Projeto 23 Um estudo sobre o comportamento do consumidor diante da reciclagem: identificando fatores de influência da não adoção desse comportamento Resumo Visando conhecer um pouco dos fatores que podem influenciar a adoção do comportamento de reciclagem, este projeto de iniciação científica propõe-se a abordar a questão a partir de três objetivos: a) Identificar o entendimento básico apresentado pelos indivíduos com relação ao lixo: seu conceito, sua composição, sua periculosidade e seu descarte; b) Identificar as variáveis que fazem parte do ambiente de discussão sobre o comportamento de reciclagem do lixo domiciliar, apresentados em artigos selecionados sobre o tempo, de forma a operacionalizar o construto do comportamento de reciclagem, bem como possíveis variáveis que atuam sobre a adoção desse comportamento (sociodemográficas, cognitivas, atitudinais, valores e crenças); c) Identificar as relações significantes entre as possíveis variáveis de influência e o comportamento estudado. Considerando que é intenção desse estudo é aprofundar aprendizados sobre a questão do comportamento de reciclagem no âmbito do domicílio, optou-se por uma abordagem de caráter exploratório-descritivo. A coleta de dados será pautada em pesquisa quantitativa a ser realizada com 400 alunos da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, dos cursos de graduação em Ciências Sociais Aplicadas (Administração, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Comunicação) e Saúde (Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Farmácia e Educação Física). Os dados serão analisados por meio da utilização das técnicas de estatística descritiva e técnicas estatísticas de análise multivariada, especificamente análise de regressão ou, alternativamente, regressão logística, caso as premissas para aplicação da primeira não consigam ser atendidas 1 1. Introdução A relevância do comportamento de reciclagem no contexto do comportamento ambientalmente favorável ganhou ênfase nas últimas duas décadas. Os resultados, no entanto, têm sugerido que enquanto a atitude do consumidor diante do conceito genérico de reciclagem seja positiva, a adoção desse comportamento ainda é mínima. No Brasil, 76% do lixo vão para lixão, 23% para aterros e 1% passa por tratamento (incineração, compostagem ou reciclagem). Somente na Cidade de São Paulo são recolhidas 15 mil toneladas de lixo por dia, dos quais 35% aproximadamente são de materiais que poderiam ser reaproveitados. Cada paulistano produz em média 1,2 Kg de lixo por dia. Assim, uma pessoa que viver 70 anos produzirá 25 mil Kg de lixo ao longo de sua vida. Dados de pesquisa junto a uma amostra de 392 casos, coletados por autopreenchimento de questionários disponibilizados no site da Fundação PROCON-SP em fevereiro-março de 2007, revelaram que entre esses apenas 35,7% declararam “sempre” separar o lixo reciclável (como vidro, lata papel, plástico, outros), enquanto outros 23,5% declararam que “as vezes” têm esse comportamento. Essa adesão relativamente baixa à separação do lixo pode ter relação com a atitude do consumidor em relação a esse processo. A abordagem de Laroche et al (2001), por exemplo, a partir de pesquisa com consumidores americanos, mostrou que a inconveniência de ser ambientalmente amigável (escala construída com foco nas ações de reciclagem em termos de esforço e benefício) como a atitude com maior poder de discriminação dos consumidores dispostos a pagar mais por produtos verdes em relação aos não dispostos, utilizando amostra de consumidores americanos. Em paralelo, observe-se a abordagem de Marguerat e Cestre (2004) que confirmou a hipótese de que uma atitude cética perante a reciclagem tem um impacto negativo no comportamento de compra, utilizando amostra de estudantes universitários. 2 Cada paulistano produz em média 1,2 Kg de lixo por dia, enquanto o americano gera 2 quilos e o japonês gera 2,8 quilos Assim, no Brasil, uma pessoa que viver 70 anos produzirá 25 mil Kg de lixo ao longo de sua vida. Nos Estados Unidos e no Japão, embora a população consuma mais e gere mais lixo, há mais consciência em relação ao reaproveitamento. Conforme informado pela União Brasileira para a Qualidade – UBQ, o Brasil recicla menos de 5% de seu lixo urbano. Esse percentual é de 40% nos EUA e na Europa. Por outro lado, apesar do Brasil não estar na lista dos países mais preocupados com o desperdício, apresenta elevado percentual de reciclagem de papelão e de latas de alumínio. Scaramuzza et al (2004) relatam que do montante de latas produzidas no Brasil, 85% são recicladas, enquanto no Japão o percentual equivale a 82,5%. Os mesmos autores destacam que, no caso do papelão, a diferença é maior ainda: a reciclagem é de 72% no Brasil e de 65% na Europa, mas somente seria líder na reciclagem nesses dois produtos por necessidade - carência econômica de parte da população - e não por consciência. Outros materiais apresentam taxas de reciclagem bem menor como: 21% de plástico e 38% de vidro e de papel (SCARAMUZZA et al, 2004). Nesse contexto evidencia-se a relevância de estudar aspectos inseridos na questão da geração e descarte do lixo, de forma a entender o comportamento dos indivíduos diante da questão da reciclagem, visto os impactos acumulativos sobre o ambiente decorrentes de comportamentos não comprometidos com esse padrão de descarte do lixo. De acordo com a classificação apresentada no Portal São Francisco1, acessado em 18/06/2009, em http://www.portalsaofrancisco.com.br, o lixo pode classificado segundo diferentes abordagens. Uma delas refere-se à sua fonte geradora e sob essa ótica está dividido em oito tipos: • 1 Domiciliar (residências). Portal São Francisco, acessado em 18/06/2009, em http://www.portalsaofrancisco.com.br 3 • Comercial (é o que pode conter a maior porcentagem de resíduos recicláveis, dependendo do tipo de estabelecimento. Se for um restaurante, por exemplo tem potencialidade para a compostagem e se for um escritório, tem grande quantidade de papéis e, portanto, serem destinados para a reciclagem). • Público (varrição das vias públicas, limpeza de praias, galerias, córregos, restos de podas de plantas, limpeza de feiras livres, etc). • Industrial. • Hospitalar ou de serviços de saúde. • Agrícola. • Portos, aeroportos e terminais rodoviários ou ferroviários. • Entulho (construção civil). Considerando que a intenção desse trabalho é focar a questão da reciclagem sob a ótica do lixo domiciliar, somente serão abordados outros aspectos de classificação do lixo que estiverem relacionados com esse tipo de lixo, tendo por referência as informações obtidas nesse mesmo portal. O lixo domiciliar é aquele originado da vida diária das residências, constituído por setores de alimentos (tais como, cascas de frutas, verduras etc.), produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. Contém, ainda, alguns resíduos que podem ser tóxicos. Sua composição média é de 25% por cento de papel, 4% de metal, 3% de vidro, 3% de plástico e 65% de matéria orgânica. (ABREU, E. F., 2008). Esse lixo pode, ainda, ser classificado por sua natureza física (seco e molhado); por sua composição química (matéria orgânica e matéria inorgânica); pelos riscos potenciais ou ambientais e perigosos, não-inertes (NBR-100004). O lixo doméstico também é conhecido como resíduos urbanos, nos quais também são incluídos, o lixo gerado no comércio ou em outras atividades desenvolvidas nas cidades. Incluem-se neles os resíduos dos logradouros públicos, como ruas e praças, denominado lixo de varrição ou público. Nestes resíduos encontram-se: papel, papelão, vidro, latas, plásticos, 4 trapos, folhas, galhos e terra, restos de alimentos, madeira e todos os outros detritos apresentados à coleta nas portas das casas pelos habitantes das cidades ou lançados nas ruas. Do lado oposto a esse lixo, encontram-se os resíduos especiais, gerados em indústrias ou em serviços de saúde, como hospitais, ambulatórios, farmácias, clínicas que, pelo perigo que representam à saúde pública e ao meio ambiente, exigem maiores cuidados no seu acondicionamento, transporte, tratamento e destino final. Também se incluem nesta categoria os materiais radioativos, alimentos ou medicamentos com data vencida ou deteriorados, resíduos de matadouros, inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos e dos restos de embalagem de inseticida e herbicida empregados na área rural. Assim, parte do lixo doméstico também pode ser classificado na categoria de resíduos especiais, na medida em que ocorre o descarte de medicamentos, pilhas, baterias e outros produtos danosos à saúde da população e ao meio ambiente . Esses materiais são classificados como perigosos (Classe I) pela norma NBR-10 004 da ABTN -- Associação Brasileira de Normas Técnicas e exigem tratamento e disposição especiais. Apenas a título de completar a classificação dos resíduos segundo essa norma, registre-se : Classe II - Não-Inertes (são basicamente os resíduos com as características do lixo doméstico); Classe III – Inertes (São os resíduos que não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo, são resíduos como restos de construção, os entulhos de demolição, pedras e areias retirados de escavações). Os resíduos compreendidos nas Classes II e III podem ser incinerados ou dispostos em aterros sanitários, desde que preparados para tal fim e que estejam submetidos aos controles e monitoramento ambientais. Os resíduos Classe I – Perigosos somente podem ser dispostos em aterros construídos especialmente para tais resíduos, ou devem ser queimados em incineradores especiais. Nesta classe, inserem-se os resíduos da área rural, basicamente, as 5 embalagens de pesticidas ou de herbicidas e os resíduos gerados em indústrias químicas e farmacêuticas. Todo o lixo gerado tem um destino, ou seja: 76% do lixo coletado no país fica a céu aberto, ou seja, 182400 toneladas que é coletado por dia. O restante vai para aterros (controlados, 13%; ou sanitários, 10%), usinas de compostagem (0,9%), incineradores (0,1%) e uma insignificante parte é recuperada em centrais de reciclagem. (ABREU, E. F., 2008). De forma geral, a figura 1, extraída de Oliveira et al, 2000, ilustra os tipos de lixo a partir de suas fontes geradoras, bem como ilustra o gerenciamento do lixo sólido, foco a orientar a avaliação sobre o lixo domiciliar Extraído de OLIVEIRA, L. B.; REIS, M. M.; PEREIRA, A. S. Resíduos Sólidos Urbanos: Lixo ou Combustível. XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental, Porto Alegre, 2000 Figura 1 – As Rotas dos Resíduos Sólidos 6 Muitas fontes bibliográficas citam tempos diferentes para a degradação dos diversos tipos de resíduos. Os resultados podem estar baseados de acordo com as condições do ambiente em que estes materiais se encontram. Por exemplo, onde há a incidência de maior quantidade de organismos decompositores, a degradação poderá ser mais acelerada. Portanto, os dados aqui apresentados consistem em períodos aproximados para que ocorra a degradação dos resíduos, obtidos no site www.ambientebrasil.com.br. Quadro 1 – Tempo de Decomposição do Lixo Tempo de Decomposição dos Materiais Material Tempo de Degradação Aço Mais de 100 anos Alumínio 200 a 500 anos Cerâmica indeterminado Chicletes 5 anos Cordas de nylon 30 anos Embalagens Longa Vida Até 100 anos (alumínio) Embalagens PET Mais de 100 anos Esponjas indeterminado Filtros de cigarros 5 anos Isopor indeterminado Louças indeterminado Luvas de borracha indeterminado Metais (componentes de equipamentos) Cerca de 450 anos Papel e papelão Cerca de 6 meses Plásticos (embalagens, equipamentos) Até 450 anos Pneus indeterminado Sacos e sacolas plásticas Mais de 100 anos Vidros indeterminado Fonte: Ambientebrasil http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&conteudo=./res iduos/tempo_decomposicao.html. Acesso em 18/junho/2009 Ainda que variações possam ser encontradas, o tempo de decomposição pode ser investigado no sentido de avaliar a sua importância enquanto fator de sensibilização do indivíduo para a adoção da seleção e descarte seletivo do lixo, entre outros aspectos apontados em trabalhos realizados (CORRAL-VERDUGO; PINHEIRO, 1999; RIBEIRO; LIMA, 2000; 7 LAYRARGUES, 2002; THOMAS et al, 2003; PATO, C., 2005; MORGAN; HUGHES, 2006; CASTANHO et al, 2006; LIMA, 2008, Outros) 1.1. Referencial Teórico inicial Em estudo apresentado por Thomas et al (2003), uma das influências fundamentais no crescimento das taxas de reciclagem dos residentes de cidades do Reino Unido é a comunicação de mensagem sobre os benefícios do fato de reciclar, diante do fato de que reciclar não é um assunto premente na vida das pessoas, mas que, ao mesmo tempo, é interpretada com favorecimento nas atitudes dos indivíduos, que declaram que a reciclagem precisa se tornar um comportamento familiar. Outro aspecto relevante que contribui sobremaneira para a adoção do comportamento de reciclagem, de acordo com a pesquisa relatada por aqueles autores, é a disponibilidade de equipamentos ou instalações convenientes nas proximidades do domicílio, no sentido de oferecer um serviço de reciclagem seguro, com confiança. (THOMAS et AL, 2003). De maneira semelhante, Morgan e Hughes (2006, p.34), sugerem, a partir de várias abordagens envolvendo a cidade d Kentucky, nos Estados Unidos, que as questões que precisam ser perguntadas e respondidas pelos residentes pesquisados são: • • • • • O que as pessoas entendem sobre os benefícios (econômico, pessoal, social e societal) da reciclagem? Quais desses benefícios serão importantes para as pessoas se motivarem a ponto de se comprometerem com a reciclagem? Como podem ser apresentados esses benefícios aos residentes de forma a serem absorviso fortemente? Quais fatos dos programas são necessários para ajudar os recicladores a permanecer em programas de reciclagem? Qual tipo de compromisso público resultará em mais forte participação nos programas de reciclagem? Em paralelo, esses autores apontam outros estudos que foram desenvolvidos buscando identificar os fatores de influência sobre o comportamento ambiental. Entre esses fatores 8 estão: grau de conhecimento sobre o comportamento ambiental, dificuldades associadas com a prática do comportamento ambiental (facilidade e esforço), influência de parentes e amigos (essa apresentando alguns resultados ambíguo). (MORGAN; HUGHES, 2006) Sobre as variáveis sociodemográficas, Morgan e Hughes (2006) destacam que resultados contraditórios por vezes são encontrados entre essas e o comportamento de reciclagem, evidenciando, especialmente, as ocorrências com a variável rendimento. Pesquisa de Mota e Rosse (2003, apud CASTANHO et al, 2006) revelou que as decisões de compra de bens de conveniência, por donas de casa entre 25 e 48 anos, residentes na cidade de São Paulo, não incluem a preocupação ecológica por falta de informação. Por outro lado, esses autores destacam um importante papel da escola que trabalha os valores ambientais com as crianças que, por sua vez, introduzem esses valores em seus lares. Assim, pelo menos dois aspectos são destacados: de um lado, a influência da falta de informação sobre o comportamento ambiental e, supõe-se, sobre a não adoção do comportamento de reciclagem. Essa situação é corroborada por resultado obtido em outra pesquisa por de Castanho et al (2006), que apontou um percentual de 74,2% de aderência (atitudinal) dos entrevistados à declaração de que poderiam cooperar com a reciclagem se fossem informados de sua importância (...) e um percentual de 79,9% para a cooperação se fossem educado para a separação do lixo, locais e horários de coleta.. 1.2 Justificativa do tema De acordo com Abreu (2008), a visão moderna do lixo envolve a adoção de um padrão de comportamento apoiado na redução da produção/consumo de bens que possam gerar resíduos não reaproveitáveis; na reutilização de produtos e de embalagens; na reciclagem de diversos materiais; no tratamento dos materiais não recicláveis de forma não agressiva ao meio ambiente; e na destinação adequada dos resíduos finais. 9 No Brasil, contudo, o crescimento urbano acelerado e desordenado, assim como o relativo aumento do poder de compra dos indivíduos diante da estabilização dos preços fez emergir uma nova parcela de consumidores dispostos ao consumo de um conjunto de bens duráveis e produtos de consumo imediato antes não acessíveis. Entre os discursos ecológicos identificados por Layarargues (2002), o oficial não faz sentido por propor uma redução do consumo, pois o problema para esse autor não é o consumismo, mas o consumo insustentável. Para esse autor, o problema não seria cultural, mas técnico. Nesse sentido, destaca Lyarargues (2002, a critica do consumismo exige a cultura da frugalidade como enfrentamento, a critica ao consumo insustentável, exige a técnica da reciclagem para tornar o consumo sustentável. Assim, a busca de alternativas para equilibrar as ações de consumo com as necessidades de preservação ambiental, de forma a não agravar a qualidade de vida nas cidades e sustentar a vida no planeta são demandas da sociedade a serem trabalhadas pela pesquisa científica. 2. Objetivos Considerando, portanto, que o lixo urbano e, de forma particularizada, o lixo doméstico é um dos agravantes da degradação ambiental no tempo e que a mudança atender à visão moderna do lixo envolve a mudança do comportamento dos indivíduos diante do padrão convencional de descarte do lixo doméstico, esse trabalho de iniciação científica tem como foco central investigar sobre os fatores que podem influenciar a adoção do comportamento de reciclagem aqui delimitado ao atendimento de três objetivos: a) Identificar o entendimento básico apresentado pelos indivíduos com relação ao lixo: seu conceito, sua composição, sua periculosidade e seu descarte. 10 b) Identificar as variáveis que fazem parte do ambiente de discussão sobre o comportamento de reciclagem do lixo domiciliar, apresentados em artigos selecionados sobre o tempo, de forma a operacionalizar o construto do comportamento de reciclagem, bem como possíveis variáveis que atuam sobre a adoção desse comportamento (sociodemográficas, cognitivas, atitudinais, valores e crenças). c) Identificar as relações significantes entre as possíveis variáveis de influência e o comportamento estudado. 3. Plano de trabalho Atividades Mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Levantamento de referencial teórico Pesquisa de material bibliográfico Leitura dos textos Elaboração das resenhas Construção da planilha de variáveis (itens relacionados ao comportamento de reciclagem do lixo domiciliar e itens relacionados às possíveis variáveis de influência sobre o comportamento). Planejamento da Pesquisa Aplicada/Campo • Objetivos da pesquisa aplicada • Estrutura prevista de análise estatística • Planejamento da amostra Execução da Pesquisa Aplicada – Fase 1 Elaboração do questionário, pré-teste e correções Execução da Pesquisa Aplicada – Fase 2 Realização da atividade de coleta de dados junto aos alunos da USCS dos cursos de graduação em Ciências Sociais Aplicadas (Administração, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Comunicação) e Saúde (Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Farmácia e Educação Física). Preparação do material para workshop de Iniciação Científica Execução da Pesquisa Aplicada – Fase 3 Crítica, codificação e digitação dos dados coletados Análise dos dados Processamento dos dados, segundo a estrutura de análise definida, análise dos resultados e elaboração do relatório final do projeto Preparação do material para Workshop de Iniciação Científica e Congresso de Iniciação Científica Elaboração de artigos Após conclusão do projeto de IC 11 11 12 4. Procedimentos Metodológicos De forma geral, para atendimento aos objetivos propostos nesse estudo, o levantamento de dados dar-se-á por meio dos meios tradicionais e virtuais de informação e pretende ser tão somente uma introdução ao tema. Entretanto, qual semente em solo fértil, que possa gerar frutos de conhecimento à pesquisadora de iniciação científica e ao tema investigado. O referencial teórico a ser construído com o aprofundamento da revisão bibliográfica dará o suporte para o aprimoramento da metodologia da pesquisa de campo projetada para atender parte dos objetivos, visto que parte dos objetivos deverá ser atendida pelo próprio referencial selecionado, especialmente, no que se refere à identificação de variáveis a que expressem o comportamento de reciclagem do lixo domiciliar e aos fatores de influência evidenciados nos estudos selecionados. Considerando que é intenção desse estudo é aprofundar aprendizados sobre a questão do comportamento de reciclagem no âmbito do domicílio, optou-se por uma abordagem de caráter exploratório-descritivo. O estudo exploratório pode ter várias finalidades. Selltiz (1974, p. 60) destaca as seguintes: “Aumentar o conhecimento do pesquisador acerca do fenômeno que deseja investigar em estudo posterior, mais estruturado, ou da situação em que pretende realizar tal estudo; o esclarecimento de conceitos; o estabelecimento de prioridades para futuras pesquisas; a obtenção de informação sobre possibilidades práticas de realização de pesquisas em situações de vida real” (SELLTIZ, 1974, p. 60) A abordagem descritiva objetiva coletar dados primários que possam de alguma forma descrever características, comportamentos, atitudes e opiniões da população pesquisada (Malhotra, 2005). 12 Público alvo da pesquisa de campo A atividade de coleta de dados será realizada junto aos alunos da USCS dos cursos de graduação em Ciências Sociais Aplicadas (Administração, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Comunicação) e Saúde (Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Farmácia e Educação Física). A limitação do público-alvo ao espaço da Universidade Municipal de São Caetano do Sul foi definida em função da viabilização da aplicação de pesquisa quantitativa com uma amostra expressiva de casos, de forma a permitir um número de casos suficiente para o tratamento analítico planejado, e mais adiante abordado, possibilitando gerar hipóteses sobre a adoção do comportamento de reciclagem do lixo domiciliar. Tamanho da amostra Estima-se uma amostra de 400 casos distribuídos entre os alunos das duas áreas do conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas e Saúde, calculado com base em amostragem aleatória simples e considerando: erro de estimativa de 5%, intervalo de confiança de 95,5% e supondo a proporção de 50% para a variável principal da pesquisa. A seleção dos respondentes será feita a partir de sorteio dedos alunos a partir do cadastro de matriculas nos respectivos cursos e os dados serão coletados por autopreenchimento. 5. Forma de Análise dos dados Os dados serão analisados a partir das técnicas estatísticas descritivas, especialmente para atendimento aos objetivos a e b, possibilitando descrever o ambiente do entendimento da questão do lixo domiciliar pelos indivíduos, em termos de seu conceito, sua composição, sua periculosidade e seu descarte., bem como a presença e sua intensidade para os fatores de influência evidenciados no referencial bibliográfico selecionado. 13 Para atendimento ao objetivo é planejado o uso da técnica multivariada análise de regressão e, alternativamente, a regressão logística binária, caso as premissas de regressão não possam ser atendidas. Análise de Regressão A terminologia “regressão” foi proposta pela primeira vez por Francis Galton, 1885, em estudo onde demonstrou que a altura dos filhos não tende a refletir a altura dos pais, mas tende a regredir para a média da população (MAROCO, 2003) O modelo clássico de regressão linear baseia-se na associação entre uma variável dependente Y e uma coleção de variáveis preditoras x1, x2......., xr. Sobre o objetivo de aplicação da técnica de análise de regressão, em função de inúmeros objetivos “secundários” possíveis, faz-se necessário sublinhar que o objetivo mais geral dessa técnica é a avaliação do relacionamento entre variáveis. Estabelecer que um grupo de variáveis independentes explica uma proporção da variação de uma variável dependente, a um nível de significância Estabelecer a importância de predição relativa das variáveis independentes (comparando os coeficientes padronizados) (GARSON,2009a). Quanto às suas premissas destaque-se que é necessário o atendimento a: • Ausência de multicolinearidade grave (TABACHNICK E FIDELL, 1996; GUJARATI, 2000; MALHOTRA, 2005; HAIR et al, 2005; GARSON , 2009ai) • Homoscedasticidade (variância constante do resíduo) (TABACHNICK E FIDELL, 1996; GUJARATI, 2000; MALHOTRA, 2005; HAIR et al, 2005; GARSON , 2009a) • Normalidade Multivariada (TABACHNICK E FIDELL, 1996; GUJARATI, 2000; HAIR et al, 2005; GARSON , 2009a) • Linearidade dos parâmetros (TABACHNICK E FIDELL, 1996; GUJARATI, 2000; MALHOTRA, 2005; HAIR et al, 2005; GARSON , 2009a) • Ausência de erros correlacionados (Não correlação serial do termo erro) • Ausência de dados atípicos (TABACHNICK E FIDELL, 1996; HAIR et al, 2005; GARSON , 2009a) • Tamanho da amostra suficiente (104 casos + m, sendo m o número de variáveis independentes (TABACHNICK E FIDELL, 1996); pelo menos 5 casos para cada 14 variável independente (GARSON, 2009a); pelo menos 40 casos para cada variável independentes quando da utilização do método Stepwise) (GARSON, 2009a) Análise de Regressão Logística Quanto aos objetivos de aplicação, a Análise de Regressão Logística enquadra-se na categoria predição. Conforme Garson (2009b), a análise de regressão logística objetiva predizer uma variável dependente a partir de um grupo de variáveis independentes, determinando o quanto a variável dependente foi explicada por esse grupo e, em parte, mais utilizada porque permite ao pesquisador superar muitas suposições restritivas presentes na Análise de Regressão e na Análise Discriminante. Assim, ao contrário das técnicas multivariadas correlatas, a Regressão Logística não assume linearidade das relações, não assume que o erro seja normalmente distribuído, não faz exigência quanto à normalidade da distribuição multivariada (assume que a distribuição esteja dentro da gama da família exponencial das distribuições, como Normal, Poisson, Binomial e Gama), além de também relaxar a premissa de homoscedasticidade. Exige apenas a ausência de multicolinearidade (GARSON, 2009b), a ausência de observações atípicas (GARSON, 2009b) e a amostra deve contemplar pelo menos dez casos para cada variável integrante do modelo (PEDUZZI et al, 1996; GASRON, 2009b). 15 Referências Bibliográficas ABREU, E. F. Intercâmbio e Investimento Mato Grosso/Japão em projetos de MDL e créditos de carbono: queima de resíduos para geração de crédito de carbono. Seminário realizado na Federação das Indústrias de Mato Grosso, Mato Grosso, 23/abr/2008. CASTANHO, Simone C. R.; SPERS, Eduardo, E.; FARAH, Osvaldo. E. Custos e Benefícios para o Consumidor na Ação de Reciclagem. Revista de Administração Mackenzie, v.7,n.4, p78-98. CORRAO-VERDUGO, V.; PINHEIRO, J.Q. Condições para o Estudo do Comportamento Pró-Ambiental. Estudos de Psicologia, Vol.4, p.7-22, 1999 GARSON, G. D. Regression Analysis, from Statnotes: Topics im Multivariate Analysis. 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