com 20 anos de existência
considerada modelo para o incentivo da criação de novas Cooperativas.
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO
Os Bancos Populares começaram a surgir no país a partir de 1919, trazidas por influência da Igreja Católica.
Como registro principal deste modelo de Cooperativa, temos a fundação da Cooperativa Luzzatti, na cidade de
Franca, interior do Estado de São Paulo.
Este modelo de Cooperativa teve tanta receptividade, que o movimento expandiu-se rapidamente, chegando a
ser criadas cerca de 1.500 Cooperativas nos vinte anos seguintes.
No final dos anos 50 são trazidas para o Brasil as idéias de Desjardins, novamente por influência da Igreja
Católica e pelas mãos de Maria Tereza Rosália Teixeira Mendes, assistente social e funcionária do Ministério
da Agricultura, encarregada do registro de Cooperativas.
Em 1958, como parte deste projeto, foi constituída no Palácio São Joaquim, na cidade do Rio de Janeiro, a
primeira Cooperativa de Crédito Mútuo do Brasil, a Cooperativa de Crédito Mútuo dos Empregados da
Conferência dos Bispos do Brasil. No mesmo período, outras Cooperativas são criadas, sendo no dia
03/08/1960, com um número de 04 Cooperativas, criada a Federação Leste Meridional das Cooperativas de
Economia e Crédito Mútuo - Feleme, o primeiro órgão de representação do Cooperativismo de Crédito Mútuo
do País, com área de ação nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e
posteriormente Paraná.
A história do Cooperativismo em São Paulo, começa a ser contada no dia 14 de julho de 1961, na cidade de
Santo André, com a constituição da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados da Rhodia
Química - CREDIRHODIA, no dia 08 de junho de 1962, constituída a Cooperativa de Economia e Crédito
Mútuo dos Empregados da RHODIACETA, também na cidade de Santo André.
CECRES, SEMPRE A MELHOR OPÇÃO
A Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados e Servidores da Sabesp e em Empresas de
Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo – “CECRES”, foi constituída em 12 de junho de 1985. É uma
instituição financeira, sociedade de pessoas, de natureza civil, sem fins lucrativos e não sujeita a falência.
Rege-se pelo disposto nas Leis nºs. 5.764, de 16.12.1971, e 4.595, de 31.12.1964, nos atos normativos
baixados pelo Conselho Monetário Nacional, pelo Banco Central do Brasil e pelo estatuto.
A Cooperativa tem por objeto social o desenvolvimento de programas de poupança, de uso adequado do
crédito e de prestação de serviços, praticando todas as operações ativas, passivas e acessórias próprias de
Cooperativas de Crédito; proporcionar, através da mutualidade, assistência financeira aos associados em suas
atividades específicas, buscando apoiar e aprimorar a produção, a produtividade e a qualidade de vida, bem
assim a comercialização e industrialização dos bens produzidos; a formação educacional de seus associados,
no sentido de fomentar o Cooperativismo.
Uma empresa que surgiu há 20 anos, com pouco mais de 30 cooperados, com o objetivo de atender às
necessidades dos funcionários da Sabesp, oferecendo linhas de crédito com juros mais acessíveis e uma série
de benefícios.
As primeiras instalações da Cecres foram na Associação Sabesp, depois no primeiro andar do prédio da
Sabesp na rua Padre João Manoel, com 50m2. Em seguida, a Cooperativa passou a ocupar o sétimo andar do
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mesmo prédio, mas com uma área de 100m2. Em 1999, a Cecres mudou para um prédio comercial na Rua
Augusta, com cerca de 180m2.
Em outubro de 2001 foi inaugurada a tão esperada sede própria da Cecres, o 3º andar do Edifício
Investimento, no centro de São Paulo. E em 2002, inauguramos mais um andar, o 15º.
Atualmente possui cinco PACs (Posto Avançado Cecres) localizados nas cidades de Franca, Botucatu,
Itapetininga, Presidente Prudente e Lins.
EMPRESA E QUADRO SOCIAL
Atualmente a Cecres – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados e Servidores da Sabesp e
em Empresas de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo desempenha um trabalho muito importante e
competente, levando seus produtos e serviços a todos os seus associados para realizar sonhos e construir
futuros.
Hoje a Sabesp possui cerca de 17.000 (Dezessete Mil) funcionários, sendo que destes, quase 14.000 são
cooperados da Cecres. Após a abertura de seu estatuto em 2002, a Cecres busca novos cooperados através das
demais empresas de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo, tais como Cetesb, Saned, Sanasa entre
outras. A Cooperativa está em expansão contínua para atender todos os cooperados sempre com a mesma
agilidade e eficácia.
NECESSIDADES DO ASSOCIADO: PRODUTOS E SERVIÇOS
O objetivo da Cecres vai além da concessão de crédito a juros baixos e sem burocracia, também faz parte de
sua filosofia a orientação sobre qual a melhor forma de aplicar o dinheiro, despertar o hábito de poupar e
melhorar a qualidade de vida de seus associados, familiares e amigos. Por isso, a Cecres disponibiliza
inúmeras vantagens e benefícios para todos os cooperados.
Há dez anos com a mesma taxa de juros: 1,75% ao mês, sem indexadores;
Limite de Crédito de até 6 vezes o capital acumulado;
Pagamento em até 36 meses;
Assessoria Jurídica;
Capitalização com rendimento superior à poupança e a algumas aplicações financeiras;
Parcerias Estudantis com Universidades, Faculdades, Colégios, Cursos etc.;
Promoções de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos;
Kit Bebê;
Auxílio Doença;
Auxílio Funeral;
Palestras de Educação Orçamentária;
Cursos Artesanais.
LINHAS DE CRÉDITO
Empréstimo pessoal;
Refinanciamento;
Empréstimo Promocional;
Antecipação do Imposto de Renda;
Rapidinho.
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GRÁFICOS
Figura 1: Evolução da Carteira de Empréstimo Cecres – 2003/2004
35.000.000,00
30.000.000,00
25.000.000,00
20.000.000,00
15.000.000,00
10.000.000,00
5.000.000,00
0,00
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Empréstimo 2003 18.131.324,49 18.805.777,01 19.152.088,00 22.546.370,11 23.401.491,16 22.749.619,66 22.412.110,56 23.473.767,06 22.277.377,48 22.821.620,48 23.055.889,37 23.906.838,03
Empréstimo 2004 25.261.424,58 26.387.962,90 28.860.714,76 30.209.531,51 30.685.525,00 30.222.708,81 29.859.072,60 29.919.339,49 30.072.469,59 30.535.674,42 31.363.192,72 31.977.064,73
Figura 2: Evolução do Resultado Cecres
5.000.000,00
4.500.000,00
4.000.000,00
3.500.000,00
3.000.000,00
2.500.000,00
2.000.000,00
1.500.000,00
1.000.000,00
500.000,00
0,00
Resultado (R$)
2000
2001
2002
2003
2004
2.169.164,14
2.422.066,14
3.145.207,64
4.084.411,42
4.745.645,79
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Figura 3: Capitalização Cecres X Rentabilidade dos Fundos de Aplicação
13,08%
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
Poupança
BB DI Básico
BB DI Especial
BB DI Preferencial
CECRES
8,09%
8,73%
11,28%
11,53%
13,08%
Série1
Figura 4: Comparativo de Taxa de Juros de Crédito Pessoal para Pessoa Física
19,40%
20,00%
18,00%
16,00%
14,00%
11,59%
12,00%
9,64%
10,00%
8,00%
5,20%
6,00%
4,12%
3,68%
1,75%
4,00%
2,00%
0,00%
Crefisa
Fininvest
Finasa
Unibanco
Banespa
Nossa Caixa
CECRES
Fonte: Banco Central do Brasil - Abril/2005
SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE ISO 9001:2000
A ISO (International Standards Organization) – Organização Mundial para Normalização, com sede em
Genebra na Suíça, criou a certificação ISO, como a referência mais sólida de identificação das empresas que
priorizam a satisfação de seus clientes através da qualidade de seus produtos e serviços.
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Certificada desde 2001 no Sistema de Gestão da Qualidade NBR ISO 9001:2000, promovido pela SGS
System Certification, a Cecres garante a qualidade e a excelência na Prestação de Serviços de Gerenciamento
e Concessão de Crédito; além de comprovar o empenho de sua administração que utiliza uma estrutura
especialmente desenvolvida para a busca contínua da satisfação de seus cooperados, cujo resultado não seria
possível sem o empenho e dedicação de cada um de seus funcionários.
Figura 5: Logo de Credenciamento
Figura 6: Marca de Certificação
CONCLUSÕES
Ao analisarmos o desempenho e os resultados expressivos da CECRES ao longo de sua existência, a
conclusão que se obtém, é sem dúvida alguma, a mais satisfatória.
O capital evolutivo verificado nos últimos anos, o aumento significativo do n° de cooperados, a gama de
produtos hoje oferecidos, os resultados (sobras) obtidos de maneira crescente, a baixa inadimplência
atualmente verificada, fazem da CECRES uma cooperativa de crédito referencial.
Hoje, podemos dizer com muito orgulho e muito trabalho, que a Cecres é sem dúvida uma das mais completas
Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo, no que diz respeito a qualidade e seriedade em sua prestação
de serviços, bem como dos cooperados que colaboram conosco, porque desde seu início, sempre teve em
mente a preocupação com o bem-estar de todos.
Por isso, solidariedade, trabalho e dedicação são alguns pontos que fazem da Cecres uma instituição sólida,
apoiada nos princípios cooperativistas e sempre a melhor opção!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
2.
3.
www.ocb.org.br
www.portaldocooperativismo.org.br
www.cecres.com.br
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Gestão empresarial de cooperativismo de crédito em