SEMINÁRIO DE ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS – APL’s - Gerando
desenvolvimento em cada canto do Espírito Santo
Vitória, 13 de maio de 2009, FINDES.
SÍNTESE DO SEMINÁRIO
Palestra: APL como Instrumento de Interiorização do Desenvolvimento
Palestrante: Marco Crocco
O tema é extremamente importante especialmente para aqueles que trabalham com APL
regional e desenvolvimento, preocupados com o combate as disparidades regionais.
Como a platéia é composta por gestores envolvidos na elaboração e na implementação de
políticas públicas e na condução dos instrumentos voltados para os arranjos produtivos locais
(APL), a palestra não enfatiza a visão acadêmica do assunto, traz uma visão provocativa, um
olhar de fora. Geralmente as pessoas que estão diretamente envolvidas na condução e na
elaboração de políticas para arranjo produtivo têm dificuldade de olhar de fora e ver como as
coisas estão evoluindo. O tema arranjos produtivos locais, como o nome ficou conhecido no
Brasil, gerou uma grande discussão, que se estende por dez anos no país. Devido a esse longo
período de discussão faz-se necessário um resgate da história desse conceito, determinando
como ele vem sendo utilizado e como poderia estar sendo utilizado. O objetivo é entender
como esse conceito foi evoluindo e sendo instrumentalizado, e a partir daí, entender os limites
de sua potencialidade.
A discussão de arranjo produtivo local, onde há aglomerações industriais especializadas e
concentradas num determinado espaço, tem origem e é difundida através de três trabalhos
clássicos: SCOTT (1980)1, PIORE & SABEL (1984)2 e seis anos depois MICHAEL PORTER
(1990)3, The Competitive Advantage of Nations. Esses três trabalhos são praticamente seminais
na discussão de arranjos produtivos locais, ou clusters como foram chamados anteriormente.
1
Scott (1980) New Industrial Spaces: flexible production organization and regional development in North America
and Western Europe. Descrições de casos de desenvolvimento de regiões bem sucedidos.
2
Piore & Sabel (1984) Second Industrial Divide. Descrições de casos de desenvolvimento de regiões bem sucedidas.
3
Michael Porter (1990) The Competitive Advantage of Nations. Possui um aspecto normativo.
Ocorre a transposição direta de analises de casos de desenvolvimentos naturais, para uma postura normativa. Há
suposição de que o desenvolvimento natural de clusters em espaços geográficos específicos poderia ser replicado na
forma de políticas planejadas de desenvolvimento de áreas menos favorecidas.
Dentro desta perspectiva também está à suposição de que os vários fatores não tangíveis que foram determinantes
para a explicação dos sucessos das áreas pioneiras podem ser induzidos.
Os dois primeiros trabalhos eram descrições de casos de regiões bem sucedidas, são meras
discussões da Terceira Itália e do Vale do Silício. Essas experiências têm como características a
forma de organização da produção. Essa forma consiste em pequenas empresas especializadas
e do mesmo setor, localizadas em uma mesma região, que conseguirem por meio de
experiências de cooperação e de compartilhamento de risco, mesmo em um mundo
extremamente competitivo, simular e disputar com grandes empresas foram trabalhos de
descrições de caso.
O terceiro trabalho, cujo autor é Michael Porter, se diferencia por não ser um trabalho de
descrição de caso. Por esse motivo pode-se dizer que há uma perspectiva mais normativa.
Porter diz que a organização da produção deve ser feita de determinada forma, possibilitando a
transposição direta de análises de casos. Dessa forma temos não uma descrição, mas uma
norma. Isso possibilitou a transposição direta de análises de casos de desenvolvimentos
naturais para uma postura normativa. Por trás do conceito de Porter estava a suposição de que
o desenvolvimento natural de APL’s em espaços geográficos específicos poderia ser replicado
na forma de políticas planejadas de desenvolvimento de áreas menos favorecidas. Essa é a
importância do trabalho de Porter, ele analisa uma experiência e transforma isso num modelo a
ser implementado. A suposição de que vários fatores não tangíveis como cooperação e
confiança, poderiam ser induzidos e que foram esses fatores determinantes para explicar o
sucesso da Terceira Itália, do Vale do Silício e de outras experiências é de extrema relevância.
Esses fatores não são mensuráveis, mas especificamente podem ser induzidos.
Dessas três abordagens, a de Porter tornou-se a mais difundida. Transformou-se em parâmetro
de avaliação ou instrumento de aplicação de arranjos produtivos locais. São três os motivos que
tornaram sua abordagem a mais difundida. O primeiro motivo consiste na discussão de arranjo
produtivo local de forma específica, parte do conceito de produção e chega ao de
competitividade e inserção internacional. Para os policies makers e para os gestores públicos
isso é favorável. Porter transforma aquele instrumento e liga aquela experiência na discussão
de se tornar competitivo e ter inserção internacional. Isso se firmou como um elemento
fundamental para aqueles que são responsáveis pela elaboração de políticas, porque lhes
oferece um instrumento.
Para iniciar a discussão a respeito do segundo motivo, é necessário saber que a literatura de
hoje reconhece o conceito de APL. As pessoas que trabalham ou trabalhavam com APL sabem
que esse é um conceito extremamente vago. Para exemplificar tal fato cita-se uma publicação
de MARTIN (2004)4 que lista dez definições distintas de APL. Na literatura internacional, o
termo APL é denominado cluster. No Brasil, a literatura possui as seguintes definições: arranjo
produtivo local, sistema produtivo local, sistemas industriais descentralizados e clusters.
A literatura, no seu início, usa de várias definições. Ainda hoje existem teses de mestrado e de
doutorado que trabalharam conceito e acharam classificações distintas. Na verdade, o tema
arranjo produtivo local que surge foi muito difundido em função do trabalho que a REDESIST5
realizou. Por ser extremamente vago o conceito, permitiu que seu uso fosse feito de forma
indiscriminada. O termo APL, poderia se aplicar para qualquer setor onde se observava uma
aglomeração. Utilizar termos como: APL, APL imaturo, sistema desenvolvido, não desenvolvido;
permitiu o uso de uma forma para definir as aglomerações e isso facilitou a sua difusão.
E o terceiro motivo é que tudo isso ocorre num momento em que o estado keynesiano clássico,
estava passando por uma crise. O Estado interventor da economia a dirige por meio de uma
forte inserção ou por meio das suas próprias empresas atuando no setor produtivo. Esse
modelo de gestão pública estava passando por uma crise. O momento atual é de políticas top-
down (de cima para baixo), por meio dessas o desenvolvimento regional seria feito por pólos de
encadeamento os chamados a la Perroux. Ao introduzir uma grande fábrica no meio do
Nordeste, por exemplo, o desenvolvimento se realizaria e sem a consulta se a cidade precisava
ou não disso, não se analisava de forma direta a cidade e quais seriam os encadeamentos
resultantes dessa política.
Ocorre então uma substituição. Essa política está em crise e por isso tem-se uma mudança para
a política botton-up. Nessa concepção de arranjo produtivo local, se dá ênfase da região. Essa
substituição de políticas ocorre no momento em que essa experiência, que tem ênfase no setor,
na especialização regional e na mobilização do potencial local, apresenta a combinação de três
fatores. O primeiro deles é o instrumento de política que Porter conseguiu operacionalizar,
contudo, o conceito de APL é complicado, vago e posteriormente será demonstrado como é
pouco definido. Aqueles que trabalham com APL sabem como é difícil determiná-lo, onde ele
começa e onde ele termina, qual setor entra e qual setor não entra, se ele termina aqui ou se
vai até a cidade seguinte. Soma-se a isso a crise do Estado. Tudo isso permitiu a propagação
desse instrumento de organização industrial e a sua difusão enquanto instrumento de política.
4
Conceito extremamente vago (Martin 2004, Perry 1999, Steiner 1998).
Uma rede de pesquisa interdisciplinar, formalizada desde 1997, sediada no Instituto de Economia da Universidade
Federal do Rio de Janeiro e que conta com a participação de várias universidades e institutos de pesquisa no Brasil,
além de manter parcerias com outras instituições da América Latina, Europa e Ásia.
5
Os benefícios trazidos pelo debate sobre APL permitiu uma discussão sobre os prós e contras
da difusão do conceito e tentou chegar numa reflexão um pouco mais crítica. O maior benefício
é ter possibilitado o surgimento de um instrumento de mobilização local, independente do
nome dado e de qual conceito se utilize. Foi possível ainda instrumentalizar os agentes locais
como um mecanismo, como um objeto. Possibilitou um discurso em que os interesses coletivos
seriam colocados em primeiro lugar. Não é mais a competitividade da empresa que importa,
mas sim a competitividade da região. No arranjo produtivo local encontramos o binômio
competição e cooperação, apesar disso não é mais sua discussão que importa, mas sim a que
gira em torno das empresas que competem por pertencerem a um mesmo setor e que por isso
cooperam entre si.
O agente possibilita colocar interesses coletivos, dar materialidade a valores intangíveis, tais
como cooperação e identidade cultural. Existe a possibilidade de se instrumentalizar isso com
um objetivo. Se um indivíduo produz e vende sapatos, por exemplo, porque um outro
empresário da mesma atividade iria cooperar com ele? Mas isso ocorre para se incorporar
valores culturais, para partilhar experiências, tudo isso está na concepção de arranjo produtivo
local. A sociedade é detentora desse instrumento, o maior benefício da discussão a respeito da
experiência de arranjos produtivos locais é a sua instrumentalização, é a possibilidade de
mobilização.
O segundo benefício se tornou uma das possíveis formas de transmissão de conhecimento e
tecnologia. Numa sociedade baseada na era do conhecimento, como a de hoje, isso é de
grande importância. A incorporação dessa informação é sempre importante, seja para gerar
inovação, seja para agregar valor. Não se agrega valor reduzindo apenas custos, agrega-se
valor ao produto introduzindo conhecimento. Na sociedade atual, essa forma de organização e
difusão facilitou muito a transmissão de informações por diversos mecanismos.
O APL facilita a transmissão do conhecimento tácito, aquele que não pode ser formalizado. Um
agente pertence a uma cidade que produz calçados, por exemplo, e outro agente de outra
cidade também produz calçados. Eles, então, compartilham da mesma experiência; pertencem,
as vezes a uma mesma associação ou até a um mesmo clube. Isto permite uma troca de
práticas e de conhecimento tácito. Esse permite a transmissão e a geração de práticas e de
tecnologia; o compartilhamento de custos e riscos no desenvolvimento de tecnologia, isso é de
extrema importância o APL permite a absorção de externalidades de conhecimento devido à
proximidade. Por exemplo: um agente faz uma experiência em um local, e outro agente que se
encontra no mesmo local recebe esse conhecimento que ou transborda para ele de alguma
forma, ou é passado por meio do contato entre eles. Então essa difusão influi de forma
importante.
O terceiro benefício possibilitou o surgimento de instâncias de planejamento nas quais distintas
escalas podem ser consideradas. Ou seja, o diálogo entre o local, o regional e o nacional. Em
determinadas aglomerações, o diálogo é global ou local. Isso forçou uma forma de
planejamento não necessariamente generalizada. Abre-se a possibilidade do local passar a ter
importância e ser um elemento central no processo de elaboração de políticas. A concepção de
planejamento permite que distintas escalas sejam consideradas, como o local, o regional e o
nacional.
Essa discussão de APL possibilitou tal consideração na qual não é generalizada. Tem formas e
intensidades distintas. Em alguns locais, o planejamento ficou apenas no local e outros
continuam apenas no nacional. Ou seja, o APL sendo top-down inteiramente ou botton-up
inteiramente. Há alguns locais que tentam fazer essa intermediação. Para uma visão crítica,
analisemos alguns problemas.
O primeiro problema é a imprecisão do conceito que permite que o mesmo seja utilizado para
diversas perspectivas, às vezes contraditórias. APL virou um mero instrumento de política, seja
industrial, de inovação, de combate à desigualdade regional, de comércio exterior e de inserção
internacional. Tais conceitos foram tirados do “Termo de Referência para a Política de Apoio ao
Desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais” do GTP. Um grupo de trabalho permanente,
coordenado pelo ministério.
Consta no Termo de Referência quais os objetivos do plano, são eles: o desenvolvimento
econômico, a redução das desigualdades sociais e regionais, a inovação tecnológica, a
expansão e a modernização da base produtiva, o crescimento do nível de renda e emprego, a
redução da taxa de mortalidade de micro e pequenas empresas, o aumento da escolaridade e
capacitação, o aumento da produtividade e competitividade, o aumento das exportações. Tudo
por um único instrumento. Nesta abordagem só não há o combate a inflação.
Esses são os problemas que a teoria econômica propõe ao conceito de APL para que sejam
resolvidos. O conceito de APL resolveu o problema que a teoria econômica vem tentando
resolver desde que Smith escreveu A Riqueza das Nações, o problema do conceito vago. Não
necessariamente uma política de inovação tecnológica, vai ser coincidente com a política de
redução das desigualdades regionais. Tecnologia não é necessariamente bem distribuída no
espaço, mas pode tornar-se bem distribuída. Sabe-se muito bem que a estrutura de ciência e
tecnologia no Brasil é concentrada. Então se não se utiliza o APL como instrumento de
inovação, parte-se de um principio de restrição espacial.
A estrutura da ciência e tecnologia é concentrada em centros urbanos. A proximidade é
importante para a difusão da tecnologia. Como ela pode ser feita num APL que está no interior
do Estado se em três horas eu posso estar em qualquer lugar no Estado? Em Minas Gerais as
cidades se distanciam de 800 km, neste Estado. Isso é importante para entender o problema do
conceito vago, o termo foi usado de forma generalizada e às vezes, para políticas
contraditórias. O APL pode ser usado para o desenvolvimento regional, para a inovação e pode
ser usado ainda para o aumento das exportações, mas não necessariamente todo APL vai
conter essas características. Existe APL que irá resultar numa coisa e APL que irá resultar numa
outra coisa.
O conceito vago faz com que não exista um método de identificação e mapeamento de APL’s
que seja amplamente aceito, seja pelos estudiosos, seja pelos policies makers. Há ausência de
fronteira bem definidas, tanto do ponto de vista geográfico, quanto industrial. Em qual nível de
agregação industrial um APL deve ser definido, e quais atividades industriais associadas devem
ser incluídas? Se alguém se propõe a estudar calçados, até onde o APL deve descer para ser
considerado APL, qual o nível de fornecedor pode-se considerar como membro do APL ou qual
nível de atividade que deve-se tentar trazer para aquele APL. O modo como se faz a
desagregação não é consenso. Qual deve ser a intensidade das relações entre as firmas dentro
do APL? APL requer cooperação? Como mede-se e em que nível será a intensidade que essa
cooperação deve ter. Como mensurar, qual a escala espacial, como definir, é cidade, é bairro, é
microrregião, quantas cidades?
No site do CEDEPLAR6 está disponível uma metodologia da identificação. Mas chegará um
momento em que se terá que tomar uma decisão e não se chegará num acordo. Um conceito
vago faz com que as políticas se tornem pouco associadas ao referido conceito. O texto do
MARTIN (2004)7 lista quatro ações de instrumentos que praticamente todo APL possui: criação
de redes de cooperação e encorajamento de diálogo entre atores (firmas, agências, governo),
marketing coletivo, provimento de serviços especializados às firmas locais e identificação das
fraquezas existentes. Essas ações se mantêm ainda que o termo APL seja retirado, elas não
precisam do termo APL para se sustentarem. O SEBRAE já fazia identificação de fraquezas;
sempre trabalhou nesse sentido. Vários órgãos estaduais fazem isso para o desenvolvimento de
6
Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG. O CEDEPLAR abriga os programas de pósgraduação (mestrado e doutorado) da UFMG em Demografia e em Economia e desenvolve um amplo programa de
pesquisas nestas áreas.
7
Martin (2004)
setores especializados. Mede-se a abordagem de APL, o quanto ela é necessária para a
implementação de políticas e em que medida aumenta sua eficácia ou não.
Por exemplo, o marketing coletivo já existia na política sem se falar de APL. Quando se fala do
vinho de Bordeaux, por exemplo, já existia um marketing coletivo há muito tempo. Outro
problema e outra restrição é a capacidade de uma região autônoma de enfrentar um mundo
globalizado, esse é um problema que hoje se tornou uma questão central. Com ênfase no local,
surgiu a discussão de que desenvolvimento é algo local, mas em que medida e em qual
potencial as políticas botton-up tem de combater forças como as que marcaram a década de
1980 e 1990 e que tiveram a centralização do sistema financeiro e a integração produtiva.
O APL tem extrema dificuldade em controlar forças que podem afetar diretamente as ações
locais e que possuem uma dimensão trans-territorial, tais como: regras de comércio e padrões
de funcionamento do sistema bancário. O APL, hoje, possui um papel frente à crise. Existe uma
necessidade de reconhecimento cada vez maior da importância de fatores extra APL´s para o
desenvolvimento deste APL. Não se pode cair na falácia do botton-up descrito, do mesmo jeito
que era o top-down descrito, e achar que só porque hoje se está num local coordenando
esforços e identificando as potencialidades se pode enfrentar um mundo globalizado.
Se existe um APL e normalmente os focos de políticas estão dentro dele próprio, é importante
ressaltar que hoje existe uma série de fatores extra APL que tem influência sobre o seu
desenvolvimento e devem necessariamente ser fonte de política. Essa deve dialogar com a
política tributária e com a política macroeconômica. Não se deve ajudar na balança comercial
com uma taxa de câmbio flutuante se o objetivo é um APL de inserção internacional, isso
porque, fica-se sujeito a forte desvalorização. Por exemplo, se o câmbio flutua e permite
valores como os que se tinha recentemente à exportação de calçados, roupas, produtos mais
tradicionais e as commodities ficam diretamente afetadas, se faz necessária, então, uma
organização.
Estabelecer esse diálogo não significa limitar o APL ou diminuir a importância dele, mas
entender que a política de desenvolvimento do APL passa por um diálogo constante com
políticas fora dele. Existe um pouco a visão idealista do local, de como aquela comunidade vai
se organizar e gerar o desenvolvimento daquela região. Na verdade, os atores locais também
têm diferenças entre eles. Não é por que alguém nasce em Ubá, que não há diferença entre ele
e seu vizinho. Não se pode ter uma visão diferenciada para do que é importante para o
desenvolvimento de uma cidade. Existe uma visão idealista. O que se tenta é superar
diferenças locais através de um plano de desenvolvimento para a região.
O planejamento estratégico é um elemento de convênio com a sociedade. A partir daí se
estrutura a governança que vai dirigir aquele APL por meio desse planejamento. Ele é um
instrumento de gestão administrativa que substitui a construção cultural e sociológica daqueles
casos, esse é o problema da transposição. Como exemplo, temos a Terceira Itália. É uma
história que vem antes da Primeira Guerra Mundial, de produtores artesanais que enfrentaram
o fascismo da Segunda Guerra Mundial. Apresenta toda uma trajetória de construção de laços
que permitiu que tivessem cooperação e entendimento entre eles, fatores importantes para o
desenvolvimento do APL. Hoje quando se tenta construir ou induzir o APL, essa forma de
organização é feita por meio de um elemento de gestão, o planejamento estratégico, e aqui
isso representa o maior risco que o desenvolvimento do APL possui, o risco da captura.
O fato de alguém elaborar um plano de desenvolvimento, um plano estratégico, e de estar
dialogando com o local, não impede e nem elimina os riscos desse desenvolvimento ser
capturado por outros grupos de interesse da região. Esse risco existe porque faz parte da
sociedade e não deve ser encarado como um problema e nem, tampouco, como juízo de valor,
pois é um risco real. Essa captura pode ser positiva e negativa. A construção da governança
local, por isso, é considerada uma visão idealista do local. A região também é conflituosa e
necessariamente isso pode atrapalhar ações de cooperação que são fundamentais para o
desenvolvimento. Existe também a idéia de que o empoderamento e o desenvolvimento local
são uma relação direta, se alguém possuir poder tem-se desenvolvimento.
Na verdade, isso não é uma relação direta, dar poder é importante, mas isso não significa
desenvolvimento econômico. O mais importante seria o ponto de vista do planejador ou dos
gestores de políticas públicas. Pouco se sabe sobre impactos do APL no seu entorno. Quais são
os efeitos sobre as áreas não abrangidas pelos APL´s? O que fazer com essas áreas em que
não existem APL’s. As disputas entre APL’s provocam conseqüências e essas constituem um
problema que acompanha os novecentos APL´s registrados no MDIC. Isso porque todos
deveriam ter um APL em sua região. Se eles não existissem no Brasil, não se conseguiria ter
política. Uma quantidade de recursos está sendo aportadas para esse instrumento. Se não
existir numa cidade um APL, não se terá acesso a esse recurso.
A política generalizou dessa forma, e quem não conseguiu? Citando um exemplo de Minas,
Nova Serrana é um APL conhecido de calçados que tem à sua disposição recursos. Três cidades
vizinhas a Nova Serrana não possuem APL, como proceder com estas cidades, então? Nova
Serrana está disputando recursos com Divinópolis e Ubá. Isso demonstra a necessidade de um
planejamento que vai além do APL. Apresenta o limite desta política enquanto instrumento de
desenvolvimento, porque ela vai cuidar de um local enquanto outros também merecem
atenção.
Depois de toda essa reflexão chega-se ao tema da palestra, “O APL como instrumento de
interiorização do desenvolvimento”. Desde que entendido prioritariamente como instrumento de
política regional, o APL pode ser considerado instrumento de interiorização do desenvolvimento,
mas antes de ser visto como um instrumento de política regional é necessário definir os
instrumentos, objetivos, metas e principalmente critérios de avaliação condicionados claramente
pela perspectiva regional. Se o que se deseja é interiorizar o desenvolvimento, deve-se levar
em consideração as variáveis que serão utilizadas e as metas que se tem em vista. Não são
necessariamente metas de exportação, o que não significa que não se vai buscar esse objetivo.
Se o que se quer é interiorizar o desenvolvimento, os instrumentos e os critérios que devem ser
avaliados não necessariamente precisarão que se introduza metas de inovação.
Com o tema “O APL como instrumento de interiorização do desenvolvimento” temos o objetivo
definido. Falta, então, determinar uma configuração específica para esse APL. Se vai interiorizar
o desenvolvimento, deve possuir um impacto claramente regional. Se o objetivo fosse o APL
como instrumento de inovação, deveriam ser definidos instrumentos, objetivos e metas
distintas se for o caso outro APL deveria ser escolhido para se discutir o assunto. No caso
especifico, enquanto instrumento de política regional, o APL tem que ser entendido como
instrumento de geração de renda e de objetivo emprego, por que do ponto de vista das
diferenças regionais isso é o mais importante.
Uma experiência que vale a pena ser citada é o APL de Nova Serrana, visitado pelo palestrante
em 2001. Essa cidade está localizada perto de Belo Horizonte. É considerada a capital nacional
do tênis por possuir a maior concentração de fábricas de tênis. Esse APL se desenvolve numa
cidade de boiada, de parada de vaqueiros. Em função disso desenvolveu-se habilidades para
concertar couro, arreio e materiais de couro que eram utilizados pelos vaqueiros. Inicialmente
se tem o desenvolvimento de uma indústria de couro para calçados. Em 1970, Chiquinho
Cheiroso vai para Nova Serrana, e monta uma grande fábrica de falsificação de tênis. Lá eram
feitas falsificações de Rebook, Adidas e várias outras marcas.
Chiquinho Cheiroso é preso e muitas pessoas especializadas em produzir tênis ficam sem ter
onde produzir. Uma fábrica de caçados possui uma barreira tecnológica e de entrada muito
pequena, com dez mil reais é possível montar uma fábrica de calçados. As pessoas que antes
trabalhavam com Chiquinho Cheiroso começaram a montar suas próprias fábricas de tênis e
hoje no local existem muitas delas, não se produz mais artigos falsificados. Esse era o APL de
Nova Serrana da última vez que foi visitado. A principal forma de comercialização desse calçado
era por meio do marreteiro, indivíduo que comprava vários pares do calçado nas fábricas e com
veículo próprio fazia as vendas principalmente no interior de Minas e sertão da Bahia. O público
alvo era geralmente as classes C, D e E.
Em Nova Serrana, havia em torno de trezentas empresas. A contagem feita pela Cemig8
aponta para cerca de oitocentas empresas. Não havia exportação nesse APL, o departamento
de P&D dele consistia num único indivíduo cujos recursos eram revistas italianas de onde ele
retirava a moldura dos tênis, não usava nem o CAD/CAM, nem computador para fazer o
desenho e definir o corte do produto. Todas essas características são condenáveis num APL.
Esse APL era pouco desenvolvido, não exportava e não tinha introdução de tecnologia. No
entanto, todos da região estavam empregados; jovens empreendedores abriam lojas. Alguns
saiam da empresa, juntavam dinheiro e montavam sua própria fábrica de tênis.
Do ponto de vista do desenvolvimento regional esse caso era um sucesso absoluto, se forem
levados em consideração os indicadores, por exemplo, o IDH da cidade em 2000 e do censo
anterior. Nova Serrana, comparada com cidades do mesmo tamanho, encontrava-se na
septuagésima posição. Já entre 1990 e 2000, ela se encontrava no vigésimo sexto lugar no IDH
entre as cidades de mesmo tamanho. Por isso é que se considera a geração de renda muito
importante. Do ponto de vista do APL enquanto instrumento de desenvolvimento regional podese considerar este APL um grande instrumento, mesmo que ainda não esteja desenvolvido. A
partir daí foram feitas várias políticas específicas para a região, políticas de exportação e
definição de marcas. Se o resultado do APL de Nova Serrana for julgado por outros critérios que
não o desenvolvimento regional, talvez não seja o mesmo sucesso. Poucas empresas estão
exportando, em média 20. Contudo, não se pode dizer que o APL não deu certo porque ele não
está exportando.
Deve-se adequar instrumentos do ponto de vista regional. Se o que se quer é interiorizar o APL,
o instrumento deve gerar renda. O sucesso é avaliado pelo número de empregos, quem está
empregado, quem não está empregado, se está gerando renda se não está gerando renda. O
APL enquanto instrumento para interiorização do desenvolvimento é fundamental para uma
discussão de desenvolvimento regional que consiste na construção de novas centralidades. A
Secretaria de Planejamento do Estado está desenvolvendo um projeto com os gestores do
Plano 2025 Estratégico – Espírito Santo. Lá está prevista a interiorização para que o
desenvolvimento aconteça.
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Companhia Energética de Minas Gerais - A Cemig atua nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica e soluções energéticas.
Para interiorizar o Estado, é necessário construir novas centralidades. Esse processo consiste
em criar novas cidades pólo que apresentem oferta de serviços e sejam capazes de trazer ou
induzir o desenvolvimento daquela região. O APL pode ser um elemento fundamental para o
adensamento dessa região. Ele deve ser avaliado como um instrumento adicional dessa política
de condicionantes de novas centralidades. Por fim o APL pode ser instrumento fundamental
também do ponto de vista da interiorização, de desfragmentação do espaço. O território
brasileiro é extremamente fragmentado. Muito próximo de uma cidade considerada
desenvolvida fica uma cidade muito menos desenvolvida. O espaço fragmentado traz
implicações fundamentais do ponto de vista da política, das externalidades que podem existir e
que a maioria das pessoas discutiam no APL.
O APL é importante para se desfragmentar esse espaço, não necessariamente construindo
novas centralidades, mas fazendo com que esse espaço não seja tão grande, isso é
fundamental para explicar o sucesso do APL. Por exemplo, o APL de calçados de Novo
Hamburgo, que é um sucesso absoluto, vende calçados para Porto Alegre. À proporção que se
vai andando aumenta-se a distância. Se o espaço é fragmentado o custo de transporte
aumenta sem necessariamente ampliar a demanda. Se a pretensão é vender a trezentos km de
onde se produziu, e se esse local estiver no interior. No entanto, nos vários pontos onde se tem
rede de cidade os custos de transporte serão maiores, haverá renda e aglomeração, e mesmo
que tenha o custo de transporte significativo, em contrapartida novos mercados poderão ser
conquistados.
A estrutura brasileira possui grandes pólos urbanos e um entorno muito desigual. Um produto
circula num determinado espaço, mas não vende, é necessário que circule muito para voltar a
vender, essa situação provoca problemas porque fica difícil para se aumentar a escala de
produção e para se obter ganhos de escala, para finalizar, APL é um dentre os vários
instrumentos de desenvolvimento, sua eficácia depende fortemente de sua interação com
outras políticas e sua função não deve ser homogênea.
É essa a proposta da palestra, ser provocativa. Se fossem abordadas apenas às vantagens do
APL não se estaria contribuindo. Ser a favor do APL não é apenas julgar com os olhos de
entusiasmo, mas com olhos críticos senão não se consegue julgar sua função efetiva.
2ª Mesa – Experiências Institucionais, Políticas de Arranjos Produtivos no Brasil e
Resultados Alcançados
1ª palestra – Marcos Otávio
Trabalhar a política de APL não é panacéia para todos os problemas da sociedade brasileira e
desafios para o desenvolvimento do país. O APL tem como foco agregar as pequenas e médias
empresas. É muito mais sensato do ponto de vista da política pública e do ponto de vista das
instituições que atuam nessa interface com pequenas e médias empresas atuar sobre o
agregado do que atuar sobre a individualidade, essa é a questão chave do processo. Trabalhar
com empresas que possuem uma convergência em termos de atuação em torno de uma
mesma cadeia e de uma mesma base territorial é o grande atrativo de se estabelecer políticas
públicas por meio do APL.
Não é conseguir, porém, todas as soluções de problemas simultaneamente, seja a questão de
aumento da exportação, a questão da inovação, a do desenvolvimento econômico, a da
redução das desigualdades sociais e regionais e a do crescimento do nível de emprego e de
renda. Não são todos esses objetivos ao mesmo tempo. Cada APL tem um perfil, e em algum
deles a questão de maior ênfase pode ser a inovação; em outro a relação de emprego e renda
pode ser a mais importante; para outro, ainda, a exportação, isso depende muito do interesse
de cada arranjo.
A política voltada para os APL’s começou a ser organizada a partir de 2004 após a constituição
do Grupo de Trabalho Permanente de Arranjos Produtivos Locais – GTP / APL’s. A criação deste
grupo foi importante porque a partir dele foi possível criar uma sinergia e uma coordenação das
ações em nível do governo federal, que, até então, não era possível; pois cada instituição
atuava isoladamente.
O grupo conseguiu reunir trinta e três instituições governamentais que passaram a contemplar
nas suas políticas e nas suas diretrizes de aplicação de recursos essa temática do APL. Isso por
si só, já é um avanço muito grande. As entidades são de extrema importância, possui mais de
dez ministérios e uma série de entidades de fomento e de representação do setor industrial e
sistema financeiro. Alguns exemplos são a Caixa Econômica e o BNDES. Este chegou a criar
uma secretária executiva para os APL’s ligada à presidência do banco. Hoje, o BNDES tem a
questão do APL em seu plano estratégico, formulando políticas de apoio ao desenvolvimento
regional com foco em APL. Antes desse trabalho o BNDES não tinha nenhum tipo de ação
estruturada voltada para APL.
Está presente entre os trabalhos desenvolvidos pelo GTP, o esforço de identificar os APL’s que
existem no país, para se ter uma idéia de que universo se trata. Foi feito um termo de
referência com os aspectos conceituais e metodológicos referentes ao tema. A questão
conceitual é polêmica, mas existem conceituações que estão dadas no próprio termo de
referência. O aspecto metodológico é questão de organizar e sistematizar o processo de
interação dos formuladores de política e entidades públicas com o setor privado através da
criação de Planos de Desenvolvimento de APL’s. Para orientar como deve ser elaborado este
plano existe o Termo de Referência.
Há um grupo de trabalho, portanto, que se reúne e tem a partir do plano de desenvolvimento
as ações que precisam ser implementadas. Cada entidade vai promovendo as suas iniciativas de
forma convergente com aquilo que está colocado como prioridade por meio dos Planos de
Desenvolvimento Preliminar PDP’s apresentados pelos estados, a partir das associações
setoriais de cada APL.
O conceito de APL que está no termo de referência é este: “ter um número significativo de
empreendimentos no território de indivíduos que atuam em uma atividade produtiva
predominante, e o objetivo é compartilhar formas percebidas de cooperação e algum
mecanismo de governança, são as características para o APL. Existência de canais, pessoas
físicas e organizações capazes de liderar e organizar atores em pró de objetivos comum”. Isso é
importante pela seguinte razão: as pequenas e médias empresas vivem mergulhadas na busca
por sobrevivência, dificilmente elas conseguem ter uma visão estratégica setorial daquela
atividade onde ela está inserida. O APL dá a elas esse posicionamento.
Quando se define um plano de desenvolvimento do agregado, de um conjunto de empresas,
isso dá um posicionamento estratégico para o processo de competitividade. Somando a isso, o
processo de situar onde estão os melhores arranjos daquele setor; onde estão as melhores
experiências; onde elas estão compostas, se consegue auxiliar ainda mais esse processo de
desenvolvimento. Gerar uma visão estratégica é uma coisa da maior importância para o
desenvolvimento mais rápido dos APL’s.
Olhando para a cadeia de madeira e móveis no Brasil inteiro, por exemplo, uma das coisas
vistas no Ministério de Desenvolvimento no período de 1995 a 2000 foi que o mercado de
móveis no Brasil teve um aumento de trinta e cinco bilhões de dólares para cinqüenta bilhões
de dólares. O que significa que em cinco anos, o mercado cresceu quase cinqüenta por cento.
Tal fato no Brasil não era conhecido. Nenhum setor, nenhuma indústria, nenhum sindicato
sabia dessa situação. Essa informação estava disponível no “Cesil Millano” que é uma entidade
italiana que estuda o mercado de móveis em cinqüenta países do mundo e faz, inclusive, uma
projeção de como vai ser o comportamento do mercado de móveis no ano seguinte e mercado
dos diversos tipos: móveis de cozinha, móveis de dormitório dentre outros.
Essa entidade faz, inclusive, um balanço de como está à produção e o consumo no mundo; qual
país está exportando mais; qual está exportando menos; que país está consumindo mais ou
menos. Esse tipo de informação estratégica, portanto, é fundamental para orientar o processo
de desenvolvimento dos APL’s, pois aponta para oportunidades de negócios que, às vezes,
estão passando despercebidas pelo empresário. Dificilmente uma empresa média de móveis vai
criar um centro de inteligência comercial para apurar esse tipo de informação. O nível de
organização de um APL, sua governança; e a busca a essas informações fazem com que as
empresas melhorem a competitividade, promovendo o desenvolvimento.
Trabalhar com APL é uma questão estratégica do ponto de vista local e regional. Houve a
incorporação do tema no PPA. Hoje existem ações dentro do PPA que destinam recursos
orçamentários para apoio as APL’s. Um exemplo no Estado do Espírito Santo foi o feito em dois
PEIEX’s. Está para acontecer o terceiro no setor moveleiro, com aplicação de R$ 420.000,00.
Essa questão de ter o tema contemplado no PPA é importante sobre o aspecto de se
disponibilizar recursos para apoio do APL.
O GTP está agora formulando um projeto em busca de recursos internacionais no BIRD para o
planejamento do programa para os próximos anos. A idéia é utilizar os recursos do BIRD e
juntar com os outros recursos para um programa nacional que feche as contrapartidas do lado
brasileiro, dos ministérios e de algumas entidades que participam do GTP. Se o grupo obtiver
sucesso nesse processo, haverá um volume de recursos mais expressivo para um apoio mais
contínuo e persistente aos APL’s e também ao PPA 2008 a 2011, vale lembrar que as ações do
PPA continuarão sendo contempladas.
O GTP já produziu uma série de documentos normativos e de orientação, como o manual
operacional e termo de referência. O manual trás entidades e respectivo apoio as APL’s
oferecido por cada uma; qual tipo de linha de financiamento, se ela existe, e de linha de
fomento, trás; ainda quem são os contatos para maiores informações. E o GTP tem realizado
muitos seminários trazendo representantes dos bancos para reuniões com os arranjos. Eles
explicam quais são suas linhas de financiamento e qual a melhor forma de apoio que eles
podem oferecer. Há também seminários que tratam da questão da inovação fazendo com que
no Espírito Santo, entidades ligadas à inovação, busquem se conscientizar sobre a importância
desta. Há também uma conferencia nacional de APL que irá acontecer a quarta este ano no
final de outubro, em Brasília foi criado o Núcleo Estadual de Apoio aos APL’s. Já foram criados
os Núcleos Estaduais (NE-APL / ES). Existe toda uma institucionalidade. Há cento e vinte planos
de desenvolvimento elaborados. Há em cada estado pelo menos cinco arranjos prioritários.
Tudo isso já foi alcançado. A próxima etapa é colocar esses planos de desenvolvimento em
execução.
São três as ações a serem conduzidas. Primeira é fazer uma ação em termo de política pública,
congregando arranjos de menor natureza. Um exemplo interessante aconteceu no Nordeste
onde existem doze estados com propostas de planos de APL na ovinocaprinocultura que é uma
cadeia agroindustrial. Ou seja, onde há uma parte de produção na fazenda, na criação de
cabras e produção de leite e há na parte industrial, o processamento disso. Essa cadeia ou
todos os estados onde ela aparece, apresenta o problema de melhoria de genética de rebanho.
Possuem o problema de abate clandestino, pois é preciso criar toda uma estrutura de abate. Há
o problema do controle sanitário do plantel e além de todas essas questões existem os
problemas da industrialização, o problema do couro e o processamento da carne. O SEBRAE do
Nordeste se constitui de uma rede de oito SEBRAE’s. Fizeram um projeto comum de apoio ao
desenvolvimento da ovinocaprinocultura no Nordeste, e fizeram uma pesquisa internacional
para ver qual é o mercado potencial da ovinocaprinocultura. Seguiram o exemplo de Nova
Friburgo, no Rio de Janeiro, onde existe uma escola de queijaria que possui a informação de
que 5% da humanidade não têm tolerância à lactose do leite de vaca, e por isso consome o
leite de cabra. E este mercado está inexplorado, não tem oferta suficiente no mundo, podendo
surgir daí oportunidades.
A idéia é atrair investimentos, trazer indústria de maior porte, porque esta indústria sendo
ancora na cadeia ela se torna irradiadora de progresso técnico. A âncora permite capacitação
tecnológica ao longo da cadeia, fornece crédito para as empresas mediante contrato de
fornecimento. Então se poderá atrair investimentos por meio de indústrias mais estruturadas
que organizaram essa cadeia e poderá ter um grande potencial de desenvolvimento regional,
que não foi explorado até agora. O trabalho do GTP, portanto, passa a ser agora além de
programar os planos e sim procurar identificar oportunidades de mercado e de melhoria na
cadeia como um todo. Ou seja, resolver primeiro os gargalos nacionais e ao mesmo tempo
trabalhar os projetos a partir da base local, como é o caso de Cachoeiro de Itapemirim e região.
Essa é a lógica de atuação que o GTP. Pretende imprimir. Outra coisa é a questão da
informação sobre o arranjo. Neste ponto, também há uma lacuna grande no país. O que precisa
ser feito é estruturar o portal com informações detalhadas sobre cada APL. Mais detalhado do
que já está disponível, inclusive com indicadores de desempenho dos APL’s, que possa
estabelecer um nível de comparação entre eles. Podendo assim, apontar APL’s os que se
destacam mais que os outros e com isso criar oportunidade para que aqueles que estejam em
um estágio menos avançado. Divulgam experiência daqueles que foram mais além e assim
promover um processo de melhoria nos demais. Este indicador de desempenho também
tornaria possível analisar o dinamismo dos arranjos produtivos e como eles estão em relação ao
crescimento do setor como um todo e como também no mundo. Seria possível saber se eles
estão crescendo na mesma velocidade se estão mais rápido ou ficando para trás. Este tipo de
informação é fundamental para que todas as entidades que atuam em APL produtiva nacional
possam ter uma noção mais clara e mais precisa do que está acontecendo com determinado
arranjo produtivo e quais as potencialidades que podem ser ali tratadas ou então identificar
problemas que podem estar acontecendo, fazendo o APL perder produtividade.
Se o dinamismo de um determinado APL estiver menor do que o da cadeia dele ou em relação
à cadeia no mundo significa que o APL está se extinguindo. A solução seria, então, fazer uma
análise para identificar os problemas que estão acontecendo e, assim, intervir no sentido de
corrigir eventuais falhas. Deve ser feito pelo GTP-APL, um detalhamento maior dos APL’s no
portal com indicadores comparativos. Em linhas gerais, cinco arranjos foram eleitos aqui no
Estado como prioritários: como confecções em Colatina; moveleiro em Linhares; o metal
mecânico de Vitória; turismo na região das montanhas e rochas ornamentais, em Cachoeiro de
Itapemirim. Todos estes APL’s possuem planos de desenvolvimento e o GTP vem interagindo
com o Núcleo Estadual no sentido de dar andamento aos projetos, além de procurar trazer o
Espírito Santo para uma base nacional e gerar um processo de interação mais proveitoso nesse
ambiente em que estão todas as entidades federais, os núcleos estaduais e a governança dos
arranjos nos estados.
2ª palestra - Arranjos Produtivos Locais como estratégia de desenvolvimento
Palestrante: Renato Caporali
A palestra apresentará uma abordagem clara a favor dos arranjos produtivos como uma
estratégia de desenvolvimento, não sendo a única absolutamente. Existe espaço para outras
políticas industriais. A CNI vê com ceticismo, institucionalmente, a política industrial focada em
setores. Acredita-se que uns cinco ou seis setores irão ser beneficiados e o resto esquecido. A
CNI acredita em políticas mais horizontais que beneficiem uma amplitude maior da indústria
brasileira, até porque a CNI sendo a confederação nacional da indústria, representa a indústria
brasileira e não determinados setores. Arranjo produtivo local é exatamente um tipo de política
de desenvolvimento horizontal que atinge a amplitude dos setores industriais e alcança
difusamente o território nacional, não concentrando o desenvolvimento em determinadas
regiões. APL é um processo de distribuição de desenvolvimento.
O APL surge na redescoberta das economias de aglomeração. Trata-se de redescoberta porque
desde 1900 Alfred Marshall já tinha escrito princípios de economia política 1 com capítulos
sobre os distritos industriais em que a concentração empresarial, com a densidade empresarial
gera sinergias. O que os economistas vão chamar de externalidades positivas e depois é que
descobrem as externalidades negativas como poluição, geradora de problemas ambientais, de
saúde dentre outros. Naquele tempo, porém, todos estavam preocupados com as
externalidades positivas, que eram os processos de adensamento que geram efeitos positivos
sobre uma empresa que está dentro desse sistema, simplesmente por estar dentro desse
ambiente. Algo que ela não teria se estivesse isolada. Conhecimento, informação, formação de
recursos humanos, sistemas de distribuição seja de insumos, seja de produção, são as
chamadas externalidades positivas de economia de aglomeração. O APL, portanto, está inserido
nesse eixo teórico formulado por Alfred Marshall em 1900 defendendo os benefícios das
economias aglomeradas.
No final dos anos 90, o Brasil começa a trabalhar APL. Primeiro em Minas Gerais em 1997 com
o estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais, que ainda chamavam clusters. Em
política de desenvolvimento econômico o Brasil saiu depois de outros países da América latina,
como México e Chile. Hoje, o Brasil está na frente do México e o Chile se encontra no mesmo
patamar.
Como se faz o projeto de APL? Primeira questão é esclarecer que ninguém faz um APL. Um APL
é feito por empresários, fruto do esforço, da competência e do trabalho. Existem pelo menos
três termos de trabalho muito importantes para o desenvolvimento do APL. Primeiro, a
organização dos empresários. Prepararem um setor que é instintivamente desorganizado,
criando uma governança ou trabalhando para se criar essa governança. O termo de referência
deve ser atualizado, pois ele foi feito em 2002 e colocava a governança como critério para
existir o APL. Mas, o requisito para haver APL é o adensamento empresarial, a governança é
resultado do projeto de desenvolvimento. Não é a pré-condição. É o que ainda se vai atingir. A
governança é um objetivo a se seguir. Se faz um projeto tentando criar uma governança
empresarial e isso é extremamente importante porque empresários organizados são um trunfo
para o desenvolvimento da região. Um dos projetos feitos pela CNI agora é tentar fazer com
que os 1200 sindicatos deixem de fazer apenas representação de interesse para fazer também
projeto de desenvolvimento de sua região. E a CNI acredita que vai prestar grande serviço para
a sociedade brasileira se conseguir envolver os sindicatos empresarias nos projetos de
desenvolvimento regionais.
Segunda questão: coordenando o setor público, as universidades e outras instituições para
estudar a problemática de desenvolvimento. Tema que era ignorado. Significa colocar as
instituições de desenvolvimento e de conhecimento a serviço das estruturas empresariais que
nasceram e se consolidaram.
Terceira questão, por meio da transferência de conhecimentos, um APL se faz levando
conhecimento de mercado, tais como problemas de competitividade, de distribuição, conhecer
canais de distribuição; como o produto pode chegar ao mercado; quais as alternativas que
existem; processos produtivos inovadores; o que se pode fazer de diferente do que já se faz;
qual tecnologia se pode usar: design de produtos que antes na micro e pequena empresa não
eram conhecidos, e que vieram a ser conhecidos a mais ou menos oito anos depois que o
SEBRAE se dedicou a isso. Hoje já se têm no Brasil pessoas formadas, trabalhando produzindo
serviços de inovação e design, este avanço é extraordinário para o Brasil. Treinamento de mãode-obra, formação profissional adequada às necessidades do ambiente. Tudo isso produzindo
upgrades, passos para cima e melhoras incrementais.
Projetos de APL’s constituem uma forma de transferência de conhecimentos para ambientes
empresariais altamente especializados e propensos ao aprendizado. Os empresários conhecem
o setor em que atuam, pois se trata do trabalho deles e é impressionante a sua capacidade de
aprendizado. A política de APL foi muito bem iniciada e produziu um processo de distribuição de
conhecimentos cujo único benefício histórico recebido do Estado foi à redução do
distanciamento. A mão tributária do estado não chegava, a mão fiscalizadora não chegava, as
estruturas permaneceram a margem no Brasil com grande parte delas em empresas informais
que não recebiam beneficio nenhum e o estado brasileiro sequer sabia que existia.
Pela primeira vez atingiu-se a amplitude do território nacional, não em todo território. Mas, os
arranjos produtivos locais abrangem a maior parte do território. O nordeste é uma região que
possui uma enorme quantidade de APL’s e que produziu um raro consenso entre as instituições
públicas responsáveis pelo desenvolvimento. E esse é um trunfo que não se pode deixar
perder. Essa é uma responsabilidade que o Ministério de Desenvolvimento tem de manter essa
coordenação, essa aglutinação em torno de interesses comuns. Mas com alguns problemas, de
fato, relevantes: de um entusiasmo exagerado a uma decepção precipitada, pois as mudanças
não acontecem a partir do momento em que os projetos são implementados. Há um tempo
adequado de desenvolvimento. E esta teoria, o governo ainda está desenvolvendo.
Houve erros na definição do que era ou não APL. Erros na expectativa de temporalidade, na
obtenção de resultados positivos e alguns erros metodológicos graves em projetos, desde como
se conduz o projeto até o seqüenciamento das ações. Se primeiro deve haver produção, devese descobrir o mercado e vir do mercado para trás. Mas essa política possui alguns resultados
muito relevantes. Cerca de 300 ambientes empresariais trabalhados que certamente atingem
um milhar de municípios. Outra coisa a se evitar é que a regionalização do APL seja
municipalizada. Tem de ser o pólo ou a região que possui a estrutura produtiva. Por exemplo, o
pólo de Nova Friburgo era tomado por sete municípios que produziam. Alguns APL’s possuem
um município, outros têm três ou quatro.
Por meio de um cálculo estatístico é possível afirmar que um quinto dos municípios brasileiros
introduziram conhecimento em um ambiente que nunca o recebeu em quantidade significativa.
Grande parte dos microempresários do país possuem uma formação técnica muito deficiente. É
parte dessa formação técnica deficiente que emprega a população. O projeto do APL é uma
forma de retomar o processo de aprendizado e instrução técnica de um setor tão importante
como é o de empresários.
Promover uma cultura de formação profissional, de tecnologia, de design de produtos é uma
das coisas que o SEBRAE fez de formidável. Além disso, introduziu o conceito de olhar para a
própria cultura e produzir a identidade do produto. Pequenas empresas buscam a tradição
cultural para fazer um design de produtos com mais identidade e personalidade naquele
território. São ações que significam avanços e, que, bem trabalhadas durante décadas, nos
colocam numa trilha de desenvolvimento significativo. O ambiente de governança empresarial
pode contribuir na cultura de monitoramento de projeto no interior do país.
Quando a CNI desenvolveu seu primeiro projeto, os técnicos analisaram algumas universidades
do Pará, da Paraíba, do Rio de Janeiro e de Sergipe para monitorar os projetos de APL’s, pois
nunca tinham medido pequenas empresas. O projeto começou pesquisando os empresários
sobre como o monitoramento seria feito. O monitoramento se referia aos dados de emprego e,
no final, seria feita a avaliação. Isso é um avanço. O SEBRAE atualmente monitora a totalidade
dos projetos de APL e tem empresas fazendo o serviço de monitoramento espalhadas por todo
Brasil, e isso em menos de 10 anos.
O desafio atual é formular uma segunda fase de políticas de APL que tenham definições
conceituais mais precisas, com quadro de gestores e consultores mais qualificados, mais bem
treinados, menos voluntariosos e mais competentes para fazer e conduzir os projetos. O Brasil
tem uma enorme deficiência em conhecimento técnico adequado aos problemas produtivos e
de distribuição das empresas. É preciso formar gestores com abordagens mais qualificadas. É
preciso ter cursos de pós – graduação nessa área, cursos de graduação que não estudem
somente o modelo da grande empresa e comece a estudar também o modelo da pequena
empresa e as estruturas clusterizadas.
É necessário haver maior discernimento das verdadeiras possibilidades e impossibilidades. O
primeiro APL visitado pela CNI no Pará, de madeira e móvel, propunha exportar para os
Estados Unidos, mas não suportava nem ao menos vender para Belém. Deve-se estabelecer o
que é possível e saber se ainda é viável alcançar mais alguma coisa, não é possível realizar tudo
que se pretende. Este discernimento precisa ser criado e transmitido para as pessoas com
formação, e uma maior articulação institucional porque existe ainda, apesar dos esforços do
MDIC, muita dispersão de técnica.
Propõe-se um conceito de APL e explica-se que se trata de uma composição própria. Uma das
características de um APL é ter um número significativo de empresas. Não menos do que várias
dezenas, seis ou cinco não constitui um projeto de APL. Dificilmente irá ser discutido o
posicionamento competitivo de cinco empresas, por exemplo. Em relação aos distritos italianos,
aos clusters, isso não é possível. Com cinqüenta, cem seria um bom número, exceções podem
existir. É possível fazer um projeto com trinta e sete empresas, mas devem ser muitas dezenas
para se ter a massa critica empresarial necessária para fazer um trabalho de construção, de
cooperação, de busca de mercado, de introdução de alternativas e de buscas tecnológicas,
dentre outras.
Outra característica é ter uma base territorial precisa, que seja mais da ordem do município do
que da região. Temos o caso do sisal produzido na porção oeste da Bahia. Esse exemplo é
citado como uma área que não constitui um APL. Isso porque são várias áreas produtoras do
artigo na região. A questão do Espírito Santo também é parecida, no setor de rochas
ornamentais não há apenas um APL que abranja sul, centro e norte. A região sul do estado
possui APL bem como a região norte e a região de Vitória. Eles podem e devem trabalhar
juntos. Projetos de APL’s podem se combinar, mas a governança de Cachoeiro de Itapemirim
não tem relação com a governança de Nova Venécia. Tem que ser uma base onde os
municípios se identifiquem, para que possa adequar um projeto de desenvolvimento com o
território. É o quadro que a CNI almeja.
São duas coisas diferentes conforme a estrutura produtiva que se tenha para que vários APL’s
possam trabalhar juntos, inclusive para que esses APL’s possam competir com outros de
regiões distintas. Isso deve ser claro para todos. A base deve ser do município onde estão as
empresas. Cada município deve ter um projeto de APL. Se existem dois, três municípios que
estão especializados no mesmo produto, apenas um deve ser a base. Não dá para fazer APL da
cidade A, da cidade B ou da cidade C. Pode até existir um subgrupo ou as subgovernanças. A
logística e externalidades serão as mesmas. Não dá para fazer uma escola do SENAI em cada
uma das três cidades, pois o SENAI não suportaria essa demanda.
As externalidades podem ser as mesmas para o conjunto de municípios, mas também não dá
para supor que as externalidades que funcionaram para Cachoeiro de Itapemirim serão
perfeitas para Nova Venécia. Deve-se pensar em criar uma adequada externalidade para as
necessidades do norte do estado. São projetos que seriam conjugados, mas diferentes. Deve
ser especializado em um tipo de produto cujos mercados não são locais, ou seja, são
dominantemente externos ao município, pois se não fosse assim teríamos os APL’s das padarias
de Brasília. As padarias de Brasília são em mais de 50 e não constituem um APL, porque elas
disputam o mercado local, e a cooperação que está sendo tratada não pode ser feita por um
grupo de empresas que disputam um mesmo mercado local.
As oficinas mecânicas de Vitória não formam um APL porque os mercados delas são locais. Um
APL exporta não para fora do país, mas sim para fora da sua região. Esse é um critério que
ainda não foi colocado. Nesta palestra, propõe-se que seja inserido pois ele simplifica muito a
análise dos projetos de APL’s no SEBRAE. Acaba existindo certa dificuldade, porque não há um
definidor, e esse critério eliminaria muitas etapas. É preciso, então, agir com menos idealismo
como “coopere e tudo estará resolvido”. Quando se fala em cooperar deve-se definir em torno
do que gira essa cooperação, é necessário ser mais preciso. Ter mais realismo. É o que se
necessita e o que é necessário para dar um up grade à nossa competitividade.
É preciso lidar com as rivalidades e divergências, pois são fatores que estão sempre presentes e
a cooperação vem de um idealismo que é muito bom, mas que é difícil de acontecer. Não se
pode achar que o programa está fracassando porque alcançar os objetivos é difícil, ou porque a
cooperação é um instrumento para determinadas coisas. O palestrante faz referência aos
distritos italianos e diz que neles a cooperação acontece quando eles possuem interesse comum
quando há sinergias para que eles obtenham lucro. O empresário pensa em lucro e essa é a
sua missão, ao mesmo tempo é necessário produzir riqueza social. É assim que a sociedade
capitalista funciona.
É preciso avançar na capacidade do sistema de apoio à competitividade empresarial em prover
soluções adequadas em termos de qualidade, de preço e de prazos às necessidades das
empresas. Implantar programas de financiamento à inovação adequada aos APLs: em termos
de produtos, de processos e em modelos de negócios. Isso já está montado no Brasil do ponto
de vista macro, é preciso adequar isso à política de APL. É necessário criar um programa de
financiamento em inovação em APL e aos projetos de desenvolvimento do mesmo isto irá
produzir resultados extraordinários.
É necessário manter a clareza de que resultados estruturais chegam no “prazo da década” e
não no “prazo do ano”. E que, em curto prazo, se obtém apenas resultados marginais, avanços
incrementais em tecnologia, processos, qualidade e mercado. O resultado de projeto de APL
aparecem com cinco anos ou mais. Se os agentes forem capazes de utilizar a política de APL
para se defender e ter a consciência que a política industrial de APL pode tanto ser uma política
de ataque ou de agressão a mercados externos, como pode ser uma política de defesa da
indústria.
Um exemplo é a China, produtora de artigos industriais, competidora da nossa indústria. Com a
chegada da recessão dificilmente eles venderão para os EUA. A preferência será vender para
outros lugares. O palestrante rebate algumas críticas que já ouviu caracterizando-as como
precipitadas. Para ele um projeto de APL não cria um cluster de escala mundial, como o Vale do
Silício que domina o mercado mundial. Isso não é preciso, o que se precisa é primeiramente
sobreviver e se a decadência for revertida, juntamente com a perda de competitividade para
clusters industriais de outros países já será um bom avanço.
Essa é uma política industrial que o governo brasileiro se mostra sensível. Como são as bases
das necessidades da população brasileira, ela deveria, então, ser aplicada. Até mesmo porque
não existem alternativas. O que milhares de pessoas que trabalham em Nova Friburgo farão se
perderem completamente o mercado? O Brasil deve manter sua indústria, pois 90% da
população é urbana. Se formos capazes de usar a política de APL’s para nos defender da
competição externa, ela também terá cumprido seu papel.
3ª palestra – O APL de Ubá - Alexandre Ambrosine
O palestrante trabalha no SEBRAE Nacional, coordena a cadeia produtiva de móveis, e vem ao
seminário falar do APL de móveis de Ubá. Será abordada na apresentação, a atuação do
Sistema SEBRAE em APL, os antecedentes da ação em APL, definição de APL e como o SEBRAE
trabalha em APL’s por meio da Gestão Estratégica Orientada para Resultados, o caso do APL de
Móveis de Ubá – MG.
No redirecionamento estratégico, o SEBRAE começa a pensar não em APL, mas em projetos
coletivos. Deixa de atuar em empresas individualmente para atuar também em conjuntos de
empresas. Ele começa, então, a analisar o empreendedor e a empresa em seu ambiente e em
seu território. Não basta mais um olhar na empresa moveleira, deve-se saber onde ela se
encontra e qual seu território. A referência pode ser uma empresa moveleira no interior da
Amazônia, em Cruzeiro do Sul, que utiliza madeira maciça e tem problemas de logística de
Linhares ou Ubá, que se encontra na região sudeste, e utiliza o MDF que já é de madeira
industrializada. De qualquer forma os processos competitivos, de gestão e de tecnologia são
completamente diferentes e são influenciados pelo ambiente e pelo território em que se
encontram.
Não podemos olhar apenas Linhares ou Ubá, mas devemos olhar Ubá, Linhares, Brasil e o
global. E também o território. O SEBRAE começa a pensar na questão coletiva, móveis em Ubá,
móveis em Linhares, individuais e coletivos. O SEBRAE não deixa de atender a empresa
individualmente. A empresa poderá ter todo um processo de análise de seus problemas e de
suas necessidades. Como também há projetos exclusivos para quantidade de empresas numa
mesma base territorial.
Ao tentar analisar as diversas oportunidades coletivas, identificamos que existem várias. APL é
apenas uma delas. Existem diversas empresas que possuem algumas ações conjuntas: Núcleos
Setoriais é um grupo de empresas de um mesmo segmento produtivo que possuem uma visão
comum de futuro; Redes de Empresas são empresas com marcas comuns e ações conjuntas,
como uma rede de farmácias ou rede de pequenos supermercados, e franquias como “O
Boticário”, é um licenciamento de marca. Encadeamento que engloba grandes, pequenas e
médias empresas, como ocorre no Espírito Santo, a ArcelorMittal, Vale e seus fornecedores. Ou
seja, uma hierarquia e o uso do poder de compra.
O SEBRAE possui sua definição de APL. Cada instituição possui a sua própria, mas existem
alguns elementos comuns a essas definições que serão abordados mais à frente. Redes de
APL’s podem vir a ser, no caso, atuar em complementaridade. Um exemplo disso, é a
integração de um APL fornecedor de componentes para a indústria moveleira os APL’s
produtores de móveis. Ou seja, esse pode fornecer e fazer rodada de negócios, promoção
diferencial junto com os demais APL’s produtores de móveis. Isso é um projeto que o SEBRAE
pretende iniciar neste ano, talvez no próximo.
Nesse sentido, após a análise das diversas formas de abordagens coletivas, o SEBRAE muda
seu organograma e cria uma unidade exclusiva que então é chamada de unidade de
desenvolvimento setorial. Tem como objetivo atuar no desenvolvimento de setores, cadeias e
arranjos produtivos locais, com expressiva presença de micro, pequena empresa MPE, visando
sua inserção competitiva no mercado, superando gargalos em sua estrutura produtiva,
organizacional e relacional.
Paralelo a isso dois projetos são iniciados, um deles é o projeto SEBRAE Promos/BID, cujo
diretor foi Caporalli. O objetivo foi promover o desenvolvimento de setores e regiões, em
estágios diferentes de amadurecimento: emergente, em consolidação e consolidado no modelo
italiano de “Distrito Industrial”. Era necessário buscar experiência no modelo do distrito
industrial italiano, uma adaptação simples, analisar o que eles têm de melhor e a partir daí
utilizar dentro da nossa realidade.
Há também, o Projeto Espelhos do Mundo, em 2001, que visou aprofundar o conhecimento
sobre o modelo de desenvolvimento da “Terceira Itália” por meio de entrevistas com
especialistas, autoridades governamentais e empresários para identificar os fatores de sucesso
de doze Distritos Industriais da Lombardia, Veneto, Toscana e Emilia Romana. Assim, foram
observadas variáveis universais, tais como, cooperação, ambiente inovativo, aprendizagem
coletivo, conhecimento do negócio, especialização produtiva e competitividade.
Em 2002, o APL tornou-se prioridade para o SEBRAE. Foi criado o Termo de Referência, em
2002/2003, com apoio da REDESIST. Essa é uma rede de universidades brasileiras que
estudam APL. A coordenação dos estudos foi da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que
conta com o apoio de várias universidades brasileiras tanto para a definição teórica e também
nos estudos de caso e de intervenção. Os estudos constituem a base da atuação do Sistema
SEBRAE em Arranjos Produtivos Locais.
Chega-se, assim, em mais uma definição de APL que constitui o conceito do SEBRAE para
nortear a sua atuação. Dessa forma, Arranjos Produtivos Locais são aglomerações de empresas,
localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantém
vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem, entre si e com outros atores
locais, tais como: governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.
A atuação em APL no SEBRAE visa promover a cultura da cooperação e o aprendizado coletivo;
promover processos de geração, aquisição e difusão do conhecimento; estimular a construção e
o fortalecimento de governança local; estimular a construção e fortalecimento de identidade
local; construir parcerias em âmbito nacional, regional e local.
O SEBRAE e outras instituições parceiras vem acompanhando os projetos do SEBRAE em APL e
outros projetos que não são em APL, mas que adotaram a Gestão Estratégica Orientada para
Resultados GEOR. É uma metodologia que visa, a partir de oficinas e reuniões com o público
alvo, com micro e pequenas empresas e com as instituições de apoio daquele território,
reconstruir um projeto que pertença àquelas empresas. No projeto é definido o público alvo e
as ações. Os pilares da GEOR são um direcionamento para clientes; foco em resultados;
adensamento da visão estratégica; intensidade e proximidade da ação gerencial.
APL de Móveis de Ubá - Localizado na Zona da Mata Mineira, fica eqüidistante de Belo
Horizonte e Rio de Janeiro. Ou seja, ele tem uma localização estratégica tanto para o
recebimento de matéria-prima, como as chapas, os MDF’s, quanto para o escoamento da
produção, móveis residenciais seriados, sendo que são boa parte voltados para a classe mais
popular. Ainda que haja pequenas empresas que forneçam móveis de maior valor agregado.
Existem em torno de 320 empresas com predominância absoluta de micro e pequenas
empresas; seus principais mercados são a região Nordeste e Sudeste de Brasil.
A atuação do SEBRAE junto ao APL de Ubá pode ser considerada um projeto de sucesso em
APL’s. Inicia-se com o PRODER a partir de 1998. Nessa época ainda nem se debatia a questão
de APL’s. Na época se pretendia fomentar as lideranças e o próprio desenvolvimento daquele
território. A partir daí começa a se estimular os atores daquela localidade, empresas,
instituições para o sentimento de pertencimento, ao saber que o desenvolvimento de sua região
depende deles próprios e não de terceiros.
Assim, começa a estimular projetos e também o espírito de coletividade. A partir daí, eles
buscam o projeto de capacitação de fornecedores. Aqueles que possuíam grandes indústrias
moveleiras capacitaram pequenas indústrias como seus fornecedores. Em 2003 foi implantada a
Gestão Estratégica Orientada para Resultados GEOR, com suas mensurações e avaliações;
transferência da coordenação. Este foi um programa de gestão tão bem estruturado que os
projetos GEOR já passam de um mil em todo Brasil. Ele é o único em que a gestão do projeto
não pertence ao SEBRAE. O gestor local não é um funcionário do SEBRAE na localidade e, sim,
o sindicato.
O projeto GEOR do APL de Ubá é construído de oficinas do setor junto com as empresas. É um
projeto participativo, no qual as primeiras definições são o público alvo, objetivo geral e os
resultados finalísticos. Esses resultados definem metas para um ano ou três de aumento de
produção, aumento de emprego e diminuição do prazo de entrega de mercadorias. Isso quem
define são as empresas com o apoio das instituições, trazendo conhecimento de fora. Para que
esse conhecimento possa servir de critério para onde se deseja chegar.
Assim são definidas as ações. Os recursos são, então, estabelecidos. Primeiro se define onde se
pretende chegar dentro de um período, que tipo de ações são necessárias para dar suporte a
esses resultados de aumento de emprego ou aumento de produção ou redução no tempo de
entrega, e a partir das ações definidas saber quem é o responsável pelo aporte financeiro.
Dentro das ações definidas nesse projeto, tem-se participação em feiras, seminário moveleiro,
avaliação da qualidade de produtos, promoção comercial, feiras internacionais, melhoria no
processo de produção, capacitação de mão-de-obra, capacitação em gestão empresarial e
projetos de design. Novamente é importante frisar que essas ações são definidas pelos
empresários com a participação das instituições do setor, ou seja, é definido pelas necessidades
dos empresários, mas também com o conhecimento que essas instituições já trazem para sua
melhor definição.
Dentro desse projeto são feitas avaliações para saber se essas ações estão tendo resultado e
em que nível chegaram. Não é objetivo do SEBRAE saber se foram feitos dez consultorias. Isso
é importante para o controle do projeto, mas o objetivo é saber se essas dez consultorias
geraram algum resultado que tenha feito diferença na vida das micro e pequenas empresas. No
caso, eles tinham a meta de aumentar em 3% o número médio de clientes até dezembro de
2007; 7% até dezembro de 2008, e 9% até dezembro de 2009.
Outro resultado que eles desejam alcançar é aumentar o número de empregos na indústria de
móveis em 3% até dezembro de 2007; em 6% até dezembro de 2008 e em 7% até dezembro
de 2009. Eles vêm obtendo sucesso. Outro resultado é reduzir o prazo médio de entrega a
partir do pedido até a entrega ao cliente em 10% até dezembro de 2007; em 15% até
dezembro de 2008; e 20% até dezembro de 2009. Esse prazo vem diminuindo, mas não tanto
quanto eles desejavam isso porque é uma ação que precisa ser intensificada, que é de logística
com foco principal em central de fretes.
Dentro desses resultados também podem alentar os resultados mais qualitativos. Por exemplo,
a criação do núcleo de design. O móvel brasileiro é caracterizado pela cultura da cópia, olhando
modelos estrangeiros e fazendo a cópia. Em Ubá, eles decidiram que essa cultura deve ser
quebrada. Mas, esse não é um processo que acontece de uma hora para outra. Junto com o
SEBRAE, SENAI e outras instituições constituíram o Núcleo de Design. Este núcleo tem a função
de disponibilizar consultoria nessa área para o controle de pequenas e médias empresas.
Uma de suas ações foi a “Mostra Ubá Móveis de Minas”. Doze micro e pequenas empresas
participaram do projeto, ministrado por um designer contratado e um antropólogo. Este último
deveria identificar o que significava ser mineiro da Zona da Mata. Foram identificadas as curvas
dos morros, as cores das casas barrocas. O designer traduziu isso nos móveis, feitos por
indústrias que queriam vender para alavancar suas rendas. Assim, esses móveis foram expostos
na feira de móveis da Região FEMUR. Essas indústrias conseguiram um bom sucesso de vendas
e algumas até exportaram. Vale ressaltar que essa feira também é uma ação coletiva deles que
construíram um galpão de 12.000 m² por iniciativa própria. É uma feira regional, não é de porte
nacional. Hoje está com 18.000 m² e tem sucesso de vendas. No ano que ela ocorre, as
empresas voltam toda sua produção para este momento.
Outra ação coletiva é o plantio de eucalipto do qual depende essa indústria devido à
necessidade de MDF (chapas de madeira feitas a partir do processamento da madeira de
eucalipto). No Brasil existem poucas empresas produtoras desse artigo. Com isso os preços são
elevados e o volume a ser pedido não viabiliza pequenas quantidades. Depara-se ainda com a
demora na entrega.
Olhando a região em torno do APL, percebe-se que ela possui muitos morros, com muitos
pastos sem gado. Surgiu uma parceria com a Universidade Federal de Viçosa. Eles fizeram um
projeto de plantio de eucalipto, já que existe mais de 600 espécies. Existe, portanto, todo um
trabalho de pesquisa cientifica e engenharia florestal e para identificar qual a melhor espécie
para aquela região, com aquele solo e aquele clima, que possa servir pelo menos como
substituto do MDF. Para que os empresários saiam da dependência deste tipo de matériaprima, ou pelo menos minimizem essa dependência. Este projeto já está envolvendo mais de
900 produtores daquela região, é uma externalidade que surgiu da indústria moveleira e já
atingiu outro público, que é o produtor rural.
Outra ação coletiva é a promoção comercial como a mostra de móveis. Os empresários estão
neste momento colocando o móvel de Ubá em exposição nas principais capitais brasileiras.
Em relação à logística, apesar de Ubá estar bem localizada geograficamente, é uma cidade que
está no meio de morros e parte do mercado deste APL é o Nordeste. Um caminhão que antes
fazia o carregamento de uma empresa e voltava vazio, encarecia o frete, limitando a distância
do mercado abrangente. Só era possível chegar até a Bahia ou Sergipe no máximo. Não era
possível ir a lugares mais distantes porque o frete encarecia muito e o produto deixava de ser
competitivo. A solução vem surgindo por meio dos empresários que estão elaborando um
projeto no qual será criada uma central de fretes. Existirá uma coordenação dentro do sindicato
que organizará os destinos dos fretes. Por exemplo, um caminhão está saindo para Recife,
deve-se determinar quantas empresas têm móveis para vender em Recife para uní-las, com
isso diminuir seus custos, ampliar o seu mercado e a possibilidade de vendas.
Outro resultado é o redirecionamento estratégico. Isso por que quando se fala de móveis de
Ubá, o termo se torna muito genérico, é preciso segmentá-lo. Cada empresa possui uma
especificidade. Como seria possível segmentar ainda mais os móveis de Ubá? Deve-se
estabelecer com que tipo de móveis se irá trabalhar, móveis de madeira, residenciais, retilíneos
de madeira maciça. A questão da secagem e o fornecimento são diferentes na de retilíneos de
madeira maciça conjugada com aglomerado, que constituem outra realidade de móveis que os
empresários atuam e que possuem características diferentes. Há também móveis para escritório
que é outro tipo de concorrência. O Brasil hoje importa poucos móveis, em geral. Os móveis de
escritório, porém, sofrem forte concorrência do mercado externo que atua no Brasil. O que não
é a realidade em relação aos móveis residenciais. O Brasil importa poucos móveis residenciais.
Os mais importados são móveis para escritório sob encomenda, seriados avulsos e móveis de
metas que tem outro processo produtivo, mas que concorre no mesmo mercado.
Assim, os empresários estão refazendo este projeto para atender às especificidades do
segmento das micro e pequenas empresas produtoras de moveis de Ubá. Esse trabalho está
sendo feito pelo SEBRAE de Minas Gerais em parceria com uma empresa de consultoria
chamada Competitivos, que tem origem na Espanha e atuação internacional, possibilitada pela
parceria com o SEBRAE Nacional.
As lições aprendidas com a experiência do SEBRAE indicam que os projetos para dinamizar a
competitividade e o crescimento de arranjos produtivos devem contemplar: alianças
estratégicas entre os distintos atores; conhecimento do ambiente do arranjo produtivo;
intervenção integral de apoio orientada para a demanda das empresas; metas e objetivos
comuns a todos os atores envolvidos no projeto; monitoramento das ações e avaliação dos
resultados. Isso é um ideal, não significa que os projetos contenham todos esses elementos,
mas com um bom trabalho é possível que venha a ter.
3ª Mesa – APL moveleiro de Linhares
1ª palestra - Palestrante: Roque Felix - SINDIMOL
O pólo de Linhares abrange treze municípios do litoral Norte do Espírito Santo. São cerca de
200 empresas do setor madeireiro e do mobiliário, sendo que 40% destas empresas são
associadas ao SINDIMOL Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e
Região Norte. Estes 40% detém cerca de 90% do número de empregados da região. O pólo
gera aproximadamente 4,5 mil empregos diretos e 9 mil indiretos.
São empresas familiares e tradicionais de capital nacional, algumas delas remanescentes das
serrarias que na década de 1950 a 1970 eram significativas de Linhares. Com a escassez da
madeira, a principal matéria-prima, parte dessas serrarias se deslocaram para o sul da Bahia e
para o Pará. Algumas delas passaram a fabricar móveis. Atualmente, 74% são fabricantes de
móveis de madeira/chapas seriados, 9% fazem móveis por encomenda, 9% produzem
estofados, 8% restantes são serrarias e fabricantes de esquadrias. As serrarias de hoje
trabalham com madeira reflorestada do eucalipto.
Em 2005, para fortalecer essas empresas deu-se início ao GEOR – Gestão Estratégica Orientada
para Resultados. O projeto previa uma série de ações visando o desenvolvimento da cadeia
produtiva de móveis de Linhares. Duas das ações que mais fortaleceu foi o INVEST-ES e o
COMPETE-ES, do Governo do Estado.
Na primeira fase do GEOR, encerrada no final de 2007, foram investidos mais de R$ 2 milhões
em ações. Aproximadamente, 45 empresas foram beneficiadas nesse programa. O SINDIMOL
possui quatro grandes metas, uma delas é aumento do número de empregos gerados em 4%.
Outra é a elevação do volume de peças produzidas em 20% e a terceira é a elevação da
produtividade das fábricas de móveis que participaram do projeto, em 10%.
Ao final de 2007, obtiveram o resultado de 11,47% para o número de empregos gerados, 20%
em peças produzidas e 195,63%, em produtividade. Esses resultados foram alcançados por
meio das parcerias que geraram várias consultorias. Foi detectado dentro das empresas que
estas não tinham mais capacidade de crescer, por falta de espaço para aumentar a sua
capacidade. Então surgiu a proposta da terceirização. Hoje, em área existe uma empresa que
produz somente gavetas com 62 funcionários, outra empresa que só produz forros com 57
funcionários e várias empresas pequenas que produzem somente moldura. Esses produtos
eram os gargalos dentro das empresas e travavam a produção impedindo-as de evoluir. Ao
retirar esses gargalos do sistema produtivo, as empresas conseguiram alcançar esses
resultados.
Para alcançar esses resultados foram contratadas várias consultorias como em design e
processos produtivos, pois os móveis de Linhares eram vistos como cópia. Esse paradigma foi
quebrado, pois hoje os modelos são criação própria. Aconteceram várias consultorias também
na área produtiva, especialmente para o crescimento real e de processo produtivo. Uma das
consultorias detectou incapacidade maquinaria e da velocidade das máquinas que já existiam.
As empresas não conseguiam atingir o resultado esperado. A consultoria agiu de forma
diferente tirando o foco da máquina e voltando para o trabalho, o trabalhador efetivamente
produzia. Esses detalhes foram alavancados e com isso conseguiram elevar a produtividade.
Sem recursos financeiros, porém, não há como crescer. Era preciso conseguir estes recursos,
mas para isso a empresa deve estar legalmente constituída. Um dos problemas da indústria
moveleira era conseguir o licenciamento ambiental. Foi através de mais uma parceria feita com
o SEBRAE, por meio das consultorias, que várias empresas foram certificadas, e outras estão
em processo de certificação.
Outra ação foi à realização da rodada de negócios com empresários e lojistas. Em Linhares, no
ano de 2005 aconteceu a primeira rodada com fechamento de R$ 250.000 em negócios.
Observa-se que não é suficiente, crescer a produtividade e melhorar a qualidade se não houver
mercado para aquele produto. Para tanto, promoveram a exposição de móveis em shoppings
em busca por novos mercados. Isso aumentou significamente às vendas. As pequenas
empresas não tinham como expor seus produtos pelo custo, que só foi possível quando o
SINDIMOL obteve o apoio do SEBRAE e da prefeitura.
Em 2005 foi possível levar pequenas empresas para expor na FENAVEM - Feira de Móveis e
Decoração. Lá foram feitos negócios em torno de R$ 78.000. Já em 2007, este número foi para
R$ 1.200.000, com 53,85% de acréscimo. Na primeira semana de móveis, que aconteceu em
Linhares do dia 27 a 31 de agosto, o SEBRAE apoiou estes negócios contribuindo com a parte
do planejamento como nas ações, Mostra de Móveis, Clínicas Tecnológicas, Palestras, Seminário
de Desenvolvimento de Produtos, Lançamento do Selo do APL, Lançamento do Caderno
Tendências do Design, Lançamento do Prêmio Capixaba de Design de Móveis, Oficinas de
Capacitação e Cursos de Capacitação. Estiveram presentes 1200 visitantes e 180 colaboradores
capacitados.
O selo Móvel Capixaba foi criado com a ajuda do grupo de design do SENAI de Linhares e
atualmente os móveis com este selo têm a garantia de ser do pólo de Linhares. Na fase dois do
Programa APL “Resultados avaliação preliminar Empresas Projeto GEOR”, o número de
empregados das empresas aumentou em 10% em 2008 com relação a 2007; 100% das
empresas com licença ambiental ou em fase de obtenção, com 83% já licenciadas e 17% em
período de implantação. Aumento do faturamento de 13% em 2008, comparado a 2007, 100%
das empresas tem expectativas excelentes ou boas em relação ao Projeto. O resultado desta
avaliação foi de 43% como “excelente” e 57% como “bom”. Por fim o palestrante agradece a
todos os parceiros que seguem: SINDIMOL; SEBRAE-ES; SENAI-ES; FINDES; IEL-ES; Ministério
Ciência e Tecnologia - MCT; Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior -
MDIC; BANDES; Banco do Brasil; Banco do Nordeste; Governo do Estado do Espírito Santo;
SEDES; SEFAZ; SECT; IEMA; Prefeitura Municipal De Linhares.
2ª palestra - O APL de Calçados Femininos de Jaú
Palestrante: Emilena Josimari Lorenzon
Jaú é um APL formado por 1.182 estabelecimentos da cadeia produtiva do couro e calçados. É
formado por sendo: 250 fábricas de calçados; 800 bancas de prestação de serviços, a maior
parte da informalidade do setor se encontra nestas bancas; 3 curtumes; 4 empresas de
artefatos de couro; 122 empresas atacadistas e representantes de componentes; 3 shoppings
centers; com 175 lojas de sapatos. Para uma cidade com aproximadamente 120.000
habitantes, nota-se que estes números são bastante relevantes para o município. Essa indústria
representa 65% do PIB do município sendo que, o restante refere-se principalmente à cana de
açúcar.
Este setor gera aproximadamente 17 mil empregos diretos. É fato, porém, que na indústria
calçadista, cada emprego formal gerado, pelo menos, três empregos informais. Portanto, é
quase uma cidade inteira trabalhando no setor calçadista. Os empregos formais são divididos
da seguinte forma: 8.309 na indústria de calçados; 4.000 nas bancas prestadoras de serviços;
1.400 nas empresas de componentes; 80 nos curtumes de Jaú e 2.400 em Bocaina; 100 nas
empresas de artefatos; 150 nos atacadistas e representantes, e 400 empregos nos shoppings
centers.
A maioria das empresas são de pequeno porte, sendo: 46% de micro porte, 41% de pequeno
porte, 5% de médio e 8% de grande porte. A produção do APL está voltada, principalmente,
para o calçado feminino (95%) e para o mercado interno (90%); 75% da produção é feita em
couro. Quanto às vendas, 70% estão concentradas no Estado de São Paulo, 10% na região Sul
do país, 10% no Centro-Oeste e Brasília, 5% no Nordeste e 5%, em Minas Gerais e Rio de
Janeiro.
Jaú é um pólo com pequenas empresas com alta especialização na produção do calçado em
couro. Este possui valor agregado, trabalha com o ciclo da moda e atende, quase que
exclusivamente, à capital paulista. O APL produz aproximadamente 140 mil pares de calçados
por dia, com capacidade instalada para mais 40%.
O APL de Jaú foi o segundo maior empregador, em percentual, do setor no Estado de São
Paulo, no ano de 2007. Isso significa que as ações realizadas de 2003 a 2007 surtiram
resultados. Enquanto a cadeia de couro e calçados demitia, o APL de Jaú estava contratando.
Antes de detalhar como foi feito o trabalho de APL em Jaú, a palestrante apresenta as
tipologias de APL.
Existem, portanto, modelos de APL incipientes, mas que na realidade são um aglomerado de
empresas. Existem APL’s intermediários, pois eles possuem alguma relação de cooperação, mas
ainda não muito expressivas. Se parece um pouco com o APL incipiente. Existe o APL, em
relação à organização mais preparado, onde realmente a cadeia produtiva se envolve, os atores
locais também, como SEBRAE, SENAI, SESI e prefeituras; sendo uma estrutura que dá suporte
ao desenvolvimento econômico na região. Existe também o APL inovativo, aglomerado que
troca informação e conhecimento para competir em grandes mercados e desenvolvem produtos
inovadores para o mercado.
Pensando em um cenário com quatro tipos de APL’s, aplicou-se está metodologia para se saber
em que nível o APL se encontrava. Surpreendentemente ele se encontrava no nível
intermediário, pois tinha alguma relação de cooperação desenvolvida por algumas empresas,
especialmente para a compra de insumos ou para exportação. Contudo, a grande maioria eram
empresas que apenas para produzir calçado. Em 2002 foi iniciado o trabalho “desenvolvimento
e a consolidação do APL em Jaú” no qual havia muitas ações isoladas e sem articulação das
entidades que lá se encontravam. Assim, o SEBRAE, o SENAI e a prefeitura ofereciam cursos.
Todas as instituições chegavam com seus pacotes prontos e os empresários ou se
conformavam ou não participavam. O índice de participação dos empresários, nas ações, era
pequeno.
Dentro do quadrante da evolução do APL e desenvolvimento econômico, foi tomada a iniciativa
de estabelecer metas estratégicas que, transformadas em ações, poderiam obter um modelo de
APL futuro, desejado e idealizado conjuntamente, não por uma única entidade que
representasse, por exemplo, os empresários. Em 2003, efetivamente começaram a trabalhar no
APL. Deram início ao programa por meio de um planejamento participativo feito entre as
lideranças locais que trabalhavam com calçados, direta ou indiretamente, e alguns empresários.
Nesse planejamento, começaram a olhar primeiro para dentro do próprio APL e criaram, então,
a análise do setor calçadista de Jaú. Nela perceberam quais eram as oportunidades; quais eram
as dificuldades, e, principalmente quais eram os pontos fracos e quais as fortalezas. Dentro
dessa perspectiva foi estabelecida uma dinâmica no pólo produtor.
Essa dinâmica foi feita por meio de estudos e diagnósticos dentro das empresas. Começou a ser
percebido o que, de fato, a empresa precisava e, assim, foram estabelecidos convênios entre as
instituições, principalmente com o SEBRAE que era uma entidade fomentadora de ações, muito
importante naquela região. Foi proposta uma intervenção diretamente dentro da empresa. Os
empresários, em 2003, começaram a receber capacitação em diferentes áreas: de finanças, de
gestão empresarial, marketing e na própria produção. Muitas ações para difusão de
conhecimento no APL aconteceram nesse ano.
Foi feito, portanto, um diagnóstico aplicado para entender em que nível as empresas estavam e
o que elas precisavam para sair daquele cenário de empresa que só fazia parte de um
aglomerado conforme a metodologia de APL. Começou-se a pensar em alguma coisa mais
organizada. Em 2004, a partir desses diagnósticos começaram a trabalhar muitas ações
separadas por tema e mercado, por exemplo. O SENAC, que a entidade local, que possui
faculdade de moda em São Paulo, liderou o tema sobre moda. O SENAI como possui vocação
para a formação de mão-de-obra, da indústria e tecnologia, começou a coordenar as ações
para essas áreas. Assim, foram dividindo cada grupo com uma liderança local, e mais um grupo
de empresários para a construção das ações que aconteceriam em 2004.
Nesse ano aconteceram muitas ações que foram divididas por temas. Dentro destas ações, por
exemplo, foram planejadas visitas técnicas para os pólos internacionais ou distritos italianos que
apresentavam vocações muito parecidas com as do Pólo de Jaú. O grupo de empresários que
participou dessa iniciativa se surpreendeu, pois o Pólo fabril de Jaú possui muito mais
tecnologia do que o pólo fabril visitado na Itália. A diferença estava na qualificação da mão-deobra. Neste período, então, o foco foi programar ou trazer para o município instituições que
trabalhassem com a formação da mão-de-obra. Trabalhando com a FIESP Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo e o SENAI, construíram uma planta maior e lá se instituiu um
curso básico para a produção de calçados. Este período no ano de 2004 foi voltado mais para a
educação.
Em 2005 foi feito um novo planejamento. Sendo que esse novo planejamento já começou a se
pensar na implementação da governança, a educação continuava tendo prioridade. Neste ano
foi construído na FATEC Faculdade de Tecnologia, o curso de gestão em calçados e, o técnico
em calçados do SENAI. Eram trabalhados três níveis para a capacitação de mão-de-obra: o
ensino básico, o intermediário, que é o técnico e o superior em gestão de calçados. Quem
também começou a assumir as bancas de corte informais, foram às prefeituras em conjunto
com o sindicato patronal por meio do Programa de Escolas de Pesponto (PROIP), que na
verdade é um programa de apoio ao desenvolvimento de formação básica.
Neste mesmo período foi percebido que era preciso trabalhar mais dentro da própria empresa.
Para tanto, foram até o Ministério e conseguiram o PEIEx Projeto Extensão Industrial
Exportadora. Alguns extencionistas também foram conseguidos. Estes foram colocados dentro
das empresas para trabalhar algumas áreas, priorizando produção, marketing e gestão
financeira; a maior deficiência do APL. Assim o APL de Jaú começou a se mostrar para o Estado
de São Paulo a partir da inscrição do projeto no Sistema GEOR - Sistema de Gestão Orientada
para Resultados.
A estrutura de governança estabelecida foi à seguinte: tinha-se um comitê gestor de
empresários com parceiros, formados pelo SEBRAE, SENAI - Prefeitura, Universidade Federal de
São Carlos, Universidade Estadual Paulista, Federação das Indústrias de São Paulo, MDIC, e
muitos outros, além de outras entidades da cadeia de couro e calçados, formando um comitê
gestor que possuía um representante de cada uma das entidades. Estas se reuniam
periodicamente para identificar necessidades, avaliar e deliberar ações para um grupo executivo
do sindicato patronal.
A gestão do projeto ficou locada dentro do sindicato da indústria de calçados, por representar o
empresário na sua plenitude. Para ele executar, porém, algum tipo de ação, deveria passar por
uma diretoria do próprio sindicato, isto porque era essa diretoria que iria negociar, buscar
soluções e encaminhar as tarefas. Tinha-se o comitê consultivo que examinava as ações. Os
tomadores de decisão eram a diretoria e o executivo exercido pelo sindicato que por meio de
projetos buscava recursos financeiros, humanos e o que fosse necessário para a implementação
das ações.
Foi baseada nessa estrutura que em 2005 começaram a atuar. Em 2006 foi percebido que um
dos grandes gargalos para o desenvolvimento das ações era a cultura empresarial. Em conjunto
com o SEBRAE foi trabalhado um curso de atitudes empreendedoras. Vinte empresas
participaram em um primeiro momento, o que foi fundamental para definir qual seria o
planejamento estratégico do APL até 2012. Ainda em 2006 aconteceram muitas palestras,
consultorias (produção, marketing, finanças e design), cursos, seminários, feiras, enfim, toda
ação que já havia sido idealizada em 2003 e que continuava, pois era um planejamento de
longo prazo.
Em 2007 foi feita a elaboração das Diretrizes do APL. Por meio delas foi definida qual era a
missão do arranjo produtivo local; quais eram as ações de curto, médio e longo prazo para
atingir uma visão em 2012. Fizeram outros cursos voltados para o mercado e muitas palestras
com foco em moda. Já que até 2005/2006 o foco era educação, foram realizados todos os
investimentos nesta área sendo que agora o foco é a moda. Devido à característica do pólo
jauensse que consiste em baixo volume produtivo e grande variedade, a competição no
mercado deveria basear-se na diferenciação. Neste pólo, será foco moda, mercado e design;
definição de metodologias de atendimento (metodologias para: diagnóstico integrado,
mensuração dos resultados); implantação do clipping de notícias diário e newsletter, que
informa diariamente noticias sobre o setor por meio de um recolhimento de todas as
informações sobre calçados divididos por temas e enviado para o e-mail do empresário.
Em 2008 foi feito um balanço das ações anteriores e o ano foi planejado. Houve a reformulação
das ações que existiam no SIGEOR, para apresentaram ao MDIC por meio do PDP Plano de
Desenvolvimento Preliminar. Programaram um novo site para o sindicato, pois dentro da
questão de classificação do APL em incipiente, intermediário, organizado e inovativo; percebiase um ambiente de informação e conhecimento. É a necessidade por meio do conhecimento
que iria criar novos produtos. Essa era a estratégia escolhida pelo grupo de empresários, pois
eles não queriam competir por preço. Eles não querem brigar com a China, por exemplo.
Querem disputar no mesmo nível da Itália, até em função das próprias características.
Começaram a pensar em uma ferramenta de inteligência comercial e competitiva que cresceu,
inclusive, para o sistema nacional. Hoje existe um sistema de inteligência competitiva da cadeia
do couro e calçado nacional que surgiu do projeto de inteligência competitiva do pólo de Jaú,
no qual a palestrante coordena frente as entidades nacionais. A visão para 2012 é ter qualidade
vida e responsabilidade socioambiental, ter foco no mercado, na produção, fortalecer marca,
ser destaque em moda e tecnologia, design, inovação e gestão eficiente.
Os desafios para alcançar essa visão eram: superar a ausência de marca; redução da alta
concentração de mercado e do alto poder de barganha dos compradores. Observou-se que não
havia como negociar preço, devido ao crescimento do sudeste asiático. A importação de
calçados aumentou em 214% em relação ao mesmo mês no ano passado. Isso é percebido no
setor calçadista onde está acontecendo demissão em massa e o fechamento de muitas
empresas nesse primeiro trimestre. Em relação ao produto haverá pouca inovação em design e
tecnologia; alta dependência nos representantes para vendas; dificuldade de acesso ao
mercado e altos custos de produção. Ou seja, havia pouca integração real entre as empresas. A
metodologia que mostra que o APL era intermediário, era só em função de algumas empresas
que se ajudavam em alguns momentos, mas o APL era mesmo incipiente, apenas um
aglomerado de empresas.
Para superar os desafios foi criado um calendário único com ações planejadas para todos os
parceiros. Seguindo o calendário com essas ações, segundo as diretrizes do APL, foi lançado a
cada início de semestre um ciclo de (palestras, cursos, consultorias, programas etc.),
viabilizados através de uma consultoria pelo SEBRAETEC. As ações contemplam diferentes
áreas da produção e de design, projetos voltados para grupos de empresas exemplo Jaú –
Recicla, consórcio de exportação dos componentes.
Hoje, o SEBRAE, SENAI, FATEC, IPT, entidades que trabalham para o desenvolvimento deste
APL, todo ano, em janeiro se reúnem e avaliam o resultado do ano anterior e pensam as ações
do ano posterior seguindo as diretrizes estabelecidas. As consultorias passaram a ser via
projeto SEBRAETEC, em produção e design. E alguns projetos, grupos de empresas formam o
“Jaú – Recicla”, que é um projeto de reutilização do próprio couro, com dez empresas. Eles irão
comercializar na próxima feira, como produto novo desenvolvido e fizeram um consórcio para
exportação.
Se for resumir a participação financeira de 2005 a 2008 foram investidos no APL cerca de R$ 10
milhões e R$ 372 mil reais respectivamente. As diretrizes para os próximos cinco anos, em
termos, de ação estruturante para se ter um APL organizado, estão em convênio entre todos os
parceiros e a estrutura de governança do APL. Esta determinou várias ações de formação,
informação, consultoria, bem como ações focadas no associativismo e na cooperação. Esse
acordo foi assinado pelas entidades em fevereiro de 2008. Conseguiu-se para esse ano, R$ 8
milhões de reais na ampliação da estrutura física da faculdade onde será ministrado o curso
superior de calçados estão conseguindo implementar o curso de especialização, mestrado e
doutorado em gestão da produção de calçados. Conseguimos R$ 1 milhão e quinhentos mil
para a implantação de um núcleo de inteligência e também R$ 6 milhões com o BIRD, para
implantação do CRIETEC, Centro Referencial e Inteligência em Tecnologia em Couro e
Calçados. Agora estão fazendo uma parceria com o Centro de Tecnologia de Franca.
Para ter um APL inovativo está sendo proposto, a implantação dessas ações. A partir do
momento que se tem ação organizada por meio desses acordos de resultado, pelas entidades
mais grupo de empresários, o APL começa a ser organizado. O passo para o arranjo organizado
é o arranjo inovativo, mas para isso devem ser criadas estruturas que irão levar informação e
conhecimento para a geração de tecnologia de novos produtos, de novos materiais. Enfim, o
que for necessário dentro da cadeia produtiva.
O CRIETEC, na verdade, está sendo idealizado como um tripé. Esse núcleo de inteligência tem
a função de trabalhar a informação para a tomada de decisão. Um exemplo seria saber quantas
botas devem ser produzidas num ano. A resposta para essa questão vai ser analisada em várias
fontes de informação. Em termos de análise climática, de tendência, de demanda de mercado.
A resposta será: a empresa irá produzir ou ela não irá produzir. São elementos simples ou mais
elaborados, como planos de inserção para exportação em algum mercado alvo. O CRIETEC
além do núcleo de inteligência estará focado na pesquisa e no desenvolvimento que consiste na
geração de novos conhecimentos e na transferência da tecnologia para micro e pequenas
empresas. Este projeto vai ficar na instalação da FATEC. O APL já está com todos esses
projetos assinados e em andamento, assim, até o final do ano, serão desenvolvidas ações para
um APL inovativo.
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